Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Show 'Abraçar e agradecer' ritualiza o que há de eterno e divino em Bethânia

Resenha de show
Título: Abraçar e agradecer
Artista: Maria Bethânia (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de janeiro de 2015
Cotação: * * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show Abraçar e agradecer:
* 15, 17 e 18 de janeiro de 2015 - Vivo Rio - Rio de Janeiro (RJ)
* 6 de março de 2015 - Centro de Convenções Ulysses Guimarães - Brasília (DF)
* 14, 15, 21 e 22 de março de 2015 - HSBC Brasil - São Paulo (SP)

A senha para o entendimento pleno do show comemorativo dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia está no texto escrito pela própria artista e recitado logo após o primeiro número, Eterno em mim, a canção feita pelo mano Caetano Veloso para o show de 1985 com o qual a cantora festejou seus então 20 anos de carreira. Nesse texto de tom reverente e grato, Bethânia louva a água de sua terra, o chão que a sustenta, as folhas, a raiz, o palco, a beira do abismo. Os quatro elementos de uma natureza que tem no canto teatralizado da artista uma de suas maiores forças. Tudo isso está bem entranhado no roteiro estruturado pela própria cantora com costura de fino acabamento. Show dirigido por Bia Lessa, Abraçar e agradecer ritualiza o que há de mais eterno e sagrado em Maria Bethânia, ainda - e parece que sempre - dona do dom de magnetizar sua plateia. A caminhos dos 69 anos de vida, a serem completados em 18 de junho de 2015, Bethânia continua em cena com a mesma presença morena que - ao longo de suas cinco coerentes décadas de trajetória profissional - paralisou momentos e derrubou cercas com as quais tentaram aprisioná-la entre rótulos e gêneros. A inclusão no roteiro de A tua presença morena (1971) - sagaz lembrança da canção-título de álbum de 1971 -  é muito emblemática porque Abraçar e agradecer é show sobre Bethânia. De autoria de escritores e poetas como Clarice Lispector (1920 - 1977) e Fernando Pessoa (1888 - 1935), os sete textos recitados ao longo dos dois atos do show enfatizam o eu, a primeira pessoa. Em suma, enaltecem a própria artista que, em ato de generosidade, agradece a cumplicidade de seu séquito - e, nesse sentido, a lembrança de Nossos momentos (Caetano Veloso, 1982) é igualmente sagaz - enquanto louva as próprias escolhas, princípios e nortes. A produção musical de Guto Graça Mello - arregimentador de banda afiada, regida em cena pelo baixista Jorge Helder - contribui para a louvação com trama acústica de violões, violas e tambores que jamais tira o foco da voz ainda plena de vigor e significados reforçados por gestos, expressões, olhares e ênfases nas interpretações das músicas. Eis, ali no palco, tudo de novo, como diz o título da música de Caetano Veloso, de 1978, alocada no início do segundo ato, após Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinam, 1965), reminiscência de tempos de guerra em que tentaram - em vão - fazer de Bethânia uma cantora de protesto. Rótulo recusado, sob protesto, pela voz de uma pessoa vitoriosa que sempre teve como norte a própria liberdade de seu canto indomado. Voz que tem se refugiado cada vez mais no sertão, oásis de Bethânia, evocado pelas duas inéditas de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, Viver na fazenda (de melodia belíssima!) e Voz de mágoa, apresentadas no roteiro que fecha sintomaticamente o show (antes do bis) com música intitulada Silêncio, poético tema ruralista da lavra da cantora e compositora paraibana Flávia Wenceslau. Abraçar e agradecer situa Bethânia feliz em seu oásis, mais serena, mas ainda capaz de ir para a beira do abismo ao cantar Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974), de provocar a explosão atlântica de Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971), de cruzar oceanos para cantar o fado e o universo lusitano de Meu amor é marinheiro (Alan Oulman sobre versos de Manuel Alegre, 1974) e de fazer sua festa com Bela mocidade (Donato Alves e Francisco Naiva, 1997), o bumba-meu-boi que roça a cadência de xote no arranjo da banda. Na imitação da vida exposta ali no palco, ora em carne viva, ora em momentos em que os silêncios dizem mais do que os versos de músicas serenas como Motriz (Caetano Veloso, 1983), Bethânia celebra suas fontes - como Dorival Caymmi (1914 - 2008) e sua Bahia natal, retratados na letra imagética de Doce (Roque Ferreira, 2008) - e canta o seu Brasil caboclo ainda povoado por índios, reverenciados em Povos do Brasil (Leandro Fregonesi, 2014) - samba que cresce e ganha suingue no show - e em Xavante (2014), tema de Chico César, dono do dom de traduzir em música a alma de sua intérprete preferencial. Nos quintais de Bethânia, Folia de Reis (Roque Ferreira, 2014) ilumina o show na marcha percussiva da banda, Mãe Maria (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943) faz a evocação terna da presença eterna de Claudionor Viana Teles Veloso (1907 - 2012) - a Dona Canô - e Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) explicita a alta carga de espiritualidade que sempre regeu os caminhos de Bethânia na música e na vida. Caminhos que a levam ultimamente para o interior. Composição inédita na voz da cantora, Eu, a viola e Deus (Rolando Boldrin, 1979) abre a porteira do sertão. Na sequência interiorana, Criação (Chico Lobo, 1996) faz a viola chorar antes de abrigar Bethânia na Casa de caboclo (Roque Ferreira e Paulo Dafilin, 2014) erguida no clima ruralista que dá o tom do segundo ato de Abraçar e agradecer. A fina costura do roteiro entrelaça músicas que se alinham sem obviedade e que levam Bethânia para todos os lugares sem tirá-la de seu habitat (con)sagrado. Até mesmo um flash de romantismo urbano espouca em cena através de Eu te desejo amor, versão inédita de Nelson Motta de música do repertório do cantor francês Charles Trenet (1913 - 2001), Que reste-t-il de nos amours? (1942), famosa parceria de Trenet com Léo Chauliac (1913 - 1977). No show, a canção ganha um clima que remete aos dourados anos 1950 e que expõe a vocação popular do tema. Falso gran finale do show, Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956) - sucesso da cantora francesa Edith Piaf (1915 - 1963) cantado por Bethânia no original em francês - é veículo apoteótico para nova exposição de princípios em primeira pessoa. Senhora da cena, Bethânia usa de toda sua força e artifícios - como recitar a letra em português antes de arrematar a música - em número de efeito arrebatador. Que bem poderia ser o fim do show iluminado com brilho e esplendor por Binho Schaefer, mas não é. Porque Abraçar e agradecer joga em cena o tempo todo com a alternância de climas para manter a plateia magnetizada. E o resultado é o melhor show de Bethânia desde Dentro do mar tem rio (2006). Como autora do roteiro, a cantora mostra habilidade para fugir dos hits mais óbvios  - exceto o previsível bis final, dado com o já batido samba O que é o que é (Gonzaguinha, 1982) - e, ainda assim, evocar (quase) todos os momentos de sua cinquentenária carreira, embora o roteiro de certa ênfase à produção da artista após o renovador disco Âmbar (EMI-Odeon, 1996). O único problema do show é a cenografia de Bia Lessa, urdida com lustres e projeções. Cenografia bela em si, mas pouco funcional, já que as imagens expostas no telão de led alocado aos pés de Bethânia - como o mar que sublinha o conceito do samba afro-baiano Agradecer e abraçar (Gerônimo e Vevé Calazans, 1986) - somente podem ser vistas por quem fica na parte superior da plateia da casa Vivo Rio. Uma injustiça com parte da plateia! Esse descuido da cenógrafa impede que o show seja perfeito. Mas paradoxalmente acaba sendo detalhe face à grandeza da intérprete. Como dizem versos da letra de Todos os lugares (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1966), "Faça de conta que nada disso conta / Que não importa, exceto estarmos novamente aqui". Voz da fonte, o canto de Maria Bethânia parece - como diz a letra de Alguma voz (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2014) - o gozo do mundo dentro do ventre da terra, veiculando no show Abraçar e agradecer o que há de (mais) eterno e sagrado em si mesmo.

19 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ A senha para o entendimento pleno do show comemorativo dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia está no texto escrito pela própria artista e recitado logo após o primeiro número, Eterno em mim, a canção feita pelo mano Caetano Veloso para o show de 1985 com o qual a cantora festejou seus então 20 anos de carreira. Nesse texto de tom reverente e grato, Bethânia louva a água de sua terra, o chão que a sustenta, as folhas, a raiz, o palco, a beira do abismo. Os quatro elementos de uma natureza que tem no canto teatralizado da artista uma de suas maiores forças. Tudo isso está entranhado no roteiro estruturado pela própria cantora com costura de fino acabamento. Show dirigido por Bia Lessa, Abraçar e agradecer ritualiza o que há de mais eterno e sagrado em Maria Bethânia, ainda - e parece que sempre - dona do dom de magnetizar sua plateia. A caminhos dos 69 anos de vida, a serem completados em 18 de junho de 2015, Bethânia continua em cena com a mesma presença morena que - ao longo de suas cinco coerentes décadas de trajetória profissional - paralisou momentos e derrubou cercas com as quais tentaram aprisioná-la entre rótulos e gêneros. A inclusão no roteiro de A tua presença morena (1971) - sagaz lembrança da canção-título de álbum de 1971 - é emblemática porque Abraçar e agradecer é show sobre Bethânia. De autoria de escritores e poetas como Clarice Lispector (1920 - 1977) e Fernando Pessoa (1888 - 1935), os sete textos recitados ao longo dos dois atos do show enfatizam o eu, a primeira pessoa. Em suma, enaltecem a própria artista que, em ato de generosidade, agradece a cumplicidade de seu séquito - e, nesse sentido, a lembrança de Nossos momentos (Caetano Veloso, 1982) é igualmente sagaz - enquanto louva as próprias escolhas, princípios e nortes. A produção musical de Guto Graça Mello - arregimentador de banda afiada, regida em cena pelo baixista Jorge Helder - contribui para a louvação com trama acústica de violões, violas e tambores que jamais tira o foco da voz ainda plena de vigor e significados reforçados por gestos, expressões, olhares e ênfases nas interpretações das músicas. Eis, ali no palco, tudo de novo, como diz o título da música de Caetano Veloso, de 1978, alocada no início do segundo ato, após Viramundo (Gilberto Gil e José Carlos Capinam, 1965), reminiscência de tempos de guerra em que tentaram - em vão - fazer de Bethânia uma cantora de protesto. Rótulo recusado, sob protesto, pela voz de uma pessoa vitoriosa que sempre teve como norte a própria liberdade de seu canto indomado. Voz que tem se refugiado cada vez mais no sertão, oásis de Bethânia, evocado pelas duas inéditas de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, Viver na fazenda (de melodia belíssima!) e Voz de mágoa, apresentadas no roteiro que fecha sintomaticamente o show (antes do bis) com música intitulada Silêncio, poético tema ruralista da lavra da cantora e compositora paraibana Flávia Wenceslau. Abraçar e agradecer situa Bethânia feliz em seu oásis, mais serena, mas ainda capaz de ir para a beira do abismo ao cantar Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974), de provocar a explosão atlântica de Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971), de cruzar oceanos para cantar o fado e o universo lusitano de Meu amor é marinheiro (Alan Oulman sobre versos de Manuel Alegre, 1974) e de fazer sua festa com Bela mocidade (Donato Alves e Francisco Naiva, 1997), o bumba-meu-boi que roça a cadência de xote no arranjo da banda.

Mauro Ferreira disse...

Na imitação da vida exposta ali no palco, ora em carne viva, ora em momentos em que os silêncios dizem mais do que os versos de músicas serenas como Motriz (Caetano Veloso, 1983), Bethânia celebra suas fontes - como Dorival Caymmi (1914 - 2008) e sua Bahia natal, retratados na letra imagética de Doce (Roque Ferreira, 2008) - e canta o seu Brasil caboclo ainda povoado por índios, reverenciados em Povos do Brasil (Leandro Fregonesi, 2014) - samba que cresce e ganha suingue no show - e em Xavante (2014), tema de Chico César, dono do dom de traduzir em música a alma de sua intérprete preferencial. Nos quintais de Bethânia, Folia de Reis (Roque Ferreira, 2014) ilumina o show na marcha percussiva da banda, Mãe Maria (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943) faz a evocação terna da presença eterna de Claudionor Viana Teles Veloso (1907 - 2012) - a Dona Canô - e Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, 1972) explicita a alta carga de espiritualidade que sempre regeu os caminhos de Bethânia na música e na vida. Caminhos que a levam ultimamente para o interior. Composição inédita na voz da cantora, Eu, a viola e Deus (Rolando Boldrin, 1979) abre a porteira do sertão. Na sequência interiorana, Criação (Chico Lobo, 1996) faz a viola chorar antes de abrigar Bethânia na Casa de caboclo (Roque Ferreira e Paulo Dafilin, 2014) erguida no clima ruralista que dá o tom do segundo ato de Abraçar e agradecer. A fina costura do roteiro entrelaça músicas que se alinham sem obviedade e que levam Bethânia para todos os lugares sem tirá-la de seu habitat (con)sagrado. Até mesmo um flash de romantismo urbano espouca em cena através de Eu te desejo amor, versão inédita de Nelson Motta de música do repertório do cantor francês Charles Trenet (1913 - 2001). No show, a canção ganha um clima que remete aos dourados anos 1950 e que expõe a vocação popular do tema. Falso gran finale do show, Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956) - sucesso da cantora francesa Edith Piaf (1915 - 1963) cantado por Bethânia no original em francês - é veículo apoteótico para nova exposição de princípios em primeira pessoa. Senhora da cena, Bethânia usa de toda sua força e artifícios - como recitar a letra em português antes de arrematar a música - em número de efeito arrebatador. Que bem poderia ser o fim do show iluminado com brilho e esplendor por Binho Schaefer, mas não é. Porque Abraçar e agradecer joga em cena o tempo todo com a alternância de climas para manter a plateia magnetizada. E o resultado é o melhor show de Bethânia desde Dentro do mar tem rio (2006). Como autora do roteiro, a cantora mostra habilidade para fugir dos hits mais óbvios - exceto o previsível bis final, dado com o já batido samba O que é o que é (Gonzaguinha, 1982) - e, ainda assim, evocar (quase) todos os momentos de sua cinquentenária carreira, embora o roteiro de certa ênfase à produção da artista após o renovador disco Âmbar (EMI-Odeon, 1996). O único problema do show é a cenografia de Bia Lessa, urdida com lustres e projeções. Cenografia bela em si, mas pouco funcional, já que as imagens expostas no telão de led alocado aos pés de Bethânia - como o mar que sublinha o conceito do samba afro-baiano Agradecer e abraçar (Gerônimo e Vevé Calazans, 1999) - somente podem ser vistas por quem fica na parte superior da plateia da casa Vivo Rio. Esse descuido da cenógrafa impede que o show seja perfeito. Mas paradoxalmente acaba sendo detalhe face à grandeza da intérprete. Como dizem versos da letra de Todos os lugares (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1966), "Faça de conta que nada disso conta / Que não importa, exceto estarmos novamente aqui". Voz da fonte, o canto de Maria Bethânia parece - como diz a letra de Alguma voz (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, 2014) - o gozo do mundo dentro do ventre da terra, veiculando no show Abraçar e agradecer o que há de mais eterno e sagrado em si mesmo.

geraldo bassani disse...

Oi, Mauro. Bravo, bravíssimo. Falei com você ontem antes de o show começar. Sua gentileza me fez ficar mais encantado com sua maestria em escrever o que sentimos ontem vendo Bethânia. Não vi nada das projeções(estava na mesa ao lado da sua com seu amigo Rafael) e lamento por não ter visto. Aí, Rafael, era isso que não víamos. Mas tenho certeza que na volta ao Rio, os ingressos do balcão se esgotarão primeiro. Saí em estado de graça ontem do Vivo por presenciar momento tão potente de Bethania, e também por conhecer alguém que só conhecia das palavras.
Obrigadíssimo, como diria ela mesma.
Mauro, se puder me mandar um email, gostaria de conversar com vc sobre o blog sem que a conversa fosse publicada. g-bassani@hotmail.com

Mauro Ferreira disse...

ok, Geraldo, entrarei em contato amanhã. Abs, obrigado, MauroF

Rafael M. disse...

Tomara que ela venha logo para BH com esse show!!!

Fernando disse...

Parabéns pela crítica e pelo blog, fonte em que sempre volto pra pescar novidades. Na crítica deste show senti falta de um dedo de prosa sobre a estonteante interpretação de Brincar de Viver no primeiro bis. Abçs

Fernando de Sá Leitão disse...

Bravo! Bravo! Compartilho as bem urdidas impressões do show, e também a observação acerca do cenário com projeções no palco que exclui quem esteja abaixo do seu nível. Destacaria também a segurança de Bethânia nas letras das canções e textos, e a sultileza com que olhava, discretamente, o teleprompter. A sequência Todos os lugares, o texto Depois de uma tarde e Rosa dos ventos foi arrebatador.

Breno Alves disse...

Mauro, a canção "Eterno em Mim", do Caetano, não é de 1996 (disco "âmbar")? Excelente crítica!

Mauro Ferreira disse...

Breno, a canção 'Eterno em mim' foi gravada por Bethânia no disco 'Âmbar', de 1996. Mas foi feita por Caetano para o show de 1985. Bethânia cantava a música no show. Abs, MauroF

Luca disse...

O texto tá bem escrito mas duvido que o show seja isso tudo, o problema é que ninguém tem coragem de criticar Bethânia, nem os críticos. fica todo mundo endeusando, falando as mesmas coisas de sempre, o Mauro então é o primeiro a puxar esse cordão de puxa saco

luis claudio de oliveira disse...

Penso que se alguém não encontra credibilidade na análise que um crítico faz e se essa mesma pessoa não curti Bethânia, deveria evitar ambos. Por que ler algo sobre um artista que não te diz nada? Por que ler críticas das quais desconfia? Será que todas as críticas superelogiosas que saíram até agora são todas inverossímeis? Será que a romaria de artistas para cumprimentar Bethânia é um equívoco? Obviamente que não! Só posso entender atitudes assim como muito estreitas e incapazes de entender a ARTE MAIOR de Bethânia. Os próprios comentários evidenciam isso. Uma necessidade de achincalhar aquilo que não alcança. Fãs de Bethânia, sabemos bem, supõe-se que tenham um nível cultural acima da média porque a própria cantora oferece através de sua arte. É tempo de aprender ou se calar. Críticas negativas tb precisam de embasamento.
Até mais do que elogiar.

Fernando Lima disse...

Mauro, lendo sua crítica deu vontade de assistir ao show, que, inicialmente, pelo repertório escolhido, não me estimulou; queria mais novidades.

geraldo bassani disse...

Ave, Luiz. Pra cima e avante. Obrigado.

Leo-MT disse...

O repertório para um show de 50 anos me desanimou. Esperava 3 ou 4 canções de cada disco dela. Músicas do Drama, Passado Proibido e Manhã, Mel, Alteza, Talismã, Recital na Boite Barroco, Álibi, com Chico, Rosa dos Ventos. Tem discos que citei que da pra tirar mais de 4 músicas. Faz um disco duplo, até triplo, pois a ocasião merece. Mas ficou a desejar.

Pedro Progresso disse...

a estréia do show foi uma catarse sem igual. o vivo rio veio abaixo. Bethânia fez todo seu jogo de cena, a produção de Guto Graça Mello foi o diferencial. tá tudo muito bem amarrado, marcações excelentes, uma luz divina. o final apoteótico com Piaf seguido de Silêncio (que surpresa! que música incrível!) e o Carcará incidental mostrando que ELA está ali, só começando.

haters gonna hate, não tem jeito. não pode alcançar os astros quem leva a vida de rastros. uma pena. eu ainda estou no céu, no oásis, no recanto claro e dourado de Berré.

ADEMAR AMANCIO disse...

Faço minhas as palavras de Luca.M Bethânia venceu o seu prazo de validade há anos.

Roberto de Brito disse...

O comentário acima foi realmente a piada do ano!

ADEMAR AMANCIO disse...

Cantor é como jogador de futebol,tem o tempo certo pra parar,senão fica ridículo.

Olecram, o outro disse...

Show incrível! Começa com a irrepreensível técnica de Bethânia, dando a sensação de que será tudo bem cuidado e impecável. Felizmente, vai além disso. Propõe diferentes climas: romântico, ritualístico, interiorano e outros mais fazem com que, de repente, vc se sinta arrebatado. Tive a felicidade de assistir da última fileira do balcão, com visão distanciada e privilegiada do cenário, um show à parte. Quem critica aqui o show de forma pejorativa não o viu, então, simplesmente pratica um ato de leviandade que não pode ser levado a sério.