sábado, 20 de dezembro de 2014

Com Simoninha, Sabiá (re)cai no sambalanço no CD 'Nossa Copacabana'

Cantor e compositor carioca que obteve projeção há dez anos ao participar da terceira edição do reality musical Fama, exibida pela TV Globo em 2004, João Sabiá (re)cai no sambalanço em seu terceiro álbum, Nossa Copacabana, lançado pela gravadora Coqueiro Verde Records. No disco, produzido pelo próprio Sabiá com Fred Ferreira, o artista apresenta safra inédita e autoral que gravita em torno do universo carioca - Copacabana é o bairro onde Sabiá nasceu - e do balanço do samba tal como propagado em vozes de Orlandivo e Wilson Simonal (1938 - 2000). A maioria das músicas é assinada por João em parceria com Guiga Sabiá, casos de Biriba, Brigada com Deus, Carne de sol, Ô Solange e Dona Diva e Seu Odilon (destaque do repertório com seu clima de gafieira). Guiga é irmão de João e figura fundamental neste disco de tom familiar, cuja capa expõe foto de João ainda pequeno, levantado pelos braços de seu pai na orla de Copacabana. Sucessor de My black, my nega (Independente, 2010), Nossa Copacabana foi gravado com participação do cantor e compositor carioca (radicado na cidade de São Paulo) Wilson Simominha, convidado do samba Manéra (João Sabiá e Guiga Sabiá). O álbum Nossa Copacabana alinha dez músicas.

Retrô 2014: Malta, banda tornada 'superstar', é sucesso em todo o Brasil

Retrospectiva 2014 - A crítica não gostou, mas o público adorou. Banda paulistana de pop rock projetada em escala nacional no reality show Superstar (TV Globo), do qual se sagrou vencedora em julho, Malta sai de 2014 consagrada como um dos grandes sucessos musicais do ano. Indício da popularidade do grupo formado em setembro de 2013 em São Paulo (SP), a vitória esmagadora de Adriano Daga (bateria), Bruno Boncini (voz), Diego Lopes (baixo) e Thor Moraes (guitarra) no programa - exibido pela TV Globo de abril a julho de 2014 - rendeu ao quarteto um contrato com a gravadora Som Livre. E a azeitada máquina global produziu mais um superstar. Parte do público que deu a Malta o campeonato no Superstar com 74% dos votos já deve ter comprado o primeiro álbum da banda. Lançado em setembro, o CD Supernova movimentou cifras raras em tempos de pirataria física e virtual, fazendo a Som Livre pôr nas lojas mais de 200 mil cópias do disco em apenas quatro meses. Shows lotados por todo o Brasil e um single na boca do povo - Diz pra mim (Bruno Boncini), balada estrategicamente incluída na trilha sonora da novela Alto astral, da TV Globo - coroaram um ano que vai se tornar inesquecível na história (por ora meteórica) da Malta.

Vid brilha ao subverter dez temas de Chico para o idioma do rock pesado

Resenha de álbum digital
Título: Rock 'n Chico
Artista: Sergio Vid
Gravadora: Edição digital independente
Cotação: * * * 1/2

 O cancioneiro de Chico Buarque nunca foi regravado com o peso que Sergio Vid dá às dez músicas do compositor carioca recriadas no disco Rock 'n Chico, recém-lançado em formato digital. É um peso literal. Vid (sub)verte as composições - lançadas entre 1968 e 1989 - para o inglês e para o idioma do rock pesado. Neste que é seu melhor disco, Vid vai além do trivial. Em bom português, Vid jamais se limitou a fazer sobressair uma guitarra no arranjo para dar mera pegada roqueira às músicas de Chico. A transformação é radical, mas encanta porque Vid preserva a arquitetura melódica das músicas, sobretudo às das canções. Mulheres de Atenas (Chico Buarque e Augusto Boal, 1976), por exemplo, vira balada à moda do grupo inglês Led Zeppelin com o título de Women of Athens. Olhos nos olhos (1976) gera Eye to eye no registro que remete ao som do trio canadense Rush. Já Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) fica sombria e com o título Portrait in black and white. O cancioneiro soberano de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) nunca soou tão dark. Mas o que cativa em Rock 'n Chico é que houve respeito pela obra do compositor. Em atividade na cena roqueira nacional desde o fim dos anos 1970, década em que foi admitido pelo guitarrista Celso Blues Boy (1956 - 2012) como vocalista da banda Legião Estrangeira, Vid (sub)verte Chico sem que sua desconstrução torne irreconhecível o cancioneiro do artista. Todo ouvinte vai identificar de imediato que I forgive you é Mil perdões (1983), por exemplo. Essa habilidade de desconstruir sem destruir é que torna sedutor esse projeto coerente com a trajetória de um roqueiro carioca que fez sua história ao longo da década de 1980, tendo integrado as bandas Sangue da Cidade (de 1981 a 1983), Bixo da Seda e Vid & Sangue Azul (com a qual sobreviveu aos anos 1990). Surgida em 1999, quando Vid gravou Hino de Duran (1979) em tom pauleira para songbook dedicado à obra de Chico, a ideia de Rock 'n Chico começou a ser concretizada em 2007. Sete anos depois, Vid apresenta este disco em que brilha, inclusive por preservar o sentido original das letras de Chico nas criteriosas versões em inglês. Cálice (Gilberto Gil e Chico Buarque, 1973), por exemplo, se transforma em Grail com naturalidade para uma música já em si imponente e que já tem todo um peso entranhado em sua natureza contestatória. De modo geral, as canções se prestam mais às subversões para o idioma do hard rock. Já o samba Partido alto (1972), por exemplo, parece soar fora do tom e da ordem na versão intitulada If you konw who you are, embora a letra em inglês seja respeitosa. Brejo da cruz (1984), que virou Swamp of the Cross, também perdeu parte de sua força neste disco produzido e arranjado por PH Castanheira (baixo, teclados e Hammond) com Ricardo Marins (guitarra, violão e Hammond). Assim como desaba a beleza harmônica de Morro Dois Irmãos (1989), apresentada como Two brothers hill. Em contrapartida, é impressionante como Deus lhe pague (1971) - vertida para o inglês com o título (May) God reward you - se enquadra com naturalidade na moldura do hard rock. A raiva embutida em seus versos já tem um peso todo próprio. No ano em que o Brasil celebra os 70 anos de vida do compositor, Sergio Vid expande o horizonte dessa obra ao abordar o cancioneiro de Chico Buarque sob um prisma realmente original.

Alagoana, Wilma Araújo cai no samba em álbum de toques nordestinos

"Não uso chapéu de couro / Mas arrasto a sandália / No bom solo do sertão / Ouvindo o rei do baião / Mas quando a lua me chama / Sinto o corpo todo balançar / Sou nordestina faceira / Eu sei forrozar, mas também sei sambar", avisa a alagoana Wilma Araújo, expandindo seu território musical além das fronteiras nordestinas, em versos de Chamou, chamou (Carmem Melo), samba com toque de baião que se destaca no repertório de seu terceiro álbum solo, Feliz de quem se dá por inteiro (Independente, 2014). Wilma é cantora já conhecida em Maceió (AL), mas gravou seu terceiro CD no Recife (PE) de maio de 2012 a agosto de 2013, sob a direção musical do violonista Jorge Simas, produtor e arranjador do disco. Curiosamente, os dois frevos do disco - De chapéu de sol aberto (Capiba, 1972) e Ponta de lápis (Roberto Barbosa e Marcus Maceió) - são as únicas faixas gravadas fora do Recife, tendo sido formatadas em Maceió (AL). De todo modo, Feliz de quem se dá por inteiro é um disco de samba, ritmo que pauta músicas como Alguém que chora (Edu Krieger), Ó do bobó (Jorge Simas) e Se precisar (João Fernando e João Cavalcanti). Samba que ganha o rap do cantor alagoano Nando Rozendo em Pra clarear (Jorge Simas e Délcio Carvalho) e que se amalgama com o choro na bonita música-título Feliz de quem se dá por inteiro (Junior Almeida). Em seleção de sambas que se desvia do óbvio, Wilma vai do centenário Dorival Caymmi (1914 - 2008) - de quem a cantora junta em medley os sambas O dengo que a nega tem e Requebre que eu dou um doce, ambos lançados em discos de 1941 - aos contemporâneos Alvinho Lancellotti e Domenico Lancellotti, parceiros na composição de Boa hora. Com carreira fonográfica iniciada em 1998, a artista também se abriga na Casa do coração, erguida por Moacyr Luz com Roberto Didio e sustentada por Wilma Araújo no álbum Feliz de quem se dá por inteiro.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Wanda Sá exibe jovialidade de sua bossa ainda nova em registro ao vivo

Resenha de CD e DVD
Título:
Wandá ao vivo
Artista:
Wanda
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *


Além de ser uma síntese requintada do samba e de caracterizar uma forma de tocar e / ou cantar, a Bossa Nova é também - e talvez principalmente - um estado de espírito traduzido por eterna jovialidade. Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, completados neste ano de 2014, Wanda Sá - cantora nascida em São Paulo (SP), mas de alma e vivência cariocas - sempre deu voz a uma música jovem pela própria natureza. No primeiro DVD solo de discografia que já contabiliza três registros audiovisuais feitos com Roberto Menescal (um deles, o DVD que registra programa Ensaio de 1991, foi lançado pela Trama em 2006 à revelia da artista), Wanda exibe a jovialidade de sua bossa ainda nova em gravação ao vivo de show captado em 19 de novembro de 2013 no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Regina Oreiro e sob a direção de Gabriela Gastal. Nas lojas com distribuição da gravadora Biscoito Fino, nos formatos de CD e DVD, Wandaao vivo é retrato atemporal da eternidade de uma bossa que desconhece fronteiras geográficas e estéticas. Tanto que o show termina com Wanda às voltas com as síncopes do samba também sempre novo de Jorge Ben Jor, de quem revive o samba Por causa de você, menina (1963), entremeado com Chove chuva (Jorge Ben, 1963) no número finalizado com as presenças emblemáticas de Carlos Lyra, João Donato e Marcos Valle. De pé no palco do Espaço Tom Jobim, ladeando Wanda no instante final do show, os três ícones da música brasileira simbolizam ali a reverência a uma cantora que traduz bem o estado de espírito da Bossa Nova. Uma bossa que se renova, ainda que silenciosamente, com a composição de canções como a abolerada Pra sempre, única real novidade do roteiro, já que a outra música recente de Wanda ao vivo - Novo acorde, parceria da cantora e (bissexta) compositora com os irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - é inédita em disco apenas no Brasil, já tendo sido lançada nos mercados fonográficos da Europa e do Japão. Mesmo sem cacife para se tornar um clássico da Bossa Nova, Pra sempre é música boa que merece menção especial por ser a primeira parceria de João Donato com Carlos Lyra. Os compositores participam do primeiro registro da música. Donato ao seu inconfundível piano de toque repleto de latinidade, também ouvido em A rã (João Donato e Caetano Veloso, 1974) e no medley que junta Minha saudade (João Donato e João Gilberto, 1959) com Bim bom (João Gilberto, 1959). Valle, ao violão e na interpretação do tema em dueto com a cantora. Em essência, Wanda ao vivo exibe um show de bossa nova, expondo o canto macio de uma intérprete que pegou o espírito da coisa desde 1964, ano em que lançou seu primeiro álbum, Wanda Vagamente (RGE, 1964), cuja música-título é ouvida no DVD com o toque do piano de Marcos Valle. Nos seis primeiros números, Wanda aparece sentada, cantando e tocando seu violão, acompanhada por trio de piano (o de Adriano Souza), baixo (o de Dôdo Ferreira) e bateria (a de João Cortez). Nesse set, dois afro-sambas, Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) e Consolação (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), se afinam com o espírito do show entre músicas que já nasceram entranhadas no clima da bossa, como Samba de uma nota só (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959) e Discussão (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1958). A partir do sétimo número, O que é amar (1961), standard do cancioneiro de um precursor, Johnny Alf (1929 - 2010), que apontou o caminho para Jobim e cia. no início dos anos 1950, Wanda fica de pé embora retome o banquinho e o violão em um outro número da metade final do show. Nas três faixas-bônus, gravadas no estúdio carioca Toca do Bandido sob a direção musical de Dori Caymmi, Wanda se junta a Dori e a Jane Monheit, cantora norte-americana de jazz. Dos três números, cabe destacar a sagaz lembrança do samba Coração sem saída (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 1996), lançado por Nana Caymmi no álbum Alma serena (EMI Music, 1996). Na voz de Wanda Sá, tudo é bossa nova. E isso é muito natural...

Edição física de EP de Leitte inclui remix feito com Big Sean e MC Guimê

EP lançado pela cantora fluminense Claudia Leitte em formato digital, em 29 de outubro de 2014, Sette ganha edição física em CD, posto nas lojas nesta segunda quinzena de dezembro de 2014 com distribuição da Radar Records. Além das seis músicas da edição digital original, o CD inclui remix de Matimba (Luciano Pinto, Fábio Alcântara, Claudia Leitte, Duller e Samir) feito com as adesões do rapper norte-americano Big Sean e de MC Guimê, cantor paulista de funk ostentação. Matimba é a música que Leitte tem promovido com a intenção de tornar o tema um hit no Carnaval de Salvador (BA) em 2015. Mas um segundo single de Sette, Cartório (Tierry Coringa, Magno Sant'Anna e Claudia Leitte), também já entrou em rotação em novembro. Foragido (Tierry Coringa, Magno Sant'Anna e Claudia Leitte) - reggae gravado com a participação do cantor baiano Edson Gomes - e Abraço coletivo (Tïerry Coringa e Samir) também são do EP, compondo as seis faixas originais de Sette com as músicas Carreira solo e Salvador. Clique aqui para ler a resenha do EP.

Retrô 2014: Nação Zumbi volta com ótimo CD pop nos 20 anos do Mangue

Retrospectiva 2014 - Se em 2013 um comentário lacônico na página oficial da Nação Zumbi no Facebook ("Esclarecimento: não vamos entrar em estúdio e não sabemos se voltamos em 2014") suscitou dúvidas quanto ao futuro da Nação, 2014 - ano em que o universo pop brasileiro celebrou os 20 anos do Mangue Beat, o movimento pernambucano do qual a banda Chico Science (1966 - 1997) foi pedra fundamental - dissipou essas dúvidas com o lançamento do disco mais pop do grupo. Nação Zumbi (Slap / Som Livre, 2014) chegou ao mundo digital em 5 de maio e, na sequência imediata, em edição física em CD. Os produtores Alexandre Kassin e Berna Ceppas deram trato pop no cancioneiro autoral da Nação Zumbi sem desrespeitar o passado glorioso da banda. Lançado em vinil em outubro, Nação Zumbi resultou em álbum inspirado que apontou belo futuro para  Dengue, Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Pupillo e cia 20 anos após a explosão do Mangue. 

Naldo tenta estender seu verão com EP que traz inédita 'Te pego de jeito'

 Naldo Benny tenta estender sua temporada de sucesso com a edição do EP verão, lançado nas plataformas digitais em 15 de dezembro de 2014. Um ano após lançar o CD e DVD Multishow ao vivo Naldo Benny (Deck, 2013), o cantor e compositor carioca de funk investe neste EP de seis faixas. A novidade do repertório é a inédita autoral Te pego de jeito, gravada por Naldo com a adesão do DJ Batutinha em julho deste ano de 2014. Já alvo de clipe, a música aparece em duas versões (Radio edit e Extended version) no disco. O EP verão de Naldo abre com remix de Faz sentir (Naldo Benny, Daniel de Almeida e Marcos Nascimento, 2013) - música eleita o mais recente single da gravação ao vivo do ano passado e remixada com participação de K. Rose - e apresenta duas versões de Sol da minha vida (Naldo Benny e Sandro Riva, 2013), música originalmente gravada pelo cantor com Ivete Sangalo. No EP, a música é ouvida somente na voz de Naldo, tanto na versão editada para as rádios quanto no remix assinado pelo DJ Dênnis. Mexa (Naldo Benny, 2013) completa o repertório do EP verão, posto para compra no iTunes via Benny Entertainment.

Clipe da inédita 'Seu gosto' anuncia segundo CD de estúdio de Dani Black

Dani Black planeja lançar seu segundo álbum de estúdio e de inéditas em 2015. Uma das músicas do disco - sucessor de Dani Black (Som Livre, 2011) e do digital EP SP Dani Black ao vivo (2013) - já pode ser ouvida em gravação inédita que gerou clipe posto esta semana em rotação no YouTube. Assinada somente pelo cantor e compositor paulista, Seu gosto já vinha sendo apresentada por Black em shows desde fevereiro deste ano de 2014. Mas agora ganha registro oficial, feito com a participação do guitarrista Conrado Goys. Nessa gravação que roça os seis minutos, Seu gosto reitera o suingue que pauta a música de Dani Black. Eis a letra da música:


Seu gosto
(Dani Black)

Senti seu gosto uma vez
Na minha pele fincou
Pressinto que agora não sai mais
O que ferveu entre nós de febre fez delirar
Desejo sentir mais uma vez

O coração consentiu
A mão do mundo abraçou
Suave nos envolveu nesse véu
De incontrolável querer
Os olhos se deram um sinal
No ato é fato eu fui todo seu
Há tempos que eu desejo sentir esse gosto
Se fez muito melhor que esperei
As bocas, nucas, mãos no cio, a pele
Se arrepiando ao toque macio

Pros braços desse mar pretendo ir por bem
Me lanço, laço qualquer desafio
Exposto a esse mel a ponto de estar
Disposto a trocar pelo meu lugar no céu, meu lugar no céu
Meus vícios, minhas paixões
Meu lugar no céu fica tão vazio
Sem um beijo seu, me mostre o coliseu, me entregue pros leões
Quero sentir mais uma vez

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pensador reaviva na web remix de música de Will Smith na qual pôs rap

O rapper carioca Gabriel O Pensador está reavivando na web dueto virtual feito em 2007 com o norte-americano Will Smith, artista multimídia que, embora seja mais conhecido como ator de cinema, também é rapper e tem extensa discografia. Através dessa parceria virtual, Gabriel inseriu rap cantado em português em remix de Just the two of us (Will Smith, Bill Withers, William Salter, Ralph MacDonald, 1997), música eleita o quarto single do primeiro álbum solo de Smith, Big Willie style (Columbia Records, 1997). Embora seja antigo, o remix está novamente em rotação na web por ação do rapper carioca, já podendo ser ouvido na página de Gabriel O Pensador no Facebook.

Anos 1950 e 1960 inspiram Luan Santana em sua quarta gravação ao vivo

A IMAGEM DO SOM - As fotos de Rodrigo Berton mostram o clima e o visual da quarta gravação ao vivo da discografia do cantor sul mato-grossense. A gravação aconteceu ontem, 17 de dezembro de 2014. A inspiração para o cenário e os figurinos veio dos anos 1950 e 1960. Sob a produção musical de Dudu Borges (criador dos arranjos), o jovem astro sertanejo, de 23 anos, registrou show acústico no estúdio Quanta, em São Paulo (SP), para plateia de 1,3 mil convidados. O roteiro de 20 músicas incluiu inéditas como Café com leite, Chuva de arroz, Escreve aí e Eu não merecia isso, entre hits do repertório do artista como Amar não é pecado, Sufoco e, claro, Meteoro.

Artistas brasileiros dos 70 povoam segundo CD da novela 'Boogie oogie'

A edição em dois CDs da trilha sonora da novela Boogie oogie inverte a ordem e o padrão a que os consumidores de discos de novelas foram habituados pela gravadora Som Livre desde os anos 1970. Normalmente, o primeiro disco da trilha sonora de uma novela da TV Globo apresenta as músicas brasileiras da trama. Os sucessos internacionais são lançados somente em outro disco, lançado geralmente no meio da novela. No caso de Boogie oogie, cuja trama é ambientada nos dancin' days dos anos 1970, o primeiro CD editado via Som Livre trazia somente hits internacionais da década, sendo a maioria músicas associadas à disco music. Já o segundo CD - Boogie oogie vol. 2, posto nas lojas nesta segunda quinzena de dezembro de 2014 - é dominado por gravações lançadas por artistas brasileiros nos anos 1970, embora traga também alguns hits estrangeiros da época. O disco abre com Dancin' days (Ruban e Nelson Motta, 1978), tema de abertura da novela homônima que disseminou a moda das discotecas pelo Brasil em 1978. O CD Boogie oogie vol. 2 também rebobina as gravações originais de A noite vai chegar (funk-disco de Paulinho Camargo, gravado por Lady Zu em 1977), Acabou chorare (Luiz Galvão e Moraes Moreira, 1972, faixa-título do segundo álbum do grupo Novos Baianos), As dores do mundo (Hyldon, 1974), Barato total (de Gilberto Gil na voz de Gal Costa, 1974), Coisas da vida (Rita Lee, 1976), London, London (Caetano Veloso, 1971) e Minha teimosia, uma arma para te conquistar (Jorge Ben Jor, 1974). Sossego, música emblemática da fase disco music da obra de Tim Maia (1942 - 1998), está sendo usada na trilha sonora da novela, mas ficou fora do CD, provavelmente por questões jurídicas relativas à autorização da reprodução desse fonograma do Síndico no disco.

Música de Vevé Calazans e Gerônimo inspira título do show de Bethânia

Abraçar e agradecer é o título do show que Maria Bethânia vai estrear em 10 de janeiro de 2015 e que vai gravar ao longo desse ano de 2015 para edição de DVD. A inspiração do nome é a música Agradecer e abraçar, parceria dos compositores baianos Vevé Calazans (1947 - 2012) e Gerônimo, lançada pela intérprete baiana em 1999 no disco A força que nunca seca (BMG-Ariola).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Paula evoca pop do Kid em 'Transbordada' sem marcar território próprio

Resenha de CD
Título: Transbordada
Artista: Paula Toller
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 

Quarto álbum solo de Paula Toller, posto nas lojas pela gravadora Som Livre neste mês de dezembro de 2014, Transbordada é - sim - um bom disco. Mas indiscutivelmente é o primeiro CD individual da vocalista do grupo carioca Kid Abelha que causa certa paradoxal decepção, sobretudo para quem esperava um álbum requintado e criativo como SóNós (Warner Music, 2007), ponto mais alto da discografia solo da cantora e compositora carioca. A questão é que Paula jamais marca território próprio ao longo das dez inéditas músicas autorais e dos 35 minutos do disco produzido por Liminha. Parceiro da artista nessas dez músicas (algumas compostas com as assinaturas eventuais dos parceiros Arnaldo Antunes, Beni Borja e Nenung), Liminha formatou um disco que tangencia a obra do Kid Abelha, uma das mais perfeitas traduções do pop brasileiro dos anos 1980. As batidas de faixas como Tímidos românticos (Paula Toller e Liminha) - música feliz que abre o disco e dá a pista do tom de Transbordada - remetem ao Kid de álbuns da década de 1990 como Meu mundo gira em torno de você (Warner Music, 1996) e Autolove (Warner Music, 1998). A receita pouco varia ao longo do disco, promovido de início com o single Calmaí (Paula Toller e Liminha), recado humanista para seres dominados pela sede de poder e dinheiro. Liminha e Paula Toller têm boa mão para o pop. A questão é que a opção por gravar um repertório quase inteiramente produzido pela dupla faz com que Transbordada resulte por vezes trivial, como indicam Já chegou a hora (Paula Toller e Liminha) - canção inserida no disco sem a anunciada participação do rapper mineiro Flávio Renegado - e Ele oh ele (Paula Toller e Liminha), música que exalta homem-amor-objeto não identificado em letra que cita o samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939) nos versos "Bela fonte murmurante / Onde eu mato a minha sede de viver". Não há surpresas ou impacto no CD. Para quem viu ao vivo ou pela transmissão do canal Bis o show do projeto Inusitado em que a cantora mostrou em primeira mão as dez inéditas do disco, em 3 e 4 de junho deste ano de 2014, Transbordada vai soar tal como naquelas duas apresentações, às vezes com acabamento pop mais azeitado, próprio dos discos de estúdio, outras vezes sem o calor da pegada ao vivo (No show, Ele oh ele resultou mais sedutora) - mas sempre fiel a tudo o que se viu e ouviu em junho. E nem tudo é luz. Tema que se avizinha da praia do reggae, À deriva pela vida (Paula Toller, Liminha e Beni Borja) tem letra que situa o casal-personagem da letra em ambiente noturno. Com clima cinzento, O sol desaparece (Paula Toller e Liminha) foca crepúsculo afetivo com melodia meio tristonha, mas deixa entrever certa luz ao fim do túnel ("Ainda sinto o marejar / E continuo procurando / A gota que falta no meu mar"). Balada de espírito pop folk, levada pelos violões tocados pelo próprio Liminha e cantada por Paula em dueto com o cantor Hélio Flanders (vocalista do grupo mato-grossense Vanguart), Será que eu vou me arrepender? (Paula Toller, Liminha e Arnaldo Antunes) se destaca no disco ao levantar na (boa) letra questões derivadas de uma separação de corpos e almas. Seu nome é blá (Paula Toller, Liminha e Beni Borja) pesa mais o ambiente e o disco, abafando intencionalmente a voz da cantora ao perfilar hater da web. Mesmo nas canções mais escuras, Transbordada é disco de vocação explicitamente pop que seduz nas faixas de luminosidade pop como a própria música-título Transbordada, parceria de Paula e Liminha com Nenung, mentor do grupo gaúcho Os The Darma Lóvers. Faixa gravada com a bateria sempre bem marcada do paralama João Barone, Ohayou (Paula Toller e Liminha) arremata o disco no mesmo tom vívido, solar, do início do álbum. Abelha rainha do pop nativo, Paula Toller fez com a produção de Liminha - piloto dos primeiros álbuns do Kid Abelha - um disco solo em fina sintonia com sua história na cena musical brasileira. Mesmo assim, Transbordada deixa no ar a sensação de certa falta de ousadia da parte de artista que já mostrou maior ambição artística e correu mais riscos em discos solos anteriores.

Retrô 2014: Titãs voltam a ser um grupo de peso com álbum 'Nheengatu'

Retrospectiva 2014 - Não chegou a ser uma surpresa, pois o vigoroso show Inédito (2013) já tinha sinalizado, no ano passado, que os Titãs estavam novamente apresentando um repertório autoral compatível com a fase áurea do grupo paulistano, atualmente reduzido a um quarteto com metade de sua formação original. Mesmo assim, a edição pela gravadora Som Livre do álbum Nheengatu, em maio, foi recebida com entusiasmo entre público e crítica. Ao expor as vísceras da babilônia nativa em repertório roqueiro que remeteu a álbuns clássicos do grupo, Nheengatu devolveu à irregular discografia dos Titãs a relevância e o peso perdidos ao longo dos últimos anos e discos.  O clipe do rock Fardado (Sergio Britto e Paulo Miklos) e o show Nheengatu confirmaram que os Titãs - em foto de Marcos Hermes - voltaram a ficar com moral na república dos bananas.

EP 'Do meu olhar' foca as andanças atrevidas de Elba em tom humanista

Resenha de EP digital
Título: Do meu olhar
Artista: Elba Ramalho
Gravadora: Coqueiro Verde Records / ONErpm
Cotação: * * * *

Aperitivo do próximo álbum de Elba Ramalho, Do meu olhar pra fora (programado para ser lançado via Coqueiro Verde Records no primeiro semestre de 2015), o EP Do meu olhar sinaliza álbum antenado, hábil ao reprocessar as raízes nordestinas da música da cantora paraibana com pegada pop. Lançado esta semana nas plataformas digitais, o excelente EP apresenta três faixas formatadas por Luã Mattar e Yuri Queiroga, produtores do vindouro álbum. Do meu olhar é EP com foco ajustado sobre as andanças da artista pela vida e pelos cafundós do mundo terreno. Todas as três músicas refletem em tom humanista sobre esse andar ora errante, ora atrevido, sempre singular. Composição inédita de Dominguinhos (1941 - 2013), feita em parceria com Climério, Olhando o coração faz o balanço existencial dessa vitoriosa caminhada na abertura do EP. Com toques de xote e baião no arranjo repleto de sons que remetem aos pífanos de Caruaru, Olhando o coração mira o otimismo e a crença no amor que pautaram o cancioneiro do afetivo Seu Domingos. Composição de Pedro Luís, lançada pelo artista carioca no primeiro álbum de Pedro Luís e a Parede (Astronauta tupy, Dubas Música, 1997), Fazê o quê? é o grande destaque do EP. Elba injeta pressão roqueira nesta embolada-repente em registro que evoca o som da Nação Zumbi e que tem tudo para ampliar o alcance da ótima música. Turbinado com guitarra, o frenético batuque eletrônico embasa interpretação arretada, à altura dos melhores momentos da discografia da cantora. Por fim, Árvore remexe em tom contemporâneo nas raízes do reggae, ritmo desta composição do artista baiano Edson Gomes, uma das mais sólidas referências brasileiras do gênero jamaicano. Reggae lançado pelo compositor em seu terceiro álbum, Campo de batalha (EMI Music, 1991), Árvore frutifica na gravação de Elba, no balanço do ritmo e no sopro dos metais que ajudam a faixa cair em suingue envolvente ao longo de cinco minutos. Enfim, o EP Do meu olhar justifica e aumenta a alta expectativa sobre o próximo álbum da cantora. Tudo indica que, em 2015, os assuntos de Elba Ramalho vão interessar a um público bem mais amplo do que o habitual com um disco que - parece - vai ser passo luminoso na longa andança da artista. 

'Terra' gira na web e anuncia oficialmente o segundo solo de Black Alien

Dez anos após o lançamento de seu primeiro álbum solo, Babylon by Gus vol. 1 - O ano do macaco (Deck, 2004), o rapper fluminense Gustavo Black Alien apresenta oficialmente a primeira música de seu segundo álbum solo, Babylon by Gus vol. 2 - No princípio era o verbo, previsto para ser lançado em 2015. Produzido por Alexandre Basa, o single Terra já está em rotação na web, disponível nas plataformas digitais desde ontem, 16 de dezembro de 2014. Carta falada aos habitantes do planeta Terra, o rap tem tom messiânico. No refrão, Black Alien avisa que está bem, em alusão cifrada aos problemas pessoais que atravancaram sua carreira solo. "Eu vim pelos povos, não por seus governos", prega o artista, ex-Planet Hemp, entre versos como "O balanço do diabo é mais atraente". Um coro infantil abre e fecha Terra com o verso "Os planos de Jah para mim são maiores que os meus próprios planos para mim", impresso na capa do (razoável) single.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Retrô 2014: Banda do Mar estoura em todo o Brasil com pop feliz e solar

Retrospectiva 2014 - No último fim de semana, a Banda do Mar se apresentou no Recife (PE) - dentro da programação do novo Festival MPB - com show em que o público cantou em coro as músicas do primeiro álbum desse trio luso-brasileiro formado em Portugal por Marcelo Camelo e Mallu Magalhães com o baterista português Fred Pinto Ferreira. A recepção calorosa do público pernambucano não foi um fato isolado. Com farta agenda de shows por todo o Brasil, a Banda do Mar é o fenômeno comercial do pop brasileiro neste ano de 2014. Lançado em agosto, via Sony Music, o álbum Banda do Mar apresentou inspirada safra autoral de canções exteriorizadas, solares, prontas para serem cantadas pelo público em shows - como já vem acontecendo desde a estreia da turnê nacional do trio, em outubro. Distantes da introspecção melancólica de seus álbuns individuais, Camelo e Mallu se afinaram no estúdio e no palco. Anunciada em 6 de maio, a criação da Banda do Mar ultrapassou expectativas artísticas e comerciais. Com disco e show azeitados, o casal zen do pop brasileiro sai de 2014 com um sucesso massivo que até então não tinha atingido em suas vitoriosas trajetórias individuais. O sol brilha forte para a banda de além-mar.

Catto prepara segundo álbum de estúdio, 'Tomada', produzido por Kassin

Filipe Catto - o melhor cantor de sua geração - prepara o seu segundo álbum de estúdio, programado para 2015 em edição da Universal Music. Tomada é o título do sucessor do disco que sucede o DVD e CD ao vivo Entre cabelos, olhos e furacões (Universal Music, 2013) na discografia do artista gaúcho (iniciada em 2009 com a edição do EP independente Saga). Caberá ao produtor carioca Alexandre Kassin pilotar a gravação do primeiro álbum de estúdio de Catto desde Fôlego (Universal Music, 2011). Catto arquiteta parcerias com Alice Caymmi, Dani Black e Moska para compor o repertório (ainda em fase de seleção). Catto pediu música a Arthur Nogueira.

Maíra se aproxima da cena contemporânea carioca no seu segundo disco

Filha de Martinho da Vila, a cantora, compositora e pianista carioca Maíra Freitas se aproxima de nomes da cena carioca contemporânea em seu segundo álbum. A intenção da artista é gravar no disco - sucessor do CD Maíra Freitas (Biscoito Fino, 2011) - músicas de BNegão, Jonas Sá, Nina Becker, Pedro Luís e Rubinho Jacobina, entre outros nomes da cena carioca. Programado para ser gravado e lançado em 2015, com patrocínio do projeto Natura Musical, o álbum se origina de um projeto inicialmente intitulado Piano e batucada, no qual Maíra se juntou ao baterista Cassius Theperson e ao percussionista André Siqueira. Sacha Amback vai produzir o CD de Maíra Freitas.

Alice reina em show sofisticado em que Paulo Borges refina o seu canto

Resenha de show - Gravação de DVD
Título: Rainha dos raios
Artista: Alice Caymmi (em foto de Caio Galucci)
Local: Teatro Itália (São Paulo, SP)
Data: 11 de dezembro de 2014
Cotação: * * * * *

Três meses após ver sua estrela ascender meteoricamente com a edição de um segundo álbum que caiu como raio na cena musical brasileira, Alice Caymmi igualou no palco o requinte do disco lançado em setembro deste ano de 2014 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Idealizada e dirigida por Paulo Borges (o todo-poderoso da São Paulo Fashion Week), a versão remodelada do show Rainha dos raios - apresentada no Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 e 12 de dezembro - representa o ápice precoce da trajetória da cantora e compositora carioca em cena. Em show pautado pela sofisticação, a artista entrou em cena com estrutura técnica compatível com seu talento e com a expectativa gerada pelo frisson causado pelo CD. Essa estrutura hi-tech foi erguida por Borges com o requinte do cenário de Richard Luiz (centrado nos cinco telões de LED de alta definição que expandem com imagens o significado de cada música do roteiro), dos figurinos de Walério Araújo e João Pimenta (exuberantes, mutantes e em sintonia com a salutar estranheza entranhada no canto de Alice) e da iluminação de Wagner Freire (uma luz que, além de bela, ajuda a compor a cena). Mas a sofisticação do show não se resume à sua ficha técnica. Mostrando talento até então insuspeito para dirigir shows de música, Borges refinou e teatralizou o canto de Alice Caymmi, podando excessos de espontaneidade que, ao mesmo tempo em que reiteravam a personalidade forte da cantora, também tiravam por vezes o foco do canto da artista. No show captado por oito câmeras para possibilitar sua exibição nos cinemas e a posterior edição em DVD (o primeiro de Alice), a cantora interpretou as 14 músicas do roteiro sob a marcação rígida de Borges. Sua única fala na estreia de 11 de dezembro de 2104 se resumiu a um "boa noite" ao público que lotou as 278 cadeiras do Teatro Itália. O show falou por si só. Sob direção firme, Alice realçou todas as nuances das músicas com gestual expressivo, teatral. As ênfases feitas em Meu recado, por exemplo, ajudaram a cantora a dar com clareza o recado da letra dessa balada pop de espírito soul que abre a parceria de Alice com o compositor pernambucano Michael Sullivan (balada de clara vocação popular como tantas feitas pelo hitmaker nos anos 1980). Quando começou a cantar Meu mundo caiu (Maysa, 1958), para citar outro efeito da direção detalhista de Borges, Alice estava de cabeça baixa, mas terminou a música fitando o alto do palco, em gestual que traduziu a evolução emocional da personagem da passional canção imortalizada pela cantora paulista Maysa (1936 - 1977). A exibição nos telões de imagens de um baile dos dourados anos 1950 contribuiu para criar uma atmosfera de encantamento em um belo número que nem pode ser tachado de ponto alto porque o show transcorreu absolutamente perfeito, sem baixos. Cada número provocou uma sensação diferente, seja pelo efeito visual, seja pela interpretação refinada da cantora (em geral, por ambos). A opção por deixar Alice a sós no palco com o homem-orquestra Diogo Strausz - produtor do álbum Rainha dos raios - se revelou acertada. Por mais que o disco tenha sido gravado com a participação eventual de outros músicos, Strausz orquestrou Rainha dos raios sozinho. Em cena, munido de sua guitarra e dos teclados que reproduzem as bases do disco, Strausz armou a cama eletrônica para que a cantora deitasse e rolasse na interpretação de músicas como Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966) - sucesso da fase inicial do grupo inglês The Rolling Stones revivido por Alice no show com imagens dos conflitos sociais que agitaram os efervescentes anos 1960 - e Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013), música dramática do grupo carioca Tono que Alice tomou para si com sua voz grave que tem soado cada vez com mais nuances e tons. Aberto com Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972), número em que Alice é vestida pelos figurinistas como imponente orixá e no qual os telões projetam imagens de nuvens cinzentas, o roteiro está acrescido - nessa versão do show - do clipe da recriação de Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985), reminiscência do primeiro álbum da artista, Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012). Além de o vídeo ter sido o primeiro ponto de contato de Borges com o canto de Alice, a inserção do clipe faz sentido porque conecta Alice à sua nobre dinastia - link sagaz porque, de todas as vozes da família Caymmi, a dela é a que tem se projetado com alcance fora da praia particular do centenário patriarca Dorival (1914 - 2008). Quem um dia imaginou uma Caymmi dando voz a um sucesso de funk melody como Princesa (MC Marcinho, 1998)? Pois Alice realça, sem amarras estéticas, toda a beleza que há nessa melodia ouvida exaustivamente nos bailes dos anos 1990. Nesse parque de diversões eletrônicas, a valsa-canção Antes de tudo - música da lavra da própria Alice - girou envolvente no rodopio do carrossel que também compõe o cenário. No giro, Alice interagiu com um dos dois robóticos modelos negros, Bruno e Hugo, recrutados por Borges para realçar a teatralidade da cena. Os modelos ganharam especial visibilidade no bloco dance que transformou o palco numa boate enquanto Alice repaginava o pop funk Joga fora (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1986). Na sequência, I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977) sensualizou o ambiente, transformado numa pista dos dancin' days, com direito a globos espelhados no palco e na plateia. É quando a cantora se amalgamou com os modelos na barra de pole dance do cenário, em erotismo que jamais roçou a vulgaridade. Sucesso do grupo sueco ABBA, Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus, 1980) arrematou o bloco dance. Já Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989) foi música cantada de início a capella - em mais uma interpretação moldada para a cena - até ser envolta em marcantes beats eletrônicos. Entre tantos números de requinte visual, a prisão de Alice no figurino-gaiola de Sou rebelde (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971, em versão em português de Paulo Coelho, 1978) causou especial impacto pela estranheza que amplificou o sentido de uma música pueril, propagada no Brasil na voz miúda de Lilian (da dupla com Leno, pai de Diogo Strausz). Música lançada por Cher em 1966, mas hoje mais associada a Nancy Sinatra (cuja gravação - também de 1966 - foi reavivada ao ser incluída pelo cineasta Quentin Tarantino na trilha sonora de seu cultuado filme Kill Bill, de 2003), Bang bang (My baby shot me down) sintetizou o equilíbrio chique entre direção, interpretação, cenário e iluminação do show. Quando o revólver apontado do telão para a plateia faz bombar sangue ao fim do número, o público já está totalmente arrebatado. Mas o tiro final e certeiro foi dado por Homem (Caetano Veloso, 2003). A versão dub-step de Alice foi incrementada com figurino intencionalmente masculinizado. O microfone se tornou um símbolo fálico, em sintonia com a imagem do travesti nu exibida no telão. Enfim, nasceu uma estrela neste ano de 2014. Mas nasceu também um talentoso diretor de shows musicais. Se Alice por vezes soou como diamante bruto no palco, Paulo Borges soube lapidar o diamante e mostrar em cena todo o brilho dessa cantora-orixá. Soberana, Alice Caymmi reinou em show à altura do seu talento.

♪ ♪ ♪  O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Roteiro do primeiro registro ao vivo de Alice inclui clipe de 'Sargaço mar'

O primeiro contato de Paulo Borges com a voz e o som de Alice Caymmi foi feito através do clipe de Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985). Apresentado ao diretor da São Paulo Fashion Week pelo DJ Zé Pedro, dono da gravadora Joia Moderna, o vídeo foi filmado a partir de uma das melhores gravações do primeiro álbum da cantora carioca, Alice Caymmi (Kuarup / Sony Music, 2012). Apaixonado pela música de Alice a partir do clipe, Borges acabou idealizando e dirigindo a refinada versão remodelada do show Rainha dos raios, baseado no disco homônimo editado pela gravadora Joia Moderna em setembro deste ano de 2014. A estreia dessa nova versão do show aconteceu no Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014 - data em que oito câmeras captaram a apresentação para produção de gravação ao vivo que vai ser exibida nos cinemas em 2015 antes de ser editada em DVD. O clipe de Sargaço mar foi naturalmente inserido no roteiro, ligeiramente diferente do apresentado por Alice na estreia nacional do show em 26 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ). Algumas músicas entraram no roteiro e outras saíram do show. Eis o roteiro eternizado na gravação ao vivo do espetáculo hi-tech concebido e dirigido por Paulo Borges - na primeira incursão musical fora do mundo da moda - e apresentado por Alice Caymmi (em bela foto de Caio Galucci) no Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014:

1. Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972)
2. Paint it black (Mick Jagger e Keith Richards, 1966)
3. Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013)
4. Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014)
5. Meu mundo caiu (Maysa, 1958)
6. Antes de tudo (Alice Caymmi, 2014)
7. Bang bang (My baby shot me down) (Sonny Bonno, 1966)
8. Princesa (MC Marcinho, 1998)
9. Joga fora (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1986)
10. I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977)
11. Lay all your love on me (Benny Andersson Björn Ulvaeus, 1980)
12. Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989)
13. Sargaço mar (Dorival Caymmi, 1985) - clipe
14. Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971)
      (Versão em português de Paulo Coelho, 1978)

15. Homem (Caetano Veloso, 2006)
Bis:
16. Meu recado (Michael Sullivan e Alice Caymmi, 2014)


♪ ♪ ♪ O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna. 

Figurinos são show à parte na gravação ao vivo do DVD de Alice Caymmi

A IMAGEM DO SOM - Assinados pelos estilistas Walério Araújo e João Pimenta, os figurinos usados por Alice Caymmi na gravação ao vivo de seu primeiro DVD foram show à parte na apresentação que lotou o Teatro Itália, em São Paulo (SP), em 11 de dezembro de 2014. Como visto nas fotos de Caio Galucci, os figurinos traduziram a estranheza salutar que pauta o disco e o show Rainha dos raios. Figurinos que foram se transformando ao longo do show, ganhando penas pretas em Jasper (Caetano Veloso, Arto Lindsay e Peter Sheerer, 1989) e incorporando acessórios que sugeriram a imagem de uma gaiola que aprisiona a cantora durante a interpretação de Sou rebelde (Soy rebelde) (Manuel Alejandro e Ana Magdalena, 1971, em versão em português de Paulo Coelho, 1978). Diretor da São Paulo Fashion Week (a semana de moda que dita tendências no Brasil), Paulo Borges assina a concepção do espetáculo que provocou impacto visual entre o descolado público paulista. Apresentado pela Joia Moderna (a gravadora do DJ Zé Pedro que lançou o álbum Rainha dos raios em setembro) e pela Sky, o show fashion vai ser exibido nos cinemas em 2015 antes de ser editado em DVD, coroando o reinado de Alice Caymmi.

♪ ♪ ♪  O blog Notas Musicais viajou a São Paulo (SP) a convite da gravadora Joia Moderna.

Quinto DVD solo de Pitty documenta a gravação do álbum 'SETEVIDAS'

Pitty vai lançar em 2015, via Deck, o quinto DVD de sua carreira solo. Trata-se de documentário sobre a gravação do quarto álbum de inéditas da cantora e compositora baiana, SETEVIDAS, lançado em 3 de junho de 2014 com boa aceitação entre a crítica. Estão previstos extras no DVD.

CD de Labanca inclui parceria inédita de Flausino com PJ e Nelson Motta

Baixista do grupo mineiro Jota Quest, PJ assina - em parceria com Cris Simões - a produção do primeiro álbum da cantora e compositora mineira Labanca. Com seis músicas autorais entre suas 11 faixas, o CD Labanca (Independente) inclui parceria inédita de Rogério Flausino e PJ com Nelson Motta, Amor não tem hora, e regravação de Meu novo mundo (Chorão e Thiago Castanho), single do último álbum da banda paulista Charlie Brown Jr. (1992 - 2013), La família 013 (Som Livre, 2013). Das seis inéditas autorais, todas são assinadas por Labanca com o guitarrista Stefan Salej, caso do single Tempo curto, sendo que algumas têm a assinatura adicional de nomes como PJ (Medo) e Cris Simões (Rede). Labanca regrava Somebody told me, tema do grupo The Killers.

Natiruts anuncia adesão de Ivete a registro ao vivo agendado para janeiro

O grupo brasiliense Natiruts anuncia hoje a participação de Ivete Sangalo em seu quarto registro de show, Clássicos reggae Brasil.  Agendada para 8 de janeiro de 2015, a gravação ao vivo vai ser feita em show do Natiruts no parque aquático Wet 'n wild, em Salvador (BA). Ivete se junta a um elenco que inclui os cantores Armandinho, Edson Gomes e Saulo Fernandes, além dos grupos Ponto de Equilíbrio e Planta & Raiz. Como já explicita o título do projeto, Clássicos reggae Brasil, o Natiruts vai regravar sucessos nacionais do reggae - o que justifica as participações de nomes associados no Brasil ao gênero jamaicano - em seu terceiro consecutivo registro ao vivo de show.

domingo, 14 de dezembro de 2014

EP da Dônica credencia banda carioca a entrar no célebre clube mineiro

Resenha de EP digital
Título: Dônica
Artista: Dônica
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *


Dônica - a banda carioca que tem sido notícia na mídia por trazer em sua formação oficial o compositor Tom Veloso, filho de Caetano Veloso - está credenciada a entrar no mineiro Clube da Esquina. Lançado nas plataformas digitais em 9 de dezembro de 2014 pela gravadora Sony Music, o EP Dônica - saboroso aperitivo para o álbum programado para o primeiro semestre de 2015 - escancara em três das quatro músicas a influência dos sons da música de Milton Nascimento (padrinho artístico da Dônica, aliás) na década de 1970. Obra construída com a participação fundamental do maestro Wagner Tiso, referência clara dos arranjos do repertório autoral da Dônica. Com exuberantes seis minutos e 38 segundos, Praga é a música que mais bem sintetiza - no som virtuoso da Dônica - as influências dos mineiros e dos roqueiros progressivos dos anos 1970 (os últimos são especialmente evocados nos solos instrumentais do fim do tema). Música já previamente lançada como single, Bicho burro é outro exemplo de como a Dônica surpreende ao se desviar da trilha habitual da cena musical carioca contemporânea - pavimentada por músicos que tocam com Caetano Veloso... - para celebrar o legado mineiro de Milton e dos demais sócios do Clube do Esquina. A propósito, Casa 180 abriga ecos da música de Flávio Venturini. O fato é que o repertório autoral da Dônica - criado geralmente por Tom Veloso com José Ibarra, vocalista e pianista da banda - é de ótimo nível. A única reversão de expectativa no EP Dônica reside na música que o abre, Macaco no caiaque, pautada por groove pop que se avizinha do som do grupo Jota Quest, integrante de outro clube mineiro (o que justifica, aliás, a escalação da Dônica para abrir shows do quinteto de Belo Horizonte). A estranheza se dá não pela música em si, boa, mas por contrariar o que se espera ouvir da banda - formada por Tom e Ibarra com o baterista André Almeida, o guitarrista Lucas Nunes e o baixista Miguel Guimarães - a partir do que fora previamente propagado na mídia. Moral do primeiro EP do grupo: a Dônica também frequenta outras esquinas...

Samba domina CD com segunda trilha sonora nacional da novela Império

Nas lojas neste mês de dezembro de 2014, em edição da gravadora Som Livre, o CD Império nacional 2 é dominado pelo samba de todos os estilos. Nada menos do que oito das 12 faixas do disco seguem - com maior ou menor inspiração melódica - a cadência bonita do ritmo. Do gênero, o repertório da segunda trilha sonora nacional da novela Império - exibida pela TV Globo às 21h - destaca a gravação de Preciso me encontrar (Candeia) pelo cantor e compositor carioca Cartola (1908 - 1980) e o registro de Colheita (Nelson Rufino, 2014) feito pela cantora baiana Mariane de Castro com participação de Zeca Pagodinho para seu terceiro álbum de estúdio. Em linha mais popular, há gravações dos grupos Sorriso Maroto (Instigante, música de Bruno Cardoso, Nicco Andrade, Sergio Jr. e Lelê), Revelação (Tá escrito, samba de Karlinhos Madureira, Gilson Bernini e Xande de Pilares) e Bom Gosto, intérprete de Conselho (Adilson Bispo e Zé Roberto, 1986), samba que fez sucesso na voz de Almir Guineto nos anos 1980. Guineto, aliás, figura na trilha com outro sucesso de sua década áurea, Mel na boca (David Correa, 1986). O CD Império nacional 2 traz também fonogramas dos cantores Péricles (Se eu largar o freio) e Thiaguinho (A batucada te pegou). Fora do universo do samba, o disco também inclui a controvertida regravação de Dona (Luiz Carlos Sá e Guarabyra, 1982) pelo cantor carioca Alex Cohen. Dona foi tema da novela Roque Santeiro (TV Globo, 1985) na marcante gravação realizada pelo grupo carioca Roupa Nova.

Quarto CD solo de Paula, 'Transbordada' chega às lojas antes do previsto

Diferentemente do que foi anunciado nas redes sociais de Paula Toller, o quarto álbum solo da cantora e compositora carioca, Transbordada, já teve sua edição física em CD posta nas lojas pela gravadora Som Livre nesta primeira quinzena de dezembro de 2014. A data do lançamento da edição digital no iTunes permanece agendada para 29 de dezembro de 2014. Já o CD - que chegaria em tese ao mercado fonográfico em janeiro de 2015 - já está efetivamente nas lojas. Eis, na ordem do CD, as dez autorais músicas inéditas de Transbordada, disco produzido por Liminha:

1. Tímidos românticos (Paula Toller e Liminha)
2. Calmaí (Paula Toller e Liminha)
3. Já chegou a hora (Paula Toller e Liminha)
4. O sol desaparece (Paula Toller e Liminha)
5. Ele oh ele (Paula Toller e Liminha)
6. Seu nome é blá (Paula Toller, Liminha e Beni Borja)
7. Será que eu vou me arrepender? (Paula Toller, Liminha e Arnaldo Antunes)
    - com Hélio Flanders
8. À deriva pela vida (Paula Toller, Liminha e Beni Borja)
9. Transbordada (Paula Toller, Liminha e Nenung)
10. Ohayou (Paula Toller e Liminha)

'Gigantes do samba' entrelaça hits de Raça Negra e SPC ao vivo em SP

Grupos de pagode que dominaram as paradas populares da música brasileira dos anos 1990, os grupos Raça Negra (em evidência na primeira metade daquela década) e Só pra Contrariar (recordista de vendas na segunda metade da década, mas no mundo do disco desde 1993) juntaram forças e sucessos dos anos 1990 no show imodestamente intitulado Gigantes do samba e gravado em 26 de julho deste ano de 2014 no Citibank Hall de São Paulo (SP) para edição de CD e DVD recém-lançados através de parceria das gravadoras Som Livre e Sony Music. Com seus respectivos vocalistas Luiz Carlos e Alexandre Pires à frente, o Raça Negra e o SPC entrelaçam hits no roteiro perpetuado em Gigantes do samba - Ao vivo em SP. Para quem viveu a década e é fã do estilo pagodeiro de samba dos anos 1990, o roteiro vai resultar irresistível com o revival de sucessos como Quando te encontrei (Luiz Carlos e Gabú), Deus me livre (Darci Rossi, Alexandre e Serginho Sol), Cigana (Gabú), Que se chama amor (José Fernando), Depois do prazer (Chico Roque e Sérgio Caetano) e Essa tal liberdade (Chico Roque e Paulo Sérgio Valle).

Mehmari cita Guinga ao tocar a obra de Nazareth no CD 'Ouro sobre azul'

Em 2013, o pianista André Mehmari se juntou ao vasto time de músicos que celebraram os 150 anos de nascimento do compositor e pianista carioca Ernesto Nazareth (20 de março de 1863 - 1º de Fevereiro de 1934). A convite do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro (RJ), o pianista idealizou e fez em março de 2013 um recital com músicas de Nazareth. O concerto despertou em Mehmari a vontade de registrar em disco sua visão arejada da obra do compositor. Gravado no primeiro semestre de 2013, o CD Ouro sobre azul (Arte Matriz) chega ao mercado fonográfico neste mês de dezembro de 2014 com distribuição da Tratore. Choro que se tornaria o maior sucesso da obra de Nazareth ao ganhar nos anos 1960 letra do compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980), Odeon (1909) se destaca no disco por ter sido gravado com arranjo que inclui citações da melodia de Choro pro Zé, tema de Guinga (com letra de Aldir Blanc) gravado por Guinga no álbum Delírio carioca (Velas, 1993). Em 14 faixas, Ouro sobre azul alinha 16 composições de Nazareth. Além do choro Odeon, a seleção de Mehmari inclui as valsas Pássaros em festa (1920) e Turbilhão de beijos (1911), além dos tangos brasileiros Famoso (1917), Fon-fon (1913), Furinga (1898), Pinguim (1922) e Reboliço (1913). A música-título Ouro sobre azul é de 1915. Mehmari sola quase todos os temas no disco. Mas forma trio com o baixista Neymar Dias e o baterista Sérgio Reze para tocar suíte composta pelos temas Brejeiro (primeiro tango brasileiro do cancioneiro de Nazareth, publicado em 1893), Escovado (tango brasileiro de 1904) e Ferramenta (um fado de 1905). O CD Ouro sobre azul desencava a memória afetiva de Mehmari, que - criança - adormecia ouvindo sua mãe tocar músicas de Ernesto Nazareth ao piano.

sábado, 13 de dezembro de 2014

DVD com o show de sucessos de Baby sai em 2015 via Coqueiro Verde

Show de Baby do Brasil que estreou em 31 de outubro de 2012, no Rio de Janeiro (RJ), Baby sucessos vai ganhar - enfim - edição em DVD. A gravação ao vivo - realizada em 31 de janeiro de 2014, na casa de shows Imperator, também no Rio de Janeiro (RJ) - vai chegar ao mercado fonográfico no primeiro semestre de 2015 através da gravadora carioca Coqueiro Verde Records. Baby Sucessos - A menina ainda dança é o título do DVD que perpetua o show que trouxe a cantora fluminense de volta ao universo pop após anos de total dedicação ao repertório evangélico.

Plebe lança 'Nação daltônica', seu primeiro disco de estúdio desde 2006

Nas plataformas digitais desde 6 de novembro de 2014, o primeiro disco de estúdio da banda brasiliense Plebe Rude em oito anos, Nação daltônica, ganha edição física neste mês de dezembro via Substancial Music. Sucessor do CD R ao contrário (Independente / Outra Coisa, 2006) na discografia de estúdio da banda, o álbum Nação daltônica tem produção assinada por Philippe Seabra. O líder da Plebe pilotou a gravação feita em seu estúdio Daybreak, em Brasília (DF). Mixado em Nova York (EUA) por Kyle Kelso, o disco apresenta repertório inédito e autoral. Anos de luta, Quem pode culpá-lo?, Retaliação, Sua história e Três passos são algumas das dez faixas de Nação daltônica, sexto disco de estúdio da Plebe Rude, cujo último projeto fonográfico foi o bom CD e DVD Rachando concreto - Ao vivo em Brasília (Coqueiro Verde Records, 2011).

Roberta Campos lança EP em edição física com versão de hit de Sheeran

Em 5 de agosto, a gravadora Deck lançou nas plataformas digitais single em que a cantora e compositora mineira Roberta Campos dava voz à canção Maior que o mundo, versão - escrita pela própria Roberta - de um sucesso do cantor e compositor inglês Ed Sheeran, Lego House (Ed Sheeran, Jake Gosling e Chris Leonard, 2011). O single acabou originando EP lançado pela Deck neste mês de dezembro de 2014 em formato digital e em edição física em CD. Com seis músicas, o EP Maior que o mundo rebobina De janeiro a janeiro (Roberta Campos, 2008) na regravação feita pela cantora em 2010 em dueto com Nando Reis e propagada em 2013 na trilha sonora da novela Sangue bom (TV Globo). De janeiro a janeiro também reaparece no EP em remix feito com programações eletrônicas de Leo Breanza. O EP rebobina ainda a gravação de voz e violão do standard natalino Boas festas (Assis Valente, 1933) - lançada por Roberta em 2010 em sua página no portal MySpace - e o registro (também de voz e violão) de José, sucesso de Rita Lee em 1970.