terça-feira, 16 de setembro de 2014

Os 70 anos de Nelson Motta geram CD, série de TV e show em outubro

Nelson 70 é o título do projeto multimídia que celebra os 70 anos de vida do compositor, jornalista, escritor e produtor musical carioca Nelson Motta - visto na foto com a cantora paulista Ana Cañas, intérprete da regravação de Perigosa (Roberto de Carvalho, Nelson Motta e Rita Lee, 1977). Programado para outubro de 2014, o projeto Nelson 70 inclui CD - a ser editado pela gravadora Som Livre - e série de TV com oito episódios que vai ao ar no Canal Brasil a partir de 29 de outubro, dia do 70º aniversário de Nelson. A série tem direção de Adriana Penna, Guto Barra e Tatiana Issa. Está previsto também um show com os convidados do disco. Além de Ana Cañas, o time de intérpretes inclui Djavan, Ed Motta, Fernanda Takai, Gaby Amarantos, Guilherme Arantes, Jorge Drexler, Lenine, Leo Cavalcanti, Lulu Santos, Marisa Monte (no registro de música inédita, gravada com o piano de João Donato), Max de Castro, Roberto Menescal, Rodrigo Amarante e Silva. Cada intérprete dá voz a uma música do cancioneiro do compositor. O cantautor uruguaio Jorge Drexler, por exemplo, revive o bolero havaiano Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983). Lenine canta Certas coisas (Lulu Santos e Nelson Motta, 1984, Fernanda Takai regrava De onde vens (Dori Caymmi e Nelson Motta, 1967) e Gaby Amarantos repagina Dancin' days (Rubens Queiroz e Nelson Motta, 1978).

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Eis o cartaz de 'Tim Maia', filme sobre o 'Síndico' que estreia em outubro

Este é o cartaz oficial de Tim Maia, filme de Mauro Lima sobre o cantor e compositor carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998). No longa-metragem, que tem estreia agendada para 30 de outubro de 2014 nos cinemas do Brasil, Tim é vivido pelos autores Babu Santana (na fase adulta) e Robson Nunes (na juventude). Personagens importantes no começo da vida do Síndico, os cantores Roberto Carlos e Erasmo Carlos também são retratados no filme nas peles dos atores George Sauma e Tito Naville, respectivamente. Rita Lee também é focada no filme.

Alice Caymmi lança segundo álbum, 'Rainha dos raios', via Joia Moderna

Segundo álbum de Alice Caymmi, Rainha dos raios está sendo lançado hoje, 15 de setembro de 2014, em todas as plataformas digitais pela gravadora Joia Moderna. Na sequência, em outubro, as lojas vão receber a edição física em CD deste disco que confirma e expande o talento da cantora e compositora carioca. Feito por Alice Caymmi com Diogo Strausz, polivalente músico carioca ligado ao universo dos beats eletrônicos, Rainha dos raios pode ser ouvido no site oficial que entrou hoje no ar com todas as informações sobre o álbum, já objeto de culto nas redes sociais e entre personalidades do meio musical. A convite da artista, o editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira, assina o release de Rainha dos raios. Eis o texto: 

"Rainha dos raios. Não poderia ser outro o título desta obra-prima contemporânea que confirma Alice Caymmi como grande nome da moderna música brasileira. Primeiro, porque Rainha dos raios é descarga eletrizante de criatividade no universo pop. Segundo, porque a gênese deste segundo álbum de Alice – expoente da terceira geração da emblemática família Caymmi – começa no encontro da artista com diogo Strausz, músico carioca ligado ao universo dos beats eletrônicos. Com Strausz, Alice apresentou em junho de 2013 uma demolidora releitura de Iansã, repaginando a parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil lançada em 1972 na voz de Maria Bethânia. Foi o ponto de partida para este disco que diz a que veio Alice Caymmi.

De lá para cá, não teve tempo ruim. Diretor artístico da Joia Moderna, gravadora que desde 2011 dá voz a quem precisa ser ouvido num mercado fonográfico cada vez mais segmentado e surdo a inovações, o DJ Zé Pedro saudou Alice Caymmi quando Iansã baixou com força no seu iPod e, desde então, entrou na onda da cantora a cada passo artístico dado pela neta de Dorival. É por isso que Rainha dos raios – disco feito por Alice Caymmi com Strausz no Brasil e masterizado na Alemanha – abre caminhos no mercado com o selo da antenada Joia Moderna.

Desde que surgiu em 2012, primeiro como participação especial de show da tia Nana e posteriormente como cantora e compositora de um disco autoral (Alice Caymmi, editado através de parceria da Kuarup com a Sony Music), Alice Caymmi vem se movimentando com segurança em cena. E não parou mais. Filmou clipes, lançou gravações na web e foi marcando seus passos em terra firme, sem tirar onda por ser Caymmi, mas também sem renegar a frondosa árvore genealógica. Aliás, enquanto gestava o segundo álbum, Alice Caymmi carnavalizou o repertório do avô centenário no show tropicalista Dorivália, sucesso cult da temporada verão-outono de 2014.

Com o mago Strausz, músico de mil e um sons e instrumentos, Alice Caymmi apresenta em Rainha dos raios nove gravações de arranjos inventivos que não deixam nada no lugar convencional. Sempre pegando a onda certa, Alice sabe que ‘nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia’. E mergulha fundo na recriação da criação alheia. Além dos arranjos, a voz grave, quente, joga no caldeirão uma intérprete em ponto de fervura. Uma personalidade incandescente que já chamou a atenção até da islandesa glacial Björk, que manifestou publicamente em rede social o encantamento pela abordagem de sua Unravel (Björk e Guy Sigsworth) no primeiro álbum de Alice Caymmi.

É preciso ter muito peito para regravar Homem, a música mais masculina de , o álbum cheio de testosterona lançado em 2006 por Caetano Veloso. Alice Caymmi tem esse peito, do qual tira o leite bom que ora arremessa na cara dos caretas. Homem ganha voz de mulher entre sons de êxtases, risos sarcásticos, gemidos femininos e orgasmos múltiplos. Faixa sob medida para quem gosta de releituras ousadas que reconstroem uma canção.

Tropicalista com livre trânsito na dorivália brasileira, Caetano Veloso é sintomaticamente o compositor (pre)dominante no repertório de Rainha dos raios. Além de Iansã e de Homem, a canção Jasper baixa com força e ruídos no terreiro eletrônico de Alice Caymmi. Para quem não liga o nome a música, Jasper é a parceria de Caetano com o guitarrista produtor Arto Lindsay e o tecladista Peter Sheerer, integrantes da banda Ambitious Lovers com os quais o sempre novo baiano se conectou em 1989 na feitura do álbum Estrangeiro.

Parafraseando versos de Jasper, um mundo musical tão vasto gravita em volta da cabeça de Alice Caymmi. Sem jamais errar o alvo, Rainha dos raios dispara petardos dos repertórios de MC Marcinho, Maysa (1936 – 1977), Lilian Knapp (a cantora da dupla jovem-guardista Leno & Lilian), Tono e da própria Alice, autora da boa canção Antes de tudo, de melodia melancólica, e parceira do hitmaker Michael Sullivan em Meu recado.

A heterogeneidade do repertório ratifica a nobreza e a personalidade do canto da princesa da dinastia Caymmi. É preciso ter identidade artística muito bem delineada para entrar no baile e mostrar a melodia da pesada que tem um funk melody do MC carioca Márcio André Nepomuceno – Princesa, cujo refrão é sedutora súplica de amor – e, no mesmo disco, dar grandeza a uma canção até então submersa no aquário do grupo carioca Tono, Como vês (Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti, 2013).

O discurso dramático-romântico dos versos de Como vês remete ao folhetim do cancioneiro popular brasileiro, gênero no qual o compositor pernambucano Michael Sullivan é mestre. E, para quem estranha a presença de Sullivan na ficha técnica do disco, cabe lembrar que Alice Caymmi arrancou elogios rasgados de público, críticos e da intérprete original Fafá de Belém quando releu em 2013 uma das canções mais passionais do repertório de Sullivan, Abandonada (1996), no tributo Mais forte que o tempo. Por circular com desenvoltura entre todas as tribos e turmas, Alice firma parceria com Sullivan em Meu recado, uma daquelas baladas de coração partido vocacionadas para as paradas populares.

Sempre conduzida por Strausz, seu homem-orquestra, Alice lustra uma das joias mais reluzentes do cancioneiro popular. Entre cordas sintetizadas, a cantora baila por um salão imaginário dos anos dourados ao dar a voz a Meu mundo caiu, o standard de 1958 que fez o Brasil aceitar o convite para ouvir Maysa Matarazzo. E tudo aqui vai fazer o maior sentido para quem lembrar que Alice já sublinhou toda a beleza que há em Tarde triste – outra música com a assinatura elegante de Maysa - num registro de ensaio feito com o guitarrista Lucas Vasconcellos que foi parar na web.

Mergulhando ainda mais fundo na memória afetiva, sem amarras e sem rótulos, embaralhando os conceitos de brega e chique, Alice Caymmi ainda tira outra pérola do baú, Sou rebelde, versão de Paulo Coelho para Soy rebelde, pueril balada espanhola composta por Manuel Alejandro com Ana Magdalena e lançada em 1971 na voz da cantora Jeanette e popularizada em solo tupiniquim em 1978 na voz de Lilian Knapp. O respeito de Alice Caymmi pela melodia emoldurada pelos sintetizadores de Strausz atesta sua capacidade de construir seu próprio universo musical, com escolhas inusitadas, longe do óbvio ululante. A busca por sonoridades atuais abarca a reverência pela arquitetura melódica das canções

Com capa criada por Filipe Catto a partir de foto de Daryan Dornelles, Rainha dos raios entroniza definitivamente Alice Caymmi no castelo habitado por artistas que sabem o que querem. Trata-se de uma cantora que tem aquele indefinível algo mais que a impede de ser mais uma na multidão deste país de cantoras. Alice Caymmi é uma joia moderna! Ponham seus sorrisos no caminho e abram alas que a Rainha dos raios vai passar!"

Mauro Ferreira
Setembro de 2014

Calixto canta inédita de Fregonesi no seu terceiro disco, 'Meu ziriguidum'

Compositor carioca gravado por Beth Carvalho e Maria Bethânia, Leandro Fregonesi ganha o aval e a voz de outra cantora. A mineira Aline Calixto incluiu samba inédito de Fregonesi, Entre você e eu, no repertório de seu terceiro álbum, Meu ziriguidum. Produzido por Paulão Sete Cordas e Thiago Delegado, o disco vai ser lançado ainda neste segundo semestre de 2014. Outras músicas do CD são No pé miudinho (Moacyr Luz e Délcio Luiz) e Toda noite (Arlindo Cruz e Maurição), sambas gravados por Calixto em duetos com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz.

Após 'cover' dos Engenheiros, Forfun sugere que faz disco intitulado 'Nu'

A imagem acima foi extraída de vídeo-teaser publicado pelo grupo carioca Forfun em sua página oficial no Facebook. No teaser audiovisual, o quarteto sugere que grava álbum de estúdio intitulado Nu. Seria o primeiro disco do Forfun após o EP Solto (2013). Mas a última gravação do quarteto foi o cover - produzido por Rafael Ramos - de O papa é pop (Humberto Gessinger, 1990), música que intitulou o quinto álbum do grupo gaúcho Engenheiros do Hawaii.

Sambô irmana Hyldon, Martinho e Originais do Samba em CD de estúdio

Um dos grandes sucessos do grupo carioca Os Originais do Samba, lançado em disco há 40 anos, Tragédia no fundo do mar (Assassinato do camarão) (Ibrain e Zeré, 1974) ganha registro do Sambô no primeiro disco de estúdio desse grupo paulista que transforma tudo e todos em pagode. Com lançamento agendado para 29 de setembro de 2014, em edição da gravadora Som Livre, o CD Sambô em estúdio e em cores traz no repertório músicas como Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, 1968), Eu só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia, 1973), Tempo perdido (Renato Russo, 1986), Tão bem (Lulu Santos, 1984) e Na rua, na chuva, na fazenda (Hyldon, 1973), entre outros sucessos nacionais e gringos. O repertório inclui pot-pourri com três sambas - Casa de bamba, Pra que dinheiro? e O pequeno burguês - gravados por Martinho da Vila no seu primeiro álbum, editado em 1969. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Rasa, biografia de Ronnie Von desperdiça boa história de vida do artista

Resenha de livro
Título: Ronnie Von - O príncipe que podia ser rei
Autores Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel
Editora: Planeta
Cotação: * *

Diz a lenda - reproduzida na biografia que festeja os 70 anos de vida do cantor Ronnie Von - que Roberto Carlos compôs e gravou Querem acabar comigo, música de seu álbum de 1966, com o Pequeno príncipe em mente. Pequeno príncipe era o epíteto dado ao então jovem artista fluminense - de criação paulista - pela apresentadora de TV Hebe Camargo (1929 - 2012). Pode parecer incrível para quem acompanhou a evolução das carreiras dos dois cantores a partir dos anos 1970, mas Ronnie Von chegou a ameaçar o reinado de Roberto Carlos na Jovem Guarda. A rivalidade é um dos assuntos abordados pelos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel na recém-lançada biografia Ronnie Von - O príncipe que queria ser rei. Pena que os autores não tenham detalhado mais a vida e obra deste artista nascido em berço de ouro. Rasa, a bem-escrita biografia de Ronnie patina na superfície ao narrar a história de Ronaldo Nogueira. Boa história desperdiçada em livro que mais parece um relato de wikipedia. Projetado em 1966 com sua gravação de Meu bem, ágil versão de Girl (John Lennon e Paul McCartney, 1965) escrita pelo próprio Ronnie com rapidez incomum na era pré-cibernética, o cantor alcançaria o topo do sucesso popular com o registro, em 1967, da marcha-rancho A praça, gravada a contragosto por insistência do autor da música, Carlos Imperial (1935 - 1992). Contudo, a carreira fonográfica de Ronnie nunca chegou a ser realmente relevante, em que pesem alguns hits esporádicos na fase pós-Jovem Guarda como o tema afro Cavaleiro de Aruanda (Tony Osanah, 1972) e as canções Tranquei a vida (Ronnie Von e Tony Osanah, 1977) e Cachoeira (música de Thomas Roth e Luiz Guedes lançada por Rosana em 1979, mas popularizada na gravação feita por Ronnie em 1984). Embora reconheçam as limitações de Ronnie como compositor, na comparação com o rival Roberto Carlos, os autores deixam entrever nas rasas páginas do livro uma admiração excessiva pela personagem principal da história que parecem ter apenas rascunhado. Falta à biografia um maior detalhamento da gênese dos álbuns de Ronnie. Até mesmo a trilogia psicodélica da virada dos anos 1960 para os 1970 poderia ser mais esmiuçada, embora ocupe razoáveis páginas do livro. Estabelecido nos últimos anos como apresentador de TV, retomando contato com o veículo que lhe deu projeção na época da rivalidade com Roberto Carlos, Ronnie viveu uma bela história em seus 70 anos de vida. Renegou o destino de empresário idealizado pelo pai, foi ídolo juvenil na Jovem Guarda, deu nome ao grupo Os Mutantes - inspirado por seu entusiasmo com a ficção científica do livro O império dos mutantes (Stefan Wul, 1958) - e enfrentou grave doença que quase o tirou de cena no fim dos anos 1970, ocasião em que recebeu a visita do ex-rival Roberto Carlos (então já definitivamente entronizado na preferência popular), que gravara música de Ronnie, Pra ser só minha mulher, em 1977. Tudo isso está em Ronnie Von O príncipe que queria ser rei de forma tão breve que fica a sensação de que ainda vai ser escrita uma biografia de Ronnie Von.

Moska prepara disco em dupla com Fito Paez para sair na América Latina

Embora esteja às voltas com o lançamento de seu 21º álbum, Rock and roll revolution, o cantor e compositor argentino Fito Paez já prepara outro disco. Desta vez, um álbum em dueto com Moska, cantor e compositor carioca habituado a fazer conexões com cantautores da América Latina, como o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, introduzido por Moska no universo pop brasileiro nos anos 2000. A ideia é que o disco em dupla de Fito e Moska - vistos em foto de Debora 70 - seja lançado em toda a América Latina em data ainda incerta.

Gal ganha inédita de Marisa e Arnaldo para disco que pode ficar para 2015

Gal Costa revelou - em entrevista ao apresentador de TV Amaury Jr. - que ganhou música inédita de Marisa Monte e Arnaldo Antunes para o disco que arquiteta sob a produção de Moreno Veloso e Kassin. O que a cantora - em foto de André Schiliró - não disse é que o aguardado álbum de inéditas pode ficar para 2015. Como o disco ainda não começou a ser efetivamente gravado, o lançamento ainda em 2014 torna-se mais inviável a cada dia que passa. Seja como for, Arnaldo e Marisa encorpam time estelar de compositores que deram músicas para o sucessor de Recanto ao vivo (Universal Music, 2013) e que é formado por Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira (com Antonio Cícero), Criolo (uma parceria com Milton Nascimento, Dez anjos), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcelo Camelo (a bela Espelho d'água, parceria com Thiago Camelo já apresentada no show de voz e violão a que dá nome) e Tom Zé.

Afetuoso, show 'Linha de frente' mostra a distância entre Milton e Criolo

Resenha de show
Título: Linha de frente
Artista: Milton Nascimento e Criolo (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de setembro de 2014
Cotação: * * * 

Quando Criolo sola Morro velho (1967), uma das seminais obras-primas do cancioneiro inovador de Milton Nascimento, o show Linha de frente expõe a imensa distância que existe entre o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes e o mais mineiro dos cantores e compositores cariocas, ícone da MPB surgida e cristalizada na era dos festivais dos anos 1960. Aos recém-completados 39 anos, Criolo vive ainda das glórias ocasionais conquistadas com um grande segundo álbum, Nó na orelha (Independente, 2011), que tirou o artista dos guetos do hip hop de São Paulo (SP) com azeitada mistura de rap, samba, bolero e soul. A caminho dos 72 anos, a serem completados em 26 de outubro de 2014, Milton vive das glórias eternas de obra já consolidada que abriu escaninhos na música brasileira e lhe deu projeção mundial com seu mix de sons das Geraes, Beatles, jazz e signos latino-americanos. Essa distância entre um e outro se amplia em cena quando Criolo - sem tarimba vocal para evidenciar no canto toda a beleza de uma música de forte significado social como Morro velho - exprime em Linha de frente toda sua gratidão por estar dividindo o palco, de igual para igual, com um gênio da MPB. O choro de Criolo no palco da casa Vivo Rio quando ouve Milton cantar parte de seu clássico Não existe amor em SP (Criolo, 2011) - em dueto que também jamais expõe toda a beleza do registro original da canção no álbum Nó na orelha -  é indício de que o próprio rapper tem consciência de que ainda precisa caminhar léguas tiranas para chegar na linha de frente ocupada por seu parceiro de cena. E tome afagos e beijos em Milton para expressar a gratidão por estar ali, dividindo o palco com seu ídolo diante de um público que se contenta com a real - mas pequena - interação entre os artistas. Milton e Criolo ficam juntos quase todo o tempo do show, eventualmente dividindo o palco com a (boa) cantora fluminense Júlia Vargas, convidada habitual da turnê nacional que estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 12 de setembro após ter tido apresentações em São Paulo (SP) interrompidas e canceladas por problemas de saúde de Milton. Só que o mergulho de Milton no cancioneiro de Criolo é raso. Sempre na superfície, Milton canta o refrão de Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011), dá voz a alguns versos do bolero kitsch Freguês da meia-noite - já abordado sem pudor por Ney Matogrosso no show Atento aos sinais (2013) - e, com Júlia Vargas, engrossa o coro do refrão de Bogotá (Criolo), solo do rapper. Já Criolo arrisca mais a imersão no universo da MPB de Milton, embora sua atuação vocal em músicas como O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1976) seja bem discreta. A entrada em cena de Júlia Vargas, a partir de Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971), ressalta a existência de vozes mais talhadas para encarar a interpretação de clássicos da MPB. Com sua voz grave, quente, a cantora fluminense deixa boa impressão em números como Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952), a ponto de ser o maior destaque do último número do bis, Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Bem mais à vontade na abordagem de sua obra autoral, Criolo cai sozinho no samba Casa de mãe (Criolo, 2012) e tem seu melhor momento quando dá voz à letra que construiu sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), música cantada na sequência por Milton com os versos originais que a censura tentou calar. Já Milton se basta quando, munido da sanfoninha que ganhou da mãe aos seis anos de idade, toca e canta Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974). Mesmo sem a potência dos áureos tempos vocais, Milton Nascimento continua - e lá vai permanecer sempre - na linha de frente da música brasileira, inclusive pela generosidade de dividir a cena em show afetuoso com um colega talentoso que ainda pavimenta a própria trilha.

sábado, 13 de setembro de 2014

Brasa das palavras de Criolo e Milton aquece o roteiro de 'Linha de frente'

É sintomático que a primeira música cantada no roteiro de Linha de frente - show que junta em cena o cantor e compositor carioca Milton Nascimento com o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes, o Criolo - seja A terceira margem do rio, bissexta parceria de Caetano Veloso com Milton composta com inspiração na prosa do escritor mineira João Guimarães Rosa (1908 - 1967). É a brasa das palavras dos cancioneiros autorais de Milton e de Criolo que aquece e conduz o roteiro do show Linha de frente, cuja turnê nacional estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 12 de setembro, em apresentação que levou fãs de Milton e de Criolo à casa Vivo Rio. Em cena, o cantor e o rapper entrelaçam seus respectivos cancioneiros em roteiro que abre espaço para a participação da cantora fluminense Júlia Vargas, convidada da turnê desde a estreia nacional em Minas Gerais.  Eis o roteiro seguido por Milton Nascimento e Criolo - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do show Linha de frente, em 12 de setembro de 2014:

*   Abertura instrumental
1. A terceira margem do rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1990)
2. O vento (Dorival Caymmi, 1949)
3. Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011)
4. O que será? (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976)
5. O cio da terra (Chico Buarque e Milton Nascimento, 1976)
6. Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
7. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) - com Júlia Vargas
8. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952) - com Júlia Vargas
9. Linha de frente (Criolo, 2011)
10. Freguês da meia-noite (Criolo, 2011)
11. Morro velho (Milton Nascimento, 1967)
12. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
13. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) - com Júlia Vargas
14. Bogotá (Criolo, 2011)
Bis:
15. Casa de mãe (Criolo, 2012)
16. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra de Criolo
17. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra original
18. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977) - com Júlia Vargas

Júlia Vargas é terceira margem do rio que abarca Milton e Criolo em cena

Cantora fluminense que lançou seu primeiro álbum em dezembro de 2012, em edição digital posta à venda no iTunes pela gravadora Sony Music, Júlia Vargas deixou boa impressão como convidada da estreia carioca de Linha de frente, show que junta em cena Milton Nascimento e o rapper paulistano Criolo e que está em turnê nacional desde junho deste ano de 2014. Anfitrião generoso, Milton abriu grande espaço para Júlia na apresentação feita na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 12 de setembro. Anunciada pelo artista carioca de alma mineira, a cantora entrou em cena no sexto número para pôr com Milton o tempero de Cravo e canela, parceria de Bituca com o letrista fluminense Ronaldo Bastos, lançada pelo grupo MPB-4 no álbum De palavra em palavra (Philips, 1971). Na sequência, já com Criolo de volta ao palco da casa Vivo Rio, Júlia puxou com sua voz grave e quente o samba Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952). Mais tarde, já perto do fim da apresentação, a cantora voltou à cena para ajudar a afiar Fé cega, faca amolada (1974), outra parceria de Milton com Ronaldo Bastos. E, numa segunda volta ao palco, já no fecho do bis, Júlia Vargas - vista com Milton e Criolo na casa Vivo Rio na foto de Rodrigo Goffredo - reiterou sua segurança vocal ao sobressair na boa lembrança de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant), música lançada em LP de 1977 na voz soberana de Elis Regina (1945 - 1982).

Juçara Marçal adiciona encarte com letras à edição física de 'Encarnado'

Lançado em formato digital em fevereiro deste ano de 2014, Encarnado - irretocável álbum solo da cantora paulistana Juçara Marçal - ganhou em abril uma edição física em CD, produzida com serigrafia e impressa manualmente, o que valorizou o projeto gráfico do disco, criado por Rubens Amatto a partir de desenho feito pelo compositor e guitarrista paulistano Kiko Dinucci, coprodutor do álbum. Como essa especial tiragem inicial logo se esgotou, Juçara providenciou a fabricação de uma segunda tiragem, lançada neste mês de setembro. A novidade é que, nessa segunda tiragem, a edição física de Encarnado - à venda nos shows da artista - traz encarte com as letras do disco, já garantido na lista de melhores de 2014. Vale ter uma cópia!

Com seu canto que voa leve, Ceumar rege a sinfonia calada de 'Silencia'

Resenha de CD
Título: Silencia
Artista: Ceumar
Gravadora: Circus
Cotação: * * * 1/2

"Quando eu rio / Tô sabendo / Que o meu canto / Tá voando / Levito leve / Se eu canto / Por isso canto", relativiza Ceumar através de versos de Levitando (Ceumar e Déa Trancoso), uma das 13 músicas de seu sexto álbum, Silencia. Após temporada no exterior que rendeu seu CD anterior, Live in Amsterdam (Independente, 2010), a cantora e compositora mineira  retoma sua trilha brasileira - pavimentada à margem do mercado fonográfico, devagar e sempre - com Silencia, disco pautado pela leveza dos arranjos calcados no violão de Ceumar e no violoncelo de Vincent Ségal, diretor musical do álbum e arranjador da maioria das 13 faixas. Revelada há 14 anos com Dindinha (Atração Fonográfica, 2000), disco gravado em 1999 com produção do padrinho artístico Zeca Baleiro, Ceumar dá voz a cancioneiro que costuma falar de natureza, de águas e terras entranhadas em Brasil distante dos centros urbanos. "Lágrima da Mantiqueira / Corre por mim nas Gerais", canta, evidenciando as origens mineiras, em Rio verde (Ceumar e Gildes Bezerra), boa canção que abre o disco. No tempo da delicadeza que rege a obra fonográfica de Ceumar, Silencia segue a trilha autoral evidenciada em Meu nome (Circus, 2009), álbum em que a artista assinou todas as 20 músicas. Em Silencia, Ceumar é coautora de músicas como Liberdade (Ceumar e Gildes Bezerra) e Choro cavaquinho (Ceumar e Sérgio Pererê), samba conduzido pelas cordas lacrimosas do cavaquinho de Webster Santos. A propósito, a suave trama de cordas que rege o disco abarca vários ritmos, englobando desde a vivacidade rítmica da nordestina Segura o coco (Di Freitas e Ceumar) até o toque afro-brasileiro imprimido ao fim de Encantos de sereia (Osvaldo Borgez) pela percussão de Ari Colares. Sem sair de seu tom, a cantora irmana canção de Vítor Ramil (Quem é ninguém, parceria do compositor gaúcho com Roger Scarton) e samba composto pela artista com Tatá Fernandes e Kléber Albuquerque, Justo, trunfo de repertório que destaca ainda uma parceria do paulistano Kiko Dinucci com Fabiano Ramos Torres (Engasga o gato). No fim do disco, a música-título Silencia - da lavra solitária de Ceumar - é cantada inicialmente entre toques minimalistas do violoncelo de Vincent Ségal, dando pistas da trilha seguida pela artista neste disco que transita entre o folk e a música brasileira. "Sempre só e não sozinho / Muita gente no caminho / Com calor e com carinho / Silencia a dor e faz dela / Uma sinfonia calada", ressalta Ceumar, que diz a que veio com seu canto que voa leve na sinfonia calada de Silencia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Amarante atinge o topo da beleza no caminho solitário do clipe de 'Tardei'

Segunda música divulgada do primeiro álbum solo de Rodrigo Amarante, Cavalo (Slap, 2013), a melancólica canção Tardei ganha clipe, lançado esta semana e já em rotação no YouTube. No clipe, filmado em locações de Marvão (Portugal), o cantor e compositor carioca faz sua caminhada solitária por montanhas, vales e rios de regiões inabitadas entre takes em que fixa a câmera ao entoar versos da canção. Produzido pela Cimbalino Filmes sob a direção de André Tentugal, o vídeo atinge picos de beleza em imagens que retratam a jornada existencial da personagem dessa canção de tom introspectivo como Cavalo. A edição é de Marcela Amarante.

MC Gui pega o bonde do frívolo funk ostentação nos primeiros CD e DVD

Mais um fenômeno de popularidade construído na web, onde sua música Bonde passou virou hit via YouTube, o cantor e compositor paulistano Guilherme Kaue Castanheira Alves, de apenas 16 anos, pega o bonde do frívolo gênero conhecido como funk ostentação. Exibicionista e autorreferente, como atestam as letras de músicas como Vem pra cá e Beija ou não beija, o repertório autoral de MC Gui - nome artístico do adolescente, conhecido no circuito do pop funk pelo epíteto de Príncipe da Ostentação - pode ser conferido no primeiro título da discografia do artista. Lançado nos formatos de DVD e CD ao vivo pela Universal Music, O bonde é seu traz o registro do show captado no Citibank Hall de São Paulo (SP) em 13 de abril de 2014. Ao longo do roteiro de 16 músicas, MC Gui canta com colegas como MC Nego Blue - autor e convidado de Se joga no fervo - e Buchecha, cantor fluminense com quem Gui revive um dos maiores sucessos da dupla Claudinho & Buchecha, Quero te encontrar (1997). Atento aos movimentos do mercado, MC Gui também faz conexões com o universo sertanejo em Doidinha, parceria do artista com Marcos Godoy e com os integrantes da dupla Alexandre & Adriano, convidada da faixa. Já Sonhar (Lucas Nage e MC Gui) - balada pop encorpada com arranjo de cordas - é tributo do jovem funkeiro ao irmão, Gustavo Matheus, morto em abril deste ano de 2014. Instante de menor frivolidade em repertório perecível. O bonde logo passa.

Zé Ricardo exibe fôlego curto no pálido '7 vidas', disco de poucos matizes

Resenha de CD
Título: 7 vidas
Artista: Zé Ricardo
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * 1/2

Artista carioca que segue a trilha brasileira de funk e soul aberta e pavimentada nos anos 1970 por pioneiros como Cassiano, Hyldon e Tim Maia (1942 - 1998), Zé Ricardo tem sido notado pela mídia nos últimos anos mais por seu trabalho à frente da escalação do miscigenado Palco Sunset (atração cult do festival Rock in Rio) do que por sua música. Status que vai se manter inalterado com a edição de 7 vidas, quinto álbum do cantor e compositor, recém-lançado pela gravadora Warner Music. Na contramão do vivaz Vários em um (Warner Music, 2011), álbum colorido em que Ricardo se pautou pelo samba, 7 Vidas é disco de poucos matizes, gravado entre Los Angeles (EUA) e Brasil. Formatado com assepsia pelo produtor Moogie Canazio, o repertório quase totalmente autoral enfileira canções assinadas somente pelo artista - Just fly (escolhida para promover o disco nas rádios), Coração giganteVocê fez casa em mim (de imagéticos versos românticos), Com você tudo é mar (feita pelo artista para celebrar sua filha Nina) e Amor e veneno, entre outras - que embutem maior ou menor dose de soul e / ou funk em suas levadas. A tendência natural do artista para o som black também dá outro colorido a Azul (Djavan, 1982), única regravação de um disco pautado pela perfeição técnica do toque de músicos norte-americanos como o baterista Aaron Sterling, o pianista Bill Brendle, o violonista Dean Parks, o baixista Sean Hurley e o guitarrista Tim Pierce, arregimentados pelo produtor Moogie Canazio. 7 vidas - a música-título - é balada de clima bossa-novista envolvida na aura meio muzak do álbum. Única parceria do disco, Na ponta do pé conecta Zé Ricardo a Gabriel O Pensador sem que se note na criação da música a colaboração do rapper carioca. No fim das 10 faixas, o samba Izabella - gravado no Brasil com a guitarra e o cavaquinho de Davi Moraes - exibe alguma brasilidade e um clima carnavalesco que remetem à vibe do álbum anterior de Zé Ricardo, dando um pouco de calor e energia a 7 vidas, disco elegante, só que de fôlego curto.

Marjorie apresenta 'Me leva', segundo single de seu terceiro álbum, 'Oito'

A atriz e cantora paranaense Marjorie Estiano está lançando Me leva, segundo single de seu terceiro álbum de estúdio, Oito, programado para ser lançado ainda neste mês de setembro de 2014. Música autoral, gravada com órgão hammond, Me leva sucede Por inteiro (Tenilson Del Rey, Jau e Paulo Vascon), o primeiro single de Oito, lançado em julho. "O repertório do disco flerta com vários gêneros, entre eles o brega sessentista. O órgão hammond está muito presente e em Me leva ele sugere um ambiente, algo à meia-luz, quente, expondo uma pessoa completamente subjugada a outra, em uma cadência rumo à catarse", conceitua Marjorie em nota sobre o álbum Oito dirigida à mídia. Me leva já está disponível para audição no YouTube.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Samba composto e gravado por Gil para filme 'Rio, eu te amo' ganha clipe

Rio, eu te amo - o samba composto e gravado por Gilberto Gil para a trilha sonora do filme homônimo, em cartaz nos cinemas do Brasil desde hoje, 11 de setembro de 2014 - ganha clipe. Já em rotação no YouTube, o vídeo do samba - incluído por Gil no roteiro do show Gilbertos samba - foi costurado com trechos dos dez episódios que compõem o filme Rio, eu te amo. A trilha sonora do filme já está disponível para venda no iTunes e não vai sair em CD.

Anitta lança versão em espanhol de 'Zen' com a adesão do 'rapper' Rasel

 De olho no mercado fonográfico latino formado por países de língua hispânica, Anitta lança single no iTunes com a gravação em espanhol de Zen (2013), balada assinada pela própria Anitta em parceria com Umberto Tavares e Jefferson Junior. A versão em espanhol de Zen foi gravada pela artista carioca com adesão do rapper espanhol Rasel, que inclui um rap na balada.

Disco ao vivo que recupera show de Gal com Gil vai ser lançado em vinil

Lançado pelo selo Discobertas neste mês de setembro de 2014, no formato de CD duplo, o álbum ao vivo Gilberto Gil & Gal Costa - Live in London '71 também vai ser editado no formato de vinil triplo, fabricado pela PolySom sob licença do selo Discobertas. O álbum apresenta o inédito registro de show feito pelos cantores baianos Gilberto Gil e Gal Costa em universidade de Londres, em 26 de novembro de 1971, durante o exílio de Gil na Inglaterra. Clique aqui para (re)ler a resenha do álbum - importante discoberta do produtor Marcelo Fróes.

Pethit anuncia álbum, 'Rock'n'roll sugar darling', feito com Cintra e Kassin

Thiago Pethit anunciou hoje, 11 de setembro de 2014, o lançamento de seu terceiro álbum, Rock'n'roll sugar darling, programado para chegar ao mercado fonográfico em novembro por vias independentes. Produzido por Adriano Cintra e por Kassin, o álbum tem - como já sugere seu título - pegada roqueira. Com foto feita em Los Angeles (EUA) pelo fotógrafo Gianfranco Briceño, a capa de Rock'n'roll sugar darling (acima) tem direção de arte de Pedro Inoue (autor de capas de discos do cantor inglês David Bowie), com quem Pethit já havia trabalhado em seu segundo álbum, Estrela decadente (Independente, 2012). Eleito como primeiro single de Rock'n'roll sugar darling, Romeo vai ser lançado ainda neste mês de setembro. O álbum - de repertório inédito e autoral - é introduzido por texto gravado pelo ator norte-americano Joe Dallesandro. Muso de Andy Warhol (1928 - 1987), Dalessandro é citado como Little Joe pelo cantor e compositor inglês Lou Reed (1942 - 2013) em sua canção Walk on the wild side

CD flagra Gal e Gil em Londres, em pleno exercício da liberdade musical

Resenha de CD
Título: Gilberto Gil & Gal Costa - Live in London '71
Artistas: Gal Costa & Gilberto Gil
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * * 1/2

O valor documental da edição do álbum duplo Gilberto Gil & Gal Costa - Live in London '71 paira acima de qualquer juízo sobre a qualidade técnica e musical da gravação ao vivo do show realizado pelos cantores baianos em 26 de novembro de 1971 no Student Centre da City University London, na Inglaterra. Afinal, como bem diz o pesquisador musical Marcelo Fróes no texto escrito para a contracapa do disco editado por seu selo Discobertas, o registro do show é capítulo inédito de história que já se pensava estar devidamente esmiuçada. Mas o fato é que, em 1998, Fróes encontrou a fita com a gravação - captada em estéreo, diretamente da mesa de som - do show feito por Gal e Gil em Londres durante o exílio de Gil na cidade que o acolheu juntamente com o amigo de fé Caetano Veloso. Voz dos exilados e da contracultura do Brasil naqueles anos de chumbo, Gal visitava ocasionalmente os amigos tirados à força de seu país natal. Foi nessas circunstâncias que fez com Gil esse show em que os dois artistas - Gil, sobretudo - exercitam sua liberdade musical de forma plena, longe dos olhos e dos ouvidos da censura  do Brasil que, cega aos direitos humanos, calava vozes que se levantavam contra o regime militar instaurado à força no país em 1964. Relevante discoberta, o álbum duplo apresenta os 18 números do show com qualidade técnica satisfatória se levadas em conta a época e as circunstâncias da gravação. O CD 1 perpetua as nove músicas do set feito por Gal, com Gil ao violão e nos vocais. O CD 2 eterniza os outros nove números feitos por Gil com os músicos Bruce Henry (baixo), Chiquinho Azevedo (percussão) e Tutty Moreno (bateria), arregimentados para montar a banda que acompanhou o cantor no show estreado em Londres e posteriormente apresentado no Brasil, em 1972, na volta de Gil do exílio. O set de Gal com Gil é a parte mais interessante e sedutora do show. A rigor, dos nove números, sete faziam parte do show Fa-Tal - Gal a todo vapor, apresentado com retumbante sucesso pela cantora no Brasil naquele ano de 1971. Só que a presença de Gil altera a dinâmica da apresentação do repertório ao público londrino, beneficiada pelo "clima de informalidade" que ambientou e regeu o show - como ressalta Gil antes de Gal cantar Dê um rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1971). Basta comparar os dois registros de Como dois e dois (Caetano Veloso, 1971) para perceber que tudo - a entonação, a divisão, a atmosfera - mudou na rota Rio de Janeiro -Londres. Nesse exercício de liberdade musical, Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971) exala suingue insuspeito, Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967) ganha o sutil contracanto de Gil ao fim da canção de aura bossa-novista e Acauã (Zé Dantas, 1952) - música que Gal gravou no álbum Legal (Philips, 1970), mas que não incluiu no roteiro do show Fa-tal - voa alto com a fricção das vozes agudas de Gal e Gil em rota que culmina com uma jam. Estimulada pelo "clima de informalidade", Gal se confirma verdadeira grande cantora ao brincar com o ritmo do samba Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944) e ao cair frenética no frevo Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1969). O violão percussivo de Gil e os vocais mastigados dos cantores em Sai do sereno (Onildo Almeida, 1965) - tema de clima forrozeiro que Gal nunca registrou em sua discografia oficial, mas que gravaria em dueto com Gil no álbum Expresso 2222 (Philips, 1972) - reiteram a fina sintonia entre os artistas, cúmplices na música e na ideologia. Já o set de Gil com sua banda londrina exercita ainda mais a liberdade de não se prender aos registros originais das músicas. Até porque, na ocasião desse show, algumas músicas - como Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972) e Oriente (Gilberto Gil, 1972) - ainda eram inéditas em disco e somente seriam gravadas na volta de Gil ao Brasil, no ano seguinte. Seja com músicas novas ou antigas, Gil entorta tudo, redesenhando com a banda a divisão e os contornos harmônicos de seu samba Aquele abraço (1979) e da seminal Procissão, (já oficializada) parceria com Edy Star, lançada em 1965. Com direito a improvisos, Gil e banda fazem jazz à moda brasileira. "That's it...", resume o cantor para a plateia, após os dez minutos de Brand new dream, a música autoral mais rara do set do cantor com o trio. Se os músicos exercitam a liberdade, o ouvinte precisa exercitar a paciência para compreender o jorro espontâneo de musicalidade que norteia registros longos como o de One o'clock last morning, 20th april, 1970, música gravada por Gil em seu disco londrino de 1971, o mesmo em que aborda Up from the skies (Jimi Hendrix, 1967), música também incluída no show. Enfim, por seu valor documental e musical, o CD duplo Gilberto Gil & Gal Costa - Live in London '71 é puro deleite para quem se interessa pela história da MPB, expondo ponto de convergência nas trajetórias de duas vozes que sempre pregaram a liberdade através do canto.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Roberto põe samba-exaltação de Ary em show gravado ao vivo nos EUA

Em 7 de setembro de 2011, Roberto Carlos gravou ao vivo o show que fez em Jerusalém com Aquarela do Brasil no roteiro. Só que acabou limando do CD ao vivo, do DVD e do blu-ray Roberto Carlos em Jerusalém o samba-exaltação lançado em 1939 pelo compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964). Três anos depois, Aquarela do Brasil ganha nova chance de ser incluída na discografia oficial do Rei. O cantor incluiu o samba no show que gravou na MGM Gran Garden Arena, em Las Vegas (EUA), em 6 de setembro de 2014. Outra novidade do roteiro do show do projeto Emoções em Las Vegas é a canção norte-americana I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935), já cantada em shows por Roberto, mas nunca gravada pelo Rei. Eis o roteiro seguido por Roberto Carlos - visto no palco da arena de Las Vegas na foto de Caio Girardi - no seu segundo show gravado ao vivo nos Estados Unidos:

1. Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)
2. Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) /

    Que será de ti? (versão em espanhol de Como vai você?)
3. Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) /
    Detalles (versão em espanhol de Detalhes)
4. Desahogo - versão em espanhol de Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979)
5. Mulher pequena (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1992)
6. Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)
7. Cóncavo y convexo 
    - versão em espanhol de O côncavo e o convexo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1983)
8. O calhambeque (Road hog) 
    (John Loudermilk e Gwen Loudermilk em versão de Erasmo Carlos, 1963)
9. Canzone per te (Sergio Endrigo, 1968)
10 El gato que está triste y azul (1979)
      - Versão em espanhol de Un gtato nel blu (Toto Savio, 1968)
11. I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935)
12. Breakfast 
      - Versão em inglês de Café da manhã (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978)
13. Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979)
14. Esse cara sou eu (Roberto Carlos, 2012) / 
      Ese tipo so yo (Roberto Carlos em versão em espanhol de Roberto Livi, 2014)
15. Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939)
16. El día que me quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1935)
17. Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)
18. Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970)
Bis:
19. Amada amante (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)
20. La distancia
      - Versão em espanhol de A distância (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972)
21. Yo solo quiero (Un millón de amigos)
      - Versão em espanhol de Eu quero apenas (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)

Ná Ozzetti grava disco de estúdio em São Paulo com o grupo Passo Torto

A cantora e compositora paulista Ná Ozzetti está em estúdio, em São Paulo (SP), gravando um disco com o Passo Torto - o quarteto paulistano formado pelos músicos e compositores Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Romulo Fróes. O álbum foi gerado a partir de projeto apresentado no Sesc Santo Amaro, em São Paulo (SP), em agosto de 2014. No projeto, intitulado Estúdio Aberto, Ná e o Passo Torto abriram ao público o processo de criação do repertório inédito e autoral ora gravado em estúdio pela artista e o grupo para a edição de CD.

Bethânia lê poemas de Pessoa em filme que estreia no Festival do Rio

Maria Bethânia vai recitar versos de Fernando Pessoa (1888 - 1935) na tela grande. No filme (O vento lá fora), que tem estreia agendada dentro da programação da edição de 2014 do Festival do Rio,  a intérprete baiana - em foto de Tomás Rangel - lê poemas do escritor português, nome recorrente em sua trajetória como cantora. No filme dirigido por Marcio Debellian, Bethânia divide a cena com a professora Cleonice Berardinelli, especialista na obra de Pessoa e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). As filmagens foram feitas em estúdio, em dois dias de gravação. O filme (O vento lá fora) tem cerca de uma hora de duração. O próximo Festival do Rio acontece entre 24 de setembro e 8 de outubro de 2014.

Título do disco pop feito por Elba com Luã e Yuri tem a ver com liberdade

Livre. Este é o título cogitado por Elba Ramalho para o álbum de tom pop contemporâneo que finaliza no Rio de Janeiro (RJ) sob produção de Luã Mattar e Yuri Queiroga. Liberdade é outro nome pensado pela cantora - em foto de Alex Ribeiro - para o disco, que, se depender da vontade da artista paraibana, vai ser lançado ainda neste ano de 2014 por via independente.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Disco 'Encontros pelo caminho', de Paula Fernandes, entra em pré-venda

Coletânea de duetos de Paula Fernandes com status de álbum por apresentar cinco gravações inéditas em 21 faixas, o CD Encontros pelo caminho entrou hoje, 9 de setembro de 2014, em pré-venda no iTunes. O lançamento está programado para 23 de setembro pela gravadora Universal Music. Encontros pelo caminho vai ser disponibilizado nos formatos de CD simples, CD duplo, DVD e em edição digital que inclui, de bônus, uma 22ª faixa. Trata-se de registro da música Pássaro de fogo (2008) feito pela cantora e compositora mineira com o astro angolano de soul music Anselmo Ralph. Eis - na ordem do CD - as músicas de Encontros pelo caminho:

1. Depois - com Victor & Leo
2. Highway don't care - com Tim McGraw
3. Over the rainbow - com Michael Bolton
4. Caminhoneiro (Gentle on my mind) - com Dominguinhos
5. Criação divina (ao vivo) - com Zezé Di Camargo
6. Pegando lágrimas - com Chitãozinho & Xororó
7. Se tudo fosse fácil (ao vivo) - com Michel Teló
8. Hoy me voy - com Juanes
9. You're still the one - com Shania Twain
10. Fire bird (Pássaro de fogo) - com Eric Silver
11. Humanos a Marte - com Chayanne
12. Não precisa (ao vivo) - com Victor & Leo
13. Harmonia do amor - com Zé Ramalho
14. Brazil - com Frank Sinatra
15. Jeito de mato - com Almir Sater
16. Tristeza do Jeca (ao vivo) - com Sérgio Reis e Renato Teixeira
17. Índia - com Leonardo
18. Quando a chuva passar - com Marcus Vianna
19. Romaria - com Tânia Mara
20. Meu grito de amor - com Eduardo Costa
21. Eu sem você - com Mickael Carreira
22. Pássaro de fogo - com Anselmo Ralph

Edição dupla junta discos feitos por Vinicius na Argentina nos anos 1970

Álbum duplo lançado pela gravadora Som Livre, Vinicius porteño reúne - na mesma edição - os dois discos gravados ao vivo pelo poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) na boate La Fusa, em Buenos Aires, capital da Argentina, em 1970 e em 1971. Ambos as gravações flagram Vinicius ao lado do cantor e compositor paulista Toquinho, com quem o Poetinha acabara de formar a dupla Toquinho & Vinicius. O disco de 1970 junta Vinicius com Toquinho e a cantora baiana Maria Creuza. Já o CD de 1971 traz a dupla com Maria Bethânia.

Pedro Luís bota ótimo bloco de composições na rua ao gravar DVD solo

Resenha de gravação de DVD
Título: Aposto
Artista: Pedro Luís (em foto de Ricardo Gomes)
Local: Estúdio do artista plástico Sérgio Marimba (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 31 de agosto de 2014
Cotação: * * * *

Pedro Luís é cantor que arrasta multidões. Só que a maior parte da multidão que segue seu Monobloco pelas ruas do Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do artista, desconhece a extensão do talento de Pedro como compositor. Talento que por vezes também fica pouco evidenciado atrás da massa percussiva da Parede, grupo com o qual o cantor se lançou no mercado fonográfico em 1997. O fato é que Pedro Luís - que já milita na cena musical brasileira desde o início dos anos 1980, década em que integrou a banda de rock Urge - tem bloco relevante de ótimas composições. Bloco que o artista vai pôr na rua com a edição de seu primeiro registro audiovisual de show solo. Na gravação ao vivo coproduzida pelo Canal Brasil e realizada em 31 de agosto de 2014, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o cantor deu voz a nada menos do que 23 músicas autorais em roteiro iniciado com Imantra - seminal parceria do artista com Antonio Saraiva, composta no já longínquo 1982 e lançada em disco em 1997 pela cantora mineira Via Negromonte - e concluído com a inédita De nós. Bela canção sobre a ausência do ser amado, De nós foi gravada em dueto com a cantora fluminense Zélia Duncan, parceira de Pedro na criação de Braços cruzados (2005), tema funkeado também incluído no roteiro do show captado para o DVD, que vai exibir, nos extras, encontros inéditos de Pedro com colegas como Mart'nália, Martinho da Vila, João Cavalcanti, Marcelinho da Lua e Bruna Caram (parceira de Pode se animar, uma das 23 músicas do roteiro). Feita sob a direção de Bianca Ramoneda e Jorge Bispo, a gravação ao vivo teve por base o roteiro do show Por elas, no qual Pedro rebobina suas músicas que ficaram conhecidas nas vozes de cantoras como a antenada Fernanda Abreu (parceira de Tudo vale a pena, música gravada em 1995, quando Pedro era conhecido somente nos bastidores), Adriana Calcanhotto - intérprete original de Mão e luva (1998) - e Roberta Sá, generosamente representada no roteiro pelo bloco que aloca Janeiros (Pedro Luís e Roberta Sá, 2007), Girando na renda (Pedro Luís, Serginho Paes e Flávio Guimarães, 2007) e No braseiro (Pedro Luís, 2005), músicas dos dois primeiros álbuns da artista. Mas Pedro não fez um show com público para filmar o DVD, idealizado para captar a obra em progresso, como um grande making of. Ambientada no estúdio do artista plástico carioca Sérgio Marimba, diretor de arte do DVD, a gravação foi feita diante de cerca de 20 convidados da produção, em clima íntimo, com direito às repetições e interrupções já típicas de registros do gênero. Nessa inusitada locação, que sugeria ambiente de ferro velho, o cantor reviveu suas músicas mais expressivas em tom eletroacústico, alternando-se entre o cavaco e o violão, sempre em sintonia com o toque da percussão de Paulino Dias. E aí, no desfile íntimo de músicas, ficou evidente a habilidade do cantor para compor tanto um repente agalopado - Fazê o quê? (1997), talhado para a voz de Elba Ramalho - quanto um samba como Na medida do meu coração (Pedro Luís e Ricardo Silveira, 2011) ou uma balada ítalo-brasileira, caso de Amar al mare, tema feito para a trilha sonora do filme S.O.S. mulheres ao mar (2014). Pedro Luís sabe cair tanto no suingue de Miséria. S.A. (2001) - música gravada pelo grupo carioca O Rappa - como no samba triste e lento, exemplificado no roteiro pelo obscuro Parte coração (2001), revivido pelo anfitrião em dueto com a cantora carioca Nina Becker. Enfim, ao pôr o bloco de composições na rua, com direito a eventuais inéditas como Aposto (parceria com Lucky Luciano, autor dos versos metalinguísticos), Pedro Luís mostra o progresso de obra já sutilmente entranhada na memória afetiva brasileira. Seu DVD solo merece arrastar multidões.

Música em dueto com Zélia brilha no roteiro do show gravado por Pedro

Bela canção que versa sobre a ausência do ser amado, com esperança de uma volta, De nós é uma das duas músicas inéditas de Pedro Luís incluídas no roteiro do show captado ao vivo em 31 de agosto de 2014 em set montado no estúdio do artista plástico Sérgio Marimba, no Rio Comprido, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ). De nós vai ser ouvida no primeiro DVD solo de Pedro em dueto com a cantora e compositora fluminense Zélia Duncan. A outra música inédita é Aposto, parceria com Lucky Luciano que versa sobre a surpresa de alguns espectadores dos shows de Pedro ao ouvirem músicas conhecidas que não julgavam ser de autoria desse  cantor, compositor e músico carioca que está em cena desde os anos 1980. Filmado sob a direção de Bianca Ramoneda e Jorge Bispo, o DVD resume a obra autoral de Pedro Luís em roteiro que começa com Imantra -  longínqua parceria do artista com Antonio Saraiva, composta em 1982 e lançada em disco em 1997 pela cantora Via Negromonte  -  e termina com a inédita De nós. Eis o roteiro seguido por Pedro Luís - visto com Zélia Duncan na foto de Ricardo Gomes - nessa sua primeira gravação ao vivo de show de sua carreira solo:

1. Imantra (Pedro Luís e Antonio Saraiva, 1997) - música composta em 1982 
2. Tudo vale a pena (Pedro Luís e Fernanda Abreu, 1995)
3. Noite severina (Pedro Luís e Lula Queiroga, 2001)
4. Os beijos (Pedro Luís e Ivan Santos, 2007)
5. Janeiros (Pedro Luís e Roberta Sá, 2007)
6. Girando na renda (Pedro Luís, Serginho Paes e Flávio Guimarães, 2007)
7. No braseiro (Pedro Luís, 2005)
8. Amar al mare (Pedro Luís, 2014) - Música da trilha do filme S.O.S. mulheres ao mar
9. Mão e luva (Pedro Luís, 1998)
10. Soul (Pedro Luís, 1997)
11. Braços cruzados (Pedro Luís e Zélia Duncan, 2005)
12. Pode se animar (Pedro Luís e Bruna Caram, 2012)
13. Interesse (Pedro Luís e Suely Mesquita, 2004)
14. Rosa que encanta (Pedro Luís e Rodrigo Maranhão, 1997)
15. Fazê o quê? (Pedro Luís, 1997)
16. Caio no suingue (Pedro Luís, 1997)
17. Na medida do meu coração (Pedro Luís e Ricardo Silveira, 2011)
18. Aposto (Pedro Luís e Lucky Luciano, 2014) - música inédita
19. Bela fera (Pedro Luís, 2011)
20. Girassol (Pedro Luís, Toni Garrido, Bino Farias, Lazão e Da Gama, 2002)
21. Miséria S.A. (Pedro Luís, 2001)
22. Parte coração (Pedro Luís, 2001)
23. De nós (Pedro Luís, 2014) - música inédita

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pedro Luís revive samba de 2001 com Nina Becker no primeiro DVD solo

Samba lento e melancólico sobre casal cúmplice até na dor e na tristeza da separação, Parte coração - composto por Pedro Luís e lançado pelo artista carioca no álbum Zona e progresso (MP,B Discos, 2001), gravado com a Parede - ganha a voz da também carioca Nina Becker. Em momento de reconhecimento como cantora por conta do disco em que aborda o repertório de Dolores Duran (1930 - 1959), Nina foi uma das convidadas de Pedro Luís na gravação do primeiro DVD solo do cantor. O dueto em Parte coração foi belo momento da gravação feita no estúdio do artista plástico Sérgio Marimba, no Rio de Janeiro (RJ), em 31 de agosto de 2014. Pedro e Nina - em foto de Ricardo Gomes - harmonizaram vozes e se afinaram no dueto filmado sob a batuta de Bianca Ramoneda e Jorge Bispo, diretores da gravação ao vivo.

Eis a capa do álbum em que Marya Bravo dá voz a canções da resistência

Esta é a expressiva capa de Comportamento geral - Canções da resistência, álbum em que a cantora carioca Marya Bravo revive 13 músicas de compositores - como Chico Buarque, Ivan Lins e Gonzaguinha (1945 - 1991) - que levantaram a voz contra o golpe de 1964 que aniquilou a democracia no Brasil até 1985. Com capa assinada por Eduardo Kurt, o disco é o registro de estúdio do show Apesar de você, apresentado por Bravo no Rio de Janeiro (RJ) em julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena. A convite do DJ Zé Pedro, Bravo gravou  em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) 13 das 17 músicas do roteiro do show para disco editado pela gravadora Joia Moderna neste mês de setembro de 2014. O lançamento digital do álbum Comportamento geral - Canções da resistência está programado para 19 de setembro. Na sequência, em outubro, a edição física em CD chegará ao mercado fonográfico. Eis, na ordem do CD, as 13 faixas do álbum Comportamento geral - Canções da resistência:

1. Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972)
2. Gás neon (Gonzaguinha, 1974)
3. Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins, 1977)
4. Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973)
5. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
6. Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1969)
7. Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978)
8. Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975)
9. Roda viva (Chico Buarque, 1968)
10. Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974)
11. Apesar de você (Chico Buarque, 1970)
12. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1970)
13. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1969)

Quarteto em Cy tem três discos de três décadas reeditados na série Tons

 A gravadora Universal Music prepara reedições de três títulos da discografia do Quarteto em Cy, que neste ano de 2014 festeja 50 anos de atividade profissional. São três discos de três décadas distintas. As reedições serão embaladas em caixa de série Tons, prevista para chegar ao mercado fonográfico em 2015. A caixa Três tons do Quarteto em Cy vai trazer reedições dos álbuns Som definitivo (Forma, 1966), Antologia do samba-canção (Philips, 1975) e Quarteto em Cy interpreta Gonzaguinha, Caetano, Ivan e Milton (Philips, 1980). Disco de tom jazzístico, Som definitivo foi gravado e assinado pelo Quarteto em Cy com o Tamba Trio.

Mestre do sambalanço, o cantor Miltinho sai de cena no Rio aos 86 anos

Chico Buarque era fã dele. Milton Santos de Almeida (31 de janeiro de 1928 - 7 de setembro de 2014) - o cantor carioca conhecido pelo nome artístico de Miltinho - tinha vários outros admiradores do mesmo quilate. É que Miltinho - que saiu ontem de cena, no Rio de Janeiro (RJ), aos 86 anos, vítima de parada cardíaca - caía fácil no suingue com uma divisão rara e personalíssima. Miltinho começou sua carreira de cantor nos anos 1940 como integrante de grupos vocais como Anjos do Inferno, Namorados da Lua e Quatro Ases e um Coringa. Mas foi somente em 1960 que o intérprete debutou na carreira solo, após ter militado nos bailes da vida noturna carioca, ao longo dos anos 1950, década em que exercitou o canto atento como integrante do conjunto Milionários do Ritmo. A fase áurea de sua discografia é formado pelos álbuns gravados na extinta gravadora Odeon entre 1966 e 1976. Antes, gravou discos com os selos das gravadoras RCA, RGE e Sideral. Estes discos já traziam, entre chorosos sambas-canção, os sambas sincopados que fariam a fama de Miltinho em sua carreira solo. Um dos mais conhecidos, Mulher de 30 (Luiz Antônio), foi gravado originalmente pelo cantor no álbum Um novo astro (Sideral, 1960). Mestre do sambalanço, Miltinho deu voz a músicas de compositores como o carioca Luis Antônio (1921-1996) e a dupla formada por Haroldo Barbosa (1915-1979) com Luis Reis (1926 - 1980). Sempre com o suingue e a divisão esperta que lhe renderam fãs como Chico Buarque. Como dito na capa de um de seus LPs, Miltinho foi samba!!