sábado, 29 de agosto de 2015

Universal Music dissocia reedição do disco 'Legião Urbana' da volta do grupo

Em comunicado expedido no fim da tarde de ontem, 28 de agosto de 2015, a gravadora Universal Music anunciou que prepara, através de seu selo EMI, reedição comemorativa dos 30 anos do álbum Legião Urbana (EMI-Odeon, 1985), o primeiro da banda formada em Brasília (DF) em 1982 por Renato Russo (1960 - 1996), mas ressaltou que tal iniciativa está dissociada dos "projetos pessoais dos integrantes originais da banda ou de qualquer outra ação envolvendo a marca". O comunicado se refere veladamente à volta da Legião à cena a partir de outubro em show que vai percorrer o Brasil. Como recuperaram na Justiça o direito de usarem a marca Legião Urbana, após longo embate nos tribunais com Giuliano Manfredini, filho e herdeiro de Russo, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá vão fazer show como Legião Urbana com o cantor paulista André Frateschi no posto de vocalista da banda, ocupando a função de Russo (tal como o ator e cantor Wagner Moura fez em 2012 em controvertido projeto da MTV), mentor e cantor original do grupo. O show tem direção cênica do encenador de teatro Felipe Hirsch. Liminha - de boné na foto acima, postada por Bonfá no Facebook - cuida da produção musical. Lucas Vasconcelos (à esquerda) faz parte da banda que acompanhará Bonfá, Dado e Frateschi no palco - assim como o baixista Mauro Berman e o tecladista Roberto Polo. O comunicado da Universal Music sinaliza que a briga continua.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Rock de tom 'heavy' abafa melodias desiguais de Cañas no show 'Tô na vida'

Resenha de show
Título: Tô na vida
Artista: Ana Cañas (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de agosto de 2015
Cotação: * * * *

♪ Assim como o álbum Tô na vida (Guela Records / Slap, 2015) se impôs de imediato como o melhor título da discografia de Ana Cañas, o show Tô na vida se revela o melhor momento da artista paulistana nos palcos. Mesmo que o roteiro basicamente autoral recorra aos irregulares repertórios dos dois álbuns anteriores da cantora e compositora, sobretudo ao de Volta (Guela Records / Slap, 2012), o show resulta coeso porque a pegada heavy do power trio que divide o palco com Cañas - o guitarrista Lúcio Maia, o baterista Marco da Costa e, na estreia carioca do show, o baixista Rubens Farias - abafa e põe em segundo plano as melodias da compositora, de inspiração desigual. Tô na vida é um show de rock e, dentro dessa atmosfera roqueira, músicas como Diabo (Ana Cañas, 2012) - veículo para a cantora explorar os agudos de sua voz privilegiada - e Traidor (Ana Cañas, 2012) cresceram e reapareceram mais envolventes do que em shows anteriores, sendo que Traidor ganha um toque de blues, recorrente tanto no disco quanto no show. Urubu rei (Ana Cañas, 2012) - música que Cañas canta sentada, inicialmente de costas para a plateia - também nunca voou tão alto como no show Tô na vida. Em contrapartida, o show mais pesado da cantora desfavorece canções de armadura mais leve. A beleza da melodia da balada Esconderijo (Ana Cañas, 2012), por exemplo, se diluiu em cena porque a leveza da canção fica estranha na ambiência do show. Estranhezas à parte, a energia de Cañas é o combustível que abastece o show Tô na vida ao longo da execução do roteiro de 18 músicas. Em sua estreia carioca, em apresentação feita no Theatro Net Rio na noite de 26 de agosto de 2015, o show confirmou impressões deixadas pelo disco. Como o fato de a confessional música-título Tô na vida (Ana Cañas, Lúcio Maia e Arnaldo Antunes, 2015) ser um dos títulos mais inspirados do cancioneiro autoral da compositora. E como o fato (esse mais incômodo...) de o rock Mulher (Ana Cañas, 2015) parecer ser cópia dos rocks mais feministas de Rita Lee, cantora e compositora paulista que abriu alas cor-de-rosa choque no mundo machista do rock brasileiro. Portando eventualmente sua guitarra elétrica em cena, Cañas leva ao violão Hoje nunca mais (2015), balada que reitera a harmonia de sua parceria com o compositor e baixista carioca Dadi Carvalho. A propósito, outra balada de autoria da dupla, Será que você me ama? (2012), ganha peso neste show em que Cañas refaz o cover elétrico de Rock'n'roll (Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant, 1971), tema do repertório do grupo inglês Led Zeppelin. Enfim, Ana Cañas parece ter se encontrado no rock após flertes eventuais com a MPB e com o pop romântico de Nando Reis. O álbum Tô na vida parece ser um desenvolvimento natural de Hein? (Sony Music, 2009), o segundo álbum da artista, produzido por Liminha e lançado em momento em que a carreira de Cañas ameaçou sair dos trilhos por conta de problemas pessoais da artista. Analisado em perspectiva, Volta foi o disco autoral de transição, que preparou o terreno e o clima para Tô na vida. Somente o tempo vai dizer se o abraço dado atualmente por Cañas no rock está sendo forte e verdadeiro o suficiente para manter a artista nesse trilho. Por ora, o que importa é que o show Tô na vida transpõe para o palco a coesão do álbum que o inspirou, confirmando o ótimo momento da artista.

Ana Cañas cita Hendrix e canta 'Rock'n'roll' do Led no seu show mais pesado

Ana Cañas suspendeu os Jardins da Babilônia (Rita Lee e Lee Marcucci, 1978) na estreia carioca de Tô na vida, show apresentado no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 26 de agosto de 2015. Originalmente no show, o sucesso da fase Tutti Frutti de Rita Lee saiu do roteiro no Rio, mas Rita foi evocada na letra feminista do rock Mulher (Ana Cañas), uma das músicas do recém-lançado quinto álbum de Cañas, Tô na vida (Guela Records / Slap, 2015), o mais azeitado título da discografia dessa cantora e compositora paulistana que abraçou o rock neste CD produzido pela própria Cañas com o guitarrista Lúcio Maia. Aliás, o guitarrista da Nação Zumbi integra - com o baixista Rubens Farias e o baterista Marco da Costa - o power trio que dividiu o palco do Theatro Net Rio com Cañas no show mais roqueiro e pesado da artista, que, além de cantar, se dividiu entre a guitarra elétrica e o violão eletroacústico. O que justificou que a cantora mantivesse em seu repertório Rock'n'roll (Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant, 1971) - música da lavra do grupo inglês Led Zeppelin que Cañas gravou no álbum Volta (Guela Records / Slap, 2012) e que já cantava em seu show anterior, também intitulado Volta (2012) - e que citasse Voodoo child (Slight return) (Jimi Hendrix, 1968), tema do grupo The Jimi Hendrix Experience, ao fim do blues rock Madrugada quer você (Ana Cañas, Lúcio Maia e Arnaldo Antunes, 2015), música do álbum Tô na vida. Eis o roteiro seguido em 26 de agosto de 2015  por Ana Cañas - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do show Tô na vida  no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro:

1. Existe (Ana Cañas, 2015)
2. Feita de fim (Ana Cañas, 2015)
3. Diabo (Ana Cañas, 2012)
4. Será que você me ama? (Dadi Carvalho e Ana Cañas, 2015)
5. Traidor (Ana Cañas, 2013)
6. Rock'n'roll (Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant, 1971)
7. Volta (Ana Cañas, 2012)
8. Esconderijo (Ana Cañas, 2009) - com citação de Walk on the wild side (Lou Reed, 1972) /
9. Amor e dor (Ana Cañas, 2015)
10. Hoje nunca mais (Dadi Carvalho e Ana Cañas, 2015)
11. Tô na vida (Ana Cañas, Lúcio Maia e Arnaldo Antunes, 2015)
12. Urubu rei (Ana Cañas, 2012)
13. Mulher (Ana Cañas, 2015)
14. O som do osso (Ana Cañas, Lúcio Maia e Pedro Luís, 2015)
15. Indivisível (Ana Cañas, 2015)
16. Madrugada quer você (Ana Cañas, Lúcio Maia e Arnaldo Antunes, 2015)
      - com citação de Voodoo child (Slight return) (Jimi Hendrix, 1968)
Bis:
17. La vie en rose (Louiguy, Margerite Monnot e Edith Piaf, 1947)
18. Coisa Deus (Ana Cañas, 2015)

Roberta grava clipe da faixa-título de álbum e posta foto com Curumin e Davi

A IMAGEM DO SOM - Postada por Roberta Sá na sua página oficial no Facebook, a foto de Tainá Azeredo mostra a cantora potiguar em estúdio com o baterista Curumim e com o guitarrista Davi Moraes. Mas não se trata de flagrante da gravação do sexto álbum oficial de Roberta, Delírio, já no forno para ser lançado em edição da MP,B Discos a ser distribuída pela gravadora Som Livre (a artista inclusive já gravou o clipe da música-título Delírio). O trio se reuniu em estúdio para ensaiar número da  segunda temporada da série musical  Clubversão (HBO), dirigida por Fábio Pinczowski.

Matheus & Kauan fazem sua sinfonia pop sertaneja no CD e DVD 'Face a face'

Dois anos após Matheus & Kauan debutarem no mercado fonográfico brasileiro com a edição pela gravadora Som Livre do CD e DVD Mundo paralelo ao vivo (2013), gravados em show feito pela dupla sertaneja em Goiânia (GO), os irmãos - nascidos em Itapuranga (GO), cidade do interior de Goiás, em 1994 e em 1988, respectivamente - estreiam na gravadora Universal Music neste ano de 2015 com a edição de outra gravação ao vivo de show. No caso, um show gravado pela dupla - formada em 2010 e em atividade nos palcos nacionais desde 2011 - em 22 de novembro de 2014 no Villa Mix de Brasília (DF) com a participação da Orquestra Sinfônica Villa-Lobos e com produção de Eduardo Pepato. No mercado a partir deste mês de agosto, O CD e DVD Face a face apresenta 17 inéditas entre as 24 músicas do roteiro que inclui temas como Tô melhor solteiro e Abelha sem mel. Em que pesem os eventuais arranjos sinfônicos da Orquestra Villa-Lobos, Matheus & Kauan seguem a linha leve pop do gênero rotulado como sertanejo universitário, o que já lhes renderam comparações com Jorge & Matheus, dupla que, aliás, gravou músicas das lavras dos irmãos goianos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Alcione lança CD e DVD com compilação de encontros com estrelas da MPB

Alcione está lançando CD e DVD que compilam 17 encontros da Marrom com artistas como Diogo Nogueira, Emílio Santiago (1946 - 2013), Jorge Aragão, Leci Brandão, Lenine, Maria Bethânia, MV Bill e a dupla Victor & Leo, entre outros nomes. Alcione ao vivo em grandes encontros vai ser comercializado pela Marrom Music em parceria com a gravadora Biscoito Fino. A compilação rebobina encontros captados em shows, em sua maioria, mas há uns gravados em estúdio, como o trio formado com Djavan e Zeca Pagodinho no estúdio para os extras do DVD Eterna alegria ao vivo (Marrom Music / Biscoito Fino, 2014). A maioria dos fonogramas vem do projeto duplo Duas faces (Marrom Music / Biscoito Fino, 2011 e 2012) - dividido em dois volumes (Jam session e Ao vivo na Mangueira) lançados em 2011 e em 2012, respectivamente - e de Eterna alegria ao vivo. Eis, na ordem do DVD, as 17 faixas (e seus convidados) de Alcione ao vivo em grandes encontros:

1. Poder da criação (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1980) - com Diogo Nogueira
2. Ilha de maré (Carlos Roberto e Walmir Lima, 1977) /
    Roda ciranda (Martinho da Vila, 1984) - com Martinho da Vila
3. Verde e rosa (Silvio César, 1974) - com Leci Brandão
4. O samba me chamou (Sombrinha e Marquinho PQD, 2009) - com Grupo Revelação
5. Capim (Djavan, 1982) - com Djavan
6. Na mesma proporção (Jorge Aragão e Nilton Barros, 1984) - com Jorge Aragão
7. Evolução (José Cavalcante de Albuquerque) - com Lenine
8. Romaria (Renato Teixeira, 1977) - com Victor & Leo
9. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963) - com Maria Bethânia
10. Sorriso de um banjo (Bira da Vila, Fidélis Marques e Melodia Café, 2012) - com Andreia Caffé
11. 40 anos (Altay Veloso e Paulo César Feital, 1992) - com Emílio Santiago
12. Parabéns pra você (Mauro Diniz, Sereno e Ratinho, 1985) - com Fundo de Quintal
13. Quem me levará sou eu (Dominguinhos e Manduka, 1978) /
      Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) - com Cezzinha
14. Meu ébano (Neneo e Paulinho Rezende, 2005) - com MV Bill
15. Pela rua (Dolores Duran e Ribamar, 1959) - com Áurea Martins
16. Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952) / 
      Vingança (Lupicínio Rodrigues, 1951) - com Jamelão
17. Eh, eh (Djavan e Zeca Pagodinho, 2013) - com Djavan e Zeca Pagodinho

Joelma diz que fica até dezembro na Banda Calypso e anuncia a carreira solo

 Talvez tenha sido somente uma declaração passional motivada pela mágoa da recente separação de Chimbinha, mas o fato é que a cantora paraense Joelma anunciou em gravação de programa da TV Record - previsto para ir ao ar no próximo sábado, 29 de agosto de 2015 - que vai permanecer na Banda Calypso somente até dezembro e que, na sequência, vai iniciar uma carreira solo. A fala de Joelma pegou o guitarrista Chimbinha de surpresa a ponto de o músico preferir nada dizer sobre a questão naquele momento. Se efetivada, a saída de Joelma da Calypso vai abalar as estruturas da banda formada em Belém (PA) em 1999 e sustentada justamente pela união musical da cantora com o guitarrista. Joelma e Chimbinha celebraram os 15 anos dessa união com  a gravação ao vivo, em 2014, de show feito em Belém com a presença de convidados. O registro resultou no DVD e CD ao vivo Banda Calypso 15 anos, lançados em junho de 2015, com a distribuição da Radar Records.

Eis a capa de 'Sambarás', álbum que traz Klébi de volta ao mundo fonográfico

Com capa que expõe foto de Kriz Knack em projeto gráfico assinado por Joana Gudin, o sétimo álbum da cantora e compositora paulistana Klébi Nori, Sambarás, entrou esta semana em processo de fabricação. Entre setembro e outubro de 2015, o CD de Klébi vai chegar ao mercado fonográfico em edição da gravadora Dabliú Discos. Clique aqui se quiser conhecer o repertório autoral do disco.

Álbum em que Zélia canta sambas autorais já tem título e vai sair em outubro

Antes do mundo acabar é o título do álbum de inéditas autorais gravado por Zélia Duncan em estúdio. Inteiramente dedicado ao samba, o disco da cantora e compositora fluminense - vista em foto de Gal Oppido -  já está finalizado e tem seu lançamento programado para outubro de 2015. Caberá à gravadora Biscoito Fino distribuir o CD  Antes do mundo acabar no mercado fonográfico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Estreia do show de Fafá é filmada para documentário sobre Manoel Cordeiro

Já existe um registro de imagem e som, com alta qualidade técnica, do show Do tamanho certo para o meu sorriso, estreado por Fafá de Belém - em foto de Caio Gallucci - no Teatro Itália, em São Paulo (SP), na noite de 25 de agosto de 2015. A filmagem foi feita para documentário sobre o guitarrista e compositor paraense Manoel Cordeiro, músico que toca ao lado de seu filho também guitarrista Felipe Cordeiro no espetáculo dirigido por Paulo Borges. Mas há a possibilidade de que o material filmado seja aproveitado para a edição de um provável DVD com o registro do ótimo show inspirado pelo (recém-lançado) disco  Do tamanho certo para o meu sorriso (Joia Moderna, 2015).

Coração brega de Fafá bate (bem) mais forte na cena chique de Paulo Borges

Resenha de show
Título: Do tamanho certo para o meu sorriso
Artista: Fafá de Belém (em foto de Caio Gallucci)
Local: Teatro Itália (São Paulo, SP)
Data: 25 de agosto de 2015
Cotação: * * * * *
 Show em cartaz até 26 de agosto de 2015 no Teatro Itália, em São Paulo (SP)

O coração assumidamente brega de Fafá de Belém bate mais forte na cena chique armada pelo diretor Paulo Borges para a cantora paraense apresentar as músicas do recém-lançado álbum com que a artista comemora 40 anos de carreira fonográfica que andou adormecida na última década. Fafá voltou. E retornou com força com o disco Do tamanho certo para o meu sorriso, desde 20 de agosto no mercado fonográfico em edição da gravadora Joia Moderna. A retomada é solidificada pelo primoroso show que estreou ontem, 25 de agosto de 2015, no Teatro Itália, em São Paulo (SP), sob a direção de Paulo Borges. Além de consolidar a marca hi-tech de Borges (o todo-poderoso da São Paulo fashion week para quem  é estranho no ninho da moda) como diretor de espetáculos musicais calcados em projeções de imagens em vídeo-cenário de Richard Luiz (a mesma estética do show de Alice Caymmi), o show Do tamanho certo para o meu sorriso engrandece o que no disco soou menor do que o canto farto de Fafá. Todas as músicas do disco de tom tecnobrega - produzido por Manoel Cordeiro com Felipe Cordeiro - crescem e ganham sentido adicional no show. De tom popular, esse repertório - rechaçado por quem espera que Fafá somente dê ouvidos e voz às músicas de compositores associados à MPB dos anos 1960 e 1970 - se amalgama em cena, sem choques, com os maiores sucessos da cantora em seus 40 anos de carreira.  Os sucessos antigos reaparecem com arranjos novos, criados e tocados somente com as guitarras de Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, únicos músicos em cena (tal como no disco). Símbolos de diferentes gerações e fases da cena musical do Pará, as guitarras de pai e filho choram em Bilhete (Ivan Lins e Vitor Martins, 1980), a doída canção de separação que Fafá tomou para si em gravação de 1982, feita dois anos após os registros quase simultâneos de Ivan Lins e do grupo MPB-4. O canto de Fafá é alegre, mas também sabe expor os dramas afetivos de canções como Volta (Johnny Hooker, 2013), música que abre o show com Fafá de costas para a plateia. A virada estratégica, no meio da música, surte forte efeito cênico, sinalizando o domínio que a cantora tem do gestual teatral. Só que, sem deixar de ser Fafá, a cantora vista em cena no show Do tamanho certo para o meu sorriso soa mais refinada sem perda da intensidade de suas interpretações. Fafá fala menos - e, quando fala, diz somente o essencial - e canta mais. Canta muito, aliás, com a voz que conserva a potência e atinge os tons de outrora com naturalidade e uma energia que parece concentrada no palco. Por isso, no show, Pedra sem valor - inédita fornecida pela compositora paraense Dona Onete para o disco - brilha muito mais do que no registro do álbum. É como se Pedra sem valor retratasse, no roteiro, a volta por cima da personagem que rompe laços conjugais em Bilhete. Um dos pontos altos do show, Cavalgada (1977) - canção sensual de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que volta e meia reaparece no repertório de Fafá - é interpretada com a cantora deitada em praticável que simula a cama de um motel. A intérprete se contorce entre almofadas para explicitar no canto e no corpo o gozo poeticamente retratado pelos autores na letra. No clímax, o praticável gira a partir do verso "Estrelas mudam de lugar"  em efeito cênico valorizado pela projeção de um céu no telão. É arrepiante! Com linguagem mais simples e direta, Quem não te quer sou eu (Firmo Cardoso e Nivaldo Fiúza, 2002) - sucesso local da banda paraense Sayonara - e o bolero Usei você (Silvio César, 1971) são músicas que reverberam a exteriorizada trilha sonora dos cabarés, boates e inferninhos de um interiorano Brasil de dentro que também pulsa nas ruas de Belém. Alocado no início do show, Asfalto amarelo (Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Zeca Baleiro, 2015)  é o convite de Fafá para que o público adentre o interior de seu Pará. Com três estilosos figurinos assinados pelo estilista Luis Claudio (da APTO 03), Fafá celebra o Pará e, em especial, sua Belém do Pará, retratada em Os passa vida (Osmar Jr. e Rambolde Campos, 2004), outro sucesso local da banda Sayonara que faz mais sentido no show Do tamanho certo para o meu sorriso, provocando o choro incontido da cantora. E por falar em figurinos, o vestido vermelho da segunda parte cai bem na personagem voluptuosa de Sedução (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Este número é o que apresenta o melhor efeito do vídeo-cenário de Richard Luiz. Tal efeito cria no espectador a ilusão de que Fafá está cantando Sedução na porta de uma das casas de Belém projetadas no telão. Outro efeito é o peixe que se delineia com nitidez, ao fim de Sereia (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983), na imagem inicialmente difusa projetada ao longo do número. São marcas da direção de Paulo Borges em show que flui sem erros, sinalizando que Meu coração é brega (Veloso Dias, 2015) pode vir a se tornar hit popular, consolidando a trajetória de seu compositor, autor de Ex mai love (2012), sucesso na voz da paraense Gaby Amarantos. Meu coração é brega é outra música do disco que bate mais forte no show, pela força cênica e vocal de Fafá, intérprete moldada para músicas passionais como Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996), cantada com dramaticidade - no toque das guitarras de Manoel e Felipe Cordeiro - mas sem os exageros de shows anteriores. Sob medida (Chico Buarque, 1979) também ressurge sem tantas firulas. Já Vem que é bom (Manoel Cordeiro e Ronery, 1979) é convite à dança que tem vocais do mesmo Manoel Cordeiro que, no toque de sua icônica guitarra, cria introdução agalopada para o bolero Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977). No fim, O gosto da vida (Péricles Cavalcanti, 1982) - espécie de carta de intenções do canto da artista - faz o Carnaval continuado no bis com o samba Filho da Bahia (Walter Queiroz, 1975), marco inicial da trajetória fonográfica de Fafá, e com Este rio é minha rua (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1976). A conexão Bahia-Pará é feita com naturalidade pelas guitarras e pelo canto emotivo e solar da artista. Enfim, sob a direção chique de Paulo Borges, Fafá refina sua postura em cena sem deixar de ser a Fafá de sempre. Para quem vinha fazendo shows irregulares de conceito mais fluido e de menor apuro visual, o espetáculo Do tamanho certo para o meu sorriso supera o disco homônimo que o gerou e reforça a feliz sensação de que Fafá de Belém volta, enfim, a ocupar um lugar que sempre foi seu.

♪ O blog Notas Musicais viajou à cidade de São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna

Fafá põe 'Sereia' nas águas de Belém em show de inédito tema instrumental

SÃO PAULO (SP) - Música de Lulu Santos e Nelson Motta, lançada há 32 anos na voz de Fafá de Belém na trilha sonora do especial infantil Plunct plact zoom (TV Globo, 1983), Sereia cai nas águas de Belém (PA) em número do primoroso show que lança o disco comemorativo dos 40 anos de carreira fonográfica da cantora paraense, Do tamanho certo para o meu sorriso, no mercado desde 20 de agosto de 2015 em edição da gravadora Joia Moderna. No show que consolida a marca de Paulo Borges como diretor de espetáculos musicais, Fafá - em foto de Caio Gallucci - canta as 10 músicas do disco e revive sucessos dessas quatro décadas com novos arranjos, feitos somente com os toques das guitarras de Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, pai e filho, expoentes da cena musical do Pará. Únicos músicos presentes no disco e no show, Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro ainda se deram ao luxo de apresentar inédito tema instrumental, Palácio dos bares, tocado pelos guitarristas durante a primeira das duas trocas de figurinos da cantora e composto para o show que teve sua estreia nacional na noite de ontem, 25 de agosto de 2015, no Teatro Itália, em São Paulo (SP), onde fica em cartaz até hoje, 26 de agosto. Já está prevista turnê pelo Brasil. Eis o roteiro seguido por Fafá de Belém na estreia nacional de seu show Do tamanho certo para o meu sorriso:

1. Volta (Johnny Hooker, 2013)
2. Asfalto amarelo (Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Zeca Baleiro, 2015)
3. Bilhete (Ivan Lins e Vitor Martins, 1980)
4. Pedra sem valor (Dona Onete, 2015)
5. Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)
6. Quem não te quer sou eu (Firmo Cardoso e Nivaldo Fiúza, 2002)
7. Usei você (Silvio César, 1971)
8. Palácio dos bares (Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, 2015) - tema instrumental inédito
9. Sedução (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977)
10. Meu coração é brega (Veloso Dias, 2015)
11. Ao pôr do sol (Firmo Cardoso e Dino Souza, 1987)
12. Sereia (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)
13. Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996)
14. Sob medida (Chico Buarque, 1979)
15. Vem que é bom (Manoel Cordeiro e Ronery, 1990)
16. Os passa vida (Osmar Jr. e Rambolde Campos, 2004)
17. Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977)
18. Conexão Amazônia Caribe (Manoel Cordeiro, 2015) - tema instrumental
      - com citação de Alagados (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, 1986)
19. O gosto da vida (Péricles Cavalcanti, 1982)
Bis:
20. Filho da Bahia (Walter Queiroz, 1975)
21. Este rio é minha rua (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1976)


O blog Notas Musicais viajou à cidade de São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna

Eis capa e músicas do álbum em que Catto canta Caetano, Gang 90 e Thalma

Música composta por Taciana Barros com Júlio Barroso (1953 - 1984) e lançada há 30 anos pelo grupo carioca Gang 90 no seu álbum Rosas e tigres (Opus Columbia / CBS, 1985), Do fundo do coração ganha a voz de Filipe Catto. Do fundo do coração é uma das 11 músicas que compõem o repertório de Tomada, segundo álbum de estúdio desse (ótimo) cantor e compositor gaúcho radicado em São Paulo (SP). Com design gráfico assinado pelo próprio Catto, o disco expõe na capa (acima) foto de Gal Oppido e vai ser lançado em 8 de setembro de 2015, primeiramente em edição digital (a edição física em CD chega às lojas a partir de outubro). Além da música do repertório da Gang 90, Catto regrava canção de aura gay composta por Caetano Veloso com inspiração em Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961). Intitulada Amor mais que discreto, a música até então tinha tido somente um registro, feito pelo próprio Caetano em DVD e CD ao vivo de 2007. Entre inéditas autorais como Pra você me ouvir e Dias & noites, assinadas somente por Catto, o artista abre parcerias com os compositores cariocas Moska (Depois de amanhã) e Pedro Luís (Adorador). Produzido por Kassin, Tomada traz também duas músicas de Thalma de Freitas, Auriflama (com versos do escritor angolano José Eduargo Agualusa) e Íris & arco, parceria da cantora e compositora carioca com o compositor baiano Tiganá Santana e com o compositor Guilherme Held, músico conhecido na cena contemporânea pelo toque de sua guitarra noise. Eis, na ordem do disco, as 11 músicas gravadas por Filipe Catto em Tomada, álbum viabilizado com o patrocínio obtido no projeto Natura Musical:

1. Dias & noites (Filipe Catto, 2015)
2. Partiu (Marina Lima, 2013)
3. Depois de amanhã (Filipe Catto e Moska, 2015)
4. Auriflama (Thalma de Freitas e José Eduardo Agualusa, 2015)
5. Canção & silêncio (Zé Manoel, 2005)
6. Do fundo do coração (Taciana Barros e Júlio Barroso, 1985)
7. Amor mais que discreto (Caetano Veloso, 2007)
8. Um milhão de novas palavras (César Lacerda e Fernando Temporão, 2015)
9. Íris & arco (Tiganá Santana, Thalma de Freitas e Gui Held, 2015)
10. Pra você me ouvir (Filipe Catto, 2015)
11. Adorador (Pedro Luís e Filipe Catto, 2015)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

'Essa mulher' e 'Saudade do Brasil' - álbuns de Elis - são reeditados em caixa


Grandes álbuns que marcaram a (breve) passagem da cantora gaúcha Elis Regina (1945- 1982) pela gravadora WEA (Warner Music), entre 1979 e 1980, Essa mulher (1979) e Saudade do Brasil (1980) vão ganhar mais uma reedição. Desta vez, ambos serão vendidos encaixotados, em edições com melhor tratamento gráfico dos que as anteriores. A caixa inclui, como CD-bônus, uma reedição (esta já comercializada anteriormente) do póstumo álbum ao vivo de 1982 que registra o controvertido show feito pela cantora no Montreux Jazz Festival, em 1979,  em gravação ao vivo renegada pela própria Elis.

Celso Fonseca lança 'Like nice', CD inteiramente autoral de músicas inéditas

Álbum inteiramente autoral de Celso Fonseca, Like nice está sendo lançado no mercado fonográfico do Brasil e do Japão neste mês de agosto de 2015. Precedido pelo single O que vai sobrar (Celso Fonseca) e pela inclusão de sua música-título Like nice (Celso Fonseca) na trilha sonora da novela Babilônia, o disco de inéditas alinha 13 músicas assinadas somente pelo cantor, compositor e músico carioca. Algumas faixas são em inglês. Like nice ganha distribuição no mercado nacional em edição da gravadora Universal Music. Eis, na ordem da edição brasileira do CD, as 13 músicas autorais do álbum:

1. Like nice (Celso Fonseca)
2. O que vai sobrar (Celso Fonseca)
3. Stormy (Celso Fonseca)
4. Por que era você (Celso Fonseca)
5. Road to paradise (Celso Fonseca)
6. Onda infinita do amor (Celso Fonseca)
7. I could have danced (Celso Fonseca)
8. Rio 56 (Celso Fonseca)
9. Canção que vem (Celso Fonseca)
10. Meu silêncio (Celso Fonseca)
11. Céu (Celso Fonseca)
12. January in the tropics (Celso Fonseca)
13. Zum zum (Celso Fonseca)

Aos 80 anos, Alaíde canta Roberto no seu primeiro DVD, feito via Canal Brasil

 A caminho dos 80 anos, a serem completados em 8 de dezembro de 2015, Alaíde Costa grava seu primeiro DVD através do Canal Brasil. As gravações acontecem no estúdio 185, em São Paulo (SP). O repertório inclui músicas inéditas na voz da cantora carioca, caso de Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), música que Roberto Carlos gravou em seu álbum de 1976 com título diferente da gravação original do tema, feita por seu parceiro Erasmo Carlos, que registrou a canção em 1969 com o nome de Vou ficar nu para chamar sua atenção. O DVD será editado em 2016.

Disco de inéditas de Fátima Guedes tem música gravada com grupo Arranco

A IMAGEM DO SOM - Postada por Andrea Dutra em seu perfil no Facebook, a foto flagra a cantora em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com Fátima Guedes. A imagem foi feita no dia em que o grupo carioca Arranco - do qual Dutra faz parte - gravou sua participação no álbum de músicas inéditas que a cantora e compositora carioca vem formatando para mostrar (ainda) neste segundo semestre de 2015.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Terceiro disco solo de Barbara Eugênia, 'Frou frou', ecoa 'disco music' nativa

Em fase final de captação de recursos na plataforma de financiamento coletivo Embolacha, o terceiro álbum solo de Barbara Eugênia se chama Frou frou e ecoa a disco music feita no Brasil. A cantora assina a produção do disco com Clayton Martin. O time de convidados inclui Dustan Gallas, Peri Pane, Rafael Castro e Tatá Aeroplano, entre outros. O disco já tem lançamento previsto para outubro de 2015.

Arthur Nogueira cresce como cantor e revela poesias em belo show roqueiro

Resenha de show
Título: Sem medo nem esperança
Artista: Arthur Nogueira (em foto de Diego Ciarlariello)
Local: Teatro do Sesc Belenzinho (São Paulo, SP)
Data: 23 de agosto de 2015
Cotação: * * * * 1/2

Nada do que Arthur Nogueira fez, por mais feliz, esteve à altura do show que o cantor e compositor paraense apresentou na noite de ontem, 23 de agosto de 2015, no palco do teatro do Sesc Belezinho, em São Paulo (SP), a cidade que Nogueira escolheu para viver de música. O que mais impressionou no show de lançamento do álbum Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015) foi o desabrochar do artista como cantor. Desenvolta e potente, a voz grave do cantor ecoou viçosa em cena, valorizando repertório essencialmente autoral. Parceiro do compositor e poeta carioca Antonio Cícero em Sem medo nem esperança (2015), uma das músicas mais elogiadas do atual álbum da cantora baiana Gal Costa, Estratosférica (Sony Music, 2015), Nogueira mostrou em cena que já independe do aval de Gal para crescer e aparecer como artista. Alto sobre o azul (e outras cores) da intensa luz de Miló Martins, o cantor revelou poesias - suas e alheias - apresentadas em forma de música. Sem medo nem esperança é essencialmente show de rock, mas que transita também pelo universo da música eletrônica contemporânea - sobretudo na parte final, quando o cantor se joga na pista de Eye shark (Arthur Nogueira e Letícia Novaes, 2015) e de Truques (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2014) - e pela delicadeza das canções. Um dos trunfos do álbum Sem medo nem esperança, a canção Volta (2015) - parceria de Arthur Nogueira com o poeta Omar Salomão - fecha o show lindamente, em anticlímax, remetendo à abertura da apresentação, iniciada com a balada Fim do céu (Arthur Nogueira, Michel Seilman e Adonis, 2015). O roteiro resultou bem amarrado, sinalizando que, na obra autoral de Arthur, as letras eventualmente são mais sedutoras do que as melodias. Tal supremacia é evidente em Vaga (Marina Wisnik e Arthur Nogueira, 2015), por exemplo. Mas a sonoridade roqueira do repertório em cena - som sustentado pela entrosada banda formada pelo diretor musical do show, Arthur Kunz (bateria), com Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo e teclados) e Xavier Francisco (percussão e bateria eletrônica) - atenuou o eventual desequilíbrio, justamente por conta da firme pegada do rock. Aliado à marcação incisiva da bateria de Kunz, o toque cortante da guitarra de Allen Alencar desencapou Por um fio (Slackline) (Arthur Nogueira, 2015), evidenciando a potência do som. Além de crescer em cena na voz de Nogueira, em registro ao vivo que rivaliza com a gravação de estúdio de Gal pelo arranjo grandioso, o rock Sem medo nem esperança é linkado poeticamente e sagazmente no roteiro com Esperança cansa, música de Karina Buhr, lançada pela cantora e compositora baiana (de vivência pernambucana) em seu primeiro álbum, de 2010. "Minha paciência é a razão", sentencia Nogueira através de verso de Buhr. Usando da razão, Nogueira escolheu dois convidados - Cida Moreira e José Paes Lira, o Lirinha - que valorizaram muito o show pelas afinidades poéticas com o anfitrião. Introduzido por solo vocal da cantora em Fawn (Tom Waits e Katheleen Brennan, 2002), um dos temas mais sublimes do cancioneiro do norte-americano Tom Waits, o dueto com Cida em For today I'm a boy (Antony Hegarty, 2005) - joia do grupo norte-americano Antony and the Johnsons - se revelou afinado e em sintonia com a música que Nogueira cantara anteriormente, O que você quiser (Marcelo Segreto e Arthur Nogueira, 2015), já que ambas versam sobre a alternância dos gêneros masculino e feminino nas circunstâncias da vida humana. Enfim, Nogueira cresceu e apareceu na estreia de seu show Sem medo nem esperança, impondo sobretudo sua grave voz masculina, boa surpresa em cena indie povoada por cantautores com mais conceito do que voz. Nogueira tem ambos.

O blog Notas Musicais está na cidade de São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna

Com Cida, Arthur canta Antony em show que teve Karina e Lirinha no roteiro

SÃO PAULO (SP) - "São Paulo, para mim, é a Cida", conceituou sucintamente Arthur Nogueira - cantor e compositor de origem paraense, mas radicado na cidade de São Paulo (SP) - ao saudar a presença da cantora paulistana no palco do teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP), na estreia nacional do show baseado no segundo álbum de Nogueira, Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015). Uma das convidadas do belo show em que o artista traduziu em música suas vivências paulistanas, com sonoridade roqueira que embute elementos eletrônicos, Cida foi a responsável pelo momento mais sublime da apresentação realizada no início da noite de ontem, 23 de agosto de 2015. Sem ser anunciada, Cida entrou no palco, sentou ao piano e solou, com vocalises, Fawn (2002), tema instrumental da lavra do cantor e compositor norte-americano Tom Waits, criado em parceria com Kathleen Brennan. Na sequência, a cantora fez afinados duetos com Nogueira em For today I am a boy (2005) - música do repertório de Antony and the Johnsons, banda indie norte-americana liderada pelo cantor e compositor Antony Hegarty, autor da canção - e em Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M, 2013), música que gravou com Arthur como vinheta de seu ainda inédito décimo álbum, Soledade (Joia Moderna, 2015). Além de Cida, Nogueira recebeu o cantor e compositor Lira, com quem cantou Pra fora da terra - parceria de Lirinha com Pupillo, lançada por Lira em seu segundo álbum solo, O labirinto e o desmantelo (Independente, 2015) - e Simbiose (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015). Neste número, Lira recitou o poema que, no disco, é ouvido na voz de Cícero. Fora de sua seara autoral, Nogueira ainda cantou Esperança cansa (2010), música do primeiro álbum da cantora e compositora baiana (de criação pernambucana) Karina Buhr, presente na plateia. Eis o roteiro seguido em 23 de agosto de 2015 por Arthur Nogueira - visto com Cida Moreira em foto de Diego Ciarlariello - no Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP), na estreia nacional de ótimo show Sem medo nem esperança:

1. Fim do céu (Arthur Nogueira, Michel Seilman e Adonis, 2015)
2. Por um fio (Slackline) (Arthur Nogueira, 2015)
3. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)
4. Esperança cansa (Karina Buhr, 2010)
5. O que você quiser (Marcelo Segreto e Arthur Nogueira, 2015)
6. Fawn (Tom Waits e Kathleen Brennan, 2002) - Cida Moreira
7. For today I'm a boy (Antony Hegart, 2005) - Arthur Nogueira e Cida Moreira
8. Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M) - Arthur Nogueira e Cida Moreira
9. Vaga (Marina Wisnik e Arthur Nogueira, 2015)
10. Antigo verão (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2013)
11. Pra fora da terra (Lira e Pupillo, 2015) - Arthur Nogueira e Lira
12. Simbiose (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015) - Arthur Nogueira e Lira
13. Eye Shark (Arthur Nogueira e Letícia Novaes, 2015)
14. Truques (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)
15. Gratuito (Arthur Nogueira e Renato Torres, 2009)
16. Volta (Arthur Nogueira e Omar Salomão, 2015)
Bis:
17. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero, 2015)

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Arthur Nogueira canta com Lira em show que celebra sua vida em São Paulo

SÃO PAULO (SP) - "Esse show celebra a minha vida em São Paulo. E os dois discos que eu mais ouvi desde que cheguei aqui são os dois discos desse cara", revelou o cantor e compositor paraense Arthur Nogueira no palco do teatro do Sesc Belezinho, em São Paulo (SP), justificando a presença do cara - o cantor e compositor pernambucano José Paes Lira, o Lirinha - como convidado da estreia nacional do show de lançamento de seu segundo álbum, Sem medo nem esperança (Joia Moderna, 2015). Ambos são vistos em fotos de Diego Ciarlariello na estreia, realizada na noite de ontem, 23 de agosto de 2015. Dois duetos celebraram as afinidades entre os dois artistas, ambos com trabalhos marcados por forte carga poética. De Lira, Nogueira escolheu cantar Pra fora da terra (Lira e Pupillo, 2005), uma das músicas mais bonitas do segundo álbum solo do vocalista e mentor do extinto grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, O labirinto e o desmantelo (Independente, 2015). De Nogueira, Lira quis cantar Simbiose (2015), uma das parcerias do colega com o compositor (e poeta) carioca Antonio Cícero lançadas no álbum Sem medo nem esperança.  Lira recitou o poema do tema.

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domingo, 23 de agosto de 2015

Dois em Um grava ao vivo, na Bahia, com as adesões de Rebeca e Zé Manoel

Duo independente radicado na Bahia e formado pelo multi-instrumentista baiano Luisão Pereira com a violoncelista carioca Fernanda Monteiro, Dois em Um vai fazer a primeira gravação ao vivo de sua discografia. O registro do show está programado para 4 e 5 de setembro de 2015, em Salvador (BA), e vai gerar DVD produzido com patrocínio do projeto Natura Musical. A cantora e compositora baiana Rebeca Matta e o cantor e compositor pernambucano Zé Manoel vão participar da gravação. "O conceito será bem diferente dos DVDs de shows", ressalta Luisão Pereira. O Dois em Um - em foto de Mayra Lins - já tem dois álbuns editados no mercado, sendo que o mais recente, Agora (Independente, 2013), já foi lançado há dois anos com repertório inédito e autoral.

Ultraje surfa entre tango, bolero e rocks em projeto de 'covers' instrumentais

Há 25 anos, bem no início da década de 1990, o grupo paulistano Ultraje a Rigor já começava a amargar fase de menor sucesso comercial e partiu para um projeto de covers, gravando músicas que influenciaram a banda no álbum intitulado Por quê Ultraje a Rigor? (Warner Music, 1990). Decorridos estes 25 anos, o grupo de Roger Moreira surpreende ao lançar o segundo volume do projeto nas plataformas digitais através do selo EF / Sony Music. Já disponível, Por quê Ultraje a Rigor? Vol. 2 é disco inteiramente instrumental gravado em um único dia no estúdio 500, em São Paulo (SP), com produção pilotada por Roger e pelos músicos da atual formação de sua banda. O repertório inclui 20 músicas. Uma das mais conhecidas é o tango La cumparsita (Gerardo Matos Rodríguez, 1916), recriado pelo Ultraje na onda da surf music. A propósito, o repertório inclui Love pipe (1997), tema do repertório do grupo russo-americano The Red Elvises, cujo som inclui muito surf rock. Entre bolero como Perfídia (Alberto Domínguez, 1939) e tema instrumental de surf rock como Walk, don't run (Johnny Smith, 1954), o Ultraje a Rigor toca até o tema de abertura do programa de TV  The Noite, talk-show apresentado pelo humorista Danilo Gentili na emissora SBT.

Eis a capa do álbum em que Alaíde canta hits do Clube da Esquina com Horta

Com capa assinada pelo designer mineiro Leonardo Tasori, o álbum em que a cantora carioca Alaíde Costa dá voz a músicas do repertório do Clube da Esquina - somente com o toque do violão do músico e compositor mineiro Toninho Horta - já está no forno. O título inusitado - Alegria é guardada em cofres, catedrais - foi extraído da letra Aqui, oh! (1969), parceria de Horta com o compositor mineiro Fernando Brant (1946 - 2015). Gravado em 2012, com produção de Geraldo Rocha, o disco vai ser lançado em setembro de 2015 de forma independente. O CD abre com inédito tema instrumental de Toninho, Nos tempos do Paulinho, composto em memória de seu irmão Paulo Horta. O repertório inclui hits de compositores associados ao Clube da Esquina como Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), Beijo partido (Toninho Horta, 1975), Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977), Sol de primavera (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) e Tudo que você podia ser (Márcio Borges e Lô Borges, 1972). Entre as músicas menos conhecidas, o disco rebobina Saguin (Toninho Horta, 1980) e Bons amigos (Toninho Horta e Ronaldo Bastos, 1980). O repertório tem licença poética com a inclusão de Sem você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), primeira música que Horta ouviu na voz de Alaíde em gravação de 1961 feita com o violão de Baden Powell (1937-2000).

Como 'Lady Day', Lilian Valeska dá show e legitima musical de tom narrativo

Resenha de musical
Título: A vida de Billie Holiday - Amargo fruto
Texto: Jau Sant'Angelo e Ticiana Studart
Direção: Ticiana Studart
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Elenco: Lilian Valeska, Vilma Melo e Milton Filho
Cotação: * * *
 Espetáculo m cartaz de quinta-feira a sábado no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), até 27 de setembro de 2015. Temporadas agendadas na Arena Carioca Dicró, em 3 e 4 de outubro de 2015, e na Arena Carioca Fernando Torres, em 10 e 11 de outubro de 2015

Nunca houve um musical encenado no Rio de Janeiro (RJ) com Lilian Valeska no elenco em que essa atriz e cantora carioca não tenha sobressaído em cena quando soltava seu vozeirão de espírito soul, lapidado em igreja presbiteriana da Penha, bairro do subúrbio carioca. Diplomada na escola da música negra-americana, a voz de Lilian tem alma que, aliada à sua técnica, a tornou uma grande cantora. Seus dotes vocais há muito credenciavam a artista para o posto de protagonista de um musical. Papel no qual Lilian dá show ao cantar o repertório da cantora norte-americana Billie Holliday (1915 - 1959) em Amargo fruto, musical recém-chegado à cena carioca, em temporada no Teatro Carlos Gomes até 27 de setembro, no ano em que o universo pop celebra o centenário de nascimento de Lady Day. Ao cantar standards do repertório da diva do jazz como God bless the child (Billie Holiday e Arthur Herzog Jr., 1942), Lilian acerta o tom e surpreende até mesmo quem já conhece seu honroso histórico nos palcos cariocas porque o repertório de Lady Day exige inflexões e emissões vocais específicas. Sem cair no erro de imitar a inimitável cantora, Lilian põe sua voz e sua alma nesse repertório de grandes canções, afinada com sofisticada direção musical de Marcelo Alonso Neves, hábil ao arregimentar para a cena um quarteto de baixo (Berval Moraes), bateria (Emile Saubole), saxofone (Gabriel Gabriel) e piano (Rodrigo de Marsillac) capaz de evocar a íntima atmosfera jazzística dos night-clubs e boates em que Billie se apresentou em seu início de carreira. Habituada a brilhar em músicas pautadas pela intensidade dramática, Lilian também surpreende em cena ao ostentar apurado senso rítmico em números de clima mais suave como Night and day (Cole Porter, 1932) - usada no roteiro para exemplificar o sucesso de Billie em sua primeira turnê pela Europa - e All of me (Gerald Marks e Seymour Simons, 1931), número em que brilha também a atriz Vilma Melo no papel da dançarina que tenta roubar a cena de Billie. Vilma, a propósito, está muito bem nas diversas personagens que encarna ao longo do espetáculo, incluindo a mãe de Billie e a camareira que acode a estrela em suas crises de abstinência e nas adversidades existenciais. Mas Lilian Valeska - vista em cena em imagem extraída de vídeo da TV Globo - é senhora absoluta da cena nos números musicais. E são eles, os números musicais, que legitimam este musical de tom narrativo. O texto de Jau Sant'Angelo - assinado com Ticiana Studart, diretora do espetáculo - prioriza à narração em detrimento da ação. Há, sim, dramatizações de passagens importantes da vida de Billie, mas a trajetória trágica dessa cantora de temperamento tão forte quanto suas interpretações é essencialmente contada de forma narrativa. Cabe ao elenco - completado por Milton Filho, ator que se reveza nos papéis dos homens (quase todos cafajestes) que ajudaram Lady Day a se afundar no universo das drogas - narrar em ordem cronológica a vida de Billie Holiday em relatos secos, feitos com a objetividade de um texto jornalístico. A opção pela narração impede que Amargo fruto tenha dramaticidade condizente com a existência da artista. Contudo, a direção de Ticiana Studart faz com que o espetáculo seja conduzido com fluência. O drama, por vezes, está mais nas músicas cantadas por Lilian - como a que batiza o espetáculo na tradução em português, Strange fruit (Abel Meeropol, 1939) - do que no texto em si. Aliás, funciona bem o recurso de traduzir para o português e recitar os versos poéticos de Strange fruit, poema que denuncia o racismo que violentou negros norte-americanos na primeira metade do século XX, antes de Lilian cantar a música com a letra original em inglês. Distante do padrão Broadway, Amargo fruto é musical sustentado pelo talento vocal de Lilian Valeska. Não é fácil cantar músicas como Lady sings the blues (Herbie Nichols e Billie Holiday, 1956), Speak low (Kurt Weill e Ogden Nash, 1943) e Summertime (George Gershwin e DuBose Heyward, 1935) - número que fecha o roteiro musical - com propriedade e sem sair do tom que remete à atmosfera de Billie. Os arranjos estão dentro do clima, mas se desprendem dos originais. Sem procurar mimetizar Billie Holiday em cena, Lilian Valeska honra o genial repertório reunido para compor o roteiro do musical. A grande cantora é bem maior do que o espetáculo em si e vale o ingresso para ver Amargo fruto.

sábado, 22 de agosto de 2015

Obras de Roberto e Erasmo legitimam a Jovem Guarda semeada há 50 anos

EDITORIAL - Antes de Elvis Presley (1935 - 1977) acender a chama do rock'n'roll nos anos 1950 podia até haver nada, como entendeu e sentenciou John Lennon (1940 - 1980) em frase de efeito, mas o fato é que - pioneirismo da geração de Elvis à parte - o universo pop começou realmente a ser construído e solidificado na primeira metade dos anos 1960 com a explosão mundial do grupo inglês The Beatles. Foi no rastro da Beatlemania que a Jovem Guarda - o primeiro movimento de música pop do Brasil - foi semeada há exatos 50 anos, na tarde dominical de 22 de agosto de 1965, quando a TV Record estreou o programa Jovem Guarda sob o comando de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. A adesão da juventude ao programa e a consequente consagração de Roberto Carlos - que já vinha numa escala ascendente de sucesso desde 1964 - com o lançamento do rock Quero que vá tudo pro inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), carro-chefe de seu álbum estrategicamente intitulado Jovem Guarda (CBS, 1965), detonou a explosão do movimento. A Jovem Guarda criou ídolos, ditou modas, sentenciou costumes e introduziu a guitarra elétrica na música brasileira para desespero da purista ala nacionalista que defendia uma música brasileira imune às influências do pop que dominava o mundo no embalo do iê-iê-iê. Mas a Jovem Guarda passou, embora ainda ecoe na canção popular brasileira, legitimada pelos cancioneiros de Roberto Carlos e Erasmo Carlos e pela força perene de eventuais canções românticas de lavra alheia como Devolva-me (Renato Barros e Lilian Knapp, 1966) - balada que toda a geração anos 2000 conheceu na voz de Adriana Calcanhotto - e Nossa canção (Luiz Ayrão, 1966). Decorridos 50 anos da sua explosão, analisada sob a perspectiva do tempo, a Jovem Guarda legou para a posteridade dois artistas geniais. Tanto que Roberto Carlos e Erasmo Carlos foram os únicos a manter real relevância artística após o fim desse movimento pautado por um rebeldia ingênua e apolítica que provocou revoluções mais na área comportamental do que social. Entronizado no posto de Rei da juventude, Roberto soube fazer a transição de forma exemplar parta o mundo adulto, a partir de 1968, e se tornou na década de 1970 o Rei da canção popular brasileira, com vendagens astronômicas de seus álbuns anuais. Mesmo sem o mesmo sucesso comercial do parceiro, Erasmo manteve acesa a chama do rock, mas experimentou outros ritmos, também sendo entronizado como um dos reis do universo pop brasileiro (e o tempo fez mais bem à música de Erasmo do que à de Roberto). Os demais artistas - de repertórios bastante irregulares, calcados em hits eventuais, não raro produzidos a partir de versões de baladas e rocks estrangeiros - migraram para o brega ou para o sertanejo. Nem mesmo Wanderléa, que chegou a lançar alguns álbuns antenados ao longo dos anos 1970, conseguiu manter o pique criativo e se desvincular do cancioneiro geralmente pop e pueril da Jovem Guarda. Roberto e Erasmo foram os gênios, os grandes protagonistas do movimento que se torna cinquentenário a partir deste mês de agosto de 2015. Houve importantes coadjuvantes entre cantores (Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso), cantoras (Wanderléa, sobretudo e sobretodas, e Martinha), duplas (Leno & Lilian, Os Vips) e compositores (Carlos Imperial, creditado com parceiro de Eduardo Araújo em Vem quem que estou fervendo, sucesso de Erasmo em 1967). Mas quem deu consistência ao som da Jovem Guarda foram os discos,  as músicas e as personalidades carismáticas e cúmplices de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Trio Gato com Fome mostra em CD que o 'caipira' Raul Torres caía no samba

Nascido em Botucatu (SP), o cantor e compositor paulista Raul Torres (1906 - 1970) tem seu nome associado na história da música brasileira ao universo sertanejo por ser o autor de hits caipiras como Cabocla Tereza (Raul Torres e João Pacífico, 1940), Cavalo zaino (Raul Torres, 1959), Chico Mulato (Raul Torres e João Pacífico, 1937), Colcha de retalhos (Raul Torres, 1959), Feijão queimado (Raul Torres e José Rielli, 1946), Moda da mula preta (Raul Torres, 1945), Mourão da porteira (Raul Torres e João Pacífico, 1952), Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico, 1944) e Saudades de Matão (Raul Torres e Jorge Galati). Mas o fato é que o vasto cancioneiro autoral de Raul Torres extrapola a fronteira caipira desde os anos 1930, incluindo emboladas, jongos, marchas e sambas. No álbum Em busca dos sambas de Raul Torres, de título autoexplicativo, o paulistano Trio Gato com Fome mostra que o compositor também fez música na cadência bonita do samba desde a década de 1930. No disco, produzido pelo próprio grupo sob a direção musical do violonista Milton Mori, o Trio Gato com Fome registra dez sambas da lavra de Torres. Entre eles, A cuíca tá roncando - sucesso na gravação original feita em 1934 pelo próprio autor do samba - e A baiana diz que tem (Raul Torres, 1941), tema regravado no disco do trio com o clarinete de Nailor Proveta. Erguendo a ponte entre as músicas rural e urbana do compositor, o trio regrava músicas raras como Mineirinha (Raul Torres, 1941), Bananeira (Raul Torres, 1932) - samba registrado pelo trio com a adesão da percussão de Paulo Dias - e  Tua mão será meu pandeiro (Raul Torres, 1937).

André Morais lança 'Dilacerado', álbum que tem participações de Elza e Naná

André Morais disponibiliza seu segundo álbum, Dilacerado, para download gratuito a partir de hoje, 22 de agosto de 2015. Conceituado por esse cantor, compositor e poeta paraibano como "um disco de amor e erotismo", Dilacerado expõe na capa uma foto sensual feita pelo artista também paraibano Ary Régis Lima. Sob a direção musical de Herlon Rocha e Pedro Medeiros, Morais produziu a gravação das 10 músicas que compõem o repertório de Dilacerado, sucessor de Bruta flor (Independente, 2011) na discografia deste artista multimídia (em cena também como ator, diretor, roteirista e cineasta). Elza Soares e Naná Vasconcelos participam do disco. A cantora carioca tem sua voz ouvida em Nua, tango composto por Chico César com versos de Morais. Já o percussionista pernambucano põe seu toque em Confissão (Seu Pereira e André Morais) e em Deserto (Seu Pereiro e André Morais). A música-título Dilacerado é assinada por André Morais com a compositora mato-grossense Lucina, também parceira de Alarido e Delito. Inteiramente autoral, Dilacerado oscila entre o amor romântico de Teu (Michel Costa e André Morais) e o amor erotizado de Orgia (Seu Pereira e André Morais), expondo parceria de Morais com Giana Viscardi na faixa .

NX Zero afasta fantasma do emo enquanto busca norte entre rocks e baladas

Resenha de CD
Título: Norte
Artista: NX Zero
Gravadora: Deck
Cotação: * * *

♪ Assim como o grupo gaúcho Fresno, o grupo paulistano NX Zero ganhou projeção no desolador cenário roqueiro brasileiro dos anos 2000 sob a batuta padronizadora do produtor e empresário Rick Bonadio. Assim como o Fresno, o NX Zero rompeu a parceria com Bonadio, decidido a buscar outros timbres para seu som por vezes associado ao emo. Em busca de rumo para sua carreira, ameaçada por crise interna que quase provocou o fim do quinteto, o NX Zero encontrou seu norte na pessoa de Rafael Ramos, que assumiu a função de diretor artístico do EP digital produzido e lançado pela banda no ano passado, Estamos no começo de algo muito bom, não precisa ter nome não. (Independente, 2014), primeiro título da nova fase da discografia do NX Zero. A parceria com Ramos foi bisada no sexto álbum inéditas do grupo, Norte, lançado neste mês de agosto de 2015. É Ramos quem assina a produção deste disco que marca a estreia do NX Zero na gravadora carioca Deck. Produtor habilidoso, Ramos afasta de vez o fantasma do emo que rondava a obra do NX Zero, eliminando resquícios do hardcore melódico em bons rocks como Modo avião (Di Ferrero e Gee Rocha) e Gole de sorte (Di Ferrero e Gee Rocha), voos mais altos do repertório inédito e autoral ao lado da balada pop Meu bem (Di Ferrero, Gee Rocha, Dani Wersler, Fi Ricardo e Caco Grandino), a faixa mais radiofônica do disco. A alardeada influência do soul se mostra imperceptível ao longo das 12 músicas de Norte. Mas o que importa é que, entre rocks nervosos como Por amor (Di Ferrero e Gee Rocha) e baladas menos sedutoras como Vibe (Di Ferrero e Gee Rocha), o NX Zero está procurando outro caminho para seu som. Com a participação luxuosa de Lulu Santos, cuja guitarra slide é ouvida em solo inserido na balada Fração de segundo (Di Ferrero, Gee Rocha, Dani Wersler e Fi Ricardo), Norte aponta esse caminho, que passa pela valorização da guitarra na construção dos arranjos e pela escrita de algumas letras de teor crítico. Se continuar por esse caminho,  o NX Zero tem tudo para crescer e ganhar mais peso na cena roqueira do Brasil.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Caetano e Gil lançam parceria inédita na estreia no Brasil de show em dupla

Sem compor em parceria desde 1993, ano em que lançaram no CD Tropicália 2 (Philips, 1993) músicas que fizeram juntos, como Haiti e Cinema novo, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram uma música inédita na estreia no Brasil da turnê do show Dois amigos, um século de música. O público que foi ao Citibank Hall de São Paulo (SP) na noite de ontem, 20 de agosto de 2015, ouviu em primeira mão As camélias do quilombo do Leblon, samba que os artistas baianos compuseram na madrugada anterior à estreia nacional do show em que Caetano e Gil - em foto de Raphael Castello, da Ag. News - revivem sucessos de seus repertórios à frente de cenário formado por  bandeira abstrata alocada ao fundo do palco e por várias bandeiras de Estados do Brasil. Assinado por Hélio Eichbauer, o cenário foi outra novidade do show em sua chegada à cena nacional. Eis a letra de  As camélias do quilombo do Leblon,  a primeira parceria de Caetano com Gil em 22 anos:

As camélias do quilombo do Leblon

(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
Nas lapelas

Vimos as tristes colinas do sul de Hebron
Rimos com as doces meninas sem sair do tom
O que fazer chegando aqui
As camélias do quilombo do Leblon brandir

Somos a guarda negra da redentora
Somos a guarda negra da redentora
Somos a guarda negra da redentora

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
Cadê elas?

Somos assim, capoeiras das ruas do rio
Será sem fim o sofrer do povo do Brasil?
Nele, em mim, vive o refrão
As camélias da segunda abolição virão

Moska lança 'Locura total', disco feito com Paez em português e em espanhol

♪ Álbum gravado pelo cantor e compositor carioca Moska com o cantor e compositor argentino Fito Paez, ícone do rock portenho, Locura total está sendo lançado nesta segunda quinzena de agosto de 2015 nos mercados fonográficos da Argentina e do Brasil, em edição da gravadora Sony Music. Precedido pelo contagiante single Hermanos, lançado em versões simultâneas em português e espanhol, o disco - que tem o nome do paulista Liminha envolvido na produção - apresenta 12 músicas das lavras de Moska e Paez. Adiós a las cosas, Flores de abrazos, Garota muchacha, Locura total, Milagros y heridas e Nuestra historia de amor são algumas músicas do álbum, gravadas em espanhol e português. Aliás, as edições argentina (foto) e brasileira são ligeiramente diferentes, pois priorizam o idioma local. Hermanos é a música que abre o álbum nas duas edições. A brasileira já está disponível para audição a partir de hoje, 21 de agosto, nas plataformas digitais.

Disco de Bossa Nova de Cauby Peixoto vai ser distribuído pela Biscoito Fino

Personalíssimo registro de barítono, o vozeirão de Cauby Peixoto é, por definição, a antítese do canto da Bossa Nova. Mas o cantor fluminense - ainda na ativa aos 84 anos de vida - gravou um disco com canções associadas ao movimento que veio à cena em 1958, pautado por composições de leveza cool e íntima. Produzido por Thiago Marques Luiz, o álbum em que Cauby - em foto de Marco Máximo -  canta hits da Bossa Nova vai ser distribuído pela gravadora carioca  Biscoito Fino.

Sandy agenda segunda gravação ao vivo de sua carreira solo para novembro

Após trabalhar como jurada do reality musical Superstar, exibido pela TV Globo nas noites de domingo, Sandy se prepara para retornar aos palcos com turnê nacional que estreia em 10 de outubro, em São Paulo (SP), e que vai ter seu show captado ao vivo em apresentações agendadas para 14 e 15 de novembro no Teatro Municipal de Niterói, em Niterói (RJ). Na segunda gravação ao vivo de sua carreira solo, Sandy vai registrar músicas inéditas, composições lançadas em seus dois álbuns individuais - Manuscrito (Universal Music, 2010) e Sim (Universal Music, 2013) - e alguns hits do repertório da dupla Sandy & Junior. Estão previstas também abordagens de músicas alheias já registradas por outros artistas, só que inéditas na voz da cantora e compositora paulista.