quarta-feira, 6 de julho de 2016

O jornalista Mauro Ferreira estreia hoje blog de música brasileira no portal G1

O jornalista e crítico musical carioca Mauro Ferreira - que por dez anos editou o Notas Musicais - estreia hoje, 6 de julho de 2016, blog de música brasileira no portal G1. No blog, que já está no ar e que será atualizado diariamente com quatro posts, haverá resenhas de discos (álbuns, singles, caixas de CDs), críticas de shows e notas sobre discos ainda inéditos do mercado fonográfico brasileiro. Eis o link para acessar o blog do Mauro Ferreira no G1: http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pausa, porque "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"

Hoje, 30 de junho de 2016, o editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira, encerra nesta plataforma independente quase uma década no exercício diário de escrever racionalmente sobre a música, a mais emocional das formas de arte. Aos milhares de leitores diários, o jornalista agradece a fidelidade e pede que aguardem - nos próximos dias - ótimas novidades. Como filosofou em 1777 o químico francês Antoine Lavoisier (1743  -  1794),  "Na natureza, nada se cria,  nada se perde,  tudo se transforma".

Caixa com quatro álbuns iniciais de Sandra de Sá flagra cantora cheia de soul

Resenha de caixa de CDs
Título: Sandra de Sá - Anos 80
Artista: Sandra de Sá
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * * *

A defesa de Demônio colorido (Sandra de Sá, 1980) no festival MPB-80 - exibido pela TV Globo em 1980 - projetou a voz calorosa da carioca Sandra Christina Frederico de Sá, cantora e compositora que já contabiliza 60 anos de vida e 36 de carreira. Grande voz do Brasil, Sandra Sá - como a cantora então assinava o nome artístico - logo ocupou o posto vago de rainha do funk e do soul brasileiros. Na primeira metade daqueles anos 1980, Sandra de Sá realmente foi uma voz que se fez ouvir, egressa dos bailes do movimento Black Rio que movimentaram a periferia da cidade do Rio de Janeiro (RJ) a partir de 1976 e que foram frequentados por Sandra antes da fama. A alma soul da cantora está impressa com grande nitidez em três dos quatro álbuns embalados pelo produtor Marcelo Fróes na caixa Sandra de Sá - Anos 80, lançada neste mês de junho de 2016. A partir do álbum Sandra Sá, o disco pop de 1984 que marcou o ingresso da artista na gravadora Som Livre e que também foi incluído na caixa, a cantora abriu o leque estético, algumas vezes por vontade própria, outras por direcionamentos de executivos da indústria fonográfica brasileira. A partir de 1984, Sandra Sá gravou samba e, sobretudo, canções românticas de hitmakers hábeis na criação de sucessos radiofônicos, alcançando grande popularidade e altos picos de vendagens na segunda metade da década de 1980. Contudo, os quatro álbuns reeditados na caixa - Sandra Sá (RGE, 1980), Sandra Sá (RGE, 1982), Vale tudo (RGE, 1983) e o já mencionado Sandra Sá (Som Livre, 1984), todos até então nunca relançados no formato de CD - flagram a artista cheia de soul e da alma típica dos iniciante. O som quente, sobretudo nos três últimos títulos, valoriza as reedições em CD. Com metade do repertório autoral, o Sandra de Sá de 1980 é álbum produzido por Durval Ferreira (1935 - 2007) com mistura da batida do tecnopop que começava a dar o tom naquele início dos anos 1980 - não por acaso, o mago dos teclados Lincoln Olivetti (1954 - 2015) atuou como arranjador de duas músicas, entre elas o single Pé de meia (Sandra de Sá, 1980) - com o suingue Black Rio das faixas orquestradas por músicos como Oberdan Magalhães (1945 - 1984) e Serginho Trombone. Maior cantora do que compositora, Sandra mostrou inspiração eventual em músicas como a balada Ousadia (Sandra de Sá e Faffy Siqueira, 1982), um dos destaques do Sandra de Sá de 1982, álbum que deixou eternizado no cancioneiro black nacional o clássico Olhos coloridos (Macau, 1982), hino do orgulho negro que reforçou a associação da cantora com o universo soul. Serginho Trombone assina o arranjo do registro original deste funk que resiste como um dos maiores sucessos de Sandra de Sá. A reedição em CD desse grande álbum de 1982 traz, como faixas-bônus, as duas gravações lançadas em compacto editado em 1981 pela RGE. Palco azul (Roger Henry, Sandra Sá e Sueli Corrêa) foi a música defendida por Sandra no festival MPB Shell 81 (TV Globo, 1981) e Monalisa (Jay Livingston e Ray Evans, 1950, em versão em português de Haroldo Barbosa) foi a balada gravada pela cantora especialmente para a trilha sonora da novela Ciranda de pedra, exibida pela TV Globo naquele ano de 1981.O laço com o mundo soul se manteve forte no álbum seguinte, Vale tudo (RGE, 1983), alavancado nas rádios pelo sucesso da música-título, Vale tudo, composta por um dos papas do soul brasileiro, Tim Maia (1942 - 1998), com quem Sandra gravou o funkaço da lavra certeira do Síndico, com arranjo criado pelo próprio Tim. Mas Vale tudo ofereceu mais do que o hit de Tim, emplacando também - em menor escala - Guarde minha voz (Ton Saga). No disco, impregnado do suingue funk dos bailes da pesada, Sandra ainda lançou inédita de outro papa do soul nativo, Cassiano (parceiro de Denny King em Candura), e apresentou canção de Guilherme Arantes, Só as estrelas. Arantes, a propósito, é o compositor da balada Férias de verão, o quase hit do álbum de 1984, gravado na Som Livre. Neste disco Sandra Sá, produzido por Guto Graça Mello (parceiro de Naila Skorpio no blues Frequentemente e em Muito prazer), a cantora se uniu aogrupo Barão Vermelho - no então inédito rock Sem conexão com o mundo exterior (Roberto Frejat e Cazuza, 1984) - e alterou a fórmula do som, rumando em direção ao pop sem se dissociar por completo do universo funk. Mas o fato é que a batida funk e a pegada soul dos três álbuns da cantora ficaram tão impregnadas no imaginário musical nacional que Sandra de Sá continuou sendo a mais perfeita tradução feminina do funk nativo mesmo quando enveredou por outros ritmos. Daí a grande importância das primeiras reedições em CD destes discos seminais na ótima caixa do selo Discobertas.

Bizerra reitera expansão do universo musical em álbum duplo que inclui Elba

Ao firmar parceria com Dominguinhos (1941 - 2013) no álbum Luar agreste no céu cariri (Passa Disco, 2012), lançado há quatro anos, Xico Bizerra foi além do universo do forró em disco que expôs a diversidade rítmica da obra de Seu Domingos. Em Valsas, canções e tudo o mais que , álbum produzido pelo próprio artista e lançado neste mês de junho de 2016 pelo selo Passa Disco, Bizerra - compositor nascido no Ceará, mas radicado no Recife (PE) - reitera a expansão estilística da obra já no título deste disco duplo que alinha 30 composições escritas pelo letrista com diversos parceiros. No CD 1, batizado O mais íntimo de mim, há parcerias inéditas com Chico César (a música-título O mais íntimo de mim, ouvida na voz de Hadassa Rossiter) e com Dominguinhos (Eternamente nós, gravada por Irah Caldeira e Geraldo Maia). Ainda neste CD 1, há as belas vozes de Alaíde Costa e Ayrton Montarroyos, solistas de Estrada longa (Bráulio Medeiros e Xico Bizerra) e Passarinho sem gaiola (Maria Dapaz e Xico Bizerra), respectivamente. No CD 2, intitulado Um amor maior que imenso, há a participação de Elba Ramalho no acalanto Cria (Canção de ninar a vida que vem), assinado por Bizerra com Maria Dapaz. Já Socorro Lira defende Bisbilhotices, parceria da própria Socorro Lira com Bizerra.

Romance musical de Fabra, 'Baile das almas' cola referências do universo pop

Caracterizado já no subtítulo como "um romance musical", o primeiro livro do baixista, compositor, produtor musical carioca Gian Fabra - Baile das almas, recém-lançado pela editora Gryphus - vai trazer referências familiares para quem habitou o universo pop nas últimas décadas, sobretudo nos anos 1980. Ao contar a trajetória profissional e existencial de Artur Fantini, o escritor - debutante na literatura, mas já habituado a criar letras de músicas - cola tais referências ao longo da narrativa. A história é inteiramente fictícia. Mas não seria delírio detectar em Fantini traços de Renato Russo (1960 - 1996), já que - assim como o vocalista da banda brasiliense Legião Urbana - o protagonista de Baile das almas ganhou fama ao se destacar como poético letrista de uma banda. É de forma casual que Fantini ingressa como letrista e músico desta banda fictícia, Sinclair, cuja ascensão e queda tem eventuais semelhanças com o RPM, grupo paulistano de tecnopop que foi do céu ao inferno na segunda metade da década de 1980. Uma e outra - a banda da ficção e a banda da vida real - alcançam multidões com álbum de estúdio, caem nas frívolas tentações do sucesso e se veem pressionadas pela gravadora a sucatear o repertório em precoce disco ao vivo. Em Baile das almas, Fabra - integrante de bandas como Buana 4 (nos anos 1980) e Tantra (na década de 1990) - versa sobre um período em que a indústria fonográfica vendia milhões de discos e tinha todas as cartas do jogo nas próprias mãos manipuladoras. Mas o foco do livro reside sempre sobre Fantini. O universo pop é o cenário da história. É mostrando como o protagonista dança conforme a música que o escritor narra as aventuras do popstar às voltas com mulheres (e fantasmas e filhos) do passado e do presente. Estruturado em dez capítulos, ou faixas como propõe a edição, o romance salpica trechos de letras de músicas - traduzidos pelo autor em notas de rodapé quando escritos em língua estrangeira - ao longo das 268 páginas do livro. A história contada em Baile das almas até cai no clichê dos folhetins (sobretudo no desenlace típico de novela), mas geralmente transcorre leve e ágil, como uma boa canção radiofônica.

Vander reaviva com Mariene, em gravação ao vivo, a canção que deu para Gal

Mariene de Castro é uma das convidadas da gravação ao vivo que Vander Lee vai fazer no próximo sábado, 2 de julho de 2016, no teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A cantora baiana vai fazer dueto com o cantor, compositor e músico mineiro na canção Onde Deus possa me ouvir (Vander Lee, 2002), lançada por Gal Costa no álbum Bossa tropical (MZA Music, 2002). Na quarta gravação ao vivo da discografia, Lee vai receber também o violoncelista Lui Coimbra, que tocará nas músicas Alma Nua (Vander Lee, 2015), Beleza fria (Vander Lee, 2012), Estrela (Vander Lee, 2009), Farol (Vander Lee, 2009) e Minha criança (Vander Lee, 2015). A gravação ao vivo gera o terceiro DVD do artista e inicia os festejos pelos 20 anos de carreira de Lee (em foto de Alexandre Moreira). Contudo, o roteiro está centrado nos repertórios do quatro últimos álbuns do cantor, Faro (Deck, 2009), Sambarroco (LGK Music / Radar Records, 2012), Loa (Balaio, 2014)  e  9 (Balaio, 2015).

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Caixa 'O rei do ritmo' dá o devido valor à obra nobre de Jackson do Pandeiro

Resenha de caixa de CDs
Título: Jackson do Pandeiro - O rei do ritmo
Artista: Jackson do Pandeiro
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * *

Sete anos após Luiz Gonzaga (1912 - 1989) ter mostrado em outubro de 1946 como se dançava e fazia o baião, em gravação da música que compôs com o parceiro Humberto Teixeira (1916 - 1979), o cantor, compositor e ritmista paraibano José Gomes Filho (Alagoa Grande - PB, 31 de agosto de 1919 / Brasília - DF, 10 de julho de 1982) convidou a comadre Sebastiana para dançar e xaxar. O convite - feito em 1953 com o lançamento da gravação do então inédito coco Sebastiana (Rosil Cavalcanti) - foi o marco zero da obra fonográfica do artista que, naquela época, já tinha sido rebatizado no rádio como Jackson do Pandeiro. O Jack que foi tão brasileiro, como bem sabe Lenine. Um dos pilares da música da nação nordestina, esse José de Alagoa Grande (PB) - que foi muito mais do que um Zé da Paraíba - tem a parte mais relevante da obra fonográfica eternizada na caixa Jackson do Pandeiro - O rei do ritmo, lançada pela gravadora Universal Music neste mês de junho de 2016. Projeto idealizado por Alice Soares e concretizado com a produção executiva de Rodrigo Faour, autor do texto biográfico publicado no libreto da caixa, O rei do ritmo dá o devido valor à discografia de Jackson. Nada menos do que 235 fonogramas do artista estão condensados - devidamente remasterizados por Ricardo Garcia neste ano de 2016 - nos nove CDs da caixa, sendo que seis CDs são duplos. Estes discos oferecem a melhor amostra possível da arte de Jackson do Pandeiro, entronizado como o rei do ritmo pela habilidade de brincar com os tempos musicais, pela destreza no toque do instrumento acoplado ao nome artístico e pela divisão singular com que repartia cocos, rojões, emboladas, baiões, frevos e sambas. A caixa agrupa fonogramas gravados por Jackson de 1953 - ano em que o artista foi lançado no mercado fonográfico com o disco de 78 rotações por minuto que, além de Sebastiana, apresentou Forró em Limoeiro (Edgar Ferreira, 1953) - até 1981, ano do derradeiro álbum, Isso é que é forró! (Polydor, 1981). A propósito, a caixa embala reedições em CD somente de dois álbuns originais. Além de Isso é que é forró!, há também a reedição de Aqui tô eu, Jackson (Philips, 1970), álbum gravado pelo artista em período em que começava a superar período de ostracismo vivido na segunda metade da década de 1960 (a fase de 1966 a 1969 está coberta pela complementar caixa lançada em 2014 pelo Selo Discobertas). Contudo, o fato de trazer somente dois álbuns originais jamais desmerece o valor da caixa da Universal Music. Até porque o supra-sumo da obra-fonográfica de Jackson do Pandeiro foi editada de 1953 a 1958 pela extinta gravadora Copacabana - cujo acervo atualmente pertence à Universal Music - em arcaicos discos de 78 rotações por minuto. Estas gravações estão reunidas na caixa nos CDs Os primeiros forrós de Jackson do Pandeiro vol. 1 e Os primeiros forrós de Jackson do Pandeiro vol. 2 com as letras das músicas devidamente reproduzidas no encarte - o que aumenta ainda mais o valor documental da caixa. Menos conhecida, mas também importante do ponto de vista musical, a fase fonográfica vivida por Jackson na extinta gravadora Philips - de 1960 a 1965 - está recuperada na caixa nos três volumes dos CDs Jackson do Pandeiro nos anos 1960. Estes três CDs duplos agrupam as gravações dos nove álbuns gravados pelo artista na Philips nesse período em que o artista lançou músicas como Cantiga da perua (Jackson do Pandeiro e Elias Soares, 1960) e Como tem Zé na Paraíba (Manezinho Araújo e Catulo de Paula, 1962). Esses raros álbuns feitos por Jackson na Philips - muitos assinados com Almira Castilho (1924 - 2011), parceria do artista na música e na vida - até então nunca tinham sido editados no formato de CD. As capas desses nove álbuns - Cantando de Norte a Sul (1960), Melodia, ritmo e a personalidade de Jackson do Pandeiro (1961), Mais ritmo (1961), A alegria da casa (1962), ...É batucada! (1962), Forró do Zé Lagoa (1963), Tem jabaculê (1964), Coisas nossas (1965) e ...E vamos nós... (1965) - estão reproduzidas nas contracapas internas dos CDs. Completam a caixa duas coletâneas inéditas, Na base da chinela e Balança, moçada, que agregam gravações avulsas da discografia de Jackson do Pandeiro, oriunda de compactos e discos coletivos. Enfim, pela volume e pelo caráter fundamental da obra condensada com capricho e critério na caixa, o lançamento de Jackson do Pandeiro - O rei do ritmo se impõe como um dos acontecimentos mais importantes do mercado fonográfico brasileiro nos últimos anos. O rei do ritmo nunca vai perder a majestade, mas a obra nobre do artista precisava ser (re)posta em catálogo.

Melodia faz gravação audiovisual do show 'Zerima' antes de 'Música romance'

Embora tenha engatilhado projeto fonográfico baseado em Música romance, show com que está em cena desde 2010, Luiz Melodia faz antes o registro audiovisual do show Zerima. A gravação ao vivo vai ser feita hoje, 29 de junho de 2016, em apresentação do cantor e compositor carioca no Teatro da UFF, na cidade de Niterói (RJ). Está prevista participação do rapper Mahal Reis, filho de Melodia, no registro ao vivo viabilizado com a participação do Canal Brasil na coprodução. O show é baseado no álbum Zerima (Som Livre, 2014), disco de músicas inéditas lançado há dois anos pelo artista (em foto de Mauro Ferreira).  Clique aqui para reler a resenha do bom show Zerima e aqui para ver o roteiro.

Vulgue Tostoi lança música inédita, 'Por onde corre a hora?,' em single digital

Sem lançar repertório inédito desde a edição do orgânico segundo álbum, Vulgue Tostoi II - Sistema delirante amplo e defasado da realidade (Bolacha Discos / Guri Zumbi, 2013), o carioca Vulgue Tostoi - trio dos anos 1990 que virou duo formado por JR Tostoi (voz, guitarra e programações) e Marcello H (voz, guitarra e programações) - volta ao mercado fonográfico com a edição de Por onde corre a hora?, single que vai chegar em breve às plataformas digitais. Com capa que expõe arte de Marcello H, o single apresenta música composta pelos dois integrantes do Vulgue Tostoi. É Marcello H quem canta Por onde corre a hora? na gravação em que Tostoi toca guitarra e pilota as programações eletrônicas.  O single foi formatado com as adesões dos músicos Guila (baixo) e Marcelo Vig (bateria).

Sorriso Maroto lança álbum cujo processo de gravação origina documentário

O grupo carioca de pagode Sorriso Maroto se prepara para apresentar, ainda neste ano de 2016, documentário sobre o processo de gravação do álbum que o grupo lançou neste mês de junho em edição da gravadora Som Livre. Com 14 músicas, o disco De volta pro amanhã foi gravado em estúdio montado em casarão na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foi nesse casarão que, ao longo de quase 20 dias de março deste ano de 2016, os integrantes do Sorriso Maroto se radicaram para gestar o álbum que traz no repertório parceria do compositor norte-americano Brian McKnight com Bruno Cardoso (vocalista do grupo) e Sergio Jr. (violonista do grupo), Prédios vazios. Produzido por Bruno e Sergio com Leandro Oliveira (o Lelê), o álbum De volta pro amanhã foi formatado com as intervenções do grupo carioca Roupa Nova em Adeus (Pedro Felipe, Thiago Silva e Bruno Cardoso), do cantor cearense de forró Wesley Safadão - presente na faixa Coincidência não existe (Nicco Andrade) - e do funkeiro carioca Nego do Borel, convidado de Soltinha (Bruno Cardoso e Rafinha RSQ). Sozinho, o Sorriso Maroto registrou em De volta pro amanhã músicas como Anjos guardiães de amor (Thiago Silva e Sergio Jr.), Indiferença (de Bruno Cardoso e Sergio Jr.) e Positividade (de Bruno Cardoso e Munir Trad).

terça-feira, 28 de junho de 2016

Gravadora anuncia troca do CD de Maria Rita por conta de alteração na faixa 8

Quem já comprou o CD O samba em mim - Ao vivo na Lapa, lançado por Maria Rita neste mês de junho de 2016, pode entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da gravadora Universal Music - através da opção contato do site www.universalmusic.com.br - para solicitar, sem ônus, a troca do disco. Como alguns compradores de primeira hora já haviam detectado, há um erro na faixa 8 da primeira tiragem do CD. Em vez de tocar o samba Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011), como apregoado corretamente na contracapa e no encarte do CD, a faixa 8 reproduz o áudio do samba Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007). Ciente da falta de sintonia entre áudio e encarte, a gravadora anunciou hoje a troca gratuita para quem já adquiriu cópia do CD. A companhia fonográfica também já providenciou a troca dos discos que já foram para as lojas físicas. Já a (correta) edição digital estará disponibilizada nas plataformas ainda neste mês de junho de 2016.

Angela Maria regrava em disco de dupla sertaneja música que lançou em 1978

Música lançada há 38 anos por Angela Maria no álbum Com amor e carinho (EMI-Odeon, 1978), A partida - composição dos parceiros Jair Amorim e Evaldo Gouveia - ganha novamente a voz da Sapoti. A cantora fluminense regravou A partida com Duduca & Dalvan para álbum da dupla sertaneja. A faixa vai ser promovida como o primeiro single do álbum. Criada em 1977, a dupla Duduca & Dalvan é atualmente integrada por Dalvan com o sobrinho do Duduca (1936 - 1986) da formação original da dupla conhecida na primeira fase como Os leões da música sertaneja. O Duduca atual é, na realidade, Ivan de Almeida Ferreira, cantor paranaense de 36 anos que se juntou ao também paranaense Dalvan.

Serena se eleva em 'Ascensão', gregário álbum póstumo que saúda os orixás

Ao sair precocemente de cena há três meses, aos 39 anos, a artista paulistana Serena Assumpção (21 de fevereiro de 1977 - 16 de março de 2016) deixou pronto um álbum de espírito gregário que se tornou póstumo - ao ser lançado neste mês de junho de 2016 pelo Selo Sesc - por força das circunstâncias. Ascensão alinha 13 composições que celebram os orixás. Três são temas de domínio público, casos de Do Tata Nzambi, de Exu - cantado no disco por intérpretes como Karina Buhr e Luê - e de Oxalá, ouvido no álbum na voz da própria Serena. Mas o repertório é essencialmente formado por músicas inéditas compostas por Serena, Gilberto Martins (autor da maioria dos temas) e Joãozinho da Goméia com base na experiência da artista no Candomblé, em especial nas vivências do santuário da irmandade do ilê de pai Dessemi de Odé. Produzido pela filha de Itamar Assumpção (1949 - 2003) com Pipo Pegoraro e com DiPa Paes, sob a direção artística da própria Serena Assumpção, Ascensão é disco apresentado no encarte por texto assinado pelo cantor, compositor e músico baiano Tiganá Santana. Serena - vista em foto de Alexandre Kuma exposta no luxuoso encarte do CD - dedica Ascensão aos pais de sangue e de alma (Itamar e Dessemi) e ao filho Bento. Cada música de Ascensão é cantada por vários convidados. Ogum - tema de Gilberto Martins que incorpora canto tradicional Yorubá de domínio público - é entoado por Serena, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz. Pavão (Joãozinho da Goméia) tem a voz de Anelis Assumpção, irmã de Serena. Oxumaré (Gilberto Martins) tem o canto de Mãeana (nome artístico de Ana Claudia Lomelino), violões de Bem Gil e saudação de Moreno Veloso. Xangô (Gilberto Martins) harmoniza as vozes de Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Serena Assumpção. Já Iansã (Gilberto Martins) é saudada em Ascensão por Tetê Espíndola, Luz Marina e Serena. Oxum (Gilberto Martins) tem a voz de Xênia França. Yemanjá é música assinada por Serena e cantada pela artista com Céu. Iroko (Gilberto Martins) tem a voz de Mariana Aydar. Já Nanã (Gilberto Martins) é alvo de celebração feita pelas vozes de Paula Pretta e Serena Assumpção. Parceria de Serena com Gilberto Martins, Obaluaiê - tema de bela melodia - é ouvida em Ascensão nas vozes de Filipe Catto (virtuoso ao colocar a voz principal na gravação harmonizada pelo piano de Adriano Grineberg), Carlos Navas, Juliana Kehl e Marcelo Pretto. Ascensão deverá elevar o nome de Serena Assumpção no universo pop.

'Proibido é mais gostoso' propaga a juventude de Zé Felipe, filho de Leonardo

Filho do cantor sertanejo Leonardo, José Felipe Rocha Costa - o jovem cantor goiano de 18 anos conhecido nas redes sociais pelo nome artístico de Zé Felipe - não nega a raça, mas segue a onda pop sertaneja da própria geração no segundo álbum, Proibido é mais gostoso, gravado em maio deste ano de 2016 e já lançado no mercado fonográfico brasileiro neste mês de junho em edição da gravadora Sony Music. No álbum, que sucede Você e eu (Sony Music, 2014) na discografia do jovem artista, Zé Felipe dá voz a 14 músicas arranjadas em maioria por Eduardo Pepato, produtor musical do CD. A funkeira pop carioca Ludmilla faz dueto com Zé Felipe em Não me toca (Anselmo Ralph, Erdzan Saidov e Nelson Klasszik em versão em português de Cabrera, Paula Mattos e do próprio Zé Felipe), música angolana em ritmo de quizomba que Zé Felipe traz para o universo pop sertanejo. Já a dupla Pedro Paulo & Alex forma trio com o cantor em Deixa que ela decide (Pedro Paulo, Guilherme Rosa e Ricco Montana). O repertório de Proibido é mais gostoso foi formatado pelo produtor Eduardo Pepato com tom pop sertanejo - eventualmente temperado com pitadas de molho caribenho -  e vibe juvenil já perceptível nos títulos de músicas como Muleke top zica (Diego Monteiro e Vitor de Simone). Produzido em esquema industrial, mercadológico, o álbum propaga com ênfase a juventude do artista.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

É bom de se ouvir alguém cantando como Evinha no belo 'Uma voz um piano'

Resenha de álbum
Título: Uma voz um piano
Artista: Evinha
Gravadora: Des Arts
Cotação: * * * * 

Nos últimos 40 anos, Evinha foi alguém que cantou longe daqui do Brasil, geralmente em Paris, na França, país onde se radicou em meados da década de 1970. Mas - como sentencia o produtor Thiago Marques Luiz em texto reproduzido na contracapa interna do álbum Uma voz um piano, lançado neste mês de junho de 2016 - a voz de Evinha está cravada no coração do Brasil desde os anos 1960. Evinha - para quem não liga a pessoa à música - é o nome artístico da cantora carioca batizada como Eva Corrêa José Maria que há tempos se chama Eva Gambus por estar casada com o maestro francês Gérard Gambus. É de Gérard o toque preciso do piano que se harmoniza com a voz suave - ainda em forma - da cantora neste primeiro álbum gravado por Evinha para o Brasil desde Reencontro (PolyGram, 1999). Disco produzido pelo próprio Gérard Gambus, Uma voz um piano faz a conexão de Evinha com os anos 1960, década em que a artista despontou no Brasil como integrante do Trio Esperança antes de sair em carreira solo em 1969. Neste ano, Evinha vestiu a melodia pop de Casaco marrom (Renato Corrêa, Gutemberg Guarabyra e Danilo Caymmi, 1969) e defendeu Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, 1969) no IV Festival Internacional da Canção (FIC). As duas músicas são revividas por Evinha no álbum Uma voz um piano. Contudo, o disco não se alimenta de saudade dos velhos tempos de Evinha. Há inspiradas músicas inéditas, com destaques para a enternecedora Aprender com o mar - bela canção composta por Ivan Lins com letra do poeta Abel Silva - e para Uma ponte entre Rio e Paris, tema de Gérard Gambus (letrado por Carlos Colla) no qual Evinha versa sobre rota da vida da artista, que sempre manteve ligação com o Brasil nos anos radicados na França. Com o canto afinado e depurado, talhado para canções mais melodiosas, Evinha também transita pelo Caminho da razão - tema em que Gérard Gambus pôs versos na sublime Ária do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685 - 1750) - sem pegar o atalho da pieguice. Com leveza, a cantora também dá voz e vida a um hino da lavra hippie do cantor e compositor carioca Zé Rodrix (1947 - 2009), Ilha deserta (1976), música lançada há 40 anos. Há também Lição de amor - música inédita composta por Dalto com a suposta última letra escrita pelo poeta mineiro Fernando Brant (1946 - 2015) - e uma canção do irmão da artista, Renato Corrêa, compositor de Foi de graça. E há, claro, Alguém cantando (Caetano Veloso, 1977), espécie de manifesto musical da cantora que esteve tão longe daqui. Alguém cantando como Evinha é sempre bom de se ouvir. Porque Evinha ainda tem voz - assunto da metalinguística Meu canto, razoável inédita de Antonio Adolfo com Tibério Gaspar, compositores do Teletema (1969) rebobinado no álbum - que sobressai na imensidão do universo pop. 

Eis a capa e a arte gráfica do DVD que Pitty vai lançar em 13 de julho via Deck

Esta é a capa e a arte gráfica do sexto DVD da videografia solo de Pitty. Turnê SETE VIDAS ao vivo vai chegar ao mercado fonográfico a partir de 13 de julho de 2016 em edição da Deck. Além do show captado no Audio Club, casa de shows da cidade de São Paulo (SP), o DVD exibe galeria de fotos e o documentário Dê um rolê, batizado com o nome da música de Moraes Moreira e Luiz Galvão lançada em 1971 - em gravações do grupo Novos Baianos e da cantora Gal Costa - e ora revivida pela artista baiana. O registro ao vivo de Dê um rolê com Pitty, aliás, promove o DVD que documenta o show da turnê Sete vidas, baseado no homônimo quarto álbum de estúdio da artista. O DVD anterior de Pitty, Pela fresta (Deck, 2015), documentou todo o processo de gravação do disco Sete vidas (Deck, 2014).

Marina Melo destila ironias em álbum autoral que critica o abuso de mulheres

"Toda mulher tá aí / Pra te satisfazer / Fica bem à vontade, tá? / Chama do que quiser / Olha com a sua cara mais nojenta / Pode ir pegando sem pedir licença / ... / A Julia não se importa de sentir pavor / A Maíra não notou que a infância entortou / A Natasha não sentiu quando foi estuprada / E a Laura nunca lembra que foi morta". A ironia de Marina Melo em Laura, uma das 13 músicas do álbum de estreia dessa cantora e compositora paulistana, passa longe da finura. Como tem de ser em se tratando de tema - a violência cotidiana contra a mulher na sociedade machista - que a artista trata com o devido peso na composição - feita quando a campanha #primeiroassedio estava em evidência nas redes sociais - incluída no repertório de Soft apocalipse (Alcachofra Records, 2016). Produzido por Gabriel Serapicos, músico que criou com Marina os arranjos das 13 faixas, o disco Soft apocalipse apresenta compositora de língua afiada. Com exceção da Valsa da barata, composta em parceria com Guilherme Aranha, Marina assina sozinha músicas como Rebouças e Dever cívico. Mas dá crédito a André Sztutman pela colaboração na harmonia de Ra-paz, música composta com inspiração em A paz (João Donato e Gilberto Gil, 1987). "A paz me caiu feito bomba", repete Marina em versos de Ra-paz, reverberando a ironia sarcástica e às vezes bem-humorada que pauta boa parte do cancioneiro autoral da artista. Em sintonia com a verve de Marina, Zeca Baleiro participa de Adultos, música construída com a ajuda (na harmonia) de Zulu Reinchbach, colaborador também nas composições de Desditos, Dinheiro e Poesia. A capa de Soft apocalipse expõe a artista em foto de Helena Wolfenson.

Trampa reverbera em '¡Viva la Evolución!' crítica social das bandas de Brasília

Em cena desde 2006, a banda brasiliense Trampa celebra uma década de vida neste ano de 2016 com a edição do terceiro álbum gravado em estúdio por esse quinteto de rock formado por André Noblat (voz), Arnoldo Ravizzini (bateria), Pedrinho Bap Cardoso (baixo), Rafael Maranhão (guitarra) e Rodrigo Vegetal (guitarra). O título do disco produzido por Diego Marx, ¡Viva la Evolución! (Independente, 2016), é grafado em espanhol. Mas o grupo faz rock em bom português em repertório composto com alta dose de crítica social e política, em ideologia que reverbera as obras de bandas projetadas em Brasília (DF) na primeira metade da década de 1980. Você? (André Noblat, Arnoldo Ravizzini, Pedro Cardoso, Rafael Maranhão e Rodrigo Vegetal) - música eleita o primeiro single do álbum - versa sobre os rebanhos comandados por líderes religiosos. Gravado no estúdio Rockin Hood, em Brasília (DF), ¡Viva la Evolución! traz no repertório músicas inspiradas pelo cotidiano da cidade, caso de Solidão (André Noblat, Arnoldo Ravizzini, Pedro Cardoso, Rafael Maranhão, Rodrigo Vegetal e Diego Marx), que versa sobre a solidão concreta dos habitantes da capital do Brasil. Eterno tema das bandas punks da cidade, a violência policial ainda rende assunto para a Trampa em Farda, música gravada com a adesão vocal de Thiago Freitas, integrante da banda conterrânea Etno. Thiago é parceiro dos músicos da Trampa na composição de Farda. Sozinho ou com produtor Diego Marx, o quinteto assina músicas como GuerraSujo, mostrando em ¡Viva la Evolución! - álbum que sucede Causa e efeito (Independente, 2013) e Te presenteio com a fúria (Independente, 2008) na discografia do grupo - que o pulso político do rock de Brasília (DF) ainda pulsa - à margem do mercado.

domingo, 26 de junho de 2016

Show 'Dentro de mim cabe o mundo' expande o universo musical de Kessous

Resenha de show
Título: Dentro de mim cabe o mundo
Artista: Monique Kessous (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Espaço Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 25 de junho de 2016
Cotação: * * * *

Dentro da obra fonográfica da carioca Monique Kessous parecem caber duas artistas de ambições distintas. Uma é a cantora e compositora hábil na feitura de populares canções de amor que despontou no álbum anterior, Monique Kessous (Sony Music, 2010), enfrentando comparações com Marisa Monte atiçadas por equivocados planejamentos de marketing de gravadora. Outra é a cantora e compositora que se sabe capaz de voos mais altos no universo musical. Lançado em abril deste ano de 2016, em edição independente, o quarto álbum de Kessous, Dentro de mim cabe o mundo, harmoniza essas duas personas artísticas, expandindo o universo musical da parceira de João Cavalcanti em Espiral (2016), música que contém o título do álbum, apresentada no bis do show do lançamento do disco em número em que Kessous se acompanha pilotando um mini-synth. Estreado oficialmente na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 25 de junho de 2016, em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, o show Dentro de mim cabe o mundo reitera a expansão do universo musical de Kessous. Dentro do espaço cênico da artista, moldado com elegância pela cenógrafa Jeane Terra, cabem músicas do grupo Karnak, da cantora e compositora paulistana Maysa (1936 - 1977), da cantora e compositora norte-americana Lady Gaga e até da funkeira carioca Valesca Popozuda. O roteiro de Kessous rebobina discurso assertivo, afirmativo das conquistas do mundo feminino. O que tornou natural até discurso lido contra a cultura do estupro, tema ora em inflamado debate nas redes sociais. Kessous toma partido explícito das mulheres ao ler texto escrito por Edu Krieger para o show a pedido da artista. "Todos somos filhos de Deus / Só não falamos as mesmas línguas", proclama a cantora em versos de O mundo (André Abujamra, 1995), o manifesto humanista do grupo Karnak por mais amor e tolerância no planeta terra. O show insere Kessous nesse conflitado mundo contemporâneo. A atualidade do discurso é acentuada pelo toque moderno da banda formada pelos músicos Bicudo (bateria), Denny Kessous (guitarra, teclados e direção musical), João Arruda (guitarra), Junior Moraes (percussão e programações) e Vini Lobo (baixo e synths), aos quais se junta a própria Kessous, que se reveza em cena no toque da guitarra, do violão eletroacústico e do mini-synth. Contudo, a compositora que sabe falar a língua do povo também está em cena, apresentando canções de amor como Eu sem você (Monique Kessous, 2016), capazes de seguir a bem-sucedida sina mercadológica de hits anteriores como Frio (Monique Kessous, 2010), balada, aliás, calorosamente recebida pela plateia majoritariamente formada por fãs e convidados. O show tem nuances e matizes. Um clima passional, de atmosfera brega-chique, se instaura em cena a partir da imperativa Me ama, me adora, bem me quer sim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016), preparando o ambiente para a abordagem tecnobrega de Nu (Zeca Baleiro, 2012) - número turbinado com récita de alguns versos de Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979), música regravada por Kessous no álbum anterior - e para o jogo de sedução armado em Meu papo é reto (Monique Kessous e Chico César, 2016), tema cheio de malícia e erotismo. A expansão do universo musical da artista permite que um samba como Acorde - emulador das nobrezas dos bambas das velhas guardas - seja apresentado (com o luxuoso coro vintage de Ana Claudia Lomelino, Lia Sabugosa e Silvia Machete) sem estranhamento. Acorde soou tão natural como a intervenção de Moska, na voz e no toque da guitarra eletroacústica, na balada Por causa do seu pensamento (Moska, 2016), composta pelo artista sob encomenda para Kessous. Disposta a explorar outros territórios do vasto mundo musical, a cantora rebobina a Resposta (1956) de Maysa com vibe roqueira e um link inteligente com Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013), hit popular que tirou a cantora carioca Valesca Popozuda da gaiola em que ficam confinadas as funkeiras desbocadas. Ao dar sequência ao roteiro com um dos temas mais loquazes do cancioneiro de Lady Gaga, Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011), Kessous manda papo reto para um mundo ainda machista que, não raro, nega a mulher o prazer e a liberdade sexual. E dá outro recado quando arremata o bis com interpretação firme de Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967), feita na pressão que pulsa em quase todo o show. Sim, o coração pop popular de Monique Kessous quer guardar - e abarcar - o mundo na artista que ora evolui,  indo além do universo musical em que se lançou no mercado nos anos 2000.

Dentro do mundo cênico de Kessous cabem Gaga, Karnak, Maysa e Popozuda

Música de autoria da cantora e compositora Maysa (1936 - 1977) a que Maria Bethânia já recorreu em show para dar recado indireto aos que a criticaram por regravar É o amor (Zezé Di Camargo & Luciano, 1991) em álbum de 1999, Resposta - canção lançada por Maysa em 1956, há 60 anos - ganha a voz assertiva de Monique Kessous. Cantada com batida contemporânea, em vibe roqueira, Resposta é uma das boas surpresas do roteiro de Dentro de mim cabe o mundo, show baseado no homônimo álbum autoral lançado pela cantora, compositora e instrumentista carioca em abril deste ano de 2016. O show teve estreia oficial na noite de ontem, 25 de junho de 2016, em apresentação no teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ). No roteiro de Kessous, Resposta aparece sagazmente linkada a um tema de outro estilo, mas de  significado similar, Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013), sucesso da funkeira carioca Valesca Popozuda. Fora do trilho autoral, mas em sintonia com o espírito planetário do conceito do álbum Dentro de mim cabe o mundo, Kessous também cantou O mundo (André Abujamra, 1995) - música do grupo Karnak que já ganhou vozes como as de Ney Matogrosso, Pedro Luís e Zeca Baleiro - e Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967). Nu - música de Zeca Baleiro, lançada na voz do autor em 2012 - também figura no repertório do show. Assim como Resposta, outra surpresa do roteiro foi Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011), música de Lady Gaga cantada por Kessous com citação de Express yourself (Madonna e Stephen Bray, 1989), em fina ironia, já que Gaga foi acusada de plagiar em Born this way a ideologia - a liberdade sexual e afetiva das mulheres - do tema de Madonna. Aliás, o número precedeu discurso contundente escrito por Edu Krieger e lido por Kessous contra a cultura do estupro. Eis o roteiro seguido em 25 de junho de 2016 por Monique Kessous - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia (oficial) do show  Dentro de mim cabe o mundo  no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Aqui tem (Monique Kessous, 2016)
2. O mundo (André Abujamra, 1995)
3. A lei é deixar fluir (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
4. Eu sem você (Monique Kessous, 2016) /
5. Levo a minha vida assim (Monique Kessous, 2010)

6. Pedaço de ilusão (Monique Kessous, 2016)
7. Volte pra mim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2013)
8. Me ama, me adora, bem me quer sim (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
9. Nu (Zeca Baleiro, 2012) /
10. Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) - trecho recitado

11. Meu papo é reto (Monique Kessous e Chico César, 2016)
12. Por causa do seu pensamento (Monique Kessous, 2016) - com Moska
13. O círculo (El círculo) (Kevin Johansen, 2010, em versão de Moska, 2016)
14. Aonde eu for (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
15. Frio (Monique Kessous, 2010)
16. Acorde (Monique Kessous, 2016) - com Ana Claudia Lomelino, Lia Sabugosa e Silvia Machete
17. Resposta (Maysa, 1956) /
18. Beijinho no ombro (André Vieira, Leandro Castro e Wallace Viana, 2013)
19. Born this way (Lady Gaga e Jeppe Laursen, 2011)
      - com citação de Express yourself (Madonna e Stephen Bray, 1989)

♪ ♪  Leitura de texto escrito por Edu Krieger para o show
20. Todo mundo quer (Monique Kessous e Denny Kessous, 2016)
21. Seja agora (Pedro da Silva Martins, 2013)
Bis:
22. Espiral (Monique Kessous e João Cavalcanti, 2016)
23. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)

Lia, Lomelino e Machete fazem coro de samba na estreia do show de Kessous

No recém-lançado quarto álbum, Dentro de mim cabe o mundo (Independente, 2016), Monique Kessous gravou pela primeira vez um samba de lavra própria, Acorde. Na gravação, a cantora e compositora carioca contou com coro feminino formado por vozes de cinco cantoras conterrâneas da geração de Kessous. Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete fizeram em Acorde um coro que evoca o canto das pastoras das velhas guardas das tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Três dessas cinco cantoras - Ana Claudia Lomelino (de cabelo curto), Lia Sabugosa (grávida) e Silvia Machete (à direita na foto de Rodrigo Goffredo) - reproduziram o coro em luxuosa participação na estreia oficial do show Dentro de mim cabe o mundo, em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 25 de junho de 2016. Acorde é música em que Kessous emula os sambas de compositores das velhas guardas.

Kessous canta com Moska na estreia do show 'Dentro de mim cabe o mundo'

Quando arquitetava o quarto álbum, Monique Kessous mandou um e-mail para Moska com o título 'Pensando em você'. Pelo título do e-mail, Moska pensou que a cantora e compositora carioca lhe pedia autorização para gravar Pensando em você, canção que Moska lançou no álbum Tudo novo de novo (EMI Music, 2003) e que Kessous já andava cantando em shows. Ao ler o e-mail, Moska viu que Kessous na realidade lhe pedia uma música inédita para compor o repertório do terceiro álbum autoral da artista. Inspirado pelo título do e-mail, Moska compôs para Kessous a canção Por causa do seu pensamento, incluída pela cantora no álbum Dentro de mim cabe o mundo (Independente, 2016) em gravação feita com o toque suave da guitarra do próprio Moska. Foi essa música que Moska cantou e tocou com Kessous - como visto na foto de Rodrigo Goffredo - ao participar da estreia oficial do show Dentro de mim cabe o mundo em apresentação que encheu o teatro do Espaço Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 25 de junho de 2016. Número teve programação eletrônica.

sábado, 25 de junho de 2016

Brunno Monteiro divide segundo disco, 'Duplo', em dois EPs feitos com Tostoi

Quatro anos após ressoar a turbulência da selva das cidades em expressivo primeiro álbum, Ecos da rua (Independente, 2012), o cantor e compositor carioca Brunno Monteiro prepara volta ao mercado fonográfico em julho deste ano de 2016 com a edição do segundo álbum, Duplo. A rigor, trata-se de dois EPs que se complementam e se unificam como um único álbum formado por 11 músicas. Ambos produzidos pelo guitarrista JR Tostoi, os discos serão comercializados individualmente e em edição conjunta. No Lado A, título do primeiro disco, o artista - em foto de Juliana Rocha - apresenta cinco músicas gravadas em tom seco, com forte pegada roqueira. No Lado B, Brunno Monteiro apresenta outras seis composições com estética minimalista, moldada com beats eletrônicos e contemporâneos.

Primeiro (e clássico) álbum da discografia de Hyldon ganha reedição em vinil

Lançado em 1975 com o selo Polydor, braço popular da gravadora Philips, o primeiro álbum do cantor, compositor e músico baiano Hyldon, Na rua, na chuva, na fazenda..., faz jus ao status de clássico exposto no título da série Clássicos em vinil. É nessa série da Polysom que o álbum do soulman brasileiro está sendo reeditado no formato original de LP neste mês de junho de 2016. O repertório destacou a música-título Na rua, na chuva, na fazenda - canção popularmente conhecida pelo subtítulo Casinha de sapê e, a rigor, lançada por Hyldon dois anos antes em compacto editado em 1973 sem repercussão - e as baladas As dores do mundo e Na sombra de uma árvore. Hyldon assina sozinho dez das 12 músicas do repertório inteiramente autoral do álbum. As exceções são as músicas Balanço do violão Sábado e domingo, parcerias com Beto Moura e com Neném, respectivamente. O álbum foi gravado por Hyldon com José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti, o Mamão (bateria)  - os músicos do grupo Azymuth -  e com o reforço vocal de Sheila Wilkerson.

Fafá registra ao vivo, em julho, o show 'Do tamanho certo para o meu sorriso'

Fafá de Belém vai fazer em 15 de julho de 2016 o registro audiovisual do show Do tamanho certo para o meu sorriso. A gravação ao vivo vai ser feita no Teatro Bradesco da cidade de São Paulo (SP). Dirigido por Paulo Borges, o excelente show é baseado no álbum também intitulado Do tamanho certo para o meu sorriso e lançado em agosto de 2015 pela gravadora Joia Moderna para celebrar os 40 anos de carreira da cantora paraense. Clique aqui para (re)ler a resenha do show em que Fafá canta Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977) em cenário que simula um motel - como visto na foto de Caio Gallucci. A gravação ao vivo vai gerar DVD com o registro integral do show feito por Fafá com os guitarristas e compositores Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro, produtores do disco homônimo.

Natiruts edita single em que põe música de Djavan de 1987 na praia do reggae

O grupo brasiliense Natiruts trouxe uma composição antiga de Djavan para a praia do reggae em single lançado ontem, 24 de junho de 2016, nas plataformas digitais. A música Dou não dou foi lançada na voz do cantor e compositor alagoano no álbum Não é azul, mas é mar (CBS, 1987). Djavan aprovou a releitura da música. "Natiruts é uma grande banda. A versão em reggae da minha música Dou não dou ficou orgânica, vigorosa, linda, a cara deles. Adorei!", avalizou o autor através de nota enviada pela Sony Music, a gravadora que distribuiu atualmente tanto os discos de Djavan como os de Natiruts no mercado fonográfico brasileiro. O single pode ser ouvido no canal de Natiruts no YouTube.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Calor do registro integral do show ameniza redundância do DVD de Maria Rita

Resenha de álbum ao vivo em CD e DVD
Título: O samba em mim - Ao vivo na Lapa
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

A rigor, o DVD lançado hoje por Maria Rita exibe o segundo registro audiovisual do show Coração a batucar (2014 / 2015). Em outubro de 2014, a cantora paulistana captou pela primeira vez o show baseado no segundo álbum de samba da discografia da artista. Feita sob direção de Hugo Prata diante de plateia de convidados, esta gravação - de tom mais intimista - teve nove números editados no DVD-bônus inserido em edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014), posta nas lojas em março de 2015, um ano após o lançamento do disco original. Apesar do título diferente, o DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa exibe o mesmo show Coração a batucar visto de forma reduzida do DVD-bônus. A gravação é outra e foi feita na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para público pagante, no mesmo palco - o da Fundição Progresso - em que o show estreou oficialmente em abril de 2014 (a estreia real foi feita dias antes numa cidade do interior paulista). Desta vez, o show pode ser visto na íntegra. Ou quase na íntegra, já que, na segunda gravação ao vivo do show, sambas como Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973) e No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014) saíram do roteiro. Justamente alguns sambas - nos casos dos dois primeiros - que nunca ganham registros em mídia física na voz de Maria Rita (Comportamento geral foi faixa-bônus da edição digital do álbum Coração a batucar). O show Coração a batucar, em si, é excelente (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca). Mas é inevitável que haja redundâncias no DVD e no (inexplicavelmente curto) CD, que reproduz somente 13 das 20 músicas alinhadas no DVD Afinal, das 20 músicas, nove já fazem parte do DVD-bônus de 2014. Como o diretor é o mesmo, O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa inevitável sensação de déjà vu. O que ameniza - mas não anula - as redundâncias é o calor do público no registro ao vivo. Maria Rita recai em sambas como É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014), Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) e Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007) com o reforço do coro espontâneo do público que encheu a Fundição Progresso para ver a gravação ao vivo do show Coração a batucar. A fervura do público é o diferencial do DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa. Como (grande) cantora, Maria Rita nada mais precisa provar. A opção pelo samba também já resulta natural. O que a cantora precisa fazer, se continuar no samba como já sinalizou em entrevistas, é somente abrir novas alas dentro do gênero, cujo suingue nos shows recentes de Maria Rita reside mais no toque da guitarra de Davi Moraes do que na percussão, como evidenciam números como E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980), samba até então nunca registrado pela cantora, assim como Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987), samba que já mereceu - com o título equivocado de Boa noite - registro preciso de Beth Carvalho em gravação ao vivo de 1991. Sétimo título da videografia de Maria Rita se posto na conta o DVD embutido na edição dupla do álbum Segundo (Warner Music, 2005), O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa sensação de que já chega tarde ao mercado fonográfico. Afinal, a cantora já está em cena com outros dois shows, Samba de Maria e Voz e piano, mas deixa para a posteridade um registro da desenvoltura com que Maria Rita canta o samba dela, valorizando até um pagode de cepa mais popular como Abismo (Thiago Silva, Lelê e Davi dos Santos, 2014). Mesmo soando redundante, a gravação ao vivo tem alto valor musical. Vale repetir: o samba dela é bom. Deixe a menina sambar!...

Eis a capa de 'Ivete', álbum inspirado pela axé music que Wado lança em julho

Com capa que expõe projeto gráfico assinado por Dorgi Barros / Pana, o nono álbum de Wado, Ivete, tem lançamento programado para 5 de julho de 2016. No disco, cujo título é o primeiro nome da cantora baiana Ivete Sangalo, o cantor e compositor de origem catarinense - radicado em Maceió (AL) - apresenta visão da música afro-pop-baiana rotulada como axé music. Produzido pelo próprio Wado, Ivete totaliza dez músicas, entre inéditas e regravações de temas enraizados nos ritmos da Bahia, caso de Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973). Eis - na disposição do álbum - as dez músicas de  Ivete:

1. Alabama (Wado e Thiago Silva, 2016)
2. Terra Santa (Wado, Junior Almeida e Dinho Zampier, 2016) 

    - com trecho de Ralé (Jesus é palestino) (Carlinhos Brown, Gerônimo Santana e Alain Tavares, 2002)
3. Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro, 2005)
4. Sexo (Wado e Thiago Silva, 2016)
5. Mistério (Wado e Zeca Baleiro, 2016)
6. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
7. Você não vem (Wado, Momo e Marcelo Camelo, 2016)
8. Samba de amor (Alvinho Lancelotti e MoMo, 2016)
9. Amanheceu (Wado e Beto Bryto, 2016)
10. Nós (Wado e Zeca Baleiro, 2016)

Paula Lima recorre a Kassin para iluminar o refrão pop do single 'Mil estrelas'

"Eu vim com mil estreladas embrulhadas no papel / Pra te provar que existe maior que o céu / Quando estou com você", diz o refrão luminoso de Mil estrelas, ótimo single lançado por Paula Lima nas plataformas digitais neste mês de junho de 2016. Após discos feitos na cadência do samba, a cantora paulistana volta ao pop de acento soul na gravação desta música inédita de Ivo Mozart e Zeider Pires. Mas a maior novidade do single é a conexão de Paula Lima com Alexandre Kassin. A cantora recorreu ao produtor para formatar a gravação de Mil estrelas, feita na cidade do Rio de Janeiro (RJ) com músicos como Stephane San Juan (bateria e percussão), Roberto Pollo (teclados) e o próprio Kassin (baixo, guitarra e violão). Single brilha!!

Após dois álbuns, Gulin anuncia primeira gravação ao vivo para julho, no Rio

Em 2013, Thaís Gulin cogitou fazer na cidade natal de Curitiba (PR) o primeiro registro audiovisual de discografia que já tem dois álbuns de estúdio, Thaís Gulin (Rob Digital, 2006) e ôÔÔôôÔôÔ (Slap, 2011). Contudo, em 2015, a cantora revelou que gravaria o terceiro álbum em estúdio com música do compositor norte-americano Lou Reed (1942 - 2013), Walk on the wild side (1972), no repertório. Só que houve nova alteração de rota na trajetória fonográfica da artista. Em vez do álbum de estúdio, Gulin - em foto de Jorge Bispo - acabou optando mesmo por fazer a primeira gravação ao vivo da carreira. O registro ao vivo gera DVD e está agendado para 15 de julho de 2016 em show que vai ser feito pela cantora no Teatro Dulcina, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na qual Gulin já mora há anos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Pulverização de troféus no 27º Prêmio da Música Brasileira reflete o mercado

EDITORIAL - A já habitual pulverização de troféus no Prêmio da Música Brasileira está em sintonia cada vez maior com um mercado fonográfico em decomposição e cada vez mais estruturado em nichos. Por mais que a produção fonográfica da cena indie ainda seja pouco representada no evento que mais aglutina as estrelas da música brasileira, a 27ª edição da premiação criada pelo empresário José Maurício Machline esteve no tom. Como mostra a foto de Caíque Cunha, as cantoras Elza Soares e Gal Costa saíram premiadas da cerimônia realizada na noite de ontem, 22 de junho de 2016, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Quem há de questionar tais prêmios, já que Elza e Gal lançaram em 2015 álbuns emblemáticos das respectivas discografias, Estratosférica (Sony Music) e A mulher do fim do mundo (Circus), ambos enquadrados na genérica categoria Pop rock reggae hip hop funk?? O disco de Elza foi eleito o melhor álbum da categoria. Gal ficou com o troféu de melhor cantora. Na categoria MPB, Caetano Veloso e Gilberto Gil mereceram o prêmio de melhor álbum pelo registro ao vivo do show da fraterna turnê que os uniu em 2015. E grande justiça foi feita a Virgínia Rodrigues, eleita a melhor cantora de MPB por conta de álbum irretocável, Mama kalunga (Casa de Fulô Produções). Questionar, quem há de, já que a baiana Virgínia é uma das maiores cantoras do Brasil? Já a banda carioca Dônica ficou com o troféu de melhor grupo de MPB, embora o som da banda se enquadre mais no nicho pop. De toda forma, a luminosa performance da Dônica ao mergulhar com frescor no Lindo lago do amor (Gonzaguinha, 1984) mostrou que o prêmio foi justo. Na categoria samba, Zélia Duncan reinou com os troféus de melhor cantora e melhor álbum (Antes do mundo acabar) e ainda faturou o prêmio de melhor canção por conta de Antes do mundo acabar, o samba composto com Zeca Baleiro que batizou o disco lançado pela gravadora Biscoito Fino. Zélia lançou álbum irretocável. Os puristas - representados por Roque Ferreira, mas não somente pelo compositor baiano - desdenharam do disco, mas perderam oportunidade de ficarem calados. Na categoria regional, Elba Ramalho mais uma vez se saiu vitoriosa, mas com registro ao vivo, o do show Cordas, Gonzaga e afins (Coqueiro Verde Records). Na categoria Canção popular, o prêmio laureou a volta de Fafá de Belém ao disco com o primeiro álbum de estúdio em uma década, Do tamanho certo para o meu sorriso (Joia Moderna). A rigor, o disco atingiu o tamanho certo no palco, no show dirigido por Paulo Borges, mas a voz luminosa de Fafá justificou o troféu de melhor cantora. Assim como Simone Mazzer mereceu o prêmio de revelação, embora já esteja em cena há décadas. Com menor dose de inspiração autoral em Dancê (Pommelo Distribuições), Tulipa Ruiz teve que se contentar com prêmio na área visual (pelo projeto gráfico de Tereza Bettinardi). Enfim, gostos à parte, pode ter havido omissões, esquecimentos, mas jamais injustiças ou discrepâncias na distribuição dos troféus do 27º Prêmio da Música Brasileira, o maior e melhor do gênero no Brasil. Que venha a 28ª edição em 2017!

Presenças como a de Criolo redimem as ausências em tributo a Gonzaguinha

Resenha de premiação de música
Evento: 27º Prêmio da Música Brasileira
Direção: José Maurício Machline
Roteiro: Zélia Duncan
Elenco: Alcione, Amora Pêra, Angela RoRo, Criolo (em foto de Caíque Cunha), Daniel Gonzaga,
             Dônica, Elza Soares, Fernanda Gonzaga, Filipe Catto, João Bosco Júlio Andrade, Luiz 
             Melodia, Ney Matogrosso, Pretinho da Serrinha, Seu Jorge, Simone Mazzer e Thiago 
             da Serrinha
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de junho de 2016
Cotação: * * * *

Criolo se agigantou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ) ao cair com alta dose de engajamento social no samba de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945 - 1991), o Gonzaguinha, cantor e compositor homenageado na 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Dirigida pelo empresário José Maurício Machline (criador da premiação), roteirizada com sensibilidade pela cantora Zélia Duncan e apresentada com leveza pela atriz Dira Paes, a cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu na noite de ontem, 22 de junho de 2016, e foi entrelaçada com números musicais e com monólogos em que o ator Júlio Andrade - caracterizado como Gonzaguinha, tal como no filme de 2012 em que interpretou o artista carioca - expôs os fatos e sentimentos mais expressivos do homenageado, como se o próprio Gonzaguinha estivesse em cena. Ao levar o samba Comportamento geral (1972) para a praia do reggae e discursar contra a homofobia, o racismo e o machismo que se alastram no desgovernado Brasil de 2016, Criolo sobressaiu dentre os 17 nomes escalados para cantar 12 músicas deste compositor dono de obra que alternou fortes tons políticos e românticos. Presenças iluminadas como a do rapper paulistano e a do grupo carioca Dônica - que mergulhou com frescor e vivacidade no Lindo lago do amor (1984) - redimiram ausências sentidas como as de Maria Bethânia, Nana Caymmi e Simone, intérpretes fundamentais da obra de Gonzaguinha. Com a voz de contralto tinindo, Alcione abriu a série de números musicais cantando com desenvoltura o samba Com a perna no mundo (1979). Na sequência, Luiz Melodia se mostrou com pouca concentração ao dar Grito de alerta (1979) em dueto com Angela RoRo. A cantora tentou salvar a pátria, mas o dueto resultou sem interação. Filipe Catto e Simone Mazzer estiveram em maior sintonia ao dividir música, Sangrando (1980), talhada para vozes quentes como as dos cantores, que soaram intensos - como pede a canção - sem pecar por excessos vocais. Contudo, o microfone do cantor - em volume baixo, no início - prejudicou a fluência total do número. Além de solar Guerreiro menino (Um homem também chora) (1983) com sentimento, quase ao fim da cerimônia, o ator Júlio Andrade bem antes puxou a capella o coro da plateia de convidados em A vida do viajante (Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, 1953), número improvisado para lembrar a harmonia obtida por pai e filho, Gonzagão (1912 - 1989) e Gonzaguinha, ao fim da vida. Com o habitual rigor estilístico, Ney Matogrosso defendeu Explode coração (1978) - com arranjo meio abolerado - e João Bosco se bastou com o violão em Galope (1974), número que seria feito com Gilberto Gil e Lenine (ausentes por problemas de saúde). Ladeada pelos cantores e percussionistas Pretinho da Serrinha e Thiago da Serrinha, Elza Soares caiu - dura na queda - no samba O que é o que é (1982), incrementado ao fim com a bossa negra da cantora, aplaudida de pé pela figura imponente e já mítica. Redescobrir (1980) teve tom lúdico e emotivo pela simples presença do trio formado pelos filhos de Gonzaguinha (Amora Pêra, Daniel Gonzaga e Fernanda Gonzaga). Daniel arrepiou quando soltou a voz de timbre idêntico ao do pai. Com bela presença vocal, Seu Jorge encerrou os números musicais - feitos sob a direção musical do pianista João Carlos Coutinho - com É (1988), samba desbocado que poderia ter soado mais vibrante se todos os convidados tivessem entrado em cena para arrematar o samba com Jorge e acentuar o tom político de noite que teria contentado Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, vulgo Gonzaguinha, um dos grandes compositores da MPB dos anos 1970 e 1980.

Gonzaguinha 'encarna' na pele de ator ao ser homenageado em prêmio no Rio

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945 - 1991), o Gonzaguinha, foi revivido mais uma vez pelo ato gaúcho Júlio Andrade. Aplaudido pela convincente interpretação do cantor e compositor carioca no filme Gonzaga - De pai para filho (Brasil, 2012) Andrade vestiu novamente a pele do artista na cerimônia da 27º edição do Prêmio da Música Brasileira, dirigida pelo empresário José Maurício Machline, criador da premiação existente desde 1987. À vontade da interpretação do texto escrito pela roteirista do evento, Zélia Duncan, o ator fez várias intervenções na cerimônia caracterizado como Gonzaguinha - como visto na foto de Caíque Cunha - e falando como se fosse o compositor. A cada aparição de Andrade-Gonzaguinha, a plateia de convidados foi sendo informada de passagens marcantes da vida e obra do artista. Mais tarde, quase ao fim da cerimônia, o ator ainda virou cantor e deu voz a uma música do compositor, Guerreiro menino (Um homem também chora) (Gonzaguinha, 1983), propagada há 33 anos na voz do cantor cearense Raimundo Fagner. Apresentada pela atriz Dira Paes, que ainda assumiu a pele de Dina (mãe adotiva de Gonzaguinha) em cena feita com o ator, a cerimônia do 27º Prêmio da Música Brasileira ratificou o talento versátil, imenso, de Júlio Andrade. Foi como se Gonzaguinha estivesse presente, como narrador,  na premiação em que foi homenageado.