Mauro Ferreira no G1

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sábado, 12 de setembro de 2015

Vista do alto, Bethânia é céu no chão na volta de 'Abraçar e agradecer' ao Rio

Resenha de show - Segunda visão (de camarote)
Título: Abraçar e agradecer
Artista: Maria Bethânia (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de setembro de 2015
Cotação: * * * * *

Vista do alto, do olhar vindo de um camarote, Maria Bethânia mais pareceu o céu no chão na volta do show comemorativo de seus 50 anos de carreira, Abraçar e agradecer, ao Rio de Janeiro (RJ), cidade onde a turnê nacional estreou há oito meses. Parafraseando versos escritos pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho para expressar sua visão romantizada do morro de Mangueira no samba composto em 1969 com Paulinho da Viola (Sei lá, Mangueira), o show Abraçar e agradecer não é somente o que se vê numa plateia inferior. É um pouco mais. Mas os olhos somente conseguem perceber esse algo mais de um camarote ou de uma plateia superior, com visão plena do palco lindamente iluminado com projeções pela cenógrafa e diretora do espetáculo, Bia Lessa. Com a poesia visual do cenário, Abraçar e agradecer faz céu, mar - quando as imagens projetadas no palco-led criam a ilusão de que Bethânia canta Meu amor é marinheiro (Alan Oulman em poema de Manuel Alegre, 1974) sobre ondas de um mar em movimento - e também sugere terra nas músicas do bloco interiorano do segundo ato, alastrando beleza pelos lugares por onde o show tem passado desde a estreia, em 10 de janeiro de 2015. Beleza que pode sair tão somente do coração de quem percebeu que Abraçar e agradecer permanece com o viço da estreia, diferentemente de shows anteriores da cantora que foram encolhendo e perdendo luz, músicas e brilho ao longo da turnê. Ao contrário, o show atual ganhou ainda mais vida, coro - o feito pelos músicos em Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) - e esplendor. Nada que surpreenda quem tem ciência de que, em Bethânia, a poesia anda descalça pelo palco iluminado, num sobe e desce constante de emoções e sensações que, em Abraçar e agradecer, ritualizam o que há de mais sagrado e eterno na cantora. Na turnê deste show que versa sobretudo sobre a própria Bethânia, a apresentação de ontem, 11 de setembro de 2015, na casa carioca Vivo Rio, transcorreu mágica, sem pitis, sem interrupções, sem olhares atentos ao teleprompter. Enredo da escola de samba Mangueira no Carnaval de 2016, a menina dos olhos de Oyá se portou como nobre senhora da cena, louvando seus músicos, seus súditos e seus orixás. Vendo tudo do alto de seus 50 anos de palco. Sei lá, não sei... Nesses momentos iluminados, vista do alto, Maria Bethânia é tão grande que nem cabe explicação. 

10 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Vista do alto, do olhar vindo de um camarote, Maria Bethânia mais pareceu o céu no chão na volta do show comemorativo de seus 50 anos de carreira, Abraçar e agradecer, ao Rio de Janeiro (RJ), cidade onde a turnê nacional estreou há sete meses. Parafraseando versos escritos pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho para expressar sua visão romantizada do morro de Mangueira no samba composto em 1969 com Paulinho da Viola (Sei lá, Mangueira), o show Abraçar e agradecer não é somente o que se vê numa plateia inferior. É um pouco mais. Mas os olhos somente conseguem perceber esse algo mais do camarote ou de uma plateia superior, com visão plena do palco lindamente iluminado com projeções pela cenógrafa e diretora do espetáculo, Bia Lessa. Com a poesia visual do cenário, Abraçar e agradecer faz um mar - quando as imagens projetadas no palco-led criam a ilusão de que Bethânia canta Meu amor é marinheiro (Alan Oulman em poema de Manuel Alegre, 1974) sobre ondas de um mar em movimento - e também sugere terra nas músicas do bloco interiorano do segundo ato, alastrando beleza pelos lugares por onde o show tem passado desde a estreia, em 10 de janeiro de 2015. Beleza que pode sair tão somente do coração de quem percebeu que Abraçar e agradecer permanece com o viço da estreia, diferentemente de shows anteriores da cantora que foram encolhendo e perdendo luz, músicas e brilho ao longo da turnê. Ao contrário, o show ganhou ainda mais vida, coro - o feito pelos músicos em Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) - e esplendor. Nada que surpreenda quem tem ciência de que, em Bethânia, a poesia anda descalça pelo palco iluminado, num sobe e desce constante de emoções e sensações que, em Abraçar e agradecer, ritualizam o que há de mais sagrado e eterno na cantora. Na turnê deste show que versa sobretudo sobre a própria Bethânia, a apresentação de ontem, 11 de setembro de 2015, na casa carioca Vivo Rio, transcorreu mágica, sem pitis, sem interrupções, sem olhares atentos ao teleprompter. Enredo da escola de samba Mangueira no Carnaval de 2016, a menina dos olhos de Oyá se portou como nobre senhora da cena, louvando seus músicos, seus súditos e seus orixás. Vendo tudo do alto de seus 50 anos de palco. Sei lá, não sei... Nesses momentos iluminados, vista do alto, Maria Bethânia é tão grande que nem cabe explicação.

Roberto de Brito disse...

Lindo texto, Mauro!
Maria Bethânia merece essa poesia em forma de crítica!

rafael disse...

Concordo, o show ontem foi deslumbrante.também assisti do camarote,foi' outro show '.

Henrique disse...

Lindo texto Mauro! Bethânia merece!

Fernando Lima disse...

De longe e do alto o show é realmente grandioso. Parabéns pela resenha, Mauro. Emocionante. Mas confesso que as intervenções de Bia Lessa emocionam mais que o roteiro e arranjos do show.

Unknown disse...

Mauro. Sentei me em. Sua mesa e conversamos. Parabéns pelo seu artigo. Abraços. Jorge Abbud

Fabio disse...

As duas vezes em que fui sentei na terceira fila. Lendo agora bateu um arrependimento :(

Rafael M. disse...

Também estou esperando loucamente para que esse disco tenha um registro em DVD. Nós, fãs da grande abelha rainha merecemos isso!!!

André M. Amorim disse...

A apresentação do dia 11 foi impecável... Bethânia estava radiando alegria, concentrada nas letras e melodias e ágil na (econômica) movimentação cênica... Pena não ter visto as projeções mas por um outro lado, ver as expressões da cantora e ouvir a voz pela frente do palco foi inesquecível. Esse foi o sexto show de carreira de Bethânia que eu assisti e apesar de ter gostado muito de todos (i.e. XX Anos, Maria, Brasileirinho, Tempo, Tempo e Dentro do Mar tem um Rio) esse foi definitivo para afirmar que Bethânia é uma artista completa e que constantemente se aprimora dentro do que se propôs a fazer para a música brasileira e a cultura de nosso Brasil. Parabéns aos 50 anos e que venham os próximos shows.

Rhenan Soares disse...

Que texto bonito, Mauro! <3
Eu assisti o show, em Brasília, da plateia inferior. Mas era possível enxergar o piso de led tranquilamente. Isso em vídeo - se bem dirigido - vai ser maravilhoso.