quarta-feira, 6 de maio de 2015

Eis a capa de 'Estratosférica', álbum de inéditas que Gal lança em 26 de maio

Esta é a capa de Estratosférica, o álbum de músicas inéditas gravado por Gal com produção de Kassin e Moreno Veloso, sob a direção artística de Marcus Preto. A cantora aparece na capa em foto de Bob Wolfenson. O disco chega ao mercado fonográfico em 26 de maio de 2015 via Sony Music em edição digital e nos formatos de CD e vinil. Clique aqui para rever o repertório do álbum.

Gadú revela capa, faixa e músicos de seu terceiro álbum de estúdio, 'Guelã'

Com capa que expõe foto de Catharina Suleiman no projeto gráfico de Luisa Corsini, o terceiro álbum de estúdio de Maria Gadú, Guelã, tem produção assinada pela própria artista paulistana. Gadu também assina  a arte do disco em parceria com Lua Leça e Luisa Corsini. Coproduzido pelo músico Federico Puppi, que toca violoncelo e baixo no disco, Guelã alinha dez músicas inéditas no repertório essencialmente autoral. Com lançamento agendado para o começo de junho de 2015, em edição do selo Slap que vai ser distribuída pela gravadora Som Livre, o CD Guelã foi gravado e mixado por Rodrigo Vidal no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ). Além de dar voz às músicas, Gadu toca violão e guitarra no CD feito com os músicos Lancaster Pinto (baixo), Doga (percussão) e Tomaz Leno (bateria), além do já mencionado Federico Puppi. Além de revelar a capa e a ficha técnica do disco, cuja produção executiva foi capitaneada por Luis Felipe Couto, Gadú já pôs em rotação o primeiro single de Guelã. Trata-se de Obloco, parceria da cantora e compositora com Maycon Ananias. Eis a  letra da (boa) música, em rotação em vídeo no YouTube:

obloco 
(Maria Gadú e Maycon Ananias)

quando eu lançar meu bloco 
o bloco dos sem medo
um bloco happy
um bloco crente
um bloco black 
um bloco free
quando eu dançar pro povo
vou de bloco de cimento
eu vou correndo
eu vou dizendo
esse bloco é lindo
demais
assim
eu já vejo juntando gente
de todo tipo
com belas vestes
bailando leves
na madrugada
a manhã
virá
ver
obloco
fora do carnaval
no chão do inverno
e
a
lua
vai
ter um recital
do povo contente aos berros na rua

pra fazer do povo saudade
esse bloco canta
vidas inteiras
e a multidão
que se afoga
ao dia
essa noite
é
porta estandarte
quando ao auge
o corpo
exala
paixões florais
pela própria dança
ninguém se fala
ninguém se cansa
a
alma
é
o
pulso
do
bloco

Zélia se equilibra no trem mineiro em movimento ao cantar Milton com afeto

Resenha de show
Título: Inusitado - Zélia Duncan canta Milton Nascimento
Artista: Zélia Duncan (em foto de Rodrigo Goffredo) com Jaques Morelenbaum (violoncelo)
Local: Teatro de Câmara - Fundação Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de maio de 2015
Cotação: * * * *
♪ Show com transmissão ao vivo agendada pelo Canal Bis para as 21h de 6 de maio de 2015

Zélia Duncan ficou na defensiva na primeira vez em que se dirigiu ao público que foi ao Teatro de Câmara da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 5 de maio de 2015, para ver a estreia do show em que a cantora fluminense aborda o repertório de Milton Nascimento. Zélia disse que iria apresentar as canções de Milton sem "reinventar a roda". E que procurava "nem lembrar" que boa parte dessas canções do compositor carioca de alma mineira tinha sido gravada por intérpretes como Elis Regina (1945 - 1982), Nana Caymmi e Simone. Pois, mesmo sem reinventar a roda, Zélia provou - a quem porventura ainda não soubesse - que ela também faz parte do time de grandes cantoras do Brasil. Sua grandeza consistiu em cantar (bem) Milton com uma formação que - mais do que a abordagem inédita do repertório de Milton por Zélia - foi o toque mais inusitado deste show criado para a terceira edição do Inusitado, o projeto do executivo André Midani em que artistas trilham caminhos musicais ainda inexplorados. Zélia dividiu o palco somente com Jaques Morelenbaum, virtuose do violoncelo, instrumento que, pela própria natureza, não oferece base segura para uma cantora. Ou seja, de certa forma, Zélia pegou o trem mineiro sem chão. E jamais caiu dele ao longo dos 19 números do show, se confirmando grande cantora. Já na primeira música, Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974), ficou evidente que Zélia optou por cantar Milton com ternura e com afeto, suavizando os tons de sua voz grave. É um caminho coerente com um cancioneiro que reflete fraternidade, sentimento já explicitado no título da Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978). Ao lado de Zélia, Morelenbaum também caminhou bem por essa estrada natural. Por ter o total domínio de seu instrumento, o virtuoso Morelenbaum forneceu o adorno, o floreio, da cada canção, explorando possibilidades de seu violoncelo, que eventualmente soou como baixo, como na introdução de Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) - música em que o canto de Zélia embutiu simultaneamente a saudade e a expectativa contidas na letra - e como em algumas passagens de Beijo partido (Toninho Horta, 1975). Sim, Morelenbaum foi além do tom lírico normalmente associado ao violoncelo, instrumento típico de espetáculo de câmara, tirando até um inusitado suingue no toque das cordas de seu cello em Peixinhos do mar (Cantiga de marujada em adaptação de Tavinho Moura). Sem se ater exclusivamente ao repertório composto por Milton, Zélia selecionou 20 músicas gravadas pelo cantor em período que vai de 1967 a 1981 - não por acaso, a  fase áurea da produção autoral e fonográfica do sócio majoritário e fundador do Clube da Esquina em 1972. Zélia, aliás, mergulha com leveza neste cancioneiro, dando voz a músicas como Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges, 1972) e Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) - número, aliás, em que o toque do violoncelo de Morelenbaum pareceu evocar o barulho dos pés na estrada. Sim, há músicas que pediam os tambores de Minas Gerais no arranjo, caso de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Ainda assim, Zélia se equilibrou bem no trem mineiro em movimento, afiando o ritmo de Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) na batida da palma da mão, acompanhando muito bem o (com)passo de Volver a los 17 (Violeta Parra, 1976) - música que simboliza a conexão de Milton Nascimento com a música da América Latina, em especial com a obra resistente da cantora argentina Mercedes Sosa (1935 - 2009) - e adicionando a Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971)  a ternura que temperou todo o show. Sim, é fato que quase todas essas canções já ganharam registros emblemáticos de Elis Regina e do próprio Milton - o que torna injustas comparações inevitáveis como a suscitada por O que será (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976), quando Zélia reproduz o vocal da introdução da gravação feita por Milton para o álbum Geraes (EMI-Odeon, 1976) em momento divino, e por Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1979), já ouvida em registros mais pungentes. Mas Zélia acertou ao evitar se transformar em outras para cantar Milton. Zélia cantou Milton como Zélia - e também emocionou quando interpretou San Vicente (Milton Nascimento e  Fernando Brant, 1972) e quando soltou a voz na sua estrada para encerrar o show com Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), música de tons escuros como a luz do espetáculo, iluminada pelo coro da plateia. Em harmonia consigo mesma, Zélia Duncan honrou a obra de Milton Nascimento ao lado de Jaques Morelenbaum, levando o belo trem mineiro por sua estrada natural, sem sobressaltos, rumo à cidade e suas luzes.

Em show no Rio, Zélia canta Milton (também) através de Chico, Joyce e Horta

Zélia Duncan pegou o trem mineiro na companhia de Jaques Morelenbaum. Em terno show feito somente com o violoncelo do músico carioca, a cantora fluminense deu sua voz grave a 20 canções amigas do repertório de Milton Nascimento. Nem todas as músicas do show - que estreou na noite de ontem, 5 de maio de 2015, dentro da programação da terceira edição do projeto Inusitado - foram compostas por este carioca de alma mineira, mas todas ganharam a voz de Milton. Entre as criações alheias, Zélia cantou músicas de Chico Buarque, Joyce Moreno, Lô Borges e Toninho Horta. A grande maioria do repertório do show foi gravada por Milton na década de 1970, quando sua voz era divina, como bem caracterizou Elis Regina (1945 - 1982) - intérprete de parte dessas canções - com adjetivo lembrado por Zélia no palco do Teatro de Câmara da Fundação Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). Com transmissão ao vivo agendada para as 21h de hoje no Canal Bis, o show aborda o repertório de Milton em período que vai de 1967 - ano da seminal Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant), cantada por Zélia no fecho do bis - até 1981, ano de Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant). Eis o roteiro seguido em 5 de maio de 2015 por Zélia Duncan e Jaques Morelenbaum - em foto de Rodrigo Goffredo - na Cidade das Artes na estreia do lindo show criado para terceira edição do Inusitado, projeto do executivo André Midani: 

1. Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
2. Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978)
3. Encontros e despedidas (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)
4. O que foi feito devera (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978) /
    O que foi feito de Vera (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1978)
5. Canção da América (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1979)
6. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
7. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977)
8. Beijo partido (Toninho Horta, 1975)
9. Mistérios (Joyce Moreno e Maurício Maestro, 1978)
10. Volver a los 17 (Violeta Parra, 1966)
11. Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges, 1972)
12. Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
13. O que será? (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976)
14. San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972)
15. Calix bento (tema de Folia de Reis com música e letra adaptada por Tavinho Moura)
16. Peixinho do mar (cantiga de marujada em adaptação de Tavinho Moura)
17. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971)
Bis:
18. Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
19. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Eddie lança o sexto álbum, 'Morte e vida', inspirado por livro de João Cabral

♪ Após revisar 25 anos de vida na compilação 25 anos ¡1989 . 2014! (Independente, 2014), a banda pernambucana Eddie reaparece no mercado fonográfico com seu sexto álbum de inéditas. Lançado neste mês de maio de 2015 e já disponível para download gratuito no site oficial do grupo, o álbum Morte e vida tem título inspirado em Morte e vida severina (1955), livro do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920 - 1999). Formatado em janeiro no estúdio Fruta Pão Records, Morte e vida é o primeiro disco do Eddie inteiramente gravado em Olinda (PE), cidade natal do quinteto formado por Fábio Trummer (voz e guitarra), Alexandre Barreto Urêa (voz e percussão), Rob Meira, (baixo), Kiko Meira (bateria) e Andret Oliveira (teclados, trompete e samples). Fábio Trummer assina sozinho dez das 11 músicas do repertório composto ao longo de 2014. A exceção é o rock Olho você, composto também por Erasto Vasconcelos e os irmãos Kiko e Rob Meira. Convidada da banda em Morte e vida, Karina Buhr canta o rock pesado e lento Longe de chegar, além de fazer backing vocal em Pedrada certeira. Já Essa trouxa não é sua traz a percussão de Jam da Silva enquanto Quebrou, saiu e foi ser só mistura frevo e surf music, na mesma onda seguida por Carnaval de bolso. Entre rocks, baladas, boleros (como Tentei te ligar) e frevos, Eddie dá continuidade ao seu som -  rotulado como Original Olinda Style - em Morte e vida.

'1977', roqueiro oitavo álbum de Wado, ganha edição nas plataformas digitais

Sucessor de Vazio tropical (Oi Música, 2013), disco de tom apático produzido por Marcelo Camelo, o oitavo álbum de Oswaldo Schlikmann Filho - o cantor e compositor catarinense radicado em Maceió (AL) e conhecido pelo nome artístico de Wado - chega oficialmente hoje, 4 de maio de 2015, às plataformas digitais através da gravadora Deck. Intitulado 1977, o disco foi produzido pelo próprio Wado e, a rigor, já tinha sido disponibilizado para download gratuito pelo próprio Wado em março em seu site oficial. Neste disco, de tom mais roqueiro perceptível em músicas como Lar (Wado e Vitor Peixoto), o artista faz conexões globais com nomes como a cantora mexicana Graciela Maria (convidada e parceira de Wado em Galo, canção assinada também por Célio Gomes), o uruguaio Gonzalo Deniz (ouvido na faixa Mundo hostil), o português Samuel Uria (chamado para figurar em Deita, tema da lavra solitária de Wado) e os brasileiros Lucas Silveira - o vocalista da banda gaúcha Fresno figura em Cadafalso (Wado e Momo) - e Marcelo Camelo, convidado de Palavra escondida (Wado e Zeca Baleiro). 1977 alinha nove músicas autorais em dez faixas. A exceção é Um lindo dia de sol, composição somente de autoria de João Paulo Guimarães.

Lenine evolui na atmosfera densa de 'Carbono' em alquimia com seus pares

Resenha de CD
Título: Carbono
Artista: Lenine
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * *

"O que eu sou / Eu sou em par / Não cheguei sozinho",  ressalta Lenine nos versos finais de Castanho, parceria sua com o sueco de vivência pernambucana-carioca Carlos Posada que abre o álbum de inéditas Carbono nos toques ruralistas das violas de Ricardo Vignini. Tais versos sintetizam a química deste disco em que o cantor e compositor pernambucano abre e expande parcerias. Em alquimia com seus pares, Lenine evolui e se renova na atmosfera densa de Carbono. Disco "inteiro, e ainda assim partido. Doído, e ainda assim contente", para citar versos da poesia pura da letra de O universo na cabeça do alfinete (Lenine e Lula Queiroga), uma das mais bonitas músicas dentre a safra inteiramente autoral e inédita de Carbono. Trunfo do repertório, a canção foi gravada com o toque delicadamente majestoso das cordas e sopros holandeses da Martin Fondse Orchestra. É outro exemplo de como os pares e parceiros de Lenine contribuíram decisivamente para o grandioso resultado final do disco, com o devido destaque para a química perfeita entre o trio de produtores de Carbono. Bruno Giorgi, JR Tostoi e Lenine chegaram juntos a uma sonoridade estupenda que valoriza cada uma das 11 faixas do CD. Isoladamente, em outro contexto, parte das 11 músicas de Carbono talvez até passasse despercebida face ao cancioneiro pregresso de Lenine. Contudo, na obra deste artista, a forma adquirida pela música no estúdio é tão importante quanto a música em si. Como essa forma atinge a perfeição em Carbono, o álbum logo se impõe como um dos pontos mais altos da discografia solo de Lenine. Cada faixa tem um elemento diferente que altera a química do disco, lhe conferindo diversidade dentro de uma unidade. O impossível vem pra ficar combina a levada da música de Lenine com a batida funkeada do grupo paulistano 5 a Seco, integrado por Vinicius Calderoni - parceiro de Lenine na composição - e por Tó Brandileone, coprodutor e músico da faixa. À meia-noite dos tambores silenciosos (Lenine e Carlos Rennó) ilumina - no toque dos sopros e percussões da baiana Orkestra Rumpilezz - a forte carga de ancestralidade e negritude embutida neste evento sagrado do Carnaval do Recife, derramando lágrimas brancas sobre a pele e os sons escuros. Em Cupim de ferro (Lenine, Pupillo, Dengue, Lucio Maia e Jorge Du Peixe), a química é com a Nação Zumbi, parceira e convidada de Lenine nesta música cuja letra faz alusões a versos de famoso frevo do compositor pernambucano Capiba (1904 - 1997), Madeira que cupim não rói, composto em 1963 para o bloco Madeira do Rosarinho. O amálgama de pulsações do som de Lenine e da Nação é azeitado. É rock, mas não só. Já A causa e o pó (Lenine e João Cavalcanti), de cuja letra saiu o título Carbono, expõe a fragilidade humana no caldo das estrelas em arranjo árido que fricciona guitarras, violino e flauta. Banhada em atualidade e em efeitos atordoantes, Quedé água? (Lenine e Carlos Rennó) segue o seco no contraste entre a escassez nordestina e a concretude urbana das metrópoles sedentas de tudo em sua atmosfera cinzenta e carbonada. Balada melodiosa de Lenine com Dudu Falcão, Simples assim é pausa para o respiro, desanuviando e oxigenando o disco com levadas mais serenas. É a Paciência (Lenine e Dudu Falcão, 1999) de Carbono. Em Quem leva a vida sou eu (Lenine), música que é (também) samba, mas não só, o artista desmente a filosofia de um dos sambas mais famosos do repertório de Zeca Pagodinho - Deixa a vida me levar (Serginho Meriti e Eri do Cais, 2002) - com a autoridade de quem já frequentou os quintais do Cacique de Ramos nos anos 1980. Grafite diamante (Lenine e Marco Polo) é noise, roqueira, e traz outros versos definidores de Carbono ("A gente se junta / E dança na diferença"). Tema instrumental que fecha o disco, Undo (Lenine, Pantico Rocha, Gulla, JR Tostoi e Bruno Giorgi) prova que o rico universo musical  de Lenine pode caber na cabeça de um alfinete, no caso de uma faixa que roça os três minutos e que parece ter sido criada no estúdio. Carbono também é calado, e ainda assim intenso.

Cida dá voz no álbum 'Soledade' a um hit sulista do gaúcho Nico Nicolaiewski

Música de autoria do cantor e compositor gaúcho Nico Nicolaiewsky (1957 - 2014), Feito um picolé no sol ganha gravação de Cida Moreira 20 anos após o registro fonográfico original feito pelo autor no álbum Nico Nicolaiewsky (Sbórnia Records, 1995). A cantora paulistana incluiu Feito um picolé ao sol - um hit na cena alternativa sulista que Cida já cantava com o cantor gaúcho Filipe Catto no show Eviscerados, ainda em turnê - no repertório de seu já finalizado CD Soledade, que tem lançamento previsto pela gravadora Joia Moderna para o segundo semestre deste ano de 2015.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ivete e Criolo registram, em CD de estúdio, o show em que cantam Tim Maia

Ainda em turnê nacional, o show em que o rapper paulistano Criolo e a cantora baiana Ivete Sangalo celebram a obra e o legado do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998) - sob a direção musical de Daniel Ganjaman - vai ganhar registro em disco de estúdio previsto para ser lançado neste ano de 2015. Os cantores - em foto de Leonardo Aversa - vão gravar o CD neste mês de maio de 2015. Eis o texto distribuído pela assessoria do projeto após a estreia nacional do projeto, em 30 de março, no Rio de Janeiro, com detalhes do show, que fica em cartaz até junho:

 A festa é muito boa, sendo animada por Ivete Sangalo e Criolo em nome do Síndico, sob a direção musical de Daniel Ganjaman e sob o comando geral da diretora Monique Gardenberg. Como se estivesse dando um daqueles seus lendários bolos, Tim Maia (1942 – 1998) não vai, mas está bem representado por sua obra monumental, sintetizada em roteiro que abarca 28 músicas lançadas originalmente entre 1969 e 1986. São quase todas músicas imortalizadas no imaginário afetivo nacional, mas há também joias raras recolhidas no baú do Síndico. Estreado em apresentação feita para convidados em 31 de março na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), o show NIVEA VIVA TIM MAIA parte em turnê nacional a partir de abril, levando na bagagem muita música e emoção à flor da pele, em sintonia com a ideologia da NIVEA de reavivar ídolos e o glorioso passado da música brasileira. Como sintetiza a diretora de marketing da NIVEA, Tatiana Ponce, o espetáculo é um momento de alegria, de cultura e de diversão com o som do “maior soulman da música brasileira”.

Além da obra de Tim Maia, o grande atrativo do show NIVEA VIVA TIM MAIA é o encontro inédito, inusitado e histórico da cantora baiana Ivete Sangalo com o rapper paulistano Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, a maior revelação da música brasileira nos anos 2010. Juntos, juntinhos, como cantam na música lançada por Tim em 1980, Ivete e Criolo se juntam em cena para cantar números como o medley que agrega Sossego (Tim Maia, 1978) e Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) com arranjo que presta tributo à orquestração antológica da Vitória Régia, a banda que acompanhava Tim nos shows aos quais ele comparecia. O baile é tão da pesada que o medley vai ser servido novamente na sobremesa do bis, fechando apresentação azeitada que contagia a plateia com as vozes e os carismas dos cantores que harmonizam diferentes estilos e universos musicais em favor da música eterna e atemporal do carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942 – 1998), o imortal Tim Maia, caracterizado acertadamente por Nelson Motta, autor de sua biografia (Vale tudo – O som e a fúria de Tim Maia, 2007), como “um compositor genial que integrou a música brasileira com a música negra norte-americana da Motown”.

Com toques sutis de modernidade, o som quente orquestrado por Daniel Ganjaman presta tributo ao histórico som da Motown, termo criado para designar as levadas de soul, R&B e funk dos discos lançados pela gravadora de música negra fundada nos Estados Unidos em 1959. Mas, na música de Tim Maia, o chamado som da Motown tinha sotaque brasileiro. “Tim não se intimidou com o poder do soul e o trouxe para si. Ele fez sua própria tradução do soul”, enfatiza a diretora Monique Gardenberg em depoimento ouvido no vídeo exibido pela NIVEA antes do show, com imagens e trechos de shows de Tim Maia.

É essa Motown brasileira de Tim que Criolo e Ivete Sangalo revivem em cena entre solos e duetos, num encontro harmonioso, para alegria das plateias que verão o show NIVEA VIVA TIM MAIA, de forma gratuita, em uma das apresentações do espetáculo que, a partir de abril, vai passar em turnê nacional por Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Fortaleza (CE). Entre os duetos, números como Você eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) transformam palco e plateia no salão de um baile black, à moda dos anos 1970. Bailes evocados diversas vezes nas imagens exibidas no telão a cada música.

Cantora baiana associada à música rotulada como axé music, Ivete abre o show e mostra de cara sua intimidade com o universo do soul e do funk, surpreendendo quem correlaciona seu canto somente a um trio elétrico. Em sintonia com o naipe de metais da banda orquestrada por Daniel Ganjaman, a cantora lança mão de seu fraseado soul no canto e nos improvisos de Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971), número que repete - desta segunda vez em dueto com Criolo - no fim do show, antes do bis iniciado com Vale tudo (Tim Maia, 1983), número em que a cantora e o rapper paulistano, sensação da música brasileira contemporânea desde 2010, reeditam o dueto feito por Tim com a cantora Sandra de Sá em 1983 na gravação original desse funk festivo.

Com sua alegria habitual, Ivete também cai no samba-soul em Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973), música em que Tim uniu a cadência bonita do ritmo carioca com a levada da música black. À vontade, Ivete brinca com o ritmo, altera a divisão original do tema e recita os versos do samba-soul na segunda parte do número. Mais tarde, volta a cair no samba ao defender Réu confesso (Tim Maia, 1973) em número que reproduz a levada da gravação original de Tim. Ivete e Criolo, aliás, cantam  e celebram Tim Maia sem descaracterizar a obra do Síndico. Embora tenha o toque de modernidade de Ganjaman, todos os arranjos são reverentes em maior ou menor escala às orquestrações das gravações originais de Tim. O público reconhece de imediato os sucessos enfileirados no roteiro de hits, mas que abre eventuais espaços para músicas menos conhecidas como o funk Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979), ouvido na voz de Ivete. Mas eles, os hits, ganham toques atuais. Na balada Você (Tim Maia, 1971), sucesso do segundo álbum do cantor, música em que Ivete experimenta timbre mais grave, quase gutural, o toque de novidade vem da guitarra de Duani, em relevo nas passagens instrumentais deste número.

 “Estou honrada de participar deste projeto. Fazer show com um repertório inteiro de Tim Maia é um prazer. Eu sempre me identifiquei com ele no groove, no romantismo”, comemora Ivete. Hit do primeiro álbum de Tim, lançado em 1970, a balada Azul do cor do mar (Tim Maia, 1970), une no show romantismo e groove. No caso, o groove do neosoul, termo que designa soul e R&B de levada mais contemporânea, moderna. Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986), balada de fase em que Tim aderiu ao tecnopop romântico radiofônico, chama também a atenção do público – seis números depois - para o requinte da levada de neosoul urdida por Ganjaman. No número, Ivete dialoga em telefone imaginário com o guitarrista Duani.

Criolo entra em cena no quinto número do show. E já entra arrasando, dando voz ao baladão soul Primavera (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – outro hit nacional do histórico primeiro álbum de Tim – e surpreendendo quem o associava somente ao universo do hip hop. Na sequência, Chocolate (Tim Maia) ganha o tempero do samba, insinuado pela percusssão de Guto Bocão, e também a voz de Criolo sem perder o sabor funk-soul desse jingle gravado por Tim no fim de 1970 e elevado à condição de hit ao longo de 1971.

O roteiro abriga todos os grandes sucessos de Tim. A cultuada e mística fase Racional – período que vai de 1974 a 1976, quando Tim aderiu à seita Universo em Desencanto – é representada no show pelas músicas Imunização racional (Que beleza) e Bom senso, ambas cantadas por Ivete e ambas extraídas do primeiro dos três volumes do álbum Tim Maia Racional, projeto lançado em 1975 com letras doutrinárias, cantadas sobre poderosas bases de funk e soul.

Com unidade e coesão, o roteiro do show NIVEA VIVA TIM MAIA mistura as músicas de maior suingue – rotuladas marotamente por Tim como esquenta-sovaco – com os sucessos do estilo mela-cueca, termo que, no dicionário do cantor, designava as baladas de acento mais romântico. Entre as primeiras, Ivete dá voz ao funkaço Não vou ficar (Tim Maia), lançado em 1969 na voz de Roberto Carlos, como a própria cantora ressalta. Entre os segundos, a mesma Ivete canta, em tom mais íntimo e aconchegante, O que me importa, tristonha balada de Cury, lançada por Tim em 1972, mas mais conhecida pelas novas gerações por conta da gravação feita em 2000 pela cantora Marisa Monte.

Do mesmo álbum lançado por Tim em 1972, o roteiro revive nas vozes de Ivete e de Criolo uma música, Lamento (Tim Maia), que se impõe como a música menos conhecida dentre as 28 alinhadas no roteiro. Lamento é uma balada doída que mostra que também havia melancolia atrás da alegria contagiante do Síndico. Destaque entre os números de Criolo, a sentida balada soul Ela partiu – composta por Tim Maia com Beto Cajueiro em 1975, na sua fase Racional, e lançada em compacto raro na sequência – também é outra boa surpresa do roteiro. Detalhe: Ela partiu é em tese um número solo de Criolo, mas o produtor e arranjador Daniel Ganjaman também solta a voz em trechos da canção, fazendo pulsar sua veia soul. Com um canto exteriorizado, intenso, carregado de emoção, Criolo ainda brilha ao solar a balada Eu amo você (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) e faz valer sua ascendência nordestina ao dar voz ao arretado forró-soul Coroné Antonio Bento (João do Vale e Luiz Wanderley, 1970). São mais dois sucessos do antológico primeiro álbum de Tim Maia, artista de “talento cósmico”, como caracteriza Criolo no palco da casa Vivo Rio.

Em seguida, o medley com Canário do reino (Carvalho e Zapatta, 1972) e A festa de Santo Reis (Márcio Leonardo, 1971) junta novamente Ivete e Criolo. Ela, com um segundo figurino, anima A festa de Santo Reis. Criolo enfatiza em Canário do reino a ideologia de seu canto livre. Na sequência, entram em cenas as canções radiofônicas de Michael Sullivan & Paulo Massadas, compositores lançados no mercado fonográfico por Tim em 1983, ano em que a gravação de Me dê motivo – balada cantada por Criolo no show - trouxe o Síndico de volta às paradas e alavancou a carreira da dupla de hitmakers. Sullivan & Massadas são os autores de Leva, canção gravada por Tim em 1984 como tema de fim de ano de emissora de rádio. Só que Leva ganhou vida própria e tocou em todas as rádios. No show NIVEA VIVA TIM MAIA, a canção é jogada na praia do reggae por Ganjaman em interpretação de Ivete.

Também de Sullivan & Massadas, a balada Um dia de domingo (1985) é revivida com ternura no show em suave dueto de Ivete com Criolo que evoca a antológica gravação feita por Tim há 30 anos com a cantora Gal Costa. No fim, O descobridor dos sete mares (Michel e Gilson Mendonça, 1983) restaura o clima de baile pop black um número antes de Ivete e Criolo se jogarem na pista de Tim Maia Disco Club com a lembrança de Sossego (Tim Maia, 1978). A festa é (muito) boa, com muita música, balanço e emoção à flor da pele.

Gismonti e Joyce avalizam incursão de Aurélie & Verioca por sons do Brasil

Composição instrumental de Egberto Gismonti, gravada em 1980 pelo artista fluminense para seu álbum Em família (EMI-Odeon, 1981), Lôro ganhou versos em francês da letrista Aurélie Tyszblat. Autorizada por Gismonti, a versão intitulada À la dérive pode ser ouvida no álbum Pas à pas (França, 2014), da dupla francesa Aurélie & Verioca. Gravado entre França e Brasil, o disco está sendo editado no mercado brasileiro neste primeiro semestre de 2015 com distribuição da Tratore. Aurélie Tyszblat e Verioca Lherm mostram bom domínio do idioma musical do Brasil neste CD em que compõem, tocam e cantam ritmos como samba, choro e baião. Com incursões profissionais pelo Brasil desde 2012, Aurélie & Verioca - parceiras desde 2007 - fazem em Pas à pas conexões com a cantora e compositora carioca Joyce Moreno - que canta Chocolat for (h)all, música que vem a ser versão com letra (de Aurélie) de For hall (2004), tema instrumental de Joyce - e com o compositor e violonista paulistano Swami Jr. - autor da música vertida por Aurélie para o francês com o título de Le temps d'un samba. Swami toca violão (de sete cordas) nessa faixa de Pas à pas.

Elza dá voz a inéditas de Romulo e Rodrigo em álbum produzido por Kastrup

Elza Soares vai pôr voz, ao longo deste mês de maio de 2015, nas músicas selecionadas em abril para o disco em que a cantora carioca - em foto de Rodrigo Braga - interpreta obras de compositores da cena contemporânea de São Paulo (SP). Inteiramente inédito, o repertório inclui músicas de Celso Sim, Rodrigo Campos e Romulo Fróes, entre outros nomes. Celso e Romulo assinam a direção artística do álbum produzido por Guilherme Kastrup e já em fase de gravação. Está prevista participação do rapper paulistano Emicida. O CD vai sair no segundo semestre do ano.

Seu Cuca grava DVD em show em Porto Alegre para festejar 15 anos de vida

Em atividade desde 2000, Seu Cuca - grupo carioca de pop rock que pega a onda da surf music e que também mergulha na praia do reggae - vai festejar 15 anos de vida com gravação ao vivo, a segunda de sua trajetória fonográfica. O quarteto - formado por James Lima (voz e guitarra), Pedro Sol (baixo), Daniel BZ (bateria) e Felipe Bade (guitarra) - agendou gravação de DVD e CD ao vivo para 24 de maio de 2015 em show no Teatro Opinião, em Porto Alegre (RS). O registro - alvo de financiamento coletivo na plataforma Catarse - vai gerar o sexto título da discografia do grupo.

domingo, 3 de maio de 2015

Paula traz ao Rio 'Transbordada', show que canta Charlie Brown, Isaak e Kid

A IMAGEM DO SOM - A caminho dos 53 anos, a serem completados em agosto deste ano de 2015, Paula Toller continua em forma, como mostra a foto de Rodrigo Goffredo, tirada na estreia carioca do show Transbordada. Onze meses após ter apresentado o repertório de seu terceiro álbum solo em show feito dentro da segunda edição do projeto Inusitado, em junho de 2014, a cantora e compositora carioca trouxe para sua cidade natal, Rio de Janeiro (RJ), o show da turnê inspirada pelo disco Transbordada (Som Livre, 2014) que estreou em Porto Alegre (RS) em outubro de 2014. Além das dez músicas do CD produzido por Liminha, Paula cantou músicas dos Kid Abelha para o público que foi ao Citibank Hall carioca na noite de ontem, 2 de maio de 2015, reafirmando a sintonia entre o repertório pop do álbum Transbordada e o cancioneiro radiofônico da por ora desativada banda que a projetou em 1983. A abelha rainha deu voz a Fixação (Leoni, Beni Borja e Paula Toller, 1984), Como eu quero (Leoni e Paula Toller, 1984) - número em que direcionou o microfone para a plateia - e Deus (Apareça na televisão) (George Israel, Sergio Dias e Paula Toller, 1993). O roteiro incluiu os covers de Wicked game (Chris Isaak, 1989) e Céu azul (Chorão e Thiago Castanho, 2011) - música do repertório da extinta banda paulista Charlie Brown Jr. (1992 - 2013) - entre composições da discografia solo de Paula. A cantora reviveu Derretendo satélites (Herbert Vianna e Paula Toller, 1998), Oito anos (Paula Toller e Dunga, 1998) e Meu amor se mudou para a lua  (Nenung, 2007). Tudo entremeado com as músicas do álbum Transbordada.

Matanza evolui ao tocar terror em 'Pior cenário possível' com duas guitarras

Resenha de CD
Título: Pior cenário possível
Artista: Matanza
Gravadora: Deck
Cotação: * * * *

Três anos após acertar as contas com seu passado em Thunder Dope (Deck, 2012), CD no qual regravou músicas que lançara em demos na segunda metade dos anos 1990, o grupo carioca volta tocando o terror em seu sétimo álbum de estúdio, Pior cenário possível, produzido por Rafael Ramos. A safra de dez músicas inéditas de autoria solitária do guitarrista Marco Donida inclui títulos explicitamente terroristas como Matadouro 18 e A casa em frente ao cemitério. Com menor dose de letras etílicas, embora a bebida seja o paliativo apontado no hardcore Sob a mira para levar a vida nesse cenário tenebroso, o repertório mostra que o Matanza evolui nas letras. Algumas são breves tratados sobre o pessimismo, como já sinalizam os títulos dos rocks Chance pro azar e O pessimista. O disco também evidencia progressos na massa sonora do Matanza, mais compacta e coesa. Talvez porque Pior cenário possível seja o primeiro álbum gravado pelo grupo carioca com dois guitarristas. O disco apresenta Maurício Nogueira como integrante oficial da banda (em contrapartida, o Matanza perdeu o baixista Jefferson Cardim, o China, que debandou após as gravações do CD). Com alguns refrãos e riffs certeiros, o Matanza soa cada vez mais roqueiro e menos country, embora faixas como O que está feito, está feito tragam ingredientes da mistura rotulada como countrycore. O fato é que os versos de rocks irados e urgentes como Orgulho e cinismo reiteram o crescimento do universo temático do Matanza - evolução confirmada pela narrativa cinematográfica da letra  de Conversa de assassino serial, grande fecho do álbum. Enfim, o cenário pode ser o pior possível, mas nele a banda apresenta um de seus melhores discos. 

'Ná e Zé' celebra afinidades de Ozzetti e Wisnik entre o passado e o presente

Resenha de CD
Título: Ná e Zé
Artistas: Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
Gravadora:  Circus Produções
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do projeto Ná e Zé

As imagens difusas de Ná Ozzeti e Zé Miguel Wisnik na foto de Luiz Romero exposta na capa do CD Ná e Zé - após tratamento de Rogério Azevedo - contrastam com a clareza deste álbum que celebra uma parceria de três décadas entre a cantora e o compositor paulista. Foi há exatos 30 anos, em 1985, que Ná cantou pela primeira vez uma música de Zé, entoando Louvar no casamento de Wisnik com Laura Vinci. Parceria de Wisnik com o poeta e compositor mineiro Cacaso (1944 - 1987), de quem Zé musicou em 1984 os versos que deram origem à canção, Louvar fecha simbolicamente o CD, selando essa nova aliança musical  entre Ná e Zé. O álbum  remete inevitavelmente ao passado, já que Wisnik tem sido compositor desde então recorrente na discografia de Ná. Somente em seu primeiro álbum solo, lançado em 1988, Ná gravou nada menos do que quatro composições de Zé. Duas delas, A olhos nus (1978) e Orfeu (1982), retornam em Ná e Zé em tons bem mais contemporâneos, sendo que Orfeu ganha o toque do vibrafone de Marcelo Jeneci. Confiada a Márcio Arantes, a produção do disco impede que esse repertório - formado por 15 músicas compostas por Zé, a sós ou com parceiros, entre 1978 e 2014 - soe mofado. Alocada com destaque no arranjo e na mixagem de Alegre cigarra (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1979), faixa em que Ná encarna a própria cigarra com seu canto preciso e límpido, a guitarra noise de Guilherme Held é um dos elementos e instrumentos que fazem com que Ná e Zé aborde o passado com sons do presente. A simples presença do maestro baiano Letieres Leite na arregimentação dos sopros de Noturno do Mangue (1994), música composta para a trilha sonora da peça Mistérios gozosos (do Teatro Oficina) e ora gravada por Ná em dueto com Arnaldo Antunes, confirma a intenção dos artistas de não se limitar a reabrir a cortina do passado. A rigor um projeto pautado por regravações e sobras, já que músicas inéditas como A noite (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1979) jaziam até então no fundo do baú à espera de um primeiro registro fonográfico, o disco se alimenta da fina sintonia entre o canto de Ná e a obra de Zé sob esse olhar contemporâneo. Cantora projetada no vanguardista Grupo Rumo a partir da primeira metade da década de 1980, Ná tem (total) domínio do idioma musical de Zé, compositor que fala línguas melódicas inusitadas. Canções como Som e fúria (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves, 1992) e Momento zero (Zé Miguel Wisnik, 1992) jamais trilham caminhos óbvios. Para quem sente prazer em percorrer tais trilhas, Ná e Zé é passo firme de Ná Ozzetti que antecede o aguardado  passo torto dessa grande cantora. 

Rafael Barros Castro canta a primavera do Rio antigo em CD que inclui Elba

À frente da Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro (OSRJ) desde 2005, o cantor, compositor e arranjador fluminense Rafael Barros Castro lança seu primeiro álbum solo aos 40 anos. Aberto pelo samba Primavera no Rio, destaque do repertório formado por 11 músicas de autoria do artista, o disco alinha participações de Danilo Caymmi, Elba Ramalho e Wilson das Neves. Danilo é o convidado do ijexá Estrela menina. A cantora dá voz ao xote Só me fez bem. Já Das Neves é a novidade do cardápio do samba-canção Café Lamas, flash do Rio antigo cantado por Castro à sua moda neste disco gravado entre 2013 e 2014 sob a direção musical do próprio cantor, dono de voz de fraseado agradável. Natural de Petrópolis (RJ), Castro assina sozinho nove das 11 músicas do CD recém-editado de forma independente. As exceções são dois sambas assinados com o compositor carioca Rody da Mangueira, Apelo à madrugada  - ouvido no CD com adesão de Rody - e Pra gente cantar

sábado, 2 de maio de 2015

Pai e filho, Moraes e Davi se irmanam com bossa no álbum 'Nossa parceria'

Resenha de CD
Título: Nossa parceria
Artista: Davi Moraes e Moraes Moreira
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

Álbum que junta Davi Moraes com Moraes Moreira, Nossa parceria é mais do que um encontro de pai e filho que se irmanam em ponte musical que liga a Bahia ao Rio de Janeiro com escalas em Pernambuco. O disco documenta um encontro de compositores e músicos de gerações e estilos distintos, mas que se afinam como herdeiros do suingue da música do Brasil. A origem do CD remonta a 2013, quando Davi começou a gravar disco autoral cujo repertório incluía parcerias com Moraes. O projeto virou um álbum da dupla por sugestão de Davi. As parcerias pré-existentes, claro, figuram entre as 10 músicas de Nossa parceria. Além da música-título Nossa parceria, faixa de groove funkeado à moda carioca, pai e filho assinam o instrumental Chorinho pra Noé - formatado através de diálogo do violão de Moraes com o bandolim de Davi em evocação do som do grupo Novos Baianos - e Quando acaba o Carnaval. Por mais que haja choros instrumentais como Seu Chico (Davi Moraes e Chico Barbosa) e que haja um Frevo capoeira (Moraes Moreira), o samba é o mote e o norte do disco. No caso, um samba filtrado pelas conquistas harmônicas da Bossa Nova que jamais renega a produção anterior ao gênero. Nesse sentido, é emblemático que o disco abra com Bossa capoeira, tema em que o compositor baiano Oscar da Penha (1924 - 1997), o Batatinha, tentou traduzir no berimbau o balanço da bossa. Moraes saúda Batatinha na faixa com a declamação de texto escrito em louvor ao compositor. É igualmente significativo que o disco insira entre as seis inéditas de seu repertório um samba antigo que louva a Bahia e que foi sugerido por ninguém menos do que João Gilberto, Bahia oi Bahia (Vicente Paiva e Augusto Mesquita, 1940). De alma musical baiana, Moraes Moreira é compositor fundamental na criação da trilha sonora do Carnaval do Brasil. De alma musical mais carioca, Davi Moraes amalgama no toque de sua guitarra elementos de funk, rock, samba e choro. Como compositor, Davi marca bela presença em Nossa parceria com a coautoria de Centro da saudade (Davi Moraes, Carlinhos Brown e Pedro Baby, 2010) e de Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011), dois exemplos de sambas de arquiteturas contemporâneas que herdaram a leveza da bossa sempre nova sem cair na intenção de reproduzir o balanço da turma de 1958. É desse rico universo musical - que parte do samba, mas não se limita a ele - que se alimenta Nossa parceria, álbum que evidencia que, como cantor, Moraes Moreira já sente os efeitos do tempo sobre a voz cada vez mais pálida. Em contrapartida, como compositor, o eterno novo baiano continua em forma, como mostra Só ama quem leva tombo, trunfo de disco em que pai e filho parecem irmãos de uma mesma (nobre) família musical.

'Euforia' flagra Pélico indeciso entre a extroversão pop e a melancolia 'cool'

Resenha de CD
Título: Euforia
Artista: Pélico
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 1/2

Pélico causou certo estranhamento ao abrir os trabalhos promocionais de Euforia - disco apresentado como o terceiro álbum do cantor e compositor paulistano, mas, a rigor, já o quarto, se posto na conta o renegado Melodrama (Independente, 2003) - com um samba, Você pensa que me engana (Pélico, 2015). A caída no samba soou meio artificial pela distância do gênero com o universo musical do artista. Mas há um estranhamento maior em Euforia, disco produzido por Jesus Sanchez. É a indecisão de Pélico entre uma extroversão pop radiofônica e uma introversão melancólica típica da cena cool que dá o tom do universo indie brasileiro. Música que abre o disco, Sobrenatural (Pélico, 2015) roça a perfeição pop e pode virar hit de massa se ganhar voz mais viçosa do que a do cantautor. Olha só (Pélico, 2013) segue a mesma trilha pop sinalizada pela gravação original da música, lançada há dois anos pelo cantor e compositor paulista Toni Ferreira - artista da turma de Maria Gadú - em álbum que também apresentou Repousar (Pélico, 2013), música ora abordada por seu compositor com a inusitada adesão da atriz Letícia Spiller, convidada da faixa que também traz a cantora Caru Ricardo. Antes da retomada cool em Escrevo (Pélico, 2015), destaque do repertório, Pélico cai bem no suingue de Sozinhar-me (Pélico, 2015). A euforia pop dá o tom da maior parte ddo disco. Mas a abertura dessa janela pop - reforçada por canções como Meu amor mora no Rio (Pélico, 2015), Ela me dá (Pélico, 2015) e Overdose (Pélico, 2015) - é prejudicada pela inconstância do repertório. A safra autoral de Euforia perde pique na segunda metade do disco. Mas o que pesa mais é ausência de um conceito que norteie o disco. Sem rumo pré-definido, Euforia adquire até tom de câmara no toque do violoncelo de Dimos Goudaroulis, instrumento que guia Meu amigo Zé, música dedicada ao cantor e compositor baiano Tom Zé. Enfim, em mercado fonográfico cada vez mais segmentado e estruturado em nichos, Euforia aponta para Pélico caminhos nem sempre convergentes.  É CD que parece ter vindo para confundir.

Tons pastéis do canto de Katia B impedem o samba do coletivo de soar 'noir'

Resenha de CD
Título: Samba noir
Artista: Coletivo Samba Noir
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * *

Grupo criado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a partir da união da cantora e compositora Katia B com o violonista Luís Filipe de Lima, o percussionista Marcos Suzano e o instrumentista Guilherme Gê, o Coletivo Samba Noir não soa tão noir no seu primeiro álbum, batizado com o nome do quarteto e recém-lançado no mercado fonográfico por vias independente. Ao abordar um punhado de sambas-canção, o grupo investe na fusão light de sons acústicos e eletrônicos. A questão é que o canto em tons pastéis de Katia B impede o adensamento da atmosfera esfumaçada e sombria dos cabarés e pianos bar - fontes de inspiração para o coletivo. Isso fica claro sobretudo em temas mais magoados como Aves daninhas (Lupicínio Rodrigues, 1954), samba-canção ouvido com suingue envolvente, mas sem o peso existencial posto em seus versos. Embora não seja inovadora, a sonoridade surgida da mistura de timbres mais tradicionais - representados pelo violão de sete cordas tocado por Luís Filipe de Lima - com os efeitos dos samples e pads de Guiherme Gê e com a percussão sutil de Suzano resulta elegante e até natural. A adição de elementos eventuais - como o piano de Egberto Gismonti que floreia Risque (Ary Barroso, 1952), os sopros de Carlos Malta em Pra que mentir? (Noel Rosa e Vadico, 1937) e a guitarra e a voz opaca de Arto Lindsay inseridas em Meu mundo é hoje (Eu sou assim) (Wilson Baptista e José Baptista, 1965)  - jamais atiçam fogo numa mistura de temperaturas amenas. Com seu clima de eletrobossa, Chove lá fora (Tito Madi, 1957) já dá a pista e o tom do som do coletivo ao abrir o álbum Samba noir. Por mais que o canto de Katia B esteja bem harmonizado com a sonoridade do disco, salta aos ouvidos a inadequação da vocalista para a interpretação de músicas como Ninguém me ama (Fernando Lobo e Antonio Maria, 1952). Tanto que adesão vocal de Jards Macalé no samba-canção Volta (Lupicínio Rodrigues, 1957) indica a dimensão que o disco poderia ter alcançado com um canto de tonalidade mais noir. Como o samba-canção não é para vozes de tons pastéis, o som do coletivo nunca soa de fato noir em CD.

'O plano A e o plano bom', EP da banda Motel 11-11, inclui canção de Gadú

Canção inédita de autoria Maria Gadú, Varanda foi cedida pela cantora e compositora paulista para o repertório do EP O plano A e o plano bom, disco que documenta de forma oficial o som da banda carioca de rock Motel 11-11. Derivado do Projeto 11:11, criado em 2007 com a reunião de Tomaz Lenz (voz, violão e bateria), Tchello (baixo, fundador e ex-integrante do grupo carioca Detonautas Roque Clube) e Áureo Gandur (guitarra), o grupo Motel 11-11 foi formatado em 2014 com as adesões do baterista Rick De La Torre e do guitarrista Marcelo Magalhães. Produzido por Clemente Magalhães, o EP tem músicas autorais como Bebedor de absinto (Áureo Gandur, Tomaz Lenz e Fred Sommer), Saber das estrelas (de Áureo Gandur, Tomaz Lenz e Fred Sommer) e outras.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

1º Prêmio Caymmi de Música laureia os emergentes do mar 'indie' da Bahia

SALVADOR (BA) - Aberta ao som de gravação de Doce (2008), música em que o compositor baiano Roque Ferreira saúda seu mestre conterrâneo e antecessor Dorival Caymmi (1914 - 2008), a cerimônia da primeira edição do Prêmio Caymmi de Música disse logo a que veio. A intenção do prêmio - realização da Via Press Comunicação e Eventos - era louvar Caymmi, que completaria 101 anos de vida naquela noite de 30 de abril de 2015, e ao mesmo tempo laurear os cantores, grupos e músicos que estão emergindo no populoso, mas ainda obscuro, mar indie de Bahia. Dali em diante, o palco do Teatro Castro Alves alternou saudações a Caymmi (feitas inclusive via telão por ícones da MPB e da Bahia como Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Gilberto Gil e Maria Bethânia), números musicais com artistas baianos que já ganharam visibilidade nacional - como Virgínia Rodrigues, Margareth Menezes, Orkestra Rumpilezz, entre outros - e entregas dos prêmios da noite a nomes dessa cena indie baiana. Apresentador da cerimônia roteirizada e dirigida por André Simões sob a supervisão de Elaine Hazin, o ator Jackson Costa entrou em cena dando voz a uma versão meio rapeada de João Valentão (Dorival Caymmi, 1953). Coube a Jackson coordenar os momentos em que convidados subiram ao palco para abrir os envelopes com os nomes dos vencedores eleitos pela comissão julgadora formada por Claudia Cunha, Luciano Matos, Luciano Salvador Bahia, Luisão Pereira e Ronei Jorge. Além de prêmios especiais, como o troféu concedido a Marilda Santana e Tuca Moraes (criadores em 1985 do Troféu Caymmi, origem do atual Prêmio Caymmi de Música), foram distribuídos 21 troféus alocados em três categorias básicas (Música, Show e Videoclipe). Dentro da categoria Música, o prêmio de melhor canção foi para Odisseia baiana, composição de Davi Correira e Thiago Lobão gravada na voz de Filipe Lorenzo, cantor que integra a banda Panos e Mangas e que se prepara para lançar seu primeiro álbum solo no segundo semestre deste ano de 2015. Já o prêmio de melhor tema instrumental foi para Noite cinza, dia anil, composição de Daniel Neto gravada pelo grupo Casa Verde. O melhor clipe ficou com A filha de Calmon, música gravada por Mamá Soares com o Coletivo Di Tambor. Charmoso, o vídeo também faturou o Prêmio Caymmi de Música de direção, confiada a um italiano, Max Gaggino, que se radicou na Bahia há alguns anos com uma mochila nas costas, como contou ao público de convidados ao receber seu troféu. Já o prêmio de melhor show surpreendeu por ter ido para um artista veterano, Tuzé de abreu, concorrente de nomes como Ganhadeiras de Itapuã, Ifá Afrobeat, Larissa Luz e Manuela Rodrigues. De modo geral, os prêmios foram pulverizados. Não houve um grande vencedor. A vitória foi de uma cena que, embora não tenha estado representada nos números musicais, se revelou efervescente, em busca do reconhecimento dado pelo Prêmio Caymmi de Música.  E por falar nos números musicais, eles valorizaram a cerimônia. Um dos mais empolgantes foi o encontro do grupo baiano de percussão Quabales com o internacional Stomp - como visto na foto de Marcelo Gandra. Encerrando a noite, Dori Caymmi - incentivador do Prêmio Caymmi de Música - deu sua voz grave à canção praieira O bem do mar (Dorival Caymmi, 1954) e ao samba Você já foi à Bahia? (Dorival Caymmi, 1941). No fim, premiados, convidados e organizadores se juntaram no palco do Teatro Castro Alves e foram para Maracangalha (Dorival Caymmi, 1956), encerrando o ciclo de comemorações do centenário de nascimento de Dorival Caymmi, pioneiro desbravador do mar musical da Bahia. Mar no qual muitos nomes ainda vão dar na praia, a julgar pela primeira edição do Prêmio Caymmi de Música.

 Notas Musicais viajou a Salvador (BA) a convite da produção do Prêmio Caymmi de Música

Margareth canta e reverencia o 'Buda nagô' no 1º Prêmio Caymmi de Música

SALVADOR (BA) - "Dorival é ímpar / Dorival é par / Dorival é terra / Dorival é mar / Dorival tá no pé / Dorival tá na mão / Dorival tá no céu / Dorival tá no chão / Dorival é belo / Dorival é bom / Dorival é tudo"... Assim que a cantora baiana Margareth Menezes surgiu no palco do Teatro Castro Alves cantando os versos do samba Buda nagô (1992), composto pelo baiano Gilberto Gil para louvar o compositor Dorival Caymmi (1914 - 2008), ilustre conterrâneo que propagou o samba de sua terra em todo o Brasil, um frisson tomou conta da plateia de convidados que assistiu à cerimônia de entrega da primeira edição do Prêmio Caymmi de Música. Realizado pela Via Press Comunicação e Eventos sob direção de Elaine Hazin, o Prêmio Caymmi de Música é dedicado à produção musical da cena indie da Bahia. Desdobramento do então desativado Troféu Caymmi, que laureou Margareth na sua primeira edição (referente à produção musical de 1985), o Prêmio Caymmi de Música entrou em cena na noite de ontem, 30 de abril de 2015, data em que Dorival completaria 101 anos se vivo fosse. Roteirizada pelo diretor André Simões e apresentada pelo ator Jackson Costa (visto ao lado de Margareth, tocando pandeiro, na foto de Marcelo Gandra), a cerimônia louvou Caymmi com depoimentos exibidos no telão - no qual se viu e ouviu saudações ao artista nas vozes de de nomes como Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Gilberto Gil e Maria Bethânia - e números musicais, vários feitos pela Orkestra Rumpilezz, regida pelo maestro Letieres Leite. Ao longo de quase três horas, o Prêmio Caymmi de Música distribuiu 21 troféus - alocados em três categorias principais (Show, Música e Videoclipe) - e celebrou o Buda nagô, o desbravador de mares musicais que desaguaram na atual cena independente da Bahia.

 Notas Musicais viajou a Salvador (BA) a convite da produção do Prêmio Caymmi de Música

1º Prêmio Caymmi de Música junta, na Bahia, Cascadura, Lazzo e Gerônimo

SALVADOR (BA) - A foto de Marcelo Gandra mostra o momento em que três icônicas vozes e figuras masculinas da cena musical soteropolitana se juntaram no palco do Teatro Castro Alves na noite de 30 de abril de 2015 para fazer um dos números mais aplaudidos da cerimônia de entrega da primeira edição do Prêmio Caymmi de Música. Fábio Cascadura (à esquerda), Lazzo Matumbi e Gerônimo caíram no samba do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), cantando músicas como Eu cheguei lá, samba lançado em 1971 nas vozes do grupo fluminense MPB-4. Realização da empresa Via Press Comunicação e Eventos feita sob a direção geral de Elaine Hazin, o Prêmio Caymmi de Musica é um desdobramento do Troféu Caymmi, criado em 1985, mas desativado nos últimos anos. O objetivo é premiar nomes da cena indie da Bahia, abrangendo a música de Salvador (BA) e de cidades do interior do Estado. A apresentação de Cascadura, Lazzo e Gerônimo foi um dos números musicais da cerimônia roteirizada e dirigida por André Simões em louvação a Caymmi. O ator Jackson Costa apresentou e conduziu a cerimônia na qual foram entregues 21 troféus - divididos entre três categorias principais  (Show, Música e Videoclipe) - a nomes emergentes no sonoro mar da Bahia.

Notas Musicais viajou a Salvador (BA) a convite da produção do Prêmio Caymmi de Música