quarta-feira, 4 de maio de 2016

Comportamento geral do país dá sentido à edição em CD de álbum de Bravo

Resenha de álbum - Segunda visão
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 1/2

"...Olhe o dia de ontem chegando", alerta Marya Bravo através de verso de Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972), a primeira das 13 canções da resistência a que a cantora carioca dá voz no álbum Comportamento geral, lançado originalmente em formato digital, em 2014, para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 através das músicas que resistiram à ditadura que amordaçou, mas não calou, o Brasil daquele ano de 1964 a 1985. As músicas de compositores politizados como Chico Buarque, Ivan Lins e Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991) falaram por quem não podia falar, sobretudo na década de 1970. Em 2014, Comportamento geral lembrou o que jamais deve ser esquecido. Mas os gritos do disco ficaram parados no ar, à espera de necessária edição em CD que chega, enfim, ao mercado fonográfico neste mês de maio de 2016 pela gravadora Joia Moderna. E eis que uma edição em CD que poderia soar tardia resulta mais do que oportuna no momento em que a palavra "golpe" voltou a ser pronunciada no Brasil. Com (inédita) capa que expõe fotos de mortos e desaparecidos por obra do regime militar iniciado em 1964 e endurecido a partir de 1968, Comportamento geral jamais toma partido de nomes ou siglas políticas. Mas o álbum faz a defesa da democracia e da liberdade de expressão ao reavivar canções de compositores que resistiram. Dois anos após a edição digital (clique aqui para ler a resenha publicada por Notas Musicais em 19 de setembro de 2014), Comportamento geral chega ao formato de CD com sentido ampliado pelos fatos recentes da turbulenta história política do Brasil. "Como tenho me encontrado / Como tenho descoberto / A sombra leve da morte / Passando sempre por perto / E o sentimento mais breve / Rola no ar e descreve / A eterna cicatriz / Mais uma vez / Mais de uma vez...", adverte Bravo em Meio-termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978), uma das melhores lembranças do repertório pesquisado por Rodrigo Faour para o show de 2014 que deu origem ao disco gravado em estúdio por iniciativa do DJ Zé Pedro. E o fato é que Comportamento geral nunca soou tão relevante e preciso. Marya Bravo é grande cantora que encarou sem medo as 13 grandes canções imortalizadas por imensuráveis cantoras como Elis Regina (1945 - 1982) e Maria Bethânia. Ou por compositores de vozes próprias como Milton Nascimento e Chico Buarque. Sábia, Bravo seguiu trilha própria, enquadrando na moldura do rock o que era samba ou canção de MPB, e assim evitou comparações que lhe poderiam ser desfavoráveis no confronto com os registros de nomes já entronizados como mitos da música brasileira. E ainda há pérolas pescadas no baú, como a corajosa Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri), creditada a 1974 na contracapa do CD, mas efetivamente lançada em disco em 1973, na voz de Marlene (1922 - 2014), no LP com a trilha sonora da peça Botequim, encenada naquele ano de 1973. Musicalmente, o álbum continua novo porque o hard rock dá o devido peso a essas canções da resistência. E aí o mérito é sobretudo dos produtores Pedro Garcia e Bruno Pederneiras, cujo toque sempre cortante da guitarra afia os arranjos de músicas como Demoníaca (Sueli Costa e Vitor Martins, 1974) e Apesar de você (Chico Buarque, 1970). Comportamento geral é disco sustentado pelo tripé básico do rock - a guitarra de Pederneiras, a bateria de Garcia e o baixo de Daniel Martins - que se eleva sem deixar de evidenciar o canto bravo de Marya. Afinal, o que está em pauta é o recado de letras como as de Comportamento geral (Gonzaguinha, 1973), Cartomante (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977) e Roda viva (Chico Buarque, 1967). O som se ajusta ao clima pesado das letras (infelizmente não reproduzidas no magro encarte). Gás neon (1974) - outro petardo certeiro de Gonzaguinha - soa asfixiante, por exemplo. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1968) abre espaço para o minimalismo noise da guitarra de Pederneiras, músico fundamental na arquitetura do álbum. Comportamento geral é disco pesado no sentido musical e poético. Os dias eram assim. Mas olhe o dia de ontem chegando! O comportamento geral do Brasil nos dias de hoje amplia o sentido do álbum de Bravo, cuja edição em CD neste 2016 é involuntário golpe de mestre.

Eis a capa e as (13) músicas de '7', álbum do Casuarina que inclui Maria Rita

Com capa que expõe arte de Diogo Montes, o sétimo álbum do grupo carioca Casuarina, 7, chega ao mercado fonográfico na segunda quinzena deste mês de maio de 2016, em edição digital, com 13 músicas e a participação da cantora paulistana Maria Rita no samba Eu já posso me chamar saudade, primeira parceria de João Cavalcanti - um dos vocalistas e compositores do quinteto - com Moacyr Luz. A edição física em CD de 7 vai para as lojas em junho e já está em pré-venda no site da distribuidora Discole. Produzido pelos próprios integrantes do Casuarina, 7 foi gravado em quatro dias de fevereiro deste ano de 2016 na Gargolândia, estúdio de Rafael Garga Alterio situado em fazenda do interior do estado de São Paulo. A única faixa gravada fora desta imersão de quatro dias no estúdio paulista é Queira ou não queira (João Cavalcanti e Alaan Monteiro), samba captado no estúdio carioca Tenda da Raposa e já previamente lançado como single em dezembro de 2015. O repertório de 7 é inteiramente autoral. Cada música é assinada por pelo menos um integrante do Casuarina, a sós ou com parceiros como Aluísio Machado, Sérgio Fonseca, João Martins, Alaan Monteiro e o já mencionado Moacyr Luz. O repertório é inédito, com exceções de Queira ou não queira e de Chicala, música de João Cavalcanti lançada pela cantora paulistana Fabiana Cozza no álbum Partir (Agô Produções, 2015). Eis, na ordem do disco, as 13 músicas e os respectivos compositores de 7, álbum viabilizado através de parceria do Casuarina com a empresa Superlativa:

1. Ambidestra (Daniel Montes e João Cavalcanti, 2016)
2. Firme e forte (Daniel Montes, Gabriel Azevedo e Sérgio Fonseca, 2016)
3. Quiproquó (João Cavalcanti, 2016)
4. Sumidouro (João Cavalcanti e João Martins, 2016)
5. Casa minha (João Fernando, 2016)
6. Quando você deixar (João Cavalcanti, 2016)
7. Eu já posso me chamar saudade (João Cavalcanti e Moacyr Luz, 2016) - com Maria Rita
8. Rasteira (Gabriel Azevedo, 2016)
9. Deixa sangrar (Daniel Montes, Gabriel Azevedo e Sérgio Fonseca, 2016)
10. A matemática do amor (Gabriel Azevedo e Aluísio Machado, 2016)
11. Chicala (João Cavalcanti, 2015)
12. Pé de vento (Daniel Montes, Rafael Freire e Sérgio Fonseca, 2016)
13. Queira ou não queira (João Cavalcanti e Alaan Monteiro, 2015)

'Tropix' é editado em vinil com 10 das 12 músicas do álbum original de Céu

O cultuado quarto álbum de estúdio de Céu ganha edição em vinil de 140 gramas, fabricado pela Polysom sob licença do selo Slap, da Som Livre, gravadora que distribui o álbum lançado em março de 2016. À venda a partir este mês de maio de 2016, a edição em vinil de Tropix traz 10 das 12 músicas do álbum original produzido pelo baterista pernambucano Pupillo com o tecladista francês Hervé Salters. Por falta de espaço no vinil para caber todas as 12 faixas, a cantora e compositora paulistana limou do LP as músicas A menina e o monstro (Céu, 2016) e Sangria (Céu e José Paes Lira, 1026). Eis, na disposição do LP, as 10 músicas da edição em vinil do inebriante álbum Tropix:

Lado A
1. Perfume do invisível (Céu, 2016)
2. Arrastar-te-ei (Céu, 2016)
3. Amor pixelado (Céu, 2016)
4. Minhas bics (Céu, 2016)
5. Etílica (Céu, 2016) / Interlúdio (Céu e Hervé Salters, 2016)


Lado B
1. Varanda suspensa (Céu e Hervé Salters, 2016)
2. Chico Buarque song (Ricardo Salvagni, Carlos Adão Volpato, Jair Marcos Vieira e Thomas

    Kurt Georg Pappon, 1990)
3. Camadas (Céu e Fernando Almeida, 2016)
4. A nave vai (Jorge Du Peixe, 2016)
5. Rapsódia brasilis (Céu, 2016)

Compilação 'A divina Elizeth', de 1990, é reposta em catálogo pela Som Livre

Em 1990, no rastro da saudade provocada pela saída de cena de Elizeth Cardoso (1920 - 1990), a gravadora Som Livre editou compilação da cantora carioca, no formato de LP, com reunião de fonogramas dos três álbuns que a Divina gravara na companhia. Intitulada A divina Elizeth, a coletânea lançada há 26 anos está sendo reposta em catálogo pela Som Livre nas plataformas digitais e em edição física em CD. A divina Elizeth rebobina gravações dos álbuns O inverno do meu tempo (Som Livre, 1979), Elizethíssima (Som Livre, 1981) - registro ao vivo de show captado no Teatro João Caetano, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - e Outra vez Elizeth (Som Livre, 1982). Deste três álbuns, somente o ao vivo Elizethíssima já ganhou edição em CD, em 2000, na série Gala. Os dois relevantes álbuns de estúdio de 1979 e 1982 permanecem inéditos no formato de CD e, por isso mesmo, deveriam estar sendo relançados no lugar dessa trivial coletânea de 1990.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Feminina voz de Fênix renasce entre impressões do presente e do passado

Resenha de álbum
Título: De volta ao começo
Artista: João Fênix
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

A feminina voz do cantor pernambucano João Fênix renasce no quinto álbum do artista, De volta ao começo, lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de abril de 2016 com capa diferente da inicialmente idealizada pelo artista na conclusão da gravação do disco, no primeiro semestre 2015. "É mais fácil mimeografar o passado / Que imprimir o futuro", admite Fênix em versos de Minha casa (2000), canção da safra de líricas do compositor maranhense Zeca Baleiro que abre o álbum produzido por Jaime Alem com JR Tostoi. Fênix tentou imprimir o futuro ao buscar afirmação como compositor no irregular autoral A foto onde eu quero estar (Sala de Som Records, 2011). Em De volta ao começo, o cantor faz a voz de contratenor renascer como fênix em álbum de intérprete que oscila entre impressões do passado e do presente. A própria reunião de dois produtores de universos musicais distintos - Jaime Alem, identificado com as nobres tradições da MPB e do violão, e JR Tostoi, cujo toque noise da guitarra sintoniza o presente da música pop brasileira - colabora para que o disco transcorra harmonioso entre o passado e o presente sem que um se sobreponha ao outro. Não raro, passado e presente até se dão as mãos. Parafraseando verso da música-título De volta ao começo (Gonzaguinha, 1980), Fênix entra de novo na roda para cantar antigas cantigas. Mas já aí, na canção do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945 - 1991), a guitarra cortante de Tostoi rasga a incisão memorialista, embaralhando passado e presente. Como um menino com o brilho do sol, Fênix atiça reminiscências da vivência nordestina ao voltar a falar a lúdica e tropicalista Língua do P criada por Gilberto Gil em 1970, ao mergulhar contemporâneo no Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1955) e ao rearrumar com a rabeca de Nicolas Krassik a Arrumação feita por Elomar em 1979. Contudo, o título revelador De volta ao começo pode simbolizar tão somente o retorno do cantor de voz feminina às origens de intérprete, projetado no palco há 20 anos pela marcante atuação na montagem original do musical carioca Quatro carreirinhas (1996). Um intérprete polivalente capaz de armar uma seresta ao som de Último desejo (Noel Rosa, 1937) e de pisar no terreirão ancestral do samba para saudar Yaô (Pixinguinha e Gastão Vianna, 1938), revolvendo toda uma raiz negra evocada também no coro masculino que abrilhanta Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) no fecho deste disco que adensa o inventário emocional ao reviver as dores e os dons uterinos de Motriz (Caetano Veloso, 1983) e de A feminina voz do cantor (Milton Nascimento e Fernando Brant, 2002). E é tragando a dor amarga de um Brasil ainda sem futuro que Fênix imprime o presente na faixa mais impactante do álbum, Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), desafiando tanta mentira e tanta força bruta ao inserir fala politizada do deputado federal Jean Willys ("Eu sou homossexual assumido, sim!") no meio dos toques dos violões incisivos. No fim da gravação amarga, o coro dos estudantes da Escola Estadual Antônio Viana de Souza, de São Paulo (SP), clama pela hora em que o país vai devolver ao povo brasileiro o dom de ser feliz. Atordoado entre o passado construído na memória e o presente surreal, João Fênix permanece atento e forte.

Disco de Ben na Som Livre, 'A banda do Zé Pretinho' volta para animar festas

Em 1977, Jorge Ben Jor migrou da gravadora Philips para a Som Livre e dissolveu o grupo Admiral Jorge V, criando a Banda do Zé Pretinho. A banda que passou a acompanhar o cantor, compositor e músico carioca em cena batizou música e o 16º álbum de estúdio do artista. A música foi o maior sucesso do álbum A banda do Zé Pretinho, lançado pela gravadora Som Livre em 1978. Disco que marcou a estreia de Ben na companhia fonográfica associada à TV Globo, A banda do Zé Pretinho ganha uma segunda (re)edição em CD, posta no mercado fonográfico neste segundo trimestre de 2016, 22 anos a primeira, lançada em 1994 na série Cast. Produzido por Paulinho Tapajós (1945 - 2013), A banda do Zé Pretinho dá continuidade à fase elétrica do som de Ben, iniciada com o antológico álbum África Brasil (Philips, 1976). É um disco mais pop e mais acessível que, ao longo das 11 músicas compostas por Ben sem parceiros, versa sobre temas habituais no cancioneiro do artista, como o futebol (Cadê o penalty?), as mulheres (Berenice e Denize Rei são as musas inspiradoras da vez) e a religião (Menino Jesus de Praga e Viva São Pedro). Contudo, além da música-título A banda do Zé Pretinho, o disco emplacou Amante amado nas rádios e na trilha da novela Dancin' Days (TV Globo, 1978). A banda do Zé Pretinho retorna ao catálogo da Som Livre - em (re)edição física em CD e em edição digital - na companhia do álbum seguinte do cantor na gravadora, Salve simpatia, lançado em 1979. Remasterizadas, as atuais edições em CD dos dois álbuns são (bem) mais caprichadas do que as lançadas na desleixada série Cast na década de 1990.

Jota Quest adiciona rap de Projota ao segundo single do álbum 'Pancadélico'

Uma das músicas mais solares do festivo e inebriante oitavo disco de músicas inéditas do Jota Quest, Pancadélico (Sony Music, 2015), o pop reggae Um dia pra não se esquecer (Sunrise) (Chris Leon, Katie Tucker, Jerry Barnes, PJ e Rogério Flausino, 2015) está sendo lançado como o segundo single do álbum. Mas a música lançada nas rádios e nas plataformas digitais difere da gravação do álbum por ter ganhado a adição do rap positivista do cantor e compositor paulista Projota. A ótima faixa do álbum foi produzida pelo norte-americano Jerry Barnes em parceria com o alemão Chris Leon. Clique aqui para ouvir Um dia pra não se esquecer no YouTube com a adição do rap de Projota.

Olga, filha de Romulo Fróes e Alice Coutinho, inspira e gera música do casal

O fato de Romulo Fróes ter se transformado em pai em 26 de março deste ano de 2016 - data de nascimento de Olga, primeira filha do cantor e compositor paulistano com a também compositora Alice Coutinho - gerou canção. Romulo e Alice compuseram música para dar as boas-vindas a Olga. Ainda inédita em disco, a música foi batizada com o nome da filha do casal. Esta é a letra de Olga:

Olga (Romulo Fróes e Alice Coutinho)

Olha
É chegada a Olga
O outono vem trazer
A lua nos mostrar

Olga
É chegada a hora
Vem aqui nos ver
Vem nos encontrar

Menina vulcão
A sua estória
Vai começar

Um voo de céu azul
Um sol de festejar

Menina do sol
Nessa aurora
Que vai entrar

Um canto do seu pai
Um desenho do mar

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Carol Saboya dá voz a Bosco, Djavan, Edu, Jobim e Sting no álbum 'Carolina'

Quatro anos após entrelaçar as obras dos compositores cariocas Ivan Lins e Milton Nascimento no jazzístico álbum Belezas (AAM, 2012), Carol Saboya volta ao mercado fonográfico com a edição pelo selo AAM do 11º título de discografia iniciada em 1997. A cantora carioca lança nos Estados Unidos hoje - 2 de maio de 2016 - o álbum Carolina, previsto para ser editado no Brasil em julho. O título reproduz o nome de batismo de Carolina Job Saboya, filha do pianista Antonio Adolfo, produtor e arranjador do disco. Ao piano, Adolfo integra a banda que toca com Saboya nas dez músicas de Carolina e que também inclui André Siqueira (percussão), Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão). Cláudio Spiewak mixou o disco e tocou violão em Faltando um pedaço (1981), uma das duas músicas de Djavan gravadas por Saboya em Carolina (a outra é o samba Avião, de 1989). Sem inéditas, o repertório de Carolina inclui três títulos do soberano cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) - A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1970) e Passarim (1985) - e a única parceria de João Bosco com Belchior, Senhoras do Amazonas (1984). Em Carolina, Saboya também dá voz a Zanzibar (Edu Lobo, 1970) e ao choro Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946) com a letra escrita e lançada por Nelson Ângelo em 1994. Fora da inesgotável seara brasileira, a cantora interpreta Fragile (Sting, 1987) e  Hello, goodybye (John Lennon e Paul McCartney, 1967).

Folk já pop e solar do Vanguart ganha sombras, intimidade e poesia em DVD

Resenha de DVD
Título: Muito mais que o amor ao vivo
Artista: Vanguart
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

"Nada mudou... e tudo mudou. Foda-se". O verso de Cuyabá, poesia recitada por Cida Moreira ao som do piano da artista, encerra o segundo DVD do Vanguart e faz sentido. Nada mudou, a rigor, no Vanguart. Mas, ao mesmo tempo, tudo mudou. Em 2015, o vocalista e compositor Hélio Flanders lançou um primeiro álbum solo, Um temporada fora de mim (Deck), tão dilacerante e estupendo que supera tudo o que o Vanguart fez em discografia que totaliza três álbuns de estúdio e dois registros ao vivo de show.  Em janeiro deste ano de 2016, foi anunciado o recesso por tempo indeterminado do tecladista do grupo mato-grossense, Luiz Lazzaroto - aliás, um dos membros-fundadores do Vanguart. Posto nas lojas em abril deste ano de 2016, em edição da gravadora Deck, o DVD Muito mais que o amor ao vivo joga sombras no folk cada vez mais pop e solar da banda de Cuiabá (MT). A sombra vem do clima de intimidade construído pelo diretor Ricardo Spencer na captação das imagens do show feito pelo grupo em 19 de julho de 2015 no Centro Cultural São Paulo, na cidade de São Paulo (SP). E também das poesias recitadas por nomes como Thiago Pethit e Danilo Grangheia ao longo do DVD. Os clipes poéticos são inseridos entre algumas das 19 músicas do roteiro centrado no repertório do terceiro e por ora último álbum de estúdio do Vanguart, Muito mais que o amor (Deck, 2013). Há músicas dos dois álbuns anteriores da banda, Boa parte de mim vai embora (Vigilante / Deck, 2011) e Vanguart (Independente, 2007), disco quase todo cantado em inglês, do qual o grupo rebobina Semáforo (Hélio Flanders, 2007) e Cachaça (Hélio Flanders, 2007). Mas a base do repertório vem de Muito mais que o amor, o álbum em que o folk do Vanguart ficou mais pop e solar. O que até justifica o coro do público que rodeia a banda - alocada no centro do palco - em músicas como Demorou pra ser (Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln, 2013). Só que a vivacidade de boa parte do repertório contrasta com o clima íntimo da filmagem e com as poesias que se afinam com a densidade de várias letras, abafada pela pegada pop do som. São poesias que versam sobre solidão e abismos existenciais em tom nublado diluído pela abordagem vivaz do roteiro musical gravado ao vivo em produção assinada por Rafael Ramos com a banda. O DVD sinaliza que nada mudou, mas, ao mesmo tempo, tudo mudou no Vanguart...

Banda paulistana Republica faz quarto álbum com produtor do Faith no More

Banda paulistana de rock pesado, Republica grava o quarto álbum de estúdio neste mês de maio de 2016, nos Estados Unidos, com produção de Matt Wallace, considerado uma espécie de sexto integrante do Faith No More por já ter dado forma a vários álbuns do grupo norte-americano. Composto a partir de meados de 2015,  o repertório do sucessor de Point of no return (Wikimetal Music, 2013) totaliza 15 músicas inéditas, por ora. A gravação do álbum vai ser feita por Leo Belling (vocal), Jorge Marinhas (guitarra), Luiz Fernando Vieira (guitarra), Marco Vieira (baixo) e Mike Maeda (bateria) - em foto de Rodrigo Pirim - no Studio Delux e no Steakhouse Studios, ambos situados no Sound City Center em Los Angeles (EUA). Disco sai no segundo semestre do ano.

Pop, álbum 'Maior ou igual a dois' engrandece Chico Salem como compositor

Resenha de álbum
Título: Maior ou igual a dois
Artista: Chico Salem
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2

O nome do guitarrista paulista Chico Salem vem aparecendo como compositor nos últimos anos, geralmente associado à obra do parceiro Arnaldo Antunes, com quem o artista trabalha desde 1999. Em Maior ou igual a dois, segundo álbum de Salem, o nome do artista cresce sobretudo como compositor. Quatorze anos após um primeiro álbum solitário e metafórico que passou despercebido, O1 (Independente, 2002), Salem reaparece na hora certa com um disco autoral produzido por Guilherme Kastrup com o próprio Salem. Maior ou igual a dois é um disco de parcerias, nas composições e no canto das 14 músicas autorais, a maioria de luminosa cepa pop. Mudar de ideia - canção composta e gravada por Salem com a parceira Lu Lopes - ostenta  simplicidade que evoca os sucessos da Jovem Guarda e, sintomaticamente, tem teclados tocados por Marcelo Jeneci, súdito do rei Roberto Carlos. O arranjo - de início leve, em clima de luau, conduzido pelo toque da guitalele de Salem - ganha corpo quando sobressaem a guitarra de Gustavo Ruiz e o MPC pilotado por Kastrup. Contudo, Maior ou igual a dois é disco pautado pela leveza contemporânea. Parafraseando a letra de Obsessão (Como uma canção), parceria de Salem com Zeca Baleiro que abre o disco com a voz de Luê, Maior ou igual a dois deixa na cabeça melodias e versos de alguns bons refrões. A safra autoral da primeira metade do álbum é especialmente encantadora, mas o pique é mantido na segunda. Fala mal (Chico Salem), Um pouco ou demais  (Chico Salem e Arnaldo Antunes), Num dia (Chico Salem e Arnaldo Antunes, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves)  - faixa gravada com a adição da voz lusitana de Manuela Azevedo - e Eu bem sei (Caetano Malta e Chico Salem) são canções que reiteram (para quem quiser ouvi-las sem pré-conceitos) a força da produção musical contemporânea brasileira. Maior ou igual a dois é disco gregário no qual Salem busca se firmar como cantor (eficiente, diga-se) de obra autoral que, justiça seja feita, soa mais inspirada do que a safra autoral reunida por Arnaldo Antunes no último disco solo do ex-Titã. Basta ouvir uma canção como Pra receber (Chico Salem e Lu Lopes) - gravada por Salem com a voz de Marcelo Jeneci - para atestar o vigor dessa produção musical. "De repente, uma cortina de fumaça / E você deixa de ver o que se passa / Quando vê, não saiu para dançar / Quando viu, foi ficando pra trás", alerta De repente (Henrique Alves e Chico Salem), música que demole certezas em uma das melhores letras de disco que versa sobre (des)amor. Tema encorpado pelo toque das guitarras de Estevan Sinkovitz, Eu indivisível (Danilo Moraes e Chico Salem) reafirma a relatividade e mutação dos fatos e sentimentos. Em clima lo-fi, pautado pelo lapsteel de Salem, Juntos e sozinhos (Chico Salem) se afina com a confessional Só eu sozinho (Chico Salem, Arnaldo Antunes e Betão Aguiar) por falar de solidão em disco que nasceu de encontros. Karina Burh reforça o espírito gregário de Maior ou igual a dois ao desencapar com a voz a roqueira Um fio, parceria de Salem com Arnaldo Antunes. Duas parcerias de Salem com Edu Mantovani - Menina benzina e Real demais - fecham bem a tampa de disco que eleva o nome de Salem no universo pop brasileiro. Maior ou igual a dois engrandece Chico Salem como compositor.

domingo, 1 de maio de 2016

João Senise celebra Sinatra ao vivo com coragem e arranjos de Peranzzetta

Resenha de álbum
Título: Celebrando Sinatra ao vivo
Artista: João Senise
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * *

João Senise é cantor de coragem. Em dezembro de 2015, quando o universo pop festejava o centenário de nascimento de Frank Sinatra (12 de dezembro de 1905 - 14 de maio de 1998), o cantor carioca apresentou show na Sala Cecília Meirelles, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em que encarava o repertório da voz que se tornou padrão e referência de canto masculino no século XX. Gravado ao vivo, o show gera o terceiro álbum de Senise, Celebrando Sinatra ao vivo, produzido pelo próprio João Senise sob a direção musical do pianista Gilson Peranzzetta, criador de todos os arranjos inéditos que dialogam com o universo musical em que está entranhada a obra fonográfica do cantor norte-americano. Disco lançado pela gravadora carioca Fina Flor, Celebrando Sinatra ao vivo remete ao primeiro álbum de Senise, Just in time (Independente, 2013), cujo repertório foi centrado em standards da canção norte-americana. A celebração de Sinatra é corajosa porque evidentemente João Senise sequer roça o brilho das interpretações do referencial cantor norte-americano quando dá voz a temas como For once in my life (Ron Miller e Orlando Murden, 1966) e Come fly with me (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn, 1957). Contudo, o disco prima pelo requinte das orquestrações de Peranzzetta. O quarteto fantástico de músicos que compõem a banda-base do show - Leo Amuedo na guitarra, Ricardo Costa na bateria e Zeca Assumpção no baixo, além do próprio Peranzzetta no piano que soa jazzy em determinada passagem de I've got you under my skin (Cole Porter, 1936) - mantém aura de sofisticação ao longo das 14 músicas do disco. A voz afinada de João Senise se integra aos arranjos em tons geralmente suaves. A propósito, o melhor momento do cantor no álbum é a interpretação de Strangers in the night (Bert Kaempfert, Charles Singleton e Eddie Snyder, 1966), um dos clássicos entre os clássicos gravados por Sinatra. A atmosfera de intimismo construída pelo arranjo - pautado pelo toque do flugelhorn de José Arimatea - desvia Senise do célebre caminho trilhado por Sinatra. Essa mesma atmosfera é reeditada em outro bom momento do álbum, My one and only love (Guy Wood e Robert Mellin, 1953), balada pontuada no registro de João pelo saxofone de Mauro Senise, pai do cantor, cujo sax é ouvido também em Just friends (John Klenner e Sam M. Lewis, 1931), música que ganhou o arranjo mais jazzístico do álbum. Já I won't dance (Jerome Kern, Oscar Hammerstein II, Dorothy Fields, Otto Harbach e Jimmy McHugh, 1934 / 1935), The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) e Fly me to the moon (Bart Howard, 1954) são músicas envoltas no suingue dos metais do quinteto Brass de Pina. Os arranjos são sempre classudos. Contudo, falta ao canto de Senise nessas faixas uma dose maior de suingue. De forma geral, o cantor sobressai mais nas baladas de tonalidades mais aconchegantes. Disco em inglês, Celebrando Sinatra ao vivo tem faixa cantada em bom português. Trata-se do medley que une dois títulos do soberano cancioneiro do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), com quem Sinatra dividiu antológico álbum em 1967, quando o cantor norte-americano já iniciava fase crepuscular da discografia, ainda que ainda emplacasse eventuais sucessos em escala mundial. O medley com Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959) e Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) destaca a voz de Áurea Martins, grande cantora que fez nome na noite carioca e somente nos últimos anos passou a gravar discos com certa regularidade. Enfim, aos 27 anos, João Senise ratifica em Celebrando Sinatra ao vivo o apego às canções de formato mais clássico um ano após abordar o cancioneiro de Ivan Lins em Abre alas (Fina Flor, 2015), disco que seguiu os cânones da obra do genial compositor carioca. Ao celebrar Sinatra, o jovem cantor se mantém no porto seguro dos standards e dos arranjos de Gilson Peranzzetta. Encarar o repertório de Sinatra é ato de coragem, pois tudo já foi gravado de forma luminosa, mas mais corajoso seria João Senise arriscar o garimpo de canções inéditas e se aproximar de músicos da própria geração para ser ele o lançador de músicas e não o crooner correto que dá voz ao que já foi lançado de forma estupenda.

Segundo álbum solo de Francis, 'Passaredo' ganha terceira reedição em CD

Segundo álbum solo do cantor, compositor, pianista e maestro Francis Hime, Passaredo ganha neste segundo trimestre de 2016 a terceira reedição em CD pela gravadora Som Livre. Lançado originalmente em 1977 no formato de LP, o álbum já tinha sido relançado em CD em 1995 (em desleixada edição da Série Cast) e em 2006 (em caprichada edição produzida por Charles Gavin para a série Som Livre Masters). A atual edição em CD tem nova masterização feita por Julio Carneiro e traz na contracapa interna um texto (não assinado) que contextualiza (de forma breve) Passaredo na discografia de Hime. Em contrapartida, a edição de 2016 abre mão da reprodução no encarte das letras das 13 músicas do disco. Produzido por Guto Graça Mello, com arranjos e regências do próprio Hime, Passaredo flagra o compositor no auge da parceria com Chico Buarque, coautor de cinco músicas do repertório inteiramente autoral. Duas - Trocando em miúdos e a música-título Passaredo - viraram clássicos da MPB produzida naquela década de 1970. Outras duas, Luisa e Maravilha, foram gravadas com a participação do próprio Chico. Em Passaredo, Francis também dá voz a músicas compostas com Olivia Hime,  Paulo César Pinheiro e Ruy Guerra.

'Coleção' fecha contrato de Marisa Monte com o selo EMI, da Universal Music

A edição de compilação Coleção - lançada nas plataformas digitais e nas lojas (com tiragem inicial de 40 mil cópias) na última sexta-feira, 29 de abril de 2016 - encerra o contrato de Marisa Monte com o selo EMI, desde 2013 vinculado à gravadora Universal Music. A artista carioca - em foto de Leo Aversa - assinou em 2000 um contrato com a então gravadora EMI Music que previa quatro álbuns e que, estendido, acabou totalizando sete discos. O último seria o best of que, por iniciativa de Marisa, se transformou em Coleção, disco que reúne 13 gravações até então dispersas na discografia da cantora e compositora. Dona do selo Phonomotor e da própria obra (desde o tal contrato assinado em 2000), a artista encerra com Coleção o vínculo com a indústria multinacional do disco, estando livre a partir deste mês de maio para ir para outra companhia fonográfica ou para lançar álbuns ou singles avulsos - ideia, aliás, cogitada pela cantora - de forma independente.

Nei Lisboa une 18 títulos do cancioneiro autoral em ao vivo com três inéditas

Nei Lisboa é cantor, compositor e músico gaúcho de Caxias do Sul (RS) que - mesmo longe demais das capitais, para recorrer ao clichê derivado de título de álbum do grupo conterrâneo Engenheiros do Hawaii - sempre sobreviveu no universo pop por conta da força da obra autoral, de maior visibilidade no Sul do país, mas com ecos eventuais em todo o Brasil como provam as regravações da canção Pra te lembrar (Nei Lisboa, 2003). Viabilizado com recursos financeiros obtidos no projeto Natura musical, o 11º álbum do artista, Nei Lisboa ao vivo - Telas, tramas & trapaças do novo mundo (Independente, 2015), enfileira 18 títulos do cancioneiro verborrágico do compositor sem a preocupação de apresentar um best of do autor. Tanto que seis das 18 músicas do roteiro da gravação ao vivo do show Telas, tramas & trapaças do novo mundo - captado em 13 de junho de 2015 em apresentação de Lisboa no Salão de Atos da UFRGS, na cidade de Porto Alegre (RS) - são originárias do repertório do último álbum de estúdio do artista, A vida inteira (Independente, 2013). Sem contar com as três inéditas, A lei (cuja letra versa com virulência sobre as injustiças da Justiça brasileira), Para um e Pôquer no escuro. Com som que mixa elementos de rock, MPB, pop e até blues (em Publique-se o cartão, na jazzy A verdade não me ilude e em Bar de mulheres, músicas de 2013, 2006 e 2003), Lisboa dá novamente o corrosivo recado político da música E a revolução - lembrança do álbum Cena beatnik (Antídoto, 2001) - e revive a composição que deu nome ao álbum Relógios de sol (Antídoto, 2003), no qual foi apresentado a canção Pra te lembrar, (sintomaticamente) ausente do roteiro. Nei Lisboa segue o curso artístico sem trapaças...

sábado, 30 de abril de 2016

Eis a capa de 'Amor geral', o primeiro álbum de Fernanda Abreu em dez anos

Com capa que expõe arte criada por Giovanni Bianco a partir de foto de Gui Paganini, o primeiro álbum de Fernanda Abreu em dez anos, Amor geral, teve o lançamento adiado em duas semanas. Em vez de 6 de maio de 2016, data inicialmente prevista para a chegada do disco ao mercado fonográfico, Amor geral vai ser lançado em 20 de maio de 2016 em edição do selo da artista, Garota Sangue Bom, distribuída em escala nacional pela gravadora Sony Music em CD e em formato digital. Eis - na ordem do disco - as dez músicas do primeiro álbum da artista carioca em dez anos:

1. Outro sim (Fernanda Abreu, Gabriel Moura e Jovi Joviniano)
2. Tambor (Fernanda Abreu, Gabriel Moura, Jovi Joviniano e Afrika Bambaataa)
    - com Afrika Bambaataa
3. Deliciosamente (Fernanda Abreu, Alexandre Vaz e Jorge Ailton)
4. Saber chegar (Fernanda Abreu, Donatinho, Tibless e Play Pires)
5. Antídoto (Fernanda Abreu)
6. O que ficou (Fernanda Abreu, Thiago Silva e Qinho)
7. Double love (Amor em dose dupla) (Fausto Fawcett e Laufer)
8. Por quem (Fernanda Abreu e Qinho)
9. Valsa do desejo (Fernanda Abreu e Tuto Ferraz)
10. Amor geral (Fernanda Abreu, Wladimir Gasper e Fausto Fawcett)

Sem Xande e sem virar a mesa do pagode, Revelação segue o curso habitual

Resenha de álbum
Título: O bom samba continua - Ao vivo
Artista: Grupo Revelação
Gravadora: Deck
Cotação: * * *

Ao tentar vender a ideia de permanência, o título do 11º álbum do Grupo Revelação, O bom samba continua - Ao vivo, tem a missão de fazer o ouvinte acreditar que o grupo carioca de pagode, criado há 25 anos, vai se manter em evidência sem o vocalista Xande de Pilares. A debandada de Xande em 2014 para iniciar carreira solo - em saída que provocou desarmonia entre o cantor e integrantes antigos do Revelação como Mauro Jr. - pôs em dúvida o futuro do grupo. Mas o Revelação quer seguir em frente com o eficiente vocalista Davi Pereira e, justiça seja feita, o álbum ora lançado pela Deck - gravadora carioca no qual o grupo ingressou em 2001 e estourou em 2002 com o CD Ao vivo no Olimpo - é bem melhor do que o rasante voo populista feito pelo Revelação no CD e DVD 360º ao vivo (Universal Music, 2012), último trabalho com Xande. Há sambas realmente bons no repertório como Vai buscar sua felicidade (Helinho do Salgueiro e Marcio Paiva) - de refrão sedutor e melodioso - e, sobretudo, Pedaço de ilusão (Jorge Aragão, Sombrinha e Jotabê, 1981), pérola do pagode lapidada e lançada por Beth Carvalho há 35 anos. A questão é que a forçação de um clima ao vivo no disco deixou interpretações e arranjos por vezes lineares. O álbum foi inteiramente gravado em estúdio, com produção de Bira Hawaí, mas em forjado ambiente de disco ao vivo, com coro do público nas 20 músicas alocadas nas 18 faixas do álbum. Esse clima de entusiasmo artificial dilui a melancolia que embala sambas dolentes como Meu amor é um vício (Jorge Aragão e Marquinhos PQD, 2001), gravado originalmente pelo Revelação no álbum Nosso samba virou religião (BMG, 2001). E por falar em regravação, a frágil abordagem pagodeira de Segredos (Roberto Frejat, 2001) - sucesso pop da carreira solo do barão Frejat - soa dispensável em repertório que inclui sambas animados sem dar muita vez ao chororô do pagode romântico de cepa menos nobre. Para quem acompanha a discografia do Revelação, a pegada acelerada de sambas como Fuzuê (Diego Madeira, Leandro Ferreira e Fernando Rezende) e Amor ao ofício (Luiz Cláudio Picolé e Leandro Fab) vai soar bem familiar. Primeiro single do álbum, previamente apresentado em março deste ano de 2016, Cavaleiro sonhador (Mauro Jr. e Leandro Fab) sinaliza que nada mudou tanto assim no som e na voz do Grupo Revelação. Tanto que o fecho do disco agrega sambas - Trevo de paz (Ademir Fogaça) e Vara de família (Fred Camacho e Nei Lopes), entre outros - em clima de pagode de mesa. É nesse clima, na palma da mão, que o Revelação reabre Bar da neguinha (Flavinho Silva e Adilson Ribeiro, 2011), outro tema extraído do repertório referencial de Beth Carvalho. Enfim, mesmo sem o carisma de Xande de Pilares, o álbum mostra que o Revelação continua seguindo o curso habitual na estrada, transitando entre o samba dos nobres quintais e o pagode de romantismo bem trivial. Tudo indica que o grupo permanecerá...

Leitte lança a música 'Ricos de amor' enquanto não sai o álbum internacional

Cinco meses após lançar em dezembro de 2015 o single Corazón, música do álbum que prepara para o mercado internacional pela empresa Roc Nation, Claudia Leitte lança música inédita na web. Intitulada Ricos de amor, a música é de autoria do cantor e compositor baiano Tierry Coringa - ex-vocalista da banda Fantasmão que saiu em carreira solo em que aposta em som popular que mixa elementos de arrocha, forró e sertanejo - e é cantada em português. Já está em rotação na web o vídeo em que a artista dá voz a Ricos de amor. Trata-se de insossa balada de tom romântico, sem a artificial vibração pop latina de Corazón.  Não se sabe se a canção integra o disco da Roc Nation.

Cachorro Grande celebra '10' anos do álbum 'Pista livre' com edição em vinil

Terceiro álbum do grupo gaúcho Cachorro Grande, Pista livre (Deckdisc, 2005) é relançado em edição em vinil fabricada pela Polysom sob licença da gravadora Deck. A ideia era festejar com a edição em vinil de 140 gramas os dez anos - que, a rigor, já são onze - do álbum produzido por Rafael Ramos. Todas as 12 músicas do disco são assinadas pelo vocalista e compositor da banda, Beto Bruno, a sós ou em parceria com o guitarrista Marcelo Gross e o baterista Gabriel Azambuja. Eis, na disposição do LP que sairá em maio de 2016, as 12 músicas autorais do álbum  Pista livre:

Lado A:
1. Você não sabe o que perdeu (Beto Bruno)
2. Agora eu tô bem louco (Beto Bruno e Marcelo Gross) - com Lobão
3. Desentoa (Beto Bruno e Gabriel Azambuja)
4. Bom brasileiro (Beto Bruno)
5. Longa-metragem (Beto Bruno)
6. Interligado (Beto Bruno)

Lado B:
1. Eu pensei (Beto Bruno e Marcelo Gross)
2. Novo super-herói (Beto Bruno e Marcelo Gross)
3. Super amigo (Beto Bruno e Marcelo Gross)
4. Sinceramente (Beto Bruno)
5. Situação dramática (Beto Bruno)
6. Velha amiga (Beto Bruno e Marcelo Gross)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Nando vai gravar música de álbum do grupo norte-americano Levee Walkers

Nando Reis é um dos vocalistas convidados pelos integrantes do estreante trio norte-americano Levee Walkers - grupo recém-formado pelos músicos Barrett Martin (baterista do Mad Season e do Screaming Trees), Mike McCready (guitarrista do Pearl Jam e do Mad Season) e Duff McKagan (baixista do Guns N’ Roses e do Velvet Revolver) - para gravar músicas do álbum que vai marcar a estreia do supergrupo no mercado fonográfico dos EUA. Assim como os outros vocalistas, o cantor paulistano - em foto de Ana Beatriz Elorza e Thiego Montiel - vai pôr uma voz em uma das 16 músicas do disco, ainda em processo de pré-produção. Cabe lembrar que Barrett Martin já tocou em três álbuns de Nando - Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro (Warner Music, 2000), Infernal (Warner Music, 2001) e A letra A (Universal Music, 2003) - o que explica o convite feito ao artista brasileiro para integrara o time de vocalistas do disco de estreia dos Levee Walkers.

Coletânea 'Novíssima música brasileira' mapeia som contemporâneo do país

Com fonogramas de 18 bandas e cantores emergentes no universo pop nativo, todos ainda sem visibilidade nacional e restritos a nichos do mercado, a compilação Novíssima música brasileira - idealizada pelo jornalista Marcelo Monteiro, um dos editores do blog Amplificador - chega hoje, 29 de abril de 2016, ao mercado fonográfico brasileiro em edição da gravadora Sony Music. Através de 18 gravações de nomes de oito estados do Brasil, a coletânea mapeia os sons contemporâneos do país e é o embrião de vindouro selo da Sony Music, Novíssima música brasileira, através do qual a gravadora multinacional vai editar - sobretudo no mercado digital - discos de artistas associados a essa cena. A rota do disco abarca os estados de Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe. Eis, na ordem da compilação dividida conceitualmente em dois discos, os 18 fonogramas dessa emergente Novíssima música brasileira:

 Disco 1
1. Cá estou - The Baggios (SE)
2. A vida vem em ondas - Nômade Orquestra (SP)
3. Babulina's trip - Graveola (MG)
4. Your eyes - Mohandas (RJ)
5. Abelha - Letuce (RJ)
6. Livre - Ive Seixas (RJ)
7. Geografia - Sara Não Tem Nome (MG)
8. Corre - Coutto Orquestra (SE)
9. Obatalá - Abayomy (RJ)

 Disco 2
1. Axé - IFÁ Afrobeat (BA)
2. Um rio - Fukai (RN)
3. Vagabundo iluminado - Tagore (PE)
4. Piacó - Iconili (MG)
5. Filme - OQuadro (BA)
6. Feito tamborim (Para Céu) - Fabrício (BA)
7. Last chance trip - Muddy Brothers (ES)
8. Não te interessa - Zé Vito (RJ)
9. Amigo reaça - SereS (RJ)

Sepultura começa a gravar o 14º álbum de estúdio em Estocolmo, na Suécia

O grupo mineiro Sepultura começou a gravar o 14º álbum de estúdio no Studio Gröndahl - situado no complexo Fascination Street Recording Studios, em Estocolmo, na Suécia - neste mês de abril de 2016. Tal como o excelente disco anterior da banda, The mediator between head and hands must be the heart (Nuclear Blast / Substancial Music, 2013), lançado há três anos, o 14º álbum do Sepultura vai chegar ao mercado fonográfico mundial pela gravadora Nuclear Blast, em meados deste ano. Na foto, os quatro integrantes da banda posam (com Fredrik Strager) no estúdio sueco.

Possi grava, enfim, show memorialista 'Na sala com Zizi' para edição de DVD

Programado de início para 28 e 29 de janeiro deste ano de 2016, em apresentações no Theatro Net da cidade de São Paulo (SP), o registro audiovisual do show Na sala com Zizi foi efetivamente feito pela cantora Zizi Possi na última terça-feira, 26 de abril. Zizi - em foto de Mauro Ferreira - gravou o show em apresentação feita no Teatro Porto Seguro, na cidade natal de São Paulo (SP) para edição de DVD. Clique aqui para reler a resenha da estreia carioca do show Na sala com Zizi.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Marisa Monte alicerça parceria com Silva, com quem já compôs três músicas

Marisa Monte abriu parceria com Silva. A cantora e compositora carioca - em foto de Leo Aversa - já fez nada menos do que três músicas com o cantor, compositor e músico capixaba batizado como Lúcio Silva. As músicas são assinadas por Marisa com o artista e com Lucas Silva, irmão e parceiro habitual de Silva. Compondo de forma contínua com os diversos parceiros, Marisa cogita a ideia de lançar gravações de músicas inéditas na web de forma avulsa, desvinculadas de um álbum.

Banda Graveola lança segundo single do álbum autoral 'Camaleão borboleta'

Na sequência da edição de Talismã, primeiro single do álbum autoral Camaleão borboleta, o grupo mineiro Graveola apresenta nesta última semana de abril de 2016 o segundo single do ainda inédito quinto álbum da banda, produzido por Chico Neves. O segundo single de Camaleão borboleta se chama Índio Maracanã e reedita o tom solar de Talismã (música gravada pelo Graveola com a adesão de Samuel Rosa). Composição de autoria do vocalista do grupo, José Luís Braga, Índio Maracanã versa sobre a luta dos indígenas da Aldeia Maracanã na levada de ritmos de Cabo Verde.  O repertório do álbum Camaleão borboleta totaliza dez músicas inéditas de autoria dos integrantes do Graveola.  Lembrete - música já tocada pela banda em shows - figura no álbum.

Nascido para compor, Ivor baixa tons em CD, mas a 'febre de amor' está alta

Resenha de álbum
Título: Tudo que eu quis
Artista: Ivor Lancellotti
Gravadora: Dubas Música
Cotação: * * * 1/2

"Nasci para compor / Queria tanto ter você por aqui / Pra interpretar a minha febre de amor / Nessas canções que hoje brotam de mim", lamenta Ivor Lancellotti em versos de Pois é, professor, uma das dez músicas inéditas dentre as 12 composições do repertório do quinto bom álbum do compositor carioca.  Disco inteiramente autoral produzido com requinte por Dany Roland, Tudo que eu quis reitera que o autor de Abandono - grande música lançada por Eliana Pittman em 1974 e popularizada na voz de Roberto Carlos a partir de 1979 - nasceu mesmo para compor canções. Como cantor, Ivor se presta ao papel de dar voz ao compositor. No caso de Tudo que eu quis, em tons mais baixos, adequados ao tempo de um artista que completou 71 anos em 30 de março de 2016. Contudo, a febre de amor continua, numa temperatura alta evidenciada pelas belas cordas orquestradas por Joey Altruda para o arranjo de Sonhos e planos - expressiva música lançada pela cantora Andreia Carneiro em álbum de 2010 - e por Renata Neves para Morro, uma das três parcerias de Ivor com o filho Alvinho Lancellotti registradas em Tudo que eu quis (as outras duas são Efeitos e Feito pena). Título mais inspirado do cancioneiro gravado por Ivor em Tudo que eu quis, Nascente e ocaso foi previamente apresentada como o primeiro single de álbum que evoca um clima de fado na música-título Tudo que eu quis. Música lançada pelo grupo carioca Fino Coletivo no álbum Copacabana (Oi Música, 2010), Bravo mar - parceria de Ivor com o outro filho, Domenico Lancellotti - reitera a impressão de que o compositor segue os ventos da inspiração sem saudosismo. Por mais que o cancioneiro traga o d.n.a. do compositor, a arquitetura do álbum - orquestrada por Dany Roland com músicos da cena contemporânea carioca, como o próprio Domenico - prima pela modernidade, seguindo a linha do álbum anterior do artista, Em boas e mais companhias (Dubas Música, 2011). Em evidência desde os anos 1970, a produção autoral do compositor sinaliza no CD que, ao contrário dos tons da voz, a febre de amor vai permanecer alta.

Ivan Lins grava piano na música que deu para disco de inéditas de Wanda Sá

Ivan Lins toca piano em faixa do álbum de músicas inéditas que a cantora e compositora Wanda Sá grava em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). O cantor, compositor e músico carioca gravou anteontem, 26 de de abril de 2016, a participação no disco. Ivan - visto com Wanda na foto tirada no estúdio por Mauro Mattos - toca piano em Uma simples canção, a música inédita que deu para o álbum da cantora de origem paulistana e criação carioca. O disco se chama Cá entre nós - nome de música inédita composta por Roberto Menescal com Wanda Sá  -  e sai neste ano de 2016.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Eis a capa de 'Babies', álbum em que Cosentino canta inédita de Calcanhotto

Esta é a capa pop de Babies, álbum que Bruno Cosentino lança no fim deste mês de abril de 2016. A capa expõe a arte gráfica criada por Márcio Bulk - parceiro do cantor e compositor carioca em Electric fish, primeira das nove músicas do disco - a partir de foto de Daryan Dornelles. Gravado com a banda carioca Exército de Bebês, Babies sucede o álbum solo Amarelo (Independente, 2015) na discografia de Cosentino. O repertório de Babies inclui música inédita de Adriana Calcanhotto, Nunca mais, cuja letra tem versos do poeta Eucanãa Ferraz, parceiro de Cosentino na também inédita Acontecido. E por falar em poetas, a música Pra você foi composta por Cosentino a partir de versos do norte-americano Walt Whitman (1819 - 1892). Em Babies, o cantor também dá voz à música Homens flores, parceria de Luis Capucho com Marcos Sacramento.

Dani Black lança single com gravação de estúdio de música lançada em 2013

Em novembro de 2013, Dani Black disponibilizou no site oficial do artista, para download legal e gratuito, EP com oito músicas gravadas ao vivo. A maioria das composições do EP SP ao vivo (2013, independente) vinha do repertório do primeiro álbum do cantor, compositor e músico paulistano, Dani Black (Som Livre, 2011). Uma delas, contudo, era totalmente inédita. Tratava-se de Encontros carnais (Dani Black, 2013). É essa música, Encontros carnais, que Dani Black ora rebobina em gravação de estúdio editada em single apresentado esta semana pelo artista. Ao regravar Encontros carnais em estúdio, Dani recai no suingue black com metais em brasa no arranjo do fonograma. O single  Encontros carnais pode ser baixado no site oficial de Dani Black.

Banda Zil relança álbum no iTunes e grava primeiro DVD em maio em Minas

Lançado em 1987 no formato de LP, o primeiro e único álbum da Banda Zil - grupo formado por Zé Renato, Claudio Nucci, Ricardo Silveira, Marcos Ariel, Zé Nogueira, Jurim Moreira e João Batista - está sendo relançado em edição digital já disponível para compra no iTunes. Paralelamente à reedição do álbum Banda Zil (Continental, 1987), o septeto - dissolvido em 1988 e reunido em 2015 para reavivar som calcado em mistura singular de música brasileira com o jazz - se prepara para fazer o primeiro registro ao vivo audiovisual de show. A gravação ao vivo vai ser feita em apresentação da Zil no Cultural Bar, em Juiz de Fora (MG), em 19 de maio deste ano de 2016. O registro do show vai dar origem a um DVD, previsto para ser lançado no segundo semestre de 2016.

Flávio, 14 Bis e Sá & Guarabyra gravam 'Encontro marcado' para DVD (e CD)

A IMAGEM DO SOM - A foto de Jane Monteiro mostra o grupo 14 Bis, o cantor Flávio Venturini - vocalista da banda nas décadas de 1970 e 1980 - e a dupla Sá & Guarabyra no palco do Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), no último domingo, 24 de abril de 2016. Na data, o grupo gravou a apresentação do show Encontro marcado para edição de DVD e CD ao vivo, previstos para serem lançados entre junho e julho deste ano de 2016. A gravação ao vivo do show da turnê Encontro marcadofoi feita diante de plateia de convidados dos artistas e dos produtores deste show coletivo.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Mihay agrega Aydar, Romulo e Tulipa no segundo álbum, 'Gravador e amor'

Cinco anos após o álbum de estreia, Respiramundo (Independente, 2011), Mihay lança o segundo álbum, Gravador e amor, neste mês de abril de 2016. No disco, gravado em 2014 com produção do guitarrista Gabriel Muzak, o cantor e compositor carioca - egresso do teatro e também conhecido nos bastidores da cena contemporânea brasileira pelo trabalho como videomaker - dá voz a repertório inédito e autoral que totaliza 11 músicas, transitando por dançante canção romântica (Amor, love amor), moda de viola de inspiração urbana (Pequena gota), blues (Vice-versa), dub (Seu direito) e samba (Desafinador do mundo, com participação de Romulo Fróes). Luisa Maita canta com Mihay a música que abre o disco, Nem tudo. João Donato é parceiro, arranjador e músico convidado de Noite clara, faixa na qual se ouve - além do piano rhodes de Donato - a voz de Tulipa Ruiz e a bateria de Robertinho Silva. Já Mariana Aydar pôs voz na lisérgica Memória de elefante, música moldada com o synth de Kassin e a guitarra e as programações de Gabriel Muzak.

Grupo goiano Boogarins figura em vinil duplo que celebra álbum 'Pet sounds'

O grupo goiano de rock psicodélico Boogarins representa o Brasil no elenco indie internacional convidado a gravar uma das 15 músicas que compõem o repertório do vinil duplo que celebra as cinco décadas do álbum Pet Sounds (Capitol, 1966), lançado há 50 anos pelo grupo norte-americano The Beach Boys. O 11º álbum de estúdio da banda de Brian Wilson é um dos títulos mais relevantes e cultuados dos Beach Boys. A tribute to Pet Sounds vai ser lançado na próxima sexta-feira, 29 de abril de 2016, no formato de vinil duplo, com tiragem limitada de duas mil cópias. De início, o vinil vai estar à venda somente no festival Levitation, em cartaz nos Estados Unidos, já que Brian Wilson revive o célebre álbum em show incluído na programação do evento. A partir de 27 de maio, a edição do vinil duplo - produzido por Al Lover, escolhido para ser o curador do projeto fonográfico a convite da instituição The Reverberation Appreciation Society - vai chegar às lojas dos Estados Unidos. Em A tribute to Pet Sounds, o grupo Boogarins regrava Let's go away for while (Brian Wilson, 1966), música alocada como a sexta faixa do lado A da edição original em vinil do álbum Pet Sounds. No vinil duplo A tribute to Pet Sounds, a música é a quarta faixa do lado B.

Eis a capa e as músicas do DVD em que o Dois em Um rebobina dois álbuns

Esta é a capa do primeiro DVD do Dois em Um, duo baiano de Salvador (BA) formado pela cantora e violoncelista carioca Fernanda Monteiro com o compositor, multi-instrumentista e produtor musical baiano Luisão Pereira. Gravado com recursos financeiros obtidos em edital do projeto Natura Musical, o DVD Ao vivo no Museu do Recôncavo Wanderley Pinho vai ser lançado em maio deste ano de 2016. Dirigido por Gilberto Monte com produção musical de Luisão, o DVD exibe show feito e captado pelo duo em setembro de 2015 - na paisagem natural do museu situado no distrito de Caboto, na cidade de Candeias (BA) - com intervenções de Rebeca Matta e Zé Manoel. O roteiro entrelaça músicas dos dois álbuns do duo, Dois em Um (Midsummer Madness, 2009) e Agora (Independente, 2013). Cantora e compositora baiana, Matta tem a voz ouvida em Festim (Luisão Pereira, 2013) - samba que já havia gravado com o duo no disco Agora - e Vai que de repente (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2009). Já o cantor, compositor e pianista pernambucano Zé Manoel canta e toca nas músicas Agora (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2013) e Matinê (Luisão Pereira, Fernanda Vasconcellos, Nana e João Vinicius, 2013). No show perpetuado no DVD Ao vivo no Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, Luisão Pereira (voz, guitarra, violões, piano, rhodes e escaleta) e Fernanda Monteiro (voz e violoncelo) são acompanhados por Tadeu Mascarenhas (baixo, synth e escaleta), Felipe Dieder (bateria) e Livia Nery (teclados e escaleta). Eis, na ordem do DVD, 14 as músicas do primeiro título gravado ao vivo da discografia do duo soteropolitano Dois em Um:

1. Florália (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2009)
2. E se chover? (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2009)
3. Às vezes (Tatau Pereira e Expedito Almeida, 2013)
4. Saturno (Luisão Pereira, 2013)
5. Você tem o que eu preciso (Luisão Pereira e Ronaldo Bastos, 2013)
6. Deixa (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2009)
7. Mais uma vez (Luisão Pereira, 2009)
8. Agora (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2013) - com a voz e o piano de Zé Manoel
9. Matinê (Luisão Pereira, Fernanda Vasconcellos, Nana e João Vinicius, 2013) - com a voz 
    e o piano de Zé Manoel
10. Festim (Luisão Pereira, 2013) - com a voz de Rebeca Matta
11. Vai que de repente (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2009) - com a voz de Rebeca Matta
12. Mar nos olhos (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2013)
13. Eu sempre avisei (Luisão Pereira, 2009)
14. Um porto (Luisão Pereira e Mateus Borba, 2013)

'Coleção' de Marisa reitera padrão de cantora de voz suavizada com o tempo

Resenha de álbum
Título: Coleção
Artista: Marisa Monte
Gravadora: Phonomotor Records / EMI / Universal Music
Cotação: * * * * *

A Marisa Monte de Coleção - a criteriosa compilação que chega ao mercado fonográfico brasileiro a partir da próxima sexta-feira, 29 de abril de 2016 - é uma cantora diferente da intérprete que impôs padrões e dividiu águas na música brasileira ao irromper com força a partir de janeiro de 1989, consolidando instantaneamente carreira estrategicamente articulada a partir de 1987 com cultuados shows na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ). A voz potente e vibrante de tempos idos adquiriu progressivamente tonalidades mais suaves. Lançados originalmente entre 1993 e 2014, os 13 fonogramas selecionados pela cantora e compositora carioca para a primeira coletânea da discografia estão enquadrados neste tempo de delicadeza. Nem pior e tampouco melhor do que a Marisa de outrora, mas tão somente diferente, a Marisa dos dias de hoje conserva o mesmo rigor estético do canto e tem apresentado grandes álbuns, ainda que estes álbuns já não causem no mercado fonográfico brasileiro o impacto de antes. Toda uma geração de cantoras surgidas na contemporânea cena musical do Brasil -  vindas no rasto do bem-sucedido lançamento da paulistana Céu em 2005 - diluiu a força de Marisa como a voz-guia do país. De todo modo, Marisa Monte ainda é - e sempre vai ser - referência e padrão de canto feminino no Brasil. Com capa que expõe a artista em tela do pintor italiano Francesco Clemente, criada em 2010, Coleção é compilação que agrega valor à discografia da artista pelo fato de alinhar 13 fonogramas ausentes da obra fonográfica solo de Marisa. A coletânea faz mais sentido na edição física em CD por reunir gravações dispersas em álbuns alheios, em trilhas sonoras de filmes, em projetos coletivos e até em EP ao vivo da cantora lançado somente em edição digital, iTunes live from São Paulo (2011), disco do qual Coleção rebobina os registros de A primeira pedra (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, 2006) - canção belíssima reavivada por Marisa com a voz (sutil) e o violão do músico argentino Gustavo Santaolalla em show feito no evento que celebrou a chegada do iTunes ao Brasil - e de Ilusão, a versão em português (escrita por Marisa com Arnaldo Antunes) de Ilusión, a canção de Julieta Venegas gravada originalmente por Marisa com a estrela da música mexicana no CD e DVD Julieta Venegas Unplugged MTV (Sony Music, 2008). Na gravação ao vivo, a ordem dos versos em português e em espanhol é invertida, pois Venegas é a convidada de Marisa, e não o contrário, como no disco acústico de Venegas. Em outra conexão da cantora com a música de outro país da América Latina, Coleção apresenta registro ao vivo de tango argentino de 1922, Fumando espero (Juan Viladomat Masanas e Félix Garzo), ouvido na versão em português (de Eugênio Paes) lançada em 1955 pela cantora paulista Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Inédita em disco, a gravação de Fumando espero por Marisa é número de show feito pela artista em 2009 com o grupo argentino Café de los Maestros. Outra boa novidade da seleção é Cama (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2008), música gravada para a trilha sonora do filme Era uma vez (Brasil, 2008), nunca editada em disco. Berna Ceppas e Gustavo Santaolalla assinam a produção da gravação da música de espírito tribalista, originalmente intitulada Uma palavra. Fonograma mais antigo de Coleção, Alta noite (Arnaldo Antunes, 1993) - ouvida na gravação original feita para o primeiro álbum solo do ex-Titãs Arnaldo Antunes, Nome (BMG, 1993), e não na regravação do terceiro álbum de Marisa, Verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão (EMI-Odeon, 1994) - reaparece com outra mixagem, feita por Daniel Carvalho em 2015, como informado no encarte do CD. A diferença está no maior equilíbrio entre as vozes de Arnaldo e Marisa (na gravação original, a voz dele vinha mais à frente em determinados trechos da música). Alta noite soa mais límpida em Coleção por ser a faixa que mais se beneficiou da masterização de todos os fonogramas, feita por Ricardo Garcia. Goste-se ou não do canto de Marisa Monte, a coleção de gravações é irretocável como atesta a gravação do choro-canção Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1937) feita com o violão chorão e o vocal discreto de Paulinho da Viola para documentário de 2003 sobre o artista carioca. Canção lançada em 1981 na voz do compositor, Nu com a minha música tem toda a beleza e poesia valorizadas na gravação feita por Marisa com o hermano carioca Rodrigo Amarante e com o cantor norte-americano Devendra Banhart para o álbum beneficente Red hot + Rio 2 (E1 Entertainment, 2011). Reapresentado como o primeiro single da compilação, o fonograma abre Coleção, fechada com outra gravação feita por Marisa para o projeto. No caso, Waters of march, a versão bilíngue do samba Águas de março (Antonio Carlos Jobim, 1972), gravada por Marisa Monte em tom cosmopolita com David Byrne. Arto Lindsay, Andres Levin e Camus Celli produziram o fonograma há 20 anos para o projeto Red hot + Rio (Antilles / Verve Records, 1996). Dentro do território brasileiro, Marisa produziu a gravação que uniu a voz da artista à da cantora de Cabo Verde Cesária Évora (1941 - 2011) nas águas do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Feita para álbum de Cesária, Café Atlântico (Lusafrica, 1999), o registro de É doce morrer no mar (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1941) jamais se afoga na melancolia do tema. A Marisa de Coleção é cantora que depura excessos, evitando o melodrama juvenil quando canta Esqueça (Forget him) (Mark Anthony, 1963, em versão de Roberto Corte Real, 1966) - em gravação feita para a trilha sonora do filme Casseta & Planeta - A taça do mundo é nossa (Brasil, 2003) - e evidenciando toda a nobreza do samba ao interpretar dois títulos do cancioneiro da Velha Guarda da Portela. Os bambas da tradicional escola de samba armam a cama em que se acomoda Volta, meu amor (Manacéa e Áurea Maria, 1972), fonograma de álbum da Velha Guarda da Portela, Tudo azul (Phonomotor Records / EMI Music, 2000), produzido por Marisa Monte em 1999 e lançado no seguinte. Sem pecar pelo excesso, Marisa evidencia a dor de amor em gravação que se mantém altiva com a entrada das vozes dos cantores portelenses na segunda parte. Da mesma cepa nobre, Dizem que o amor (Francisco Santana e Argemiro Patrocínio, 2002) é gravação de álbum solo do bamba carioca Argemiro Patrocínio (1923 - 2003), disco produzido por Marisa, solista da faixa rebobinada em Coleção. Por fim, a compilação reaviva recente incursão além-mar da artista brasileira. Música gravada por Marisa para álbum da cantora portuguesa Carminho, Canto (Warner Music, 2014), Chuva no mar (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) confirmou a perene inspiração da tribo tribalista. Coleção é luxo só e reitera padrões desta cantora que dividiu águas na música brasileira e, após três décadas, ainda mantém a elegância, ainda que em tons bem mais prudentes.