domingo, 25 de janeiro de 2015

'Bilac vê estrelas' se ilumina com música de Nei Lopes e verve do elenco

Resenha de musical de teatro
Título: Bilac vê estrelas - Uma comédia musical
Texto: Heloísa Seixas e Julia Romeu com base no livro de Ruy Castro
Direção: João Fonseca
Música e letra: Nei Lopes
Direção musical e arranjos: Luís Filipe de Lima
Elenco: André Dias, Izabella Bicalho, Tadeu Aguiar, Sérgio Menezes, Alice Borges, Reiner
              Tenente, Gustavo Klein, Jefferson Almeida e Saulo Segreto (em foto de Leo Aversa)
Cotação: * * *
Espetáculo em cartaz no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de fevereiro de 2015

Exímio letrista, dono de obra musical associada ao universo do samba e à afirmação da negritude, o compositor carioca Nei Lopes abre o leque estilístico de seu cancioneiro com a criação da trilha sonora original do musical Bilac vê estrelas, espetáculo em cartaz no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de fevereiro. Base do texto de Heloísa Seixas e Julia Romeu, o primeiro livro de ficção do escritor Ruy Castro - Bilac vê estrelas (Companhia das Letras, 2000) - está ambientado no Rio de Janeiro de 1903, o que fez Lopes se aventurar (com êxito) na composição de trilha sonora condizente com os sons de época anterior ao samba, gênero que germinaria na música brasileira nos anos 1910, nascendo oficialmente em novembro de 1916. No universo musical da belle époque carioca, ritmos como valsas e lundus se adequam ao roteiro de espetáculo dirigido por João Fonseca com o tom burlesco e um clima de chanchada já sugeridos pela narrativa original do livro. Lopes compôs 15 músicas, assinando sozinho melodias e letras que jamais traem sua função de ajudar a contar a história, impulsionando a ação de dramaturgia que se revela frágil ao longo dos 100 minutos do espetáculo. A música de Lopes confere vivacidade à encenação, valorizada também por elenco hábil na manutenção do tom burlesco do musical. Habilmente orquestrada pelo diretor musical Luis Filipe de Lima, a trilha sonora original do compositor combina humor e empostação, esta condizente com o estilo parnasiano dos versos do poeta carioca Olavo Bilac (1895 - 1968), interpretado com maestria em trabalho de composição feito por André Dias, talentoso ator já conhecido dos frequentadores de musicais do teatro carioca (O poeta e a palavra é um dos 15 temas do musical que ilustram a capacidade de  Lopes de extrapolar o universo do samba). Estrábico na figura composta por Dias, Bilac é o protagonista de delirante  trama de ficção construída com personagens reais. Entre eles, há o escritor José do Patrocínio (1854 - 1905), personagem do ator Sérgio Menezes. Dona da voz mais bela e potente do elenco, Izabella Bicalho - intérprete da farsante Eduarda Bandeira - tem seu grande momento musical em cena ao dar voz ao Solilóquio de Eduarda com sotaque português afinado com o disfarce português da personagem. Já Alice Borges imprime impagável vivacidade e humor à personagem Madame Labiche, usando sua imediata empatia com a plateia quando sola a Canção cigana, cujo refrão chegar a ser cantado em coro pelo público por conta da expressiva comunicabilidade da atriz. Experiente ator de musicais, Tadeu Aguiar mostra excelente trabalho de corpo, capaz de arrancar risos do público somente com o gestual imponente usado na composição do padre Maximiliano. Entrosado e cheio de verve, o elenco ilumina Bilac vê estrelas, deixando na sombra os pontos fracos do musical - como a dramaturgia e o cenário feio de Nello Marrese - e valorizando os pontos altos, como a trilha sonora de Nei Lopes, cuja maestria na escritura de letras é reiterada por versos como os de Tout le Riô, tema que brinca com o francesismo reinante no Rio dos anos 1900. Musical distante do suntuoso padrão Broadway que se estabeleceu na cena carioca ao longo dos anos 2000, Bilac vê estrelas tem o mérito de buscar linguagem brasileira para gênero tão valorizado atualmente pelos frequentadores do teatro carioca.

Recital 'Bethânia e as palavras' ganha edição em DVD neste ano de 2015

Recital de poesia em que a música entra em cena mais para sublinhar o sentido dos versos, o espetáculo Bethânia e as palavras - originado do ciclo de conferências Sentimentos do mundo, apresentado em 2009 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - vai ganhar edição em DVD a ser distribuído pela gravadora Biscoito Fino neste ano de 2015. A gravação ao vivo do recital foi feita na temporada apresentada por Bethânia - em foto de Rodrigo Goffredo - na Sala 1 do Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro (RJ), em setembro de 2010. O recital ainda está em cartaz.

Regina dá voz a 'Inversões' em disco produzido com leveza por Campello

Produtor da maioria do discos de Roberta Sá, Rodrigo Campello conduz a cantora mineira Regina Souza com leveza contemporânea por viagem musical pelo universo de standards da música norte-americana dos anos 1930, 1940 e 1950. Só que tais standards estão vertidos para o português, como sugerido no título, Inversões (2014), do terceiro disco solo da artista, gravado sob a direção artística de Pedrinho Alves Madeira. Recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino, o disco nasceu da participação de Regina no projeto Aqui jazz, orquestrado por Madeira em Belo Horizonte (MG) em 2011. Na ocasião, Regina cantou Blue moon (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1934) na versão em português feita por Rita Lee. O número gerou a ideia de um show da cantora com versões e também com o que Madeira chama de inversões, que são as versões de músicas brasileiras em línguas estrangeiras - caso de Rome, a versão em italiano (assinada por Eddy Marnay) de Chovendo na roseira (Antonio Carlos Jobim, 1971) que fecha o disco. Produzido e arranjado por Rodrigo Campello, o álbum Inversões é o registro de estúdio do show que estreou em Belo Horizonte (MG) em 18 de março de 2012 dentro do projeto Sesc MPB. O disco tomou forma entre 2013 e 2014. Em Inversões, Regina canta em tom suave músicas como Louca me chamam - versão de Augusto de Campos de Crazy he calls me (Carl Sigman e Bob Russell, 1949), gravada originalmente por Gal Costa no álbum Caras e bocas (Philips, 1977) - e Como um rio, a versão de Nelson Motta para Cry me a river (Arthur Hamilton, 1953) lançada na voz de Sandra de Sá em 1990. Embrião do CD, Blue moon figura obviamente no repertório de Inversões.

'Leminskanções' compila (parte da) produção musical de Paulo Leminski

Escritor e poeta, o curitibano Paulo Leminski (24 de agosto de 1944 - 7 de junho de 1989) foi conhecido no universo pop brasileiro pelas letras repletas de verve e poesia escritas para músicas feitas por ele mesmo ou em parceria com compositores como Itamar Assumpção (1949 - 2003) e Moraes Moreira.  Álbum duplo que documenta a produção de Paulo, apresentando 11 músicas inéditas entre 25 composições, Leminskanções (Whols Produções) chegou ao mercado fonográfico no segundo semestre do ano passado, celebrando os 70 anos de vida que o artista teria completado em 24 de agosto de 2014. A produção foi capitaneada por Estrela Leminski, que adota o nome artístico de Estrelinski ao interpretar a maioria das 25 músicas com Os Paulera, grupo batizado em alusão ao trio Duas Pauladas e uma Pedrada, formado por Leminski, que também se considerava músico. "Sabe, eu sou um músico, é isso que eu tava tentando dizer agora há pouco, só que a minha poesia se expressa através disso. Eu precisei me tornar um músico pra minha poesia poder se expressar, mas isso não quer dizer que eu não seja músico", disse certa vez o artista, em frase reproduzida na contracapa do libreto-encarte que alinha as letras das 25 músicas e a ficha técnica do duplo Leminskanções entre fotos do artista. Intitulado Essa noite vai ter sol,  o disco 1 reúne 14 músicas assinadas somente por Leminski. As mais conhecidas são Verdura - gravada por Caetano Veloso no álbum Outras palavras (Philips, 1981) - e Filho de Santa Maria (1988), composição habitualmente creditada também a Itamar Assumpção. A seleção do CD 1 inclui inéditas como Não mexa comigo, ouvida em Leminskanções na voz de Arnaldo Antunes, integrante de time de convidados  que inclui Zeca Baleiro, intérprete de Se houver céu. Já o CD 2 - intitulado Se nem for Terra, se transformar -  agrega 11 músicas feitas por Leminski com seus parceiros. Quatro são inéditas Entre elas, Sinais de haicais, parceria com José Miguel Wisnik gravada com a convidada Zélia Duncan. A seleção inclui Promessas demais - parceria com Moraes Moreia e Fred Góes lançada por Ney Matogrosso em 1982 - e Dor elegante (1998), feita com Itamar Assumpção. O álbum está disponível para download gratuito e legalizado.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Erasmo põe músicas de Belchior e Gil no roteiro de show gravado em SP

A IMAGEM DO SOM - A foto acima, tirada pelo jornalista Sergio Martins, mostra Erasmo Carlos ontem à noite no palco da casa Tom Jazz, em São Paulo (SP), no primeiro dos dias de gravação ao vivo do show Meus lados B. Diante de plateia que incluía o guitarrista Luiz Carlini e Lucia Turnbull, ícones do rock dos anos 1970, o cantor e compositor carioca deu voz a músicas menos badaladas de sua discografia. No roteiro essencialmente autoral, Erasmo abriu brecha para música do compositor cearense Belchior, Paralelas, lançada em 1975 na voz da cantora Vanusa e regravada pelo Tremendão no ano seguinte, no álbum Banda dos Contentes (Philips, 1976), de cujo repertório do cantor também extraiu canção de Gilberto Gil, Queremos saber. Músicas da fase do período 1970-1972 dominaram o repertório. A gravação do show vai dar origem a DVD a ser lançado pela gravadora do Tremendão, a Coqueiro Verde Records, neste ano de 2015. Eis o roteiro seguido por Erasmo Carlos em 23 de janeiro de 2015 na gravação do show Meus lados B:

1. Gente aberta (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1971)
2. Amar pra viver ou viver de amor (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1982)
3. A carta (Benil Santos e Raul Sampaio, 1966)
4. O homem da motocicleta (Motorcycle man) (Floyd Robinson em versão de Erasmo Carlos, 1966)
5. Estou dez anos atrasado (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1970)
6. Vou ficar nu para chamar sua atenção (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1970)
7. Dois animais na selva suja da rua (Taiguara, 1971)
8. É preciso dar um jeito, meu amigo (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1971)
9. Maria Joana (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1971)
10. De noite na cama (Caetano Veloso, 1971)
11. Cachaça mecânica (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1974)
12. O comilão (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1973)
13. Mané João (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1972)
14. Paralelas (Belchior, 1975)
15. Abra seus olhos (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1986)
16. Grilos (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1972)
17. Meu mar (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1972)
18. Queremos saber (Gilberto Gil, 1976)
19. Análise descontraída (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1976)
20. Sementes do amanhã (Gonzaguinha, 1984)
21. Geração do meio (Narinha e Erasmo Carlos, 1982)
22. 1990 - Projeto Salva Terra (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1974)

Musical sobre Chacrinha gera compilação dupla com 22 hits de auditório

 Roda e avisa que um dos maiores sucessos da atual temporada teatral carioca, Chacrinha - O musical, espetáculo sobre a vida e obra do apresentador pernambucano de TV José Abelardo Barbosa de Medeiros (30 de setembro de 1917 - 30 de junho de 1988), deu origem a uma coletânea dupla com 22 músicas apresentadas e veiculadas por Chacrinha em seus programas de auditório. Com lançamento programado pela gravadora Universal Music para a próxima terça-feira, 27 de janeiro de 2015, a compilação rebobina as gravações originais de sucessos como Eu quero é botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio, 1972), O que é o que é (Gonzaguinha, 1982) e Tente outra vez (Raul Seixas (Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta, 1975), entre outros hits.

Kelly Key volta à cena com álbum em que flerta com a música angolana

A caminho dos 32 anos, a serem completados em 3 de março, Kelly Key volta ao mercado fonográfico em fevereiro deste ano de 2015 com a edição, pela gravadora Deck, de seu sexto álbum de estúdio, No controle, arquitetado desde 2010. Sucesso nacional em 2002 com o estouro de Baba (Kelly e Andinho, 2001), música de seu primeiro álbum Kelly Key (Warner Music, 2001), a cantora e compositora carioca não apresentava um álbum de estúdio desde 2008. Precedido pelo single Controle, lançado em outubro de 2014, o álbum No controle alinha 12 músicas compostas em português e em inglês. Key dá voz a composições de Mister Jam, Paulo Mac e Razzy, entre outros nomes. No CD, a artista também flerta com a música angolana, mais precisamente com o kizomba, ritmo originário da mistura de semba com zouk. O repertório inclui parcerias inéditas da artista com a cantora e compositora angolana Celma Ribas. O álbum tem sotaque pop eletrônico.

Valéria mistura as cores da obra do poeta em 'Noel Rosa, preto e branco'

Resenha de CD
Título: Noel Rosa, preto e branco
Artista: Valéria Lobão
Gravadora: Tenda da Raposa
Cotação: * * * 1/2


O título do segundo álbum solo da cantora carioca Valéria Lobão, Noel Rosa, preto e branco (2014), sugere ao menos três significados. O mais aparente é o que relaciona o "preto e branco" do nome do disco duplo às cores das teclas do piano, único instrumento usado na abordagem de 22 músicas do cancioneiro do compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (11 de dezembro de 1910 - 4 de maio de 1937). Outro sentido para o título poderia ser o fato de que, a grosso modo, Noel Rosa foi um branco de classe média que se aventurou a compor sua obra no então nascente ritmo surgido da musicalidade dos pretos cariocas - o samba e seus derivados. Por fim, o título Noel Rosa, preto e branco também pode sinalizar o fato de que Valéria Lobão e os 22 pianistas convidados do álbum, a rigor, tocam uma música de preto num ambiente musical de branco, já que o tom camerístico do disco sugere um salão de música de ambiente mais formal, importado da Europa pelo Brasil dos tempos imperiais. Seja como for, Valéria Lobão faz com seu canto límpido - de emissão precisa como o toque dos 22 pianistas arregimentados para o disco - abordagem interessante da obra de Noel, com o mérito de tirar verdadeiras joias do baú do compositor. São pérolas como o fox-canção Julieta (Noel Rosa e Erastótenes Frazão, 1931) - repaginado com ênfase na melancolia dos versos em registro melodioso que junta a voz da cantora ao piano de Rafael Martini - e o samba-canção Suspiro, feito por Noel em parceria com o compositor carioca Orestes Barbosa (1893 - 1966) na década de 1930 em ano ignorado. Valéria reaviva Suspiro - anos após as gravações pouco ouvidas das cantoras Aracy de Almeida (1914 - 1988) e Isaura Garcia (1923 - 1993) - com arranjo e piano de Gabriel Geszil. É fato que, no registro pianístico do disco produzido por Carlos Fuchs, o cancioneiro de Noel adquire tom por vezes solene que se ajusta com maior ou menor precisão ao espírito da obra. No primeiro caso, está a gravação do samba Pra que mentir? (Noel Rosa e Vadico, 1937), feita com o piano de Vitor Gonçalves. No segundo, há o registro da marcha-rancho As pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro, 1934) que abre o CD 1 com notas salpicadas com leveza pelo piano divino de André Mehmari. Há faixas cujo arranjo pedia mais do que um piano, mais precisamente pedia uma percussão. É o caso de Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933), samba cantado por Valéria com o piano de Cliff Korman. Em contrapartida, há pianistas que tiram sons percussivos do instrumento. Fernando Leitzke, por exemplo, parece batucar nas teclas de seu piano quando toca o samba Eu agora fiquei mal (Noel Rosa e Antenor Gargalhada, 1931), título pouco conhecido do cancioneiro de Noel. Sons percussivos também ecoam no registro da ruralista Minha viola (Noel Rosa, 1929), faixa arranjada e tocada por Leandro Braga. A propósito, o poeta  eventualmente saía das fronteiras musicais de sua Vila e fazia incursões pelo universo caipira. Arranjada por André Mehmari com o piano de Roberto Fuchs, a sertaneja Sinhá Ritinha (Noel Rosa e Moacyr Pinto, 1931) - outra pérola tirada do baú por Valéria para selecionar repertório que mistura clássicos e raridades da obra do compositor - é exemplo da veia caipira de Noel. Cantora de afinação exemplar, treinada e exercitada no grupo vocal Equale, Valéria Lobão convidou alguns cantores para dividir com ela as interpretações das músicas de Noel. Joyce Moreno canta com a anfitriã o desconhecido samba Só pode ser você (Noel Rosa e Vadico, 1935). João Cavalcanti e Moyseis Marques se juntam a Valéria no samba Eu vou pra Vila (Noel Rosa, 1930), faixa de bissexta descontração no disco. Cantora em ascensão, Nina Wirti exercita a leveza na interpretação do pouco ouvido samba Eu sei sofrer (Noel Rosa, 1937). Já Mariana Baltar figura em outro samba, Pela décima vez (Noel Rosa, 1935). Enfim, por mais que soe eventualmente linear, no mesmo tom camerístico que dilui por vezes  a espirituosidade da obra do Poeta da Vila, o álbum duplo Noel Rosa, preto e branco reitera a precisão do canto de Valéria Lobão enquanto mistura as cores originais da obra de compositor que marcou sua época com cancioneiro de valor perene.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Erasmo prioriza repertório dos anos 1970 na gravação de 'Meus lados B'

Erasmo Carlos priorizou seu repertório dos anos 1970 na seleção de músicas do show Meus lados B, cuja gravação ao vivo - programada para hoje (23 de janeiro de 2015) e amanhã na casa Tom Jazz, em São Paulo (SP) - vai dar origem a DVD a ser lançado no mercado fonográfico ao longo deste ano de 2015 pela gravadora Coqueiro Verde Records. O roteiro do show inclui É preciso dar um jeito, meu amigo (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1971)Mané João (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1972), Grilos (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1972), O comilão (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1973) e Cachaça mecânica (Erasmo Carlos e Roberto Carlos, 1974), entre outras músicas (menos badaladas) do cancioneiro autoral do Tremendão. Não há hits.

Cantora grava choro de Jacob em ritmo de ska no primeiro EP, 'Florescer'

Choro lançado em 1951 por Jacob do Bandolim (1918 - 1969) e letrado por Hermínio Bello de Carvalho em 1968, Doce de coco vai poder ser degustado no ritmo do ska. A abordagem inusitada do choro integra o primeiro disco da cantora e compositora paulistana Luiza Meiodavila, Florescer, EP com seis faixas cujo lançamento está previsto para março de 2015 em edição da gravadora Galeão (empresa originária da antiga Velas, gravadora fundada em 1991 por Vítor Martins, Ivan Lins e Paulinho Albuquerque). Com arranjos do cantor e músico paulista Lipe Torre, o disco inclui cinco músicas inéditas, além da regravação de Doce de coco em ska. Uma das músicas inéditas do EP mixado por Luis Paulo Serafim - Romance de novela - já tem clipe posto em rotação no YouTube

Claudia e Ivete gravam música de Brown em dueto para outra campanha

Em janeiro de 2014, Claudia Leitte e Ivete Sangalo passaram por cima de qualquer eventual rivalidade na disputa pelo mercado de música pop baiana para apresentar Deusas do amor, música de Alexandre Peixe gravada em dueto pelas cantoras para campanha publicitária de lâmina de barbear dirigida ao público feminino. Um ano depois, nova campanha publicitária de produto feminino da mesma marca junta novamente as artistas em gravação inédita de música também inédita composta por Carlinhos Brown especialmente para promover o produto. Apresentada hoje, 23 de janeiro de 2014, a música se chama Prontas pra divar e, assim como Deusas do amor, também faz exaltação da beleza feminina, já que as mulheres que se embelezam são o público-alvo da campanha. A gravação de Prontas pra divar - feita em estúdio em dias separados por Claudia e Ivete - já está em rotação no YouTube, porém não vai ser lançada em single no iTunes.

Divergências com Liminha teriam tirado Renegado do disco solo de Paula

 Quarto disco solo de Paula Toller, Transbordada chegou às lojas em dezembro de 2014 pela gravadora Som Livre sem o anunciado rap posto por Flávio Renegado na música Já chegou a hora (Paula Toller e Liminha). Oficialmente, a artista carioca e o rapper mineiro - vistos em foto de Cristina Granato - declaram que está tudo bem, como enfatizaram em entrevista ao repórter Leandro Souto Maior, do jornal carioca O Dia, para reportagem sobre o CD solo da cantora. De acordo com declaração de Paula ao jornal, a saída de Renegado do disco aconteceu por problema na faixa de ordem meramente técnica. Contudo, nos bastidores da indústria fonográfica, o que se comenta é que o rap de Renegado teria sido tirado do CD por divergências do artista com Liminha, produtor do álbum e parceiro de Paula na composição da música. As divergências teriam sido de razão financeira e relativas a desacordo sobre o percentual do rapper na comercialização da faixa. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Anna Ratto lança clipe de duo feito com Roberta para seu primeiro DVD

Já posto em rotação no YouTube e no site do Canal Brasil, o belo clipe da música Nem sequer dormi (Anna Ratto, 2012) - filmado pela cantora e compositora carioca Anna Ratto com Roberta Sá na orla da cidade do Rio de Janeiro (RJ) sob a direção de David Pacheco - vai estar nos extras do primeiro DVD de Ratto. O clipe foi filmado a partir da inédita gravação feita em estúdio pelas cantoras. Rodrigo Vidal assina a produção musical dessa gravação, formatada somente com o violão de Fernando Caneca, o violoncelo de Federico Puppi e as vozes das cantoras. Roberta Sá dirigiu o show gravado ao vivo por Ratto em 12 de fevereiro de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), para dar origem ao primeiro DVD da cantora carioca. A propósito, o DVD vai chegar ao mercado fonográfico neste ano de 2015 com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records.

Milton grava no Rio sua participação no primeiro álbum da banda Dônica

A IMAGEM DO SOM - Postada pela banda carioca Dônica em sua página oficial no Facebook, a foto flagra Milton Nascimento com os cinco integrantes do grupo no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro (RJ). O cantor e compositor carioca gravou ontem, 21 de janeiro de 2015, participação no primeiro álbum da Dônica, previsto para ser lançado em abril pela gravadora Sony Music. O som do Clube da Esquina é uma das principais influências do pop progressivo da Dônica, cujo primeiro EP - lançado em dezembro em formato digital, como aperitivo do álbum - credencia a banda carioca a entrar no clube mineiro (clique aqui para reler a resenha do excelente EP Dônica).

Arícia Mess renova seu som no single 'Meu bem bem', feito com Lucio K

Resenha de single digital
Título: Meu bem bem
Artista: Arícia Mess
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * *
Single em rotação no portal SoundCloud desde 20 de janeiro de 2015


Cantora e compositora natural de Niterói (RJ), Arícia Mess renova seu som com o single Meu bem bem, lançado esta semana no portal SoundCloud. A renovação surge através da parceria da artista com Lucio K, um DJ dos anos 1980 que se tornou produtor musical na década de 1990 e que ainda se mostra antenado nos anos 2010 a julgar pela moderna batida eletrônica que sustenta essa música que embute elementos de samba-rock, de black music e de afro-samba entre outros ingredientes e batuques desde sempre presentes na discografia de Arícia, que há 15 anos lançou seu primeiro álbum, Cabeça coração (Órbita Music, 2000), e que demorou uma década para apresentar o segundo, Onde mora o segredo (Independente / Tratore, 2010), de linha sonora similar ao primeiro. Com letra que perfila mulher forte ("merecedora de respeito", "maravilhosa dançarina", "alegria da casa" que tem sua "própria gira") e com muito suingue, o single Meu bem bem alinha Arícia Mess - após cinco anos - com sons e batidas da cena contemporânea brasileira.

Fundo dá voz à outra geração em 'Só felicidade' sem sair de seu quintal

Resenha de CD
Título: Só felicidade
Artista: Fundo de Quintal
Gravadora: LGK Music / Radar Records
Cotação: * * *

É provável - ou até mesmo certo - que o Fundo de Quintal jamais vá alcançar novamente a relevância que teve para o universo do samba ao longo dos anos 1980, década em que o grupo carioca concentrou grandes compositores (Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Sombrinha, sobretudo) e músicos que deram o tom do - excelente - pagode da época enquanto forneciam repertório para cantoras antenadas com a nova cultura do samba (Beth Carvalho, sobretudo). Até porque a formação do Fundo de Quintal já é outra há tempos. Mas isso não tem impedido o grupo de lançar álbuns dignos que jamais mancham a memória da turma originária do bloco Cacique de Ramos. Só felicidade - disco de inéditas lançado em dezembro de 2014 pela gravadora LGK Music com distribuição da Radar Records - mantém o bom nível de seu antecessor Nossa verdade (Biscoito Fino, 2011). Com a diferença de que, neste CD que saúda o próprio samba em boa parte de suas 14 faixas, o Fundo dá voz a compositores de gerações posteriores à sua - Leandro Fab, Pretinho da Serrinha, Luiz Cláudio Picolé, André Rocha, Mauro Jr. e Renan Pereira - sem sair efetivamente de seu quintal. O repertório soa coeso. Até porque a cozinha maravilhosa do grupo - sustentada pelos veteranos remanescentes Bira Presidente, Sereno e Ubirany - sobressai no álbum produzido e arranjado com a habitual competência pelo maestro Rildo Hora. Disco que marca a volta do vocalista e cavaquinista Mario Sérgio ao grupo, após afastamento de seis anos, Só felicidade é disco que prioriza o samba feito no fundo dos quintais cariocas, ainda que tenha uma música, Tudo de bom (Mário Sérgio, Xixa e Edson Sorriso), alinhada com o tom do pagode romântico reinante nas paradas de samba. Em sintonia com o título Só felicidade, o disco esbanja alegria e bom astral em sambas que versam sobre o próprio samba. Partido de alta qualidade que abre o álbum, Deita que eu vou pro samba (Ronaldinho e Zeca do Cavaco) dá o tom festivo do CD. Na sequência, Vem devagar (Renan Pereira, André Rocha e Leandro Fab) segue passo sincopado que evoca o miudinho dos terreiros de outrora. Eu quero é mais (Claudemir e André Renato) reitera que a batucada dos tantãs do grupo continua chamando para o samba. Fora dos quintais cariocas, Hoje tem festa (Mário Sérgio e Bandeira Brasil) celebra a Bahia, "terra da felicidade" e das festas afro-brasileiras citadas na letra, enquanto o ótimo Som Brasil (Sereno e Moacyr Luz) saúda o pernambucano ritmo do maracatu, "baque virado feito samba" na definição dos versos do samba. Ponto baixo do CD, Encontro marcado (André Renato e Sereno) é samba menos sedutor que trata de tema espiritualista - o conforto obtido no encontro diário com o Deus da crença dos compositores - que se afina com o tom de Agenda de Deus (Renan Pereira, Leandro Fab e Lobinho Paz). De todo modo, a religião do Fundo de Quintal é o samba, como o grupo reitera em verso de Esqueço da hora (Fred Camacho, Pretinho da Serrinha e Almir Guineto), bom samba que eleva novamente o astral do disco, mantido alto em Carioca da gema (Vagner Gordo e Mozart do Cavaco) e em Pra que deixar pra manhã? (Claudemir, André Renato e Marquinho Índio). Destaque do repertório, Din din din (Mário Sérgio e Ronaldinho) é partido que confirma a alta qualidade da cozinha do Fundo de Quintal. No fim, o samba-título Só felicidade (Sereno e André Renato) - lançado nas rádios e na web meses antes do CD - e Trilha sonora (Leandro Fab, Mauro Jr. e Luiz Cláudio Picolé) arrematam o disco no tom feliz que pauta o repertório. "Eu sou a voz do povo / Tô aí de novo pra qualquer parada / Sem quebrar corrente / Pra quem não vê problema / Sou de misturar", avisa o Fundo de Quintal nos versos iniciais de Trilha sonora. O recado está dado. Sim, o Fundo de Quintal tem sabido se misturar sem quebrar a corrente lançada pelo próprio grupo no fim dos distantes anos 1970. A relevância não é a mesma, mas samba ainda é no quintal do Fundo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mart'nália canta samba de Baden & Vinicius em trilha de novela da Globo

Mart'nália figura na trilha sonora da próxima novela das 21h da TV Globo, Babilônia. A artista carioca vai dar voz ao tema de abertura da novela. Trata-se do samba Pra que chorar? (1964), parceria de Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) que a cantora já havia incluído no roteiro do show perpetuado no DVD Mart'nália em samba! (Biscoito Fino, 2014).

'Silêncio' presta tributo a João ao integrar voz de Braz com Nailor e Edson

Resenha de CD
Título: Silêncio - Um tributo a João Gilberto
Artistas: Renato Braz, Nailor Proveta e Edson Alves
Gravadora: Coleção Canal Brasil / Coqueiro Verde
Cotação: * * * *

Silêncio (2014) é de fato um tributo a João Gilberto. Registro das sessões de gravação que deram origem ao filme Ensaio sobre o silêncio, do cineasta Zeca Ferreira, o CD promove a integração da voz de Renato Braz com os sopros de Nailor Proveta e com o violão de Edson Alves. Um dos maiores cantores da música brasileira, o paulista Renato Braz exercita a leveza - na contramão do tom habitualmente classicista de seu canto - em nome da harmonia. Silêncio não é um disco de Bossa Nova, embora haja muito de Bossa Nova no toque do violão de Edson Alves na condução de músicas como o samba Louco (Ela é o seu mundo) (Wilson Baptista e Henrique de Almeida, 1943) e o bolero Besame mucho (Consuelo Velásquez, 1940). A reverência a João é feita através da harmonia reinante entre o trio. Ou duo, já que o samba Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945) figura no disco em registro instrumental pautado pelo fino diálogo do violão de Alves com o saxofone de Proveta. A abolerada canção italiana Estate (Bruno Martino e Bruno Brighetti, 1960) é o grande momento de Silêncio. Com sons que respeitam os silêncios, e vice-versa, a gravação do trio chega a rivalizar com o antológico registro feito por João em seu álbum Amoroso (Warner Music, 1977). Também impressiona a maneira como o trio cai nos sambas - Pra que discutir com madame? (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, 1945), Eu sambo mesmo (Janet de Almeida, 1946), Bahia com H (Denis Brean, 1947), Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) - com suavidade cool digna de João. Menos óbvio quando sai do terreirão do samba, o passeio pelo repertório gravado por João inclui canções menos associadas ao inventor da bossa, casos de Avarandado (Caetano Veloso, 1967) - canção gravada por João em 1973 e revivida com lirismo por Braz sem alterar o tom leve mantido ao longo das 14 músicas do disco - e de O grande amor (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960), exemplo de um Jobim mais classicista, depurado por João no álbum Getz / Gilberto (Verve Records, 1964). Enfim, Silêncio honra João porque o cantor e os músicos parecem unidos numa nota só, a favor da deusa música.

'Design' promove CD de Mumuzinho produzido por Bruno Cardoso e Lelê

Lançado nas rádios nesta terceira semana de janeiro de 2015, em divulgação orquestrada pela gravadora Universal Music, o single Design - pagode de Claudemir, Mario Cleide e Rosana Siva - inicia os trabalhos promocionais do terceiro álbum de estúdio de Mumuzinho (nome artístico do cantor carioca Márcio da Costa Batista). Sucessor de Transpirando amor (Independente, 2011) e Dom de sonhar (Universal Music, 2012), o álbum intitulado Fala meu nome aí tem lançamento programado para março de 2015. Bruno Cardoso (vocalista do grupo Sorriso Maroto) e Leandro Gomes (o Lelê, percussionista que deixou o Sorriso para atuar nos bastidores) assinam a produção do disco. Fala meu nome aí é o quarto título da discografia do artista, cujo último projeto fonográfico foi registro de show ouvido no CD e DVD Mumuzinho ao vivo (Universal Music, 2013).

Kessous volta para o estúdio, com Berna, para incluir música em álbum

A IMAGEM DO SOM - Postada por Monique Kessous em sua página oficial no Facebook, a foto flagra a cantora e compositora carioca em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com o produtor de seu terceiro álbum de repertório autoral, Berna Ceppas. Embora o disco intitulado Dentro de mim cabe o mundo já estivesse pronto, a artista aproveitou que o lançamento ficou para 2015 e voltou para o estúdio para gravar mais uma música. "Tive que voltar pro estúdio para gravar uma música que surgiu na minha vida assim do nada, e se tornou muito especial pra mim... Mas prometo que estamos chegando....eu e o disco, na pressão!", avisou Kessous, sem revelar detalhes sobre a composição. Essa música nova vai se juntar no CD a composições autorais como a balada Volte pra mim, o samba Acorde - gravado com coro formado por Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete - e Espiral, faixa gravada com o piano de Daniel Jobim e a harpa de Cristina Braga. Monique assina a maioria das músicas com o seu irmão, Denny Kessous.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Com a voz ainda quente, Renata reaviva marcas dos anos 1990 em DVD

Resenha de CD e DVD
Título: Marcas e sinais - 20 anos de carreira
Artista: Renata Arruda
Gravadora: Canal Brasil
Cotação: * * *

 Boa cantora paraibana revelada em 1993 com a edição de Traficante de ilusões (Warner Music / MZA Music), álbum produzido por Marco Mazzola, Renata Arruda revisa - em DVD e em CD ao vivo editados na Coleção Canal Brasil - 20 anos de carreira que perdeu fôlego ao longo dos anos 2000. Não por acaso, Marcas e sinais (2014) seduz mais quando reaviva músicas que marcaram a trajetória da artista ao longo dos anos 1990, década em que Renata gravou e lançou seu três melhores álbuns - o já mencionado Traficante de ilusões, Renata Arruda (MZA Music, 1996) e Um do outro (BMG, 1999). Enquanto expõe tais marcas, o DVD e CD ao vivo dão sinais de que a voz quente, de timbre grave, ainda está em forma, pronta para altos voos artísticos. Pelo caráter de mera revisão, já feita pela artista no DVD e CD Acústico - Pegada (Cid, 2005), a gravação ao vivo do show captado em 2014 na Praia de Tambaú, em João Pessoa (PB), sob a direção musical do guitarrista Robertinho de Recife, nada acrescenta à discografia de Renata. Do ponto de vista técnico, a filmagem do DVD - o segundo título da videografia da cantora - resulta convencional. Já o show em si repisa, no roteiro, caminhos trilhados por uma artista que sempre foi melhor cantora do que compositora, embora já tenha se aventurado a gravar um álbum inteiramente autoral, Deixa (Independente / Microservice, 2009). "Andei por aí, mas não me achei / Pois meu coração ficou lá", avalia Arruda através dos versos de Toada do gira mundo (Renata Arruda e Paola Torres, 2014), música que abre o CD e o DVD como tema incidental, antes do primeiro número propriamente dito do show, Fique à vontade (Peninha e Dinho Classe Z, 1999), lado B do álbum Um do outro que merece segunda chance por expor a veia popular de Peninha, compositor de É Ouro pra mim, pérola do mesmo disco também revivida com arranjo similar ao da gravação original no roteiro montado com baixo teor de novidade. Aliás, a pegada pop dos arranjos, que tangenciam o universo roqueiro, deixa no DVD a marca do guitar hero Robertinho de Recife. Já a marca mais forte de Renata é mesmo a sua voz calorosa, perfeita para uma canção como Ninguém vai tirar você de mim (Hélio Justo e Edson Ribeiro, 1968), lançada por Roberto Carlos quando o cantor era realmente o inimitável. Aquelas memoráveis canções do Roberto, a propósito, parecem ter sido musas inspiradoras de Renata e sua parceria Lúcia Veríssimo na composição de Deixa eu voltar (2009), flerte insosso com a música popular romântica, precedido no show pela récita de Inquilino (Renata Arruda), trivial poema de tom ardente. Para ouvintes de última hora, Porta do sol (Flávio Eduardo Fubá, 1996) - tema que explicita influências do rock-repente de Alceu Valença na pegada pop regionalista - pode soar como melhor novidade. Bem melhor do que Libera (2005), música de quentura artificial que Renata reaviva em dueto com Sandra de Sá, parceira no tema. Sandrá, ao menos, parece mais à vontade do que Nando Cordel, que visivelmente lê no teleprompter a letra de Rota (Som da paixão) (Renata Arruda e Nando Cordel, 2009), parceria sua com a anfitriã. Sozinha, Renata é feliz ao reabrir Templo (Chico César, Tata Fernandes  e Milton Di Biase, 1996), deliciosa canção de arquitetura simples, mas envolvente. Nos extras, o DVD exibe clipes de músicas como Faço de tudo (Renata Arruda, Sandra de Sá e Paulinho Galvão), música lançada por Ney Matogrosso em disco ao vivo de 1999, mas até então inédita na voz de Renata. Enfim, Renata Arruda continua cantando muito bem, no seu tom quente que desafia o império cool reinante na cena musical nacional. É uma intérprete com voz e alma. Mas precisa gravar um disco de estúdio (e de intérprete!) o quanto antes para voltar a pôr sua marca na música brasileira.

Antonia Morais lança seu primeiro 'single', 'Fuel', com pegada de hip hop

Com pegada  alinhada com a  cena de hip hop dos Estados Unidos, a cantora e compositora Antonia Morais debuta hoje, 20 de janeiro de 2015, no mundo da música com a edição do primeiro single do álbum autoral que vai apresentar neste ano de 2015. De autoria da própria artista, a música se chama Fuel e tem batida envolvente, moderna. Filmado em Nova York (EUA) sob a direção de Nicole Lopez, o clipe de Fuel já está em rotação no YouTube. Carioca de 22 anos, Antonia Morais é filha do cantor e compositor goiano Orlando Morais. Ela também é atriz e modelo.

Documentário sobre bar da Lapa origina DVD com gravações com Teresa

Símbolo da propagação das novas vozes do samba que ecoaram na Lapa a partir do fim da década de 1990, o bar Semente - aberto em 1998 no boêmio bairro do Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - ganha documentário sobre sua importância na cena musical carioca. Filmado sob a direção de Patrícia Terra, com direção musical de Yamandu Costa, o ainda inédito documentário vai gerar também DVD com números musicais filmados especialmente para a produção. Luis Filipe de Lima, Rafael Mallmith e Zé Paulo Becker são os diretores musicais dos números filmados com nomes como Casuarina, Marcos Sacramento, Pedro Miranda, Roberta Sá e Teresa Cristina (foto), cantora muito identificada com o bar por ter iniciado sua carreira ao lado do Grupo Semente - assim batizado por ter dado seus primeiros passos profissionais no Semente. Intitulado Geração Semente, o DVD tem lançamento previsto, via Canal Brasil, para este primeiro semestre de 2015.

Zé Marco & Miguel inserem Guineto no balaio sertanejo de 'Ciclo perfeito'

Natural de Anápolis, cidade do interior de Goiás, a dupla sertaneja Zé Marco & Miguel passou por repaginada em 2012 ao ser contratada pela produtora W4 Music. A nova cara e o novo som da dupla podem ser conferidos no álbum Ciclo perfeito (2014), disco recém-lançado pela Som Livre em edição física em CD após ter sido disponibilizado de início em formato exclusivamente digital. Sucesso na região Centro Oeste do Brasil nas vozes de Zé Marco & Miguel, Esse amor (Wallace Melo e Gilson Bernini) integra o repertório do disco de sertanejo pop ao lado da música-título Ciclo perfeito (Joe Castro) e de composições como Desapega (Eric Melo, Joe Castro e Wallace Melo). Fiel ao som pop sertanejo produzido em escala industrial, a dupla regrava samba que fez sucesso na voz do cantor e compositor carioca Almir Guineto, Conselho (Adilson Bispo e Zé Roberto, 1986), no disco produzido por Joe Castro. A grosso modo, Zé Marco & Miguel seguem de forma rala a receita pop romântica sertaneja já testada com sucesso por duplas talentosas como Victor & Leo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Guitarrista do RPM, Deluqui divulga EP 'Nau' com cinco músicas autorais

Enquanto o RPM se prepara para lançar o DVD que documenta a turnê Elektra, o guitarrista do grupo paulistano de tecnopop, Fernando Deluqui, divulga seu EP Nau. Quarto título da discografia solo de Deluqui, Nau alinha cinco músicas de autoria do artista - Ester, Coração, Dançarina, Sorriso (parceria de Deluqui com Alain Chehaibar) e Madrugada (parceria com Régis Leal) - formatadas pelos produtores Lampadinha e Tadeu Patolla. A música que promove o EP Nau é Dançarina, alvo de um clipe de clima aquático-psicodélico, filmado sob a direção de Bruno Navarro.

Yuri azeita groove do Bonsucesso Samba Clube em 'Coração da boca sai'

Resenha de CD
Título: Coração da boca sai
Artista: Bonsucesso Samba Clube
Gravadora: Independente
Cotação: * * * *

Banda de Olinda (PE), liderada pelo vocalista Rogerman, Bonsucesso Samba Clube tem seu groove e suingue azeitados por Yuri Queiroga, produtor do terceiro álbum do grupo, Coração da boca sai (2014). A potência e uniformidade dos beats ouvidos nas 12 músicas do CD fazem com que o sucessor de Bonsucesso Samba Clube (YB Music, 2003) e Tem arte na barbearia (Independente, 2006) se imponha como o melhor título da discografia indie da banda. A única faixa alienígena que quebra a integridade do álbum é Nas ruas, rock que ganhou a pegada hardcore do power trio punk pernambucano Devotos. Isolada, a faixa resulta poderosa, mas soa deslocada no contexto do álbum. De forma geral, o que sai dos sulcos do CD é o suingue pop que dá o tom de Brincadeiras levadas e coisas sérias e da música-título Coração da boca sai logo na abertura do álbum. Coração da boca sai é extrovertido disco de groove, como já sinalizara Superar, música gravada com a adesão vocal de Fábio Trummer (da  banda Eddie) e lançada como single em fevereiro de 2014. Pernambucano radicado no Rio de Janeiro (RJ) desde os anos 1980, Lenine saúda com Rogerman - sem clichês sonoros, vocais e poéticos - a cidade que o acolheu em Dia quente, Rio. Já o lendário cantor, compositor e percussionista pernambucano Erasto Vasconcelos põe sua voz rústica em Beat now. É a mesma voz que pronuncia a última palavra de Coração da boca sai no fim da música que fecha o CD, Hey irmão. Ylana Queiroga aquece a balada Corpo em chamas, mas, a despeito de ostentar diversos convidados, o disco tem coesão, resultante da produção de Yuri Queiroga, da mixagem de Buguinha Dub e da afinidade entre Rogerman (voz), Sanzyo Rafael (bateria), Oroska (percussão), Vitor Magall (guitarra), Rapha Groove (baixo) e Guga Fonseca (teclados). É o toque azeitado da banda que valoriza o groove de temas como Sede de saber e faz com que Coração da boca sai soe como melhor disco do Bonsucesso Samba Clube.

'Pra onde que eu tava indo' conduz Mauricio Pereira a destino inesperado

Resenha de CD
Título: Pra onde que eu tava indo
Artista: Mauricio Pereira
Gravadora: Independente / Tratore
Cotação: * * * *

Sexto disco solo de Mauricio Pereira, compositor e músico revelado nos anos 1980 como integrante no grupo paulistano Os Mulheres Negras, Pra onde que eu tava indo (2014) é um azeitado disco autoral - o primeiro do artista desde Pra Marte (Independente, 2007). Mas alcança pico de sedução logo na abertura, em que a autoria da faixa - o samba Notícia (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Nourival Bahia, 1954), revivido com uma lata de manteiga que simula o som de um tamborim - reside somente na habilidade do intérprete para quase recitar a letra e, assim, renovar um samba que já parecia cristalizado no universo da MPB. É que Mauricio Pereira se porta sempre como autor mesmo quando aborda músicas de inspiração alheia como Aeroplanos (Jorge Mautner) e Ciao amore, ciao (Luigi Tenco), a canção italiana de 1967 que Pereira repagina em clima folk cool. Disco gestado por Pereira com o produtor Tonho Penhasco entre 2012 e 2013, Pra onde que eu tava indo não conduz o artista a um porto seguro. Ao contrário. São muitos os caminhos marginais apontados pelo álbum numa rota diversa que abarca a pegada funky de Fugitivos (Mauricio Pereira), as dissonâncias experimentais de Criancice (Mauricio Pereira), o rock de tom nordestino da música-título Pra onde que eu tava indo (Mauricio Pereira e Chico Lobo), o toque oriental de Três homens, três celulares (Mauricio Pereira), o tom camerístico de Não adianta tentar segurar o choro (Mauricio Pereira e Lincoln Antonio, 2012) - choro sambado já gravado por Juliana Amaral - e o flerte jazzy de Andas seca (Mauricio Pereira e Luis Felipe Gama). A unidade do CD - que sucede Carnaval turbilhão (Independente, 2010) na discografia do artista - reside na inquietude que parece pautar o som e os caminhos de Pereira. Cantor de voz pequena e opaca, mas hábil para dar o recado das canções, Pereira sempre transitou pela margem do mercado. Pra onde que eu tava indo o mantém nessa margem, imerso entre a sujeira roqueira que ele imprime em Medrosa (Lincoln Antonio e Stela do Patrocínio) - canção já registrada no CD Entrevista com Stela Patrocínio (Cooperativa de Música, 2007) - e as experimentações embutidas em músicas como Nós três mais Maria Eunice (Mauricio Pereira). Enfim, Maurício Pereira continua indo para o mesmo lugar de antes - e seu destino nunca foi óbvio.

Strausz junta Alice, Danilo, Leno e Kassin no álbum solo 'Spectrum vol. 1'

 Spectrum se refere ao espectro musical e emocional do álbum. Eu sou novo, tenho muito o que explorar e esse álbum é uma chance de suprir meu desejo de me aventurar”, pontua o artista carioca Diogo Strausz a respeito do título de seu primeiro álbum solo, Spectrum vol. 1, cujo lançamento está agendado para 27 de janeiro de 2015. Produtor, compositor, arranjador e multi-instrumentista que deu seus primeiros passos profissionais como guitarrista do extinto grupo carioca R. Sigma, Strauz dispara seu primeiro disco solo de forma independente no rastro da consagração obtida entre a crítica musical por conta da produção do segundo álbum de Alice Caymmi, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014). Alice, aliás, integra o vasto time de convidados do disco ao lado de Apollo, Danilo Caymmi, Leno (pai de Strausz) e Kassin, entre outros nomes relacionados na intencionalmente envelhecida capa vintage de Spectrum vol. 1. Já em rotação na web, o primeiro single do álbum, Não deixe de alimentar, é faixa de groove que remete aos anos 1970, gravada com os vocais das cantoras Ledjane Motta e Maria Pia. Outras músicas do disco são Chibom (incursão de Strausz pelo universo nortista da guitarrada), Me ama (faixa formatada com Kassin e batida de drum'n'bass) e Narcissus. "Quero, com esse álbum, colocar pra fora dois anos de ideias guardadas e que ficavam tocando dentro da minha cabeça sem serem ouvidas por outros. Espero poder compartilhá-las agora", idealiza Strausz, com o fôlego otimista da juventude.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Baleia lança EP gravado ao vivo em apresentação no estúdio Maravilha 8

Em ascensão na cena indie nacional, a banda carioca Baleia lança neste mês de janeiro de 2015 o EP Baleia ao vivo no Maravilha 8. O disco traz cinco números captados em apresentação da banda no estúdio-selo situado no Rio de Janeiro (RJ). Quatro das cinco faixas - Breu, Casa, Furo e Motim - são músicas do autoral primeiro álbum da Baleia, Quebra azul (Independente, 2013). A quinta faixa é o já conhecido mash up que agrega Noite de temporal (Dorival Caymmi, 1940) e Little by little (Radiohead, 2011). O EP será lançado somente em edição digital em 21 de janeiro de 2015.

Com Felipe Cordeiro, Fafá pode fazer o CD que deve ao seu fiel público

Editorial - Na última sexta-feira, 16 de janeiro de 2015, Fafá de Belém deu um decisivo primeiro passo para voltar a ocupar na cena musical brasileira o lugar de destaque ao qual faz jus. A cantora paraense entrou em estúdio, em São Paulo (SP), para começar a dar forma a um álbum produzido pelo cantor, compositor e guitarrista Felipe Cordeiro. Um disco que vai chegar em boa hora, pois Fafá completa 40 anos de carreira em 2015. Projetada em 1975 com a gravação do samba de roda Filho da Bahia (Walter Queiroz), feita para a trilha sonora da novela Gabriela, a cantora está há dez anos sem lançar um álbum de estúdio (o último, de 2005, foi dedicado ao cancioneiro de Chico Buarque), tendo gravado somente EPs abaixo de seu talento e potencial. Fafá deve esse disco aos que admiram sua voz e seu canto tão extrovertido quanto passional. Voz que - diga-se - vem se mantendo viçosa e potente como nos velhos tempos. Um disco que ganha significado instantâneo somente pelo fato de estar sendo produzido por Felipe Cordeiro, nome de destaque na atual cena musical do Pará. O mesmo Pará que Fafá repôs em cena nos anos 1970, quando compositores importantes da região, como o seminal Waldemar Henrique (1905 - 1995), já começavam a ser esquecidos. Enfim, que venha esse disco que certamente vai ser saudado com entusiasmo pelo público de Fafá, ainda e sempre de Belém, mas já há 40 anos deste vasto Brasil.

Já na rede, 'Cavalo' refaz conexão de Marcia Castro com Salvador Bahia

Dias após lançar single com gravação inédita do reggae Malandrinha (Edson Gomes, 1988), produzida por Kassin, Marcia Castro joga na rede mais uma música do EP que gravou para este verão de 2015. Já em rotação no YouTube, a gravação de Cavalo celebra a música afro-baiana com pegada festiva que se desvia dos clichês rítmicos da já trintona axé music. Dançante, Cavalo é composição assinada por Castro em parceria com Luciano Salvador Bahia, autor de Queda e de Vergonha, músicas já gravadas pela cantora baiana em seus álbuns Pecadinho (Independente, 2007) e De pés no chão (Deck, 2012), respectivamente. A gravação de Cavalo foi feita no estúdio Parede e Meia, em São Paulo (SP), com produção musical do guitarrista Rovilson Pascoal e do próprio compositor Luciano Salvador Bahia. Victor Rice mixou o fonograma, masterizado por Felipe Tichauer. Assim como a sedutora abordagem do reggae Malandrinha, a boa gravação de Cavalo devolve vida ao canto de Marcia Castro, esmaecido no terceiro álbum da artista, Das coisas que surgem (Sony Music, 2014), produzido por Gui Amabis. EP será editado apenas em formato digital.

Malta sopra obra de Caymmi em CD que sai após disco ao vivo na China

Virtuose dos sopros, o músico Carlos Malta gravou álbum com o cancioneiro de Dorival Caymmi (1914 - 2008) em meados de 2014, ano em que o Brasil celebrou o centenário de nascimento do compositor baiano. Ainda inédito, este disco de Malta sobre a obra de Caymmi vai ser lançado após a edição de Carlos Malta & Pife Muderno ao vivo na China, álbum duplo que registra show feito pelo grupo em setembro de 2011 na Cidade Proibida, em Pequim. O disco ao vivo celebra os 20 anos do grupo carioca Pife Muderno, completados em 2014. Malta - visto em foto de Aluízio Jordão - tem ainda engatilhado um terceiro disco, este baseado nos afro-sambas compostos na década de 1960 por Baden Powell (1937-2000) em parceria com Vinicius de Moraes (1913 - 1980).

sábado, 17 de janeiro de 2015

Aposta da Deck para 2015, quinteto paulista Tio Che lança o single 'Além'

Grupo de rock formado em 2001 em Santo André (SP), Tio Che é uma das apostas da gravadora carioca Deck para este ano de 2015. Já com dois EPs independentes no currículo, As formigas que se abaixem (2011) e Bléqui ou Uáiti (2014), o quinteto - formado por Leandro Moreti (voz e guitarra), Luthi Marques (guitarra), André Gieswein (baixo e vocal) e Nego Will (bateria) e Sergio Guizé (guitarra e vocal) - se preparam para lançar o single Além em 27 de janeiro de 2015. A música Além já está sendo veiculada na trilha sonora da novela Alto astral, exibida pela TV Globo.

Eis a capa de 'Ao vivo no Pelourinho', primeiro DVD do Babado com Mari

Esta é a capa do DVD Ao vivo no Pelourinho, primeiro projeto fonográfico do grupo baiano Babado Novo com sua atual vocalista, Mari Antunes. Com lançamento agendado para 20 de janeiro de 2015 via Universal Music, o CD e DVD Ao vivo no Pelourinho trazem o registro do show gratuito feito pela banda no Largo do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador (BA), em 2 de julho de 2014. O cantor e compositor carioca Xande de Pilares participa da faixa Sambaxé. Já o cantor, compositor e percussionista baiano Carlinhos Brown figura em Te amo, família. O DVD agrupa 23 músicas em 22 faixas. Entre elas, há hits antigos do Babado Novo como Bola de sabão.

Zezé & Luciano inserem duas inéditas no roteiro de show gravado em SP

A IMAGEM DO SOM - Postada na página oficial de Zezé Di Camargo & Luciano no Facebook, a foto acima mostra os irmãos goianos no palco do Citibank Hall de São Paulo (SP) na noite de ontem, 16 de janeiro de 2015, durante a apresentação do show Flores em vida gravada ao vivo para edição de CD e DVD que chegarão às lojas via Sony Music no meio do ano. Por conta do registro audiovisual do show, A dupla sertaneja adicionou duas músicas inéditas, Manda um sinal e O defensor, ao roteiro de Flores em vida. Trata-se do quinto registro audiovisual de show da dupla.

Disco evidencia fraqueza da safra de marchinhas para o Carnaval de 2015

Resenha de disco
Título:
As melhores marchinhas do Carnaval 2015
Artista: Vários
Gravadora: Som Livre
Cotação: * *
Disco disponível somente em edição digital


Embora o concurso anual de marchinhas promovido no Rio de Janeiro (RJ) pela Fundição Progresso tenha feito louváveis esforços ao longo da última década para renovar o gênero carnavalesco, o fato é que os bailes continuam sendo animados pelas composições lançadas nas folias dos anos 1930 e 1940. Lançado somente em edição digital pela gravadora Som Livre neste mês de janeiro de 2015, o disco As melhores marchinhas do Carnaval 2015 vai manter inalterado o quadro. O álbum alinha as dez finalistas da 10ª edição do concurso idealizado por Perfeito Fortuna, cuja final está agendada para 1º de fevereiro de 2015 na Fundição Progresso. A safra de 2015 é das mais fracas dos últimos anos. Somente duas marchinhas fazem jus à vitória, sendo que o título de campeã deve ir para Quarta de cinzas, composição de Valéria Pisauro e Guilherme Lamas defendida por Pedro Paulo Malta. De tom melancólico, com cadência próxima das marchas-ranchos, Quarta de cinzas ostenta bonita melodia e uma letra que fala com lirismo de amor desfeito em mágoas. Já a bicampeã bem poderia ser Fucei seu face, marcha de Paulo Padilha, cantada pelo próprio Padilha com a cantora Susane Salles. Embora tenha formato mais convencional, a marchinha é animada e tem a seu favor o fato de brincar com tema atual (a mania de investigar a vida alheia através das redes sociais). O arranjo de Alexandre Caldi contribui para Fucei seu face sobressair no disco diante de concorrentes como Coração de Carnaval, marcha de Paulo Sá e Leo Almeida, cantada pelos autores e turbinada com os sopros da Banda Fundição, arregimentada para acompanhar os cantores na gravação do disco produzido por Marcelo Bernardes. Há marchas que pecam pela falta de ingrediente essencial na composição do gênero: a graça, inexistente nos versos da Marchinha literária, composta e gravada por Roni Walk. Com o mérito de fugir dos temas-clichês, o autor tenta em vão fazer graça com trocadilhos feitos com nomes de poetas e escritores. Marchinha defendida por Marcelo Mimoso, Adoro celulite (Jota Michiles e Gustavo Krause) é mais espirituosa ao traçar o perfil de gordinha gulosa. Já Mamãe eu quero ser, papai não deixa (Leo Santos) - ouvida no disco na voz de Alfredo Del Penho - bate sem empolgar na tecla já muito batida da brincadeira com gays. Interpretada por Matias Correa, Chiclete (Chico Alves) se destaca mais pelos versos sucintos que dão com humor o recado do marido louco para escapar do cerco da mulher ciumenta. Vai virar corno (Caio Martinez e Fernando Leitzke) e Japa (Sergio Turcão e Jica Thomé) completam a safra de 2015 sem alterar o status do disco. O fato é que as três melhores marchinhas do disco são dos anos 1930. Como a 10ª edição do concurso celebra os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro (RJ), há gravações inéditas de Cidade maravilhosa (André Filho, 1934), Primavera no Rio (Braguinha, 1934) - marcha que foi sucesso na voz de Carmen Miranda (1909 - 1955) e que Nina Wirti revive com apropriada leveza - e Cidade mulher (Noel Rosa, 1936), ora ouvida na voz de Pedro Miranda na versão adaptada e arranjada por Martinho da Vila com o maestro Rildo Hora. São três marchas capazes de animar os bailes e, de quebra, elevar a já baixa autoestima dos cariocas neste Carnaval de calor e arrastões.