terça-feira, 28 de julho de 2015

Fred Martins edita no Brasil o CD lusitano 'Para além do muro do meu quintal'

Gravado pelo cantor e compositor fluminense Fred Martins em Lisboa, Portugal, com produção do pianista e arranjador açoriano Paulo Borges, o álbum Para além do muro do meu quintal está sendo lançado no Brasil pelo selo paulistano Sete Sóis com distribuição da Tratore. O título Para além do muro do meu quintal vem de verso do poema Noite de São João, escrito por Alberto Caeiro - um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935) - e musicado por Martins para gravação ao vivo feita em 2007 no CD e DVD Tempo afora (Eldorado, 2008). Noite de São João reaparece em Para além do muro do meu quintal, CD que abre com a música inédita Terras do sem fim, parceria de Martins com Roberto Bozzetti gravada com a participação do cantor paulistano Renato Braz. A música versa sobre a Amazônia, tendo sido feita com inspiração no livro de poesias Cobra Norato, publicado em 1931 pelo poeta gaúcho Raul Bopp (1898 - 1984). No disco, Martins dá nova voz a sucessos de sua obra autoral como Novamente - parceria com Alexandre Lemos, lançada por Lemos em disco de 1981, mas propagada a partir de 1998 na gravação feita por Ney Matogrosso - e Flores (Fred Martins e Marcelo Diniz), sucesso na voz de Zélia Duncan em 2001. Lançado por Maria Rita no álbum Segundo (Warner Music, 2005), o samba Sem aviso (Fred Martins e Francisco Bosco) também figura no repertório do disco. Já O samba me diz (Fred Martins e Marcelo Diniz,  2003) é rebobinado lusitano com a adesão da cantora cabo-verdiana Nancy Vieira.

Álbum de Ná Ozzetti e Passo Torto equilibra mal letras, melodias, voz e sons

Resenha de CD
Título: Thiago França
Artista: Passo Torto & Ná Ozzetti
Gravadora: YB Music
Cotação: * * 1/2

"Passo Torto e Ná Ozzetti é canção. Mas não exatamente a canção do samba-canção, a canção com refrão, a canção de amor e dor-de-cotovelo... Canções que contam pequenas estórias, mas estórias sem grandes heróis nem moral da estória... Estórias nem sempre lineares, estórias tortas cantadas em poesia, mas conduzidas também pela montagem inusitada dos arranjos, pelos cortes bruscos e secos, pelo contraste entre timbres saturados e cristalinos, pela alternância entre a estática do ruído e do quase-silêncio e a vertigem das intricadas texturas polifônicas... Tudo isto pode ser canção." Caçapa

O trecho do texto escrito por Caçapa para apresentar Thiago França - o recém-lançado álbum que junta a cantora paulistana Ná Ozzetti com o grupo também paulistano Passo Torto - dá a senha para um possível (não) entendimento do disco. Com repertório autoral e inédito que se distancia do formato convencional da canção, o álbum não justifica a grande expectativa gerada desde seu anúncio justamente pela qualidade melódica do repertório, inferior à produção autoral apresentada pelo Passo Torto em seus dois álbuns anteriores. O título Thiago França soa como uma piada interna que vai ser entendida somente por quem sabe que França é um músico paulistano que muitos pensam pertencer ao Passo Torto, o quarteto formado Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Romulo Fróes. A música em si também vai ser deglutida por poucos - e aí cabe ressaltar que a culpa não reside na imensa maioria que vai ter dificuldade para acompanhar os (com)passos inusitados de composições como Este homem (música de Ná Ozzetti com letra de Romulo Fróes) e Homem comum (música de Romulo Fróes com letra de Rodrigo Campos). A voz límpida de Ná Ozzetti está lá, mas por vezes abafada pelos ruídos do som noise do Passo Torto, como já sinalizara o brochante single Perder essa mulher (música de Marcelo Cabral e Kiko Dinucci com letra de Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Kiko Dinucci). Talvez tenha faltado tempo para burilar esse cancioneiro composto em razão do projeto do disco. Das 10 músicas, Cipó (música de Romulo Fróes com letra de Rodrigo Campos) sobressai no repertório com sua evocação do cancioneiro do Rumo, o grupo que projetou Ná na primeira metade dos anos 1980 e que apontou caminhos inusitados para a canção brasileira dentro do movimento rotulado com Vanguarda paulista. Retrato nu e cru da personagem-título, Beth (música de Marcelo Cabral com letra de Rodrigo Campos) também transita com brilho por esses caminhos difíceis de serem acompanhados por ouvintes habituados ao tom palatável do pop radiofônico. Em contrapartida, Onde é que tem? (música de Ná Ozzetti com letra de Romulo Fróes) reitera que música difícil nem sempre soa mais interessante (ou melhor) do que a canção fácil, de refrão e de amor. Situada no disco após os versos concretistas de Palavra perdida (música de Marcelo Cabral com letra de Romulo Fróes), O cinema é melhor (música de Kiko Dinucci com letra de Rodrigo Campos) - grande destaque do cancioneiro ao lado da já mencionada música Cipó - aponta a grande superioridade das letras sobre as melodias de Thiago França com seus versos que confrontam o roteiro banal da vida real com a felicidade fantasiosa vivida na tela de cinema. Na sequência, Bloco torto (música de Ná Ozzetti com letra de Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes) segue o passo anti-folião do grupo, fazendo outros Carnavais. No fim, O cadáver (música de Romulo Fróes com letra de Kiko Dinucci e Romulo Fróes) remete ao mote mortal de Encarnado (Independente, 2014), o estupendo álbum solo da cantora Juçara Marçal, gravado com Dinucci e Campos. Só que, se em Encarnado a liga resultou perfeita, em Thiago França algo parece fora de equilíbrio. Talvez os passos tortuosos das melodias dificultem a fruição do encontro histórico de uma cantora de geração fundamental na pavimentação de caminhos seguidos pela geração do grupo que ora a acolhe em disco em que a voz referencial dessa cantora soa como (mais) um elemento entre os timbres secos e crus desse grupo.

Vital Lima escoa produção autoral e reúne paraenses em 'O que não tem fim'

Vital Lima retorna ao mercado fonográfico após dez anos de ausência involuntária. Embora o álbum O que não tem fim, ora lançado via Mills Records em edição física em CD e em edição digital já disponível no iTunes e nas plataformas de streaming, abra com Sobreviventes (Vital Lima e Ronald Junqueiro, 2005), música que encerrava o álbum anterior do cantor e compositor paraense, Das coisas simples da vida (Independente, 2005), o atual disco apresenta repertório autoral essencialmente inédito, escoando a produção musical acumulada por Vital nessa década em que ficou fora dos estúdios de gravação. Em O que não tem fim, Vital agrega artistas conterrâneos de várias gerações - Arthur Nogueira e Leila Pinheiro figuram como convidados de O parkour (Vital Lima) e de Pedras de lioz (Leandro Dias e Vital Lima), respectivamente - e refaz conexões com antigos parceiros. Com o também paraense Nilson Chaves, com quem chegou a dividir um disco (Interior, Visom, 1986), Vital assina e canta a música-título O que não tem fim. Com o compositor e poeta carioca Hermínio Bello de Carvalho, Vital apresenta o poema e a canção Enunciação no fecho do álbum gravado no Rio de Janeiro (RJ), entre maio e outubro de 2014, com produção dividida entre Fernando Carvalho e o próprio Vital. A parceria de Hermínio com Vital vem dos anos 1970, tendo sido o mote do primeiro álbum do artista paraense, Pastores da noite (Tapecar, 1978), lançado há 37 anos com 13 músicas assinadas por Vital com Hermínio. A inédita safra autoral registrada por Vital Lima no CD O que não tem fim é de bom nível, mas jamais arrebata...

Sem fazer drama, Calcanhotto reabre caixa de ódio de Lupicínio em 'Loucura'

Resenha de CD e DVD
Título: Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues
Artista: Adriana Calcanhotto
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

Com lucidez, Adriana Calcanhotto entendeu que não cabia fazer drama ao reabrir a caixa de ódio que guarda o cancioneiro do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), cronista sem meias palavras das dores de amores, expostas em carne viva em obra que teve seu auge produtivo nos anos 1940 e 1950. Loucura - o CD ao vivo e o DVD que perpetuam o show em que a cantora gaúcha interpreta os maiores sucessos da obra de seu ilustre conterrâneo - vai na contramão da dramaticidade dos habituais registros das músicas do compositor de Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952), samba-canção que Calcanhotto já abordara em seu primeiro álbum, o equivocado Enguiço (Sony Music, 1990), e que volta a interpretar neste show (bem) captado pela Samba Filmes na única apresentação feita em Porto Alegre (RS), cidade natal da cantora e do compositor,  no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 4 de dezembro de 2014 - ainda a tempo de festejar o centenário de nascimento de Lupicínio. Vestida a rigor, mas com batom vermelho e maquiagem glitter ao redor dos olhos, Calcanhotto ceva o amargo do cancioneiro de Lupicínio, interiorizando os (res)sentimentos pesados contidos nos versos do autor. O sofrimento está no olhar, na alma e no tom comedido da voz. Mas Calcanhotto não o escancara, ainda que improvise um teatro ao longo da interpretação do samba-canção Volta (Lupicínio Rodrigues,  1957), número de acento blues (dado pelo dobro tocado por Cid Campos) em que a cantora acaricia cadeira vazia - símbolo da ausência do ser amado - até deitar no palco, vencida pela dor. Com economia de gestos e movimentos, a ponto de cantar Homenagem (Lupicínio Rodrigues, 1961) praticamente imóvel na abertura do show, Calcanhotto dá voz sensível a músicas entranhadas em sua memória afetiva. Musicalmente, a banda envolve temas como Ela disse-me assim (Vá embora) (Lupicínio Rodrigues, 1959) em sonoridade que evoca com modernidade o toque dos conjuntos regionais dos anos 1940. Em geral, a maioria dos números feitos com a banda - caso do samba-canção Vingança (Lupicínio Rodrigues, 1951) - abre espaços para intervenções destacadas dos sopros de Jessé Sadoc, músico que se alterna no trompete e no flugelhorn. No meio de Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950), a banda ganha a adesão do violonista gaúcho Arthur Nestrovski, músico de formação erudita. Com o virtuoso Nestrovski, Calcanhotto faz set de voz e violão em que alinha Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948), Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947) e Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948), número em que Nestrovski faz sagaz citação instrumental do choro-canção Carinhoso (Pixinguinha, 1928). A partir da entrada do acordeonista gaúcho Arthur de Faria, em Judiaria (Lupicínuo Rodrigues, 1971), o recital adquire caráter progressivamente sulista que culmina, já no bis, com a transposição da toada gaúcha Cevando o amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini, 1953) para o universo do samba de roda do Recôncavo Baiano, rota seguida pelo toque das cordas do violão do baiano Cezar Mendes, integrante da banda virtuosa que inclui ainda Alberto Continentino no contrabaixo e Dadi em outro violão. Mesmo quando ensaia uns passos de samba em Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, 1938), também no bis, Calcanhotto preserva o ar interiorizado do show. Nos extras, a artista explica em conversa formal com o baterista Domenico Lancellotti - mote do documentário A luz do refletor - a origem e o caráter de sua homenagem a Lupicínio, cujo samba Cenário de Mangueira (Lupicínio Rodrigues e Henrique de Almeida, 1969) é levado na batida eletrônica do funk carioca em número de estúdio alocado nos extras do DVD e reproduzido no CD. É uma saudável loucura estilística que jamais anula o tom reverentemente lúcido da bela abordagem da obra de Lupicínio Rodrigues por Adriana Calcanhotto.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Renegado faz 'Relatos de um conflito particular' com adesão de Samuel Rosa

A IMAGEM DO SOM - A foto acima flagra Samuel Rosa com o rapper mineiro Flávio Renegado em estúdio de Belo Horizonte (MG) durante a gravação de Rotina, uma das sete músicas do EP que Renegado vai lançar em agosto de 2015. Também mineiro, o cantor, compositor e guitarrista do grupo Skank pôs voz nessa parceria de Renegado com o compositor carioca Gabriel Moura. Outro convidado do disco - intitulado Relatos de um conflito particular - é Alexandre Carlo. O vocalista da banda brasiliense de reggae Natiruts participa de Além do mal,  canção de Carlo com Renegado.

Fafá grava música de Silvio César lançada na voz de Angela Maria há 44 anos

Fafá de Belém sempre declarou publicamente sua admiração por Angela Maria. Por isso, faz sentido que, no disco comemorativo de seus 40 anos de carreira, a cantora paraense dê sua voz calorosa a uma música lançada pela Sapoti. A escolhida foi Usei você, composição de autoria do mineiro Silvio César gravada há 44 anos pela cantora fluminense no álbum Angela (Copacabana, 1971). Usei você é uma das dez músicas do aguardado álbum de Fafá, intitulado Do tamanho certo para o meu sorriso. O título, aliás, foi extraído de verso da música O gosto da vida (Péricles Cavalcanti), lançada pela própria Fafá há 33 anos no álbum Essencial (Philips, 1982), e ora regravada pela cantora no álbum produzido por Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. Concebido pela própria Fafá em parceria com o DJ Zé Pedro, o álbum Do tamanho certo para o meu sorriso vai chegar ao mercado fonográfico brasileiro em agosto de 2015 em edição da gravadora Joia Moderna. Além de O gosto da vida e de Usei você, Fafá - em foto de Fábio Bartelt - canta músicas como Asfalto amarelo (parceria inédita de Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro com Zeca Baleiro), Meu coração é brega (inédita de Veloso Dias), Volta (Johnny Hooker) - tema da trilha sonora do filme gay Tatuagem (Brasil, 2013) - e Pedra sem valor (inédita da nortista Dona Onete).

Teló grava músicas novas em registro ao vivo agendado para 2 de setembro

Michel Teló vai fazer o quarto registro ao vivo de show de sua discografia. A gravação está programada para 2 de setembro de 2015 em show a ser feito pelo cantor de origem paranaense (e criação sul mato-grossense) no Espaço das Américas, em São Paulo (SP). O roteiro prevê a inclusão de músicas novas, nuncas gravadas por Teló. Entre as novidades, há Essa mania, O presente e o passado, Não tem pra ninguém e Prefiro a solidão. Teló promove por ora o single Coração cansou.

Naldo apresenta 'Meu bem', música do álbum 'Mix', no seu canal no YouTube

Naldo Benny faz hoje, 27 de julho de 2015, o lançamento oficial de sua nova música. Meu bem integra o repertório do próximo álbum do cantor e compositor carioca, Mix, nas lojas em breve. A capa do single - que pode ser ouvido no canal do artista no YouTube - reproduz a arte criada por Romero Britto para capa do álbum,  gravado com participações de convidados como Erasmo Carlos.

domingo, 26 de julho de 2015

Baleiro repisa trilha que deu em 'Chão de giz', DVD em que canta Zé Ramalho

Cronista hábil, Zeca Baleiro escreveu um texto em que repisa as trilhas que o levaram em 2013 a abordar o cancioneiro do compositor paraibano Zé Ramalho em show (leia resenha) que, gravado ao vivo, gerou o CD e DVD Chão de giz - Zeca Baleiro canta Zé Ramalho. Eis o texto escrito pelo multimídia artista maranhense para apresentar o produto recém-lançado pela gravadora Som Livre:

Espalho coisas sobre um chão de giz
ou... De Zeca, para Zé


por Zeca Baleiro

"Em julho de 2013, recebi o convite para cantar a música de Zé Ramalho na segunda edição do projeto BB Covers. Fiquei feliz e honrado com o convite. Fui (e sou) fã ardoroso da música do Zé, assim como de toda a geração Nordeste 70, ou como queiram chamar a turma que sacudiu a música brasileira naquela década, egressa de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Mas também fiquei preocupado com a associação, tenho que confessar. Já tinha partilhado CD e DVD com Fagner, outro nome essencial da mesma cena, anos atrás. À época do lançamento do meu primeiro disco, parte da imprensa havia traçado paralelos reducionistas entre a minha geração e aquela. E eu anunciado como “o novo Zé Ramalho” por alguns. Ora, nenhum artista que preze a própria persona artística deseja ser chamado de “o novo alguém”, seja esse alguém Zé Ramalho, Bob Dylan ou Tom Jobim. Óbvio que havia (e há) muitos pontos de contato entre as duas gerações, assim como entre a minha música e a do bardo paraibano, sobretudo, neste caso, o amor ao cordel e à musica folk. Mas a comparação advinha principalmente, desconfio eu, da semelhança, digamos, conceitual, que havia entre Heavy metal do senhor, música que abria o meu primeiro disco, e A peleja do diabo com o dono do céu, canção-título do segundo disco do Zé.

Portanto, era natural que eu pensasse duas vezes antes de aceitar o convite. A própria Monique Gardenberg, uma das curadoras do projeto - que viria a dirigir o DVD com pegada tão sombria quanto poética - hesitou depois de me lançar a oferta. Em longas conversas por telefone, divagamos sobre outros artistas cujas obras eu teria gosto de cortejar. Martinho da Vila, Sergio Sampaio, Luiz Melodia, Tom Zé e Jackson do Pandeiro foram alguns nomes que surgiram como possibilidade. Mas o germe do desafio já estava plantado em minha alma. Passei dias ouvindo e reouvindo a música ramalheana, redescobrindo velhas belezas, conhecendo outras que haviam me escapado. Passei a considerar a ideia novamente - 'Que belo tributo esse show poderia render!', pensava eu com meus bótons.

A audição dos seus primeiros discos me remeteu ao tempo em que eu começava a tocar um instrumento, e todo aquele repertório se reacendeu na minha memória como a chama de um fósforo: Chão de giz, Vila do sossego, Taxi boy, A terceira lâmina e tantas outras canções, algumas das quais ficariam de fora do repertório por critérios extramusicais, como Adeus segunda-feira cinzenta, Meninas de Albarã, Canção agalopada e Galope rasante, todas da lista das minhas prediletas. Num trabalho que pretendia ser tributo à obra de um compositor, eu tinha que pesar gosto pessoal com outros fatores, como a importância histórica e o alcance popular das canções, bem como o perigo da redundância. Não posso dizer que tenha sido fácil o processo, mas me rendeu muitas horas de prazer e deleite. Até o fim, ouvi novas obras-primas e redescobri pérolas esquecidas em lados B de velhos vinis. Foi assim que cheguei a esse repertório, que considero uma mostra generosa da música de Zé Ramalho, um artista / poeta inquietante e essencial."

Julia Bosco grava Chiara, Lacerda, Mombaça e Temporão no segundo álbum

♪ Ainda em processo de captação de recursos na plataforma de financiamento coletivo Embolacha, o segundo álbum de Julia Bosco vai se chamar Da boca pra dentro. No repertório do disco, que vai ser produzido pelo capixaba Juliano Rabujah, a cantora e compositora carioca dá voz a uma inédita parceria dos compositores César Lacerda e Fernando Temporão, Domingo, entre músicas de sua própria autoria como Dance com seu inimigo (Julia Bosco e Gustavo Macacko), Déjà vu (Julia Bosco e Juliano Rabujah), Pra gozar (Julia Bosco e Emerson Leal) e Quem me passa o coração? (Julia Bosco, Juliana Sinimbú e Marcela Bellas). O sucessor de Tempo (MCK / Tratore, 2012) traz também no repertório uma parceria de Mombaça com a cantora e compositora italiana Chiara Civello, It's wherever you go. Outra música é Volume (Ana Clara Horta, Gabriel Pondé, João Bernardo e Miguel Jorge). Sozinho, Juliano Rabujah assina Por que, doutor?. Clique aqui caso queira contribuir para a gravação e edição do segundo álbum de Julia Bosco pelo site  de financiamento coletivo Embolacha.

Eis a capa do álbum (de voz e violão) que Angela Maria vai lançar em agosto

Com capa clássica criada por Leandro Arraes a partir de foto de Jair de Assis, o álbum Angela à vontade em voz & violão - gravado pela cantora fluminense Angela Maria com o violonista Ronaldo Rayol - vai chegar ao mercado fonográfico em agosto de 2015 em edição da gravadora Nova Estação que vai ser distribuída pela Tratore. O disco foi produzido por Thiago Marques Luiz, diretor e dono da Nova Estação. Aos 86 anos, a Sapoti está iniciando turnê nacional para promover o disco.

Música feita por Tom Zé em 2014, durante greve da USP, é editada em single

Composta e gravada por Tom Zé em setembro de 2014, durante uma greve de funcionários da Universidade de São Paulo (USP), a música USP x Governo foi posta na web logo após o registro feito pelo cantor e compositor baiano em estúdio de São Paulo (SP). Contudo, dez meses após seu lançamento, USP x Governo ganha edição oficial em single, disponível para compra no iTunes e para audição nas plataformas de streaming desde anteontem, 24 de julho de 2015. O single USP x Governo está sendo editado em formato exclusivamente digital pela gravadora indie EAEO Records.

sábado, 25 de julho de 2015

Com músicas inéditas, Djavan grava seu 23º álbum para o mercado brasileiro

Três anos após lançar o CD Rua dos amores (Luanda Records / Universal Music, 2012), Djavan - em foto de Leo Aversa - finaliza no Rio de Janeiro (RJ) álbum de (12) músicas inéditas que vai ser posto nas lojas neste segundo semestre de 2015 em edição da Luanda Records distribuída pela Sony Music.  Trata-se do 23º disco gravado pelo cantor e compositor alagoano para o mercado brasileiro.

Nobre, Macalé dá moral aos amigos no seu primeiro registro ao vivo de show

Resenha de CD e DVD
Título: Jards Macalé ao vivo
Artista: Jards Macalé
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2

É justo que os nomes de Luiz Melodia, Thaís Gulin e Zeca Baleiro apareçam em relevo nas capas do CD e do DVD Jards Macalé ao vivo, lançados neste mês de julho de 2015 com distribuição da gravadora Som Livre. Nobre e benevolente, o cantor e compositor carioca abre generosos espaços para seus convidados neste seu primeiro registro audiovisual de show. Sim, embora o formato audiovisual venha imperando no mercado fonográfico brasileiro nos últimos 15 anos, Macalé nunca tinha lançado até então um DVD com a gravação de show - no caso, feita em 30 de abril de 2014 em apresentação do artista no imponente Theatro São Pedro, em Porto Alegre (RS). Já tinha DVD com documentário sobre Macalé e com making of de disco do artista. Mas Jards Macalé ao vivo oferece, pela primeira vez, a oportunidade de ver um show de Macalé em casa - o que por si só já agrega importância ao produto fonográfico. Por isso mesmo, o excesso de generosidade do anfitrião com seus convidados acaba sendo um fator negativo. Afinal, entre os 18 números do DVD, há solos vocais protagonizados pelos convidados. Que o cantor e compositor carioca Luiz Melodia sole Farrapo humano - música de seu autoria lançada por Macalé em 1972 - ainda vá lá. Mas qual o sentido do solo vocal de Melodia em Decisão (Luiz Melodia e Sergio Mello, 1987), música nunca associada à obra de Macalé? Seja como for, o número de maior interação entre Macalé e Melodia - cantores e compositores irmanados nos anos 1970 pela maldição que lhes foi jogada pela indústria do disco - é Negra melodia (Jards Macalé e Waly Salomão, 1977), um dos primeiros reggaes compostos no Brasil. Cantora curitibana que esboçou seguir trilha marginal em seu primeiro álbum, Thaís Gulin sola com propriedade duas músicas do repertório de Macalé, Hotel das estrelas (Jards Macalé e Duda, 1970) e o xote roqueiro Revendo amigos (Jards Macalé e Waly Salomão, 1977). Já Zeca Baleiro sola a balada bluesy Mal secreto (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971), canta seu hit inicial À flor da pele (Zeca Baleiro, 1997) - emendado com Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971), música que Baleiro já citava em sua composição, na voz de Macalé - e cai com o anfitrião no samba (de breque) Na subida do morro (Geraldo Pereira, Moreira da Silva e Ribeiro Cunha, 1952), lançado pelo cantor carioca Moreira da Silva (1902 - 2000) e revivido por Macalé há 14 anos, em dueto com o próprio Baleiro, no álbum Macalé canta Moreira (Lua Music, 2001), dedicado ao repertório de Kid Morengueira. Em que pese a relevância dos convidados, o grande mérito do DVD - que exibe imagens captadas sob a direção da cineasta Rejane Zilles - é apresentar Macalé em ação. Na companhia da banda Let's Play That, batizada com o nome da música de 1972 que abre o roteiro, Macalé rebobina no toque de seu violão músicas como Farinha do desprezo (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1972). Com sua voz rouca, embebida em doses bem combinadas de melancolia e (fina) ironia, Macalé alcança grande momento como intérprete com a introspecção cool que pauta Dona do castelo (Jards Macalé e Waly Salomão, 1974), balada repleta de morbeza romântica conduzida pelo piano de Ricardo Rito e pontuada por intervenções do trompete de Leandro Joaquim. No fim, a leitura literal de Canalha (Walter Franco, 1980) - com Macalé de pé, lendo a letra da música do maldito Walter Franco regravada recentemente pelo grupo paulista Titãs no álbum Nheengatu (Som Livre, 2014) - injeta certa imprevisibilidade em show marcado por alguma linearidade, embora a pegada da banda Let's Play That nunca deixe o som desandar. No fim, os convidados amigos voltam para curtir e cantam o samba Coração do Brasil (Jards Macalé, 1998), resumido no DVD a um verso-refrão repetido exaustivamente. Mesmo quando não há muito o que dizer, Macalé dá o recado. E, para bom entendedor, basta um verso...

Ótimo álbum do Jota Quest ganha edição dupla em vinil preto de 140 gramas

Enquanto prepara disco de inéditas para lançar neste segundo semestre de 2015, o grupo mineiro Jota Quest tem seu melhor álbum editado no formato de vinil. Fabricada pela Polysom, a edição em vinil de Funky funky boom boom (Sony Music, 2013) é dupla e chega ao mercado fonográfico a partir de 31 de julho de 2015, ao preço de R$ 120. A capa dupla embala dois vinis de cor preta, de 140 gramas, cada um. Eis - na disposição do LP duplo - as 15 músicas de Funky funky boom boom:

LP 1
Lado A

1. Entre sem bater (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S., Pedro Turra e Franklin Araújo)
2. Ela é do Rio (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra, Play, Jerry Barnes, Pretinho da Serrinha e Leandro

      Fab)
3. Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e
      Nile Rodgers)
4. Um tempo de paz (Rogério Flausino)


Lado B
1. Pretty baby (Marco Túlio Lara, Rogério Flausino e Jerry Barnes)
2. Reggae town (Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino)
3. Waiting for you (Shine on, shine on) (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho
       Fonseca, PJ e Rogério Flausino)

LP 2
Lado A

1. Jota Quest convidou (Rogério Flausino, Seu Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab)
2. É de coração (Xande de Pilares, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral)
3. Imperfeito (Rogério Flausino, Fernanda Mello e Nile Rodgers)
4. Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Martha Medeiros)


Lado B
1. Toxina voyeur (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra e Play)
2. Sem mistério (Paulinho Fonseca, Rogério Flausino e Jerry Barnes)
3. Realinhar (China, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino)
4. Waiting for you (Party on) (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ
      e Rogério Flausino)

Músicas reunidas por Zé Pi em 'Rizar' estão à espera de (melhores) cantores

Resenha de CD
Título: Rizar
Artista: Zé Pi
Gravadora: YB Music
Cotação: * * 1/2

Artista paulista egresso de grupos como Druques, Zé Pi é melhor compositor do que cantor. Essa superioridade de um ofício em relação ao outro é nítida em Rizar e prejudica o primeiro álbum solo de Pi. A sensação deixada por Rizar é que as nove canções autorais estão à espera de uma voz menos opaca para terem realçados o brilho que, em maior ou menor grau, reside nelas. Não é uma questão de potência ou extensão vocal. Nara Leão (1942 - 1989) tinha um fio de voz e nem por isso deixou de ser uma cantora relevante. Ao compor essas nove canções, Pi imprimiu nelas uma gama de emoções e sentimentos - brotados de relacionamentos afetivos - que seu canto jamais expressa a contento. Até Tulipa Ruiz - grande cantora que vive momento de auge vocal - está apagada na reinvenção cool de Depois (Zé Pi e Guilherme Calzavara, 2006), música do repertório da Druques que abriu o álbum lançado pela banda paulista há nove anos, Druques (Independente, 2006). E por falar em Tulipa, Gustavo Ruiz - irmão e produtor dos discos da cantora - é o piloto de Rizar, álbum cujo processo de formatação começou em janeiro de 2014 quando Pi e Gustavo foram com a banda-base - formada por André Lima (teclados  sintetizadores), Meno Del Picchia (baixo), Richard Ribeiro (bateria e percussão) e o próprio Zé Pi nas guitarras - para sítio situado perto de Bragança Paulista, cidade onde Pi nasceu. Finda a criação dos arranjos, a gravação foi feita efetivamente no estúdio El Rocha, um dos QGs da cena indie da cidade de São Paulo (SP). A produção não é econômica. Há quartetos de cordas em canções como Fique à vontade (Zé Pi) e Bem melhor do que está (Zé Pi), músicas que exemplificam o dom de Pi para a composição. Há também inserções eventuais de metais em músicas como Muito tempo (Zé Pi), cujo arranjo - formatado com os metais da Trupe Chá de Boldo -  evoca de longe o universo do som black norte-americano sem deixar de evidenciar a pegada pop da canção. Sim, por mais que o solo de guitarra de Luiz Chagas esboce uma atmosfera roqueira em Se você soubesse (Zé Pi), Rizar é disco de repertório criado com vocação explicitamente pop, como reiteram Acredito (Zé Pi), de delicioso sabor retrô, e Anoiteceu (Zé Pi, Maurício Fleury e Leo Cavalcanti), música da safra autoral de 2008.  Ainda que a introdução de Dor e solidão (Zé Pi) remeta de imediato à arquitetura das canções do grupo carioca Los Hermanos, referência para toda a geração que veio depois, Zé Pi brilha como compositor em Rizar, deixando a desejar como cantor.  Sua obra pede outras vozes...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Letuce lança terceiro álbum, 'Estilhaça', já disponível para download gratuito

Com capa que expõe arte de Elisa Rimer, criada a partir de foto de Ana Alexandrino, o terceiro álbum do Letuce, Estilhaça, foi lançado hoje, 24 de julho de 2015, nas plataformas digitais em edição do selo YB Music distribuída na web pela ONErpm. O disco já está disponível para download gratuito mediante o fornecimento de um endereço de e-mail (clique aqui para baixar Estilhaça). Duo carioca formado por Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, Letuce alinha 11 músicas no disco gravado no estúdio da YB Music, em São Paulo (SP), com produção de João Brasil. A mixagem foi feita por Renato Godoy. Uma das músicas, Lugar para dois, já havia sido previamente apresentada na internet neste mês de julho.  Eis, na ordem do disco, as 11 músicas do autoral álbum Estilhaça:

1. Quero trabalhar com vidro
2. Lugar para dois
3. Love is magic
4. Todos os lugares do mundo
5. Muita cara
6. Muralha da China
7. Aristóteles laugh
8. Animadinha
9. Arca de Noé
10. Mergulhei de máscara
11. Todos querem amar

Eis as 14 músicas do disco em que Ana Cañas abre parceria com Pedro Luís

♪ Disponível para audição com exclusividade na plataforma Deezer a partir de hoje, 24 de julho de 2015, o quinto álbum de Ana Cañas, Tô na vida (Guela Records / Slap), alinha 14 músicas em seu repertório inteiramente autoral. Aliás, o quarto álbum de estúdio da cantora e compositora paulistana é seu primeiro álbum totalmente autoral. No disco, Cañas abre parceria com o cantor e compositor carioca Pedro Luís - parceiro da artista e do produtor do disco, Lúcio Maia, em O som do osso - e expande suas conexões com Arnaldo Antunes e Dadi, presentes desde o segundo álbum de Cañas, Hein? (Sony Music, 2009). Eis, na ordem do disco, as 14 músicas de Tô na vida, álbum cuja edição física em CD vai chegar efetivamente às lojas em agosto de 2015  via Slap / Som Livre:

1. Existe (Ana Cañas)
2. Tô na vida (Ana Cañas, Arnaldo Antunes e Lúcio Maia)
3. Hoje nunca mais (Ana Cañas e Dadi)
4. O som do osso (Ana Cañas, Lúcio Maia e Pedro Luís)
5. Indivisível (Ana Cañas)
6. Coisa Deus (Ana Cañas)
7. Bandido (Ana Cañas)
8. Feita de fim (Ana Cañas)
9. Um dois um só (Ana Cañas e Arnaldo Antunes)
10. Amor e dor (Ana Cañas)
11. Mulher (Ana Cañas)
12. Pra machucar (Ana Cañas)
13. Madrugada quer você (Ana Cañas, Arnaldo Antunes e Lúcio Maia)
14. O amor venceu (Ana Cañas) - Faixa-bônus

Roberta Sá apresenta 'Delírio' em setembro com a distribuição da Som Livre

Delírio é o título do sexto álbum oficial da cantora potiguar Roberta Sá (em foto de Daryan Dornelles). O lançamento está confirmado para setembro de 2015 em edição do selo MP,B Discos distribuída pela gravadora Som Livre. Clique aqui para conhecer seis das 11 músicas reunidas no CD.

Eis as músicas (e os intérpretes) do 'Sambabook' dedicado a Dona Ivone Lara

Nas lojas em agosto de 2015, nos formatos de CD duplo, DVD e em edição tripla (capa à esquerda) que junta DVD com os dois CDs, o Sambabook Dona Ivone Lara alinha 26 números gravados em novembro de 2014, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). Na quarta edição do projeto Sambabook, um time de intérpretes - que mistura nomes do samba, MPB e até do rap - regrava as músicas mais expressivas do cancioneiro da compositora carioca Ivone Lara. Esse time estelar inclui Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Criolo, Diogo Nogueira, Elba Ramalho, Leci Brandão, Maria Bethânia, Mariene de Castro, Martinho da Vila, Teresa Cristina, Vanessa da Mata e Zeca Pagodinho, entre outros nomes. Eis, na ordem do DVD e na disposição dos CDs, as músicas e intérpretes reunidos no Sambabook Ivone Lara:

DVD
1. Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - Maria Bethânia
2. Andei para curimá (Ivone Lara, 1974) - Martinho da Vila
3. Alguém me avisou (Ivone Lara, 1980) - Caetano Veloso
4. Tiê (Ivone Lara, Mestre Fuleiro e Tio Hélio, 1974) - Criolo
5. Agradeço a Deus (Ivone Lara e Mano Décio da Viola, 1970) - Teresa Cristina
6. Amor relativo (Ivone Lara e André Lara, 2015) - Diogo Nogueira 
7. Nasci pra sonhar e cantar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1982)
    - Carminho e Hamilton de Holanda
8. Mas quem disse que eu te esqueço? (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho, 1981) 
    - Luiza Dionísio
9. Preá comeu (Ivone Lara, 1982) - Fundo de Quintal
10. Tendência (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1981) - Zélia Duncan
11. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) - Vanessa da Mata
12. Minha verdade (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) - Zeca Pagodinho
13. Liberdade (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1977) - Xande de Pilares
14. Não chora neném (Ivone Lara, 1979) - Aline Calixto
15. Sereia Guiomar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1980) - Elba Ramalho
16. Em cada canto uma esperança (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - Bruno Castro
17. Dizer não pro adeus (Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila e Bruno Castro, 2005) - Reinaldo
18. Força da imaginação (Ivone Lara e Caetano Veloso, 1982) - Arlindo Cruz
19. Bodas de ouro (Ivone Lara e Paulo César Pinheiro, 1998) - Lu Carvalho
20. Candeeiro da vovó (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1996) - Adriana Calcanhotto
21. Enredo do meu samba (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1984) - Leci Brandão
22. Alvorecer (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1974) - Áurea Martins
23. Sorriso de criança (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1979) - Mariene de Castro
24. Os cinco bailes da história do Rio (Ivone Lara, Silas de Oliveira e Bacalhau, 1965)
      - Wilson das Neves
25. Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - todos os convidados
26. Axé de Ianga (Pai maior) (Ivone Lara, 1981) - Jongo da Serrinha

CD 1
1. Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - Maria Bethânia
2. Minha verdade (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) - Zeca Pagodinho
3. Nasci pra sonhar e cantar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1982)
    - Carminho e Hamilton de Holanda
4. Agradeço a Deus (Ivone Lara e Mano Décio da Viola, 1970) - Teresa Cristina
5. Mas quem disse que eu te esqueço? (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho, 1981)
    - Luiza Dionísio
6. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) - Vanessa da Mata
7. Tiê (Ivone Lara, Mestre Fuleiro e Tio Hélio, 1974) - Criolo
8. Não chora neném (Ivone Lara, 1979) - Aline Calixto
9. Em cada canto uma esperança (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - Bruno Castro
10. Candeeiro da vovó (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1996) - Adriana Calcanhotto
11. Enredo do meu samba (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1984) - Leci Brandão
12. Sorriso de criança (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1979) - Mariene de Castro
13. Axé de Ianga (Pai maior) (Ivone Lara, 1981) - Jongo da Serrinha

CD 2
1. Alguém me avisou (Ivone Lara, 1980) - Caetano Veloso
2. Andei para curimá (Ivone Lara, 1974) - Martinho da Vila
3. Amor relativo (Ivone Lara e André Lara, 2015) - Diogo Nogueira
4. Preá comeu (Ivone Lara, 1982) - Fundo de Quintal
5. Tendência (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1981) - Zélia Duncan
6. Liberdade (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1977) - Xande de Pilares
7. Sereia Guiomar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1980) - Elba Ramalho
8. Dizer não pro adeus (Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila e Bruno Castro, 2005) - Reinaldo
9. Bodas de ouro (Ivone Lara e Paulo César Pinheiro, 1998) - Lu Carvalho
10. Força da imaginação (Ivone Lara e Caetano Veloso, 1982) - Arlindo Cruz
11. Alvorecer (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1974) - Áurea Martins
12. Os cinco bailes da história do Rio (Ivone Lara, Silas de Oliveira e Bacalhau, 1965)
      - Wilson das Neves
13. Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978) - todos os convidados

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Atriz Mariana Rios lança single em inglês, 'Reach me', produzido por Bonadio

Atriz de origem mineira projetada em novelas da TV Globo e atualmente em cartaz em São Paulo (SP) no elenco protagonista do musical Memórias de um gigolô (dirigido por Miguel Falabella no livro homônimo do escritor Marcos Rey), Mariana Rios investe na carreira de cantora e lança single em inglês, Reach me, promovido com clipe posto esta semana em rotação no YouTube. Rick Bonadio assina a produção do fonograma - registrado para sua gravadora Midas Music - e toca teclados, baixo e programações na faixa. Composição de autoria da própria Mariana Rios, Reach me é balada que poderia figurar em discos de cantoras como a canadense Celine Dion e a norte-americana Mariah Carey. A propósito, o tom de interpretação de Rios é similar ao dessas cantoras.

Tributo a Santiago, na voz de Marques, 'Emilianamente' agrega Áurea e Nana

Cantor da noite carioca, o também compositor Guto Marques foi apresentado a Emílio Santiago (1946-2013) por Nana Caymmi. O trio se tornou amigo. O que torna natural a presença da cantora carioca em Emilianamente, CD em tributo a Santiago lançado hoje, 23 de julho de 2015, por Marques.  Em tons suaves, Nana canta com Marques Saigon (Cláudio Cartier, Paulo César Feital e Carão, 1985), música que alcançou seu pico de popularidade com a gravação feita por Emílio no álbum Aquarela brasileira 2 (Som Livre, 1989). Inédita, a música que batiza Emilianamente - CD gravado com arranjos e direção musical do maestro Ocimar de Paula - é samba-enredo de autoria de Marques e Paulo César Feital que alude nos versos a algumas músicas gravadas por Emílio, caso de Flamboyant, parceria de Jota Maranhão com Feital lançada pelo cantor em 1993 no sexto volume da série Aquarela brasileira. Flamboyant abre Emilianamente, disco em que, além de Nana, Guto Marques recebe convidados como a cantora carioca Áurea Martins - presente em Reciclar (Claúdio Cartier e Guto Marques, 2005) - e Altay Veloso, que participa de Essa fase do amor, parceria sua com Samuel Santana lançada por Emílio no já citado CD Aquarela brasileira 6 (Som Livre, 1996). Apesar das boas intenções, Emilianamente é tributo de tonalidade opaca que oferece interpretações pálidas sem o menor resquício do brilho do canto lapidar de Emílio Santiago.

Roberta grava com Chico parceria de Arnaldo com Cézar Mendes em seu CD

A IMAGEM DO SOM - Postada hoje por Roberta Sá em sua página oficial no Facebook, a foto de Chris Amback flagra a cantora potiguar no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro (RJ), ao lado de Rodrigo Campello (à esquerda) e Chico Buarque durante a gravação de seu sexto álbum oficial. Produzido por Campello, o disco - cuja master já está finalizada -  tem participação do cantor e compositor carioca. Chico canta com Roberta Se for pra mentir, parceria do compositor paulistano Arnaldo Antunes com o compositor e violonista baiano Cézar Mendes, lançada há quatro anos na voz da cantora paulistana Luciana Mello em seu álbum 6º solo (Ape Music / Microservice, 2011). Além de Chico, o álbum de Roberta traz também o violoncelista Jaques Morelenbaum - com quem Roberta regrava o samba Última forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) - e o cantor português António Zambujo, que divide com a artista a interpretação de Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago, 1938), samba tornado um fado em gravação feita em Portugal. Outros convidados do disco são o cantor e compositor fluminense Martinho da Vila (em Amanhã é sábado, samba que Martinho deu para a cantora) e o cantor e compositor carioca Xande de Pilares, que toca banjo em Boca em boca, música que abre sua parceria com Roberta. Adriana Calcanhotto não participa do disco, mas forneceu a inédita Me erra para o repertório. O (aguardado) álbum de Roberta vai ser lançado em setembro de 2015, em edição do selo MP,B Discos distribuída pela gravadora Som Livre.

Ana Cañas revela a capa de seu quinto álbum, 'Tô na vida', em seu Facebook

Com capa que expõe Ana Cañas em foto de Caroline Bittencourt, o quinto álbum da cantora e compositora paulistana, Tô na vida, vai ser lançado amanhã, 24 de julho de 2015, com exclusividade na plataforma Deezer. A partir de 31 de julho, o disco vai estar disponível nas demais plataformas digitais e nas lojas. Tô na vida foi produzido por Lúcio Maia com a própria Cañas, tendo sido mixado por Mario Caldato Jr. Parceria de Cañas com Maia e Arnaldo Antunes, a música-título Tô na vida - sedutor blues de tom confessional que se impôs como uma das melhores músicas da artista - já está em rotação na web desde o início deste mês de julho. O repertório do disco é (todo) autoral. Cañas revelou hoje a capa do álbum Tô na vida em sua página oficial no Facebook.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Lô Borges e Samuel Rosa vão gravar DVD e CD em show em BH em agosto

A gravação ao vivo do show que junta os cantores e compositores mineiros Lô Borges (à esquerda na foto extraída de vídeo do YouTube) e Samuel Rosa vai ser feita em duas apresentações programadas para 7 e 8 de agosto de 2015 no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte (MG). A gravação do show vai dar origem a DVD e a CD ao vivo que serão lançados ainda neste ano de 2015.

Beth regrava, para disco da Mangueira, samba composto por Cartola em 1928

Samba composto por Cartola (1908 - 1980) em 1928, ano da fundação da escola de samba Mangueira, Chega de demanda ganha a voz de Beth Carvalho, captada na casa da cantora pelo produtor Rildo Hora, em gravação feita para disco que reúne 30 sambas que versam sobre a agremiação verde-e-rosa. A artista - em foto de Washington Possato - integra elenco que inclui Alcione e  Leo Russo,  entre outros cantores associados ao samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Velha Guarda da Portela grava ao vivo show com Maria Rita, Teresa e inédita

A Velha Guarda da Portela grava seu primeiro DVD em show programado para as 22h de hoje, 22 de julho de 2015, na quadra da escola carioca Portela, situada entre os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Intitulado Minha vontade, o DVD foi batizado com o nome de samba do compositor portelense Thompson José Ramos (1915 - 1991), o Chatim, lançado em disco há 58 anos no álbum A vitoriosa escola de samba da Portela (Sinter, 1957). O roteiro do show - cuja direção musical vai ser assinada por Mauro Diniz - é formado basicamente por clássicos do repertório da agremiação, mas inclui samba inédito, Lindo, composto por Monarco com Noca da Portela - em sua primeira parceria - para exaltar a escola de samba. Convidados - como Cristina Buarque, Maria Rita, Paulinho da Viola e Teresa Cristina - vão se juntar ao grupo de bambas ao longo da gravaçã ao vivo. Cristina Buarque entrará em cena em Quantas lágrimas (Manacéa, 1970). Maria Rita vai interpretar Coração em desalinho (Monarco e Ratinho, 1986). Já Paulinho da Viola vai cantar Chega de padecer (Mijinha, 1970) com a Velha Guarda da Portela enquanto Teresa Cristina realçará Sofrimento de quem ama (Alberto Lonato, 1970). Estão também previstos no roteiro sambas como Lenço (Monarco e Francisco Santana, 1957), Minha vontade (Chatim,  1957) e Vivo isolado do mundo (Alcides Dias Lopes,  1978).  A entrada é franca.

Série revira o lado independente do disco de 'gente louca que ama a música'

Resenha de série de TV
Título: O outro lado do disco
Produção e direção: Rodrigo Lariú
Emissora: Canal Brasil
Cotação: * * * * 
Série em exibição no Canal Brasil aos domingos, às 21h30m, de 5 a 26 de julho de 2015

"É empresa de gente louca que ama a música". Feita pelo produtor Carlos Eduardo Miranda no ainda inédito quarto e último episódio da série de TV O outro lado do disco, exibida pelo Canal Brasil nas noites de domingo deste mês de julho de 2015, a conceituação de gravadora independente expõe o romantismo que ainda pauta a ala alternativa do mercado fonográfico brasileiro. Produzida e dirigida por Rodrigo Lariú, dono do selo Midsummer Madness, a série enfatiza o caráter idealista deste lado indie do disco ao longo de seu quatro fluentes episódios. Mas traça com precisão a evolução desse mercado a partir do fim dos anos 1970, quando gravar um disco era missão impossível para quem não passava pela porta das grandes gravadoras. "O sonho de um garoto da periferia era gravar um disco e dizer 'eu existo' '', sintetiza Kid Vinil no primeiro episódio, que parte da pioneira aventura do pianista carioca Antonio Adolfo - que gravou, fabricou e distribuiu por conta própria em 1977 o álbum sintomaticamente intitulado Feito em casa - para mostrar como o mercado fonográfico independente brasileiro começou a se estruturar. Embora omita a bem-sucedida ação indie do quarteto carioca Boca Livre, que atingiu o público em 1979 com a edição independente de seu primeiro álbum (o que tem os hits Toada e Quem tem a viola, propagados em novelas exibidas pela TV Globo em 1980), o primeiro episódio lembra a criação em 1977 da Kuarup - gravadora de elenco regionalista - e a revolução estética promovida na cidade de São Paulo (SP) na primeira metade dos anos 1980 com a criação do selo Lira Paulistana, derivado do teatro homônimo. Foi em São Paulo que a ainda resistente Baratos Afins -  loja que virou selo sob o comando de Luis Calanca - entrou em cena para alavancar a galera e a galeria do rock alternativo. Em seu depoimento, Calanca destila certa nostalgia daquela época. Talvez porque, a partir dos anos 1990, o mercado fonográfico tenha ficado menos romântico. É a década - como mostra o segundo episódio - em que os diretores de marketing passaram a comandar as multinacionais do disco, investindo pesado em gêneros massivos como axé music, pagode e sertanejo. Mas é a época também em que os selos independentes passaram a servir de laboratório para as grandes gravadoras, cegas diante do surgimento desses novos artistas. É quando entram em cena os selos Rockit! (aberto em 1992 por Dado Villa-Lobos, músico da banda Legião Urbana), Banguela Records (criado em 1993 por Carlos Eduardo Miranda) e Excelente Discos (surgido em 1995). Nesse ponto, O outro lado do disco revira as mazelas da indústria fonográfica multinacional sob a ótica exclusiva dos criadores independentes. "Virou um grande supermercado", compara Mayrton Bahia, criador da Radical Records. O diretor não dá voz ao outro lado da indústria e tampouco aos artistas que viveram a experiência de estar em um selo independente. Basicamente, a série alterna depoimentos dos donos de selos com trechos de clipes de seus artistas. Faltou uma análise mais crítica da atuação efetiva desses selos por quem usou seus serviços. "Transformar a paixão em negócio e no seu ganha-pão é que é o x da questão", ressalta um dos sócios da Monstro Discos, gravadora indie de Goiânia (GO), encerrando o segundo episódio com nova dose de romantismo. Assunto recorrente do terceiro episódio, a pirataria física de CDs  não impede a expansão de gravadoras independentes surgidas nos últimos anos de luxo da indústria fonográfica, casos da Deck e da Trama, ambas criadas em 1998. Investindo em produtos de massa, como discos do grupo de forró Falamansa e do grupo de pagode Revelação, a Deck chegou a abocanhar 4,7% do mercado fonográfico brasileiro em seus tempos áureos. Mercado que foi ficando cada vez mais segmentado, permitindo que uma gravadora nordestina dedicada ao forró atuasse fora dos padrões convencionais, chegando a deter 8,4% do mercado em sua melhor fase, caso da SomZoom, aberta em 1992 para lançar discos da banda Mastruz com Leite. "Percebi que um selo podia atuar em nichos", conta Léo Esteves, diretor executivo da Coqueiro Verde Records, gravadora criada em 2006. Nichos que podem existir exclusivamente no mundo digital da web. A revolução do download e do streaming são assuntos abordados no quarto episódio, de tom mais crítico. "Um lugar onde todo mundo está ao mesmo tempo não é um espaço de divulgação", acredita Pena Schmidt, ao se referir às plataformas digitais como o iTunes e Spotify. "Hoje o artista é teu sócio", sintetiza Thomas Roth, apontando o modelo que vigora no mercado fonográfico independente, em que artistas fazem parcerias como selos e empresas para distribuir seus discos e alavancar suas carreiras. Paralelamente, o último episódio d'O outro lado do disco mostra que, enquanto o futuro arromba a porta, há muita gente cultuando o passado fonográfico. O que permite a sobrevivência de um selo como o carioca Discobertas, dedicado pelo pesquisador Marcelo Fróes aos relançamentos de discos raros. Para essa gente louca que ama a música, o disco tem muitos lados. A série de Rodrigo Lariú historia somente um deles - e o faz com a paixão que toca o mercado independente.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Biografia de Geraldo Vandré vai ser posta no mercado pela editora da Kuarup

Lançada no primeiro semestre deste ano de 2015 em tiragem artesanal de 100 exemplares, direcionados aos amigos do autor e a formadores de opinião, a biografia do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré vai ganhar edição comercial através da Kuarup. Autor do livro, o jornalista Vitor Nuzzi assinou hoje, 21 de julho de 2015, contrato com a editora vinculada à gravadora Kuarup para que Geraldo Vandré - Uma canção interrompida chegue às livrarias. Clique  aqui  para (re)ler a resenha do bom livro em que Nuzzi investiga os descaminhos de Vandré.

Livro 'Só por hoje e para sempre' expõe alma, dias e vícios de Renato Russo

Resenha de livro
Título: Só por hoje e para sempre - Diário do recomeço
Autor: Renato Russo
Editora: Companhia das Letras
Cotação: * * * *

Há duas questões que envolvem a publicação de Só por hoje e para sempre - Diário do recomeço, primeiro de uma série de livros póstumos de Renato Russo (1960 - 1996) que a Companhia das Letras vai pôr no mercado literário a partir deste ano de 2015. A primeira questão é ética e diz respeito à publicação de um livro que justifica como poucos  o clichê íntimo e pessoal. De acordo com texto publicado na orelha do livro, sem assinatura, a publicação do livro era um desejo do cantor, compositor e músico carioca que ganhou fama nacional com a criação em 1982, em Brasília (DF), da Legião Urbana, banda que existiu até a morte de seu líder e mentor, em 1996. Texto escrito na introdução do livro por Giuliano Manfredini - filho e herdeiro de Renato Russo - reproduz diálogo de pai e filho em que o primeiro revela ao filho que a intenção de escrever rotineira e compulsivamente escondia também o desejo de que, no futuro, as pessoas soubessem o que ele, Renato, sentia e pensava na época. Se de fato havia esse desejo da parte de Renato, essa questão ética passa a ser inexistente, ainda que publicações de livros póstumos do artista envolvam também interesses comerciais. A outra questão é de ordem literária: o livro em si é excelente e merece ser lido. Organizadas pelo jornalista carioca Leonardo Lichote, as notas escritas por Russo em forma de diário durante os 29 dias de 1993 em que o cantor passou internado na Vila Serena - clínica de reabilitação para dependentes químicos, às voltas com o vício já incontrolável em álcool e drogas, situada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - constituem verdadeiro tratado sobre a natureza da alma humana. O grau de exposição e intimidade é total, o que justificou inclusive que as personagens citadas por Russo em seus relatos tenham tido seus nomes ocultados através de iniciais. Alguns efeitos desses 29 dias podem ser detectados em algumas letras de O descobrimento do Brasil (EMI-Music, 1993), o álbum gravado pela Legião Urbana na sequência da saída de Renato da clínica. Mas nada se compara ao teor íntimo dos relatos dos diários. Ao que parece, Russo desnudou por completo sua alma ao relatar suas impressões sobre o tratamento e suas motivações para ter se tornado um viciado em drogas e álcool (e para deixar de sê-lo - objetivo primordial de sua internação). Aparecem nos escritos todas as feridas abertas naquela alma que vivia dias de tormento: a autoestima baixa (ou mesmo nula em determinadas situações, inclusive sexuais), a arrogância (alimentada pelas ilusões e pelos falsos amigos trazidos com a fama), a autopiedade e as sensações de inadequação em várias situações (dentro da clínica e fora dela, no meio artístico, antes da internação), entre outras características comuns a quem passa por situações do tipo. Paralelamente, Russo descortina bastidores da Legião Urbana - como a relação difícil com o baterista Marcelo Bonfá e como sua atração pelo guitarrista Dado Villa-Lobos (plenamente vivida no plano da fantasia) - enquanto revela sentimentos positivos e negativos brotados ao logo do tratamento. O livro é forte, contundente, expressivo. Até porque Russo tinha o dom de escrever muito bem. Somente a carta de despedida endereçada a ele próprio - e assinada pelo medo que o controlava, o tolhia e o anulava - vale por si a aquisição e a leitura de Só por hoje e para sempre.

Edição 'deluxe' de 'Estratosférica', com duas faixas-bônus, sai em 31 de julho

A partir de 31 de julho de 2015, os admiradores de Gal Costa poderão comprar no iTunes a edição deluxe do 33º álbum da discografia solo da cantora baiana, Estratosférica. As novidades são as duas inéditas músicas adicionais gravadas exclusivamente para a edição digital do álbum, Átimo de som (Arnaldo Antunes e José Miguel Wisnik) e Vou buscar você pra mim (Guilherme Arantes). A partir de 7 de agosto de 2015, as duas faixas-bônus poderão ser ouvidas também em plataformas de streaming  como o Spotify. Clique aqui para (re)ler a crítica do CD Estratosférica.

Carol Monte, irmã de Marisa, produz Vidal em álbum autoral que tem Lan Lan

Irmã de Marisa Monte, Carol Monte assina a produção do primeiro álbum de Vidal Guimarães, cantor e compositor carioca nascido há 25 anos no bairro de Padre Miguel, situado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Intitulado Vidal, para acentuar o fato de que o cantor limou o Guimarães de seu nome artístico, o disco é autoral e alinha na ficha técnica os nomes de músicos como o baixista Dadi, o guitarrista Felipe Pinaud, a percussionista Lan Lan - com Vidal na foto tirada no Top Five Estúdio - e o também percussionista Mauro Refosco. A própria Carol Monte toca teclados na música Naturalmente, faixa em que também assina os beats eletrônicos. O artista, Entre nós, Grand cirque, Liberdade, Maria, Navegando em copos e Pra te encontrar figuram no repertório do disco  Vidal, que chega ao mercado fonográfico ainda neste ano de 2015.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Eis a capa e músicas de 'Soledade', álbum em que Cida canta Macalé e Titãs

Com capa criada por Humberto Vieira a partir de foto de Diego Ciarlariello, o décimo álbum da cantora paulistana Cida Moreira, Soledade, chega ao mercado fonográfico em agosto de 2015 em edição da gravadora Joia Moderna. Cida - cabe ressaltar - foi a cantora que inspirou o DJ Zé Pedro a abrir a Joia Moderna em 2011. No disco, que vai ser promovido com o clipe da música Forasteiro (Thiago Pethit e Hélio Flanders, 2010), Cida sintetiza sua trajetória musical em 15 faixas que aglutinam 16 músicas lançadas em disco em período que vai de 1928 a este ano de 2015. Eis, na ordem do CD que segue esta semana para a fábrica, as músicas reunidas pela artista em Soledade:

1. Viola quebrada (Mário de Andrade, 1928)
2. Bom dia (Nana Caymmi e Gilberto Gil, 1967)
3. Um gosto de sol (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
4. Moreninha (tema de domínio público)
5. Forasteiro (Thiago Pethit e Hélio Flanders, 2010)
6. Poema (Alice Ruiz, 2015) - vinheta
7. Poema da Rosa (Jards Macalé e Augusto Boal a partir de poema de Bertolt Brecht, 1969)
8. Oitava cor (Luis Filipe Gama e Tiago Torres da Silva, 2015)
9. Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M, 2013) - vinheta
10. Feito um picolé no sol (Nico Nicolaiewski, 1985)
11. Outra cena (Taiguara, 1976)
12. Construção (Chico Buarque, 1971)
13. A última voz do Brasil (Tico Terpins, Zé Rodrix, Armando Ferrante Jr. e Próspero Albanese, 1985)
14. O pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989)
      - com citação de A queda (André Frateschi, 2014)

15. As pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro, 1934) - vinheta

Fátima inclui registro de 'Condenados' em álbum de inéditas gravado no Rio

Fátima Guedes grava no Rio de Janeiro Transparente, seu primeiro álbum de músicas inéditas e autorais desde Muito intensa (Velas, 1999). Embora o repertório seja formado basicamente por músicas nunca registradas em disco pela cantora e compositora carioca (cujo baú guarda inéditas como Caminho do coração, Ela, Lua de cereja, Pólen, Simples pensamento, Tantos assuntos e Um anjo), o CD inclui nova abordagem de Condenados, música lançada pela cantora Simone no álbum Pedaços (EMI-Odeon, 1979).  A regravação de Condenados tem arranjo do pianista Itamar Assiere.

Eis a capa e as músicas de 'Dilúvio', segundo álbum de estúdio de Dani Black

Com capa criada por Patrícia Black com Uibirá Barelli a partir de foto de Paulo Bueno, Dilúvio - o segundo álbum de estúdio do cantor e compositor paulistano Dani Black - apresenta onze músicas inéditas de autoria somente do artista. Uma, Seu gosto, já tinha sido mostrada na web em dezembro de 2014, anunciando a edição do sucessor de Dani Black (Som Livre, 2011) e do digital EP SP Dani Black ao vivo (2013). Conrado Goys assina a produção e os arranjos do disco, coproduzido por Black. Eis, na ordem do CD, as 11 músicas autorais de Dilúvio, que tem a voz de Milton Nascimento na última música,  Maior,  e chega em agosto de 2015 ao mercado fonográfico:

1. Areia (Dani Black)
2. Dilúvio (Dani Black)
3. Linha tênue (Dani Black)
4. Fora de mim (Dani Black)
5. Seu gosto (Dani Black)
6. Bem mais (Dani Black)
7. Só sorriso (Dani Black)
8. Não não não (Dani Black)
9. Ganhar dinheiro (Dani Black)
10. Ú (Dani Black)
11. Maior (Dani Black) - com Milton Nascimento