Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 18 de junho de 2016

A menina baiana de Oyá faz 70 anos com os santos e encantos que Deus deu

EDITORIAL - Maria Bethânia completa hoje, 18 de junho de 2016, 70 anos de vida sem perda do vigor profissional. O volume de trabalho sinaliza que o pulso criativo ainda pulsa como nos tempos idos da juventude. Ainda senhora da cena no teatro da canção, a intérprete baiana chega aos 70 anos com a mesma aura mítica e enigmática do início da carreira, cujas origens remontam a 1963, embora a contabilidade oficial estabeleça a data de 13 de fevereiro de 1965 como o marco zero de trajetória profissional que nunca perdeu o viço. Nessa data, Bethânia pousou no palco do espetáculo Opinião (1964 / 1965), na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e desde então voou alto como o carcará que cruza os céus do sertão que ora se impõe como o oásis de Maria na fase mais recente da discografia. Como o carcará, Bethânia pegou a chance de substituir Nara Leão (1942 - 1989) no Opinião, matou a pau e comeu o público com as mãos, o olhar imperativo e a voz grave, árida. Um diamante bruto, mas verdadeiro, que Bethânia soube lapidar com o tempo. Aos 70 anos, a intérprete permanece esfinge. Em cena, exerce o habitual domínio sobre tudo e todos com a fome insaciável de palco. Fora de cena, preserva o controle sobre a vida e obra. De Bethânia, muito se fala, muito mais se imagina, mas pouco se sabe de fato. A imagem veiculada pela mídia tem a maquiagem usada pelas grandes estrelas da canção. Bethânia é uma em cena e é outra fora dela, embora ambas as personas - a da artista e a da cidadã - estejam amalgamadas pela personalidade forte e pelo temperamento difícil, indomado, que nortearam a obra da artista. Muitas cantoras - quase todas, na realidade - mudam de tom quando trocam de produtor. Bethânia até esboça sutis mudanças na sonoridade dos discos e na arquitetura dos shows. Mas sempre manteve o tom, o próprio tom, quaisquer que tenham sido os diretores dos espetáculos ou os produtores dos discos que fez ao longo de carreira que já soma efetivos 53 anos. Desde sempre, a menina dos olhos de Oyá foi a senhora dos ventos que comanda o enredo do próprio samba. Dona de si, sobreviveu às modas musicais e atravessou incólume todos os movimentos do mercado. Bethânia nunca deixou de ser fiel a si mesma. Saiu de Santo Amaro da Purificação (BA), mas a Santo Amaro natal nunca saiu dela. A menina baiana de Oyá ainda tem os santos, defeitos, encantos e a voz que Deus lhe deu. Talvez por isso mesmo, aos 70 anos, a cantora-orixá conserve o status de divindade reforçado pelas rugas sutis e pelos cabelos intencionalmente brancos. A nobreza da obra a redime das atitudes mundanas do cotidiano. Sua alteza Maria Bethânia Viana Teles Veloso é rainha, já entronizada no olimpo destinado às mais nobres cantoras do Brasil - e do mundo - de todos os tempos.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Gravação feita por Bethânia para novela 'Êta mundo bom!' é editada em single

Sem alarde, na véspera do 70º aniversário de Maria Bethânia, a gravadora Biscoito Fino lança hoje nas plataformas digitais single com a inédita gravação de Casinha branca (Gilson e Joran, 1979) feita pela cantora em estúdio, em novembro de 2015, para a trilha sonora da novela Êta mundo bom! (TV Globo, 2016). Composta em 1976 pelo cantor e compositor potiguar Gilson Vieira em parceria com Joran, e lançada em 1979 em gravação do próprio Gilson, Casinha branca ganha pela segunda vez registro na voz de Bethânia. A primeira foi no CD e DVD Maricotinha ao vivo, editados pela Biscoito Fimo em 2002 e em 2003, respectivamente, com a gravação ao vivo do show Maricotinha, estreado pela cantora baiana em 2001 com a tristonha canção de Gilson e Joran no roteiro. Feita com o toque ruralista da viola caipira de Paulo Dafilin e do violão de Pedro Franco, a segunda gravação de Casinha branca feita por Bethânia - já editada em CD pela gravadora Som Livre no segundo volume da trilha sonora da novela Êta mundo bom! - exibe, em dois minutos e 47 segundos, a dose exata de melancolia pedida pelos versos da canção. Ao habitar novamente Casinha branca, a cantora mostra que o sertão continua sendo o oásis de Bethânia em movimento já reforçado com outra (soberana) gravação feita pela artista para outra novela estreada na TV Globo neste ano de 2016. Música gravada pela cantora para a trilha sonora da novela Velho Chico e lançada em single em 3 de abril, Mortal loucura (José Miguel Wisnik a partir de versos do poeta baiano Gregório de Matos, 2005) provou que Maria Bethânia ainda avoa alto nos sertões do Brasil, com a voz sagrada, no ano em que festeja sete décadas de vida.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Registro de show de Bethânia de 2005 ganha edição digital com áudio do DVD

Lançada somente no formato de DVD, a gravação ao vivo do show Tempo tempo tempo tempo (2005), de Maria Bethânia, nunca foi editada em CD pela gravadora Biscoito Fino. Contudo, uma edição digital do álbum está sendo disponibilizada pela companhia fonográfica nas plataformas digitais neste mês de junho de 2016 com o áudio integral do DVD lançado ainda em 2005. No show Tempo tempo tempo tempo, a cantora baiana festejou 40 anos de carreira e, ao mesmo tempo, apresentou o repertório do álbum Que falta você me faz (Biscoito Fino, 2005), dedicado ao cancioneiro do poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980). A gravação ao vivo alinha 43 números do show, incluindo músicas nunca registradas em disco por Bethânia, como Estranho rapaz (Roberto Mendes e José Carlos Capinam, 2005) e o samba Nos combates desta vida  (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1983).

terça-feira, 31 de maio de 2016

Bethânia canta 'Maria' no álbum que Chico Lobo lança em agosto via Kuarup

O cantor, compositor e violeiro mineiro Chico Lobo compôs em agosto de 2015 uma música, Maria, em tributo a Maria Bethânia. A composição foi feita por Lobo no embalo da emoção de ver e ouvir na voz da cantora baiana uma música que fizera e que lançara em 1996, Criação, revivida por Bethânia no bloco interiorano do show comemorativo dos 50 anos de carreira da intérprete, Abraçar e agradecer (2015). Maria faz parte do repertório do próximo álbum de Lobo - Viola de mutirão - Do sertão ao mundo, a ser lançado pelo artista no segundo semestre deste ano de 2016, possivelmente em agosto, em edição da gravadora Kuarup - em gravação feita na última sexta-feira, 27 de maio de 2016, com participação da própria Bethânia (como visto na foto de Marcos Hermes). Tributo à população cabocla brasileira, solidária nas ações cotidianas em benefício das próprias comunidades sertanejas, o álbum Viola de mutirão - Do sertão ao mundo é o 25º título da discografia de Chico Lobo. Uma gravação extra-oficial de Maria - feita somente com a voz e com a viola virtuosa do próprio Chico Lobo - já está disponível no YouTube desde a criação dessa canção em tributo a Maria Bethânia.

domingo, 3 de abril de 2016

'Mortal loucura' é o oásis de Bethânia em gravação tão agreste como moderna

Resenha de single
Título: Mortal loucura
Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * *


Sem sair do quintal sertanejo por qual tem transitado nos últimos anos em álbuns irretocáveis como Meus quintais (Biscoito Fino, 2014), Maria Bethânia dá passo à frente com a gravação de Mortal loucura, composição criada por José Miguel Wisnik - a partir de versos barrocos do poeta baiano Gregório de Matos (1636 - 1696) - para a trilha sonora de Onqotô (2005), balé do Grupo Corpo. Gravada por Wisnik com Caetano Veloso para o disco com a trilha sonora do balé, Mortal loucura ganha a voz soberana de Bethânia em registro feito para outra trilha sonora - no caso, a trilha sonora da novela Velho Chico (TV Globo, 2016) - e lançado pela gravadora Biscoito Fino no formato de single digital, disponível nas plataformas de streaming e no iTunes a partir deste mês de abril de 2016. Mortal loucura é oásis na obra da intérprete baiana. Embora continue no quintal habitual, Bethânia desenterra os mistérios da voz sagrada nesta gravação que soa tão agreste - com a aridez do sertão no qual circulam os carcarás de tempos idos - e, ao mesmo tempo, tão moderna na atemporalidade dos registros imortais. Produzida por Márcio Arantes sob a direção artística de Wisnik, a gravação de Mortal loucura conecta Bethânia a músicos como Siba (rabeca) e Guilherme Kastrup (percussão), ambos presentes em gravações de artistas da contemporânea cena paulistana. Contudo, Bethânia continua soando como Bethânia - e nisso reside a força da gravação, feita também com a viola de Paulo Dáfilin, nome presente na ficha técnica do álbum Meus quintais. Mortal loucura representa sutil avanço na discografia de Bethânia sem deixar de reiterar a força soberana da intérprete, imune a modas e a modismos musicais. Ao dar voz árida a Mortal  loucura, Bethânia avoa no sertão em céu de brigadeiro como em tempos idos.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Bethânia desenterra mistérios da voz sagrada em gravação feita para novela

Sob sublime direção artística de Zé Miguel Wisnik, Maria Bethânia desenterra os mistérios da voz sagrada em gravação inédita produzida por Márcio Arantes para a trilha sonora da novela Velho Chico, exibida pela TV Globo às 21h. A cantora baiana - em foto de Gringo Cardia - dá voz a Mortal loucura, música criada pelo compositor Zé Miguel Wisnik a partir de versos barrocos do poeta baiano Gregório de Matos (1636 - 1696). O arranjo da gravação de Bethânia - tocado pelos músicos Marcio Arantes (baixo synth e guitarras), Siba (rabeca), Guilherme Kastrup (percussão) e Paulinho Dalfin (viola caipira) - remete a um universo sertanejo e agreste que pautou gravações da intérprete na década de 1960. A gravação de Bethânia já está em rotação no YouTube e banha o árido sertão brasileiro de modernidade até então bissexta na vasta discografia da cantora. Mortal loucura é música criada para a trilha sonora de Onqotô (2005), balé do Grupo Corpo. A trilha desse balé foi criada e assinada por Zé Miguel Wisnik em parceria com Caetano Veloso, os intérpretes da gravação original de Mortal loucura.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Na empolgação da vitória, Bethânia cogita álbum com sambas da Mangueira

Maria Bethânia disse em entrevista a uma emissora de rádio que cogita gravar disco com sambas relacionados à escola de samba Estação Primeira de Mangueira. É provável que o projeto fique no plano das ideias, já que a cogitação foi feita na empolgação gerada pela festejada vitória da agremiação carioca no Carnaval do Rio de Janeiro neste ano de 2016. A cantora baiana - vista em foto de Tata Barreto / Riotur postada pela Mangueira na página oficial da escola no Facebook - foi a inspiração do enredo Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá, criado e desenvolvido pelo carnavalesco  Leandro Vieira  para reverenciar os 70 anos de vida e os 50 anos de carreira da artista.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Bethânia faz da festa dos 50 anos o enredo de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Maria Bethânia fez da festa dos 50 anos de carreira o enredo de seu samba em 2015. Ao longo do ano, a cantora baiana celebrou as cinco décadas de carreira - contadas a partir da estreia apoteótica no espetáculo Opinião, em 13 de fevereiro de 1965 - com show, exposição, tributo na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, gravação de DVD do show, edição de (outro) DVD com registro de recital de poesia estreado em 2009 e lançamento do CD com a gravação ao vivo do show em tributo à obra da cantora apresentado na cerimônia de entrega do prêmio. Longa, a festa ainda se estenderá por 2016 no Carnaval da cidade do Rio de Janeiro (RJ) com o desfile da escola de samba Mangueira, que vai passar na avenida com o enredo Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá, escolhido para reverenciar a teatral intérprete pelos já devidamente comemorados 50 anos de carreira e pelos 70 anos de vida, a serem completados em junho de 2016. A festa dos 50 anos de carreira começou já em janeiro com a estreia de Abraçar e agredecer, show comemorativo da efeméride que ritualizou o que há de eterno e sagrado no canto da intérprete (em foto de Rodrigo Goffredo). A turnê rodou o Brasil ao longo do ano, terminando neste mês de dezembro na mesma cidade do Rio de Janeiro (RJ) em que o espetáculo chegou à cena. No meio da rota nacional, uma das temporadas da turnê na cidade de São Paulo (SP) serviu, em agosto, para a gravação ao vivo do show, ainda inédita no mercado fonográfico. Antes, em junho, Bethânia foi reverenciada na cerimônia de entrega do 26º Prêmio da Música Brasileira com show coletivo cujo registro ganhou edição em CD posto no mercado fonográfico neste mês de dezembro pela gravadora Biscoito Fino (o DVD está previsto para chegas às lojas em janeiro de 2016). Em julho, a exposição Maria de todos nós abriu as portas, no Rio de Janeiro (RJ), para apresentar signos e símbolos do universo artístico da cantora. Em outubro, Bethânia foi ao estúdio pôr voz na gravação do samba-enredo escolhido pela Mangueira para celebrar a artista no Carnaval de 2016. O disco com os sambas foi lançado em novembro. Em dezembro, a edição de Caderno de poesias (Quitanda / UFMG) - livro que traz encartado o DVD com o registro audiovisual do recital Bethânia e as palavras (2009) - coroou ano em que Maria Bethânia pareceu celebrar a si própria.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

'Caderno de poesias' eterniza palavras ditas por Bethânia em recital de 2009

Foi em Minas Gerais, em 2009, que nasceu Bethânia e as palavras, recital de poesia e música feito originalmente pela cantora baiana Maria Bethânia dentro da programação de Sentimentos do mundo, ciclo de conferências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi também em Minas Gerais - mais precisamente em Diamantina (MG), durante apresentação do recital no 2º Festival de História em 22 de outubro de 2013 - que Bethânia e as palavras teve imagem e áudio captados para edição de DVD encartado no Caderno de poesias lançado neste mês de dezembro de 2015 pelo selo da cantora, Quitanda, em parceria com a UFMG. Na apresentação eternizada em registro audiovisual, Bethânia divide o palco com os músicos Carlos César (percussão) e Paulo Dafilin (violão e viola). O Caderno de poesias chega ao mercado literário-fonográfico em dois formatos. Na edição mais luxuosa, editada e vendida pela UFMG, o DVD é encartado em livro no qual estão os poemas, as músicas e os textos alinhados pela intérprete no roteiro do recital filmado sob direção de Gringo Cardia. Na edição mais convencional, a que foi para as lojas com distribuição da gravadora Biscoito Fino, há somente o DVD propriamente dito e magro folheto com o roteiro do espetáculo. Mas a capa - ilustrada com imagens do Álbum das baleias (1973), do pintor e ilustrador baiano Calasans Neto (1932-2006) - é a mesma. Clique aqui para ler a resenha do recital Bethânia e as palavras, ora guardado para posteridade dentro do Caderno de poesias.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Show em tributo a Bethânia no 26º Prêmio da MPB é eternizado em CD e DVD

Nos últimos anos, a cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira tem se desdobrado em show que percorre algumas cidades do Brasil e ganha registro ao vivo editado em CD e DVD. Neste ano de 2015, contudo, a gravação ao vivo lançada em CD (já no mercado fonográfico) e em DVD (previsto para chegar às lojas em janeiro de 2016) pela gravadora Biscoito Fino é a do próprio show coletivo em tributo a Maria Bethânia realizado em 10 de junho de 2015, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ), na entrega da 26ª edição do prêmio idealizado e dirigido pelo empresário José Maurício Machline (clique aqui para ler/reler a resenha da cerimônia). Eis, na disposição do CD 26º Prêmio da Música Brasileira - Homenagem a Maria Bethânia, as 28 músicas (e os respectivos compositores e intérpretes) alocadas nas 14 faixas desse disco, centrado no repertório de Bethânia:

1. Missa agrária (Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri, 1965) /
    Carcará (João do Vale e José Cândido, 1965) - Maria Bethânia
2. O quereres (Caetano Veloso, 1984) - Maria Bethânia
3. Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) - Maria Bethânia
4. Último pau-de-arara (Venâncio, Corumbá e José Guimarães, 1956) /
    Pau-de-arara (Guio de Moraes e Luiz Gonzaga, 1952) - Lenine
5. Âmbar (Adriana Calcanhotto, 1996) - Adriana Calcanhotto /
    Lua vermelha (Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, 1996) - Arnaldo Antunes /
    Estado de poesia (Chico César, 2013) - Chico César
6. Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2014) /
    Coroa do mar (Roque Ferreira, 2009) /
    Santo Amaro (Roque Ferreira e Délcio Carvalho, 2006) - Roque Ferreira e Fabiana Cozza
7. Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971) - Zélia Duncan
8. Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, 1960) - Alcione /
    Quando o amor vacila (2002) - Texto recitado por Letícia Sabatella com fundo de samba  
9.  Lama (Paulo Marques e Alyce Chaves, 1952) - Johnny Hooker
10. Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto, 1966) - Dori Caymmi e Nana Caymmi
11. Queda d'água (Caetano Veloso, 1979) /
      De manhã (Caetano Veloso, 1965)
12. Sussuarana (Heckel Tavares e Luiz Peixoto, 1928) /
      Cigarro de paia (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, 1952) /
      Padroeiro do Brasil (Ary Monteiro e Irani de Oliveira, 1953) /
      O canto do pajé (Heitor Villa-Lobos, 1933, com letra de Paula Barros)
      - Mônica Salmaso e Jackson Antunes
13. Paiol de ouro (Alexandre Mattos e Olival Mattos, 1989) /
      Cabocla Jurema (tema de domínio público em adaptação de Rosinha Valença) /
      Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972) /
      As Yabás (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)  Alcione
14. Explode coração (Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., 1978) /
      Vento de lá (Roque Ferreira, 2014) /
      Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2014) - Maria Bethânia

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Bethânia saúda voz de Amália em bela participação no tributo duplo de Mísia

Maria Bethânia sempre apreciou e cantou as belezas de Portugal. Inclusive o fado, gênero que identifica a Terrinha no mapa-múndi musical. Por isso, a presença da intérprete baiana no recém-lançado álbum duplo da cantora portuguesa Mísia, Para Amália, soa perfeitamente natural. Neste disco em que Mísia reverencia a voz soberana do fado de Lisboa, Amália Rodrigues (1920 - 1999), Bethânia canta uma das quatro músicas inéditas do álbum, produzido pela própria Mísia e já disponível no mercado fonográfico brasileiro em edição da Warner Music. A cantora brasileira dá voz a Amália sempre e agora, música de Mário Pacheco com letra de Amélia Muge, que saúda Amália com versos como "Voz de uma moira encantada / De uma rosa no deserto / De um trovão em céu aberto". Música que abre o segundo dos dois discos, Amália sempre e agora é fado valorizado pelo canto de Bethânia, cuja voz amplia o sentido de versos como "Uivo na estepe que chora / Amália sempre e agora". Cabe lembrar que, desde 1970, ano em que gravou o fado brasileiro Os argonautas (Caetano Veloso, 1969), a música de Portugal sempre esteve presente em vários álbuns de Bethânia. Em Drama (Philips, 1972), por exemplo, a cantora deu voz ao fado Maldição (Alfredo Duarte e Armando Vieira Pinto, 1950), do repertório de Amália Rodrigues, de quem gravou Estranha forma de vida - fado de 1962 que tem letra de Amália e música de Alfredo Rodrigo Duarte (1891 - 1982), o Alfredo Marceneiro - no disco ao vivo Nossos momentos (Philips, 1982) após ter batizado o show que fez em 1981 com o nome do popular fado de Amália Rodrigues.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Gravação ao vivo de 'Brasileirinho', o show de Bethânia, ganha edição digital

Um dos títulos fundamentais da discografia de Maria Bethânia, o álbum Brasileirinho (Quitanda / Biscoito Fino, 2003) gerou show antológico da intérprete baiana. Gravado ao vivo, o espetáculo originou o DVD Brasileirinho ao vivo (Quitanda / Biscoito Fino, 2004), lançado no ano seguinte. Só que, ao contrário da maioria dos registros de shows da cantora, Brasileirinho ao vivo foi lançado somente no formato de DVD sem o CD correspondente. Onze anos depois, a gravadora Biscoito Fino lança o áudio do show em formato digital, já à venda no iTunes. Aos colecionadores da discografia de Bethânia, resta torcer para que Brasileirinho ao vivo ganha também uma edição física em CD.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Bethânia participa da gravação do samba da Mangueira para CD da folia 2016

A IMAGEM DO SOM - Postada no site Carnavalesco, a foto acima mostra Maria Bethânia em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) ao lado de Ana Basbaum, do produtor musical Jorge Cardoso (de camisa rosa) e de ilustre mangueirense - Álvaro Luís Caetano, o Alvinho, ex-presidente da Estação Primeira e compositor de sambas campeões - na gravação do samba-enredo da escola de samba Mangueira para o disco que vai trazer os sambas-enredos das agremiações do Grupo especial no Carnaval do Rio de Janeiro (RJ) de 2016. O álbum vai ser lançado pela gravadora Gravasamba ainda neste ano de 2015. Na última terça-feira, 16 de outubro de 2015, a intérprete baiana gravou participação no registro do bonito samba Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá (Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão). No disco, a ser distribuído pela Universal Music, a voz da intérprete vai ser ouvida na introdução do samba-enredo.

sábado, 12 de setembro de 2015

Vista do alto, Bethânia é céu no chão na volta de 'Abraçar e agradecer' ao Rio

Resenha de show - Segunda visão (de camarote)
Título: Abraçar e agradecer
Artista: Maria Bethânia (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de setembro de 2015
Cotação: * * * * *

Vista do alto, do olhar vindo de um camarote, Maria Bethânia mais pareceu o céu no chão na volta do show comemorativo de seus 50 anos de carreira, Abraçar e agradecer, ao Rio de Janeiro (RJ), cidade onde a turnê nacional estreou há oito meses. Parafraseando versos escritos pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho para expressar sua visão romantizada do morro de Mangueira no samba composto em 1969 com Paulinho da Viola (Sei lá, Mangueira), o show Abraçar e agradecer não é somente o que se vê numa plateia inferior. É um pouco mais. Mas os olhos somente conseguem perceber esse algo mais de um camarote ou de uma plateia superior, com visão plena do palco lindamente iluminado com projeções pela cenógrafa e diretora do espetáculo, Bia Lessa. Com a poesia visual do cenário, Abraçar e agradecer faz céu, mar - quando as imagens projetadas no palco-led criam a ilusão de que Bethânia canta Meu amor é marinheiro (Alan Oulman em poema de Manuel Alegre, 1974) sobre ondas de um mar em movimento - e também sugere terra nas músicas do bloco interiorano do segundo ato, alastrando beleza pelos lugares por onde o show tem passado desde a estreia, em 10 de janeiro de 2015. Beleza que pode sair tão somente do coração de quem percebeu que Abraçar e agradecer permanece com o viço da estreia, diferentemente de shows anteriores da cantora que foram encolhendo e perdendo luz, músicas e brilho ao longo da turnê. Ao contrário, o show atual ganhou ainda mais vida, coro - o feito pelos músicos em Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) - e esplendor. Nada que surpreenda quem tem ciência de que, em Bethânia, a poesia anda descalça pelo palco iluminado, num sobe e desce constante de emoções e sensações que, em Abraçar e agradecer, ritualizam o que há de mais sagrado e eterno na cantora. Na turnê deste show que versa sobretudo sobre a própria Bethânia, a apresentação de ontem, 11 de setembro de 2015, na casa carioca Vivo Rio, transcorreu mágica, sem pitis, sem interrupções, sem olhares atentos ao teleprompter. Enredo da escola de samba Mangueira no Carnaval de 2016, a menina dos olhos de Oyá se portou como nobre senhora da cena, louvando seus músicos, seus súditos e seus orixás. Vendo tudo do alto de seus 50 anos de palco. Sei lá, não sei... Nesses momentos iluminados, vista do alto, Maria Bethânia é tão grande que nem cabe explicação. 

Lessa ilumina palco (con)sagrado de Bethânia no show 'Abraçar e agradecer'

A IMAGEM DO SOM - A montagem com quatro fotos de Rodrigo Goffredo - tiradas na volta do show Abraçar e agradecer à cidade do Rio de Janeiro (RJ) em apresentação que embeveceu o público que lotou a casa Vivo Rio na noite de ontem, 11 de setembro de 2015 - mostra como o palco (con)sagrado de Maria Bethânia é lindamente iluminado por Bia Lessa, diretora e cenógrafa do espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira da cantora baiana. A sombra nesse show de luz e esplendor é o fato de a visão plena do cenário de Lessa somente ser possível por quem assiste ao espetáculo de camarote (em locais de grande porte como a casa Vivo Rio) ou na parte superior da plateia (no caso das apresentações feitas em teatro). As projeções no telão de led alocado no palco preenchem a cena, ajudam a traduzir os signos contidos nas letras das canções do roteiro e criam belos efeitos como a sensação de que Bethânia canta sobre ondas em movimento na música Meu amor é marinheiro (Alan Oulman em poema de Manuel Alegre, 1974). Cenário é show à parte!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Presente em três fonogramas, Bethânia domina coletânea 'Acordes do Brasil'

Com ritmo desacelerado de lançamentos de CDs, a gravadora Biscoito Fino aposta cada vez mais em coletâneas. Na sequência de Olivia Hime & amigos, compilação de duetos da cantora carioca com ícones da MPB, a companhia põe no mercado fonográfico neste mês de julho de 2015, em edição física em CD e em simultâneo formato digital, a inédita coletânea Acordes do Brasil (capa vista à esquerda). Com 12 fonogramas selecionados no acervo da Biscoito Fino, a coletânea é dominada por Maria Bethânia (em foto de Gringo Gardia). A cantora baiana está presente em três das 12 gravações. Bethânia é ouvida nas músicas Vive (Djavan, 2012), São João, Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976) e em Fogueira (Angela RoRo, 1983), esta ouvida em dueto recente com a compositora da música, gravado para os extras de DVD lançado em 2013 pela Biscoito Fino. Eis, na ordem do CD, os 12 fonogramas reunidos pela gravadora na compilação  Acordes do Brasil:

1. Vive (Djavan, 2012) -  Maria Bethânia (com participação de Djavan)
2. Reza (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 2012) - Rita Lee
3. Maracanã (Francis Hime e Paulo César Pinheiro, 1993) - Francis Hime
4. Que nem mandacaru (Moraes Moreira, 2012) - Moraes Moreira
5. São João, Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976) - Maria Bethânia
6. João nos tribunais (Tom Zé, 2009) - Tom Zé
7. Medo de amar (Vinicius de Moraes, 1958) - Miúcha (com participação de Chico Buarque)
8. Modinha (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) - Antonio Carlos Jobim
9. Maravilha (Francis Hime e Chico Buarque, 1977) - Simone
10. Sinhá (João Bosco e Chico Buarque, 2011) - Chico Buarque
11. Molhado de suor (Alceu Valença, 1974) - Alceu Valença
12. Fogueira (Angela RoRo, 1983) - Angela RoRo (com participação de Maria Bethânia) 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ana grava hit de Bethânia para disco em tributo aos 70 anos de Gonzaguinha

Música do cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991), Explode coração - canção lançada por Maria Bethânia no álbum Álibi (Philips, 1978) com sucesso nacional - ganha a voz de Ana Carolina. A cantora gravou Explode coração para disco em tributo aos 70 anos de Gonzaguinha,  festejados em 22 de setembro de 2015.  O álbum está em processo de produção.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

'Maria de todos nós' expõe signos para os iniciados no universo de Bethânia

Resenha de exposição
Título: Maria de todos nós
Artista: Maria Bethânia
Local: Paço Imperial (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 3 de julho de 2015
Fotos: reproduções de obras de Ziraldo (The wonderful white witch, 2015) e Mario Ferrante
          (Retrato da Bethânia, 2014)
Cotação: * * * 
Em cartaz de 3 de julho a 13 de setembro de 2015, diariamente, com entrada franca

Maria Bethânia já sentenciou que música é perfume. Pois na exposição Maria de todos nós estão lá fragrâncias inspiradas pelos sons de álbuns como Ciclo (Philips, 1983), Âmbar (EMI-Music, 1996), Brasileirinho (Biscoito Fino, 2003) e Meus quintais (Biscoito Fino, 2014). Com curadoria de Bia Lessa, a exposição - aberta ao público a partir de hoje, 3 de julho de 2015 - celebra os 50 anos de carreira da cantora baiana sem didatismo ou a menor preocupação de informar quem desconhece a trajetória luminosa da artista. Em cartaz até 13 de setembro de 2015 no Paço Imperial, no Rio de Janeiro (RJ), Maria de todos nós expõe signos que remetem ao universo pessoal e profissional de Bethânia. Alguns, como a poltrona criada pelos Irmãos Campana para o evento com design que remete a uma casa de João de Barro, são de tradução difícil até para iniciados nesse mundo mítico da artista. Outros signos - como as imagens dos orixás, as receitas de comidas interioranas e a imagem de Nossa Senhora da Purificação - remetem de imediato às crenças de uma intérprete que sempre pôs fé no sincretismo religioso e nas modas e costumes de um Brasil caboclo. Repleta de referências desse Brasil rural, Maria de todos nós jamais decifra o enigma da esfinge-bruxa retratada pelo cartunista Ziraldo como uma maravilhosa feiticeira branca. A propósito, a obra The wonderful white witch sobressai entre tantas traduções de Bethânia, feitas tanto por fãs (no caso das fotos de shows) como por profissionais como o paulistano Fauzi Arap (1938 - 2013), diretor de shows emblemáticos da intérprete. É de Arap o texto A pedra filosofal (2011), exposto com destaque na ocupação que preenche todos os espaços do primeiro pavimento do Paço Imperial. A escritora Nélida Piñon também discorre sobre a magia do canto de Bethânia em texto lapidar. Mas é claro que, para os olhos, as obras visuais surtem maior efeito - caso do belíssimo óleo sobre tela Retrato de Bethânia (2014), do artista Mario Ferrante. Cabe destacar também a tela de 2014 em que o cartunista paulista Maurício de Souza desenha Bethânia com sua Turma da Mônica. Já a sala de fotos de shows - que poderia ser mais bem iluminada, estando demasiadamente escura - sensibiliza o espectador pela expressão da artista em cena. E impressiona negativamente pela imprecisão de um crédito em especial: a foto da capa do CD e DVD Carta de amor (Biscoito Fino, 2013), é atribuída a autor desconhecido e ao ano de 1977. Pequenas desatenções à parte, Maria de todos nós celebra Bethânia por olhares alheios. É exposição feita por gente e para gente que já conhece muito bem a trajetória da artista nessas cinco gloriosas décadas.  A Maria não é de todos.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Bethânia opta por gravar ao vivo show dos 50 anos em São Paulo em agosto

Maria Bethânia - em foto de Rodrigo Goffredo - optou por fazer na cidade de São Paulo (SP) a gravação ao vivo do espetáculo comemorativo de seus 50 anos de carreira. Embora o cronograma inicial da turnê nacional do show Abraçar e agradecer previsse para setembro de 2015, no Rio de Janeiro (RJ), o registro audiovisual do espetáculo, a gravação ao vivo vai ser efetivamente feita em 7 e 8 de agosto de 2015 em apresentações do show na casa paulista HSBC Brasil. CD e DVD serão lançados no mercado fonográfico ainda em 2015 pela gravadora Biscoito Fino. Clique aqui para ler a resenha do show Abraçar e agradecer, publicada em Notas Musicais  em 12 de janeiro de 2015.

domingo, 21 de junho de 2015

Bethânia volta ao Rio com show 'Abraçar e agradecer' sem sinal de gravação

 Embora estivesse prevista no cronograma da turnê nacional do show Abraçar e agradecer para ser feita em setembro, no Rio de Janeiro (RJ), a gravação ao vivo do espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia pode não ser feita na volta do show ao Rio de Janeiro (RJ) na mesma cidade e casa - Vivo Rio - em que estreou em 10 de janeiro de 2015. A cantora baiana - em foto de Rodrigo Goffredo - vai reapresentar o espetáculo em apresentações agendadas para 11 e 12 de setembro de 2015, no Vivo Rio, mas não há qualquer sinal ou informação no site de venda de ingressos de que tais apresentações serão alvos de gravação ao vivo para a edição de CD e DVD.