terça-feira, 15 de abril de 2014

Lô conceitua coletânea centrada na sua produção do período 2003 - 2013

Artista que nunca acertou o ritmo industrial ditado pelas gravadoras, Lô Borges estava habituado a lançar discos de inéditas de forma espaçada. Mesmo no período em que esteve em maior evidência na cena musical brasileira, ao longo dos anos 1970 e 1980, o cantor e compositor mineiro sempre caminhou no ritmo de seu próprio passo. Que foi acelerado na década que vai de 2003 a 2013. Nesse período, motivado pelo que caracteriza de "necessidade imperiosa de produzir coisas novas", Lô gravou nada menos do que quatro álbuns de inéditas. Os CDs Um dia e meio (2003), BHanda (2006), Harmonia (2008) e Horizonte vertical (2011) registraram a intensa produção autoral do compositor no período. Produção compilada nos 14 fonogramas que compõem a coletânea 2003 - 2013, editada simultaneamente pela Ultra Music Records com o Songbook Lô Borges posto no mercado literário pela Neutra Editora. No material promocional enviado à imprensa, o artista conceitua a compilação. Com a palavra, Lô:

"Quando em 2000 o relógio do tempo mudou a década, o século, o milênio, senti uma necessidade imperiosa de fazer coisas novas, compor, gravar discos. Comecei a colocar em prática esse meu desejo. Compus quase 60 músicas e gravei 4 discos de inéditas. Depois de Horizonte vertical, o meu mais recente álbum, passei a pensar em uma coletânea, uma compilação remasterizada sobre esse trabalho construído nessa década. Fiquei quase um ano escolhendo as canções que representassem bem esse período, aproveitando o lançamento de um songbook com canções de todos os tempos da minha carreira. Aliás, esse songbook foi muito aguardado e feito com muito carinho, dedicação e trabalho pelas pessoas envolvidas. Ele é super útil para quem quiser ter contato com a minha obra e com a coletânea. Espero com esse disco deixar o público mais inteirado da minha produção recente. O trabalho foi feito, está aí a compilação da última década, e eu espero que vocês gostem das minhas escolhas". Lô Borges

Songbook indica caminhos para se chegar em 55 músicas de Lô Borges

Sócio-fundador do Clube da Esquina, tendo gravado e assinado com Milton Nascimento o álbum duplo de 1972 que organizou o mais importante movimento musical das Geraes, o cantor e compositor mineiro Lô Borges construiu obra autoral pautada por refinados caminhos harmônicos. Produzido por Barral Lima, o Songbook Lô Borges indica os caminhos para se chegar nessa obra, mais precisamente para adentrar os meandros das 55 músicas de Lô que tiveram letras, partituras e cifras transcritas por Carlos Laudares para o segundo livro da série iniciada pela Neutra Editora em 2013 com o lançamento do igualmente caprichado Songbook Beto Guedes. O livro de Lô está sendo editado neste mês de abril de 2014 com aval do próprio Lô Borges, que revisou as partituras e cifras de seu cancioneiro para o songbook. Breve certeiro ensaio escrito por Pablo Castro, Alquimista da harmonia, disseca a obra de Lô Borges - disco por disco - a partir da reconstituição dos passos fonográficos do artista. Passos que se tornaram mais rápidos a partir dos anos 2000. O que justificou a edição - simultânea com o Songbook Beto Guedes - da coletânea 2003 - 2013, que reúne 14 fonogramas extraídos dos quatro álbuns de inéditas gravados pelo artista nessa década de intensa produção.

25º prêmio da música une Careqa, Cauby e Monobloco na canção popular

Categoria quase sempre sujeita a distorções ao longo das 25 edições do Prêmio da Música Brasileira, Canção popular -  nome que, em sua origem, já simboliza um eufemismo para brega - junta neste ano de 2014 três álbuns de universos musicais bem distintos. Reencontro (Nova Estação, 2013) - terceiro disco gravado em dupla pelos cantores fluminenses Ângela Maria e Cauby Peixoto - concorre ao prêmio de Melhor Álbum nessa genérica categoria com Made in China (oitavo CD de Carlos Careqa, editado em 2013 pelo selo BED, deste compositor catarinense radicado em São Paulo e mais associado à cena indie do que à canção popular) e com Arrastão da alegria (Som Livre, 2013), segundo álbum de estúdio do carnavalesco grupo carioca, habituado a trazer sucessos da MPB e do pop nacional para o universo do samba. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ). Eis álbuns indicados em outras categorias:

Álbum erudito:
* Concerto antropofágico - Osesp
* Heitor Villa-Lobos (Sinfonias n° 6 e n° 7) - Osesp
* Rachmaninov - Osesp

Álbum infantil:
* A família - Cria
* Arca de Noé - vários artistas
* Rabiola, ola, catibiribola - Silvia Negrão

Álbum instrumental:
* Continente - Yamandu Costa
* Mundo de Pixinguinha - Hamilton de Holanda
* Ninho de vespa - Spok Frevo Orquestra

Álbum em língua estrangeira:
* As canções do Rei - Leny Andrade
* Leila Maria canta Billie Holiday in Rio - Leila Maria
* Zeski - Tiago Iorc

Álbum projeto especial:
* Ao vivo - Marcos Valle e Stacey Kent
* Caymmi - Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi
* Sambabook - Martinho da Vila

Álbum projeto visual:
* Arca de Noé - Vários artistas
* Atento aos sinais - Ney Matogrosso
* Todo dia é o dia do mundo - Lula Queiroga

Álbum regional:
* 3 Brasis - 3 Brasis
* Quinteto Violado canta Gonzagão - Quinteto Violado
* Zulusa - Patrícia Bastos

Gal e Zélia disputam 25º prêmio da música com rappers na categoria DVD

Categoria especial do Prêmio da Música Brasileira que abrange todos os gêneros musicais, o troféu de melhor DVD vai ser disputado de forma acirrada na 25ª edição da premiação por dois rappers paulistanos, Criolo e Emicida, com duas cantoras. Os rappers concorrem com Gal Gosta e Zélia Duncan por conta do DVD Criolo & Emicida ao vivo, registro de show que uniu os dois artistas da cena hip hop de São Paulo. Com fôlego, Gal está no páreo com Recanto ao vivo, DVD que perpetua com requinte o consagrado show baseado no renovador álbum Recanto (2011). Mas Gal tem em Zélia Duncan concorrente de igual peso. A artista fluminense também pode levar o prêmio por Totatiando, primoroso registro do espetáculo teatral em que Zélia dá voz e vida a músicas do compositor paulista Luiz Tatit sob a fina direção da atriz Regina Braga.

Recordista do 25º prêmio da música, Das Neves enfrenta baiano Riachão

O cantor, compositor e baterista carioca Wilson das Neves é o recordista de indicações da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Por conta de seu quarto disco como cantor, Se me chamar, ô sorte (MP,B Discos / Universal Music, 2013), o artista disputa consigo mesmo o prêmio de Melhor canção. Todas as três músicas que concorrem na categoria - Cara de queixa (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, 2013), Samba para João (Wilson das Neves e Chico Buarque, 2013) e Se me chamar, ô sorte (Wilson das Neves e Cláudio Jorge) - são oriundas incrivelmente do mesmo disco de Das Neves. Diante desse feito inusitado, o CD Se me chamar, ô sorte obviamente concorre ao troféu de Melhor álbum na categoria samba, disputando o prêmio com Matéria-prima (disco de inéditas lançado de forma independente em 2013 pelo cantor e compositor carioca Sombrinha) e com Mundão de ouro (disco do compositor baiano Riachão). Cabe lembrar que o samba é o homenageado de 2014 na premiação idealizada e produzida pelo empresário José Maurício Machline. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Álbuns de Edu, Gal, Joyce, Ney e Ramil disputam o 25º prêmio da música

Edu Lobo, Gal Costa, Joyce Moreno, Lula Queiroga, Ney Matogrosso e Vitor Ramil estão entre os 103 nomes indicados nas 16 categorias da 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Todos têm discos concorrendo a prêmios de melhor álbum nas categorias MPB e Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk. Mas chama atenção fato inédito na história do prêmio idealizado e produzido pelo empresário José Maurício Machline: indicado a melhor álbum de Pop / Rock / Reggae / Hip hop / Funk, o quarto disco solo do cantor e compositor pernambucano Lula Queiroga, Todo dia é o fim do mundo (2011), já havia disputado em 2012 o mesmo prêmio, na mesma categoria, na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira. A sua nova (discutível...) indicação é resultante de o CD ter sido reeditado em 2013 pela gravadora Universal Music, dois anos após Queiroga ter lançado o disco de forma independente. Seja como for, Todo dia é o fim do mundo vai disputar o troféu com Atento aos sinais (Som Livre, 2013 - registro de estúdio do atual show do cantor Ney Matogrosso) e com Recanto ao vivo (Universal Music, 2013 - registro ao vivo do atual show da cantora Gal Costa). Na categoria MPB, os três CDs indicados ao troféu de melhor álbum do gênero são Edu Lobo & Metropole Orkest (Biscoito Fino, 2013), Foi no mês que vem (Satolep Music, 2013 - CD duplo revisionista do compositor gaúcho Vitor Ramil) e Tudo (Biscoito Fino, 2013 - álbum de inéditas gravado por Joyce Moreno em 2012 para o mercado japonês). Os 103 indicados foram revelados hoje, 14 de abril de 2014.

Hudson se une a Timbaland em 'Walk it out', single de seu terceiro álbum

Com lançamento no iTunes agendado para 15 de abril, Walk it out é o primeiro single oficial do terceiro álbum de estúdio da cantora norte-americana Jennifer Hudson. A música conta com vocais de Timbaland, produtor da faixa. Sucessor de I remember (2011), o terceiro álbum de Hudson vai ser lançado neste ano de 2014, em data ainda ignorada, em edição da RCA Records distribuída pela Sony Music. Com envolvente pulsação blackWalk it out é o primeiro single da cantora desde I can't describe (The way I feel), música composta e produzida pelo hypado Pharrell Williams. Gravada com rap do norte-americano T.I., I can't describe (The way I feel) foi lançada em setembro de 2013 e jogou a cantora na pista, com ecos de disco music.

Fiel aos standards, Boaventura vai de Morris a Sinatra em 'One more kiss'

O ator e cantor baiano Daniel Boaventura segue a trilha dos standards norte-americanos no quarto título de sua discografia, One more kiss. Nas lojas entre o fim deste mês de abril e o início de maio de 2014, o CD alinha regravações de duas músicas associadas à voz do cantor norte-americano Frank Sinatra (1915 - 1998) - The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) e My way (Claude François e Jacques Revaux em versão em inglês de Paul Anka, 1969) - e de um clássico póstumo do genial soulman norte-americano Otis Redding (1941 - 1967), (Sittin' on) The dock of the bay (Otis Redding e Steve Cropper, 1968). O repertório de One more kiss também inclui Feelings (Louis Gasté e Morris Albert, 1974), canção franco-brasileira que se tornou sucesso mundial nos anos 1970 a partir da adaptação feita pelo brasileiro Morris Albert de tema francês. Boaventura dá voz ainda a um sucesso da fase infanto-juvenil do cantor norte-americano Michael Jackson (1958 - 2009), I wanna be where you are (Arthur Ross e Leon Ware, 1972). A música que inspirou o título do CD, One more kiss, dear é tema da trilha sonora composta pelo músico grego Vangelis para o filme Blade Runner (1982).

Lea Michele voa baixo em 'Louder', disco solo repleto de baladas triviais

Resenha de CD
Título: Louder
Artista: Lea Michele
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 

A projeção mundial alcançada pela atriz e compositora norte-americana Lea Michele no papel de Rachel Berry - protagonista da hypada série de TV Glee - alimentou expectativas em relação ao primeiro disco solo da artista de boa voz. Expectativas frustradas com a audição de Louder, álbum que segue fórmulas de sucesso tidas como certeiras pela indústria fonográfica dos Estados Unidos, mas que dissolvem a personalidade de Lea Michele a ponto de a cantora sequer conseguir se diferenciar entre tantas similares estéreis colegas norte-americanas. Como o single Cannonball já sinalizara, Louder bate insistente na tecla das baladas, versando sobre relacionamentos afetivos com letras que adquirem grau adicional de emoção pelo fato de o namorado da artista - o também ator e cantor Cory Monteith (1982 - 2013), colega de Michele no elenco de Glee - ter sido encontrado morto em julho do ano passado. A canção If you say so alude à precoce saída de cena de Monteith, fechando repertório dominado por baladas que parecem discutir a relação do desfeito casal 20 da TV norte-americana. A melhor balada dessa safra comum é Burn with you, canção ardente. Entoada em tons suaves, Battlefield também poderá contentar fãs de baladas fabricadas em série pelos hitmakers da indústria do disco. A potência da voz de Lea Michele salta aos ouvidos em baladas como Cue the rain Thousand needles. Mas tudo soa tão trivial no disco que, por mais que algumas emoções pareçam reais, elas soam artificiais. Alocadas como a segunda e a nona das 11 faixas do CD, respectivamente, On my way e Don't let go se diferenciam em Louder pelo tom pop que tangencia atmosfera roqueira. Mesmo assim, Louder jamais voa alto, permanecendo em perigosa zona de conforto.

Belo livro revela como Circo Voador fez história a partir de onda de verão

Resenha de livro
Título: Circo Voador - A nave
Autor: Maria Juçá
Editora: Edição do autor
Cotação: * * * *

É impossível dissociar a história do rock brasileiro dos anos 1980 do Circo Voador, palco libertário erguido sobre as areias da praia do Arpoador, no Rio de Janeiro (RJ), em janeiro de 1982. Foi no verão que a banda carioca Blitz invadiu a praia dominada pela MPB, abrindo as comportas do mercado musical para grupos também debutantes como o Barão Vermelho e, um ano depois, o Kid Abelha. Foi sob a lona mais pop do Rio que essas bandas encontraram abrigo para se apresentar para um público que falava sua língua. Ecoando o começo de era propagado pelas ondas da Rádio Fluminense, outro veículo fundamental para a consolidação do rock na indústria da música, o Circo Voador fez história. E ainda faz, erguido no coração da Lapa, bairro do Centro do Rio para onde migrou em outubro daquele mesmo ano de 1982. Se o Circo não foi uma onda passageira de verão, muito de sua permanência e importância se deve ao caráter empreendedor da jornalista, radialista e produtora Maria Juçá. É Juçá - catarinense de alma carioca - quem conta a sua história e a da casa em Circo Voador - A nave, livro de narrativa arejada como as mentes que tornaram realidade o Circo e o sonho. Entre dados autobiográficos, Juçá rememora a construção da cena pop carioca dos anos 1980, relembrando momentos iniciais de nomes como Lobão e Paralamas do Sucesso. Cena que ecoou por todo o Brasil e que também tinha Brasília (DF) e São Paulo (SP) como núcleos-base. Tanto que bandas dessas duas cidades se apresentaram no Circo. O relato do festival punk organizado no Circo para dar visibilidade a bandas formadas por músicos com fome de comida e rock é uma das passagens mais saborosas do absorvente livro. Aliás, Juçá nunca tira onda: sem papas na língua politicamente incorreta, a produtora rememora a estrutura precária do Circo em seus anos iniciais, a luta para derrotar a máfia de seguranças corruptos na reabertura da casa em 2004, o estrelismo de certos artistas - com menção honrosa para o relato do piti de Lulu Santos por ter que entrar no Circo pela mesma porta do público - e a luta cotidiana para fechar as contas. Mesmo que a reprodução integral de entrevistas (algumas antigas, transcritas de jornais, outras inéditas) quebre por vezes o ritmo da narrativa, o livro logo torna a alçar voo porque são muitos os causos colecionados. Vale mencionar a dor de cabeça tida pela produtora quando peitou Tim Maia (1942 - 1998) - que, às voltas com duas prostitutas, deixou de fazer o show programado pelo Circo em agosto de 1984 - e o bolo do cantor carioca foi parar nas páginas do Jornal do Brasil para a fúria santa do Síndico. Longe de ser documento oficial sobre a casa, Circo Voador - A nave expõe o relato passional e pessoal de uma profissional que por vezes trabalhou de graça em nome de uma ideologia. Nada é maquiado no livro. As lembranças dos bicões que infestavam os camarins dos anos 1980 para disputar com os artistas cervejas bebidas em copos plásticos - estratégia para fazer a loura render mais - exemplificam o tom coloquial e sincero da narrativa. Juçá também enfatiza que o clima de irmandade dos primeiros heroicos tempos cedeu lugar a uma estrutura mais profissional, capaz de viabilizar a manutenção do Circo Voador como palco auto-sustentável.  O palco preferido do guitarrista e compositor carioca Celso Blues Boy (1956 - 2012), um dos recordistas de shows e público ao longo das três décadas de vida do Circo. A narrativa de 21 capítulos vai até os dias de hoje, lembrando, por exemplo, a recente ida a um show no Circo de ninguém menos do que lady Madonna. O relato é sempre quente. Transborda ao longo das caudalosas 704 páginas do livro o apego da comandante por sua nave. Nesse sentido, o livro de Maria Juçá conta uma história de amor. Amor pela música, pela liberdade e, sobretudo, por um palco que fez (e faz) história.

Com emoção, filme conta saga de Dominguinhos no tom árido do sertão

Resenha de documentário musical
Título: Dominguinhos
Direção: Joaquim Castro, Eduardo Nazarian, Mariana Aydar
Idealização e direção musical: Eduardo Nazarian, Mariana Aydar e Duani
Roteiro: Di Moretti
Cotação: * * * *
Estreia nos cinemas prevista para maio de 2014

Um pião a rodar na terra seca do sertão é a primeira imagem de Dominguinhos, tocante documentário que reconta a saga do cantor, compositor e sanfoneiro José Domingos de Morais (Garanhuns - PE, 12 de fevereiro de 1941 - São Paulo - SP, 23 de julho de 2013). Por Dominguinhos ter sido de lá do sertão, do interior do mato, Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar - diretores do filme exibido na 19ª edição do festival de documentários É tudo verdade antes de entrar em circuito nos cinemas em estreia prevista para maio de 2014 - acertam ao focar a história de Seu Domingos no tom árido da caatinga. Mas tal aridez, que remete à estética do filme Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963), é diluída pela emoção que brota na tela como chuva a aliviar a seca e o cotidiano do sertanejo. São águas abundantes como as lágrimas incontidas da cantora Nana Caymmi ao dar voz - em número feito para o filme - à canção Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) diante da sanfona e do olhar terno do compositor da música. Lançada pela própria Nana, Contrato de separação simboliza no roteiro de Di Moretti o fim do casamento de Dominguinhos com sua primeira esposa, Janete. Capítulo triste da saga narrada na primeira pessoa pelo próprio Dominguinhos através da fina costura de depoimentos em off captados pelos diretores do filme com trechos de entrevistas concedidas pelo artista a programas de TV. A saga é contada em ordem cronológica em rota que vai da interiorana cidade pernambucana de Garanhuns - que viu Dominguinhos nascer, filho de pais alagoanos descendentes de índios - aos palcos mais nobres do Brasil. Da aridez da interpretação juvenil d'O canto de Acauã (Dominguinhos e Anastácia, 1976), símbolo da vida seca dos tempos em que o pai agricultor tirava da roça pobre o sustento da família, às águas que marejam os olhos do cantor na interpretação maturada da canção De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1975), o documentário Dominguinhos segue por trilhas musicais que temperam com sentimento a aridez de uma história de luta travada no Rio de Janeiro (RJ) a partir de 1954, ano da migração do sertanejo. "Acaba tudo em baião", resume lá pelo fim o próprio contador de seu causo. Antes, contudo, outros ritmos (como bolero e chá-chá-chá) entraram na história na fase em que o artista se sustentou tocando em boates cariocas. Matriz que inspirou Dominguinhos antes de o artista delinear sua própria identidade no universo musical da Nação Nordestina, o influente mestre Luiz Gonzaga (1912 - 1989) ajudou seu aprendiz nesse difícil início longe das origens. Mas Dominguinhos, tanto o filme como o artista, evitam o lamento sertanejo. A saga é lembrada sem mágoas, com ênfase nos bons momentos, como a volta definitiva para o aconchego dos ritmos nordestinos no álbum Fim de festa (Cantagalo, 1964). Apesar do título de ressaca, tal LP simbolizou o início de nova era na vida musical do então jovem Domingos. Os anos 1970 lhe trariam  visibilidade nacional através de parcerias com expoentes da já então consolidada MPB. A conexão mais notória de Dominguinhos nessa época de consolidação foi com Gilberto Gil, parceiro letrista de Lamento sertanejo (1973) e intérprete original de Eu só quero um xodó (Dominguinhos e Anastácia, 1973), xote ouvido no filme em número antigo de Gil com Dominguinhos, extraído de programa de TV. Eu só quero um xodó é uma das músicas mais famosas da parceria do cantor com sua segunda mulher, Anastácia. Obra que contabiliza 210 músicas. "Fora as que ela jogou fora quando ficou com raiva de mim", adiciona Dominguinhos em instante de humor no filme. Que, ao fim, pega o caminho de volta para o sertão, por ter Seu Domingos sido de lá, da caatinga do roçado, mesmo quando habitava cidades grandes, longe de sua terra. Embora omita feitos e fatos de Dominguinhos a partir dos anos 1990, o filme impressionista de Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar cumpre de forma emocionante a função de expor a grandeza da vida e obra do artista que focam com ternura. Ao viajar pelo Brasil árido de José Domingos de Morais, o filme traz na mala bastante saudade do (imortal) gigante gentil da nação nordestina.

domingo, 13 de abril de 2014

Eis a capa do sexto álbum de estúdio do Linkin Park, 'The hunting party'

Esta é a capa do sexto álbum de estúdio do grupo norte-americano Linkin Park, The hunting party. O sucessor do álbum The living things (2012) foi produzido por Mike Shinoda e Brad Delson, integrantes da banda de nu metal. O primeiro single - Guilty all the same, gravado com o rapper norte-americano Rakim, MC do duo Eric B & Rakim - já está em rotação na web desde 7 de março de 2014, mas o álbum somente será lançado em 17 de junho pela gravadora Warner Music. Os nomes das demais músicas do álbum The hunting party ainda são ignorados.

Último álbum de inéditas do grupo Ratos de Porão ganha edição em vinil

Enquanto esperam o mês de maio de 2014 para ouvir o primeiro álbum de inéditas dos Ratos de Porão em oito anos (Século sinistro, previsto de início para ter sido lançado em março), os fãs do grupo paulistano já têm à disposição em vinil do último álbum da banda que cruza punk com metal. Homem inimigo do homem (Deck, 2006) está sendo lançado neste mês de abril de 2014 no formato de LP. O vinil de 180 gramas chega ao mercado com selo da fábrica Polysom. 

EP indica que álbum de Natália Matos extrapola clichês musicais do Norte

Resenha de EP
Título: Natália Matos EP digital
Artista: Natália Matos
Gravadora: Edição da artista / Natura Musical
Cotação: * * * 
Disco disponível para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical

Mais uma cantora e compositora do Pará busca visibilidade nacional no embalo da revalorização da cena musical do Norte. A julgar pelo EP de quatro faixas disponibilizado para download gratuito e legalizado no portal Natura Musical a partir deste mês de abril de 2014, o álbum de estreia de Natália Matos - previsto para maio - extrapola os clichês musicais da cena do Norte, buscando conexão com a efervescente cena indie paulistana. É sintomático que o EP digital de Natália abra com Cio, música de Kiko Dinucci e Douglas Germano lançada pelos compositores no álbum Retrato do artista quando pede (Independente 2009), do Duo Moviola, formado por Dinucci com Germano. Música repleta de imagens e cores vivas, Cio flerta com a cumbia no arranjo inventivo do baterista e percussionista Guilherme Kastrup, a quem foi confiada a produção do álbum. Na sequência, Beber você - música assinada por Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Betão Aguiar e Luê (a mesma turma de Ela é tarja preta, faixa de tom nortista do último álbum de Arnaldo) - cai em suingue irresistível e mantém o alto nível da primeira metade do EP. Música mais fraca do disco, Você me ama, mas sinaliza que Natália Matos ainda precisa sofrer mais para compor uma boa música sobre os dramas de amor, como a própria autora iniciante (se) ironiza em versos metalinguísticos da letra. A sonoridade - urdida a partir do arranjo executado pelos músicos Ricardo Herz (violinos), Caçapa (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra), Zé Nigro (baixo) e Guilherme Kastrup (bateria e percussões) - é mais sedutora do que a composição em si. Por fim, Coração sangrando é brega da lavra de Dona Onete, compositora recorrente em discos de cantoras do Pará. O arranjo e a sagaz participação de Zeca Baleiro - cantor e compositor maranhense que sempre transita com desenvoltura por esse universo mais kitsch - valorizam a gravação e desviam a música dos clichês do gênero. Que venha o álbum de Natália Matos para comprovar se a cantora, de timbre suave, vai fazer realmente diferença na cena pop nativa!...

Precedido por single com inédita 'Blá blá blá', DVD de Anitta sai em junho

Gravado em 15 de fevereiro de 2014 em apresentação de Anitta na HSBC Arena, no Rio de Janeiro (RJ), o primeiro DVD da artista carioca pós-fama tem lançamento programado para junho de 2014 pela gravadora Warner Music. Promovida pelo single que traz a inédita Blá blá blá, já posto à venda no iTunes, a gravação ao vivo vai ser editada também no formato de CD.

Shakira volta a campo com álbum que dá lances certeiros na partida pop

Resenha de álbum
Título: Shakira
Artista: Shakira
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

Shakira está novamente em campo. E parece querer jogar nas onze, com fôlego renovado neste álbum que dá lances certeiros em partida já bem conhecida pelos craques do universo pop. Shakira - décimo álbum de estúdio da cantora e compositora colombiana, recém-lançado no Brasil com capa e conteúdo levemente distintos da edição norte-americana - transita entre reggae, baladas e pop dance eletrônico (com influências de dubstep) sem a densidade dos discos iniciais da artista, mas com jogadas infalíveis para manter a estrela em campo. Música inserida no álbum oficial da Copa do Mundo de 2014, La la la fica vibrante somente na versão turbinada com o baticum do percussionista baiano Carlinhos Brown e subintitulada Brasil 2014. É essa versão que figura no disco da Copa, já que a gravação original de La la la - produzida por time formado por Dr. Luke, Cirkut, Billboard, J2 e a própria Shakira - não chega a levantar a torcida. Como Shakira vem de álbum, Sale el sol (Sony Music, 2010), em que ressaltou suas origens latino-americanas em tentativa de reverter o fracasso do americanizado disco anterior She wolf (2009), este seu décimo álbum de estúdio soa híbrido. Entre reggae de pegada pop gravado em inglês com Rihanna (Can't remember to forget you) e versão em espanhol da mesma música com letra escrita pelo hermano uruguaio Jorge Drexler (Nunca me acuerdo de olvidarte), o álbum ecoa influências de Lady Gaga em Spotlight e embute leve toque de pop country em Medicine, faixa cantada por Shakira com Blake Shelton, cantor norte-americano do gênero. Baladas sentimentais como 23 e Broken record - inspiradas pelo namoro da artista com o jogado de futebol Gerard Piqué - reforçam a tática de Shakira para ganhar o jogo. Alocada ao fim da edição internacional de Shakira, a versão de Cut me deep gravada com MAGIC! - grupo canadense de pop reggae - conecta o álbum ao seu início sem que isso signifique coesão. Enfim, a vitória é quase certa, mas virá acompanhada da sensação de que a cantora já entrou em campo de forma bem menos artificial, com músicas de maior densidade.

sábado, 12 de abril de 2014

Sergio Pi finaliza CD autoral em que aborda músicas de Lobão e Rita Lee

Aposta do selo indie carioca Lab 344 para o segundo semestre deste ano de 2014, o álbum de estreia do cantor e compositor carioca Sergio Pi, Universo elegante, tem lançamento previsto para julho ou agosto. Em fase de mixagem (a cargo de Jason Schweitzer) e masterização (feita por chris Gehringer) nos Estados Unidos, o disco tem repertório essencialmente autoral. Entre temas em que assina música e letra, Pi grava parceria com o guitarrista norte-americano Paul Pesco e com o compositor japonês Hide Tanaka (coautor da música Oito minutos). Fora da seara autoral, o cantor recicla músicas de Lobão (Girassóis da noite, de 1987) e Rita Lee (Barriga da mamãe, parceria com Roberto de Carvalho lançada pela cantora em 1982). A propósito, a logo do nome do artista faz homenagem a Rita por ter tipologia inspirada na arte gráfica do primeiro álbum solo da artista, Build up (Philips, 1970). O primeiro single do álbum Universo elegante - Desesperadamente, música composta por Pi com inspiração em Another one bites the dust (John Deacon, 1980), sucesso do grupo inglês Queen -  ganhou clipe animado de tom retrofuturista, já em rotação na web. A ideia de Pi é reler no álbum os gêneros musicais dançantes que bombaram nas pistas dos anos 1970 e 1980.

DVD 'Rua dos amores' situa obra de Djavan no habitual patamar refinado

Resenha de CD e DVD
Título: Rua dos amores ao vivo
Artista: Djavan
Gravadora: Luanda Records / Sony Music
Cotação: * * * *

Djavan não espera o fim do show Rua dos amores para apresentar a banda de virtuoses que dividem o palco com o artista na turnê inspirada pelo homônimo álbum de inéditas lançado em setembro de 2012. Os músicos Carlos Bala (bateria), Glauton Campello (piano e teclados), Jessé Sadoc (no trompete e no flugelhorn), Marcelo Mariano (contrabaixo), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Paulo Calasans (piano e teclados) e Torcuato Mariano (guitarras) são logo apresentados na jam que pontua Asa (Djavan, 1986), quinta das 24 músicas do roteiro autoral perpetuado no DVD ora posto nas lojas pela gravadora Sony Music simultaneamente com o CD ao vivo que apresenta a música inédita Maledeto - tentativa de Djavan de soar pop sem apagar a assinatura pessoal e intransferível de sua obra - e que reproduz 15 números do show captado em 8 e 9 de novembro de 2013, em apresentações feitas pelo cantor na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP). O fato de destacar a presença dos músicos já no início do show diz muito sobre o caráter do artista e da obra. Rua dos amores ao vivo situa o cancioneiro de Djavan no seu habitual e refinado patamar. Embora faça eventuais (e justificadas) concessões ao seu público fiel, como cantar o samba Flor de lis (Djavan, 1976) e reviver Meu bem-querer (Djavan, 1979) com arranjo similar ao da emblemática gravação original, Djavan é sobretudo fiel a si mesmo no show Rua dos amores. Canta as músicas de seu mais recente álbum de inéditas - djavaneando em cena o jazz entranhado em temas como Já não somos dois (Djavan, 2012) - e as entremeia com composições antigas. Não necessariamente as mais conhecidas. Figuram no DVD e no CD oportunos lados B como Curumim (Djavan, 1989) e Irmã de neon (Djavan, 1996) que reforçam a já vigorosa assinatura de sua obra. É fato que a conexão entre público e artista se faz de forma mais intensa em músicas mais conhecidas como a belíssima balada Oceano (Djavan, 1989), saboreada em coro pela plateia. Em sintonia com a sofisticação do cancioneiro do artista, as imagens captadas pelo diretor de vídeo, Hugo Prata, valorizam o DVD, cujos extras inclui o documentário Um olhar íntimo, feito no molde de making of com a intenção de descortinar os bastidores do show. Enfim, Rua dos amores ao vivo vai manter inalterados o status e o público de Djavan. Menos popular do que a gravação ao vivo de 1999, esse atual registro de show do artista é para quem sabe chegar na música de Djavan sem precisar de endereço. Os demais jamais encontrarão a Rua dos amores.

Paulinho Lima desperdiça dotes vocais em 'covers' do cancioneiro 'black'

Resenha de CD
Título: Dom Paulinho Lima
Artista: Dom Paulinho Lima
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 

De todos os cantores que se apresentaram na segunda temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo, 2013), Dom Paulinho Lima foi o que impressionou de imediato os jurados e os espectadores da atração pelo vozeirão diplomado na escola de canto do soul, do r & b e do funk norte-americanos. Tanto que, mesmo eliminado do reality musical antes do fim da competição, o intérprete paulista conquistou o direito de gravar um disco pela gravadora Universal Music, tal como o vencedor Sam Alves e como a finalista Lucy Alves. Tal como seus colegas, Dom Paulinho Lima debuta em disco sem identidade. Em seu primeiro álbum, sonhado há mais de 30 anos, o cantor se limita a fazer covers de onze sucessos do cancioneiro black brasileiro e norte-americano. Além da voz, o intérprete mostra apurado senso rítmico quando cai no suingue funky de Get down on it (Charles Smith, J.T. Taylor, Ronaldo Nathan Bell, Robert Earl Bell e George Melvin Brown, 1981) - sucesso do grupo norte-americano Kool & The Gang - e quando acerta a levada samba-soul de Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973), sucesso do soulman nacional Tim Maia (1942 - 1998). O problema do CD Dom Paulinho Lima - produzido por Marcelo Sussekind - é que o cantor jamais consegue extrapolar a seara do cover, se dissociando das matrizes. Quando dá voz à balada-soul Me and mrs. Jones (Kenny Gamble, Leon Huff e Cary Gilbert, 1972), Dom Paulinho segue a linha da interpretação do cantor norte-americano Billy Paul, intérprete original da música. Quando caminha pela ainda vibrante BR-3 (Tibério Gaspar e Antonio Adolfo, 1971), o cantor segue a trilha do registro do cantor paulista Tony Tornado. Dessa forma, o CD Dom Paulinho Lima acaba soando como aquarela brasileira do universo black. Para quem quer tão somente ouvir hits em gravações próximas de seus registros mais conhecidos, o disco de capa retrô pode até agradar. Afinal, estão alinhados no repertório clássicos como Let's get it on (Marvin Gaye e Ed Townsend, 1973), Let's stay together (Al Green, Willie Mitchell e Al Jackson Jr., 1971), I heard it through the grapevine (Norman Whitfield e Barrett Strong, 1966) e Georgia on my mind (Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, 1930), entre outras joias do alto quilate do ouro negro. Paulinho Lima é dono do dom. Só que, no caso, uma grande voz se revela insuficiente para gerar um cantor (de fato) grande.

'Candeia branca' ilumina canto eficaz de Luciana Rabello no tom do Brasil

Resenha de CD
Título: Candeia branca
Artista: Luciana Rabello
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * *

Compositora e cavaquinista carioca, Luciana Rabello se assume cantora em seu segundo álbum autoral. Candeia branca ilumina o canto eficaz da artista, que dá sua voz pequena - mas sempre colocada de forma correta - a repertório formado por 14 músicas da lavra de Rabello. Treze são parcerias com o compositor e poeta carioca Paulo César Pinheiro, marido da artista. A exceção é Teu amor, samba-choro assinado somente pela compositora. O samba dá o tom brasileiro do disco, seja na cadência serena da composição que abre o CD produzido por Maurício Carrilho com a própria Luciana Rabello, De onde veio o samba, seja na pegada afro de Canto guerreiro - tema de inevitável associação com os afro-sambas de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) - ou mesmo no instrumental típico do choro que adorna Em cada mágoa existe um samba. Sambas em tons menores, como o íntimo Luz fria, iluminam uma produção autoral que, mesmo sem jamais empolgar, se revela de bom nível. Há beleza atemporal em composições como Sem pedir licença. Fora da roda do samba e do choro (gênero ao qual Luciana Rabello se devota há 37 anos e que está entranhando na atmosfera musical do CD), o disco passeia por ritmos como maculelê (Seu Catirino, destaque da safra autoral), baião (Queda de braço) e ciranda (Candeia branca, a música-título do álbum editado pela gravadora carioca Acari Records). Flor d'água desabrocha no tom doce e profundo da voz do convidado Dori Caymmi, um dos parceiros mais fiéis de Paulo César Pinheiro. Única música já gravada da safra essencialmente inédita do CD, Estigma já tem registro da cantora Amelia Rabello (irmã de Luciana), feito no álbum A delicadeza que vem desses sons (Acari Records, 2011). Delicados, aliás, também são os familiares sons ouvidos em Candeia branca. Luciana Rabello está em casa quando transita pelo samba como se estivesse em roda de choro.

Morrissey revela os nomes das doze músicas de seu décimo álbum solo

Décimo álbum solo do cantor e compositor inglês Morrissey, World peace is nome of your business vai ser lançado em julho de 2014 - em edição viabilizada por parceria do selo Harvest Records com a Capitol Records e distribuída em escala mundial via Universal Music - com 12 músicas inéditas da lavra do artista. Os nomes das 12 músicas foram revelados por Morrissey. Eis a tracklist autoral do CD gravado na França sob a batuta do produtor inglês Joe Chiccarelli:

1. World peace is none of your business
2. Neal cassady drops dead
3. Istanbul
4. I'm not a man
5. Earth is the loneliest planet
6. Staircase at the university
7. The bullfighter dies
8. Kiss me a lot
9. Smiler with knife
10. Kick the bride down the aisle
11. Mountjoy
12. Oboe concerto

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Eis a capa e as músicas de 'One love, one rhythm', álbum oficial da Copa

Até o Lepo lepo, grande hit do último Carnaval da Bahia, entrou na seleção - em gravação do grupo Psirico - e faz parte do álbum oficial da Copa do Mundo de 2014, One love, one rhythm, que tem lançamento previsto para 13 de maio via Sony Music. Artistas brasileiros como Bebel Gilberto, Olodum, Preta Gil e Sergio Mendes também entram em campo no disco ao lado dos já anunciados Alexandre Pires, Arlindo Cruz, Carlinhos Brown e Claudia Leitte. Eis a seleção convocada para o global CD One love, one rhythm - The 2014 Fifa world cup official album:

1. We Are One (Ole ola) (The Official 2014 FIFA World Cup TM song) 
    - Pitbull com Jennifer Lopez & Claudia Leitte
2. Dar um jeito (We will find a way) (The Official 2014 FIFA World Cup TM anthem)
    - Carlos Santana & Wyclef com Avicii & Alexandre Pires
3. Tatu bom de bola (The Official 2014 FIFA World Cup TM Mascot Song) - Arlindo Cruz
4. Vida (Spanish version) - Ricky Martin
5. The world is ours - David Correy & Lalala Boy
6. Lepo lepo - Psirico
7. One nation - Sergio Mendes
8. La la la (Brasil 2014) - Shakira com Carlinhos Brown
9. It’s your thing - The Isley Brothers with Studio Rio
10. Olé (Stadium anthem mix) - Adelén
11. This Is Our Time (Agora é a nossa hora) - MAGIC!
12. Night and day (Carnival mix) - Baha Men
13. Go, gol - Rodrigo Alexey com Preta Gil
14. Tico tico - Bebel Gilberto e Lang Lang
Faixas da Deluxe Edition de One love, one rhythm:
15. We are one (Ole Ola) [Olodum mix] - Pitbull com Jennifer Lopez & Claudia Leitte
16. Tatu bom de bola (DJ Memê Remix) - Arlindo Cruz

Entre músicas de Roque, Bethânia cultiva clássico de Tom no seu quintal

Clássico da parceria do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com o produtor musical e compositor carioca Aloysio de Oliveira (1914 - 1995), Dindi (1959) figura entre as músicas gravadas por Maria Bethânia no CD que vai lançar no segundo semestre de 2014 com distribuição da gravadora Biscoito Fino. Música nunca gravada pela cantora baiana, Dindi foi majestosamente cantada por Bethânia em abril de 2013 na participação que fez na estreia nacional do show em que Vanessa da Mata abordou a obra de Jobim , na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Intitulado Meus quintais, o próximo disco de Bethânia inclui várias músicas de Roque Ferreira no repertório que mistura inéditas com algumas regravações. De acordo com declaração do compositor baiano, a intérprete  - vista em foto de Ana Basbaum - teria posto voz em nada menos do que seis músicas de sua autoria. O álbum é pontuado por sons de violas.

Eis a capa e as músicas de 'X', o segundo álbum do britânico Ed Sheeran

Eis a capa de X, segundo álbum do cantor e compositor inglês Ed Sheeran. Com lançamento mundial programado para 23 de junho de 2014, em edição da Asylun Records que vai ser distribuída via Atlantic Records/Warner Music, X - cujo título se pronuncia multiply - sucede o álbum + (2011). X está sendo promovido pelo single Sing, lançado esta semana. Sing é música composta por Sheeran com Pharrell Williams e produzida por Pharrell. Eis as (16) músicas de X:

1. One
2. I'm a mess
3. Sing
4. Don't
5. Nina
6. Photograph
7. Bloodstream
8. Tenerife sea
9. Runaway
10. The man
11. Think out loud
12. Afire love
Faixas da Deluxe Edition de X:
13. Take it back
14. Shirtsleeves
15. Even my dad does sometimes
16. I see fire

Lana inicia promoção do álbum 'Ultraviolence' com o 'single' 'West Coast'

West Coast é o primeiro single do terceiro álbum de Lana Del Rey, Ultraviolence. A capa do single - que tem lançamento agendado pela Interscope Records para 1º de maio de 2014 - foi divulgada pela cantora e compositora norte-americana via Twitter. Ultraviolonce é o sucessor de Born to die (2012), para muitos o primeiro álbum da artista, já que (quase) ninguém ouviu o real álbum de estreia da cantora, Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant (2010). A música West Coast vai ser apresentada com exclusividade em 14 de abril por emissora de rádio da rede BBC.

Rosa de Saron grava seu 13º álbum, que vai ser editado pela Som Livre

Postada na página da gravadora Som Livre no facebook, a foto flagra o vocalista da banda paulista Rosa de Saron, Guilherme de Sá, em estúdio durante gravação do 13º álbum do grupo surgido em Campinas (SP), em 1988, dentro do movimento de Renovação Carismástica da Igreja Católica. Feitas desde o início deste ano de 2014, as gravações do disco de inéditas já estão em fase de colocação de voz. Latitude longitude (2013) foi o último trabalho da banda.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Capa de 'Gigante gentil', álbum de Erasmo, mantém criatividade de 'Sexo'

Assinada pelo designer Ricardo Leite, a capa de Gigante gentil - o 28º álbum de inéditas de Erasmo Carlos - mantém o alto nível de criatividade da engenhosa capa do anterior disco de inéditas do Tremendão, Sexo (2011), criada pelo mesmo artista gráfico. Com o clipe do rock que dá nome ao CD já em rotação na webGigante gentil tem lançamento programado para o fim deste mês de abril de 2014, numa edição da gravadora carioca Coqueiro Verde Records.

Obra de Rita Lee vira 'balada do louco' em musical valorizado pelo elenco

Resenha de musical
Título: Se eu fosse você - O musical
Texto: Flávio Marinho
Direção e coreografias: Alonso Barros
Músicas: Rita Lee (com parceiros como Arnaldo Baptista e Roberto de Carvalho)
Direção musical: Guto Graça Mello
Supervisão artística: Daniel Filho
Foto: Roberto Schwenck
Elenco: Claudia Netto, Nelson Freitas, Marya Bravo, Fafy Siqueira, Lua Blanco, Bruno
            Sigrist, Oswaldo Mil, Kacau Gomes, Giselle Lima, Nicola Lama, Carla Daniel 
            e Carlos Arruza
Cotação: * *
Musical em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ)

Se eu fosse o você - O musical é espetáculo moldado pela indústria de musicais que vem abastecendo as temporadas teatrais das cidades do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) para atender demanda de público criada progressivamente ao longo dos anos 2000. No caso do musical Se eu fosse você, a fonte de inspiração são os dois filmes homônimos dirigidos por Daniel Filho com os atores Tony Ramos e Glória Pires no papel do casal que troca de corpos em trama surreal criada para arrancar risos dos espectadores. O musical tenta o encaixe dessa história já existente - com mais ênfase na trama da sequência de 2009 do que na história do filme original de 2006 - com a música da compositora paulista Rita Lee, ícone feminino do rock brasileiro. O resultado é irregular. Em alguns momentos, a obra de Rita vira balada do louco ao ser usada para ilustrar trama com a qual nada tem a ver. A direção musical de Guto Graça Mello acerta ao enfatizar na maioria dos números a pegada pop roqueira da música de Rita sem conseguir evitar o desajuste, evidente quando a sogra maconheira vivida por Fafy Siqueira - atriz que se sustenta em cena mais no registro de comediante do que na voz - canta Saúde (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981). Ou quando o elenco e coro começam a cantar Nem luxo nem lixo (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1980) na cena da festa dada pelos sogros da filha do casal protagonista - para citar outro exemplo de cena em que o entrosamento entre música e texto (quando existe...) é muito superficial. Contudo, é justo reconhecer que o elenco valoriza e dignifica o espetáculo. Claudia Netto e Nelson Freitas estão excelentes nas peles do casal trocado Helena e Cláudio. E, quando a troca de corpos efetivamente acontece (mote da história que o dramaturgo Flávio Marinho poderia ter antecipado um pouco para evitar o tom arrastado do texto na primeira metade do primeiro ato), Claudia Netto e Nelson Freitas reinam em cena. Suas interpretações - justiça seja feita - em nada ficam a dever às atuações de Glória e Tony Ramos nos filmes. Cantora de belos dotes vocais, Claudia Netto dá conta de cantar com desenvoltura as músicas de Rita, brilhando em especial na Balada do louco (Rita Lee e Arnaldo Baptista, 1972), mesmo que tal composição soe fora de contexto no musical. Por falar em loucuras, há algumas ousadias estilísticas na abordagem do cancioneiro de Rita. O rock Luz del fuego (Rita Lee, 1975) começa em tom roqueiro, mas cai para o forró ao fim do número. Já Amor e sexo (Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor, 2003) é ambientada no clima quente de um tango. Tem seu charme, mas Rita Lee funciona melhor com esse tal de roque en row. O arranjo roqueiro de Todas as mulheres do mundo (Rita Lee, 1993) dá peso, no segundo ato, a um dos melhores e mais vibrantes números musicais do espetáculo. Como o elenco reúne atrizes / cantoras de vozes potentes, como Kacau Gomes e Marya Bravo, a falta de sintonia entre música e texto até passa por vezes para segundo plano. Kacau, por exemplo, dá à canção Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981) densidade inédita no único iluminado momento em que o cancioneiro de Rita ganha algo com essa apropriação forçada da produção de Se eu fosse você - O musical. De todo modo, ao fim dos dois atos, o que fica é a constatação do caráter monumental da obra de Rita Lee Jones, Ovelha Negra que ergueu obra de cores vivas, carnavalesca, espirituosa, irreverente, crítica, rebelde. Mas não tão elástica a ponto de ser associada à história com a qual nada tem a ver...

Arruda replanta sementes do bom samba carioca em seu primeiro álbum

Resenha de CD
Título: Arruda
Artista: Arruda
Gravadora: Edição independente do grupo
Cotação: * * * 1/2

Embora sem a força mercadológica evidenciada nos anos 1980, década em que a geração diplomada na escola informal da quadra do bloco Cacique de Ramos conquistou o Brasil com seu samba da melhor qualidade, os fundos dos quintais continuam movimentados, atraindo quem não é doente do pé para. Grupo surgido em 2005 em Vila Isabel, bairro carioca que foi o berço do bamba Noel Rosa (1910 - 1937), ícone do seminal samba dos anos 1930, Arruda replanta sementes colhidas nos melhores quintais do Rio de Janeiro (RJ) em seu primeiro álbum, lançado de forma independente neste mês de abril de 2014. Amigos criados na Vila de Noel que deu nome a Martinho José Ferreira a partir do fim dos anos 1960, Armandinho do Cavaco (cavaquinho e voz), Bubba (percussão), Fabão (surdo),  Gustavo Palmito (repique de mão), Marcelinho (tantan), Nego Josy (voz e pandeiro), Popó (percussão) e Vitor Budoia (violão) se juntam à vocalista Maria Menezes - cantora fluminense projetada no circuito de samba da Lapa - para apresentar repertório essencialmente inédito que inclui músicas de autoria do próprio grupo como Arriba saia (Nego Josy, Armandinho do Cavaco e Jorgynho Chinna) - um dos sambas mais animados do repertório - e Guerreiros do bem (Nego Josy, Armandinho do Cavaco e Márcio Braz), tema que abre o disco com o alto astral que caracteriza o repertório do CD Arruda, produzido por Milton Manhães com arranjos de Ivan Paulo (maestro do próximo DVD de Beth Carvalho). A única regravação é Corrente do samba (Altay Veloso e Paulo César Feital, 2000), música lançada pela cantora Leny Andrade, em tom mais jazzístico, no irregular CD em que deu sua privilegiada voz ao repertório de Altay Veloso. Mesmo quando canta sambas românticos, como Loucuras de amor (Xande de Pilares e Helinho do Salgueiro) e o bonito Bem te vi (Claudinho Guimarães), Arruda evita o melodrama sem cair na trivialidade do diluído gênero rotulado como pagode romântico. Autorreferente em Batucada do Arruda (Jorgynho Chinna), o grupo alinha no disco um repertório de bom nível que também destaca Estamos aê (Rafael de Moraes e Bill Rait), Meu samba não perde o compasso (Moisés Santiago e Marcus do Cavaco) - partido de alta qualidade -  e Remetente Nordeste (Tom Dias), tema que sobressai no CD Arruda pelos toques de música nordestina inseridos no quintal do grupo. Enfim, 85 anos após o aparecimento de Noel, Vila Isabel continua dando bom samba. A semente plantada pelo Arruda em seu álbum merece germinar, já que o grupo carioca fortalece a corrente do samba.

CD solo de Lucy Alves deixa cantora sem identidade na nação nordestina

Resenha de CD
Título: Lucy Alves
Artista: Lucy Alves
Gravadora: Universal Music
Cotação: * *

À frente do grupo Clã Brasil, a cantora e compositora Lucy Alves desenvolvia trabalho autoral que entra em recesso por tempo indeterminado para que a artista paraibana possa promover seu primeiro disco solo, Lucy Alves, gravado e editado pela multinacional Universal Music no embalo da participação da cantora na segunda temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo, 2013). Sem desafiar as leis já caducas do mercado fonográfico, Lucy perde sua identidade neste CD em que o produtor Alexandre Castilho faz a cantora soar como uma Elba Ramalho genérica quando dá sua (boa) voz a sucessos como De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985) e Ai, que saudade de ocê (Vital Farias, 1982). O problema do álbum solo de Lucy Alves nem reside no repertório pontuado por regravações de hits da nação nordestina. Mas no fato de os arranjos desses sucessos serem calcados nas orquestrações das gravações originais. Quando Lucy canta o frevo-quadrilha Festa do interior (Moraes Moreira e Abel Silva, 1981), é impossível dissociar sua gravação do registro original de Gal Costa, por exemplo. Da mesma forma, a abordagem do Frevo mulher (Zé Ramalho, 1979) é enquadrada na mesma moldura clássica das gravações das cantoras Amelinha e Elba Ramalho. A opção pelo caminho mais fácil faz com que Lucy Alves soe neste preguiçoso primeiro disco solo como uma cantora de barzinho, apta a cantar sucessos como o baião Qui nem jiló (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950) e a toada Gostoso demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1986) - unida no CD em medley a Isso aqui tá bom demais (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985) - do jeito convencional que o grande público gosta. Dessa forma burocrática, todo o sentimento de Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros, 1966) e Segue o seco (Carlinhos Brown, 1994) se esvai em interpretações sem alma. É pena, pois os poucos acertos do disco indicam que Lucy Alves pode vir a se tornar uma sucessora de sua conterrânea Elba Ramalho se fortalecer sua personalidade artística. A música inédita de Marisa Monte com Carlinhos Brown - Se você vai, eu vou, toada-canção de leve acento nordestino - é bonita, reiterando a habilidade de Marisa e Brown para fazer músicas simples e sedutoras. A transformação de Olhos nos olhos (Chico Buarque, 1976) em xote romântico - embora dilua a densidade da canção do compositor - até cai bem por ser raro momento do disco em que Lucy Alves se descola de gravações posteriores. Há discreta ousadia também no arranjo de Tropicana (morena Tropicana) (Alceu Valença e Vicente Barreto, 1982), reggae cantado por Lucy em dueto com o autor e intérprete original do hit, Alceu Valença, admirador da cantora desde os tempos do Clã Brasil.  Por fim, a regravação de Amor a perder de vista - bom xote romântico composto por Lucy com seu pai José Hilton Alves, o Badu, e lançado pelo Clã Brasil em 2006 - sinaliza que repertório mais autoral, se mixado com regravações inventivas, poderia delinear mais a (por ora, perdida) identidade de Lucy Alves na vasta nação nordestina.

Show do ZR Trio desenvolve refinada musicalidade do CD que o inspirou

Resenha de show
Título: O vento na madrugada soprou
Artista: ZR Trio (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de abril de 2014
Cotação: * * * *

À primeira vista, o show do ZR Trio parece apresentação de Zé Renato. Além de cantar todas as 20 músicas do roteiro de O vento na madrugada soprou, show que estreou no Rio de Janeiro (RJ) em 4 e 5 de abril de 2014, o cantor e compositor está no centro do palco do teatro Solar de Botafogo. Contudo, as sutilezas dos arranjos deixam perceptíveis a importância de os músicos estarem em cena como um trio, e não como dois virtuoses - o baixista Rômulo Gomes e o baterista Tutty Moreno - que estão acompanhando o cantor, que, no caso, exerce também a função fundamental de músico no toque de seu violão. Quando o espectador fica maravilhado pelos sons inebriantes extraídos por Tutty do toque de sua bateria na introdução de Consolação (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), transformado pelo trio em afro-samba-jazz, ou quando Rômulo remodela Roxanne (Sting, 1978) na passagem instrumental da canção lançada pelo trio inglês The Police, fica clara a razão de o ZR Trio ser um trio. De todo modo, o próprio nome ZR Trio já sinaliza que Zé Renato é a figura central do grupo. Todo o roteiro passa pela história desse capixaba de vivência carioca. Nove das 20 músicas do roteiro levam a assinatura de Zé Renato, sozinho (como no tema instrumental que batizou o álbum lançado pelo grupo Boca Livre em 1980, Bicicleta levado nos vocalises) ou com parceiros como Lenine (Na São Sebastião, composição de 2001), Xico Chaves (Fica melhor assim, lembrança de álbum solo de 1984) e Joyce Moreno, coautora do recente samba Pra você gostar de mim, de 2012, e da novíssima Tribos, música solidária aos índios lançada pelo ZR Trio no seu primeiro CD, O vento na madrugada soprou, inspiração do homônimo show. Até mesmo as músicas alheias estão entranhadas de forma nem sempre óbvia na trajetória musical de Zé Renato, caso da tropicalista Luz do sol (Carlos Pinto e Waly Salomão, 1971), já cantada pelo artista no show Imbora (2010). Um dos pontos mais altos da azeitada apresentação do ZR Trio em 5 de abril, Luz do sol é um dos achados do disco e show O vento na madrugada soprou ao lado de La musica y la palabra (2004), página lírica do cancioneiro do compositor argentino Carlos Aguirre. Lirismo que se alinha com a poética da Lira das correntes (1977), parceria de Zé Renato com Juca Filho que integrou o repertório do primeiro grupo vocal integrado por Zé, Cantares, atuante na cidade do Rio de Janeiro entre 1977 e 1978. Como no disco que lhe dá nome, o show O vento na madrugada soprou extrai seu ouro da pulsação resultante do refinado diálogo musical travado pela voz e o violão de Zé com o baixo de Rômulo e a bateria de Tutty. É essa pulsação que justifica a abordagem em cena de Cotidiano (Chico Buarque, 1971), samba já batido. Como a mistura de samba, MPB e música nordestina - representada pelo baião Como tem Zé na Paraíba (Catulo de Paula e Manezinho Araújo, 1962), sucesso do rei do ritmo Jackson do Pandeiro (1919 - 1982) - sofre a bem-vinda influência do jazz, todo dia o ZR Trio não faz tudo sempre igual. O que faz com que seu show expanda a musicalidade arejada que pauta o CD de estreia do ZR Trio, refinado como um samba de Paulinho da Viola.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Em cena, ZR Trio adiciona Chico e Sting ao repertório de seu primeiro CD

O primeiro disco do carioca ZR Trio, O vento na madrugada soprou, alinha somente onze músicas, suficientes para o ouvinte do CD perceber a pulsação resultante da interação do violão do vocalista Zé Renato com o baixo de Rômulo Gomes e a bateria de Tutty Moreno. No show, que debutou em cena no Rio de Janeiro (RJ) em apresentações feitas pelo trio em 4 e 5 de abril de 2014 no teatro Solar de Botafogo, o ZR Trio extrapola o repertório do álbum, indo de Chico Buarque (Cotidiano, 1971) a Sting (Roxanne, canção lançada pelo trio inglês The Police em 1978), passando por músicas dos cancioneiros dos grupos vocais Cantares (a harmoniosa Lira das correntes, música de 1977) e Boca Livre (o sucesso Toada, de 1979). Eis o roteiro seguido pelo ZR Trio - em foto de Mauro Ferreira - na apresentação de 5 de abril de 2014 do show O vento na madrugada soprou, no Solar de Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro (RJ):

1. O tempo não apagou (Paulinho da Viola, 1970)
2. Na São Sebastião (Lenine e Zé Renato, 2001)
3. Fica melhor assim (Xico Chaves e Zé Renato, 1984)
4. Pra você gostar de mim (Joyce Moreno e Zé Renato, 2012)
5. La musica y la palabra (Carlos Aguirre, 2004)
6. Bicicleta (Zé Renato, 1980)
7. Luz do sol (Carlos Pinto e Waly Salomão, 1971)
8. Tenha dó (Pedro Luís e Zé Renato, 2014)
9. Não quero mais amar a ninguém (Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, 1936)
10. Cotidiano (Chico Buarque, 1971)
11. Ânima (Milton Nascimento e Zé Renato, 1982)
12. Roxanne (Sting, 1978)
13. Tribos (Joyce Moreno e Zé Renato, 2014)
14. Lira das correntes (Zé Renato e Juca Filho, 1977)
15. Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1979)
16. Me ensina (Márcio Valverde e Nélio Rosa, 2014)
17. Me deixa que eu quero sambar (Mauro Diniz, 2011)
18. Consolação (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
Bis:
19. O morro não tem vez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963)
20. Como tem Zé na Paraíba (Catulo de Paula e Manezinho Araújo, 1962) 

'Xscape', faixa-título de CD póstumo de Michael, conserva d.n.a. do artista

Editorial - Assunto de hoje no universo pop, o vazamento da música que dá título ao segundo álbum póstumo de Michael Jackson (1958 - 2009), Xscape, sinaliza um disco digno como o antecessor Michael (2010). Xscape, a música, conserva o d.n.a. da fase adulta da obra autoral do cantor e compositor norte-americano. Dá para reconhecer as digitais de Michael na levada funkeada da gravação da música que teria sido feita pelo artista com o compositor e produtor Rodney Jerkins, um dos nomes envolvidos na produção do disco que a gravadora Sony Music vai lançar oficialmente em 13 de maio de 2014. Evidentemente, a música - que seria sobra do último álbum de estúdio do artista, Invincible (2001) - está formatada com beats mais contemporâneos sem anular a batida original. A produção é azeitada, mas não disfarça o fato de Xscape não ser - a rigor - grande música. Em suma, por mais que não atente contra a memória de Michael por tornar reconhecível a pegada do som do Rei do pop, a gravação não chega a impactar e tampouco acrescenta algo de relevante a uma obra que já deu sinais de desgaste justamente no álbum Invincible, do qual Xscape - a música vazada hoje - seria sobra.

Disco solo de Takai é editado no Japão e ganha edição em vinil no Brasil

De origem sansei por parte de pai, a cantora e compositora Fernanda Takai vai ter seu quarto disco feito fora do grupo Pato Fu, Na medida do impossível (Deck, 2014), editado no Japão pela gravadora Taiyo Records. A edição é consequência das conexões dessa artista amapaense (de criação mineira) com o Japão. Além de ter tido discos anteriores lançados naquele país, no qual já fez alguns shows, Takai já dividiu EP com a cantora japonesa Maki Nomiya e gravou uma versão em japonês de O barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1961). Enquanto sai no Japão, Na medida do impossível ganha edição em vinil no Brasil produzida via Polysom.

Com Rodriguinho, Travessos vão lançar o CD de inéditas 'Tarde ou cedo'

Com o vocalista Rodriguinho reintegrado ao grupo paulista do qual saiu em 2004, Os Travessos - banda popular no mercado fonográfico entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2000 no segmento rotulado como pagode romântico - se preparam para lançar no primeiro semestre de 2014, pela gravadora Sony Music, o álbum de inéditas Tarde ou cedo. O single Sonhos e planos já vai ser lançado, em 15 de abril, através de plataforma digital de marca de telefonia.