terça-feira, 25 de novembro de 2014

Marisa Monte apresenta a gravação do show em que Gil vai além de João

Nas lojas neste mês de novembro de 2014, em edição da gravadora Sony Music, o CD e DVD Gilbertos samba ao vivo, do cantor e compositor baiano Gilberto Gil, está sendo apresentado aos jornalistas e formadores de opinião por um texto escrito e assinado por Marisa Monte. A cantora e compositora carioca discorre sobre seu apreço pelo disco de estúdio Gilbertos samba (Sony Music, 2014) - no qual Gil aborda sambas gravados pelo cantor baiano João Gilberto - e pelo show no qual Gil extrapola o repertório de João, cantando temas de lavra própria. Com a palavra, Marisa: 

"Há alguns meses fui convidada para um encontro musical  com o Arnaldo Antunes, Jorge Benjor, Dadi e o Gilberto Gil na casa do Andre Midani.
Foi uma noite mágica, onde pela primeira vez pude escutar o Gil, com o violão no colo, tocar alguns dos sambas magistrais do repertório do João Gilberto que ele havia acabado de gravar no seu então inédito Gilbertos samba.
Aqueles sambas tão familiares provocaram um bem estar imediato; eram clássicos brasileiros gravados pelo João, passados ali pelo filtro poderoso do Gil, com todo o seu estilo, seu canto e seu instrumento, que por sua vez criava novas introduções, fraseados e harmonias para algo que até então parecia definitivo.
Assim como João teve papel central na formação de toda a geração dos anos 60, Gil foi fundamental para a minha turma que cresceu no Sítio do Pica Pau Amarelo, na sombra frondosa do seu abacateiro. Admiro sua generosidade de mestre e aprendi muito trabalhando com ele no estúdio em Cor de rosa e carvão, quando ele gravou seus incríveis violões, oferecendo uma brasilidade que estávamos buscando.
Esses e outros motivos me levaram a estar na plateia da primeira temporada do show Gilbertos Samba, num teatro do Rio.
O CD ja era então meu conhecido e fazia parte de nossas vidas como tantos outros.
O show ia além do João , do violão e do próprio Gil em  repertório e sonoridade e trazia o carisma e versatilidade do Mestrinho (para mim uma descoberta), a segurança e inteligência musical do Domenico, e a comovente cumplicidade do filho Bem e do sobrinho Moreno, estes juntos também na produção musical, criando um ambiente de amor e respeito que o Gil merece.
O DVD, dirigido por Andrucha Waddington e gravado no Teatro Municipal de Niterói, vai além do disco, e do próprio show em seus limites físicos de espaço e tempo, ampliando ao infinito e além o alcance da arte do Gil, para o bem da eternidade e das futuras gerações.
Obrigada, Gil!"

 Marisa Monte

Racionais MC's lançam o oitavo álbum, 'Cores & valores', com 15 faixas

O grupo paulistano de rap Racionais MC's apresentou aos primeiros minutos de hoje, 25 de novembro de 2014, Cores & valores, seu oitavo álbum, o sexto de estúdio e de inéditas. Com capa provocativa, na qual os quatro integrantes do grupo (Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay) aparecem mascarados e caracterizados como garis, com armas na mão, o álbum Cores & valores já está disponível para compra na plataforma virtual Google Play e para audição no YouTube. Gestado no Maraca Estúdio, situado no Capão Redondo, bairro da periferia paulista que serviu de cenário para a criação dos Racionais MC's, mas gravado no Quad Recording Studios e mixado no Brevery Recordind Studio, em Nova York (EUA), o disco enfileira 15 faixas. Algumas têm menos de um minuto e soam como vinhetas. Todas inéditas, as músicas do disco são assinadas por Mano Brown, Edi Rock e Ice Blue sozinhos ou em parceria com nomes como Don Pixote, Helião e Lino Crizz. Eis - na ordem do álbum - as 15 faixas de Cores & valores, o primeiro álbum de inéditas dos Racionais MC's desde Nada como um dia após o outro dia (Cosa Nostra, 2002):

1. Cores & valores (Mano Brown e Don Pixote)
2. Somos o que somos (Ice Blue e Helião)
3. Cores & valores - Preto e amarelo (Negreta)
4. Trilha (Mano Brown)
5. Eu te disse (Mano Brown) 
6. Preto zica (Mano Brown e Edi Rock)
7. Cores & valores - Finado neguim (Mano Brown)
8. Eu compro (Ice Blue e Helião)
9. A escolha que fiz (Edi Rock)
10. A praça (Edi Rock)
11. O mau e o bem (Edi Rock e Don Pixote)
12. Você me deve (Mano Brown e Don Pixote)
13. Quanto vale o show? (Mano Brown)
14. Coração barrabaz (Mano Brown)
15. Eu te proponho (Mano Brown e Lino Crizz)

Zé Renato abre parceria com Moraes Moreira através de tema com Pedro

Zé Renato e Moraes Moreira são os mais novos parceiros da música brasileira. O que motivou a abertura da parceria foi um comentário do cantor e compositor carioca - visto à esquerda em foto de Daniela Dacorso - a respeito de uma música ainda inédita feita por Zé com o também carioca Pedro Luís. Intitulada Do céu, essa parceria de Zé Renato e Pedro Luís tem melodia com "ares moraesmoreirianos" na visão de Zé. Ciente do comentário, o cantor e compositor baiano - à direita em foto de Lívio Campos - encontrou Zé em aeroporto e enviou letra ao colega, prontamente musicada. Vamos curtir o amor é o nome da primeira parceria de Moraes Moreira com Zé Renato.

Aos 25 anos de carreira, Sylvia planeja registro ao vivo com duas inéditas

 Radicada no Rio de Janeiro (RJ), a cantora e compositora baiana Sylvia Patricia tenta angariar recursos, através de plataforma de financiamento coletivo, para a gravação de DVD e CD ao vivo. Aos 25 anos de carreira fonográfica, iniciada em 1989 com a edição via Sony Music do álbum Sylvia Patricia, a artista - em foto de Edivalma Santana - planeja fazer o registro ao vivo em estúdio, sem público, com banda formada pelo baterista Cesinha, o baixista Fernando Nunes e os guitarristas André Valle e Marcos Nabuco. Além de músicas já gravadas pela cantora em seus seis álbuns, o repertório inclui duas composições inéditas em disco, Quisera e De vuelta. Sylvia já tem um DVD, Sessão extra, dividido com o ator e músico baiano Fernando Marinho e lançado em 2009 com a gravação ao vivo de show acústico filmado no Teatro Gregório de Matos, em Salvador (BA).

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Diogo grava CD de inéditas produzido por Bruno Cardoso, líder do Sorriso

Três meses após lançar Bossa negra, esplêndido álbum gravado e assinado com o bandolinista Hamilton de Holanda, o cantor e compositor carioca Diogo Nogueira entra em estúdio nesta última semana de novembro de 2014  para gravar disco de inéditas, o terceiro de sua discografia solo. Quem pilota a produção do álbum é Bruno Cardoso, o vocalista e líder do Sorriso Maroto, grupo carioca prestes a lançar CD e DVD gravados ao vivo em show no ginásio Maracanãzinho, no Rio de Janeiro (RJ). O primeiro álbum solo de estúdio de Diogo - em foto de Washington Possato - desde o CD Mais amor (EMI Music, 2013) vai ser editado em 2015 pela gravadora Universal Music.

Em gravação ao vivo, Banda Calypso reúne multidão na sua cidade natal

A IMAGEM DO SOM - A foto acima, postada na página oficial da Banda Calypso no Facebook, flagra um instante de afeto e cumplicidade entre a cantora Joelma e o guitarrista Chimbinha na gravação do DVD comemorativo dos 15 anos de vida da dupla paraense. A gravação ao vivo foi feita a partir das 17h de ontem, 23 de novembro de 2014, na Praça do Relógio, em Belém (PA), cidade natal da Banda Calypso. Com direito a trocas de figurinos e a convidados como os cantores Daniel e Lia Sophia, Joelma e Chimbinha apresentaram músicas novas e antigas do repertório da Calypso diante da multidão reunida na praça para assistir ao show. O DVD e o CD sairão em 2015.

Brown abre os festejos pelos 30 anos da 'axé music' com música inédita

Na foto acima, de Imas Pereira, o cantor, compositor e percussionista baiano Carlinhos Brown ensaia um passo de deboche, a dança criada por conta da música Fricote (Paulinho Camafeu e Luiz Caldas, 1985). Lançada há 30 anos por Luiz Caldas no álbum Magia (Nova República / PolyGram, 1995), Fricote foi um marco inicial - ao lado de gravações de Gerônimo e Sarajane - do som afro-pop-baiano que seria rotulado pelo jornalista baiano Hagamenon Brito de axé music. Por isso, a música Fricote é citada por Brown na letra da (ótima) música inédita, Por causa de você, composta pelo timbaleiro e lançada pelo compositor neste mês de novembro de 2014, abrindo os festejos pelas três décadas de axé music, a serem comemoradas ao longo de 2015. Com batida contagiante que remete aos tempos iniciais do axé, Por causa de você já pode ser ouvida no canal do artista no portal SoundCloud. O próprio autor da música escreveu na primeira pessoa um texto esperto para contextualizar a composição de Por causa de você. Com a palavra, Carlinhos Brown:

"Nosso movimento é simples como a música. Há 35 anos, eu era apenas um sonho carregado em mim mesmo. Até encontrar em minha frente artistas já realizados como Lui Muritiba, Chico Evangelista, Paulinho Boca de Cantor, o percussionista Ari Dias e os Novos Baianos, Jorge Portugal, Roberto Mendes e Raimundo Sodré. Todos eles e também Caetano, Antônio Risério, Gil, o Apaxes do Tororó e os blocos afros eram uma fonte de inspiração e liberdade regional.

Mas foi no estúdio da WR, de Wesley Rangel, que o professor Carlinhos Marques e os recém-chegados argentinos Nestor Madrid, Bocha Caballero e Guimo Migoya, davam o tom de avanço junto ao movimento instrumental com Zeca Freitas, Sexteto do Beco, Zaquim e Paulinho Andrade. E o incrível era que tudo isso ia além de um movimento musical; era uma ação comunicada. E um inesperado convite para integrar como percussionista oficial da WR me trouxe a grata surpresa de outros grandes encontros com músicos como o baterista Cezinha Lacerda, o tecladista e arranjador Alfredo Moura, o percussionista Espiga, Von Ol.

Espontaneamente começamos a fazer parte de um movimento de comunicação e atendíamos promissores e emergentes publicitários, como Duda Mendonça, Ninzan Guanaes, Fernando Barros, Washinton Oliveto e Giovani Almeida e sua Madragoa. Com um potente cash e compositores inspirados - como Paulinho Camafeu, Jorge Portugal, Vevé Calazans, Walter Queiroz, Batatinha, Dubinha, Ton Ton Flores, Fabio Paz, Carlos Pitta e grandes outros - começava ali o registro do que estava rolando nas ruas, nos bares e nos lares.

Quando chega Roberto Santana com seu selo Nova República e nos requisita para projetos como o disco Mensageiro da alegria, de Gerônimo, Magia, de Luiz Caldas, e Rio de leite de Sarajane.

E foram essas primeiras músicas que começaram a soar no rádio que motivaram dois gênios críticos, Marcelo Nova e Hagamenon Brito, a batizarem o que estava sendo construído. Nas rádios também soavam a música Axé Babá, de Gilberto Gil e, enquanto os músicos mais conceituados nos chamavam de Axé Babaca, Hagamenon Brito nos chamou de Axé Music. E isso era tudo que nossos experimentos buscavam: algo que nos identificasse.

Nosso desejo inicial era de pesquisa, laboratorial. Nós éramos um grupo de estúdio, mas também de estudo. Nós aplicávamos na música o que íamos aprendendo na nossa experiência popular e religiosa: eu vinha das ruas da Bahia, Luiz Caldas do interior do estado, Alfredo Moura e Cezinha de bairros como Graça e Vitória, Carlinhos Marques já com a experiência de tocar com Carlos Lacerda e outros artistas da Jovem Guarda. Fora dali, continuávamos pesquisando no Pelourinho com Neguinho do Samba. Logo depois, quando integrei o Acordes Verdes, liderado por Luiz Caldas, não paramos mais de produzir axé music. O mais importante de tudo isto é que seguimos com uma experiência de estudo e artistas importantes nos confiavam bases, como Chiclete com Banana, Asa de Águia, Sarajane, dentre outros.

O coletivo nasceu muito forte porque todos encontrávamos segurança um nos outros. E o mais importante: Nós sabíamos que éramos filhos de Dodô e Osmar. Naquele momento, cantar as coisas do Brasil era de extrema importância. O pop rock também ganhava força. O Brasil, quando nos ouviu pela primeira vez, nos considerou caribenhos se esquecendo que o Caribe começou aqui. Salvador nasce primeiro que Cuba. Tudo passou aqui primeiro, para depois ir para o Caribe. Essa força não está só nos músicos, mas também nos produtores e comunicadores como Bel Machado, Cristovão Rodrigues, Manolo Posada e uma quantidade gigante de pessoas que deram suas vidas para o que somos hoje.

Estes versos de Por causa de você são para eles e para o público que entendeu tudo isso. Claro que os subprodutos macularam muitas pérolas do movimento, mas que tal redescobri-las agora?

Muito obrigado Pintado do Bongô, Gigante de Bagdá, Arquimedes, Nelson Maleiro, Professor Edgar Santos, Mestre Prego, Mãe Menininha do Gantois, Mãe Maiamba, Antônio Risério, Caetano, Eron, Buziga. Muito obrigado a você, muito obrigado axé!"

Francis navega ao vivo por temas novos e antigos sob a luz da inspiração

Resenha de show - Gravação ao vivo de CD e DVD
Evento: Festival Villa-Lobos
Título: Navega ilumina
Artista: Francis Hime (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Espaço Tom Jobim (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 23 de novembro de 2014
Cotação: * * * * 1/2

De todos os compositores brasileiros surgidos ao longo dos anos 1960, Francis Hime é o único que mantém a chama criativa na mesma altitude dos tempos de juventude e de consolidação da obra autoral. No show gravado ao vivo pelo artista carioca na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 23 de novembro de 2014, o entrelaçamento de músicas de seu recém-lançado álbum de inéditas Navega ilumina - posto no mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 em CD editado via Selo Sesc - com títulos do cancioneiro dos anos 1970 e 1980 evidenciou o nivelamento da obra atual com o repertório de outrora. Com o fogo de uma vida profissional ainda em ebulição, o cantor, compositor, pianista e maestro carioca faz sua navegação por músicas novas e antigas sob a luz da mesma inspiração. O voo sinfônico de Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1977), por exemplo, alcançou a mesma altitude do novo samba Ilusão (Francis Hime, 2014), uma das várias grandes músicas do álbum Navega ilumina. Da mesma forma, a proximidade da primeira e da última parceria de Francis com o poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes - Sem mais adeus (1963) e Maria da Luz (2014), alocadas lado a lado no roteiro - reforçou a equidade entre o cancioneiro de ontem e o de hoje. A voz do compositor pode até não ser o veículo mais ideal para expressar os sentimentos das canções mais densas. Tanto que, do ponto de vista vocal, a melhor interpretação do show foi a dada por Olivia Hime, convidada do bis, para Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977), cantada sem drama, com a dose exata de emoção e melancolia pedida por essa canção de separação. Assim como Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972) soou mais pungente quando a primeira parte da melodia foi soprada pelo sax soprano de Marcelo Bernardes, integrante da virtuosa big-band arregimentada pelo maestro para tocar no show dirigido por Flávio Marinho - sem invenções de moda, prejudiciais a um recital - e perpetuado na gravação feita no Espaço Tom Jobim. De todo modo, resultou magistral a apresentação captada pela gravadora Biscoito Fino - em parceria com o Canal Brasil - para edição de CD ao vivo e DVD programados para 2015. Ao piano, tocado com absoluta precisão no número solo Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014), o músico maestro regeu sua mini-orquestra e mostrou a exuberância de melodias como a do samba-enredo que batiza o disco e o show, Navega ilumina, parceria com o poeta Geraldo Carneiro cujos vocais femininos evocam por vezes a jobiniana Banda Nova. Regidos por seu maestro, soberano na apresentação feita com fluência e sem pausas para repetições (deixadas para depois do bis), os músicos da big-band tiveram realçados os toques de seus instrumentos. Se o violoncelo de Hugo Pilger sublinhou o lirismo de Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966), a flauta de Dirceu Leite ajudou Francis a levar o samba de tom bossa-novista Sessão de tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014). Já Cristina Braga - que entrou em cena na valsa Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014) - brilhou, majestosa, em Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014), tema arquitetado dentro dos rigores da música erudita. Em contrapartida, a graça de Lua de cetim (Francis Hime e Olivia Hime, 1981) não foi iluminada a contento no dueto sem viço da vocalista Eliza Lacerda com Francis. Mas são detalhes pequenos de grande show, encerrado no bis com a épica Parceiros (1984), composição de Francis com Milton Nascimento. Entre um samba novo como o questionador Mistério (2014) e um samba antigo como Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981), o maestro reitera sua maestria na construção de melodias envolventes, não raro sublimes. Em águas passadas ou no produtivo tempo presente, o show Navega ilumina se acende sob a luz da contínua inspiração do grande Francis Victor Walter Hime.

Francis põe parcerias com Chico e Milton no roteiro de gravação ao vivo

 Parceria bissexta de Francis Hime com Milton Nascimento, Parceiros - música lançada por Francis há 30 anos no álbum Essas parcerias (Elenco / Opus Columbia, 1984) - foi a grande surpresa da estreia carioca de Navega ilumina, show baseado no magistral álbum homônimo lançado por Francis neste mês de novembro de 2014. Música menos conhecida dentre as parcerias feitas por Francis Hime com Chico Buarque nos anos 1970 e 1980, Luiza - lançada por Francis no álbum Passaredo (Som Livre, 1977) - foi outra presença surpreendente no roteiro do show em número feito por Francis em dueto com a vocalista Malu Von Kruger. Na sequência imediata da chegada ao mercado fonográfico do álbum Navega ilumina, posto nas lojas em edição física em CD via Selo Sesc, o cantor, compositor, pianista e maestro carioca fez a gravação ao vivo do show para edição de CD e DVD programados para serem lançados em 2015 pela gravadora Biscoito Fino em parceria com o Canal Brasil. A gravação aconteceu na noite de ontem, 23 de novembro de 2014, em show feito no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), dentro da programação da 52ª edição do Festival Villa-Lobos. Além das exuberantes composições do disco Navega ilumina, o artista reviveu parcerias antigas com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) - como a seminal Sem mais adeus, que deu início em 1963 ao cancioneiro de Francis - e com Chico Buarque, de cuja parceria o maestro também recordou os sucessos Passaredo e Trocando em miúdos, músicas lançadas no mesmo álbum de 1977 em que Luiza veio ao mundo como homenagem às respectivas filhas dos parceiros, ambas chamadas Luiza. A canção Trocando em miúdos foi ouvida na gravação ao vivo na voz da cantora Olivia Hime - que orquestrou a produção do show dirigido por Flávio Marinho - já no bis, em número que apresentou a mais bela interpretação vocal da apresentação. Outras parcerias com Chico, como Atrás da porta (1972) e Amor barato (1981), também entraram na pauta da gravação ao vivo. Eis o roteiro seguido por Francis Hime - em foto de Mauro Ferreira - no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), em 23 de novembro de 2014, no show feito com os músicos Mauricio Carrilho (violão), Jorge Helder (baixo), Jayme Vignolli (cavaquinho), Marcus Thadeu (bateria), Magno Cordeiro (percussão), Dirceu Leite (sax alto, clarone e flauta), Marcelo Bernardes (clarinete, sax soprano, sax tenor), Cristiano Alves (clarinete e clarone) e Hugo Pilger (violoncelo), com as vocalistas Eliza Lacerda e Malu Von Kruger e com participação de Claudio Cruz (violino), Cristina Braga (harpa) e Olivia Hime:

1. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014) - trecho
2. Sem mais adeus (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963)
3. Maria da Luz (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 2014) - com Cristina Braga
4. Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Cristina Braga
5. Minha (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966)
6. Amorosa (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
7. Ilusão (Francis Hime, 2014)
8. Luiza (Francis Hime e Chico Buarque, 1977) - com Malu Von Kruger
9. Sessão da tarde (Francis Hime e Joana Hime, 2014)
10. Lua de cetim (Francis Hime e Olivia Hime) - com Eliza Lacerda
11. Isabel - Fantasia para violino e orquestra (Francis Hime, 2014) - com Claudio Cruz
12. Passaredo (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
13. Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972)
14. Breu e graal (Francis Hime e Thiago Amud, 2014)
15. Amor barato (Francis Hime e Chico Buarque, 1981)
16. Mistério (Francis Hime, 2014)
17. Navega ilumina (Francis Hime e Geraldo Carneiro, 2014)
Bis:
18. Canção apaixonada (Francis Hime e Olivia Hime, 2014)
19. Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977)
20. Parceiros (Francis Hime e Milton Nascimento, 1984)

domingo, 23 de novembro de 2014

Caixa traz reedições dos álbuns feitos por Raul na Warner de 1977 e 1989

Em 1977, quando sua parceria com Paulo Coelho já tinha dado sinais de desgaste e iminente extinção, Raul Seixas (1945 - 1989) migrou da gravadora Philips para a então recém-aberta (no Brasil) Warner Music. Na nova companhia fonográfica, o cantor e compositor baiano gravou e lançou três álbuns - O dia em que a terra parou (1977), Mata virgem (1978) e Por quem os sinos dobram (1979) - que deram prosseguimento à discografia iniciada em 1973 na Philips. Em 1980, já em declínio, o Maluco beleza - epíteto surgido com a música homônima lançada no álbum de 1977 - assinou contrato com a CBS e, ao longo daquela década de 1980, transitou por várias gravadoras (Eldorado, Som Livre, Copacabana) até voltar para a Warner Music em 1989 para gravar seu último álbum, A panela do diabo, feito e assinado com o discípulo Marcelo Nova. Os quatro títulos da discografia do artista na Warner Music estão ganhando reedições neste ano de 2014, embalados numa caixa, Raul Seixas 70, produzida pelo pesquisador carioca Marcelo Fróes.

Bambas do samba cantam a obra de Dona Ivone Lara em gravação no Rio

A foto acima flagra o músico Dirceu Leite - mestre dos sopros - com a cantora e compositora carioca Dona Ivone Lara na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ). O palco da Grande Sala da Cidade das Artes está recebendo vários bambas do samba neste fim de semana de 22 e 23 de novembro de 2014 para o início das gravações do quarto volume da série Sambabook, dedicado a Ivone Lara. Os títulos mais expressivos do cancioneiro da compositora ganham regravações que serão lançadas em CD, DVD e blu-ray programados para 2015. Projeto inclui ainda discobiografia.

Nelson Motta produz terceiro CD de fadista com inéditas de Djavan e Ivan

Aos 70 anos, o jornalista, escritor e compositor paulistano Nelson Motta retoma em Portugal sua carreira de produtor musical. Motta é o produtor do terceiro álbum da cantora portuguesa Cuca Roseta, uma das vozes do fado contemporâneo. Postada por Roseta em sua página oficial no Facebook, a foto acima flagra a cantora com seu produtor em Lisboa, cidade onde o disco vai começar a ser gravado ainda neste mês de novembro de 2014. Motta conseguiu músicas inéditas dos compositores brasileiros Djavan e Ivan Lins para o repertório do álbum que sucede Cuca Roseta (Surco / Universal Music, 2011) e Raiz (Universal Music, 2013) na discografia da artista. Entre músicas portuguesas e inédita do compositor uruguaio Jorge Drexler, Cuca Roseta - que canta Apaixonada (Nelson Motta e Ed Motta, 2001) no CD comemorativo dos 70 anos de seu produtor, Nelson 70 (Som Livre, 2014) - vai dar voz a músicas brasileiras como Pra machucar meu coração (Ary Barroso, 1943) e Mascarada (Zé Kétti e Elton Medeiros, 1965). CD sai em 2015.

Criolo comanda a massa ao pregar seu rap em cena com fervor de pastor

Resenha de show
Título: Convoque seu Buda
Artista: Criolo (em foto de Ramon Moreira)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de outubro de 2014
Cotação: * * * * 1/2

 No show Convoque seu Buda, baseado em seu homônimo terceiro álbum, Criolo usa o discurso de seu rap para fazer pregação contra injustiças sociais. Mas o rapper paulistano prega sua ideologia distante da serenidade de um Buda. Em cena, Criolo comanda a massa com o fervor de um pastor, como um messias que apresenta suas boas novas diante de uma plateia de convertidos. Na estreia carioca do show, iniciado no palco da Fundição Progresso já nas primeiras horas do sábado 22 de outubro de 2014, tal fervor foi o fermento que fez crescer o entusiasmo da massa ao longo dos 19 números da apresentação - já contabilizadas nesses 19 números as quatro músicas do primeiro e do segundo bis. O clima no Brasil tem estado tenso e raps como Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman, 2014) e Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014) - alocados na abertura do show, tal como no início do recém-lançado álbum Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) - captam a fervura da chapa. Elétrico, Criolo pula no palco da Fundição Progresso, saúda seu público (é saudado o tempo todo por esse público) e interage com a big-band que toca afrobeats, cai na cadência bonita do samba - de forma até tradicional em Fermento pra massa (Criolo, 2014) - e se banha na praia do reggae, injetando pressão no rap miscigenado de Criolo. Os arranjos do show seguem a trilha exuberante das orquestrações do disco, roçando o requinte dos arranjos do álbum com sutis diferenças. De tom mais  nordestino no registro de estúdio, Pegue pra ela (Criolo, 2014) ganha pegada roqueira no show. Em Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014), Tulipa Ruiz entra em cena, ao vivo e em cores, cheia de charme e voz para cantar e coreografar com Criolo e com Cassiano Sena - o caloroso DJ DanDan, partner de Criolo no show - tons e movimentos que remetem ao universo dos bailes de black music. A ordem parece ser dançar para não dançar no sistema opressor de um país que divide seu povo em classes e cotas. No meio da pregação, Criolo abre espaço para o discurso igualmente politizado de Neto, rapper do duo Síntese, convidado de Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014) e solista de Não mais problemas (Síntese, 2013), rap que Síntese já vem cantando com Criolo em seus shows. Sem perder o pique, Criolo entrelaça nove das dez músicas do álbum Convoque seu Buda - quase todas cantadas em coro pela plateia, o que comprova a eficácia do oferecimento do álbum para download gratuito - com sete composições do consagrador álbum anterior, Nó na orelha (Independente, 2014). No primeiro bis, o roteiro ainda abarcou um rap, Tô pra vê (Criolo, 2006), do primeiro álbum do artista, Ainda há tempo (Independente, 2006). No todo, o show Convoque seu Buda reitera o carisma e o poder agregador do pastor Kleber Cavalcante Gomes, o popular Criolo, um novo messias do hip hop brasileiro, cheio de boas novas para cantar.

sábado, 22 de novembro de 2014

Criolo recebe Tulipa e Síntese na estreia carioca de 'Convoque seu Buda'

Convidada da estreia carioca do show Convoque seu Buda, de Criolo, a cantora paulistana Tulipa Ruiz abrilhantou a apresentação iniciada na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), aos 45 minutos deste sábado, 22 de novembro de 2014. Com direito a coreografias feitas à moda dos bailes da pesada com o rapper paulistano e com Cassiano Sena, o DJ DanDan, Tulipa entrou em cena no último número antes do bis, Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral), rap que flerta com a black music norte-americana. Cartão de visita se destacou no roteiro inteiramente autoral no qual Criolo - em foto de Ramon Moreira - mistura músicas de seus dois ótimos últimos álbuns, o consagrador Nó na orelha (Independente, 2011) e o recém-lançado Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) sem esquecer do primeiro, Ainda há tempo (Independente, 2006), lembrado no bis com o rap Tô pra vê (Criolo, 2006). Outro convidado da apresentação foi Neto, rapper do duo paulista Síntese, que entrou no palco em Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral) e, na sequência, cantou Não mais problemas, rap do repertório da dupla. Eis o roteiro seguido pelo rapper com sua big-band na estreia do quente show Convoque seu Buda no Rio de Janeiro (RJ) em 22 de novembro de 2014:

1. Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman, 2014)
2. Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014)
3. Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011)
4. Subirudoistiozin (Criolo, 2011)
5. Casa de papelão (Criolo, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014)
6. Duas de cinco (Criolo, Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos, 2013)
7. Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014)

     - com Síntese
8. Não mais problemas (Síntese) - Síntese
9. Pé de breque (Criolo, 2014)
10. Grajauex (Criolo, 2011)
11. Lion man (Criolo, 2011)
12. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
13. Pegue pra ela (Criolo, 2014)
14. Fermento pra massa (Criolo, 2014)
15. Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014) - com Tulipa Ruiz
Bis:
16. Sucrilhos (Criolo, 2011)
17. Tô pra vê (Criolo, 2006)

Bis 2:
18. Linha de frente (Criolo, 2011)
19. Vasilhame (Criolo, 2013)

Banda Calypso festeja 15 anos de vida com gravação de DVD em Belém

Criada em 1999 no Pará, a Banda Calypso - a rigor, uma dupla formada pelo guitarrista e produtor musical Cledivan Almeida Farias, o Chimbinha, com a cantora Joelma Mendes - vai festejar seus 15 anos de vida com o registro ao vivo de show programado para sua cidade natal, Belém (PA). A gravação ao vivo vai ser feita a partir das 17h de amanhã, 23 de novembro de 2014, em apresentação da Calypso na Praça do Relógio. O time de convidados da gravação inclui o cantor Daniel, a banda Calcinha Preta e a cantora de música evangélica Ludmila Ferber, além de vários nomes da atual cena musical paraense (Lia Sophia, Viviane Batidão, Edilson Santana, David Assayag, Edilson Moreno, Marcelo Val, Nelsinho Rodrigues, Alberto Moreno, Mestre Vieira e Mestre Curica). À frente de cenário idealizado por Zé Carratu, sob a direção de Caco Souza, Chimbinha e Joelma vão cantar músicas como Passe de mágica e Vem balançar, ambas compostas por Edilson Moreno. Com Lia Sophia, a Banda Calypso vai registrar os carimbós Amor de promoção e Ai, menina, ambos de autoria de Sophia. Já Daniel vai participar de Minha vida não é vida sem você - música de Elias Muniz cuja gravação de estúdio já foi lançada em redes sociais - enquanto a banda Calcinha Preta vai entrar em cena em Como eu te amei (Beto Caju e Marquinhos Maraial).

Baixista do grupo Cidadão Quem, Luciano Leindecker sai de cena no Sul

Compositor e músico gaúcho, Luciano Leindecker (1972 - 2014) finalizou este ano - com o músico Paulo Inchauspe - álbum ainda não lançado, Gol a gol, com músicas inéditas de autoria da dupla. Mas o nome de Luciano vai estar associado para sempre ao grupo gaúcho de rock Cidadão Quem, criado em 1990 como um trio, formado por Luciano no baixo, seu irmão Duca Leindecker na guitarra e no vocal e já o falecido Cau Hafner na bateria. Reativado em 2013, após cinco anos de recesso, o Cidadão Quem deu projeção no Sul do Brasil a Luciano, que saiu de cena na noite de ontem, 21 de novembro de 2014, em hospital de Porto Alegre (RS), vítima do câncer que - ao ser descoberto pelo músico em 2008 - provocou a interrupção provisória do grupo.

Sem pressa, Rubinho segue a trilha de 'Andando no ar' em tempo calmo

Resenha de CD
Título: Andando no ar
Artista: Rubinho Jacobina
Gravadora: Joia Moderna / Tratore
Cotação: * * * *

"Na hora de ter calma, você tem pressa / Na hora de ter pressa, você tem calma". A dialética da reclamação feita em tom supostamente impaciente por Rubinho Jacobina em Calma (Rubinho Jacobina e Domenico Lancellotti, 2014) - indie rock que abre o segundo belo álbum do cantor e compositor carioca, Andando no ar - pode ser aplicada ao tempo do artista na criação e edição do disco produzido por Moreno Veloso com Pedro Sá. Em vez de calma, Rubinho teve pressa para gravar o álbum em apenas quatro dias de 2010 no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ). Em vez de pressa, o artista teve calma ao longo dos últimos anos para resolver questões jurídicas relativas à distribuição no disco do mercado fonográfico até acertar o lançamento de Andando no ar com a gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Nesse tempo, longo até para o ritmo lento da indústria fonográfica, músicas então inéditas como Bem a sós (Rubinho Jacobina, 2012)  - ouvida com o autor em registro que embute órgão à moda dos anos 1960 -  e a tropicalista Ringard (Rubinho Jacobina, 2014) foram parar em discos e vozes das cantoras Roberta Sá e Silvia Machete, respectivamente. Cantoras de ouvidos atentos que perceberam a boa qualidade da produção autoral do compositor que ora se expõe como cantautor, com a calma de se saber cantor de alcance vocal limitado. Mas, não, a corda vocal de Jacobina não chega a ser um problema, como o artista se auto-ironiza em verso de Meio tom (Rubinho Jacobina, 2009), samba lançado há cinco anos pelo cantor carioca Pedro Miranda em seu álbum Pimenteira (Independente, 2009). Tanto que Jacobina se aventura como intérprete em duas músicas assinadas pela afinada dupla de compositores Luís Reis (1926 - 1980) e Haroldo Barbosa (1915 - 1979). Uma delas é o samba Lamento bebop, lançado em disco em 1961 pelo cantor carioca Miltinho (1928 - 2014), rei de um balanço traduzido no registro de Rubinho pelo suingue da guitarra de Pedro Sá (fundamental na arquitetura de outra faixa, Segue esculachando, de autoria de Rubinho). A segunda música do maranhense Luís Reis com o carioca Haroldo Barbosa, inédita, é o samba-canção que batiza o álbum, Andando no ar, tema em que Jacobina destila onírica e poeticamente mágoas de amor embebidas em doses fartas de álcool. Andando no ar - o disco lançado neste mês de novembro de 2014 com distribuição da Tratore - é de certa forma mais calmo e menos roqueiro do que seu bom antecessor Rubinho Jacobina e a força bruta (Independente, 2005). Mas tem rock (como Clichê colado), tem samba - ritmo que pautou a passagem de Rubinho pela Garrafieira, banda que fundou no Rio de Janeiro (RJ) - e tem marcha, a Marcha lúbrica (Rubinho Jacobina), que segue o bloco posto na ruas cariocas pela Orquestra Imperial, big-band que deu projeção a Rubinho ao longo dos anos 2000. E tem também poema de Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), Cidadezinha qualquer (1930), musicado por Rubinho e cantado em tom vagaroso - entre cordas orquestradas pelo próprio artista - que explicita influência do som de Caetano Veloso da fase Cê. Tem até um clima de fado, esboçado em Onde moras?, música feita pelo compositor carioca Nelson Jacobina (1953 - 2012) - irmão de Rubinho - a partir de versos do parnasiano poeta português Antônio Feijó (1859-1917). Em outra latitude, o samba Vento lento (Rubinho Jacobina e Pedro Canella) espalha no ar envolvente suingue que parece abarcar Bahia, Pará, Caribe e África na sua rota. No fim do disco, que tem belo projeto gráfico assinado por Luiz Zerbini e Juliana Wahner, a marcha Peter Pan (Rubinho Jacobina) repõe o bloco do cantautor na rua, arrematando Andando no ar com a sensação de que Rubinho Jacobina segue sua trilha e faz seu Carnaval roqueiro sem pressa, em um tempo próprio do artista. Tanto que Calma, o rock falsamente impaciente que abre o disco nos toques da bateria (firme) de Domenico Lancellotti e das guitarras de Bartolo e Pedro Sá, foi cantado por seu autor no evento Cep. 2000 nos anos 1990 e somente agora chega ao disco, no tempo de Rubinho Jacobina.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Boaventura grava seu segundo DVD no Rio com a participação de Kiara

O ator e cantor baiano Daniel Boaventura se prepara para gravar o segundo DVD de sua carreira fonográfica. A gravação ao vivo está agendada para 6 de dezembro de 2014 em show no Teatro Bradesco, no Rio de Janeiro (RJ). Atriz de musicais de teatro (plataforma em que Boaventura alcançou projeção antes de iniciar sua trajetória fonográfica na gravadora Sony Music), Kiara Sasso vai participar da gravação do show baseado no repertório do terceiro álbum de estúdio do artista, One more kiss (Sony Music, 2014). A produção musical é de André Vasconcelos. Já a captação do vídeo ficará sob direção de Raoni Carneiro. O cantor dividirá o palco com 16 músicos.

Desigual, a premiação do 15º Grammy Latino desvaloriza Brasil outra vez

Editorial - Sexto álbum de Maria Rita, Coração a batucar (Universal Music, 2014) foi eleito no 15º Grammy Latino o Melhor álbum de samba / pagode. Parece um feito, mas não é. Realizada na MGM Gran Garden Arena de Las Vegas (EUA) na noite de ontem, 20 de novembro de 2014, a cerimônia de premiação do 15º Grammy Latino ignorou o Brasil em todas as categorias principais e gerais - categorias em que uma vitória poderia ter algum real significado. Pela lista de indicados, a produção fonográfica do Brasil já havia sido minimizada ao extremo nessas categorias. Apenas Caetano Veloso tinha chance de conquistar o 15º Grammy Latino de Canção do Ano com A bossa nova é foda (Caetano Veloso, 2012). Mas perdeu o prêmio para o guitarrista e compositor espanhol Paco de Lucía (1947 - 2014), morto em fevereiro deste ano, mas postumamente vitorioso por sua Cancíon andaluza. Já seu filho, Moreno Veloso, perdeu o troféu de produtor do ano para o norte-americano Sergio George. O Brasil foi perdedor até na única categoria geral - Melhor álbum instrumental - no qual a produção fonográfica nacional estava bem representada, com três das cinco indicações, dadas para os álbuns Caprichos (do bandolinista carioca Hamilton de Holanda), Continente (do violonista gaúcho Yamandú Costa) e O piano de Antonio Adolfo (do pianista carioca Antonio Adolfo). O vencedor foi Final night at birdland, de Arturo O'Farrill & The Chico O'Farrill Afro-Cuban Jazz Orchestra. Ou seja, o Brasil sai de mãos abandando, embora as vitórias nas categorias dedicadas exclusivamente à música brasileira deem a falsa impressão de que o 15º Grammy Latino valorizou a música do Brasil. Certamente, os artistas vencedores destas categorias nacionais vão alardear suas vitórias. Mas elas representam muito pouco diante de uma premiação que inferioriza a produção fonográfica do Brasil diante da música gravada em espanhol nos outros países da América Latina e na Espanha. Não é o caso de defender a supremacia de uma música sobre outra, ainda que a música brasileira seja de fato uma das melhores do mundo em âmbito mundial, mas de reivindicar maior igualdade na premiação para o que Brasil passe a ser mais valorizado no Grammy Latino, já que o resultado da 15º edição é similar ao de edições anteriores. Do jeito que está, mais do que frustrante, a premiação resulta injusta, mesmo que os brasileiros vencedores divulguem suas vitórias no 15º Grammy Latino na mídia e em redes sociais.

Vencedores dos 15º Grammy Latino nas categorias brasileiras:
* Melhor álbum de MPB - Verdade, uma ilusão (Phonomotor Records / EMI / Universal 

   Music), de Marisa Monte
* Melhor álbum pop contemporâneo brasileiro - Multishow ao vivo - Ivete Sangalo 20 anos
  (Universal Music), de Ivete Sangalo
* Melhor álbum de rock brasileiro - Gigante Gentil (Coqueiro Verde Records), de Erasmo
   Carlos
* Melhor álbum de samba / pagode - Coração a batucar (Universal Music), de Maria Rita
* Melhor álbum de música sertaneja - Questão de tempo (Radar Records), de Sérgio Reis
* Melhor álbum de raízes brasileiras - Amigo velho (Radar Records), do grupo Falamansa

* Melhor álbum cristão - Graça (MK Music), de Aline Barros
* Melhor canção brasileira - A bossa nova é foda (Caetano Veloso, 2012)

Zezé & Luciano gravam ao vivo em São Paulo em 2015 e caem na pista

 Zezé Di Camargo & Luciano vão iniciar o ano de 2015 com mais uma gravação ao vivo. A dupla sertaneja agendou para 16 de janeiro de 2015, no Citibank Hall de São Paulo (SP), o registro do show Flores em vida para edição de CD ao vivo e DVD. A propósito, a música que dá nome ao show dos irmãos goianos, Flores em vida (Alberto Araújo e Felipe Duran), foi remixada pelo DJ e produtor Mister Jam. Trata-se do primeiro remix oficial da discografia da dupla - o que sinaliza que Zezé Di Camargo & Luciano estão atentos à tendência da música sertaneja de se jogar na pista de dança em sintonia com o universo noturno das baladas. É a trilha seguida por Luan Santana e Cia.

Caixa com cinco álbuns lembra os 30 anos do sucesso inicial do Ultraje

Contratado em 1982 pela Warner Music, gravadora pela qual debutou no mercado fonográfico em 1983 com o compacto que trazia Inútil (Roger Moreira) e Mim quer tocar (Roger Moreira), o grupo paulistano Ultraje a Rigor estourou em 1984 a partir da edição de um segundo compacto que trazia Eu me amo  (Roger Moreira) e Rebelde sem causa (Roger Moreira). Tomando como ponto de partida esse sucesso inicial, o pesquisador e produtor musical carioca Marcelo Fróes formatou para a Warner Music a caixa Ultraje a Rigor 30 anos, que chega às lojas ainda neste ano de 2014. Com o pretexto de festejar as três décadas desse êxito inicial do grupo (ainda na ativa, liderado pelo resistente vocalista Roger Moreira), a caixa embala reedições dos cinco primeiros álbuns do Ultraje, lançados entre 1985 e 1993 pela Warner Music. Nós vamos invadir sua praia (1985), Sexo! (1987), Crescendo (1989), Por quê Ultraje a Rigor? (1990) e Ó (1993) voltam ao catálogo, encaixotados com capas e contracapas originais, letras, fichas técnicas e reprodução dos rótulos dos LPs originais. As reedições são aditivadas com 17 faixas-bônus extraídas de singles, discos promocionais, coletâneas e projetos especiais. Entre elas, há Vamos virar japonês (Roger Moreira), música lançada na compilação O mundo encantado do Ultraje a Rigor (1992).

Livro 'As sete vidas de Nelson Motta' extenua relato das noites musicais

Resenha de livro
Título: As sete vidas de Nelson Motta
Autor: Nelson Motta
Editora: Foz
Cotação: * * 1/2

Jornalista, compositor e produtor musical com livre trânsito nos bastidores da MPB e do pop nacional, Nelson Motta é testemunha ocular e auditiva de antológicos momentos da música do Brasil. Parte do que viu e ouviu o artista multimídia - de origem paulistana, mas vivência carioca - narrou em Noites tropicais (Objetiva, 2000), livro saboroso no qual fez  relato informal de suas memórias musicais. Igualmente irresistível, a biografia do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998), Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia (Objetiva, 2007), reiterou a habilidade de Motta para descortinar bastidores musicais em narrativa envolvente. Livro idealizado para festejar os 70 anos completados pelo escritor em 29 de outubro de 2014, As sete vidas de Nelson Motta tem menor fôlego e poder de sedução. Dos 96 textos enfileirados nas 226 páginas do livro, sem divisões por capítulos, 27 são inéditos, tendo sido escritos para o projeto. Os demais são crônicas, geralmente sobre música, publicadas originalmente pelo autor em jornais como o já extinto Última hora (entre 1967 e 1969) e O Globo (no qual Motta assinou coluna diária sobre O Globo nos anos 1970). Nem todos resistiram bem ao tempo. Dentre os que ainda hoje soam relevantes, pelo caráter visionário e pela coragem de expor o que já era sabido mas não escrito, destaca-se Ídolo sim, líder não, crônica da Última hora em que Motta criticou a omissão de Roberto Carlos - cantor capixaba então entronizado no posto de Rei da juventude brasileira - pelo fato de o artista se recusar a tomar posição em relação a assuntos que mobilizam os jovens dos efervescentes anos 1960. Atitude (ou falta de) caracterizada por Motta na crônica como "reacionarismo" - palavra que, como se sabe hoje, volta e meia é associada a Roberto Carlos. Outro texto bem interessante - e de certa forma atual, diante das agressões a gays noticiadas cotidianamente na mídia - é O masculino e o feminino. Nesta crônica, publicada em O Globo em 1975, Motta sai em defesa de Ney Matogrosso, então vítima de campanha difamatória orquestrada pelo jornalista, compositor e produtor musical Carlos Imperial (1935 - 1992) por conta da libertária postura andrógina adotada pelo cantor no palco e na vida. Vale registrar também Meio gente, meio bicho, não exatamente uma crônica, mas breve e preciso comentário feito por Motta na segunda metade dos anos 1960 a respeito do público de Maria Bethânia ("entusiasta, estranho") e da figura magnética da intérprete baiana ("Ela é uma das personalidades mais fortes e fascinantes que conheço. De seu olhar duro, de seu corpo esguio, de suas mãos nervosas mas firmes, emana uma estranha e invencível força. Ela canta o que tem vontade, veste o que lhe dá na cabeça, age sempre com absoluta coerência em relação às coisas em que acredita, na vida e na arte"). Boa parte dos textos antigos, contudo, hoje são meramente curiosos. Já os textos atuais parecem sobras de Noites tropicais, livro no qual Motta já contou tudo o que quis - e o que pôde - contar de mais relevante e interessante. O texto sobre a abertura da discoteca Dancin' Days, por exemplo, soa déjà vu. Sem falar que a edição do livro resulta por vezes confusa. Na intenção de "trazer o passado para o presente", como diz a nota sobre a edição publicada ao fim do livro, textos antigos e inéditos são entrelaçados sem menções a datas. O que salva As sete vidas de Nelson Motta é a fluência da escrita de Motta, o jornalista, dono de texto sedutor, tanto ontem como hoje. Mas nem essa habilidade para prender o leitor pela escrita atenua a sensação de que o livro têm folego mais curto do que obras anteriores do escritor setentão, estendendo extenuando o relato musical de dias e noites tropicais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Leonardo e Eduardo Costa cantam hits de Fagner e Rossi no seu 'Cabaré'

Dois cantores associados ao universo sertanejo - o goiano Leonardo e o mineiro Eduardo Costa - se juntam em Cabaré, CD e DVD que chegam ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 via Sony Music. Registro de show gravado ao vivo pelos artistas em 9 e 10 de setembro de 2014, em São Paulo (SP), Cabaré traz no repertório sucessos de Barrerito (A dama do vestido longo), Chitãozinho & Xororó (Fio de cabelo), Fagner (Borbulhas de amor), João Mineiro & Marciano (Ainda ontem chorei de saudade e Paredes azuis), Milionário & José Rico (Boate azul), Reginaldo Rossi (1944 - 2013) (Garçom, claro), Roberta Miranda (De igual para igual, música propagada na voz do cantor José Augusto) e Trio Parada Dura (Avião das nove, Blusa vermelha e Último adeus), entre outros intérpretes da canção popular brasileira de tonalidade mais sentimental.

Afro-samba de Baden e Vinicius, 'Canto de Ossanha' ecoa na voz de Pitta

Um dos mais inspirados e conhecidos afro-sambas compostos por Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980), Canto de Ossanha - lançado em 1966 no antológico álbum intitulado Os afro-sambas (Forma / Philips) - ecoa na voz de Rodrigo Pitta. Um ano após lançar seu primeiro álbum, Estados alterados (Som Livre, 2013), o artista paulistano - projetado como diretor de teatro antes de se lançar como cantor e compositor - lança via Som Livre neste mês de novembro de 2014 o single digital com sua abordagem contemporânea do Canto de Ossanha. O single foi produzido pelo multi-instrumentista Rodrigo Coelho e masterizado por Brian Lucey em Los Angeles (EUA). Tal afro-samba já era cantado por Pitta no show do álbum Estados alterados.

Saulo celebra Dia da Consciência Negra com música gravada com Lema

A expressiva foto de Eder Mota capta o afeto e a interação entre o cantor e compositor baiano Saulo Fernandes e o pianista e cantor congolês Ray Lema na gravação da música inédita Sertanejo. Composta por Saulo e interpretada em dueto com Lema, com arranjo do pianista, a música está sendo lançada hoje, 20 de novembro de 2014, como ação do Dia da Consciência Negra. A canção é interpretada em português e em lingala, língua oficial da República do Congo. Gravado no palco do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), o clipe de Sertanejo pode ser visto na página oficial de Saulo Fernandes no Facebook. "Gracias, negro", diz o tema, um agradecimento do artista baiano aos africanos pela contribuição fundamental para a música ouvida no mundo. Axé!

Após rumor de plágio, Fernando & Sorocaba lançam EP com outra capa

Esta é a capa definitiva do EP Sem reação (FS Music, 2014), lançado esta semana na rede por Fernando & Sorocaba, dupla sertaneja de origem paranaense. Divulgada na página oficial da dupla no Facebook, a capa não era a originalmente escolhida por Fernando & Sorocaba. Mas a original virou assunto na web pela grande semelhança com a capa de álbum do artista norte-americano John Mayer (clique aqui para entender a polêmica). Encerrada a questão, a dupla promove Sem reação, EP com seis músicas. Além da música-título Sem reação, o disco alinha Vamos chapar que amar não vai rolar, Muro de Berlim, Preto, Lápis de cera e O cara da rádio. Já está no iTunes.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Felipe Grilo segue sua trilha pop folk em EP disponibilizado para audição

O cantor e compositor mineiro Felipe Grilo lança hoje, 19 de novembro de 2014, o EP Mais simples. Já disponível para audição no YouTube, o EP Mais simples - que sucede o álbum Interiores (Independente, 2013) na discografia do artista - enfileira quatro músicas de autoria de Grilo. Efeito solidão, Simples, Próprio clandestino e Delicado amar são as quatro músicas do EP produzido na interiorana cidade mineira de Passos (MG), terra natal do artista. No disco, Grilo segue sua trilha pop folk, como já sinalizara o clipe do single Efeito solidão, com toques de country.

'Navega ilumina' expõe maestria da obra de Francis do popular ao erudito

Resenha de CD
Título: Navega ilumina
Artista: Francis Victor Walter Hime
Gravadora: Selo Sesc / Biscoito Fino (edição digital)
Cotação: * * * * 1/2

 Aos 72 anos, Francis Victor Walter Hime se confirma um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos com a edição de seu álbum Navega ilumina, lançado neste mês de novembro de 2014 pelo Selo Sesc em parceria com a gravadora Biscoito Fino (responsável pela edição digital do disco). Após CD gravado por Hime com seu conterrâneo Guinga e centrado em regravações dos títulos mais expressivos dos cancioneiros de ambos os artistas, o cantor, compositor e pianista carioca volta a apresentar repertório inédito com a maestria habitual. Do samba popular à música rotulada como erudita, o parceiro do poeta Geraldo Carneiro na música-título Navega ilumina - samba-enredo gravado com coro feminino de tom lírico e ornamentado com letra que faz ode à felicidade e à integração do povo da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - se mostra novamente inspirado na criação de melodias grandiosas, não raro geniais. A de Amorosa abre o disco na forma de valsa-canção que ecoa sons de tempos idos e faz declaração de amor ao Rio através de esperançosos versos de Olivia Hime, parceira de Francis na vida e na música. Por falar em poesia, o disco ostenta versos assinados por seu criador, letrista bissexto que se revela afinado na escrita de dois sambas divinos, Ilusão e Mistério, ambos magistralmente orquestrados, sendo que Mistério tem moldura mais sinfônica. Entre um samba e outro, Navega ilumina apresenta Maria da Luz, parceria inédita de Francis com o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Maria da Luz era para ter nascido nos anos 1970, como tema para balé jamais concretizado (Polichinelo, ideia do cineasta francês Jean Gabriel Albicocco). Só que Francis acabou não fazendo a melodia para o poema que Vinicius lhe deixou em manuscrito reencontrado recentemente. Nasceu, então, quadro década depois do previsto, Maria da Luz, canção que remente ao universo lírico e dolente das primeiras músicas compostas por Hime com Vinicius, seu primeiro parceiro, com quem Francis despontou como compositor em 1963. Se Canção noturna reitera a total afinidade entre a música de Francis e a poesia de Olivia, Beatriz - Choro seresta é belíssimo tema camerístico solado por Francis ao piano. Dentro do universo da música de concerto, Navega ilumina apresenta outros dois magnéticos temas instrumentais, Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (solado pela harpa virtuosa de Cristina Braga) e Isabel - Fantasia para violino e orquestra, que reiteram a maestria do maestro e compositor. Beatriz, Cecília e Isabel - a propósito - são os nomes das netas que Francis celebra neste disco concebido em universo familiar em todos os sentidos. A filha Joana Hime é a letrista de Sessão da tarde, o samba melodicamente menos inspirado do álbum (na comparação com a genialidade dos outros três sambas do disco). Sessão da tarde tem placidez bossa-novista. Já Breu e Graal - parceria de Francis com o talentoso Thiago Amud - aponta caminhos mais inusitados tanto do ponto de vista rítmico e melódico quanto poético. Menos sedutora das três parcerias de Francis com Olivia Hime, mas ainda assim bela, Canção apaixonada sublinha a sensação de que Navega ilumina é disco entranhado em universo musical de outrora. O álbum soa antigo, mas jamais velho. Ao contrário, Navega ilumina é banhado pelo vigor jovial de Francis Hime na composição de melodias que, afinadas com letras embebidas em lirismo poético, satisfazem os ouvintes mais exigentes da MPB.

Sobre batida hipnótica, Racionais rimam sobre anos 80 em 'single' quente

Resenha de single
Título: Quanto vale o show
Artista: Racionais MC's
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *


"Só eu sei os desertos que eu cruzei até aqui", ressalta Mano Brown no início de Quanto vale o show, primeiro single do álbum que o grupo paulistano de rap vai lançar ainda neste ano de 2014. Por ora disponível somente para compra na loja Google Play, em ação que contraria a tendência do mercado fonográfico de oferecer singles promocionais para download gratuito, o single sampleia a voz do apresentador carioca de TV Silvio Santos em trecho no qual Silvio pergunta "quanto vale o show?" - título de quadro bem antigo de seu programa do SBT - à plateia de seu auditório. Em sedutores dois minutos e 52 segundos, Mano Brown rima sobre a adolescência vivida nos anos 1980 no periférico bairro do Capão Redondo, em São Paulo (SP). Aos primeiros segundos da gravação produzida por Mano Brown com o DJ Cia (do grupo RZO), o som de uma percussão insinua um samba. Mas logo Quanto vale um show vira um rap embasado pelo toque cortante e suingante de uma guitarra. É sobre essa batida hipnótica que Brown cita ícones do universo pop no período 1983 / 1987 - Djavan, a música Billie Jean, Sandra de Sá, Yves Saint Laurent (1936 - 2008), Bezerra da Silva (1927 - 2005) - enquanto relata sua rotina naqueles anos e lembra que a chapa já estava quente na época, levando muitos manos para o caminho da marginalidade em Brasil que vivia em colapso econômico. Mesmo sem impactar, Quanto vale o show mostra que o rap dos Racionais MC's ainda tem (muito) o que dizer, mantendo alta a expectativa para o primeiro álbum de inéditas do quarteto desde Nada como um dia após o outro dia (Independente, 2002).

Cantor paraibano Genival Santos sai de cena, em Fortaleza, aos 73 anos

O cantor paraibano Juvenal Joaquim dos Santos (1941 - 2014) - conhecido por seu nome artístico de Genival Santos - fez parte do time de intérpretes associados à música romântica pejorativamente rotulada como brega por seu caráter sentimental. São cantores populares no Nordeste do Brasil e, não raro, desvalorizados no eixo Rio-São Paulo. Foi no Nordeste que Genival nasceu - em Campina Grande (PB) - e foi no Nordeste que saiu de cena ontem, 18 de novembro de 2014, aos 73 anos, vítima de câncer, em hospital de Fortaleza (CE), cidade para onde o artista migrou nos anos 1990. No caso de Genival Santos, contudo, ter vindo para o Rio de Janeiro - Estado aonde se radicou com a família aos seis anos e aonde viveu boa parte de seus 73 anos de vida - foi decisivo para que alcançasse visibilidade nacional no início dos anos 1970 através do programa do apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923 - 1986). Em sua primeira ida ao programa, foi gongado pelo apresentador e pelo júri da atração. Mas, diante da pressão do público, voltou à cena, no mesmo programa, para dar voz à música Meu coração pede paz, faixa-título de seu primeiro álbum, lançado em 1972. Ao longo de toda a década de 1970, Santos - que começara a carreira de cantor em boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - manteve bem-sucedida carreira fonográfica com álbuns como Eu não sou brinquedo (1975), Vem morar comigo (1976), Se for preciso (1977) e Preciso parar para pensar (1978), que lhe renderam os sucessos Se errar outra vez, Sendo assim, Eu lhe peguei no flagra - o maior deles - e Preciso parar para pensar, respectivamente. Genival Santos gravou álbuns regularmente até a primeira metade dos anos 1980. Entre eles, Livro aberto (1980), Crise de amor (1981), Peço bis (1982), Porque será (1983) e Nossas brigas (1985). A partir da segunda metade da década de 1980, no entanto, sua carreira fonográfica entrou em progressivo declínio, embora o cantor tivesse mantido no Nordeste um público cativo e apaixonado que lhe garantiu uma agenda regular de shows até os últimos anos.