sexta-feira, 22 de agosto de 2014

CD com registro inédito de show de Gal e Gil, em 1971, sai em setembro

♪ Já em pré-venda, o CD duplo Gilberto Gil & Gal Costa Live in London Nov 26th 1971 chega ao mercado fonográfico no início de setembro de 2014, via selo Discobertas, com o inédito registro ao vivo de show feito pelos cantores baianos Gillberto Gil e Gal Costa em 26 de novembro de 1971 no Student Centre da City University London, na Inglaterra, país europeu que acolheu o então exilado Gil e seu irmão de fé Caetano Veloso. A fita com a gravação do show - captado em estéreo - foi encontrada pelo produtor musical Marcelo Fróes em Londres, em 1998. Dezesseis anos após a discoberta, o áudio da fita chega ao mercado fonográfico, como CD duplo, com as devidas autorizações de Gil e Gal. Eis as músicas alocadas nas 18 faixas do álbum Gilberto Gil & Gal Costa Live in London Nov 26th 1971, um item de colecionador:

Disco 1
1. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)      
2. Sai do sereno (Onildo Almeida, 1965)      
3. Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971)      
4. Como dois e dois (Caetano Veloso, 1971)      
5. Dê um rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1971)      
6. Medley: A) Maria Bethânia (Caetano Veloso, 1971) /

                B) Bota a mão nas cadeiras (Tema tradicional)
7. Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1969)      
8. Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944)      
9. Acauã (Zé Dantas, 1952)      

Disco 2
1. Procissão (Gilberto Gil e Edy Star, 1967)      
2. Brand new dream (Gilberto Gil, 1971)      
3. Expresso 2222 (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil     
4. Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969)      
5. Sgt. Pepper's lonely hearts club band (John Lennon e Paul McCartney, 1967)
6. One o'clock last morning, 20th april, 1970 (Gilberto Gil, 1971)      
7. Oriente (Gilberto Gil) - Música então inédita de Gilberto Gil     
8. Up from the skies (Jimi Hendrix, 1967)      
9. Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinan, 1967)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Ivan Lins posta foto no Facebook em que anuncia edição de CD em breve

"Vem disco novo por aí. Aguardem!!!". Dessa forma, Ivan Lins revelou com foto postada em sua página oficial no Facebook que grava o sucessor do álbum Amorágio (Som Livre, 2012). Nessa foto, o cantor e compositor carioca aparece, no estúdio, ao lado do músico Marco Brito.

Levantamento mostra que Raul, morto há 25 anos, vive pela obra dos 70

 Os 25 anos da morte de Raul Seixas (28 de junho de 1945 - 21 de agosto de 1989) - completados hoje, 21 de agosto de 2014 - motivaram um levantamento do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) que mostra que a força do mito alimentado em torno do cantor e compositor baiano reside no cancioneiro composto e/ou gravado pelo Maluco Beleza ao longo dos anos 1970. Das 10 músicas mais regravadas do cancioneiro de Raul, nove foram lançadas ao longo da década de 1970 - período em que o artista atingiu seu auge comercial e artístico com a feitura de um rock de sotaque brasileiro e de aura mística que apontou afinidades entre Elvis Presley (1935 - 1977) e Luiz Gonzaga (1912 - 1989). A única exceção na lista é Cowboy fora-da-lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto), sucesso do penúltimo álbum de Raul, Uah-bap-lu-bap-lah-béin-bum! (Copacabana, 1987). A curiosidade é, dessas 10 músicas, duas não foram lançadas na voz de Raul, pois trata-se de canções compostas pelo artista para os cantores Diana e Balthazar e, intérpretes originais de Ainda queima a esperança (Raul Seixas e Mauro Motta, 1971) e Se ainda existe amor (Raul Seixas e Sandra Syomara, 1975). Eis as 10 músicas mais regravadas da obra de Raul Seixas e - na sequência - as 10 músicas mais tocadas desse cancioneiro, de acordo com o inédito levantamento do ECAD:

* As dez músicas de Raul Seixas mais regravadas:
1. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
2. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
3. Se ainda existe amor (Raul Seixas e Sandra Syomara, 1975)
4. Maluco beleza (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1977)
5. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973)
6. Ainda queima a esperança (Raul Seixas e Mauro Motta, 1971)
7. Tente outra vez (Raul Seixas, Mauro Motta e Paulo Coelho, 1975)
8. Como vovó já dizia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
9. O trem das sete (Raul Seixas, 1974)
10. Cowboy fora-da-lei (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1987)

* As dez músicas de Raul Seixas mais tocadas nos últimos cinco anos:
1. Maluco beleza (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1977)
2. Tente outra vez (Raul Seixas, Marcelo Motta e Paulo Coelho, 1975)
3. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973)
4. Aluga-se (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980)
5. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
6. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
7. Cowboy fora-da-lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1987)
8. O carimbador maluco (Raul Seixas, 1983)
9. Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1976)
10. Ainda queima a esperança (Raul Seixas e Mauro Motta, 1971)

Gravação de tributo a Raul junta no Rio artistas como Edy, Jeneci e Jerry

Projeto que desde 1992 gera eventos em homenagem ao cantor e compositor baiano Raul Seixas (1945 - 2014), O baú do Raul teve mais uma edição na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 19 de agosto de 2014. Artistas de diferentes estilos e gerações subiram ao palco da Fundição Progresso para participar da gravação ao vivo de CD e DVD a serem editados pela gravadora Som Livre ainda neste ano de 2014, a tempo de lembrar os 25 anos da morte do Maluco Beleza, completados hoje, 21 de agosto. Se o anterior CD / DVD Baú do Raul - Uma homenagem a Raul Seixas (Som Livre, 2004) priorizou os  sucessos do artista, o show deste ano de 2014 tirou do baú vários lados B da discografia do roqueiro, abrangendo músicas de todas as fases da carreira fonográfica de Raulzito. Eis as 24 músicas cantadas na Fundição Progresso sob a direção musical de Arnaldo Brandão pelo time eclético de intérpretes (alguns vistos na montagem de fotos de Washington Possato) escalado pela Som Livre para o show apresentado pela DJ Vivi Seixas, filha caçula de Raul, e realizado sob a direção de Dada Burger:

1. Você ainda pode sonhar (Lucy in the sky with diamonds) 
    (John Lennon e Paul McCartney, 1967, em versão em português de Raul Seixas, 1968)
    - Jerry Adriani e Os Panteras
2. Sessão das 10 (Raul Seixas, 1971) - Edy Star
3. Aos trancos e barrancos (Raul Seixas, 1971) - Zeca Baleiro
4. Rock das Aranhas (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Luiz Carlini
5. Aluga-se (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Digão (Raimundos)
6. Abre-te Sésamo (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) 
    - Philippe Seabra e Clemente (Plebe Rude)
7. No fundo do quintal da escola (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
8. Sapato 36 (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
9. Cowboy fora da lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1987)
    - Marcelo Jeneci (com Laura Lavieri)
10. Metrô linha 743 (Raul Seixas, 1984) - BNegão
11. Século XXI (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova
12. Rock'n'roll (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova
13. Pai Nosso da terra (Raul Seixas, Nasi e Ricardo Gaspa, 1993)
      - Nasi & Edgard Scandurra
14. As minas do Rei Salomão (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1973)
      - Nasi & Edgard Scandurra
15. Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1976) - Gabriel Moura
16. Quando acabar o maluco sou eu (Raul Seixas, Cláudio Roberto e Lena Coutinho, 1987)
      - Rick Ferreira & Cláudio Roberto
17. Se o rádio não toca (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Cachorro Grande
18. S.O.S. (Raul Seixas, 1974) - Baia
19. Loteria de Babilônia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Baia
20. DDI (Discagem direta interestellar) (Raul Seixas e Kika Seixas, 1994) - For Fun
21. Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - For Fun
22. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Ana Cañas
23. Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973) - Ana Cañas
24. Conserve seu medo (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1978) - Nação Zumbi

Camões apresenta 'Cupim', EP produzido (no Rio) por Bernardo Pauleira

Vocalista da banda Lusíadas, o cantor e compositor carioca Paulo Camões promove seu projeto solo Camões. O disco de estreia do Camões é o EP Cupim, produzido por Bernardo Pauleira. Gravado, mixado e masterizado de abril a junho de 2014, no Rio de Janeiro (RJ), o EP traz músicas como Bem estar, Cupim, Que nó, Segredo e Tá na cara - assinadas por Paulo Camões. O som do Camões é extraído da interação do violão e dos sintetizadores de Paulo com as programações e sintetizadores de Pauleira. Mas as músicas do EP Cupim foram gravadas com as participações do guitarrista Rodrigo Grabowsy e/ou do tecladista Pedro Calloni. Na web.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Com 'Amigos imaginários', Anelis joga conversa dentro e firma seu estilo

Resenha de CD
Título: Amigos imaginários
Artista: Anelis Assumpção
Gravadora: Scubidu Records
Cotação: * * * *

"Oi, tudo bem? (...) Eu tô aqui pra jogar conversa dentro. Você tá com tempo? Eu tô aqui...", se coloca à disposição Anelis Assumpção, por meio de versos de Cê tá com tempo? (Anelis Assumpção), uma das doze inéditas músicas autorais de seu segundo álbum solo, Amigos imaginários. Já na faixa que abre o disco, disponível para download gratuito e legalizado no site oficial da artista, a cantora e compositora paulistana convida o ouvinte a entrar no universo desse álbum que firma sua carreira solo e seu estilo autoral. Como o lançamento de Song to Rosa (Anelis Assumpção), canção levada no ritmo veloz do ska, já havia sinalizado em junho, o disco reedita o alto nível de inspiração de seu antecessor Sou suspeita Estou sujeita Não sou santa (Scubidu Records, 2011). Gravado entre fevereiro e maio deste ano de 2014, com produção dividida entre Anelis, Bruno Buarque (bateria), Cris Scabello (guitarra), MAU (baixo) e Zé Nigro (teclados), Amigos imaginários tem forte tempero latino, mas extrapola ritmos e latitudes. Tal tempero é detectado já na levada da segunda faixa, Eu gosto assim (Anelis Assumpção), e no acento cubano de Inconcluso (Anelis Assumpção), abolerada balada cantada em espanhol e aditivada com toque de reggae. Parte do molho do CD, aliás, vem da Jamaica. Temas como Mau juízo estão imersos no universo dub. Devaneios cai no suingue com a voz rapeada do cantor e compositor baiano Russo Passapusso, parceiro de Anelis na ótima composição. Já Minutinho - parceria de Anelis com Alzira E., arrudA (poeta que tem feitos boas conexões musicais com a cena paulista contemporânea) e Jerry Espíndola - é rock que figura entre os grandes momentos do CD. Também há algo de rock (e de samba...) - mas no sentido mais heterodoxo dos dois gêneros - em Declaração, música turbinada com as guitarras personalíssimas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Músico fundamental na atual cena musical paulistana, Dinucci é parceiro de Anelis na composição, feita com a adesão de Céu. Como ressalta apropriadamente a colega Tulipa Ruiz no atento texto que escreveu para apresentar o CD, Amigos imaginários é um disco de bando que tem um som de banda, formada pelos produtores do álbum com a adesão de Edy Trombone e de músicos eventuais que tocam em uma ou outra faixa. A sonoridade antenada valoriza músicas em si menos envolventes, como Por quê? (Anelis Assumpção). E esse som parece organizado, preciso, servindo bem a Toc toc toc (Anelis Assumpção) - outra música que sobressai menos no conjunto da obra - e a Deuso deusa (Anelis Assumpção), tema de base percussiva que fecha com aura meio sagrada Amigos imaginários, álbum em que Anelis Assumpção joga conversa dentro com boas letras e músicas.

Pitty anuncia a edição do livro 'Cronografia', fotobiografia de sua carreira

 Nem bem começou a turnê nacional do show Sete vidas, baseado em seu homônimo quarto disco solo de estúdio, Pitty anunciou a edição de seu primeiro livro. No mercado a partir do início de setembro de 2014, Cronografia: uma trajetória em fotos é - como já anuncia o título do livro - fotobiografia que reconstitui os principais passos da vida e da carreira da artista baiana. Em 160 páginas, Cronografia entrelaça textos escritos pela própria Pitty com centenas de imagens, algumas assinadas por fotógrafos como Caroline Bittencourt, Jorge Bispo, Otavio Sousa, Rui Mendes e Sora Maia. Há também fotos antigas do arquivo pessoal de Priscilla Novaes Leone, que iniciou sua trajetória musical ainda adolescente, no universo do hardcore e do punk, tendo integrado as bandas Inkoma (como vocalista) e Shes (como baterista). Cronografia expõe imagens de todas as fases da carreira da cantora e compositora.

Masterizado na Alemanha, segundo CD de Alice tem Caetano e Marcinho

Grata revelação da música brasileira nos anos 2010, a cantora e compositora carioca Alice Caymmi aprontou seu segundo álbum. Masterizado na Alemanha, o sucessor do autoral Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012) traz no repertório duas músicas do compositor baiano Caetano Veloso. Uma é Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972). Menos autoral do que seu antecessor, o segundo disco de Alice - vista em foto extraída de seu Instagram - traz também na ficha técnica o nome do funkeiro carioca MC Marcinho. O álbum deve sair até o fim do ano.

5 a Seco costura referências da música pop brasileira no bom 'Policromo'

Resenha de CD
Título: Policromo
Artista: 5 a Seco
Gravadora: Edição independente do artista 
Cotação: * * * 1/2

"No badauê / Tristan tzara / Pirou no dadá / Ou endoidou". Tirada de onda com os termos inventivos de algumas letras da música brasileira, a canção Eu amo Djavan (Tó Brandileone e Ricardo Teté) - uma das 14 músicas inéditas do primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano 5 a Seco, Policromo - enfileira palavras estranhas ouvidas em hits de nomes com Caetano Veloso, Chico César, Maria Gadú e a dupla Toquinho & Vinicius ao mesmo tempo em que dá a pista das influências e referências utilizadas pelo quinteto na composição de seu repertório autoral. Álbum gravado em São Paulo (SP) de 25 de fevereiro a 12 de março de 2014, com patrocínio obtido no projeto Natural Musical, Policromo confirma a sintonia de Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni com o universo musical  da MPB dos anos 1970 e - sobretudo - com a música pop brasileira mais contemporânea que também bebeu na fonte da MPB e que se impôs a partir dos anos 1990. É nítida, por exemplo, a influência da obra do compositor pernambucano Lenine na arquitetura da canção que abre o disco, Épocas (Pedro Viáfora), e em menor grau em Geografia sentimental (Leo Bianchini e Vinicius Calderoni). E não é por acaso que o 5 a Seco estabelece conexão com outro expressivo nome da geração de Lenine, Lula Queiroga, parceiro de Tó Brandileone na apaixonada e delicada canção Ninguém nem eu. Só que o 5 a Seco não reabre o pano do passado. Confiada a Alê Siqueira, a produção de Policromo recusa ares nostálgicos e cria sonoridade que se afina com os dias de hoje, embora distante da estética da cena contemporânea paulistana. De todo modo, uma canção como Você  e eu (Pedro Altério e Rita Altério) ecoa referências de Caetano Veloso e Chico César. Já Nhem tchum sobressai pela engenhosa letra verborrágica de Celso Viáfora, parceiro de Leo Bianchini no tema que lista (im)possibilidades mais prováveis do que a morena mais difícil cair na rede do protagonista da canção. Também verborrágica, Fiat lux (Vinicius Calderoni) é música tensa que tangencia a forma do canto falado sem emular clichês do hip hop e que expõe a ligeira superioridade de Vinicius Calderoni sobre seus colegas na arte da composição. De todo modo, Policromo tem o mérito de ser um disco coeso que investe na canção. A sonoridade urdida pelo produtor Alê Siqueira com unidade contribui para o êxito do disco, mas parece posta sobretudo a serviço de canções como Vem e vai (Tó Brandileone e Vinicius Calderoni) e O sonho (Pedro Altério e Tó Brandileone). São músicas que, a exemplo da funkeada e sincopada Festa de rua (Leo Bianchini, Pedro Altério e Pedro Viáfora), reprocessam elementos da MPB e do pop nativo na busca de identidade artística própria, pessoal. "Escuto histórias das estrelas / Enquanto recolho ideias que / Repousam ao rés do chão", dizem versos de Não tem paz (Vinicius Calderoni), outra expressiva música de Calderoni calcada nas tensões contemporâneas. Mesmo sem impressionar, Policromo confirma a boa expectativa gerada por Ao vivo no Auditório Ibirapuera (Independente, 2012), o combo duplo de CD e DVD que apresentou o 5 a Seco ao mercado fonográfico há dois anos. O bom nível do repertório é o mesmo, sinalizando que o quinteto ama não somente Djavan, mas também Lenine, Chico César e outros nomes que pavimentaram a estrada da música brasileira trilhada pelo 5 a Seco.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Indústria do disco ignora centenário de nascimento de Aracy de Almeida

 Hoje faz 100 anos que nasceu Araci Teles de Almeida (19 de agosto de 1914 - 20 de junho de 1988), a cantora carioca conhecida como Aracy de Almeida. O silêncio da indústria fonográfica brasileira em relação ao centenário de nascimento dessa que foi uma das mais expressivas cantoras brasileiras dos anos 1930, 1940 e 1950 diz muito sobre o Brasil e sobre a própria indústria do disco. Sequer há uma coletânea nos planos das companhias fonográficas para celebrar e reviver a voz de Aracy, cantora que gravou discos com regularidade, entre 1934 e 1960, com os selos da Columbia, Victor, Odeon, Continental, Polydor e Elenco. Injusto, o silêncio de gravadoras multinacioanis como Sony Music, Warner Music e Universal Music - herdeiras da discografia de Aracy - talvez possa encontrar explicação somente no fato de que a artista ainda é mais lembrada - quando é lembrada - como a jurada feia e ranzinza do Show de calouros, quadro do programa dominical do apresentador de TV Silvio Santos que deu popularidade a Aracy nos anos 1970 e 1980. Mas a cantora é bem mais importante e menos folclórica do que a jurada. Cantora da época dos discos de 78 rotações por minuto, Aracy lançou poucos álbuns. E quase todos, a exemplo do belo O samba em pessoa (Polydor, 1958), trouxeram no título a palavra samba. O samba foi mesmo dominante na discografia de Aracy de Almeida, mas cabe ressaltar que a Dama do Encantado foi muito mais do que a voz dos sambas do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937). A obra de Aracy de Almeida extrapola a de Noel Rosa. É uma das mais perfeitas traduções da música do Brasil da fase pré-bossa nova.

Gil vai gravar ao vivo o show 'Gilbertos samba' em setembro, em Niterói

Gilberto Gil agendou a gravação ao vivo do show Gilbertos samba para 1 e 2 de setembro de 2014, em duas apresentações no Teatro Municipal de Niterói, situado no centro da cidade fluminense de Niterói (RJ). O DVD do show vai ser filmado sob a direção do cineasta Andrucha Waddington. Estreado em abril, no Rio de Janeiro (RJ), o show Gilbertos samba é inspirado pelo disco homônimo em que Gil aborda o repertório do cantor baiano João Gilberto. Clique aqui para (re)ler a resenha do show e clique aqui para (re)ler a resenha do perfeito CD de Gil.

Casuarina entra no passo de Caymmi em CD gravado em estúdio no Rio

Previsto para ser lançado em outubro de 2014, em edição da Superlativa, o sexto álbum do grupo carioca Casuarina é o registro de estúdio do show 100 anos de Caymmi. Idealizado para festejar o centenário de nascimento do cantor, compositor e violonista baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), o show estreou na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em maio de 2014. Na sequência da estreia, ainda em maio, Daniel Montes (violão de sete cordas), Gabriel Azevedo (pandeiro e voz), João Cavalcanti (tantã e voz), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais) entraram no estúdio carioca Tenda da Raposa para gravar o disco intitulado No passo de Caymmi. Criado e produzido pelo próprio Casuarina, o CD reproduz em estúdio os arranjos criados por Daniel Montes e João Fernandes para o show. O disco - o primeiro gravado pelo quinteto sem overdubs, músicos convidados e gravadora - apresenta 19 músicas do cancioneiro de Caymmi lançadas entre 1939 e 1994. Três - Suíte dos pescadores (1957), Oração de mãe menininha (1972) e Maricotinha (1994) - figuram como vinhetas. Eis, na ordem do CD, as 19 músicas gravadas pelo grupo Casuarina no álbum No passo de Caymmi:

1. Suíte dos pescadores (1957)
2. Você já foi à Bahia? (1941)
3. Peguei um ita no Norte (1945)
4. Saudade da Bahia (1957)
5. Dora (1945)
6. Maricotinha (1994)
7. É doce morrer no mar (1941) - Parceria com Jorge Amado
8. O bem do mar (1954)
9. Lá vem a baiana (1947) / O que é que a baiana tem? (1939)
10. Requebre que eu dou um doce (1941)
11. João Valentão (1953)
12. Oração de Mãe Menininha (1972)
13. Saudade de Itapoã (1948)
14. Marina (1947)
15. Só louco (1955)                  
16. A vizinha do lado (1946)
17. Sábado em Copacabana (1951) - Parceria com Carlos Guinle
18. Maracangalha (1956)

Segundo bom álbum de Vital Farias, 'Taperoá', ganha reedição via Kuarup

Cantor e compositor paraibano, revelado em 1976 quando a cantora Marília Barbosa deu voz à sua canção Caso você case em gravação propagada na trilha sonora da novela Saramandaia (TV Globo, 1976), Vital Farias também engrossou a corrente migratória que deslocou artistas nordestinos para as cidades de Rio de Janeiro (SP) e São Paulo ao longo da década de 1970. Contudo, ao contrário de conterrâneos como Elba Ramalho e Zé Ramalho, Vital Farias acabaria ganhando mais projeção como compositor do que cantor - talvez pela voz menos imponente do que as de seus colegas. Mesmo assim, Vital gravou e lançou álbuns relevantes entre a segunda metade dos anos 1970 e o início da década de 1980, antes de formar com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai o quarteto do show Cantoria, eternizado em discos editados pela gravadora Kuarup a partir de 1984. Um desses álbuns da carreira solo de Farias - Taperoá (Epic / CBS, 1980) - acaba de ganhar reedição em CD pela mesma Kuarup. Trata-se do segundo álbum do artista. Batizado com o nome da interiorana cidade em que Vital veio ao mundo, em 23 de janeiro de 1943, Taperoá apresentou no repertório - quase inteiramente autoral - canções como Pra você gostar de mim, Repente paulista (exemplo da ótima influência exercida pelos cantadores nordestinos na obra de Farias) e a carnavalesca Nave mãe. No disco, produzido pelo próprio Vital Farias e dedicado à sua mãe Olívia Farias, o cantautor também dá voz a Veja (Margarida), canção - gravada naquele mesmo ano de 1980 por Elba Ramalho no álbum Capim do vale (Epic / CBS, 1980) - que se tornaria um dos maiores hits da obra do compositor. A capa da reedição em CD de Taperoá é a mesma do bom LP original lançado há longos 34 anos.

Diogo honra sobrenome em CD em que Hamilton expande a bossa negra

Resenha de CD
Título: Bossa negra
Artistas: Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * *

"Toca o tambor, meu bandolim / Com esse canto na avenida / É bossa negra até o fim", brada Diogo Nogueira, com convicção, no refrão de Bossa negra (Hamilton de Holanda, Marcos Portinari e Diogo Nogueira), magnetizante samba que dá título ao projeto que une o cantor e compositor carioca ao bandolinista também carioca (de criação brasiliense) em disco que injeta sangue novo no samba ao se voltar sem saudosismo para o passado do gênero, formado pela miscigenação do povo brasileiro. No mercado fonográfico a partir de hoje, 19 de agosto de 2014, o CD Bossa negraupgrade na discografia de Diogo Nogueira, cantor que vinha desperdiçando sua evolução vocal ao pisar no pantanoso terreno do pagode populista de tom romântico-sensual. O sangue novo vem da interação do toque percussivo do bandolim magistral de Hamilton com a percussão de Thiago da Serrinha e o baixo de André Vasconcellos. O bandolim se mete na cozinha para dar forma a um repertório valorizado pelo ineditismo e pela inspiração das sete músicas compostas por Hamilton com Diogo e/ou com eventuais parceiros como Marcos Portinari, um dos idealizadores - ao lado da dupla e do empresário Afonso Carvalho - deste projeto nascido da afinidade que brotou instantaneamente entre Hamilton e Diogo em show feito de improviso em Miami (EUA) em 2009. Parceria de Hamilton com Thiago da Serrinha que confirma a alta qualidade do repertório inédito, é embasada pela percuteria - nome dado ao arsenal de percussões manuseadas por Thiago - mas  é o bandolim de Hamilton que cria a centelha da renovação, como mostra a abordagem de Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993), tema adequado a disco que evoca a ancestralidade do samba com inspiração primordial nos afro-sambas compostos por Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Os clássicos desse gênero formatado nos anos 1960 guiaram João Nogueira (1941 - 2000) e Paulo César Pinheiro na composição de Salamandra, inédita da dupla que valoriza Bossa negra, reconectando Diogo às suas origens familiares e musicais. Bossa negra é um disco que revolve raízes com olhar contemporâneo. Se Bicho da terra (Diogo Nogueira, Bruno Barreto, Wallace Perez e Hamilton de Holanda) faz ecoar o lamento do povo de lá, evidenciando a crescente segurança de Diogo como cantor, o samba Brasil de hoje (Hamilton de Holanda, Arlindo Cruz, Marcos Portinari e Diogo Nogueira) exalta país em que o lixo e o luxo andam juntos e misturados em terra à eterna espera de um amanhã que não chega. O coro infantil que entra no fim da faixa é o símbolo dessa esperança. Faixa que anunciou o disco Bossa negra em novembro de 2013 ao ser disponibilizada para audição no site oficial do projeto, O que é amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho) - samba lançado em 2007 por Arlindo Cruz e Maria Rita nos respectivos álbuns Sambista perfeito (Deck) e Samba meu (Warner Music) - exemplifica a sintonia que rege o encontro de Diogo com Hamilton. A química é tão boa que faz com que um samba menos arrebatador como Mais um dia (Hamilton de Holanda, Marcos Portinari, Diogo Nogueira, André Vasconcellos e Thiago da Serrinha) soe mais sedutor do que realmente seria se gravado de forma mais convencional. Já Doce flor (Hamilton de Holanda, Marcos Portinari, Diogo Nogueira, André Vasconcellos e Thiago da Serrinha) desabrocha no disco com suavidade - evidenciando a base segura dos tambores de Thiago da Serrinha - e prepara o clima íntimo para abordagem do magoado samba-canção Risque (Ary Barroso, 1952). Ainda na seara das regravações, Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975) reabre o pano do passado - evidenciando o suingue do toque do bandolim de Hamilton, solista de parte da melodia - em conexão com momento mais recente do samba, representado pela lembrança do Samba de Arerê (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Mauro Jr., 1999). Na sequência, Mundo melhor (1962) é sagaz reminiscência da bissexta parceria do seminal Pixinguinha (1897 - 1973) - pioneiro mestre que evidenciou a partir da década de 1910 a bossa negra naturalmente entranhada no samba de tom afro - com Vinicius, o poeta arquiteto dos afro-sambas dos anos 1960. No fim, inédita e moderna canção de tom praieiro, Até a volta (Hamilton de Holanda, Marcos Portinari e Diogo Nogueira), logo remete ao universo do centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008), ampliando as conexões de Bossa negra, grande CD que faz Diogo Nogueira honrar seu sobrenome enquanto reitera a maestria renovadora de Hamilton de Holanda, mestre na expansão dessa bossa negra.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Compilação 'Estação Lapa' transita por diversos trilhos do samba carioca

Criado pela gravadora Biscoito Fino em 2012 para concentrar discos de artistas que fazem samba à moda carioca e que estão associados em maior ou menor grau ao circuito de samba e choro do boêmio bairro da Lapa, situado no Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o selo Da Lapa Música inspirou a produção da recém-lançada coletânea Estação Lapa, de título idêntico à compilação já editada pela gravadora carioca Deck em dois volumes. A coletânea da Biscoito Fino rebobina 15 fonogramas de artistas em sua maioria ligados ao samba carioca, priorizando nomes recorrentes nas casas de shows da Lapa - casos de Ana Costa, Casuarina, Marcos Sacramento, Nilze Carvalho, Moyseis Marques, Orquestra Imperial e Wilson das Neves. Mas a seleção eventualmente sai dos trilhos da Lapa e do samba, como na faixa Dama do cassino (Caetano Veloso, 1988), solada pela cantora mineira (de criação baiana) Jussara Silveira no CD do trio Três Meninas do Brasil, formado por Jussara com Rita Benneditto (então Rita Ribeiro) e Teresa Cristina. Eis as 15 gravações enfileiradas na compilação Estação Lapa, do selo Da Lapa:

1. Sem compromisso (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro) - Orquestra Imperial
    Faixa do CD Orquestra Imperial ao vivo
2. Brasão de Orfeu (Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves) - Wilson das Neves
    Faixa do CD Brasão de Orfeu

3. Vaso ruim (Diego Zangado e Gabriel Azevedo) - Casuarina
    Faixa do CD Certidão
4. Dama do cassino (Caetano Veloso) - Jussara Silveira
    Faixa do CD Três Meninas do Brasil

5. Tive sim (Cartola) - Luiz Melodia
    Faixa do CD Estação Melodia ao vivo
6. Pra que discutir com madame? (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa) - Elza Soares
    Faixa do CD Beba-me

7. Samba dos passarinhos (Moacyr Luz e Sereno) - Moacyr Luz e Martinho da Vila
    Faixa do CD Batucando
8. Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro) - Nilze Carvalho
    Faixa do CD O que é meu

9. As coisas que mamãe me ensinou (Leci Brandão e Zé Maurício) - Ana Costa
    Faixa do CD Hoje é o melhor lugar
10. Bicho do mato (Edu Krieger e Moyseis Marques) - Moyseis Marques e Leila Pinheiro
      Faixa do CD Pra desengomar

11. São Gonça (Seu Jorge) - Farofa Carioca
      Faixa do CD Farofa Carioca ao vivo na Lapa

12. Entretanto (Mart'nália e Mombaça)
      Faixa do CD Minha cara

13. Recado (Gonzaguinha) - Maíra Freitas
      Faixa do CD Maíra Freitas
14. A volta do malandro (Chico Buarque) /
      Largo da Lapa (Wilson Baptista e Marino Pinto) - Marcos Sacramento
      Faixa do CD A Modernidade da tradição

15. Tinindo trincando (Moraes Moreira e Galvão) - Empolga às 9
      Faixa do CD Empolga às 9

Lulu finaliza álbum de inéditas em que faz conexões com Catra e Memê

A foto acima flagra Lulu Santos em estúdio com o funkeiro carioca Mr. Catra na gravação de música do próximo álbum de inéditas do cantor e compositor carioca, Luiz Maurício, previsto para ser lançado neste segundo semestre de 2014. No disco, já gravado e masterizado, Lulu refaz sua conexão com o DJ Marcelo Mansur, o Memê, retomando a bem-sucedida parceria iniciada há 20 anos com o lançamento do álbum Assim caminha a humanidade (BMG-Ariola, 1994), ao qual se seguiu Eu e Memê, Memê e eu (BMG-Ariola, 1995). Em Luiz Maurício, disco de inéditas distinto do álbum autoral gravado em 2011 mas nunca lançado por esse habilidoso artesão do pop brasileiro, Lulu dá voz a músicas como Efe-se, Fogo amigo, Lava-jato e Sócio do amor (esta já cantada em shows e lançada em single digital). O repertório inclui dois temas instrumentais, Drones e blueseado, e remixes de músicas como Sócio do amor e Luiz Maurício.

Faixas de discos de festivais valorizam coletânea de raras dos Mutantes

Resenha de CD
Título: Mande um abraço pra velha
Artista: Os Mutantes
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

Compilação embalada na caixa Os Mutantes, posta nas lojas neste mês de agosto de 2014 pela Universal Music com reedições dos seis álbuns gravados pelo grupo paulistano na formação com Rita Lee, Mande um abraço pra velha reúne 13 gravações avulsas da discografia do trio. O supra-sumo da coletânea - produzida pelo pesquisador Rodrigo Faour e já à venda no iTunes - reside nas faixas extraídas de raros discos de festivais. É o caso do registro ao vivo de Ando meio desligado (Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista e Sérgio Dias), oriundo do LP IV Festival internacional da canção popular - Fase nacional, lançado pela Philips em 1969, um ano antes do lançamento do terceiro álbum do grupo, batizado com o nome da música. Ando meio desligado também reaparece na compilação em pouco ouvido registro de estúdio, editado em compacto no mesmo ano de 1969. Híbrido de rock e samba, a música-título Mande um abraço pra velha (Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista, Sérgio Dias e Liminha) - a última gravação d'Os Mutantes na formação clássica com Rita Lee - vem do LP Os grandes sucessos do FIC 72 - VII Festival da canção, editado pela Philips em 1972.  Já Glória aos reis dos confins do além (Paulo César de Castro) é faixa mais obscura do LP II Festival estudantil da música popular brasileira, lançado em 1968 pela Philips. A recorrência de fonogramas de discos dessas competições musicais é natural porque Os Mutantes viveram seu apogeu na era dos festivais, tendo obtido sua primeira projeção nacional ao ajudar o então emergente cantor e compositor baiano Gilberto Gil a defender Domingo no parque (Gilberto Gil) em festival de 1967. Aliás, a gravação original de Domingo no parque - feita por Gil com Os Mutantes e editada em compacto de 1967 - abre a compilação. Que também traz as quatro faixas - A voz do morto (Caetano Veloso), Baby (Caetano Veloso), Marcianita (José Imperatore e Galvarino Villota Alderete em versão em português de Fernando César) e Saudosismo (Caetano Veloso) - do compacto duplo gravado ao vivo por Caetano Veloso com Os Mutantes em 1968. Há também quatro fonogramas do álbum A banda tropicalista do Duprat (Philips, 1968), já reeditado em CD em 2006 simultaneamente com as reedições avulsas da discografia áurea d'Os Mutantes. A excelência da masterização dos 13 fonogramas - feita por Luigi Hoffer e Carlos Savalla - faz com que a ótima coletânea Mande um abraço pra velha mereça atenção de fãs d'Os Mutantes.

Livro da série 'Encontros' mostra como Nara pensava sua música e a vida

Resenha de livro
Título: Encontros - Nara Leão
Autor: Anita Ayres Gomes (organização)
Editora: Azougue
Cotação: * * * *

"Para entender Nara Leão, nada melhor do que as suas próprias palavras". Dessa forma, a pesquisadora e estudante de letras Anita Ayres Gomes inicia o texto de apresentação do livro dedicado a Nara Leão (1942 - 1989) na série Encontros, da Editora Azougue. Organizadora do livro, Gomes é certeira porque a cantora capixaba - de criação carioca - se fez ouvir na música brasileira não somente pelo fino repertório que gravou em sua antenada discografia, entre 1964 e 1989, mas também por seu pensamento. Nara sempre foi conhecida por ser uma cantora que pensava, que não se deixava guiar por diretores de gravadoras. Foram suas inteligentes escolhas musicais que ampliaram o raio de ação de sua voz de moderado alcance (do ponto de vista técnico), mas de importância fundamental na música brasileira dos anos 1960, 1970 e 1980. Encontros perfila Nara através das próprias palavras da cantora porque a coleção da editora Azougue é uma compilação de entrevistas e reportagens substanciais do nome enfocado. O volume de Nara é aberto com o autobiográfico depoimento concedido pela cantora ao Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro (RJ), em 6 de julho de 1977. Esse depoimento é fundamental para entender a atual relevância de Nara na gestação do movimento rotulado em 1958 como Bossa Nova. Mas o supra-sumo do livro são as entrevistas concedidas por Nara a jornais e revistas nos anos 1970. Sem objetivo documental, essas entrevistas - normalmente agendadas por conta do lançamento de um disco ou da estreia de um show - ajudam a compreender a mente de uma cantora que sempre teve opinião, algumas bem fortes. Uma das melhores é a entrevista publicada no jornal paulista Aqui, na edição de 14 de junho de 1977. Nara falou com franqueza aos jornalistas Matinas Suzuki Junior  e Gilberto Vasconcelos sobre o seu ofício, enfatizando que o prazer da pesquisa de um repertório era maior do que o prazer de cantar. "Eu nunca gostei de cantar", aliás, é o título da entrevista, na qual Nara avaliou seu canto ("Eu sei que tem maneiras de eu fazer minha voz ficar mais bonita, mas às vezes eu não quero" (...) "Eu acho que eu não sou uma cantora incrível mesmo, não") e admitiu que sua grande dor-de-cotovelo foi não ter lançado Caetano Veloso e Gilberto Gil em disco por conta de problema técnico na fita que trouxe da Bahia, em 1964, com músicas dos compositores baianos (o samba De manhã, lançado na voz de Maria Bethânia em 1965, estaa na fita). Outra entrevista que ajuda a entender a cabeça e a música de Nara é a publicada na edição de 5 de dezembro de 1978 do jornal paulista Agora. Nessa entrevista, a cantora defendeu a decisão de gravar um disco dedicado somente às músicas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos - ...E que tudo mais vá pro inferno (Philips, 1978), alvo de preconceito entre a elite musical da época, refratária às populares canções do Roberto - e lembrou que seu trabalho sempre surpreendeu as pessoas ("Surpreendeu quando fiz o Opinião, quando fiz a Bossa Nova em Paris, quando resolvi cantar samba de morro. As pessoas estão sempre reclamando, querendo imobilizar você em uma determinada posição"). Mais adiante, em reportagem publicada no Jornal da Tarde em 27 de junho de 1981, Nara fala do alto astral que regeu seu disco Romance popular (Philips, 1981) - gestado com ajuda do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner - e dos primeiros sintomas do tumor no cérebro que a fez sair precocemente de cena, em 7 de junho de 1989, aos breves 47 anos. A maneira transparente com que a cantora se revelava nos encontros com jornalistas valoriza o livro e deixa entrever uma artista de imensa vida interior, às voltas com opiniões, contradições e uma inteligência que fez com que, por seu fio de voz, tenha passado boa parte do que foi produzido de relevante na música brasileira de sua época. Por isso mesmo, Encontros - Nara Leão é livro obrigatório que ajuda a entender a importância e a conhecer a alma dessa leoa chamada Nara.

domingo, 17 de agosto de 2014

Tiê posta foto com Cintra e Harris, produtores de seu álbum 'Esmeraldas'

Tiê postou hoje em sua página oficial no Facebook foto - tirada em Nova York (EUA) - em que aparece com Adriano Cintra (à esquerda) e com Jesse Harris, produtores de seu terceiro álbum, Esmeraldas. Nas lojas a partir da segunda quinzena de setembro de 2014, em edição da Warner Music, o disco foi gravado entre São Paulo (SP) e Nova York (EUA). Esmeraldas alinha participações de David Byrne (na canção All around you, música assinada por Byrne com Tiê, André Whoong e Tim Bernardes) e Guilherme Arantes (piano e hammond em Máquina de lavar, parceria de Tiê com o guitarrista e compositor André Whoong). O repertório é autoral.

Filarmônica de Pasárgada recicla lixo e luxo da música sem perder rumo

Resenha de CD
Título: Rádio lixão
Artista: Filarmônica de Pasárgada
Gravadora: Coaxo do Sapo
Cotação: * * * * 

No release que escreveu para para apresentar o segundo álbum da Filarmônica de Pasárgada, Rádio lixão, o jornalista e produtor musical Marcus Preto lembra que, ao conversar com Luiz Tatit para reportagem sobre a banda paulistana, o compositor - uma das mais perfeitas traduções da música de vanguarda produzida em Sampa - lhe disse que detectou no som da Filarmônica ecos da discografia do Rumo, o grupo que projetou Tatit no início dos anos 1980. Sim, é possível identificar ecos do vanguardista grupo paulistano no som da Filarmônica - e não somente porque a primeira das 15 faixas de Rádio lixão, Uma canção (Marcelo Segreto), embute citação da letra de música de Tatit - Capitu (1999), propagada nas vozes das cantoras Ná Ozzetti e Zélia Duncan em 1999 e 2004, respectivamente  - entre referências de cantigas populares. Há até mais do Rumo nas dissonâncias de Naquele sonho (Guilherme Meyer e Marcelo Segreto), no experimentalismo que pauta Blá blá blá - música gravada com adesões da voz do baiano tropicalista Tom Zé e do lap steel guitar de Kassin - e nos ruídos que fazem girar Tic tac (Marcelo Segreto), faixa gravada com interferências de brinquedinhos manuseados pelo cérebro eletrônico de Tatá Aeroplano. Mas a Filarmônica jamais se escora no legado do grupo que a precedeu. Gravado entre 9 e 22 de janeiro de 2014 no estúdio Coaxo do Sapo, em Camaçari (BA), Rádio lixão sucede O hábito da força (2012) na discografia da Filarmônica com vigor para aumentar o círculo de admiradores da banda. A produção de Alê Siqueira pega o espírito deste disco que recicla o luxo e o lixão da música popular brasileira, embolando referências e citações díspares em repertório que vai fazer sentido para quem acompanha a evolução dessa música multifacetada desde que o samba é samba. Se Etc etc etc (Marcelo Segreto e Fernando Hena) tem algo da anarquia sonora do grupo Os Mutantes sem dar nome aos bois, Estudando Tom Zé (Marcelo Segreto) explicita já no título o objeto da brincadeira tropicalista da Filarmônica de Pasárgada. Se a segunda metade do álbum soa menos palatável para ouvidos habituados ao tatibitate da programação radiofônica, a primeira metade de Rádio lixão sintoniza pegada popular em série de músicas assinadas por Marcelo Segreto, principal compositor e - tudo indica - cérebro da banda. Amor e Carnaval (Marcelo Segreto) clona a batida da axé music de Carlinhos Brown e Ivete Sangalo, cantora baiana citada em verso da letra que também fala da Teresa da praia, personagem-título do cool samba pré-Bossa Nova da lavra de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Billy Blanco (1924 - 2011).Como a Teresa não é mesmo de ninguém, reaparece na música seguinte, Ela é dela (Marcelo Segreto), calcada nas gravações das cantoras do rádio dos anos 1940 e 1950. Já Mil amigos (Marcelo Segreto e Paula Mirhan) brinca de reconstituir o clima das gravações pré-tropicalistas de Caetano Veloso e Gal Costa no álbum Domingo (Philips, 1967). Até Chico Buarque entra no pancadão da Filarmônica, servindo de inspiração para a letra de Muro muro Morumbi, funk à moda carioca assinado por Júlio Soares como Julinho Addalady, em referência jocosa a Julinho da Adelaide, pseudônimo criado por Chico em 1974 para tentar driblar a censura que tesourava sua produção musical com a cegueira dos ditadores. E por falar em funk, Fiu fiu (Marcelo Segreto) também emula o batidão dos bailes da pesada. Enfim, mesmo que o repertório nem sempre mantenha seu poder de imediata sedução da metade para o fim do CD, a Filarmônica de Pasárgada tritura o lixo e o luxo musical na rádio sem perder o rumo.

Maranhão reitera inspiração autoral na rota miscigenada do CD 'Itinerário'

Resenha de CD
Título: Itinerário
Artista: Rodrigo Maranhão
Gravadora: MP,B Discos / Universal Music
Cotação: * * * *

Por mais que esteja situado na rota Rio-Nordeste que norteia o expressivo cancioneiro de Rodrigo Maranhão, Itinerário - terceiro álbum deste que é um dos melhores compositores de sua geração - é disco pautado pela mistura que dá o tom miscigenado da música brasileira desde que o samba é samba. Fusão sintetizada no mix de células rítmicas de baião, samba de roda, maxixe e samba à moda carioca que moldam Fuzuê (Rodrigo Maranhão, 2014), música que ainda cita a morna de Cabo Verde e que abre o disco produzido pelo próprio Maranhão sob a direção artística do empresário João Mário Linhares. Mesmo sem reeditar a maestria sublime do perfeito álbum anterior do artista carioca, Passageiro (MP,B Discos e Universal Music, 2010), Itinerário reedita a fina costura de Bordado (MP,B Disco e Universal Music, 2007), reiterando a inspiração de Maranhão. A mistura brasileira nem sempre é aparente, mas pode ser detectada nos toques refinados dos instrumentos dos três ótimos músicos - Marcelo Caldi (sanfona e piano), Nando Duarte (violão de sete cordas) e Pretinho da Serrinha (percussão) - arregimentados para executar os arranjos das onze músicas do disco. A esse trio, soma-se o próprio Rodrigo Maranhão ao violão. O fantástico quarteto arma a cama instrumental que leva Maré (Rodrigo Maranhão, 2012), uma das mais belas canções do disco, lançada na voz do cantor português António Zambujo em seu álbum Quinto (Universal Music Portugal, 2012) e ora revivida pelo autor em arranjo em que o canto soa quase incidental. Zambujo, a propósito, evidencia o ponto fraco de Maranhão - o canto meramente eficaz, sem viço capaz de projetar sua relevante obra autoral - quando solta sua voz potente como convidado de Madrugada (Rodrigo Maranhão), dando sotaque de além-mar a essa canção quase fado que remete ao lirismo das serenatas do começo do século XX. Também convidado para cantar em Itinerário, PC Castilho ajuda Maranhão a dar voz à Rua da preguiça (2014) - tema que dialoga com Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973) na evocação da manemolência baiana - e ao samba meio baião Flor de cajueiro (Rodrigo Maranhão, 2014). Rua da preguiça é uma das duas parcerias de Castilho com Maranhão apresentadas em Itinerário. A outra é o samba Iara (2014), que perfila a suburbana personagem-título com leveza moderna que contrasta com o toque mais clássico do violão de sete cordas de Nando Duarte, hábil ao evocar tradições do samba e do choro. Nesse cruzamento sutil de referências que pauta Itinerário, a sanfona de Marcelo Caldi faz com que Eu não sei seu telefone (Rodrigo Maranhão, 2014) - canção de amor não vivido - ganhe leve toque de toada nordestina em clima similar ao que ambienta Chapeuzinho amarelo (Rodrigo Maranhão, 2014), música em que o compositor usa signos da célebre história infantil para alinhar medos da vida adulta. Leveza, aliás, é palavra-chave que abre as portas para a percepção deste terceiro álbum de Rodrigo Maranhão. Mesmo quando revolve raízes doídas que remetem ao samba-canção, como em Maria da Graça (Rodrigo Maranhão, 2014), o cantautor se recusa a fazer (melo)drama em forma de canção. "Sou mais um brasileiro na cadeia social", autodefine-se em verso de Itinerário, música-título no qual o artista se situa como observador do movimento contínuo da plataforma da vida. Música gravada por Maria Rita em seu álbum Segundo (Warner Music, 2005), Mantra - música de Maranhão com Pedro Luís, parceiro com o qual o compositor se lançou no mercado fonográfico em 1999 - encerra Itinerário sublinhando que o movimento do artista é conduzido pela paixão. Qualquer que seja sua rota, siga o Itinerário de Rodrigo Maranhão. Ele o conduz à boa música.

Jurema reinventa baianidade nagô ao seguir a rota universal de 'Mestiça'

Resenha de CD
Título: Mestiça
Artista: Jurema
Gravadora: Saravá Discos
Cotação: * * * * *

Segundo álbum de Jurema, Mestiça é grata surpresa por se embrenhar na floresta musical afro-baiana com criatividade, ignorando ramificações óbvias e os clichês desse rico universo sonoro que a artista baiana recicla e reinventa com frescor neste disco editado pelo selo Saravá Discos, de Zeca Baleiro. Jurema é Jurema Paes, cantora e compositora natural de Salvador (BA) que também é historiadora como seu pai, Fábio Paes. Mas nem por isso Mestiça soa como um disco arqueológico. Há, sim, toda uma forte carga ancestral no repertório, mas tal ancestralidade é abordada de forma contemporânea, mixando vozes e percussões com violões e sintetizadores. Nesse sentido, faz toda diferença a direção artística do compositor, pianista e produtor musical Marcos Vaz, parceiro de Jurema no primeiro CD da cantora, Batuque de canoa (Independente, 2002), disco editado há 12 anos. Vaz é o produtor de Mestiça, em função coadjuvada por Cássio Calazans. A combinação de vozes e sintetizador (um korg ms-20) orquestrada por Vaz em Ogum de ronda (Tiganá Santana), faixa que abre o disco, já dá a pista das trilhas percorridas por Jurema com inventividade no CD Mestiça. Em Imbuzeiro, fragmento da Fantasia leiga para um rio seco (Elomar Figueira Melo, 1981), a luz vem do entrelaçar da percussão corporal da moçambicana Lena Braune - mentora do arranjo - com a voz afinada de Jurema e com o tom primitivista dos cantos de Chico César e Tiganá Santana, convidados da faixa. Chico reaparece no afro-samba indígena Nkongo (Tiganá Santana), faixa que exemplifica a habilidade dos produtores do disco de dar belo tratamento contemporâneo a repertório que evoca a ancestralidade da mãe África, gestora da música do planeta (um remix percussivo de Nkongo encerra o CD). A África também está entranhada em Le mali chez la carte invisible, canção em francês - conduzida pelo toque dos violões do arranjador Cássio Calazans - da qual o compositor baiano Tiganá Santana é autor e convidado. Mestiça, aliás, tem também o mérito de expor a promissora produção autoral de Tiganá, compositor também de Elizabeth Noon, canção em inglês de clima etéreo. Em Não pedi (Roberto Mendes e Nizaldo Costa) e em Fulorá (Fábio Paes e Enrique Oliveira), Jurema põe a chula do Recôncavo Baiano na roda com a pulsação própria dos arranjos de Marcos Vaz e Léo Caribé Martins (na primeira) e Cássio Calazans (na segunda). Já Água na chuva (Cássio Calazans e Alexandre Processo) cai com os efeitos extraídos por Marcos Vaz de um sintetizador Vermona Mono Lancelet. Disco cuja excelência vem muito dos arranjos, todos inusitados, Mestiça reitera a maestria do maestro Letieres Leite - orquestrador dos metais do Maxixe nagô (Marcos Vaz e Zeca Baleiro) - e extrapola a fronteira afro-baiana, seguindo com a guitarra de Cássio Calazans e as maracas de Pedro La Colina uma rota universal que conduz o álbum ao universo mexicano de La caña (Patrício Hidalgo). Essa rota passa por estrada italiana, de onde vem a pegada western spaghetti imprimida na Chula no terreiro (1979), recriação fabulosa da composição do baiano sertanista Elomar Figueira de Mello. Baleiro une sua voz ao suave canto agudo de Jurema nesta faixa que arremata a travessia de Mestiça com criatividade que aponta novos caminhos na já exaurida floresta afro-baiana. Jurema recria a baianidade nagô na rota universal de Mestiça.

sábado, 16 de agosto de 2014

'Titia' Pitty faz séquito carioca delirar com 'hard' rock do show 'Sete vidas'

Resenha de show
Título: Sete vidas
Artista: Pitty (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 15 de agosto de 2014
Cotação: * * * *
Show em cartaz até 16 de agosto de 2014 no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ)

Pitty cresceu em público e com seu público. Já a caminho dos 37 anos, a serem completados em 7 de outubro de 2014, a cantora e compositora baiana até ironizou a idade (já não tão pouca) na estreia carioca de seu show Sete vidas. "Titia gosta", disparou, marota, no palco do Circo Voador ao comentar o fato de que o público já estava cantando todas as músicas de seu recente quarto álbum solo de estúdio, Sete vidas (Deck, 2014), base e inspiração do show que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) no fim da noite de 15 de agosto, uma semana após a estreia nacional da turnê, em 9 de agosto, na casa Áudio Club, de São Paulo (SP). Sim, o público canta tudo. Já quando Pitty abriu o show com a música-título Sete vidas (Pitty, 2014), ficou clara a total adesão do público ao repertório do disco que renovou o fôlego roqueiro da artista após mergulho mais íntimo e pessoal no cancioneiro pop folk do duo Agridoce, projeto paralelo de Pitty. Público que, no caso de Pitty, mais parece um séquito disposto a manter a cantora entronizada no posto de rainha do rock brasileiro pós-anos 2000. Com sua trupe-banda, na qual sobressaiu o guitarrista Martin Mendezz, Pitty fez delirar a plateia que se espremeu na pista e nas arquibancadas do Circo Voador. Pitty, aliás, pareceu mais uma vez se sentir em casa ao cantar no Circo Voador. Sob a lona mais pop do Rio de Janeiro, a artista enfileirou 19 músicas de sua discografia solo com pegada hard roqueira. O coro popular ouvido em músicas como Admirável chip novo (Pitty, 2003) e Semana que vem (Pitty, 2003) - coro sempre forte, enérgico e espontâneo - reiterou a sintonia entre a titia e seus sobrinhos de todas as idades. Talvez para marcar território e ressaltar que o Agridoce é um projeto paralelo, Pitty fez show essencialmente roqueiro, acentuando em cena o peso de músicas como Pouco (Pitty, 2014), A massa (Pitty, 2014) e Deixa ela entrar (Pitty e Martin Mendezz, 2014). Aberto com texto que versa sobre o número sete, o show foi valorizado pelas elegantes projeções exibidas na maior parte das músicas. Se Memórias (Pitty, 2005) foi ilustrada com imagens da anatomia do corpo humano, Pequena morte (Pitty e Martin Mendezz, 2014) teve sua conotação sexual explicitada com signos do universo erótico. A adesão do séquito ao cancioneiro de Pitty foi tamanha que a habitual catarse provocada pela delícia pop Me adora (Pitty, 2009) apenas sublinhou a energia que moveu cantora e público ao longo da apresentação. Mesmo quando o roteiro abriu espaço para a execução de eventuais baladas, como Equalize (Pitty e Peu de Souza, 2003), a energia - e a sinergia - entre artista e plateia permaneceram inalteradas. No fim, o show foi ficando mais surpreendente sem perder a pegada. Um leão (Pitty, 2014) rugiu no toque coletivo da percussão enquanto exuberante Serpente (Pitty, 2014) insinuou ao fim do show - encerrado corajosamente sem bis - troca de pele em futuro álbum. A julgar pela estreia carioca de Sete vidas, show que reiterou o peso do CD mais coeso de Pitty, Titia está com fôlego adolescente.

Pitty ressuscita 'música-zumbi' de seu primeiro CD no show 'Sete vidas'

"Essa, a gente ressuscitou... É a música-zumbi", caracterizou Pitty, diante do público que se espremeu na pista e nas arquibancadas do Circo Voador, na noite de 15 de agosto de 2014, para ver a estreia carioca do show Sete vidas, baseado no recém-lançado quarto álbum solo de estúdio da artista baiana. A música-zumbi é Teto de vidro, incluída entre as 19 músicas do roteiro inteiramente autoral do show Sete vidas, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) uma semana após a estreia nacional da turnê em São Paulo (SP). Teto de vidro é a música que abre o primeiro álbum de Pitty, Admirável chip novo (Deckdisc, 2003). Com a mesma pegada hard roqueira do revigorante CD Sete vidas (Deck, 2014), o show - em cartaz no Circo Voador até hoje, 16 de agosto - confirma o ótimo momento da cantora e compositora, que montou o roteiro somente com músicas que gravou em sua discografia solo, ignorando o repertório de seu projeto paralelo Agridoce. Eis o roteiro inteiramente autoral seguido por Pitty - em foto de Rodrigo Goffredo - em 15 de agosto de 2014 na estreia carioca do ótimo show Sete vidas:

1. Sete vidas (Pitty, 2014)
2. Anacrônico (Pitty e Graco, 2005)
3. Admirável chip novo (Pitty, 2003)
4. Semana que vem (Pitty, 2003)
5. A massa (Pitty, 2014)
6. Deixa ela entrar (Pitty e Martin Mendezz, 2014)
7. Teto de vidro (Pitty, 2003)
8. Memórias (Pitty, 2005)
9. Boca aberta (Pitty e Martin Mendezz, 2014)
10. Olho calmo (Pitty, Martin Mendezz, Guilherme e Duda Machado, 2014)
11. Pouco (Pitty, 2014)
12. Me adora (Pitty, 2009)
13. Pulsos (Pitty, 2007)
14. Pequena morte (Pitty e Martin Mendezz, 2014)
15. Equalize (Pitty e Peu de Souza, 2003)
16. Na sua estante (Pitty, 2005)
17. Um leão (Pitty, 2014)
18. Máscara (Pitty, 2003)
19. Serpente (Pitty, 2014)

Caixa dos Mutantes é para quem não comprou reedições avulsas de 2006

Resenha de caixa de CDs
Título: Os Mutantes
Artista: Os Mutantes
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

Em 2005, o pesquisador musical Marcelo Fróes produziu reedições remasterizadas dos álbuns do grupo paulista Os Mutantes. Postas nas lojas no início de 2006 pela gravadora Universal Music, tais reedições - vendidas de forma avulsa - ofereceram substancial ganho em relação às primeiras reedições em CD do catálogo do grupo (lançadas em 1992) por conta da remasterização de Luigi Hoffer. De certa forma, as reedições de 2006 já cumpriram seu papel de transpor para o formato digital, com capricho, os álbuns dessa banda que deu identidade brasileira para o rock, que até então era produzido no Brasil com fidelidade à matriz norte-americana e/ou ao som dos grupos ingleses dos anos 1960. Por isso mesmo, a caixa Os Mutantes - posta nas lojas pela mesma Universal Music neste mês de agosto de 2014 - é indicada somente para quem não adquiriu as reedições avulsas lançadas há oito anos. Cinco dos seis álbuns passaram por novo processo de remasterização - a cargo de Luigi Hoffer e Carlos Savalla - mas o ganho na qualidade do som é irrelevante e jamais justifica a compra da caixa no caso de quem já possui as reedições anteriores. Para quem não as tem, a caixa produzida com esmero pelo pesquisador Rodrigo Faour é item de colecionador, até porque embala coletânea, Mande um abraço pra velha, com 13 gravações avulsas da discografia do grupo, gestado a partir do encontro dos irmãos Arnaldo Dias Baptista e Sergio Dias Baptista com Rita Lee nos idos de 1965. Isca para colecionadores de discos, a compilação é inédita e pode ser adquirida isoladamente via iTunes. Já os seis álbuns oficiais gravados pelos Mutantes com Rita Lee são o supra-sumo da obra do trio. Foram encaixotados Os Mutantes (1968), Mutantes (1969), A divina comédia ou ando meio desligado (1970), Jardim elétrico (1971) e Mutantes e seus cometas no país dos baurets (1972), além de Tecnicolor, álbum poliglota gravado pelo grupo em Paris, em 1970, mas arquivado e somente tirado do baú em 1999, ano em que foi produzida sua primeira reedição em disco, posta nas lojas em 2000 (e não em 1999 como informa erroneamente Faour no texto do libreto encartado na caixa). A propósito, a edição de Tecnicolor embalada na caixa é a mesma de 2000, não tendo sido feita nova masterização deste disco em que o grupo deu voz a quatro músicas então inéditas entre versões em inglês de seus sucessos. Quanto aos cinco discos brasileiros, a supremacia de Os Mutantes (1968), Mutantes (1969), A divina comédia ou ando meio desligado (1970) em relação a Jardim elétrico (1971) e a Mutantes e seus cometas no país dos baurets (1972) não dilui a coesão e a coerência da fase áurea da obra fonográfica do grupo, que - sem Rita Lee, cuja saída ainda é alvo de controvérsias mais de 40 anos depois - seguiu trilha progressiva em discos cultuados por séquitos de fervorosos admiradores do gênero. Para quem nunca ouviu os discos iniciais do grupo, a caixa Os Mutantes oferece nova oportunidade de mergulhar em obra que virou a página do rock brasileiro entre fim dos anos 1960 e início da década de 1970.

Anitta participa de gravação ao vivo do Sorriso Maroto em ginásio no Rio

A foto de Felipe Panfili, da Ag. News, flagra Bruno Cardoso - vocalista do grupo carioca de pagode Sorriso Maroto - com Anitta no palco do Maracanãzinho, ginásio situado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A cantora e compositora carioca foi uma das convidadas da gravação ao vivo do show Sorriso como eu gosto, feita no ginásio na noite de ontem, 15 de agosto de 2014. Anitta se juntou ao grupo na música Na maldade, misto de pagode e funk. Novidade do roteiro do show, a composição foi criada especialmente para o número com Anitta. O registro do show vai originar CD ao vivo e DVD a serem editados ainda neste segundo semestre de 2014.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Zé Ricardo lança '7 vidas', CD de inéditas em que revive 'Azul', de Djavan

Música de Djavan, lançada em 1982 na voz cristalina de Gal Costa, Azul ganha registro do cantor e compositor carioca Zé Ricardo. Azul é a única regravação dentre o repertório inédito e autoral de 7 vidas, quinto álbum de Zé Ricardo. Gravado em Los Angeles (EUA) com produção de Moogie Canazio, o disco está sendo lançado no mercado fonográfico neste mês de agosto de 2014, via Warner Music, gravadora que editou o álbum anterior do artista, Vários em um (2011). Brincar, Com você tudo é mar, Coração gigante, Izabella, Just fly, Na ponta do pé, Você fez casa em mim, 7 vidas e Amor e veneno são as nove músicas que compõem o repertório inédito do álbum, que transita com liberdade entre o soul, o pop, a MPB e o samba.