Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 28 de junho de 2016

Gravadora anuncia troca do CD de Maria Rita por conta de alteração na faixa 8

Quem já comprou o CD O samba em mim - Ao vivo na Lapa, lançado por Maria Rita neste mês de junho de 2016, pode entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da gravadora Universal Music - através da opção contato do site www.universalmusic.com.br - para solicitar, sem ônus, a troca do disco. Como alguns compradores de primeira hora já haviam detectado, há um erro na faixa 8 da primeira tiragem do CD. Em vez de tocar o samba Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011), como apregoado corretamente na contracapa e no encarte do CD, a faixa 8 reproduz o áudio do samba Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007). Ciente da falta de sintonia entre áudio e encarte, a gravadora anunciou hoje a troca gratuita para quem já adquiriu cópia do CD. A companhia fonográfica também já providenciou a troca dos discos que já foram para as lojas físicas. Já a (correta) edição digital estará disponibilizada nas plataformas ainda neste mês de junho de 2016.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Calor do registro integral do show ameniza redundância do DVD de Maria Rita

Resenha de álbum ao vivo em CD e DVD
Título: O samba em mim - Ao vivo na Lapa
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

A rigor, o DVD lançado hoje por Maria Rita exibe o segundo registro audiovisual do show Coração a batucar (2014 / 2015). Em outubro de 2014, a cantora paulistana captou pela primeira vez o show baseado no segundo álbum de samba da discografia da artista. Feita sob direção de Hugo Prata diante de plateia de convidados, esta gravação - de tom mais intimista - teve nove números editados no DVD-bônus inserido em edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014), posta nas lojas em março de 2015, um ano após o lançamento do disco original. Apesar do título diferente, o DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa exibe o mesmo show Coração a batucar visto de forma reduzida do DVD-bônus. A gravação é outra e foi feita na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para público pagante, no mesmo palco - o da Fundição Progresso - em que o show estreou oficialmente em abril de 2014 (a estreia real foi feita dias antes numa cidade do interior paulista). Desta vez, o show pode ser visto na íntegra. Ou quase na íntegra, já que, na segunda gravação ao vivo do show, sambas como Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973) e No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014) saíram do roteiro. Justamente alguns sambas - nos casos dos dois primeiros - que nunca ganham registros em mídia física na voz de Maria Rita (Comportamento geral foi faixa-bônus da edição digital do álbum Coração a batucar). O show Coração a batucar, em si, é excelente (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca). Mas é inevitável que haja redundâncias no DVD e no (inexplicavelmente curto) CD, que reproduz somente 13 das 20 músicas alinhadas no DVD Afinal, das 20 músicas, nove já fazem parte do DVD-bônus de 2014. Como o diretor é o mesmo, O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa inevitável sensação de déjà vu. O que ameniza - mas não anula - as redundâncias é o calor do público no registro ao vivo. Maria Rita recai em sambas como É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014), Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) e Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007) com o reforço do coro espontâneo do público que encheu a Fundição Progresso para ver a gravação ao vivo do show Coração a batucar. A fervura do público é o diferencial do DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa. Como (grande) cantora, Maria Rita nada mais precisa provar. A opção pelo samba também já resulta natural. O que a cantora precisa fazer, se continuar no samba como já sinalizou em entrevistas, é somente abrir novas alas dentro do gênero, cujo suingue nos shows recentes de Maria Rita reside mais no toque da guitarra de Davi Moraes do que na percussão, como evidenciam números como E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980), samba até então nunca registrado pela cantora, assim como Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987), samba que já mereceu - com o título equivocado de Boa noite - registro preciso de Beth Carvalho em gravação ao vivo de 1991. Sétimo título da videografia de Maria Rita se posto na conta o DVD embutido na edição dupla do álbum Segundo (Warner Music, 2005), O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa sensação de que já chega tarde ao mercado fonográfico. Afinal, a cantora já está em cena com outros dois shows, Samba de Maria e Voz e piano, mas deixa para a posteridade um registro da desenvoltura com que Maria Rita canta o samba dela, valorizando até um pagode de cepa mais popular como Abismo (Thiago Silva, Lelê e Davi dos Santos, 2014). Mesmo soando redundante, a gravação ao vivo tem alto valor musical. Vale repetir: o samba dela é bom. Deixe a menina sambar!...

sábado, 11 de junho de 2016

Maria Rita lança CD e DVD com gravação integral do show 'Coração a batucar'

O samba em mim - Ao vivo na Lapa é o título do CD e do DVD que a gravadora Universal Music vai lançar na segunda quinzena deste mês de junho de 2016 com o registro integral do show Coração a batucar (2014 / 2015), baseado no homônimo segundo álbum de samba de Maria Rita. Das 20 músicas do roteiro seguido pela cantora paulistana na apresentação captada na madrugada de 6 de dezembro de 2015 na Fundição Progresso, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), somente duas - E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980) e Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987), samba que deu nome a um álbum lançado há 29 anos pelo grupo carioca Fundo de Quintal - nunca tinham sido registradas em disco pela intérprete. O subtítulo do DVD cita nominalmente a Lapa, bairro do Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) que tem efervescente circuito de samba e choro. É nesse bairro que está situada a Fundição Progresso, espaço multimídia que também funciona como casa de shows. O DVD O samba em mim eterniza show feito sob a produção e direção musical da própria Maria Rita e captado em vídeo sob a direção de Hugo Prata. Show, aliás, que já tinha tido um registro (parcial) captado em São Paulo (SP) em 2014 e editado em 2015 em DVD alocado como bônus de edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014). Eis, na ordem do DVD que exibe a gravação integral do belo show, as 20 músicas alinhadas no repertório de  O samba em mim - Ao vivo na Lapa:

1. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)
2. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
3. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
4. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
5. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
6. Abismo (Thiago Silva, Lelê e Davi dos Santos, 2014)

7. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
10. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980)
11. Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007)
12. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
13. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
14. Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007)
15. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
16. Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986)
17. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
18. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
19. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
20. O homem falou (Gonzaguinha, 1985)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Maria Rita confirma a grandeza do canto seguro ao ampliar show 'Voz & piano'

Resenha de show - Segunda visão
Título: Voz & piano
Artista: Maria Rita (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 4 de abril de 2016
Cotação: * * * *

O show Voz & piano, de Maria Rita, cresceu em todos os sentidos. Se o roteiro original do recital apresentado pela primeira vez na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 8 de março de 2013 totalizava somente 13 músicas, o da versão revista e ampliada do show reúne 18 músicas que sintetizam os 11 anos de carreira da cantora paulistana. Em sintonia cúmplice com Tiago Costa, pianista que a acompanha desde os primórdios da trajetória de Rita como cantora profissional, a artista cai no samba que pautou dois álbuns de estúdio, dá voz a músicas do repertório da mãe - a soberana Elis Regina Carvalho Costa (1945 - 1982) - e revive músicas dos discos iniciais que a conectaram à MPB. Contudo, o show Voz & piano - apresentado pela artista em turnê pelo Brasil desde o início deste ano de 2016 - cresceu também no sentido metafórico ao confirmar a grandeza do canto de Maria Rita. Minimizada por gente preconceituosa a partir do momento em que a cantora dedicou discos ao samba (gênero ainda considerado menor do que a MPB na visão de desprezíveis elites culturais) e também quando decidiu abordar o repertório da mãe imortal, essa grandeza foi exposta para o público que ocupou na noite de ontem, 4 de abril de 2016, todas as 622 poltronas do Theatro Net Rio para assistir ao show que celebrava os quatro anos de vida do teatro inaugurado em abril de 2012. Saudada como "a maior cantora de sua geração" no discurso introdutório de Frederico Reder (sócio-diretor da empresa que arrendou e gerenciou o teatro nestes quatro anos de sucesso), Maria Rita fez jus aos elogios desde que as cortinas se abriram e a cantora apareceu já sentada em cadeira alocada ao lado do piano de Tiago Costa. Já no início, quando abriu a voz para cantar Mucuripe (Raimundo Fagner e Belchior, 1972) com dose exata de melancolia, Maria Rita mostrou quem é. Na sequência do roteiro, a cantora seguiu o caminho das águas nordestinas e deu voz à única música, O ciúme (Caetano Veloso, 1987), que ainda pode ser considerada (certa) novidade no repertório da artista, embora já tivesse sido cantada por Rita em 2006 em programa de emissora carioca de rádio. A densidade do canto e os vocais arrepiantes ao fim de O ciúme ratificaram a grandeza da intérprete. Em cena, Rita classificou o show como "de absoluto desafio". Parece frase feita, e talvez seja mesmo, mas o fato é que não é qualquer cantora que expôs os dramas afetivos de lírico bolero cubano como Dos gardenias (Isolina Carrillo, 1947) e, em seguida, emenda três músicas de outra Rita, a Lee. Rita, a Maria alguém, se delicia com as espetadas femininas de Pagu (Rita Lee e Zélia Duncan, 2000), põe Só de você (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1982) em clima de cheek to cheek e tira Agora só falta você (Rita Lee e Luiz Carlini, 1975) do universo roqueiro original, adequando o pop rock da Ovelha Negra ao econômico formato voz & piano do show. Mais para frente, Todo Carnaval tem seu fim (Marcelo Camelo, 2001) abre bloco de sambas que abarca Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) - enfrentado por Rita com os habituais comics e cacos histriônicos - e músicas dos dois álbuns de samba da artista, Samba meu (Warner Music, 2007) e Coração a batucar (Universal Music, 2014), caso de Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007). Motivo de discurso incisivo sobre a relação com o repertório de Elis ("Eu falo à beça", reconheceu Maria Rita ao fim da longa fala anterior do show), o samba Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) gerou canto embargado pelo choro e foi também a brecha para que Rita voltasse ao repertório da mãe dali em diante. Romaria (Renato Teixeira, 1977) ainda pode ter o fervor acentuado por Rita em apresentações futuras do show Voz & piano. Já Águas de março (Antonio Carlos Jobim, 1972) - número em que o toque límpido do piano de Tiago Costa evoca o arranjo da gravação feita por Elis com Tom Jobim (1927 - 1994) - desabou com toda a beleza soberana do samba, provando que Maria Rita é bem filha de quem é. Foi a música em que o público fez coro espontâneo com a cantora desde o primeiro verso. Na sequência, Tiago Costa emulou o toque percussivo do piano de Ivan Lins para criar a base para Rita cair no samba Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970). Nos bis, Rita voltou a cair no suingue de dois sambas associados a Elis, Vou deitar e rolar (Quaquaraquaquá) (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970) e Amor até o fim (Gilberto Gil, 1966). Do início até o fim de belo show, ideal para o atual cenário de crise econômica, Maria Rita se confirmou grande. Como a soberana mãe, ela também é Maria alguém.

Tema de Caetano é a 'novidade' do dilatado show de piano e voz de Maria Rita

Maria Rita também anda dando mergulhos nas águas do Velho Chico. Música de Caetano Veloso, lançada pelo compositor no álbum Caetano (PolyGram, 1987), O ciúme é a novidade do roteiro do show de voz e piano que Maria Rita vem apresentando pelo Brasil desde o início deste ano de 2016. A rigor, a canção O ciúme já tinha sido interpretada em 2006 pela cantora paulistana em programa de emissora de rádio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Mas é a primeira vez que a música de Caetano entra oficialmente no roteiro de um show de Maria Rita. Embora apresentado como inédito, o atual show Voz & piano é a versão estendida do show feito pela cantora com o pianista Tiago Costa em março de 2013 para celebrar o primeiro aniversário da extinta casa carioca Miranda (clique aqui para ler a resenha do show de 2013 e aqui para conhecer o roteiro original). Curiosamente, a atual versão do recital chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 4 de abril de 2016, para celebrar o aniversário de outra casa de shows da cidade. No caso, o Theatro Net Rio, que festejou quatro anos de vida em noite de reverências à memória de Tereza Rachel (1934 - 2016), atriz que criou o teatro, em 1971, e que saiu de cena no último sábado, 2 de abril. Convidada a cantar na noite em que o Theatro Net Rio celebrou o quarto aniversário, Maria Rita cantou repertório que sintetiza os 14 anos de carreira da cantora, indo da MPB ao samba com a habitual desenvoltura vocal. Eis o roteiro seguido em 4 de abril de 2016 no Rio de Janeiro (RJ) por Maria Rita e Tiago Costa - vistos em cena na foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca dessa versão dilatada do show Voz & piano no Theatro Net Rio:

1. Mucuripe (Raimundo Fagner e Belchior, 1972)
2. O ciúme (Caetano Veloso, 1987)
3. Dos gardenias (Isolina Carrilo, 1947)
4. Caminho das águas (Rodrigo Maranhão, 2005)
5. Pagu (Rita Lee e Zélia Duncan, 2000)
6. Agora só falta você (Rita Lee e Luiz Carlini, 1975)
7. Só de você (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1982)
8. A história de Lily Braun (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983)
9. Todo Carnaval tem seu fim (Marcelo Camelo, 2001)
10. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
11. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
12. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2014)
13. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
14. Romaria (Renato Teixeira, 1977)
15. Águas de março (Antonio Carlos Jobim, 1972)
16. Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1970)
Bis 1:
17. Vou deitar e rolar (Quaquaraquaquá) (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970)
Bis 2:
18. Amor até o fim (Gilberto Gil, 1966)

quinta-feira, 3 de março de 2016

Maria Rita vai lançar em junho o registro integral do show 'Coração a batucar'

Maria Rita vai lançar em junho deste ano de 2016 a gravação ao vivo integral do show Coração a batucar. O show de samba foi captado na madrugada de 6 de dezembro de 2015, na Fundição Progresso, palco da cidade do Rio de Janeiro (RJ) no qual a artista fez a estreia oficial da turnê em abril de 2014. Um registro parcial do show - gravado em São Paulo (SP) em clima mais intimista - já foi lançado no DVD oferecido como bônus na edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014). Já a gravação integral do show vai ser editada em junho, em CD e em DVD que serão vendidos de maneira avulsa no mercado fonográfico com a distribuição da gravadora Universal Music.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Maria Rita regrava, para a trilha de novela, música registrada por Elis em 1963

Música de autoria do cantor e compositor Castro Perret, Dengosa ganha a voz da cantora paulistana Maria Rita em gravação feita para o segundo volume da trilha sonora da novela Êta mundo bom!, que tem estreia programada pela TV Globo para 18 de janeiro de 2016. Música lançada na voz da cantora Zezé Gonzaga (1926 - 2008) no álbum Nossa namorada musical (Continental, 1962), Dengosa foi também gravada por Elis Regina (1945 - 1982) - mãe de Maria Rita - em 1963 no LP Ellis Regina, segundo dos dois álbuns lançados por Elis na gravadora CBS naquele ano de 1963 com repertórios aquéns da voz da cantora. Esta música é inédita na voz de Maria Rita (em foto de Vicente de Paulo).

domingo, 6 de dezembro de 2015

Maria Rita grava show 'Coração a batucar' na íntegra, no Rio, para DVD (e CD)

A IMAGEM DO SOM - As fotos extraídas de vídeos postados por Maria Rita em sua página oficial no Facebook mostram a cantora paulistana no palco da Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), na gravação ao vivo do ótimo show Coração a batucar. A artista aproveitou a última apresentação do espetáculo - iniciada já na madrugada deste domingo, 6 de dezembro de 2015 - para fazer, sob direção de Hugo Prata, o registro integral do show que percorreu o Brasil desde abril de 2014 em turnê oficial que teve estreia oficial na mesma Fundição Progresso. O registro vai originar DVD - e também CD ao vivo - previstos para serem lançados em 2016 pela gravadora Universal Music.

sábado, 21 de novembro de 2015

Maria Rita volta ao ponto inicial da turnê 'Coração a batucar' para gravar DVD

Foi na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ), que Maria Rita fez a estreia oficial do show Coração a Batucar em apresentação iniciada já aos primeiros minutos de 27 de abril de 2014. E será no palco da mesma Fundição Progresso que a cantora paulistana fará o registro audiovisual completo do show - em apresentação agendada para 5 de dezembro de 2015 - para edição de DVD programado para chegar ao mercado fonográfico no primeiro semestre de 2016 em edição da gravadora Universal Music. Maria Rita - em foto de Rodrigo Goffredo - já fez um registro parcial do show, captado sob direção de Hugo Prata em 6 de outubro de 2014, em apresentação no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP), restrita a convidados da artista. Nove números dessa gravação ao vivo foram lançados no DVD alocado como bônus na edição especial do CD Coração a batucar (Universal Music, 2014), lançada em março deste ano de 2015. O segundo registro ao vivo do show também vai ser feito sob a direção de Hugo Prata, nome recorrente nas gravações audiovisuais de Maria Rita. A ideia é inclusive preservar o roteiro original de  Coração a batucar (clique aqui para rever o roteiro da estreia carioca do show).

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Suingue da guitarra de Davi Moraes é 'teleco-teco' do 'Samba de Maria' no Rio

Resenha de show
Título: Samba de Maria
Artista: Maria Rita (com Davi Moraes na foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de outubro de 2015
Cotação: * * * * 1/2

"Samba nasce em qualquer lugar / ... / Quando se tem ao lado um alguém / Com esse ritmo que é nosso também", sentenciam versos de Teleco-teco nº 2 (Nelsinho e Oldemar Magalhães, 1960), sambalanço lançado na voz de Elza Soares em disco editado há 55 anos. Ao abrir ontem a roda de seu projeto paralelo Samba de Maria, show em cartaz às terças-feiras na casa carioca Miranda até 20 de outubro de 2015, a cantora paulistana Maria Rita tinha ao seu lado um alguém - o guitarrista carioca Davi Moraes - que simulava com suingue, no toque percussivo de seu instrumento, a cadência bonita do ritmo que ditou o compasso do show do início ao fim. O balanço da guitarra serelepe de Davi Moraes foi o teleco-teco que deu o toque diferenciado de músicas como Alto lá (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, 2000), samba gravado por Rita no Sambabook de Zeca Pagodinho e incluído no roteiro flexível. A ponto de a própria cantora saudar o toque da guitarra de Davi em certo momento do show, feito por Maria Rita com os músicos André Siqueira (percussão), Fred Camacho (instrumentista polivalente que se vira bem no toque do cavaquinho, do violão e do bandolim, entre outros instrumentos) e Marcelinho Moreira (bamba das percussões). Os músicos brilharam e o suingue da guitarra de Davi saltou aos ouvidos. Mas a estrela absoluta do Samba de Maria foi a própria Rita, apresentada com justiça por Zé Ricardo (atual diretor artístico da casa Miranda) como "uma das grandes cantoras do Brasil" e saudada pelo público com adjetivos gritados ("Gostosa!", "Maravilhosa!") desde que apareceu no pequeno palco da Miranda, no qual se acomodou, sentada, com seu quarteto virtuoso. E o samba nasceu naquele lugar improvável com o som de uma voz que não nasceu no samba, mas no samba se criou e com ele tem seguido seu caminho como cantora. Aberto na estreia com um sucesso de Zeca Pagodinho, Quando a gira girou (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2006), Samba de Maria não é uma roda  de samba à moda dos nobres quintais cariocas. O formato é o de um show convencional. Mas a animação foi típica de uma roda quando o público fez coro espontâneo, em alto e bom som, em sambas como Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007) e É (Gonzaguinha, 1988), número empolgante do fim do show. Para quem já vem caindo no samba com Maria Rita em shows anteriores, o ineditismo deste Samba de Maria reside nos momentos em que a cantora vai além dos repertórios de seus dois álbuns dedicados ao samba - sendo que, na estreia, as músicas do popular Samba meu (Warner Music, 2007) dominaram e esquentaram show em que o mais recente Coração a batucar (Universal Music, 2014) somente foi lembrado com Rumo ao infinito, samba composto pelo recorrente Arlindo Cruz em parceria com Fred Camacho e Marcelinho Moreira, e com Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981), pérola do pagode pescada por Maria Rita na discografia de Almir Guineto. O que não chegou a ser uma surpresa, já que Coração a batucar - embora superior a Samba meu tanto pela coesão do repertório quanto pelo refinamento dos arranjos - soou menos pé no chão do que o disco de 2007. Mas o Samba de Maria põe novidades na roda. A maior delas - por ser uma música ainda inédita em disco - é Cutuca, samba composto por Davi Moraes com Fred Camacho e Marcelinho Moreira que não chegou a empolgar em sua primeira apresentação pública. Quem incendiou a plateia foi o já velho Cara valente (Marcelo Camelo, 2003), samba no qual a cantora - de comprovada valentia vocal - experimentou distintas entonações ao repetir o verso "Ele não é de nada". Novidade na voz de Maria, Beijo sem (2010) se confirmou o samba mais inspirado da lavra linear de Adriana Calcanhotto no gênero. Já Tradição (1993) - sucesso do compositor paulistano Geraldo Filme (1928 - 1995), notório bamba de Sampa - abriu bloco dedicado ao samba nascido na cidade de São Paulo (SP). Após cantar trecho de Simplesmente Elis - A fábula de uma voz na transversal do tempo (Zeca do Cavaco, Zé Carlinhos e Ronaldo FQD), samba-enredo com o qual a escola Vai Vai celebrou os 70 anos de sua mãe Elis Regina (1945-1982) no Carnaval de 2015, Maria Rita acertou o tom melancólico de Saudosa maloca, reproduzindo inclusive a prosódia gramaticalmente errada deste clássico do repertório do compositor Adoniran Barbosa (1910-1982), ícone do samba de Sampa. Número herdado do show Coração a batucar (2014 / 2015), ainda em turnê pelo Brasil, Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987) ratificou a naturalidade com que Maria Rita cai num samba que também é seu há oito anos. O Samba de Maria contagia pela voz da (grande) cantora, pela cozinha bem azeitada e pelo teleco-teco da guitarra de Davi Moraes. Caia nesse samba!

Rita canta Adriana e inédita de Davi ao abrir roda do 'Samba de Maria' no Rio

Saudada e apresentada como "uma das maiores cantoras do Brasil" por Zé Ricardo, atual diretor artístico da casa carioca Miranda, Maria Rita abriu a roda do Samba de Maria no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 6 de outubro de 2015. Conceituada por Zé Ricardo como uma residência artística, a temporada da cantora paulistana na casa está programada para às terças-feiras, até 20 de outubro, podendo ser prolongada se a casa continuar lotada como na estreia. Trata-se de show de samba, com a inclusão no roteiro flexível de músicas inéditas na voz de Maria Rita. Na estreia, a cantora deu voz a sambas de autoria de Adriana Calcanhotto (Beijo sem, 2010), Adoniran Barbosa (1910 - 1982) (Saudosa maloca,1955) e Geraldo Filme (1928 - 1995) (Tradição, 1993) em roteiro aberto com três sambas do repertório de Zeca Pagodinho - Quando a gira girou (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2006), Alto lá (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, 2000) e Coração em desalinho (Monarco e Ratinho, 1986). Contudo, a maior surpresa do repertório do Samba de Maria foi o inédito samba Cutuca, composto por Davi Moraes com Fred Camacho e Marcelinho Moreira, três dos quatro músicos que acompanham a cantora no show (o percussionista André Siqueira completa a banda). O samba não chegou a empolgar. Eis o roteiro seguido em 6 de outubro de 2015 por Maria Rita - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia do show Samba de Maria, na casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Quando a gira girou (Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2006)
2. Alto lá (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, 2000)
3. Coração em desalinho (Monarco e Ratinho, 1986)
4. Tá perdoado (Franco e Arlindo Cruz, 2007)
5. Maltratar não é direito (Franco e Arlindo Cruz, 2007)
6. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
7. Meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz, 2007)
8. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
9. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2014)
10. Paixão e prazer (Arlindo Cruz, Fred Camacho e Marcelinho Moreira, 2014)
11. Cutuca (Davi Moraes, Fred Camacho e Marcelinho Moreira) - música inédita em disco
12. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
13. Beijo sem (Adriana Calcanhotto, 2010)
14. Tradição (Geraldo Filme, 1993)
15. Simplesmente Elis - A fábula de uma voz na transversal do tempo - trecho
      (Zeca do Cavaco, Zé Carlinhos e Ronaldo FQD) - samba-enredo da escola Vai Vai em 2015
16. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955)
17. Não deixe o samba morrer (Edson e Aloísio, 1975)
18. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
19. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
20. É (Gonzaguinha, 1988)
21. O homem falou (Gonzaguinha, 1985)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Maria Rita sinaliza que provavelmente vai (re)cair no samba no próximo álbum

"Meu próximo disco provavelmente vai ser novamente de samba". Dita em entrevista publicada na edição deste mês de abril da revista Rolling Stone, a frase de Maria Rita - em foto de Vicente de Paulo - sinaliza que a cantora vai (re)cair no samba quando alinhavar o conceito do sucessor do álbum Coração a batucar  (Universal Music, 2014), requintado disco recebido com (justos) elogios pela crítica.

domingo, 29 de março de 2015

DVD valoriza (e justifica...) a edição especial de álbum de samba de Maria Rita

Resenha de CD + DVD
Título: Coração a batucar - Edição especial
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

Embora possa irritar quem já comprou o álbum lançado por Maria Rita há um ano, a edição especial do CD Coração a batucar (Universal Music, 2014) realmente avança em relação à edição original. A adição de um DVD - com nove números do show resultante do segundo disco de samba da cantora paulistana, making of e clipe da música Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) - valoriza e justifica a reedição, ainda que a gravação audiovisual dirigida por Hugo Prata (na parte visual) possa tornar redundante um possível futuro DVD com o registro integral do show Coração a batucar. O fato é que Maria Rita já cai no samba com propriedade e desenvoltura. Coração a batucar já começa a delinear uma identidade para a cantora no universo do samba que somente fora esboçada no antecessor Samba meu (Warner Music, 2007), disco de tom mais popular. O que soou há oito anos como uma aventura musical de intérprete ainda à procura de um rumo já se revela uma opção artística feita com mais segurança. O fato de Maria Rita assinar a produção e a direção musical do disco e do show atesta essa segurança. Ela está formando sua turma no mundo do samba.  E, por mais que seus detratores neguem o óbvio, vê-se e ouve-se uma grande cantora no palco armado no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP), em 6 de outubro de 2014. Uma cantora de antenada musicalidade que segura a onda do samba-jazz que põe Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010) em relevo no roteiro coeso que rebobina o supra-sumo do repertório do disco de estúdio. É a grandeza da cantora que irmana pagode de cepa popular como Abismo (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos, 2014) - tema de tamanha vocação radiofônica que vai se tornar um dos próximos singles promocionais do disco - e samba de linhagem nobre como Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014). Cabe ressaltar que a música-título Coração a batucar (Alvinho Lancellotti e Davi Moraes, 2010) - lançada por Maria Rita no álbum Elo (Warner Music, 2011) - se ambienta bem no clima do show, parecendo ter encontrado seu habitat natural. Entre momentos de beleza, como o contracanto do percussionista Marcelinho Moreira em Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini), o DVD do show Coração a batucar reitera que, se Maria Rita não nasceu no samba, como Clara Nunes (1942 - 1983) também não nasceu, o samba está nascendo nela. O que faz entender a presença do genial Letieres Leite - e de 21 integrantes do Rumpilezzinho, projeto infanto-juvenil do maestro baiano - no clipe de Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini), samba em que Maria Rita trilha caminhos harmônicos mais inusitados. O clipe foi gravado em Salvador (BA). Enfim, com filmagem requintada que valoriza a tonalidade íntima da apresentação feita somente para convidados, o DVD-bônus da edição especial de Coração a batucar mostra uma cantora firme e forte na opção pelo samba. Maria Rita cai no samba de forma convincente, verdadeira, sem artíficios. E, sim, senhor, o samba dela é muito bom.  Deixe a menina sambar em paz...

quarta-feira, 4 de março de 2015

Eis a capa da edição especial de 'Coração a batucar' que inclui faixas ao vivo

Com lançamento programado pela gravadora Universal Music para 17 de março de 2015, em edição digital no iTunes, a edição especial do sexto álbum de Maria Rita, Coração a batucar (Universal Music, 2014), alinha nove músicas gravadas ao vivo em 6 de outubro de 2014, em show feito pela cantora paulistana no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP). Simultaneamente com essa edição especial, a Universal Music põe no mercado fonográfico a edição deluxe de Coração a batucar em formato físico que junta CD com DVD. O DVD exibe as imagens do show, captadas sob a direção de Hugo Prata. Eis - na disposição do vídeo - as nove músicas-bônus da edição especial do álbum Coração a batucar:

1. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
2. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
3. Abismo (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos, 2014)
4. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
5. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
6. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
7. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Maria Rita lança clipe captado em show que vai sair em DVD-bônus em março

Sexto álbum da cantora paulista Maria Rita, lançado em março de 2014, Coração a batucar ganha - um ano depois - reedição turbinada com DVD captado em pocket-show de tom íntimo feito pela artista em 6 de outubro de 2014, no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP). Nas lojas em março de 2015, com distribuição da gravadora Universal Music, a edição CD+DVD de Coração a batucar começa a ser promovida hoje com o lançamento do clipe de um dos sambas mais empolgantes do álbum, É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014). Já em rotação no canal de Maria Rita no portal Vevo, o vídeo foi extraído do show gravado sob direção de Hugo Prata para dar origem ao DVD-bônus da reedição do disco de 2014, o segundo álbum inteiramente dedicado por Maria Rita ao samba.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Maria Rita vai relançar álbum 'Coração a batucar' em janeiro com DVD-bônus

Postada na página oficial de Maria Rita no Facebook, a foto flagra a cantora na gravação de show filmado em São Paulo (SP), em 6 de outubro de 2014, sob direção de Hugo Prata. Restrita a fãs e convidados da artista, a gravação foi feita para o DVD que virá de bônus na edição deluxe do sexto álbum da cantora paulistana, Coração a batucar (Universal Music, 2014). Segundo disco dedicado por Maria Rita ao samba, Coração a batucar vai ser reeditado em janeiro de 2015 pela gravadora Universal Music em combo duplo que junta CD e DVD. O vídeo exibirá registros ao vivo de músicas gravadas pela cantora no (ótimo) álbum produzido em estúdio e lançado em março deste ano de 2014.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Maria Rita desvenda o mistério do samba em ótimo show de voz e 'swingueira'

Resenha de show
Título: Coração a batucar
Artista: Maria Rita (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de abril de 2014
Cotação: * * * * 1/2

 O recém-lançado disco Coração a batucar (Universal Music, 2014) já mostrou que o samba dela é bom, sim, senhor. Mas é no palco que o coração de Maria Rita batuca com coesão, no (com)passo de um samba que já é seu. Assim como o álbum Samba meu (Warner Music, 2007) cresceu no show, o CD Coração a batucar - já em si superior ao primeiro álbum de samba da cantora paulistana - bate ainda mais forte em cena, como ficou claro na estreia oficial do show Coração a batucar no Rio de Janeiro (RJ). Desde o momento em que entrou no palco, já aos primeiros minutos do domingo 27 de abril de 2014, até a volta para o segundo bis - dado com a reprise do empolgante samba que abre o show, É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014) - Maria Rita provou que desvendou o mistério do samba em show valorizado pela swingueira de sua banda e pela segurança da cantora. Uma grande cantora, diga-se, capaz de se equilibrar com maestria nas quebradas de sambas sinuosos como No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014) e Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973), referência sutil no roteiro a Elis Regina (1945 - 1982), inevitavelmente evocada no número anterior quando Maria Rita canta Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014). Diferentemente do show Samba meu, que abarcava músicas de outros ritmos, o roteiro do show Coração a batucar é formado inteiramente por sambas, entrelaçando as músicas do disco de 2007 com as do álbum de 2014. Só que os sucessos de Samba meu são remodelados na swingueira da banda formada por Alberto Continentino (no baixo), André Siqueira (na percussão), Davi Moraes (na guitarra), Marcelinho Moreira (na percussão), Ranieri Oliveira (nos teclados) e Wallace Santos (bateria). O baticum dos pagodes cariocas se faz ouvir com mais precisão no bis feliz, quando Maria Rita canta Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987) - samba inédito em sua voz - e repõe na avenida com empolgação O homem falou (Gonzaguinha, 1985), pérola pescada para o repertório do CD Samba meu. Contudo, no quintal da cantora, o suingue do samba vem por vezes dos teclados de Ranieri Oliveira, motes dos arranjos de Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007) e de Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014), para citar somente dois números em que os teclados sobressaem no show. E é com esse samba seu que a cantora faz um show animado, vibrante, que eletrizou o público que encheu as pistas, arquibancadas e camarotes da Fundição Progresso. Além da absoluta segurança vocal (e, nesse sentido, Maria Rita é bem filha de quem é), a cantora tem carisma, samba no pé e uma vivaz presença cênica. O que faz com que público e artista caiam juntos no samba, sobretudo em temas infalíveis como Cara valente (Marcelo Camelo, 2003), uma lembrança coerente de um primeiro (estupendo) álbum gravado em tom mais senhoril, voltado para a MPB. É fato que Maria Rita rejuvenesceu ao cair no samba em 2007. Seu canto ganhou definitivamente a leveza já esboçada no álbum Segundo (2005). Mas, senhora cantora, ela também encara temas pesados como Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), ruminando amarguras e ironias usadas pelo compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991) para mandar seu recado para censores e repressores da ditadura que amordaçava o Brasil nos anos 1970. Do memorável Gonzaguinha, aliás, Maria Rita também canta E vamos à luta (1980), o samba encorajador que a cantora não pôde concluir em seu show na quinta edição carioca do festival Rock in Rio, em setembro de 2013, por conta de problemas técnicos. Sem clonar a interpretação de Alcione, intérprete original do samba que batizou álbum lançado pela Marrom em 1980, Maria Rita divide E vamos à luta a seu modo. E é com esse seu jeito próprio de cantar samba - sem se escorar nas cantoras que são referências do gênero - que Maria Rita faz crescer em cena até os sambas menos inspirados do CD Coração a batucar. No show, Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) rola redondo, com jogadas rítmicas de tom jazzy que fazem toda a diferença. Golaço da banda e da cantora antenada, que arremessam Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010) com mais calor do que no disco. Sempre jogando para a galera, Maria Rita destila fina ironia em Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981) e faz Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007) subir o morro com caras, bocas e rebolados que valorizam o maroto samba, já em si muito bom. Mais para o fim, Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986) bate irresistível, reiterando a força da geração de sambistas projetados nos quintais cariocas anos 1980. Aliás, o que acrescentar sobre a nobreza do samba de Arlindo Cruz, coautor de belezas como Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)? Os três sambas de Cruz no álbum Coração a batucar ratificam a inspiração melódica desse compositor que parece ter nascido sabendo o mistério do samba. O mistério que Maria Rita, aliás, já desvenda, encontrando uma maneira de sobreviver no mundo da música e fazendo seu público bem feliz. Em cena, o coração da boa cantora batuca, anima o público e incendeia o povo bamba do Brasil.

domingo, 27 de abril de 2014

Maria Rita cita mainha Elis via Gil no roteiro feliz do show 'Coração a batucar'

 É de forma sutil, através de samba de Gilberto Gil, que Maria Rita evoca a mãe, Elis Regina (1945 - 1982), no roteiro de Coração a batucar, show que estreou oficialmente no Rio de Janeiro (RJ) em apresentação iniciada aos primeiros minutos deste domingo, 27 de abril de 2014, na Fundição Progresso. O samba de Gil é Ladeira da preguiça, lançado por Elis em 1973. No roteiro, Ladeira da preguiça é cantado por Maria Rita após Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014), samba que sucede Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007) em link sagaz que, sem discursos, expõe emoções da cantora como mãe de dois filhos e como filha, herdeira do legado imortal de Elis. Sem se desviar do samba em nenhuma das 24 músicas, o coeso roteiro de Coração a batucar ganhou um segundo bis na estreia carioca - com a reprise de É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014) - mas foi rigorosamente o mesmo seguido por Maria Rita na pré-estreia de Coração a batucar em apresentação feita pela cantora em 12 de abril na Choperia do Gordo, situada na cidade de Lorena (SP). Eis o roteiro seguido em 27 de abril de 2014 por Maria Rita - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação que eletrizou o público carioca que assistiu ao show na Fundição Progresso, situada na efervescente Lapa, o bairro boêmio do Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ):

1. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)
2. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
3. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
4. Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014)
5. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
6. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
7. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
10. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972)
11. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980)
12. Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007)
13. No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014)
14. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
15. Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007)
16. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
17. Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973)
18. No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014)
19. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
20. Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986)
21. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
22. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
Bis:
23. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
24. O homem falou (Gonzaguinha, 1985)
Bis 2:
25. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Em cena, o coração de Maria Rita também vai batucar ao som de Aragão e Gil

♪ Samba composto por Jorge Aragão em parceria com Alberto Souza, Do fundo do nosso quintal - música-título de álbum lançado pelo grupo carioca Fundo de Quintal em 1987 - é uma das novidades do roteiro do show Coração a batucar, baseado no homônimo sexto álbum de Maria Rita. A cantora paulistana também dá voz a um samba sinuoso de Gilberto Gil - Ladeira da preguiça, lançado em 1973 na voz emblemática de sua mãe Elis Regina (1945 - 1982) - no roteiro que basicamente mixa músicas dos dois discos de samba da artista, Samba meu (Warner Music, 2007) e Coração a batucar (Universal Music, 2014). Base do sexto DVD de Maria Rita, o show teve sua estreia nacional em 12 de abril de 2014, em apresentação feita pela cantora na Choperia do Gordo, situada na cidade de Lorena (SP). Eis o roteiro seguido por Maria Rita - em foto de Vicente de Paulo - na estreia nacional do show que chegará ao Rio de Janeiro (RJ) em 26 de abril de 2014 e, na sequência, partirá em turnê nacional:

1. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)
2. Cara valente (Marcelo Camelo, 2003)
3. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
4. Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014)
5. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
6. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007)
7. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
10. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972)
11. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980)
12. Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007)
13. No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014)
14. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
15. Cria (Serginho Meriti e César Belieny, 2007)
16. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
17. Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973)
18. No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014)
19. Num corpo só (Arlindo Cruz e Picolé, 2007)
20. Coração em desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986)
21. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
22. Tá perdoado (Arlindo Cruz e Franco, 2007)
Bis:
23. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)
24. O homem falou (Gonzaguinha, 1985)

terça-feira, 25 de março de 2014

CD 'Coração a batucar' mostra que o samba de Maria Rita é bom, sim, senhor

Resenha de álbum
Título: Coração a batucar
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

"Mais uma vez / 
Aqui estou /
Não vou negar /
Eu vou representar com todo meu amor /
Cantando por aí /
Levando a alegria pro meu povo /
Não há nada que me faça mais feliz /
É tão encantador /
Meu samba, sim, senhor..."

 Ao abrir seu segundo álbum de samba com os versos de Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014), no toque do surdo e da cuíca, Maria Rita busca a conexão imediata entre Coração a batucar - disco lançado hoje, 25 de março de 2014, no iTunes - e Samba meu, o CD de 2007 que rejuvenesceu seu público e com o qual a cantora paulistana cortou o cordão umbilical que a ligava à sua mãe Elis Regina (1945 - 1982). Ao subir o morro, levada por seu então produtor Leandro Sapucahy, Maria Rita fez um disco pagodeiro, de pé no chão. Nas lojas em edição física a partir de 8 de abril, Coração a batucar vem ao mundo sete anos após Samba meu, com menos pé no chão. Entre um e outro álbum de samba, a artista lançou CD de entressafra - Elo (2011), produto que selou o fim de sua passagem pela Warner Music - e religou o cordão umbilical em tributo a Elis prestado em controvertido show perpetuado no CD, DVD e blu-ray Redescobrir (2012). Com a cotação ainda alta no mercado fonográfico, mas sem o prestígio e o status alcançados de forma instantânea com a edição de seu primeiro álbum, Maria Rita (2003), a cantora se refugia mais uma vez no samba. Mas seu coração batuca em cadência menos pagodeira neste disco gravado entre novembro e dezembro de 2013 sob a direção musical da própria Maria Rita e com arranjos confiados a um pianista, Jota Moraes, habituado a tocar em discos de MPB. Como já sinalizara o single Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014), um dos três belos sambas fornecidos pelo bamba carioca Arlindo Cruz (nome recorrente no CD, mas sem a onipresença de Samba meu), Coração a batucar se ambienta entre o fundo de um quintal e o interior de uma boate. Dividida entre André Siqueira e Marcelinho Moreira, a percussão alcança destaques variados ao longo das 13 músicas do CD (a edição digital jà à venda no iTunes traz duas faixas-bônus). Em Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981), sucesso da fase inicial da carreira fonográfica do cantor e compositor carioca Almir Guineto, a percussão é fundamental para simular clima de terreirão do samba no início e no fim da faixa. A interpretação irreverente da cantora acentua o deboche contido nos versos que brincam com o hábito do povo brasileiro de invocar Deus a todo momento. Uma das três regravações do disco, Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010) é apagado pelo arranjo de clima menos quente. Esperto, o piano de Rannieri Oliveira se insinua ligeiramente jazzy em trecho instrumental deste tema lançado pelo cantor e compositor Rodrigo Maranhão em seu segundo disco, Passageiro (2010). Músicos orquestrados por Jota Moraes, mentor de todos os arranjos, o baixista Alberto Continentino, o guitarrista Davi Moraes e o baterista Wallace Santos armam  cama segura para que Maria Rita caia no samba sem perder a pose de grande dama da MPB. Mas tal pose cai quando a artista dá a decisão em malandro esperto quando canta No meio do salão (Magnu Souza, Maurílio de Oliveira e Everson Pessoa, 2014), samba da turma do paulistano Quinteto em Branco e Preto. "Comigo não tem malandragem / Se o bicho pegar desta vez / Vai sobrar para você", enquadra, tal qual uma Anitta do samba. Do salão, o disco cai para Abismo (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos, 2014), bonito pagode romântico que, no registro refinado de Maria Rita, cresce e se torna um dos trunfos do repertório nem sempre à altura da voz da cantora. Fiel ao compromisso da artista de levar alegria para o povo, firmado nos versos iniciais de Meu samba, sim, senhorAbismo contemporiza a dor de amor. Dor da qual o samba é o mensageiro em Vai meu samba (Noca da Portela e Sérgio Fonseca, 2011), um dos pontos mais altos do disco. Maria Rita regrava o samba de Noca da Portela em andamento lento e em clima cool de tom ritualístico. Samba mais expansivo, Abre o peito e chora (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cauíque, 2014) trata a dor com a esperança de que novo sorriso vai gerar outro despertar para o amor e a vida. No mesmo tom positivista, Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) prega resistência em tempos existencialmente noturnos. "Deixa clarear / Que a luz do dia vai brilhar", receita a cantora neste samba menor, do tamanho de Nunca se diz nunca (Xande de Pilares, Charlles André e Leandro Fab, 2014). Contudo, antes que o disco balance e caia, Arlindo Cruz e Joyce Moreno salvam a pátria. Cria da Bossa Nova, a compositora carioca fornece uma das melhores músicas do disco, No mistério do samba, tema feliz, iluminado, cheio de suingue. Um samba que celebra a alegria de poder fazer e cantar samba. Em tom terno e grato, Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014) festeja o ensinamento que passa de mãe para filha. Com contracanto que valoriza a gravação, Maria Rita dá sua receita de paz, amor e harmonia no habitual tom leve e para cima do disco - o que justifica a alocação como bônus, exclusivo da edição digital de Coração a batucar, das regravações dos dois sambas do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991), o sempre questionador Gonzaguinha. Comportamento geral (1972) e Um sorriso nos lábios (1972) são sambas pesados, asfixiados pelas amarras da ditadura instaurada no Brasil em 1964. No fim, É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014) põe no quintal o samba batido na palma da mão, fechando disco que, embora deixe a sensação de que Rita pode mais por ser a grande cantora que sempre foi, supera Samba meu, provando que o samba da filha de Elis é bom, sim, senhor. Como diria Chico Buarque, deixe a menina sambar em paz...