sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pethit revela capa de 'Oh Romeo', primeiro 'single' de seu terceiro álbum

♪ Esta é a bela capa de Oh Romeo, primeiro single do terceiro álbum do cantor e compositor paulistano Thiago Pethit, Rock'n'roll sugar darling. Sucessor do cultuado Estrela decadente (Independente, 2012), o álbum chega ao mercado fonográfico em novembro de 2014 com produção assinada por Adriana Cintra e Kassin. Já o single vai estar disponível na web ainda neste mês de setembro. A direção de arte do disco Rock'n'roll sugar darling é de Pedro Inoue.

DVD de Gessinger, 'inSULar ao vivo' vai sair via Coqueiro Verde Records

Caberá à gravadora carioca Coqueiro Verde Records distribuir, no último trimestre deste ano de 2014, o próximo registro de show do cantor e compositor gaúcho Humberto Gessinger. O DVD inSULar ao vivo registra o show captado pelo artista em Belo Horizonte (MG), em 30 de maio de 2014, em apresentação feita na casa Chevrolet Hall com o trio que Gessinger formou com o baterista Rafael Bisogno e o guitarrista Rodrigo Tavares. O show é baseado no CD solo Insular (Stereophonica, 2013), mas o roteiro abarca sucessos da banda Engenheiros do Hawaii.

Em ascensão, o 'rapper' Projota foca no álbum que vai lançar em outubro

Em ascensão na cena brasileira de hip hop, o rapper paulistano José Tiago Sabino Pereira - conhecido pelo nome artístico de Projota - se prepara para lançar, em outubro de 2014, seu primeiro álbum por uma gravadora multinacional. Aposta da Universal Music, Projota promove o álbum Foco, força e fé, já o sétimo título de discografia até então independente, iniciada em 2009 com o EP Carta aos meus e pavimentada com mixtapes de circulação restrita e repertório por vezes redundante. Aos 28 anos, já conhecido fora do universo do hip hop por ter cantado em DVD de Anitta, o artista promove (com a máquina da Universal Music acionada a seu favor) o álbum Foco, força e fé a partir da música Enquanto você dormia - já alvo de clipe filmado nas ruas da cidade de São Paulo (SP) sob a direção de Maurício Eça. A propósito, a faixa Enquanto você dormia e a música-título Foco,força e fé já estão disponíveis no iTunes. 

Marya Bravo desengasga gritos com a fúria do rock em álbum resistente

Resenha de CD
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 

As 13 músicas gravadas por Marya Bravo no seu álbum Comportamento geral - Canções da resistência foram lançadas entre 1968 e 1978. Década que, no Brasil, compreendeu período de trevas, gritos engasgados, cortes e cicatrizes que ainda permanecem abertas nos corpos e mentes do que se engajaram na luta contra a ditadura instaurada no país com o golpe militar de 1º de abril de 1964. No disco, a ser lançado no fim do mês pela gravadora Joia Moderna, a cantora carioca põe sua voz potente - diplomada na escola dos musicais de teatro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - a serviço dessas músicas criadas por compositores que não lavaram as mãos e, por isso mesmo, saíram limpos daqueles rebeldes anos de chumbo. Com a fúria do rock, Bravo desengasga gritos que pararam em gargantas privilegiadas como as de Elis Regina (1945 - 1982), Maria Bethânia e Milton Nascimento. A MPB dessa época ganha tom roqueiro, noise, neste disco gravado sob a direção musical e a produção do guitarrista Bruno Pederneiras. Pela própria natureza roqueira do projeto, Pederneiras é integrante proeminente do trio que acompanha a cantora neste disco denso, pesado, que traz o registro (feito em estúdio) de 13 das 17 músicas do show Apesar de você, apresentado pela cantora no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena. O disco perpetua o supra-sumo do show e seduz porque, além do vigor das interpretações de Bravo, a irretocável seleção de repertório evidencia a grandeza melódica e poética desse cancioneiro politizado, fruto de época em que os compositores precisavam dar seu recado por meio de metáforas para escapar da tesoura cega e irracional da censura do regime. Todas as 13 músicas de Comportamento geral - Canções da resistência já ganharam registros que podem ser considerados definitivos. Mas todas são reavivadas à flor da pele, em carne viva, por cantora hábil na exposição das vísceras entranhadas nessas músicas. Em composições como Roda viva (Chico Buarque, 1968), Bravo consegue dar ao álbum apropriado tom asfixiante, condizente com o clima da época. Essa tensão sufocante paira já na abertura do disco - entre a guitarra distorcida e o canto determinado de Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972) - e se intensifica logo na sequência com a interpretação de Gás neon (Gonzaguinha, 1974). Em Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), o toque bem marcado da bateria de Pedro Garcia reforça o tom imperativo deste disco que lembra - 50 anos após o golpe - o autoritarismo dos algozes que tentavam calar vozes como a de Chico Buarque, compositor que disparou petardos certeiros como Apesar de você (1970), samba de cadência diluída na pegada do rock que impera nas 13 faixas desse CD que rouba sua calma quando Marya Bravo revolve a energia pesada de Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974), quando acaba com o Carnaval no tom irônico de Comportamento geral (Gonzaguinha, 1970) - outro samba que vira rock no toque do trio que inclui também o baixista Daniel Veiga Martins - e quando a intérprete transmite no canto a automação humana vislumbrada por Paulinho da Viola no cotidiano urbano da antenada Sinal fechado (1969), faixa de voz e baixo distorcido. Pra não dizer que a cantora falou somente das palavras ousadas de músicas logo eternizadas como clássicos da MPB, Bravo também dá voz a músicas que quase sumiram na poeira das ruas - Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973), Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978) e Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975) - mas que ressurgem em Comportamento geral com toda sua força e tensão. Parafraseando versos de Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1969), memória não morrerá, pois Marya Bravo grita sua força, sem engasgar, e revê nessa hora - 50 anos após 1964 - parte expressiva de tudo que ocorreu na música brasileira para denunciar a tirania dos algozes do Brasil. Em Comportamento geral, as emblemáticas canções da resistência estão expostas em carne viva.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Elba grava em francês tema composto por Gainsbourg para filme de 1971

Vinte e três anos após incluir La vie en rose (1945) no repertório do álbum Felicidade urgente (PolyGram, 1991), Elba Ramalho grava outra música em francês. A cantora paraibana interpreta La noyée - música feita pelo compositor francês Serge Gainsbourg (1928 - 1991) para a trilha sonora do filme Romance de um ladrão (Iugoslávia / França / Itália, 1971) - no álbum que apronta no Rio de Janeiro (RJ) com produção de Luã Mattar e Yuri Queiroga. Clique aqui para saber mais detalhes do repertório do disco que Elba pretende lançar ainda em 2014.

Trilha sonora de 'Olho nu', documentário sobre Ney, ganha edição em CD

Documentário sobre Ney Matogrosso dirigido e roteirizado por Joel Pizzini, Olho nu vai ter sua trilha sonora editada em CD da Coleção Canal Brasil, previsto para chegar às lojas no fim deste mês de setembro de 2014. O CD reúne 16 gravações extraídas da discografia do artista - com ênfase na obra fonográfica dos anos 1970 e 1980 - e utilizadas no filme que estreou nos cinemas do Brasil em maio de 2014 após ter percorrido o circuito de festivais em 2013. Clique aqui para ler a resenha do filme. Eis, na ordem do CD, as 16 faixas da trilha do filme Olho nu:

1. Delírio
2. Mãe Preta
3. Açúcar candy

4. Johnny pirou (Johnny B. Goode)
5. Fé menino
6. Airecillos
7. O doce e o amargo
8. O patrão nosso de cada dia
9. Melodia sentimental
10. Pedra de rio (sobre texto de Paulo Cesar)
11. Quem sabe?
12. Ponta do lápis - com Fagner
13. Tem gente com fome
14. Uai, uai - com Rita Lee
15. Simples desejo
16. Preciso me encontrar (ao vivo)

Documentário em que Bethânia lê Pessoa sai em CD e DVD via Quitanda

Programado para ser exibido no Festival do Rio, em cinco sessões especiais agendadas de 6 a 8 de outubro de 2014, o filme (O vento lá fora) - dirigido por Marcio Debellian - vai ser editado em CD e em DVD pelo selo Quitanda, de Maria Bethânia, com distribuição da gravadora Biscoito Fino. No filme, feito em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), a intérprete recita versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935), dividindo a cena com a professora Cleonice Berardinelli, especialista na obra de Pessoa e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Forfun apresenta 'Alforria', inédita de 'Nu', o álbum que lança em outubro

 Dias após o Forfun sugerir em teaser audiovisual a gravação de disco intitulado Nu, a gravadora Deck anunciou oficialmente o álbum com direito à apresentação de música inédita, Alforria, disponível para audição no site oficial do grupo carioca. Nu (capa acima) vai ser lançado pela Deck em outubro de 2014. O disco foi gravado no estúdio Tambor, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Rafael Ramos e com mixagem feita por Pedro Garcia. Já a masterização foi feita por Chris Hanzsek em Seattle (EUA). O repertório de Nu é formado por 11 músicas inéditas, de autoria da banda formada por Danilo Cutrim (guitarra e voz), Vitor Isensee (teclados, sintetizadores e voz), Rodrigo Costa (baixo e voz) e Nicolas Christ (bateria). De acordo com a nota oficial da Deck, o Forfun transita por punk e hardcore em músicas como Considerações e Coisa pouca. Toques de funk e rap pontuam o repertório autoral do álbum Nu.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sucesso comercial, álbum 'Supernova' expõe trivialidade da banda Malta

Lançado neste mês de setembro de 2014 pela gravadora Som Livre, o primeiro álbum da banda Malta, Supernova, já é um sucesso de vendas, já tendo feito jus a um Disco de Ouro pelos padrões atuais da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). Consta que 40 mil cópias foram comercializadas somente no primeiro dia do álbum no mercado fonográfico. Bissexto em tempos de pirataria física e virtual, o sucesso comercial de Supernova é decorrente da popularidade obtida pelo quarteto paulistano - formado em setembro de 2013 por Adriano Daga (bateria), Bruno Boncini (voz), Diego Lopes (baixo) e Thor Moraes (guitarra) - na primeira temporada do reality show Superstar (TV Globo, 2014), da qual se sagrou vitorioso. No disco, a Malta registra músicas que apresentou no programa - casos do rock Entre nós dois (Bruno Doncini) e da balada Diz pra mim (Bruno Doncini), atual single promocional do álbum - entre composições totalmente inéditas como Cala a tua boca na minha e Vai ser assim, assinadas pelo vocalista Bruno Boncini. Com assepsia técnica, o álbum Supernova - produzido pelo baterista Adriano Daga, com coprodução de Brendan Duffey - expõe entre rocks e baladas a trivialidade do som da Malta, banda sem identidade que reprocessa (mal) influências de grupos como o canadense Nickelback e o brasileiro Roupa Nova.

Pitty se expõe no seu livro tanto pelas imagens como pelos textos curtos

Resenha de livro
Título: Cronografia: uma trajetória em fotos
Autor: Pitty
Editora: Edições Ideal
Cotação: * * * *

O primeiro livro de Pitty, Cronografia: uma trajetória em fotos, expõe exatamente o que propõe seu título. É uma biografia visual narrada por expressivas imagens alocadas em ordem cronológica nas 160 páginas do livro. Com capa dura, a edição cuidadosa dá status de livro de arte a essa primeira publicação da cantora e compositora baiana no ramo editorial. Mas o curioso é que, embora seja essencialmente um livro visual, os textos introdutórios de cada um dos oito capítulos - escritos pela própria Pitty - são tão ou mais reveladores do que as fotos expostas em Cronografia. São textos curtos, mas bem escritos e com ótimo poder de sintetizar cada fase da vida e/ou obra da artista. Já no texto do primeiro capítulo, Gênese, Pitty revela como se deu sua formação musical na Bahia, entre as cidades de Salvador e Porto Seguro, dos 11 aos 15 anos. Foi em Porto Seguro, conta ela no livro, que a então adolescente Priscila Novaes Leone descobriu o rock que norteia sua vida profissional, ainda que a pausa na carreira solo para se dedicar ao duo Agridoce - assunto de outro capítulo, no qual Pitty garante ter inicialmente resistido à ideia do produtor Rafael Ramos para transformar em disco o som que nasceu de mero exercício de depuração musical feito com o guitarrista Martin Mendezz - tenha definitivamente aberto outros caminhos na veia naturalmente roqueira da artista. Para quem acompanha Pitty desde seu primeiro álbum, Admirável chip novo (Deckdisc, 2003), público-alvo do livro, Cronografia se revela obviamente mais interessante no período pré-fama nacional de Pitty. Antes de se lançar em carreira solo, Pitty foi vocalista da banda Inkoma e baterista do grupo Shes. As fotos e os textos dos capítulos dessas duas bandas indies de Salvador (BA) ajudam a documentar cena roqueira soteropolitana pouco - ou nada - abordada na bibliografia musical brasileira oficial. Com bom prefácio escrito por Luiz Cesar Pimentel, organizador da edição, Cronografia cumpre bem o que se propõe, fazendo bela crônica visual da evolução de uma artista já nascida na era audiovisual do universo pop. Vale investir no livro.

Eis a capa de 'Luiz Maurício', CD em que Lulu reúne Ailton e Sany Pitbull

Esta é a espirituosa capa de Luiz Maurício, o 25º álbum da discografia de Lulu Santos. Trata-se do primeiro disco de inéditas do cantor e compositor desde Singular (EMI Music, 2009). Com lançamento programado para 30 de setembro de 2014, Luiz Maurício - o título do álbum é o nome de batismo do artista - chega ao mercado fonográfico com 12 faixas. O funkeiro Mr. Catra e o cantor, compositor e músico Jorge Ailton figuram na música Michê (Chega de longe bis). Já o DJ de funk Sany Pitbull participa do remix de Sócio do amor assinado pelo DJ Batutinha. A propósito, o DJ Memê assina o remix da música-título Luiz Maurício que abre o disco. No CD, Lulu dá voz a inéditas de lavra autoral como SDV (Segue de volta?), Efe-se, Fogo amigo, Lava-jato e Torpedo entre dois temas totalmente instrumentais (Blueseado e Drones).

Ludmilla baixa o tom de seu funk e o enquadra na moldura pop de 'Hoje'

Resenha de CD
Título: Hoje
Artista: Ludmilla
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * 1/2

O investimento da gravadora Warner Music no primeiro álbum de Ludmilla - a cantora e compositora carioca de funk outrora conhecida como MC Beyoncé - é resultado do lucro obtido com a contratação de Anitta pela companhia fonográfica. Aos 19 anos, Ludmilla Oliveira da Silva provavelmente não estaria lançando seu primeiro álbum, Hoje, pela multinacional do disco não fosse o retorno comercial dado por Anitta à Warner Music. Produto propagado pela web, canal usado pela artista para divulgar em maio de 2012 o áudio de Fala mal de mim (Ludmilla e MC Roba Cena), o funk de Ludmilla chega ao disco já devidamente enquadrado na moldura pop formatada pelo mercado fonográfico para tornar o gênero viável e rentável no rastro de aparições em programas de TV e da realização de shows feitos fora do circuito dos bailes da pesada. A Ludmilla de Hoje já não é a desbocada MC Beyoncé de ontem. Ludmilla baixou o tom sem deixar de botar banca. Aliás, a semelhança com Anitta é nítida inclusive no tom imperativo das letras escritas sob ótica feminina. Com seu funk domesticado pelo mercado fonográfico, Ludmilla não chega a soar como clone de Anitta no álbum produzido por Toninho Aguiar. Mas tampouco delineia com precisão sua identidade artística, embora o repertório de Hoje também traga a marca autoral de Ludmilla, compositora de músicas como 24 horas por diaAmor não é oi, Garota recalcada e Sem querer - faixas nas quais impera o batidão industrializado do funk carioca (Sem querer, a propósito, já ganhou clipe dirigido por Thiago Calviño e postado no YouTube no início deste ano de 2104, meses antes do lançamento do CD). Em contrapartida, a funkeira também dá voz em Hoje a músicas assinadas pela dupla de compositores, Umberto Tavares e Jefferson Junior, que fornece repertório para artistas do elenco da Warner Music. Anitta, inclusive. Uma dessas músicas é Não quero mais, balada de acento r & b gravada por Ludmilla em dueto com o cantor paulista Belo, projetado no universo pagodeiro, mas dono de voz de tonalidade soul. O outro convidado do disco Hoje é Buchecha, o MC fluminense projetado nos anos 1990 como metade da dupla de funk melody Claudinho & Buchecha. Com Buchecha, Ludmilla canta Tudo vale a pena (Wallace Viana e André Vieira), música bem ao estilo pop que pauta hoje o funk da artista. Ludmilla segue a fórmula e os passos de Anitta, deixando dúvidas se vai sobreviver amanhã (e depois) no volátil universo pop.

Feliz na sua disneylândia, Fafá saúda Rio antigo entre tons altos e baixos

Resenha de show
Título: Meu Rio de muitos janeiros
Artista: Fafá de Belém (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 15 de setembro de 2014
Cotação: * * * 1/2

No depoimento que gravou para ser ouvido em off na abertura de seu show Meu Rio de muitos janeiros, Fafá de Belém diz que, quando ainda morava em Belém (PA), a cidade do Rio de Janeiro (RJ) era sua disneylândia. De Belém, a cantora saboreava cada novidade vinda do Rio pelas revistas da década de 1960. Vitrine de modas e costumes do Brasil desde que o samba é samba, o Rio pauta Fafá em cena. Mas é um rio antigo - o rio boêmio dos anos dourados das boates e da Bossa Nova - a inspiração desse show que estreou na casa carioca Miranda em janeiro deste ano de 2014 e posteriormente foi para o Theatro Net Rio, onde voltou esta semana à cena em apresentações agendadas para 15 e 16 de setembro. Antítese da Bossa Nova pela própria natureza passional e vivaz de seu canto, Fafá arrisca suavizar seu tom para cantar alguns clássicos do cancioneiro soberano de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) - Fotografia (1959) e Corcovado (1960), entre eles - mas se encontra mesmo é nas dores de amores expiadas em músicas dos repertórios dramáticos de cantoras como a paulista Maysa Matarazzo (1936 - 1977), a carioca Nora Ney (1922 - 2003) e a potiguar (de criação carioca) Núbia Lafayette (1937 - 2007), de quem revive a folhetinesca Devolvi (Adelino Moreira, 1960). Na companhia de um trio de piano (o do maestro Cristóvão Bastos), baixo (o de Renato Loyola) e bateria (a de Ricardo Costa) que remete à formação clássica das boates cariocas nas quais se tocava e ouvia o samba-jazz derivado da Bossa Nova, nos anos 1960, Fafá saúda à sua moda o seu Rio antigo. Não consegue pôr seu bloco na rua logo na abertura do show, quando canta a marcha Cidade maravilhosa (André Filho, 1934) com mais ênfase na melodia do que no ritmo que desacelera, mas, aos poucos, a cantora vai se encontrando nos tons habituais. A partir do bolero Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977), Fafá eventualmente usa e abusa do recurso de incentivar o coro da plateia. Recurso desnecessário para cantora que se mantém na melhor das formas vocais, sem precisar baixar os tons, como fica evidente na lembrança de Coração do agreste (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1989), sucesso da trilha sonora da novela Tieta (TV Globo, 1989) que resiste ao tempo pela beleza melódica e poética. O medley com sucessos de Maysa - Ouça (Maysa, 1957), Meu mundo caiu (Maysa, 1958) e Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957) - é pautado de início por suavidade contrastante com a quentura do repertório da cantora surgida em 1956. Intérprete talhada para temas densos, Fafá acerta os tons de Todo o sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987) - em número de voz e piano com o compositor da melodia letrada por Chico - e de Canto triste (1967), canção sublime composta por Edu Lobo com Vinicius de Moraes (1913 - 1980), e não com o poeta Torquato Neto (1944 - 1972), como a cantora credita erroneamente em cena. Em contrapartida, Fafá exagera nas caras e bocas do bolero Sob medida (Chico Buarque, 1979), em interpretação rasa que já soa déjà vu para os fiéis espectadores de seus shows, e embarga outro bolero, Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, 1998), com choro protocolar. No fim, Valsa de uma cidade (Ismael Neto e Antônio Maria, 1954) repõe em cena o romantismo idealizado de um Rio que, no imaginário de Fafá, se resume ao mítico bairro de Copacabana, como a artista ressalta em cena ao fim de fluente apresentação em que se mostra bem à vontade na sua disneylândia entre tons altos e baixos.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Em cena, o Rio de Fafá abarca hits dos repertórios de Gal, Maysa e Nana

Música associada ao canto cristalino de Gal Costa desde que foi lançada pela cantora baiana no show Fa-tal - Gal a todo vapor (1971), Vapor barato está ganhando novamente a voz de Fafá de Belém numa interpretação certamente mais madura do que a feita em 1973 em bar de sua cidade natal, Belém, ocasião em que a então adolescente Fafá foi ouvida pelo produtor musical baiano Roberto Santana e recebeu um convite - negado, no calor daquele momento - para gravar seu primeiro disco. Clássico da parceria de Jards Macalé com Waly Salomão (1943 - 2003), Vapor barato foi o bis da reestreia do show Meu Rio de muitos janeiros, show que voltou à cena carioca na noite de ontem, 15 de setembro de 2014, em temporada de dois dias no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Em Meu Rio de muitos janeiros, a cantora paraense apresenta um repertório inspirado pela noite e boemia cariocas. Na companhia de um trio de piano (o de Cristóvão Bastos), baixo (o de Renato Loyola) e bateria (a de Ricardo Costa), Fafá deu voz a sucessos da cantora Maysa Matarazzo - um medley com Ouça (Maysa, 1957), Meu mundo caiu (Maysa, 1958) e Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957) - e a clássicos da Bossa Nova, sem esquecer de lembrar temas de romantismo mais kitsch e despudorado, caso de Devolvi (Adelino Moreira, 1960), samba-canção cristalizado pela cantora potiguar (de criação carioca) Núbia Lafayette (1937 - 2007). Imortalizado na voz de Nana Caymmi, o bolero Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, 1998) também é abarcado em cena pelo Rio multifacetado de Fafá. Eis o roteiro seguido em 15 de setembro de 2014 por Fafá de Belém - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação de Meu Rio de muitos janeiros que lotou o Theatro Net Rio, onde o show fica em cartaz até 16 de setembro:

*   Exibição do clipe de Tortura de amor (Waldick Soriano, 1962)
1. Cidade maravilhosa (André Filho, 1934)
2. Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977)
3. Coração do agreste (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1989)
4. Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1978)
5. Ouça (Maysa, 1957) /
    Meu mundo caiu (Maysa, 1958) /
    Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957)
6. Samba do avião (Antonio Carlos Jobim, 1962)
7. Corcovado (Antonio Carlos Jobim, 1960)
8. Fotografia (Antonio Carlos Jobim, 1959)
9. Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961)
10. Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
11. Minha (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1966)
12. Sob medida (Chico Buarque, 1979)
13. Todo o sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987)
14. Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, 1998)
15. Canto triste (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1967)
16. Preconceito (Fernando Lobo e Antônio Maria, 1953)
17. Ninguém me ama (Fernando Lobo e Antônio Maria, 1952)
18. Devolvi (Adelino Moreira, 1960)
19. Valsa de uma cidade (Ismael Neto e Antônio Maria, 1954)
Bis:
20. Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971)
*    Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996) - trecho, a caminho do camarim

Eis a capa do terceiro álbum de Marcia Castro, 'Das coisas que surgem'

Com capa idealizada pela artista plástica Virginia de Medeiros (com auxílio de Jon Medeiros, Zedu Carvalho e Adriana Hitomi), o terceiro álbum da cantora baiana Marcia Castro, Das coisas que surgem, tem lançamento independente programado para 22 de setembro de 2014 nas plataformas digitais. Com 11 músicas, o álbum tem produção assinada pelo paulista Gui Amabis. No disco, Castro se apresenta como compositora, assinando cinco músicas inéditas em parceria com o poeta arrudA (O amor tem dessas, Beijos de ar, O que me move, Os atalhos e Sem mistério). Embora essencialmente autoral, o disco inclui no repertório um rock inédito de Arnaldo Antunes com Alice Ruiz, Mau caminho, e regravações de músicas como o samba Na menina dos meus olhos (Monsueto Menezes e Flora Matos, 1962) - revivido por Castro em ritmo de ska com a participação da cantora cubana (criada em Cabo Verde) Mayra Andrade - e a bonita canção Partículas de amor (Lucas Santtana e Gui Amabis, 2014), lançada por Lucas Santtana em seu recém-editado sexto álbum, Sobre noites e dias (Independente, 2013). Das coisas que surgem foi gravado em São Paulo (SP) com o toque de músicos como o violoncelista Jaques Morelenbaum e o baixista Alexandre Dengue (da Nação Zumbi) - entre outros virtuoses.

Padre Fábio de Melo se inspira na fé do Oriente no álbum 'Solo sagrado'

Nas lojas neste mês de setembro de 2014, em edição da gravadora Sony Music, o CD Solo sagrado, do padre e cantor mineiro Fábio de Melo, traz repertório inspirado pela fé do Oriente. O intérprete dá voz a músicas inéditas - como Oração da manhã, Origens e Um coração igual ao teu - entre temas religiosos já conhecidos do público cristão, casos de Anjos de resgate e Cântico das criaturas. Convertido à religião evangélica há alguns anos, Serginho Herval - vocalista e baterista do grupo carioca Roupa Nova - participa da faixa A mão de Deus.

Os 70 anos de Nelson Motta geram CD, série de TV e show em outubro

Nelson 70 é o título do projeto multimídia que celebra os 70 anos de vida do compositor, jornalista, escritor e produtor musical carioca Nelson Motta - visto na foto com a cantora paulista Ana Cañas, intérprete da regravação de Perigosa (Roberto de Carvalho, Nelson Motta e Rita Lee, 1977). Programado para outubro de 2014, o projeto Nelson 70 inclui CD - a ser editado pela gravadora Som Livre - e série de TV com oito episódios que vai ao ar no Canal Brasil a partir de 29 de outubro, dia do 70º aniversário de Nelson. A série tem direção de Adriana Penna, Guto Barra e Tatiana Issa. Está previsto também um show com os convidados do disco. Além de Ana Cañas, o time de intérpretes inclui Djavan, Ed Motta, Fernanda Takai, Gaby Amarantos, Guilherme Arantes, Jorge Drexler, Lenine, Leo Cavalcanti, Lulu Santos, Marisa Monte (numa inédita, Nós e o tempo, gravada com o piano de João Donato), Max de Castro, Roberto Menescal, Rodrigo Amarante e Silva. Cada intérprete dá voz a uma música do cancioneiro do compositor. O cantautor uruguaio Jorge Drexler, por exemplo, revive o bolero havaiano Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983). Lenine canta Certas coisas (Lulu Santos e Nelson Motta, 1984, Fernanda Takai regrava De onde vens (Dori Caymmi e Nelson Motta, 1967) e Gaby Amarantos repagina Dancin' days (Rubens Queiroz e Nelson Motta, 1978).

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Eis o cartaz de 'Tim Maia', filme sobre o 'Síndico' que estreia em outubro

Este é o cartaz oficial de Tim Maia, filme de Mauro Lima sobre o cantor e compositor carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998). No longa-metragem, que tem estreia agendada para 30 de outubro de 2014 nos cinemas do Brasil, Tim é vivido pelos autores Babu Santana (na fase adulta) e Robson Nunes (na juventude). Personagens importantes no começo da vida do Síndico, os cantores Roberto Carlos e Erasmo Carlos também são retratados no filme nas peles dos atores George Sauma e Tito Naville, respectivamente. Rita Lee também é focada no filme.

Alice Caymmi lança segundo álbum, 'Rainha dos raios', via Joia Moderna

Segundo álbum de Alice Caymmi, Rainha dos raios está sendo lançado hoje, 15 de setembro de 2014, em todas as plataformas digitais pela gravadora Joia Moderna. Na sequência, em outubro, as lojas vão receber a edição física em CD deste disco que confirma e expande o talento da cantora e compositora carioca. Feito por Alice Caymmi com Diogo Strausz, polivalente músico carioca ligado ao universo dos beats eletrônicos, Rainha dos raios pode ser ouvido no site oficial que entrou hoje no ar com todas as informações sobre o álbum, já objeto de culto nas redes sociais e entre personalidades do meio musical. A convite da artista, o editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira, assina o release de Rainha dos raios. Eis o texto: 

"Rainha dos raios. Não poderia ser outro o título desta obra-prima contemporânea que confirma Alice Caymmi como grande nome da moderna música brasileira. Primeiro, porque Rainha dos raios é descarga eletrizante de criatividade no universo pop. Segundo, porque a gênese deste segundo álbum de Alice – expoente da terceira geração da emblemática família Caymmi – começa no encontro da artista com diogo Strausz, músico carioca ligado ao universo dos beats eletrônicos. Com Strausz, Alice apresentou em junho de 2013 uma demolidora releitura de Iansã, repaginando a parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil lançada em 1972 na voz de Maria Bethânia. Foi o ponto de partida para este disco que diz a que veio Alice Caymmi.

De lá para cá, não teve tempo ruim. Diretor artístico da Joia Moderna, gravadora que desde 2011 dá voz a quem precisa ser ouvido num mercado fonográfico cada vez mais segmentado e surdo a inovações, o DJ Zé Pedro saudou Alice Caymmi quando Iansã baixou com força no seu iPod e, desde então, entrou na onda da cantora a cada passo artístico dado pela neta de Dorival. É por isso que Rainha dos raios – disco feito por Alice Caymmi com Strausz no Brasil e masterizado na Alemanha – abre caminhos no mercado com o selo da antenada Joia Moderna.

Desde que surgiu em 2012, primeiro como participação especial de show da tia Nana e posteriormente como cantora e compositora de um disco autoral (Alice Caymmi, editado através de parceria da Kuarup com a Sony Music), Alice Caymmi vem se movimentando com segurança em cena. E não parou mais. Filmou clipes, lançou gravações na web e foi marcando seus passos em terra firme, sem tirar onda por ser Caymmi, mas também sem renegar a frondosa árvore genealógica. Aliás, enquanto gestava o segundo álbum, Alice Caymmi carnavalizou o repertório do avô centenário no show tropicalista Dorivália, sucesso cult da temporada verão-outono de 2014.

Com o mago Strausz, músico de mil e um sons e instrumentos, Alice Caymmi apresenta em Rainha dos raios nove gravações de arranjos inventivos que não deixam nada no lugar convencional. Sempre pegando a onda certa, Alice sabe que ‘nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia’. E mergulha fundo na recriação da criação alheia. Além dos arranjos, a voz grave, quente, joga no caldeirão uma intérprete em ponto de fervura. Uma personalidade incandescente que já chamou a atenção até da islandesa glacial Björk, que manifestou publicamente em rede social o encantamento pela abordagem de sua Unravel (Björk e Guy Sigsworth) no primeiro álbum de Alice Caymmi.

É preciso ter muito peito para regravar Homem, a música mais masculina de , o álbum cheio de testosterona lançado em 2006 por Caetano Veloso. Alice Caymmi tem esse peito, do qual tira o leite bom que ora arremessa na cara dos caretas. Homem ganha voz de mulher entre sons de êxtases, risos sarcásticos, gemidos femininos e orgasmos múltiplos. Faixa sob medida para quem gosta de releituras ousadas que reconstroem uma canção.

Tropicalista com livre trânsito na dorivália brasileira, Caetano Veloso é sintomaticamente o compositor (pre)dominante no repertório de Rainha dos raios. Além de Iansã e de Homem, a canção Jasper baixa com força e ruídos no terreiro eletrônico de Alice Caymmi. Para quem não liga o nome a música, Jasper é a parceria de Caetano com o guitarrista produtor Arto Lindsay e o tecladista Peter Sheerer, integrantes da banda Ambitious Lovers com os quais o sempre novo baiano se conectou em 1989 na feitura do álbum Estrangeiro.

Parafraseando versos de Jasper, um mundo musical tão vasto gravita em volta da cabeça de Alice Caymmi. Sem jamais errar o alvo, Rainha dos raios dispara petardos dos repertórios de MC Marcinho, Maysa (1936 – 1977), Lilian Knapp (a cantora da dupla jovem-guardista Leno & Lilian), Tono e da própria Alice, autora da boa canção Antes de tudo, de melodia melancólica, e parceira do hitmaker Michael Sullivan em Meu recado.

A heterogeneidade do repertório ratifica a nobreza e a personalidade do canto da princesa da dinastia Caymmi. É preciso ter identidade artística muito bem delineada para entrar no baile e mostrar a melodia da pesada que tem um funk melody do MC carioca Márcio André Nepomuceno – Princesa, cujo refrão é sedutora súplica de amor – e, no mesmo disco, dar grandeza a uma canção até então submersa no aquário do grupo carioca Tono, Como vês (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti, 2013).

O discurso dramático-romântico dos versos de Como vês remete ao folhetim do cancioneiro popular brasileiro, gênero no qual o compositor pernambucano Michael Sullivan é mestre. E, para quem estranha a presença de Sullivan na ficha técnica do disco, cabe lembrar que Alice Caymmi arrancou elogios rasgados de público, críticos e da intérprete original Fafá de Belém quando releu em 2013 uma das canções mais passionais do repertório de Sullivan, Abandonada (1996), no tributo Mais forte que o tempo. Por circular com desenvoltura entre todas as tribos e turmas, Alice firma parceria com Sullivan em Meu recado, uma daquelas baladas de coração partido vocacionadas para as paradas populares.

Sempre conduzida por Strausz, seu homem-orquestra, Alice lustra uma das joias mais reluzentes do cancioneiro popular. Entre cordas sintetizadas, a cantora baila por um salão imaginário dos anos dourados ao dar a voz a Meu mundo caiu, o standard de 1958 que fez o Brasil aceitar o convite para ouvir Maysa Matarazzo. E tudo aqui vai fazer o maior sentido para quem lembrar que Alice já sublinhou toda a beleza que há em Tarde triste – outra música com a assinatura elegante de Maysa - num registro de ensaio feito com o guitarrista Lucas Vasconcellos que foi parar na web.

Mergulhando ainda mais fundo na memória afetiva, sem amarras e sem rótulos, embaralhando os conceitos de brega e chique, Alice Caymmi ainda tira outra pérola do baú, Sou rebelde, versão de Paulo Coelho para Soy rebelde, pueril balada espanhola composta por Manuel Alejandro com Ana Magdalena e lançada em 1971 na voz da cantora Jeanette e popularizada em solo tupiniquim em 1978 na voz de Lilian Knapp. O respeito de Alice Caymmi pela melodia emoldurada pelos sintetizadores de Strausz atesta sua capacidade de construir seu próprio universo musical, com escolhas inusitadas, longe do óbvio ululante. A busca por sonoridades atuais abarca a reverência pela arquitetura melódica das canções

Com capa criada por Filipe Catto a partir de foto de Daryan Dornelles, Rainha dos raios entroniza definitivamente Alice Caymmi no castelo habitado por artistas que sabem o que querem. Trata-se de uma cantora que tem aquele indefinível algo mais que a impede de ser mais uma na multidão deste país de cantoras. Alice Caymmi é uma joia moderna! Ponham seus sorrisos no caminho e abram alas que a Rainha dos raios vai passar!"

Mauro Ferreira
Setembro de 2014

Calixto canta inédita de Fregonesi no seu terceiro disco, 'Meu ziriguidum'

Compositor carioca gravado por Beth Carvalho e Maria Bethânia, Leandro Fregonesi ganha o aval e a voz de outra cantora. A mineira Aline Calixto incluiu samba inédito de Fregonesi, Entre você e eu, no repertório de seu terceiro álbum, Meu ziriguidum. Produzido por Paulão Sete Cordas e Thiago Delegado, o disco vai ser lançado ainda neste segundo semestre de 2014. Outras músicas do CD são No pé miudinho (Moacyr Luz e Délcio Luiz) e Toda noite (Arlindo Cruz e Maurição), sambas gravados por Calixto em duetos com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz.

Após 'cover' dos Engenheiros, Forfun sugere que faz disco intitulado 'Nu'

A imagem acima foi extraída de vídeo-teaser publicado pelo grupo carioca Forfun em sua página oficial no Facebook. No teaser audiovisual, o quarteto sugere que grava álbum de estúdio intitulado Nu. Seria o primeiro disco do Forfun após o EP Solto (2013). Mas a última gravação do quarteto foi o cover - produzido por Rafael Ramos - de O papa é pop (Humberto Gessinger, 1990), música que intitulou o quinto álbum do grupo gaúcho Engenheiros do Hawaii.

Sambô irmana Hyldon, Martinho e Originais do Samba em CD de estúdio

Um dos grandes sucessos do grupo carioca Os Originais do Samba, lançado em disco há 40 anos, Tragédia no fundo do mar (Assassinato do camarão) (Ibrain e Zeré, 1974) ganha registro do Sambô no primeiro disco de estúdio desse grupo paulista que transforma tudo e todos em pagode. Com lançamento agendado para 29 de setembro de 2014, em edição da gravadora Som Livre, o CD Sambô em estúdio e em cores traz no repertório músicas como Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, 1968), Eu só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia, 1973), Tempo perdido (Renato Russo, 1986), Tão bem (Lulu Santos, 1984) e Na rua, na chuva, na fazenda (Hyldon, 1973), entre outros sucessos nacionais e gringos. O repertório inclui pot-pourri com três sambas - Casa de bamba, Pra que dinheiro? e O pequeno burguês - gravados por Martinho da Vila no seu primeiro álbum, editado em 1969. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Rasa, biografia de Ronnie Von desperdiça boa história de vida do artista

Resenha de livro
Título: Ronnie Von - O príncipe que podia ser rei
Autores Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel
Editora: Planeta
Cotação: * *

Diz a lenda - reproduzida na biografia que festeja os 70 anos de vida do cantor Ronnie Von - que Roberto Carlos compôs e gravou Querem acabar comigo, música de seu álbum de 1966, com o Pequeno príncipe em mente. Pequeno príncipe era o epíteto dado ao então jovem artista fluminense - de criação paulista - pela apresentadora de TV Hebe Camargo (1929 - 2012). Pode parecer incrível para quem acompanhou a evolução das carreiras dos dois cantores a partir dos anos 1970, mas Ronnie Von chegou a ameaçar o reinado de Roberto Carlos na Jovem Guarda. A rivalidade é um dos assuntos abordados pelos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel na recém-lançada biografia Ronnie Von - O príncipe que queria ser rei. Pena que os autores não tenham detalhado mais a vida e obra deste artista nascido em berço de ouro. Rasa, a bem-escrita biografia de Ronnie patina na superfície ao narrar a história de Ronaldo Nogueira. Boa história desperdiçada em livro que mais parece um relato de wikipedia. Projetado em 1966 com sua gravação de Meu bem, ágil versão de Girl (John Lennon e Paul McCartney, 1965) escrita pelo próprio Ronnie com rapidez incomum na era pré-cibernética, o cantor alcançaria o topo do sucesso popular com o registro, em 1967, da marcha-rancho A praça, gravada a contragosto por insistência do autor da música, Carlos Imperial (1935 - 1992). Contudo, a carreira fonográfica de Ronnie nunca chegou a ser realmente relevante, em que pesem alguns hits esporádicos na fase pós-Jovem Guarda como o tema afro Cavaleiro de Aruanda (Tony Osanah, 1972) e as canções Tranquei a vida (Ronnie Von e Tony Osanah, 1977) e Cachoeira (música de Thomas Roth e Luiz Guedes lançada por Rosana em 1979, mas popularizada na gravação feita por Ronnie em 1984). Embora reconheçam as limitações de Ronnie como compositor, na comparação com o rival Roberto Carlos, os autores deixam entrever nas rasas páginas do livro uma admiração excessiva pela personagem principal da história que parecem ter apenas rascunhado. Falta à biografia um maior detalhamento da gênese dos álbuns de Ronnie. Até mesmo a trilogia psicodélica da virada dos anos 1960 para os 1970 poderia ser mais esmiuçada, embora ocupe razoáveis páginas do livro. Estabelecido nos últimos anos como apresentador de TV, retomando contato com o veículo que lhe deu projeção na época da rivalidade com Roberto Carlos, Ronnie viveu uma bela história em seus 70 anos de vida. Renegou o destino de empresário idealizado pelo pai, foi ídolo juvenil na Jovem Guarda, deu nome ao grupo Os Mutantes - inspirado por seu entusiasmo com a ficção científica do livro O império dos mutantes (Stefan Wul, 1958) - e enfrentou grave doença que quase o tirou de cena no fim dos anos 1970, ocasião em que recebeu a visita do ex-rival Roberto Carlos (então já definitivamente entronizado na preferência popular), que gravara música de Ronnie, Pra ser só minha mulher, em 1977. Tudo isso está em Ronnie Von O príncipe que queria ser rei de forma tão breve que fica a sensação de que ainda vai ser escrita uma biografia de Ronnie Von.

Moska prepara disco em dupla com Fito Paez para sair na América Latina

Embora esteja às voltas com o lançamento de seu 21º álbum, Rock and roll revolution, o cantor e compositor argentino Fito Paez já prepara outro disco. Desta vez, um álbum em dueto com Moska, cantor e compositor carioca habituado a fazer conexões com cantautores da América Latina, como o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, introduzido por Moska no universo pop brasileiro nos anos 2000. A ideia é que o disco em dupla de Fito e Moska - vistos em foto de Debora 70 - seja lançado em toda a América Latina em data ainda incerta.

Gal ganha inédita de Marisa e Arnaldo para disco que pode ficar para 2015

Gal Costa revelou - em entrevista ao apresentador de TV Amaury Jr. - que ganhou música inédita de Marisa Monte e Arnaldo Antunes para o disco que arquiteta sob a produção de Moreno Veloso e Kassin. O que a cantora - em foto de André Schiliró - não disse é que o aguardado álbum de inéditas pode ficar para 2015. Como o disco ainda não começou a ser efetivamente gravado, o lançamento ainda em 2014 torna-se mais inviável a cada dia que passa. Seja como for, Arnaldo e Marisa encorpam time estelar de compositores que deram músicas para o sucessor de Recanto ao vivo (Universal Music, 2013) e que é formado por Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira (com Antonio Cícero), Criolo (uma parceria com Milton Nascimento, Dez anjos), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcelo Camelo (a bela Espelho d'água, parceria com Thiago Camelo já apresentada no show de voz e violão a que dá nome) e Tom Zé.

Afetuoso, show 'Linha de frente' mostra a distância entre Milton e Criolo

Resenha de show
Título: Linha de frente
Artista: Milton Nascimento e Criolo (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de setembro de 2014
Cotação: * * * 

Quando Criolo sola Morro velho (1967), uma das seminais obras-primas do cancioneiro inovador de Milton Nascimento, o show Linha de frente expõe a imensa distância que existe entre o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes e o mais mineiro dos cantores e compositores cariocas, ícone da MPB surgida e cristalizada na era dos festivais dos anos 1960. Aos recém-completados 39 anos, Criolo vive ainda das glórias ocasionais conquistadas com um grande segundo álbum, Nó na orelha (Independente, 2011), que tirou o artista dos guetos do hip hop de São Paulo (SP) com azeitada mistura de rap, samba, bolero e soul. A caminho dos 72 anos, a serem completados em 26 de outubro de 2014, Milton vive das glórias eternas de obra já consolidada que abriu escaninhos na música brasileira e lhe deu projeção mundial com seu mix de sons das Geraes, Beatles, jazz e signos latino-americanos. Essa distância entre um e outro se amplia em cena quando Criolo - sem tarimba vocal para evidenciar no canto toda a beleza de uma música de forte significado social como Morro velho - exprime em Linha de frente toda sua gratidão por estar dividindo o palco, de igual para igual, com um gênio da MPB. O choro de Criolo no palco da casa Vivo Rio quando ouve Milton cantar parte de seu clássico Não existe amor em SP (Criolo, 2011) - em dueto que também jamais expõe toda a beleza do registro original da canção no álbum Nó na orelha -  é indício de que o próprio rapper tem consciência de que ainda precisa caminhar léguas tiranas para chegar na linha de frente ocupada por seu parceiro de cena. E tome afagos e beijos em Milton para expressar a gratidão por estar ali, dividindo o palco com seu ídolo diante de um público que se contenta com a real - mas pequena - interação entre os artistas. Milton e Criolo ficam juntos quase todo o tempo do show, eventualmente dividindo o palco com a (boa) cantora fluminense Júlia Vargas, convidada habitual da turnê nacional que estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 12 de setembro após ter tido apresentações em São Paulo (SP) interrompidas e canceladas por problemas de saúde de Milton. Só que o mergulho de Milton no cancioneiro de Criolo é raso. Sempre na superfície, Milton canta o refrão de Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011), dá voz a alguns versos do bolero kitsch Freguês da meia-noite - já abordado sem pudor por Ney Matogrosso no show Atento aos sinais (2013) - e, com Júlia Vargas, engrossa o coro do refrão de Bogotá (Criolo), solo do rapper. Já Criolo arrisca mais a imersão no universo da MPB de Milton, embora sua atuação vocal em músicas como O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1976) seja bem discreta. A entrada em cena de Júlia Vargas, a partir de Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971), ressalta a existência de vozes mais talhadas para encarar a interpretação de clássicos da MPB. Com sua voz grave, quente, a cantora fluminense deixa boa impressão em números como Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952), a ponto de ser o maior destaque do último número do bis, Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Bem mais à vontade na abordagem de sua obra autoral, Criolo cai sozinho no samba Casa de mãe (Criolo, 2012) e tem seu melhor momento quando dá voz à letra que construiu sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), música cantada na sequência por Milton com os versos originais que a censura tentou calar. Já Milton se basta quando, munido da sanfoninha que ganhou da mãe aos seis anos de idade, toca e canta Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974). Mesmo sem a potência dos áureos tempos vocais, Milton Nascimento continua - e lá vai permanecer sempre - na linha de frente da música brasileira, inclusive pela generosidade de dividir a cena em show afetuoso com um colega talentoso que ainda pavimenta a própria trilha.

sábado, 13 de setembro de 2014

Brasa das palavras de Criolo e Milton aquece o roteiro de 'Linha de frente'

É sintomático que a primeira música cantada no roteiro de Linha de frente - show que junta em cena o cantor e compositor carioca Milton Nascimento com o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes, o Criolo - seja A terceira margem do rio, bissexta parceria de Caetano Veloso com Milton composta com inspiração na prosa do escritor mineira João Guimarães Rosa (1908 - 1967). É a brasa das palavras dos cancioneiros autorais de Milton e de Criolo que aquece e conduz o roteiro do show Linha de frente, cuja turnê nacional estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 12 de setembro, em apresentação que levou fãs de Milton e de Criolo à casa Vivo Rio. Em cena, o cantor e o rapper entrelaçam seus respectivos cancioneiros em roteiro que abre espaço para a participação da cantora fluminense Júlia Vargas, convidada da turnê desde a estreia nacional em Minas Gerais.  Eis o roteiro seguido por Milton Nascimento e Criolo - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do show Linha de frente, em 12 de setembro de 2014:

*   Abertura instrumental
1. A terceira margem do rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1990)
2. O vento (Dorival Caymmi, 1949)
3. Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011)
4. O que será? (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976)
5. O cio da terra (Chico Buarque e Milton Nascimento, 1976)
6. Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
7. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) - com Júlia Vargas
8. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952) - com Júlia Vargas
9. Linha de frente (Criolo, 2011)
10. Freguês da meia-noite (Criolo, 2011)
11. Morro velho (Milton Nascimento, 1967)
12. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
13. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) - com Júlia Vargas
14. Bogotá (Criolo, 2011)
Bis:
15. Casa de mãe (Criolo, 2012)
16. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra de Criolo
17. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra original
18. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977) - com Júlia Vargas

Júlia Vargas é terceira margem do rio que abarca Milton e Criolo em cena

Cantora fluminense que lançou seu primeiro álbum em dezembro de 2012, em edição digital posta à venda no iTunes pela gravadora Sony Music, Júlia Vargas deixou boa impressão como convidada da estreia carioca de Linha de frente, show que junta em cena Milton Nascimento e o rapper paulistano Criolo e que está em turnê nacional desde junho deste ano de 2014. Anfitrião generoso, Milton abriu grande espaço para Júlia na apresentação feita na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 12 de setembro. Anunciada pelo artista carioca de alma mineira, a cantora entrou em cena no sexto número para pôr com Milton o tempero de Cravo e canela, parceria de Bituca com o letrista fluminense Ronaldo Bastos, lançada pelo grupo MPB-4 no álbum De palavra em palavra (Philips, 1971). Na sequência, já com Criolo de volta ao palco da casa Vivo Rio, Júlia puxou com sua voz grave e quente o samba Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952). Mais tarde, já perto do fim da apresentação, a cantora voltou à cena para ajudar a afiar Fé cega, faca amolada (1974), outra parceria de Milton com Ronaldo Bastos. E, numa segunda volta ao palco, já no fecho do bis, Júlia Vargas - vista com Milton e Criolo na casa Vivo Rio na foto de Rodrigo Goffredo - reiterou sua segurança vocal ao sobressair na boa lembrança de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant), música lançada em LP de 1977 na voz soberana de Elis Regina (1945 - 1982).

Juçara Marçal adiciona encarte com letras à edição física de 'Encarnado'

Lançado em formato digital em fevereiro deste ano de 2014, Encarnado - irretocável álbum solo da cantora paulistana Juçara Marçal - ganhou em abril uma edição física em CD, produzida com serigrafia e impressa manualmente, o que valorizou o projeto gráfico do disco, criado por Rubens Amatto a partir de desenho feito pelo compositor e guitarrista paulistano Kiko Dinucci, coprodutor do álbum. Como essa especial tiragem inicial logo se esgotou, Juçara providenciou a fabricação de uma segunda tiragem, lançada neste mês de setembro. A novidade é que, nessa segunda tiragem, a edição física de Encarnado - à venda nos shows da artista - traz encarte com as letras do disco, já garantido na lista de melhores de 2014. Vale ter uma cópia!

Com seu canto que voa leve, Ceumar rege a sinfonia calada de 'Silencia'

Resenha de CD
Título: Silencia
Artista: Ceumar
Gravadora: Circus
Cotação: * * * 1/2

"Quando eu rio / Tô sabendo / Que o meu canto / Tá voando / Levito leve / Se eu canto / Por isso canto", relativiza Ceumar através de versos de Levitando (Ceumar e Déa Trancoso), uma das 13 músicas de seu sexto álbum, Silencia. Após temporada no exterior que rendeu seu CD anterior, Live in Amsterdam (Independente, 2010), a cantora e compositora mineira  retoma sua trilha brasileira - pavimentada à margem do mercado fonográfico, devagar e sempre - com Silencia, disco pautado pela leveza dos arranjos calcados no violão de Ceumar e no violoncelo de Vincent Ségal, diretor musical do álbum e arranjador da maioria das 13 faixas. Revelada há 14 anos com Dindinha (Atração Fonográfica, 2000), disco gravado em 1999 com produção do padrinho artístico Zeca Baleiro, Ceumar dá voz a cancioneiro que costuma falar de natureza, de águas e terras entranhadas em Brasil distante dos centros urbanos. "Lágrima da Mantiqueira / Corre por mim nas Gerais", canta, evidenciando as origens mineiras, em Rio verde (Ceumar e Gildes Bezerra), boa canção que abre o disco. No tempo da delicadeza que rege a obra fonográfica de Ceumar, Silencia segue a trilha autoral evidenciada em Meu nome (Circus, 2009), álbum em que a artista assinou todas as 20 músicas. Em Silencia, Ceumar é coautora de músicas como Liberdade (Ceumar e Gildes Bezerra) e Choro cavaquinho (Ceumar e Sérgio Pererê), samba conduzido pelas cordas lacrimosas do cavaquinho de Webster Santos. A propósito, a suave trama de cordas que rege o disco abarca vários ritmos, englobando desde a vivacidade rítmica da nordestina Segura o coco (Di Freitas e Ceumar) até o toque afro-brasileiro imprimido ao fim de Encantos de sereia (Osvaldo Borgez) pela percussão de Ari Colares. Sem sair de seu tom, a cantora irmana canção de Vítor Ramil (Quem é ninguém, parceria do compositor gaúcho com Roger Scarton) e samba composto pela artista com Tatá Fernandes e Kléber Albuquerque, Justo, trunfo de repertório que destaca ainda uma parceria do paulistano Kiko Dinucci com Fabiano Ramos Torres (Engasga o gato). No fim do disco, a música-título Silencia - da lavra solitária de Ceumar - é cantada inicialmente entre toques minimalistas do violoncelo de Vincent Ségal, dando pistas da trilha seguida pela artista neste disco que transita entre o folk e a música brasileira. "Sempre só e não sozinho / Muita gente no caminho / Com calor e com carinho / Silencia a dor e faz dela / Uma sinfonia calada", ressalta Ceumar, que diz a que veio com seu canto que voa leve na sinfonia calada de Silencia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Amarante atinge o topo da beleza no caminho solitário do clipe de 'Tardei'

Segunda música divulgada do primeiro álbum solo de Rodrigo Amarante, Cavalo (Slap, 2013), a melancólica canção Tardei ganha clipe, lançado esta semana e já em rotação no YouTube. No clipe, filmado em locações de Marvão (Portugal), o cantor e compositor carioca faz sua caminhada solitária por montanhas, vales e rios de regiões inabitadas entre takes em que fixa a câmera ao entoar versos da canção. Produzido pela Cimbalino Filmes sob a direção de André Tentugal, o vídeo atinge picos de beleza em imagens que retratam a jornada existencial da personagem dessa canção de tom introspectivo como Cavalo. A edição é de Marcela Amarante.

MC Gui pega o bonde do frívolo funk ostentação nos primeiros CD e DVD

Mais um fenômeno de popularidade construído na web, onde sua música Bonde passou virou hit via YouTube, o cantor e compositor paulistano Guilherme Kaue Castanheira Alves, de apenas 16 anos, pega o bonde do frívolo gênero conhecido como funk ostentação. Exibicionista e autorreferente, como atestam as letras de músicas como Vem pra cá e Beija ou não beija, o repertório autoral de MC Gui - nome artístico do adolescente, conhecido no circuito do pop funk pelo epíteto de Príncipe da Ostentação - pode ser conferido no primeiro título da discografia do artista. Lançado nos formatos de DVD e CD ao vivo pela Universal Music, O bonde é seu traz o registro do show captado no Citibank Hall de São Paulo (SP) em 13 de abril de 2014. Ao longo do roteiro de 16 músicas, MC Gui canta com colegas como MC Nego Blue - autor e convidado de Se joga no fervo - e Buchecha, cantor fluminense com quem Gui revive um dos maiores sucessos da dupla Claudinho & Buchecha, Quero te encontrar (1997). Atento aos movimentos do mercado, MC Gui também faz conexões com o universo sertanejo em Doidinha, parceria do artista com Marcos Godoy e com os integrantes da dupla Alexandre & Adriano, convidada da faixa. Já Sonhar (Lucas Nage e MC Gui) - balada pop encorpada com arranjo de cordas - é tributo do jovem funkeiro ao irmão, Gustavo Matheus, morto em abril deste ano de 2014. Instante de menor frivolidade em repertório perecível. O bonde logo passa.

Zé Ricardo exibe fôlego curto no pálido '7 vidas', disco de poucos matizes

Resenha de CD
Título: 7 vidas
Artista: Zé Ricardo
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * 1/2

Artista carioca que segue a trilha brasileira de funk e soul aberta e pavimentada nos anos 1970 por pioneiros como Cassiano, Hyldon e Tim Maia (1942 - 1998), Zé Ricardo tem sido notado pela mídia nos últimos anos mais por seu trabalho à frente da escalação do miscigenado Palco Sunset (atração cult do festival Rock in Rio) do que por sua música. Status que vai se manter inalterado com a edição de 7 vidas, quinto álbum do cantor e compositor, recém-lançado pela gravadora Warner Music. Na contramão do vivaz Vários em um (Warner Music, 2011), álbum colorido em que Ricardo se pautou pelo samba, 7 Vidas é disco de poucos matizes, gravado entre Los Angeles (EUA) e Brasil. Formatado com assepsia pelo produtor Moogie Canazio, o repertório quase totalmente autoral enfileira canções assinadas somente pelo artista - Just fly (escolhida para promover o disco nas rádios), Coração giganteVocê fez casa em mim (de imagéticos versos românticos), Com você tudo é mar (feita pelo artista para celebrar sua filha Nina) e Amor e veneno, entre outras - que embutem maior ou menor dose de soul e / ou funk em suas levadas. A tendência natural do artista para o som black também dá outro colorido a Azul (Djavan, 1982), única regravação de um disco pautado pela perfeição técnica do toque de músicos norte-americanos como o baterista Aaron Sterling, o pianista Bill Brendle, o violonista Dean Parks, o baixista Sean Hurley e o guitarrista Tim Pierce, arregimentados pelo produtor Moogie Canazio. 7 vidas - a música-título - é balada de clima bossa-novista envolvida na aura meio muzak do álbum. Única parceria do disco, Na ponta do pé conecta Zé Ricardo a Gabriel O Pensador sem que se note na criação da música a colaboração do rapper carioca. No fim das 10 faixas, o samba Izabella - gravado no Brasil com a guitarra e o cavaquinho de Davi Moraes - exibe alguma brasilidade e um clima carnavalesco que remetem à vibe do álbum anterior de Zé Ricardo, dando um pouco de calor e energia a 7 vidas, disco elegante, só que de fôlego curto.

Marjorie apresenta 'Me leva', segundo single de seu terceiro álbum, 'Oito'

A atriz e cantora paranaense Marjorie Estiano está lançando Me leva, segundo single de seu terceiro álbum de estúdio, Oito, programado para ser lançado ainda neste mês de setembro de 2014. Música autoral, gravada com órgão hammond, Me leva sucede Por inteiro (Tenilson Del Rey, Jau e Paulo Vascon), o primeiro single de Oito, lançado em julho. "O repertório do disco flerta com vários gêneros, entre eles o brega sessentista. O órgão hammond está muito presente e em Me leva ele sugere um ambiente, algo à meia-luz, quente, expondo uma pessoa completamente subjugada a outra, em uma cadência rumo à catarse", conceitua Marjorie em nota sobre o álbum Oito dirigida à mídia. Me leva já está disponível para audição no YouTube.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Samba composto e gravado por Gil para filme 'Rio, eu te amo' ganha clipe

Rio, eu te amo - o samba composto e gravado por Gilberto Gil para a trilha sonora do filme homônimo, em cartaz nos cinemas do Brasil desde hoje, 11 de setembro de 2014 - ganha clipe. Já em rotação no YouTube, o vídeo do samba - incluído por Gil no roteiro do show Gilbertos samba - foi costurado com trechos dos dez episódios que compõem o filme Rio, eu te amo. A trilha sonora do filme já está disponível para venda no iTunes e não vai sair em CD.

Anitta lança versão em espanhol de 'Zen' com a adesão do 'rapper' Rasel

 De olho no mercado fonográfico latino formado por países de língua hispânica, Anitta lança single no iTunes com a gravação em espanhol de Zen (2013), balada assinada pela própria Anitta em parceria com Umberto Tavares e Jefferson Junior. A versão em espanhol de Zen foi gravada pela artista carioca com adesão do rapper espanhol Rasel, que inclui um rap na balada.

Disco ao vivo que recupera show de Gal com Gil vai ser lançado em vinil

Lançado pelo selo Discobertas neste mês de setembro de 2014, no formato de CD duplo, o álbum ao vivo Gilberto Gil & Gal Costa - Live in London '71 também vai ser editado no formato de vinil triplo, fabricado pela PolySom sob licença do selo Discobertas. O álbum apresenta o inédito registro de show feito pelos cantores baianos Gilberto Gil e Gal Costa em universidade de Londres, em 26 de novembro de 1971, durante o exílio de Gil na Inglaterra. Clique aqui para (re)ler a resenha do álbum - importante discoberta do produtor Marcelo Fróes.