sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Tulipa finaliza álbum que, além de Cordeiro, inclui Donato e o Metá Metá

Tulipa Ruiz conclui hoje, 27 de fevereiro de 2015, a gravação de seu terceiro álbum. Formatado ao longo deste mês de fevereiro no estúdio da Red Bull Station, em São Paulo (SP), com produção de Gustavo Ruiz, o disco amplia as conexões musicais da cantora e compositora paulistana. Além de Felipe Cordeiro, parceiro e piloto da música Virou (Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz, Luiz Chagas, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro), o sucessor do álbum Tudo tanto (Independente, 2012) tem participações do compositor e pianista acriano João Donato e do grupo paulistano Metá Metá. Donato virou admirador fervoroso do som de Tulipa desde que a convidou para participar do show em que reviveu o repertório de seu álbum Quem é quem (EMI-Odeon, 1973) em fevereiro de 2014, em São Paulo (SP). Já a conexão da artista com o Metá Metá é inédita. Gravado com patrocínio do projeto Natura Musical  e com banda formada pelos músicos Caio Lopes (bateria), Luiz Chagas (guitarra) e Márcio Arantes (baixo), além de Gustavo Ruiz, o terceiro álbum de Tulipa Ruiz - em foto de Fábio Piva - já tem lançamento programado para 5 de maio e vai chegar ao mercado fonográfico pelas mesmas vias independentes do belo álbum anterior da artista projetada em 2010.

Capa do primeiro DVD de Baby do Brasil é assinada por Giovanni Bianco

Programado para chegar ao mercado fonográfico entre março e abril de 2015, em edição da gravadora Coqueiro Verde Records, o primeiro DVD de Baby do Brasil, Baby sucessos - A menina ainda dança, tem capa assinada pelo carioca Giovanni Bianco, designer e diretor de arte de ascendência italiana radicado em Nova York (EUA) e projetado em escala mundial no universo pop nos anos 2000 por conta da criação de capas de álbuns de Madonna. No Brasil, Bianco assinou capas de cantoras como Ivete Sangalo, Marina Lima (visionária ao apostar na arte de Bianco ainda nos anos 1990), Marisa Monte e Roberta Sá. O DVD Baby sucessos - A menina ainda dança perpetua o show que estreou em outubro de 2012, no Rio de Janeiro (RJ), e que marcou a volta da cantora fluminense Baby do Brasil ao mercado de música pop após anos de imersão exclusiva no universo evangélico. A gravação ao vivo foi realizada em 31 de janeiro de 2014 em apresentação do show Baby sucessos na casa Imperator, na mesma cidade do Rio de Janeiro onde o show foi apresentado pela primeira vez, antes de sair em vitoriosa turnê pelo Brasil.

Emicida estende conexão com rapper francês Féfé em single e em clipe

Emicida está transitando por outras quebradas. Nesta última semana de fevereiro de 2015, o rapper paulistano estendeu a conexão com o rapper francês Féfé - iniciada em 2014 na 10ª edição da Virada Cultural de São Paulo - com o lançamento do single Bonjour e do clipe dessa parceria com Féfé. O single já está à venda nas plataformas digitais. Já o clipe - filmado no Jardim Elisa, na periferia de São Paulo (SP) com produção de Nave Beats e direção de Vras 77 - pode ser visto no YouTube e em outros portais da web. No rap Bonjour, apresentado em dezembro de 2014 em show no Festival Ubuntu, Emicida - à direita na foto de Ênio César - e Féfé cantam em português e em francês. O rap tem células rítmicas do samba na azeitada gravação. Uma turnê dos rappers pela França e por outros países da Europa está programada para este primeiro semestre de 2015.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Raimundos trazem samba de Arlindo para seu lugar em 'single' roqueiro

O lugar natural do grupo brasiliense Raimundos é bem distante de Madureira, o suburbano bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ) que inspirou os compositores cariocas Arlindo Cruz e Mauro Diniz na criação do samba Meu lugar, lançado por Arlindo no álbum Sambista perfeito (Deck, 2007). Pois os Raimundos trouxeram o samba de Arlindo para seu lugar. Em single lançado esta semana nas plataformas digitais, através da gravadora Som Livre, o grupo leva o samba de Arlindo na batida frenética do rock com versos inéditos (escritos pelos Raimundos) que ambientam a composição em lugar habitado por praticantes de skate e adeptos do hardcore. A letra cita, metalinguisticamente, o inusitado encontro de Arlindo com os Raimundos em Madureira. 

Mautner e Gil fazem políticos gestos de amor em inédito registro de 1987

Resenha de CD
Título: O poeta e o esfomeado
Artista: Jorge Mautner & Gilberto Gil
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * * * 
 Disco por enquanto disponível somente na caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma

"O meu gesto político, figa / Este é meu gesto, meu gesto de amor / Ele não faz parte de nenhuma doutrina / Ele não pertence a nenhum senhor". Os versos do Hino da Figa (Gilberto Gil) dão pista certa do espírito humanitário do show que uniu o cantor, compositor e músico carioca Jorge Mautner com o cantor, compositor e músico baiano Gilberto Gil em 1987. Composto por Gil para o show e para ser espécie de manifesto musical do Figa Brasil, movimento de cunho filosófico e político arquitetado por Mautner e Gil naquele ano de 1987, o Hino da Figa ganha seu primeiro registro fonográfico em O poeta e o esfomeado, inédito CD incluído na caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma, lançada pelo selo Discobertas neste mês de fevereiro de 2015. Ao lado do percussionista Reppolho, Mautner (com seu violino) e Gil (com seu violão pleno de musicalidade) fazem e trocam políticos gestos de amor com o público nesta inédita gravação ao vivo captada em 13 de março de 1987 em apresentação do show no Palácio das Convenções Anhembi, em São Paulo (SP). O poeta e o esfomeado foi um show que usou a música para fazer política. O que justifica os discursos de Mautner e as inclusões no roteiro de músicas como Você me chamou de nego (Gasolina) - samba cheio de orgulho negro que levantou a voz contra o preconceito racial - e a Oração pela libertação da África do Sul (1985), pioneiro libelo musical brasileiro contra o Apartheid em voga naqueles anos 1980. Contudo, O poeta e o esfomeado transcende seus propósitos originais na perspectiva do tempo - até porque o movimento Figa Brasil foi abortado em 1988 com a eleição de Gil para cargo de vereador em Salvador (BA) - e resiste neste inédito disco ao vivo como o afinado encontro entre duas almas musicais afins. Tal afinidade veio a público em escala nacional quando Gil deu voz ao Maracatu atômico - o maior sucesso da parceria de Mautner com seu parceiro Nelson Jacobina (1935 - 2012) - em gravação editada em compacto simples de 1973. Maracatu atômico, claro, figurava no roteiro desse show que ampliou a parceria de Gil e Mautner nos palcos após recital feito por Gil em 1986, com intervenções literárias de Mautner, no projeto Luz do Solo - como bem lembra o jornalista mineiro Renato Vieira em texto escrito para o encarte deste disco de qualidade técnica satisfatória e de alto valor documental. Em O poeta e o esfomeado, CD por ora disponível somente na caixa que reedita os três álbuns lançados por Mautner ao longo dos anos 1980, Gil e Mautner mostram toda a delicadeza oriental que há na sua parceria O rouxinol (1975), caem no samba carioca de outrora - com Mautner dando voz no roteiro a Teu olhar, título pouco ouvido do cancioneiro do pioneiro compositor carioca Ismael Silva (1905 - 1978) - e abrilhantam os tons de Cores vivas (Gilberto Gil, 1981), música alocada ao lado da marchinha A.E.I.O.U. (Noel Rosa e Lamartine Babo, 1931) no único medley do roteiro. Noel Rosa (1910 - 1937), aliás, figura duplamente no disco, já que O poeta e o esfomeado abre com Positivismo (1933), samba assinado pelo Poeta da Vila com Orestes Barbosa (1893-1966) e cantado por Mautner. Zen, Gil louva um sertão romantizado em Casinha feliz, canção que lançara dois anos antes em Dia dorim noite neon (Warner Music, 1985), um dos melhores álbuns da fase pop de sua discografia. Há harmonia na união dos artistas. Com fome insaciável de música, sem mágoas, desprezos e temores, os poetas cantam a vida e a liberdade, trocando gestos de amor e transmutando a dor em alegria, como forma de fazer política.

Primeiro álbum solo de Adriano Siri, 'Olha que lindo', ganha edição física

Lançado em edição digital em agosto de 2014 pelo selo Pimba, o primeiro álbum solo de Adriano Siri, Olha que lindo, ganha edição física em CD neste mês de fevereiro de 2015 com distribuição da Tratore. Cantor e compositor alagoano radicado no Rio de Janeiro (RJ), Siri integra o grupo carioca Fino Coletivo. No álbum Olha que lindo, o artista apresenta 13 músicas de seu autoria - inéditas, em sua grande maioria - sem chamar atenção como compositor com seu mix pop indie psicodélico de samba, rock e bossa. Com Wado, colega do Fino, Siri assina Apartamento e Amor e restos humanos. Já Caetano Malta é o parceiro de Ilusão, música que abre o disco. Contudo, em sua maioria, o repertório é assinado solitariamente por Siri, compositor de temas como Em tuas mãos e Os olhos delas. Olha que lindo é disco gravado entre 2012 e 2013 no Rio de Janeiro (RJ), mas três faixas - Colinho, Sem tempo e Papai e mamãe - aproveitam registros feitos pelo artista em Maceió (AL), em 2004,  época em que Siri integrava o grupo Santo Samba na sua cidade natal.

Enquanto planeja DVD, Dyba lança seu segundo CD solo, 'Tudo de bom'

Cantor e compositor catariense nascido em Canoinhas (SC) e projetado em escala nacional em 2012 quando se tornou finalista da primeira temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo), Danibo Dyba lança seu segundo álbum solo neste mês de fevereiro de 2015. Tudo de bom chega ao mercado fonográfico em edição da Universal Music, gravadora que há dois anos pôs nas lojas o CD Danilo Dyba (2013), primeiro trabalho solo deste artista que atuou durante seis anos como vocalista do grupo catarinense Kanoa. Em Tudo de bom, aliás, o cantor regrava um hit local da época do grupo Kanoa, Combinado (Danilo Dyba), e apresenta músicas inéditas e autorais pautadas pela tonalidade mais pop da atual música sertaneja. Entre elas, há Garçom, Caranguejo, Personal e Desejo de mulher. Dyba - que planeja fazer em 2015 seu primeiro registro audiovisual de show - assina solitariamente 12 das 13 composições de Tudo de bom. A exceção é Cê gama.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

'Motoboy' dá a partida no segundo álbum de Seu Jorge para 'churrascos'

Motoboy é a música que dá a partida na promoção do álbum Músicas para churrasco vol. 2, o 12º título da discografia oficial de Seu Jorge. O single vai ser lançado nas plataformas digitais nesta última semana de fevereiro de 2015. Já o álbum vai chegar ao mercado fonográfico entre março e abril, em edição da gravadora Universal Music, com repertório inédito e autoral que mira a classe C.

Mautner conceitua os quatro discos embalados na caixa 'Zona fantasma'

Lançada no mercado fonográfico brasileiro neste mês de fevereiro de 2015, em edição do selo Discobertas, a caixa Jorge Mautner Anos 80 - Zona fantasma embala, em quatro CDs, reedições dos três álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca ao longo dos anos 1980. Bomba de estrelas (Warner Music, 1981), Antimaldito (Nova República / Polygram, 1985) e Árvore da vida (Geléia Geral / Warner Music, 1988) - disco assinado por Mautner com o parceiro Nelson Jacobina (1953 - 2012) - são os álbuns encaixotados.  O quarto disco é um título até então inédito na discografia deste artista multimídia. O poeta e o esfomeado é o inédito registro ao vivo de show-manifesto feito por Mautner com o cantor e compositor baiano Gilberto Gil em março de 1987, em São Paulo (SP), para propagar o movimento político Figa Brasil. Para promover a edição da caixa, produzida pelo pesquisador musical Marcelo Fróes com textos em que o jornalista mineiro Renato Vieira contextualiza cada álbum na seleta discografia do artista, o próprio Mautner escreveu um texto em que discorre sobre os discos ora reeditados. Com a palavra, Jorge Mautner:

"Estes quatro discos têm 49 músicas. Não daria para comentar todas, por isso vou pinçar algumas, mas isso não quer dizer que estas sejam mais importantes do que as outras não pinçadas. O primeiro disco é Bomba de estrelas. Neste disco, eu canto com muitos amigos e muitas amigas artistas. A força secreta daquela alegria, parceria com Gil, é uma conversa com as plantas. Elas também sentem e pensam. Namoro astral, com Moraes Moreira, é um comentário kaótico sobre a Astrologia. Cidadão-cidadã é um manifesto do direitos humanos incluindo com ênfase os portadores de necessidades especiais, a diversidade sexual, a busca da felicidade na democracia. Namoro de bicicleta, com Pepeu Gomes, é um devaneio da infância permanente na cabeça dos artistas. Samba japonês é uma saudação da Amálgama em direção ao povo nipônico que, quando chegou na década de 70 a São Paulo, no bairro da Liberdade, a Umbanda de São Paulo imediatamente criou um orixá samurai. Encantador de serpentes, com Robertinho do Recife, participou do festival da Globo e é um frevo avançado com influência da Índia e, segundo Gilberto Freyre em seu livro China tropical, os séculos XVII e XVI no Brasil foram séculos hindus. Vida cotidiana, com Caetano Veloso, é uma música onde o humor resplandece no vários instantes de um dia. Negros blues, com Zé Ramalho, é a afirmação sempre renovada da importância da negritude, da cultura negra, homenageando especificamente Gilberto Gil e estes negros blues. Bomba de estrelas, parceria com Zé Ramalho e cantada por Amelinha, dá o nome ao disco e portanto se irradia em todas as outras músicas. Duas faixas-bônus: Filho predileto de Xangô, novamente a afirmação da plenitude da presença da negritude. Depois, O boi, minha em parceria com Nelson Jacobina que comigo trabalhou durante 40 anos e que está em todos meus discos e meu coração. O boi, é claro, vai para o matadouro: esta música também é extremamente histórica e política, abrangente.

O segundo disco, Antimaldito. A direção deste disco é de Caetano Veloso, e a sua produção foi feita por Roberto Santana e o filho de Leonel Brizola, já falecido. Registra novamente a intensidade da presença da política e da história em direção à democracia do Kaos com K e da Amálgama que é o meu tema fundamental, literário, em entrevistas, na minha vida, etc. Cinco bombas atômicas, composta no início dos anos 1970, minha com Nelson Jacobina, retrata novamente a bomba atômica mas agora como força maior do ser humano e do amor. Relâmpago dourado, de minha autoria, homenageia a importância das histórias em quadrinho e humaniza também os chamados monstros. Zona fantasma, minha com Nelson Jacobina, é uma queixa amarga e simbólica-histórica de quem está preso na Zona Fantasma, perto da Criptonita. Rock comendo cereja, minha com Nelson Jacobina, é uma celebração da vida. Na realidade, é um spiritual. Fado do gatinho, de minha autoria, retrata meu amor absoluto pelos felinos numa letra cheia de humor e provocações. Índios Tupi Guarani, de minha autoria, é uma música fundamental a meu ver por conta das culturas indígenas do chamado Brasil, e onde afirmo: isso aqui já era um lugar sagrado muito antes do Cristo do Corcovado. Tataraneto do inseto, minha com Nelson Jacobina, é uma música de protesto revolucionário democrático com metáforas de diplomacia chinesa mas que transborda no grito "Canalhas! Arrependei-vos!" e também ao retratar cientificamente em termos poéticos a capacidade de adaptação dos insetos em reação aos inseticidas. Quando a canto nos shows, tenho a oportunidade de afirmar expressões fundamentais: "Deixa como está para ver como fica" e de Benedito Valadares: "na prática, a teoria é outra." Corações, corações, corações, minha com Nelson Jacobina, são três vezes corações. Iluminação foi composta em 1958 e é uma das facetas do Kaos com K em que a iluminação vem como afirma Soren Kierkegaard: "o verdadeiro cristão vive no escândalo e não tem medo do ridículo". A bandeira do meu partido, de 1958, foi aqui pela primeira vez gravada em disco. É bom lembrar que: "a bandeira do meu partido vem entrelaçada com outra bandeira, verde e amarela, a bandeira brasileira." Faixa-bônus: Flesh by flesh, Carne por carne, composta em 1967 durante meus sete anos de exílio nos USA. E, novamente, o Vampiro.

Árvore da vida. A primeira música, Yeshua Ben Joseph, é sobre Jesus de Nazaré e é de uma atualidade eterna. Jesus de Nazaré inventou e criou o Romantismo, os Direitos Humanos inclusive a desobediência civil pacífica e pacificante, através do Livre Arbítrio criou todo o liberalismo e no Sermão da Montanha criou o Socialismo. Quando digo que sou da religião dos humilhados e ofendidos é novamente a marca profunda de Dostoiévski nos meus neurônios. A segunda música, Zum-zum, é minha com Nelson Jacobina, um devaneio
bem-humorado com situação perto da monotonia da loucura. Hiroshima Brasil, de minha autoria e composta em 1958, fala dos terrores da Bomba Atômica e suas repercussões história afora até agora e muito depois. Menino carnavalesco, de minha autoria em 1958, é uma música de amor com leves incursões de ironia amarga. Perspectiva, minha autoria e composta na época da Perestroika de Gorbachev: novamente Maiakóvski e toda a Revolução Soviética que esmagou Adolfo Hitler, e nela eu afirmo brincando, traduzindo a palavra perspectiva que em russo quer dizer Avenida. Maracatu atômico: minha e de Nelson Jacobina, é um hino das simultaneidades e da exuberância do Brasil, lembra da fundamental importância da nação que foi construída pelos heróis africanos que se tornaram escravos. A força atômica aqui é o coração do povo brasileiro e da natureza deste país-continente. Vampiro, já composta em 1958, foi gravada pela primeira vez em 1979 por Caetano Veloso no disco Cinema transcendental. Lágrimas negras, que está com o nome de Lágrimas secas, minha e de Nelson Jacobina, foi gravada pela primeira vez por Gal Costa e alguns anos atrás pelo Otto. Novamente, a força da negritude e sua capacidade de arrancar do terror o seu oposto que é a felicidade do impossível. Samba jambo, novamente minha com Nelson Jacobina, novamente o fascínio do nosso entrelaçamento com todos os batuques das Américas. O teu olhar, de Ismael Silva. Minha admiração por Ismael é infinita. Tanto é que este O teu Olhar também está gravada em outro disco. Lembrar que Ismael Silva fundou a primeira escola de samba no Rio e que se chamava Deixa Falar, depois transformada em Estácio de Sá. Ismael Silva = Wolfgang Amadeus Mozart. Árvore da vida, minha com Nelson Jacobina, inspirada em um verso de Goethe que diz "Cinza é toda teoria, mas verde, meu amigo, é a cor da árvore da vida!".

O poeta e o esfomeado, o quarto disco, foi gravado de um show importantíssimo que precedeu as atividades políticas de Gilberto Gil como vereador em Salvador, do qual fui chefe de gabinete durante um ano e meio e também sua magnífica gestão como Ministro da Cultura. Positivismo, de Noel Rosa e Orestes Barbosa, foi escolhida porque é um show político e nem Borges de Medeiros nem Júlio de Castilho podiam estar de fora, e claro a presença de Getúlio Dornelles Vargas. Marcha turca: foi Gil o diretor musical e executivo deste show e me fez tocar minha versão de Marcha turca dada minha eterna afirmação de que arte erudita e popular são uma coisa só. Ou como dizia Villa Lobos: "estude harmonia e contraponto a fundo, depois esqueça tudo." E também, por que não?, Marcha turca se refere à Turquia que é produto da grande e luminosa cultura e civilização do Califado de Bagdá. Novamente, O teu Olhar de Ismael Silva. Casinha feliz, de Gilberto Gil: o nome já diz tudo. Gil, mesmo quando preso, compôs três músicas na cela. Você me chamou de nêgo, Gasolina: é uma música muito ousada por atacar o racismo em tons escandalosos de comparações. A Oração pela libertação da África do Sul, de Gilberto Gil, foi uma das primeiras manifestações contra o Apartheid quando Nelson Mandela estava preso. Foi um pedido do professor Mário Schenberg para que Gil a fizesse. Novamente, o Vampiro, pois o Vampiro sempre está aí. O rouxinol, minha com GG, é uma das minhas canções mais lindas e trata novamente sobre a ternura da sobrevivência de todos nós animais incluindo o rouxinol os gatos os cães e é uma canção sinobrasileira. Hesíodo, autor da Teogonia dos deuses, também escreveu um trabalho chamado O trabalho e os dias, no qual ele conta: "No final do dia, todos os animais se reúnem bem alimentados e o rouxinol então quer saudar a beleza desse dia cantando. Ele canta e depois o gavião diz: coisa mais linda do mundo, mas mesmo sem fome vou matar o rouxinol." O filho predileto de Xangô, em nova versão, e Mama de Gilberto Gil, imortal e universal, Maracatu atômico e finalmente o Hino da Figa. Composto por Gilberto Gil, nestes mais de 40 shows que tinham já listas de inscrições para o Movimento da Figa Brasil, show em que é comemorado o poeta Jorge de Lima e todas as noções e intenções da Amálgama de José Bonifácio de Andrada e Silva, da eterna segunda abolição de Joaquim Nabuco, proclamando nossa união e igualdade dentro das diferenças como símbolo da Figa como metáfora de tudo isso. Destaque também para o genial percussionista Reppolho.

Todos estes quatro discos se enfeixam, fazem parte das minhas ideias, dos meus livros, entrevistas, minha vida, com duas motivações simultâneas: nunca mais novamente o Holocausto e que a ressureição da humanidade é o Brasil. Recomendo duas leituras: China tropical e o último livro de Domenico de Masi, O futuro chegou.

Aquele abraço!
Jorge Mautner
Fevereiro, 2015
Em tempo: gostaria de lembrar e comemorar o trabalho impecável de Marcelo Fróes e Renato Vieira com esta caixa. Para mais e variadas informações e ligações com minha obra e outras, consultem meu portal Panfletos da Nova Era."

Enquanto produz álbum de Fafá, Felipe abre e grava parceria com Tulipa

Às voltas com a produção do álbum comemorativo dos 40 anos de carreira da cantora paraense Fafá de Belém, previsto para ser lançado em meados deste ano de 2015, o cantor, compositor e guitarrista paraense Felipe Cordeiro arrumou tempo na agenda para gravar participação no terceiro álbum de Tulipa Ruiz. Com lançamento programado para 5 de maio de 2015, o sucessor de Tudo tanto (Independente, 2012) está sendo formatado no estúdio da Red Bull Station, em São Paulo (SP), com produção de Gustavo Ruiz. Felipe - com Tulipa na foto de Fábio Piva - figura na faixa Virou. A música é sua primeira parceria com a artista paulistana, sendo assinada também por Gustavo Ruiz, Luiz Chagas (pai de Tulipa) e Manoel Cordeiro (guitarrista paraense, pai de Felipe e também produtor do CD de Fafá). Já próximo da mixagem, o álbum de repertório inédito e autoral foi gravado com banda que inclui, além de Gustavo Ruiz, os músicos Caio Lopes (bateria), Luiz Chagas (guitarra) - integrante da banda paulistana Isca de Polícia - e Márcio Arantes (baixo). Assim como Tudo tanto, o terceiro CD de Tulipa chegará ao mercado fonográfico com patrocínio obtido no programa Natura Musical. O cronograma prevê turnê já na sequência do lançamento do álbum.

Com discografia ampliada, livro foca Novos Baianos pela ótica de Galvão

A ampliação da discografia do grupo Novos Baianos - com as reproduções das capas de todos os discos do coletivo baiano (inclusive dos compactos) e com a publicação das letras de todas as músicas gravadas pela banda - é o principal ganho da reedição da primeira e única biografia dos Novos Baianos, escrita pelo baiano Luiz Galvão, um dos principais compositores do lendário grupo, parceiro do baiano Moraes Moreira em clássicos como Acabou chorare, Preta Pretinha e Tinindo, trincando. Lançada originalmente pela editora 34 com título Anos 70 - Novos e baianos em 1997, ano em que os Novos Baianos estavam reunidos para show registrado no duplo álbum ao vivo Infinito circular (Polygram, 1997), a biografia retorna ao mercado literário pela Lazuli Editora. Novos Baianos - A história do grupo que mudou a MPB (2014) tem na autoria de Galvão o seu maior mérito e defeito. Por ter sido testemunha ocular dessa história, o autor tem credibilidade para contá-la em narrativa de tom coloquial, fragmentada em 56 capítulos. Contudo, justamente por ser um dos agentes da história, Galvão foca os Novos Baianos por sua ótica afetiva e comprometida com a exaltação dessa gente bronzeada que mostrou seu valor ao longo dos anos 1970. De certa forma, Novos Baianos - A história do grupo que mudou a MPB é biografia autorizada do grupo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mumuzinho regrava sucesso de Eliana de Lima com Carolina Dieckmann

Sucesso de Eliana de Lima, lançado pela cantora paulista no álbum Fala de amor (JWC Discos, 1991), o pagode romântico Desejo de amar (Gabú e Marinheiro, 1991) ganha a voz de Mumuzinho em gravação feita com a participação da atriz carioca Carolina Dieckmann. Desejo de amar é uma das 14 músicas do terceiro álbum de estúdio do cantor carioca, Fala meu nome aí. Nas lojas em março de 2015, em edição da Universal Music, o CD tem também a participação de Zeca Pagodinho na música-título Fala meu nome aí. Em janeiro, o single Design (Claudemir, Mario Cleide e Rosana Silva) anunciou o álbum produzido por Bruno Cardoso (vocalista do grupo Sorriso Maroto) e Leandro Gomes (o Lelê, percussionista que deixou o Sorriso para atuar nos bastidores da indústria da música). Crianças do Brasil, Teste de conhecimento, Identidade, Fulminante, Latente e Configurações do amor são músicas incluídas no repertório do disco Fala meu nome aí.

Raquel Saraceni debuta como cantora em CD com inédita (e aval) de Ivan

Música inédita de Ivan Lins em que o compositor carioca assina a melodia e a letra, Um gesto qualquer de carinho ganha a voz de Raquel Saraceni, atriz carioca que vai se lançar oficialmente como cantora no Brasil neste ano de 2015 com a edição de seu primeiro álbum, O tempo me guardou você, previsto para chegar ao mercado fonográfico entre abril e maio por vias independentes. A música Um gesto qualquer de carinho foi enviada a Raquel pelo próprio Ivan Lins que, além de tocar teclados na faixa, avaliza o disco, assinando no encarte do CD um texto em que apresenta a artista, que já cantou no teatro e na França - onde Raquel morou por cerca de 20 anos - e que decidiu se assumir cantora ao retornar ao Brasil. Ivan é compositor de três músicas do disco de estreia de Raquel. Além de Um gesto qualquer de carinho, ele assina a música-título O tempo me guardou você - parceria com o compositor paulista Celso Viáfora lançada por Ivan no DVD e CD ao vivo Cantando histórias (EMI Music, 2004) - e o Samba de vison, composto em parceria com Claudio Lins e com o pianista e compositor francês Michel Legrand. O Samba de vison foi lançado em disco por Ivan há dois anos em álbum, Cornucopía (Sunnyside Record, 2013), gravado com a orquestra alemã SWR Big Band para o mercado europeu e ainda inédito no Brasil. Produtor e compositor de trilhas sonoras, o carioca Sérgio Saraceni assina a direção musical do disco de MPB no qual, além das três composições de Ivan Lins, Raquel grava músicas de Chico Buarque, Dori Caymmi, Paulo César Pinheiro e Rosa Passos, entre outros compositores.

Álbum que firmou o Skank, 'Calango' é reeditado em vinil de 180 gramas

Álbum que firmou a carreira fonográfica do grupo mineiro Skank, ao ser lançado em 1994 pelo selo Chaos (da gravadora Sony Music), Calango volta ao mercado no mês de março de 2015 em reedição em vinil de 180 gramas. Produzida pela fábrica Polysom dentro da série Clássicos em vinil, a reedição joga luz sobre um grande disco que projetou músicas então inéditas como Jackie Tequila, Pacato cidadão e Te ver - parcerias do vocalista e guitarrista do Skank, Samuel Rosa, com o letrista Chico Amaral, sendo que Te ver tem coautoria de Lelo Zaneti, baixista da banda. Mas o primeiro hit de Calango nas rádios foi a (sagaz) regravação de É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964), rock que, na época, havia sido lançado há 30 anos na voz do então emergente Roberto Carlos. Eis, na disposição do LP fabricado pela Polysom sob licença da Sony Music, a ordem das 11 músicas na reedição em vinil de Calango, álbum realmente clássico:

LADO A
1. Amolação (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
2. Jackie Tequila (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
3. Esmola (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
4. O beijo e a reza (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
5. A cerca (Samuel Rosa, Fernando Furtado e Chico Amaral, 1994)


LADO B
1. É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964)
2. Te ver (Samuel Rosa, Lelo Zaneti e Chico Amaral, 1994)
3. Chega disso! (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
4. Sam (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
5. Estivador (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)
6. Pacato cidadão (Samuel Rosa e Chico Amaral, 1994)

Diogo estrela musical sobre samba enquanto não lança álbum de estúdio

Enquanto não lança seu terceiro álbum de estúdio (e de repertório inédito), gravado desde novembro de 2014 com produção de Bruno Cardoso, Diogo Nogueira vem se preparando para estrear como ator. O cantor e compositor carioca é o protagonista de SamBra, musical escrito e dirigido por Gustavo Gasparani. O musical vai estrear em 20 de março de 2015 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), seguindo na semana seguinte para São Paulo (SP). A ideia é celebrar com antecedência os 100 anos do samba, gênero nascido oficialmente em 26 de novembro de 1916 com o registro da composição Pelo telefone (Donga e Mauro de Almeida) na Biblioteca Nacional. Diogo - em foto de Guto Costa - vai estar à frente de elenco formado por atores recorrentes nas fichas técnicas de musicais do teatro carioca. Entre eles, Ana Velloso, Beatriz Rabello, Cristiano Gualda,Édio Nunes, Izabella Bicalho e Lilian Valeska. As temporadas iniciais do musical são curtas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Single com Milton mostra a Moura que certo pode ser contrário do acerto

Resenha de single 
Título: O certo
Artista: Gabriel Moura (com a participação de Milton Nascimento)
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2
Single já disponível para compra e / ou audição nas plataformas digitais

À primeira audição, a canção parece ser da lavra de Moska. Mas por vezes também dá a impressão de ser uma daquelas baladas melodiosas compostas por Frejat para o grupo carioca Barão Vermelho. Mas o single O certo - lançado hoje, 23 de fevereiro de 2015, nas plataformas digitais através da gravadora Som Livre - é de Gabriel Moura, cantor e compositor carioca projetado na segunda metade dos anos 1990 como integrante do grupo carioca Farofa Carioca. Como Moura costuma cair no suingue em sua discografia, O certo abre uma janela melódica para a obra do artista. Introduzida por sons de violão, na melhor tradição pop folk, O certo é boa canção assinada por Moura com o parceiro Rogê. A nobre participação de Milton Nascimento valoriza a gravação. Ainda que a voz de Bituca já tenha perdido viço e potência, o convidado se afina com o anfitrião em total harmonia. E o certo é que O certo distancia Moura do som de seu outro parceiro Seu Jorge. Moura vem tentando se firmar como cantor há alguns anos, mas, como seu parceiro Rogê, sempre esbarrou nas comparações com Jorge, com quem integrou o seminal grupo Farofa Carioca. Mesmo que jamais soe original, O certo é canção que cresce e que seduz mais a cada audição. Como diz verso da letra positivista, "o certo às vezes pode ser o contrário do seu acerto".

Cañas grava álbum de estúdio com produção de Caldato e de Lúcio Maia

A IMAGEM DO SOM - Postada por Ana Cañas nas redes sociais, a foto mostra a cantora e compositora paulista no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), ladeada por Mario Caldato (à esquerda) e Lúcio Maia. Caldato e o guitarrista da banda pernambucana Nação Zumbi produzem o álbum de inéditas que Cañas começou a gravar neste mês de fevereiro de 2015. Embora tenha chegado a se reunir com Nando Reis no segundo semestre de 2014 para arquitetar disco que seria produzido pelo cantor e compositor paulistano, Cañas acabou decidindo gravar seu quarto álbum de estúdio sob a batuta de Caldato e Maia. Os músicos Betão Aguiar, Fábio Sá, Fernando Sanches e Marco da Costa foram arregimentados para a gravação do disco -  o quinto da cantora.

Música do álbum da Dônica, 'O pintor' tem os tons de Milton Nascimento

O pintor é o nome da música gravada pela banda carioca Dônica para seu primeiro álbum com a participação de Milton Nascimento. O cantor e compositor carioca de vivência mineira é o padrinho artístico dessa banda que tem o som do Clube da Esquina como uma das principais referências na arquitetura de sua música. A composição O pintor é parceria de Tom Veloso (com Milton na foto tirada em estúdio e postada na página oficial da Dônica no Facebook) com José Ibarra, tecladista, vocalista e compositor da banda. O álbum da Dônica tem lançamento previsto pela Sony Music para abril de 2015. Clique aqui para (re)ler a resenha do excelente EP Dônica (Sony Music,  2014).

Trupe vai disponibilizar terceiro álbum, 'Presente', para download gratuito

Terceiro álbum da Trupe Chá de Boldo, coletivo paulistano formado por nomes como Ciça Góes, Felipe Botelho e Gustavo Galo, Presente vai estar disponível para download gratuito no site oficial do grupo a partir da próxima quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015. Já a edição física em CD do sucessor de Nave manha (Independente, 2012) vai chegar ao mercado fonográfico em março, com distribuição da Pommelo. Produzido por Gustavo Ruiz, o CD Presente alinha, em 14 faixas, músicas de autoria dos integrantes da Trupe. Além do single Diacho (Gustavo Galo), lançado em 14 de janeiro, o disco apresenta músicas inéditas como Aos meus amigos (Tomás Bastos), Cine espacial (Julia Valiengo e Tatá Aeroplano), Lampejo (Iara Rennó e Gustavo Cabelo), Amores vão (Gustavo Galo) e O fim é só o começo (Gustavo Galo e Ciça Góes), esta ouvida em duas versões.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Baixista dos três primeiros álbuns da Legião, Renato Rocha sai de cena

♪ Baixista dos três primeiros álbuns da banda brasiliense Legião Urbana (1982 - 1996), Renato da Silva Rocha (27 de maio de 1961 - 22 de fevereiro de 2015), o Negrete, vivenciou como poucos os clichês do universo do rock'n'roll. Foi do céu ao inferno até sair de cena na manhã de hoje, a três meses de completar 54 anos, tendo vivido as experiências tão díspares de ser integrante de um dos grupos de rock mais idolatrados do Brasil e de, a partir de sua expulsão desse grupo, ter iniciado movimento de declínio que o levou a ser morador de rua - situação exposta ao Brasil em 2012 pelas câmeras de programa populista da TV Record. O compositor e músico carioca foi encontrado morto em quarto de hotel de Guarujá (SP). De acordo com informação postada pela família do artista em rede social, Negrete saiu de cena por conta de parada cardíaca. Mas já entrou para a história do rock brasileiro muito antes. Mais precisamente em 1984, ano em que - por conta de tentativa de suicídio de Renato Russo (1960 - 1996), dias antes da gravação do primeiro álbum da Legião - Rocha foi convidado a assumir o posto de baixista da banda quando o disco Legião Urbana (EMI Music, 1985) ainda estava em processo de pré-produção. Acabou tocando nos três primeiros álbuns do grupo - o citado Legião Urbana, Dois (EMI Music, 1986) e Que país é este? 1978 / 1987 (EMI Music, 1987) - e se tornando parceiro dos seus colegas de banda em músicas como Angra dos Reis (Renato Russo, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, 1987) e Quase sem querer (Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, 1986). Embora nascido na cidade do Rio de Janeiro, no subúrbio de São Cristóvão, Rocha foi morar em Brasília (DF) nos anos 1970, se enturmando com a cena punk construída na Capital Federal entre a segunda metade da década de 1970 e o início dos anos 1980. Rocha integrou bandas como a Gestapo e a Hosbond Kama antes de ser convidado a entrar na Legião Urbana pelo mesmo Renato Russo que o expulsou do então quarteto em 1988. De acordo com declarações de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (os dois remanescentes da formação original da Legião Urbana) à imprensa, Rocha - que teve problemas com álcool e drogas - nem sempre honrava os horários e os compromissos da agenda do grupo. Dono de personalidade temperamental que o levava a gestos autoritários, Russo expulsou Rocha do grupo no prédio da gravadora EMI, antes da gravação do quarto álbum da banda, As quatro estações (EMI Music, 1989). A saída de Renato Rocha da Legião Urbana foi tão intempestiva quanto sua entrada na banda. Só que Negrete fica na história do rock do Brasil em lugar de honra.

CD de Kleiton & Kledir apresenta a terceira letra de música de Veríssimo

Em fase de finalização, o 12º álbum da dupla gaúcha Kleiton & Kledir, Com todas as letras, vai ser lançado neste primeiro semestre de 2015 pela gravadora Biscoito Fino. Uma das novidades do repertório inédito e autoral é a primeira parceria da dupla com o escritor e saxofonista gaúcho Luis Fernando Veríssimo, conterrâneo dos irmãos Kleiton Ramil e Kledir Ramil. Veríssimo assina a letra de Olho mágico, música que tem versos como "Venha ver o que ninguém vê / Como coisa submersa num oceano / O outro lado do outro lado de tudo / O avesso do avesso do Caetano". Trata-se da terceira letra de música escrita por Veríssimo. A primeira, Parceria em marcha lenta, nasceu de música posta por Magro Waghabi (1943-2012) sobre versos de Veríssimo e foi lançada pelo grupo MPB-4 em 1989 no LP ao vivo Amigo é pra essas coisas (Som Livre). Já a segunda, Anti-prenda minha (1992),  foi criada para música da cantora e compositora gaúcha Greice Morelli.

Clipe de 'Como vês' exibe primeiras imagens do primeiro DVD de Alice

A IMAGEM DO SOM - Extraída do clipe da regravação de Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013), música do repertório do grupo carioca Tono, a imagem acima mostra Alice Caymmi no palco do Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014. Já em rotação no YouTube, o vídeo exibe as primeiras imagens do primeiro DVD da cantora carioca. O DVD vai ser lançado neste ano de 2015 com o registro ao vivo do sofisticado show concebido e dirigido por Paulo Borges. Dirigido por Richard Luiz para a Protótipo Filme, o clipe reproduz Como vês em registro que tem totalmente arranjo fiel à gravação lançada no segundo álbum de Alice, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), e propagada em escala nacional nas chamadas e na trilha sonora da minissérie Felizes para sempre? (TV Globo, 2015). Mas o arranjo eletrônico do produtor Diogo Strausz ganha no espetáculo, no fim, floreio jazzy inexistente na (retumbante) gravação de estúdio.

Livro teoriza sobre 'descaso' com disco em que Tom Zé estudou o samba

Resenha de livro
Título: O livro do disco Estudando o samba - Tom Zé
Autor: Bernardo Oliveira
Editora: Cobogó
Cotação: * * * *

Embora seja considerado atualmente um dos clássicos da discografia brasileira dos anos 1970 e uma das pedras fundamentais da obra de Tom Zé, o álbum Estudando o samba passou quase despercebido quando foi lançado em 1976 pela gravadora nacional Continental. A despeito de algumas críticas (nem sempre positivas) publicadas em jornais e revistas na época, o disco acabou contribuindo para aumentar o silêncio em torno da música do cantor e compositor baiano, tropicalista que logo se descolou da geleia geral e seguiu o bloco do eu sozinho. No volume dedicado a Estudando o samba n'O livro do disco, coleção da editora Cobogó em que álbuns históricos são dissecados por ensaístas e profissionais do meio acadêmico, o crítico, professor de literatura e músico Bernardo Oliveira faz apropriada análise do álbum, defendendo a tese de que a maldição sobre Tom Zé começou a recair quando ele questionou com ironia a importância e a postura séria dos compositores de sua geração nos versos de Complexo de Épico (Tom Zé, 1973), música lançada em seu álbum anterior, Todos os olhos (Continental, 1973), abrindo e fechando o disco em que o artista apresentou o samba Augusta, Angélica, Consolação (Tom Zé, 1973). Com linguagem clara que evita o academicismo, o autor parte desse disco de 1973 para analisar o estudo de Tom Zé sobre o samba e explicar o silêncio sobre sua obra até a redescoberta dos anos 1990. Estudo cujo método - defende Bernardo Oliveira - já vinha sendo experimentado pelo compositor desde o álbum de 1973 em que Tom Zé alternou faixas mais palatáveis - como o mencionado samba que, com o tempo, virou hit entre o público do artista -  e temas de arquitetura inusual, como Cademar, parceria concretista com o poeta Augusto de Campos. Ao detalhar a gênese e o repertório de Estudando o samba, o autor identifica os múltiplos elementos usados por Tom Zé para desconstruir e reconstruir um dos gêneros mais populares da música brasileira neste disco que buscou novas formas para o ritmo além dos tons já pré-estabelecidos. O livro mostra como o estudo de Tom Zé se valeu inclusive de articulações mais rítmicas do que semânticas - como onomatopeias e interjeições - para testar novas linguagens para a poética do gênero. Além de um detalhado faixa-a-faixa, o livro reproduz ao fim trechos de entrevistas concedidas por Tom Zé ao autor do livro, entre março e julho de 2013. Esses depoimentos do artista, ainda que breves, fundamentam a tese defendida por Bernardo Oliveira neste livro interessante para estudiosos da discografia brasileira e em particular do samba.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Marcos Paiva adota linguagem jazzística para tocar choro no CD 'Choroso'

Paulista nascido em Tupã (SP), criado em Viçosa (MG) e radicado na cidade de São Paulo (SP) desde 2000, o contrabaixista Marcos Paiva vem pavimentando expressivo caminho musical em que a linguagem do jazz é o ponto de partida para improvisos e experimentações em torno da música brasileira. Três anos após o lançamento de um excepcional disco em tributo ao baterista carioca Edison Machado (1934 - 1990), Meu samba no prato (Arte Rumo Produções Artísticas, 2012), Paiva volta ao mercado fonográfico neste mês de fevereiro de 2015 com Choroso (MP6 Arte e Sons), álbum gravado de 5 a 16 de dezembro de 2010 no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP), mas somente lançado agora, mais de quatro anos após sua formatação. Em Choroso, Paiva experimenta tocar choro com linguagem jazzística e uma inusitada formação de trio em que seu contrabaixo desempenha o papel do violão de sete cordas em diálogo com a bateria de Bruno Tessele e o saxofone de César Roversi. Terceiro disco solo de Paiva, que lidera o sexteto MP6, Choroso começou a ser gestado ainda em 2008 com a ideia de expandir as fronteiras do choro a partir do jazz. Azeitada, a mistura dá o tom das oito músicas do disco, todas compostas por Paiva. Temas como Sopro, Seu Joaquim, Duque e Barão explicitam influências do jazz, da canção norte-americana e da música brasileira. Detalhe: uma das músicas, São Mateus, reaparece na seleta discografia do artista, já que a composição deu título ao primeiro CD solo de Paiva, São Mateus (Independente / Tratore, 2007). Pela naturalidade da fusão de choro com jazz, Choroso confirma Marcos Paiva como um dos mais geniais músicos da cena instrumental brasileira contemporânea.

Sambalanço de Luís Antônio e hits de Jobim na noite brasileira de Kenny

Um dos sucessos do cancioneiro do compositor carioca Luís Antônio (1921 - 1996) na fase em que sua obra se voltou para o gênero rotulado como sambalanço, Menina moça (1960) ganhou o sopro diluidor do sax de Kenny G. O músico norte-americano incluiu esse samba sincopado no repertório de Brazilian nights, álbum em que G dá sua visão da música brasileira, em especial da bossa nacional. O carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) é compositor obviamente recorrente nesse repertório. Do cancioneiro soberano de Tom, Kenny G toca Corcovado (Antonio Carlos Jobim, 1960) e Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962). Tema do repertório do grupo carioca Os Gatos, Nuvens (Durval Ferrreira e Maurício Einhorn, 1964) completa o naipe de músicas nacionais do álbum lançado em janeiro de 2015 nos Estados Unidos. Disco em que o saxofonista - sem bossa - sopra o seu instrumento em direção aos sons do Brasil.

Álbum do pagodeiro Ferrugem, 'Climatizar' traz Anitta na faixa 'Namorado'

Cantor e compositor de pagode que ganhou projeção nacional ao longo de 2014, Ferrugem - nome artístico de Jheison Failde de Souza, carioca de 26 anos nascido em Campo Grande, bairro da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro - tem seu álbum Climatizar lançado nas plataformas digitais neste mês de fevereiro de 2015 pela gravadora Warner Music. A companhia fonográfica bancou a participação de Anitta - o nome mais popular de seu elenco nacional - na música Namorado, décima das 14 faixas do disco. O repertório de Climatizar inclui músicas como Ensaboado, Locomotiva, Ninfomaníaca, Saudade não é solidão e Tomando coragem, entre outras.

Euterpe vai além do sertão e das águas do Norte em 'Batida brasileira 2'

Resenha de CD
Título: Batida brasileira 2
Artista: Euterpe
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

Longe demais das capitais, Euterpe - nome artístico de Andressa Nascimento, cantora e compositora natural de Boa Vista, Roraima - vem construindo discografia centrada nos sons do Norte do Brasil, mas não restrita a eles. Gravou três CDs como uma das vozes do Coral Canarinhos da Amazônia, atuou como vocalista da banda Roraima Reggae e iniciou sua obra fonográfica solo, já com o nome artístico de Euterpe, com a edição no fim de 2009 de Batida brasileira, álbum gravado sob a direção artística do produtor roraimense Eliakin Rufino. Batida brasileira foi o primeiro título de trilogia que ganhou seu segundo volume em janeiro deste ano de 2015. Gravado sob direção musical e arranjos do baixista Ney Conceição, Batida brasileira 2 gira ao redor dos sons do Norte, mas expande seu arco geográfico até pontos distantes como a cidade do Rio de Janeiro (RJ), celebrada no samba O Rio é mar, uma das seis parcerias de Euterpe com Eliakin Rufino registradas no disco. Trunfo da faixa, a bossa jazzy do piano de Luiz Otávio Paixão reverbera em outra parceria da cantora com seu produtor, Coração campeão. Há também suingue carioca, de tom mais descolado, no toque dos metais que fazem Loura linda (Euterpe e Eliakin Rufino) - inusitada resposta ao rap Lôraburra, lançado por Gabriel o Pensador em seu primeiro álbum, de 1993 - balançar com ginga. Batida brasileira 2 é disco pautado por tamanha leveza contemporânea no canto de Euterpe e em sua arquitetura instrumental que acaba se desviando dos clichês da música do Norte - ainda que haja salutar brasilidade em faixa como Viola goiana, tema composto por Euterpe a partir de versos do poeta Gilberto Mendonça Teles e gravado com o toque do acordeom de Mestrinho. De certa forma, Batida brasileira 2 abre janela até para o pop em faixas como Alguém, parceria menos sedutora de Euterpe com Eliakin Rufino, sem deixar de marcar posição e território nortistas. Aliás, a opção por abrir o CD com regravação de Sertão das águas (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1990) - faixa de leveza sustentada pela percussão precisa de Robertinho Silva - já explicita de cara a intenção de Euterpe de dar voz às veredas sertanejas do grande Norte do Brasil. Duas faixas depois, Casa de Cesária - a mais bonita melodia dentre as seis músicas assinadas por Euterpe com Rufino em Batida brasileira 2 - cruza o oceano para se banhar nas águas da ilha de São Vicente em música que cita literalmente Cesaria Évora (1941 - 2011), cantora que se tornou embaixatriz musical de Cabo Verde. O álbum também se banha na praia do reggae em Don Juan (Vagabundo), música feita pelo compositor Naldo Maranhão (do Amapá) a partir de versos do poeta britânico George Gordon Byron (1788 - 1824) traduzidos para o português por outro poeta, o paulistano Álvares de Azevedo (1831 - 1852). Contudo, Batida brasileira 2 recusa a nostalgia ou qualquer ranço folclórico. "Entre o passado e o futuro / Fico com o presente", ressalta Euterpe ao longo dos versos de Fico com o presente, mais uma parceria da cantora com Rufino. A letra diz muito sobre o CD. Longe demais das capitais, Euterpe  tenta quebrar a represa que impede que outras águas banhem o grande sertão brasileiro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Em faixa inédita de novela, Zizi canta música de Caetano lançada por Gal

Música composta por Caetano Veloso a partir de versos do poeta russo Vladimir Maiakovski (1893 - 1930), numa parceria bissexta do artista baiano com o compositor carioca Ney Costa Santos, O amor ganha outra voz cristalina 34 anos após ter sido lançada por Gal Costa no álbum Fantasia (Philips, 1981). O amor já pode ser ouvida na voz de Zizi Possi - em foto de Rama Oliveira - em registro inédito veiculado na trilha sonora da novela Alto astral, exibida pela TV Globo às 19h. A gravação de Zizi está perpetuada na faixa 10 do CD Alto astral nacional vol. 2, lançado neste mês de fevereiro de 2015 pela gravadora Som Livre. Reverente à arquitetura original da música, o registro de Zizi é (ligeiramente) mais suave do que o tom da bonita gravação de Gal e - talvez justamente por essa reverência...  - somente acentua o brilho do registro original de 1981.

Livro esboça um mapa da geografia musical da cidade do Rio de Janeiro

O mapa musical do Brasil tem as dimensões continentais do país. Livro lançado neste mês de fevereiro de 2015 pela editora fluminense Muriqui Livros, Geografia da música carioca esboça, com traços superficiais, os contornos desse mapa que recorta a cidade do Rio de Janeiro (RJ). Cidade que teve papel fundamental na construção da identidade musical nacional, até porque pariu a modalidade mais popular de samba, o Rio é sonoramente mapeado pelos dois autores do livro, o carioca João Carino e o niteroiense Diogo Cunha, ao longo dos 11 capítulos. O roteiro do livro parte dos entrudos e das marchas compostas nos anos 1930 e deságua no funk que deu o tom do batidão dos bailes a partir dos anos 1990. No trajeto, o livro abarca o maxixe da Cidade Nova, os sambas do Estácio e da Vila Isabel - bairros que geraram os pioneiros bambas Ismael Silva (1905 - 1978) e Noel Rosa (1910 - 1937) - e a bossa nova da Zona Sul, passando pelo iê iê iê que explodiu em São Paulo (SP) a partir de 1965, mas que brotou dos seminais encontros de Roberto Carlos com Erasmo Carlos nos anos 1950, no bairro da Tijuca, na Zona Norte, terra também do samba cultivado entre as tamarineiras da quadra do bloco Cacique de Ramos, celeiro da geração do Fundo de Quintal que deu o tom dos pagodes da década de 1980. No meio do caminho, Carino e Cunha defendem a tese de que o samba teve origem entre os índios. Fotos e apêndices cortam narrativa que transita sempre pela superfície. Geografia da música carioca é livro para iniciantes.

Dois CDs festejam os 25 anos da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo completou 25 anos de vida em outubro de 2014. Dois álbuns - editados simultaneamente pela gravadora Kuarup - festejam o Jubileu de Prata da orquestra que, desde 2010, tem o trombonista e maestro Marcos Sadao Shirakawa como diretor artístico e regente titular. O disco mais antigo, Sinfonia latina, perpetua gravação de 2006, ano em que a Bsesp ainda era regida pelo maestro Abel Rocha. Já o CD mais recente, Maxixe urbano, apresenta um registro de 2014 em que a Sinfônica de São Paulo é regida por Shirakawa. Sinfonia latina traz temas criados especialmente para a orquestra por compositores como Mario Picarelli (1935 - 2014), Osvaldo Lacerda (1927 - 2011) e Wagner Tiso, autor de dois temas compostos a partir de obras de Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). Já Maxixe urbano tem repertório autoral composto por integrantes e ex-músicos da própria Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. De autoria de Hudson Nogueira, Jubileu de Prata foi feita sob encomenda para a celebração dos 25 anos da banda. A música-título Maxixe urbano é de Fernando de Oliveira. O pianista André Mehmari contribuiu com Frevo rasgado. Já Cyro Monteiro (1929 - 2011) criou Gonzagueana a partir de títulos do cancioneiro do compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912 - 1989), o rei do baião.

Ellen e Teló figuram no CD que traz trilha da novela infantil 'Gaby Estrella'

Novela exibida pelo canal infantil Gloob, Gaby Estrella tem a trilha sonora de sua primeira temporada editada em CD lançado pela gravadora Som Livre neste mês de fevereiro de 2015. As 15 músicas do disco são, em sua maioria, cantadas pelo elenco infantil da novela, liderado pela adolescente Maitê Padilha, intérprete da personagem-título. Mas há convidados no álbum produzido por Lui Coimbra sob a direção musical de Jules Vandystadt, que assina com Maitê a interpretação da música Minha estrela (Délia Fischer). A cantora brasiliense Ellen Oléria canta Má... ravilhosa (Vinicius Castro).  Já o cantor sul mato-grossense Michel Teló dá voz a Desafio (Amanda Borges).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Andrea filtra a MPB pelo toque erudito de seu piano no refinado 'Desvelo'

Resenha de CD
Título: Desvelo
Artista: Andrea dos Guimarães
Gravadora: Edição independente da artista / Tratore (distribuição)
Cotação: * * * *

O toque erudito do piano de Andrea dos Guimarães é o primeiro som ouvido em Desvelo, o primeiro álbum solo desta cantora, compositora, pianista e arranjadora mineira - radicada desde 1997 em São Paulo (SP) - que já contabiliza dois discos lançados como integrante do Conversa Ribeira, grupo das Geraes, e um como componente do Garimpo Quarteto. Faz todo sentido. Em Desvelo, CD gravado e fabricado em 2014, mas efetivamente lançado no mercado fonográfico neste mês de fevereiro de 2015 com distribuição da Tratore, Andrea filtra a música brasileira pelo toque erudito de seu belo piano com arranjos de atmosfera camerística. Com técnica perfeita e afinação exemplar, detectadas já nos vocalises da Ciranda dos meninos (Andrea dos Guimarães), a artista deixa que o piano a conduza no canto de músicas como Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) e Começar de novo (Ivan Lins e Vitor Martins, 1979) em gravações que nada acrescentam a essas músicas já tão expressivamente abordadas. De todo modo, Desvelo tem relevância porque jamais se curva ao tom costumeiro das músicas que Andrea põe na (sua) pauta. É assim, com a cantora sendo guiada pela pianista, que Andrea ritualiza o luto de Acalanto (Edu Lobo e Chico Buarque, 1978), que se desvia do curso ruralista de Rio de lágrimas (Tião Carreiro, Piraci e Lourival dos Santos, 1970), que segue sua própria toada rítmica ao cantar Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1949) - introduzida pelo tempo de Seis horas da tarde (Milton Nascimento, 1993) em faixa sublinhada com citação de Borandá (Edu Lobo, 1965) - e que carrega Lata d'água (Luís Antonio e Jota Junior, 1952) com divisão inusitada para o samba popularizado na voz radiofônica da cantora paulistana Marlene (1922 - 2014). Desvelo é disco tão pautado pela rigidez técnica que a participação afetiva de Alcides Nunes - pai de Andrea, convidado de Meus tempos de criança (1956), título nostálgico e pueril do compositor mineiro Ataulfo Alves (1909 - 1969) - contribui positivamente para quebrar um pouco essa atmosfera por vezes fria com um canto rústico e um sentimento mais explícito como o que abunda na sublime abordagem de Cocoon (Björk e Thomas Knak, 2001) que fecha o disco. Essa capacidade de irmanar Björk e Chico Buarque - de cujo samba Ela desatinou (1968) a artista rasga a fantasia carnavalesca para enfatizar o desatino da protagonista dos versos em registro próximo da música de câmara - reitera a personalidade de Andrea dos Guimarães como intérprete de canto refinado, pautado pelo toque de um piano igualmente sofisticado. Desvelo tira o véu para revelar faces então ocultas de joias do cancioneiro brasileiro, expondo o talento de Andrea dos Guimarães.

Autor de hits baianos, Jau busca um som mais cosmopolita em 'Lázaro'

Cantor e compositor baiano projetado no bloco afro Olodum antes de engatar carreira solo nos anos 1990, Jau procura ir além das fronteiras musicais de sua terra em Lázaro, álbum de inéditas que vai ser lançado no mercado fonográfico em março de 2015 através da gravadora paulistana Friends Music. O CD foi batizado com o  nome do meio do artista, chamado Jauperi Lázaro dos Santos e visto em foto de Zarella Neto na capa do disco produzido por Vânia Abreu e Rodrigo Petreca. Nas dez músicas do álbum Lázaro, que tem direção de arte assinada por Guilherme Valverde, Jau experimenta diálogo com a cena musical contemporânea de tom mais cosmopolita. Jau - para quem não liga o nome à música - é o compositor de hits baianos como Flores da favela.

Becker celebra obra de Bosco em samba que grava no seu primeiro DVD

Admirador da obra de João Bosco, o violonista e compositor carioca Zé Paulo Becker compôs samba, Passeando no Bosco, em que celebra sua admiração pelo cancioneiro do artista mineiro. Inédito, Passeando no Bosco ganha registro fonográfico na gravação ao vivo que Becker - em foto de Edu Monteiro - vai fazer no próximo sábado, 21 de fevereiro de 2015, em show no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro (RJ). A gravação vai dar origem ao primeiro DVD do violonista. Embora o mote do DVD seja a longevidade de Becker no cenário musical da Lapa, bairro do centro carioca onde o músico já toca há 18 anos, a gravação ao vivo vai ser feita em apresentação do artista num espaço multicultural da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. O registro do show no Espaço Sérgio Porto é a primeira etapa do DVD que vai ter direção de Daniel Lobo. Uma segunda etapa prevê gravações em estúdio com convidados como o violonista Yamandu Costa, o cantor Marcos Sacramento (com quem Becker assinou o álbum Todo mundo quer amar, editado pelo selo Borandá em 2012), a cantora Beth Marques (esposa do violonista) e os dois músicos que formam com Becker o Trio Madeira Brasil (o violonista Marcello Gonçalves e Ronaldo do Bandolim). Além do samba Passeando no Bosco, o repertório autoral do DVD inclui outras músicas inéditas, como o baião Clara - composto por Becker em tributo à sua homônima filha - e o tema de capoeira Camará. Repertório foi composto por Becker nesses 18 anos de Lapa.

Eis as 10 músicas do disco em que Andreia Dias canta raras de Rita Lee

"Beije-me a boca / Com tua boca vermelha / Para que eu sinta a saliva / E o gosto de cuspe / Escorrendo entre os dentes meus", suplica Andreia Dias em versos de Beije-me, amor (Arnaldo Baptista e Élcio Decário, 1972). Censurados, esses versos não são ouvidos na voz de Rita Lee na gravação de Beije-me, amor incluída no segundo álbum solo da roqueira projetada como vocalista do grupo paulistano Os Mutantes, Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida (Polydor, 1972). Tais versos ganham a liberdade e sua primeira gravação oficial no quarto álbum da paulistana Andreia Dias, Prisioneira do amor, originado de show feito pela cantora no fim de 2013. Com lançamento agendado para março de 2015 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, o disco foi gravado em maio de 2014 com produção, arranjos e direção musical de Tim Bernardes, cérebro do grupo paulistano O Terno. Prisioneira do amor alinha no repertório dez músicas do repertório de Rita Lee, lançadas em período de dez anos que vai de 1968 a 1978. Com exceção de Ovelha negra (Rita Lee, 1975), o repertório é formado por composições pouco ouvidas ou mesmo oficialmente inéditas em disco, caso de Bad trip (Rita Lee, 1973), música da época em que Rita - já fora dos Mutantes - formava com Lúcia Turnbull a dupla Cilibrinas do Éden e preparava um disco abortado por André Midani, executivo então no comando da gravadora Philips. Como explica o diretor artístico do disco, Marcus Preto, em texto escrito para o encarte, Prisioneira do amor evita "os sucessos e as facilitações". Uma das dez músicas é Glória aos reis dos confins do além (Paulo César de Castro, 1968), composição lançada pelos Mutantes no LP II Festival estudantil da música popular brasileira, lançado em 1968 pela Philips. Quatro das dez músicas são do primeiro álbum solo de Rita, Build up (Polydor, 1970), inclusive a faixa-título Prisioneira do amor (1970), composição de Élcio Decário, autor de Precisamos de irmãos (1970) e parceiro de Rita em Tempo nublado. Eis, na ordem do CD, as dez músicas do repertório de Rita Lee gravadas por Andreia Dias em Prisioneira do amor, álbum que a gravadora Joia Moderna apresenta em março:

1. Viagem ao fundo de mim (Rita Lee, 1970)
2. Tempo nublado (Rita Lee e Élcio Decário, 1970)
3. Beija-me, amor (Arnaldo Baptista e Élcio Decário, 1972)
4. Precisamos de irmãos (Élcio Decário, 1970)
5. Ovelha negra (Rita Lee, 1975)
6. Bad trip (Rita Lee, 1973)
7. Prisioneira do amor (Élcio Decário, 1970)
8. Glória ao rei dos confins do além (Paulo César de Castro, 1968)
9. Superfície do planeta (Arnaldo Baptista, 1972)
10. Modinha (Rita Lee, 1978)