Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Retrô 3º trimestre de 2015: Flanders, Danilo e Platão mostram 'discos do ano'

RETROSPECTIVA 3º TRIMESTRE DE 2015 - Encerrado hoje, 30 de setembro, o terceiro semestre deste ano de 2015 já inseriu três álbuns na lista de melhores discos do ano. Curiosamente, são três álbuns de três cantores e compositores. Enquanto as cantoras se destacaram nos palcos, três cantores lançaram discos irretocáveis. Hélio Flanders iniciou sua carreira solo com o primoroso Uma temporada fora de mim (Deck), doído álbum lançado em setembro. Fora do universo musical do Vanguart, grupo de Cuiabá (MT) que o projetou no universo pop, o cantor e compositor mato-grossense mostrou evolução como intérprete e como compositor neste disco existencial que arde na fogueira das paixões, com toques de tango. Com mais leveza, Danilo Caymmi deu voz e frescor ao cancioneiro de seu pai, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), em Don don (Maravilha 8), disco gravado - e assinado - pelo cantor e compositor carioca com o baixista Bruno Di Lullo e com o baterista Domenico Lancellotti, expoentes da cena musical carioca. Disponível por ora somente nas plataformas digitais, nas quais chegou em 28 de agosto, Don don oferece visão contemporânea da obra de Dorival sem desfigurar as músicas do compositor baiano. Duas semanas antes, em 14 de agosto, Toni Platão jogou na rede - sem aviso prévio - seu melhor álbum, Lov (Independente), disco quente, gravado com pegada e com a produção de Berna Ceppas. Por ora também lançado somente em edição digital, Lov priorizou as canções de amor para lembrar que Platão (ainda) é um dos melhores cantores da geração roqueira revelada nos anos 1980. Embora não seja um disco perfeito, por deixar a sensação de ser longo demais, o segundo ótimo álbum de Emicida, Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa (Laboratório Fantasma / Sony Music, 2015) - lançado em agosto - merece menção honrosa por apontar e denunciar o racismo com músicas que alternam fúria e delicadeza. Se os homens deram os tons dos discos, as mulheres reinaram nos palcos. Sob a direção de Elias Andreato, a cantora paulistana Fabiana Cozza depurou seu canto, seu gestual e sua postura cênica em seu melhor show, Partir, baseado no excelente homônimo quinto álbum de Cozza Já Fafá de Belém fez seu coração assumidamente brega bater mais forte em espetáculo dirigido por Paulo Borges que amplificou o sentido do repertório extremamente popular de um álbun, Do tamanho certo para o meu sorriso (Joia Moderna), que fez a cantora paraense voltar com força à mídia e ao mercado fonográfico após anos de discos de menor expressão e quase nenhuma repercussão. Por fim, quase no apagar das luzes do trimestre, Gal Costa festejou seus 70 anos no palco com a estreia nacional de luminoso show, Estratosférica, no qual a senhora cantora baiana reitera a sintonia com a cena contemporânea - exposta no perfeito CD lançado em maio - enquanto se reflete no espelho cristalino dos momentos áureos dos seus 50 anos de carreira.

12 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ RETROSPECTIVA 3º TRIMESTRE DE 2015 - Encerrado hoje, 30 de setembro, o terceiro semestre deste ano de 2015 já inseriu três álbuns na lista de melhores discos do ano. Curiosamente, são três álbuns de três cantores e compositores. Enquanto as cantoras se destacaram nos palcos, três cantores lançaram discos irretocáveis. Hélio Flanders iniciou sua carreira solo com o primoroso Uma temporada fora de mim (Deck), doído álbum lançado em setembro. Fora do universo musical do Vanguart, grupo de Cuiabá (MT) que o projetou no universo pop, o cantor e compositor mato-grossense mostrou evolução como intérprete e como compositor neste disco autoral que arde na fogueira das paixões, com toques de tango. Com mais leveza, Danilo Caymmi deu voz e frescor ao cancioneiro de seu pai, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008), em Don don (Maravilha 8), disco gravado e assinado pelo cantor e compositor carioca com o baixista Bruno Di Lullo e com o baterista Domenico Lancellotti, expoentes da cena musical carioca. Disponível por ora somente nas plataformas digitais, nas quais chegou em 28 de agosto, Don don oferece visão contemporânea da obra de Dorival sem desfigurar as músicas do compositor baiano. Duas semanas antes, em 14 de agosto, Toni Platão jogou na rede - sem aviso prévio - seu melhor álbum, Lov (Independente), disco quente, gravado com pegada e com a produção de Berna Ceppas. Por ora também lançado somente em edição digital, Lov priorizou as canções de amor para lembrar que Platão (ainda) é um dos melhores cantores da geração roqueira revelada nos anos 1980. Embora não seja um disco perfeito, por deixar a sensação de ser longo demais, o segundo ótimo álbum de Emicida, Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa (Laboratório Fantasma / Sony Music, 2015) - lançado em agosto - merece menção honrosa por apontar e denunciar o racismo com músicas que alternam fúria e delicadeza. Se os homens deram os tons dos discos, as mulheres reinaram nos palcos. Sob a direção de Elias Andreato, a cantora paulistana Fabiana Cozza depurou seu canto, seu gestual e sua postura cênica em seu melhor show, Partir, baseado no excelente homônimo quinto álbum de Cozza Já Fafá de Belém fez seu coração assumidamente brega bater mais forte em espetáculo dirigido por Paulo Borges que amplificou o sentido do repertório extremamente popular de um álbun, Do tamanho certo para o meu sorriso (Joia Moderna), que fez a cantora paraense voltar com força à mídia e ao mercado fonográfico após anos de discos de menor expressão e quase nenhuma repercussão. Por fim, quase no apagar das luzes do trimestre, Gal Costa festejou seus 70 anos no palco com a estreia nacional de luminoso show, Estratosférica, no qual a senhora cantora baiana reitera a sintonia com a cena contemporânea - exposta no perfeito CD lançado em maio - enquanto se reflete no espelho cristalino dos momentos áureos dos seus 50 anos de carreira.

Natálio disse...

Don Don, de Danilo Caymmi, está perfeito. Espero que saia em CD.

Fred Alves disse...

Mauro e o primoroso cd Soledade?

Fred Alves disse...

Mauro e o primoroso cd Soledade?

Fred Alves disse...

Mauro e o primoroso cd Soledade?

Mauro Ferreira disse...

Fred Alves, entram na minha lista de discos do ano apenas os álbuns que mereceram cinco estrelas na minha avaliação (a menos que não haja discos suficientes com esta cotação - o que não é o caso de 2015). 'Soledade', belo disco de Cida Moreira, quase chegou lá. Assim como 'Loucura', projeto em que Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues, entre outros CDs e DVDs. Por isso, não está aqui no post. Abs, MauroF

Edu Chedid disse...

Os albuns devem estar belos de fato, mas a distribuição dos mesmos .... que distribuição ????

lurian disse...

O disco da Cida moreira, pra mim foi um dos melhores. Uma espécie de Brasileirinho tendo uma referência um pouco mais contemporânea. Grande disco da Cida!
O Hélio Flanders veio surpreendente, existencial, passional sem resvalar para o sentimentalóide. Dois dos melhores do ano sem dúvida!

Rafael M. disse...

O disco da Cida é esplendoroso, deveria ter entrado na lista, assim como o novo álbum da Célia.

BIGODE disse...

Acho que faltou Cida Soledade e Karina dois dos melhores discos de 2015.

O disco do Hélio é tão especifico, estranho e intimista não entendo ele estar aqui
sem contar esse do Platão e do Caymmi discos estranhos prá não dizer chatos....

Gal concordo plenamente, talvez o melhor do ano

O bom de toda lista é poder discordar delas e falar sobre música, essa lista eu achei bem estranha

Anderson Lopes disse...

Gosto dessas análises trimestrais. Está sendo um ano de ótimos discos e acontecimentos na música nacional onde Gal reina soberana!

Rhenan Soares disse...

Torci o nariz pra lista, haha! Não acho o disco do Flarders essa perfeição toda (apesar de gostar bastante) e não ouvi o do Platão. Ótimo lembrete, inclusive. Os shows ainda não consegui ver nenhum... Nem li a resenha do da Gal, pra não morrer de desespero, porque ainda não sei se poderei ver nos próximos meses. Mas confio que está maravilhoso.