Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Nu com sua música, Lucas se cobre de emoções reais em 'Silenciosamente'

Resenha de álbum
Título: Silenciosamente
Artista: Lucas Vasconcellos
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * *
♪ Disco disponível para audição no portal SoundCloud

♪ A sós com o violão, Lucas Vasconcellos canta Na rua, na chuva, na fazenda - a bela canção do soulman baiano Hyldon lançada pelo autor em compacto de 1973 - e, de repente, repete várias vezes o verso "Dizem que sou louco". A repetição culmina em citação da Balada do louco (Arnaldo Baptista e Rita Lee, 1972), sucesso do grupo paulistano Os Mutantes cuja letra tem o mesmo verso. A sacação de embutir trecho da Balada do louco na música de Hyldon - na primeira das 11 faixas do terceiro álbum solo de Vasconcellos, Silenciosamente - é indício de que o cantor, compositor e guitarrista fluminense dá sequência à viagem solitária feita no errático segundo álbum solo, Adotar cachorros (Independente, 2015). Contudo, a rota de Silenciosamente é mais pungente por excluir os experimentos do disco anterior que prejudicaram a fruição dos sentimentos das letras sempre consistentes escritas por Vasconcellos. A própria música-título, Silenciosamente, lançada no CD Adotar cachorros, tem os versos postos em primeiro plano neste álbum de tons acústicos, pautado pela crueza e pela angústia. Despido de artifícios, nu com a música e o violão, o eficaz cantautor rebobina músicas do álbum anterior - caso de O amor tem que ser mais do que saber escrever uma carta (Lucas Vasconcellos, 2015) e da composição-título Adotar cachorros (Lucas Vasconcellos, 2015) - e também do primeiro disco solo, Falo de coração (Bolacha Discos, 2013), do qual o artista revive Meu seu (Lucas Vasconcellos e Ronaldo Marinho, 2013), faixa cujo fim abrupto simboliza a liberdade musical que conduz o artista nesta viagem pautada de início pelo toque do violão. Até que o piano entra em cena a partir de Lady grinning soul, balada da lavra do cantor e compositor inglês David Bowie (1947 - 2016), lançada pelo Camaleão no fecho do álbum Aladdin Sane (RCA, 1973). Embebido em emoção real, o registro de Lady grinning soul por Lucas tem alma que capta o desespero da derrocada romântica anunciada pelo tema de Bowie. Tal desesperança reverbera no registro da música seguinte, Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1960), também feito ao piano. Alternando a divisão da canção associada à leveza existencial da Bossa Nova, Vasconcellos dá peso e outros sentidos aos versos do poeta da bossa. Em vez da fuga do mundo, para viver o amor a dois, Lucas exprime em Você e eu a opção poir isolamento existencial que denota desilusão com o universo exterior - o que justifica o caco "E quem não está?" posto após o verso "Podem espalhar que estou cansado de viver". Dentro dessa interiorizada viagem existencial, a abordagem de Teatro dos vampiros (Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, 1991) - canção do repertório da banda Legião Urbana - faz todo sentido e corrobora a sensação de que tudo está por um segundo, por um fio. Encerrado por emocional revival de Areia fina (música da lavra solitária do artista lançada em 2012 pelo duo Letuce, formado por Vasconcellos com a cantora e compositora Letícia Novaes), Silenciosamente tem formato desplugado que favorece a exposição das angústias e melancolias de Lucas Vasconcellos. Sem os ruídos eletrônicos que já abafaram os sentimentos do artista em CDs anteriores, Silenciosamente é o álbum com que o artista pode fazer mais barulho. Nu com sua música, Lucas Vasconcellos se cobre de emoções reais em um universo em desencanto.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vasconcellos faz viagem solitária na rota experimental de 'Adotar cachorros'

Resenha de CD
Título: Adotar cachorros
Artista: Lucas Vasconcellos
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * 1/2

♪ Em seu segundo álbum solo, Adotar cachorros, Lucas Vasconcellos segue o trilho experimental que já havia pautado seu primeiro álbum fora do duo Letuce, Falo de coração (Independente, 2013). Mas, desta vez, o guitarrista e compositor fluminense investe no que conceitua como perversão do uso de instrumentos eletrônicos. Produzido pelo próprio artista com Emygdio Costa, Vasconcellos apresenta um disco hermético, experimental ao extremo, pontuado por ruídos, dissonâncias e cacofonias. Com a participação da cantora Duda Brack em Peixes, Adotar cachorros apresenta oito músicas - todas de autoria solitária de Vasconcellos - que, no disco, totalizam pouco mais de 24 minutos que provocam incômodo e enjoo no ouvinte. A questão é que a construção da sonoridade do álbum - lançado em edição física em CD neste mês de setembro de 2015, um mês após ter sido disponibilizado para audição na web - jamais disfarça a opacidade do canto do artista. O que prejudica a fruição das letras, sempre mais interessantes do que as insossas melodias do compositor. Lucas Vasconcellos tem o que dizer em Adotar cachorros. "Ter alegria não é ter brilho / É saber-se bem silenciosamente ao lado de alguém / Ou longe de alguém", argumenta em versos de Silenciosamente, com brilho. Sobre a violência discorre sem clichês sobre tema já exaurido por vozes do universo roqueiro em versos como "A gente  mesmo é nossa própria violência / Porque ela nasce com a gente / A gente aprende a disfarçar a violência / Porque o querer da gente afronta / ... / Mais terror por gentileza". Clichê seria se referir a Adotar cachorros como um disco íntimo e pessoal. Só que o clichê é válido, no caso. Em sua solidão, Lucas Vasconcellos precisava ter posto um freio na experimentação para dar mais valor ao sentido de suas músicas. Mas a exploração dos sons dos teclados samplers parece ter conduzido todo o processo de criação de músicas e do disco, ofuscando a sensibilidade embutida nas letras das composições gravadas com as adesões de três excelentes bateristas (Jongui, Marcelo Vig e Thomas Harres). Até por embutir referências à cidade natal do artista, Petrópolis (RJ), no pinhão exposto na capa e no título da música Carnaval na serra, o álbum Adotar cachorros é uma viagem individual - iniciada com Amanhã a gente se beijou pela última vez (música que já sinaliza na abertura do disco a libertação do conceito social de tempo) e encerrada com a composição que intitula o álbum, Adotar cachorros (de letra de tom pessoal) - pensada para ser feita e curtida solitariamente somente pelo próprio Lucas Vasconcellos. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Alice estreia show 'Rainha dos raios' no Rio já com Lucas no lugar de Strausz

♪ A IMAGEM DO SOM - Diante de plateia calorosa que lotou a reformada Sala Cecília Meirelles na noite de ontem, 15 de julho de 2015, Alice Caymmi - em foto de Rodrigo Goffredo - estreou enfim na sua cidade natal, o Rio de Janeiro (RJ), a requintada versão hi-tech do show Rainha dos raios. A estrutura tecnológica idealizada e erguida em cena pelo diretor Paulo Borges - com cenário de Richard Luiz (formado nos cinco telões de LED de alta definição que projetam imagens que expandem o significado das músicas do roteiro) e a iluminação de Wagner Freire - foi reproduzida em cena. A novidade está na substituição do músico Diogo Strausz - produtor do álbum Rainha dos raios (Joia Moderna, 2014), disco que vai ser em breve relançado com distribuição nacional pela gravadora Universal Music - pelo guitarrista Lucas Vasconcellos. Fundamental para o êxito do CD Rainha dos raios, Strausz foi substituído por não ter chegado a um acordo financeiro com os produtores da turnê nacional do espetáculo. Em que pese a particularidade do toque da guitarra de Vasconcellos, o som pouco ou nada mudou, já que as bases pré-gravadas criadas por Strausz foram reproduzidas no show, gravado ao vivo na sua estreia nacional - em dezembro de 2014, no Teatro Itália, em São Paulo (SP) - para edição de DVD que chega ao mercado fonográfico neste segundo semestre de 2015 em edição da Universal Music. Sem a tensão da estreia, Alice Caymmi reinou no palco da Sala Cecília Meirelles em apresentação perfeita que teve seus ingressos esgotados dias antes, sinalizando o crescimento da popularidade da cantora e compositora carioca. Clique aqui para (re)ler a crítica da bela versão hi-tech do show Rainha dos raios postada em Notas Musicais.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dirigida por Roberta Sá, Ratto revisa obra em DVD que inclui Erasmo e Lucas

♪ Já no mercado fonográfico, com realização do Canal Brasil e com distribuição da Coqueiro Verde Records, o primeiro DVD da cantora e compositora carioca Anna Ratto, Ao vivo, alinha 18 músicas captadas em apresentação feita por Ratto em 12 de fevereiro de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), sob a direção artística de Roberta Sá. No DVD, que tem direção geral de David Pacheco, a cantora rebobina músicas de seus três álbuns oficiais, canta Tom Zé - Se o caso é chorar (parceria do compositor baiano com Perna, lançada por Zé em 1972) e Frevo (Tom Zé e Tuzé de Abreu, 1972) - e recebe Erasmo Carlos para beber do suingue de Cachaça mecânica (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973). Outro convidado do vídeo é Lucas Vasconcelos, compositor e instrumentista do duo Letuce. Parceira de Lucas em Desalento, Ratto recebe o colega no registro de Eu não vou chorar por fora, tema da lavra solitária de Lucas. Nos extras, o DVD exibe o clipe da canção Nem sequer dormir (Anna Ratto, 2012), gravado com Roberta Sá na orla do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mohandas antecipa, em 'single', duas músicas de álbum produzido por Lucas

♪ A banda carioca Mohandas grava seu segundo álbum no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Lucas Vasconcelos (sentado de camisa branca, com o grupo, na foto de Diana Sandes). O sucessor de Etnopop (Independente, 2012) tem lançamento previsto para o segundo semestre deste ano de 2015. Mas duas músicas do disco, Seres e Your eyes, já serão antecipadas pelo sexteto em single duplo que tem lançamento agendado para 25 de maio de 2015. Seres, aliás, já está sendo alvo de clipe filmado neste mês de maio. A banda Mohandas é formada por Diogo Jobim,  Micael Amarante, Bel Baroni,  Dudu Lacerda,  Nana Orlandi  e por Pedro Rondon.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Alice e Lucas releem 'Tarde triste', música de Maysa já gravada por Nana

Já está em rotação, no portal SoundCloud, releitura de Tarde triste feita pela cantora carioca Alice Caymmi com Lucas Vasconcellos (músico projetado no duo carioca Letuce). De autoria de Maysa (1936 - 1977), a doída canção Tarde triste foi lançada pela cantora e compositora paulista em seu primeiro álbum, Convite para ouvir Maysa (RGE, 1956). Tia de Alice, a cantora carioca Nana Caymmi gravou Tarde triste no segundo semestre de 2001 para a trilha sonora da novela O clone (TV Globo, 2001 / 2002). Envolta pela atmosfera contemporânea dos sons e ruídos de Lucas Vasconcellos (músico que vem ganhando relevância na cena indie desde que iniciou sua carreira solo), a abordagem da canção por Alice Caymmi preserva a melancolia saudosa expressa nos versos confessionais e diretos de Maysa, confirmando o talento e a forte personalidade artística da neta de Dorival. A gravação é de ensaio de show de Lucas com Alice.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Lucas Vasconcellos se lança solo enquanto cria o terceiro CD do duo Letuce

♪ Lucas Vasconcellos vai lançar seu primeiro álbum solo, Falo de coração, enquanto prepara o terceiro álbum do duo Letuce - formado pelo cantor, compositor e músico carioca com sua ex-mulher Letícia Novaes. Uma das músicas do disco solo de Lucas, Morfina, já entrou em rotação na internet. Outras músicas do repertório autoral do álbum são Eu não vou chorar por fora, Flor de tudo, Leal, Parede cinza,  Seven laughs (música de Lucas com letra de Letícia) e Sol do meio-dia.