Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vasconcellos faz viagem solitária na rota experimental de 'Adotar cachorros'

Resenha de CD
Título: Adotar cachorros
Artista: Lucas Vasconcellos
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * 1/2

Em seu segundo álbum solo, Adotar cachorros, Lucas Vasconcellos segue o trilho experimental que já havia pautado seu primeiro álbum fora do duo Letuce, Falo de coração (Independente, 2013). Mas, desta vez, o guitarrista e compositor fluminense investe no que conceitua como perversão do uso de instrumentos eletrônicos. Produzido pelo próprio artista com Emygdio Costa, Vasconcellos apresenta um disco hermético, experimental ao extremo, pontuado por ruídos, dissonâncias e cacofonias. Com a participação da cantora Duda Brack em Peixes, Adotar cachorros apresenta oito músicas - todas de autoria solitária de Vasconcellos - que, no disco, totalizam pouco mais de 24 minutos que provocam incômodo e enjoo no ouvinte. A questão é que a construção da sonoridade do álbum - lançado em edição física em CD neste mês de setembro de 2015, um mês após ter sido disponibilizado para audição na web - jamais disfarça a opacidade do canto do artista. O que prejudica a fruição das letras, sempre mais interessantes do que as insossas melodias do compositor. Lucas Vasconcellos tem o que dizer em Adotar cachorros. "Ter alegria não é ter brilho / É saber-se bem silenciosamente ao lado de alguém / Ou longe de alguém", argumenta em versos de Silenciosamente, com brilho. Sobre a violência discorre sem clichês sobre tema já exaurido por vozes do universo roqueiro em versos como "A gente  mesmo é nossa própria violência / Porque ela nasce com a gente / A gente aprende a disfarçar a violência / Porque o querer da gente afronta / ... / Mais terror por gentileza". Clichê seria se referir a Adotar cachorros como um disco íntimo e pessoal. Só que o clichê é válido, no caso. Em sua solidão, Lucas Vasconcellos precisava ter posto um freio na experimentação para dar mais valor ao sentido de suas músicas. Mas a exploração dos sons dos teclados samplers parece ter conduzido todo o processo de criação de músicas e do disco, ofuscando a sensibilidade embutida nas letras das composições gravadas com as adesões de três excelentes bateristas (Jongui, Marcelo Vig e Thomas Harres). Até por embutir referências à cidade natal do artista, Petrópolis (RJ), no pinhão exposto na capa e no título da música Carnaval na serra, o álbum Adotar cachorros é uma viagem individual - iniciada com Amanhã a gente se beijou pela última vez (música que já sinaliza na abertura do disco a libertação do conceito social de tempo) e encerrada com a composição que intitula o álbum, Adotar cachorros (de letra de tom pessoal) - pensada para ser feita e curtida solitariamente somente pelo próprio Lucas Vasconcellos. 

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Em seu segundo álbum solo, Adotar cachorros, Lucas Vasconcellos segue o trilho experimental que já havia pautado seu primeiro álbum fora do duo Letuce, Falo de coração (Independente, 2013). Mas, desta vez, o guitarrista e compositor fluminense investe no que conceitua como perversão do uso de instrumentos eletrônicos. Produzido pelo próprio artista com Emygdio Costa, Vasconcellos apresenta um disco hermético, experimental ao extremo, pontuado por ruídos, dissonâncias e cacofonias. Com a participação da cantora Duda Brack em Peixes, Adotar cachorros apresenta oito músicas - todas de autoria solitária de Vasconcellos - que, no disco, totalizam pouco mais de 24 minutos que provocam incômodo e enjoo no ouvinte. A questão é que a construção da sonoridade do álbum - lançado em edição física em CD neste mês de setembro de 2015, um mês após ter sido disponibilizado para audição na web - jamais disfarça a opacidade do canto do artista. O que prejudica a fruição das letras, sempre mais interessantes do que as insossas melodias do compositor. Lucas Vasconcellos tem o que dizer em Adotar cachorros. "Ter alegria não é ter brilho / É saber-se bem silenciosamente ao lado de alguém / Ou longe de alguém", argumenta em versos de Silenciosamente, com brilho. Sobre a violência discorre sem clichês sobre tema já exaurido por vozes do universo roqueiro em versos como "A gente mesmo é nossa própria violência / Porque ela nasce com a gente / A gente aprende a disfarçar a violência / Porque o querer da gente afronta / ... / Mais terror por gentileza". Clichê seria se referir a Adotar cachorros como um disco íntimo e pessoal. Só que o clichê é válido, no caso. Em sua solidão, Lucas Vasconcellos precisava ter posto um freio na experimentação para dar mais valor ao sentido de suas músicas. Mas a exploração dos sons dos teclados samplers parece ter conduzido todo o processo de criação de músicas e do disco, ofuscando a sensibilidade embutida nas letras das composições gravadas com as adesões de três excelentes bateristas (Jongui, Marcelo Vig e Thomas Harres). Até por embutir referências à cidade natal do artista, Petrópolis (RJ), no pinhão exposto na capa e no título da música Carnaval na serra, o álbum Adotar cachorros é uma viagem individual - iniciada com Amanhã a gente se beijou pela última vez (música que já sinaliza na abertura do disco a libertação do conceito social de tempo) e encerrada com a composição que intitula o álbum, Adotar cachorros (de letra de tom pessoal) - pensada para ser feita e curtida solitariamente somente pelo próprio Lucas Vasconcellos.

ADEMAR AMANCIO disse...

Pelo menos foi econômico nas faixas,só 8.

Marcelo disse...

Essa gente se supera a cada lançamento. Quem vai querer isso??

Rafael M. disse...

Assino embaixo no que você disse, amigo Marcelo... e tem mais: quem vai querer um disco que tem uma capa horrorosa como essa em sua coleção? É cada uma que até parecem duas, rs.

M. Cohen disse...

O Lucas foi muito feliz em construir um disco tão descontruído! Uma viagem pessoal compartilhada que pode fazer a viagem pessoal de cada um viajar junto com ele.