sexta-feira, 6 de março de 2015

'Terra', de Caetano Veloso, passa a girar também em gravação de Moska

Menos de um ano após ter gravado Enrosca (Guilherme Lamounier, 1977) para a trilha sonora da novela Império (TV Globo, 2014 / 2015), Moska faz outra gravação exclusiva para trilha sonora de novela produzida pela TV Globo. O cantor e compositor carioca dá voz a Terra, música de Caetano Veloso, lançada pelo cantor e compositor baiano no álbum Muito (Dentro da estrela azulada) (Philips, 1978). A gravação vai entrar em rotação na trilha sonora da nova novela das 18h, Sete vidas, que tem estreia programada para 9 de março de 2015. Enquanto isso, Moska se prepara para lançar via Sony Music o álbum feito em dupla com o cantor e compositor argentino Fito Paez.

Gulin reabre 'Livros' em show em que cantou com Ana Carolina e Macalé

A IMAGEM DO SOM - As fotos de Rodrigo Goffredo flagram a cantora e compositora curitibana Thaís Gulin no palco do Theatro Net Rio, em 3 de março de 2015, na sua volta aos palcos cariocas em show que teve intervenções de Ana Carolina e Jards Macalé. Com Ana, a anfitriã cantou Quem de nós dois (La mia storia tra le dita) (Gianluca Grignani e Massimo Luca, 1994, em versão em português de Ana Carolina e Dudu Falcão, 2001) e Quantas bocas (2009), única parceria de Gulin com Ana. Com Macalé, a cantora reviveu 78 rotações (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1972) - música que Gulin regravou em seu primeiro álbum, Thaís Gulin (Rob Digital, 2006) - e Hotel das estrelas (Jards Macalé e Duda, 1971). No roteiro, Gulin também reabriu Livros (Caetano Veloso, 1997) e deu voz a Walk on the wild side (1972), um dos clássicos do poético cancioneiro underground do cantor e compositor norte-americano Lou Reed (1942 - 2013).

quinta-feira, 5 de março de 2015

Com Bernardes, Andreia Dias viaja ao fundo de tempos nublados de Rita

Resenha de CD
Título: Prisioneira do amor
Artista: Andreia Dias
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * *

A discografia de Rita Lee fora do grupo Mutantes começou a alcançar relevância a partir do encontro da cantora e compositora paulistana - então uma ovelha desgarrada de seu rebanho tropicalista - com os músicos do grupo Tutti Frutti, em 1974. O álbum de 1975, Fruto proibido (Som Livre, 1975), projetou definitivamente a artista com a pegada desse tal de rock'n'roll. Mas o fato é que existe uma pré-história na trajetória musical da cantora. Entre 1970 e 1973, Rita lançou dois álbuns via Polydor - Build up (1970) e Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida (1972), este um disco feito à moda dos Mutantes, mas não creditado ao trio - e formou a dupla Cilibrinas do Éden com a guitarrista paulistana Lúcia Turnbull após sua saída (expulsão?) do grupo. É nesse repertório - ora kitsch, ora psicodélico - que está centrado o quarto álbum de Andreia Dias, Prisioneira do amor, lançado neste mês de março de 2015 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Guiada por seu diretor musical Tim Bernardes, líder do superestimado grupo paulistano O Terno, a cantora paulistana viaja com segurança em Prisioneira do amor ao fundo desses tempos nublados da obra de Rita. O valor do disco nem reside nas dez músicas lançadas entre 1968 e 1978 - várias renegadas pela própria Rita, com razão - mas no belo tratamento dado a esse repertório por Bernardes neste disco gravado em maio de 2014 sob a direção artística de Marcus Preto, de forma literalmente caseira, já que as dez faixas de Prisioneira do amor foram arranjadas e formatadas no quarto de Bernardes. Das dez músicas, somente uma, Ovelha negra (Rita Lee, 1975), alcançou o status de hit. Só que sua presença nem soa destoante nesse monte de lados B. A novidade é a melancolia entranhada no canto de Ovelha negra para explicitar o significado de versos que, afinal, relatam o desajuste familiar e existencial da juvenil personagem da composição. Da época da dupla Cilibrinas do Éden, Bad trip (Rita Lee, 1973) também faria certo sucesso na versão reformulada, reescrita e intitulada Shangrilá (Rita Lee, 1980), quando Rita já vivia sua lua de mel pop com o parceiro de vida e de música Roberto de Carvalho, creditado como coautor dessa versão de 1980. Mas a música ouvida em Prisioneira do amor é a Bad trip original, oficialmente inédita em disco, já que até então circulou somente no bootleg lançado com as gravações do que seria o primeiro álbum das Cilibrinas do Éden. Bad trip é o grande momento de Tim Bernardes como formatador do disco. O arranjo de Bernardes sugere clima paranoico condizente com o bode relatado na letra. Contudo, Prisioneira do amor também sabe se desviar dos grilos da época quando preciso. Ouvida com os versos censurados na gravação original de 1972 ("Beije-me a boca / Com tua boca vermelha / Para que eu sinta a saliva / E o gosto de cuspe / Escorrendo entre os dentes meus"), Beija-me, amor (Arnaldo Baptista e Élcio Decário) sensualiza e marcha no passo carnavalizante que (também) dá o tom do pop rock de Rita. Levada em clima folk, Tempo nublado (Rita Lee e Élcio Decário, 1970) é canção de Build up, o álbum que abriu a carreira solo de Rita em 1970 e que apresentou Viagem ao fundo de mim (Rita Lee, 1970) - música que abre o disco de Andreia em tom etéreo, espacial, dando a pista da trilha psicodélica seguida por Bernardes - e a delirante Precisamos de irmãos (Élcio Decário, 1970), música harmonizada em Prisioneira de amor com os vocais melódicos dos manos Beto Nardo e Rubens Nardo. A própria música-título Prisioneira do amor (Élcio Decário, 1970) vem de Build up. Nesta música, Rita exercitou seu espírito mutante, brincando de ser cafona ao dar voz a uma paródia das canções sentimentais que, anos depois, seriam rotuladas como bregas. No fim, Prisioneira do amor liberta do esquecimento uma raridade da discografia dos Mutantes - Glória aos reis dos confins do além (Paulo César de Castro, 1968), composição lançada pelo grupo somente no LP II Festival estudantil da música popular brasileira (Philips, 1968) - e escancara a psicodelia embutida nos versos imaginativos de Superfície do planeta (Arnaldo Baptista, 1972) antes de tirar um som de viola na trilha caipira de Modinha (Rita Lee, 1978), música do álbum Babilônia (Som Livre, 1978), o último de Rita com o Tutti Frutti. Enfim, a viagem ao fundo dos tempos nublados da música de Rita Lee chega sem sobressaltos ao destino final por conta da habilidade da tripulação.

Mesmo 'no controle', Kelly Key soa artificial e sem rumo no sexto álbum

Resenha de CD
Título: No controle
Artista: Kelly Key
Gravadora: Deck
Cotação: * * 

Em 2002, Kelly Key parecia estar no controle. Lançada em seu primeiro álbum, Kelly Key (Warner Music, 2001), a música Baba - parceria da artista carioca com o compositor Andinho - dominava as paradas do Brasil e fazia da então adolescente Key uma cantora de massa, como Anitta em 2013 e 2014, por exemplo. Mas o sucesso massivo costuma mudar rapidamente de dono. Key ainda emplacou alguns sucessos de menor proporção até ir sumindo progressivamente das paradas e da cobiça dos tiosNo controle - o álbum que chega às lojas em edição física em CD neste mês de março de 2015, via Deck, um mês após o lançamento digital - é uma tentativa de Key de se recolocar no mercado fonográfico. É o sexto álbum de estúdio da artista, o primeiro desde Kelly Key (Som Livre, 2008) - e o hiato de sete anos não foi intencional. Key já vem arquitetando este seu sexto álbum desde 2010. O título No controle pode ser referência à música Controle, lançada como single em outubro de 2014. Flerte estéril com o ritmo angolano kizomba, um dos motes do disco, a faixa faz a conexão de Key com a cantora e compositora angolana Celma Ribas, parceira também em Quem é e em Meu anjo. De toda forma, o título No controle também alude ao fato de Key, em tese, ter assumido as rédeas do disco e da carreira. Só que, mesmo no controle, Kelly Key ainda faz um pop artificial, quase sempre trivial, soando sem rumo neste álbum que carece de unidade. O começo do disco - com duas baladinhas de amor e saudade, a pegajosa A nossa música e Quarto 313, ambas de autoria do cantor e compositor carioca Paulo Mac - está fora de sintonia com o fim, mais voltado para o electropop. Nessa parte final do disco, Key se joga na pista de Wanessa com as faixas em inglês Craving for the summer (William Razzy), Let it glow (Fabianno Almeida, Felipe Zero e Dalto Max) e Shaking (Fabianno Almeida), todas formatadas pelo produtor Mr. Jam. Somada ao fato de Key ser cantora de parcos recursos vocais, a indecisão que paira sobre No controle - disco editado em CD sem uma ficha técnica - indica que a artista não fez bom uso de sua autonomia artística. Ninguém babará por Key.

Roberta Sá abre e grava parceria com Xande de Pilares em seu sexto CD

A IMAGEM DO SOM - Compartilhada por Roberta Sá em sua página no Facebook, a foto mostra a cantora no MiniStereo Estúdio, no Rio de Janeiro (RJ), com Xande de Pilares (à esquerda) e o produtor Rodrigo Campello. A cantora potiguar finaliza seu sexto álbum, no qual grava sua primeira parceria com esse compositor carioca projetado como vocalista do Grupo Revelação. A música se chama Boca em boca. Campello produz o disco, que sai neste semestre.

Salmaso grava canção de Alceu, de 1980, para trilha de novela da Globo

Uma das mais pungentes e dramáticas músicas do cancioneiro habitualmente festivo de Alceu Valença, Na primeira manhã - composição lançada pelo artista pernambucano em seu álbum Coração bobo (Ariola, 1980) e regravada por Maria Bethânia no disco A beira e o mar (Philips, 1984) - ganha a voz de Mônica Salmaso neste ano de 2015. A cantora paulistana - em foto de Dani Gurgel - gravou a música de Alceu para a trilha sonora nacional da nova novela das 18h da Rede Globo, Sete vidas, que  tem  estreia  programada  para a próxima segunda-feira, 9 de março.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Voz ativa do Brasil orgulhosamente caipira, Inezita Barroso chega aos 90

Editorial - Inezita Barroso tem voz ativa no universo sertanejo tradicional. Nascida em 4 de março de 1925 na cidade de São Paulo (SP), Inês Madalena Aranha de Lima completa hoje 90 anos. Ignorada pela mídia cultura impressa, a data é motivo de festa no Brasil que ainda cultiva orgulhosamente suas raízes caipiras. A cantora paulistana, afinal, é uma rara e legítima representante musical desse Brasil caboclo que ecoa na discografia recente de Maria Bethânia, para citar somente um exemplo da importância capital de Inezita na cena musical nativa. Iniciada em 1951, a discografia da cantora alcança os anos 2000, embora obviamente sem a regularidade das áureas décadas de 1950 e 1960. Nascida em abastada família, Inezita não se contentou com o piano que estudou ainda adolescente e logo passou para o violão e para a viola à qual é associada na música e no seu programa de TV. A artista é a voz resistente de um Brasil interiorano que tem tido suas raízes musicais tragadas pelo som massivo propagado pelas emissoras urbanas de rádio e TV. Inezita jamais se curvou a esses sons industriais e aos padrões. Radicalmente contra os caminhos seguidos pela música sertaneja, Inezita Barroso - vista em foto de Jair Magri - é hoje uma cantora do tempo do onça. Mas é esse seu apego aos valores antigos que a tornam relevante nas veredas do grande sertão brasileiro. Embora identificada com a genuína música sertaneja, a cantora registrou repertório que extrapola o universo das modas de viola, das toadas e das canções caipiras. Sem bairrismos ou fronteiras geográficas, Inezita deu voz a temas do folclore nacional e a músicas identificadas com culturas regionais específicas. Por tudo isso, dá para dizer hoje, no dia de seus 90 anos, que Inezita Barroso é uma das (grandes)  vozes do Brasil.

Ratto veste a 'velha roupa colorida' em EP que dá boa prévia de seu DVD

Resenha de EP digital
Título: Anna Ratto ao vivo
Artista: Anna Ratto
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

À venda no iTunes a partir da próxima terça-feira, 10 de março de 2015, o EP Anna Ratto ao vivo adianta três faixas da primeira gravação ao vivo da discografia da cantora carioca Anna Ratto. O registro audiovisual do show - filmado em 12 de fevereiro de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ) - vai ser editado em DVD previsto para chegar ao mercado fonográfico a partir de abril de 2015 com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records, mas com exibição já agendada pelo Canal Brasil para 21 de março. Com três faixas, duas captadas ao vivo no show e uma gravada em estúdio, o EP é bom aperitivo deste projeto revisionista em que a artista passa a limpo a primeira década de sua discografia oficial, já que, embora tenha gravado um CD temático de covers em 2003, a cantora considera que o marco inicial de sua obra é o álbum sintomaticamente intitulado Do zero, gravado em 2005 e lançado em 2006 de forma independente. Anna Ratto ao vivo é um projeto corajoso porque aproxima Ratto de sua amiga Roberta Sá, convidada para orquestrar a cena do show feito sob a direção musical de Rodrigo Vidal. Confiar a direção do show a Roberta é ato de coragem porque, a rigor, Ratto jamais se livrou totalmente da associação com Roberta - semelhança evidenciada, mais uma vez, na interpretação de Bailarina do mar (Anna Ratto), música cheia de brasilidade lançada por Ratto em seu melhor álbum, Girando (Universal Music, 2008). A propósito, tal faixa é mais indicada para ser vista do que ouvida, já que, em determinado momento, Ratto rege seu público na cadência do afoxé, pedindo palmas e coros que somente farão total sentido no registro audiovisual do número. A presença de Roberta Sá é forte no disco, já que a melhor faixa do EP, Nem sequer dormi - destaque do irregular repertório autoral do quarto álbum da artista, Anna Ratto (Bolacha Discos, 2012) - é ouvida em elegante gravação de estúdio feita por Ratto em dueto com Roberta (clique aqui para saber detalhes do clipe da gravação, já posto em rotação na web). Completa o EP a abordagem ao vivo de Velha roupa colorida (Belchior, 1976), música ótima em si, mas já datada, pois faz parte do cancioneiro em que o compositor cearense Belchior inventariou as perdas e ganhos da idealista geração sonhadora dos anos 1960. E por falar em inventários, Anna Ratto ao vivo funciona em última instância como o fecho de um ciclo na carreira de Anna Ratto. Consumado o lançamento do DVD, vai ser hora de a artista abrir outras frentes de trabalho - criando parcerias, experimentando outros produtores, dando voz a compositores inéditos em sua voz e se integrando mais com a cena contemporânea brasileira - para renovar seu canto leve. É hora de trocar a velha roupa colorida e seguir em frente!

Eis a capa da edição especial de 'Coração a batucar' com faixas ao vivo

Com lançamento programado pela gravadora Universal Music para 17 de março de 2015, em edição digital no iTunes, a edição especial do sexto álbum de Maria Rita, Coração a batucar (Universal Music, 2014), alinha nove músicas gravadas ao vivo em 6 de outubro de 2014, em show feito pela cantora paulistana no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP). Simultaneamente com essa edição especial, a Universal Music põe no mercado fonográfico a edição Deluxe de Coração a batucar em formato físico que junta CD com DVD, que exibe as imagens do show, captadas sob a direção de Hugo Prata. Eis as nove músicas da edição especial do bom álbum Coração a batucar:

1. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
2. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
3. Abismo (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos, 2014)
4. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
5. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
6. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
7. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)

Show feito por Zeca Baleiro com Zélia Duncan vai ser eternizado em DVD

Zeca Baleiro e Zélia Duncan - em fotos de Dudu Leal - decidiram fazer o registro audiovisual do show que fazem em dupla e que continua em turnê nacional ao longo deste ano de 2015. Ainda não há data e local para a gravação ao vivo, mas o fato é que o show Zélia Duncan & Zeca Baleiro - sucesso em todo o Brasil desde a estreia nacional em Salvador (BA), em janeiro de 2014 - vai ser perpetuado em DVD. Clique aqui para reler a resenha do show em Notas musicais.

terça-feira, 3 de março de 2015

Primeiro baterista dos Paralamas, Vital Dias - o da moto... - sai de cena

No imaginário do universo pop brasileiro, João Barone é e sempre foi o único baterista do trio carioca Paralamas do Sucesso. Essa informação, de certa forma, é correta, pois Barone assumiu as baquetas desde que o grupo se profissionalizou entre 1982 e 1983. Só que, antes de Barone, na pré-história dos Paralamas, houve por pouco tempo um outro baterista, o carioca Vital José de Assis Dias (5 de março 1960 - 3 de março de 2015), que saiu hoje de cena, a dois dias de fazer 55 anos, vítima de câncer. Imortalizado nos versos de Vital e sua moto (Herbert Vianna), música lançada pelo grupo em seu primeiro álbum, Cinema mudo (EMI-Odeon, 1983), o músico - em foto de Maurício Valladares - chegou a fazer parte dos Paralamas quando seu caminho se cruzou na sala de aula do colégio Bahiense, no Rio de Janeiro (RJ), com os caminhos do vocalista e guitarrista Herbert Vianna e do baixista Bi Ribeiro. Esse cruzamento aconteceu no fim dos anos 1970. Mas foi entre 1980 e 1981 que Vital começou efetivamente a tocar com os Paralamas em ensaios e shows em faculdades e outros espaços juvenis. Mas o bolo que Vital deu no grupo numa importante apresentação em festival de universidade fluminense preparou o caminho para a (de início, improvisada) entrada de João Barone no grupo. E o resto é uma história feliz da qual Vital Dias - que chegou a tocar na banda de heavy metal Sadom antes de deixar a música nos anos 1990 - acabou participando somente como coadjuvante nos obscuros capítulos iniciais. R.I.P., Vital.

José Rico - 'garganta de ouro' que fez história no sertanejo - sai de cena

A trajetória artística do cantor e compositor pernambucano José Alves dos Santos (29 de junho de 1946 - 3 de março de 2015), o José Rico, é indissociável da trilha seguida pelo cantor mineiro Romeu Januário de Matos, o Milionário. Juntos, eles formaram em 1970, na cidade de São Paulo (SP), a dupla sertaneja Milionário & José Rico, desfeita hoje com a saída de cena de José Rico, aos 68 anos, vítima de infarto. Uma das duplas mais populares do universo sertanejo, Milionário & José Rico seguiram nos anos 1970 o caminho pavimentado por Léo Canhoto & Robertinho, dupla que inseriu guitarra elétrica na música sertaneja. Milionário & José Rico logo entraram na onda e também foram um dos pioneiros na eletrificação do som sertanejo. Além de cantar com estilo todo particular, tendo sido agraciado com o epíteto A garganta de ouro do Brasil (também dirigido a Milionário), José Rico se destacou como compositor. É de autoria dele a canção Estrada da vida, lançada em 1977 no quinto álbum da dupla. Em atividade desde os anos 1970 (em que pese curta separação de 1991 a 1994), a dupla Milionário & José Rico gravou 28 álbuns. Lançado em 1982, Tribunal do amor foi um dos mais bem-sucedidos por conta do estouro da faixa-título no universo sertanejo - hoje de luto pelo fim da estrada da vida de José Alves dos Santos, o querido José Rico.

Trupe edifica 'Presente' entre experimentações e referências paulistanas

Resenha de CD
Título: Presente
Artista: Trupe Chá de Boldo
Gravadora: Pommelo
Cotação: * * * 
Disco disponível para download gratuito no site oficial do grupo

"Diacho / Pra que tanto Dior? / Pra que / Tanto Armani no armário?". Feitas através do jogo de palavras armado nos versos de Diacho (Gustavo Galo), uma das melhores músicas do terceiro álbum da Trupe Chá de Boldo, Presente, as perguntas destilam finas ironias que explicitam a influência da obra do compositor paulistano Itamar Assumpção (1949 - 2003) no cancioneiro de Gustavo Galo, principal fornecedor de repertório para a discografia do coletivo paulistano. A propósito, o fato de existir um estupendo primeiro álbum solo de Galo, Asa (Independente, 2014), entre Presente e o último álbum da Trupe, Nave manha (Independente, 2012), interfere forçosamente na avaliação do disco atual do grupo. Efeito de Galo ter jogado grande parte de sua inspiração no álbum individual, a maior elasticidade no arco do time de compositores nem sempre resulta benéfica para o coletivo, como sinalizam músicas como Smex smov (Tomás Bastos, Danilo Sena e André Mourão com a Trupe Chá de Boldo) e Aos meus amigos (Tomás Bastos). Produzido por Gustavo Ruiz, tal como seu antecessor Nave manha, Presente oscila entre o minimalismo cool da metalinguística O fim é o só começo (Coração) (Gustavo Galo e Ciça Góes), os ecos de Itamar - reverberados em Moremáximo (Gustavo Galo e Paloma Mecozzi), para citar outro exemplo dessa boa influência - e o experimentalismo de temas como Jovem-tirano-príncipe-besta, interessante música de Negro Leo, compositor maranhense radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), mas identificado com a estética da cena paulistana. Música cantada por sua coautora Julia Valiengo, Cine espacial - parceria de Valiengo com Tatá Aeroplano - também sobressai no disco ao projetar romance em cenário apocalíptico tragado pela cidade submersa pela água da chuva e avistada de cima por nave que segue (seguro) voo de rota pop. Mesmo marcada atualmente pela escassez de água, São Paulo (SP) é essa cidade que pauta o repertório da Trupe, ainda majoritariamente assinado por Gustavo Galo, compositor (a sós ou em parceria) de oito das 13 músicas do disco. Dentro do painel de referências paulistanas exposto em Presente, a influência da poética do compositor Adoniran Barbosa (1910 - 2012) é escancarada nos versos de Amores vão (Gustavo Galo). "A dor é menor / Quando termina em samba", sentencia Galo nos versos finais da música encerrada em clima experimental. Há samba em Lampejo (Iara Rennó e Gustavo Cabelo), mas o som indie da Trupe extrapola rótulos em Presente. Há samba, há pop, há rock e há também a disposição de não seguir a cartilha básica de nenhum ritmo. "Mudo / Enquanto / Muda / A / Canção", avisa Ciça Góes através dos versos da segunda versão de O fim é só o começo (Gustavo Galo e Ciça Góes). Sim, a Trupe parece estar em constante mutação. No fim, Uma banda (Gustavo Galo, Guto Nogueira e Rafinha Werblowsky) manda o recado: "Uma banda grande é demais / E cabe só onde tem tesão / Uma banda grande é demais". Movida pelo tesão, a Trupe Chá de Boldo volta à cena com um disco que, em que pese seus bons momentos, às vezes dá rasantes no inevitável confronto com o elevado voo solo do compositor Gustavo Galo.

Eis a capa de "#AC ao vivo", CD em que Ana Carolina canta Gonzaguinha

Esta é a capa de #AC ao vivo, CD duplo de Ana Carolina que a gravadora Sony Music vai lançar neste mês de março de 2015 com o registro integral do show #AC (2014). Feita em apresentação do show em São Paulo (SP), em 25 de outubro de 2014, a gravação ao vivo também vai ser editada nos formatos de DVD e CD simples. Entre os bônus do CD, há gravação de Sangrando (1980), música do compositor carioca Gonzaguinha (1945 - 1991) revivida pela intérprete mineira no remake do programa Globo de ouro, exibido pelo Canal Viva. E por falar em Ana (vista em foto de Leo Aversa na capa de #AC ao vivo), a cantora gravou Valsa de um cidade (Ismael Neto e Antonio Maria, 1954) para emissora carioca de rádio em homenagem aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Embora de uso exclusivo da emissora, a gravação já está em rotação na web.

Romulo se prepara para lançar, via Selo Sesc, disco com obra de Nelson

A IMAGEM DO SOM - Postada por Romulo Fróes em seu Facebook, a foto mostra o cantor e compositor paulistano em estúdio de São Paulo (SP), durante a gravação do álbum em que recria o cancioneiro do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). O álbum vai ser lançado - pelo Selo Sesc - neste ano de 2015.  A morbidez do samba de Nelson sempre influenciou Romulo.

Saulo explicita sua baianidade ao gravar o segundo álbum solo, 'Baiuno'

Projetado na cena de axé music como vocalista da Banda Eva, posto que deixou após o Carnaval de 2013, Saulo Fernandes explicita sua baianidade em seu segundo álbum solo, já em fase de gravação em Salvador (BA). Sucessor de Saulo ao vivo (Universal Music, 2013), o primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor baiano vai se chamar Baiuno. O artista batizou o disco com a expressão usada de forma pejorativa nos anos 1970 por jornalistas do semanário carioca O pasquim para se referir a cantores baianos como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Curiosamente, o cantor e compositor cearense Belchior lançou há 22 anos um álbum chamado Baihuno (Movie Play, 1993). O Baiuno de Saulo Fernandes está sendo produzido por Munnir Hossn e Marcelus Leone. A ideia é ressaltar a baianidade do artista. "As canções estão indo por esse caminho. A Bahia é uma fonte que jorra o tempo todo e que não se esgota", ressalta Saulo. O repertório inclui a canção Sertanejo, parceria do artista com o pianista e compositor congolês Ray Lema. Lançada na web em novembro de 2014, em ação voltada para o Dia da Consciência Negra, a música inclui a expressão baiuno na letra. Baiuno será lançado em meados deste ano de 2015.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Álbum de Jussara com canções de Caymmi ganha reedição pela Dubas

Segundo álbum de Jussara Silveira, lançado originalmente pela gravadora Dubas Música em 1998, com distribuição da Warner Music, Canções de Caymmi vai ganhar (oportuna) reedição neste ano de 2015 pela mesma Dubas. Como o título já explicita, o disco da cantora mineira - de criação baiana  -  é dedicado ao cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi  (1914 - 2008).

Single 'Talismã sem par' inicia 'Extrafísico', projeto multimídia de Vercillo

Já disponível para compra nas plataformas digitais, o single Talismã sem par, de Jorge Vercillo, anuncia Extrafísico, projeto multimídia arquitetado pelo cantor e compositor carioca. A ideia é lançar na web um ou mais singles a cada mês. Além da edição das músicas, que serão vendidas de forma avulsa, o projeto prevê o acompanhamento pelo público da criação do próximo álbum de Vercillo através de making of das gravações, clipes das canções e documentário - produzido pelo Canal Brasil -  sobre os 20 anos de carreira fonográfica do artista,  completados (a rigor) em 2014.

Eis as 16 músicas do álbum de inéditas que Gal lança em abril via Sony

O 36º álbum de Gal Costa já está no forno da gravadora Sony Music. Programado para ser lançado no mercado fonográfico brasileiro em abril deste ano de 2015, o disco de inéditas alinha 16 músicas produzidas por Moreno Veloso e Kassin. Eis, na ordem do CD, os nomes das 16 músicas que ganharam a voz cristalina da estratosférica cantora baiana (vista em foto de André Schiliró):

1. Estratosférica
2. Amor, se acalme (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Cezar Mendes)
3. Anuviar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti)
4. Átimo de som
5. Casca (Jonas Sá e Alberto Continentino)
6. Dez anjos (Milton Nascimento e Criolo)
7. Ecstasy
8. Espelho d'água (Marcelo Camelo e Thiago Camelo)
9. Jabitacá (Junio Barreto e José Paes Lira)
10. Muita sorte (Lincoln Olivetti e Rogê)
11. Por baixo
12. Quando você olha para ela (Mallu Magalhães)
13. Sem medo (Arthur Nogueira e Antonio Cícero)
14. Você me deu (Caetano Veloso e Zeca Veloso)
15. Vou buscar você para mim
16. Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961) - faixa-bônus

  A faixa Ilusão à toa  -  música do compositor carioca Johnny Alf (1929 - 2010)  -  é parte da trilha sonora da nova novela Babilônia, programada pela TV Globo para estrear em 16 de março de 2015.

Eis a capa do disco com a trilha sonora de 'Animal', que inclui Ná e Zizi

Esta é a capa do disco que traz a trilha sonora de Animal, série de 2014 transformada em telefilme a ser exibido pela TV Globo neste ano de 2015. O disco chega ao mercado fonográfico pela gravadora Som Livre com gravações inéditas de Ná Ozzetti (Romance, música de Nei Lisboa), Zeca Baleiro (Armadilha, composição de Nelson Coelho de Castro e Dedé Ribeiro) e Zizi Possi (De manhã, uma parceria de Silvio Marques e Paulo Nascimento), entre outros cantores. Formada por músicas de compositores do Sul, a inédita trilha sonora de Animal é assinada pelo compositor e arranjador gaúcho Silvio Marques, fundador do já desativado Grupo Musical Saracura.

domingo, 1 de março de 2015

'#AC ao vivo' chega às lojas em formato de DVD, CD duplo e CD simples

Ana Carolina lança neste mês de março de 2015 o registro ao vivo de seu show #AC, dirigido por Monique Gardenberg e baseado no homônimo e dançante álbum de inéditas lançado pela cantora e compositora mineira em 2013. Músicas inéditas foram inseridas no disco, que traz a gravação feita em 25 de outubro de 2014 em apresentação do show em São Paulo (SP). #AC ao vivo chega ao mercado fonográfico nos formatos de DVD, CD duplo - com o registro integral do show - e CD simples  (com 14 faixas)  em edição do selo Armazém posta nas lojas pela gravadora Sony Music.

Nação Zumbi regrava seis músicas de seu repertório em 'Rdio sessions'

A banda pernambucana Nação Zumbi regravou seis músicas de seu repertório para o projeto Rdio sessions Brasil. Disponíveis para mais de 60 países, através da plataforma norte-americana de streaming, as Rdio sessions da Nação Zumbi veiculam inéditos registros acústicos das músicas Cicatriz (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Um sonho (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Defeito perfeito (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014) , Novas auroras (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Manguetown (Chico Science, Lúcio Maia e Dengue, 1996) e Quando a maré encher (Fábio Trummer, Roger Man e Bernardo Chopinho, 2000).  Clique aqui para ouvir as seis Rdio sessions da Nação Zumbi.

Naves arde na fogueira das paixões que consome 'Trovões a me atingir'

Resenha de CD
Título: Trovões a me atingir
Artista: Jair Naves
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * *
Disco disponível para download gratuito no site oficial do artista


Jair Naves não está mais sozinho, mas a rigor continua só. O cantor e compositor paulistano buscou a companhia dos músicos de sua banda - Felipe Faraco (teclados e sintetizadores), Rafael Findans (baixo), Renato Ribeiro (violão e guitarra) e Thiago Babalu (bateria) - para formatar e eventualmente até criar o cancioneiro autoral de seu segundo álbum, Trovões a me atingir, disco que ganha edição física em CD neste mês de março de 2015, um mês após ter sido lançado em edição digital. Embora formatado na contramão do caminho solitário seguido pelo artista na produção de seu elogiado primeiro álbum, E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas (Travolta Discos / Popfuzz Records, 2012), Trovões a me atingir também versa sobre solidão e uma alma em ebulição. Com voz grave que ecoa cantos do britânico Ian Curtis (1956 - 1980) e do cearense Belchior, cujo timbre é evocado em especial na interpretação da boa balada Prece atendida (Jair Naves), apresentada em janeiro para anunciar o álbum gravado de agosto a outubro de 2014, Naves continua passando longe da via cool que pavimenta a cena indie brasileira. Ao contrário: o artista novamente arde na fogueira das paixões. As nove músicas de Trovões a me atingir mostram que o espírito de Naves continua desassossegado, como explicitam versos inflamados como os de Resvala (Jair Naves), rock que abre o disco disponibilizado na web para download gratuito em 3 de fevereiro de 2015. Aflições, Agonias, angústias, impaciências e tensões pautam a composição de letras que reiteram que o coração inquieto do artista é um fardo a ser carregado, como apontam os versos de Um trem descarrilhado (Jair Naves), balada que fecha o bom álbum. Todas as letras são da lavra solitária de Naves. Os músicos colaboraram eventualmente na composição das melodias. Embora o repertório de seu antecessor seja mais sedutor, no todo, Trovões a me atingir confirma o talento deste artista visceral que iniciou sua trajetória musical na década de 1990 como baixista da banda punk paulistana Okotô e que começou a ser notado ao fundar nos anos 2000 o grupo Ludovic. Aliás, o passado punk de Nave reverbera entre os ruídos de Em concreto (Jair Naves) e a ambiência noise de No meu encalço (Jair Naves, Felipe Faraco, Rafael Findans, Renato Ribeiro e Thiago Babalu). Entre referências do rock e da MPB, Trovões a me atingir também embute canção de arquitetura mais pop como Deixe / force (Jair Naves), cujos versos são como raio de sol em tempo geralmente nublado. Faixa cantada mais por Barbara Eugênia do que por Naves, B (Jair Naves, Felipe Faraco, Rafael Findans, Renato Ribeiro e Thiago Babalu) se engrandece no confronto final entre o trompete de Guizado e a percussão de Caio Bologna e Igor Bologna. Mas são as letras confessionais que sobressaem no disco. Incêndios (O claro de bombas a explodir) (Jair Naves e Renato Ribeiro) vai direto ao ponto: Jair Naves até vê a luz no fim do (seu) túnel, mas continua imerso na escuridão existencial, consumido pela fogueira das paixões.

João Bosco & Vinícius trilham o caminho caipira no CD 'Estrada de chão'

A dupla sul mato-grossense João Bosco & Vinícius - em foto de Danilo Marques - trilha caminhos antigos da música sertaneja no CD Estrada de chão. Previsto para ser lançado entre março e abril deste ano de 2015, o álbum alinha sucessos do repertório sertanejo. O time de convidados inclui os cantores Sérgio Reis e Roberta Miranda e as duplas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano, entre outros nomes do mundo sertanejo dos anos 1970, 1980 e 1990.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Jean Garfunkel apresenta 13 parcerias e um fado solitário em álbum solo

Cantor, compositor, ator e poeta paulistano, Jean Garfunkel já contabiliza 35 anos de carreira e quatro álbuns gravados em dupla com seu irmão, Paulo Garfunkel, com quem compôs músicas gravadas por cantoras como Elis Regina (1945 - 1982), Maria Rita e Zizi Possi. Por isso mesmo, o álbum 13 pares e um fado solitário (Independente) marca neste ano de 2015 um novo momento na discografia do artista. Trata-se de um disco solo cujo repertório alinha 13 músicas compostas por Jean com 13 diferentes parceiros - ora como letrista, ora como melodista, ora nas duas funções - e o fado composto solitariamente de que fala o título, Do incógnito conteúdo. Paulo Garfunkel, claro, é um dos 13 parceiros, assinando Peixe dourado com o irmão. O time de parceiros inclui Arismar do Espírito Santo (em Sonhando acordado), Lula Barbosa (em Tiê) e Natan Marques (em Era apenas um menino...), Julio Medaglia (na Valsa paulistana), entre outros nomes. Baião, samba e toada compõem o leque rítmico do repertório autoral de Jean Garfunkel. Um (inédito) cancioneiro de bom nível cujo brilho não é empanado nem pelo canto opaco do artista. 

Solitário, Gessinger lidera exército em DVD ora regionalista, ora roqueiro

Resenha de DVD + CD
Título: Insular ao vivo
Artista: Humberto Gessinger
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

Humberto Gessinger tem duas caras musicais e expõe ambas no kit de DVD + CD editado no fim de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records. A mais visível dessas faces, a roqueira, foi captada no palco da casa Chevrolet Hall, em Belo Horizonte (MG), em 30 de maio de 2014. A apresentação mineira do show Insular tem a pegada do rock universal e é a base da gravação ao vivo. Em cena com os músicos Esteban Tavares (guitarra e violão) e Rafael Bisogno (bateria e percussão), o cantor, compositor e músico gaúcho comanda, solitário, um exército de fãs que faz coro espontâneo e forte em músicas reconhecíveis somente para os soldados de Gessinger. "Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer", brada Gessinger através de versos de uma dessas músicas, Ilex paraguariensis (Humberto Gessinger, 1995), composição do repertório da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii (em recesso desde 2008). A rigor, Gessinger já está há bravos 30 anos na estrada fonográfica. Foi em 1985 que, como líder dos Engenheiros do Hawaii, o artista se projetou em em escala nacional iniciou sua caminhada numa highway que já não se mostra tão infinita. Álbum que inspirou o show, Insular (Stereophonica, 2013) é um (bom) disco solo no qual Gessinger já reflete sobre solidão e finitude. Como a batida do rock abafa outros sons feitos na casa Chevrolet Hall, tais reflexões ficam menos evidenciadas no roteiro que alterna músicas do álbum de 2013 com temas dos repertórios dos Engenheiros do Hawaii e da discografia paralela de Gessinger. É, a propósito, nessa transversal da estrada principal que Insular ao vivo expõe a face menos visível do artista, a do regionalista orgulhoso de suas origens gaúchas. O regionalismo é diluído no show de Minas Gerais pelo calor do rock, ainda que um acordeom pilotado pelo próprio comandante do exército se faça ouvir na canção Somos quem podemos ser (Humberto Gessinger, 1988). O orgulho dos Pampas brota para valer nos cinco números captados na Serra Gaúcha, mais precisamente na vinícola Casa Valduga da cidade Bento Gonçalves (RS) em 11 e 12 de maio de 2014 - quase três semanas antes da gravação em Minas. É ali na Serra, cercado de músicos conterrâneos, que Gessinger expõe afinidades com o compositor gaúcho Bebeto Alves - seu parceiro em A ponte para o dia e em Milonga orientao - e com o acordeonista (hábil nos improvisos) Luiz Carlos Borges, cantor e músico convidado de Deserto freezer (Humberto Gessinger, 1997). Alocado no meio do show, e não nos extras do DVD, esse set gaúcho valoriza a gravação. Mas é inegável que o discurso e o som de Gessinger - porta-voz da juventude da segunda metade dos anos 1980 - ecoam com mais força quando se aproximam das capitais. Há 30 anos minimizado pela crítica, Humberto Gessinger segue solitário na sua highway. Mas tem em sua defesa um exército pronto a disparar artilharia vocal a favor de seu comandante, como mostram o calor e o coro fervoroso dos fãs neste Insular ao vivo, retrato da vitória do artista.

Sobrinho de Caetano, J. Velloso vai dirigir Gal no projeto sobre Lupicínio

Como seu disco de inéditas já está pronto para ser lançado pela gravadora Sony Music em abril deste ano de 2015, Gal Costa - em foto de André Schiliró - já trabalha no projeto sobre a obra do compositor Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974). Sobrinho de Caetano Veloso e de Maria Bethânia, J. Velloso assina com Marcus Preto a direção artística do show que será gravado ao vivo para edição de CD. Patrocinado via Natura Musical, o show tem estreia agendada para 25 de março no Teatro Araújo Vianna Porto, em Porto Alegre (RS), cidade natal do compositor de Vingança (1951) e Volta (1957). Por ora, a turnê desse show prevê somente sete apresentações em sete capitais do Brasil.

Ivete grava parceria de Geraldo com Nilo para a trilha de programa de TV

Parceria do cantor compositor pernambucano Geraldo Azevedo com o poeta cearense Fausto Nilo, lançada em 1986 nas vozes de Geraldo e do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner em gravações incluídas seus respectivos álbuns De outra maneira (Echo / Rca-Victor, 1986) e Fagner (Rca-Victor, 1986), Dona da minha cabeça ganha registro oficial de Ivete Sangalo. A gravação da cantora baiana integra a trilha sonora da próxima temporada do programa de TV Superbonita, apresentado por Ivete no canal pago GNT, e pode vir a ser lançada em single digital. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Tulipa finaliza álbum que, além de Cordeiro, inclui Donato e o Metá Metá

Tulipa Ruiz conclui hoje, 27 de fevereiro de 2015, a gravação de seu terceiro álbum. Formatado ao longo deste mês de fevereiro no estúdio da Red Bull Station, em São Paulo (SP), com produção de Gustavo Ruiz, o disco amplia as conexões musicais da cantora e compositora paulistana. Além de Felipe Cordeiro, parceiro e piloto da música Virou (Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Luiz Chagas, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro), o sucessor do álbum Tudo tanto (Independente, 2012) tem participações do compositor e pianista acriano João Donato e do grupo paulistano Metá Metá. Donato virou admirador fervoroso do som de Tulipa desde que a convidou para participar do show em que reviveu o repertório de seu álbum Quem é quem (EMI-Odeon, 1973) em fevereiro de 2014, em São Paulo (SP). Já a conexão da artista com o Metá Metá é inédita. Gravado com patrocínio do projeto Natura Musical  e com banda formada pelos músicos Caio Lopes (bateria), Luiz Chagas (guitarra) e Márcio Arantes (baixo), além de Gustavo Ruiz, o terceiro álbum de Tulipa Ruiz - em foto de Fábio Piva - já tem lançamento programado para 5 de maio e vai chegar ao mercado fonográfico pelas mesmas vias independentes do belo álbum anterior da artista projetada em 2010.

Capa do primeiro DVD de Baby do Brasil é assinada por Giovanni Bianco

Programado para chegar ao mercado fonográfico entre março e abril de 2015, em edição da gravadora Coqueiro Verde Records, o primeiro DVD de Baby do Brasil, Baby sucessos - A menina ainda dança, tem capa assinada pelo carioca Giovanni Bianco, designer e diretor de arte de ascendência italiana radicado em Nova York (EUA) e projetado em escala mundial no universo pop nos anos 2000 por conta da criação de capas de álbuns de Madonna. No Brasil, Bianco assinou capas de cantoras como Ivete Sangalo, Marina Lima (visionária ao apostar na arte de Bianco ainda nos anos 1990), Marisa Monte e Roberta Sá. O DVD Baby sucessos - A menina ainda dança perpetua o show que estreou em outubro de 2012, no Rio de Janeiro (RJ), e que marcou a volta da cantora fluminense Baby do Brasil ao mercado de música pop após anos de imersão exclusiva no universo evangélico. A gravação ao vivo foi realizada em 31 de janeiro de 2014 em apresentação do show Baby sucessos na casa Imperator, na mesma cidade do Rio de Janeiro onde o show foi apresentado pela primeira vez, antes de sair em vitoriosa turnê pelo Brasil.

Emicida estende conexão com rapper francês Féfé em single e em clipe

Emicida está transitando por outras quebradas. Nesta última semana de fevereiro de 2015, o rapper paulistano estendeu a conexão com o rapper francês Féfé - iniciada em 2014 na 10ª edição da Virada Cultural de São Paulo - com o lançamento do single Bonjour e do clipe dessa parceria com Féfé. O single já está à venda nas plataformas digitais. Já o clipe - filmado no Jardim Elisa, na periferia de São Paulo (SP) com produção de Nave Beats e direção de Vras 77 - pode ser visto no YouTube e em outros portais da web. No rap Bonjour, apresentado em dezembro de 2014 em show no Festival Ubuntu, Emicida - à direita na foto de Ênio César - e Féfé cantam em português e em francês. O rap tem células rítmicas do samba na azeitada gravação. Uma turnê dos rappers pela França e por outros países da Europa está programada para este primeiro semestre de 2015.

Luan estiliza baladas, sertanejos e Gonzaga no CD de forró 'Lembranças'

Banda de forró formada em 2010 em Campina Grande (PB), cidade do interior da Paraíba que tem importante circuito junino de shows, Luan Forró Estilizado promove o CD Lembranças (2014), recém-lançado pela gravadora Som Livre. Com temas forrozeiros de tonalidade pop romântica, o disco chega ao mercado fonográfico no rastro da projeção nacional obtida pelo grupo com sua participação no programa Superstar (TV Globo, 2014), reality musical no qual Luan conquistou o terceiro lugar. Cantor e sanfoneiro paraibano de 23 anos, Luan Barbosa é o cabeça do grupo completado pelo baixista Pablo Rosseline, pelo guitarrista David Michael e pelo baterista Felipe Luna. Apesar de sua pouca idade, Luan já gravou cinco álbuns antes de iniciar o projeto Forró Estilizado, sendo que o primeiro, Vaqueiro mirim, foi lançado quando o artista tinha somente dez anos. No CD Lembranças, Luan Forró Estilizado faz conexões com duplas sertanejas - César Menotti & Fabiano são os convidados da faixa Desta (Dorgival Dantas) enquanto Jorge & Mateus figuram em Valeu (Dorgival Dantas) - e mira o universo festivo das baladas em músicas como Solteiro na sexta (Robério Show e Alexandre Santos) entre abordagens diluidoras de sucessos da nação nordestina que ganharam o Brasil, casos de Esperando na janela (Targino Gondim, Manuca Almeida 267 e Raimundinho do Acordeom, 2000), Espumas ao vento (Accioly Neto, 1997), Ai, que saudade d'ocê (Vital Farias, 1982) e A vida do viajante (Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, 1953), música gravada com citação de Súplica cearense (Gordurinha e Nelinho, 1967). É forró estilizado!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Raimundos trazem samba de Arlindo para seu lugar em 'single' roqueiro

O lugar natural do grupo brasiliense Raimundos é bem distante de Madureira, o suburbano bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ) que inspirou os compositores cariocas Arlindo Cruz e Mauro Diniz na criação do samba Meu lugar, lançado por Arlindo no álbum Sambista perfeito (Deck, 2007). Pois os Raimundos trouxeram o samba de Arlindo para seu lugar. Em single lançado esta semana nas plataformas digitais, através da gravadora Som Livre, o grupo leva o samba de Arlindo na batida frenética do rock com versos inéditos (escritos pelos Raimundos) que ambientam a composição em lugar habitado por praticantes de skate e adeptos do hardcore. A letra cita, metalinguisticamente, o inusitado encontro de Arlindo com os Raimundos em Madureira. 

Mautner e Gil fazem políticos gestos de amor em inédito registro de 1987

Resenha de CD
Título: O poeta e o esfomeado
Artista: Jorge Mautner & Gilberto Gil
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * * * 
 Disco por enquanto disponível somente na caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma

"O meu gesto político, figa / Este é meu gesto, meu gesto de amor / Ele não faz parte de nenhuma doutrina / Ele não pertence a nenhum senhor". Os versos do Hino da Figa (Gilberto Gil) dão pista certa do espírito humanitário do show que uniu o cantor, compositor e músico carioca Jorge Mautner com o cantor, compositor e músico baiano Gilberto Gil em 1987. Composto por Gil para o show e para ser espécie de manifesto musical do Figa Brasil, movimento de cunho filosófico e político arquitetado por Mautner e Gil naquele ano de 1987, o Hino da Figa ganha seu primeiro registro fonográfico em O poeta e o esfomeado, inédito CD incluído na caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma, lançada pelo selo Discobertas neste mês de fevereiro de 2015. Ao lado do percussionista Reppolho, Mautner (com seu violino) e Gil (com seu violão pleno de musicalidade) fazem e trocam políticos gestos de amor com o público nesta inédita gravação ao vivo captada em 13 de março de 1987 em apresentação do show no Palácio das Convenções Anhembi, em São Paulo (SP). O poeta e o esfomeado foi um show que usou a música para fazer política. O que justifica os discursos de Mautner e as inclusões no roteiro de músicas como Você me chamou de nego (Gasolina) - samba cheio de orgulho negro que levantou a voz contra o preconceito racial - e a Oração pela libertação da África do Sul (1985), pioneiro libelo musical brasileiro contra o Apartheid em voga naqueles anos 1980. Contudo, O poeta e o esfomeado transcende seus propósitos originais na perspectiva do tempo - até porque o movimento Figa Brasil foi abortado em 1988 com a eleição de Gil para cargo de vereador em Salvador (BA) - e resiste neste inédito disco ao vivo como o afinado encontro entre duas almas musicais afins. Tal afinidade veio a público em escala nacional quando Gil deu voz ao Maracatu atômico - o maior sucesso da parceria de Mautner com seu parceiro Nelson Jacobina (1935 - 2012) - em gravação editada em compacto simples de 1973. Maracatu atômico, claro, figurava no roteiro desse show que ampliou a parceria de Gil e Mautner nos palcos após recital feito por Gil em 1986, com intervenções literárias de Mautner, no projeto Luz do Solo - como bem lembra o jornalista mineiro Renato Vieira em texto escrito para o encarte deste disco de qualidade técnica satisfatória e de alto valor documental. Em O poeta e o esfomeado, CD por ora disponível somente na caixa que reedita os três álbuns lançados por Mautner ao longo dos anos 1980, Gil e Mautner mostram toda a delicadeza oriental que há na sua parceria O rouxinol (1975), caem no samba carioca de outrora - com Mautner dando voz no roteiro a Teu olhar, título pouco ouvido do cancioneiro do pioneiro compositor carioca Ismael Silva (1905 - 1978) - e abrilhantam os tons de Cores vivas (Gilberto Gil, 1981), música alocada ao lado da marchinha A.E.I.O.U. (Noel Rosa e Lamartine Babo, 1931) no único medley do roteiro. Noel Rosa (1910 - 1937), aliás, figura duplamente no disco, já que O poeta e o esfomeado abre com Positivismo (1933), samba assinado pelo Poeta da Vila com Orestes Barbosa (1893-1966) e cantado por Mautner. Zen, Gil louva um sertão romantizado em Casinha feliz, canção que lançara dois anos antes em Dia dorim noite neon (Warner Music, 1985), um dos melhores álbuns da fase pop de sua discografia. Há harmonia na união dos artistas. Com fome insaciável de música, sem mágoas, desprezos e temores, os poetas cantam a vida e a liberdade, trocando gestos de amor e transmutando a dor em alegria, como forma de fazer política.

Primeiro álbum solo de Adriano Siri, 'Olha que lindo', ganha edição física

Lançado em edição digital em agosto de 2014 pelo selo Pimba, o primeiro álbum solo de Adriano Siri, Olha que lindo, ganha edição física em CD neste mês de fevereiro de 2015 com distribuição da Tratore. Cantor e compositor alagoano radicado no Rio de Janeiro (RJ), Siri integra o grupo carioca Fino Coletivo. No álbum Olha que lindo, o artista apresenta 13 músicas de seu autoria - inéditas, em sua grande maioria - sem chamar atenção como compositor com seu mix pop indie psicodélico de samba, rock e bossa. Com Wado, colega do Fino, Siri assina Apartamento e Amor e restos humanos. Já Caetano Malta é o parceiro de Ilusão, música que abre o disco. Contudo, em sua maioria, o repertório é assinado solitariamente por Siri, compositor de temas como Em tuas mãos e Os olhos delas. Olha que lindo é disco gravado entre 2012 e 2013 no Rio de Janeiro (RJ), mas três faixas - Colinho, Sem tempo e Papai e mamãe - aproveitam registros feitos pelo artista em Maceió (AL), em 2004,  época em que Siri integrava o grupo Santo Samba na sua cidade natal.

Enquanto planeja DVD, Dyba lança seu segundo CD solo, 'Tudo de bom'

Cantor e compositor catariense nascido em Canoinhas (SC) e projetado em escala nacional em 2012 quando se tornou finalista da primeira temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo), Danibo Dyba lança seu segundo álbum solo neste mês de fevereiro de 2015. Tudo de bom chega ao mercado fonográfico em edição da Universal Music, gravadora que há dois anos pôs nas lojas o CD Danilo Dyba (2013), primeiro trabalho solo deste artista que atuou durante seis anos como vocalista do grupo catarinense Kanoa. Em Tudo de bom, aliás, o cantor regrava um hit local da época do grupo Kanoa, Combinado (Danilo Dyba), e apresenta músicas inéditas e autorais pautadas pela tonalidade mais pop da atual música sertaneja. Entre elas, há Garçom, Caranguejo, Personal e Desejo de mulher. Dyba - que planeja fazer em 2015 seu primeiro registro audiovisual de show - assina solitariamente 12 das 13 composições de Tudo de bom. A exceção é Cê gama.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

'Motoboy' dá a partida no segundo álbum de Seu Jorge para 'churrascos'

Motoboy é a música que dá a partida na promoção do álbum Músicas para churrasco vol. 2, o 12º título da discografia oficial de Seu Jorge. O single vai ser lançado nas plataformas digitais nesta última semana de fevereiro de 2015. Já o álbum vai chegar ao mercado fonográfico entre março e abril, em edição da gravadora Universal Music, com repertório inédito e autoral que mira a classe C.

Mautner conceitua os quatro discos embalados na caixa 'Zona fantasma'

Lançada no mercado fonográfico brasileiro neste mês de fevereiro de 2015, em edição do selo Discobertas, a caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma embala, em quatro CDs, reedições dos três álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca ao longo dos anos 1980. Bomba de estrelas (Warner Music, 1981), Antimaldito (Nova República / Polygram, 1985) e Árvore da vida (Geléia Geral / Warner Music, 1988) - disco assinado por Mautner com o parceiro Nelson Jacobina (1953 - 2012) - são os álbuns encaixotados.  O quarto disco é um título até então inédito na discografia deste artista multimídia. O poeta e o esfomeado é o inédito registro ao vivo de show-manifesto feito por Mautner com o cantor e compositor baiano Gilberto Gil em março de 1987, em São Paulo (SP), para propagar o movimento político Figa Brasil. Para promover a edição da caixa, produzida pelo pesquisador musical Marcelo Fróes com textos em que o jornalista mineiro Renato Vieira contextualiza cada álbum na seleta discografia do artista, o próprio Mautner escreveu um texto em que discorre sobre os discos ora reeditados. Com a palavra, Jorge Mautner:

"Estes quatro discos têm 49 músicas. Não daria para comentar todas, por isso vou pinçar algumas, mas isso não quer dizer que estas sejam mais importantes do que as outras não pinçadas. O primeiro disco é Bomba de estrelas. Neste disco, eu canto com muitos amigos e muitas amigas artistas. A força secreta daquela alegria, parceria com Gil, é uma conversa com as plantas. Elas também sentem e pensam. Namoro astral, com Moraes Moreira, é um comentário kaótico sobre a Astrologia. Cidadão-cidadã é um manifesto do direitos humanos incluindo com ênfase os portadores de necessidades especiais, a diversidade sexual, a busca da felicidade na democracia. Namoro de bicicleta, com Pepeu Gomes, é um devaneio da infância permanente na cabeça dos artistas. Samba japonês é uma saudação da Amálgama em direção ao povo nipônico que, quando chegou na década de 70 a São Paulo, no bairro da Liberdade, a Umbanda de São Paulo imediatamente criou um orixá samurai. Encantador de serpentes, com Robertinho do Recife, participou do festival da Globo e é um frevo avançado com influência da Índia e, segundo Gilberto Freyre em seu livro China tropical, os séculos XVII e XVI no Brasil foram séculos hindus. Vida cotidiana, com Caetano Veloso, é uma música onde o humor resplandece no vários instantes de um dia. Negros blues, com Zé Ramalho, é a afirmação sempre renovada da importância da negritude, da cultura negra, homenageando especificamente Gilberto Gil e estes negros blues. Bomba de estrelas, parceria com Zé Ramalho e cantada por Amelinha, dá o nome ao disco e portanto se irradia em todas as outras músicas. Duas faixas-bônus: Filho predileto de Xangô, novamente a afirmação da plenitude da presença da negritude. Depois, O boi, minha em parceria com Nelson Jacobina que comigo trabalhou durante 40 anos e que está em todos meus discos e meu coração. O boi, é claro, vai para o matadouro: esta música também é extremamente histórica e política, abrangente.

O segundo disco, Antimaldito. A direção deste disco é de Caetano Veloso, e a sua produção foi feita por Roberto Santana e o filho de Leonel Brizola, já falecido. Registra novamente a intensidade da presença da política e da história em direção à democracia do Kaos com K e da Amálgama que é o meu tema fundamental, literário, em entrevistas, na minha vida, etc. Cinco bombas atômicas, composta no início dos anos 1970, minha com Nelson Jacobina, retrata novamente a bomba atômica mas agora como força maior do ser humano e do amor. Relâmpago dourado, de minha autoria, homenageia a importância das histórias em quadrinho e humaniza também os chamados monstros. Zona fantasma, minha com Nelson Jacobina, é uma queixa amarga e simbólica-histórica de quem está preso na Zona Fantasma, perto da Criptonita. Rock comendo cereja, minha com Nelson Jacobina, é uma celebração da vida. Na realidade, é um spiritual. Fado do gatinho, de minha autoria, retrata meu amor absoluto pelos felinos numa letra cheia de humor e provocações. Índios Tupi Guarani, de minha autoria, é uma música fundamental a meu ver por conta das culturas indígenas do chamado Brasil, e onde afirmo: isso aqui já era um lugar sagrado muito antes do Cristo do Corcovado. Tataraneto do inseto, minha com Nelson Jacobina, é uma música de protesto revolucionário democrático com metáforas de diplomacia chinesa mas que transborda no grito "Canalhas! Arrependei-vos!" e também ao retratar cientificamente em termos poéticos a capacidade de adaptação dos insetos em reação aos inseticidas. Quando a canto nos shows, tenho a oportunidade de afirmar expressões fundamentais: "Deixa como está para ver como fica" e de Benedito Valadares: "na prática, a teoria é outra." Corações, corações, corações, minha com Nelson Jacobina, são três vezes corações. Iluminação foi composta em 1958 e é uma das facetas do Kaos com K em que a iluminação vem como afirma Soren Kierkegaard: "o verdadeiro cristão vive no escândalo e não tem medo do ridículo". A bandeira do meu partido, de 1958, foi aqui pela primeira vez gravada em disco. É bom lembrar que: "a bandeira do meu partido vem entrelaçada com outra bandeira, verde e amarela, a bandeira brasileira." Faixa-bônus: Flesh by flesh, Carne por carne, composta em 1967 durante meus sete anos de exílio nos USA. E, novamente, o Vampiro.

Árvore da vida. A primeira música, Yeshua Ben Joseph, é sobre Jesus de Nazaré e é de uma atualidade eterna. Jesus de Nazaré inventou e criou o Romantismo, os Direitos Humanos inclusive a desobediência civil pacífica e pacificante, através do Livre Arbítrio criou todo o liberalismo e no Sermão da Montanha criou o Socialismo. Quando digo que sou da religião dos humilhados e ofendidos é novamente a marca profunda de Dostoiévski nos meus neurônios. A segunda música, Zum-zum, é minha com Nelson Jacobina, um devaneio
bem-humorado com situação perto da monotonia da loucura. Hiroshima Brasil, de minha autoria e composta em 1958, fala dos terrores da Bomba Atômica e suas repercussões história afora até agora e muito depois. Menino carnavalesco, de minha autoria em 1958, é uma música de amor com leves incursões de ironia amarga. Perspectiva, minha autoria e composta na época da Perestroika de Gorbachev: novamente Maiakóvski e toda a Revolução Soviética que esmagou Adolfo Hitler, e nela eu afirmo brincando, traduzindo a palavra perspectiva que em russo quer dizer Avenida. Maracatu atômico: minha e de Nelson Jacobina, é um hino das simultaneidades e da exuberância do Brasil, lembra da fundamental importância da nação que foi construída pelos heróis africanos que se tornaram escravos. A força atômica aqui é o coração do povo brasileiro e da natureza deste país-continente. Vampiro, já composta em 1958, foi gravada pela primeira vez em 1979 por Caetano Veloso no disco Cinema transcendental. Lágrimas negras, que está com o nome de Lágrimas secas, minha e de Nelson Jacobina, foi gravada pela primeira vez por Gal Costa e alguns anos atrás pelo Otto. Novamente, a força da negritude e sua capacidade de arrancar do terror o seu oposto que é a felicidade do impossível. Samba jambo, novamente minha com Nelson Jacobina, novamente o fascínio do nosso entrelaçamento com todos os batuques das Américas. O teu olhar, de Ismael Silva. Minha admiração por Ismael é infinita. Tanto é que este O teu Olhar também está gravada em outro disco. Lembrar que Ismael Silva fundou a primeira escola de samba no Rio e que se chamava Deixa Falar, depois transformada em Estácio de Sá. Ismael Silva = Wolfgang Amadeus Mozart. Árvore da vida, minha com Nelson Jacobina, inspirada em um verso de Goethe que diz "Cinza é toda teoria, mas verde, meu amigo, é a cor da árvore da vida!".

O poeta e o esfomeado, o quarto disco, foi gravado de um show importantíssimo que precedeu as atividades políticas de Gilberto Gil como vereador em Salvador, do qual fui chefe de gabinete durante um ano e meio e também sua magnífica gestão como Ministro da Cultura. Positivismo, de Noel Rosa e Orestes Barbosa, foi escolhida porque é um show político e nem Borges de Medeiros nem Júlio de Castilho podiam estar de fora, e claro a presença de Getúlio Dornelles Vargas. Marcha turca: foi Gil o diretor musical e executivo deste show e me fez tocar minha versão de Marcha turca dada minha eterna afirmação de que arte erudita e popular são uma coisa só. Ou como dizia Villa Lobos: "estude harmonia e contraponto a fundo, depois esqueça tudo." E também, por que não?, Marcha turca se refere à Turquia que é produto da grande e luminosa cultura e civilização do Califado de Bagdá. Novamente, O teu Olhar de Ismael Silva. Casinha feliz, de Gilberto Gil: o nome já diz tudo. Gil, mesmo quando preso, compôs três músicas na cela. Você me chamou de nêgo, Gasolina: é uma música muito ousada por atacar o racismo em tons escandalosos de comparações. A Oração pela libertação da África do Sul, de Gilberto Gil, foi uma das primeiras manifestações contra o Apartheid quando Nelson Mandela estava preso. Foi um pedido do professor Mário Schenberg para que Gil a fizesse. Novamente, o Vampiro, pois o Vampiro sempre está aí. O rouxinol, minha com GG, é uma das minhas canções mais lindas e trata novamente sobre a ternura da sobrevivência de todos nós animais incluindo o rouxinol os gatos os cães e é uma canção sinobrasileira. Hesíodo, autor da Teogonia dos deuses, também escreveu um trabalho chamado O trabalho e os dias, no qual ele conta: "No final do dia, todos os animais se reúnem bem alimentados e o rouxinol então quer saudar a beleza desse dia cantando. Ele canta e depois o gavião diz: coisa mais linda do mundo, mas mesmo sem fome vou matar o rouxinol." O filho predileto de Xangô, em nova versão, e Mama de Gilberto Gil, imortal e universal, Maracatu atômico e finalmente o Hino da Figa. Composto por Gilberto Gil, nestes mais de 40 shows que tinham já listas de inscrições para o Movimento da Figa Brasil, show em que é comemorado o poeta Jorge de Lima e todas as noções e intenções da Amálgama de José Bonifácio de Andrada e Silva, da eterna segunda abolição de Joaquim Nabuco, proclamando nossa união e igualdade dentro das diferenças como símbolo da Figa como metáfora de tudo isso. Destaque também para o genial percussionista Reppolho.

Todos estes quatro discos se enfeixam, fazem parte das minhas ideias, dos meus livros, entrevistas, minha vida, com duas motivações simultâneas: nunca mais novamente o Holocausto e que a ressureição da humanidade é o Brasil. Recomendo duas leituras: China tropical e o último livro de Domenico de Masi, O futuro chegou.

Aquele abraço!
Jorge Mautner
Fevereiro, 2015
Em tempo: gostaria de lembrar e comemorar o trabalho impecável de Marcelo Fróes e Renato Vieira com esta caixa. Para mais e variadas informações e ligações com minha obra e outras, consultem meu portal Panfletos da Nova Era."