terça-feira, 22 de julho de 2014

Eis a capa e as seis músicas de 'Viva a revolução', o EP do Capital Inicial

Esta é a capa de Viva a revolução, EP lançado hoje pelo Capital Inicial no iTunes via Sony Music. Produzido por Liminha, o disco apresenta seis músicas em sete faixas. A música-título Viva a revolução aparece em duas versões, uma gravada com o grupo carioca de rap Cone Crew Diretoria e outra - alocada como faixa-bônus - feita somente com o grupo brasiliense. Melhor do que ontem (balada escolhida como single promocional do EP), Tarde demais, Não tenho nome, Coração vazio (faixa na qual toca o guitarrista Thiago Castanho) e Bom dia, mundo cruel são as outras cinco músicas do disco. Com edição física em breve nas lojas, o EP Viva a revolução sucede o álbum Saturno (Sony Music, 2012) na discografia do Capital Inicial.

Detonautas oscila entre crítica social, amor e rebeldia 'teen' em CD duplo

Resenha de CD
Título: A saga continua
Artista: Detonautas Roque Clube
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * *

Primeiro álbum de estúdio do grupo carioca Detonautas Roque Clube desde O retorno de saturno (Sony Music, 2008), disco lançado já há seis anos, o CD duplo A saga continua se debate entre a crítica social, o romantismo e a rebeldia adolescente ao longo de suas 18 músicas. O repertório apresenta 16 temas de autoria da banda - sendo sete totalmente inéditos e os outros nove já conhecidos, posto que lançados pelo grupo na web nos últimos anos - entre a balada apaixonada Hello hello (Cláudio Paradise) e a regravação de Sempre brilhará (1987), música do cantor, compositor e guitarrista carioca Celso Blues Boy (1956 - 2012), à cuja memória o disco é dedicado. Musicalmente, o quinteto oscila entre o pop - com ecos da sonoridade mais suave e radiofônica adotada a partir de O retorno de saturno - e o rock mais pesado que reprocessa códigos e elementos do grunge e do punk. Em tese, A saga continua concentra no CD 1 as músicas de tonalidade mais pop enquanto o CD 2 aloca os rocks. Tal divisão nem sempre se sustenta, já que Acredite no seu coração (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) - canção cuja introdução remete à pegada das baladas da banda brasiliense Legião Urbana (1982 - 1996) - poderia estar no CD 1, embora figure no disco 2 entre rocks mais ou menos pesados como Combate (Tico Santa Cruz, Felipe Lour, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha). Seja forte pra lutar (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) e 4 ever alone (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha), faixa de aura punk, com mais atitude teen do que acordes. Longe da trilha experimental de seu álbum mais ambicioso, Psicodeliamorsexo&distorção (Warner Music, 2006), o Detonautas enquadra músicas como Vamos viver (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha), Um cara de sorte (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) e Essa noite (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) em conservador formato pop. O que diferencia esse cancioneiro de outras zilhões de músicas afins são as letras escritas pelo controvertido vocalista do grupo, Tico Santa Cruz, com certa visão crítica da sociedade. Com doses maiores ou menores de inspiração e clichês, os versos de canções como Sabemos fingir (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) e É problema meu (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) - música que versa sobre o individualismo que rege os tempos pós-modernos - provocam questionamentos sociais entre levadas de pop e folk. Quem é você? (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) - faixa cuja verborragia evoca Faroeste caboclo (Renato Russo, 1987), hit da já mencionada Legião Urbana - é o ponto alto dessa faceta política de Tico no CD 1. Já o CD 2 destaca O alienista (Tico Santa Cruz, Felipe Lour, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) - por sua letra que versa sobre o congelamento das emoções nos dias de hoje - e Sua alma vai vagar por aí! (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha), faixa hardcore que embute rap do grupo carioca Cone Crew Diretoria. Admirador de Raul Seixas (1945 - 1989), Tico Santa Cruz evoca a aura do Maluco Beleza em Conversando com espelho (Tico Santa Cruz, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha), música que tem algo a dizer enquanto Sexo tântrico (Tico Santa Cruz, Daltinho Medeiros, Fábio Brasil, DJ Cleston, Phil e Renato Rocha) joga testosterona fora em disco que soaria mais forte se tivesse maior poder de síntese. Como toda saga, a do Detonautas é longa.

Eis a capa de 'V', o álbum que o grupo Maroon 5 vai lançar em setembro

Esta é a capa de V, quinto álbum de estúdio do grupo norte-americano Maroon 5. Promovido com o single Maps (Adam Levine, Benny Blanco, Ammar Malik, Noel Zancanella e Ryan Tedder), lançado em 16 de junho de 2014, o álbum V vai chegar ao mercado fonográfico a partir de 2 de setembro, em edição da Interscope Records. Sucessor de Overexposed (A&M / Octone Records, 2012), álbum irregular pontuado por pop descartável, V marca o reencontro do Maroon 5 com o tecladista Jesse Carmichael, que deixara temporariamente a banda em 2012. O time de produtores de V é formado por Max Martin, Benny Blanco, Ryan Tedder, Shellback e Sam Martin. A cantora e compositora norte-americana Gwen Stefani é coautora e convidada da música My heart is open, composta por Stefani em parceria com Adam Levine e Sia Furler. Eis, na ordem do CD (gravado desde 2013), as 11 músicas da edição standard de V:

1. Maps
2. Animals
3. It was always you
4. Unkiss me
5. Sugar
6. Leaving California
7. In your pocket
8. New love
9. Coming back for you
10. Feelings
11. My heart is open - com Gwen Stefani
Deluxe edition / Bsides:
12. Shoot love
13. Sex and candy
14. Love stars

Johnny Marr versa sobre Londres em seu segundo álbum solo, 'Playland'

Um ano e cinco meses após a edição de seu primeiro álbum solo, The Messenger (Warner Music, 2013), o cantor, compositor e guitarrista britânico Johnny Marr anunciou o lançamento de seu segundo álbum solo, Playland. Com lançamento agendado para 6 de outubro de 2014 pela gravadora Warner Music, Playland - assim como seu antecessor The messenger - tem produção assinada pelo próprio Marr em parceria com seu colaborador Doviak. De acordo com o anúncio postado por Marr em seu site oficial, Playland conserva a sonoridade pós-punk do anterior The messenger. O título Playland foi inspirado por livro do historiador holandês Johan Huizinga, Homo ludens, publicado em 1938. Embora mixado em Nova York (EUA) por Claudius Mittendorfer, o álbum foi gravado e masterizado em Londres, sendo que a a masterização foi feita no lendário estúdio Abbey Road por Frank Arkwright. A propósito, a atmosfera frenética da capital da Inglaterra está entranhada nas músicas e na atmosfera do disco, que versa sobre as modas e costumes de Londres na visão de um artista celebrizado nos anos 1980 por ser o fundador de grupo, The Smiths, que retratava a vida como ela era - naquela década de luta operária - na cidade inglesa de Manchester. Eis - na ordem do CD - as 11 músicas de Playland:

1. Back in the box
2. Easy money
3. Dynamo
4. Candidate
5. 25 hours
6. The trap
7. Playland
8. Speak out reach out
9. Boys get straight
10. This tension
11. Little king

Eis a capa e as (dez) músicas do 16º álbum do Erasure, 'The violet flame'

Precedido pelo single Elevation, já disponibilizado para audição na web, o 16º álbum de estúdio do Erasure, The violet flame, apresenta dez músicas inéditas compostas por Andy Bell e Vince Clark, integrantes do duo britânico de synthpop projetado em 1985. Produzido pelo inglês Richard X, The Violet flame tem lançamento programado para 22 de setembro de 2014 pela Mute Records. Álbum foi gravado entre Nova York e Londres. Eis, na ordem do CD, as dez músicas que compõem o repertório autoral do sucessor de Snow globe (Mute Records, 2013):

1. Dead of night
2. Elevation
3. Reason
4. Promises
5. Be the one
6. Sacred
7. Under the wave
8. Smoke and mirrors
9. Paradise
10. Stayed a little late

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Música de Negro Leo anuncia e promove primeiro CD solo de Ava Rocha

Com clipe já em rotação na web, Você não vai passar - música do cantor e compositor maranhense Leonardo Campelo Gonçalves, conhecido como Negro Leo na cena contemporânea de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) - anuncia e promove o primeiro álbum solo da cantora e compositora carioca Ava Rocha. Produzido por Jonas Sá, o disco se chama Ava Patrya Yndia Yracema - nome de batismo da artista, filha do cineasta baiano Glauber Rocha (1939 - 1981) - e vai ser lançado pelo selo Maravilha 8 neste segundo semestre de 2014. Em Ava Patrya Yndia Yracema, a cantora - em foto de Ana Alexandrino - dá voz a temas de Jonas Sá e Domenico Lancellotti, entre músicas autorais e de compositores da cena. Ava Patrya Yndia Yracema sucede Diurno (Warner Music, 2011) - CD assinado pela banda Ava - na discografia da artista. 

Paralamas documentam 30 anos de sucesso em outro DVD e CD ao vivo

Ao longo de 2013, o trio carioca Os Paralamas do Sucesso percorreu Brasil afora com a turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira. Captado no Rio de Janeiro (RJ), o show gera registro ao vivo editado dentro da série Multishow ao vivo. Nas lojas na primeira quinzena de agosto de 2014, em edição da gravadora Universal Music, o CD (foto) e o DVD Multishow ao vivo - Paralamas do Sucesso 30 anos enfileiram hits do grupo, funcionando como best of do trio formado por Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (baixo). Além de exibir o show na íntegra (clique aqui para ler a resenha do afiado espetáculo), o DVD descortina os bastidores da turnê em documentário que apresenta cenas inéditas e que alinha depoimentos dos músicos do grupo e de outros artistas. Eis - na ordem - as 28 faixas do DVD:

1. Vulcão dub (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Big bang (1989)
2. Alagados (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
3. Bora bora (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
4. Patrulha noturna (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983) /
    Cinema mudo (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983) /
    Ska (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)

5. Selvagem (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
    - com citação de Polícia (Tony Belloto, 1986), música do grupo Titãs
6. O calibre (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
    - com citação de Whole lotta love (Led Zeppelin e Willie Dixon, 1969), do Led Zeppelin

7. Mensagem de amor (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
8. Cuide bem do seu amor (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
9. De perto (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005)
10. Busca vida (Herbert Vianna) - do álbum 9 luas (1996)
      - com citação de Won't get fooled again (Pete Townshend, 1971), do grupo The Who

11. Me liga (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984) /
      Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)

12. Saber amar (Herbert Vianna) - do CD Vamo batê lata - Paralamas ao vivo (1995) /
      Romance Ideal (Herbert Vianna e Martim Cardoso) - do álbum O passo do Lui (1984)

13. Quase um segundo (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
14. Meu erro (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
15. Óculos (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
16. Lanterna dos afogados (Herbert Vianna) - do álbum Big bang (1989)
17. Na pista (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005) /
      Meu sonho (Herbert Vianna) - do álbum Brasil afora (2009)
18. Ela disse adeus (Herbert Vianna) - do álbum Hey na na (1998)
19. Você (Tim Maia, 1971) - do álbum Selvagem? (1986)
      - com citação de Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973)

20. A novidade (Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil) - do álbum Selvagem? (1986)
21. Melô do marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
22. Uma brasileira (Herbert Vianna e Carlinhos Brown) - do álbum Vamo batê lata - Ao vivo (1995)
23. O beco (Herbert Vianna e Bi Ribeiro) - do álbum Bora bora (1988)
24. Lourinha bombril (Parate y mira) (Diego Blanco e Bahiano)

      (Versão em português de Herbert Vianna) - do álbum 9 Luas (1996)
25. Aonde quer que eu vá (Herbert Vianna) - da coletânea Arquivo II (2000)
26. Caleidoscópio (Herbert Vianna, 1987) - da coletânea Arquivo (1990)
27. Vital e sua moto Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983)
      - com citação de De do do do de da da da (Sting, 1980), do grupo The Police /
      Don't stand so close to me (Sting, 1980) /
      Every breath you take (Sting, 1983)
28. Que país é este? (Renato Russo, 1987) - do álbum Acústico MTV (1999)

The Outs conclui EP ao vivo 'Rubber tracks' com cover de 'Helter skelter'

O grupo carioca The Outs apresenta a terceira e última faixa do EP Rubber tracks - Live session, gravado pelo quarteto no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ), no início deste ano de 2014.  O fonograma é o cover de Helter skelter, rock pesado composto por Paul McCartney - e creditado também a John Lennon (1940 - 1980) - para o álbum The Beatles (1968). As outras músicas do EP, Novadema e Before the sun, foram lançadas em abril e em junho de 2014, respectivamente. O cover de Helter skelter já está disponível para download.

Violão e guitarra, instrumentos para entrada no mágico mundo da música

 Ele pode ser vadio, como poetizou Paulo César Pinheiro em 1970 ao pôr letra em melodia de seu parceiro Baden Powell (1937 – 2000).  Mas geralmente é amigo, como caracterizado no título do samba de Alcebíades Barcelos (1902 – 1975), o Bide, e Armando Marçal (1903 – 1947) lançado em 1942 na voz do cantor Gilberto Alves (1915 – 1992). Tal como sua irmã, a guitarra (elétrica entre os dedos aflitos e quentes dos meninos, como versou outro poeta, Abel Silva, sobre melodia de Sueli Costa), o violão continua sendo a principal porta de entrada para o mundo da música. Pelo custo baixo, ambos – violão e guitarra – são bem mais acessíveis do que instrumentos mais elitizados como o piano.

Através dos séculos, o violão – cuja origem remonta aos anos de 1200 – permanece sendo a senha principal para a entrada em mundo de sensações proporcionadas pela música, a mais emocional das formas de arte. Bastam um violão e alguns acordes para que a mágica se faça e um novo mundo se abra aos ouvidos do músico. A guitarra, tal como a conhecemos hoje, também é outra senha e está mais identificada com esse tal de rock’n’roll surgido nos anos 1950. Ambos – violão e guitarra – são símbolos do poder conferido a quem sabe como é bom poder tocar um instrumento.

A loja Megasom (http://www.megasom.com.br/) pode proporcionar a sua entrada nesse mundo de sensações regido pela deusa música. A compra de um violão (http://www.megasom.com.br/cordas/violao.html) ou de uma guitarra (http://www.megasom.com.br/cordas/guitarra.html) é uma ação simples e fácil que pode dar som e rumo a uma vida. Adquira seu violão e/ou sua guitarra e faça o seu Megasom.

* Este post é um informe publicitário, um publieditorial da empresa Megasom.

Disco em que Elis caiu no suingue de Erlon Chaves é explicado em livro

Elis especial (Philips, 1968) é o disco em que Elis Regina (1945 - 1982) caiu no suingue do maestro paulista Erlon Chaves (1933 - 1974). Já com pleno domínio vocal, a cantora gaúcha - então com 23 anos - dá voz a 17 músicas alocadas em dez faixas. Nas bancas desde 20 de julho de 2014, o livro-CD Elis especial situa o álbum de 1968 na discografia da artista através de texto assinado pelo editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira. O livro é o 19º volume da Coleção Folha O melhor de Elis Regina. Organizada pelo jornalista Carlos Calado, a coleção tem 25 volumes, abrangendo 21 álbuns e quatro coletâneas da cantora. Gravado entre 22 de julho e 19 de agosto de 1968, Elis especial é o 11º álbum da (vasta) discografia de Elis Regina.

domingo, 20 de julho de 2014

Aos 50, Tori Amos recupera boa forma no denso 'Unrepentant geraldines'

Resenha de CD
Título: Unrepentant geraldines
Artista: Tori Amos
Gravadora: Mercury Classics / Universal Music
Cotação: * * * *

Já a caminho dos 51 anos, a serem completados em 22 de agosto de 2014, Tori Amos não sente o peso da idade em seu 14º álbum de estúdio, Unrepentant geraldines, recém-lançado no Brasil via Universal Music. Em 16 shades of blue, uma das melhores músicas do disco produzido pela própria Tori Amos, a cantora, compositora e pianista norte-americana encara os 50 anos com otimismo e leveza. Com 14 composições inéditas criadas por Amos sem parceiros, Unrepentant geraldines flagra a artista com fôlego renovado. Neste disco, Amos recupera a boa forma dos anos 1990, década de seu apogeu artístico e comercial. Sem inventar moda, a cantautora apresenta série de canções que dialogam de forma refinada com o pop folk, com a música clássica, com o universo celta e com a música barroca. As letras quase sempre densas - que versam sobre questões femininas sob prisma pessoal e ao mesmo tempo universal - contribuem para a coesão do álbum. Músicas como WeathermanWild way, Trouble's lament e Wedding day se irmanam com as melhores criações da artista, cuja voz de registro mezzo-soprano conserva o viço da juventude. Canção gravada por Amos em dueto com sua filha adolescente Tash Hawley, em harmoniosa aliança vocal, Promise tangencia os limites máximos de glicose permitidos em uma música. Contudo, jamais borra o belo quadro pintado por Tori Amos neste incisivo CD Unrepentant geraldines. Há inspiração depois dos 50.

Brian Wilson prepara álbum que reúne Lana Del Rey e Zooey Deschanel

Finda a turnê comemorativa dos 50 anos de carreira do grupo norte-americano The Beach Boys, Brian Wilson prepara álbum solo que tem intervenções das cantoras Lana Del Rey, Zooey Deschanel e Kacey Musgraves. A ser editado pela Capitol Records em data ainda incerta, o disco está tomando forma no Ocean Way Studios, em Hollywood (Los Angeles, Califórnia, EUA). Del Rey participa da faixa Last song. Deschanel figura em On the island. Já Musgraves vai ser ouvida na música Guess you had to be there. O estelar time de convidados pode incluir também Frank Ocean - em Special love, faixa não confirmada no repertório - e Nate Ruess (vocalista da banda norte-americana fun.). Danny boy é uma das músicas do repertório inédito.

Mal lançou 'Glorious', Foxes já arquiteta segundo álbum, que sai em 2015

Nome que cresceu no universo pop a partir de maio de 2014, mês em que foi lançado seu álbum de estreia Glorious (Sign of the Times / Epic Records, 2014), Foxes - nome artístico da cantora e compositora britânica Louisa Rose Allen - já arquiteta o seu segundo álbum. Com lançamento previsto para 2015,  o disco vai ser formatado por Foxes com nomes como Liam Howe e Mike Spencer, produtores com quem trabalhou na confecção de Glorius, álbum que já gerou os singles Youth (editado em 2013), Let go for tonight, Holding onto heaven e Glorius.

Livro 'Fama & loucura' flagra estrelas do universo pop sem a maquiagem

Resenha de livro
Título: Fama & loucura - Entrevistas censuradas com os maiores artistas do planeta
Autor: Neil Strauss
Editora: BestSeller
Cotação: * * * *

O título da tardia edição brasileira do livro lançado por Neil Strauss em 2011, Fama & loucura - Entrevistas censuradas com os maiores artistas do planeta, beira o sensacionalismo e é injusto com o conteúdo das 542 páginas do livro originalmente editado nos Estados Unidos com o título Everybody loves you when you're dead. Jornalista especializado em música, com muitas críticas e entrevistas publicadas em poderosos veículos norte-americanos como a revista Rolling Stone e o jornal The New York times, Strauss alinha no livro - recém-editado no Brasil pela editora BestSeller - entrevistas e fragmentos de conversas com estrelas do universo pop. Papos regados a doses altas de sinceridade que, por flagrar tais estrelas sem a maquiagem habitualmente usada no contato tenso com a mídia, acabaram paradoxalmente recusados por editores comprometidos com a indústria e / ou proibidos por atentos assessores de imprensa. A matéria-prima de Fama & Loucura são os trechos não publicados das entrevistas. “Atirei com Ludacris, fui sequestrado por Courtney Love, fiz Lady Gaga chorar, comprei Pampers com Snoop Dogg, saí para beber com Bruce Springsteen, tentei impedir o Mötley Crue de ser preso, recebi lições sobre cientologia de Tom Cruise, andei de helicóptero com Madonna, aprendi a ler mentes com a CIA, entrei em uma hidromassagem com Marylin Manson, fui repreendido por Prince e coloquei Christina Aguilera pra dormir. Esse é o meu trabalho”, resume Strauss na abertura do livro. Por entrelaçar e picotar as entrevistas (ou tentativas de), o livro exige do leitor alta dose de concentração para acompanhar narrativa tão efervescente quanto o universo pop. Mas a leitura é bem recompensadora para quem desconhece a engrenagem que sustenta a indústria da música. Uma indústria que "devora seus jovens", como ressalta Cher para Strauss, e que normalmente exige jogo de cintura para que repórteres e críticos saibam lidar com pressões e reações de estrelas egoicas (ao fim de uma entrevista, a cantora norte-americana Dolly Parton ameaça bater na cabeça de Strauss como um "filhote de cachorro" se a entrevista feita com ela não for publicada conforme seu gosto). Os críticos, em especial, são alvos de amores e ódios dos criticados. Strauss revela que já foi xingado por Phil Collins por conta de avaliação negativa de show do cantor britânico. "O problema é que, quando estamos nervosos, ficamos presunçosos", relativiza Bono para Strauss, após conversa iniciada por conta de crítica (positiva, no geral) a um álbum do grupo U2.  Em contrapartida, o autor também mostra os podres do outro lado e escancara a hipocrisia burguesa que rege a edição de críticas de música no jornal The New York Times ao relatar conversas com copidesques, jornalistas encarregados de enquadrar seus textos dentro do padrão do jornal, cortando todo termo que considera obsceno. Em essência, Neil Strauss descortina os bastidores e expõe a estrutura interna que mantém armado o circo pop. E o relato pungente dos trágicos dias finais de Paul Nelson - pioneiro crítico norte-americano - fecha o livro com a moral (não explicitada, mas subentendida) de que, com o tempo, a indústria da música devora tudo e todos. Mas - como sentencia o título da edição original do livro -  todo mundo ama você quando você está morto...

Trompetista norte-americano de jazz, Lionel Ferbos sai de cena aos 103

Trompetista norte-americano de jazz, Lionel Ferbos (17 de julho de 1911 - 19 de julho de 2014) foi um pioneiro até por uma questão de idade. Ferbos - que ontem saiu de cena, aos 103 anos, na mesma New Orleans (Louisiana, Estados Unidos) em que veio ao mundo - começou sua carreira no início dos anos 1930. Foi do tempo do ragtime, mas atravessou gerações e revoluções do jazz à frente de sua banda, a Louisiana Shakers, com a qual tocou de 1932 até março deste ano de 2014. Era o mais velho trompetista em atividade no universo pop.

sábado, 19 de julho de 2014

Eis a capa do CD em que Salmaso canta a parceria de Guinga e Pinheiro

Esta é a capa de Corpo de baile, álbum em que a cantora paulista Mônica Salmaso dá voz a 14 músicas dos compositores cariocas Guinga e Paulo César Pinheiro, coroando parceria aberta nos anos 1970. Com lançamento programado no iTunes para 29 de julho de 2014, o CD chega às lojas no início de agosto, numa edição da gravadora Biscoito Fino. A música-título é inédita.

Natiruts canta Charlie Brown, Legião e Paralamas no ao vivo '#NOFILTER'

A banda brasiliense de reggae Natiruts lança mais um registro ao vivo de show. Com lançamento programado para 29 de julho de 2014, em edição da Zeropontodois distribuída pela gravadora Sony Music, #NOFILTER chega ao mercado fonográfico nos formatos de CD (foto) e DVD. #NOFILTER traz o registro de show captado em apresentação feita pelo grupo em 25 de janeiro de 2014 na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ). No CD e DVD, o Natiruts recicla seus sucessos (Natiruts reggae power e O carcará e a rosa, entre outros), apresenta a inédita Onde as ondas quebram - exibida no DVD na forma de clipe - e aborda sucessos de bandas brasileiras como Charlie Brown Jr. (Zoio de lula), Legião Urbana (Faroeste caboclo) e Paralamas do Sucesso (Mensagem de amor). Eis, na ordem, as 21 músicas do DVD #NOFILTER:

1. O carcará e a rosa
2. Meu reggae é roots
3. Au de cabeça
4. Glamour tropical (Rio em dia de paz)
5. Você me encantou demais
6. Dentro da música
7. Groove bom
8. No mar
9. Sorri, sou rei
10. Naticongo
11. Pérola negra
12. Leve com você
13. Espero que um dia
14. Zoio de lula
15. Mensagem de amor
16. Deixa o menino jogar
17. Faroeste caboclo
18. Natiruts reggae power
19. Is this love?
20. Quero ser feliz também
21. Onde as ondas quebram - Videoclipe

Cida anuncia CD em que canta o Brasil através de Gil, Itamar, Titãs e Villa

Cida Moreira capta recursos - através do Reverbe, plataforma de financiamento coletivo - para a gravação de CD idealizado pela artista paulista com o jornalista Eduardo Magossi. A ideia é produzir um disco com canções brasileiras de cunho sócio-político. O repertório prevê músicas de nomes como Fátima Guedes, Gilberto Gil, Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959), Gilberto Gil, Itamar Assumpção (1949 -2003), Titãs e Zé Ramalho. É preciso captar R$ 50 mil até 15 de setembro de 2014. Em 2012, a cantora e pianista chegou a arquitetar disco com músicas de compositores identificados com a cena pop indie - nomes como Marcelo Camelo e Romulo Fróes chegaram a ser cogitados para o repertório do CD - mas o projeto não foi concretizado.

Cavalera Conspiracy estreia na Napalm Records com CD 'Pandemonium'

Pandemonium é o título do terceiro álbum do Cavalera Conspiracy, o quarteto de thrash metal criado nos Estados Unidos em 2007 pelos irmãos mineiros Iggor Cavalera (bateria) e Max Cavalera (voz e guitarra). Com lançamento previsto para outubro de 2014, o sucessor de Blunt force trauma (Roadrunner Records / Warner Music, 2011) marca a entrada do grupo na gravadora Napalm Records. John Gray é o produtor de Pandemonium, CD de repertório inédito.

Caixa com seis álbuns dos Mutantes reúne 13 gravações avulsas do trio

♪ Esta é a imagem da caixa Os Mutantes, que embala seis álbuns gravados pelo grupo paulista com sua formação original - Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias Baptista - e que chega ao mercado fonográfico a partir de 29 de julho de 2014 em edição da gravadora Universal Music. Texto do pesquisador musical Rodrigo Faour contextualiza a gravação dos álbuns Os Mutantes (1968), Mutantes (1969), A divina comédia ou ando meio desligado (1970), Jardim elétrico (1971) e Mutantes e seus cometas no país dos baurets (1972), além de Tecnicolor, álbum poliglota gravado pelo grupo em Paris, em 1970, mas somente editado em 2000. Para colecionadores de discos, o grande atrativo da caixa é a compilação de gravações avulsas do grupo. Intitulada Mande um abraço pra velha, nome da música defendida pelo grupo no sétimo e último Festival internacional da canção (FIC) em 1972, a coletânea agrega 13 fonogramas até então dispersos na discografia do grupo. Eis os 13 fonogramas da compilação:

1. Domingo no parque
2. Canção para inglês ver / Chiquita Bacana
3. Ando meio desligado – Versão compacto
4. The rain, the Park and other things
5. Cinderella – Rockfella
6. Glória ao rei dos confins do além
7. Baby
8. Saudosismo
9. Marcianita
10. A voz do morto
11. Lady Madonna
12. Mande um abraço pra velha
13. Ando meio desligado

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Elenco 'indie' recicla o cancioneiro dos Novos Baianos em tributo duplo

 A equipe do Jardim Elétrico - portal especializado em música brasileira - produz tributo ao grupo Novos Baianos. Previsto para ser lançado em edição digital no fim de agosto de 2014, o tributo é duplo e reúne 28 nomes recrutados na cena indie brasileira. O tributo - que vai ser disponibilizado para download gratuito e legalizado no Jardim Elétrico - compreende dois discos, intitulados Tinindo e Trincando. O elenco - não divulgado - recicla músicas lançadas pelo coletivo baiano nos álbuns É ferro na boneca! (1970), Acabou chorare (1972), Novos Baianos F.C. (1973), Vamos pro mundo (74), Praga de baiano (77) e Farol da Barra (78).

Lady Antenellum revela a capa e as 11 músicas de seu sexto álbum, '747'

Esta é a capa de 747, sexto álbum de estúdio do trio norte-americano de country Lady Antebellum. Precedido pelo single Bartender, lançado em maio de 2014, o sucessor de Golden (Capitol Records Nashville, 2012) tem lançamento programado para 30 de setembro de 2014 em edição viabilizada por parceria da empresa Lady A Entertainment com a gravadora Capital Records Nashville. 747 reúne onze músicas assinadas pelo trio - formado por Charles Kelley (voz), Hillary Scott (voz) e Dave Haywood (piano e guitarra) - com diversos parceiros. Eis, na ordem, as 11 músicas e compositores do sexto álbum de estúdio do trio Lady Antebellum, 747:

1. Long stretch of love (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott e Josh Kear)
2. Bartender (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott e Rodney Clawson)
3. Lie with me (Marc Beeson e Abe Stoklasa)
4. Freestyle (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott e Shane McAnally)
5. Down south (Stephanie Chapman, Christian Rada e Dave Thomson)
6. One great  mystery (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott e Josh Kear)
7. Sounded good at the time (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott, Brad Warren e Brett Warren)
8. She is (Ben Rector e Jeff Pardo)
9. Damn you seventeen (Rodney Clawson, Luke Laird e Shane McAnally)
10. 747 (Gordie Sampson, Caitlyn Smith e Cary Barlowe)
11. Just a girl (Dave Haywood, Charles Kelley, Hillary Scott e Shane McAnally)

Marjorie lança 'Por inteiro', bom 'single' de álbum em que faz duo com Gil

Marjorie Estiano apresentou no portal SoundCloud o primeiro single de seu terceiro álbum de estúdio, o primeiro desde Flores, amores e blablablá (Universal Music, 2007), lançado há sete anos. O single se chama Por inteiro. Música feita pelos compositores baianos Tenilson Del Rey e Jau em parceria com Paulo Vascon, Por inteiro sinaliza - tanto pela qualidade da música em si quanto pelo arranjo e a sonoridade sedutora - que a cantora e atriz paranaense vai se distanciar do blablablá adolescente que caracterizou seus dois primeiros álbuns, sobretudo o primeiro (Marjorie Estiano, Universal Music, 2005). O terceiro álbum da artista está previsto para ser lançado neste segundo semestre de 2014 e tem a participação do cantor e compositor baiano Gilberto Gil na música Luz do sol, canção inédita de autoria da própria Marjorie Estiano.

Céu vai gravar seu primeiro DVD em show em 30 de julho, em São Paulo

Após três álbuns de estúdio, a cantora e compositora paulistana Céu anuncia a gravação de seu primeiro DVD. A artista vai fazer seu primeiro registro ao vivo audiovisual de show em apresentação agendada para 30 de julho de 2014, no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo (SP). Somente 200 ingressos vão estar disponíveis para venda. O DVD vai chegar ao mercado fonográfico em edição viabilizada por uma parceria da gravadora Urban Jungle com o selo Slap.

Roteiro desfaz a magia do show em que Alaíde e Áurea celebram Elizeth

Resenha de show
Título: Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso
Artistas: Alaíde Costa e Áurea Martins (em foto de Mauro Ferreira)
Participações: Hermínio Bello de Carvalho e Vidal Assis
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 16 de julho de 2014
Cotação: * * 1/2

Alaíde Costa e Áurea Martins são duas cantoras cariocas de alta categoria. Um show que as reunisse em cena tinha tudo para ser antológico - sobretudo se for um tributo a Elizeth Cardoso (1920 - 1990), uma das maiores cantoras do Brasil de todos os tempos. Por tudo isso, Elizethíssima - show que estreou em maio de 2014 no Rio de Janeiro (RJ), cidade aonde voltou à cena no Teatro Rival em 16 de julho, dia em que Elizeth completaria 94 anos - resulta até certo ponto decepcionante. As cantoras são ótimas, o repertório é de excelente nível, mas a magia não se faz - como já sinaliza o primeiro número do roteiro (mal) estruturado por Hermínio Bello de Carvalho e Zé Maria Rocha. Nesse número inicial, Áurea sola o medley que agrega os sambas Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) e É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957), cantados em empolgação. O roteiro é o ponto problemático de Elizethíssima, show feito sob tradicional direção musical do violonista Lucas Porto, autor dos arranjos. Por estar estruturado em medleys, o roteiro fragmenta e uniformiza as emoções contidas nas canções. Para impedir ainda mais a magia que não se faz, uma das poucas músicas apresentadas de forma isolada, Complexo (Wilson Batista e Magno de Oliveira, 1949), não é das composições mais inspiradas do compositor fluminense Wilson Baptista (1913 - 1938) e do repertório da divina Elizeth. Protagonizada por Áurea, a parte inicial do show deixa a sensação de que sambas como Malvadeza Durão (Zé Kétti, 1965) não se ajustam bem ao canto dessa intérprete cultuada na noite carioca por sua técnica admirável. Cantora projetada no universo da Bossa Nova, Alaíde parece mais à vontade quando entra em cena, a partir do quinto número, para interpretar seis das 12 músicas do álbum Canção do amor demais (Festa, 1958), marco na carreira de Elizeth e na trajetória dos compositores cariocas Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). É que canções como Janelas abertas e Sem você são talhadas para o canto de Alaíde, que reitera sua maestria vocal ao introduzir a capella o samba Outra vez. De todo modo, os roteiristas e a diretora Duda Maia demoram a promover a interação entre as cantoras, que somente dividem o palco para valer a partir do sétimo dos dez medleys repartidos entre as intérpretes. Ainda assim, a união é pouco feliz, já que esse sétimo medley é dedicado a reviver o encontro de Elizeth com o cantor carioca Ciro Monteiro (1913 - 1973), perpetuado no álbum A bossa eterna de Elizeth e Ciro (Copacabana, 1966). É nesse disco que Elizeth e Ciro cantam as seis músicas reunidas no medleyNega (Waldemar Gomes e Afonso Teixeira, 1966), Tem que rebolar (José Batista e Magno de Oliveira, 1954), O que é que eu dou? (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1947), Eu sou manhosa (Vicente Paiva, 1966), Deixa andar (Jububa, 1966) e Já vai? (Rubens Campos e Duba, 1966) - com uma ginga e uma sintonia inexistentes no número protagonizado por Alaíde e Áurea com o cantor Vidal Assis, convidado do show. O trio cai no suingue de forma artificial, mas o erro é dos roteiristas, que deveriam ter atentado para o fato de que tal repertório pede intérpretes com manemolência escassa nas vozes de Alaíde e Áurea - como Elza Soares, para citar somente um exemplo de cantora bem mais vocacionada para dar voz e balanço a esse repertório. Com correção asséptica, Vidal sola em seguida Noturno em tempo de samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944) antes de Hermínio entrar em cena para interpretar o choro Doce de coco (Jacob do Bandolim, 1951) com a letra que escreveu para Elizeth cantar em 1968. Dispensável, a entrada em cena de Hermínio tira o foco das cantoras. Na sequência, Rosa de ouro (Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965) é a deixa - já na voz de Áurea - para sequência de sambas gravados pela Divina no antológico álbum Elizeth sobe o morro (Copacabana, 1965). Com a volta de Alaíde para o último número, Elizethíssima apresenta - enfim... - as músicas mais marcantes da trajetória de Elizeth Cardoso. Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950), Nossos momentos (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1960), Meiga presença (Paulo Valdez e Otávio de Moraes, 1966) e Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) são pontos altos da discografia de Elizeth e do show, cujo roteiro infeliz - também prejudicado pelos textos de tom artificial sobre a homenageada - contribui para diluir o brilho do que, sim, poderia ser um espetáculo e um tributo antológicos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Alaíde e Áurea celebram Elizeth através de Baden, Elton, Tom e Vinicius

Se ainda fosse viva, a cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990) teria completado 94 anos de vida ontem, 16 de julho de 2014. A data não é redonda, mas serviu de pretexto para que as cantoras Alaíde Costa e Áurea Martins - cariocas como a Divina - voltassem à cena do Rio de Janeiro (RJ) com o show Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso, apresentado ontem no Teatro Rival. Como o subtítulo do show já explicita, trata-se de tributo a Elizeth, cantora que gravou discos de 1950 aos anos 1980. Alternando-se em solos e duetos, Alaíde e Áurea celebraram Elizeth através de músicas de compositores com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Baden Powell (1937 - 2000), Elton Medeiros e Vinicius de Moraes (1913 - 1990) - nomes recorrentes no roteiro assinado por Hermínio Bello de Carvalho com o pianista Zé Maria Rocha (músico que costuma dividir o palco com Áurea). Sob a direção de Duda Maia, as duas cantoras se revezam na interpretação de 32 músicas. Trinta são alocadas nos dez números das seguras cantoras - medleys, quase todos - que compõem o roteiro. As outras duas figuram no bis do show, que tem intervenções do cantor Vidal Assis e do próprio Hermínio Bello de Carvalho. Eis o roteiro seguido por Alaíde Costa e Áurea Martins - em foto de Mauro Ferreira - em 16 de julho de 2014 na apresentação do show Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso que contentou o público mais maduro que foi ao Teatro Rival:

1. Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) /
    É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
2. Refém da solidão (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970) /
    Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) /
    Acontece (Cartola, 1972)
3. Complexo (Wilson Batista e Magno de Oliveira, 1949)
4. Notícia de jornal (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1960) /
    Malvadeza durão (Zé Kétti, 1965)
5. Estrada branca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Eu não existo sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
6. Outra vez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) 
7. Nega (Waldemar Gomes e Afonso Teixeira, 1966) /
    Tem que rebolar (José Batista e Magno de Oliveira, 1954) /
    O que é que eu dou? (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1947) /
    Eu sou manhosa (Vicente Paiva, 1966) /
    Deixa andar (Jububa, 1966) /
    Já vai? (Rubens Campos e Duba, 1966)
8. Noturno em tempo de samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944) - solo de Vidal Assis
9. Doce de coco (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) 
    - solo de Hermínio Bello de Carvalho /
    Rosa de ouro (Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965)
10. Folhas no ar (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965) /
      Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965) /
      A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957)
11. Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950) /
      Nossos momentos (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1960)
      Meiga presença (Paulo Valdez e Otávio de Moraes, 1966)
      Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) /
      Se todos fossem iguais a você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1956) /
      Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950)
Bis:
12. Manhã de carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria, 1959) /
13. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) 

Mesmo pop, Linkin Park firma retorno ao nu metal em 'The hunting party'

Resenha de CD
Título: The hunting party
Artista: Linkin Park
Gravadora: Warner Music / Machine Shop
Cotação: * * * *

Sexto álbum de estúdio do Linkin Park, The hunting party consolida a volta do grupo norte-americano ao básico do nu metal - retorno iniciado no disco anterior Living things (Warner Music / Machine Shop, 2012) - sem desviar a banda por completo do trilho pop. Distante dos experimentos psicodélicos de A thousand suns (Warner Music / Machine Shop, 2010), mas nem tanto da abordagem pop do diluidor Minutes to midnight (Warner Music / Machine Shop, 2007), The hunting party é álbum quase sempre vibrante, gravado na pressão, sobretudo nas faixas mais pesadas. Descontadas as músicas de maior apelo pop, fãs do clássico Meteora (Warner Music, 2003) vão reconhecer o velho Linkin Park neste sexto álbum, que dissocia a banda de seu habitual produtor Rick Rubin. Quem assina a produção do revigorante The hunting party são o vocalista Mike Shinoda e o guitarrista Brad Delson, integrantes dessa banda que se consagrou com a mistura de rock pesado, rap e eletrônica que caracteriza no universo pop o gênero rotulado como nu metal. Mistura que volta ao seu ponto ideal em músicas como a explosiva Keys to kingdom, a excelente All for nothing e A line in the sand, que encerra o álbum em grande estilo. Como já sinalizara o single Guilty all the same, o Linkin Park recuperou a pegada e a energia de tempos idos. Seja na velocidade hardcore de War ou no passo mais pop de Wastelands, o disco quase sempre mantém o pique. É inegável que a escolha da balada Until it's gone como segundo single do álbum - o terceiro e atual single é a também palatável Final masquerade - indica que o grupo quer que sua festa seja aberta ao maior número possível de convidados. Em contrapartida, Drawbar mostra que o Linkin Park não abandonou de todo as experimentações do passado duvidoso. Mas há bem mais altos do que baixos. Guitarrista e vocalista da banda System of a Down, Daron Malakian encorpa Rebellion, fazendo com que a (ótima) faixa soe mais como uma gravação de sua banda do que do próprio Linkin Park. No todo, a festa do Linkin Park é boa. Entre nessa festa!

Single 'Melhor do que ontem' promove 'Viva a revolução', o EP do Capital

Lançado esta semana no iTunes via Sony Music, o single Melhor do que ontem promove o EP que o Capital Inicial vai lançar entre o fim deste mês de julho de 2014 e o início de agosto. Intitulado Viva a revolução, o EP traz seis músicas inéditas gravadas pelo grupo brasiliense no Rio de Janeiro (RJ) com produção de Liminha. O grupo Cone Crew Diretoria participa do disco.

Virtuose do blues, guitarrista Johnny Winter sai de cena na Suíça aos 70

 Praticamente todos os obituários de John Dawson Winter III (23 de fevereiro de 1944 - 16 de julho de 2014) mencionam o blues no título. Nem podia ser diferente, já que o nome de Johnny Winter - guitarrista norte-americano que saiu ontem de cena, aos 70 anos, em Zurique, na Suíça, de causas não reveladas - vai estar eternamente associado ao gênero. Johnny Winter tocava um blues elétrico, não raro amalgamado com o rock. Irmão de outro ícone do blues, o multi-instrumentista Edgar Winter (albino como Johnny), o guitarrista começou sua carreira profissionalmente em 1959. Nove anos depois, Johnny já lançou o primeiro álbum, The progressive blues experiment (Sonobeat, 1968), mas foi a partir do segundo álbum - Johnny Winter (1969), o primeiro do contrato com a Columbia Records, assinado no embalo da repercussão da participação de Winter em show do músico norte-americano Al Kooper - que a discografia do artista passou a obter real repercussão. Winter gravou álbuns com regularidade nas décadas de 1970 e 1980. A partir dos anos 1990, sua obra fonográfica começou a ficar espaçada. Contudo, Johnny Winter retornou ao disco há três anos e lançou o que se tornou o seu derradeiro álbum de estúdio, Roots (Megaforce Records, 2011).

Disco com a trilha internacional de 'Em família' sai com a novela já no fim

Posto nas lojas pela gravadora Som Livre com a novela já  na reta final, o CD com a trilha sonora internacional de Em família chega ao mercado fonográfico com poucos atrativos para o consumidor de produtos do gênero. É uma das trilhas sonoras mais desleixadas da história das novelas. Fonograma já defasado da cantora Lana Del Rey (Born to die, música-título do álbum lançado pela artista norte-americana no início de 2012) se alinha no disco com gravações mais ou menos recentes da brasileira Ana Cañas (L'amour), Beyoncé (Pretty hurts), James Blunt (Face the sun) e Laura Pausini (Se non te),entre nomes menos expressivos do universo musical.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

'Nheengatu', disco pesado dos Titãs, ganha edição em vinil de capa dupla

Disco que devolveu ao grupo paulista Titãs a dignidade perdida com álbuns equivocados como Sacos plásticos (Arsenal Music / Universal Music, 2009), o incensado Nheengatu (Som Livre, 2014) ganha edição em vinil. Fabricado pela Polysom, sob licença da gravadora Som Livre, o LP de capa dupla alinha as mesmas 14 músicas do CD lançado em maio de 2014. As músicas aparecem no LP na ordem do CD. Eis a disposição das faixas na edição em vinil de Nheengatu:

LADO  A 
           1. Fardado
           2. Mensageiro da desgraça
           3. República dos bananas
           4. Fala, Renata
           5. Cadáver sobre cadáver
           6. Canalha
           7. Pedofilia
 LADO  B 
           1. Chegada ao Brasil (Terra à vista)
           2. Eu me sinto bem
           3. Flores Pra ela
           4. Não pode
           5. Senhor
           6. Baião de dois
           7. Quem são os animais?

Álbum 'Animal ambition' flagra 'rapper' 50 Cent com garras menos afiadas

Quinto álbum de estúdio do rapper norte-americano 50 Cent, lançado em junho de 2014 nos Estados Unidos pelas gravadoras G-Unite Records e Carolina Records, Animal ambition - An untamed desire to win mostra o artista com as garras bem menos afiadas - ao contrário do que sugere a capa do CD, recém-lançado no Brasil via Universal Music. Músicas como Hold on e Don't worry 'bout it, de batidas anêmicas, sinalizam que o marrento rapper perde poder no universo do hip hop. A propósito, Animal ambition é o primeiro álbum de 50 Cent após sua saída da gravadora Interscope Records e da Shady Records, selo de seu colega Eminem. Pelo selo do rapper norte-americano Eminem, 50 Cent lançou discos que causaram impacto no mundo do hip hop quando era a voz do rap ostentação - caso sobretudo de seu álbum de estreia Get rich or die tryin' (2003), que versou sobre violência e crime. Por mais que temas eventuais como Pilot até evoquem eras passadas de 50 Cent, Animal ambition foi um total fracasso no mercado fonográfico dos Estados Unidos. Tanto que 50 Cent já agendou a edição de seu sexto álbum de estúdio, Street king immortal, para este segundo semestre de 2014. Salvo mudança de planos, o disco vai ser lançado em 16 de setembro via Capitol Records. Detalhe: de acordo com declaração de 50 Cent, Eminem figura na faixa intitulada Champions.

Álbum que pôs o Soundgarden no 'mainstream' ganha edição de 20 anos

 Formado em 1984, em Seattle (Washington, EUA), o grupo norte-americano Soundgarden já estava há uma década na estrada quando lançou seu quarto álbum, Superunknown, editado originalmente em março de 1994 pelo selo A & M. Mesmo assim, para muitos, Superunknown foi a porta de entrada para o som desta banda - dissolvida em 1997, mas reativada em 2010 - associada à cena grunge capitaneada pelo Nirvana, outro grupo formado em Seattle na década de 1980. Lançado um mês antes do suicídio de Kurt Cobain (1967 - 1994), Superunknown já estreou no topo da parada da revista norte-americana Billboard - desde sempre a principal referência do mercado fonográfico nos Estados Unidos - e pôs o Soundgarden no mainstream. Por isso mesmo, a aditivada edição dupla que comemora os 20 anos de Superunknown - recém-lançada no Brasil pela gravadora Universal Music - vai fisgar admiradores do grupo. Como de hábito em produtos do gênero, o CD 1 reapresenta o disco original em edição remasterizada - com adição de She likes surprises, faixa-bônus das edições europeia e japonesa do álbum - enquanto o CD 2 agrupa demos, mixes alternativos e outras raridades associadas ao repertório do disco. Spoonman é ouvida em versão alternativa do remix de Steve Fisk. The day I tried to love reaparece em take de ensaio e em alternate mix. Black hole sun figura em versão demo. Há versões instrumentais de 4th of july e da música-título Superunknown, além de take acústico de Like suicide, entre outras iscas para fãs do CD.

JLo soa 'urban' no artificial CD 'A.K.A.' sem deixar de ser cantora genérica

Resenha de CD
Título: A.K.A. JLo
Artista: Jennifer Lopez
Gravadora: Capitol Records / Universal Music
Cotação: * * 1/2

Há visível artificialidade nas fotos de Jennifer Lopez expostas na capa e no encarte do oitavo álbum de estúdio da cantora norte-americana. Tal artificialidade se estende ao som ouvido ao longo das 10 músicas da edição standard de A.K.A. Jlo, álbum recém-lançado no Brasil via Universal Music. Mais voltado para o som pop rotulado como urban contemporary, o disco já explicita seu caráter pop em First love, boa faixa confeccionada pelo produtor Max Martin. Sem jamais surpreender, o álbum transita por baladas - sendo que Never satisfied se impõe dentro do gênero e, sobretudo, no confronto com as menos sedutoras Emotions (com toque de r & b) e Let it be me (com instrumental de ambiência mais acústica que evidencia o canto correto da intérprete) - entre temas de dance e r & b gravados com a dose habitual de rap. A propósito, T.I. figura na faixa A.K.A, com a qual Lopez abre o disco, sustentando na letra que sua real identidade não é a propagada pela mídia e que seu público não a conhece tão bem. Pode ser. De todo modo, o álbum A.K.A. JLo pouco contribui para delinear uma identidade artística para Lopez, além de apresentar nítida queda na qualidade do repertório em sua segunda metade. Há excesso de intervenções de rappers. Rick Ross (em Worry no more), Iggy Azalea (voz feminina em Acting like that, faixa que exemplifica o tom urban do CD), Pitbull (em Booty, boa faixa eletrônica cuja batida evoca o som da rapper M.I.A ao mesmo tempo em que embute certo tempero latino) e French Montana (na já conhecida I luh ya papi) nada acrescentam de relevante às suas respectivas faixas, corroborando a sensação de que Jennifer Lopez continua soando como cantora genérica. Sua imersão na urban music é artificial, estéril.