♪ Ao sair precocemente de cena há três meses, aos 39 anos, a artista paulistana Serena Assumpção (21 de fevereiro de 1977 - 16 de março de 2016) deixou pronto um álbum de espírito gregário que se tornou póstumo - ao ser lançado neste mês de junho de 2016 pelo Selo Sesc - por força das circunstâncias. Ascensão alinha 13 composições que celebram os orixás. Três são temas de domínio público, casos de Do Tata Nzambi, de Exu - cantado no disco por intérpretes como Karina Buhr e Luê - e de Oxalá, ouvido no álbum na voz da própria Serena. Mas o repertório é essencialmente formado por músicas inéditas compostas por Serena, Gilberto Martins (autor da maioria dos temas) e Joãozinho da Goméia com base na experiência da artista no Candomblé, em especial nas vivências do santuário da irmandade do ilê de pai Dessemi de Odé. Produzido pela filha de Itamar Assumpção (1949 - 2003) com Pipo Pegoraro e com DiPa Paes, sob a direção artística da própria Serena Assumpção, Ascensão é disco apresentado no encarte por texto assinado pelo cantor, compositor e músico baiano Tiganá Santana. Serena - vista em foto de Alexandre Kuma exposta no luxuoso encarte do CD - dedica Ascensão aos pais de sangue e de alma (Itamar e Dessemi) e ao filho Bento. Cada música de Ascensão é cantada por vários convidados. Ogum - tema de Gilberto Martins que incorpora canto tradicional Yorubá de domínio público - é entoado por Serena, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz. Pavão (Joãozinho da Goméia) tem a voz de Anelis Assumpção, irmã de Serena. Oxumaré (Gilberto Martins) tem o canto de Mãeana (nome artístico de Ana Claudia Lomelino), violões de Bem Gil e saudação de Moreno Veloso. Xangô (Gilberto Martins) harmoniza as vozes de Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Serena Assumpção. Já Iansã (Gilberto Martins) é saudada em Ascensão por Tetê Espíndola, Luz Marina e Serena. Oxum (Gilberto Martins) tem a voz de Xênia França. Yemanjá é música assinada por Serena e cantada pela artista com Céu. Iroko (Gilberto Martins) tem a voz de Mariana Aydar. Já Nanã (Gilberto Martins) é alvo de celebração feita pelas vozes de Paula Pretta e Serena Assumpção. Parceria de Serena com Gilberto Martins, Obaluaiê - tema de bela melodia - é ouvida em Ascensão nas vozes de Filipe Catto (virtuoso ao colocar a voz principal na gravação harmonizada pelo piano de Adriano Grineberg), Carlos Navas, Juliana Kehl e Marcelo Pretto. Ascensão deverá elevar o nome de Serena Assumpção no universo pop.
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terça-feira, 28 de junho de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
Cantora e produtora Serena Assumpção - filha de Itamar - sai de cena aos 39
♪ Difícil dissociar a vida de Serena Assumpção (21 de fevereiro de 1977 - 16 de março de 2016) da obra de Itamar Assumpção (1949 - 2003), pai desta cantora e produtora cultural nascida há 39 anos na cidade de São Paulo (SP), onde saiu de cena hoje, vítima de câncer. Contudo, mesmo atuando com zelo e afinco na preservação da memória e do legado de Itamar, Serena seguiu o próprio rumo profissional. Foi cantora e deixou pronto disco solo gregário, Ascensão, gravado via Selo Sesc com produção de Pipo Pegoraro, DiPa Paes e da própria Serena. Com produção executiva capitaneada por Flavio Scubi de Abreu, o projeto reúne 13 temas afro-brasileiros registrados com adesões vocais de convidados como os cantores Caetano Veloso, Céu, Filipe Catto, Juçara Marçal, Mariana Aydar e Tulipa Ruiz (a faixa gravada com Caetano, a propósito, vai ser lançada exclusivamente na web). Integrante de uma das formações iniciais da banda paulista DonaZica, Serena deixou também a voz eternizada em gravações como a de Eva e eu (Péricles Cavalcanti e Arnaldo Antunes, 1996) - feita com a irmã Anelis Assumpção para o álbum Mulheres de Péricles (Joia Moderna, 2012), tributo à obra do compositor carioca Péricles Cavalcanti - e de Encontro (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1974), música que registrou para tributo ao cantor e compositor paulista Antonio Marcos (1945 - 1992), Amor maior (Musicoteca), lançado em 2013. Foi também eventual compositora, criando músicas como Tempo, gravada por ela em álbum do parceiro André Abujamra, O infinito do pé (Independente / Tratore, 2004). Estudante de letras, sociologia e política, Serena - em foto tirada do perfil da artista no Facebook - foi também produtora cultural e professora de percussão, entre outras atividades profissionais. A precoce saída de cena de Serena Assumpção entristece a cena indie brasileira - em especial, o universo pop paulistano.
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