quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Livro 'A república cantada' refaz, do choro ao funk, trilha política do Brasil

As manifestações sociais de junho de 2013 não tiveram uma trilha sonora específica e marcante, mas algumas músicas se ajustaram casualmente ao tom dos protestos. Foi o caso de Vem pra rua, tema gravado pelo grupo carioca O Rappa para campanha de empresa automobilística. Esse acaso é lembrado pelo historiador André Diniz e pelo pesquisador musical Diogo Cunha ao fim do livro A república cantada, recém-lançado pela editora Zahar. O subtítulo Do choro ao funk - A história do Brasil através da música já explicita o conteúdo deste livro em que os autores refazem a trilha sonora política do país, historiando as relações nem sempre idôneas entre música e poder. A abordagem é rasa, porém bem abrangente, indo da queda da monarquia em 1889 ao governo da presidente Dilma Rousseff. O livro mostra como os compositores cantaram a república de políticos como Getúlio Vargas (1882 - 1954), alvo de sambas e marchas em seus dois mandatos como presidente do Brasil. Evidentemente, a trilha sonora da ditadura que vigorou de 1964 a 1985 também é assunto recorrente no livro, pois inspirou compositores como Chico Buarque e Geraldo Vandré na criação de belas canções de resistência ao golpe. O ufanismo musical - espontâneo ou mesmo sugerido pelos governos de presidentes ditatoriais como Emílio Garrastazu Médici (1905 - 1985) - também fez parte da trilha sonora da república ao longo dos tempos. Trilha sonora (bem) eclética que vai do choro ao funk, como enfatiza o livro, sem que os autores tomem partido de nenhum gênero musical.

Alice Caymmi faz milagre ao celebrar Cássia na série 'Cantoras do Brasil'

Resenha de programa de TV
Série: Cantoras do Brasil
Título: Alice Caymmi canta Cássia Eller
Idealização: Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto
Direção: Jacob Solitrenick
Emissora: Canal Brasil
Cotação: * * * *
Episódio com exibição programada pelo Canal Brasil para 6 de novembro de 2014


Foi pelas ondas do rádio que a voz-de-trovão de Cássia Eller (1962 - 2001) caiu como raio nos ouvidos de Alice Caymmi. Atualmente com 24 anos, a princesa carioca da dinastia Caymmi nem era adulta quando ouvia pelo dial sua conterrânea interpretar músicas como E.C.T. (Nando Reis, Marisa Monte e Carlinhos Brown, 1994) e Milagreiro (Djavan, 2001). Mas Alice cresceu e apareceu em cena para valer neste ano com seu segundo álbum, Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014). Seu agigantamento como intérprete é atestado na intensa abordagem de Milagreiro, segundo e melhor número musical do quarto episódio da terceira temporada da série Cantoras do Brasil, programada para ser exibida pelo Canal Brasil semanalmente, às quintas-feiras, a partir de 16 de outubro de 2014. Ao dar voz à composição de Djavan, gravada por Cássia em dueto com o artista alagoano para o 15º álbum lançado pelo cantor no mercado fonográfico brasileiro, Alice expõe nos seus vocalises a imensidão da dor amorosa que pauta os versos do tema. E faz milagre ao sair da sombra de Cássia, já que a interpretação de Milagreiro por Cássia Eller é tão definitiva que a música é mais associada à cantora do que ao próprio Djavan. "Milagreiro é a música do repertório de Cássia de que eu  mais gosto", sublinha a cantora no depoimento concedido à série idealizada por Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto. O tom flamenco da gravação original de Milagreiro é evocado pelas palmas ouvidas no início do registro feito por Alice. Ao gravar E.C.T. e Milagreiro sob a direção de Jacob Solitrenick (que preserva os tons preto-e-branco da filmagem da série), a cantora se junta aos músicos Beto Gibbs (bateria), João Leão (teclados e chocalho) Klaus Sena (baixo), Lucas Raele (Clavineta), Maurício Tagliarini (cavaquinho) e Pipo Pegoraro (violão e guitarra). A gravação de E.C.T. resulta menos impactante, mas Alice acerta o tom da "letra difícil de cantar", como ela ressalta no depoimento que separa um número musical do outro. Enfim, o quarto episódio de Cantoras do Brasil - série que retoma na terceira temporada seu conceito original, centrado no tributo de uma cantora contemporânea a uma intérprete que já saiu de cena - reafirma o talento e a personalidade forte de Alice Caymmi no momento em que a voz da cantora cai como um raio sobre mentes e ouvidos antenados, reinando nas redes.

Coqueiro Verde festeja oito anos de vida e edita terceiro álbum de Sabiá

Na semana em que festeja oito anos de vida com festa que reuniu seu elenco no Rio de Janeiro (RJ), a gravadora carioca Coqueiro Verde Records anuncia a contratação do cantor e compositor carioca João Sabiá. A companhia fonográfica aberta em 1996 por Erasmo Carlos - na foto visto caracterizado como Tio Sam no convite da festa - vai distribuir o terceiro álbum de Sabiá, Nossa Copacabana. O título do disco cita o bairro em que o cantor nasceu em 1981.

Para Caetano, CelloSam3aTrio - de Morelenbaum - é 'nova voz do mundo'

Dez anos se passaram entre a formação do CelloSam3aTrio - grupo criado em 2004 por Jaques Morelenbaum a convite de Thomas Stöwand, cofundador da ECM Records - e a gravação do primeiro álbum do trio, feita em maio deste ano de 2014 nos estúdios da gravadora Biscoito Fino. Nessa década, o baterista e percussionista Rafael Barata assumiu em 2007 a função que originalmente era de Marcelo Costa. Mas o violonista do trio, Lula Galvão, é o mesmo desde 2004. Já conhecido no circuito europeu de shows, o CelloSam3aTrio pode ser ouvido no Brasil através do CD Saudade do futuro Futuro da saudade, recém-lançado pela Biscoito Fino. No disco, considerado por Morelenbaum o seu primeiro trabalho solo, o violoncelista reverencia mestres como Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) - compositor de quem o trio toca Outra vez (1954) e Retrato em branco e preto (parceria com Chico Buarque, de 1968) - e João Gilberto, evocado através de registro de Tim tim por tim tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques, 1951). O samba é o ritmo dominante em repertório que inclui duas composições de autoria de Morelenbaum (Ar livre e Maracatuesday) e regravações de Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) e Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967). A propósito, Caetano Veloso - com quem o violoncelista trabalhou durante anos como músico e arranjador - disserta sobre Saudade do futuro Futuro da saudade em texto reproduzido no encarte do disco produzido pelo próprio Morelenbaum. Com a palavra, Caetano - para quem o CelloSam3aTrio é "nova voz do mundo":

“A saudade do futuro é o futuro da saudade. O cello de Jaques Morelenbaum, som miraculoso que tive a dita de ter como companheiro próximo de todas as minhas emissões vocais melódicas, de todas as minhas inspirações composicionais e de todas as minhas idealizações de estruturação de sons. A natural inteligência musical de Jaquinho é de enorme abrangência e o "eu" que se encrusta nela é de uma generosidade inacreditável. Agora, finalmente, temos um disco em que essa densa realidade humana - que temos o privilégio de ver desenvolvida entre nós - se mostra pura. O CelloSam3aTrio é expressão da vida musical que vem assinada Jaques Morelenbaum embaixo. Ninguém melhor do que Lula Galvão ao violão para ser parte da textura (e da imaginação improvisadora) dessa música. E os sons percussivos de Rafael Barata fecham cada célula joãogilbertiana do disco branco, aquele em que João pronuncia as vogais breves abertas. CelloSam3aTrio é nova voz no mundo. O maracatu sob a bruma rítmica do romantismo profundo de Jaquinho é o segredo do segredo. O samba ternário de Lula é a felicidade da música dos músicos (há músicas que são só dos ouvintes). Lyra e Tom e tais, tudo vem para o futuro adequadamente. Meu coração vagabundo não poderia almejar mais bela análise sentimental de todas as suas artérias. O Gil do João revém nessa compressão-expansão harmônica que é o gênio da música se esbaldando. Um trio. Fórmula tema/improvisação/tema. Como pode algo tão grandioso caber no que parece tão pequeno?” Caetano Veloso

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nove álbuns brasileiros já garantidos na lista de melhores discos de 2014

Findo o terceiro trimestre de 2014, nove álbuns brasileiros já estão garantidos na lista de melhores discos nacionais do ano na avaliação de Notas Musicais. São álbuns que fazem jus às cinco estrelas da cotação do blog por serem marcos nas carreiras fonográficas de seus artistas. Eis, por ordem alfabética (dos nomes dos artistas), esses nove álbuns - aos quais ainda poderão se juntar outros CDs brasileiros a serem lançados de 1º de outubro a 31 de dezembro de 2014 - e as razões para que os nove CDs estejam desde já entre os melhores discos deste ano de 2014:

* Rainha dos raios (Joia Moderna) - Alice Caymmi
   - A princesa da dinastia Caymmi impactou com as releituras de grande segundo álbum 

* Bossa negra (Universal Music) - Diogo Nogueira & Hamilton de Holanda
   - O filho de João Nogueira (1941 - 2000) honra o sobrenome ao lado do bandolinista

* Gilbertos samba (Sony Music) - Gilberto Gil
    - Gil cai no suingue perfeito ao celebrar João Gilberto sem cair na tentação de imitá-lo

*  Asa (Independente) - Gustavo Galo
    - Artista canta baixo, mas voa alto ao mixar crueza e poesia em minimalista CD solo 

*  Encarnado (Independente) - Juçara Marçal
   - Voz do Metá Metá cresce e aparece entre guitarras de perturbador CD sobre a morte 

*  Mestiça (Saravá Discos) - Jurema
    - Cantora baiana reinventa a baianidade nagô e extrapola limites de sua terra natal

*  Sobre dias e noites (Diginois) - Lucas Santtana
    - No sexto CD, de tom pop eletrônico, artista versa sobre amores e doenças urbanas

*  Meus quintais (Biscoito Fino) - Maria Bethânia
     - Sem sair de seu oásis sertanejo, a intérprete acena para sua tribo com soberania

*  Corpo de baile (Biscoito Fino) - Mônica Salmaso
    - Cantora atinge a perfeição ao dar voz à parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro

Jota Quest edita dois EPs digitais que reúnem 13 remixes de dois singles

Embora já esteja divulgando Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino e Jerry Barnes a partir de texto de Martha Medeiros), terceiro single de seu CD Funky funky boom boom (Sony Music, 2013), o grupo mineiro Jota Quest revitaliza os dois primeiros singles de seu sétimo álbum de inéditas com o lançamento de dois EPs digitais com remixes das duas músicas. Os EPs estão sendo lançados hoje, 30 de setembro de 2014, no iTunes. Faixa que anunciou em agosto de 2013 o melhor disco do Jota Quest, Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers) é ouvida no EP Mandou bem remixes no registro original e em seis remixes, assinados por DJs e produtores da cena eletrônica brasileira e internacional como Adriano Cintra, DJ Hum, Mister Jam e o português Pete Tha Zouk. Já Waiting for you (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino) - o segundo single - ganha sete versões para as pistas no Waiting for you remixes, EP de nove faixas que também traz os dois registros originais incluídos em Funky funky boom boom, Waiting for you (Party on) e Waiting for you (Shine on, shine on). Os remixes de Waiting for you são assinados por nomes Babey Drew, Blepping Souce, Ready2Go, Marc Ruzz & Giovany Ribeiro, Leo Z & Gus Zanotto e Tashia & Morgana. Juntos, os 13 remixes de Mandou bem e Waiting for you transitam por vários estilos eletrônicos, como disco boogie, eletro clash, EDM, dub, synth pop e deep house.

Moska e Silva mergulham em canções do Clube da Esquina em 'Mar azul'

O carioca Moska e o capixaba Silva - vistos em fotos de Thiago Britto - integram o time de intérpretes que mergulham no cancioneiro dos compositores do Clube da Esquina na série Mar azul. Tributo aos sócios mais ilustres do clube fundado em Belo Horizonte (MG) em 1972, Mar azul - produção da Tocavídeos - vai arremessar na web, entre fim de outubro e início de novembro de 2014, dez vídeos com gravações inéditas de músicas de compositores do Clube da Esquina. Moska, por exemplo, dá voz e violão a Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges e Lô Borges, 2002). Silva revive Um girassol da cor de seu cabelo (Márcio Borges e Lô Borges, 1972) com mix de violões e programações. Já Dani Black refaz Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967). Maíra Freitas põe seu tempero em Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) enquanto Júlia Vargas - cantora carioca avalizada por Milton Nascimento - embarca em Canoa canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977). Filmados sob direção de Fernando Neumayer e Luís Martino, com fotografia de Thiago Britto, os dez vídeos de Mar azul vão estar disponíveis em breve no canal da Tocavídeos no YouTube.

Após Sobrado 112, Zé Vito se lança na carreira solo com CD 'Já carregou'

Músico paulista de Ribeirão Preto (SP), radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde os 19 anos de idade, o cantor, compositor e guitarrista Zé Vito iniciou sua militância na cena indie carioca com a formação do grupo Sobrado 112. Implodido o Sobrado 112 após três discos, o artista dá início à sua carreira individual com o lançamento do álbum Já carregou (Bolacha), gravado em 2013 e lançado neste ano de 2014. Músico da Abayomy Afrobeat Orquestra, Vito alinha em Já carregou dez inéditas autorais formatadas por Bruno Giorgi, Pedro Costa e pelo próprio Zé Vito. O trio assina a produção desse álbum em que o artista costura referências de bossa nova em Atriz (Zé Vito e Matheus Silva), une rap com blues na música-título Já carregou (Zé Vito, Matheus Silva, Eduardo Brechó e Bruno Barbosa), evoca esse tal de rock'n'roll em Lady não (Zé Vito e Matheus Silva) e cai no suingue carioca em Diplomático (Zé Vito). Mixado por Bruno Giorgi, o CD fecha com o tema instrumental João Benedito, (Zé Vito e Bruno Barbosa).

Banda Gram volta à cena, após sete anos, com edição do EP 'Outro seu'

Banda paulistana de rock que se formou em 2002, se dissolveu em 2007 e se reagrupou neste ano de 2014, Gram sedimenta sua volta à cena com a edição de EP, Outro seu, lançado hoje no iTunes via Sony Music. Com sete músicas (Sem saída, Toda dor do mundo, Condição, Sei, A manhã, Em dois de mim e Meu tom), o disco marca a entrada na banda do vocalista Ferraz, substituto de Sérgio Filho, que não aceitou o convite para voltar ao universo pop com a Gram.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Arantes vai gravar ao vivo em 2015 show com sinfônica e elenco 'all-star'

Projeto arquitetado por Guilherme Arantes desde 2013, o DVD comemorativo de seus 40 anos de carreira vai ser concretizado em 2015. A intenção do cantor, compositor e músico paulista - em foto de Pedro Matallo - é gravar ao vivo um show feito com orquestra sinfônica e um elenco all-star formado sobretudo com cantores que já gravaram músicas do compositor.

Rita e Jussara cantam Cardim, Caymmi e Paulinho no álbum 'Som e fúria'

 Abolerado samba-canção de autoria do compositor paulista Lúcio Cardim (1932 - 1982) que foi lançado em 1964 na voz do cantor carioca José Bispo Clementino dos Santos (1913 - 2008), o Jamelão, Matriz ou filial ganha as vozes de Jussara Silveira (à esquerda na foto de Ana Quintella) e Rita Benneditto. O registro foi feito pelas cantoras para Som e fúria, álbum produzido por Alê Siqueira e gravado em dupla pelas cantoras -   sob direção artística de José Miguel Wisnik - em caverna situada na Chapada Diamantina, no sertão da Bahia. Outras duas músicas de Som e fúria são os sambas Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970) e Maricotinha (Dorival Caymmi, 1994). Há também temas tradicionais como Saudação a Oxossi.

Zeca Baleiro lança 'single' 'Ai que saudade d'ocê' nas plataformas digitais

Canção que se tornou o maior sucesso da obra do compositor paraibano Vital Farias, Ai que saudade d'ocê - música lançada pelo autor no LP Sagas brasileiras (Lança / PolyGram, 1982) - ganhou a voz do cantor maranhense Zeca Baleiro em gravação propagada quase diariamente na trilha sonora da novela Império, exibida pela TV Globo às 21h. Tema romântico do casal formado por Cristina (Leandra Leal) e Vicente (Rafael Cardoso), o registro de Ai que saudade d'ocê com Baleiro está sendo lançado hoje - 29 de setembro de 2014 - pela gravadora Som Livre nas plataformas digitais. O single já está disponível para download e/ou para streaming.

Chega às lojas o DVD com registro integral do show dos 70 anos de Edu

Na sequência (não imediata) do CD ao vivo, lançado em julho de 2014, a gravadora Biscoito Fino pôs no mercado fonográfico, ao longo deste mês de setembro, o correspondente DVD Edu 70 anos. O DVD traz o registro (quase) integral do show comemorativo dos 70 anos do cantor e compositor carioca Edu Lobo. O quase fica por conta da supressão do (desencontrado) número coletivo que fechou o bis, encerrado com Corrida de jangada (Edu Lobo e José Carlos Capinam, 1967). Feito em 29 de agosto de 2013, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o show - cuja resenha de Notas Musicais pode ser lida aqui - teve participações de Bena Lobo, Chico Buarque, Maria Bethânia e Mônica Salmaso. No DVD, a música Pé de vento (Edu Lobo, 2010) está alocada como faixa-bônus. Eis, na ordem do DVD, as (27) músicas de Edu 70 anos:

1. Chegança (Edu Lobo e Oduvaldo Viana Filho, 1963)
2. Canção do amanhecer (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1963)
3. Zambi (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1963)
4. Upa, neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, 1967)
5. Cirandeiro (Edu Lobo e José Carlos Capinam, 1967) - com Maria Bethânia
6. Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto, 1967) - com Maria Bethânia
7. Zanzibar (Edu Lobo, 1970) - número instrumental
8. No cordão da saideira (Edu Lobo, 1967) - com Bena Lobo
9. Ponteio (Edu Lobo e José Carlos Capinam, 1967) - com Bena Lobo
10. Vento bravo (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, 1973)
11. O boto (Antonio Carlos Jobim e Jararaca, 1975)
12. O trenzinho do caipira (Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar, 1978)
13. Angu de caroço (Edu Lobo e Cacaso, 1980)
14. Ave rara (Edu Lobo e Aldir Blanc, 1993)
15. A história de Lily Braun (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983) - com Chico Buarque
16. Lábia (Edu Lobo e Chico Buarque, 2001) - com Chico Buarque
17. Choro bandido (Edu Lobo e Chico Buarque, 1985) - com Chico Buarque
18. Beatriz (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983)
19. Opereta do casamento (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983)
20. A mulher de cada porto (Edu Lobo e Chico Buarque, 1985) - com Mônica Salmaso
21. Coração cigano (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, 2010) - com Mônica Salmaso
22. Valsa brasileira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1988) - com Mônica Salmaso
23. Noite de verão (Edu Lobo e Chico Buarque, 2001)
24. Frevo diabo (Edu Lobo e Chico Buarque, 1988)
25. Na carreira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983) - com todos os convidados
26. Canto triste (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1967)
Faixa-bônus:

*   Pé de vento (Edu Lobo, 2010)

domingo, 28 de setembro de 2014

Elba registra dueto com Jeneci antes de gravar 'Cordas, Gonzaga e afins'

A foto de João Vicente (da Cria S/A) flagra Elba Ramalho com Marcelo Jeneci no palco da casa Chevrolet Hall, no Recife (PE). Em 24 de setembro de 2014, o cantor e compositor paulistano se encontrou com a cantora paraibana para registrar dueto com Elba na música inédita Gravitacional, de autoria de Jeneci. Na ocasião, Elba também registrou ao vivo a participação do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. Na noite do dia seguinte, 25 de setembro, a artista fez a gravação integral do show Cordas, Gonzaga e afins, idealizado pela produtora cultural Margot Rodrigues e dirigido por André Brasileiro. No espetáculo, que cruza referências das músicas erudita e popular a partir da obra do compositor pernambucano Luiz Gonzaga (1912 - 1989), Elba se junta ao grupo armorial SaGRAMA e ao quarteto de cordas Encore, ambos de Pernambuco. A gravação ao vivo do espetáculo vai dar origem a um CD/DVD.

Livro mostra a evolução das criaturas da noite carioca entre sons e tribos

Resenha do livro
Título: Rio cultura da noite - Uma história da noite carioca
Autores: Leo Feijó e Marcus Wagner
Editora: Casa da Palavra
Cotação: * * * *

Vocacionada para o posto de capital cultural do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro (RJ) sempre gerou trilhas sonoras fundamentais para a formação da personalidade musical do país. O mérito do ótimo livro Rio cultura da noite é traçar - com certo senso crítico - um painel histórico dos sons e tribos da noite do Rio ao longo dos últimos dois séculos. Tempo em que o Rio se urbanizou e se dividiu em tribos geralmente separadas por classes sociais. Os autores do livro, Leo Feijó e Marcus Wagner, são dois empresários com vocação para a boemia e para investir na cultura da noite - o que faz com que o livro apresente visão sem preconceito dessas tribos formadas por criaturas boêmias que prezam a noite (e que fazem e/ou ouvem a música propagada nessa noite). Noite que tem sua origem no Rio dos tempos imperiais. Aliás, o primeiro dos 11 capítulos de Rio cultura da noite tem importância documental porque, com base em pesquisa em jornais da época, Feijó e Wagner mostram como começou a se organizar uma cena noturna a partir da abertura de teatros, cafés-concerto e casas de chopps. De início, a noite do Rio seguiu o modelo europeu, mas logo ganhou ginga e som próprios. Sobretudo quando o samba ganhou vida e identidade a partir das rodas de batucada e capoeira armadas nos anos 1910 no centro da cidade, cuja noite começou a ficar efervescente - para os padrões da época - a partir dos anos 1920 com a abertura de cabarés (geralmente na Lapa, bairro boemio que volta a aparecer com força no fim do livro e do século XX), dancings e gafieiras. Através de suas 400 páginas, Rio cultura da noite lembra o apogeu dos cassinos - cujos palcos consagraram cantores até que o jogo foi proibido no Brasil em 1946 - e mostra como, a partir de 1946, a rota da boemia carioca se desviou progressivamente do centro do Rio para Copacabana, cenário de boates e cafés-soçaite que propagaram o samba-canção, a música dançante de instrumentistas como o pianista carioca Djalma Ferreira (1913 - 2004) e a bossa nova formatada por João Gilberto em 1958. Dessa cena e desse som, surgiria o sambalanço, trilha das boates dos anos 1960. Sempre seguindo a ordem cronológica dos fatos, os autores de Rio cultura da noite historiam o apogeu do ora revitalizado Beco das Garrafas (na segunda metade da década de 1960) e o surgimento dos bailes da pesada que deram fama, no Rio dos anos 1970, ao DJ paulista Newton Alvarenga Duarte (1943 - 1977) - o popular Big Boy - e que criaram a cena propícia para o Black Rio, movimento que ecoou na cidade o soul e o funk propagados nos Estados Unidos por cantores como James Brown (1933 - 2006). Vigorosa cena black que foi diluída (mas não extinta) pelo furacão da sedutora disco music, que arrastou tudo e todos na segunda metade dos anos 1970. Ao rememorar os dancin' days, os autores fazem justiça a Nelson Motta, compositor e jornalista que, na função de empresário, aboliu momentaneamente o preconceito de classe na noite carioca ao extinguir o couvert artístico e a consumação mínima para liberar a pista da pioneira Frenetic Dancin' Days - casa aberta por Motta em 1976 que serviu de plataforma para o lançamento do conjunto feminino As Frenéticas - para todos que se dispusessem a pagar o ingresso para soltar as feras na pista. Finda a era disco, surgiu nos anos 1980 a cena que o livro Rio cultura da noite rotula como new wave carioca. Foi a década das danceterias que tocavam o ensolarado rock ouvidos nas praias do Rio, mas também a década das boates de tom dark que serviram de laboratório para DJs que resistiriam às cenas e modismos da noite, como Felipe Venâncio e Zé Pedro. Vieram, então, os anos 1990, década em que boa parte das criaturas da noite aderiu às drogas e às músicas sintéticas nas raves. Nasceu a cultura clubber, que entrou pelos anos 2000 com festas temáticas atraentes sobretudo para o público GLS. E eis que, ao longo destes anos 2000, a Lapa retomou sua vocação boemia, revitalizada com a reabertura do Circo Voador (em 2004) e com as rodas de samba e choro armadas em bares e antiquários do bairro. É a cultura da noite do Rio, já pronta para ganhar novos capítulos neste livro convidativo a boemia.

Banda Vespas Mandarinas relança seu primeiro álbum no formato de vinil

Banda paulista de rock formada no fim dos anos 2000, Vespas Mandarinas vai ter relançado seu primeiro álbum - Animal nacional (Vigilante / Deck, 2013) - em formato de vinil de 180 gramas, fabricado pela Polysom e distribuído pela Deck. Nas lojas em outubro de 2014, o LP reproduz as mesmas 12 músicas do álbum do quarteto formado por Chuck Hipolitho (guitarra e voz), Thadeu Meneghini (guitarra e voz), Flavio Guarnieri (no baixo) e André Dea (na bateria).

Alice se arma em cena com hit do Abba, funk de Sullivan e samba inédito

Música lançada pelo grupo sueco ABBA em seu sétimo álbum, Super trouper (Polar Music, 1980), Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus) foi uma das boas surpresas apresentadas em 26 de setembro de 2014 pela cantora e compositora carioca Alice Caymmi na estreia nacional do show Rainha dos raios, no Bottle's Bar, uma das boates do revitalizado Beco das Garrafas, lendário point de shows no Rio de Janeiro (RJ) dos anos 1960. Indo além das nove músicas de seu recém-lançado segundo álbum, Rainha dos rádios (Joia Moderna, 2014), já cultuado pelas tribos mais antenadas, Alice - em foto de Rodrigo Goffredo - também apresentou samba inédito de sua autoria (Sangria), cantou funk pop da dupla Michael Sullivan & Paulo Massadas (Joga fora, sucesso nacional em 1986 na voz de Sandra de Sá), exercitou seu francês ao dar voz a uma chanson lançada em 1967 pela cantora e atriz Marie Laforêt (Mon amour, mon ami, de autoria dos compositores André Popp e Eddy Marney) e mostrou a capella a versão em português de Gloomy sunday (1936) que fez na noite anterior ao show. Propagada a partir de 1941 na voz da cantora norte-americana Billie Holiday (1915 - 1959), Gloomy sunday é a versão em inglês - escrita pelo letrista norte-americano Sam M. Lewis (1885 - 1959) - de sombria canção Szomorú vasárnap, composta em 1933 pelo pianista húngaro Rezső Seress (1899-1968). A versão de Alice preserva o sombrio tom original do tema.

Alicerçada pelo toque do baixo e dos computadores do homem-orquestra Diogo Strausz (produtor do disco Rainha dos raios), da guitarra de Gabriel Mayall e da bateria de Thiago Silva, Alice Caymmi reiterou em cena a forte personalidade musical posta em seu segundo consagrador álbum. Explorando todos os tons de sua voz quente, sobretudo ao entoar a valsa Antes de tudo (Alice Caymmi, 2014), a cantora mostrou toda a força que jazia na canção do Tono Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013), evocou Xuxa ao entrar na nave tecnopop dos anos 1980 que conduz Sou rebelde (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971, em versão em português de Paulo Coelho, 1978), expôs todo o soul que há no baladão romântico Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014), realçou a sedutora melodia do funk melody Princesa -  lançado pelo compositor carioca MC Marcinho no álbum Sempre solitário (Independente, 1998) - e simulou virilidade ao encarar Homem (Caetano Veloso, 2006) entre sons de dubstep e êxtases femininos. Eis o eclético roteiro seguido por Alice Caymmi em 26 de setembro de 2014 na estreia do show Rainha dos raios, no Bottle's Bar, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013)
2. Homem (Caetano Veloso, 2006)
3. Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971)
    (Versão em português de Paulo Coelho, 1978)
4. Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014)
5. Princesa (MC Marcinho, 1998)
6. Speak softly love (Nino Rota e Larry Kusik, 1972)
7. Meu mundo caiu (Maysa, 1958)
8. Mon amour, mon ami (André Popp e Eddy Marney, 1967)
9. Antes de tudo (Maysa, 2014)
10. Sangria (Alice Caymmi, 2014) - samba inédito em disco
11. Joga fora (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1986)
12. Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus, 1980)
13. Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989)
14. Domingo sombrio (Gloomy sunday) (Szomorú vasárnap) (Rezső Seress, 1933)
      (Versão em inglês de Sam M. Lewis, 1936)
      (Versão em português de Alice Caymmi, 2014)
15. Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972)
Bis:
16. Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971)
      (Versão em português de Paulo Coelho, 1978)
17. Joga fora (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1986)

sábado, 27 de setembro de 2014

Filme sobre Elza balança ao espelhar valentias e vaidades da 'Nega fênix'

Resenha de documentário musical
Título: My name is now, Elza Soares (Brasil, 2014)
Direção: Elizabete Martins Campos
Roteiro: Elizabete Martins Campos e Ricardo Alves Jr.
Cotação: * * * 1/2
Filme em exibição na edição de 2014 do Festival do Rio, no Rio de Janeiro (RJ)
Sessões de My name is now, Elza Soares no Festival do Rio:
* 28 de setembro de 2014, às 13h - Pavilhão do Festival
* 29 de setembro de 2014, às 14h15m e às 19h15m - São Luiz 4

Quatro anos após exibir Elza (2010), documentário sobre Elza Soares em que os diretores Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan deixaram que a música falasse pela cantora carioca, o Festival do Rio exibe outro filme sobre a artista. Em My name is now, Elza Soares, primeiro longa-metragem da cineasta mineira Elizabete Martins Campos, a Nega fênix - como Elza se autodenomina nos créditos iniciais do filme - toma a palavra. Ao focar a intérprete frente a frente com a câmera, como se essa câmera fosse um espelho imaginário, My name is now acaba refletindo valentias e vaidades de uma artista dura na queda, orgulhosa da própria (sobre)vivência. Ao apresentar o  filme em sessão de convidados do Festival do Rio, no fim da tarde de hoje (27 de setembro de 2014), Elza ressaltou que pediu à diretora - chamada por ela pelo apelido de Bebete - que o documentário falasse de vida e não de dor e sofrimento. Mas, como a dor parece ser a mola mestra que impulsiona Elza a lutar e a viver, o discurso acaba respingando no sofrimento recorrente na vida dessa mulher negra, pobre, que soube driblar humilhações e preconceitos ao longo de seus 84 (não assumidos) anos. Tanto que, perto do fim, o discurso de Elza já soa algo redundante. "A gente se fortalece e se esconde atrás dos aplausos", diz Elza já no início do filme, entre imagens difusas. Sem recorrer ao formato convencional dos documentários biográficos, geralmente roteirizados com mix protocolar de depoimentos e imagens de arquivo, My name is now foge dos clichês até o momento em que rolam os créditos finais, ao som da música intitulada Elza Soares (Itamar Assumpção, 2010). Mas o documentário não escapa do balanço que rege a vida e a música de Elza Soares, diretora musical do filme. My name is now cai no suingue embutido na voz privilegiada e resistente dessa cantora que se apresenta na tela como compositora, interpretando temas de sua própria lavra, casos do Samba triste - cantado a capella - e de Eu sou Elza. A Nega fênix sabe fazer seu jazz, como mostram os dois temas vocalizados intitulados Improviso I e Improviso II - um alocado no início, outro no fecho do roteiro. Aliás, mostrando segurança como diretora, Elizabete dá toda a voz do filme a Elza, mas não perde o fio da meada do roteiro assinado com Ricardo Alves Jr. e turbinado com alguns números musicais do show Arrepios (2009), feito por Elza com o violonista João de Aquino, gravado ao vivo em São Paulo (SP), mas nunca efetivamente lançado em CD ou DVD. Um desses números é Cobra cainana (João de Aquino e Hermínio Bello de Carvalho, 1978). Em My name is now, a música soa tão forte quanto as falas de Elza. "Choro também de alegria, mas continuo chorando de tristeza", ressalta a cantora, a certa altura do filme, com lágrimas nos olhos. Gritos uterinos são ouvidos em outra tomada, dando ao filme um contorno mais artístico, quase no limite da experimentação. Das imagens de arquivo, vale destacar o número em que Elza canta Brasil (Cazuza, Nilo Romero e George Israel, 1988) com sotaque americanizado. Um registro do pioneiro samba-canção Linda Flor (Ai, Iôiô) (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Cândido Costa e Marques Porto, 1929) ilustra as cenas que lembram, sem depoimentos, o ruidoso caso de amor da cantora com o jogador de futebol Manuel Francisco dos Santos (1933 - 1983), o Garrincha. A propósito, a morte do filho nascido dessa controvertida união, aos oito anos, é descrita por Elza como "momento de loucura" em sua vida, época em que a cantora subiu morro, se juntou a bandidos e cheirou cocaína - como a própria artista relata no depoimento aparentemente mais espontâneo e menos ensaiado do documentário. Enfim, My name is now, Elza Soares não vai surpreender quem já conhece razoavelmente bem a vida da artista. Mas tem seu mérito, tanto pela coesa forma cinematográfica quanto pela música cheia de valentia e suingue da vaidosa Nega fênix.

Mariana lança 'Desejo', álbum em que canta Caetano, Caymmi e Wisnik

Com (belíssima) capa criada a partir de foto de Cafi, o terceiro álbum solo da cantora carioca Mariana de Moraes, Desejo, vai ser lançado em outubro de 2014 pela gravadora Biscoito Fino. Produzido por Alê Siqueira, sob direção artística de José Miguel Wisnik, o disco foi gravado no estúdio Coaxo do Sapo (de Guilherme Arantes), na Bahia, no primeiro semestre de 2012. O CD Desejo alinha 13 faixas. Wisnik assina Assum branco (1994) - música da trilha sonora composta com Tom Zé para Parabelo, espetáculo do Grupo Corpo - e Cacilda (1997). Compositor recorrente no repertório pautado por regravações, Caetano Veloso é o autor da recente Morro, amor - parceria com Arnaldo Antunes, inédita quando gravada em 2012 por Mariana, mas depois registrada por Antunes em 2013 no álbum Disco - e das antigas Cá já (1976 - música lançada por Fafá de Belém no álbum Tamba Tajá) e Flor do Cerrado (1974 - música lançada por Gal Costa no álbum Cantar). Outras músicas de Desejo são A mãe d'água e a menina (Dorival Caymmi, 1985), Vai e vem (Amor de Carnaval) (Guilherme Arantes e Nelson Motta, 2007), Veleiro azul (Luiz Melodia e Rúbia, 1976) e Engomadinho (Pedro Caetano e Claudionor Cruz), samba lançado em 1942 na voz da cantora carioca Aracy de Almeida (1914 - 1988). Em Desejo, Mariana de Moraes também dá voz a Motivos reais banais, música feita por Adriana Calcanhotto a partir de versos do poeta e compositor Waly Salomão (1943 - 2003). A música era inédita na época em que Mariana gravou Desejo, mas, entre a gravação e a edição do disco, foi registrada por Calcanhotto no CD e DVD Olhos de onda (Sony Music, 2014).

Joyce Cândido requenta 'Bom e velho samba novo' em DVD que traz Elza

Em 2011, de volta ao Brasil após anos radicada nos Estados Unidos, a cantora paulista Joyce Cândido retomou sua carreira fonográfica - iniciada em 2006, em Londrina (PR), com a gravação de seu primeiro CD, Panapaná - e lançou seu segundo álbum, O bom e velho samba novo, via Biscoito Fino. Três anos depois, a artista lança seu primeiro registro ao vivo de show em DVD também intitulado O bom e velho samba novo. Produtor do disco de 2011, Alceu Maia assina os arranjos, a produção e a direção musical do DVD editado pela Warner Music neste mês de setembro de 2014. Além da gravação ao vivo realizada em show feito pela cantora no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro (RJ), o DVD traz cinco números captados no estúdio Visom Digital. Nestes números, Joyce Cândido faz duetos com o cantor e compositor carioca João Bosco no samba O rancho da goiabada (João Bosco e Aldir Blanc, 1977) e com o compositor mineiro Toninho Geraes em Giramundo, parceria de Geraes com o compositor paraense Toninho Nascimento, parceiro de Romildo em sambas que se tornaram sucessos na voz de Clara Nunes (1942 - 1983) na década de 1970. No show, a cantora deu voz às músicas do álbum de 2011 e recebeu Elza Soares para dueto em Espumas ao vento (Accioly Neto, 1997).

Terceiro álbum solo de Pipo emerge com Catto sob a direção de Romulo

Cantor, compositor e músico paulistano que iniciou sua carreira musical em 2005 como integrante do grupo Q'Saliva, Pipo Pegoraro lança seu terceiro álbum solo, Mergulhar mergulhei, com dez inéditas de sua lavra. Produzido pelo próprio Pipo sob a direção artística de Romulo Fróes, o disco emerge no mercado via YB Music, sucedendo os álbuns Intro (Independente, 2008) e Táxi imã (YB Music, 2011). Paralelamente ao trabalho com a banda Aláfia, integrada por Pipo desde 2012, o artista divulga Mergulhar mergulhei, disco que flerta com a MPB e com o jazz, tendo sido gravado com as vozes adicionais de cantores como Filipe Catto e Xênia França. Catto e Xênia - vocalista da banda Aláfia - são os convidados da faixa Indecifrável, parceria de Pipo com Romulo Fróes, que canta Pra continuar, outra parceria sua com o artista. Já Luz Marina solta a voz em O que só cabe em nós, música assinada por Pipo com o poeta arrudA, de cuja letra foi extraída o título do disco. Sob a regência de Marcelo Cabral (Metá Metá), o quarteto de cordas Alma Negra emoldura as faixas Aiye e Sabão de coco.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Álbum 'Roendopinho' prova que Guinga se basta com seu violão especial

Resenha de CD
Título: Roendopinho
Artista: Guinga
Gravadora: Acoustic Music Records / Rough Trade
Cotação: * * * * 1/2

Cheio de dedos, Guinga caracteriza como "nada especial" o toque de seu violão. Modéstia do cantor, compositor e violonista carioca! Álbum gravado na Alemanha para o selo Acoustic Music Records e lançado no mercado europeu em agosto de 2014, com distribuição do selo Rough Trade, Roendopinho prova que, além de (muito) especial, o toque do violão de Guinga é autossuficiente, capaz de evidenciar - sozinho ou eventualmente acoplado ao assovio que ajuda a formatar Ellingtoniana (Guinga, 2012) ou aos vocalises feitos pelo artista na gravação de Cambono (Guinga e Thiago Amud, 2013) - toda a maestria do cancioneiro do compositor. Nascido no subúrbio de Madureira, terra do samba do Rio de Janeiro (RJ), Guinga embute sua alma e seu delírio cariocas nas músicas que compõe. A raiz carioca da música de Guinga brota em temas como Igreja da Penha (Carta de pedra) (Guinga, 1996) e o choro Picotado (Guinga, 1996). Mas Roendopinho - álbum solo de título engenhosamente construído com a justaposição do gerúndio do verbo roer com a palavra pinho (madeira usada para a construção do violão) - evidencia também a universalidade de um cancioneiro de raro requinte harmônico, inspirado tanto pelos choros cariocas quanto pelas valsas de origem europeia que ajudaram a compor a trilha sonora do Rio antigo. Sem fronteiras, a obra de Guinga pode incorporar também um lamento bluesy como o entranhado no Funeral de Billie Holiday (Guinga, 2014). Em Roendopinho, disco gravado de 7 a 9 de abril de 2014 em estúdio da cidade alemã de Osnabrück, essa obra derruba muros e fronteiras, reiterando a genialidade de Guinga no ofício da composição. A sós com seu violão, Guinga rebobina temas como Anjo de candura (Guinga, 2010) e Cheio de dedos (Guinga, 1996), expondo os caminhos sinuosos de sua música de complexa arquitetura harmônica. Obra que também abarca referências da música clássica, reverberando ecos do cancioneiro soberano do compositor e maestro carioca Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959). A propósito, Roendopinho remete ao álbum Casa de Villa (Biscoito Fino, 2007) porque neste disco, editado há sete anos no Brasil, Guinga também priorizou o violão, embora não de forma totalitária - o que faz com que Roendopinho seja caracterizado pelo artista como seu primeiro disco solo. Neste sofisticado solo, os vocais (sem letras) embutidos nas músicas Pucciniana (Guinga, 2014) - tema inspirado pela obra do compositor italiano Giácomo Puccini (1858 - 1924) - e Lendas brasileiras (Guinga e Aldir Blanc, 1991) mostram que o canto de Guinga também é especial por evocar toda a força musical de um passado já bem remoto. Passado que ecoa no tempo presente através dessa obra magistral ora rebobinada no álbum Roendopinho com maestria, embora com baixo teor de novidade para quem já está imerso no universo musical de Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, o Guinga, o dono de violão especial.

Obra de Falcão ganha a voz de Grova em álbum arranjado por Cristóvão

Cinco meses após ter lançado o álbum Nas asas dos bordões (Sala de Som, 2014), Fred Falcão - compositor pernambucano radicado no Rio de Janeiro (RJ) - prepara outro CD autoral. Desta vez, o cancioneiro de Falcão ganha a voz da cantora carioca Clarisse Grova. Os arranjos são do pianista e maestro Cristóvão Bastos - ora visto com Falcão na foto postada no facebook.

Meirelles compila 12 fonogramas para celebrar cinco décadas de música

Aos 70 anos de vida, recém-festejados no dia 11 deste mês de setembro de 2014, o baterista, compositor e arranjador mineiro Pascoal Meirelles já completa cinco décadas de atividade profissional no mundo da música. A comemoração está sendo feita com a edição do CD "50", coletânea que compila 12 fonogramas lançados originalmente pelo músico entre 1981 e 2013. As gravações foram selecionadas e masterizadas por Ugo Marota e pelo próprio Meirelles entre janeiro e abril de 2014. A seleção é formada somente por fonogramas de músicas compostas e arranjadas por Meirelles. Entre eles, há Considerações a respeito - tema que deu título ao primeiro álbum solo do músico, lançado em 1981 - e a Suíte 1982, do posterior Tambá (Vento de Raio, 1985), álbum do qual "50" também rebobina a faixa-título. Composição feita em tributo ao maestro Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), com quem Meirelles gravou em Nova York (EUA) em 1979, Tom é fonograma do terceiro álbum solo do baterista, Anna (Som da Gente, 1988). Já Paula e Espero sambando são faixas lançadas no álbum Paula (CID, 1990). Integrante do grupo Cama de Gato, Meirelles celebra sua passagem pelo quarteto através de Caribé's dream, música gravada pelo Cama em seu quarto álbum, Dança da lua (Line Records, 1993). Com texto de Mauro Senise na contracapa interna, "50" chega ao mercado fonográfico em edição independente, vendida pelo artista no seu facebook.

Sob regência de Chailly, Freire toca Beethoven em CD editado via Decca

O pianista mineiro Nelson Freire tinha apenas doze anos quando tocou pela primeira vez o concerto para piano denominado Emperor, uma das últimas obras do compositor polonês Ludwig Van Beethoven (1770 - 1887). Decorridos quase seis décadas, Freire - já a caminho dos 70 anos, a serem completados em 18 de outubro de 2014, e já aclamado mundialmente no universo da música clássica - registra o Piano concerto 5 Emperor em disco que também traz gravação da Piano sonata nº 32 in C minor, op. 111, outra das derradeiras obras do genial Beethoven. No álbum, lançado em escala mundial pela gravadora Decca neste mês de setembro de 2014, Freire toca os dois temas - o último concerto e a última sonata de Beethoven - ao lado da orquestra Gewandhausorchester, sob a regência do maestro italiano Riccardo Chailly.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ana remarca gravação ao vivo do show '#AC' para outubro em São Paulo

Ana Carolina já agendou a gravação ao vivo do show #AC. Previsto de início para ser feito em 9 de agosto de 2014, no Rio de Janeiro (RJ), o registro do show dirigido por Monique Gardenberg vai ser feito em 25 de outubro de 2014, em apresentação na casa Credicard Hall, em São Paulo (SP), para dar origem a CD ao vivo e DVD a serem editados pelo selo Armazém com distribuição da gravadora Sony  Music. No show,  a cantora - em foto de Leo Aversa - dá voz a Coração selvagem (Belchior, 1977) em interpretação que arrebata o público. E por falar em arrebatamento, Ana foi ovacionada na noite de ontem, 24 de setembro de 2014, ao cantar Sangrando (Gonzaguinha, 1980) em gravação do programa Globo de ouro, feita para o canal Viva no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ). O programa vai ao ar em novembro.

Banda carioca Planar lança seu primeiro álbum, 'Invasão', após dois EPs

Banda de pop rock que milita na cena indie carioca, Planar lança por via independente seu primeiro álbum, Invasão, por ora encontrável somente em edição digital já disponibilizada para download gratuito no site oficial do trio formado por Leonardo Braga (voz, guitarra e composição), Leonardo Chapolin Villela (baixo) e Ivan Roichman (bateria). Sucessor dos EPs digitais Planar (Sony Music, 2010) e Tanto mar (Sony Music, 2013), Invasão foi gravado no Rio de Janeiro (RJ) no estúdio caseiro de Patrick Laplan, produtor do EP de 2013 e do álbum editado neste mês de setembro de 2014. Das onze músicas autorais que compõem o repertório de Invasão, três - Café, Tanto mar e 2012 - já faziam parte do EP Tanto mar, tendo sido regravadas para o álbum. As oito restantes são inéditas. A saber: o álbum traz Nossa invasão, Trens, Aqui de cima, Salão de festasVendaval, Conversa debaixo d'água, Acidental e Calma.

Livro flagra Zeca Baleiro em ponto de bala ao abordar questões musicais

Resenha de livro
Título: A rede idiota e outros textos
Autor: Zeca Baleiro
Editora: Reformatório
Cotação: * * * *

Além de afinada, a escrita de Zeca Baleiro é sagaz e por vezes irônica como o cancioneiro autoral desse cantor e compositor maranhense revelado em 1997. Ao escrever textos para jornais e revistas, o artista se revelou hábil cronista no enfoque de questões musicais e também de assuntos não necessariamente relacionados ao universo pop. O terceiro livro de Baleiro, A rede idiota e outros textos, descende da nobre linhagem coloquial do primeiro lançamento do artista no mercado editorial, Bala na agulha (reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras) (Ponto de Bala, 2010), centrado nos textos publicados por Baleiro em seu blog. É como se estivesse conversando no bar que Baleiro toca nas relevantes questões musicais abordadas em A rede idiota e outros textos, livro que reúne crônicas escritas entre 2008 e 2013 para a coluna Última palavra, da revista Isto é, e textos escritos para o blog Questões musicais, da revista Piauí. Há também textos diversos como o que escreveu - com sensibilidade e conhecimento de causa - sobre Chorão para o jornal O globo por ocasião da morte de Alexandre Magno Abrão (9 de abril de 1970 - 5 de março de 2013), o compositor e vocalista da banda paulista Charlie Brown Jr., objeto de amor e ódio na rede. Na contramão do hype, Baleiro demole certezas propagadas com falsas convicções na web e se revela um pensador com luz própria, capaz tanto de iluminar uma visão sobre Waldick Soriano (1933 - 2008) como de qualificar os tipos de críticos musicais em texto hilário e certeiro. Os treze textos do blog Questões musicais são especialmente interessantes porque, sem perder a fluência típica de um papo de bar, Baleiro consegue refletir sobre tópicos fundamentais da música brasileira. No perspicaz texto O marketing dos movimentos, o artista questiona a espontaneidade de movimentos como o Mangue Beat, evidenciando a afinada orquestração de ações entre artistas e mídia na propagação desses movimentos. Em Poetas da canção, Baleiro ressalta o anonimato a que estão confinados compositores restritos a função de letristas de músicas quase nunca associadas às suas imagens sem rostos públicos. Aliás, nos dois volumes de Versão brasileira, Baleiro exalta compositores que verteram músicas estrangeiras para o português com maestria, a ponto de criar versões superiores às letras originais. Enfim, dentro ou fora do âmbito musical, a conversa flui nas crônicas de Zeca Baleiro, escritor em ponto de bala, como ressalta Chico César no prefácio e como comprova A rede idiota e outros textos.

Molejo antecipa comemoração de seus 25 anos em DVD sem Andrezinho

A rigor, o Molejo - grupo de pagode formado em 1991 no Rio de Janeiro (RJ) - tem 23 anos de vida. Contudo, para efeitos mercadológicos, o Molejo já está fazendo redondos 25 anos. A comemoração antecipada das duas décadas e meia de carreira é o mote do DVD Molejo 25 anos - #obailesemparar, recém-lançado pela gravadora Sony Music. Sucesso nos anos 1990, década em que o pagode projetou grupos como Raça Negra e Só pra Contrariar, o Molejo revisa sua trajetória em show feito em clima de baile e gravado ao vivo. A diferença é que os vocalistas Andrezinho e Anderson Leonardo não dividem mais o microfone. Embora já tenha feito as pazes recentemente com Anderson, Andrezinho permanece fora do grupo. Cabe a Anderson Leonardo comandar o roteiro de 43 números, apresentado pelo Molejo com a adesão de vasto time de convidados. Entram em cena grupos e cantores de pagode como Bom Gosto (em Caçamba, primeiro hit do Molejo), Pique Novo (em Pensamento verde), Nosso Sentimento (em Cilada), Imaginasamba (em Doidinha por meu samba), Revelação (em De Sampa a São Luís e em Pular por cima da dor), Belo (em Ah! moleque e em Amor estou sofrendo) e Mumuzinho (em Voltei). Mas também há convidados oriundos dos universos do funk - como MC Bola (em A bruxa está solta) e MC Ludmilla (no medley que agrega Polivalência e Fala mal de mim) e do axé, caso de Léo Santana, convidado de Deboche. O roteiro do baile-show inclui pot-pourri com sucessos do cantor norte-americano Michael Jackson (1958 - 2009), além de hits inevitáveis em apresentações do Molejo, casos de Brincadeira de criança e Dança da vassoura.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

'Romeo', balada do álbum roqueiro de Pethit, roda por (bela) via marginal

Resenha de single / clipe
Título da música: Romeo (Thiago Pethit e Hélio Flanders)
Artista: Thiago Pethit
Álbum: Rock'n'roll sugar darling (previsto para novembro de 2014)
Cotação: * * * *

Thiago Pethit tem se movimentado à margem, nos limites. Romeo - primeiro single do terceiro álbum do artista paulistano, Rock'n'roll sugar darling, previsto para ser lançado em novembro de 2014 - transita por essa estrada marginal em road-clipe que iniciou sua caminhada virtual nesta quarta-feira, 24 de setembro de 2014. Romeo, a música, é bela bissexta balada do álbum supostamente mais roqueiro desse cantor e compositor que ascendeu no universo pop com seu segundo álbum, Estrela decadente (Independente, 2012). Com letra bilíngue que incorpora versos em inglês em sua segunda metade, a sedutora canção Romeo é parceria de Pethit com Hélio Flanders. Os parceiros reeditam a inspiração de Forasteiro (2010) e de Devil in me (2012) em Romeo, música gravada em clima de western que se afina com o tom indie do road-vídeo filmado em  Los Angeles (EUA) e protagonizado pelos atores Lucas Veríssimo e Maria Laura Nogueira, intérpretes de um casal que vive perigosamente um amor passional e bandido a reboque de um carro conversível que passa pelas ruas de Venice, pelas montanhas de Malibu e pelo deserto de Palmdale. Roteirizado pelo próprio Thiago Pethit com Rafael Barion, o clipe de Romeo - filmado sob a direção de Rafaela Carvalho - alude aos casais marginais de filmes cults norte-americanos como Coração selvagem (David Lynch, 1990) e Assassinos por natureza (Oliver Stone, 1994) com direito a cenas de sexo, já uma marca registrada dos vídeos da obra musical de Pethit. É difícil deixar de seguir Romeo no YouTube. Disponível para download gratuito no site oficial de Pethit, a ótima música tem cacife para pavimentar uma longa estrada de sucesso (marginal) para o vindouro terceiro álbum do artista.

Roberta canta Roberto em CD com adesão de Dudu Braga, o filho do 'Rei'

Cantora e compositora paraibana projetada no universo sertanejo, na segunda metade dos anos 1980, Roberta Miranda entra para o reduzido time de intérpretes autorizados a gravar um disco somente com músicas de Roberto Carlos. O CD Roberta canta Roberto chega ao mercado fonográfico no fim deste mês de setembro de 2014 em edição da gravadora Som Livre. Do repertório selecionado pela cantora, Roberto vetou somente uma música - Você não sabe (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1983) - por razão ignorada. Detalhe: o filho do cantor e compositor capixaba, Dudu Braga, participa do disco no rock Quando (Roberto Carlos, 1967), gravado com o toque do grupo RC na Veia. Eis as (12) músicas do CD Roberta canta Roberto:

1. As canções que você fez pra mim (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)
2. Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982)
3. O show já terminou (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)
4. Quando eu quero falar com Deus (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1995)
5. Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967)
6. Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)
7. A distância (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972)
8. Do fundo do meu coração (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1986)
9. Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)
10. Eu te darei o céu (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966)
11. Nossa Senhora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1993)
12. Quando (Roberto Carlos, 1967) - com Dudu Braga e RC na Veia

15º Grammy Latino indica Caetano, mas minimiza cada vez mais o Brasil

Editorial - A cada edição, o júri do Grammy Latino minimiza mais a produção fonográfica brasileira. Divulgada hoje, 24 de setembro de 2014, a lista de indicados à 15ª edição da premiação inclui indicações para Caetano Veloso (concorrente na categoria Canção do ano com A bossa nova é foda, música do álbum Abraçaço), para Moreno Veloso (no páreo pelo troféu de Produtor do ano por conta da formatação dos álbuns Gilbertos Samba e Multishow ao vivo Caetano Veloso Abraçaço) e para instrumentistas (Antonio Adolfo, Hamilton de Holanda e Yamandú Costa) em categorias gerais. Contudo, a dupla indicação dos artistas baianos e a tripla indicação dos instrumentistas não conseguem disfarçar o fato incômodo de a produção fonográfica brasileira ter sido praticamente ignorada pelos jurados do 15º Grammy Latino na votação das categorias gerais. Afinal, não há sequer um disco brasileiro entre os dez títulos concorrentes ao prêmio de Álbum do ano. Tampouco há um fonograma nacional entre os dez indicados ao troféu de Gravação do ano. Descontadas as nomeações de Caetano Veloso e Moreno Veloso, ambos com poucas chances de vitória, a produção fonográfica nacional somente está bem representada na categoria Melhor álbum instrumental. Dos cinco álbuns indicados na categoria, três - Caprichos (do bandolinista carioca Hamilton de Holanda), Continente (do violonista gaúcho Yamandú Costa) e O piano de Antonio Adolfo (do pianista carioca Antonio Adolfo) - são brasileiros, o que indica supremacia do Brasil no gênero. No mais, a produção fonográfica do Brasil continua restrita ao seu nicho específico: as categorias dedicadas exclusivamente aos artistas brasileiros. As indicações nessas categorias podem até ser alardeadas por alguns artistas ávidos de status, mas não têm peso numa premiação já em si pouco relevante. O Grammy Latino existe apenas para disfarçar o fato de que a indústria fonográfica dos Estados Unidos - criadora do Grammy - mal olha para a produção fonográfica da América Latina. Seja como for, os vencedores da 15º edição do Grammy Latino serão conhecidos em 20 de novembro em cerimônia na MGM Gran Garden Arena em Las Vegas (EUA).

'Porta aberta' mostra som de 'Mistério', álbum que Belo lança em outubro

Já disponível para download gratuito e legalizado, a música Porta aberta é o primeiro single do álbum que o cantor paulista Belo vai lançar em outubro de 2014 via Sony Music. Lançada nas rádios e no YouTube, Porta aberta é samba de autoria de Umberto Tavares e Jefferson Jr. - compositores ligados ao pagode e ao funk - que remete à levada de hits de Belo nos anos 1990.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Música do segundo álbum de Silva, 'Janeiro' ganha cinco versões em EP

Janeiro (Lúcio Silva de Souza e Lucas Silva) - uma das melhores músicas do (irregular) segundo álbum de Silva, Vista pro mar (Slap / Som Livre, 2014) - ganha cinco versões bem diferentes da gravação original. As cinco versões estão reunidas no EP Janeiro, lançado ontem, 22 de setembro de 2014, nas plataformas digitais de venda e streaming via selo Slap. As três primeiras faixas do EP de Silva são versões em inglês da música, traduzida literalmente como January nessa versão, ouvida no registro original em inglês e em dois remixes. As duas faixas restantes do EP são remixes da gravação em português de Janeiro. Eis, na ordem, as cinco faixas de Janeiro, EP que, diferentemente do álbum Vista pro mar, não ganha edição física:

1. January
2. January (Teen Daze remix)
3. January (Marbeya sound headphone mix)
4. Janeiro (Cosmic Kids remix )
5. Janeiro (Marbeya sound loud mix )

Ana Lonardi finaliza álbum em que abre parceria com Roberto Menescal

Cantora gaúcha que concorreu na segunda temporada do programa The Voice Brasil, Ana Lonardi finaliza seu primeiro álbum. Uma das músicas do disco, Por querer, traz o violão de Roberto Menescal, parceiro de Lonardi na composição, assinada também pelo poeta gaúcho (radicado no Rio de Janeiro) Allan Dias Castro. A foto acima flagra a cantora com Menescal no estúdio Albatroz, no Rio de Janeiro (RJ), durante a produção da faixa desse álbum que, na discografia da intérprete, sucede single promocional gravado com as músicas Chocolate (Ana Lonardi e Márcio Falcão) e Sexyantagonista (Ana Lonardi) e posto à venda em Porto Alegre-RS.

Bibi grava ao vivo em outubro show em que canta o repertório de Sinatra

Aos 92 anos, a atriz e cantora carioca Bibi Ferreira continua em plena atividade profissional. Embora ainda não tenha lançado o DVD do show comemorativo de seus 90 anos, Bibi - Histórias e canções (2012), gravado em Belo Horizonte (MG) em março de 2013, a artista já se prepara para fazer outro registro ao vivo de show. Em cartaz até 7 de dezembro de 2014 no Teatro Renaissance, em São Paulo (SP), o show Bibi Ferreira canta o repertório de Sinatra - feito pela intérprete com orquestra, sob a direção musical de Flávio Mendes - vai ser gravado ao vivo em outubro de 2014 para edição de CD e DVD a serem editados em 2015 pela gravadora Biscoito Fino. Como o título do espetáculo já explicita, Bibi - em foto de Rodrigo Goffredo - interpreta músicas consagradas na voz do cantor norte-americano Frank Sinatra (1915 - 1998). A cantora dá voz a standards como Fly me to the moon (Bart Howard, 1954) e My way (1969), a versão em inglês - escrita por Paul Anka - da canção francesa Comme d'habitude (Claude François e Jacques Revaux, 1967). O lançamento do DVD - previsto para ser editado também nos Estados Unidos - vai coincidir com as comemorações pelo centenário de nascimento de Sinatra, a referência máxima de canto masculino no universo norte-americano.

'Trem' já circula no trilho virtual para promover 'Sol-te', álbum do Suricato

Música gravada com a pegada do blues, Trem já circula pelos trilhos virtuais como primeiro single do segundo álbum do grupo carioca Suricato, Sol-te. Sucessor do álbum Pra sempre primavera (Independente, 2012), Sol-te tem lançamento programado para outubro de 2014 pelo selo Slap - braço indie da gravadora Som Livre - e alinha no repertório músicas inéditas como Bobagens. O Suricato está em evidência desde que disputou o reality show Superstar, exibido pela TV Globo neste ano de 2014. A música Trem, aliás, foi apresentada em primeira mão no programa, sendo bem recebida pelo público global. Com a palavra, Rodrigo Suricato, o  vocalista do grupo e compositor de Trem, música feita em português com refrão em inglês:

"Ter uma canção com elementos tão fortes do blues se afirmando como canção popular brasileira, com cartas de boas vindas entre tantos estilos já tão populares, é um privilégio. Ouvimos isso da rainha do axé, Ivete Sangalo, reafirmando nossa ideia de que músicas com elementos diferentes como a nossa podem ser populares, sim. Nada é tão complexo como bossa nova, jazz e música clássica e todas já foram em algum momento unanimidade para as massas. Pois música não é para ser entendida mas sentida. Pedi para alguns artistas colocarem letra e, na negativa, acabei fazendo eu mesmo. O Gui Schwab sugeriu um refrão em inglês. Por que não, se já misturamos tudo como autênticos brasileiros? A ideia de constante movimento de um trem, aceitar a beleza do chegar e partir da vida foi o cenário perfeito para a canção.” Rodrigo Suricato