sábado, 22 de novembro de 2014

Baixista do grupo Cidadão Quem, Luciano Leindecker sai de cena no Sul

Compositor e músico gaúcho, Luciano Leindecker (1972 - 2014) finalizou este ano - com o músico Paulo Inchauspe - álbum ainda não lançado, Gol a gol, com músicas inéditas de autoria da dupla. Mas o nome de Luciano vai estar associado para sempre ao grupo gaúcho de rock Cidadão Quem, criado em 1990 como um trio, formado por Luciano no baixo, seu irmão Duca Leindecker na guitarra e no vocal e já o falecido Cau Hafner na bateria. Reativado em 2013, após cinco anos de recesso, o Cidadão Quem deu projeção no Sul do Brasil a Luciano, que saiu de cena na noite de ontem, 21 de novembro de 2014, em hospital de Porto Alegre (RS), vítima do câncer que - ao ser descoberto pelo músico em 2008 - provocou a interrupção provisória do grupo.

Sem pressa, Rubinho segue a trilha de 'Andando no ar' em tempo calmo

Resenha de CD
Título: Andando no ar
Artista: Rubinho Jacobina
Gravadora: Joia Moderna / Tratore
Cotação: * * * *

"Na hora de ter calma, você tem pressa / Na hora de ter pressa, você tem calma". A dialética da reclamação feita em tom supostamente impaciente por Rubinho Jacobina em Calma (Rubinho Jacobina e Domenico Lancellotti, 2014) - indie rock que abre o segundo belo álbum do cantor e compositor carioca, Andando no ar - pode ser aplicada ao tempo do artista na criação e edição do disco produzido por Moreno Veloso com Pedro Sá. Em vez de calma, Rubinho teve pressa para gravar o álbum em apenas quatro dias de 2010 no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ). Em vez de pressa, o artista teve calma ao longo dos últimos anos para resolver questões jurídicas relativas à distribuição no disco do mercado fonográfico até acertar o lançamento de Andando no ar com a gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Nesse tempo, longo até para o ritmo lento da indústria fonográfica, músicas então inéditas como Bem a sós (Rubinho Jacobina, 2012)  - ouvida com o autor em registro que embute órgão à moda dos anos 1960 -  e a tropicalista Ringard (Rubinho Jacobina, 2014) foram parar em discos e vozes das cantoras Roberta Sá e Silvia Machete, respectivamente. Cantoras de ouvidos atentos que perceberam a boa qualidade da produção autoral do compositor que ora se expõe como cantautor, com a calma de se saber cantor de alcance vocal limitado. Mas, não, a corda vocal de Jacobina não chega a ser um problema, como o artista se auto-ironiza em verso de Meio tom (Rubinho Jacobina, 2009), samba lançado há cinco anos pelo cantor carioca Pedro Miranda em seu álbum Pimenteira (Independente, 2009). Tanto que Jacobina se aventura como intérprete em duas músicas assinadas pela afinada dupla de compositores Luís Reis (1926 - 1980) e Haroldo Barbosa (1915 - 1979). Uma delas é o samba Lamento bebop, lançado em disco em 1961 pelo cantor carioca Miltinho (1928 - 2014), rei de um balanço traduzido no registro de Rubinho pelo suingue da guitarra de Pedro Sá (fundamental na arquitetura de outra faixa, Segue esculachando, de autoria de Rubinho). A segunda música do maranhense Luís Reis com o carioca Haroldo Barbosa, inédita, é o samba-canção que batiza o álbum, Andando no ar, tema em que Jacobina destila onírica e poeticamente mágoas de amor embebidas em doses fartas de álcool. Andando no ar - o disco lançado neste mês de novembro de 2014 com distribuição da Tratore - é de certa forma mais calmo e menos roqueiro do que seu bom antecessor Rubinho Jacobina e a força bruta (Independente, 2005). Mas tem rock (como Clichê colado), tem samba - ritmo que pautou a passagem de Rubinho pela Garrafieira, banda que fundou no Rio de Janeiro (RJ) - e tem marcha, a Marcha lúbrica (Rubinho Jacobina), que segue o bloco posto na ruas cariocas pela Orquestra Imperial, big-band que deu projeção a Rubinho ao longo dos anos 2000. E tem também poema de Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), Cidadezinha qualquer (1930), musicado por Rubinho e cantado em tom vagaroso - entre cordas orquestradas pelo próprio artista - que explicita influência do som de Caetano Veloso da fase Cê. Tem até um clima de fado, esboçado em Onde moras?, música feita pelo compositor carioca Nelson Jacobina (1953 - 2012) - irmão de Rubinho - a partir de versos do parnasiano poeta português Antônio Feijó (1859-1917). Em outra latitude, o samba Vento lento (Rubinho Jacobina e Pedro Canella) espalha no ar envolvente suingue que parece abarcar Bahia, Pará, Caribe e África na sua rota. No fim do disco, que tem belo projeto gráfico assinado por Luiz Zerbini e Juliana Wahner, a marcha Peter Pan (Rubinho Jacobina) repõe o bloco do cantautor na rua, arrematando Andando no ar com a sensação de que Rubinho Jacobina segue sua trilha e faz seu Carnaval roqueiro sem pressa, em um tempo próprio do artista. Tanto que Calma, o rock falsamente impaciente que abre o disco nos toques da bateria (firme) de Domenico Lancellotti e das guitarras de Bartolo e Pedro Sá, foi cantado por seu autor no evento Cep. 2000 nos anos 1990 e somente agora chega ao disco, no tempo de Rubinho Jacobina.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Boaventura grava seu segundo DVD no Rio com a participação de Kiara

O ator e cantor baiano Daniel Boaventura se prepara para gravar o segundo DVD de sua carreira fonográfica. A gravação ao vivo está agendada para 6 de dezembro de 2014 em show no Teatro Bradesco, no Rio de Janeiro (RJ). Atriz de musicais de teatro (plataforma em que Boaventura alcançou projeção antes de iniciar sua trajetória fonográfica na gravadora Sony Music), Kiara Sasso vai participar da gravação do show baseado no repertório do terceiro álbum de estúdio do artista, One more kiss (Sony Music, 2014). A produção musical é de André Vasconcelos. Já a captação do vídeo ficará sob direção de Raoni Carneiro. O cantor dividirá o palco com 16 músicos.

Desigual, a premiação do 15º Grammy Latino desvaloriza Brasil outra vez

Editorial - Sexto álbum de Maria Rita, Coração a batucar (Universal Music, 2014) foi eleito no 15º Grammy Latino o Melhor álbum de samba / pagode. Parece um feito, mas não é. Realizada na MGM Gran Garden Arena de Las Vegas (EUA) na noite de ontem, 20 de novembro de 2014, a cerimônia de premiação do 15º Grammy Latino ignorou o Brasil em todas as categorias principais e gerais - categorias em que uma vitória poderia ter algum real significado. Pela lista de indicados, a produção fonográfica do Brasil já havia sido minimizada ao extremo nessas categorias. Apenas Caetano Veloso tinha chance de conquistar o 15º Grammy Latino de Canção do Ano com A bossa nova é foda (Caetano Veloso, 2012). Mas perdeu o prêmio para o guitarrista e compositor espanhol Paco de Lucía (1947 - 2014), morto em fevereiro deste ano, mas postumamente vitorioso por sua Cancíon andaluza. Já seu filho, Moreno Veloso, perdeu o troféu de produtor do ano para o norte-americano Sergio George. O Brasil foi perdedor até na única categoria geral - Melhor álbum instrumental - no qual a produção fonográfica nacional estava bem representada, com três das cinco indicações, dadas para os álbuns Caprichos (do bandolinista carioca Hamilton de Holanda), Continente (do violonista gaúcho Yamandú Costa) e O piano de Antonio Adolfo (do pianista carioca Antonio Adolfo). O vencedor foi Final night at birdland, de Arturo O'Farrill & The Chico O'Farrill Afro-Cuban Jazz Orchestra. Ou seja, o Brasil sai de mãos abandando, embora as vitórias nas categorias dedicadas exclusivamente à música brasileira deem a falsa impressão de que o 15º Grammy Latino valorizou a música do Brasil. Certamente, os artistas vencedores destas categorias nacionais vão alardear suas vitórias. Mas elas representam muito pouco diante de uma premiação que inferioriza a produção fonográfica do Brasil diante da música gravada em espanhol nos outros países da América Latina e na Espanha. Não é o caso de defender a supremacia de uma música sobre outra, ainda que a música brasileira seja de fato uma das melhores do mundo em âmbito mundial, mas de reivindicar maior igualdade na premiação para o que Brasil passe a ser mais valorizado no Grammy Latino, já que o resultado da 15º edição é similar ao de edições anteriores. Do jeito que está, mais do que frustrante, a premiação resulta injusta, mesmo que os brasileiros vencedores divulguem suas vitórias no 15º Grammy Latino na mídia e em redes sociais.

Vencedores dos 15º Grammy Latino nas categorias brasileiras:
* Melhor álbum de MPB - Verdade, uma ilusão (Phonomotor Records / EMI / Universal 

   Music), de Marisa Monte
* Melhor álbum pop contemporâneo brasileiro - Multishow ao vivo - Ivete Sangalo 20 anos
  (Universal Music), de Ivete Sangalo
* Melhor álbum de rock brasileiro - Gigante Gentil (Coqueiro Verde Records), de Erasmo
   Carlos
* Melhor álbum de samba / pagode - Coração a batucar (Universal Music), de Maria Rita
* Melhor álbum de música sertaneja - Questão de tempo (Radar Records), de Sérgio Reis
* Melhor álbum de raízes brasileiras - Amigo velho (Radar Records), do grupo Falamansa

* Melhor álbum cristão - Graça (MK Music), de Aline Barros
* Melhor canção brasileira - A bossa nova é foda (Caetano Veloso, 2012)

Zezé & Luciano gravam ao vivo em São Paulo em 2015 e caem na pista

 Zezé Di Camargo & Luciano vão iniciar o ano de 2015 com mais uma gravação ao vivo. A dupla sertaneja agendou para 16 de janeiro de 2015, no Citibank Hall de São Paulo (SP), o registro do show Flores em vida para edição de CD ao vivo e DVD. A propósito, a música que dá nome ao show dos irmãos goianos, Flores em vida (Alberto Araújo e Felipe Duran), foi remixada pelo DJ e produtor Mister Jam. Trata-se do primeiro remix oficial da discografia da dupla - o que sinaliza que Zezé Di Camargo & Luciano estão atentos à tendência da música sertaneja de se jogar na pista de dança em sintonia com o universo noturno das baladas. É a trilha seguida por Luan Santana e Cia.

Caixa com cinco álbuns lembra os 30 anos do sucesso inicial do Ultraje

Contratado em 1982 pela Warner Music, gravadora pela qual debutou no mercado fonográfico em 1983 com o compacto que trazia Inútil (Roger Moreira) e Mim quer tocar (Roger Moreira), o grupo paulistano Ultraje a Rigor estourou em 1984 a partir da edição de um segundo compacto que trazia Eu me amo  (Roger Moreira) e Rebelde sem causa (Roger Moreira). Tomando como ponto de partida esse sucesso inicial, o pesquisador e produtor musical carioca Marcelo Fróes formatou para a Warner Music a caixa Ultraje a Rigor 30 anos, que chega às lojas ainda neste ano de 2014. Com o pretexto de festejar as três décadas desse êxito inicial do grupo (ainda na ativa, liderado pelo resistente vocalista Roger Moreira), a caixa embala reedições dos cinco primeiros álbuns do Ultraje, lançados entre 1985 e 1993 pela Warner Music. Nós vamos invadir sua praia (1985), Sexo! (1987), Crescendo (1989), Por quê Ultraje a Rigor? (1990) e Ó (1993) voltam ao catálogo, encaixotados com capas e contracapas originais, letras, fichas técnicas e reprodução dos rótulos dos LPs originais. As reedições são aditivadas com 17 faixas-bônus extraídas de singles, discos promocionais, coletâneas e projetos especiais. Entre elas, há Vamos virar japonês (Roger Moreira), música lançada na compilação O mundo encantado do Ultraje a Rigor (1992).

Livro 'As sete vidas de Nelson Motta' extenua relato das noites musicais

Resenha de livro
Título: As sete vidas de Nelson Motta
Autor: Nelson Motta
Editora: Foz
Cotação: * * 1/2

Jornalista, compositor e produtor musical com livre trânsito nos bastidores da MPB e do pop nacional, Nelson Motta é testemunha ocular e auditiva de antológicos momentos da música do Brasil. Parte do que viu e ouviu o artista multimídia - de origem paulistana, mas vivência carioca - narrou em Noites tropicais (Objetiva, 2000), livro saboroso no qual fez  relato informal de suas memórias musicais. Igualmente irresistível, a biografia do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998), Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia (Objetiva, 2007), reiterou a habilidade de Motta para descortinar bastidores musicais em narrativa envolvente. Livro idealizado para festejar os 70 anos completados pelo escritor em 29 de outubro de 2014, As sete vidas de Nelson Motta tem menor fôlego e poder de sedução. Dos 96 textos enfileirados nas 226 páginas do livro, sem divisões por capítulos, 27 são inéditos, tendo sido escritos para o projeto. Os demais são crônicas, geralmente sobre música, publicadas originalmente pelo autor em jornais como o já extinto Última hora (entre 1967 e 1969) e O Globo (no qual Motta assinou coluna diária sobre O Globo nos anos 1970). Nem todos resistiram bem ao tempo. Dentre os que ainda hoje soam relevantes, pelo caráter visionário e pela coragem de expor o que já era sabido mas não escrito, destaca-se Ídolo sim, líder não, crônica da Última hora em que Motta criticou a omissão de Roberto Carlos - cantor capixaba então entronizado no posto de Rei da juventude brasileira - pelo fato de o artista se recusar a tomar posição em relação a assuntos que mobilizam os jovens dos efervescentes anos 1960. Atitude (ou falta de) caracterizada por Motta na crônica como "reacionarismo" - palavra que, como se sabe hoje, volta e meia é associada a Roberto Carlos. Outro texto bem interessante - e de certa forma atual, diante das agressões a gays noticiadas cotidianamente na mídia - é O masculino e o feminino. Nesta crônica, publicada em O Globo em 1975, Motta sai em defesa de Ney Matogrosso, então vítima de campanha difamatória orquestrada pelo jornalista, compositor e produtor musical Carlos Imperial (1935 - 1992) por conta da libertária postura andrógina adotada pelo cantor no palco e na vida. Vale registrar também Meio gente, meio bicho, não exatamente uma crônica, mas breve e preciso comentário feito por Motta na segunda metade dos anos 1960 a respeito do público de Maria Bethânia ("entusiasta, estranho") e da figura magnética da intérprete baiana ("Ela é uma das personalidades mais fortes e fascinantes que conheço. De seu olhar duro, de seu corpo esguio, de suas mãos nervosas mas firmes, emana uma estranha e invencível força. Ela canta o que tem vontade, veste o que lhe dá na cabeça, age sempre com absoluta coerência em relação às coisas em que acredita, na vida e na arte"). Boa parte dos textos antigos, contudo, hoje são meramente curiosos. Já os textos atuais parecem sobras de Noites tropicais, livro no qual Motta já contou tudo o que quis - e o que pôde - contar de mais relevante e interessante. O texto sobre a abertura da discoteca Dancin' Days, por exemplo, soa déjà vu. Sem falar que a edição do livro resulta por vezes confusa. Na intenção de "trazer o passado para o presente", como diz a nota sobre a edição publicada ao fim do livro, textos antigos e inéditos são entrelaçados sem menções a datas. O que salva As sete vidas de Nelson Motta é a fluência da escrita de Motta, o jornalista, dono de texto sedutor, tanto ontem como hoje. Mas nem essa habilidade para prender o leitor pela escrita atenua a sensação de que o livro têm folego mais curto do que obras anteriores do escritor setentão, estendendo extenuando o relato musical de dias e noites tropicais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Leonardo e Eduardo Costa cantam hits de Fagner e Rossi no seu 'Cabaré'

Dois cantores associados ao universo sertanejo - o goiano Leonardo e o mineiro Eduardo Costa - se juntam em Cabaré, CD e DVD que chegam ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 via Sony Music. Registro de show gravado ao vivo pelos artistas em 9 e 10 de setembro de 2014, em São Paulo (SP), Cabaré traz no repertório sucessos de Barrerito (A dama do vestido longo), Chitãozinho & Xororó (Fio de cabelo), Fagner (Borbulhas de amor), João Mineiro & Marciano (Ainda ontem chorei de saudade e Paredes azuis), Milionário & José Rico (Boate azul), Reginaldo Rossi (1944 - 2013) (Garçom, claro), Roberta Miranda (De igual para igual, música propagada na voz do cantor José Augusto) e Trio Parada Dura (Avião das nove, Blusa vermelha e Último adeus), entre outros intérpretes da canção popular brasileira de tonalidade mais sentimental.

Afro-samba de Baden e Vinicius, 'Canto de Ossanha' ecoa na voz de Pitta

Um dos mais inspirados e conhecidos afro-sambas compostos por Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980), Canto de Ossanha - lançado em 1966 no antológico álbum intitulado Os afro-sambas (Forma / Philips) - ecoa na voz de Rodrigo Pitta. Um ano após lançar seu primeiro álbum, Estados alterados (Som Livre, 2013), o artista paulistano - projetado como diretor de teatro antes de se lançar como cantor e compositor - lança via Som Livre neste mês de novembro de 2014 o single digital com sua abordagem contemporânea do Canto de Ossanha. O single foi produzido pelo multi-instrumentista Rodrigo Coelho e masterizado por Brian Lucey em Los Angeles (EUA). Tal afro-samba já era cantado por Pitta no show do álbum Estados alterados.

Saulo celebra Dia da Consciência Negra com música gravada com Lema

A expressiva foto de Eder Mota capta o afeto e a interação entre o cantor e compositor baiano Saulo Fernandes e o pianista e cantor congolês Ray Lema na gravação da música inédita Sertanejo. Composta por Saulo e interpretada em dueto com Lema, com arranjo do pianista, a música está sendo lançada hoje, 20 de novembro de 2014, como ação do Dia da Consciência Negra. A canção é interpretada em português e em lingala, língua oficial da República do Congo. Gravado no palco do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), o clipe de Sertanejo pode ser visto na página oficial de Saulo Fernandes no Facebook. "Gracias, negro", diz o tema, um agradecimento do artista baiano aos africanos pela contribuição fundamental para a música ouvida no mundo. Axé!

Após rumor de plágio, Fernando & Sorocaba lançam EP com outra capa

Esta é a capa definitiva do EP Sem reação (FS Music, 2014), lançado esta semana na rede por Fernando & Sorocaba, dupla sertaneja de origem paranaense. Divulgada na página oficial da dupla no Facebook, a capa não era a originalmente escolhida por Fernando & Sorocaba. Mas a original virou assunto na web pela grande semelhança com a capa de álbum do artista norte-americano John Mayer (clique aqui para entender a polêmica). Encerrada a questão, a dupla promove Sem reação, EP com seis músicas. Além da música-título Sem reação, o disco alinha Vamos chapar que amar não vai rolar, Muro de Berlim, Preto, Lápis de cera e O cara da rádio. Já está no iTunes.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Felipe Grilo segue sua trilha pop folk em EP disponibilizado para audição

O cantor e compositor mineiro Felipe Grilo lança hoje, 19 de novembro de 2014, o EP Mais simples. Já disponível para audição no YouTube, o EP Mais simples - que sucede o álbum Interiores (Independente, 2013) na discografia do artista - enfileira quatro músicas de autoria de Grilo. Efeito solidão, Simples, Próprio clandestino e Delicado amar são as quatro músicas do EP produzido na interiorana cidade mineira de Passos (MG), terra natal do artista. No disco, Grilo segue sua trilha pop folk, como já sinalizara o clipe do single Efeito solidão, com toques de country.

'Navega ilumina' expõe maestria da obra de Francis do popular ao erudito

Resenha de CD
Título: Navega ilumina
Artista: Francis Victor Walter Hime
Gravadora: Selo Sesc / Biscoito Fino (edição digital)
Cotação: * * * * 1/2

 Aos 72 anos, Francis Victor Walter Hime se confirma um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos com a edição de seu álbum Navega ilumina, lançado neste mês de novembro de 2014 pelo Selo Sesc em parceria com a gravadora Biscoito Fino (responsável pela edição digital do disco). Após CD gravado por Hime com seu conterrâneo Guinga e centrado em regravações dos títulos mais expressivos dos cancioneiros de ambos os artistas, o cantor, compositor e pianista carioca volta a apresentar repertório inédito com a maestria habitual. Do samba popular à música rotulada como erudita, o parceiro do poeta Geraldo Carneiro na música-título Navega ilumina - samba-enredo gravado com coro feminino de tom lírico e ornamentado com letra que faz ode à felicidade e à integração do povo da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - se mostra novamente inspirado na criação de melodias grandiosas, não raro geniais. A de Amorosa abre o disco na forma de valsa-canção que ecoa sons de tempos idos e faz declaração de amor ao Rio através de esperançosos versos de Olivia Hime, parceira de Francis na vida e na música. Por falar em poesia, o disco ostenta versos assinados por seu criador, letrista bissexto que se revela afinado na escrita de dois sambas divinos, Ilusão e Mistério, ambos magistralmente orquestrados, sendo que Mistério tem moldura mais sinfônica. Entre um samba e outro, Navega ilumina apresenta Maria da Luz, parceria inédita de Francis com o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Maria da Luz era para ter nascido nos anos 1970, como tema para balé jamais concretizado (Polichinelo, ideia do cineasta francês Jean Gabriel Albicocco). Só que Francis acabou não fazendo a melodia para o poema que Vinicius lhe deixou em manuscrito reencontrado recentemente. Nasceu, então, quadro década depois do previsto, Maria da Luz, canção que remente ao universo lírico e dolente das primeiras músicas compostas por Hime com Vinicius, seu primeiro parceiro, com quem Francis despontou como compositor em 1963. Se Canção noturna reitera a total afinidade entre a música de Francis e a poesia de Olivia, Beatriz - Choro seresta é belíssimo tema camerístico solado por Francis ao piano. Dentro do universo da música de concerto, Navega ilumina apresenta outros dois magnéticos temas instrumentais, Cecília - Fantasia para harpa e orquestra (solado pela harpa virtuosa de Cristina Braga) e Isabel - Fantasia para violino e orquestra, que reiteram a maestria do maestro e compositor. Beatriz, Cecília e Isabel - a propósito - são os nomes das netas que Francis celebra neste disco concebido em universo familiar em todos os sentidos. A filha Joana Hime é a letrista de Sessão da tarde, o samba melodicamente menos inspirado do álbum (na comparação com a genialidade dos outros três sambas do disco). Sessão da tarde tem placidez bossa-novista. Já Breu e Graal - parceria de Francis com o talentoso Thiago Amud - aponta caminhos mais inusitados tanto do ponto de vista rítmico e melódico quanto poético. Menos sedutora das três parcerias de Francis com Olivia Hime, mas ainda assim bela, Canção apaixonada sublinha a sensação de que Navega ilumina é disco entranhado em universo musical de outrora. O álbum soa antigo, mas jamais velho. Ao contrário, Navega ilumina é banhado pelo vigor jovial de Francis Hime na composição de melodias que, afinadas com letras embebidas em lirismo poético, satisfazem os ouvintes mais exigentes da MPB.

Sobre batida hipnótica, Racionais rimam sobre anos 80 em 'single' quente

Resenha de single
Título: Quanto vale o show
Artista: Racionais MC's
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *


"Só eu sei os desertos que eu cruzei até aqui", ressalta Mano Brown no início de Quanto vale o show, primeiro single do álbum que o grupo paulistano de rap vai lançar ainda neste ano de 2014. Por ora disponível somente para compra na loja Google Play, em ação que contraria a tendência do mercado fonográfico de oferecer singles promocionais para download gratuito, o single sampleia a voz do apresentador carioca de TV Silvio Santos em trecho no qual Silvio pergunta "quanto vale o show?" - título de quadro bem antigo de seu programa do SBT - à plateia de seu auditório. Em sedutores dois minutos e 52 segundos, Mano Brown rima sobre a adolescência vivida nos anos 1980 no periférico bairro do Capão Redondo, em São Paulo (SP). Aos primeiros segundos da gravação produzida por Mano Brown com o DJ Cia (do grupo RZO), o som de uma percussão insinua um samba. Mas logo Quanto vale um show vira um rap embasado pelo toque cortante e suingante de uma guitarra. É sobre essa batida hipnótica que Brown cita ícones do universo pop no período 1983 / 1987 - Djavan, a música Billie Jean, Sandra de Sá, Yves Saint Laurent (1936 - 2008), Bezerra da Silva (1927 - 2005) - enquanto relata sua rotina naqueles anos e lembra que a chapa já estava quente na época, levando muitos manos para o caminho da marginalidade em Brasil que vivia em colapso econômico. Mesmo sem impactar, Quanto vale o show mostra que o rap dos Racionais MC's ainda tem (muito) o que dizer, mantendo alta a expectativa para o primeiro álbum de inéditas do quarteto desde Nada como um dia após o outro dia (Independente, 2002).

Cantor paraibano Genival Santos sai de cena, em Fortaleza, aos 73 anos

O cantor paraibano Juvenal Joaquim dos Santos (1941 - 2014) - conhecido por seu nome artístico de Genival Santos - fez parte do time de intérpretes associados à música romântica pejorativamente rotulada como brega por seu caráter sentimental. São cantores populares no Nordeste do Brasil e, não raro, desvalorizados no eixo Rio-São Paulo. Foi no Nordeste que Genival nasceu - em Campina Grande (PB) - e foi no Nordeste que saiu de cena ontem, 18 de novembro de 2014, aos 73 anos, vítima de câncer, em hospital de Fortaleza (CE), cidade para onde o artista migrou nos anos 1990. No caso de Genival Santos, contudo, ter vindo para o Rio de Janeiro - Estado aonde se radicou com a família aos seis anos e aonde viveu boa parte de seus 73 anos de vida - foi decisivo para que alcançasse visibilidade nacional no início dos anos 1970 através do programa do apresentador de TV Flávio Cavalcanti (1923 - 1986). Em sua primeira ida ao programa, foi gongado pelo apresentador e pelo júri da atração. Mas, diante da pressão do público, voltou à cena, no mesmo programa, para dar voz à música Meu coração pede paz, faixa-título de seu primeiro álbum, lançado em 1972. Ao longo de toda a década de 1970, Santos - que começara a carreira de cantor em boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - manteve bem-sucedida carreira fonográfica com álbuns como Eu não sou brinquedo (1975), Vem morar comigo (1976), Se for preciso (1977) e Preciso parar para pensar (1978), que lhe renderam os sucessos Se errar outra vez, Sendo assim, Eu lhe peguei no flagra - o maior deles - e Preciso parar para pensar, respectivamente. Genival Santos gravou álbuns regularmente até a primeira metade dos anos 1980. Entre eles, Livro aberto (1980), Crise de amor (1981), Peço bis (1982), Porque será (1983) e Nossas brigas (1985). A partir da segunda metade da década de 1980, no entanto, sua carreira fonográfica entrou em progressivo declínio, embora o cantor tivesse mantido no Nordeste um público cativo e apaixonado que lhe garantiu uma agenda regular de shows até os últimos anos.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Padre que prega no tom sertanejo, Alessandro Campos multiplica discos

Paulista de Guaratinguetá radicado atualmente em Brasília (DF), Alessandro Campos vem se diferenciando e se destacando de outros padres cantores por fazer sua pregação católica em ritmo de música sertaneja. Conhecido no universo católico como o padre sertanejo do Brasil, o artista está em escala ascendente no mercado fonográfico brasileiro. Enquanto lança via Som Livre seu segundo álbum, O que é que eu sou sem Jesus? (foto), já com mais de 400 mil cópias vendidas, o padre tem tido seu primeiro disco, O homem decepciona, Jesus Cristo jamais (2011), promovido pela Sony Music em redes sociais na carona do êxito do CD concorrente. As vendagens expressivas de ambos os álbuns sinalizam que Alessandro Campos consegue fazer o milagre da multiplicação de discos em um mercado fonográfico diluído pela pirataria física e digital.

Raimundos (re)põem na roda cantigas gravadas em ensaio de garagem

O grupo Raimundos está repondo cantigas novas e antigas na roda. Lançado pela gravadora Som Livre neste mês de novembro de 2014, em edição digital e nos formatos de CD e DVD, o projeto Cantigas de garagem é o registro ao vivo de um ensaio fechado feito pela banda brasiliense. A base do roteiro da apresentação - realizada em clima de garagem - é o repertório do recente CD Cantigas de roda (Independente, 2014), álbum que devolveu aos Raimundos o peso dos anos 1990. Aliás, além de tocar na íntegra o repertório de Cantigas de roda, o grupo também rebobina seus hits da década de 1990 em Cantigas de garagem, como Esporrei na manivela e Eu quero ver o oco. Eis - na ordem do DVD - as 17 músicas alinhadas em Cantigas de garagem:

1. Cachorrinha - com Frango do Galinha Preta
2. Bop
3. Baculejo
4. O gato da rosinha
5. Cera quente
6. Rafael
7. Descendo na banguela
8. Dubmundos - com Sendog do Cypress Hill
9. Nó suíno
10. Importada do interior
11. Gordelícia
12. Politics - com Cipriano
13. Mas vó
14. Eu quero ver o oco
15. Esporrei na manivela
16. Bê a bá

17. Puteiro em João Pessoa

Álbum ao vivo com sessões do Spotify confirma o momento feliz do Jota

Resenha de álbum digital
Título: Spotify sessions Jota Quest
Artista: Jota Quest
Gravadora: Edição digital do Spotify
Cotação: * * * * 1/2

 Em novembro do ano passado, o grupo Jota Quest lançou seu melhor disco, Funky funky boom boom (Sony Music, 2013), álbum festeiro e feliz que ecoou os grooves da black music com levadas contemporâneas. Decorrido um ano, o quinteto mineiro confirma a felicidade de seu atual momento artístico com a edição digital do álbum Spotify sessions Jota Quest, lançado hoje, 18 de novembro de 2014, em escala mundial. Coube ao Jota Quest lançar o primeiro álbum da série Spotify sessions produzido no Brasil. Disponível para audição no Spotify, o disco enfileira sete músicas gravadas ao vivo no estúdio da banda, em Belo Horizonte (MG), em setembro deste ano de 2014. O repertório é formado por seis músicas do CD Funky funky boom boom e pela regravação de Tempos modernos (Lulu Santos, 1982), feita com pegada roqueira no tom alegre e animado do cancioneiro recente do Jota Quest. É impressionante como o registro ao vivo reproduz o suingue azeitado do disco de estúdio. Músicas como É de coração (Xande de Pilares, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2013) - na qual o vocalista Rogério Flausino cita o Spotify no improviso feito ao fim da gravação - e Waiting for you (Party on) (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino, 2013) soam com a coesão do disco e ganham a vibração adicional das gravações ao vivo. Canção de bela arquitetura pop, Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino e Jerry Barnes a partir de texto de Martha Medeiros, 2013) vira uma power balada neste álbum que rebobina a obra-prima Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers, 2013) - tão azeitada que nem se sente a falta da guitarra chic do músico norte-americano Nile Rodgers - e Reggae town (Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino, 2013), tema revivido com o rap já originalmente embutido na levada de reggae. Já Um tempo de paz (Rogério Flausino, 2013) abre o álbum Spotify sessions Jota Quest na vibe boa que caracteriza o som atual do quinteto. O grupo mandou muito bem nas sessões do Spotify. Não vê - aliás, ouve - quem não quer.

'Enredo' de Martinho tem os bastidores exibidos em DVD com animações

Em fevereiro deste ano, Martinho da Vila refez seu Carnaval em CD, Enredo (Biscoito Fino, 2014), que mostrou a evolução da obra foliona do compositor fluminense ao reunir 24 sambas criados pelo artista para as escolas Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel entre 1957 e 2013. Recém-posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino, o DVD Enredo documenta a criação do álbum homônimo, revelando - pelas lentes comandadas pelos diretores Sandro Arieta e Tiago Marreiro - os bastidores das gravações de cada faixa do projeto, concretizado com as adesões de cantoras como Alcione, Beth Carvalho e Mart'nália. As animações de Rodrigo Moura - feitas com ilustrações de Matheus Maat (diretor de arte do DVD), Gustavo Bartolomeu e Maria Martina - são o diferencial do DVD, cujo conteúdo pode ser considerado um (grande) making of do álbum Enredo.

Iorc canta sucesso de Gal em 'single' digital assinado com o DJ Deeplick

Parceria de Celso Fonseca com Ronaldo Bastos, lançada por Gal Costa em gravação feita com Caetano Veloso para o álbum Bem bom (RCA-Victor, 1985), a canção Sorte ganha a voz de Tiago Iorc, cantor e compositor brasiliense criado entre Inglaterra e Estados Unidos. Iorc começou a cantar Sorte nos shows feitos após o lançamento de seu terceiro álbum, Zeski (Slap / Som Livre, 2013). Em dezembro de 2013, o artista chegou a lançar o clipe de sua gravação de Sorte, mas o single - assinado por Iorc com o DJ Fernando Deeplick - está sendo lançado nas plataformas digitais de maneira independente neste mês de novembro de 2014. Sorte ganha suingue no single.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Eis a capa do DVD em que Céu canta sucessos de Pepeu e Bobby Capó

Sucesso de Pepeu Gomes na década de 80, Mil e uma noites de amor (Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1985) - música lançada pelo cantor, compositor e guitarrista baiano no álbum Energia positiva (CBS, 1985) - ganha a voz de Céu no primeiro registro ao vivo de show da cantora e compositora paulistana. Mil e uma noites de amor integra o repertório do CD e DVD Céu ao vivo, que vai chegar às lojas em breve pelo selo Slap, da gravadora Som Livre, com o registro do show captado em 30 de julho de 2014 no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo (SP). Entre músicas do repertório da própria Céu, o roteiro do show inclui o bolero Piel canela (1953) - o maior sucesso do compositor porto-riquenho Bobby Capó (1922-1989) - e o reggae Concrete jungle (Bob Marley, 1973), gravado pela cantora em seu primeiro álbum, Céu (Urban Jungle, 2005), e revivido pela artista no show em que interpreta o álbum Catch a fire (Island Records, 1973), de Bob Marley.

Angra exibe capa e faixas de seu oitavo disco de estúdio, 'Secret garden'

Esta é a capa de Secret garden, oitavo álbum de estúdio da banda paulistana Angra, cujo som - rotulado como metal progressivo - ecoa há anos em escala mundial. Com arte gráfica idealizada pelo desenhista Rodrigo Bastos Didier em parceria com Rafael Bittencourt, guitarrista do grupo, o disco vai ser lançado no Brasil, via Universal Musical, em 17 de janeiro de 2015, mas chegar um mês antes no Japão, em 16 de dezembro, pela gravadora JVC. Após pré-produção capitaneada pelo produtor Roy Z, Secret garden foi gravado na Suécia sob a batuta de Jens Bogren. A faixa-título Secret garden tem participação da cantora holandesa Simone Simons, da banda Epica. Já a cantora alemã dueta com Rafael Bittencourt em Crushing room. A propósito, Rafael se aventura como cantor em algumas faixas do álbum, que já teve a música Newborn me divulgada pelo Angra. Secret garden é o primeiro disco de estúdio gravado pela Angra com o vocalista Fabio Lione - admitido no grupo em 2013 - e com o baterista Fabio Valverde. Eis, na ordem do CD, as dez músicas de Secret garden, álbum que chega ao mercado fonográfico europeu também em janeiro:

1. Newborn me
2. Black hearted soul
3. Final light
4. Storm of emotions
5. Violet sky
6. Secret garden
7. Upper levels
8. Crushing room
9. Perfect simmetry
10. Silent call

Lenine idealiza sexto CD solo de inéditas, 'Carbono', para lançar em 2015

Carbono é o título do sexto álbum de inéditas da discografia solo de Lenine. Previsto para ser lançado em 2015, o CD está em fase de captação de recursos. Trata-se do primeiro disco de inéditas do artista pernambucano desde Chão (Casa 9 / Universal Music). Assim como Chão, Carbono é CD de repertório autoral. O título Carbono soa curioso para quem sabe que - antes de se firmar como cantor e compositor - Lenine chegou a cursar a faculdade de engenharia química.

'Teletema' faz inventário definitivo e delicioso ao seguir trilhas de novela

Resenha de livro
Título: Teletema Vol. 1 1964 a 1989
Autores: Guilherme Bryan e Vincent Villari
Editora: Dash
Cotação: * * * * *

Vinicius de Moraes (1913 - 1980) morreu com a crença de que havia composto com Toquinho a música-título de O bem-amado (TV Globo, 1973), novela que teve sua trilha sonora nacional assinada pela dupla Toquinho & Vinicius. Na verdade, a música O bem-amado - um dos destaques do LP da novela em gravação feita pelo MPB-4 (grupo creditado como Coral Som Livre por questões jurídicas) - foi composta somente por Toquinho, pois a TV Globo pressionava os dois compositores para entregar o tema de abertura da trama de Dias Gomes (1922 - 1999). Como Vinicius fazia corpo mole, Toquinho decidiu compor a música sozinho, a creditou à dupla e, quando questionado pelo parceiro, convenceu o poeta de que ele havia participação da criação de O bem-amado. Essa é uma das muitas saborosas histórias de bastidores que surgem em Teletema, livro indispensável para quem se interessa por novelas e pela relação entre música, novela e mercado fonográfico. Trata-se de inventário definitivo e delicioso sobre o (tele)tema, construído ao longo de 14 anos pelos autores Guilherme Bryan (que já tinha dado boa contribuição à bibliografia musical com o livro Quem tem um sonho não dança - Cultura jovem brasileira nos anos 80, lançado em 2005) e Vincent Villari (colecionador de trilhas sonoras de novelas que se tornou bem-sucedido autor de tramas como Sangue bom,  exibida pela TV Globo em 2013). O que torna Teletema indispensável é a natureza enciclopédica do livro, dividido em dois volumes. No primeiro, que abrange o período que vai de 1964 a 1989 e que está sendo lançado neste mês de novembro de 2014, os autores historiam e comentam, em ordem cronológica, todos os discos de todas as novelas e séries produzidas por todas as emissoras brasileiras de TV ao longo dos 25 anos enfocados nesse volume inicial. Além de contextualizar as trilhas nos folhetins, expondo a sintonia (ou falta de) entre músicas e tramas, os autores expõem as mudanças do gênero - as das novelas e as da música - em textos analíticos que explicam a evolução dos teletemas e a relação (de início, arisca) entre gravadoras e emissoras de TV. Entrevistas feitas com produtores, artistas e novelistas envolvidos na produção das trilhas dão substância ao inventário de Bryan e Villari, escrito de forma envolvente, sem a frieza das enciclopédias, mas com a completude de um tratado que esgota o assunto. Somente a pesquisa e o relato dos teletemas gravados no período que vai de 1964 a 1968 - na fase pré-histórica do gênero - já valeriam a aquisição de Teletema. É nessa fase, à qual é dedicado o primeiro dos quatro robustos capítulos do livro, que entra em cena o radialista e sonoplasta paraibano Salatiel Coelho, responsável pela maior parte das produções das trilhas sonoras das novelas da época, dominada pela TV Tupi. Era uma fase em que o mercado fonográfico e os artistas olhavam a telenovela com desconfiança - justificada pelo fato de o gênero, então calcado em dramalhões importados, somente ter começado a se solidificar a partir de 1969, no rastro da revolução provocada pelo tom coloquial da trama urbana de Beto Rockfeller, novela estreada pela TV Tupi em novembro de 1968. Foi a fase em que as trilhas de novelas eram pautadas por canções sentimentais e lançadas em discos que abarcavam teletemas de várias tramas. A primeira trilha sonora de novela a merecer um álbum exclusivo foi Antonio Maria (TV Tupi, 1968 / 1969), como historiam os autores do livro. O segundo capítulo, dedicado às trilhas sonoras do período 1969 - 1974, foca a ascensão da TV Globo na produção de teledramaturgia. Foi nessa fase que a emissora passou a confiar a duplas de compositores - Antonio Carlos & Jocáfi, Marcos Valle & Paulo Sérgio Valle, Roberto Carlos & Erasmo Carlos e Toquinho & Vinicius, entre elas - a tarefa de criar e assinar toda a trilha sonora nacional de uma novela. Política que resultou em discos irregulares, como enfatizam Bryan e Villari com razão e conhecimento de causa. E como deixa claro Nelson Motta, parceiro de Guto Graça Mello na composição da trilha sonora da novela Cavalo de aço (TV Globo, 1973), desancada por Motta em entrevista aos autores do livro ("Essa trilha é uma das coisas mais detestáveis que já fiz na minha vida"). Apesar de a trilha sonora de Cavalo de aço ser realmente ruim, Graça Mello seria nome fundamental na produção dos discos da (primeira) fase de ouro do gênero. Assunto do terceiro capítulo, as trilhas do período 1975 - 1984 marcaram mudança de mentalidade do mercado fonográfico e da própria TV Globo - à essa altura já reinando solitária diante da progressiva decadência da TV Tupi, desativada em 1980 - em relação aos teletemas, como historiam Bryan e Villari. Alertadas pelas boas vendagens dos LPs com as trilhas sonoras internacionais (historicamente sempre mais bem-sucedidas do que as nacionais do ponto de vista comercial, ainda que a recordista de vendas em todos os tempos seja a primeira trilha nacional da novela O rei do gado, de 1996), as gravadoras começaram a perceber que poderia ser (ótimo) negócio liberar fonogramas para os discos de novelas. Simultaneamente, a TV Globo começou a perceber que era melhor montar as trilhas com músicas de vários compositores e intérpretes. É quando Graça Mello cresceu e apareceu em cena - ou melhor, nos bastidores - com a produção de antológicas trilhas sonoras nacionais como as das novelas Gabriela (1975) e Pecado capital (1975 / 1976), sendo que a de Gabriela - um marco no gênero que fez com que a crítica musical pela primeira vez reconhecesse o valor de uma trilha sonora de novela  - foi quase inteiramente composta para a novela. Após essa fase, que rendeu trilhas de vendagens astronômicas na segunda metade dos anos 1970, como os discos internacionais de Dancin' days (1978) e Pai herói (1979), o gênero perde um pouco de sua força na primeira metade da década de 1980, embora nesse momento já estivesse consolidado o modelo que vigora até hoje com pequenas variações de acordo com a natureza da trama: um disco com sucessos nacionais e outro com os hits estrangeiros do momento. No último capítulo do primeiro volume de Teletema, o foco recai sobre as trilhas sonoras do período 1985 - 1989. É quando começa o reinado - ainda em vigor - de Mariozinho Rocha, entronizado como diretor musical da TV Globo em 1989. O marco dessa fase é a primeira das duas trilhas sonoras nacionais da novela Roque Santeiro (1985), produzida por Rocha e eleita pelos autores a melhor trilha sonora de todos os tempos (título que, a rigor, merece ser dividido com a igualmente emblemática trilha de Gabriela). Gostos à parte, ao longo de suas saborosas 512 páginas, Teletema relata como as trilhas sonoras de novelas impulsionaram artistas, gêneros musicais - como o pop rock brasileiro que emergiu em 1982 com a Blitz - e tendências  do mercado fonográfico (como a de fazer cantores brasileiros gravarem em inglês com pseudônimos estrangeiros - política que rendeu hits para as novelas da Globo nos anos 1970). Relato que resulta sedutor por conta dos numerosos causos de bastidores que emergem entre as histórias das trilhas. Enfim, o livro é, como já dito, inventário completo e definitivo de dois temas - música e novela - que mobilizam milhões de brasileiros como Bryan e Villari. Livro do ano!

domingo, 16 de novembro de 2014

Filha de Vânia Bastos com Passoca, Rita Bastos lança o álbum 'Pode ser'

Filha da cantora Vânia Bastos com o cantor, compositor e violonista Passoca, a paulistana Rita Bastos canta e compõe há 14 anos. Mas somente agora debuta no mercado fonográfico com o lançamento de seu primeiro álbum, Pode ser, disco autoral gravado de forma independente com produção de Passoca e distribuído via Tratore neste mês de novembro de 2014. Em Pode ser, a cantora e compositora apresenta dez canções e um tema instrumental. Passoca é parceiro de Rita em Um bem. Já Vânia participa de Caminho do rio. Rita - vista na capa do CD em foto de Gal Oppido - gravou canções como Chuva, Deixe, Insônia, Pedestrianismo e Was not me com banda formada por André Bordinhon (guitarra e violões), Pedro Assad (piano e arranjos), Gustavo Boni (baixo e arranjos) e Pedro Prado (bateria e percussão). Além de ter participado da criação dos arranjos, o pianista Pedro Assad interpreta Sakura. Criada em Ribeirão Preto (SP), Rita já está radicada há seis anos na cidade de São Paulo (SP), aonde tem feito shows e dado aulas de canto. 

Del-Penho capta recursos com 'essa gente boa' para gravar 'Samba sujo'

Cantor, compositor e violonista, além de ator, o artista fluminense Alfredo Del-Penho já lançou vários discos divididos com o cantor Pedro Paulo Malta, mas nunca gravou um álbum solo. Se depender da vontade do artista, sua discografia solo vai ser inaugurada em dose dupla em 2015. Através de plataforma de financiamento coletivo, Benfeitoria, Del-Penho está captando recursos financeiros para gravar e editar um álbum instrumental e outro cantado. Intitulado Pra essa gente boa, o álbum instrumental vai apresentar no repertório autoral músicas inéditas feitas pelo compositor em ritmo de choro, samba, mojo, ijexá, baião e valsa. Estão previstas participações dos cantores Joyce Moreno e Zé Renato. Já o álbum cantado, intitulado, Samba sujo, é um disco de sambas e de intérprete em que Del-Penho vai dar voz a músicas de compositores como Pedro Holanda e Rubinho Jacobina, além de temas autorais compostos por Del-Penho com parceiros como Délcio Carvalho (1939 - 2013) e Rodrigo Alzuguir. Estão previstas regravações de músicas dos repertórios das cantoras Clara Nunes (1942 - 1983) e Leny Andrade neste disco que vai reunir partido alto, samba de breque, samba de terrreiro e samba-choro, entre outros gêneros de samba.

Pélico divulga 'teaser' de música que vai estar no álbum que sai em 2015

O cantor e compositor paulistano Pélico - visto no traço de Zady Alberto - divulgou em sua página no Facebook o teaser de música inédita, Você pensa que me engana, que vai estar no álbum que o artista planeja lançar no começo de 2015. Gravada com a participação de Rodrigo Campos, que toca na faixa o que Pélico caracteriza como "cavaco matador", Você pensa que me engana integra repertório que inclui outras músicas inéditas como Calado, Escrevo, Meu amor mora no Rio e Repousar. Produzido por Jesus Sanchez e gravado em São Paulo (SP), no estúdio Sound Design, o álbum é o quarto da discografia de Pélico, embora o artista entenda que seja o terceiro, pois desconsidera seu real desconhecido primeiro álbum, Melodrama, gravado em 2003.

'A granel' compila músicas dos dois álbuns da dupla maranhense Criolina

Com seu som kitsch tropical(ista), criado a partir de azeitada mistura de ritmos maranhenses e caribenhos, a dupla Criolina - originária de São Luís (MA) - compila músicas de seus dois álbuns independentes na coletânea A granel, já à venda no iTunes através da gravadora Sony Music. Também disponível para audição em plataformas de streaming, A granel rebobina 12 gravações da dupla formada pelo casal Alê Muniz e Luciana Simões. De Criolina (2007), álbum gravado no Maranhão em 2006 com músicos locais, A granel ecoa as músicas Afinado a fogo, Baladeira, Banguela, Veneno e V8. De Cine tropical (2010), disco que deu visibilidade a Criolina fora das fronteiras do Maranhão, a compilação reexibe O santo, Eu vi a maré encher, Pregoeiro, São Luís - Havana, Revanche, Amor chanson e a música-título Cine tropical. Para promover A granel, a dupla se prepara para filmar o seu primeiro clipe, com recursos obtidos por financiamento coletivo.

sábado, 15 de novembro de 2014

Álbuns gravados por Freire na Columbia entre 1967 e 1970 são reeditados

Os 70 anos de Nelson Freire, completados em outubro deste ano de 2014, motivaram a indústria fonográfica a relançar gravações feitas pelo pianista mineiro nos anos 1960, no começo da carreira que consagraria Freire em âmbito mundial como um dos maiores músicos brasileiros no universo da música clássica. Se a gravadora Decca compilou registros de concertos gravados na Europa por emissoras de rádio no CD duplo Radio days - The concerto broadcasts 1968-1979, recém-lançado no Brasil pela Universal Music, a Sony Music põe no mercado nacional a caixa The complete Columbia album collection, produzida por Robert Russ com libreto que, além das fichas técnicas dos discos e de fotos do músico, inclui texto assinado por Jed Distler sobre essa fase inicial da discografia do pianista. Com sete CDs, a caixa embala reedições de seis álbuns de Freire (um deles é duplo, tendo sido gravado em Munique, na Alemanha, em maio de 1968 e lançado em 2 de janeiro de 1969). Cinco foram gravados entre 1967 e 1970 e lançados entre 1969 e 1972. A exceção é Nelson Freire plays Chopin, álbum solo gravado pelo pianista em dezembro de 1982, na Alemanha, e lançado em 1983 pelo selo Sony Classical, mas até então inédito no mercado internacional de música erudita. Masterizadas a partir das fitas analógicas originais, as reedições reproduzem as capas dos álbuns originais, (re)apresentadas no formato de miniaturas de capas de LPs. Dentre os seis álbuns, três ganham na caixa sua primeira edição em CD. Há títulos gravados com orquestra, mas a maioria apresenta Nelson Freire a sós com seu piano preciso - a exemplo do álbum Chopin: The 24 preludes, lançado originalmente em maio de 1971.

Quarto solo de Paula, 'Transbordada' ganha edição digital ainda em 2014

A edição física em CD do quarto álbum solo da cantora e compositora carioca Paula Toller, Transbordada, está programada para chegar ao mercado somente em janeiro de 2015, com distribuição da gravadora Som Livre, mas a edição digital do disco - produzido por Liminha, parceiro de Paula (em foto de Flávio Colker) em nove das 10 músicas do repertório inédito - vai estar disponível ainda neste ano de 2014, mais precisamente em 29 de dezembro. Já o single Calmaí (Paula Toller e Liminha) - já ouvido em rádio - vai ser lançado no iTunes em 8 de dezembro.

Dueto de Paula Fernandes com Bolton ecoa no CD 'Império internacional'

Tema mais famoso do musical O mágico de Oz, a canção Over the rainbow (Harold Arlen e Edgar Ypsel Harburg, 1939) foi regravada em 2011 pelo cantor norte-americano Michael Bolton em dueto com a cantora e compositora mineira Paula Fernandes. Feito originalmente para o 21º álbum de estúdio de Bolton, Gems - The duets collection (Sony Music, 2011), o fonograma foi incluído pela artista sertaneja no seu recém-lançado projeto Encontros pelo caminho (Universal Music, 2014). No embalo, o CD com a trilha sonora internacional da novela Império (TV Globo, 2014) - lançado no mercado fonográfico neste mês de novembro de 2014 pela gravadora Som Livre - também inclui o encontro de Paula e Bolton na música creditada como Somewhere over the rainbow. O CD Império internacional também traz a gravação de Lucy in the sky with diamonds (John Lennon e Paul McCartney, 1967) feita pelo cantor anglo-brasileiro Dan Torres - radicado no Brasil desde 2003 - para a abertura da novela. Os demais fonogramas são de artistas estrangeiros.

Projota rima pueril para o universo pop em álbum que sai do gueto do rap

Resenha de CD
Título: Foco, força e fé
Artista: Projota
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *

"Essa mulher é raridade, já virei fã / Vou dedicar pra ela todas as canções do Djavan", rima Projota em verso de O vento (Projota, Markos Vinicius e Skeeter), uma das 15 músicas do primeiro álbum do rapper paulistano, projetado fora do gueto ao fazer participação no DVD gravado pela funkeira pop carioca Anitta no início deste ano de 2014. Em essência, O vento é uma cantada passada por Projota através de canção que soa mais próxima do universo pop folk do que do nicho do hip hop. Foco, força e fé é o título do álbum ora lançado pela gravadora multinacional Universal Music com 11 músicas inéditas entre suas 15 faixas. A fé parece estar depositada nas possibilidades mercadológicas de um disco que rima para o universo pop com a legitimidade de um rapper que quer extrapolar o gueto. "Curto Charlie Sheen, mas prefiro Sean Penn / Renato Russo e Elis também / Cresci entre Sabotage e Kurt Cobain", rima Projota, listando influências nos versos da faixa-título Foco, força e fé (Projota, Pedro Dash e Dan Valbusa), rap alocado na abertura do disco, como carta de intenções do artista. A referência a Renato Russo (1960 - 1996) é explicitada no uso de Tempo perdido (Renato Russo, 1986) como tema incidental de Carta aos meus (Projota e Nave), rap que faz messiânico discurso positivista dirigido à legião urbana da geração de Projota. "Somos tão jovens...", conclui o rap gravado com a participação do legionário Dado Villa-Lobos. Por mais que o discurso de Projota soe pueril nos temas de cunho social como Hey, irmão (Projota, Markos Vinicius e Fernanda Porto) e Um dia a mais (Projota e Nixon Silva), Foco, força e fé é o retrato jovial de um rapper que se sente no direito (legítimo, cabe repetir) de recusar os nichos e cortejar o universo pop com tudo que lhe é permitido. Com o foco direcionado para as possibilidades e caminhos que se abrem numa gravadora multinacional como a Universal Music, Projota se permite fazer conexão com o cantor e compositor colombiano de reggaeton J. Balvin - cujo hit Tranquila (2012) ganha versão em português assinada por Projota e gravada com a adesão do próprio Balvin - assim como topa encarnar a personagem do mano fodão em Elas gostam assim, rap cujo discurso machista e sexista é dividido por Projota com o colega carioca Marcelo D2, com direito à citação de Chico Buarque ("Você não gosta de mim, mas sua filha gosta"). Bom, o ser humano é falho, como canta Negra Li no refrão de O homem que não tinha nada (Projota, Pedro Dash e Dan Valbusa). Entre erros e acertos, Projota mantém o foco em seus objetivos. "Aqui um em um milhão nasce para vencer / Mas nada impede que esse um seja você / E tudo que você precisa ter é / Foco, um objetivo para alcançar...", receita o rapper nos versos do rap que batiza Foco, força e fé. Entre rimas fáceis, o recado é dado a quem quiser ouvir.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Produzido por Luisão, Bruno Capinan cai no samba em CD que tem Mallu

Cantor e compositor baiano radicado em Toronto, cidade do Canadá, Bruno Capinan cai no samba em seu segundo álbum, Tudo está dito (Maravilha 8), sucessor de Gozo (2010), disco de estreia lançado comercialmente somente na Europa e na América do Norte. Com aquarelas da cantora paulistana Mallu Magalhães expostas na capa e no encarte, Tudo está dito é um disco de sambas autorais como Eu não, De manhã e Gang bang Mangueira. A produção do CD passou a ser efetivamente concretizada em 2013, mas Capinan começou a compor o repertório do álbum em 2011, ano em que o compositor e músico baiano Luisão Pereira se ofereceu para produzir o disco, formatado com músicos da cena contemporânea carioca como o baixista Bruno Di Lullo e o baterista Domenico Lancellotti. Tudo está dito foi gravado entre as cidades de Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Lisboa (Portugal). Duo formado por Luisão Pereira com a violoncelista Fernanda Monteiro, Dois em Um toca na faixa Os pássaros não são nada fiéis. Já Sambolento tem a participação de Mallu Magalhães. Capinan assina sozinho nove das dez músicas do CD. A exceção é Ave mãe, parceria com Luisão Pereira. Lançado no Brasil neste mês de novembro de 2014, Tudo está dito ganha também edição japonesa produzida simultaneamente pelo selo P-vine.

'Single' anuncia CD em que Chitãozinho & Xororó cantam Tom do sertão

Álbum em que Chitãozinho & Xororó dão vozes anasaladas ao cancioneiro soberano de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), com ênfase nas músicas que falam de campo e natureza, Tom do sertão vai ser lançado somente em janeiro de 2015 em edição da gravadora Universal Music. Mas um single duplo - disponível para compra no iTunes a partir de hoje, 14 de novembro de 2014 - já dá prévia do álbum através dos registros das músicas Águas de março (Antonio Carlos Jobim, 1972) e Correnteza (Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá, 1973). Pouco à vontade no canto do samba lançado em 1972, a dupla sertaneja se sai melhor em Correnteza, pela proximidade natural do tema com o universo rural de muitas canções do repertório dos irmãos paranaenses. Produzido por Edgard Poças, Ney Marques e Cláudio Paladini, o álbum Tom do sertão traz também no repertório o icônico samba Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) e a bela canção romântica Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes,1959).