segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Érika repete parceria com Ulhoa em álbum infantil que sai em novembro

A cantora e compositora Érika Machado vai lançar em novembro Superultramegafluu, seu primeiro disco dirigido ao público infantil. Tal como os dois CDs anteriores da artista mineira, os fofos No cimento (Indie Records, 2006) e Bem me quer Mal me quer (Independente, 2009), Superultramegafluu tem produção assinada por John Ulhoa. Uma música do disco, A nossa sombra (Érika Machado), pode ser baixada no site do projeto Natura Musical, que patrocinou a gravação do CD. Apresentado como o terceiro álbum da artista, Superultramegafluu é - a rigor - o quarto título da discografia de Érika, cujo primeiro CD, O baratinho (Independente, 2003), teve circulação bem restrita, tendo sido gravado e comercializado de forma artesanal.

Álbum da Nação Zumbi ganha edição em vinil com as 11 músicas do CD

Lançado em maio deste ano de 2014 pelo selo Slap, da gravadora Som Livre, o álbum Nação Zumbi - 11º título oficial da discografia da banda pernambucana - ganhou edição em vinil de 180 gramas, fabricado pela Polysom e já posto nas lojas neste mês de outubro. O LP traz as mesmas onze músicas autorais do ótimo CD. Eis a disposição das faixas no LP de capa simples:

Lado A
1. Cicatriz
2. Bala perdida
3. O que te faz rir
4. Defeito perfeito
5. A melhor hora da praia

Lado B
1. Um sonho
2. Novas auroras
3. Nunca te vi
4. Foi de amor
5. Cuidado
6. Pegando fogo

domingo, 19 de outubro de 2014

Elenco indie de tributo duplo ao grupo Novos Baianos é revelado em foto

Portal especializado em música brasileira, Jardim Elétrico divulgou através da foto acima os 28 nomes da cena indie convidados a regravar músicas do grupo Novos Baianos no tributo duplo que vai ser lançado em novembro de 2014. O tributo abrange dois álbuns, Tinindo e Trincando, que serão apresentados em edição digital. Na sequência da divulgação da primeira faixa do tributo, a gravação do samba Com qualquer dois mil réis (Luiz Galvão, Pepeu Gomes e Moraes Moreira, 1973) pelo carioca Fernando Temporão, o portal liberou outra faixa para download gratuito. Trata-se da gravação de Besta é tu (Luiz Galvão, Pepeu Gomes e Moraes Moreira, 1972) pelo cantor e compositor carioca Marcelo Perdido (egresso da banda Hidrocor).

Juçara, Kiko e Suzana glorificam Itamar ao destilar ironias do 'Nego Dito'

Resenha de show
Título: Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci cantam Itamar
Artista: Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Suzana Salles (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Audio Rebel
Data: 17 de outubro de 2014
Cotação: * * * *


♪ Às próprias custas, pagando preço alto por fazer valer vontades e coerência na construção de sua obra, o cantor e compositor paulista Itamar Assumpção (1949 - 2003) pavimentou trilha que o tem levado à consagração póstuma. Quando brinca ao dizer no palco do Audio Rebel que está fundando com Juçara Marçal e Suzana Salles a Igreja Itamar Assumpção, o cantor e compositor Kiko Dinucci - expoente da cena paulistana dos anos 2010 - talvez  fale mais sério do que supõe.  A obra mundana do Nego dito repousa atualmente em altar sagrado. Shows e discos recentes - como a obra-prima Tudo esclarecido (Warner Music, 2012), álbum em que Zélia Duncan mostrou o quanto o cancioneiro de Itamar pode ser pop e popular - vem evidenciando a força dessa obra que profanou convenções sociais com sagacidade e humor mordaz. Ao se juntar em cena com Juçara Marçal e Suzana Salles para destilar as finas ironias do cancioneiro do artista, em show que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 16 e 17 de outubro de 2014, Kiko glorifica Itamar ao lado das cantoras paulistanas. É um show de três vozes e um violão (o tocado pelo próprio Kiko), suficientes para expor a grandeza atemporal dessa obra tão paulistana e tão universal ao longo de roteiro que enfileira 19 músicas de Itamar, lançadas entre 1980 e 2010, em amplo arco do tempo que abarca exatas três décadas. Roteiro que surpreende e que expõe a coerência e sintonia existentes entre as duas músicas de 1980 -  a muito conhecida Nego Dito e a pouco ouvida Nega Música, ambas lançadas no seminal álbum Beleléu leléu eu (Lira Paulistana,1980) -  e as cinco de 2010 (registradas pelo autor nos póstumos segundo e terceiro volumes da trilogia Preto Brás). A própria formação do show atesta a perenidade da obra. O cancioneiro de Itamar se ajusta tanto à voz original de Suzana Salles - cantora desde sempre associada a Itamar e a Arrigo Barnabé por sua atuação no movimento dos anos 1980 rotulado como Vanguarda Paulista - como às vozes mais recentes de Juçara Marçal e de Kiko Dinucci. Vozes que tem se feito ouvir na efervescente cena paulistana que recolocou São Paulo no mapa musical do Brasil do século 21. Em cena, o trio se afina e demole barreiras temporais, fiel à estética vocal implantada por Itamar, Arrigo e colegas da Lira Paulistana. Já nos dois primeiros números do show, Prezadíssimos ouvintes (Itamar Assumpção e Domingos Pellegrini, 1986) e Navalha na liga (Itamar Assumpção e Alice Ruiz, 1986), ecoa o canto teatralizado, quase falado, proposto pela turma vanguardista dos anos 1980. Por mais que haja solos, como o de Suzana em Anteontem (Melô da UTI) (Itamar Assumpção, 2010) e o de Juçara em Je t'aime mais que o Jerome (Itamar Assumpção, 2010), é na interação vocal e gestual entre o trio que se escora o show Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci cantam Itamar. Além das vozes, cabem caras, bocas e poses para realçar o humor mordaz e os sentimentos entranhados no cancioneiro de Itamar. É entortando vozes e caras que o trio expôs toda a piração de Pirex (Itamar Assumpção, 2007), a infecção amorosa que contamina Ciúme doentio (Itamar Assumpção, 2010) e o jogo de palavras armado nos versos de Más línguas (Itamar Assumpção, 2010), o número interativo do show. Mas nem tudo é ironia no cancioneiro de Itamar. Às vezes, tudo também pode se harmonizar com suavidade e afeto na obra desse compositor que também deixou "coisas fofinhas", como caracterizou Dinucci antes de o trio dar voz a Apaixonite aguda (Itamar Assumpção, 1998). Mais para o fim, Zé Pelintra - bissexta parceria de Itamar com o poeta baiano Waly Salomão (1943 - 2003) - baixou com força no palco do Audio Rebel, expondo a intimidade e o total domínio vocal com que Suzana Salles revisita esse cancioneiro. Contudo, o show é do trio que, fazendo jus ao clima de Sampa midnight (Itamar Assumpção, 1986), cantou "De trás pra diante / Letras fortes, indecentes / Música bem excitantes", pondo Itamar Assumpção nas alturas e convertendo o fiel público do Audio Rebel - cenário de grande movimentação na cena indie carioca - ao que há de mais sagrado e de mais profano na consagrada música de Beleléu

Em show, Juçara, Dinucci e Suzana dão geral na 'nega música' de Itamar

Composição obscura de Itamar Assumpção (1949-2003) lançada pelo artista paulista em seu primeiro álbum, Beleléu leléu eu (Lira Paulistana, 1980), Nega música chegou - quando menos se esperava - no roteiro do show Juçara Marçal, Suzana Salles e Kiko Dinucci cantam Itamar, apresentado em 16 e 17 de outubro de 2014 na casa carioca Audio Rebel, um dos palcos mais movimentados da cena alternativa do Rio de Janeiro (RJ). Afinado em cena, o trio deu uma geral na obra autoral do Nego Dito, apresentando 19 músicas de Itamar lançadas ao longo de exatos 30 anos, em período que vai de 1980 a 2010. Embora com certa ênfase nos repertórios do álbum Sampa midnight - Isso não vai ficar assim (Independente, 1986) e dos segundo e terceiro volumes do póstumo Preto Brás (Sesc, 2010), os cantores deram vozes a músicas de todas as fases da obra do compositor, realçando ironias e sagacidades desse genial cancioneiro. Eis o roteiro seguido por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Suzana Salles - em foto de Rodrigo Goffredo - na ótima apresentação que lotou o Audio Rebel em 17 de outubro de 2014:

1. Prezadíssimos ouvintes (Itamar Assumpção e Domingos Pellegrini, 1986)
2. Navalha na liga (Itamar Assumpção e Alice Ruiz, 1986)
3. Anteontem (Melô da UTI) (Itamar Assumpção, 2010)
4. Pirex (Itamar Assumpção, 2007)
5. Je t'aime mais que o Jerome (Itamar Assumpção, 2010)
6. Cabelo duro (Itamar Assumpção, 2004)
7. Ir pra Berlim (Itamar Assumpção, 2010)
8. Se a obra é a soma das penas (Itamar Assumpção e Alice Ruiz, 1993)
9. Ciúme doentio (Itamar Assumpção, 2010)
10. Apaixonite aguda (Itamar Assumpção, 1998)
11. Nega música (Itamar Assumpção, 1980)
12. Movido à água (Itamar Assumpção e Galvão, 1986)
13. Já deu pra sentir (Itamar Assumpção, 1987)
14. Más línguas (Itamar Assumpção, 2010)
15. Zé Pelintra (Itamar Assumpção e Waly Salomão, 1988)
16. Filho de Santa Maria (Itamar Assumpção e Paulo Leminski, 1988)
Bis:
17. Sampa midnight (Itamar Assumpção, 1986)
18. Tristeza não (Itamar Assumpção e Alice Ruiz, 2000)
19. Nego dito (Itamar Assumpção, 1980)
Bis 2:
20. Prezadíssimos ouvintes (Itamar Assumpção e Domingos Pellegrini, 1986)

Jan Felipe lança EP 'Dias antes do esperado' com cinco músicas autorais

Cantor e compositor franco-carioca que migrou para a cidade de São Paulo (SP) em 2013, Jan Felipe lança o EP Dias antes do esperado com cinco músicas autorais. Duas, Segundo lugar e Violent thrill, já haviam sido lançadas pelo artista como singles. As outras três (Céu de carvão, Deluded men e Natural sounds and season clouds) são inéditas. Céu de carvão é cantada por Felipe em dueto com Marina Silva, vocalista da banda pernambucana Team.Radio.

sábado, 18 de outubro de 2014

Com Cristina Braga, Lenine respeita sons (e silêncios) de 'Certas coisas'

Apaixonada sinfonia feita de silêncio e sons, a balada Certas coisas foi sucesso nacional em 1984 na gravação original feita por Lulu Santos - parceiro de Nelson Motta na canção - para seu terceiro ótimo álbum, Tudo azul (Warner Music, 1984). Trinta anos depois, Certas coisas - música que Lulu e Motta fizeram para Roberto Carlos, mas que o Rei nunca gravou - ganha gravação de Lenine, feita somente com a harpa virtuosa de Cristina Braga para Nelson 70, o projeto comemorativo dos 70 anos do compositor, jornalista e escritor carioca Nelson Motta. Com delicadeza e pausas estratégicas, Lenine e Cristina fazem registro reverente aos sons e silêncios de uma das mais belas baladas do cancioneiro de Lulu. A gravação já está disponível para audição no YouTube. O CD Nelson 70 vai ser lançado pela gravadora Som Livre em 29 de outubro de 2014, dia do 70º aniversário de Nelson Motta. O projeto inclui série no Canal Brasil.

Universal Music edita primeiro DVD do Babado com cantora Mari Antunes

A foto acima flagra a cantora baiana Mari Antunes - vocalista do Babado Novo desde 2012 - na gravação de seu primeiro DVD com o grupo. Gravado ao vivo em 2 de julho deste ano de 2014 em show gratuito no Largo do Pelourinho, em Salvador (BA), o DVD vai ser lançado pela gravadora Universal Music. A música eleita para promover o DVD e CD ao vivo é 15 mil por mês.

'Cantautor' de origem brasiliense, Aloizio finaliza primeiro álbum nos EUA

Cantor, compositor e guitarrista surgido na cena indie de Brasília (DF), da qual migrou em 2011 para a cidade do Rio de Janeiro (RJ), Aloizio finaliza em Nova York (EUA) seu primeiro álbum, formatado entre Ubatuba (SP), São Paulo (SP), Rio, Los Angeles (EUA) e Nova York. A foto de Leandro Donner expõe vista da cidade de Nova York pela janela do The Atelier Music Studio, onde Aloizio gravou sopros, cordas, efeitos e vozes adicionais neste mês de outubro de 2014. O disco vai ser lançado somente em 2015, mas Mudado - o primeiro single do álbum - vai ser editado ainda este ano. Além de Mudado, o repertório autoral inclui Baile das ondas - música que versa sobre Iemanjá e reencontro com a espiritualidade - e Pode vir. Tecladista e guitarrista do carioca Bloco do Sargento Pimenta, Felipe Fernandes assina a produção do CD, além de ter feito os arranjos em parceria com o baixista Pedro Broggini, o baterista Samyr Aissami e o próprio Aloizio. Sucessor do EP Stereo músicas de amor (Independente, 2013) na discografia de Aloizio, o álbum teve as bases gravadas nos estúdios cariocas Maravilha 8 e Monoaural após a pré-produção feita entre Ubatuba e São Paulo. Já as vozes foram registradas no estúdio Record Plant, em Los Angeles (EUA), em agosto deste ano de 2014. No álbum, Aloizio rebobina duas músicas do EP de 2013, Me movo e Versos do acaso no infinito do verão.

Trilha nacional de 'Malhação 2014' junta Anitta, Takai, Pitty, Gadú e Luan

Já posto nas lojas, em edição da gravadora Som Livre, o CD com trilha sonora nacional da temporada 2014 da novela Malhação reúne fonogramas de cantoras como Pitty (Agora só falta você, gravação inédita do rock de Rita Lee e Luiz Carlini, feita para a abertura da atual temporada da novela), Anitta (Quem sabe, música de Letícia Pedro dos Santos), Fernanda Takai (De um jeito ou de outro, parceria de Takai com Marcelo Bonfá gravada pela cantora no seu CD solo Na medida do impossível) e Maria Gadú (Quase sem querer, cover do sucesso da Legião Urbana). Os sertanejos estão representados por Luan Santana (Tudo que você quiser, em registro ao vivo) e Victor & Leo (Eu vim te buscar, em gravação feita com adesão da dupla Bruno & Marrone). O CD Malhação nacional 2014 também inclui fonogramas de grupos como Skank (Ela me deixou), NX Zero (Uma gota no oceano),Raimundos (Bop), Aliados (Esperança), Charlie Brown Jr. (Meu novo mundo) e Natiruts (Quero ser feliz também), entre outras faixas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Fresno põe hit de Chitãozinho & Xororó em gravação ao vivo feita em SP

Balada que solidificou a carreira da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó na fase mais pop da discografia dos irmãos paranaenses, Evidências (José Augusto e Paulo Sérgio Valle, 1990) ganhou o toque do grupo Fresno. Incluído em set acústico, o sucesso da dupla sertaneja foi a grande surpresa do roteiro do show que o grupo gaúcho gravou ao vivo ontem, 16 de outubro de 2014, em São Paulo (SP). O registro do show feito na casa Audio Club vai dar origem a DVD e a CD ao vivo que serão editados via Sony Music no primeiro semestre de 2015. A gravação celebra os 15 anos de vida do grupo formado em 2014. No roteiro, o Fresno rebobinou músicas como À prova de balas, Alguém que te faz sorrir, Desde quando você se foi e o hit Revanche.

Eis capa e contracapa do CD em que Casuarina vai no passo de Caymmi

Estas são a capa e a contracapa do CD Casuarina no passo de Caymmi. As ilustrações da arte da capa e contracapa foram desenhadas à mão pelo designer Diogo Montes, em sintonia com o tom artesanal do cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Editado pela Superlativa, o sexto álbum do grupo carioca Casuarina já está na fábrica e traz o registro de estúdio do show que o quinteto estreou no Rio de Janeiro (RJ) em maio deste ano de 2014 para celebrar o centenário de nascimento de Caymmi. O disco reproduz os arranjos criados por Daniel Montes e João Fernandes para o show. Com 16 músicas, em seleção que abrange músicas compostas por Caymmi entre 1939 e 1994, o CD foi finalizado sem recursos de afinação e pós-produção. O grupo optou por manter a gravação fiel ao que foi captado no estúdio Tenda da Raposa, em maio, na sequência imediata da estreia do show. Previstas no repertório inicial do CD, as músicas Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1951) e Saudade de Itapoã (Dorival Caymmi, 1948) acabaram não entrando na seleção final do disco por questões autorais. Eis, na ordem o CD, as faixas de Casuarina no passo de Caymmi:

1. Suíte dos pescadores (1957)
2. Você já foi à Bahia? (1941)
3. Peguei um ita no Norte (1945)
4. Saudade da Bahia (1957)
5. Dora (1945)
6. Maricotinha (1994)
7. É doce morrer no mar (Dorival Caymmi e Jorge Amado, 1941)
8. O bem do mar (1954)
9. Lá vem a baiana (1947) / O que é que a baiana tem? (1939)
10. Requebre que eu dou um doce (1941)
11. João Valentão (1953)
12. Oração de Mãe Menininha (1972)
13. Marina (1947)
14. Só louco (1955)
15. A vizinha do lado (1946)
16. Maracangalha (1956)

Natália Matos reforça a ponte Belém - São Paulo em seu primeiro álbum

Resenha de CD
Título: Natália Matos
Artista: Natália Matos
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

 Fenômeno midiático dos anos 2010, a reinserção do Pará no mapa da música do Brasil tem dado maior visibilidade às cantoras e compositoras da Região Norte. Muitas vem tentando obter projeção nacional no rastro da exposição de Gaby Amarantos. Natália Matos se posiciona de forma curiosa nessa corrente. Em atividade profissional desde 2012, a artista pegou o caminho de volta para Belém (PA) - sua cidade natal - após oito anos de vivência em São Paulo (SP). Essa rota inversa explica as trilhas seguidas pela artista em seu primeiro álbum, Natália Matos, produção independente viabilizada com patrocínio do projeto Natura Musical. Produzido por Guilherme Kastrup, o disco reforça a ponte que liga São Paulo a Belém através das conexões de músicos do Norte -  como Felipe Cordeiro, cuja guitarra é ouvida no CD em Cândido brilho (Natália Matos e Renato Torres) - com nomes da efervescente cena paulistana contemporânea como Kiko Dinucci, parceiro de Douglas Germano em Cio, música que abre o disco em flerte com a cumbia. Composição lançada em 2009 pelo Duo Moviola, formado por Dinucci com Germano, Cio sinaliza a leveza que pauta o álbum e o canto pequeno de Natália Matos. Leveza que dilui o peso sugerido pelos versos de Coração sangrando, joia brega da lavra da veterana paraense Dona Onete lapidada por Matos em dueto com Zeca Baleiro, cantor maranhense que transita com naturalidade por esse universo kitsch. Nessa conexão Belém-São Paulo, o álbum Natália Matos embute levadas de carimbó na regravação de Este pranto é meu (Carlos Gomes, Nicéas Drumont e Pim) e soa especialmente embriagante quando cai no suingue de Beber você, música assinada por Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Betão Aguiar e Luê (a mesma turma de Ela é tarja preta, faixa de tom nortista do último álbum de Arnaldo, Disco). Outro acerto é Um amor de morrer, exemplo da inspiração da parceria de Romulo Fróes com Clima. Já bela em si, a música é valorizada pelo arranjo de tom celestial que combina o cavaco de Rodrigo Campos com a viola de Caçapa e os teclados etéreos de Zé Nigro. Lindo! A flor do segredo (Almirzinho Gabriel) também desabrocha com encantamento em Natália Matos, disco que se situa acima da média das produções de cantoras do Norte. Os pontos menos luminosos são as músicas de autoria da própria cantora e compositora, casos de Pouca luz e de Você me ama, mas (de textura mais pop e universal). Contudo, entre referências da música do Norte (algumas explicitadas já no título das músicas, caso de Maria do Pará, de Iva Rothe) e flerte com o suingue cubano na inédita Baila de Havana (Ronaldo Silva), o primeiro álbum de Natália do Matos não reinventa  a roda, mas demole clichês regionais ao reciclar tradições da região da cantora em tom moderno e sedutor.

Alaíde suporta o peso de suas canções de fossa no primeiro disco autoral

Resenha de CD
Título: Canções de Alaíde
Artista: Alaíde Costa
Gravadora: Nova Estação
Cotação: * * *

 Embora o canto refinado de Alaíde Costa também seja associado ao universo da Bossa Nova, a artista carioca não costuma cantar tão suavemente como afirma o título do álbum que lançou em 1960, no início da carreira iniciada de forma profissional em 1954. A caminho dos 79 anos de vida, a serem completados em 8 de dezembro de 2014, Alaíde é cantora habilitada a transitar por repertório denso, mais de fossa do que de bossa, exemplificado por Tempo calado (Alaíde Costa e Paulo Alberto Ventura, 1976), canção cuja letra versa sobre amor ausente e desejo abafado, temas recorrentes na obra da artista. É com essa habilidade que a cantora suporta o peso de sua produção autoral como compositora, concentrada no álbum Canções de Alaíde, produzido por Thiago Marques Luiz para sua gravadora Nova Estação. "Eu vou sofrer, eu vou chorar / Minha tristeza até morrer", avisa através dos versos finais de Afinal (Alaíde Costa), música que abriu e batizou álbum lançado pela cantora em 1963. Afinal e Tempo calado reaparecem entre as 14 músicas de Canções de Alaíde, primeiro álbum inteiramente autoral da artista, lançado no ano em que a cantora completa seis décadas de atividade profissional. Compositora desde os 17 anos, com parceria com Antonio Carlos Jobim (1924 - 1997) (Você é amor) no currículo autoral, Alaíde sempre registrou suas músicas em sua discografia. Em seu primeiro disco, um 78 rotações por minuto editado em 1956 pela gravadora Mocambo, a cantora já deu voz à compositora, gravando Tens que pagar, música que assinou em parceria com Aírton Amorim. Mas o fato é que a cantora sempre ofuscou a compositora, cuja obra foi gravada de forma dispersa. Por isso, Canções de Alaíde tem valor documental por reunir a parte mais expressiva dessa produção autoral, entrelaçando músicas inéditas em disco - caso de Qual a palavra? (Alaíde Costa) - com os títulos já (razoavelmente) conhecidos dessa obra autoral. As canções de Alaíde são geralmente sombrias, feitas com melodias tristes, como reitera verso de Ternura (Alaíde Costa e Geraldo Julião), música unida no álbum a Cadarços, parceria de Alaíde com Hermínio Bello de Carvalho lançada em 1980 em álbum dedicado por Alaíde ao cancioneiro de Hermínio. A união das músicas é feita em medley gravado com o piano preciso de Gilson Peranzzetta. O pianista bisa sua participação na última música do disco, Amigo amado, bonita canção que evidencia a influência da música clássica na arquitetura do cancioneiro de Alaíde, habitualmente composto ao piano. Música gravada por Alaíde em 1973, em disco dividido com Oscar Castro Neves (1940 - 2013), Amigo amado é parceria da artista com Vinicius de Moraes (1913 - 1980). Com o poeta, a compositora também assina Tudo o que é meu, samba-canção lançado por Alaíde em compacto de 1964 e reavivado em Canções de Alaíde com arranjo de Giba Estebez. Entre tantas magoadas canções de fossa, como Choro (Alaíde Costa), é justo ressaltar que Apesar de tudo (Alaíde Costa e João Magalhães) se diferencia no álbum por vislumbrar a luz no fim do túnel da desilusão amorosa, mesmo com melodia meio melancólica que contrasta com o positivismo entranhado em seus versos. Nesse sentido, Banzo (Alaíde Costa e José Márcio Pereira) - música gravada por Alaíde em dueto com Adyel Silva - sintoniza melodia e letra de forma mais fina ao versar sobre amor inter-racial que evoca o tempo da escravidão. Já Canção do breve amor, parceria de Alaíde com Geraldo Vandré, volta a falar de saudade, ausência e tristeza. Temas que somente uma cantora de peso, como Alaíde Costa, pode suportar sem sair do tom.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

'Um delírio de porão' conta história(s) do Lira Paulistana com objetividade

Resenha de livro
Título: Lira Paulistana - Um delírio de porão
Autor: Riba de Castro
Editora: Edição independente
Cotação: * * 1/2
Livro à venda pelo site www.vanguardapaulista.com.br 

Berço do movimento musical rotulado como Vanguarda Paulista, o teatro Lira Paulistana - situado em porão com arquibancada que não comportava mais do que 300 espectadores - fez História. E gerou histórias. Algumas estão relatadas no livro Lira Paulistana - Um delírio de porão, escrito por Riba de Castro, testemunha ocular de várias histórias e diretor de documentário de 2013 que narrou a História feita por esse teatro que funcionou no bairro paulistano de Pinheiros de 1979 a 1986, ano em que, envolto em dificuldades, o porão saiu de cena para deixar saudade. Se o filme Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista inseriu preciosas imagens de arquivo entre depoimentos sobre a efervescência daquele espaço cultural, o livro Lira Paulistana - Um delírio de porão - viabilizado graças ao patrocínio do projeto Natura Musical - se escora no vasto material iconográfico que ilustra suas 206 páginas. Fotografias, cartazes de shows e capas de discos ajudam a tornar crível, de forma visual, a narrativa desenvolvida por Riba de Castro com mera objetividade. Não há um delírio na busca de um estilo do texto. Ao contrário, os fatos são apresentados com crueza e, por vezes, com superficialidade. Mesmo assim, Castro - um dos sócios do Lira - consegue algum êxito ao ressaltar, sem maquiar os fatos, o idealismo que moveu a criação e manutenção de um espaço fundamental para a propagação da música inventiva de Arrigo Barnabé, Cida Moreira, Itamar Assumpção (1949 - 2003), Língua de Trapo, Premeditando o Breque, Rumo e Tetê Espíndola, entre outros nomes que movimentaram a cena paulistana da primeira metade dos anos 1980. Se o filme foi focado na visão dos artistas, o livro perfila o Lira sob a ótica de seus sócios empreendedores. Na narrativa nua e crua, não há espaço para fofocas. Contudo, dá para ler nas entrelinhas do texto de Riba o temperamento difícil de Itamar Assumpção, por exemplo. Seja como for, o que ficou na História da música do Brasil foram o idealismo e a importância decisiva do Lira Paulistana na consolidação de uma cena. Nesse sentido, o livro é fiel aos fatos.

Cantora de morte, Juçara brilha ao contar 'histórias de hoje' de Isaurinha

Resenha de programa de TV
Série: Cantoras do Brasil - Terceira temporada
Título: Juçara Marçal canta Isaura Garcia
Idealização: Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto
Direção: Jacob Solitrenick
Emissora: Canal Brasil
Cotação: * * * *
Episódio com exibição programada pelo Canal Brasil para 23 de novembro de 2014


Intérprete do disco mais expressivo de 2014, Encarnado, Juçara Marçal continua encarando a morte de frente. No segundo episódio da terceira temporada da série Cantoras do Brasil, a paulistana brilha ao dar voz a duas músicas do repertório de Isaura Garcia (26 de fevereiro de 1919 - 30 de julho de 1993), cantora conterrânea de Juçara que alcançou projeção nacional nos anos 1940 e 1950. Coincidentemente, ou não, a vocalista do Metá Metá reaviva dois temas sobre a morte no episódio Juçara Marçal canta Isaura Garcia. Ambos foram gravados em 1942 por Isaurinha - como era conhecida a cantora que lançou o samba-canção Mensagem (Cícero Nunes e Aldo Cabral) em 1945. O primeiro número musical, Sem cuíca não há samba (Germano Augusto e João Antônio Peixoto, 1942), é um samba - composto com inspiração em Triste cuíca (Noel Rosa e Hervê Cordovil, 1934) - que narra a história de Laurindo, cujo corpo foi encontrado quase irreconhecível no Morro de Mangueira. "É uma história de hoje. É como se eu estivesse cantando um samba sobre o Amarildo", correlaciona Juçara no depoimento alocado entre os dois números musicais. Sagaz, a cantora se refere a Amarildo de Souza, o pedreiro da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro (RJ), desaparecido em julho de 2013 por ter sido - como se soube depois, após grande pressão popular - morto por policiais da comunidade. Amarildo bem poderia ser o protagonista de Procura o Miguel (Roberto Martins e Roberto Roberti, 1942), composição que versa com suingue sobre o sumiço do Miguel do título. Em Procura o Miguel, o suingue vem da guitarra contemporânea de Pipo Pegoraro e do canto de Juçara, que explora regiões mais agudas de sua voz mais escura. Em Sem cuíca não há samba, o destaque entre os músicos da banda é Lucas Raele, cuja clarineta chora como a cuíca ausente, valorizando o arranjo calcado nas tradições do samba. Sem carregar nas tintas do drama contido nos versos do samba, Juçara Marçal interpreta o tema com leveza. Cantora do Brasil de morte, a paulistana reitera a maestria vocal em Juçara Marçal canta Isaura Garcia.

Mustache e os Apaches registram duas músicas no single 'Chuva ácida'

Quinteto de folk rock e bluegrass formado em São Paulo (SP), em 2011, por quatro gaúchos e um mineiro, Mustache & os Apaches lança o single (capa acima) Chuva ácida. Além da música-título, o single inclui a música Todo trem. O lançamento digital está agendado para 31 de outubro de 2014. O single Chuva ácida - que vai ser lançado também no formato de vinil - sucede o álbum Mustache & os Apaches (Independente, 2013) na discografia do grupo formado por Pedro Pastoriz (voz, violão e banjo), Tomás Oliveira (baixo e voz), Axel Flag (voz e percussão), Jack Rubens (bandolim) e Lumineiro (washboard - antiga tábua de lavar roupa).

Paula afirma que seu CD solo 'Transbordada' será lançado em novembro

Paula Toller afirmou esta semana em gravação de programa de rádio, no Rio de Janeiro (RJ), que seu terceiro álbum solo, Transbordada, vai ser lançado em novembro de 2014. Além da edição física em CD, está prevista inclusive uma pequena tiragem em vinil do álbum. Em junho, a cantora e compositora carioca - em foto de Flávio Colker - apresentou no Rio de Janeiro (RJ), em show do projeto Inusitado, as dez músicas inéditas e autorais do disco produzido por Liminha. Eis - fora da ordem do CD - o repertório pop do álbum Transbordada:

1. Ohayou (Paula Toller e Liminha)
2. Transbordada (Paula Toller, Liminha e Nenung)
3. Calmaí (Paula Toller e Liminha)
4. Já chegou a hora (Paula Toller e Liminha) - com Flávio Renegado
5. O sol desaparece (Paula Toller e Liminha)
6. Ele oh ele (Paula Toller e Liminha)
7. Seu nome é blá (Paula Toller e Liminha)
8. Será que eu vou me arrepender? (Paula Toller, Liminha e Arnaldo Antunes)
    - com Hélio Flanders
9. À deriva pela vida (Paula Toller e Beni Borja)
10. Tímidos românticos (Paula Toller e Liminha)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

'Samba social clube 6' apresenta 22 gravações inéditas da obra de Chico

Com lançamento agendado para 28 de outubro de 2014 pela Universal Music, nos formatos de CD e DVD, o sexto volume do projeto Samba social clube chega ao mercado fonográfico a tempo de festejar os 70 anos completados por Chico Buarque em junho. Como o subtítulo Uma homenagem a Chico Buarque já insinua, o CD e DVD Samba social clube ao vivo volume 6 apresenta gravações inéditas do cancioneiro do cantor e compositor carioca. No DVD, que exibe todos os 25 números captados em 14 e 15 de março de 2014 na gravação ao vivo feita em shows na Fundição Progresso no Rio de Janeiro (RJ), há 22 registros da obra de Chico. Somente três músicas são de lavras alheias. O samba Sem compromisso (Nelson Trigueiro e Geraldo Pereira, 1954) figura na seleção - na voz de Zeca Pagodinho - porque faz parte do repertório de Chico desde 1974, ano em que o cantor gravou o samba em seu primeiro álbum de intérprete, Sinal fechado (Philips, 1974). Já o samba-enredo Chico Buarque da Mangueira (Nelson Csipai, Nelson Dalla Rosa, Carlinhos das Camisas e Vilas Boas, 1997), ouvido na voz de Neguinho da Beija-flor, está no repertório porque é o samba-enredo com o qual a escola de samba Mangueira homenageou Chico, vencendo o Carnaval carioca em 1998. Por sua vez, Homenagem à Velha Guarda aparece - em dueto de Monarco com Nelson Sargento - porque o samba alude a um tema de Chico, Homenagem ao malandro (1978). Eis, na ordem do DVD, as faixas do projeto Samba social clube ao vivo volume 6 - Uma homenagem a Chico Buarque:

1. Sem compromisso (Nelson Trigeiro e Geraldo Pereira, 1954) – Zeca Pagodinho
2. Gota d’água  (1975) – Beth Carvalho
3. Apesar de você (1970) - Péricles
4. A rosa (1980) – Roberta Sá
5. Homenagem ao malandro (1978) – Martinho da Vila
6. Quem te viu, quem te vê  (1966)– Xande de Pilares
7. Samba do grande amor (1983) – Mariene de Castro
8. Vai levando (Chico Buarque e Caetano Veloso, 1975) – Fundo de Quintal
9. Deixe a menina (1980) – Mart’Nália
10. Piano na Mangueira (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1992) – Reinaldo
11. Sonho de um Carnaval  (1965) – Leci Brandão
12. Cotidiano (1971) – Mumuzinho
13. A volta do malandro (1985) – Teresa Cristina
14. Deixa solto (Arlindo Cruz, Sombrinha e Chico Buarque, 2013) – Sombrinha e Hamilton de Holanda
15. Partido alto (1972) – Serjão Loroza
16. Vai trabalhar, vagabundo (1976) – Dudu Nobre
17. Meu caro amigo (Francis Hime e Chico Buarque, 1976) – Jorge Aragão
18. Feijoada completa (1977) – Almir Guineto
19. O meu guri (1981) – Fabiana Cozza
20. Morena de Angola (1980) – Arlindo Cruz
21. Vai passar (Francis Hime e Chico Buarque, 1984) – Moacyr Luz
22. A Rita (1965) – Marcelinho Moreira
23. Novo amor (1982) – Luiza Dionízio
24. Homenagem à Velha Guarda (Monarco, 1980) – Monarco e Nelson Sargento
25. Chico Buarque da Mangueira (Nelson Csipai, Nelson Dalla Rosa, Carlinhos das Camisas e Vilas Boas, 1997) – Neguinho da Beija-Flor

Ex-funkeira convertida à religião evangélica, Perlla anuncia disco de Natal

 Ex-funkeira convertida à religião evangélica, a cantora fluminense Perlla anuncia gravação de um álbum de Natal que vai ser lançado em novembro de 2014 pela gravadora Deck. Noite de paz sucede Minha vida mudou - álbum de repertório evangélico editado pela artista em 2013 - na discografia de Perlla, que se projetou em 2006 como cantora de funk melody. Produzido por Rafael Castilhol, o CD alinha 12 músicas em repertório que entrelaça standards do cancioneiro natalino - como Um feliz Natal, Ó noite santa e a música-título Noite de paz - com músicas do repertório evangélico, casos das faixas Grande é o Senhor e Sem Jesus não dá.

'Radio days' celebra os 70 anos de Freire com gravações dos primórdios

Nelson Freire completa 70 anos no próximo sábado, 18 de outubro de 2014. Radio days - The concerto broadcasts 1968-1979 festeja o aniversário do pianista mineiro, reverenciado em escala mundial no universo da música clássica. Produzido pela gravadora inglesa Decca Records e lançado este mês no Brasil via Universal Music, o CD duplo traz registros de quatro concertos feitos pelo músico entre 1968 e 1979, no início de sua carreira. São concertos feitos na Europa e gravados - e transmitidos - por emissoras de rádio.O mais antigo é o concerto de 1º de março de 1968 em que, na companhia da NDR Sinfonieorchester, sob a regência de Heinz Wallberg, Freire tocou o Concerto para piano nº 1 do compositor polonês Frédéric Chopin (1810 - 1849). Foi o primeiro concerto de Freire. E, como conta o pianista em entrevista reproduzida no encarte do CD, todo seu nervosismo inicial se diluiu quando começou a tocar seu instrumento. Radio days também mostra Freire em ação na execução do Concerto para piano nº 1 do compositor russo Tchaikovsky (1840 - 1983) em concerto captado em Paris, França, em 18 de fevereiro de 1969. Há também registros de concertos com obras do alemão Robert Schumann (1810 - 1856) e do russo Sergey Prokofiev (1891 - 1953), captados em 1971 e 1969, respectivamente. Freire já era grande em seus radio days.

Álbum póstumo de Delcio, 'Lado D' pesca pérolas da parceria com Ivone

Resenha de CD
Título: Lado D de Delcio Carvalho - Parcerias com Ivone Lara
Artista: Delcio Carvalho
Gravadora: Edição independente
Cotação: * * * 1/2

 Poucas parcerias da música brasileira foram tão felizes quanto a de Ivone Lara com Delcio Carvalho (8 de março de 1939 - 12 de novembro de 2013). A fina sintonia entre música (a de Ivone) e letra (a de Delcio) gerou sambas eternizados na memória popular. Alvorecer (1974), Acreditar (1976) e Sonho meu (1978) são os títulos mais conhecidos dessa obra construída no tempo da delicadeza, com doses bem calculadas de melancolia e esperança em seus versos poéticos. Mas há outros tão belos. É o caso de Em cada canto, uma esperança (1978), gravado de forma sublime por Beth Carvalho em seu álbum Nosso samba tá na rua (Andança / EMI Music, 2011). Em cada canto, uma esperança é o samba que fecha o disco Lado D de Delcio Carvalho, disco póstumo, finalizado pelo compositor fluminense oito meses antes de sair de cena, aos 74 anos, vítima de câncer.  Sob a tradicionalista direção musical de Afonso Machado, produtor do disco gravado e mixado de janeiro a março de 2013 no Rio de Janeiro (RJ), Delcio dá voz a 12 títulos menos ouvidos de sua parceria com Ivone Lara. Por mais que não seja o melhor intérprete dessa obra já cantada por grandes vozes como a da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983), intérprete original de Alvorecer, Delcio põe seu sentimento nato de compositor nesses registros com a vantagem de ser o maior conhecedor do significado de cada um dos versos que canta. Esse entendimento pleno das letras valoriza gravações como as de Nasci para sonhar e cantar (1982), grande samba cantado por Delcio com o ronco da cuíca de Paulino Dias. Nasci para sonhar e cantar é exemplo de perfeição na obra da dupla, cujo cancioneiro geralmente apresenta uma melodia delicada embalada por versos que creem em amanhã melhor que há de secar o pranto oriundo da desilusão amorosa. Basta ouvir Há música no ar - samba lançado pela cantora Nara Leão (1942 - 1989) no álbum Meu samba encabulado (Philips, 1983) - para identificar a ideologia típica da obra da dupla. Outra joia de delicadeza enraizada nesse poético universo melancólico é Canto do meu viver (1997), samba lançado por Teca Calazans no álbum Firoliu (Kuarup, 1997) e gravado com sensibilidade por Delcio. Em contrapartida, o compositor não dá conta de mostrar toda a beleza que há em Ainda baila no ar (2010), parceria da dupla com André Lara, lançada de forma mais sedutora por Dudu Nobre e Wilson das Neves no disco comemorativo dos 35 anos da parceria de Ivone com Delcio. Mesmo que um samba resulte ligeiramente menos inspirado, caso de Nunca mais (1994), samba raro na obra da dupla por não vislumbrar um raio de esperança no horizonte triste, o nível é sempre bom, às vezes alto. Delcio, aliás, foi muito feliz na pescaria de pérolas no baú da dupla. Harmonizado pelas flautas de Dirceu Leite, Doces recordações é de álbum feito por Ivone Lara na gravadora Som Livre em 1985. Desse disco de 1985, Lado D de Delcio Carvalho também revive em clima de gafieira, com metais e coro, Quem faz o mal não se cria, samba lançado por Ivone com o título de Meu samba é luz, é céu e mar. Enfim, o poeta se foi, mas deixou versos como os do samba O trovador (2004) e uma mensagem de amor que ainda baila no ar, na cadência suave das melodias de Ivone. Em cada samba, uma esperança...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cumplicidade romântica de Camelo e Mallu pauta show da Banda do Mar

Resenha de show
Título: Banda do Mar
Artista: Banda do Mar (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de outubro de 2014
Cotação: * * * *
Agenda da turnê nacional do show da Banda do Mar:
* 17 de outubro de 2014 - Dourados (MS)
* 18 de outubro de 2014 - Americana (SP)
* 24 de outubro de 2014 - Natal (RN)
* 25 de outubro de 2014 - Fortaleza (CE)
* 30 de outubro de 2014 - Florianópolis (SC)
* 31 de outubro de 2014 - São Paulo (SP)
* 1º de novembro de 2014 - Salvador (BA)
* 7 de novembro de 2014 - Ribeirão Preto (SP)
* 8 de novembro de 2014 - Juiz de Fora (MG)
* 9 de novembro de 2014 - Brasília (DF)
* 15 de novembro de 2014 - Teresina (PI)
* 22 de novembro de 2014 - Curitiba (PR)
* 29 de novembro de 2014 - Belo Horizonte (MG)

Trio formado em Portugal pelo cantor e compositor carioca Marcelo Camelo com a paulistana Mallu Magalhães e com o baterista lusitano Fred Pinto Ferreira, a Banda do Mar lançou em agosto de 2014 um primeiro álbum explicitamente pop e solar que evidencia a cumplicidade romântica entre Camelo e Mallu. A sintonia fina entre o casal 20 do pop luso-brasileiro fica ainda mais clara no show que promove o (ótimo) disco. Com canções e olhares apaixonados, a turnê nacional do show Banda do Mar estreou em Porto Alegre (RS) em 10 de outubro e, na imediata sequência, chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em duas apresentações que lotaram o Circo Voador em 11 e 12 de outubro. Em cena, Camelo e Mallu se portam como um casal. É essa química entre os dois protagonistas absolutos do trio que azeita o show. No palco, aliás, a Banda do Mar mais parece uma dupla, já que o competente Fred Ferreira atua em cena com o mesmo peso do que os dois músicos convidados (o baixista Marcos Gerez e o guitarrista Gabriel Mayall) para a turnê nacional que vai percorrer o Brasil até o fim deste ano de 2014. O roteiro segue a trilha da love story de Camelo e Mallu, com direito a mútuas declarações de amor - feitas por ele através dos versos de canções como Faz tempo (Marcelo Camelo, 2014) e por ela através das letras de músicas como Seja como for (Mallu Magalhães, 2014). A propósito, não foi por acaso que, na apresentação de 12 de outubro de 2014, Mallu solou na guitarra a melodia da canção (Where do I begin?) (Love story) (Francis Lai e Carl Sigman, 1970), música-tema de Love story, o melodramático filme norte-americano de 1970. Só que, ao vivo, o romantismo do casal tem pegada. Já no primeiro dos 22 números do roteiro, Cidade nova (Marcelo Camelo, 2014), a pulsação roqueira do show salta aos ouvidos. Tanto que Hey Nana (Marcelo Camelo, 2014) abre espaço para um solo da guitarra do hermano carioca. Contudo, mesmo quando faz rock, a Banda do Mar cai eventualmente no suingue, como mostra Mais ninguém (Mallu Magalhães, 2014), e faz pulsar veia pop melódica, até porque o cancioneiro autoral de Camelo - que fica sozinho no palco para solar Além do que se vê (Marcelo Camelo, 2003), música do repertório da ora desativada banda carioca Los Hermanos - está entranhado nas artérias da música brasileira. Filho do baterista Fred Ferreira, Sebastião põe sua bossa na percussão que ajuda a dar o ritmo leve do Sambinha bom (Mallu Magalhães, 2011). Tal como no disco, Camelo e Mallu se revezam em cena na cantoria do repertório. Mas o casal divide os versos de Janta (Marcelo Camelo, 2008), rebobinando dueto repetido nos últimos seis anos. O coro do público - que canta todas as músicas (as do álbum da Banda do Mar e as canções de discos anteriores de Camelo e Mallu) - é o tempero forte da ceia. A harmonia do casal passa para a plateia, cuja presença calorosa e receptiva valoriza o apaixonado show da Banda do Mar.

Camelo e Mallu cantam trilha de sua love story no show da Banda do Mar

Fez todo o sentido quando, em determinado momento do show feito pela Banda do Mar no Circo Voador em 12 de outubro de 2014, Mallu Magalhães solou na guitarra a melodia da canção (Where do I begin?) (Love story) (Francis Lai e Carl Sigman, 1970), música-tema do filme Love story (Estados Unidos, 1970). A citação instrumental se afinou com o tom de um roteiro que, a rigor, conta e canta a love story do casal - visto em foto de Rodrigo Goffredo - que formou a Banda do Mar em Portugal com o baterista lusitano Fred Pinto Ferreira. A canção Love story não faz parte oficialmente do repertório do show estreado pelo trio em Porto Alegre (RS), em 10 de outubro, mas foi um charme no roteiro da segunda apresentação da turnê nacional da banda no Rio de Janeiro (RJ). Roteiro que, no segundo show carioca, incluiu todas as 12 músicas do primeiro álbum do trio, Banda do Mar (Sony Music, 2014), três composições da discografia solo de Camelo (Vermelho, Doce solidão e Janta), quatro temas da obra individual de Mallu (Velha e louca, Sambinha bom, Cena e Olha só, moreno) e dois hits do grupo Los Hermanos (Além do que se vê e Morena). Eis o roteiro seguido pela Banda do Mar no show que lotou o Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 12 de outubro de 2014:

1. Cidade nova (Marcelo Camelo, 2014)
2. Me sinto ótima (Mallu Magalhães, 2014)
3. Hey Nana (Marcelo Camelo, 2014)
4. Faz tempo (Marcelo Camelo, 2014)
5. Seja como for (Mallu Magalhães, 2014)
6. (Where do I begin?) (Love story) (Francis Lai e Carl Sigman, 1970) 
7. Pode ser (Marcelo Camelo, 2014)
8. Mia (Mallu Magalhães, 2014)
9. Vermelho (Marcelo Camelo, 2011)
10. Velha e louca (Mallu Magalhães, 2011)
11. Além do que se vê (Marcelo Camelo, 2003) - solo de Marcelo Camelo
12. Olha só, moreno (Mallu Magalhães, 2011) - solo de Mallu Magalhães
13. Sambinha bom (Mallu Magalhães, 2011)
14. Janta (Marcelo Camello, 2008)
15. Solar (Marcelo Camello, 2014)
16. Cena (Mallu Magalhães, 2011)
17. Dia clarear (Marcelo Camelo, 2014)
18. Vamo embora (Marcelo Camelo, 2014)
19. Mais ninguém (Mallu Magalhães, 2014)
Bis:
20. Doce solidão (Marcelo Camelo, 2008)
21. Morena (Marcelo Camelo, 2005)
22. Muitos chocolates (Mallu Magalhães, 2014)

Ferriani disponibiliza para download 'single' com samba de Romulo Fróes

Verônica Ferriani disponibilizou hoje, 14 de outubro de 2014, para download gratuito o primeiro dos dois singles que gravou no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP). Trata-se de registro do samba Varre e sai (Romulo Fróes, Clima e Nuno Ramos, 2011), gravado pela cantora e compositora paulista em 1º de outubro de 2014 sob a direção musical do baixista Marcelo Cabral. Com as guitarras de Guilherme Held e Rodrigo Campos, Ferriani preserva na gravação a pegada crua, industrial, de sua abordagem de Varre e sai no show autoral Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio (2013). Essa composição desde o início me chamou atenção por ser um samba bastante atípico em sua melodia e harmonia, além da temática amorosa coincidente com as reflexões que eu vinha tendo em minhas canções autorais. O disco acabou focado em meu trabalho autoral, mas logo Varre e sai entrou no roteiro do show em um arranjo que, em clima "samba punk", ou "samba industrial", sobrepõe momentos psicológicos da letra aos barulhos da cidade, simbolizados através do arranjo, conceitua a cantora. Mixada e masterizada por Fernando Sanches, a gravação de Varre e sai pode ser baixada no site oficial da artista e pode ser ouvida no canal de Ferriani no YouTube.

Projota verte hit do cantor de reggaeton J. Balvin no CD 'Foco, força e fé'

Música lançada como single em novembro de 2012 pelo cantor e compositor colombiano de reggaeton J. Balvin, Tranquila ganha versão em português no álbum que o rapper paulistano Projota vai lançar no fim deste mês de outubro de 2014 via Universal Music. Também intitulada Tranquila, a versão em português foi gravada por Projota - em foto de Rafael Kent - com a participação do próprio J. Balvin. Intitulado Foco, força e fé, o álbum de Projota - nome artístico do cantor e compositor paulistano José Tiago Sabino Pereira - tem 15 faixas, sendo que 11 músicas são inéditas. Entre as novidades, há Hey irmão, O astronauta e O vento. O primeiro single do álbum, Enquanto você dormia, já pode ser comprado no iTunes. 

Gudin grava parcerias com Toquinho, Ivan e Lyra para álbum de inéditas

A foto acima, de Joana Gudin, flagra Eduardo Gudin com Toquinho em estúdio de São Paulo (SP). Sem lançar disco de inéditas desde 2006, ano em que  editou pela gravadora Dabliú o álbum Um jeito de fazer samba, Gudin - que completa 64 anos hoje, 14 de outubro de 2014 - está em estúdio gravando CD com repertório inédito. Neste disco, previsto para ser lançado no começo de 2015 pela Dabliú em parceria com a Realejo Produções, o cantor e compositor paulistano registra parcerias com Toquinho, Carlos Lyra, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Carlinhos Vergueiro, J.C. Costa Netto e Theo de Barros. O repertório inclui música em homenagem de Gudin ao cantor, compositor e violonista Paulinho Nogueira (1929 - 2003). A canção em tributo a Paulinho Nogueira foi composta por Gudin em parceria com Maurício Sant'Anna (integrante da nova formação do conjunto paulistano Notícias Dum Brasil).

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bulk e Tenório fazem 'Banquete' com voz de Alice em ode a Stella Maris

Stella Maris (1922 - 2008) - cantora carioca que abdicou dos palcos em favor da vida no lar ao lado do marido, um certo Dorival Caymmi (1914 - 2008) - ganha homenagem em Estela, uma das quatro músicas inéditas do EP Banquete. Neta de Maris, Alice Caymmi é a intérprete de Estella neste disco assinado pelo músico e produtor Cadu Tenório com Márcio Bulk, editor do blog Banda Desenhada. Banquete apresenta quatro músicas - Café expresso, Electric fish e Em transe, além de Estela - feitas a partir de letras de Bulk, musicadas por Bruno Cosentino, César Lacerda e Rafael Rocha (o compositor do grupo carioca Tono). Alice Caymmi (que já havia gravado em 2013 o single Soluços com produção de Tenório), Bruno Cosentino, César Lacerda, Lívia Nestrovski e Michele Leal formam o time de intérpretes escalados para dar voz às músicas de Banquete, cuja capa expõe a pintura Nature morte aux coquillages et au corail, do artista plástico francês Jacques Linard (1597-1645). O design da capa é assinado por Bulk com Rodrigo Sommer. Banquete vai estar disponível para download gratuito na segunda quinzena deste mês de outubro de 2014. Uma edição física do EP está prevista para novembro.

Eis a capa de 'Perseverança', o primeiro álbum solo de Xande de Pilares

 Esta é a capa de Perseverança, primeiro álbum solo de Xande de Pilares. Com foto de Guto Costa na capa, o disco chega ao mercado fonográfico a partir de 28 de outubro de 2014, via Universal Music, com 14 músicas, sendo nove de autoria do cantor e compositor carioca. Egresso do Grupo Revelação, do qual foi vocalista e principal compositor de 1992 até o início deste ano de 2104, Xande assina em Perseverança músicas como Orgulho negro - samba composto com Arlindo Cruz e Pretinho da Serrinha - e Sintonia de amor, parceria com Leandro Fab, Pretinho da Serrinha e Fred Camacho (trio que também assina O famoso quem com Xande). Já a música-título Perseverança é da lavra de Zé Roberto, autor de sucessos de Zeca Pagodinho como Vacilão (2002). Já em rotação nas rádios, o primeiro single do álbum, Elas estão no controle (André Renato, Rhuan Andre e Lucas Oliveira), estará disponível para venda no iTunes a partir de amanhã, 14 de outubro. Leandro Sapucahy é o produtor de Perseverança.

Ná grava com Wisnik CD dedicado ao cancioneiro do compositor paulista

Paralelamente ao projeto de um disco com o grupo paulistano Passo Torto, ainda sem data para chegar ao mercado fonográfico, a cantora e compositora paulistana Ná Ozzetti prepara CD gravado com o compositor paulista José Miguel Wisnik. Produzido por Márcio Arantes, o disco é inteiramente dedicado ao cancioneiro de Wisnik. Ná e Wisnik - em foto de Laura Vinci - registram repertório formado por mix de músicas antigas com composições inéditas em disco, como Tudo vezes dois, Sinal de batom (parceria de Wisnik com Alice Ruiz) e Louvar, tema que ostenta versos do poeta mineiro Antônio Carlos de Brito (1944 - 1987), conhecido no universo musical brasileiro pelo apelido de Cacaso. Das antigas, já gravadas, o disco rebobina A olhos nus, música lançada pela cantora em seu primeiro álbum solo, Ná Ozzetti (Continental, 1988), disco no qual Ná também registrou outras duas composições de Wisnik, Libra e Orfeu. O projeto do disco fortalece a conexão da cantora com o compositor, iniciada na segunda metade dos anos 1980. Foi com Ná que Zé Wisnik saiu dos bastidores e se lançou como artista.

Um poema sem medo nem esperança para o CD que Gal grava em 2015

Sem medo nem esperança é o título original da música com versos do poeta Antonio Cícero e melodia de Arthur Nogueira oferecida a Gal Costa para o disco de inéditas que a cantora - em foto de André Schiliró - deixou para gravar e lançar em 2015, ano em que completa 70 anos de vida e 50 de carreira fonográfica. Para o CD, Gal recebeu músicas de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes (uma parceria com José Miguel Wisnik e outra com Marisa Monte), Criolo (parceria com Milton Nascimento, Dez anjos, feita para Gal), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mallu Magalhães, Marcelo Camelo (duas músicas, sendo que uma, Espelho d'água, parceria com Thiago Camelo, foi lançada por Gal no corrente show de voz e violão a que dá nome) e Tom Zé.

domingo, 12 de outubro de 2014

Eis a capa de 'Som e fúria', disco de Rita Benneditto com Jussara Silveira

Esta é a capa de Som e fúria, o álbum gravado pelas cantoras Rita Benneditto e Jussara Silveira em julho de 2013 no Vale do Capão, situado na Chapada Diamantina, na Bahia. Ariston Quadros assina o projeto gráfico do disco produzido por Alê Siqueira sob a direção artística de José Miguel Wisnik. A edição do CD - ainda sem data de lançamento - é da gravadora Maianga.

Álbum infantil do MPB-4 vira DVD com animações e sobra inédita de 1981

Em 1981, o grupo MPB-4 lançou álbum infantil, Adivinha o que é,  pela gravadora Ariola com músicas feitas pelo compositor Renato Rocha, a sós ou com parceiros como Geraldo Azevedo, Geraldo Amaral e Ronaldo Tapajós (autor solitário da música Rosa branca foi ao chão). Após 33 anos, o álbum vira DVD da Universal Music com direito à sobra inédita da gravação do LP, Lara menina (Renato Rocha), música excluída da seleção final do álbum Adivinha o que é. Masterizado para o DVD por Luigi Hoffer e Carlos Savalla, o áudio das músicas do álbum de 1981 ganha animações e personagens criadas por Carlos Duba. A intenção óbvia é lucrar com o rentável mercado audiovisual de produtos infantis, especialmente aquecido no mês de outubro por conta da celebração do Dia das Crianças, festejado neste domingo 12 de outubro de 2014.

'Goma-laca' fixa sons contemporâneos na matriz afro da música do Brasil

Resenha de CD
Título: Goma-laca - Afrobrasilidades em 78 RPM
Artista: Vários
Gravadora: Edição independente
Cotação: * * * 1/2

 Fabricados no Brasil de 1902 a 1964, os discos de 78 rotações por minuto eram produzidos a partir de mistura de cera de carnaúba com goma-laca em pó. Por isso, Goma-laca é o nome do núcleo criado em 2009 por Biancamaria Binazzi e Ronaldo Evangelista para pesquisar e revitalizar gravações antigas. Goma-laca é também o título do disco produzido por Evangelista sob direção musical de Letieres Leite, autor dos arranjos das onze gravações alinhadas neste álbum que desencava e areja a raiz africana na qual estão baseados os registros originais dos onze temas ouvidos no bom CD. Compositor, arranjador e maestro da Orkestra Rumpilezz, big-band baiana que conecta a música afro-brasileira ao jazz, Letieres consegue imprimir refinada contemporaneidade nas gravações do disco subintitulado Afrobrasilidades em 78 RPM para delimitar o período - centrado na primeira metade do século XX - no qual estão enraizados os temas. Letieres Leite, que toca flauta no disco, se junta a músicas da atual cena paulistana. Majoritariamente egresso dessa cena, o naipe de intérpretes  do álbum - Juçara Marçal, Karina Buhr, Lucas Santtana e Russo Passapusso - dá voz a esses temas com maior ou menor vigor e propriedade. O maior destaque do time de intérpretes é Juçara, ótima cantora paulistana que emergiu com força no início do ano com seu disco solo Encarnado (Independente, 2014). Por seu já pré-existente elo com temas que saúdam orixás, Juçara faz Exu e Ogum baixarem com força no terreiro contemporâneo de Goma-laca. De domínio público, os dois temas fazem parte do disco de 78 rotações Candomblé, gravado pelo grupo Filhos de Nagô e lançado em janeiro de 1931, em iniciativa pioneira de registrar temas africanos de origem iorubá. No fim do disco, Juçara se junta a Russo Passopusso - vocalista da banda BaianaSystem que acaba de lançar seu primeiro disco solo - na recriação de Cala boca, menino, tema oriundo do universo da capoeira, do qual se apropriou o centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008), de maneira assumida, na composição da música originalmente gravada em 1973 por João Donato. Nessa faixa, o canto de Passapusso parece incorporar um preto velho, fazendo ressoar com força um lamento negro que ecoa com menor propriedade quando Passapusso dá voz a Batuque (Domínio público) e a Babaô Miloquê (Josué de Barros), dois temas que ganharam registros fonográficos em 1929. Os outros dois intérpretes escalados para Goma-laca - Karina Buhr e Lucas Santtana - trazem pouca ou nenhuma carga de ancestralidade em seus cantos. Tanto que o percussivo arranjo afro-indígena criado por Letieres para Guriatã (Domínio público) - cantiga do Norte registrada em disco em 1930 pelo cantor Ratinho com o grupo Batutas do Norte - se impõe na faixa sobre o canto de Buhr, que também segue a toada nordestina ao dar voz a Minervina (Domínio público), tema gravado originalmente por Vanja Orico em disco de 1954. Já Lucas Santtana chega a soar pop ao entrar no ritmo dos versos da embolada Não tenho medo, não (Almirante e Chico Catolé, 1936), embora também seja o comandante vocal de Vou vender meu barco (Valentim do Santos e Marinho Costa Lima, 1946), faixa que embute dissonâncias que tornam bravio o mar em que navega a canção praieira lançada em disco pelo Quarteto Quitandinha. Vozes à parte, Goma-laca cumpre seu objetivo ao fixar sons contemporâneos na matriz afro-brasileira da música produzida no século XX sem ranços folclóricos, mas sem sons modernosos. A cola dessas afrobrasilidades de 78 RPM são os arranjos do genial Letieres Leite.