sexta-feira, 18 de abril de 2014

Eis a capa do sétimo DVD de Marisa, 'Verdade uma ilusão tour 2012/2013'

Eis a capa do sétimo DVD da cantora carioca Marisa Monte. O DVD Verdade uma ilusão tour 2012 / 2013 vai chegar às lojas em maio de 2014, numa edição da gravadora Universal Music.

Eis a capa do álbum que a Nação Zumbi lança em maio com onze inéditas

Esta é a capa de Nação Zumbi, o primeiro álbum de inéditas da banda pernambucana desde Fome de tudo (2007). Pedro Pinhel e Ricardo Fernandes assinam o projeto do gráfico do disco que vai chegar ao mercado fonográfico em maio de 2014, em edição do selo Slap. Produzido por Berna Ceppas e Kassin, o álbum Nação Zumbi tem lançamento nas plataformas digitais programado para 5 de maio. A chegada do CD às lojas está agendada para 15 de maio. O repertório alinha onze músicas inéditas. Uma delas, Cicatriz (Jorge Du Peixe, Dengue, Lúcio Maia e Pupillo), já é conhecida pelo público da banda, pois foi lançada em 25 de fevereiro, abrindo os trabalhos promocionais do álbum, o 11º título da discografia oficial da Nação Zumbi.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Alice e Lucas releem 'Tarde triste', música de Maysa já gravada por Nana

Já está em rotação, no portal SoundCloud, releitura de Tarde triste feita pela cantora carioca Alice Caymmi com Lucas Vasconcellos (músico projetado no duo carioca Letuce). De autoria de Maysa (1936 - 1977), a doída canção Tarde triste foi lançada pela cantora e compositora paulista em seu primeiro álbum, Convite para ouvir Maysa (RGE, 1956). Tia de Alice, a cantora carioca Nana Caymmi gravou Tarde triste no segundo semestre de 2001 para a trilha sonora da novela O clone (TV Globo, 2001 / 2002). Envolta pela atmosfera contemporânea dos sons e ruídos de Lucas Vasconcellos (músico que vem ganhando relevância na cena indie desde que iniciou sua carreira solo), a abordagem da canção por Alice Caymmi preserva a melancolia saudosa expressa nos versos confessionais e diretos de Maysa, confirmando o talento e a forte personalidade artística da neta de Dorival. A gravação é de ensaio de show de Lucas com Alice.

Em cena, o coração de Maria Rita também batuca ao som de Aragão e Gil

Samba composto por Jorge Aragão em parceria com Alberto Souza, Do fundo do nosso quintal - música-título de álbum lançado pelo grupo carioca Fundo de Quintal em 1987 - é uma das novidades do roteiro do show Coração a batucar, baseado no homônimo sexto álbum de Maria Rita. A cantora paulistana também dá voz a um samba sinuoso de Gilberto Gil - Ladeira da preguiça, lançado em 1973 na voz emblemática de sua mãe Elis Regina (1945 - 1982) - no roteiro que basicamente mixa músicas dos dois discos de samba da artista, Samba meu (Warner Music, 2007) e Coração a batucar (Universal Music, 2014). Base do sexto DVD de Maria Rita, o show teve sua estreia nacional em 12 de abril de 2014, em apresentação feita pela cantora na Choperia do Gordo, situada na cidade de Lorena (SP). Eis o roteiro seguido por Maria Rita - vista em foto de Vicente de Paulo - na estreia nacional do show que vai chegar ao Rio de Janeiro (RJ) em 26 de abril de 2014 e, na sequência, já vai partir em turnê nacional:

1. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)
2. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
3. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
4. Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014)
5. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
6. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
7. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
10. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1973)
11. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980)
12. Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007)
13. No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014)
14. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
15. Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007)
16. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
17. Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973)
18. No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014)
19. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
20. Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986)
21. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
22. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
Bis:
23. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
24. O homem falou (Gonzaguinha, 1987)

Teló lança música 'Te dar um beijo', gravada com o cantor Prince Royce

O cantor paranaense Michel Teló lança na web música inédita, Te dar um beijo, versão em português de Darte un beso, tema de autoria de Prince Royce. Cantor, compositor e produtor musical norte-americano em ascensão no mercado de música latina dos Estados Unidos e dos países de língua hispânica, Royce participa da gravação de Teló, que adiciona molho sertanejo à música sem tirar o sabor pop latino da música. Embora já esteja em rotação na web, Te dar um beijo vai ser oficialmente lançada por Teló em 24 de abril de 2014 durante a cerimônia de entrega do Prêmio Billboard Latino, em Miami (EUA), em número feito em dueto com Royce.

Mar de Caymmi quebra bonito na 'Bahia de Guabanara', single do Diahum

Resenha de single duplo
Título: Bahia de Guanabara
Artista: Diahum
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *
Disco disponível no site oficial do Diahum

O mar caudaloso de Dorival Caymmi (1914 - 2008) continua originando ondas que abarcam toda a música brasileira. Projeto do cantor e compositor carioca Dimitri BR, Diahum mergulha nesse mar profundo em Bahia de Guanabara, single duplo lançado em edição digital neste mês de abril de 2014 em que o Brasil festeja o centenário de nascimento do compositor baiano, a quem o single é dedicado. As duas músicas são belas. De quem é a voz? (Dimitri BR e Alexandre Hofty) tangencia o universo do afro-samba, evocando uma ancestralidade através da voz grave do cantor. "De quem é a voz no teu canto? Que tanto se faz minha voz / Que encanto se dá nesse encontro / Me conta que canto por nós", poetiza o Diahum nos versos desse batuque cool que investiga os mistérios do canto A segunda música, Você e a brisa, também está mergulhada em poesia. No caso, a poesia da letra de Bruna Beber, parceira de Dimitri neste lírico tema, discípulo das canções praieiras de Caymmi. A atriz Cristina Flores divide a interpretação da canção cool com Dimitri, reiterando o encanto que há no encontro do Diahum com o cancioneiro de Caymmi. O mar que quebra na Bahia de Guanabara é bonito.

Quinto álbum de estúdio de Bebel, 'Tudo!', chega no fim de julho via Sony

Tudo! é o título do quinto álbum de estúdio de Bebel Gilberto. A artista norte-americana (de criação brasileira) assinou com a gravadora Sony Music para lançar o disco gravado em Nova York (EUA) neste primeiro semestre de 2014. O lançamento mundial está agendado para 29 de julho. Tudo! sucede na discografia de Bebel o CD ao vivo e DVD Bebel Gilberto in Rio (Biscoito Fino, 2013) e é o primeiro disco de estúdio da cantora desde All in one (Verve Records, 2009).

KLB tenta 'um novo tempo' no mundo do disco com edição de EP e DVD

Trio juvenil lançado no mercado fonográfico em 2000, pela Sony Music, KLB - formado pelos irmãos paulistanos Kiko, Leandro e Bruno Scornavacca - prepara sua volta ao mundo do disco após pausa para investimento nas carreiras políticas de Leandro e Bruno. Sem lançar disco desde KLB 3D (Radar Records, 2011), o grupo prepara a edição do EP Um novo tempo e de DVD. Com capa que expõe Leandro de costas, segurando suas filhas gêmeas Kyara e Maya (de oito meses), o EP Um novo tempo vai apresentar cinco músicas inéditas nas vozes do trio KLB.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Quinto CD de Daúde ecoa um código eletrônico decifrado nos anos 1990

Resenha de CD
Título: Código Daúde
Artista: Daúde
Gravadora: Lab 344
Cotação: * * * 1/2

Se não incluísse arejada abordagem melodiosa de O vento (Rodrigo Amarante, 2005), uma das canções mais bonitas do repertório do ora desativado grupo carioca Los Hermanos, o CD Código Daúde poderia ter sido lançado no fim dos anos 1990, na sequência de Daúde (Natasha Records, 1995) e # 2 (Natasha Records, 1997), os dois primeiros bons álbuns dessa fervida cantora baiana - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde a década de 1970 - que chegou a cobiçar o posto de diva da música brasileira pós-moderna, mas saiu progressivamente de cena ao longo dos anos 2000. Afinal, além de as outras onze músicas de Código Daúde terem sido lançadas entre 1930 e 1982, a atmosfera eletrônica do disco dá a senha de que Daúde volta ao mundo do disco - onze anos após o lançamento de Neguinha te amo (Real World, 2003) - com som já decifrado pela própria artista em seus hypados álbuns dos anos 1990. Nesse sentido, Código Daúde - quinto título da curta discografia da cantora, se contabilizado o CD de remixes Simbora, editado em 1999 - é extremamente fiel às leis feitas pela própria Daúde, resultando em bom disco. Primeiro pelo fato de Daúde saber garimpar repertório. Suas escolhas quase nunca são óbvias. Segundo porque, ao abordar uma música, a cantora sempre o faz de forma surpreendente, se desviando da gravação original. Joia rara do baú do cantor e compositor carioca Marcos Valle, Que bandeira (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha, 1971) é exemplo da habilidade de Daúde de repaginar músicas pouco ou muito ouvidas. A faixa transborda suingue, marcado tanto pelos vocais elétricos da cantora quanto pelo timbre vintage do piano Fender Rhodes pilotado por Valle em gravação em que a bateria de Jam da Silva quebra tudo. Gravado sob a direção artística da própria Daúde, que criou arranjos e programações de todas as músicas, em produção dividida com o guitarrista Clauber Fabre, o disco por vezes se joga em pista modernosa. A recriação do mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939) - sucesso no Brasil desde 1958 na voz de Ângela Maria - cai no suingue, banhado em apropriada latinidade, mas sem contagiar o ouvinte. Outro convidado do disco, Alceu Valença entra novamente no tom lascivo de seu sucesso Como dois animais (Alceu Valença, 1982) sem chegar a surpreender. Música originada de canção brasileira dos anos 1930, Mãe preta, Barco negro - fado luso-brasileiro que tem versos do poeta português David de Jesus Mourão (1927 - 1996), escritos sobre a melodia do compositor gaúcho Matheus Nunes (1919 - 1971), o Caco Velho - atravessa o Atlântico em tom épico na gravação mestiça de Daúde, passando por águas africanas e baianas. Além de emergir na onda que leva Barco negro, o berimbau tocado por Clauber Fabre também se faz ouvir na introdução de Cala a boca, menino (Dorival Caymmi, 1973), subversiva abordagem de tema esquecido do cancioneiro do centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008). Hit da dupla Sá & Guarabyra que soa mais sedutor no disco do que nos shows feitos por Daúde desde 2013, Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1977) é erguido no refrão com as vozes do coral infantil Musimundi. Mote da faixa, o violino de Nicolas Krassik delineia a influência moura absorvida pelo sertão nordestino. Turbinado pela efervescência do canto de Daúde, o samba-rock Segura esse samba, Ogunhê (Osvaldo Nunes, 1969) embute citação da Dança do bole bole (João Roberto Kelly, 1976) e deságua, com tom mais sereno, no irônico samba Falso amor sincero (1979), no qual o compositor carioca Nelson Sargento - convidado da faixa-medley - destila fina ironia sobre uniões afetivas. Eletrizante no dueto de Daúde com Sargento, o samba-rock seguraria sozinho a faixa, alongada em excesso com a colagem do segundo samba. E por falar em samba, um dos achados do repertório do Código Daúde é o samba Minhas razões, sucesso da dupla baiana Antonio Carlos & Jocáfi em 1972 que se revela sedutor com arranjo cheio de molho em que os vocais de Daúde são o tempero especial.  Na sequência, Eu não vou mais (Orlandivo e Durval Ferreira, 1966) anima o baile com o eletrônico suingue já vintage de Daúde enquanto a chanson J’ai deux amours (Georges Konyn, Henri Eugene Vantard e Vincent Batiste Scotto) - lançada em 1930 na voz da cantora de origem norte-americana (e nacionalidade francesa) Joséphine Baker - arremata o disco com o toque do violino de Nicolas Krassik e com serenidade sensual que ecoa Neguinha te amo, álbum anterior de Daúde. É mais uma senha para decifrar o código de um disco que traduz e reitera a personalidade de Daúde.

Eis a capa do DVD de Ivete que vai chegar às lojas a partir de 6 de maio

Esta é a capa do DVD Multishow ao vivo Ivete Sangalo 20 anos. Nas lojas a partir de 6 de maio de 2014, em edição da Universal Music, o DVD exibe o show feito pela cantora e compositora baiana em 14 de dezembro de 2013, na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA). Também editada nos formatos de CD (nas lojas simultaneamente com o DVD) e blu-ray (em data ainda incerta), a gravação ao vivo teve participações de Alexandre Carlo (vocalista da banda Natiruts), Alexandre Pires, Bell Marques, Olodum, Saulo Fernandes e Stomp. A própria Ivete assina a direção musical do show em parceria com seu maestro Radamés Venâncio. Entre inéditas autorais como o reggae Para você, composto por Ivete com seu fiel parceiro Gigi e gravado em dueto com Bell Marques, a cantora dá voz a Master blaster (Jammin), música lançada pelo cantor e compositor norte-americano Stevie Wonder em 1980 em homenagem ao cantor e compositor jamaicano Bob Marley (1945-1981), rei do reggae. DVD tem oito inéditas. Uma delas - o reggae Amor que não sai, parceria de Gigi com Dan Kambaiah - já puxa o DVD.

Capital Inicial renova contrato com a Sony Music / Day 1 por cinco anos

Grupo de Brasília (DF), criado em 1982 a partir da dissolução da banda Aborto Elétrico, Capital Inicial completa 34 anos de vida de contrato renovado com a Sony Music por mais cinco anos. A foto acima flagra os músicos do grupo entre executivos da gravadora e da Day 1 - a empresa de agenciamento de shows associada à companhia fonográfica - durante a renovação de seu contrato. O último bom álbum do Capital Inicial, Saturno, foi editado em 2012 pela Sony Music.

'Verdade uma ilusão' é o segundo 'single' de gravação de show de Marisa

Bela valsa composta por Marisa Monte com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, Verdade uma ilusão - música lançada por Brown em álbum de 2010 e regravada pela cantora no álbum O que você quer saber de verdade (2011) - é o segundo single extraído da gravação ao vivo do show batizado com o nome da composição do trio tribalista. O registro ao vivo de Verdade uma ilusão já está disponível no iTunes, na sequência da promoção da faixa Ilusão, a versão em português, escrita por Marisa e Arnaldo, de Ilusión (Julieta Venegas, 2007) - na mesma plataforma digital. O DVD com a gravação ao vivo do show Verdade uma ilusão - captado em 3 de agosto de 2013, em apresentação para convidados feita na Grande Sala da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ) - será lançado em maio de 2014, pela gravadora Universal Music.

CD 'Pássaros urbanos' marca a volta de Fagner ao disco após cinco anos

Sem lançar disco desde 2009, ano em que editou pela gravadora Som Livre o álbum de inéditas Uma canção no rádio, Fagner volta ao mercado fonográfico este ano com a edição do CD de inéditas que o cantor e compositor cearense vem arquitetando desde 2011. Produzido por Michael Sullivan, o disco se chama Pássaros urbanos e vai ser lançado em maio de 2014 pela gravadora Sony Music. O repertório inclui duas regravações e dez músicas inéditas. Entre as inéditas, há Arranha-céu, música composta por Sullivan com letra do poeta cearense Fausto Nilo, parceiro de Fagner. Quando arquitetou o disco, aliás, Fagner alinhavou repertório que incluía Baladas fingidas, parceria com Nilo, entre músicas compostas com Clodô e Zeca Baleiro.

Maré vira a favor do Fresno em EP que fortalece independência do grupo

Resenha de EP
Título: Eu sou a maré viva
Artista: Fresno
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *

Desde que o Fresno decretou sua independência e se libertou dos padrões radiofônicos da música formatada pelo produtor Rick Bonadio, o grupo gaúcho somente tem ganhado peso e relevância na cena pop brasileira. De disco em disco, o rock da banda vem se aproximando do alto nível do som do único álbum de Beeshop, projeto solo do vocalista e guitarrista Lucas Silveira. EP com cinco músicas inéditas, recém-lançado pelo Fresno de forma independente, Eu sou a maré viva consolida a virada do quarteto e reitera a evolução crescente do grupo, nítida desde a edição do EP digital Cemitério das boas intenções (2011). Décimo-primeiro título da discografia do Fresno, o disco é o primeiro gravado pela banda com o baterista Thiago Guerra, recrutado em agosto de 2013 para ocupar o lugar deixado vago com a saída (amigável) de Rodrigo Ruschell. E o fato é que a maré parece ter virado a favor do Fresno com este EP que, por ter somente cinco músicas, soa mais coeso do que o último álbum do grupo, Infinito (2012). As letras são contundentes, oscilando entre o lirismo épico - detectado em Icarus (Lucas Silveira, Gustavo Mantovani, Mario Camelo e Thiago Guerra), rock que fecha o disco na pressão - e a crítica social, mote de Manifesto (Lucas Silveira e Emicida). Grande destaque do EP, inclusive por conta da letra escrita com versos incômodos como “A gente finge que vive até o dia de morrer / E espera a hora da morte pra se arrepender... de tudo”Manifesto é rock gravado com os vocais do cantor pernambucano Lenine e aditivado com o rap do paulistano Emicida. A junção de três artistas de universos musicais distintos soa natural. Com ecos de progressivo no arremate épico da faixa, o rock À prova de balas (Lucas Silveira, Gustavo Mantovani, Mario Camelo e Thiago Guerra) abre o EP, apontando o apuro instrumental da gravação das cinco músicas deste disco que dá literalmente peso ao som roqueiro do Fresno. Completam o repertório duas power baladas, Eu sou a maré viva (Lucas Silveira) e O único a perder (Lucas Silveira), de versos fortes que provam que o Fresno tem muito a dizer. Somente não ouve quem - por pré-conceito! - se recusa a perceber o crescimento do grupo...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Lô conceitua coletânea centrada na sua produção do período 2003 - 2013

Artista que nunca acertou o ritmo industrial ditado pelas gravadoras, Lô Borges estava habituado a lançar discos de inéditas de forma espaçada. Mesmo no período em que esteve em maior evidência na cena musical brasileira, ao longo dos anos 1970 e 1980, o cantor e compositor mineiro sempre caminhou no ritmo de seu próprio passo. Que foi acelerado na década que vai de 2003 a 2013. Nesse período, motivado pelo que caracteriza de "necessidade imperiosa de produzir coisas novas", Lô gravou nada menos do que quatro álbuns de inéditas. Os CDs Um dia e meio (2003), BHanda (2006), Harmonia (2008) e Horizonte vertical (2011) registraram a intensa produção autoral do compositor no período. Produção compilada nos 14 fonogramas que compõem a coletânea 2003 - 2013, editada simultaneamente pela Ultra Music Records com o Songbook Lô Borges posto no mercado literário pela Neutra Editora. No material promocional enviado à imprensa, o artista conceitua a compilação. Com a palavra, Lô:

"Quando em 2000 o relógio do tempo mudou a década, o século, o milênio, senti uma necessidade imperiosa de fazer coisas novas, compor, gravar discos. Comecei a colocar em prática esse meu desejo. Compus quase 60 músicas e gravei 4 discos de inéditas. Depois de Horizonte vertical, o meu mais recente álbum, passei a pensar em uma coletânea, uma compilação remasterizada sobre esse trabalho construído nessa década. Fiquei quase um ano escolhendo as canções que representassem bem esse período, aproveitando o lançamento de um songbook com canções de todos os tempos da minha carreira. Aliás, esse songbook foi muito aguardado e feito com muito carinho, dedicação e trabalho pelas pessoas envolvidas. Ele é super útil para quem quiser ter contato com a minha obra e com a coletânea. Espero com esse disco deixar o público mais inteirado da minha produção recente. O trabalho foi feito, está aí a compilação da última década, e eu espero que vocês gostem das minhas escolhas". Lô Borges

Songbook indica caminhos para se chegar em 55 músicas de Lô Borges

Sócio-fundador do Clube da Esquina, tendo gravado e assinado com Milton Nascimento o álbum duplo de 1972 que organizou o mais importante movimento musical das Geraes, o cantor e compositor mineiro Lô Borges construiu obra autoral pautada por refinados caminhos harmônicos. Produzido por Barral Lima, o Songbook Lô Borges indica os caminhos para se chegar nessa obra, mais precisamente para adentrar os meandros das 55 músicas de Lô que tiveram letras, partituras e cifras transcritas por Carlos Laudares para o segundo livro da série iniciada pela Neutra Editora em 2013 com o lançamento do igualmente caprichado Songbook Beto Guedes. O livro de Lô está sendo editado neste mês de abril de 2014 com aval do próprio Lô Borges, que revisou as partituras e cifras de seu cancioneiro para o songbook. Breve certeiro ensaio escrito por Pablo Castro, Alquimista da harmonia, disseca a obra de Lô Borges - disco por disco - a partir da reconstituição dos passos fonográficos do artista. Passos que se tornaram mais rápidos a partir dos anos 2000. O que justificou a edição - simultânea com o Songbook Beto Guedes - da coletânea 2003 - 2013, que reúne 14 fonogramas extraídos dos quatro álbuns de inéditas gravados pelo artista nessa década de intensa produção.

25º prêmio da música une Careqa, Cauby e Monobloco na canção popular

Categoria quase sempre sujeita a distorções ao longo das 25 edições do Prêmio da Música Brasileira, Canção popular -  nome que, em sua origem, já simboliza um eufemismo para brega - junta neste ano de 2014 três álbuns de universos musicais bem distintos. Reencontro (Nova Estação, 2013) - terceiro disco gravado em dupla pelos cantores fluminenses Ângela Maria e Cauby Peixoto - concorre ao prêmio de Melhor Álbum nessa genérica categoria com Made in China (oitavo CD de Carlos Careqa, editado em 2013 pelo selo BED, deste compositor catarinense radicado em São Paulo e mais associado à cena indie do que à canção popular) e com Arrastão da alegria (Som Livre, 2013), segundo álbum de estúdio do carnavalesco grupo carioca, habituado a trazer sucessos da MPB e do pop nacional para o universo do samba. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ). Eis álbuns indicados em outras categorias:

Álbum erudito:
* Concerto antropofágico - Osesp
* Heitor Villa-Lobos (Sinfonias n° 6 e n° 7) - Osesp
* Rachmaninov - Osesp

Álbum infantil:
* A família - Cria
* Arca de Noé - vários artistas
* Rabiola, ola, catibiribola - Silvia Negrão

Álbum instrumental:
* Continente - Yamandu Costa
* Mundo de Pixinguinha - Hamilton de Holanda
* Ninho de vespa - Spok Frevo Orquestra

Álbum em língua estrangeira:
* As canções do Rei - Leny Andrade
* Leila Maria canta Billie Holiday in Rio - Leila Maria
* Zeski - Tiago Iorc

Álbum projeto especial:
* Ao vivo - Marcos Valle e Stacey Kent
* Caymmi - Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi
* Sambabook - Martinho da Vila

Álbum projeto visual:
* Arca de Noé - Vários artistas
* Atento aos sinais - Ney Matogrosso
* Todo dia é o dia do mundo - Lula Queiroga

Álbum regional:
* 3 Brasis - 3 Brasis
* Quinteto Violado canta Gonzagão - Quinteto Violado
* Zulusa - Patrícia Bastos

Gal e Zélia disputam 25º prêmio da música com rappers na categoria DVD

Categoria especial do Prêmio da Música Brasileira que abrange todos os gêneros musicais, o troféu de melhor DVD vai ser disputado de forma acirrada na 25ª edição da premiação por dois rappers paulistanos, Criolo e Emicida, com duas cantoras. Os rappers concorrem com Gal Gosta e Zélia Duncan por conta do DVD Criolo & Emicida ao vivo, registro de show que uniu os dois artistas da cena hip hop de São Paulo. Com fôlego, Gal está no páreo com Recanto ao vivo, DVD que perpetua com requinte o consagrado show baseado no renovador álbum Recanto (2011). Mas Gal tem em Zélia Duncan concorrente de igual peso. A artista fluminense também pode levar o prêmio por Totatiando, primoroso registro do espetáculo teatral em que Zélia dá voz e vida a músicas do compositor paulista Luiz Tatit sob a fina direção da atriz Regina Braga.

Recordista do 25º prêmio da música, Das Neves enfrenta baiano Riachão

O cantor, compositor e baterista carioca Wilson das Neves é o recordista de indicações da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Por conta de seu quarto disco como cantor, Se me chamar, ô sorte (MP,B Discos / Universal Music, 2013), o artista disputa consigo mesmo o prêmio de Melhor canção. Todas as três músicas que concorrem na categoria - Cara de queixa (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, 2013), Samba para João (Wilson das Neves e Chico Buarque, 2013) e Se me chamar, ô sorte (Wilson das Neves e Cláudio Jorge) - são oriundas incrivelmente do mesmo disco de Das Neves. Diante desse feito inusitado, o CD Se me chamar, ô sorte obviamente concorre ao troféu de Melhor álbum na categoria samba, disputando o prêmio com Matéria-prima (disco de inéditas lançado de forma independente em 2013 pelo cantor e compositor carioca Sombrinha) e com Mundão de ouro (disco do compositor baiano Riachão). Cabe lembrar que o samba é o homenageado de 2014 na premiação idealizada e produzida pelo empresário José Maurício Machline. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Álbuns de Edu, Gal, Joyce, Ney e Ramil disputam o 25º prêmio da música

Edu Lobo, Gal Costa, Joyce Moreno, Lula Queiroga, Ney Matogrosso e Vitor Ramil estão entre os 103 nomes indicados nas 16 categorias da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Todos têm discos concorrendo a prêmios de melhor álbum nas categorias MPB e Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk. Mas chama atenção fato inédito na história do prêmio idealizado e produzido pelo empresário José Maurício Machline: indicado a melhor álbum de Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk, o quarto disco solo do cantor e compositor pernambucano Lula Queiroga, Todo dia é o fim do mundo (2011), já havia disputado em 2012 o mesmo prêmio, na mesma categoria, na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira. A sua nova (discutível...) indicação é resultante de o CD ter sido reeditado em 2013 pela gravadora Universal Music, dois anos após Queiroga ter lançado o disco de forma independente. Seja como for, Todo dia é o fim do mundo vai disputar o troféu com Atento aos sinais (Som Livre, 2013 - registro de estúdio do atual show do cantor Ney Matogrosso) e com Recanto ao vivo (Universal Music, 2013 - registro ao vivo do atual show da cantora Gal Costa). Na categoria MPB, os três CDs indicados ao troféu de melhor álbum do gênero são Edu Lobo & Metropole Orkest (Biscoito Fino, 2013), Foi no mês que vem (Satolep Music, 2013 - CD duplo revisionista do compositor gaúcho Vitor Ramil) e Tudo (Biscoito Fino, 2013 - álbum de inéditas gravado por Joyce Moreno em 2012 para o mercado japonês). Os 103 indicados foram revelados hoje, 14 de abril de 2014.

Hudson se une a Timbaland em 'Walk it out', single de seu terceiro álbum

Com lançamento no iTunes agendado para 15 de abril, Walk it out é o primeiro single oficial do terceiro álbum de estúdio da cantora norte-americana Jennifer Hudson. A música tem vocais de Timbaland, produtor da faixa. Sucessor de I remember me (2011), o terceiro álbum de Hudson vai ser lançado neste ano de 2014, em data ainda ignorada, em edição da RCA Records distribuída pela Sony Music. Com envolvente pulsação blackWalk it out é o primeiro single da cantora desde I can't describe (The way I feel), música composta e produzida pelo hypado Pharrell Williams. Gravada com rap do norte-americano T.I., I can't describe (The way I feel) foi lançada em setembro de 2013 e jogou a cantora na pista, com ecos de disco music.

Fiel aos standards, Boaventura vai de Morris a Sinatra em 'One more kiss'

O ator e cantor baiano Daniel Boaventura segue a trilha dos standards norte-americanos no quarto título de sua discografia, One more kiss. Nas lojas entre o fim deste mês de abril e o início de maio de 2014, o CD alinha regravações de duas músicas associadas à voz do cantor norte-americano Frank Sinatra (1915 - 1998) - The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) e My way (Claude François e Jacques Revaux em versão em inglês de Paul Anka, 1969) - e de um clássico póstumo do genial soulman norte-americano Otis Redding (1941 - 1967), (Sittin' on) The dock of the bay (Otis Redding e Steve Cropper, 1968). O repertório de One more kiss também inclui Feelings (Louis Gasté e Morris Albert, 1974), canção franco-brasileira que se tornou sucesso mundial nos anos 1970 a partir da adaptação feita pelo brasileiro Morris Albert de tema francês. Boaventura dá voz ainda a um sucesso da fase infanto-juvenil do cantor norte-americano Michael Jackson (1958 - 2009), I wanna be where you are (Arthur Ross e Leon Ware, 1972). A música que inspirou o título do CD, One more kiss, dear é tema da trilha sonora composta pelo músico grego Vangelis para o filme Blade Runner (1982).

Lea Michele voa baixo em 'Louder', disco solo repleto de baladas triviais

Resenha de CD
Título: Louder
Artista: Lea Michele
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 

A projeção mundial alcançada pela atriz e compositora norte-americana Lea Michele no papel de Rachel Berry - protagonista da hypada série de TV Glee - alimentou expectativas em relação ao primeiro disco solo da artista de boa voz. Expectativas frustradas com a audição de Louder, álbum que segue fórmulas de sucesso tidas como certeiras pela indústria fonográfica dos Estados Unidos, mas que dissolvem a personalidade de Lea Michele a ponto de a cantora sequer conseguir se diferenciar entre tantas similares estéreis colegas norte-americanas. Como o single Cannonball já sinalizara, Louder bate insistente na tecla das baladas, versando sobre relacionamentos afetivos com letras que adquirem grau adicional de emoção pelo fato de o namorado da artista - o também ator e cantor Cory Monteith (1982 - 2013), colega de Michele no elenco de Glee - ter sido encontrado morto em julho do ano passado. A canção If you say so alude à precoce saída de cena de Monteith, fechando repertório dominado por baladas que parecem discutir a relação do desfeito casal 20 da TV norte-americana. A melhor balada dessa safra comum é Burn with you, canção ardente. Entoada em tons suaves, Battlefield também poderá contentar fãs de baladas fabricadas em série pelos hitmakers da indústria do disco. A potência da voz de Lea Michele salta aos ouvidos em baladas como Cue the rain Thousand needles. Mas tudo soa tão trivial no disco que, por mais que algumas emoções pareçam reais, elas soam artificiais. Alocadas como a segunda e a nona das 11 faixas do CD, respectivamente, On my way e Don't let go se diferenciam em Louder pelo tom pop que tangencia atmosfera roqueira. Mesmo assim, Louder jamais voa alto, permanecendo em perigosa zona de conforto.

Belo livro revela como Circo Voador fez história a partir de onda de verão

Resenha de livro
Título: Circo Voador - A nave
Autor: Maria Juçá
Editora: Edição do autor
Cotação: * * * *

É impossível dissociar a história do rock brasileiro dos anos 1980 do Circo Voador, palco libertário erguido sobre as areias da praia do Arpoador, no Rio de Janeiro (RJ), em janeiro de 1982. Foi no verão que a banda carioca Blitz invadiu a praia dominada pela MPB, abrindo as comportas do mercado musical para grupos também debutantes como o Barão Vermelho e, um ano depois, o Kid Abelha. Foi sob a lona mais pop do Rio que essas bandas encontraram abrigo para se apresentar para um público que falava sua língua. Ecoando o começo de era propagado pelas ondas da Rádio Fluminense, outro veículo fundamental para a consolidação do rock na indústria da música, o Circo Voador fez história. E ainda faz, erguido no coração da Lapa, bairro do Centro do Rio para onde migrou em outubro daquele mesmo ano de 1982. Se o Circo não foi uma onda passageira de verão, muito de sua permanência e importância se deve ao caráter empreendedor da jornalista, radialista e produtora Maria Juçá. É Juçá - catarinense de alma carioca - quem conta a sua história e a da casa em Circo Voador - A nave, livro de narrativa arejada como as mentes que tornaram realidade o Circo e o sonho. Entre dados autobiográficos, Juçá rememora a construção da cena pop carioca dos anos 1980, relembrando momentos iniciais de nomes como Lobão e Paralamas do Sucesso. Cena que ecoou por todo o Brasil e que também tinha Brasília (DF) e São Paulo (SP) como núcleos-base. Tanto que bandas dessas duas cidades se apresentaram no Circo. O relato do festival punk organizado no Circo para dar visibilidade a bandas formadas por músicos com fome de comida e rock é uma das passagens mais saborosas do absorvente livro. Aliás, Juçá nunca tira onda: sem papas na língua politicamente incorreta, a produtora rememora a estrutura precária do Circo em seus anos iniciais, a luta para derrotar a máfia de seguranças corruptos na reabertura da casa em 2004, o estrelismo de certos artistas - com menção honrosa para o relato do piti de Lulu Santos por ter que entrar no Circo pela mesma porta do público - e a luta cotidiana para fechar as contas. Mesmo que a reprodução integral de entrevistas (algumas antigas, transcritas de jornais, outras inéditas) quebre por vezes o ritmo da narrativa, o livro logo torna a alçar voo porque são muitos os causos colecionados. Vale mencionar a dor de cabeça tida pela produtora quando peitou Tim Maia (1942 - 1998) - que, às voltas com duas prostitutas, deixou de fazer o show programado pelo Circo em agosto de 1984 - e o bolo do cantor carioca foi parar nas páginas do Jornal do Brasil para a fúria santa do Síndico. Longe de ser documento oficial sobre a casa, Circo Voador - A nave expõe o relato passional e pessoal de uma profissional que por vezes trabalhou de graça em nome de uma ideologia. Nada é maquiado no livro. As lembranças dos bicões que infestavam os camarins dos anos 1980 para disputar com os artistas cervejas bebidas em copos plásticos - estratégia para fazer a loura render mais - exemplificam o tom coloquial e sincero da narrativa. Juçá também enfatiza que o clima de irmandade dos primeiros heroicos tempos cedeu lugar a uma estrutura mais profissional, capaz de viabilizar a manutenção do Circo Voador como palco auto-sustentável.  O palco preferido do guitarrista e compositor carioca Celso Blues Boy (1956 - 2012), um dos recordistas de shows e público ao longo das três décadas de vida do Circo. A narrativa de 21 capítulos vai até os dias de hoje, lembrando, por exemplo, a recente ida a um show no Circo de ninguém menos do que lady Madonna. O relato é sempre quente. Transborda ao longo das caudalosas 704 páginas do livro o apego da comandante por sua nave. Nesse sentido, o livro de Maria Juçá conta uma história de amor. Amor pela música, pela liberdade e, sobretudo, por um palco que fez (e faz) história.

Com emoção, filme conta saga de Dominguinhos no tom árido do sertão

Resenha de documentário musical
Título: Dominguinhos
Direção: Joaquim Castro, Eduardo Nazarian, Mariana Aydar
Idealização e direção musical: Eduardo Nazarian, Mariana Aydar e Duani
Roteiro: Di Moretti
Cotação: * * * *
Estreia nos cinemas prevista para maio de 2014

Um pião a rodar na terra seca do sertão é a primeira imagem de Dominguinhos, tocante documentário que reconta a saga do cantor, compositor e sanfoneiro José Domingos de Morais (Garanhuns - PE, 12 de fevereiro de 1941 - São Paulo - SP, 23 de julho de 2013). Por Dominguinhos ter sido de lá do sertão, do interior do mato, Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar - diretores do filme exibido na 19ª edição do festival de documentários É tudo verdade antes de entrar em circuito nos cinemas em estreia prevista para maio de 2014 - acertam ao focar a história de Seu Domingos no tom árido da caatinga. Mas tal aridez, que remete à estética do filme Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), é diluída pela emoção que brota na tela como chuva a aliviar a seca e o cotidiano do sertanejo. São águas abundantes como as lágrimas incontidas da cantora Nana Caymmi ao dar voz - em número feito para o filme - à canção Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) diante da sanfona e do olhar terno do compositor da música. Lançada pela própria Nana, Contrato de separação simboliza no roteiro de Di Moretti o fim do casamento de Dominguinhos com sua primeira esposa, Janete. Capítulo triste da saga narrada na primeira pessoa pelo próprio Dominguinhos através da fina costura de depoimentos em off captados pelos diretores do filme com trechos de entrevistas concedidas pelo artista a programas de TV. A saga é contada em ordem cronológica em rota que vai da interiorana cidade pernambucana de Garanhuns - que viu Dominguinhos nascer, filho de pais alagoanos descendentes de índios - aos palcos mais nobres do Brasil. Da aridez da interpretação juvenil d'O canto de Acauã (Dominguinhos e Anastácia, 1976), símbolo da vida seca dos tempos em que o pai agricultor tirava da roça pobre o sustento da família, às águas que marejam os olhos do cantor na interpretação maturada da canção De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1975), o documentário Dominguinhos segue por trilhas musicais que temperam com sentimento a aridez de uma história de luta travada no Rio de Janeiro (RJ) a partir de 1954, ano da migração do sertanejo. "Acaba tudo em baião", resume lá pelo fim o próprio contador de seu causo. Antes, contudo, outros ritmos (como bolero e chá-chá-chá) entraram na história na fase em que o artista se sustentou tocando em boates cariocas. Matriz que inspirou Dominguinhos antes de o artista delinear sua própria identidade no universo musical da Nação Nordestina, o influente mestre Luiz Gonzaga (1912 - 1989) ajudou seu aprendiz nesse difícil início longe das origens. Mas Dominguinhos, tanto o filme como o artista, evitam o lamento sertanejo. A saga é lembrada sem mágoas, com ênfase nos bons momentos, como a volta definitiva para o aconchego dos ritmos nordestinos no álbum Fim de festa (Cantagalo, 1964). Apesar do título de ressaca, tal LP simbolizou o início de nova era na vida musical do então jovem Domingos. Os anos 1970 lhe trariam  visibilidade nacional através de parcerias com expoentes da já então consolidada MPB. A conexão mais notória de Dominguinhos nessa época de consolidação foi com Gilberto Gil, parceiro letrista de Lamento sertanejo (1973) e intérprete original de Eu só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia, 1973), xote ouvido no filme em número antigo de Gil com Dominguinhos, extraído de programa de TV. Eu só quero um xodó é uma das músicas mais famosas da parceria do cantor com sua segunda mulher, Anastácia. Obra que contabiliza 210 músicas. "Fora as que ela jogou fora quando ficou com raiva de mim", adiciona Dominguinhos em instante de humor no filme. Que, ao fim, pega o caminho de volta para o sertão, por ter Seu Domingos sido de lá, da caatinga do roçado, mesmo quando habitava cidades grandes, longe de sua terra. Embora omita feitos e fatos de Dominguinhos a partir dos anos 1990, o filme impressionista de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar cumpre de forma emocionante a função de expor a grandeza da vida e obra do artista que focam com ternura. Ao viajar pelo Brasil árido de José Domingos de Morais, o filme traz na mala bastante saudade do (imortal) gigante gentil da nação nordestina.

domingo, 13 de abril de 2014

Eis a capa do sexto álbum de estúdio do Linkin Park, 'The hunting party'

Esta é a capa do sexto álbum de estúdio do grupo norte-americano Linkin Park, The hunting party. O sucessor do álbum The living things (2012) foi produzido por Mike Shinoda e Brad Delson, integrantes da banda de nu metal. O primeiro single - Guilty all the same, gravado com o rapper norte-americano Rakim, MC do duo Eric B & Rakim - já está em rotação na web desde 7 de março de 2014, mas o álbum somente será lançado em 17 de junho pela gravadora Warner Music. Os nomes das demais músicas do álbum The hunting party ainda são ignorados.

Último álbum de inéditas do grupo Ratos de Porão ganha edição em vinil

Enquanto esperam o mês de maio de 2014 para ouvir o primeiro álbum de inéditas dos Ratos de Porão em oito anos (Século sinistro, previsto de início para ter sido lançado em março), os fãs do grupo paulistano já têm à disposição em vinil do último álbum da banda que cruza punk com metal. Homem inimigo do homem (Deck, 2006) está sendo lançado neste mês de abril de 2014 no formato de LP. O vinil de 180 gramas chega ao mercado com selo da fábrica Polysom. 

EP indica que álbum de Natália Matos extrapola clichês musicais do Norte

Resenha de EP
Título: Natália Matos EP digital
Artista: Natália Matos
Gravadora: Edição da artista / Natura Musical
Cotação: * * * 
Disco disponível para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical

Mais uma cantora e compositora do Pará busca visibilidade nacional no embalo da revalorização da cena musical do Norte. A julgar pelo EP de quatro faixas disponibilizado para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical a partir deste mês de abril de 2014, o álbum de estreia de Natália Matos - previsto para maio - extrapola os clichês musicais da cena do Norte, buscando conexão com a efervescente cena indie paulistana. É sintomático que o EP digital de Natália abra com Cio, música de Kiko Dinucci e Douglas Germano lançada pelos compositores no álbum Retrato do artista quando pede (Independente 2009), do Duo Moviola, formado por Dinucci com Germano. Música repleta de imagens e cores vivas, Cio flerta com a cumbia no arranjo inventivo do baterista e percussionista Guilherme Kastrup, a quem foi confiada a produção do álbum. Na sequência, Beber você - música assinada por Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Betão Aguiar e Luê (a mesma turma de Ela é tarja preta, faixa de tom nortista do último álbum de Arnaldo) - cai em suingue irresistível e mantém o alto nível da primeira metade do EP. Música mais fraca do disco, Você me ama, mas sinaliza que Natália Matos ainda precisa sofrer mais para compor uma boa música sobre os dramas de amor, como a própria autora iniciante (se) ironiza em versos metalinguísticos da letra. A sonoridade - urdida a partir do arranjo executado pelos músicos Ricardo Herz (violinos), Caçapa (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra), Zé Nigro (baixo) e Guilherme Kastrup (bateria e percussões) - é mais sedutora do que a composição em si. Por fim, Coração sangrando é brega da lavra de Dona Onete, compositora recorrente em discos de cantoras do Pará. O arranjo e a sagaz participação de Zeca Baleiro - cantor e compositor maranhense que sempre transita com desenvoltura por esse universo mais kitsch - valorizam a gravação e desviam a música dos clichês do gênero. Que venha o álbum de Natália Matos para comprovar se a cantora, de timbre suave, vai fazer realmente diferença na cena pop nativa!...

Precedido por single com inédita 'Blá blá blá', DVD de Anitta sai em junho

Gravado em 15 de fevereiro de 2014 em apresentação de Anitta na HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ), o primeiro DVD da artista carioca pós-fama tem lançamento programado para junho de 2014 pela gravadora Warner Music. Promovida pelo single que traz a inédita Blá blá blá, já posto à venda no iTunes, a gravação ao vivo vai ser editada também no formato de CD.

Shakira volta a campo com álbum que dá lances certeiros na partida pop

Resenha de álbum
Título: Shakira
Artista: Shakira
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

Shakira está novamente em campo. E parece querer jogar nas onze, com fôlego renovado neste álbum que dá lances certeiros em partida já bem conhecida pelos craques do universo pop. Shakira - décimo álbum de estúdio da cantora e compositora colombiana, recém-lançado no Brasil com capa e conteúdo levemente distintos da edição norte-americana - transita entre reggae, baladas e pop dance eletrônico (com influências de dubstep) sem a densidade dos discos iniciais da artista, mas com jogadas infalíveis para manter a estrela em campo. Música inserida no álbum oficial da Copa do Mundo de 2014, La la la fica vibrante somente na versão turbinada com o baticum do percussionista baiano Carlinhos Brown e subintitulada Brasil 2014. É essa versão que figura no disco da Copa, já que a gravação original de La la la - produzida por time formado por Dr. Luke, Cirkut, Billboard, J2 e a própria Shakira - não chega a levantar a torcida. Como Shakira vem de álbum, Sale el sol (Sony Music, 2010), em que ressaltou suas origens latino-americanas em tentativa de reverter o fracasso do americanizado disco anterior She wolf (2009), este seu décimo álbum de estúdio soa híbrido. Entre reggae de pegada pop gravado em inglês com Rihanna (Can't remember to forget you) e versão em espanhol da mesma música com letra escrita pelo hermano uruguaio Jorge Drexler (Nunca me acuerdo de olvidarte), o álbum ecoa influências de Lady Gaga em Spotlight e embute leve toque de pop country em Medicine, faixa cantada por Shakira com Blake Shelton, cantor norte-americano do gênero. Baladas sentimentais como 23 e Broken record - inspiradas pelo namoro da artista com o jogado de futebol Gerard Piqué - reforçam a tática de Shakira para ganhar o jogo. Alocada ao fim da edição internacional de Shakira, a versão de Cut me deep gravada com MAGIC! - grupo canadense de pop reggae - conecta o álbum ao seu início sem que isso signifique coesão. Enfim, a vitória é quase certa, mas virá acompanhada da sensação de que a cantora já entrou em campo de forma bem menos artificial, com músicas de maior densidade.

sábado, 12 de abril de 2014

Sergio Pi finaliza CD autoral em que aborda músicas de Lobão e Rita Lee

Aposta do selo indie carioca Lab 344 para o segundo semestre deste ano de 2014, o álbum de estreia do cantor e compositor carioca Sergio Pi, Universo elegante, tem lançamento previsto para julho ou agosto. Em fase de mixagem (a cargo de Jason Schweitzer) e masterização (feita por chris Gehringer) nos Estados Unidos, o disco tem repertório essencialmente autoral. Entre temas em que assina música e letra, Pi grava parceria com o guitarrista norte-americano Paul Pesco e com o compositor japonês Hide Tanaka (coautor da música Oito minutos). Fora da seara autoral, o cantor recicla músicas de Lobão (Girassóis da noite, de 1987) e Rita Lee (Barriga da mamãe, parceria com Roberto de Carvalho lançada pela cantora em 1982). A propósito, a logo do nome do artista faz homenagem a Rita por ter tipologia inspirada na arte gráfica do primeiro álbum solo da artista, Build up (Philips, 1970). O primeiro single do álbum Universo elegante - Desesperadamente, música composta por Pi com inspiração em Another one bites the dust (John Deacon, 1980), sucesso do grupo inglês Queen -  ganhou clipe animado de tom retrofuturista, já em rotação na web. A ideia de Pi é reler no álbum os gêneros musicais dançantes que bombaram nas pistas dos anos 1970 e 1980.

DVD 'Rua dos amores' situa obra de Djavan no habitual patamar refinado

Resenha de CD e DVD
Título: Rua dos amores ao vivo
Artista: Djavan
Gravadora: Luanda Records / Sony Music
Cotação: * * * *

Djavan não espera o fim do show Rua dos amores para apresentar a banda de virtuoses que dividem o palco com o artista na turnê inspirada pelo homônimo álbum de inéditas lançado em setembro de 2012. Os músicos Carlos Bala (bateria), Glauton Campello (piano e teclados), Jessé Sadoc (no trompete e no flugelhorn), Marcelo Mariano (contrabaixo), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Paulo Calasans (piano e teclados) e Torcuato Mariano (guitarras) são logo apresentados na jam que pontua Asa (Djavan, 1986), quinta das 24 músicas do roteiro autoral perpetuado no DVD ora posto nas lojas pela gravadora Sony Music simultaneamente com o CD ao vivo que apresenta a música inédita Maledeto - tentativa de Djavan de soar pop sem apagar a assinatura pessoal e intransferível de sua obra - e que reproduz 15 números do show captado em 8 e 9 de novembro de 2013, em apresentações feitas pelo cantor na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP). O fato de destacar a presença dos músicos já no início do show diz muito sobre o caráter do artista e da obra. Rua dos amores ao vivo situa o cancioneiro de Djavan no seu habitual e refinado patamar. Embora faça eventuais (e justificadas) concessões ao seu público fiel, como cantar o samba Flor de lis (Djavan, 1976) e reviver Meu bem-querer (Djavan, 1979) com arranjo similar ao da emblemática gravação original, Djavan é sobretudo fiel a si mesmo no show Rua dos amores. Canta as músicas de seu mais recente álbum de inéditas - djavaneando em cena o jazz entranhado em temas como Já não somos dois (Djavan, 2012) - e as entremeia com composições antigas. Não necessariamente as mais conhecidas. Figuram no DVD e no CD oportunos lados B como Curumim (Djavan, 1989) e Irmã de neon (Djavan, 1996) que reforçam a já vigorosa assinatura de sua obra. É fato que a conexão entre público e artista se faz de forma mais intensa em músicas mais conhecidas como a belíssima balada Oceano (Djavan, 1989), saboreada em coro pela plateia. Em sintonia com a sofisticação do cancioneiro do artista, as imagens captadas pelo diretor de vídeo, Hugo Prata, valorizam o DVD, cujos extras inclui o documentário Um olhar íntimo, feito no molde de making of com a intenção de descortinar os bastidores do show. Enfim, Rua dos amores ao vivo vai manter inalterados o status e o público de Djavan. Menos popular do que a gravação ao vivo de 1999, esse atual registro de show do artista é para quem sabe chegar na música de Djavan sem precisar de endereço. Os demais jamais encontrarão a Rua dos amores.

Paulinho Lima desperdiça dotes vocais em 'covers' do cancioneiro 'black'

Resenha de CD
Título: Dom Paulinho Lima
Artista: Dom Paulinho Lima
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 

De todos os cantores que se apresentaram na segunda temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo, 2013), Dom Paulinho Lima foi o que impressionou de imediato os jurados e os espectadores da atração pelo vozeirão diplomado na escola de canto do soul, do r & b e do funk norte-americanos. Tanto que, mesmo eliminado do reality musical antes do fim da competição, o intérprete paulista conquistou o direito de gravar um disco pela gravadora Universal Music, tal como o vencedor Sam Alves e como a finalista Lucy Alves. Tal como seus colegas, Dom Paulinho Lima debuta em disco sem identidade. Em seu primeiro álbum, sonhado há mais de 30 anos, o cantor se limita a fazer covers de onze sucessos do cancioneiro black brasileiro e norte-americano. Além da voz, o intérprete mostra apurado senso rítmico quando cai no suingue funky de Get down on it (Charles Smith, J.T. Taylor, Ronaldo Nathan Bell, Robert Earl Bell e George Melvin Brown, 1981) - sucesso do grupo norte-americano Kool & The Gang - e quando acerta a levada samba-soul de Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973), sucesso do soulman nacional Tim Maia (1942 - 1998). O problema do CD Dom Paulinho Lima - produzido por Marcelo Sussekind - é que o cantor jamais consegue extrapolar a seara do cover, se dissociando das matrizes. Quando dá voz à balada-soul Me and mrs. Jones (Kenny Gamble, Leon Huff e Cary Gilbert, 1972), Dom Paulinho segue a linha da interpretação do cantor norte-americano Billy Paul, intérprete original da música. Quando caminha pela ainda vibrante BR-3 (Tibério Gaspar e Antonio Adolfo, 1971), o cantor segue a trilha do registro do cantor paulista Tony Tornado. Dessa forma, o CD Dom Paulinho Lima acaba soando como aquarela brasileira do universo black. Para quem quer tão somente ouvir hits em gravações próximas de seus registros mais conhecidos, o disco de capa retrô pode até agradar. Afinal, estão alinhados no repertório clássicos como Let's get it on (Marvin Gaye e Ed Townsend, 1973), Let's stay together (Al Green, Willie Mitchell e Al Jackson Jr., 1971), I heard it through the grapevine (Norman Whitfield e Barrett Strong, 1966) e Georgia on my mind (Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, 1930), entre outras joias do alto quilate do ouro negro. Paulinho Lima é dono do dom. Só que, no caso, uma grande voz se revela insuficiente para gerar um cantor (de fato) grande.

'Candeia branca' ilumina canto eficaz de Luciana Rabello no tom do Brasil

Resenha de CD
Título: Candeia branca
Artista: Luciana Rabello
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * *

Compositora e cavaquinista carioca, Luciana Rabello se assume cantora em seu segundo álbum autoral. Candeia branca ilumina o canto eficaz da artista, que dá sua voz pequena - mas sempre colocada de forma correta - a repertório formado por 14 músicas da lavra de Rabello. Treze são parcerias com o compositor e poeta carioca Paulo César Pinheiro, marido da artista. A exceção é Teu amor, samba-choro assinado somente pela compositora. O samba dá o tom brasileiro do disco, seja na cadência serena da composição que abre o CD produzido por Maurício Carrilho com a própria Luciana Rabello, De onde veio o samba, seja na pegada afro de Canto guerreiro - tema de inevitável associação com os afro-sambas de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) - ou mesmo no instrumental típico do choro que adorna Em cada mágoa existe um samba. Sambas em tons menores, como o íntimo Luz fria, iluminam uma produção autoral que, mesmo sem jamais empolgar, se revela de bom nível. Há beleza atemporal em composições como Sem pedir licença. Fora da roda do samba e do choro (gênero ao qual Luciana Rabello se devota há 37 anos e que está entranhando na atmosfera musical do CD), o disco passeia por ritmos como maculelê (Seu Catirino, destaque da safra autoral), baião (Queda de braço) e ciranda (Candeia branca, a música-título do álbum editado pela gravadora carioca Acari Records). Flor d'água desabrocha no tom doce e profundo da voz do convidado Dori Caymmi, um dos parceiros mais fiéis de Paulo César Pinheiro. Única música já gravada da safra essencialmente inédita do CD, Estigma já tem registro da cantora Amelia Rabello (irmã de Luciana), feito no álbum A delicadeza que vem desses sons (Acari Records, 2011). Delicados, aliás, também são os familiares sons ouvidos em Candeia branca. Luciana Rabello está em casa quando transita pelo samba como se estivesse em roda de choro.

Morrissey revela os nomes das doze músicas de seu décimo álbum solo

Décimo álbum solo do cantor e compositor inglês Morrissey, World peace is nome of your business vai ser lançado em julho de 2014 - em edição viabilizada por parceria do selo Harvest Records com a Capitol Records e distribuída em escala mundial via Universal Music - com 12 músicas inéditas da lavra do artista. Os nomes das 12 músicas foram revelados por Morrissey. Eis a tracklist autoral do CD gravado na França sob a batuta do produtor inglês Joe Chiccarelli:

1. World peace is none of your business
2. Neal cassady drops dead
3. Istanbul
4. I'm not a man
5. Earth is the loneliest planet
6. Staircase at the university
7. The bullfighter dies
8. Kiss me a lot
9. Smiler with knife
10. Kick the bride down the aisle
11. Mountjoy
12. Oboe concerto

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Eis a capa e as músicas de 'One love, one rhythm', álbum oficial da Copa

Até o Lepo lepo, grande hit do último Carnaval da Bahia, entrou na seleção - em gravação do grupo Psirico - e faz parte do álbum oficial da Copa do Mundo de 2014, One love, one rhythm, que tem lançamento previsto para 13 de maio via Sony Music. Artistas brasileiros como Bebel Gilberto, Olodum, Preta Gil e Sergio Mendes também entram em campo no disco ao lado dos já anunciados Alexandre Pires, Arlindo Cruz, Carlinhos Brown e Claudia Leitte. Eis a seleção convocada para o global CD One love, one rhythm - The 2014 Fifa world cup official album:

1. We Are One (Ole ola) (The Official 2014 FIFA World Cup TM song) 
    - Pitbull com Jennifer Lopez & Claudia Leitte
2. Dar um jeito (We will find a way) (The Official 2014 FIFA World Cup TM anthem)
    - Carlos Santana & Wyclef com Avicii & Alexandre Pires
3. Tatu bom de bola (The Official 2014 FIFA World Cup TM Mascot Song) - Arlindo Cruz
4. Vida (Spanish version) - Ricky Martin
5. The world is ours - David Correy & Lalala Boy
6. Lepo lepo - Psirico
7. One nation - Sergio Mendes
8. La la la (Brasil 2014) - Shakira com Carlinhos Brown
9. It’s your thing - The Isley Brothers with Studio Rio
10. Olé (Stadium anthem mix) - Adelén
11. This Is Our Time (Agora é a nossa hora) - MAGIC!
12. Night and day (Carnival mix) - Baha Men
13. Go, gol - Rodrigo Alexey com Preta Gil
14. Tico tico - Bebel Gilberto e Lang Lang
Faixas da Deluxe Edition de One love, one rhythm:
15. We are one (Ole Ola) [Olodum mix] - Pitbull com Jennifer Lopez & Claudia Leitte
16. Tatu bom de bola (DJ Memê Remix) - Arlindo Cruz

Entre músicas de Roque, Bethânia cultiva clássico de Tom no seu quintal

Clássico da parceria do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com o produtor musical e compositor carioca Aloysio de Oliveira (1914 - 1995), Dindi (1959) figura entre as músicas gravadas por Maria Bethânia no CD que vai lançar no segundo semestre de 2014 com distribuição da gravadora Biscoito Fino. Música nunca gravada pela cantora baiana, Dindi foi majestosamente cantada por Bethânia em abril de 2013 na participação que fez na estreia nacional do show em que Vanessa da Mata abordou a obra de Jobim , na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Intitulado Meus quintais, o próximo disco de Bethânia inclui várias músicas de Roque Ferreira no repertório que mistura inéditas com algumas regravações. De acordo com declaração do compositor baiano, a intérprete  - vista em foto de Ana Basbaum - teria posto voz em nada menos do que seis músicas de sua autoria. O álbum é pontuado por sons de violas.

Eis a capa e as músicas de 'X', o segundo álbum do britânico Ed Sheeran

Eis a capa de X, segundo álbum do cantor e compositor inglês Ed Sheeran. Com lançamento mundial programado para 23 de junho de 2014, em edição da Asylun Records que vai ser distribuída via Atlantic Records/Warner Music, X - cujo título se pronuncia multiply - sucede o álbum + (2011). X está sendo promovido pelo single Sing, lançado esta semana. Sing é música composta por Sheeran com Pharrell Williams e produzida por Pharrell. Eis as (16) músicas de X:

1. One
2. I'm a mess
3. Sing
4. Don't
5. Nina
6. Photograph
7. Bloodstream
8. Tenerife sea
9. Runaway
10. The man
11. Think out loud
12. Afire love
Faixas da Deluxe Edition de X:
13. Take it back
14. Shirtsleeves
15. Even my dad does sometimes
16. I see fire

Lana inicia promoção do álbum 'Ultraviolence' com o 'single' 'West Coast'

West Coast é o primeiro single do terceiro álbum de Lana Del Rey, Ultraviolence. A capa do single - que tem lançamento agendado pela Interscope Records para 1º de maio de 2014 - foi divulgada pela cantora e compositora norte-americana via Twitter. Ultraviolonce é o sucessor de Born to die (2012), para muitos o primeiro álbum da artista, já que (quase) ninguém ouviu o real álbum de estreia da cantora, Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant (2010). A música West Coast vai ser apresentada com exclusividade em 14 de abril por emissora de rádio da rede BBC.

Rosa de Saron grava seu 13º álbum, que vai ser editado pela Som Livre

Postada na página da gravadora Som Livre no facebook, a foto flagra o vocalista da banda paulista Rosa de Saron, Guilherme de Sá, em estúdio durante gravação do 13º álbum do grupo surgido em Campinas (SP), em 1988, dentro do movimento de Renovação Carismástica da Igreja Católica. Feitas desde o início deste ano de 2014, as gravações do disco de inéditas já estão em fase de colocação de voz. Latitude longitude (2013) foi o último trabalho da banda.