Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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segunda-feira, 27 de junho de 2016

É bom de se ouvir alguém cantando como Evinha no belo 'Uma voz um piano'

Resenha de álbum
Título: Uma voz um piano
Artista: Evinha
Gravadora: Des Arts
Cotação: * * * * 

Nos últimos 40 anos, Evinha foi alguém que cantou longe daqui do Brasil, geralmente em Paris, na França, país onde se radicou em meados da década de 1970. Mas - como sentencia o produtor Thiago Marques Luiz em texto reproduzido na contracapa interna do álbum Uma voz um piano, lançado neste mês de junho de 2016 - a voz de Evinha está cravada no coração do Brasil desde os anos 1960. Evinha - para quem não liga a pessoa à música - é o nome artístico da cantora carioca batizada como Eva Corrêa José Maria que há tempos se chama Eva Gambus por estar casada com o maestro francês Gérard Gambus. É de Gérard o toque preciso do piano que se harmoniza com a voz suave - ainda em forma - da cantora neste primeiro álbum gravado por Evinha para o Brasil desde Reencontro (PolyGram, 1999). Disco produzido pelo próprio Gérard Gambus, Uma voz um piano faz a conexão de Evinha com os anos 1960, década em que a artista despontou no Brasil como integrante do Trio Esperança antes de sair em carreira solo em 1969. Neste ano, Evinha vestiu a melodia pop de Casaco marrom (Renato Corrêa, Gutemberg Guarabyra e Danilo Caymmi, 1969) e defendeu Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, 1969) no IV Festival Internacional da Canção (FIC). As duas músicas são revividas por Evinha no álbum Uma voz um piano. Contudo, o disco não se alimenta de saudade dos velhos tempos de Evinha. Há inspiradas músicas inéditas, com destaques para a enternecedora Aprender com o mar - bela canção composta por Ivan Lins com letra do poeta Abel Silva - e para Uma ponte entre Rio e Paris, tema de Gérard Gambus (letrado por Carlos Colla) no qual Evinha versa sobre rota da vida da artista, que sempre manteve ligação com o Brasil nos anos radicados na França. Com o canto afinado e depurado, talhado para canções mais melodiosas, Evinha também transita pelo Caminho da razão - tema em que Gérard Gambus pôs versos na sublime Ária do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685 - 1750) - sem pegar o atalho da pieguice. Com leveza, a cantora também dá voz e vida a um hino da lavra hippie do cantor e compositor carioca Zé Rodrix (1947 - 2009), Ilha deserta (1976), música lançada há 40 anos. Há também Lição de amor - música inédita composta por Dalto com a suposta última letra escrita pelo poeta mineiro Fernando Brant (1946 - 2015) - e uma canção do irmão da artista, Renato Corrêa, compositor de Foi de graça. E há, claro, Alguém cantando (Caetano Veloso, 1977), espécie de manifesto musical da cantora que esteve tão longe daqui. Alguém cantando como Evinha é sempre bom de se ouvir. Porque Evinha ainda tem voz - assunto da metalinguística Meu canto, razoável inédita de Antonio Adolfo com Tibério Gaspar, compositores do Teletema (1969) rebobinado no álbum - que sobressai na imensidão do universo pop. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Evinha canta inéditas de Brant, Dalto, Ivan e Adolfo em álbum de voz e piano

Quando pediu a compositores brasileiros músicas para gravar no primeiro álbum arquitetado para o mercado fonográfico nacional desde Reencontro (PolyGram, 1999), Evinha recebeu de Dalto uma canção, Lição de amor, que - de acordo com Dalto - foi a última composição letrada por Fernando Brant (1946 - 2015). Lição de amor integra o repertório de Uma voz, um piano (Des Arts), álbum que sai neste mês de junho de 2016. A voz é a de Eva Gambus, cantora carioca que debutou no mercado fonográfico em 1961 e que ganhou fama como integrante do Trio Esperança antes de se lançar em carreira solo. O piano é do maestro francês Gérard Gambus, parceiro de Evinha na música e na vida há 39 anos. Aberto com Alguém cantando (Caetano Veloso, 1977), o CD Uma voz, um piano apresenta (bela) música inédita de Ivan Lins - Aprender com o mar, parceria do compositor com o poeta Abel Silva - e composição também inédita de Antonio Adolfo com Tibério Gaspar, Meu canto. Adolfo e Gaspar são os compositores de Teletema (1969), um dos sucessos da discografia solo de Evinha, regravado neste disco em que a cantora também dá voz a um lado B da obra do compositor Zé Rodrix (1947 - 2009), Ilha deserta (1976), música lançada na voz de Rodrix há 40 anos. Além de tocar o piano preciso das 14 faixas, Gérard Gambus assina o único tema instrumental do disco, Em cima da hora, e a inédita parceria com Carlos Colla, Uma ponte entre Rio e Paris, composta especialmente para Evinha.