sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Álbum de Gal inclui música inédita de Marcelo Camelo e Thiago Camelo

Gal Costa estreia hoje, 1º de agosto de 2014, em São Paulo (SP), Espelho d'água, show de voz & violão (o de Guilherme Monteiro) batizado com o nome de música inédita composta por Marcelo Camelo com seu irmão Thiago Camelo. A música Espelho d'água figura no repertório do disco que a cantora - vista em foto de André Schiliró - prepara com músicas (também inéditas) de Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira (com Antonio Cícero), Criolo (uma parceria com Milton Nascimento, Dez anjos), Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros compositores. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Disco póstumo de Robin Gibb, '50 St. Catherine's Drive', sai em setembro

Um dos cantores e compositores dos Bee Gees (1958 - 2003), trio australiano formado por três irmãos nascidos em Isle of  Man, Robin Gibb (1949 - 2012) vai ter lançado pela Warner Music, em 29 de setembro de 2014, um disco póstumo que reúne inéditas gravações avulsas do artista, a maioria feita entre 2006 e 2008 para álbum solo nunca lançado. O CD se chama 50 St. Catherine's Drive, título que é o endereço da casa aonde Robin nasceu, em Douglas (Isle of Man). A esses fonogramas, Dwina Gibb e RJ Gibb - esposa e filho de Robin - adicionaram as últimas gravações feitas pelo artista. A propósito, a derradeira faixa do álbum, Sidney, é o último registro do artista, tendo sido feito em agosto de 2011. Trata-se de gravação demo, um fragmento de canção de tom melancólico. Eis, na ordem do CD, as 17 músicas de 50 St. Catherine's Drive, álbum produzido por Peter-John Vettese que inclui no repertório uma nova gravação de I am the world, música lançada pelos Bee Gees como lado B de um single de 1966:

1. Days of wine & roses
2. Instant love
3. Alan Freeman days
4. Wherever you go
5. I am the world (New Version)
6. Mother of love
7. Anniversary
8. Sorry
9. Cherish
10. Don’t cry alone
11. Avalanche
12. One way love
13. Broken wings
14. Sanctuary
15. Solid
16. All we have is now
17. Sydney

Quarto e quinto álbuns do Led Zeppelin são reeditados com faixas-bônus

Na sequência das fartas reedições dos três primeiros álbuns do grupo inglês Led Zeppelin, a gravadora Warner Music anunciou esta semana os relançamentos - em versões expandidas - do quarto e do quinto álbuns da banda. Led Zeppelin IV (1971) e Houses of the holy (1973) voltarão ao catálogo em diferentes formatos - com nova remasterização (supervisionada pelo guitarrista Jimmy Page) e faixas adicionais - a partir de 28 de outubro de 2014, em reedições produzidas pela Atlantic Records em parceria com a Swan Song Records (a gravadora mantida pelo Led Zeppelin entre 1974 e 1983, hoje atuante somente na revitalização do catálogo do grupo). Os álbuns serão reeditados nos formatos de CD simples (com o álbum original remasterizado), CD duplo (com um segundo disco com versões alternativas das músicas do respectivo álbum original), vinil simples, vinil duplo e em caixa que, além dos CDs e dos LPs, embala livro de 80 páginas e outros itens de colecionador de discos. Lançado em novembro de 1971, Led Zeppelin IV - como ficou conhecido o álbum oficialmente sem título - apresentou músicas que se tornariam standards do grupo. Entre elas, Stairway to heaven, Black dog e Rock and roll. Já Houses of the holy - álbum lançado em março de 1973 - apresentou ao universo pop músicas como The song remains the same, D'yer m'ker e No quarter. Eis as faixas dos dois CDs das luxuosas reedições de 2014 dos álbuns Led Zeppelin IV e Houses of the holy:

Led Zeppelin IV
CD 1:

1. Black dog
2. Rock and roll
3. The battle of evermore
4. Stairway to heaven
5. Misty mountain hop
6. Four sticks
7. Going to California
8. When the levee breaks


CD 2:
1. Black dog - Basic track with guitar overdubs
2. Rock and roll - Alternate mix
3. The battle of evermore - Mandolin / guitar mix from headley grange
4. Stairway to heaven - Sunset sound mix
5. Misty mountain hop - Alternate mix
6. Four sticks - Alternate mix
7. Going to California - Mandolin / guitar mix
8. When the levee breaks - Alternate UK mix


Houses of the Holy
CD 1:
1. The song remains the same
2. The rain song
3. Over the hills and far away
4. The crunge
5. Dancing days
6. D'yer mak'er
7. No quarter
8. The ocean


CD 2:
1. The song remains the same - Guitar overdub reference mix
2. The rain song - Mix minus piano
3. Over the hills and far away - Guitar mix backing track
4. The crunge - Rough mix - Keys up
5. Dancing days - Rough mix with vocal
6. No quarter - Rough mix with JPJ keyboard overdubs - No vocal
7. The ocean - Working mix

O álbum perdido 'Out among the stars' dá tons suaves ao 'preto' de Cash

Resenha de CD
Título: Out among the stars
Artista: Johnny Cash
Gravadora: Columbia / Sony Music
Cotação: * * * *

Ícone do rock e do country projetado na década de 1950, Johnny Cash (26 de fevereiro de 1932 - 12 de setembro de 2003) mergulhou na escuridão das drogas - inclusive as lícitas como o álcool - até meados dos anos 1960. Foi preso várias vezes, mas, mesmo antes de descer ao inferno, já se tornara uma das vozes dos presos com sucessos como Folson prison blues (Johnny Cash, 1955). Quando decidiu sair da escuridão, conheceu a cantora June Carter (1929 - 2003) - com quem se casou em 1968 - e passou a se vestir de preto, ganhando então o epíteto de Homem de preto. E foi nessa fase mais saudável que Cash se reabilitou na carreira. Álbum perdido do artista, Out among the stars - encontrado por John Carter Cash (único filho de Johnny e June) em 2013 e editado em escala mundial pela Sony Music neste ano de 2014 - imprime tons mais suaves ao preto de Cash. O álbum foi produzido por Billy Sherrill com a reunião de 12 músicas gravadas por Cash em estúdio em 1981 e em 1984. Restauradas, tais gravações - até então inéditas - deram origem a um álbum com surpreendente unidade, calcado no country e com duas músicas compostas por Cash, Call your mother e I came to believe. Somente a música-título, Out among the stars (Adam Mitchell), já vale o disco, cujas faixas foram todas gravadas com os mesmos músicos - o pianista Hargus Pig Robbins, o baixista Henry Strzelecki, o violonistas Jerry Kennedy e o guitarrista Pete Drake - o que contribui para a coesão do álbum. Músicas como o country I drove her out of my mind (Gary Gentry e Hillman Hall) e a canção She used to love me a lot (Rhenda Fleming, Dennis Morgan e Charles Quillen) não têm cara de sobras e, a rigor, não são mesmo sobras, pois foram feitas com o mesmo objetivo. Afinal, dez das 12 músicas foram captadas entre abril e junho de 1984 em sessões de estúdio agendadas para a gravação de álbum que acabou arquivado por Cash. Gravadas em 18 de março de 1981, as exceções são Tennessee (Rick Scott) - boa canção em que se ouve um coro, quase em clima de disco ao vivo - e Don't you thing it's come our time (Tommy Collins), um dos duetos de Johnny Cash com June Carter. O outro, Baby ride easy (Richard Dobson), é um dos grandes destaques do repertório deste achado. A balada After all (Sandy Masson e Charles Cochran) também sobressai no disco, reiterando a ótima qualidade de Out among the stars, álbum que suaviza o Homem de preto sem trair a sua ideologia musical.

Clichês e contradições esvaziam 'Viva a revolução', o raso EP do Capital

Resenha de CD
Título: Viva a revolução
Artista: Capital Inicial
Gravadora: Sony Music
Cotação: * *

Questões sociais e políticas - se abordadas em disco com consistência e consciência - podem render álbuns relevantes que, com o passar dos anos, se tornam clássicos e viram a radiografia dos anseios de um tempo e lugar. Exemplo é O concreto já rachou (EMI- Odeon, 1986), sólido disco de estreia da banda brasiliense Plebe Rude. Pulsava ali, naquele disco rotulado à época como mini-LP, um genuíno sentimento popular de indignação contra o estado natural das coisas na República de Sarney e dos bananas. Toda a solidez do disco da Plebe Rude rói em Viva a revolução, EP do Capital Inicial, grupo originário do mesmo ambiente punk de Brasília (DF) que gerou a Plebe Rude. Com seis músicas inéditas alocadas em sete faixas (a panfletária composição-título Viva a revolução aparece em duas versões), o disco - produzido por Liminha - versa sobre as manifestações sociais que agitaram o Brasil a partir de junho de 2013. Embora o assunto ainda seja pertinente, pois consequências dos protestos ainda ecoam no país, o disco chega ao mercado fonográfico com a impressão de estar atrasado em um ano. Mesmo assim, a perda do timing seria detalhe irrelevante se o EP não soasse raso, esvaziado entre clichês e contradições. "Não baixaremos a cabeça para ninguém", avisa o grupo carioca Cone Crew Diretoria no rap posto na música-título Viva a revolução (também apresentada ao fim do disco em gravação feita pelo Capital Inicial sem o rap da banda). "Em tempos assim, é melhor baixar a cabeça e deixar a tempestade passar", pondera o vocalista Dinho Ouro Preto em versos no rock Bom dia, mundo cruel, sinalizando a falta de ideologia e diretriz que pauta o repertório inédito. Entre versos-clichês como "A violência da televisão explode em mentira no ar", do pop rock Tarde demais, o Capital Inicial recorre às tradicionais baladas para manter por perto o pacífico público conquistado a partir de seu milionário Acústico MTV (Abril Music, 2000), divisor de águas na irregular discografia do grupo. Na seara das baladas, Coração vazio - canção levada ao violão, em clima folk - tem a participação de Thiago Castanho, guitarrista egresso do desativado grupo paulista Charlie Brown Jr. Já Melhor do que ontem - balada já lançada como single do EP - é bem menos explícita na abordagem do tema central do disco, servindo bem para promover Viva a revolução. Talvez seja melhor mesmo, pois, quando vai direto ao assunto, como no rock Não tenho nome, o Capital Inicial deixa a sensação incômoda de ter feito disco artificial que passará despercebido para a plebe rude. Seu concreto já rachou.

Exuberante, 'Système de son' de Stéphane San Juan une França e Brasil

Resenha de CD
Título: Système de son
Artista: Stéphane San Juan
Gravadora: Maravilha 8 / Pommelo Distribuições
Cotação: * * * *

Talvez o som sensual do cantor, compositor e músico francês Serge Gainsbourg (1921 - 1998) seja o primeiro nome que vem à mente quando se ouve Mio amore mio (Stéphane San Juan, Gustavo Ruiz e Sean O' Hagan), faixa lânguida de Système de son, primeiro álbum solo do baterista e percussionista Stéphane San Juan. Francês radicado há 12 anos no Brasil, San Juan se integrou à Orquestra Imperial e à turma de músicos capitaneada por Kassin, o produtor da vez no universo pop brasileiro, mas põe em seu CD toda a vivência musical adquirida em seu país. A atmosfera da obra de Gainsbourg está mesmo entranhada no disco cantado em francês e produzido pelo próprio Stéphane San Juan, mas seria redutor situar Système de son somente no universo da chanson francesa dos anos 1960 e 1970 - ainda que músicas como Miroir en  nous (Stéphane San Juan, Gustavo Ruiz e Sean O' Hagan) - o primeiro single, gravado com Tulipa Ruiz (cantora paulistana de presença destacada no coro de outras faixas do álbum - e Étoile filante (Stéphane San Juan e Alberto Continentino) apontem para esse caminho. Système de son ecoa referências musicais de França, Brasil e até da África, evocada no sons de clima cabo-verdiano que ambienta Retornado (Stéphane San Juan, Quito Ribeiro e Gabriela Riley). Mas o que valoriza o álbum são as exuberantes orquestrações das dez músicas. É a forma, mais do que o conteúdo em si, que faz de Système de son um grande disco, tornando irrelevante o fato de a voz bem modulada de San Juan não ser vocacionada para o canto. Por isso mesmo, cabem menções honrosas para Alberto Continentino - arranjador dos sopros da faixa Souffle moi nos plus beaux moments (Stéphane San Juan, Gabriela Riley e Alberto Continentino) e da música-título Système de son (Stéphane San Juan, Alberto Continentino e Domenico Lancellotti) - e para Sean O' Hagan, tecladista irlandês que orquestra as cordas de Mio amore mio, Miroir en nous e Étoile filante com a mesma maestria e criatividade com que arranjou o melhor álbum da cantora Vanessa da Mata, Bicicletas, bolos e outras alegrias (Jabuticaba / Sony Music, 2010). O próprio San Juan arranja com primor os metais de Les êtres humains (Stéphane San Juan, Clotaire K. e Gabriela Riley) - metais que, aliados aos vocais da faixa, tornam a música um dos destaques do álbum. Detalhe: coautor da música, Clotaire K. é rapper de origem libanesa. Já Ô chance (Stéphane San Juan) é a faixa brasileira do CD, combinando samba e algo da bossa sempre nova. O título é a tradução francesa de Ô sorte, bordão do baterista Wilson das Neves, colega de Juan na Orquestra Imperial e parceiro na composição da menos sedutora Amour posthume. Completa o disco um tema instrumental, Fantaisies de mio (Stéphane San Juan, Gustavo Ruiz e Sean O'Hagan), que sintetiza - nas belas cordas arranjadas por Sean O'Hagan - a exuberância do Système de son de Stéphane San Juan. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Projeto lusófono, BPM junta e mistura em disco o rap de Brasil e Portugal

Alardeado como o primeiro grupo lusófono de rap, Projecto BPM junta e mistura beats e rimas dos raps de Brasil e Portugal. Como exposto na capa do primeiro álbum do trio, BPM significa Brasil e Portugal misturados. O grupo é formado por Mundo Segundo (rapper da cidade portuguesa do Porto), Vinicius Terra (rapper da cidade do Rio de Janeiro) e Sr. Alfaiate (nome artístico do DJ Nel'Assassin, residente em Lisboa). No independente CD, o BPM mostra oito músicas. Entre elas, há Alto láElogio da dialética, Inocência partida e Não temos medo.

Vocalista do My Chemical Romance, Gerard Way detalha seu álbum solo

Vocalista cofundador da banda norte-americana My Chemical Romance (2001-2013), extinta no ano passado, o cantor norte-americano Gerard Way anunciou os detalhes de seu primeiro álbum solo. Precedido pelo single Action cat, o álbum se chama Hesitant alien e vai chegar ao mercado fonográfico em 29 de setembro de 2014 via Warner Music. O segundo single, No shows, tem lançamento em vídeo agendado para 19 de agosto. O álbum foi produzido por Doug McKean e mixado por Tchad Blake. Eis, na ordem do CD, as 11 faixas de Hesitant alien:

1. Bureau
2. Action Cat
3. No Shows
4. Casting shadows
5. Millions
6. Zero zero
7. Juarez
8. Drugstore perfume
9. Get the gang together
10. How’s It going to be
11. Maya the psychic

Cantora de voz e alma lírica, Salmaso realça todos os sabores de Vinicius

Resenha de show
Título: Homenagem a Vinicius de Moraes
Artista: Mônica Salmaso (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de julho de 2014
Cotação: * * * * 1/2

Mônica Salmaso fez graça no palco do Teatro Rival em 26 de julho de 2014, dizendo que o show que apresentava naquela noite era o Alma lírica - Sabor Vinicius. A cantora paulista se referia ao recital Alma lírica brasileira (2010), feito nos últimos três anos por Salmaso com o pianista Nelson Ayres e com o flautista e saxofonista Teco Cardoso. Os dois virtuosos músicos continuam em cena com a cantora nesta abordagem camerística do cancioneiro multifacetado do compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Espetáculo originado do convite feito a Salmaso em 2012 para fazer em Belo Horizonte (MG) um show em tributo ao centenário de nascimento do poeta da moderna canção brasileira, Homenagem a Vinicius transitou por algumas capitais do Brasil antes de chegar ao Rio de Janeiro (RJ) em 25 e 26 de julho de 2014, confirmando o momento iluminado de Salmaso - cantora que, a propósito, debutou no mercado fonográfico em 1995 com disco em que deu sua voz precisa aos afro-sambas de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius no toque do violão de Paulo Bellinati. Eles, os afro-sambas, estão ausentes do roteiro deste show, mais focado no cancioneiro criado por Vinicius com o carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e com parceiros como os também cariocas Carlos Lyra e Chico Buarque. Cantora de alma lírica, Salmaso valoriza (toda) a beleza melódica e poética desse repertório, em fina sintonia com os dois músicos. Há certa solenidade no canto de Salmaso, perceptível já no primeiro dos 18 números do show, Chora coração (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1973), mas esse rigor estilístico se afina com a maior parte das melodias da obra em questão. De todo modo, Salmaso contrabalança essa bem-vinda formalidade vocal com comentários e temas espirituosos. "Esse show é assim: tem uma gracinha e uma cacetada", conceituou a artista, com humor. E o fato é que, cantando Vinicius, Salmaso reitera a perfeição de seu canto. O padrão da cantora é alto. Tanto que interrompeu e recomeçou Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1973) para ajustar sua interpretação ao seu próprio rigor. Perfeito até o bis, o roteiro equilibra bem músicas mais densas com temas mais leves como A casa (Vinicius de Moraes, 1980) - habitada por Salmaso com apropriada atmosfera lúdica - e Rancho das namoradas (1962), marcha-racho gravada pela cantora fluminense Angela Maria que representa no show a pouco lembrada parceria de Vinicius com Ary Barroso (1903 - 1964). O problema do bis é o arremesso de Trem das onze (Adoniran Barbosa, 1964) no arremate do bis. O samba se presta ao encerramento de um show, mas, no caso, faz o recital se desviar do trilho central do roteiro, passando por cima do conceito. Mas o trio em si nunca sai dos trilhos Parafraseando versos do Frevo de Orfeu (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), escolhido para fechar o show (antes do bis), poucas vezes se viu e ouviu tanta beleza. Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961), aliás, é um desses momentos. Da mesma parceria de Carlos Lyra com Vinicius, Maria moita (1964) tem humor extraído por Salmaso. Em Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961), o piano de Ayres parece flutuar sobre a melodia. Já em Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) é Teco Cardoso quem sopra notas que se afinam com a voz de Salmaso de forma simbiótica. Fora da seara dos clássicos, a cantora ilumina também São Francisco (1956), joia nada franciscana da parceria de Vinicius com o compositor paranaense Paulo Soledade (1919 - 1999). A moldura sempre acústica do recital - construída com mix de piano, sopros e eventual percussão (a cargo da própria Salmaso) - realça toda a arquitetura refinada (mas aparentemente simples, pois Vinicius era poeta capaz de expor sentimentos profundos em tom quase sempre coloquial) de canções amorosas como Sabe você (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964). Mas isso nem surpreende. A surpresa do show - menor para quem sabe que Salmaso começou sua carreira atuando em espetáculo teatral do encenador mineiro Gabriel Villela - é ouvir a cantora dizendo a parte falada da letra da nordestina Pau de arara (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964), música também conhecida como Comedor de gilete e mais associada ao cantor e humorista paulista Ary Toledo, principal intérprete do tema. Cantora de amplos recursos vocais, Salmaso consegue mergulhar na densidade de Derradeira primavera (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962) minutos após evidenciar, em tom quase etéreo, a delicadeza do seminal choro Odeon (Ernesto Nazareth, 1909), letrado por Vinicius em 1968. Pode não parecer à primeira ouvida, mas Salmaso também sabe ser uma intérprete plural na exata medida exigida pelo cancioneiro multifacetado do centenário poeta. O Vinicius de Moraes de Mônica Salmaso é muito saboroso.

Salmaso canta 'gracinhas' e 'cacetadas' de Vinicius com Ary, Tom e Lyra

"Esse show é assim: tem uma gracinha e uma cacetada". Com esse comentário maroto, Mônica Salmaso conceituou com precisão as modulações do roteiro do show em que celebra o compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) na companhia dos músicos Nelson Ayres (piano) e Teco Cardoso (saxofone e flauta). Idealizado há dois anos para ser apresentado em Belo Horizonte (MG) em dezembro de 2012, a convite do projeto Compositores.BR, o show 100 Vinicius voltou à capital mineira em outubro de 2013 - mês em que o Brasil festejou o centenário de nascimento de Vinicius de Moraes - e depois percorreu cidades como Brasília (DF) e Curitiba (PR) antes de estrear no Rio de Janeiro (RJ), em apresentações que lotaram o Teatro Rival em 25 e 26 de julho de 2014. Na estreia nacional de 2012, o roteiro do show tirava o foco das parcerias do poeta compositor com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Baden Powell (1937 - 2000), pois ambas já eram abordadas em outros eventos do projeto Compositores.BR. Mas o roteiro atual - apresentado pela primeira vez pela cantora em outubro de 2013 - já põe Jobim no seu devido lugar de destaque na obra de Vinicius. Já os afro-sambas - abordados por Salmaso em seu primeiro álbum, de 1995 - foram excluídos pelo fato de dependerem do violão, instrumento ausente na formação camerística do show. A mesma formação, aliás, utilizada por Salmaso no recital Alma lírica brasileira (2010), perpetuado em CD e DVD. Em contrapartida, a cantora dá sua voz precisa a gracinhas e a cacetadas feitas por Vinicius com parceiros como Ary Barroso (1903 - 1964), Carlos Lyra, Chico Buarque, Francis Hime e Paulo Soledade (1919 - 1999). Eis o belo roteiro seguido por Mônica Salmaso - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação do show (rebatizado Homenagem a Vinicius de Moraes) realizada em 26 de julho de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Chora coração (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1973)
2. A casa (Vinicius de Moraes, 1980)
3. Estrada branca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)  
4. Rancho das namoradas (Ary Barroso e Vinicius de Moraes, 1962)
5. Coisa mais linda (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961)
6. Maria Moita (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964)
7. Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) 
8. Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1970) 
9. Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) 
10. São Francisco (Paulo Soledade e Vinicius de Moraes, 1956)
11. Sabe você (Carlos Lyra e Antonio Carlos Jobim, 1964)
12. Pau de arara (Comedor de gilete) (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964) 
13. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
14. Odeon (Ernesto Nazareth, 1909, com letra póstuma de Vinicius de Moraes, 1968)
15. Derradeira primavera (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)
16. Frevo de Orfeu (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959)  
Bis:
17. Valsinha (Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1971)
18. Trem das onze (Adoniran Barbosa, 1964)

Canção de 2007 anuncia 'Serenoato', álbum de Nenung & Projeto Dragão

Canção de Nenung, lançada pela cantora carioca Paula Toller há sete anos em seu segundo álbum solo (SóNós, Warner Music, 2007), Meu amor se mudou pra lua promove e anuncia Serenoato, primeiro álbum do quinteto intitulado Nenung & Projeto Dragão. Já em rotação no portal SoundCloud, a gravação dá tom bluesy à canção. Previsto para ser lançado no fim de setembro de 2014, o álbum Serenoato tem 14 faixas e conta com as participações de Dado Villa-Lobos e Moreno Veloso. Mentor da banda zen gaúcha Os The Darma Lóvers, Nenung prioriza rock e blues neste projeto paralelo que encabeça ao lado dos músicos Gustavo Chaise (guitarra), Maurício Chaise (tb na guitarra), Rafael Bohrer (bateria) e Thiago Heinrich (baixo).

terça-feira, 29 de julho de 2014

Gaga cai (bem) no swing do jazz com Bennett no single 'Anything goes'

Resenha de single
Título: Anything goes
Artistas: Tony Bennett & Lady Gaga
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2
Single lançado no iTunes dos Estados Unidos em 29 de julho de 2014

Primeiro single do álbum Cheek to cheek, cujo lançamento está programado para 23 de setembro de 2014, a gravação de Anything goes por Tony Bennett e Lady Gaga dura apenas dois minutos e dois segundos. Tempo suficiente para apagar a má impressão deixada pelo último álbum da cantora norte-americana, ARTPOP (Interscope Records / Universal Music, 2013). Ao cair com Bennett no swing do jazz dos anos 1930 e 1940, Gaga mostra que pode abrir mão dos factoides e da mise-en-scène para se manter em evidência na mídia somente pelo seu trabalho musical como cantora. Prestes a completar 88 anos, em 3 de agosto de 2014, Bennett já é quase um arremedo do cantor que um dia seduziu os Estados Unidos. É o canto de Gaga que dá frescor ao reverente revival da canção feita pelo compositor norte-americano Cole Porter (1891 - 1964) para o musical Anything goes, estreado na Broadway em 1934. Sem inventar moda, o arranjo orquestral - calcado nos sopros - evoca a levada típica da era do swing, preparando a cama para Bennett e Gaga consumarem seu improvável casamento vocal. Lançado no iTunes hoje, 29 de julho de 2014, o single Anything goes é bom aperitivo do álbum Cheek to cheek, cujo repertório concentra standards do jazz das décadas de 1930 e 1940. Compositores como Cole Porter e Duke Ellington (1899 - 1974) são recorrentes nesse repertório. It don’t mean a thing (If it ain’t got that swing) (Duke Ellington e Irving Mills, 1931), Lush life (Billy Strayhorn, composta nos anos 1930 e apresentada em 1948) e Sophisticated lady (Duke Ellington, 1932, com letra posterior de Irving Mills) figuram na seleção de álbum que, a julgar por Anything goes, vai provar que Lady Gaga também faz Arte.

Ainda em turnê com Milton, Criolo começa a gravar terceiro álbum em SP

 Existe disco em SP. Paralelamente à turnê Linha de frente, feita com Milton Nascimento, Criolo começou a gravar ontem, 28 de julho de 2014, seu terceiro álbum, sucessor do hypado Nó na orelha (Independente, 2011), álbum que deu fama e status ao rapper paulistano. O artista postou a foto acima em seu página oficial no Facebook. Na foto tirada em estúdio situado em São Paulo (SP), Criolo (de camisa alvinegra) é visto - da esquerda para a direita - com Guilherme Held, Mauricio Bade, Marcelo Serpe Cabral, Daniel Ganjaman e Serginho Machado. O álbum sucederá o EP Duas de cinco (Independente, 2013) na discografia do Criolo.

Imbruglia lança em 2015 álbum de 'covers' em que canta Blur, INXS e Neil

 Natalie Imbruglia - cantora e compositora australiana que ficou marcada como artista de um hit só (Torn, sucesso mundial de seu primeiro álbum Left of the middle, lançado em 1997) - vai voltar ao mercado fonográfico em 2015. Cinco anos após lançar o álbum Come to life (Malabar Records, 2009), Imbruglia anuncia o lançamento, via Sony Masterworks, de álbum de covers em que a artista aborda músicas do duo francês Daft Punk, do grupo britânico Blur, da banda australiana INXS, do grupo norte-americano Queens of the Stone Age e do cantor e compositor canadense Neil Young, entre outros nomes. Billy Mann e Christian Medice são os produtores do quinto álbum de estúdio da artista. O repertório do CD (ainda) não foi divulgado.

'Blunderbuss' torna menos marcante 'Lazaretto', o segundo solo de White

Resenha de CD
Título: Lazaretto
Artista: Jack White
Gravadora: Third Man Records / Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Se o segundo (bom) álbum solo de Jack White, Lazaretto, tivesse sido lançado antes de seu antecessor, Blunderbuss (Third Man Records / Sony Music, 2012), possivelmente seria recebido com maior entusiasmo. A questão é que o cantor, compositor e guitarrista norte-americano debutou na carreira solo há dois anos com álbum revigorante, que - mesmo evocando o som feito pelo artista no duo The White Stripes de 1997 a 2011 - soou paradoxalmente renovador ao amalgamar as referências musicais de Jack e ao juntar seus cacos emocionais, espalhados em 2011 por conta da dissolução do casamento do cantor com a modelo Karen Elson. Diante de Blunderbuss, Lazaretto soa quase como um anticlímax. Está tudo lá: a predominância do azul na capa, a mistura azeitada de rock e blues - mote do álbum, sobretudo em músicas como Three women, Just one drink (faixa prejudicada pela imersão-clichê no universo da bebida) e High ball stepper (tema de clima sombrio) - e as influências do country  (em I think I found the culprit e em Temporary ground) e do folk (Alone in my home, música mais pop do repertório autoral). Contudo, tudo isso resulta menos marcante em Lazaretto. White não dá um adiante com este segundo álbum solo, produzido pelo próprio artista. Uma certa sujeira é detectada em algumas faixas, sobretudo na música-título Lazaretto. Em essência, o disco soa previsível, já que revolve as raízes da música norte-americana - matéria-prima do som de Jack desde o duo The White Stripes - sem um toque de novidade e uma chama especial. Mas Lazaretto, álbum encerrado com a balada Want and able, jamais sai dos trilhos com seu som gerado através de mix de guitarras e piano. A questão é que deve ser ouvido sem expectativas.

Marya Bravo grava em estúdio show feito com canções contra a ditadura

Primeira cantora a fazer um segundo disco pela gravadora Joia Moderna, Marya Bravo acertou com o DJ Zé Pedro o registro - em estúdio - do show Apesar de você. O CD vai perpetuar 12 ou 13 números do show apresentado no Rio de Janeiro (RJ) em 24 e 25 de julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena, idealizado para lembrar os 50 anos do golpe militar de 1964. Sob a direção musical do guitarrista Bruno Pederneiras, Bravo - em foto de Rodrigo Goffredo - interpreta, com pegada roqueira, músicas politizadas de compositores que levantaram a voz contra a ditadura instaurada há exatas cinco décadas no Brasil e somente dissolvida em 1985. Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972), Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973), Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins, 1977) e Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978) figuram no repertório. Um dos títulos cogitados para o disco é 50 - As canções do golpe. O álbum - que sucede De pai para filha - Marya Bravo canta Zé Rodrix (Joia Moderna, 2011) na discografia da atriz e cantora carioca - sai neste segundo semestre de 2014. As gravações vão começar em agosto.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dois álbuns do Wings são expandidos na 'McCartney archive collection'

Mais dois álbuns da discografia de Paul McCartney pós-Beatles serão relançados em edições expandidas postas nas lojas dentro da série Paul McCartney archive collection. Discos feitos pelo cantor e compositor britânico com o grupo Wings, Venus and mars (álbum de estúdio lançado em maio de 1975 com o sucesso Listen to what the man said) e Wings at the speed of sound (álbum de estúdio que foi feito após a Wings over the world tour e que foi lançado em março de 1976 com o hit Silly love songs) vão voltar ao catálogo em quatro formatos - a dupla Standard edition (com dois CDs), a tripla Deluxe edition (com adição de DVD), em vinil de capa dupla e em edição digital - turbinados com farto material adicional. O CD 1 apresenta o respectivo álbum original em edição remasterizada (nos estúdios de Abbey Road) enquanto o CD 2 rebobina músicas do disco em versões demos, takes alternativos e remixes, além de apresentar inéditas faixas-bônus. Já o DVD traz material filmado na época do lançamento do álbum. As edições vão chegar ao mercado fonográfico a partir de 22 de setembro de 2014 via MPL e Concord Music Group, estando o lançamento nos EUA agendado para 23 de setembro. Eis as faixas das próximas edições dos álbuns Venus and mars e Wings at the speed of sound:

Venus and mars:
CD 1 – Remastered album
1. Venus and mars
2. Rock show
3. Love in song
4. You gave me the answer
5. Magneto and titanium man
6. Letting go
7. Venus and mars – Reprise
8. Spirits of ancient egypt
9. Medicine jar
10. Call me back again
11. Listen to what the man said
12. Treat her gently – Lonely old people
13. Crossroads


CD 2 – Bonus audio
1. Junior’s farm
2. Sally G
3. Walking in the park with Eloise
4. Bridge on the river suite
5. My carnival
6. Going to New Orleans (My carnival)
7. Hey diddle [Ernie Winfrey Mix]
8. Let’s love
9. Soily [from One Hand Clapping]
10. Baby face [from One Hand Clapping]
11. Lunch box / Odd sox
12. 4th of july
13. Rock show [Old version]
14. Letting go [Single edit] 


DVD – Bonus film
1. Recording my Carnival
2. Bon voyageur
3. Wings at Elstree
4. Venus and mars TV Ad


Wings at the speed of the sound
CD 1 – Remastered Album
1. Let 'em in
2. The note you never wrote
3. She’s my baby
4. Beware my love
5. Wino Junko
6. Silly love songs
7. Cook of the house
8. Time to hide
9. Must do something about it
10. San Ferry Anne
11. Warm and beautiful


CD 2 – Bonus audio
1. Silly love songs [Demo]
2. She’s my baby [Demo]
3. Message to Joe
4. Beware my love [John Bonham version]
5. Must do something about it [Paul’s version]
6. Let ‘em in [Demo]
7. Warm and beautiful [Instrumental demo]


DVD – Bonus film
1. Silly love songs (Music video)                  
2. Wings over Wembley
3. Wings in Venice

Coletânea de duetos de Negra Li traz gravação com Pitty inédita em disco

Negra Li não chegou a acontecer como artista após dissolver a dupla formada com Helião e partir para a carreira solo, mas, a despeito da inexpressividade da discografia solo da rapper paulistana, Li sempre foi requisitada para participar de discos de colegas, com os quais emplacou indiretamente hits como Ainda gosto dela (Samuel Rosa e Nando Reis, 2008), música gravada para álbum do grupo mineiro Skank. Além disso, Li sempre contou com nomes expressivos do universo pop brasileiro em seus próprios álbuns. Lançada pela gravadora Universal Music neste mês de julho de 2014, a coletânea Você vai estar na minha - Duetos compila 14 parcerias musicais da cantora - projetada fora do universo do hip hop em 2000 ao gravar a música Não é sério com o grupo paulista Charlie Brown Jr - e apresenta gravação inédita em disco, feita por Li com a roqueira baiana Pitty. Arquitetada para a edição de 2007 do projeto Estúdio Coca-Cola, a gravação de Li com Pitty é o r & b Chain of fools (Don Covay), sucesso da cantora norte-americana Aretha Franklin em 1967. Eis os 18 fonogramas da compilação Você vai estar na minha - Duetos, cuja edição digital traz quatro faixas-bônus:

1. Não é sério - com Charlie Brown Jr.
2. Meus telefonemas - com Caetano Veloso
3. Ainda gosto dela - com Skank
4. Beautiful (Como um sonho) - com Akon
5. O destino - com NX Zero e Rappin' Hood
6. Guerreiro, guerreira - com Helião
7. 1 minutos - com D Black
8. Negra livre - com Nando Reis
9. Chain of fools - com Pitty
10. Antônia - com Leilah Moreno, Quelynah e Cindy Mendes
11. Deixa rolar - com Gabriel O Pensador
12. Aqui neste lugar - com Sergio Britto
13. Não dá mais sem você - com Belo
14. Você vai estar na minha 
Faixas-bônus da edição digital:
15. Você vai estar na minha - remix do DJ Linky Mix
16. Jura - com Walter Alfaiate
17. Exército do rap - com Helião
18. Ninguém pode me impedir

Roberta Campos lança 'single' com sua versão de música de Ed Sheeran

A cantora e compositora mineira Roberta Campos lança single com versão em português - escrita pela própria Roberta - de Lego house, música de Ed Sheeran, Jake Gosling e Chris Leonard. Lançada pelo cantor e compositor britânico Ed Sheeran em seu primeiro álbum, + (Asylum / Atlantic Records, 2011), Lego house virou Maior que o mundo na versão em português de Roberta Campos. "Escrevi uma letra mais livre, sem fazer uma tradução literal, mas seguindo a mesma ideia", explica a cantora. O single Maior que o mundo vai estar disponível para venda nas plataformas digitais, via Deck, a partir de 5 de agosto de 2014. O lyric video de Maior que o mundo - produzido por Kevin Jones - já pode ser visto no YouTube.

Silvério grava em setembro seu (segundo) tributo a Jackson do Pandeiro

Em 2002, o cantor e compositor pernambucano Silvério Pessoa abordou a obra carnavalesca de Jackson do Pandeiro (1919 - 1982) ao gravar o disco intitulado Batidas urbanas - Micróbio do frevo (A& M Records, 2003). Doze anos depois, o artista prepara um segundo tributo ao cantor e compositor paraibano. O álbum Cabeça feita - Silvério Pessoa canta Jackson do Pandeiro vai ser gravado a partir de setembro de 2014. O próprio Silvério pilota a produção independente do disco, que vai ter arranjos do violeiro Renato Bandeira. Eis o repertório do álbum, que vai ter 24 músicas distribuídas em 15 faixas, com os anos das gravações originais: 

1. Mãe Maria (Joca de Castro e Antonio Gonzaga, 1967)
2. Boa noite (Tito Neto, Jackson do Pandeiro e Alventino Cavalcante, 1958)
3. 1×1 (Edgar Ferreira, 1954)
4. Rosa (Ruy de Moraes e Silva, 1956) /
    Cajueiro (Jackson do Pandeiro e Raimundo Baima, 1958) /
    Forró em Limoeiro (Edgar Ferreira, 1953) /
    Cabo Tenório (Rosil Cavalcanti, 1957) /
    Na base da chinela (Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcanti, 1962)
5. Quadro negro (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, 1959)
6. Cabeça feita (Sebastião Batista da Silva e Jackson do Pandeiro, 1981)
7. Mané Gardino (Ari Monteiro e Elias Soares, 1961)
8. Balançaram a roseira (Jackson do Pandeiro, Alventino Cavalcanti e Uzias Silva, 1963)
9. Peneirou Gavião (Jackson do Pandeiro e Odilon Vargas, 1959)
10. A ordem é samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos, 1966)
11. Vou sambalançar (Antônio Barros e Jackson do Pandeiro, 1966) /
      Secretária do diabo (Oswaldo Oliveira e Renato Costa, 1966) /
      Samba do ziriguidum (Luiz Bittencourt e Jadir de Castro, 1962)
12. Casaca de couro (Rui Moraes e Silva, 1960)
13. Vou de tutano (José Cavalcante e José Gomes Filho, 1973) /
      Xote de Copacabana (José Gomes, 1957) /
      Cremilda (Edgar Ferreira, 1955) /
      Xarope de amendoim (Paulo Patrício e Severino Ramos, 1973)
14. Coco social (Rosil Cavalcanti, 1956)
15. Coração bateu (Ivo Marins e Jackson do Pandeiro, 1974)

Tiê canta com David Byrne em faixa de seu terceiro álbum, 'Esmeraldas'

Admirador do som pop folk de Tiê, de quem já assistiu a um show em Nova York (EUA), o cantor e compositor escocês (criado nos Estados Unidos) David Byrne aceitou participar do terceiro álbum da artista paulistana, Esmeraldas, CD que vai ser lançado pela gravadora Warner Music em setembro de 2014. Byrne canta com Tiê na música em inglês intitulada All around you. No disco, de repertório autoral, Tiê abre parcerias - uma delas com o cantor e compositor norte-americano Jesse Harris - e expande seu som, indo além do folk de seus dois álbuns iniciais, Sweet jardim (Levi's Music,2009) e A coruja e o coração (Warner Music, 2011).

domingo, 27 de julho de 2014

Gadú regrava parceria bissexta de Nelson com Djavan em tributo a Motta

 Parceria bissexta de Nelson Motta com Djavan, lançada pelo cantor e compositor alagoano em seu álbum Djavan (CBS, 1989), Você bem sabe ganha a voz de Maria Gadú. Você bem sabe foi a música confiada à cantora paulista no CD produzido pela gravadora Som Livre para celebrar os 70 anos que o carioca Nelson Motta vai completar em 29 de outubro de 2014. O elenco inclui Ana Cañas, Gaby Amarantos, Fernanda Takai, Marisa Monte e Silva - entre outros.

João Donato toca jazz à brasileira no CD ao vivo com que festeja 80 anos

Resenha de CD
Título: Live jazz in Rio vol. 1 - O couro tá comendo!
Artista: João Donato
Gravadora: Discobertas / Acre Musical
Cotação: * * * 1/2

O título Live jazz in Rio é claro. O CD duplo ao vivo comemorativo dos 80 anos de João Donato é um dos títulos mais jazzísticos da discografia deste compositor e pianista acriano. Até há no volume 1, O couro tá comendo!, espaço para eventuais canções como Quando a lembrança me vem, parceria de Donato com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) que remete ao romantismo dos anos 1950. Contudo, em essência, o disco duplo - que reproduz 25 números do show captado em 4 de dezembro de 2013 na extinta casa carioca Studio RJ e realizado dentro do Festival Jazzmania 30 anos - toca jazz à brasileira, como fica nítido logo na primeira das 13 faixas do volume 1, Cala boca, menino (Dorival Caymmi, 1973). Ao piano, instrumento com o qual trilhou caminhos modernos que também contribuíram para a revolução estética encabeçada por João Gilberto em 1958, Donato interage com o baterista Robertinho Silva, o baixista Luiz Alves e o saxofonista (e flautista) Ricardo Pontes. A propósito, Pontes ajuda a soprar a latinidade que pauta a recriação de Nasci para bailar (João Donato e Paulo André Barata, 1982) e o próprio cancioneiro de Donato. Cantor sem dotes, mas que dá seu recado em cena, o músico dá a voz que tem a músicas como Bananeira (João Donato e Gilberto Gil), Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975) - números no qual se percebe a interação entre público e artista - e Até quem sabe (João Donato e Lysias Ênio, 1973). Mas é quando abre mão de letras e cai no seu suingue particular - como em O sapo (The frog) (João Donato, 1968), apresentado com vocalises, como veio ao mundo, antes de virar A rã pelos versos de Caetano Veloso, lançados em 1974 na voz de Gal Costa - que Donato parece mais livre como o jazz exercitado em instrumentais temas autorais como Malandro (João Donato, 1970) e em abordagens de temas de influentes jazzistas como o pianista norte-americano Horace Silver e o trompetista norte-americano Shorty Rodgers, de cujas obras Donato rebobina Song for my father (1965) e Paradise found, respectivamente - músicas já presentes na discografia anterior do artista por seu grau de intimidade com os temas. Contudo, no toque do piano de João Donato, tudo soa sempre novo, quase como se ele estivesse tocando suas músicas pela primeira vez. Essa, aliás, é a essência do jazz: a liberdade de refazer ao vivo algo que vai soar como novo, mesmo que o repertório seja quase sempre antigo. Donato também é sinônimo de jazz à moda brasileira. Live jazz in Rio é um novo velho bom CD de João Donato.

'Summertime', disco reeditado por Cida, irradia calor de voz ainda quente

Resenha de reedição de CD
Título: Summertime
Artista: Cida Moreira
Gravadora da edição original de 1981: Áudio Patrulha / Lira Paulistana
Gravadora da reedição de 2014: Edição independente da artista / Tratore
Cotação do álbum original de 1981: * * * * *
Cotação da reedição em CD de 2014: * * 1/2

Em 2011, a carreira da cantora paulista Cida Moreira ganhou impulso com a edição do álbum A dama indigna (Joia Moderna, 2011). Uma nova geração descobriu, embevecido, o canto dessa intérprete digna de representar no Brasil o gênero de cantoras conhecidas nos Estados Unidos e na Europa como saloon singers. Cida - até por ser também atriz - personifica com perfeição a cantora de cabaré. Um piano é o que normalmente lhe basta para pôr em ação sua voz de tons operísticos e sua emoção. O sucesso do show e disco A dama indigna revigorou a agenda de shows da artista, atualmente dividida em vários espetáculos. Um deles está calcado em seu primeiro álbum, Summertime, lançado originalmente em 1981 em edição viabilizada por parceria da Áudio Patrulha com a Lira Paulistana. Em Summertime, o disco ora reeditado por Cida, estão a origem e a base d'A dama indigna. O repertório pode ser diverso, mas a atmosfera e as intenções são as mesmas. O que torna mais do que oportuna em 2014 a primeira reedição em CD deste disco gravado ao vivo em apresentação do show Summertime captada em 30 de agosto de 1980 no Teatro Lira Paulistana. Infelizmente, o som da reedição não está à altura da qualidade do álbum. Além de dar a impressão de ter sido extraído de vinil, o som do disco chega ao formato digital sem ter passado por processo de remasterização. O fato de ser um álbum de voz e piano ameniza a desatenção na questão técnica, evidenciado pelo fato de a música Geni e o zepelim (Chico Buarque, 1978) ser repetida nas faixas oito e nove, levando o CD a ter 15 faixas em vez das 14 do LP original. Para colecionadores de disco, o apuro da esperada reedição em CD de Summertime - por ora vendida por Cida somente em shows - reside mais no encarte, que traz breve texto da artista (..."Summertime, o verão que se tornou eterno... Um desejo, um desabafo, uma alma exposta... Assim foi", diz um trecho do texto) e que reproduz as letras das 13 músicas do show dirigido e roteirizado por José Possi Neto. Algumas - Gota de sangue (Ângela RoRo, 1979), Summertime (George Gerswin e DuBose Heyward, 1935) e a já mencionada Geni e o zepelim - permaneceram recorrentes no repertório da cantora. Outras se dissociaram da voz da intérprete ao longo dos decorridos 33 anos - casos de She's leaving home (John Lennon e Paul McCartney, 1967) - cuja abordagem exemplifica o alcance da voz de Cida na época - e de Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971). Mas o fato é que o tempo correu a favor de Cida, que na época de Summertime assinava o sobrenome Moreira com y. Se a voz perdeu naturalmente alguma potência, as interpretações foram se depurando com o decorrer dos anos. Por ter sido desde sempre intérprete hábil na exposição dos textos (e subtextos) das canções, Cida oferece em Summertime abordagens sedutoras de standards da música norte-americanas como Good morning heartache (Dan Fischer, Ervin Drake e Irene Higginbothan, 1946), Mercedez Benz (Janis Joplin, Michael McClure e Bob Neuwirth, 1970) - a música que mais parece ambientada em clima de cabaré - e My man (Maurice Yvain e Channing Pollock, 1928), mas atualmente a voz da dama é mais precisa, expondo o que muitos chamam de maturidade. Summertime, o álbum, foi realmente o início de um verão de noites quentes que ainda irradiam o calor da voz dessa talentosa artista, digníssima dama da canção e dos cabarés.

Moreno e Kassin comandam produção musical do próximo álbum de Gal

Moreno Veloso e Alexandre Kassin vão assinar a produção musical do álbum de inéditas que Gal Costa - em foto de André Schiliró - prepara em São Paulo (SP). Selecionado pela cantora com o auxílio do jornalista Marcus Preto, o repertório inclui músicas de Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira (em parceria com Antonio Cícero), Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros compositores. Dez anjos - música composta por Milton Nascimento para o sucessor de Recanto ao vivo (Universal Music, 2013) a partir de versos do rapper Criolo - figura no repertório do CD.

Disco londrino de Elis é contextualizado em livro-CD já posto nas bancas

Em maio de 1969, Elis Regina (1945 - 1982) gravou na capital da Inglaterra um álbum, Elis Regina in London, que foi lançado na Europa naquele mesmo ano de 1969, mas que somente seria editado no Brasil em 1982, após a precoce saída de cena da cantora gaúcha. Com músicas como Zazueira (Jorge Ben Jor, 1968) e Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967), Elis Regina in London marca a conexão da artista com o compositor, maestro e arranjador britânico Peter Knight (1917 - 1985), àquela altura já conhecido na Inglaterra por seu trabalho como regente de orquestras ouvidas em séries e filmes britânicos. Nas bancas desde 27 de junho de 2014, o livro-CD Elis Regina in London situa o álbum de 1969 na discografia da artista através de texto assinado pelo editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira. O livro é o 20º volume da Coleção Folha O melhor de Elis Regina. Organizada pelo jornalista Carlos Calado, a coleção totaliza 25 volumes, abrangendo 21 álbuns e quatro compilações da cantora.

sábado, 26 de julho de 2014

Sepultura lança em setembro registro de show do 'Rock in Rio' de 2013

Enquanto os irmãos Iggor Cavalera e Max Cavalera se preparam para lançar em outubro de 2014 o terceiro álbum do quarteto norte-americano Cavalera Conspiracy, Pandemonium, o grupo mineiro Sepultura anuncia a edição de CD, DVD e blu-ray com o registro do show que fez - com participação do grupo francês de percussão Les Tambours du Bronx - na edição de 2013 do festival Rock in Rio. Metal veins - Alive at Rock in Rio vai chegar ao mercado fonográfico a partir de 23 de setembro de 2014 com os 13 números do show. As edições em DVD e blu-ray foram encorpadas com documentário ao estilo de making of, com entrevistas com os músicos dos dois grupos e cenas de bastidores do show. Eis as 13 músicas de Metal veins - Alive at Rock in Rio, cujo repertório inclui Firestarter, do grupo britânico The Prodigy:

1. Kaiowas
2. Spectrum
3. Refuse / Resist
4. Sepulnation
5. Delirium
6. Fever
7. We've lost you
8. Firestarter
9. Requiem
10. Structure violence
11. Territory
12. Big hands
13. Roots bloody roots

'Sex', o segundo 'single' do décimo álbum de Kravitz, vai sair em agosto

Esta é a capa de Sex, segundo single do décimo álbum de estúdio do cantor e compositor norte-americano Lenny Kravitz, Strut. Sucedendo o single The chamber, apresentado em junho de 2014, Sex tem lançamento programado para agosto. Já o álbum Strut vai chegar ao mercado fonográfico a partir de 22 de setembro, em edição da Roxie Records distribuída em escala mundial pela Sony Music. Sex é a música que abre Strut, um álbum voltado para o rock.

Show de voz e violão, 'No osso' é solo da paixão de Marina pela música

Resenha de show
Título: No osso
Artista: Marina Lima (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de julho de 2014
Cotação: * * * 1/2
Show em cartaz no Tom Jazz, em São Paulo (SP), em 31 de julho de 2014

No show No osso, Marina Lima volta aos primórdios da criação de sua música, espocando nas cordas de seu violão flashes de trajetória musical iluminada pela atitude e pela coragem de se expor sem máscaras e subterfúgios. Mas sem ranço nostálgico. É sintomático, aliás, que a cantora e compositora carioca tenha escolhido música que mira o futuro - Que ainda virão (Marina Lima, 2006), lançada no álbum Lá nos primórdios (EMI Music, 2006) - para encerrar show em que revira páginas menos folheadas de seu passado em roteiro pontuado por lados b de discografia iniciada há 35 anos. "Os passos que não dei / Ainda virão / Em outra direção / ... / O sol brilha no azul / Que aponta novos caminhos / Quem sabe logo virão me achar", canta Marina em Que ainda virão, ao fim de seu primeiro show de voz & violão. O próprio conceito do show aponta novo caminho para uma artista identificada com uma guitarra no imaginário pop nacional. Desde 1979, Marina é umas das mais perfeitas traduções do pop rock brasileiro, ainda que sua música nem sempre possa ser enquadrada na moldura do rock. Desossar suas canções ao violão, em público, é atitude que reitera a coragem artística de Marina por realçar em cena uma voz que já não resiste às comparações com gravações anteriores a 1996, ano de rupturas na carreira da cantora. Mas a voz está lá, sim, inteira ao modo atual de Marina. E, por mais incrível que pareça, essa voz nunca soou tão bem nos últimos 18 anos, expondo luzes e sombras de uma artista que sempre preservou a integridade. "Jamais foi tão escuro no país do futuro", volta a cantar Marina - sentada no sofá que compõe o cenário casual do show, à luz de luminária - ao reviver $ cara (Marina Lima e Antonio Cícero, 1989), lado A que o tempo destinou a ser lado B de um álbum nublado (Próxima parada, PolyGram, 1989). Entre tons mais ou menos iluminados, Marina apresenta show que desmente todos os prognósticos pessimistas e soa fluente, sedutor. Até porque Marina jamais arranha seu violão. O instrumento que a conduz na interpretação de canções que partiram do violão - como a artista ressalta em cena - é tocado com propriedade, com conhecimento de causa e com uma musicalidade que embasa boas surpresas como Something that we missed (Marina Lima e Giovanni Bizzotto em versão em inglês de Pat McDonald, 1993) - abordagem em inglês de O chamado, música que deu título ao álbum lançado por Marina em 1993 - e O solo da paixão (Marina Lima e Antonio Cícero). Há surpresas menos boas em roteiro povoado por composições menos conhecidas da cantautora. Música do álbum Virgem (PolyGram, 1987) que Marina nunca havia apresentado ao vivo, 1º de abril (Eu negar)? (Marina Lima, 1987) é canção menor na obra de compositora capaz de voos artísticos mais altos - como os alçados, por exemplo, na criação de Na minha mão (Marina Lima e Alvin L, 1998), momento mais relevante do show. Em contrapartida, as oportunas lembranças de Noite e dia - parceria de Lobão com Júlio Barroso (1953 - 1984) lançada por Marina no álbum Desta vida, desta arte (Ariola, 1982) - e do rock Acho que dá (Marina Lima e Tavinho Paes), reminiscência de aventura na estrada a caminho de Búzios (RJ), legitimam a pescaria de pérolas no baú da artista. A harmonização de sua voz com o toque preciso do violão - afinado em cena repetidas vezes - resulta tão suficiente que o uso eventual de bases eletrônicas em músicas como À meia voz (Marina Lima e Antonio Cícero, 1996) e Fullgás (Marina Lima e Antonio Cícero, 1984) soa até dispensável, pois polui a atmosfera íntima do show sem criar a rigor um novo ambiente. As bases se justificam somente nos dois números - Não me venha mais com o amor (Marina Lima e Adriana Calcanhotto, 2011) e Keep walkin' (Marina Lima, 2011) - em que, munida de sua guitarra, Marina mostra de forma quase didática como se deu a criação sintética dessas músicas gravadas em seu último revigorante álbum, Clímax (Libertà Records / Fullgás / Microservice, 2011). De todo modo, os melhores momentos do show No osso são aqueles em que, no seu lugarzinho (termo usado pela cantora para caracterizar o sofá que a acomoda durante quase toda a apresentação), Marina apresenta bom samba inédito de sua lavra, Da Gávea, entre alguns sucessos que geram empatia imediata entre cantora e público nem sempre disposto a ouvir o que não conhece ou não se lembra. Nesse sentido, a obra-prima Virgem (Marina Lima e Antonio Cícero, 1987) e as delícias do bis - Criança (Marina Lima, 1991), Grávida (Marina Lima e Arnaldo Antunes, 1991), Eu te amo você (Kiko Zambianchi, 1985) e À francesa (Marina Lima e Antonio Cícero, 1989) - aumentam o grau de sedução popular de No osso, show que, sobre todas as coisas, é essencialmente um corajoso solo que evidencia a paixão de Marina Lima pela música e pela vida, com fé no que ainda virá. 

Ao violão, Marina revive transa inocente e hit de Kiko no show 'No osso'

"Inocente...", sentenciou Marina Lima após apresentar ao público da casa Miranda a versão desossada de Transas de amor (Os sonhos de quem ama), parceria com seu irmão Antonio Cícero, gravada pela cantora e compositora carioca em seu primeiro álbum, Simples como fogo (Warner Music, 1979). A inocência a que se referiu a artista na estreia carioca de seu primeiro show de voz e violão, No osso, reside na ideologia afetiva contida nos versos da canção, que expõe "visão naïf do amor" no entender de Marina. Transas de amor é um dos lados B do roteiro do show, que estreou em São Paulo (SP) em junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ), cidade natal da artista, na noite de 25 de julho. No show, feito somente com violão e eventuais bases eletrônicas, Marina canta o inédito samba Da Gávea, apresenta músicas menos ouvidas de seu cancioneiro autoral - como It's not enough (Marina Lima, Pat McDonald e Reed Vertelney, 1993), 1º de abril (Eu negar?) (Marina Lima, 1987), música que a cantora nunca havia feito ao vivo, e Acho que dá (Marina Lima e Tavinho Paes, 1982) - entre lados B dos repertórios autorais dos compositores cariocas Cazuza (1958 - 1990) e Lobão, dos quais Marina canta Carente profissional (Roberto Frejat e Cazuza, 1983) e Noite e dia (Lobão e Júlio Barroso, 1982), respectivamente. A versão em inglês de O chamado (Marina Lima e Giovanni Bizzotto, 1993) - intitulada Something that we missed e feita por Pat McDonald para a edição norte-americana do álbum O chamado (EMI Music, 1993) - também é reavivada pela artista em seu show mais íntimo, cujo bis inclui delícia pop do compositor paulista Kiko Zambianchi, Eu te amo você, música lançada pela cantora no álbum Todas (PolyGram, 1985). Eis o roteiro seguido por Marina Lima - em foto de Rodrigo Goffredo - em 25 de julho de 2014, na casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), na estreia carioca do fluente show No osso:

1. Partiu (Marina Lima, 2013)
2. $ cara (Marina Lima e Antonio Cícero, 1989)
3. It's not enough (Marina Lima, Pat McDonald e Reed Vertelney, 1993)
4. Something that we missed (O chamado)
     (Marina Lima e Giovanni Bizzotto em versão em inglês de Pat McDonald, 1993)
5. O solo da paixão (Marina Lima e Antonio Cícero, 1996)
6. 1º de abril (Eu negar?) (Marina Lima, 1987)
7. Transas de amor (Marina Lima e Antonio Cícero, 1979)
8. Na minha mão (Marina Lima e Alvin L, 1998)
9. Virgem (Marina Lima e Antonio Cícero, 1987)
10. Carente profissional (Roberto Frejat e Cazuza, 1983) - gravada por Marina em 1993
11. Noite e dia (Lobão e Júlio Barroso, 1982)
12. Acho que dá (Marina Lima e Tavinho Paes, 1982)
13. Pessoa (Dalto e Cláudio Rabello, 1983)
14. À meia voz (Marina Lima e Antonio Cícero, 1996)
15. Da Gávea (Marina Lima, 2014)
16. Não me venha mais com o amor (Marina Lima e Adriana Calcanhotto, 2011)
17. Keep walkin' (Marina Lima, 2011)
18. Fullgás (Marina Lima e Antonio Cícero, 1984)
19. Que ainda virão (Marina Lima, 2006)
Bis:
20. Criança (Marina Lima, 1991)
21. Grávida (Marina Lima e Arnaldo Antunes, 1991)
22. Eu te amo você (Kiko Zambianchi, 1985)
23. À francesa (Cláudio Zoli e Antonio Cícero, 1989)

Duofel lança DVD com show feito em 1994 em São Paulo com Badal Roy

Em abril de 1994, o Duofel - a dupla de violonistas formada em 1978 pelo alagoano Fernando Melo com o paulistano Luiz Bueno - juntou seus violões às tablas do indiano Badal Roy em show feito no Teatro Crowne Plaza, em São Paulo (SP). Captado ao vivo, o show gerou o álbum Espelho das águas ao vivo, editado naquele mesmo ano de 1994 pela extinta gravadora Velas. Decorridos 20 anos, Duofel lança pela gravadora Fine Music o registro audiovisual do show, cujas imagens foram captadas em preto e branco em duas fitas VHS. O DVD Espelho das águas ao vivo 20 anos acrescenta duas músicas - Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1965) e Romaria (Renato Teixeira, 1977) - ao repertório original essencialmente autoral do CD original. A qualidade da imagem é ruim, mas o som preserva o viço e expõe a fina sintonia do Duofel com Badal Roy, ainda que o áudio do DVD seja 2.0. Valor é documental.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Alta patente do samba, Nelson Sargento chega firme e forte aos 90 anos

 O nome de batismo é Nelson Mattos, mas todo mundo o conhece como Nelson Sargento fora e dentro do universo da música. O sobrenome artístico é condizente com o status de Sargento, uma das mais altas potentes do samba. Além de cantor e compositor (é autor do imortal samba Agoniza, mas não morre), o multimídia Sargento - que chega hoje aos 90 anos, firme e forte, com planos de gravar mais um álbum - é também artista plástico, escritor e eventual ator. Nascido no Rio de Janeiro (RJ) em 25 de julho de 1924, Sargento foi criado no Morro do Salgueiro, mas tem sua vida e obra associadas à Estação Primeira de Mangueira, a escola de samba do subúrbio carioca que deu frutos nobres como os cancioneiros de Cartola (1908 - 1980) e Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). Sargento é dessa turma de bambas. Artista que esbanja vida, sem jamais ter agonizado na carreira, Nelson Sargento merece as flores em vida.