quarta-feira, 23 de abril de 2014

Krassik transita entre Paris e Nordeste com os Cordestinos, Gil e Lenine

Violinista parisiense de ampla vivência musical no Brasil, país no qual está radicado há anos, Nicolas Krassik trafega pelo ponte Brasil-França em seu quinto álbum, Nordeste de Paris, editado pela Superlativa neste mês de abril de 2014. Com capa que alude à antológica capa de Dark side of the moon, álbum emblemático na discografia do grupo inglês Pink Floyd, Nordeste de Paris é o segundo CD gravado por Krassik com o grupo Cordestinos, arretado quarteto formado por Carlos César (percussão), Chris Mourão (percussão), Guto Wirtti (baixo) e Marcos Moletta (rabeca). Produzido por Bruno Giorgi, Nordeste de Paris alinha na ficha técnica os nomes de Gilberto Gil - cujo atual CD, Gilberto Sambas, tem várias faixas gravadas com o violino de Krassik - e Lenine, convidados de Refazenda (Gilberto Gil, 1975) e d'A balada do cachorro louco (Fere rente) (Lenine, Lula Queiroga e Chico Neves, 1997), respectivamente. Filho de Lenine e irmão de Giorgi, o cantor e compositor carioca João Cavalcanti conceitua Nordeste de Paris com precisão no texto enviado à imprensa com o CD. Com a palavra, João:

"É claro que há fronteiras, sempre houve. Há fronteiras arbitrárias, conquistadas, consensuais. Quase sempre são imaginárias. Há quem veja nelas a razão de sermos distintos tão somente por estarmos em lados distintos delas.

Por outro lado, é claro que há quem ignore haver fronteiras. Sempre houve. Nicolas Krassik é um desses. Nascido na grande Paris, ele veio pôr o sumo do jazz e a essência erudita de seu violino a serviço da música popular brasileira. Mais do que isso, Nicolas resolveu que seria brasileiro. Ou, melhor ainda, um apátrida honorário voluntário.

Nordeste de Paris (Superlativa / 2014), seu quinto álbum - segundo acompanhado dos Cordestinos Marcos Moletta (rabeca), Guto Wirtti (baixo), Carlos César e Chris Mourão (percussões) -, confirma a fluência com que Nicolas costura e descostura as fronteiras a gosto. Os sotaques, as escolhas, a erudição na técnica e o espírito popular na linguagem (e, eventualmente, vice-versa) constroem um ambiente com um aroma inédito - embora seja criado pelo que absorvem, Nicolas e Cordestinos, cá e acolá dos limites que escolheram ignorar.

A surpresa é ainda maior e mais bem-vinda graças à produção primorosa de Bruno Giorgi, outro daqueles que se entrincheiraram nas fileiras do mundo-uno, mundo afora. Delays, mutings, compressões e ruídos nada ortodoxos para o universo da música instrumental, mas já explorados sem pudor no pop contemporâneo. Como já disse outras vezes: fronteira?

Contribui para o gosto de novidade, ainda, o fato de ser um disco sumamente autoral. Sete das dez músicas foram compostas por Nicolas, duas delas em parceria com Marcelo Caldi. O disco arromba os ouvidos com o tema-título, uma espécie de xaxado-manouche que evoca o suspense brevemente melancólico do estrangeiro íntimo, clima que se mantém em Soturno, primeira parceria com Caldi. O começo abrupto de Azul elétrico é a senha da ruptura pra esse baião frenético que parece ter um pé no choro - de que todos ali também são impregnados. Evelise é um xote-moto-contínuo bom de dançar e de regozijar quem percebe que por trás da zabumba, às vezes, tem um beat cavernoso do MPC de Chris.

Em seguida, Lenine aparece pra cantar A balada do cachoro louco (Fere rente), sua e de Lula Queiroga e Chico Neves. As intervenções são de um músico - é a voz a serviço do instrumento, não o contrário. Mar da minha terra é uma ciranda-lamento. Um lamento sertanejo-litorâneo (que vira sertão que vira mar) de começo lamurioso e fim redentor, tão complexo como a própria saudade. Esse é o terreno para Gilberto Gil (com quem Nicolas toca há bastante tempo) promover sua Refazenda, num arranjo que, mais uma vez, joga longe a obviedade da relação vocal-instrumental.

Forrockatu é um groove devastador que deflagra como Nicolas, Moletta, Guto, Carlinhos e Chris já se entrelaçaram de forma irreversível na estética de banda. Na sequência, Jimi’s galop, a segunda com Caldi, leva Hendrix do arraiá ao baile funk. O disco, aliás, é cheio de pequenas referências como essa, a começar pela capa sensacional que faz alusão ao clássico Dark Side of the Moon. Para encerrar o disco, Krassik elege Tears, música de Django Reinhardt e do violinista Stéphane Grappelli, e não há de ser por acaso: Django, maior nome do jazz francês, era nascido na Bélgica e de família cigana. Aliás, talvez sejam diásporas como a dos Romani que nos permitiram chegar a esse tempo em que se pode escolher não ter pátria - ou acumular pátrias - carregando um mundo inteiro consigo.

Por isso, é claro, há Nicolas Krassik.
Ouve". 
João Cavalcanti

Álbum antológico do metal inclui gravação ao vivo em edição de 20 anos

Em março de 1994, o sétimo álbum de estúdio da banda norte-americana Pantera (1981 - 2003) fez história no universo pop como o primeiro álbum de heavy metal ao debutar no mercado fonográfico já no primeiro lugar da parada da revista norte-americana Billboard, referência máxima de sucesso nos Estados Unidos na era pré-virtual. Passadas duas décadas, Far beyond driven (1994) ganha edição comemorativa de 20 anos, lançada em escala mundial pela gravadora Warner Music e já disponível no Brasil a partir deste mês de abril de 2014. A edição é dupla, adicionando ao álbum original de thrash metal - devidamente remasterizado - um segundo CD, intitulado Far beyond bootleg - Live form Donnington '94. Este disco-bônus adicional incorpora à discografia oficial da Pantera nove números do show feito pela banda na edição de 1994 do festival Monsters of rock. Registro ao vivo era conhecido pelos fãs do grupo.

Na guitarra 'easy', Diab vai do bolero ao samba no disco solo 'Stratoman'

Easy listening - expressão que virou sinônimo de música de elevador no dicionário do universo pop - é o termo a que recorre o músico e compositor carioca Beni Borja para conceituar o som ouvido no primeiro disco solo de seu conterrâneo Sergio Diab, Stratoman. Mas Borja rejeita o significado pejorativo da expressão, caracterizando Stratoman como "um disco de música popular instrumental". O título Stratoman alude à guitarra Fender Stratocaster com a qual Diab transita por repertório que inclui samba autoral (Ginga), popular bolero mexicano (Besame mucho, composto por Consuelo Velásquez em 1940), canção propagada na voz do cantor mineiro Altemar Dutra (1940 - 1983) (Sentimental demais, um dos clássicos populares da dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia) e tema autoral de suingue cubano (Cuba libre) Em Stratoman, Diab tira o som easy de sua guitarra ao lado de Marcos Suzano (percussão), Rick Ferreira (guitarra e pedal steel) e Sacha Amback (teclados e arranjos). É CD para elevadores...

Pop convencional dilui os méritos do Foster The People em 'Supermodel'

Resenha de CD
Título: Supermodel
Artista: Foster The People
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 1/2

Passado o momento hype em torno do Foster The People, a banda indie norte-americana tenta prolongar seus 15 minutos de fama - iniciados em setembro de 2010, quando o single digital Pumped up kicks virou hit na web - com a edição do segundo álbum. Recém-lançado no Brasil via Sony Music, Supermodel sucede Torches (2011), álbum que manteve alta a cotação do grupo no mercado comum da música. Embora o som dançante de Torches ecoe de cara em Are you want you want to be?, música que abre Supermodel, o Foster The People não clonou seu álbum anterior. A dose de eletrônica foi diminuída em favor de sons mais analógicos - sendo às vezes até suprimida, como em Fire escape (balada cool de temática social que fecha o disco como estranha no ninho pop rock de Supermodel)  e Goast in trees (tema folk de molde acústico). Outra diferença diz respeito às letras - ora bem mais densas, introspectivas e confessionais. E, nessa parte, a evolução do grupo fica mais nítida quando se confronta os versos de Supermodel com os de Torches. Mas é pena que essa evolução seja diluída pelo convencional som de pop rock ouvido ao longo das onze músicas do álbum. Há faixas realmente empolgantes, casos de Nevermind e Coming of age. Contudo, o Foster The People já soa musicalmente com fôlego curto na maior parte desse álbum gravado entre Estados Unidos, Inglaterra e Marrocos com produção dividida entre Paul Epworth e Mark Foster. Se o coro meio sacro que introduz The angelic welcome of Mr. Jones soa déjà vu, o refrão de Best friend parece ecoar de algum lugar do passado do universo pop roqueiro. Passado o hype em torno da banda, Supermodel sinaliza que os 15 minutos do Foster The People podem estar perto do fim.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Algo se perde na transposição de show de Zizi para CD ao vivo sem viço

Resenha de CD
Título: Tudo se transformou
Artista: Zizi Possi
Gravadora: Eldorado / NovoDisc
Cotação: * * 1/2

Admiradores do canto límpido e preciso de Zizi Possi esperaram muito por pouco. Se for levado em conta que o último título da obra fonográfica da artista paulista, Cantos & contos (Biscoito Fino, 2010), foi lançado somente em DVD, Tudo se transformou é o primeiro CD da cantora em longos nove anos. Tal como seu antecessor Para inglês ver e ouvir (Som Livre, 2005), trata-se de um registro de show, o quarto da carreira de Zizi, mas somente o segundo editado no formato de CD. Estreado em 25 de fevereiro de 2012, em São Paulo (SP), o show em si é primoroso. Por mais que os arranjos de músicas como Explode coração (Gonzaguinha, 1978) indiquem que a estética do recital seja um desdobramento do molde acústico do antológico Sobre todas as coisas (show de 1991 que virou disco e que elevou o nome de Zizi Possi na música brasileira, pondo a artista no mesmo nível das maiores cantoras do país), Tudo se transformou embeveceu espectadores Brasil afora por mostrar Zizi ainda no auge, com pleno domínio de seu instrumento vocal. Ao dividir o palco com Jether Garotti Jr. (piano, tamborim e clarineta), Kecco Brandão (teclados), Webster Santos (violão, bandolim e guitarra) e Luiz Guello (percussão) para dar voz a 26 músicas do cancioneiro nacional, a cantora mostrou que essa voz já maturada - de timbre único e inimitável - conserva todo o brilho, a beleza e a afinação dos anos 1990. De fevereiro de 2012 para cá, o show caiu na estrada, perdendo e ganhando músicas, como é natural. Mas a perda mais significativa é a detecada na transposição do show para o CD que chegou ao mercado digital via iTunes em janeiro deste ano de 2014 e que ganhou enfim edição física neste mês de abril. Tal perda não contabiliza somente os muitos números deixados de fora na seleção do disco, cuja duração beira os meros 38 minutos. Por inacreditável decisão artística, e não por falta de espaço, o CD alinha somente dez números extraídos do show, já que o single Sem você - música de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, lançada por Brown em 1998 com o título de Busy man - é faixa-bônus gravada no estúdio Mosh, em São Paulo (SP), em 27 de fevereiro de 2013. É pouco. Só que a perda maior é percebida na qualidade do som, que resultou sem viço no CD. Pela audição do disco editado em embalagem digipack, é difícil perceber toda a sofisticação dos arranjos e do diálogo travado por Zizi com seus músicos. É como se o disco abafasse a imensidão do canto da artista. De todo modo, para quem ignorar tais perdas, Tudo se transformou apresenta algumas músicas nunca registradas pela cantora em disco. A começar pelo elegante samba de Paulinho da Viola que batiza o disco, 44 anos após ter sido lançado pelo compositor carioca em LP de 1970. Há também Porta estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona, 1966), marcha-rancho que jazia esquecida no baú de joias da obra do arisco compositor baiano paraibano Geraldo Vandré, de quem Zizi também rebobina o sucesso Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros, 1966) em registro decalcado de sua gravação no álbum Puro prazer (Universal Music, 1999). Dentre as novidades na voz de Zizi, vale mencionar também a bonita No vento, canção embebida em saudade que, embora apresentada como inédita, já ganhou registro de sua autora, a gaúcha Necka Ayla, no disco Todo (2006). Músicas que reiteram a precisão do canto da artista, Cacos de amor (da filha Luiza Possi com Dudu Falcão), Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1991) e Meu mundo e nada mais (Guilherme Arantes, 1976) - balada gravada por Zizi em 2011 para tributo a Guilherme Arantes editado pela gravadora Joia Moderna em CD já esgotado - ajudam a dar certo ar de novidade a disco que não faz jus ao histórico fonográfico de Zizi. Inclusive por expor de forma fragmentada o show que o gerou. Enfim, Tudo se transformou não é o CD que Zizi Possi pode, deve e merece fazer para voltar a ocupar lugar central na música brasileira. Voz não falta. O que talvez falte seja a disposição para virar o disco, a mesa e apresentar um álbum realmente novo, à altura de seu belo canto.

Produzido por Steve Lillywhite, Juanes ganha vigor no CD 'Loco de amor'

Resenha de CD
Título: Loco de amor
Artista: Juanes
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *

O pop rock latino de Juanes deu sinais de exaustão em P.A.R.C.E. (2010), sexto álbum solo (o quinto de estúdio) do cantor, compositor e guitarrista colombiano. Posterior e providencial gravação ao vivo - lançada em 2012 na série MTV Unplugged - tentou reverter o quadro, rebobinando cancioneiro que marcou época no mercado latino de língua hispânica ao longo dos anos 2000. Mas a medida mais efetiva para alavancar o som de Juanes foi a conexão do artista com o produtor britânico Steve Lillywhite. Com currículo que inclui produções de álbuns de Morrissey, Peter Gabriel e U2, entre outros nomes de peso da cena europeia, Lillywhite injetou certo ânimo na discografia de Juanes ao pilotar o oitavo álbum solo do cantor, Loco de amor, recém-lançado no Brasil via Universal Music. Loco de amor foi recebido com desconfiança por conta de seu controvertido eletrônico primeiro single - La luz (Juanes), trivial tema dançante apresentado em dezembro de 2013 e ouvido na edição brasileira do álbum na gravação original e em versão que junta Juanes com a cantora fluminense Claudia Leitte - mas se revela um álbum decente. Não é o melhor disco de Juanes, mas apaga a má impressão de seu antecessor P.A.R.C.E.. Faixa escolhida para ser o segundo single, Mil pedazos (Juanes e Emmanuel Del Real) sinaliza de cara um retorno de Juanes ao universo pop roqueiro. Pista que se revela certeira à medida em que Loco de amor avança e apresenta músicas como Persiguiendo el sol, parceria de Juanes com o cantor e compositor espanhol Miguel Bosé, coautor da letra desse tema e também parceiro do astro colombiano na menos envolvente Me enamoré de ti. Na seara das baladas, vale destacar Delirio (Juanes) e Una flor (Juanes e Toby Tobón), que desabrocha de forma pop e especialmente cativante. Enfim, sob a batuta de Steve Lillywhite, Juanes recupera parte de um vigor que já parecia perdido em áureos tempos idos. Fez-se a luz.

Tungo cai nos choros com músicas de Jayme Vignoli e Maurício Carrilho

Capitaneado pelo compositor, saxofonista e arranjador Gaia Petrelli, o grupo carioca Tungo junta sete jovens instrumentistas de distintas formações musicais. Com Gaia, Bernardo Diniz (cavaco), Frederico Cavaliere (clarinete), Jeferson Souza (flauta), João Gabriel Souto (violão de sete cordas), Mayo Pamplona (contrabaixo) e Thiago Kobe (bateria e percussão) caem no choro em Tungo, primeiro álbum do septeto, lançado neste mês de abril de 2014 pela gravadora Biscoito Fino. Ao tocar repertório instrumental composto basicamente por temas de Jayme Vignoli e Maurício Carrilho, o Tungo procurou cair no choro - e em eventuais outros ritmos como já explicita o título da Valsa primeira (Jayme Vignoli) - com mix de sons tradicionais e contemporâneos. Compositor e arranjador de Moacirsantosiana, tributo ao genial maestro e compositor pernambucano Moacir Santos (1926 -2006) que abre o CD Tungo, Carrilho é celebrado pelo grupo em Carrilhiana, tema de autoria do violonista do Tungo, João Gabriel Souto. Tungo no choro e Sinuosa, de Carrilho, figuram no disco. Gaia assina Quitanda.

Maré do Fino Coletivo sobe em 'Massagueira' entre serenidade e suingue

Resenha de CD
Título: Massagueira
Artista: Fino Coletivo
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *

A caminho dos dez anos de vida, a serem completados em 2015, o Fino Coletivo ganha coesão enquanto vai perdendo integrantes. De início, eram oito componentes em formação que - apesar de contar com os talentos dos logo dissidentes Marcelo Frota (o MoMo) e Wado - apresentou um superestimado primeiro disco, Fino Coletivo (Dubas Música, 2007). Três anos depois, ao lançar seu segundo álbum, Copacabana (Oi Música, 2010), o octeto já estava reduzido a um sexteto. Tinha perdido três integrantes, mas ganhara o reforço dos teclados de Donatinho, proeminentes neste segundo CD. Decorridos mais quatro anos, o Fino Coletivo é um quinteto formado por Adriano Siri, Alvinho Cabral, Alvinho Lancellotti, Daniel Medeiros e Rodrigo Scofield. Como quinteto, o coletivo carioca gravou seu disco mais fino e menos eletrônico, Massagueira, batizado com o nome de vila de pescadores situada a 15 km de Maceió (AL). A proximidade com o litoral nordestino fez emergir uma ciranda aditivada com leve toque de afoxé, Porvir (Ivor Lancellotti e Alvinho Lancelloti), mas Massagueira mantém o Fino em sua praia carioca, com letras que falam de mares e marés. E com a ressalva de que o repertório soa tão sedutor quanto a sonoridade - avanço em relação aos dois álbuns anteriores do grupo. Viabilizado através de plataforma de financiamento coletivo e lançado de forma independente neste mês de abril de 2014, Massagueira apresenta dez inéditas assinadas (em dupla, solitariamente ou com eventuais parceiros) pelos três compositores do grupo (Adriano Siri, Alvinho Cabral e Alvinho Lancellotti). O repertório equilibra suingue e serenidade. Três baladas de clima ameno - De maré (Alvinho Cabral e Alvinho Lancellotti), Tudo fica lindo (Adriano Siri) e Nós (Alvinho Cabral e Alvinho Lancellotti), esta gravada com a adição da voz da cantora carioca Luana Carvalho - sinalizam a intenção de dar mais peso às melodias. Provável efeito da inspiração dada pela vila alagoana, Massagueira é disco feito com alta dose de tranquilidade. É nesse clima zen que o Fino reitera a recorrente devoção a São Jorge Ben Jor em Floreando (Alvinho Lancellotti e Mu Chebabi) e que cai no samba em Iracema (Alvinho Lancellotti), tema em clima de gafieira que perfila a empregada doméstica que batiza a música, e em Meu carinho, meu calor (Alvinho Cabral). Situada na abertura do disco, Is very good jan (Adriano Siri) expõe o ponto fraco do álbum: as vozes dos vocalistas do coletivo, sobretudo a de Adriano Siri, cantor também de Como é que a gente se ajeita (Adriano Siri). Mas assim caminha o coletivo. "A brisa acalma / O sol se põe na dor / Sereno paira no meu ar de amor / O mundo gira e eu vou que vou",  dizem versos de Vou que vou (Alvinho Lancellotti), música contemplativa que fecha o melhor e mais calmo álbum do Fino Coletivo. A maré subiu.

Robertinho de Recife vai produzir o CD que reúne Fagner e Zé Ramalho

Aprovado neste mês de abril de 2014 pela diretoria da gravadora Sony Music, o projeto do primeiro disco de Fagner com Zé Ramalho - arquitetado pelos artistas desde 2012 - vai ser concretizado. Robertinho de Recife vai produzir a gravação, cujo repertório vai orbitar em torno dos sucessos dos dois cantores e compositores (vistos em foto tirada por Marcelo Fróes em 2010). Antes, porém, Fagner vai lançar e promover o seu álbum de inéditas Pássaros urbanos, gravado sob produção de Michael Sullivan. Primeiro disco de Fagner em cinco anos, Pássaros urbanos já vai ser lançado em maio pela Sony Music. Arranha-céu é uma das faixas.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Americanizado, Sam Alves é genérico de cantor dos EUA no primeiro CD

Resenha de CD
Título: Sam Alves
Artista: Sam Alves
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 

Disseram que Sam Alves voltou americanizado dos Estados Unidos. Mas não podia ser diferente! Afinal, embora tenha nascido em Fortaleza (CE), o cantor cearense foi criado nos EUA e nesse país teve sua educação musical. O que explica o estilo de canto adotado pelo artista em seu primeiro CD de visibilidade na mídia (na verdade, Sam Alves já gravou disco independente de música religiosa sem repercussão). Consequência da vitória do artista na segunda temporada do programa The Voice Brasil, o álbum Sam Alves chega ao mercado fonográfico brasileiro neste mês de abril de 2014, situando o cantor como um genérico do pop norte-americano. Sam tem a técnica, mas lhe falta a alma. E uma personalidade artística. E, se essa alma e essa personalidade existem, elas foram abafadas pela produção de Torcuato Mariano na formatação de repertório previsível em que predominam hits do cancioneiro norte-americano. Mirrors, Troublemaker, You are loved (Don't give up) e When I was your man - sucessos de Justin Timberlake, Olly Murs, Josh Groban e Bruno Mars, respectivamente - sinalizam que o canto de Sam Alves segue sem imaginação a linha dos intérpretes de  covers sem marcar sua identidade artística. Tal problema - detectado também nos simultâneos CDs de Lucy Alves e Dom Paulinho Lima, seus (bons) colegas concorrentes no The Voice Brasil 2013 - esvazia o álbum Sam Alves porque o cantor clona a técnica dos intérpretes originais (com resultado especialmente excelente no caso da regravação do sucesso de Bruno Mars), mas quase sempre não atinge a emoção das músicas. Basta ouvir as regravações de músicas que pedem maior intensidade emocional - casos de Hallelujah (obra-prima do compositor canadense Leonard Cohen) e de Pais e filhos (o sucesso da banda Legião Urbana) - para perceber a distância entre os registros originais e a abordagem xerocada do cantor. De todo modo, cabe ressaltar que a única música inédita do repertório - Be with me, de autoria do próprio Sam - prima por sedutora leveza, sinalizando um compositor promissor, com bom domínio do corrente idioma pop do mercado fonográfico. Por mais que seja americanizado, traço perceptível no dueto feito com Marcela Bueno em A thousand years (balada conhecida na voz de Christina Perri), o canto de Sam Alves nem é em si o problema do disco. É a forma obediente como o cantor põe e usa sua voz que o impede de alçar voo como artista e de imprimir sua personalidade neste álbum logo esquecível.

Foto postada no Instagram sugere que 13º álbum de Madonna está pronto

Postada hoje na conta da dupla de fotógrafos Mert & Marcus no Instagram, a foto inédita de Madonna sugere que o 13º álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana está pronto, já em fase de produção de capa. A legenda da foto dizia que o esperado sucessor de MDNA (2012) estava sendo ouvido pelos fotógrafos, requisitados para fazer a capa e o ensaio fotográfico do disco sob a direção de arte de Giovanni Bianco. O fato é que Madonna vem preparando há semanas o disco, gravado com colaborações dos produtores Avicii (o DJ sueco que vem causando sensação nas pistas), MoZella (nome artístico da produtora norte-americana Maureen Anne McDonald) e Symbolyc One (nome artístico do produtor norte-americano Larry Griffin Jr.), entre outros nomes. A suposta parceria de Madonna com Adele não é confirmada.

'Gigante gentil' é bom disco para Erasmo falar de amor e sexo no seu tom

Resenha de CD
Título: Gigante gentil
Artista: Erasmo Carlos
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

É o som proeminente de guitarra que se ouve no rock que abre e dá nome ao 28º álbum de inéditas de Erasmo Carlos, Gigante gentil, lançado neste mês de abril de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records. Gigante gentil (Erasmo Carlos), o rock, é resposta amorosa do cantor e compositor carioca aos ataques sofridos pelo Tremendão na web. Mas o rock e o som das guitarras logo se diluem ao longo das onze músicas deste disco de sonoridade serena. Em contrapartida, o amor cresce, aparece e fica mais explícito à medida que o CD avança. Balada espacial que alude no título ao best-seller editorial 50 tons de cinza e que turbina com efeitos de eco versos como "A constelação de dor / Vaza na imensidão"50 tons de cor (Erasmo Carlos) dá a pista certeira do que se ouve a seguir. Gigante Gentil é disco de muitas baladas, moldado para Erasmo falar de amor e sexo à sua própria moda, no seu tom habitual. Talvez por isso a produção de Kassin soe tão reverente a esse gigante do rock brasileiro que já totaliza 52 anos de carreira. Até dá para identificar o d.n.a. de Kassin na sonoridade leve e contemporânea do álbum, mas prevalece e sobressai em Gigante gentil a personalidade musical de Erasmo. Tanto que o disco poderia ter sido lançado antes do revigorante Rock'n'roll (2009), primeiro título da trilogia de álbuns inéditos prosseguida com Sexo (2011) e concluída com este Gigante gentil, CD que iria se chamar Amor, mas que acabou batizado com o apelido dado a Erasmo pela cantora, compositora e guitarrista paulista Lúcia Turnbull. A conexão com os dias de hoje se faz pelos temas das letras de músicas como Colapso (Erasmo Carlos), balada que versa sobre "apagão na informática" entre elegantes toques de country. Sim, Erasmo (também) fala de amor em tempos tecnológicos. Mais adiante, na faixa 9, Amor na rede - canção feita por Erasmo em parceria com o compositor carioca Nelson Motta, autor da letra - versa sobre (des)conexões afetivas e sexuais em tempos cibernéticos. Só que a balada Coisa por coisa (Erasmo Carlos) lembra que a dialética entre amor e paixão confunde o Homem desde os tempos do filósofo grego Aristóteles (384 A.C. / 322 A.C.). Primeira parceria de Erasmo com Caetano Veloso, cantor e compositor baiano que deu De noite na cama em 1971 para o Tremendão, Sentimentos complicados é canção aquém da expectativa gerada pela primeira criação conjunta dos artistas, mas dentro do espírito terno e apaixonado do álbum. Nova parceria de Erasmo com o compositor paulista Arnaldo Antunes, Teoria do óbvio repõe o rock na roda com pegada vintage e com letra (do ex-Titã) sobre o imponderável que conclui de forma gritada por Erasmo: "a vida é assim". Faixa que também tem versos de Antunes, Manhãs de love disserta melancolicamente sobre a solidão, efeito da partida da mulher amada. Sim, o gigante se apequena diante da mulher amada e desejada. O que justifica a declaração apaixonada feita em Moça (Erasmo Carlos), bela balada cuja levada folk da introdução do arranjo evoca ligeiramente Everybody's talkin' (Fred Neil, 1966), tema popularizado em escala mundial em 1969 na voz da gravação feita pelo cantor norte-americano Harry Nilson para a trilha sonora do filme Perdidos na noite (Estados Unidos, 1969). Como amor está sempre conectado ao sexo, a balada Caçador de deusas (Erasmo Carlos) entra no tom ao perfilar Erasmo como o predador que goza a caçada do alvo feminino em letra pontuada por versos que aludem ao ato sexual por meio de metáforas (aliás, utilizadas por Erasmo  e por seu amigo de fé Roberto Carlos desde os anos 1970). Enfim, mesmo que não tenha a pulsação do álbum Rock'n'roll, Gigante gentil se situa no mesmo bom nível de Sexo, o anterior disco de inéditas do Tremendão. Uma dose maior de rock diluiria o excesso de baladas e daria maior equilíbrio a Gigante gentil. De todo modo, é preciso saudar a disposição de Erasmo Carlos para lançar sucessivos álbuns de inéditas, injetando ânimo em sua vasta discografia. O gentil gigante cresce ainda mais quando, aos 72 anos, decide olhar para frente.

CD com a irregular trilha da novela 'Em família' junta MPB e pop artificial

Novelas do escritor Manoel Carlos costumam ter trilhas sonoras de bom nível com sucessos da MPB e da Bossa Nova. Lançada em CD neste mês de abril de 2014 pela gravadora Som Livre, a trilha sonora nacional da novela Em família se situa acima da média - atualmente baixa - do gênero. Fonogramas de Ana Carolina, Ivan Lins, João Bosco, Marcelo Jeneci, Roberto Carlos, Sandy e Simone redimem a inclusão - na seleção musical que transita entre MPB, pop e sertanejo de tom forrozeiro - de gravações artificiais de artistas (Marina Elali, Rafael Almeida e Tânia Mara, sobretudo) de menor relevância artística e comercial no mercado fonográfico brasileiro. No todo, mesmo soando irregular, a trilha sonora nacional de Em família soa menos apelativa e populista do que as trilha sonoras das novelas que antecederam a trama de Manoel Carlos, exibida via TV Globo às 21h. Eis as 19 músicas reunidas no heterogêneo CD Em família:

1. Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) - Ana Carolina
2. Cartas de amor (Love letters) (Edward Heyman e Victor Young em versão de Lourival Faissal) - Roberto Carlos
3. Morada (Sandy, Lucas Lima e Tati Bernardi) - Sandy
4. Só vejo você (Tânia Mara e Thiago Gimenez) - Tânia Maria
5. Complicamos demais (Thalia Araújo e Thiago Gimenez) - Alinne Rosa
6. Recomeço (Antonio Villeroy) - Antonio Villeroy
7. Canto do Lobo (Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington) - Gilson Peranzzetta (com Edu Lobo)
8. Um de nós (Marcelo Jeneci) - Marcelo Jeneci
9. E isso acontece (Ivan Lins) - Ivan Lins
10. Eu não sei seu nome inteiro (ao vivo) (João Bosco, João Donato e Francisco Bosco) - João Bosco
11. Você por perto (Liah Soares) - Liah Soares
12. Encontrei (Marina Elali e Julio Reyes) - Marina Elali
13. Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol) - Simone
14. Bungee jump (Juno) - Rafael Almeida
15. Pra você (Marlos Vinicius e Gustavo Lira) - Onze:20
16. Reggae do Horto (Tom Zignal, Pablo Sebastian, Gudino e Gringo) - Zignal
17. Pra você dar o nome (Tó Brandileone) - Tó Brandileone
18. Quem é ela? (Mário) - Marco & Mário
19. Boi na linha (Roberto Trevisan) - Roberto Trevisan

'Sob controle' dá gás aos Inocentes em novos tempos de pânico em S.P.

Resenha de CD
Título: Sob controle
Artista: Inocentes
Gravadora: Substancial Music
Cotação: * * * *

"Cruzo a cidade quente e suja, sou só mais um na multidão / A violência é quieta, o medo intenso e o silêncio grita / A fé é cega, a dor profunda, um ônibus a queimar", relata Clemente Nascimento, vocalista e guitarrista do grupo Inocentes em Sob controle (Clemente), música inédita que batiza o álbum lançado pela banda - ícone do punk paulistano dos anos 1980 - neste mês de abril de 2014. O título Sob controle ironiza o discurso oficial da mídia, dos políticos e da polícia sobre o estado incendiário das coisas. Embora recicle músicas novas e antigas do repertório dos Inocentes, sendo que somente duas composições são realmente inéditas em disco, o álbum - produzido com material resultante de três sessões de gravação feitas em tempos e modos distintos -  tem coesão e dá gás aos Inocentes. O sobrevivente Clemente é parceiro do guitarrista Ronaldo Passos na outra inédita de Sob controle, Eu fico puto, exemplo da fidelidade dos Inocentes à ideologia punk semeada nos subterrâneos de São Paulo. A cidade não para e vive nova era de pânico em S.P. - tempo refletido neste disco gravado com peso e pressão. Produzido pela próprio grupo com Wagner Bernardes, Sob controle rebobina as cinco músicas apresentadas como bônus em 2011 na edição comemorativa dos 25 anos do EP Pânico em S.P. (Warner Music, 1986), marco da discografia da banda. Parceria de Clemente com o baixista Anselmo Guarde, Violência e paixão aparece na mesma versão de 2011, oriunda das sessões de gravação feitas pelo grupo no estúdio Nimbus, em São Paulo (SP), entre 2007 e 2011. Os takes de Rota de colisão (Clemente) e A face de Deus (Clemente) também são os mesmos já lançados em 2011. Já As verdades doem e Velocidade indefinida - duas músicas de Clemente que estão à altura do repertório lançado pela banda em tempos de maior exposição na mídia - reaparecem em novos takes, feitos com mais pegada no estúdio Espaço Som entre agosto e outubro de 2013. Resultante dessas sessões de gravação, o cover hardcore de Estrutura de bronze (Clemente e Douglas Viscaíno) - música do repertório da banda punk Restos de Nada, integrada por Clemente na década de 1970 antes da formação dos Inocentes em 1981- se ajusta com perfeição a um repertório explosivo que vai direto ao ponto, como manda a filosofia punk. Completam Sob controle registros ao vivo de alguns clássicos dos Inocentes que mostram a total sintonia entre o grupo de hoje e a banda iniciante dos anos 1980. Músicas expressivas como Cala a boca (Clemente e Ronaldo Passos, 1999), Intolerância (Clemente, 2002), Pátria amada (Clemente, 1987) e Rotina (Clemente e Marcelino, 1985) foram (re)gravadas ao vivo em 22 de outubro de 2013 - em pocket show feito para convidados no estúdio Espaço Som - e se integram com naturalidade ao disco. Com capa que expõe a arte em estêncil do grafiteiro Ricardo Tatoo, o álbum Sob controle mostra que o discurso irado e indignado dos Inocentes continua necessário e atual. Com o vigor jovial dos garotos do subúrbio paulistano, Anselmo Guarde (baixo), Clemente (voz e guitarra), Nonô (bateria) e Ronaldo Passos (guitarra) não fogem à luta com bocas armadas de fúria e desilusão.

domingo, 20 de abril de 2014

'Pérola-poesia', parceria com Domenico, prenuncia CD solo de Lomelino

Já em rotação no portal SoundCloud, a gravação de Pérola-poesia é o prenúncio do primeiro disco solo de Ana Cláudia Lomelino, vocalista da banda carioca Tono. Parceria da artista com o compositor e baterista Domenico Lancellotti, Pérola-poesia é joia de delicadeza que faz o canto suave de Lomelino crescer e aparecer, já que, à frente do Tono, a cantora não justifica o aval do mundinho hype. Embora não haja referência na página do SoundCloud a disco solo da artista, o projeto do CD existe e está em fase adiantada de produção, devendo ser lançado ainda em 2014. Eis a letra de Pérola-poesia, música cujo registro evoca sons de Dominguinhos (1941 - 2013) em bela passagem instrumental em que sobressai o toque suave de uma sanfona:

Pérola-poesia
(Domenico Lancellotti e Ana Cláudia Lomelino)

Segue pela sombra, esquece sua luz
Meu único sinal de amor
Não se identificou
Mas ronda como um pastor

Ilha desgarrada, perdida em alto mar
Parece que deixei por lá
Na crença de um lugar
Que nunca vou encontrar

Senhor, vou cantar
Para ir, até lá

Rios de tormentos, torrentes de ilusões
Andei vagando por aí
Nos becos estações
Desertos de solidões

Pérola poesia, acende sua cor
Vibrante num sinal de luz
Em noites sem luar
Que serve para guiar

Senhor, vou cantar
Para ir, até lá

Versão de tema de Chico puxa CD bossa-lounge em francês de Sattamini

A cantora carioca Valeria Sattamini lança La vie en bossa, CD gravado no estilo bossa-lounge. Lançado somente em edição digital, pelo selo Lab 344, o disco alinha no repertório sucessos da música francesa e versões em francês de clássicos da música brasileira, em especial do fino cancioneiro derivado da Bossa Nova. Uma dessas quatro versões - La ville engloutie, versão em francês escrita por Antenor Bogéa de Futuros amantes, canção lançada por Chico Buarque em 1993 - está sendo propagada em escala nacional na trilha sonora da novela Em família (TV Globo, 2014). Eis as 12 músicas de La vie en bossa, CD que já está em pré-venda no iTunes

1. Un homme et une femme (Francis Lai e Pierre Barouch)
2. La ville engloutie (Futuros amantes) (Chico Buarque em versão em francês Antenor Bogéa)
3. C'est si bon (Henri Betti e André Hornez)
4. Les eaux de mars (Águas de março) (Tom Jobim em versão em francês de Georges Moustaki)
5. Les feuilles mortes (Joseph Kosma e Jacques Prévert)
6. Paroles, paroles (Gianni Ferrio e Michaële)
7. La fille d'Ipanema (Garota de Ipanema) (Tom Jobim e Vinicius de Moraes em versão em francês de Sacha Distel)
8. Ne me quitte pas (Jacques Brel)
9. Dans mon île (Maurice Pon e Henri Salvador)
10. La vie en rose (Lois Gugliemi e Édith Piaf)
11. Que reste t'il de nos amours? (Charles Trenet)
12. Samba saravah (Samba da benção) (Baden Powell e Vinícius de Moraes em versão em francês de Pierre Barouch)

Samba posto na panela do Arranco jamais atinge o ponto de fervura ideal

Resenha de CD
Título: Na panela pra dançar
Artista: Arranco de Varsóvia
Gravadora: Mills Records
Cotação: * * 1/2

Gravado entre novembro de 2012 e março de 2013, o sexto álbum do grupo carioca Arranco de Varsóvia, Na panela pra dançar, chega ao mercado fonográfico neste mês de abril de 2014 sem sustância para dar mais peso ao nome do quarteto formado atualmente por Andréa Dutra, Cacala Carvalho, Elisa Queirós e Paulo Malaguti Pauleira. O samba miscigenado é o ingrediente predominante na panela, mas o tempero especial é o suingue dos arranjos do pianista Paulo Malaguti Pauleira, produtor do disco e parceiro de Valmir Vignolli na música-título Na panela pra dançar. Malandro também chora (Mauro Diniz) é levado em fogo brando, mas sem fazer desandar a cadência do fundo do quintal enquanto Saudade (Sombrinha e Rubens Gordinho) mostra que o grupo geralmente cai no suingue do samba com guitarra, piano elétrico e baixo - como reiteram as faixas Desarvorada ô (Paulinho Malaguti Pauleira) e Papinha (Arlindo Cruz e Sombrinha), esta preparada sem o dengo pedido por este samba. De tonalidade épica, o autorreferente samba-enredo Apogeu e glória do Arranco (Cláudio Nucci e Danilo Caymmi) abre alas para o disco sem empolgar na avenida. Na sequência, a releitura de O dia em que faremos contato - música-título do primeiro influente álbum solo de Lenine, lançado em 1997 - atravessa o samba ao diluir a pegada original da obra do compositor pernambucano. Fora de sua receita de samba, o álbum põe na panela choro-canção metalinguístico de Sergio Santos e Paulo César Pinheiro, Um choro. Pinheiro também é letrista de Saudações, samba de Egberto Gismonti. Sem espaço para expor as nuances das vozes de suas três cantoras, o sexto CD do Arranco de Varsóvia jamais atinge o ponto de fervura esperado em um disco voltado para o samba. Mas pode contentar quem já provou - e gostou - do suingue de Paulo Malaguti Pauleira.

'Ínterim' gira no tempo angustiado em que emerge o som de Guga Bruno

Resenha de CD
Título: Ínterim
Artista: Guga Bruno
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para audição e download gratuito e legalizado no site Música Artesanal

Há mordaz ironia nos versos de Chuva de uma gota só, uma das dez músicas inéditas e autorais alinhadas pelo cantor e compositor carioca Guga Bruno em seu segundo álbum solo, Ínterim, lançado em edição digital neste mês de abril de 2014. "Hoje não farei um samba triste / Hoje vou fazer um funk alto astral / A tristeza do tango até existe / Mas a alegria da salsa é muito mais legal", avisa o artista no refrão pop e grudento, depois repetido em espanhol em brincadeira com os hermanos do universo pop latino-americano. Aos 36 anos, egresso de bandas cariocas como Chinelo de Couro Cru & Os Cruzados de Canhota (de 1998 a 2003) e a saudosa Lasciva Lula (de 2003 a 2008), Guga Bruno não chega a mudar de assunto na esfera pop rock em que está situada seu repertório autoral - a exemplo do que mostra o rock que abre o interessante disco, Manual para naufrágio em grandes cidades - mas Ínterim (re)apresenta um compositor de bom nível, com algo para dizer. E que diz, embutindo certa desesperança na delicadeza de O pequeno circo místico, canção que alude no título ao balé O grande circo místico (1983). Power balada de tom bluesy, como explicita de cara sua longa introdução instrumental, Estado inerte é o ponto mais alto, intenso e denso de um disco que flagra um homem à procura de qualquer emoção que sirva. Temperos e flores e rock suaviza o ambiente na pegada do rock enquanto Eu-dividido espalha perfume pop sem abafar o grito ouvido "na caverna do sofrer". Embalada em levada pop folk, a balada Recapitulo relativiza o sol surgido pós-tempestade. "Todo mundo sempre volta para casa / Todo mundo menos um", contabiliza a letra. Sucessor de Nanogravura popular brasileira (2009), Ínterim reflete sobre a relatividade do tempo em Homens ao mar. As tempestades interiores são o mote das letras de um disco que transita entre contrastes de luzes e sombras, de calmas e medos, de alegrias e tristezas e de alívios e cansaços. Nesse sentido, o pop rock Circuito fechado encerra o CD sem encontrar o fio da meada, mas com luz no fim do túnel iluminado pela presença do ser amado. Como compositor, Guga Bruno não se encontra em estado inerte. Tampouco seu disco.

Nicolas celebra no CD 'Festejos' Brasil feminino (e brasileiro) de Pinheiro

Resenha de CD
Título: Festejos
Artista: Alexandra Nicolas
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * 1/2

De sua aguçada vista na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o compositor carioca Paulo César Pinheiro enxerga todo um Brasil enraizado em ricas tradições musicais. Um país que, sob a ótica e sob a pena do compositor, continua parado em tempos idos, imune aos sons da modernidade cosmopolita e às bem-vindas influências do universo pop. É esse Brasil cristalizado e romantizado pelos olhos do poeta - um Brasil essencialmente brasileiro - que a cantora maranhense Alexandra Nicolas canta e celebra no seu primeiro CD, Festejos, no qual dá sua voz graciosa a 13 músicas de Paulo César Pinheiro. Baseado no show Senhora das Candeias do Maranhão, estreado em 2009 pela artista, o disco foi gravado em 2013 sob a direção musical da cavaquinista Luciana Rabello e está sendo lançado neste mês de abril de 2014 pela Acari Records. Em Festejos, álbum de caráter atemporal pela moldura tradicional dos arranjos e do inédito repertório de tons regionais, a cantora celebra também a força da mulher neste Brasil brasileiro que mantém seu pé na Mãe-África, evocada em Mironga (Paulo César Pinheiro), música de rítmica sedutora que dá mais uma amostra de que o poeta Pinheiro também é compositor inspirado na construção de melodias. Mulher valente que, no disco, é retratada tanto na figura da Iaiá do Brasil rural enfocado em Balacoxê de Iaiá (Paulo César Pinheiro) - samba que se destaca no repertório - como na pele da centenária e arretada personagem-título de Bisavó Madalena, tema forrozeiro de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro. Ou ainda no molde da bela negra descendente de escravos que hoje mostra na avenida toda sua nobreza, perfilada no samba Passista (Paulo César Pinheiro). Em sintonia com o conceito do CD, Lavadeira (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro) ecoa o canto e a rítmica feminina de um Brasil que ginga nas cadeiras de suas mulheres. Festejos está embrenhado nesse Brasil rural e interiorano, mas também se aproxima do litoral, se banhando nas águas de Dorival Caymmi (1914 - 2008) em Presente de Iemanjá (João Lyra e Paulo César Pinheiro). Entre cocos anunciados já nos títulos das músicas (Coco e Coco da canoa, este composto por Pinheiro com João Lyra) e tambor-de-criola (São Luis do Maranhão, faixa que fecha o disco, trazendo Nicolas de volta às origens natais), Festejos migra para o Recôncavo Baiano, terra da chula, quando abre a longa Roda das sete saias, parceria de Pinheiro com o baiano Roque Ferreira, compositor tão compulsivo quanto o poeta carioca. Por mais que o cancioneiro reunido em Festejos careça de um traço de originalidade, o disco se sustenta bem em seu (en)canto pela permanência e pela louvação de um Brasil já mitificado pela poesia e a rítmica do compositor. 

sábado, 19 de abril de 2014

Prince reata com a Warner Music e lança música inédita 'The breakdown'

Após 18 anos de rompimento que culminou em briga judicial, Prince retoma sua relação com a gravadora Warner Music neste ano de 2014. É pela companhia fonográfica - da qual saiu de forma ruidosa em 1996 - que o cantor e compositor norte-americano vai lançar seu primeiro álbum de inéditas desde 20Ten (2010). Na imediata sequência do anúncio da paz selada entre Prince e a Warner (gravadora pela qual o artista lançou seus melhores álbuns nos anos 1980), o cantor apresentou hoje, 19 de abril, música inédita, The breakdown. Lançada via iTunes e Spotify, The breakdown vem se juntar a outras inéditas (Boyfriend, That girl thang, Rock and roll love affair, Screwdriver, Breakfast can wait, Same page, different book e Ain't gonna miss u when u're gone) lançadas na web pelo artista desde novembro de 2012. Pelo novo contrato assinado com a Warner Music, Prince adquire controle sobre seu catálogo na gravadora. A propósito, já está em produção a edição comemorativa dos 30 anos de Purple rain (1984), sexto álbum do artista, um dos mais bem-sucedidos em sua carreira fonográfica.

'Sambabook' dedicado a Zeca Pagodinho é editado em CD (duplo) e DVD

Com lançamento agendado para esta segunda quinzena de abril de 2014, o Sambabook Zeca Pagodinho chega às lojas nos formatos de CD duplo, DVD e blu-ray com os números musicais captados ao vivo em dezembro de 2013 - a tempo de festejar os 30 anos de carreira do cantor e compositor carioca, projetado em 1983 - em sessões de gravação feitas na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). Músicas de autoria de Zeca Pagodinho são recriadas por nomes da MPB e do samba. Eis as 25 músicas e seus respectivos intérpretes no Sambabook Zeca Pagodinho, editado pelo selo do artista, Zeca PagoDiscos, com a distribuição da gravadora Universal Music:

1. Não sou mais disso (Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1996) - Gilberto Gil
2. Mutirão de amor (Sombrinha, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1983) - Roberta Sá
3. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1986) - Lenine
4. Lua de Ogum (Ratinho e Zeca Pagodinho, 1991) - Mariene de Castro
5. Lama nas ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986) - Beth Carvalho
6. Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005) - Marcelo D2
7. Menor abandonado (Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Zeca Pagodinho, 1987) - Sombrinha
8. Depois do temporal (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) - Jorge Ben Jor
9. Se eu for falar de tristeza (Beto Gago e Zeca Pagodinho, 1986) - Arlindo Cruz
10. Já mandei botar dendê (Arlindo Cruz, Maurição e Zeca Pagodinho, 1995) - Nilze Carvalho
11. Em nome da alegria (Almir Guineto, Carlos Senna e Zeca Pagodinho, 1991) - Almir Guineto
12. São José de Madureira (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1984) - Gabrielzinho do Irajá
13. Judia de mim (Wilson Moreira e Zeca Pagodinho, 1986) - Djavan
14. Vou botar teu nome na macumba (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 1995) - Mumuzinho
15. Alto lá (Arlindo Cruz, Sombrinha e Zeca Pagodinho, 2000) - Maria Rita
16. Talarico, ladrão de mulher (Serginho Procópio e Zeca Pagodinho, 1992) - Péricles
17. Ter compaixão (Arlindo Cruz, Marquinho China e Zeca Pagodinho, 1989) - Alcione
18. Bagaço da laranja (Arlindo Cruz, Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho, 1985) - Emicida
19. Lente de contato (Jorge Senna, Wanderson e Zeca Pagodinho, 1990) - Diogo Nogueira & Hamilton de Holanda
20. Brincadeira tem hora (Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1986) - Frejat
21. Termina aqui (Arlindo Cruz, Ratinho e Zeca Pagodinho, 1987) - Jorge Aragão
22. SPC (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1986) - Dudu Nobre
23. Faixa amarela (Jessé Pai, Luiz Carlos, Beto Gago e Zeca Pagodinho, 1997) - Martinho da Vila
24. Falsa alegria (Alcino, Monarco e Zeca Pagodinho, 1992) - Monarco & Velha Guarda da Portela
25. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) - Zeca Pagodinho e elenco

Roberta Sá seleciona música de Rubinho Jacobina para CD de samba pop

Roberta Sá selecionou música do compositor carioca Rubinho Jacobina - de quem gravou Bem a sós em seu último álbum, Segunda pele (MP,B Discos / Universal Music) - para o disco que arquiteta desde 2013 com sambas inéditos de autores ligados ao universo pop. Previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2014, o sexto CD de Roberta Sá deve alinhar no repertório músicas de Adriana Calcanhotto e Zélia Duncan, entre outros nomes do quintal pop. No ano passado, Roberta pediu samba a Marina Lima. A ideia é cair no samba sem obviedade.

Baú de inéditas de Fátima tem canção com Ivan e samba com Moacyr Luz

Cantores de MPB à procura de repertório devem seguir o exemplo de Simone e contatar Fátima Guedes. Contando atualmente com 23 músicas registradas pela artista carioca em gravações demos, o baú de inéditas da compositora - de quem Simone gravou o sedutor baião Haicai em seu álbum É melhor ser (Biscoito Fino, 2013) - inclui canção composta com Ivan Lins (Tanto nó) e samba feito com Moacyr Luz (Súbita primavera), entre músicas assinadas somente por Fátima Guedes, casos de Caminho do coração, Lua de cereja, Pólen, Simples pensamento, Tantos assuntos e Um anjo. Todas são inéditas - à espera de gravações em vozes alheias e/ou de registros oficiais em (necessário) álbum desta compositora projetada em 1979.

Bruno & Marrone cantam hits de Djavan, Kiko e Lulu em gravação ao vivo

Bruno & Marrone trouxeram sucessos de Alcione, Djavan, Kiko Zambianchi, Lulu Santos, Reginaldo Rossi (1944 - 2013) e Roberto Carlos para o universo sertanejo em registro de show que vai ser editado em CD e DVD. A gravação ao vivo foi feita no Espaço das Américas, em São Paulo (SP), na noite de 17 de abril de 2014. Sob produção de Dudu Borges, a dupla sertaneja apresentou músicas inéditas - Agora, Ainda gosto demaisEu mudei demais, Parabéns e Tiro e queda - entre recriações de músicas como Você me vira a cabeça (Me tira do sério) (Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, 2001), Oceano (Djavan, 1989), Primeiros erros (Kiko Zambianchi, 1985), Apenas mais uma de amor (Lulu Santos, 1992), Garçom (Reginaldo Rossi, 1987) e Força estranha (Caetano Veloso, 1978). O CD e o DVD da dupla serão lançados no segundo semestre.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

É reeditado álbum em que Plácido Domingo se inspirou em João Paulo II

Lançado originalmente em 2009 pela gravadora alemã Deutsche Grammophon, o álbum Amore infinito, do cantor espanhol Plácido Domingo, está sendo reeditado em escala mundial pela gravadora Sony Music, dentro do selo Sony Classical, neste mês de abril de 2014. No disco, o tenor dá voz a canções inspiradas em poemas do polonês Karol Wojtyla (1920 - 2005), mais conhecido como o papa João Paulo II. Na companhia da London Symphony Orchestra, Domingo recebe colegas como Andrea Bocelli (no Canto del sole inesauribile), Josh Groban (em La tua semplicità), Katherine Jerkins (na faixa A mother's wonderment) e Vanessa Williams (no tema Gratitude). A capa da atual reedição de Amore infinito é diferente da capa da edição original.

Disco solo de Juçara, 'Encarnado', ganha edição física feita com serigrafia

Lançado em fevereiro deste ano de 2014, em edição digital disponibilizada para download gratuito e legalizado, o primeiro álbum solo da cantora paulistana Juçara Marçal - Encarnado, já garantido na lista de melhores discos do ano - ganha neste mês de abril uma especial edição física de tiragem limitada. As cópias desta tiragem especial de lançamento foram feitas com o uso de serigrafia e impressas manualmente - o que valoriza o projeto gráfico do disco, criado por Rubens Amatto a partir de desenho feito pelo guitarrista Kiko Dinucci, que coproduziu o álbum ao lado do também guitarrista Rodrigo Campos e da própria Juçara Marçal. É luxo só!!!

Eis a capa do sétimo DVD de Marisa, 'Verdade uma ilusão tour 2012/2013'

Eis a capa do sétimo DVD da cantora carioca Marisa Monte. O DVD Verdade uma ilusão tour 2012/2013 vai chegar às lojas em maio de 2014, em edição da gravadora Universal Music. Na capa, Marisa é vista em foto de Leo Aversa, no palco da gravação ao vivo, no Rio de Janeiro.

Lucas Silveira, do grupo Fresno, colabora com Skank na letra de 'Valsa'

No CD de inéditas que finaliza pela gravadora Sony Music, o quarteto mineiro Skank conta com a colaboração de Lucas Silveira, vocalista e guitarrista do grupo gaúcho Fresno, na letra de Valsa, uma das músicas do disco, cuja ficha técnica também vai trazer o nome de Emicida. O rapper paulistano é coautor dos versos da faixa Tudo isso. Já o cantor e compositor paulista Nando Reis engrossa sua parceria com Samuel Rosa com as músicas Alexia e Multidão. Já em rotação na web, o reggae Ela me deixou é outra faixa do álbum, já em fase de masterização.

Eis a capa do álbum que a Nação Zumbi lança em maio com onze inéditas

Esta é a capa de Nação Zumbi, o primeiro álbum de inéditas da banda pernambucana desde Fome de tudo (2007). Pedro Pinhel e Ricardo Fernandes assinam o projeto do gráfico do disco que vai chegar ao mercado fonográfico em maio de 2014, em edição do selo Slap. Produzido por Berna Ceppas e Kassin, o álbum Nação Zumbi tem lançamento nas plataformas digitais programado para 5 de maio. A chegada do CD às lojas está agendada para 15 de maio. O repertório alinha onze músicas inéditas. Uma delas, Cicatriz (Jorge Du Peixe, Dengue, Lúcio Maia e Pupillo), já é conhecida pelo público da banda, pois foi lançada em 25 de fevereiro, abrindo os trabalhos promocionais do álbum, o 11º título da discografia oficial da Nação Zumbi.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Alice e Lucas releem 'Tarde triste', música de Maysa já gravada por Nana

Já está em rotação, no portal SoundCloud, releitura de Tarde triste feita pela cantora carioca Alice Caymmi com Lucas Vasconcellos (músico projetado no duo carioca Letuce). De autoria de Maysa (1936 - 1977), a doída canção Tarde triste foi lançada pela cantora e compositora paulista em seu primeiro álbum, Convite para ouvir Maysa (RGE, 1956). Tia de Alice, a cantora carioca Nana Caymmi gravou Tarde triste no segundo semestre de 2001 para a trilha sonora da novela O clone (TV Globo, 2001 / 2002). Envolta pela atmosfera contemporânea dos sons e ruídos de Lucas Vasconcellos (músico que vem ganhando relevância na cena indie desde que iniciou sua carreira solo), a abordagem da canção por Alice Caymmi preserva a melancolia saudosa expressa nos versos confessionais e diretos de Maysa, confirmando o talento e a forte personalidade artística da neta de Dorival. A gravação é de ensaio de show de Lucas com Alice.

Em cena, o coração de Maria Rita também batuca ao som de Aragão e Gil

Samba composto por Jorge Aragão em parceria com Alberto Souza, Do fundo do nosso quintal - música-título de álbum lançado pelo grupo carioca Fundo de Quintal em 1987 - é uma das novidades do roteiro do show Coração a batucar, baseado no homônimo sexto álbum de Maria Rita. A cantora paulistana também dá voz a um samba sinuoso de Gilberto Gil - Ladeira da preguiça, lançado em 1973 na voz emblemática de sua mãe Elis Regina (1945 - 1982) - no roteiro que basicamente mixa músicas dos dois discos de samba da artista, Samba meu (Warner Music, 2007) e Coração a batucar (Universal Music, 2014). Base do sexto DVD de Maria Rita, o show teve sua estreia nacional em 12 de abril de 2014, em apresentação feita pela cantora na Choperia do Gordo, situada na cidade de Lorena (SP). Eis o roteiro seguido por Maria Rita - vista em foto de Vicente de Paulo - na estreia nacional do show que vai chegar ao Rio de Janeiro (RJ) em 26 de abril de 2014 e, na sequência, já vai partir em turnê nacional:

1. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)
2. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
3. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
4. Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014)
5. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
6. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
7. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
10. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1973)
11. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980)
12. Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007)
13. No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014)
14. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
15. Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007)
16. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
17. Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973)
18. No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014)
19. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
20. Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986)
21. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
22. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
Bis:
23. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
24. O homem falou (Gonzaguinha, 1987)

Teló lança música 'Te dar um beijo', gravada com o cantor Prince Royce

O cantor paranaense Michel Teló lança na web música inédita, Te dar um beijo, versão em português de Darte un beso, tema de autoria de Prince Royce. Cantor, compositor e produtor musical norte-americano em ascensão no mercado de música latina dos Estados Unidos e dos países de língua hispânica, Royce participa da gravação de Teló, que adiciona molho sertanejo à música sem tirar o sabor pop latino da música. Embora já esteja em rotação na web, Te dar um beijo vai ser oficialmente lançada por Teló em 24 de abril de 2014 durante a cerimônia de entrega do Prêmio Billboard Latino, em Miami (EUA), em número feito em dueto com Royce.

Mar de Caymmi quebra bonito na 'Bahia de Guabanara', single do Diahum

Resenha de single duplo
Título: Bahia de Guanabara
Artista: Diahum
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *
Disco disponível no site oficial do Diahum

O mar caudaloso de Dorival Caymmi (1914 - 2008) continua originando ondas que abarcam toda a música brasileira. Projeto do cantor e compositor carioca Dimitri BR, Diahum mergulha nesse mar profundo em Bahia de Guanabara, single duplo lançado em edição digital neste mês de abril de 2014 em que o Brasil festeja o centenário de nascimento do compositor baiano, a quem o single é dedicado. As duas músicas são belas. De quem é a voz? (Dimitri BR e Alexandre Hofty) tangencia o universo do afro-samba, evocando uma ancestralidade através da voz grave do cantor. "De quem é a voz no teu canto? Que tanto se faz minha voz / Que encanto se dá nesse encontro / Me conta que canto por nós", poetiza o Diahum nos versos desse batuque cool que investiga os mistérios do canto A segunda música, Você e a brisa, também está mergulhada em poesia. No caso, a poesia da letra de Bruna Beber, parceira de Dimitri neste lírico tema, discípulo das canções praieiras de Caymmi. A atriz Cristina Flores divide a interpretação da canção cool com Dimitri, reiterando o encanto que há no encontro do Diahum com o cancioneiro de Caymmi. O mar que quebra na Bahia de Guanabara é bonito.