Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Calor do registro integral do show ameniza redundância do DVD de Maria Rita

Resenha de álbum ao vivo em CD e DVD
Título: O samba em mim - Ao vivo na Lapa
Artista: Maria Rita
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

A rigor, o DVD lançado hoje por Maria Rita exibe o segundo registro audiovisual do show Coração a batucar (2014 / 2015). Em outubro de 2014, a cantora paulistana captou pela primeira vez o show baseado no segundo álbum de samba da discografia da artista. Feita sob direção de Hugo Prata diante de plateia de convidados, esta gravação - de tom mais intimista - teve nove números editados no DVD-bônus inserido em edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014), posta nas lojas em março de 2015, um ano após o lançamento do disco original. Apesar do título diferente, o DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa exibe o mesmo show Coração a batucar visto de forma reduzida do DVD-bônus. A gravação é outra e foi feita na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para público pagante, no mesmo palco - o da Fundição Progresso - em que o show estreou oficialmente em abril de 2014 (a estreia real foi feita dias antes numa cidade do interior paulista). Desta vez, o show pode ser visto na íntegra. Ou quase na íntegra, já que, na segunda gravação ao vivo do show, sambas como Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973) e No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014) saíram do roteiro. Justamente alguns sambas - nos casos dos dois primeiros - que nunca ganham registros em mídia física na voz de Maria Rita (Comportamento geral foi faixa-bônus da edição digital do álbum Coração a batucar). O show Coração a batucar, em si, é excelente (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca). Mas é inevitável que haja redundâncias no DVD e no (inexplicavelmente curto) CD, que reproduz somente 13 das 20 músicas alinhadas no DVD Afinal, das 20 músicas, nove já fazem parte do DVD-bônus de 2014. Como o diretor é o mesmo, O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa inevitável sensação de déjà vu. O que ameniza - mas não anula - as redundâncias é o calor do público no registro ao vivo. Maria Rita recai em sambas como É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014), Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) e Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007) com o reforço do coro espontâneo do público que encheu a Fundição Progresso para ver a gravação ao vivo do show Coração a batucar. A fervura do público é o diferencial do DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa. Como (grande) cantora, Maria Rita nada mais precisa provar. A opção pelo samba também já resulta natural. O que a cantora precisa fazer, se continuar no samba como já sinalizou em entrevistas, é somente abrir novas alas dentro do gênero, cujo suingue nos shows recentes de Maria Rita reside mais no toque da guitarra de Davi Moraes do que na percussão, como evidenciam números como E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980), samba até então nunca registrado pela cantora, assim como Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987), samba que já mereceu - com o título equivocado de Boa noite - registro preciso de Beth Carvalho em gravação ao vivo de 1991. Sétimo título da videografia de Maria Rita se posto na conta o DVD embutido na edição dupla do álbum Segundo (Warner Music, 2005), O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa sensação de que já chega tarde ao mercado fonográfico. Afinal, a cantora já está em cena com outros dois shows, Samba de Maria e Voz e piano, mas deixa para a posteridade um registro da desenvoltura com que Maria Rita canta o samba dela, valorizando até um pagode de cepa mais popular como Abismo (Thiago Silva, Lelê e Davi dos Santos, 2014). Mesmo soando redundante, a gravação ao vivo tem alto valor musical. Vale repetir: o samba dela é bom. Deixe a menina sambar!...

11 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ A rigor, o DVD lançado hoje por Maria Rita exibe o segundo registro audiovisual do show Coração a batucar (2014 / 2015). Em outubro de 2014, a cantora paulistana captou pela primeira vez o show baseado no segundo álbum de samba da discografia da artista. Feita sob direção de Hugo Prata diante de plateia de convidados, esta gravação - de tom mais intimista - teve nove números editados no DVD-bônus inserido em edição especial do álbum Coração a batucar (Universal Music, 2014), posta nas lojas em março de 2015, um ano após o lançamento do disco original. Apesar do título diferente, o DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa exibe o mesmo show Coração a batucar visto de forma reduzida do DVD-bônus. A gravação é outra e foi feita na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para público pagante, no mesmo palco - o da Fundição Progresso - em que o show estreou oficialmente em abril de 2014 (a estreia real foi feita dias antes numa cidade do interior paulista). Desta vez, o show pode ser visto na íntegra. Ou quase na íntegra, já que, na segunda gravação ao vivo do show, sambas como Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973) e No mistério do samba (Joyce Moreno, 2014) saíram do roteiro. Justamente alguns sambas - nos casos dos dois primeiros - que nunca ganham registros em mídia física na voz de Maria Rita (Comportamento geral foi faixa-bônus da edição digital do álbum Coração a batucar). O show Coração a batucar, em si, é excelente (clique aqui para ler a resenha da estreia carioca). Mas é inevitável que haja redundâncias no DVD e no (inexplicavelmente curto) CD, que reproduz somente 13 das 20 músicas alinhadas no DVD Afinal, das 20 músicas, nove já fazem parte do DVD-bônus de 2014. Como o diretor é o mesmo, O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa inevitável sensação de déjà vu. O que ameniza - mas não anula - as redundâncias é o calor do público no registro ao vivo. Maria Rita recai em sambas como É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014), Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) e Maria do Socorro (Edu Krieger, 2007) com o reforço do coro espontâneo do público que encheu a Fundição Progresso para ver a gravação ao vivo do show Coração a batucar. A fervura do público é o diferencial do DVD O samba em mim - Ao vivo na Lapa. Como (grande) cantora, Maria Rita nada mais precisa provar. A opção pelo samba também já resulta natural. O que a cantora precisa fazer, se continuar no samba como já sinalizou em entrevistas, é somente abrir novas alas dentro do gênero, cujo suingue nos shows recentes de Maria Rita reside mais no toque da guitarra de Davi Moraes do que na percussão, como evidenciam números como E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980), samba até então nunca registrado pela cantora, assim como Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987), samba que já mereceu - com o título equivocado de Boa noite - registro preciso de Beth Carvalho em gravação ao vivo de 1991. Sétimo título da videografia de Maria Rita se posto na conta o DVD embutido na edição dupla do álbum Segundo (Warner Music, 2005), O samba em mim - Ao vivo na Lapa deixa sensação de que já chega tarde ao mercado fonográfico. Afinal, a cantora já está em cena com outros dois shows, Samba de Maria e Voz e piano, mas deixa para a posteridade um registro da desenvoltura com que Maria Rita canta o samba dela, valorizando até um pagode de cepa mais popular como Abismo (Thiago Silva, Lelê e Davi dos Santos, 2014). Mesmo soando redundante, a gravação ao vivo tem alto valor musical. Vale repetir: o samba dela é bom. Deixe a menina sambar!...

Matheus disse...

No CD tem um erro: está indicado que a faixa 8 é "Coração a batucar", mas o áudio é da faixa "Num corpo só"!

Bruno disse...

Posso estar sendo ranzinza, ou tendo uma visão muito particular, mas o que me parece é que todos os discos da Maria Rita são sempre muito envoltos em estratégias e inovações desnecessárias. Faixa online, faixa-bônus, edição especial, DVD etc. Não dá para lançar discos "normais"? Ela canta tão bem, está se revelando uma tão grande cantora, para que tanta invenção? O áudio do DVD tem 79min. Por que não lançar um CD ao vivo com o show inteiro? Para tentar forçar a compra do DVD? Não é assim que se combate a pirataria, prejudicando o público fiel e desrespeitando a obra do artista!

Adolfo Alencar disse...

Acho que o disco peca por não trazer o registro integral do show. Tudo bem que são apenas 4 ou 5 músicas faltando, mas são essas músicas que fazem o Coração a Batucar se diferenciar do Samba Meu. A meu ver, esse novo DVD é um Samba Meu melhorado. Não curti a luz também, ficou um show bem escuro. O Hugo Prata já teve fotografia melhor. No mais, Maria está muito à vontade num terreno que ela sabe que domina. Depois do Redescobrir ela conseguiu colocar sua voz em extensões inacreditáveis, e isso fica bem claro nesse registro. Realmente a faixa "No mistério do Samba" faz falta, é um samba belíssimo. Mas no geral, é um bom DVD, tardio, como pontuado pelo Mauro, mas um bom DVD. De o foco é o mercado, o show Piano e Voz merecia muito um registro, uma vez que, a rigor, o Coração a Batucar já havia sido registrado, mesmo que em edição compacta.

Victor Moraes, disse...

Maria Rita sempre maravilhosa. É uma presença de palco tão grande que seria injusto haver uma turnê e essa não ter registro.

Também acho que o CD pecou. Duas vezes. Primeiro por não ser vendido em box. Segundo por não ter sido completo e a escolha das faixas terem sido muito estranhas. Faltou a música que deu nome a turnê, faltou a canção favorita dos fãs ("abismo") etc. Por vezes, penso se não seria melhor não ter o CD.

Ainda não recebi o DVD, mas já vi os videos liberados no canal Vevo e estou contente com a ótima direção do Hugo Prata. O Hugo parece não ter um jeito único de captar as cenas, ele muda de acordo com o espetáculo. O especial de 9 faixas do "Coração a batucar: especial" eu acho que pecou em tanto efeito de "foco e desfoco", chega a dar tontura. Esse mostra uma interação com público, nunca antes bem registrada na videografia da Maria.

Redundante porém digno da cantora e de muito bom gosto.
No mais, como fã, ainda tenho sede de um material novo e corajoso.

Victor Moraes, disse...

Bruno,
essas escolhas são das gravadoras da cantora (antes warner, agora Universal). O próprio lançamento, em si, não parece ter empolgado a cantora.
Os métodos de faixa-bônus pra itunes etc. são aplicados a quase todos os artistas da gravadora.
Adolfo,
Foram 7 músicas de fora, quase metade do show. Achei Samba Meu melhor que esse. Em roteiro, arranjos, luz, cenário e direção (também do Hugo).
Mauro,
Faixas como "No mistério do samba", "No meio do salão" e outras, já haviam saído do setlist há um tempo. Ela usou as faixas nos primeiros shows, mas ao longo da turnê já haviam ficado de fora - não foi apenas na hora do registro. Em contrapartida "Abismo" entrou na gravação e não estava presente nos shows normais. "Abre o peito e chora" ficou de fora do registro, mas resistiu mais tempo na turnê, fazendo parte da maioria dos shows. "Cutuca" foi cantada no show a pedido da platéia, mas não entrou no DVD, assim como "Atrás da porta" na gravação do Redescobrir.

Marcelo disse...

Sentado ..esperando MR se livrar dessa vibe de samba! E pelo visto...vou morrer esperando!!!

Adolfo Alencar disse...

Sete faixas se a gente levar em consideração os muitos roteiros que a turnê teve. Mas ainda assim uma pena. O samba meu é mais "largado", mais povão mesmo. O CaB veio mais elagnte, mais "classudo". Dois shows bem distantes mas que conversam entre si. E de fato a direção do Hugo foi melhor no Samba Meu, e até mesmo na edição especial do CaB, embora o foco no rosto da MR seja exagerado. Achobwue é mais a cara da cantora shows como o Segundo e o Elo, nem tão parrudos como o primeiro disco, nem tão soltos como os sambas.

Márcio disse...

http://oglobo.globo.com/cultura/musica/com-musica-errada-gravadora-faz-recall-de-novo-cd-da-maria-rita-19599642

Mauro Ferreira disse...

Márcio, eu recebi o comunicado da Universal Music e vou dar nota sobre a reposição do disco. Abs, MauroF

Victor Moraes, disse...

Adolfo,
não, não. O DVD tem 20 faixas, o CD tem 13. Se levarmos em consideração os roteiros do show seriam 12 (incluiria aí 'no meio do salão', 'comportamento geral', 'abre o peito e chora', 'no mistério do samba' e 'cutuca').
Concordo que o Samba Meu é mais popular, mas o CAB só é mais refinado nos arranjos e alguns (creio pela sensação da guitarra tomar a frente e deixar elementos percussivos um pouco pra trás). O restante Samba Meu ganhava tanto no populismo, quanto no refinamento - ao mesmo tempo.