domingo, 5 de julho de 2015

Verso de música de 1982 batiza CD com que Fafá festeja 40 anos de carreira

Do tamanho certo para o meu sorriso é o título do álbum comemorativo dos 40 anos de carreira de Fafá de Belém. O título é um verso da música O gosto da vida, feita pelo compositor carioca Péricles Cavalcanti para a cantora, lançada por Fafá há 33 anos no álbum Essencial (Philips, 1982) e ora regravada pela artista neste disco produzido por Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro para a gravadora Joia Moderna. Além de O gosto da vida, o repertório - formado por 10 músicas de tom nortista - traz Meu coração é brega, inédita de autoria do compositor Veloso Dias, feita para Fafá.

sábado, 4 de julho de 2015

Elogiado terceiro álbum de estúdio de Gadú, 'Guelã' já ganha edição em vinil

Como é regra na discografia de Maria Gadú, os álbuns de estúdio da cantora e compositora paulistana sempre ganham edição em vinil na sequência do lançamento da edição em CD. Com Guelã, o elogiado terceiro álbum de estúdio da artista, não está sendo diferente. Fabricada pela Polysom sob licença do selo Slap, da Som Livre, a edição em vinil de Guelã chega ao mercado fonográfico até o fim desta primeira quinzena de julho de 2015, precisamente entre os dias 10 e 15.  Eis, na ordem do LP, a disposição das dez músicas na edição em vinil de 140 gramas de Guelã:

Lado A
1. Suspiro (Maria Gadú)
2. Obloco (Maria Gadú e Maycon Ananias)
3. Ela (Maria Gadú)
4. Semivoz (Maria Gadú, Maycon Ananias e James McCollum)
5. Trovoa (Maurício Pereira, 2007)
Lado B
1. Sakédu (Maria Gadú e Mayra Andrade)
2. Tecnopapiro (Maria Gadú)
3. Há (Maria Gadú)
4. Vaga (Maria Gadú)
5. Aquária (Maria Gadú)

Jornalista repisa e investiga os (des)caminhos de Vandré em biografia crível

Resenha de livro
Título: Geraldo Vandré - Uma canção interrompida
Autor: Vitor Nuzzi
Editora: Scortecci / Fábrica de livros
Cotação: * * * * 
Livro fabricado de forma artesanal, ainda à espera de edição comercial

O jornalista Vitor Nuzzi soube fazer a hora. O livro que acaba de lançar, Geraldo Vandré - Uma canção interrompida, é um dos acontecimentos mais relevantes do mercado editorial na área musical porque repisa e investiga os (des)caminhos seguidos pelo cantor, compositor e músico paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, nascido em 1935, em João Pessoa (PB). A caminho dos 80 anos, a serem completados em 12 de setembro de 2015, Geraldo Vandré - como o Brasil o conheceu nos anos 1960 - é  um dos enigmas mais indecifráveis da história da música brasileira. Contudo, Nuzzi - mesmo sem o apoio do biografado na redação do livro, fabricado de forma artesanal, com 100 exemplares de distribuição dirigida pelo autor - ajuda a decifrar os enigmas que cercam Vandré. O temperamento arisco, forte, enraizado em suas convicções nacionalistas, dificulta a apresentação de respostas claras e objetivas sobre os (des)caminhos seguidos por Vandré. Mas Nuzzi, com o faro dos bons repórteres, apura fatos que ajudam a entender o que aconteceu - e o que não aconteceu - com o artista. E, quando não consegue somente uma versão para os fatos, apresenta todas as possíveis versões, dando credibilidade à narrativa de seu fundamental livro. Pelos relatos alinhados por Nuzzi em seu livro, Vandré não foi torturado e tampouco enlouqueceu. Mas parece ter criado uma personagem na qual a loucura pode ser uma vestimenta ocasional e providencial se for do interesse do artista. É fato, entretanto, que a canção de Vandré foi mesmo interrompida. Por ironia, o último show do artista como músico profissional no Brasil foi realizado em ginásio de Anápolis (GO) no dia da promulgação do Ato Institucional nº 5, o terrível AI-5, em 13 de dezembro de 1968. Naquela altura, Vandré já era um dos alvos preferenciais do regime militar instaurado à força no Brasil em 1964 por conta de sua canção Pra não dizer que não falei de flores, mais conhecida como Caminhando. Lançada em 1968 no III Festival Internacional da Canção (FIC), a  música de meros dois acordes, mas de versos poderosos, tinha despertado a ira de parte dos militares. Alvo de inflamada disputa com Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) naquele histórico festival de 1968, em trama detalhada por Nuzzi em todos seus meandros, Pra não dizer que não falei de flores pôs Vandré na mira dos homens. A saída foi o exílio para países como Chile e França, no qual gravou em 1970 seu último álbum, Das terras de benvirá, editado no Brasil em 1973 pela gravadora Phonogram, companhia ligada à Philips. Parceiro de Theo de Barros em Disparada (1966), música que levou a música ruralista adiante em passo descontinuado por outras vozes do universo sertanejo, Vandré de fato correu o risco de ser preso ou mesmo morto. Em um dos capítulos mais interessantes do livro, Uma ajuda inesperada, Nuzzi relata como a inusitada intervenção de um general, Estevão Taurino de Rezende Netto (1900 - 1982), livrou Vandré da prisão (e de uma possível tortura) pelo fato de o militar ter ido resgatá-lo pessoalmente no aeroporto, em 1973, quando o artista voltou do exílio. Por iniciativa de uma amiga em comum, o general acompanhou Vandré no primeiro depoimento oficial do artista aos inquisidores do regime militar, impedindo sua prisão. Mas o fato é que Vandré - que jamais aceitou ser anistiado por entender que jamais cometera crime algum contra o Brasil - continuou na mira dos homens. Na sequência, sua participação em programa do apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923 - 1986) acabou vetada pela censura da época. E Vandré, desde então, se tornou uma pessoa arredia, que, nas raras entrevistas que concedeu, mais confundiu do que explicou. O livro de Nuzzi mostra que, na medida do possível, Vandré é um sujeito normal, radicado na cidade de São Paulo (SP). Sua canção permanece interrompida, mas o compositor (sobre)vive, em paz com sua consciência, e de acordo com seus (rígidos) princípios musicais e civis.

Erasmo grava versão de música angolana para álbum de Naldo Benny, 'Mix'

Erasmo Carlos é outro nome confirmado em Mix, o álbum que Naldo Benny pretende lançar neste segundo semestre de 2015. O Tremendão gravou no estúdio do funkeiro carioca, no Rio de Janeiro (RJ), a música Primeira vez, versão em português, escrita por Naldo, de tema do repertório do cantor e compositor angolano Anselmo Ralph. Mix, disco gravado em estúdio por Naldo com repertório inédito e autoral, tem também as participações de Mano Brown, MC Guimê e Mr. Catra.

Revelação prepara seu primeiro registro fonográfico com Almirzinho (e Davi)

♪ O Grupo Revelação vai lançar neste segundo semestre de 2015 seu primeiro registro fonográfico com os vocalistas Almirzinho - que entrou no lugar de Xande de Pilares em meados de 2014 - e Davi, que passou a integrar o grupo em junho de 2015. O projeto vai misturar músicas inéditas com regravações  de sucessos do  grupo carioca.  Estão previstas participações na gravação ao vivo.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

'Maria de todos nós' expõe signos para os iniciados no universo de Bethânia

Resenha de exposição
Título: Maria de todos nós
Artista: Maria Bethânia
Local: Paço Imperial (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 3 de julho de 2015
Fotos: reproduções de obras de Ziraldo (The wonderful white witch, 2015) e Mario Ferrante
          (Retrato da Bethânia, 2014)
Cotação: * * * 
Em cartaz de 3 de julho a 13 de setembro de 2015, diariamente, com entrada franca

Maria Bethânia já sentenciou que música é perfume. Pois na exposição Maria de todos nós estão lá fragrâncias inspiradas pelos sons de álbuns como Ciclo (Philips, 1983), Âmbar (EMI-Music, 1996), Brasileirinho (Biscoito Fino, 2003) e Meus quintais (Biscoito Fino, 2014). Com curadoria de Bia Lessa, a exposição - aberta ao público a partir de hoje, 3 de julho de 2015 - celebra os 50 anos de carreira da cantora baiana sem didatismo ou a menor preocupação de informar quem desconhece a trajetória luminosa da artista. Em cartaz até 13 de setembro de 2015 no Paço Imperial, no Rio de Janeiro (RJ), Maria de todos nós expõe signos que remetem ao universo pessoal e profissional de Bethânia. Alguns, como a poltrona criada pelos Irmãos Campana para o evento com design que remete a uma casa de João de Barro, são de tradução difícil até para iniciados nesse mundo mítico da artista. Outros signos - como as imagens dos orixás, as receitas de comidas interioranas e a imagem de Nossa Senhora da Purificação - remetem de imediato às crenças de uma intérprete que sempre pôs fé no sincretismo religioso e nas modas e costumes de um Brasil caboclo. Repleta de referências desse Brasil rural, Maria de todos nós jamais decifra o enigma da esfinge-bruxa retratada pelo cartunista Ziraldo como uma maravilhosa feiticeira branca. A propósito, a obra The wonderful white witch sobressai entre tantas traduções de Bethânia, feitas tanto por fãs (no caso das fotos de shows) como por profissionais como o paulistano Fauzi Arap (1938 - 2013), diretor de shows emblemáticos da intérprete. É de Arap o texto A pedra filosofal (2011), exposto com destaque na ocupação que preenche todos os espaços do primeiro pavimento do Paço Imperial. A escritora Nélida Piñon também discorre sobre a magia do canto de Bethânia em texto lapidar. Mas é claro que, para os olhos, as obras visuais surtem maior efeito - caso do belíssimo óleo sobre tela Retrato de Bethânia (2014), do artista Mario Ferrante. Cabe destacar também a tela de 2014 em que o cartunista paulista Maurício de Souza desenha Bethânia com sua Turma da Mônica. Já a sala de fotos de shows - que poderia ser mais bem iluminada, estando demasiadamente escura - sensibiliza o espectador pela expressão da artista em cena. E impressiona negativamente pela imprecisão de um crédito em especial: a foto da capa do CD e DVD Carta de amor (Biscoito Fino, 2013), é atribuída a autor desconhecido e ao ano de 1977. Pequenas desatenções à parte, Maria de todos nós celebra Bethânia por olhares alheios. É exposição feita por gente e para gente que já conhece muito bem a trajetória da artista nessas cinco gloriosas décadas.  A Maria não é de todos.

Leoni faz 'Tocha acesa' e 'Estranha palavra' para disco de inéditas de Cazuza

Parceiro de Cazuza (1958 - 1990) e de Ezequiel Neves (1935 - 2010) em Exagerado (1985), hit e marco inicial da carreira solo de Cazuza, Leoni criou melodias para duas letras - sem datas - do baú do cantor e compositor carioca. Estranha palavra e Tocha acesa foram musicadas por Leoni para o disco produzido com letras inéditas deixadas por Cazuza. O time de intérpretes inclui Baby do Brasil, Bebel Gilberto (parceira e intérprete de Brazilian prayer, letra em inglês creditada ao ano de 1989), Caetano Veloso, Seu Jorge e Rogério Flausino, entre outros. O álbum vai ser lançado pela gravadora Sony Music neste segundo semestre de 2015,  lembrando os 25 anos da morte do artista.

Maglore enfatiza urbanidade pop em 'III', bem distante de sua origem baiana

Resenha de CD
Título: III
Artista: Maglore
Gravadora: Deck
Cotação: * * 1/2

 Com atitude roqueira e um apreço pela MPB, o Maglore nunca foi um grupo de axé. Mas havia uma baianidade nagô - melhor dizendo, uma urbanidade nagô - que identificava em seus álbuns anteriores a origem soteropolitana do grupo, atualmente reduzido a um trio. Álbum produzido por Rafael Ramos que marca a estreia do Maglore na gravadora carioca Deck, III enfatiza a urbanidade do grupo - já radicado em São Paulo (SP) - e explicita um sotaque pop que distancia a banda de sua baianidade, ainda que haja referências sutis ao Estado natal do Maglore quando uma música como Mantra (Teago Oliveira) fala em fita do Bonfim já no verso inicial. A questão é que o Maglore de III parece ser um Maglore bem diferente do álbum anterior Vamos pra rua (Independente, 2013). E não é somente porque o baixista Carlos Nery Leal e o tecladista Leo Brandão saíram do grupo, sendo que o posto de baixista passou a ser ocupado por Rodrigo Damati (músico atuante também como compositor). O fato é que III dilui a identidade do Maglore. Músicas como Ai ai (Teago Oliveira e Rodrigo Damati), Invejosa (Teago Oliveira, Rodrigo Damati, Felipe Dieder e Leo Brandão), Tudo de novo (Rodrigo Damati), Se você fosse minha (Teago Oliveira) - com ecos distantes do suingue de Jorge Ben Jor - e Dança diferente (Teago Oliveira) - sinalizam grupo sem uma marca forte na sonoridade (em que pese a produção eficaz de Rafael Ramos) e no repertório que sempre bebeu da fonte da MPB e do rock.  Algo se perdeu e se banalizou no som do Maglore...

Buchecha grava álbum 'all-star' que lembra 20 anos da dupla com Claudinho

Faz 20 anos que a dupla Claudinho & Buchecha emergiu, em 1995, no universo funk fluminense, conquistando na sequência o Brasil com seu funk melody de sotaque pop. Para lembrar esses 20 anos, Buchecha prepara álbum all-star com regravações de sucessos do funk, revividos pelo cantor e compositor fluminense na companhia de convidados como Adriana Calcanhotto, Lenine, Paula Toller e Paralamas do Sucesso, entre outros nomes simpatizantes do som da dupla, desfeita em 2002 com a morte de Cláudio Rodrigues de Matos (1975-2002), o Claudinho,  em acidente de carro.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Bruno Capinan lança 'single' e arquiteta álbum a ser produzido por Domenico

Cantor e compositor baiano radicado em Toronto, no Canadá, Bruno Capinan edita oficialmente na próxima segunda-feira, 6 de julho de 2015, o single Acalanto. De autoria de Capinan, a música foi lançada em 2010 como vídeo feito para o canal norte-americano de TV Bravo. Mas somente agora, cinco anos depois, Acalanto vai ser editado como single nas plataformas digitais, em escala mundial. Enquanto promove o single, já disponível para audição no portal SoundCloud, o artista já arquiteta o seu terceiro álbum, a ser produzido pelo compositor e baterista carioca Domenico Lancellotti. A edição do sucessor de Tudo está dito (Maravilha 8, 2014) já está prevista para 2016.

Álbum que devolveu o sucesso a Ben Jor, em 1969, é masterizado para vinil

Sexto álbum de Jorge Ben Jor, lançado em novembro de 1969, Jorge Ben está sendo masterizado por Ricardo Garcia, no Rio de Janeiro (RJ), para ganhar reedição na série Clássicos em vinil, da Polysom. Recheado de sucessos como País tropical, Que pena, Cadê Teresa?, Charles Anjo 45 e Bebete vãobora, o disco foi fundamental para restabelecer o cantor e compositor carioca no mercado fonográfico brasileiro, tendo marcado o retorno do artista à gravadora Philips. Há seis anos, Ben tinha estreado de forma retumbante no mundo do disco pela Philips com o álbum Samba esquema novo (1963), que lhe rendeu sucessos como Mas que nada e Chove chuva. Contudo, os álbuns subsequentes do artista obtiveram repercussão bem menor. Foi o Jorge Ben de 1969 que devolveu ao cantor a popularidade e o sucesso perdidos. Impulsionado pelo êxito de Jorge Ben, que parece um best of, o Zé Pretinho lançou série de álbuns fundamentais ao longo da década de 1970.

Letuce lança 'Lugar para dois', primeira música do terceiro álbum, 'Estilhaça'

O duo carioca Letuce - formado por Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos (em foto de Ana Alexandrino) - lança Lugar para dois, primeira música de seu terceiro álbum, Estilhaça. Parceria de Letícia e Lucas com o tecladista Arthur Braganti, Lugar para dois já está disponível para audição no portal SoundCloud em gravação produzida por João Brasil no estúdio YB. Mixada por Renato Godoy, a gravação traz Letícia Novaes na voz, Lucas Vasconcellos na guitarra, Fábio Lima no baixo, Arthur Braganti nos teclados e Thomas Harres na bateria.  O álbum Estilhaça sai até o fim do ano.

Naldo Benny prepara 'Mix', álbum de tom romântico que inclui Catra e Guimê

Mix é o título do álbum de estúdio que Naldo Benny planeja lançar neste segundo semestre de 2015. Além da já anunciada participação do rapper paulistano Mano Brown, o funkeiro carioca revelou que o disco vai ter também adesões de Mr. Catra, MC Guimê e de outros dois nomes ainda não divulgados pelo artista. Em Mix, o cantor e compositor apostará em repertório de tom mais romântico, diminuindo a dose de sensualidade normalmente embutida no seu cancioneiro funk pop.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Registro ao vivo do show de 50 anos de carreira de Francis sai em CD e DVD

Em 23 de novembro de 2014, Francis Hime subiu ao palco do Teatro Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para fazer o show de lançamento de seu álbum Navega ilumina (Selo Sesc, 2014) e, de quebra, celebrar 50 anos de carreira e 75 anos de vida. Na ocasião, a apresentação foi gravada ao vivo para gerar o CD (foto) e o DVD que a gravadora Biscoito Fino vai pôr no mercado fonográfico já neste mês de julho de 2015. Eis as (16) músicas incluídas no CD 50 anos de música:

1. Ilusão (Francis Hime, 2014)
2. Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981)
3. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
4. Maria da Luz (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 2014) - com Cristina Braga
5. Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Cristina Braga
6. Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
7. Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
8. Sessão da tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014)
9. Isabel - Fantasia para violino e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Claudio Cruz
10. Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
11. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
12. Breu e graal (Francis Hime e Thiago Amud, 2014)
13. Mistério (Francis Hime, 2014)
14. Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
15. Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
16. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014)

Edição em vinil de 'Estratosférica', disco de Gal, chega ao mercado este mês

Fabricada pela Polysom sob licença da gravadora Sony Music, a edição em vinil de Estratosférica - 33º álbum da discografia solo de Gal Costa - vai chegar ao mercado fonográfico neste mês de julho de 2015. A partir de 13 de julho, o vinil de 140 gramas de Estratosférica já vai estar nas lojas, custando cerca de R$ 80. A edição em vinil reproduz 12 das 14 músicas do CD. Eis - na ordem do LP - a disposição das 12 faixas na edição em vinil de Estratosférica,  o festejado álbum de Gal:

Lado A
1. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero)
2. Jabitacá (José Paes Lira, Junio Barreto e Bactéria)
3. Estratosférica (Céu, Pupillo e Junio Barreto)
4. Ecstasy (João Donato e Thalma de Freitas)
5. Dez anjos (Milton Nascimento e Criolo)
6. Espelho d'água (Marcelo Camelo e Thiago Camelo)
Lado B
1. Quando você olha para ela (Mallu Magalhães)
2. Casca (Jonas Sá e Alberto Continentino)
3. Por baixo (Tom Zé)
4. Amor, se acalme (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Cezar Mendes)
5. Anuviar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti)
6. Você me deu (Zeca Veloso e Caetano Veloso)

Gravação inédita feita por Cristiano Araujo para disco beneficente cai na rede

Começa a exumação da obra fonográfica de Cristiano Araújo (1986 - 2015), cantor e compositor sertanejo cuja morte - ocorrida em 24 de junho, em acidente de carro na rodovia BR-153 - ganhou na mídia dimensões maiores do que o real sucesso feito pelo artista goiano no universo pop sertanejo. Uma gravação inédita de Araújo - feita em abril deste ano de 2015 para o CD e DVD comemorativos dos 15 anos do projeto beneficente Direito de viver, idealizado para arrecadar fundos para o Hospital de Câncer de Barretos (SP) - já está sendo propagada na web. Inédita, a música se chama Mais uma vez e é de autoria do pai do artista (visto em foto de Rubens Cerqueira). A gravação da canção romântica foi feita em clima acústico, no estilo voz & piano. Com quatro minutos e sete segundos,  o registro da gravação já está em alta rotação no YouTube.

Arismar grava o CD 'Roda gingante' com inéditas e músicos radicados no Rio

O multi-instrumentista paulista Arismar do Espírito Santo - virtuose do baixo e de vários outros instrumentos - está gravando na cidade do Rio de Janeiro (RJ) um álbum de músicas inéditas de sua própria autoria. O disco se chama Roda gingante e tem lançamento previsto para este segundo semestre de 2015 pela gravadora Maritaca. A ideia de Arismar foi gravar um álbum com músicos radicados no Rio de Janeiro, mas que não nasceram na cidade. Fazem parte da banda recrutada para o CD o acordeonista gaúcho Bebê Kramer, o gaitista brasiliense Gabriel Grossi e o guitarrista uruguaio Léo Amuedo, em cujo estúdio caseiro o disco está sendo gravado. O repertório é formado por 11 temas e três vinhetas que costuram o repertório. Sucessor de Roupa na corda (Maritaca, 2013), o CD  Roda gingante é o 11º título da discografia do (polivalente) Arismar do Espírito Santo.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Retrô 2° trimestre de 2015: Duda, Gal, Lenine e Virgínia fazem 'discos do ano'

RETROSPECTIVA 2º TRIMESTRE DE 2015 - Diferentemente do primeiro trimestre do ano, período em que os shows foram mais marcantes do que os discos, o segundo trimestre deste ano de 2015 - encerrado hoje, 30 de junho - legou ao universo pop quatro álbuns espetaculares, perfeitos, que fizeram jus às cinco estrelas na avaliação de Notas Musicais e, por isso mesmo, já estão garantidos nas listas de melhores discos do ano. Três foram lançados em abril e um veio ao mundo em maio. Lançado em abril, Mama kalunga (Casa de Fulô Produções) reacendeu o fogo sagrado do canto da cantora baiana Virgínia Rodrigues, emanando orgulho negro e saudando os ancestrais numa trama que juntou tambores e cordas com maestria na produção capitaneada por Sebastian Notini e Tiganá Santana. Também lançado em abril, em edição inicialmente apenas digital, É (Independente) revelou e afirmou Duda Brack, jovem cantora gaúcha radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), como a grata revelação do ano. Sob a produção de Bruno Giorgi, Brack apresentou um disco (in)tenso, urgente, experimental, que passa pelo filtro do indie rock músicas identificadas com o universo da MPB. Lançado oficialmente em 30 de abril, Carbono (Universal Music) abriu e expandiu as parcerias e conexões de Lenine, fazendo o artista evoluir na atmosfera densa do álbum de inéditas autorais, em alquimia com seus pares. Bruno Giorgi, JR Tostoi e o próprio Lenine assinaram a produção do álbum em química perfeita. Por fim, em maio, Estratosférica (Sony Music) confirmou a alta expectativa depositada sobre o primeiro disco de estúdio de Gal Costa após o revigorante Recanto (Universal Music, 2011). O resultado foi um disco moderno, mais pop e menos radical na sonoridade eletrônica que ampliou as conexões da cantora baiana com a cena contemporânea. Sob a direção artística de Marcus Preto, personagem-chave do disco produzido por Moreno Veloso e Kassin, Gal deu voz a músicas de compositores como Arthur Nogueira, Céu, Jonas Sá, Junio Barreto, Lira, Mallu Magalhães, Marisa Monte e Tom Zé, entre outros nomes. O repertório de (alta) qualidade originou CD à altura do histórico fonográfico de Gal.

Poesia quente impede que Lira se perca no solo 'O labirinto e o desmantelo'

Resenha de CD
Título: O labirinto e o desmantelo
Artista: Lira
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 

Aos primeiros acordes de Desamar (Lira e Guri Assis Brasil), primeira música do segundo álbum solo de José Paes Lira, o ouvinte fica com a sensação de que vai ouvir um rock. Essa sensação até permanece ao longo da faixa. Contudo, O labirinto e o desmantelo jamais pode ser caracterizado como um disco de rock. É, sim, um disco que transita por caminhos cada vez mais universais e menos regionais, afastando Lira, o o pernambucano Lirinha, do som do grupo que o projetou, Cordel do Fogo Encantado. Apesar de eventuais referências regionais como a montanha que dá nome à bela Jabitacá (Lira, Junio Barreto e Bactéria), última das 11 músicas autorais do álbum, o cordel de Lira está cada vez mais urbano, quase pop. A propósito, a gravação de Jabitacá com Gal Costa - lançada no álbum Estratosférica (Sony Music, 2015) - é superior ao registro do autor, simplesmente porque a voz da cantora tem mais brilho para encarar a canção que remove montanhas psicodélicas para fazer uma declaração de amor. Aviso aos (intérpretes) navegantes: há outras boas músicas em O labirinto e o desmantelo à espera de cantores com artilharia vocal mais viçosa. Uma das seis parcerias de Lira com Pupillo, produtor do disco, Pra fora da terra é a mais bonita. O labirinto e o desmantelo destila poesia. Tanto que as melodias nem sempre acompanham as forças dos versos imagéticos de músicas como Odin (Lira e Pupillo), Nuvem (Lira e Vítor Araújo) e Mergulho (Lira). Versos como "Transformei a ferida / Numa orquídea de luz mineral" (de Ser, uma das parcerias de Lira e Pupillo) ou "Entra no espelho do meu quarto / Eu moro dentro de um relógio / Na torre do alto" (de Vasto, outra música de Lira e Pupillo) indicam combinações de referências como a poesia armorial, a prosa rimada dos cordelistas nordestinos e o discurso sentimental da canção popular. A poesia de O labirinto e o desmantelo é quente, como mostra a alta temperatura erótica de Filtre-me (Céu, Lira e Pupillo), música cantada por Pupillo em dueto com a cantora e compositora paulistana Céu, parceira no tema. Mas o som e o canto do artista soam amenos em contraste que alimenta o disco, mas, ao mesmo tempo indica que Lira parecia mais à vontade no ponto de fervura do Cordel do Fogo Encantado, algo que já detectado no anterior Lira (Independente,  2014), ligeiramente superior pelo tom mais melodioso e harmonioso.

Calcanhotto ceva o amargo da obra de Lupicínio em registro ao vivo de show

Adriana Calcanhotto vai lançar em julho de 2015, em edição da Sony Music, o registro ao vivo do show em que celebrou o centenário do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), em apresentação feita em Porto Alegre (RS), em dezembro de 2014. O CD Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues (capa à esquerda) alinha basicamente sucessos do compositor - conterrâneo da artista gaúcha - em repertório que surpreende em Cevando o amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini), toada gaúcha lançada em 1953 pelo conjunto vocal Farroupilha com o título de Amargo. Calcanhotto - vista em cena do show na foto maior, extraída de vídeo postado no YouTube - dá voz a sucessos Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950), Castigo (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1953), Ela disse-me assim (Vai embora) (Lupicínio Rodrigues, 1959), Esses moços (pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948), Felicidade (Lupicínio Rodrigues, 1947), Homenagem (Lupicínio Rodrigues, 1961), Judiaria (Lupicínio Rodrigues, 1971), Loucura (Lupicínio Rodrigues, 1953), Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947), Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952), Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948), Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins,1938), Vingança (Lupicínio Rodrigues,1951) e Volta (Lupicínio Rodrigues, 1957).

Dream Team do Passinho evolui na batida pop funk do álbum 'Aperte o play'

Resenha de CD
Título: Aperte o play
Artista: Dream Team do Passinho
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 

Movimento criado nos anos 2000, nos bailes e nas ruas das comunidades que têm o funk como trilha sonora preferencial, o Passinho é uma das traduções do pancadão que fala a língua da juventude que consome o gênero. Surgido em 2014, o Dream Team do Passinho - grupo formado por jovens do Rio de Janeiro (RJ) e da Baixada Fluminense (RJ) - foi atrás de seu sonho, materializado através de seu primeiro álbum, Aperte o play, lançado neste mês de junho de 2105 em edição da Sony Music. Precedido pelo sucesso do single De ladin (Rafael Mike, Rene, Breder e Lellêzinha), o álbum apresenta 12 músicas em meros 32 minutos, mostrando o suingue e a sintonia entre Diogo Breguete (morador da Favela da Cachoeirinha, situada no subúrbio carioca), Pablinho (egresso da Favela da Rocinha), Lellêzinha (cantora e atriz vinda da Zona Oeste do Rio de Janeiro, bendito fruto na formação masculina do quinteto), Hiltinho (morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense) e Rafael Mike (morador de Nova Iguaçu que já se radicou na cidade do Rio de Janeiro). No disco, o funk do grupo passa pelo filtro pop dos produtores Umberto Tavares e Mãozinha, os mesmos que formataram o som de Anitta para além do universo funk. Time que sonha (Mike, Breder, Breguete e Pablinho) e Quadradinho junto (Rafael Mike e Breder) sobressaem em repertório aditivado com boa dose de eletrônica, especialmente alta em Caracoles (Mike, Breder e Fernando Barcello), faixa de sons sintetizados. Batidas à parte, o discurso é jovem, feliz e desencanado. Batom com batom (Mike e Breder), por exemplo, recorre ao batidão para contar casos de duas meninas que se pegam no baile para inveja dos manos. A letra culmina com citação de verso d'O xote das meninas (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1953). Enfim, temas como A fila (Rafael Mike, Rene e Breder) dialogam com o universo dos jovens que curtem o passinho. E, no fim, entra em cena em Qual foi (Rafael Mike, Bolinho Fantástico, Diogo Breguete, Breder e Pablinho) até um baticum que evoca o samba de matriz africana. Enfim, há todo um polimento, uma maquiagem pop, no som ouvido no disco do Dream Team do Passinho. Mas Aperte o play tem seus méritos. É som de preto, de favelado, mas, quando toca, (quase...) ninguém vai ficar parado.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Eis a capa e o repertório de 'Meu ziriguidum', terceiro álbum de Aline Calixto

Com capa assinada por Formiga e Leonardo Cezário, o terceiro álbum da cantora carioca (de criação mineira) Aline Calixto, Meu ziriguidum, vai ser lançado em julho de 2015 por vias independentes. Com participações de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, além do rapper paulistano Emicida, o disco foi produzido por Paulo Sete Cordas com Thiago Delegado ao longo de 2014. O primeiro single do álbum, Papo de samba (Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flavinho Silva, 2001), já está em rotação em rádios voltadas para o samba. Eis, na ordem do CD, as 11 músicas do álbum Meu ziriguidum, o sucessor de Flor morena (Warner Music,  2011) na discografia de Aline Calixto:

1. Meu ziriguidum (Aline Calixto e Gabriel Moura)
2. No pé miudinho (Moacyr Luz e Délcio Luz) - com Zeca Pagodinho
3. Entre você e eu (Leandro Fregonesi)
4. Papo de samba (Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flavinho Silva, 2001)
5. Toda noite (Arlindo Cruz e Maurição) - com Arlindo Cruz
6. Ibamolê (Sérginho Beagá)
7. Musas (Arlindo Cruz e Rogê)
8. Pedreira (Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão)
9. Conto de areia (Romildo e Toninho Nascimento, 1974) - com Emicida

10. Lenda das matas (João Martins e Raul DiCaprio)
11. Eu sou assim (Serginho Beagá)

Russo grava Herivelto em álbum em tributo à Mangueira produzido por Rildo

Está em fase de produção, no Rio de Janeiro (RJ), um disco em tributo à escola de samba Estação Primeira de Mangueira. O álbum está sendo produzido e arranjado por Rildo Hora. Vários intérpretes estão gravando sambas em exaltação à Mangueira para o disco. O cantor e compositor carioca Leo Russo, por exemplo, pôs voz no samba Lá em Mangueira (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres),  lançado em 1942 nas vozes do Trio de Ouro.  O disco sairá ainda neste ano de 2015.

Otto alinhava o repertório de seu sexto disco solo de estúdio, 'Ottomatopeia'

Otto já alinhava o repertório inédito e autoral de seu sexto álbum solo de estúdio. O sucessor do álbum The moon 1111 (Deck, 2012) vai se chama Ottomatopeia. Uma das músicas do disco, Pode falar, cowboy, já está sendo tocada pelo cantor e compositor pernambucano nas apresentações do show da recém-estreada turnê Recupera, de caráter retrospectivo. A intenção de Otto - em foto de seu Instagram - é entrar em estúdio entre julho e agosto de 2015  para começar a gravar o CD.

Bethânia opta por gravar ao vivo show dos 50 anos em São Paulo em agosto

Maria Bethânia - em foto de Rodrigo Goffredo - optou por fazer na cidade de São Paulo (SP) a gravação ao vivo do espetáculo comemorativo de seus 50 anos de carreira. Embora o cronograma inicial da turnê nacional do show Abraçar e agradecer previsse para setembro de 2015, no Rio de Janeiro (RJ), o registro audiovisual do espetáculo, a gravação ao vivo vai ser efetivamente feita em 7 e 8 de agosto de 2015 em apresentações do show na casa paulista HSBC Brasil. CD e DVD serão lançados no mercado fonográfico ainda em 2015 pela gravadora Biscoito Fino. Clique aqui para ler a resenha do show Abraçar e agradecer, publicada em Notas Musicais  em 12 de janeiro de 2015.

domingo, 28 de junho de 2015

Eis a capa de 'Segredo', volume inicial de projeto de inéditas de Cássia Eller

♪ Esta é a capa de Segredo, primeiro volume de O espírito do som, projeto que intenciona trazer a público gravações inéditas de Cássia Eller (1962 - 2001) de forma progressiva. O primeiro volume alinha 10 gravações caseiras da cantora, trabalhadas a partir de registros descompromissados feitos pela cantora carioca em 1983, em Brasília (DF), e registrados em fita cassete. O cancioneiro do grupo inglês The Beatles domina o repertório. Eis, na ordem, as dez músicas de O espírito do som - Vol. 1 - Segredo - Cássia Eller em Brasília, CD distribuído pela carioca Coqueiro Verde Records:

1. Segredo (Luiz Melodia, 1975)
2. For no one (John Lennon e Paul McCartney, 1966)
3. Happiness is a warm gun (John Lennon e Paul McCartney, 1968)
4. Flor do sol (Cássia Eller e Simone Saback, 1982)
5. Ne me quitte pas (Jacques Brel, 1959)
6. Airecillos (Marluí Miranda, 1976)
7. Ausência (Ednardo, 1974)
8. Sua estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)
9. Good morning, heartache (Irene Higginbotham, Ervin Drake e Dan Fischer, 1946)
10. Golden slumbers (John Lennon & Paul McCartney, 1969)

Reedição em vinil do primeiro álbum de Gal chega efetivamente ao mercado

Embora anunciada em outubro de 2014 pela Polysom, a reedição em vinil do primeiro álbum solo da cantora baiana Gal Costa - Gal Costa, lançado originalmente no formato de LP no início de 1969 pela gravadora Philips - está efetivamente chegando ao mercado fonográfico neste mês de junho de 2015. Produzida sob licença da gravadora Universal Music, a reedição foi fabricada com vinil de 180 gramas. Relançado em LP dentro da coleção Clássicos em vinil, Gal Costa volta ao catálogo com as 12 músicas originais na mesma ordem. Eis, na disposição do LP, as 12 faixas de Gal Costa:

Lado A:
1. Não identificado (Caetano Veloso, 1969)
2. Sebastiana (Rosil Cavalcanti, 1953) - com Gilberto Gil)
3. Lost in paradise (Caetano Veloso, 1969)
4. Namorinho de portão (Tom Zé, 1968) - com Gilberto Gil)
5. Saudosismo (Caetano Veloso, 1968)
6. Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)
Lado B:
1. Vou recomeçar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)
2. Divino maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso, 1968)
3. Que pena (Ele já não gosta mais de mim) (Jorge Ben Jor, 1969) - com Caetano Veloso
4. Baby (Caetano Veloso, 1968) - com Caetano Veloso
5. A coisa mais linda que existe (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1968)
6. Deus é o amor (Jorge Ben Jor, 1969)

Cenário de Carvalho valoriza show em que Salmaso eleva Guinga e Pinheiro

Resenha de show
Título: Corpo de baile
Artista: Mônica Salmaso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de junho de 2015
Cotação: * * * * *
 Show em cartaz no Teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), até 28 de junho de 2015

A ruptura de Guinga com Paulo César Pinheiro, nos anos 1980, transformou a obra lapidar dos compositores cariocas em fonte abandonada. São músicas feitas nas décadas de 1970 e 1980 que, em parte, jazem em baú de joias a que a cantora paulistana Mônica Salmaso teve acesso há cerca de dez anos. Em 2014, parte do tesouro desse baú veio a público em álbum lançado pela gravadora Biscoito Fino, Corpo de baile, que logo se impôs como o melhor de Salmaso e como um dos melhores discos do ano passado por conta da perfeição das interpretações e dos arranjos assinados por Dori Caymmi, Luca Raele, Nailor Azevedo Proveta, Nelson Ayres, Paulo Aragão, Teco Cardoso e Tiago Costa. No show Corpo de baile, que chegou na noite de 27 de junho de 2015 à cidade do Rio de Janeiro (RJ) após estrear em São Paulo (SP), Salmaso bisa a perfeição do disco, dividindo o palco com a maior parte dos músicos e arranjadores do CD. Além da cantora, são nove músicos em cena: Teco Cardoso (nos sopros e na direção musical), Nailor Proveta (clarinete e saxofones), Paulo Aragão (violão), Nelson Ayres (piano e acordeom), Neymar Dias (contrabaixo e viola caipira) e os músicos que manuseiam com virtuosismo as cordas do Quarteto Carlos Gomes, formado por Adonhiran Reis (violino), Alceu Reis (cello), Cláudio Cruz (violino) e Gabriel Marin (viola). Para abrilhantar ainda mais a cena, um majestoso vídeo-cenário criado pelo cineasta Walter Carvalho - diretor de cinema que já havia trabalhado com a cantora no registro audiovisual do show Alma lírica brasileira que gerou o DVD editado em 2012 - engrandece o show com projeções veiculadas em tela de tule alocada à beira do palco, entre a cantora e a plateia. As imagens projetadas por Carvalho funcionam como telas que traduzem visualmente o universo das músicas do disco e que enquadram a cantora e os músicos dentro dessas telas, criando inebriantes efeitos visuais. É, de certa forma, como se o espectador estivesse assistindo a vários curtas-metragens com música tocada ao vivo. E a música em si é sublime. A obra de Guinga e Paulo César Pinheiro tem formato clássico que alude a um Brasil antigo cuja trilha sonora era formada por modinhas, valsas e canções. Mas, dentro desse formato tradicional, Guinga embute a modernidade de sua obra, plenamente entendida por Salmaso. Desde o primeiro número, o choro-canção Fim dos tempos (inédito até ser gravado em 2014 pela cantora em Corpo de baile), até o bis, dado com a modinha Senhorinha (1986), única das 15 músicas do roteiro ausente do disco por já ter sido gravada por Salmaso no álbum Voadeira (Eldorado, 1999), o que se vê e ouve é uma cantora em estado de graça, totalmente segura na interpretação de cancioneiro denso que exige rigor estilístico e técnica apurada. Salmaso jamais sai do tom, seja mergulhando no além-mar do fado Navegante (uma das seis inéditas que somente chegaram ao disco em Corpo de baile), no pântano de mágoas e solidão em que está imerso Bolero de Satã (1976), na tribo indígena de Curimã (2014), no universo afrancesado da valsa Nonsense (1989) e no salão vintage em que roda a valsa com ar de modinha Sedutora (2014), número em que sobressai o toque límpido do piano de Nelson Ayres. À vontade dentro do universo camerístico do show, Salmaso segue Procissão de padroeira (2010), marcha pelo Rancho das sete cores (2014) - guiada pelo arranjo e clarinete de Nailor Proveta - e se embrenha na floresta caipira em que Quadrão (1980) propaga ecos dos cancioneiros de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959)  no toque da viola caipira de Neymar Dias. O coco de passo embolado Violada (1992) também ressoa sons desse Brasil caboclo. No seu salão virtuoso, Mônica evolui majestosa e dá baile como cantora ao som de valsas como Noturna (1989) e Corpo de baile (2014). E tudo é sedutor, como sentencia verso da música-título do show. Valorizado pelo vídeo-cenário de Walter Carvalho, composto de retratos de um Brasil tão antigo quanto atemporal, todo o corpo de baile envolve o espectador neste show sublime - e memorável - de Mônica Salmaso.

'Senhorinha' é belo bônus do show em que Salmaso eleva Guinga e Pinheiro

Modinha dos compositores cariocas Guinga e Paulo César Pinheiro, lançada na voz do cantor fluminense Ronnie Von em gravação feita há 29 anos para a trilha sonora da primeira versão da novela Sinhá moça (TV Globo, 1986), Senhorinha ganhou a voz límpida de Mônica Salmaso em registro feito para o terceiro álbum da cantora paulistana, Voadeira (Eldorado, 1999). Por isso, Senhorinha não entrou no repertório do perfeito álbum em que Salmaso canta somente músicas da já extinta parceria de Guinga e Pinheiro, Corpo de baile (Biscoito Fino, 2014). Mas Senhorinha foi o precioso e sensível bônus do show Corpo de baile, que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 27 de junho de 2015, em apresentação que bisou a perfeição do disco e que embeveceu o público que encheu o Teatro Tom Jobim, onde Corpo de baile fica em cartaz até hoje, 28 de junho. Além de Senhorinha, Salmaso apresentou - com fidelidade aos arranjos sublimes do disco - as 14 músicas do álbum Corpo de baile. Eis o roteiro seguido em 27 de junho de 2015 por Mônica Salmaso - em foto de Mauro Ferreira - na estreia carioca de Corpo de baile, show de música elevada, engrandecido pelo belo vídeo-cenário criado pelo cineasta Walter Carvalho:

1. Fim dos tempos (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
2. Fonte abandonada (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2003)
3. Navegante (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
4. Bolero de Satã (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976)
5. Curimã (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
6. Nonsense (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
7. Sedutora (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
8. Rancho das sete cores (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
9. Quadrão (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1980)
10. Porto de Araújo (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
11. Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1989)
12. Violada (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1992)
13. Procissão da padroeira (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2010)
14. Corpo de baile (Guinga e Paulo César Pinheiro, 2014)
Bis:
15. Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986)

sábado, 27 de junho de 2015

Em transição, Mariene experimenta tempos de delicadeza no show 'Lindeza'

Resenha de show
Título: Lindeza
Artista: Mariene de Castro (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de junho de 2015
Cotação: * * * 1/2

Mariene de Castro está em processo de transição. Lindeza - show de entressafra, criado para manter a cantora em cena enquanto não se concretiza a gravação de seu terceiro projeto fonográfico audiovisual, previsto para ser registrado em Salvador (BA) no segundo semestre deste ano de  2015 - reflete esse momento transitório. É um show de formação inusitada na trajetória da cantora baiana nos palcos. Estão lá as percussões que sustentam os ritmos afro-brasileiros, mote do repertório original da intérprete. Mas está lá também um piano acústico, de cauda, tocado por Rafael Vernet. É somente com o toque do piano de Vernet que Mariene experimenta número de tom camerístico, entoando com correção Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957), canção de arquitetura clássica que refina o clima sentimental dos temas folhetinescos típicos da década de 1950 sem perda da intensidade. Em Lindeza, Mariene se permite experimentar tempos de delicadeza, ainda que o santo baixe com alguma força na parte final do show, deixando a cantora em casa com suas saudações aos orixás. Mas não é essa Mariene efusiva, calorosa, que domina a cena, sobretudo na primeira metade de Lindeza. Já no primeiro número, Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991), fica evidente que a cantora baixou intencionalmente os tons. Opção estética confirmada na música seguinte, Flor de ir embora (Fátima Guedes, 1990), canção lançada por Maria Bethânia há 25 anos. De certa forma, os versos de Fátima Guedes simbolizam o momento e o movimento artístico esboçado por Mariene em seu último álbum de estúdio, Colheita (Universal Music, 2014). Sem romper radicalmente com os sons de sua terra, Mariene está sendo movida pelo desejo de correr o mundo (musical) afora, amadurecendo aos poucos. O show Lindeza poderia até esticado esse movimento. Seu bloco inicial supõe um roteiro mais surpreendente do que efetivamente é o repertório deste show em que Mariene revisita sucessos da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983) - cuja obra abordou no CD e DVD Ser de luz - Homenagem a Clara Nunes (Universal Music, 2013) - e músicas de seus discos anteriores como Amuleto de sorte (Nelson Rufino, 2012) - cantado com gosto pela plateia - e o infalível Abre caminho (Roque Ferreira, J. Velloso e Mariene de Castro, 2004). O atrapalhamento da cantora com a letra de João Valentão (Dorival Caymmi, 1953) evidenciou sério momento de desconcentração da artista em número valorizado pelo floreio jazzy do baixo de Adalberto Miranda. Um medley com toadas e baiões da nação nordestina - partindo de Hora do adeus (Onildo de Almeida e Luiz Queiroga, 1966), lembrança do reinado de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), e culminando com Assum preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950) - mostrou que Mariene, fora da seara do samba de sua terra, tem mais facilidade para dominar o idioma sentimental dessas canções, como Dono dos teus olhos (Humberto Teixeira, 1956), sem cair no drama. Lindamente vestida com figurinos de Cris Cordeiro, a cantora abriu espaço - na hora de trocar de vestido - para o inebriante solo de percussão (conduzido pelo berimbau) de Marco Lobo que culminou com afetiva citação de Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) em ponte que ligou Bahia a Minas Gerais do imortal poeta Fernando Brant (1946 - 2015). Música inédita que Mariene já vem cantando em shows, desde a temporada de Colheita, Eu quero ir com você confirma a inspiração da emergente compositora paraibana Flavia Wenceslau, de quem Mariene já gravara o maracatu Filha do mar no álbum Tabaroinha (Universal Music, 2012). A canção é tão simples quanto bela, evocando o repertório romântico do compositor pernambucano Dominguinhos (1941- 2013) e se insinuando como hit assim que for promovida (a cantora já gravou a música e vai lançá-la com clipe). Na sequência final, Mariene voltou a cair no samba de sua terra com a manemolência e a ginga que a tornaram uma das mais destacadas intérpretes do gênero. Show que não chega a delimitar de fato novo ciclo na carreira de Mariene de Castro,  Lindeza aduba o terreno para colheitas mundo afora.

Mariene canta Dolores, Fátima Guedes e nova de Flavia no ciclo de 'Lindeza'

Cantora associada ao calor dos ritmos da Bahia, Mariene de Castro experimenta o que caracteriza como "novo ciclo" em Lindeza, show que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 26 de junho de 2015, em apresentação que seduziu o público que encheu o Theatro Net Rio para ver a cantora baiana dar voz a composições - recolhidas tanto em sua memória afetiva como em sua discografia - com formação musical inusitada para Mariene. Com o toque do piano acústico de Rafael Vernet, do baixo acústico de Adalberto Miranda e das percussões de Marco Lobo e Bóka Reis, Mariene cantou músicas como Flor de ir embora (canção de Fátima Guedes lançada por Maria Bethânia em álbum de 1990), Eu quero ir com você - inédita da compositora paraibana Flavia Wenceslau que vai ser lançada em breve por Mariene em gravação já alvo de clipe - e Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957), esta em número de tom camerístico que juntou a cantora somente ao piano de cauda de Vernet. Eis o roteiro seguido em 26 de junho de 2015 por Mariene de Castro - em foto de Rodrigo Goffredo - no palco do Theatro Net Rio, na estreia carioca de Lindeza, show transitório que debutou em Belo Horizonte (MG), em 5 de junho:

1. Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991)
2. Flor de ir embora (Fátima Guedes, 1990)
3. Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977) /
4. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
5. João Valentão (Dorival Caymmi, 1953)
6. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)
7. Hora do adeus (Onildo de Almeida e Luiz Queiroga, 1966) /
8. Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1973) /
9. Dono dos teus olhos (Humberto Teixeira, 1956) /
10. Assum preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950)
11. Ponto de Nanã (Roque Ferreira, 2007)
      - com citação de Cordeiro de Nanã (Tincoãs, 1973)

12. Ponto de Oxossi (tema tradicional de domínio público) /
13. Oxossi (Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, 2004)
14. Solo de Marco Lobo no berimbau
      - com citação de Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)

15. Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
      - Número instrumento em dueto de Marco Lobo com Rafael Vernet

16. Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957)
17. Eu quero ir com você (Flavia Wenceslau, 2015) - música inédita
18. Amuleto de sorte (Nelson Rufino, 2012)
19. Ilha de maré (Walmir Lima e Lupa, 1977)
20. Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944)
21. Abre caminho (Roque Ferreira, Jota Velloso e Mariene de Castro, 2004)
Bis:
22. Ijexá (Edil Pacheco, 1982)
23. Embala eu (Albaléria, 1979) /
24. Samba da minha terra (Dorival Caymmi, 1940) /

25. Flor da laranjeira (tema tradicional de domínio público) /
26. Ê baiana (Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio, 1971) /
27. Marinheiro só (Tema tradicional de domínio público) /
28. Canção da partida (Suíte dos pescadores) (Dorival Caymmi, 1957) /
29. Pontos de caboclo (Tema tradicional de domínio público)

Fernando Zor produz e arranja - sem músicos - música composta por MC Gui

A IMAGEM DO SOM - A foto de Lan Rodrigues mostra MC Gui (à esquerda) e o produtor Fernando Zor no FS Estúdios, em São Paulo (SP), durante a gravação de Sua história, música do álbum de Gui, nome artístico do cantor e compositor paulistano Guilherme Kaue Castanheira Alves. Zor - metade da dupla Fernando & Sorocaba - produziu a faixa para o jovem ídolo do gênero conhecido como funk ostentação. Composta por Gui, Sua história é homenagem do MC a seu irmão, Gustavo, falecido recentemente. É o próximo single do artista. Zor produziu e arranjou a música inteiramente no computador, sem a participação de músicos, apenas com beats eletrônicos.

Antonio Adolfo toca dez composições de sua obra no CD instrumental 'Tema'

Em atividade musical desde 1963, o pianista, arranjador e compositor carioca Antonio Adolfo iniciou, a partir de 1967, parceria com o compositor (também carioca) Tibério Gaspar. Dessa primeira fornada de composições com Gaspar, saiu Tema triste, registrado em disco na voz de Iracema Werneck, em 1968, um ano antes da gravação de Maysa (1936 - 1977). Decorridos quase 50 anos da composição da música, Adolfo apresenta Variações sobre Tema triste na última das dez faixas de seu 24º álbum, intitulado justamente Tema. Produzido e arranjado pelo próprio Antonio Adolfo para o mercado fonográfico dos Estados Unidos, mas com distribuição no Brasil sendo feita pela gravadora carioca Rob Digital, o CD Tema rebobina - no tom de jazz à moda brasileira que caracteriza o som de Adolfo - composições criadas pelo artista ao longo dessas suas mais de cinco décadas de trajetória musical. A seleção inclui Alegria for all (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar), Natureza (Antonio Adolfo e Xic Chaves) e Trem da serra (Antonio Adolfo), entre outros temas. O sopro de novidade vem da banda formada por Adolfo para tocar no disco e que inclui, além obviamente do próprio Adolfo, Armado Marçal (percussão), Claudio Spiewak (violão), Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (sax e flauta) e Rafael Barata (bateria e percussão). Com capa criada por Julia Liberati a partir de uma tela de Bruno Liberati, Tema é CD gravado nos Estados Unidos para ser consumido (primordialmente)  pelo público dos Estados Unidos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eis o roteiro da turnê de Caetano e Gil que, provavelmente, vai originar DVD

Caetano Veloso e Gilberto Gil estrearam na noite de ontem, 25 de junho de 2015, o show Dois amigos - Um século de música, calcado em suas vozes, obras e violões. A rota internacional da turnê - que chega ao Brasil a partir de agosto - foi iniciada em Amsterdam, nos Países Baixos. Embora nada tenha se falado (ainda) sobre o registro audiovisual da turnê, é provável que o show seja gravado ao vivo para dar origem a CD e DVD em 2016 ou mesmo ainda no fim deste ano de 2015. Caso o registro se concretize, o público que admira os dois cantores e compositores baianos - vistos no palco da sala Concertgebouw em foto postada na página de Caetano no Facebook - terá a oportunidade de ver e ouvir em casa um show centrado em sucessos da lavra dos artistas. Mas o roteiro também abre espaço para uma canção italiana  - Come Prima (Alessandro Taccani, Enzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957) - e um bolero de autoria do compositor cubano Osvaldo Farrés (1902 - 1985), Tres palabras, já presente no repertório de Gil. Sem falar no tema venezuelano Tonada de luna llena (Simón Díaz, 1973), gravado por Caetano no álbum em que abordou o cancioneiro latino-americano, Fina estampa (PolyGram, 1994). Eis o roteiro seguido por Caetano Veloso e Gilberto em 25 de junho de 2015, na cidade de Amsterdam, na estreia mundial da turnê do show Dois amigos, um século de música, com o qual eles celebram cinco décadas de carreira e amizade:

1. Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972)
2. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
3. Tropicália (Caetano Veloso, 1967)
4. Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967)
5. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
6. De manhã (Caetano Veloso, 1965)
7. Sampa (Caetano Veloso, 1978)
8. Terra (Caetano Veloso, 1978)
9. Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972)
10. Odeio (Caetano Veloso, 2006)
11. Tonada de luna Ilena (Simón Díaz, 1973)
12. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965)
13. Super homem, a canção (Gilberto Gil, 1979)
14. Come Prima (Alessandro Taccani, Enzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957)
15. Esotérico (Gilberto Gil, 1976)
16. Tres Palabras (Osvaldo Farrés, 1946)
17. Drão (Gilberto Gil, 1982)
18. Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1980)
19. Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972)
20. Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979)
21. São João Xangô Menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)
22. Nossa gente (Avisa lá) (Roque Carvalho, 1992)
23. Andar com fé (Gilberto Gil, 1982)
24. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
Bis
25. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993)
Bis 2:
26. O leãozinho (Caetano Veloso, 1977)
27. Domingo no parque (Gilberto Gil, 1967)

Krieger lança 'Xeque-mate', tema sobre aborto, e cogita EP com série social

♪ O cantor e compositor carioca Edu Krieger lançou hoje, 26 de junho de 2015, mais uma música inédita de sua autoria - de cunho social - em seu canal no YouTube. Gravada somente com  a voz e o violão de Krieger, a música se chama Xeque-mate e versa sobre a controvertida questão do aborto, sendo que, na letra de narrativa cinematográfica, o tema é correlacionado com assuntos igualmente espinhosos como tráfico de drogas, redução da maioridade penal e o envolvimento da religião na campanha contra a legalização do aborto. O artista - em foto de Natalia Voss - cogita lançar EP com todas essas músicas de tom sócio-político que vem jogando na rede nos últimos anos.

Dirigida por Roberta Sá, Ratto revisa obra em DVD que inclui Erasmo e Lucas

Já no mercado fonográfico, com realização do Canal Brasil e com distribuição da Coqueiro Verde Records, o primeiro DVD da cantora e compositora carioca Anna Ratto, Ao vivo, alinha 18 músicas captadas em apresentação feita por Ratto em 12 de fevereiro de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), sob a direção artística de Roberta Sá. No DVD, que tem direção geral de David Pacheco, a cantora rebobina músicas de seus três álbuns oficiais, canta Tom Zé - Se o caso é chorar (parceria do compositor baiano com Perna, lançada por Zé em 1972) e Frevo (Tom Zé e Tuzé de Abreu, 1972) - e recebe Erasmo Carlos para beber do suingue de Cachaça mecânica (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973). Outro convidado do vídeo é Lucas Vasconcelos, compositor e instrumentista do duo Letuce. Parceira de Lucas em Desalento, Ratto recebe o colega no registro de Eu não vou chorar por fora, tema da lavra solitária de Lucas. Nos extras, o DVD exibe o clipe da canção Nem sequer dormir (Anna Ratto, 2012), gravado com Roberta Sá na orla do Rio de Janeiro.

Hanna presta sua homenagem a João Gilberto com CD 'O amor é bossa nova'

Cantora nascida em Maceió (AL) e radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Hanna aproveitou os 84 anos completados por João Gilberto neste mês de junho de 2015 para lançar seu álbum em homenagem ao cantor baiano.  Produzido e arranjado por Dodô Moraes, sob a direção artística de Christine Valença, o CD O amor é bossa nova - Homenagem a João Gilberto alinha 16 músicas gravadas pelo cantor e violonista que redefiniu os  conceitos e os parâmetros da música brasileira a partir de 1958. A seleção de Hanna inclui Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962), Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), Menino do Rio (Caetano Veloso, 1979), Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), Nem eu (Dorival Caymmi, 1952), Bahia com H (Denis Brean, 1947) e Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967), entre outros standards de porte similar.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

'Estado de poesia' não altera consciência social de Chico em CD apaixonado

Resenha de CD
Título: Estado de poesia
Artista: Chico César
Gravadora: Chita Discos / Urban Jungle / Pommelo Distribuições / Lab Fantasma
Cotação: * * * *

Quando tudo era ausência, de discos e de amor, Chico César esperou. Até que encontrou a paraibana Bárbara Santos, paixão à primeira vista que inspirou parte do repertório de seu nono álbum solo, Estado de poesia, o primeiro disco de inéditas desde o inspirado Francisco, forró y frevo (Chita Discos e EMI Music, 2008). Represada em disco há sete anos, a produção autoral inédita do compositor se (re)apresenta com vigor, derramando na calda da maioria das 14 composições autorais a polpa da paixão, mote do disco gravado pelo cantor e compositor paraibano com músicos de sua terra natal e finalizado por Chico com o guitarrista austríaco Michi Ruzitschka, produtor do disco ao lado do próprio artista. Explicitado em músicas como Museu (Chico César), esse tom apaixonado já havia sido sinalizado pelo single Da taça (Chico César), lançado em 2 de junho de 2015. Embriagante, Da taça bebe da canção popular sentimental com leve toque de erotismo. Mas a canção que melhor traduz o estado inebriante da paixão é a música que dá título ao disco, Estado de poesia (Chico César), a belíssima canção lançada por Maria Bethânia no show Carta de amor (2012 / 2013), entranhada no oásis sertanejo do universo da intérprete que nos últimos anos mais tem dado a voz a Chico César, artista revelado há 20 anos com CD, Aos vivos (Velas, 1995), que jogou no mercado um repertório que provocou disputas entre cantoras. Estado de poesia é a única música já conhecida de um disco que derrama paixão sem cair na breguice. Feita na ponte amorosa que ligava Caracas (cidade da Venezuela onde Chico se encontrava na ocasião) e Aracaju (onde estava a musa Bárbara), Caracajus (Chico César) faz poesia com versos que mostram a alma apaixonada saindo pela boca ("Apalpo muito pouco a pouco / Palpos dos sonhos mais loucos"). Já Caninana (Chico César) - xote de guitarra e de pegada roqueira - expele um xêro no cangote, antídoto contra o despertar do sonho amoroso vivido ao som de um acordeom. Já o reggae A palavra mágica (Chico César) entra na batida de um coração de novela. Contudo, o estado de poesia amorosa de Chico César não altera sua consciência social e política. Iluminado pela musa que atravessa a cidade para lhe fazer cidadão, como poetiza no samba-rock à Jorge Ben Jor Atravessa-me (Chico César), mas também pela experiência de ter ocupado cargo público em João Pessoa (PB), o compositor dá seus toques sociais entre as 14 composições do disco com a mesma intensidade de sua paixão pela musa do álbum. Como um trovador à moda de Bob Dylan, Chico dispara ao longo de onze minutos - munido somente de sua voz e sua guitarra - as denúncias de Os reis do agronegócio (Chico César e Carlos Rennó), libelo contra a praga da agricultura sem controle de qualidade. Alberto (Chico César) é frevo frenético que alude poeticamente à homossexualidade do aeronauta mineiro Santos Dumont (1873 - 1932) em versos como "Alado qual borboleta / Na nuvem Alberto vai". Samba à moda do compositor paulista Adoniran Barbosa (1910 - 1982), cantado por Chico em dueto com o cantor Escurinho, No Sumaré dá rasante sobre a paisagem noturna atualmente povoada por cracudos paulistanos num dos corações da cidade. Mas há vida na morte. Parceria póstuma com o poeta tropicalista Torcuato Neto (1944 - 1972), gerada a partir de show feito pelo cantor em 2011, Quero viver exala vivacidade rítmica na pulsação forrozeira do Nordeste que gerou o poeta piauiense. Já Negão é reggae que não nega a raça nem o racismo disseminado como uma praga que dizima as plantações humanas. Chico divide a interpretação provocativa de Negão com o cantor baiano Lazzo Matumbi, mostrando como tentam negar a cor real do Brasil. Entre temas de formatação explicitamente pop, como Guru (Chico César), o artista celebra a beleza a e liberdade da vida em Miaêro (Chico César), tema que evoca as mornas de Cabo Verde. Em estado de paixão e plena musicalidade, Chico César volta ao mercado fonográfico com um ótimo disco dirigido aos vivos, aos que ainda se permitem entorpecer pelo estado de poesia sem se anestesiar face à vida e aos dilemas cotidianos.