quarta-feira, 27 de maio de 2015

Popozuda relança seu single 'Sou dessas' com participação de Claudia Leitte

Single lançado oficialmente pela funkeira carioca Valesca Popozuda em 13 de março de 2015, Sou dessas - composição de Wallace Viana, gravada para a Pardal Records com produção de Viana e Popozuda - está sendo reeditado nesta última semana de maio de 2015 em remix de pegada oriental produzido com participação da cantora fluminense Claudia Leitte. O dueto vai render clipe.

Eis a capa de 'Mar azul', louvação ao 'Clube' que ganha edição digital via Slap

Esta é a capa de Mar azul - Sons de Minas Gerais vol. 1, disco que vai ser lançado em 8 de junho de 2015 em edição exclusivamente digital viabilizada pelo selo Slap, da gravadora Som Livre. Louvação aos cancioneiros de compositores associados ao Clube da Esquina, Mar azul é projeto produzido pela TocaVídeos com gravações inéditas de músicas desses compositores, mineiros em sua grande maioria, em que pese a origem carioca do sócio majoritário Milton Nascimento. Simultaneamente com o disco, os 11 vídeos do projeto - filmados sob direção de Fernando Neumayer e Luís Martino, com fotografia de Thiago Britto - serão disponibilizados no canal da TocaVídeos no YouTube. De início, a ideia era lançar em novembro de 2014, somente em vídeo, as gravações inéditas e exclusivas do projeto. Depois, o lançamento de Mar azul foi reprogramado para fevereiro de 2015. Contudo, com a entrada em cena do selo Slap, a edição ficou para junho. Entre hits da turma das Geraes, o repertório traz Pedras rolando, lado B da discografia de Beto Guedes, parceiro do poeta fluminense Ronaldo Bastos na música lançada por Guedes em seu álbum Sol de primavera (EMI-Odeon, 1979) e revivida pelo mineiro (radicado no Rio de Janeiro) César Lacerda em Mar azul. Além de Lacerda, o elenco de Mar azul inclui Dani Black, Moska, Pedro Luís e Silva. Eis, na ordem da edição digital do disco, as 11 músicas e respectivos intérpretes do tributo:

1. Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) - César Lacerda
2. Canoa, canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977) - Júlia Vargas
3. Um girassol da cor de seu cabelo (Márcio Borges e Lô Borges, 1972) - Silva
4. Reis e rainhas do maracatu (Nelson Ângelo, Novelli e Fran, 1977) - Pedro Luís
5. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) - Maíra Freitas
6. Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1972) - Michele Leal
7. Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) - Ordinarius
8. Fazenda (Nelson Ângelo, 1976) - Lucas Arruda
9. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) - Dani Black
10. Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges e Lô Borges, 2002) - Moska
11. Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977) - João Bittencourt

Arranjos e repertório valorizam samba com boogie woogie de Antonia Adnet

Resenha de CD
Título: Tem + boogie woogie no samba
Artista: Antonia Adnet & convidados
Gravadora: Biscoito Fino / Adnet Mvsica
Cotação: * * * 1/2

Violonista que se tornou cantora há cinco anos com um primeiro álbum sintomaticamente intitulado Discreta (Biscoito Fino / Adnet Mvsica, 2010), a carioca Antonia Campello Adnet tem uma voz de pequeno alcance, sem brilho. Mas nem por isso deixa má impressão em seu terceiro álbum, Tem + boogie woogie no samba, produzido pela própria artista com Mario Adnet. Arranjos e repertório valorizam um disco em que Antonia Adnet cai com elegância discreta no samba sincopado. No contexto disco, o tal boogie-woogie é um swing importado pelo Brasil dos Estados Unidos nos anos 1940 e 1950 que se integrou perfeitamente ao suingue nativo da cadência bonita do samba carioca. Antonia já havia incursionado por esse universo ao dar voz ao Boogie woogie do rato (Denis Brean, 1947) em seu segundo álbum, Pra dizer sim (MP,B Discos / Universal Music, 2012). Mas o mergulho atual é mais fundo, tendo por base a pesquisa de repertório feita por Alfredo Del-Penho e Mario Adnet para álbum, Samba meets boogie woogie (Adventure Music, 2008), lançado somente no exterior. Contribuições adicionais de Pedro Paulo Malta e Rodrigo Alzuguir resultaram nas escolhas dos 12 temas de Tem + boogie woogie no samba. Seleção que soa sempre interessante, integrando clássicos como Chiclete com banana (Almira Castilho e Gordurinha, 1958) - ora mastigado com frescor no toque do trio de metais arregimentado para o arejado arranjo - com pérolas realmente raras como O que é que tem? (Joel de Almeida e Pedro Caetano, 1939), samba feito como resposta ao sucesso inaugural do cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), O que é que a baiana tem? (1939). Reavivado por Antonia em dueto com Roberta Sá, O que é que tem? tenta elevar a autoestima das cariocas face aos elogios feitos por Caymmi às baiana, mas a resposta ao samba da terra de Caymmi perde feito em ritmo, letra e melodia. Outra joia tirada do fundo do baú é Cadê a Jane? (Erasmo Silva e Wilson Batista, 1948), samba lançado pelo grupo Os Cariocas e regravada por Antonia com Pedro Paulo Malta. Os vocais do arranjo evocam sutilmente Os Cariocas. A propósito, Mario Adnet e Antonia Adnet brilham como arranjadores, imprimindo leveza ao repertório de Tem + boogie woogie no samba. Cabe ressaltar o suingue entranhado nos arranjos pelo toque do piano de Marcos Nimrichter. O disco tem um sotaque vintage. Como a voz opaca de Antonia Adnet está bem colocada em composições como Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida, 1945), o resultado é um disco agradável. Há boas ideias como o convite ao cantor e compositor carioca João Cavalcanti para travar com Antonia o diálogo telefônico de Joãozinho boa pinta (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa, 1952), samba ouvido na inédita (em disco) versão de 1952 da composição lançada em 1950 pelo cantor paulista Otávio Henrique de Oliveira (1919 - 1983), o Blecaute. Os nomes dos autores, aliás, se repetem ao longo do disco. O compositor paulista batizado como Augusto Duarte Ribeiro (1917 - 1969), mas conhecido no meio artístico pelo pseudônimo de Denis Brean, é - por exemplo - nome recorrente na ficha técnica do disco por ter investido pioneiramente neste tipo de samba sincopado feito com a tal influência do suingue norte-americano. De Brean, Antonia dá voz a Boogie woogie na favela ( Denis Brean, 1945) e - em dueto com Pedro Miranda - ao pouco ouvido samba Bahiana no Harlem (Denis Brean e Oswaldo Guilherme, 1950), exemplo típico de como o Brasil soube a fazer política da boa vizinhança na fronteira musical. Em seu dueto com Alfredo Del-Penho em Pra que discutir com madame? (Janet de Almeidt e Haroldo Barbosa, 1945), Antonia também faz sua política da boa vizinhança com João Gilberto, evocado no tom reverente da gravação de um samba que, embora tenha sido lançado em disco por seu compositor Janet de Almeida (1919 - 1945), está definitivamente associado à bossa de João. E cabe ressaltar que, entre tanta bossa e tanto suingue, há espaço também para a melancolia embutida em Tintim por tintim (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa, 1951) e realçada pelo canto de Antonia. Enfim, fora do trilho autoral de seus dois primeiros álbuns, Antonia Adnet dá boa contribuição à discografia nacional com álbum conceitual feito com respeito à estrutura original dos sambas, mas sem ranço tradicionalista.

Hit de Erasmo há 50 anos, 'Minha fama de mau' ganha regravação de CPM 22

Grupo formado em 1995 na cidade de Barueri (MG), CPM 22 festeja 20 anos de vida com a edição de single em que apresenta gravação inédita de Minha fama de mau (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), rock lançado há 50 anos pelo Tremendão, no reinado da Jovem Guarda, com sucesso emblemático. A "versão ramoneira" - assim caracterizada pelo próprio grupo - de Minha fama de mau pelo CPM 22 já está em rotação no YouTube. Tal single não está à venda no iTunes.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Livro compila 11 ensaios de antropóloga que releu o Brasil através da canção

Embora de origem mineira, a antropóloga Santuza Cambraia Naves (1952 - 2012) conquistou admiradores sobretudo no meio acadêmico carioca com suas interpretações da música brasileira em livros como O violão azul (Fundação Getúlio Vargas, 2008) e Da Bossa Nova à Tropicália (Zahar, 2011). Lançado neste mês de maio de 2015 pela editora Zahar, A canção brasileira - Leituras do Brasil através da música é título póstumo da obra literária da antropóloga na área musical. O livro reúne 11 ensaios escritos por Santuza ao longo de sua carreira e publicados originalmente entre 1998 e 2011. Os artigos têm linguagem acessível, evitando o academicismo que poderia afugentar leitores pouco habituados às prosódias universitárias. Publicado originalmente em 2004, o ensaio Eu quero frátia - A comunidade do rap é artigo já em si interessante por ter lançado raro olhar acadêmico sobre o universo do hip hop, situado em outra esfera social. Também de 2004 é Chico Buarque de Hollanda - O samba como redenção, ensaio em que antropóloga abordou o samba do compositor carioca sob prisma político. O artigo mais antigo, Caetano Veloso - "E onde queres romântico, burguês', escrito e publicado em 1998, foca a obra do compositor baiano a partir de visão do show Livro, ao qual Santuza assistiu naquele ano. Outros artigos - como A canção popular entre Mário e Oswald (2010), A educação sentimental no samba-canção e na bossa nova (2011)  e Tom Jobim entre o experimentalismo e a reverência à tradição (2010) - mostram que o leque musical aberto pela antropóloga foi amplo, tendo ventilado considerações pertinentes sobre canções,  compositores e temas que abarcam ricos 100 anos de música brasileira.

Ozzetti e Wisnik fazem registro audiovisual do show em que cantam 'Ná e Zé'

A IMAGEM DO SOM - A foto de Rodrigo Goffredo mostra o compositor e pianista paulista Zé Miguel Wisnik com a cantora e compositora paulistana Ná Ozzetti no palco do teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo (SP), em 24 de maio de 2015, na última das três apresentações da temporada de estreia de Ná e Zé, show baseado no homônimo CD em que os artistas celebram 30 anos de afinidades. Esta terceira apresentação foi alvo de registro audiovisual, conforme avisado ao público antes do início do show. No espetáculo, Ozzetti & Wisnik vão além do repertório do recém-lançado álbum Ná e Zé (Circus Produções, 2015). O roteiro incluiu Ultrapássaro (parceria de Dante Ozzetti com Wisnik gravada por Ná no álbum Estopim, editado em 1999 via NK Records) e Pérolas aos poucos (música de Wisnik e Paulo Neves gravada por Ná em Piano e voz, CD editado em 2005 com André Mehmari via MCD), além de duas músicas de Wisnik, Mais simples e Se meu mundo cair, lançadas na voz cristalina da cantora paulistana Zizi Possi no álbum Mais simples (PolyGram, 1996).

'Guelã' dá asas para Gadú voar livre em rota de sons e silêncios inesperados

Resenha de CD
Título: Guelã
Artista: Maria Gadú
Gravadora: Slap / Som Livre
Cotação: * * * *

 Bailando leve, Maria Gadú bota seu bloco free na rua com o lançamento de Guelã. Terceiro álbum de estúdio da cantora e compositora paulistana, Guelã dá asas para Gadú voar livre em rota intimamente pessoal, pautada pela estranheza, pelo inesperado. Em Guelã, CD produzido por Gadú com a colaboração do músico Federico Puppi, a artista completa o voo iniciado em um segundo (bom) álbum de estúdio, Mais uma página (Slap / Som Livre, 2011), em que a cantora já tentou corajosamente virar o disco, sinalizando que tentaria escapar da prisão do sucesso massivo de seu primeiro álbum, Maria Gadú (Slap / Som Livre, 2009). Para embarcar na atual viagem, Gadú pilotou sua guitarra (alternada com seu violão) e convocou novos tripulantes - Doga (percussão), Lancaster Pinto (baixo) e Tomaz Lenz (bateria), além do já mencionado Federico Puppi (no cello e no baixo) - para formar uma banda dos sem medo de subverter a fórmula do sucesso radiofônico. Mesmo a música mais palatável dentre as dez gravadas por Gadú em Guelã - O bloco (Maria Gadú e Maycon Ananias), já previamente apresentada como primeiro single do álbum - segue seu curso longe do trilho óbvio. Guelã é um disco feito de sons e silêncios em que a voz da cantora é mais um elemento dentro de um universo sonoro artesanal que inclui longas passagens instrumentais. Basta dizer que o canto de Gadú entra somente aos dois minutos da primeira música do CD, Suspiro (Maria Gadú). Se o belo álbum inaugural de 2009 apresentou grandes canções formatadas para o chamado grande público, entre alguns covers imaturos, Guelã torna suas canções grandes pela construção de um universo musical delicado e feminino, como explicitam Ela (Maria Gadú) e a oportuna releitura de Trovoa (Maurício Pereira, 2007), odes à mulher amada. Trovoa é a única música de lavra alheia e a única regravação do repertório essencialmente inédito e autoral. Guelã é um disco tão intimamente pessoal que talvez somente faça pleno sentido para a própria Gadú. Mas o que importa é que o disco põe a artista em movimento, criando uma sonoridade que inclui algo de rock em Semivoz (Maria Gadú, Maycon Ananias e James McCollum) e que cai em suingue próprio na rítmica levada pelos vocalises de Sadéku, parceria de Gadú com a artista cubana (de vivência cabo-verdiana) Mayra Andrade. Um dos trunfos do repertório, Tecnopapiro (Maria Gadú) é acerto de contas emocional entre uma mãe analógica e uma filha da era cibernética. Pela coesão da sonoridade moderna (mas jamais modernosa), Guelã valoriza músicas em si menores do que o conjunto do disco, caso de (Maria Gadú). Melodias como a de Vaga (Maria Gadú) se afinam com a estranheza provocada pela capa do disco, cuja arte é assinada por Luisa Corsini com Lua Leça e a própria Gadú. No fim, Aquária (Maria Gadú) fecha Guelã soando, até seus três minutos, como sedutor tema instrumental. Até que entra a voz de Gadú para cantar os versos "Dois pontos negros no céu / Focam seus olhos no mar / Tendo o silêncico no peito / Lendo o silêncio com os olhos / Faço silêncio de mim", perfeitos tradutores de disco que liberta Gadú da prisão do sucesso massivo.

CD 'Dois na rede' festeja 25 anos do duo fonográfico de Peranzzetta e Senise

 Paralelamente às suas respectivas trajetórias individuais como músicos cariocas, o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista e flautista Mauro Senise formaram um duo cuja obra fonográfica completa 25 anos em 2015, tomando-se como ponto de partida a edição, em 1990, do álbum Uma parte de nós, lançado simultaneamente nos formatos de LP e CD pela gravadora carioca Visom. Álbum gravado ao vivo em 17 de outubro de 2014, em show feito pelos músicos no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), Dois na rede celebra os 25 anos dessa parceria fonográfica. Feito sob a direção musical dos músicos, o disco está sendo editado neste mês de maio de 2015 pela gravadora Fina Flor. Com a liberdade do improviso, concedida pela linguagem do jazz, Peranzzetta e Senise tocam temas brasileiros como Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977) e Só louco (Dorival Caymmi, 1955). Além de tocar piano, Peranzzetta assina os arranjos dos 12 temas do disco, sendo que cinco - Bilhete pro Guinga, Braz de Pina (tributo ao bairro carioca onde viveu seus primeiros 25 anos de vida), a música-título Dois na rede, Paisagem brasileira e  Forrozim, um chorinho pra Zé Américo  - são de sua própria lavra.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Dônica revela título de álbum que lança em junho e que tem faixa com Milton

Continuidade dos parques é o título do primeiro álbum da banda carioca Dônica. Com a participação de Milton Nascimento na música O pintor (José Ibarra e Tom Veloso), o disco vai ser lançado em junho de 2015 em edição da gravadora Sony Music. O quinteto - em foto de Fernando Young - debutou no mercado fonográfico em dezembro de 2014 com a edição digital do EP Dônica.

Diogo canta Vercillo e 'musas' de Arlindo e Rogê no CD 'Porta-voz da alegria'

Parceria de Jorge Vercillo com Paulo César Feital, Grão de areia é uma das 17 músicas distribuídas entre as 15 faixas de Porta-voz da alegria, terceiro álbum solo de estúdio do cantor e compositor carioca Diogo Nogueira. Produzido por Bruno Cardoso e Lelê, da empresa US3, o disco tem arranjos divididos entre Alessandro Cardozo, Boris, Jota Moraes, Prateado e Rodrigo Leite. Outro destaque do repertório é Musas, parceria de Arlindo Cruz com Rogê que embute citações dos sambas Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970), Maria Rita (Luiz Grande, 1978), Modinha pra Gabriela (Dorival Caymmi, 1975) e Ai, que saudades da Amélia! (Ataulfo Alves e Mario Lago, 1941). Eis, na ordem do CD, as músicas de Porta-voda alegria, álbum que chega ao mercado fonográfico a partir de 9 de junho numa edição do selo EMI, da gravadora Universal Music:

1. Porta-voz da alegria (André Renato e Picolé)
2. Alma boêmia (Toninho Geraes e Paulinho Rezende, 2010)
3. Clareou (Serginho Meriti e Rodrigo Leite)
4. Tenta a sorte (André Renato e Picolé)
5. A gente se liga (Serginho Meriti e Claudemir)
6. A mil por hora
7. Pra que brigar?
8. Eu tenho dúvida
9. Grão de areia (Jorge Vercillo e Paulo César Feital)
10. Deixa eu ir à luta (Leandro Lehart)
11. Não tô nessa
12. O amor tem seu lugar (Xande de Pilares, Leandro Fab e Fred Camacho)
13. Pra amenizar teu coração (Dudu Nobre e Sombrinha) /
      Na butique /
      Pra ninguém mais chorar
14. Musas (Arlindo Cruz e Rogê)
      Citações de: Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970), Maria Rita (Luiz
      Grande, 1978), Modinha pra Gabriela (Dorival Caymmi, 1975) e Ai, que saudades da
      Amélia (Ataulfo Alves e Mario Lago, 1941)

15. Paixão além do querer

Som Livre edita o single 'Exagerado 3.0', 30 anos após lançar o hit de Cazuza

Trinta anos após lançar a gravação original de Exagerado (Leoni, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985), pedra fundamental da carreira solo de Cazuza (1958 - 1990), a gravadora Som Livre lança single digital com registro turbinado da música. Intitulado Exagerado 3.0, o single tem produção assinada por Liminha. À voz original de Cazuza, foram adicionadas a guitarra de Dado Villa-Lobos, a bateria de João Barone e as intervenções de Kassin. O objetivo foi atualizar o som deste rock de cepa pop.

Gravado por Gal, Arthur Nogueira lança seu segundo álbum via Joia Moderna

♪ Cantor e compositor paraense radicado em São Paulo (SP) que ganhou visibilidade fora da cena indie neste mês de maio por ser parceiro do poeta carioca Antonio Cícero em Sem medo nem esperança, elogiado rock gravado por Gal Costa no recém-lançado álbum Estratosférica (Sony Music, 2015), Arthur Nogueira se prepara para lançar seu segundo álbum. O sucessor do álbum Mundano (Independente, 2009) e dos EPs Mundano+ (Independente, 2010) e Entremargens (Independente, 2013) vai ser lançado em junho de 2015 em edição da gravadora Joia Moderna. Sem medo nem esperança figura no repertório autoral e dá nome ao disco de Arthur (em foto de Diego Ciarlariello). O álbum tem produção do duo paraense Strobo, tendo sido gravado com coprodução de Marcelo Segreto (integrante da banda paulistana Filarmônica de Pasárgada) e de João Paulo Deogracias.  A direção artística do álbum Sem medo nem esperança é de Marcus Preto.

domingo, 24 de maio de 2015

Arte de Elifas na criação de capas de discos é exposta em evento multimídia

Resenha de exposição
Título: Elifas Andreato - Contornos da música carioca
Artista: Elifas Andreato
Local: Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de maio de 2015
Fotos: Mauro Ferreira 
Cotação: * * * *
 Em cartaz de terça-feira a domingo, até 13 de dezembro de 2015, com entrada gratuita

Eis o malandro no trem outra vez, reproduzido em escala humana, em posição idêntica ao do cenário criado por Elifas Andreato para ser fotografado para a capa do álbum duplo Ópera do malandro (Philips, 1979). Trata-se de uma das capas mais festejadas da discografia do cantor e compositor carioca Chico Buarque, aliás. O que justifica a exibição da réplica do malandro, em dimensões reais, na exposição Elifas Andreato - Contornos da música carioca, idealizada para celebrar os 50 anos de carreira do artista gráfico paranaense. Em cartaz de terça-feira a domingo no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, no Rio de Janeiro (RJ), até 13 de dezembro de 2015, a exposição tem curadoria de João Rocha Rodrigues e faz jus ao talento de Elifas. No rastro da aclamação das capas de tom clean criadas pelo artista gráfico carioca César Villela para discos da Elenco ao longo da década de 1960, com marcante identidade visual para o catálogo da gravadora, o então iniciante Elifas construiu uma linguagem gráfica toda própria para suas capas em carreira que, embora iniciada em 1965, deslanchou a partir da primeira metade da década de 1970 com a criação de capas antológicas para álbuns de cantores e compositores como Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Elifas trabalhou com todos os grandes nomes do samba. Em todas suas capas, o artista gráfico retratou o artista e o conceito do disco com imagens notáveis, carregadas de sentimento. Para quem não conhece Elifas, sua bela arte está exposta neste evento multimídia que permite o manuseio das capas dos LPs, a audição dos álbuns através de aplicativos digitais e possibilita até que o espectador encaixe seu rosto na moldura de algumas das capas disponíveis para fazer selfie. Além de poder ouvir os álbuns em vitrolas virtuais, há a exibição de vídeos inéditos. Ao pôr os fones de ouvido e selecionar um dos álbuns no menu, o espectador assiste a um vídeo em que Elifas explica o processo de criação e fabricação da capa do disco escolhido. Paulinho da Viola (Paulinho da Viola, EMI-Odeon, 1978), Terreiro, sala e salão (Martinho da Vila, RCA-Victor, 1979) e Traço de união (Beth Carvalho, RCA-Victor, 1982) são alguns discos oferecidos no menu entre álbuns de João Nogueira (1941 - 2000) e Chico Buarque, entre outros nomes. Além disso, é possível assistir no andar superior a uma versão editada do documentário Elifas Andreato - Um artista brasileiro (2007) e, no andar térreo, caminhar por réplica em tamanho real do escritório em que o artista trabalha em São Paulo (SP). Tudo para fazer o espectador entrar no clima do ofício deste artista fundamental para que as capas de discos também fossem vistas e apreciadas no Brasil como objetos de arte que vão muito além da função de embalar o vinil e o CD.

Cosentino desbota poesia em carne viva de 'Amarelo' com melodias frígidas

Resenha de CD
Título: Amarelo
Artista: Bruno Cosentino
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 

Cantor e compositor carioca, Bruno Cosentino conceitua seu primeiro álbum solo, Amarelo, como "um disco de amor e erotismo". Quatro anos após lançar álbum à frente da banda Isadora, A eletrônica e musical figuração das coisas (Independente, 2011), o artista lança disco em que o amor e o erotismo ardem em carne e cores vivas nas letras embebidas na poesia urbana de Amarelo. Mas toda a quentura de versos como "O sexo respira entre a gente / Podemos morrer pela cintura / Podemos viver sem aventura" - contidos na letra de Respira, uma das nove músicas inéditas de Amarelo assinadas solitariamente por Cosentino - logo se dilui diante da frigidez das melodias do repertório autoral alinhado pelo compositor neste disco produzido por Bartolo. Em Tarde, tema que abre Amarelo com o toque da guitarra de Arto Lindsay, ruídos e efeitos deixam entrever somente um fragmento de melodia. Esse forte contraste entre músicas e letras desbota Amarelo, porque o pulso pulsa firme na poesia que embute angústias e inquietudes desencapadas no fio do novelo do amor erótico do cotidiano, mas essa poesia não encontra abriga seguro na música. Os versos de músicas como Amor a quanto obriga e Preciso aprender a não ser indicam um cantautor com algo a dizer, mas sem meios para dizer isso a contento. Talvez seja preciso procurar um outro tipo de música - ou de veículo - para dizer tudo que jorra nos versos. O dueto com Ana Claudia Lomelino - vocalista do grupo carioca Tono - em Sem pecado preserva Amarelo em uma temperatura amena que não dá conta de passar todos os questionamentos de Por que (Otto, 2001), única regravação do repertório. A banda-base - formada por músicos cariocas como o guitarrista Pitter Rocha, o percussionista Thomas Harres e o baixista Pedro Dantas - contribui a favor do disco, criando sonoridade sedutora para envolver, por exemplo, uma música de somente quatro versos como Pra que perder tempo?, exemplo do reiterante contraste entre as temperaturas das músicas e e das letras. Mas o disco sempre desbota, embora Amarelo ganhe alguma cor em Este lugar, música adornada com a guitarra slide de Bartolo e o piano de Rubinho Jacobino, entre cordas (violino, cello e viola). No fim, Dois - música-vinheta gravada no estilo voz e baixo (o de Pedro Dantas) - reitera que Bruno Cosentino deve buscar outros parceiros musicais (com pendores de melodistas) para esquentar seu jogo poético de amor e erotismo. Tal como o sexo, a música pode ser feita sozinha, mas geralmente é melhor a dois,  com a cumplicidade de um parceiro afim.

Dado repassa tensa história da Legião pelo filtro da memória própria e alheia

Resenha de livro
Título: Dado Villa-Lobos - Memórias de um legionário
Autor: Dado Villa-Lobos, Felipe Demier e Romulo Mattos
Editora: Mauad X
Cotação: * * 1/2

Em tese, o livro Memórias de um legionário é a autobiografia de Dado Villa-Lobos, o compositor e guitarrista de origem belga que ganhou projeção nacional a partir dos anos 1980 como músico da banda Legião Urbana (1982 - 1996). Na prática, embora concentre dados biográficos da infância e adolescência do artista em seus capítulos iniciais, o livro reconta basicamente a saga da Legião Urbana. Sim, há também menções, ao longo das 256 páginas do livro, aos trabalhos feitos por Dado antes, durante e depois de seu ingresso na banda. Mas o foco principal é sempre a Legião, banda alvo de culto sagrado que conseguiu transcender o universo do rock por conta das letras políticas, filosóficas e existenciais escritas pelo mentor do grupo, Renato Russo (1960 - 1996). No livro, Dado repassa a tensa história da Legião pelo filtro da sua memória e de memórias alheias, pois volta e meia o artista recorre às versões de fatos escritos em outros livros que narraram a vida de Renato Russo e dissecaram a cena roqueira de Brasília (DF) que gerou em 1982 a Legião Urbana - banda nascida após o fim do lendário Aborto Elétrico (1978 - 1982), grupo de aura punk para o qual Russo criou músicas que ganhariam alcance nacional em registros da Legião Urbana. A narrativa do legionário flui muito bem, provavelmente pelo fato de o autor ter se juntado a dois historiadores, Felipe Demier e Romulo Matos, para organizar os dados no livro. Por ter sido um dos agentes dessa história, Dado Villa-Lobos tem muito o que contar. Mas o fato é que sua autobiografia pouco ou nada acrescenta de relevante ao que já se sabia sobre a Legião. Por mais que Dado detalhe a gestação de cada álbum da Legião (reproduzindo - e comentando - trechos de críticas para mostrar como cada disco foi recebido na imprensa) e que reviva o clima dos shows mais emblemáticos da banda, descortinando atribulados bastidores de turnês, as memórias do legionário são indicadas preferencialmente para quem nunca leu um livro sobre a heroica aventura de Dado, Marcelo Bonfá (bateria), Renato Rocha (1961 - 2015), o controvertido baixista Negrete, e Renato Russo no universo pop brasileiro. A fartura de menções ao que foi publicado em livros, jornais e revistas sinaliza que Dado confiou menos na sua memória do que deveria. E é justamente quando o autor deixa escapar uma impressão mais pessoal - como a exposta na frase "Essa banda teve poucos momentos divertidos, e esse foi um deles", dita ao comentar a performance e os figurinos dos legionários no especial infantil A era dos Halley, exibido pela TV Globo em outubro de 1985 - que o livro avança em relação às publicações anteriores e fica mais interessante, posto que mais pessoal. Mas tais impressões são raras. Dado tampouco se posiciona sobre a polêmica atitude de cantar o repertório da Legião em especial da MTV com o ator e cantor Wagner Moura no posto de vocalista. De todo modo, Memórias de um legionário documenta mais uma (bem-vinda) visão de grande história que atravessa gerações, tal como o som da Legião Urbana. Sempre haverá novos leitores...

Victor & Leo lançam 'Irmãos', CD em que abordam reggae de Gil e hit de Kiko

Esta é a capa de Irmãos, quinto CD ao vivo da discografia da dupla mineira Victor & Leo. Por ora disponível para audição no iTunes, o disco chega às lojas em junho de 2015, em edição da gravadora Som Livre, com 18 músicas captadas em 28 e 29 de janeiro deste ano de 2015 em duas apresentações de show inédito feito pelos irmãos mineiros no estúdio Quanta, em São Paulo (SP)., para edição de CD e DVD. Nada menos do que 12 músicas do roteiro do show  - 10 minutos longe de você, Anjo ou feraDécimo quinto andar, Escuridão iluminadaEstrada vermelha, MomentosNoite fria,  Nossa trilha, Sabor dos ventos, Simples assimTempo de amor e Vai me perdoando - são inéditas. Mas o repertório inclui regravações de Primeiros erros (Chove) - música de Kiko Zambianchi, lançada pelo cantor e compositor paulista em 1985 - e de Vamos fugir (Gimme your love) (Gilberto Gil e Liminha, 1984), reggae lançado por Gillberto Gil em 1984 e revivido pelo grupo mineiro Skank após 20 anos para a coletânea Radiola (Sony Music, 2004). Eis, na ordem, as 18 músicas - com seus respectivos compositores - cantadas por Victor & Leo no CD ao vivo Irmãos:

1. Na linha do tempo (Marcelo Martins e Sergio Porto, 2013)
2. Noite fria (Victor Chaves e Nice Silva, 2015)
3. 10 minutos longe de você (Leo Chaves e Marcelo Martins, 2015) - com Henrique & Juliano
4. Escuridão iluminada (Leo Chaves e Paulinha Gonçalves, 2015) - com Wesley Safadão
5. Conheço pelo cheiro (Victor Chaves, 2013)
6. Simples assim (Victor Chaves, 2015)
7. Estrada vermelha (Victor Chaves, 2015) - com Milionário & José Rico
8. Tempo de amor (Victor Chaves, 2015)
9. Momentos (Victor Chaves, 2015)
10. Sabor dos ventos (Leo Chaves, Marcelo Martins e Sergio Porto, 2015)
11. Caminhos diferentes (Leo Chaves e Paulinha Gonçalves, 2014)
12. Primeiros erros (Chove) (Kiko Zambianchi, 1985)
13. Vamos fugir (Gimme your love) (Gilberto Gil e Liminha, 1984)
14. Nossa trilha (Leo Chaves e Paulinha Gonçalves, 2015) - com Lucyana
15. Décimo quinto andar (Leo Chaves e Paulinha Gonçalves, 2015)
16. Anjo ou fera (Leo Chaves e Paulinha Gonçalves, 2015) - com Malta
17. Vai me perdoando (Paulinha Gonçalves, 2015) - com Victor Freitas & Felipe
18. Como eu amei (Victor Chaves, 2014)

sábado, 23 de maio de 2015

Eis a capa de 'Partir', CD de Cozza saudado por Bethânia em texto no encarte

Com capa que expõe sóbria foto em preto e branco de Stela Handa, o quinto álbum da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, traz no encarte um texto assinado por ninguém menos do que Maria Bethânia. No texto, a cantora baiana saúda Partir - disco produzido pelo compositor e violonista Swami Jr. - com direito a citação de verso ("Junhos de fumaça e frio") de Genipapo absoluto (1989), música de seu mano Caetano Veloso. Eis o texto em que Bethânia tece loas ao disco - que vai chegar ao mercado fonográfico em junho de 2015 - e às escolhas de Fabiana Cozza:

"Fabiana, seu disco é lindo. Você sempre canta bonito, sempre usando com maestria seu timbre, alcance vocal, apuro nas notas, caprichosa na escolha dos músicos. E mais que tudo isso, eu gosto que você cante a sua música, livre. Só a graça de Deus e suas escolhas. Isso eu sempre vou reverenciar num artista.

Adoro as cantigas escolhidas por você nesse disco, a nudez dos arranjos, onde sua voz passeia lisa e clara. Fico alegre quando ouço Eu não pedi - música com raiz no samba do meu Recôncavo. Que beleza!

E gosto de sentir a lua e a garoa que moram em sua voz sobre a música do meu lugar, aquele onde os fevereiros são de festa e luz, e os "junhos de fumaça e frio". Brava!" 

Sua fã, Maria Bethânia

Do Amor mostra 'O aviso diz', primeira música do terceiro álbum do quarteto

O quarteto carioca Do Amor lançou esta semana a primeira música de seu terceiro álbum. O aviso diz já está disponível para audição no portal SoundCloud. O último álbum de Gabriel Bubu (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Marcelo Callado (bateria e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) foi Piracema (Maravilha 8, 2013).  Clique aqui para ler a resenha desse disco.

Single 'Eses ojos verdes' expõe Mutantes sem as cores de sua originalidade

Resenha de single
Título: Eses ojos verdes
Artista: Os Mutantes
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 

Single lançado pelo grupo paulistano Os Mutantes no YouTube e na plataforma digital Rdio neste mês de maio de 2015, a canção em espanhol Eses ojos verdes apresenta uma banda desbotada, sem as cores vivas de sua formação original. Primeiro single de álbum a ser lançado neste ano de 2015, Eses ojos verdes remete de imediato ao popular bolero cubano Aquellos ojos verdes (Adolfo Ultrera e Nilo Menéndez, 1929). Mas em vez de soar como uma paródia do sentimental cancioneiro latino-americano - graça que Os Mutantes sabiam fazer com maestria na formação clássica que incluía Arnaldo Dias Baptista e Rita Lee - Eses ojos verdes soa como simulacro desse repertório de romantismo derramado. Tudo a ver, de certa forma, com um grupo que, nos últimos discos, pareceu um simulacro de si mesmo. Sensação reiterada nessa formação atual em que o remanescente Sergio Dias (voz e guitarra) está junto de Esmeria Bulgari (voz), Vinicius Junqueira (baixo), Henrique Peters (teclados e vocal) e Claudio Tchernev (bateria). A impressão que fica é a de que o single - assim como o vindouro álbum de músicas inéditas - é mero pretexto para que o grupo continue em cena, capitalizando  prestígio angariado no mercado internacional  por conta da discografia de sua fase inicial. Pode ser que o mercado externo ainda se deixe seduzir pela aura de magia envolta em torno da figura lendária dos Mutantes. No Brasil, Eses ojos verdes soa sem cor...

Dennis DJ grava primeiro DVD, no Rio, em baile com Monobloco e Buchecha

Dennis DJ - nome artístico do produtor musical e DJ fluminense Dennison de Lima Gomes - vai gravar hoje, 23 de maio de 2015, seu primeiro DVD. A gravação ao vivo do Baile do Dennis acontece em show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), com intervenções do cantor fluminense Buchecha e do carioca Monobloco (com Dennis - visto de boné vermelho - na foto de João Gomes). O Monobloco vai encorpar o registro da música Carol (2015), parceria do DJ com o grupo de Carnaval. Já Buchecha entra em cena para cantar Santinha, música já gravada pelo MC com o DJ. Produtor ligado ao funk e ao rap, Dennis DJ é o compositor da melodia (letrada por MC Naldinho) da polêmica Um tapinha não dói (2000), um dos (grandes) sucessos do funk carioca nos anos 2000.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sony Music antecipa em quatro dias venda da edição digital de álbum de Gal

Prevista de início para começar no iTunes em 26 de maio de 2015, a venda da edição digital do álbum Estratosférica, de Gal Costa, foi antecipada em quatro dias pela gravadora Sony Music. Desde hoje, 22 de maio, já é possível comprar o 33º álbum solo da discografia da cantora baiana (em foto de Bob Wolfenson). Mas, por ora, somente é possível fazer o download de 14 das 16 faixas. As duas (ótimas) músicas exclusivas da edição digital de Estratosférica - Átimo de som (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik) e Vou buscar você pra mim (Guiherme Arantes) - devem ser adicionadas ao repertório somente daqui a alguns meses, numa data ainda não divulgada pela Sony.

Autobiografia de Erasmo vira filme com Chay Suede no papel do Tremendão

A vida de Erasmo Carlos deu um livro, Minha fama de mau, biografia lançada em 2009 pela editora Objetiva. Agora essa vida vai dar um filme baseado justamente no livro escrito pelo cantor carioca. Com o ator, cantor e compositor capixava Chay Suede já confirmado no papel do Tremendão, o longa-metragem vai começar a ser filmado no segundo semestre deste ano de 2015. Orquestrado pela LMC LaToller e Indiana Produções, o filme Erasmo Carlos - Minha fama de mau vai ser dirigido por Lui Farias, o autor também do roteiro, assinado com L. G. Bayão e Letícia Mey.

Alice assina com Universal para reeditar CD 'Rainha dos raios' (e lançar DVD)

Alice Caymmi é a mais nova integrante do elenco da gravadora Universal Music. A cantora e compositora carioca - em foto de Daryan Dornelles - está assinando contrato com a multinacional do disco para reeditar seu segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), e lançar seu primeiro DVD com a gravação do show captado em 11 de dezembro de 2014 em apresentação no Teatro Itália, em São Paulo (SP). Enquanto espera o DVD, clique aqui para ler a resenha do registro ao vivo da remodelada versão hi-tech do show Rainha dos raios criada e dirigida por Paulo Borges.

Ainda no papel de crooner, Boaventura vai de Elvis a Roberto em 'Your song'

Já devidamente acomodado na personagem do crooner galã, papel assumido desde que engatou carreira fonográfica na gravadora Sony Music a partir de 2009 após anos de atuação em musicais de teatro, o ator e cantor baiano Daniel Boaventura acentua a aura romântica de seu repertório em seu segundo registro ao vivo de show. Sucesso na voz do cantor norte-americano Elvis Presley (1935 - 1977), a adocicada balada Love me tender  (Elvis Presley e Ken Darby, 1956) é um dos sucessos interpretados por Boaventura no repertório do show gravado em 6 de dezembro de 2014 - em apresentação no Teatro Bradesco do Rio de Janeiro (RJ) -  e eternizado no CD duplo e no DVD Your song - Ao vivo, recém-lançados pela Sony Music. As inclusões no roteiro de nada menos do que três músicas românticas do repertório de Roberto Carlos - Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) e Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) - reiteram a ênfase nesse viés sentimental. Ao longo dos 25 números do show, Boaventura recebe os cantores Carlos Rivera, Filippa Giordano e Kiara Sasso para duetos em standards estrangeiros. Com o mexicano Rivera, o dueto acontece em Perhaps, perhaps, perhaps, versão em inglês (de Joe Davis) da canção cubana Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947). Já a italiana Giordano entra em cena em Come fly with me (Sammy Cahn e James Van  Heusen, 1957) e permanece no palco para um segundo dueto com Boaventura em Smile (Charles Chaplin, 1936, com letra de John Turner e Geoffrey Parsons, 1954), composição erroneamente creditada na ficha técnica a Pete Murray, compositor australiano autor de canção homônima. Já a carioca Kiara Sasso participa de Time stand still, balada da compositora norte-americana Diane Warren lançada por Boaventura em seu último disco de estúdio, One more kiss (Sony Music, 2014).

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caixa embala reedições dos cinco álbuns feitos por Renato Teixeira na RCA

Renato Teixeira completou 70 anos de vida ontem, 20 de maio de 2015. Para festejar o aniversário do cantor, compositor e músico paulista, o departamento de marketing estratégico da gravadora Sony Music produziu - sob o comando de Hugo Pereira Nunes - a caixa Renato Teixeira - Obra completa na RCA de 1978 a 1982, que traz reedições remasterizadas (por Luigi Hoffer e Carlos Savalla) dos cinco álbuns lançados pelo artista na gravadora RCA entre 1978 e 1982. Garapa (1980), Uma doce canção (1981) e Um brasileiro errante (1982) eram títulos até então inéditos no formato de CD. Romaria (1978) e Amora (1979) já tinham saído reeditados em CD, mas Amora volta ao catálogo com três faixas-bônus. Além da gravação original de Frete (Renato Teixeira, 1979), tal como feita pelo cantor para a abertura da série Carga pesada (TV Globo, 1979), Amora apresenta a gravação (feita na época) de música que permaneceu inédita em disco, Murro n'água (Renato Teixeira, 1979), e recupera Minha triste casa grande (Renato Teixeira 1979), música lançada em 1979 somente como lado B do compacto de Cavalo bravo (Renato Teixeira, 1979). A reedição de Garapa também vem turbinada com repertório adicional. Trata-se da inédita gravação original de Terumi (Renato Teixeira, 1980), música que somente seria incluída pelo artista em sua discografia oficial no álbum Renato Teixeira, editado em 1986, sem repercussão, pela extinta gravadora 3M. A caixa embala os discos em miniaturas das capas das edições originais em LP. Mas toda a arte gráfica e as informações dos discos estão reproduzidas no libreto iniciado com o texto Renato Teixeira, o fino estilista do Brasil caipira, assinado por Mauro Ferreira, editor de Notas Musicais. Isca para colecionadores de discos, o box está sendo lançado neste mês de maio de 2015.

Selo de Emicida vai lançar edição digital de álbum de inéditas de Chico César

Caberá ao selo do rapper paulistano Emicida, Laboratório Fantasma, orquestrar o lançamento digital do nono álbum do cantor e compositor paraibano Chico César (de vermelho na foto ao lado de Emicida - de boné - e do executivo Evandro Fióti e de seu empresário André Bourgeois). Primeiro trabalho de repertório inédito lançado por Chico desde Francisco, forró y frevo (Chita Discos / EMI Music, 2008), o disco se chama Estado de poesia, nome da belíssima música lançada por Maria Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013). O primeiro single do álbum - ainda não revelado - vai estar nas plataformas digitais a partir de 2 de junho de 2015. Já o lançamento do disco completo - que reúne 14 composições de autoria de Chico -  está agendado para 23 de junho.

Roberto Mendes é compositor predominante no quinto CD de Fabiana Cozza

Com lançamento programado para junho de 2015, o quinto CD da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, alinha 14 músicas em seu repertório. Nada menos do que cinco são assinadas pelo compositor baiano Roberto Mendes (com Cozza na foto postada pela artista em seu Facebook). Mendes assina Orixá (com Jorge Portugal), Teus olhos em mim (com Nizaldo Costa), Não pedi (outra parceria com Nizaldo Costa), Voz guia (com Jorge Portugal) e Seu moço (com Hermínio Bello de Carvalho). Em Partir, disco produzido por Swami Jr., Cozza também dá voz a Velhos de coroa (Sérgio Pererê), Entre o mangue e o mar (Alzira E e Arruda), Chicala (João Cavalcanti), Fim da dança (Vidal Assis com Moyseis Marques) e Mama Kalunga (Tiganá Santana),  entre outras músicas.

Luz reza pela cartilha do samba nobre ao festejar os 10 anos do 'Trabalhador'

Resenha de CD
Título: 10 anos & outros sambas
Artista: Moacyr Luz & Samba do Trabalhador
Gravadora: Ritmiza Produções
Cotação: * * * *

Lançado neste mês de maio de 2015, o CD 10 anos & outros sambas festeja a primeira década de vida do Samba do trabalhador, roda inaugurada pelo compositor carioca Moacyr Luz em 29 de maio de 2005, no Clube Renascença, no Andaraí, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, reduto dos melhores pagodes. Luz abre a roda toda segunda-feira, ao lado de sambistas como Álvaro Santos e Junior de Oliveira. Ao longo desses 10 anos, o Samba do Trabalhador vem ocupando o lugar crucial que foi da quadra do Cacique de Ramos na década de 1980. Evento que aglutina sambistas e público disposto a ouvir novos sambas, o Samba do Trabalhador vem promovendo a renovação do repertório cantado nos pagodes cariocas. Terceiro produto fonográfico da roda comandada por Moacyr Luz, o CD 10 anos & outros sambas - gravado em estúdio com o revezamento da voz de Luz e dos compositores mais significativos da roda - é a prova de que o melhor samba continua brotando nos quintais do Rio, como nos tempos áureos do Cacique. Até porque o diferencial deste disco, em relação aos outros dois registros fonográficos do evento, reside no ineditismo da maior parte do repertório autoral. Dos 12 sambas alinhados no disco, nove são inéditos. Onze têm a assinatura de Luz, geralmente na coautoria (a exceção é Se parasse de chover, parceria de Mingo Silva - o mais novo integrante do Samba do Trabalhador - com Anderson Balaco). A safra inédita é de boa qualidade. E os três grandes sambas já previamente gravados - Anjo vagabundo (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila, 1997), Samba de fato (Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, 1998) e No compasso do samba (Sereno e Moacyr Luz, 2012), lançados em disco pela cantora Simone Moreno, pelo grupo Mandingueiro e pelo grupo Dose Certa, respectivamente - se afinam com a ideologia e a cadência da roda, rezando pela mesma cartilha. Aliás, um dos maiores destaques da safra inédita é A reza do samba (Gustavo Clarão e Moacyr Luz), do poderoso refrão "Segunda-feira é das almas / É bom também de sambar / Tem uma vela pro santo / A outra é pra vadiar". A reza do samba exalta o próprio evento que inspirou o disco e a criação da composição. A propósito, parte do repertório cultua o próprio samba e o orgulho de ser sambista. Exemplo é Cria do samba (Álvaro Santos, Mingo Silva e Moacyr Luz), outro trunfo da safra. Único samba assinado somente por Luz, Camarão Vegê tem seu delicioso sabor realçado pelo acordeom de Bebe Kramer, músico convidado da faixa. Já Toda a hora (Toninho Geraes e Moacyr Luz) ergue brinde à bebida e ao espírito da boêmia que rege as rodas de samba. Em tom mais sagrado, o belo samba Joia rara exalta a realeza de Dona Ivone Lara com o toque da gaita de Rildo Hora, reiterando a maestria da parceria de Sereno com Moacyr Luz. Enfim, em seu primeiro disco de repertório inédito, o Samba do Trabalhador propaga a ideologia e os valores nobres do samba, com fé nos tambores, de peito e coração abertos. E que venham mais dez anos,  pois o samba desses trabalhadores é de primeira.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Roberta canta inédita de Martinho com compositor em CD que sai em agosto

Previsto para ser lançado em agosto de 2015, em edição do selo MP,B Discos que vai chegar às lojas com distribuição da gravadora Som Livre, o sexto álbum de Roberta Sá inclui música inédita do compositor fluminense Martinho da Vila. A cantora potiguar pediu música a Martinho para o disco - gravado no Rio de Janeiro (RJ) com produção de Rodrigo Campello - e ganhou Amanhã é sabado. Martinho participou da gravação da faixa. Outras músicas do CD são Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago) - samba de 1938 que Roberta transformou em fado, em gravação feita em Lisboa em dueto com o cantor português António Zambujo - e Boca em boca, primeira parceria de Roberta com o compositor carioca Xande de Pilares, projetado como vocalista do Grupo Revelação.

Catto começa a gravar no Rio, com produção de Kassin, seu álbum 'Tomada'

A IMAGEM DO SOM - Postada por Ricky Scaff em seu Facebook, a foto acima flagra o cantor e compositor gaúcho Filipe Catto com o baterista carioca Domenico Lancellotti na área externa de estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Desde a última segunda-feira, 18 de maio de 2015, Catto grava no Rio seu segundo álbum de estúdio, Tomada, sob a produção de Alexandre Kassin. Além de músicas autorais, o repertório de Tomada inclui Partiu - música de Marina Lima, lançada pela cantora e compositora carioca em shows, em 2013, mas ainda inédita em disco - e Depois de amanhã,  a primeira parceria de Catto com Moska. O álbum vai sair no segundo semestre de 2015.

Show em que Maga canta Gil e Caetano chega ao DVD entre perdas e ganhos

Resenha de CD
Título: Para Gil & Caetano
Artista: Margareth Menezes
Gravadora: Canal Brasil / Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

Margareth Menezes é a melhor cantora de música afro-pop-baiana, o gênero rotulado como axé music. Mas nem por isso conseguiu ser dona da melhor discografia do gênero. Nenhum CD ou DVD da artista conseguiu captar toda a força dessa voz que irradia magia e calor. Para Gil e Caetano - CD e DVD ora lançados na coleção Canal Brasil com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records - tampouco transmite todo esse calor, mas é um dos melhores títulos da irregular obra fonográfica de Maga. A captação da imagem - feita em 27 de maio de 2014 em apresentação do show na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ),  sob a direção de Darcy Burger - resultou em DVD por vezes frio. Contudo, entre perdas e ganhos, o show idealizado pela cantora em 2012 - para celebrar os 70 anos de vida então completados pelos cantores e compositores baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil - ganha registro de maior beleza plástica na comparação com o formato original do show (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca de Para Gil e Caetano). Entre os ganhos, há o cenário e as projeções que valorizam as exposições de músicas como Reconvexo (Caetano Veloso, 1989). Há também as participações especiais dos homenageados Gilberto Gil - mais bem aproveitado na abordagem terna de Deixar você (Gilberto Gil, 1992) do que na apropriação indébita de Refazenda (Gilberto Gil, 1975), feita com a adesão desnecessária de Preta Gil - e Caetano Veloso, visto nos extras do DVD em duetos com Margareth em Luz do sol (Caetano Veloso, 1982) e Uns (Caetano Veloso, 1983). Pela própria natureza afro-baiana da cantora, temas como Milagres do povo (Caetano Veloso, 1985), Gema (Caetano Veloso, 1980) e o samba Buda Nagô (Gilberto Gil, 1992) já parecem talhados para a voz de Maga. E ela aproveita bem essas músicas. Mas um dos méritos de Para Gil e Caetano é explorar o potencial da intérprete em outras latitudes musicais. No compasso do blues que pauta Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971), Margareth mostra que é uma grande cantora fora do terreiro do axé. Talento já evidenciado pela interpretação segura de O quereres (Caetano Veloso, 1984) que abre o DVD com a cantora caminhando lentamente pelo cenário, no fundo do palco, ao alto. Se houve ganhos que vieram realmente somar na conta, como a requisição da cantora baiana Rosa Passos para (re)dividir o samba Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) em dueto com a anfitriã, houve ganhos que parecem subtrair no saldo final. Caso da participação de Preta Gil, cantora sem maturidade para expor toda a expressão e significado de Panis et circensis (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968), hino tropicalista que revive em dueto com Margareth. Já as entradas de Bem Gil e Moreno Veloso na banda - em números como Clichê do clichê (Gilberto Gil e Vinicius Cantuária, 1985), a música menos sedutora do roteiro - poderiam ter sido mais evidenciadas. Entre as perdas propriamente ditas, há Bahia de todas as contas (Gilberto Gil, 1983), samba menor de Gil que se constituíra uma das gratas surpresas do roteiro original do show por ter sido valorizado pela interpretação da cantora no show criado sob a eletroacústica direção musical da própria Margareth e do violonista Alexandre Leão, que solta a voz opaca em Força estranha (Caetano Veloso, 1978) e em Meu bem, meu mal (Caetano Veloso, 1981). Já presente no roteiro desde a estreia, Eclipse oculto (Caetano Veloso, 1983) tem sua aura pop iluminada pela presença de Saulo Fernandes, convidado do número. Sozinha, na companhia da banda que harmoniza violões e percussões, a cantora esboça clima épico em Um índio (Caetano Veloso, 1976) e tenta criar um ambiente de introspecção que favoreça a densidade sagrada de Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1981). Enfim, no momento em que a Bahia celebra os 30 anos do som já diluído da axé music, Margareth Menezes se aproxima da MPB em registro ao vivo que  - entre perdas e ganhos -  jamais depõe contra as obras de Caetano e Gil.

Coletânea da série 'Novelas' reúne 10 registros de Iorc veiculados em tramas

Em evidência atualmente por conta de sua abordagem da canção What a wonderful world (Bob Thiele e George David Weiss, 1967), feita para a abertura da novela Sete vidas (TV Globo, 2015), Tiago Iorc ganha coletânea editada pela gravadora Som Livre na série Novelas. O disco alinha dez gravações do cantor e compositor brasiliense (criado na Inglaterra) veiculadas em tramas exibidas pela TV Globo. Dentre as seis músicas de autoria de Iorc, a compilação Novelas inclui Scared (Tiago Iorc, 2008), Blame (Tiago Iorc, 2008), Nothing but a song (Tiago Iorc, 2008), Gave me a name (Tiago Iorc, 2011), Story of a man (Tiago Iorc, 2011) e It's a fluke (Tiago Iorc, Maycon Ananias e Jesse Harris, 2013), músicas ouvidas em trilhas sonoras das novelas Duas caras (TV Globo, 2007 / 2008), A favorita (TV Globo, 2008), Malhação (temporada de 2007 / 2008), A vida da gente (TV Globo, 2011), Malhação (desta vez na temporada de 2011) e Flor do Caribe (TV Globo, 2013), respectivamente. Fora do trilho autoral, há os covers de My girl (Smokey Robinson e Ronald White), hit do grupo norte-americano The Temptations gravado por Iorc em registro propagado na trilha sonora da novela Viver a vida (TV Globo, 2009) - e Proibida pra mim (Grazon) (Thiago, Pelado, Marcão, Champignon e Chorão, 1997), música do repertório do extinto grupo Charlie Brown Jr. ouvida com Iorc na trilha sonora da novela Geração Brasil (TV Globo, 2014). A edição é digital.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Festejada festa de Gal, 'Estratosférica' abre e clareia recantos para a cantora

Resenha de CD
Título: Estratosférica
Artista: Gal Costa
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * *

Havia entre os admiradores de Gal Costa a incerteza se a cantora daria outro passo adiante após Recanto (Universal Music, 2011) - revigorante álbum articulado por Caetano Veloso que repôs a cantora baiana na linha de frente da música brasileira - ou se, de olho no retrovisor, Gal acionaria novamente o piloto automático em disco pautado por regravações. Com edição física em CD posta nas lojas a partir de hoje, 19 de maio de 2015, Estratosférica dissipa a dúvida. Gal dá outro passo firme para frente. No lugar de Caetano, há Marcus Preto, diretor artístico do disco - produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso - e articulador das conexões de Gal com compositores de uma geração contemporânea que, em sua maioria, eram até então inéditos na voz ainda cristalina da intérprete. Menos radical e eletrônico do que Recanto na questão dos arranjos, Estratosférica se ilumina pela grandeza do repertório inédito selecionado por Gal entre cerca de 150 músicas recolhidas por Preto. Estratosférica é um disco moderno, de sons contemporâneos, que amplia o diálogo com a cena musical atual sem negar o passado pop de Gal. Estratosférica é tudo o que Aquele frevo axé (BMG, 1998) quase foi e o que Hoje (Trama, 2005) poderia ter sido se a produção e os arranjos deste disco que tentou arejar o som de Gal não tivessem sido confiados a César Camargo Mariano, extraordinário músico mais identificado com o ontem do que com o hoje. Nesse sentido, Estratosférica soa como um disco de carreira como Fantasia (Philips, 1981), mas filtrado, aí sim, pelos sons dos dias de hoje. Porque produtores, diretor artístico, compositores e músicos da antenada banda arregimentada para o disco - André Lima (teclados), Guilherme Monteiro (guitarra), Pupillo (bateria) e o próprio Kassin (baixo e programações) - se afinam e olham para a mesma direção. Estratosférica é um disco enraizado no momento presente, saudado já no estupendo rock, Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero), que abre sintomaticamente o disco, iluminando a obra autoral do compositor paraense Arthur Nogueira e vislumbrando o futuro através de versos ("Nada do que fiz / Por mais feliz / Está à altura / Do que que há por fazer") que servem como carta de princípios da artista. Diferentemente de Recanto, disco que encantou mais pela sonoridade seca e compacta do que pelo (inspirado) conjunto de canções inéditas de seu mentor Caetano Veloso, Estratosférica é álbum que alinha grandes canções na voz monumental de sua intérprete, soando como um disco de carreira de tempos em que a música parecia mais importante do que conceitos e propostas. Tanto que abre espaço para uma balada como Jabitacá (Junio Barreto, José Paes Lira e Bactéria), cuja leve psicodelia - sublinhada pelo órgão de André Lima e o lap steel de Kassin - não encobre o romantismo latente nos versos. Entre os autores de Jabitacá, música batizada com nome de serra situada na divisa entre Pernambuco e Paraíba, há o pernambucano Junio Barreto, único compositor duplamente presente no repertório selecionado para as 14 faixas do CD e as 12 do vinil ainda indisponível no mercado fonográfico. Junio é parceiro de Céu e de Pupillo na vivaz música-título Estratosférica, espécie de refazenda de uma festa do interior perfumada por um regionalismo pop latino que o ouvido sagaz de Gal intuiu que pediria metais orquestrados por Lincoln Olivetti (1935 - 2014), no que acabou se transformando no último arranjo do maestro fluminense. Genial como arranjador, mas compositor irregular, Olivetti também comparece nos créditos de Estratosférica como parceiro do carioca Rogê em Muita sorte, outra música banhada em regionalismo pop - no caso, nas águas eternamente límpidas do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), cujo universo inspirou a letra de música que harmoniza no arranjo o primitivismo do ritmo do samba de roda - marcado na percussão de Armando Marçal e nas palmas das mãos de Moreno Veloso (também no ukelele) e de Kassin - com a eletrônica up to date do produtor carioca Diogo Strausz, criador de algumas programações da faixa. Estratosférica olha para o futuro sem renegar sons referenciais do passado glorioso de Gal. Ecstasy (Thalma de Freitas e João Donato) - música e letra criadas por Thalma a partir de harmonia deixada pelo parceiro em seu laptop - tem a levada donatiana do pianista acriano, piloto de seu teclado rhodes na faixa pautada por leveza e também pelo suingue dos metais orquestrados por Marlon Sette. Entre o balanço de Ecstasy e a pacificidade amorosa da lírica canção Espelho d'água (Marcelo Camelo e Thiago Camelo), única das 15 músicas inéditas já previamente cantada por Gal antes da gravação do disco no estúdio RootSans (SP), Estratosférica apresenta a afinada primeira parceria de Milton Nascimento com Criolo. Dez anjos contabiliza perdas e danos de um mundo sem esperança, esculpido pelo aço duro da dor e do medo. Impressiona a sintonia da melodia de Milton com o universo tenso no qual está entranhado o cancioneiro do rapper paulistano, porta-voz das quebradas. Contribuição da compositora paulistana Mallu Magalhães ao repertório, Quando você olha pra ela - música lançada em single no iTunes para promover o álbum - se situa na temperatura amena em que os produtores Kassin e Moreno aclimataram Estratosférica. Nessa canção que concilia toques de samba e da obra de Jorge Ben Jor, mas que não é uma coisa nem outra, Gal encarna a outra sem grandes dramas, apesar de ameaças que parecem que jamais serão cumpridas ("Eu  vou fugir de casa / Você vai ter saudade"). Música cheia de verve e erotismo, Por baixo mostra que Tom Zé ainda é um compositor cheio de tesão e graça. Encorpada por sons sintetizados por Kassin, Casca (Alberto Continentino e Jonas Sá) joga para a galera da eletrônica, espalhando no ar o perfume da paixão. Acalanto romântico dos tribalistas Arnaldo Antunes, Cezar Mendes e Marisa Monte, Amor, se acalme baixa novamente a onda e propõe o amor em paz já vivenciado em Espelho d'água. Mas Anuviar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti) - canção cortada por pausas intencionais cujo arranjo evoca aquelas baladas de alma soul dos anos 1970 ouvidas nos programas de flashbacks das FMs  - pesa o tempo, com sons de progressiva intensidade em que sobressaem tanto a eletrônica quanto a guitarra heavy de Guilherme Monteiro. Único registro da presença no disco de Caetano Veloso, autor da letra, Você me deu apresenta melodia terna de Zeca Veloso, filho de Caetano. É uma das faixas de tom mais eletrônico que exemplifica a habilidade dos produtores para irmanar elementos do passado e do presente sem que Estratosférica soe retrô ou futurista. Música exclusiva da edição digital, mas que somente vai estar disponível daqui a alguns meses, Vou buscar você pra mim é um sambalada que tem a bossa e a habilidade pop de Guilherme Arantes, compositor até nunca gravado por Gal. Outra faixa-bônus da edição digital que ainda está indisponível, Átimo de som (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik) mostra que os computadores também podem fazer arte em torno da deusa música, mas que tudo começa mesmo com o som, com o brilho natural de uma voz como a de Gal, de movimentos precisos como uma hélice no centro. "Um átimo de som / Num átomo de ar / Pode ser capaz de disparar  / O que sente o pensamento / O que pensa a sensação / Antes mesmo de virar canção", canta Gal, do túnel seco de uma garganta única que tem produzido sensações estratosféricas ao longo de 50 anos de carreira festejados com este retumbante Estratosférica, festejada festa que abre e clareia recantos ainda a serem explorados por essa grande cantora hoje a caminho dos 70 anos. Disco à altura dos melhores álbuns de Gal, pela atitude rocker e pela pegada jovial que persiste até em canções de amor que poderiam soar triviais (mas que estão cheias de frescor), Estratosférica sinaliza que ainda há muito por fazer.  E Gal está aí para fazer.