Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Com a voz ainda quente, Renata reaviva marcas dos anos 1990 em DVD

Resenha de CD e DVD
Título: Marcas e sinais - 20 anos de carreira
Artista: Renata Arruda
Gravadora: Canal Brasil
Cotação: * * *

 Boa cantora paraibana revelada em 1993 com a edição de Traficante de ilusões (Warner Music / MZA Music), álbum produzido por Marco Mazzola, Renata Arruda revisa - em DVD e em CD ao vivo editados na Coleção Canal Brasil - 20 anos de carreira que perdeu fôlego ao longo dos anos 2000. Não por acaso, Marcas e sinais (2014) seduz mais quando reaviva músicas que marcaram a trajetória da artista ao longo dos anos 1990, década em que Renata gravou e lançou seu três melhores álbuns - o já mencionado Traficante de ilusões, Renata Arruda (MZA Music, 1996) e Um do outro (BMG, 1999). Enquanto expõe tais marcas, o DVD e CD ao vivo dão sinais de que a voz quente, de timbre grave, ainda está em forma, pronta para altos voos artísticos. Pelo caráter de mera revisão, já feita pela artista no DVD e CD Acústico - Pegada (Cid, 2005), a gravação ao vivo do show captado em 2014 na Praia de Tambaú, em João Pessoa (PB), sob a direção musical do guitarrista Robertinho de Recife, nada acrescenta à discografia de Renata. Do ponto de vista técnico, a filmagem do DVD - o segundo título da videografia da cantora - resulta convencional. Já o show em si repisa, no roteiro, caminhos trilhados por uma artista que sempre foi melhor cantora do que compositora, embora já tenha se aventurado a gravar um álbum inteiramente autoral, Deixa (Independente / Microservice, 2009). "Andei por aí, mas não me achei / Pois meu coração ficou lá", avalia Arruda através dos versos de Toada do gira mundo (Renata Arruda e Paola Torres, 2014), música que abre o CD e o DVD como tema incidental, antes do primeiro número propriamente dito do show, Fique à vontade (Peninha e Dinho Classe Z, 1999), lado B do álbum Um do outro que merece segunda chance por expor a veia popular de Peninha, compositor de É Ouro pra mim, pérola do mesmo disco também revivida com arranjo similar ao da gravação original no roteiro montado com baixo teor de novidade. Aliás, a pegada pop dos arranjos, que tangenciam o universo roqueiro, deixa no DVD a marca do guitar hero Robertinho de Recife. Já a marca mais forte de Renata é mesmo a sua voz calorosa, perfeita para uma canção como Ninguém vai tirar você de mim (Hélio Justo e Edson Ribeiro, 1968), lançada por Roberto Carlos quando o cantor era realmente o inimitável. Aquelas memoráveis canções do Roberto, a propósito, parecem ter sido musas inspiradoras de Renata e sua parceria Lúcia Veríssimo na composição de Deixa eu voltar (2009), flerte insosso com a música popular romântica, precedido no show pela récita de Inquilino (Renata Arruda), trivial poema de tom ardente. Para ouvintes de última hora, Porta do sol (Flávio Eduardo Fubá, 1996) - tema que explicita influências do rock-repente de Alceu Valença na pegada pop regionalista - pode soar como melhor novidade. Bem melhor do que Libera (2005), música de quentura artificial que Renata reaviva em dueto com Sandra de Sá, parceira no tema. Sandrá, ao menos, parece mais à vontade do que Nando Cordel, que visivelmente lê no teleprompter a letra de Rota (Som da paixão) (Renata Arruda e Nando Cordel, 2009), parceria sua com a anfitriã. Sozinha, Renata é feliz ao reabrir Templo (Chico César, Tata Fernandes  e Milton Di Biase, 1996), deliciosa canção de arquitetura simples, mas envolvente. Nos extras, o DVD exibe clipes de músicas como Faço de tudo (Renata Arruda, Sandra de Sá e Paulinho Galvão), música lançada por Ney Matogrosso em disco ao vivo de 1999, mas até então inédita na voz de Renata. Enfim, Renata Arruda continua cantando muito bem, no seu tom quente que desafia o império cool reinante na cena musical nacional. É uma intérprete com voz e alma. Mas precisa gravar um disco de estúdio (e de intérprete!) o quanto antes para voltar a pôr sua marca na música brasileira.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Boa cantora paraibana revelada em 1993 com a edição de Traficante de ilusões (Warner Music / MZA Music), álbum produzido por Marco Mazzola, Renata Arruda revisa - em DVD e em CD ao vivo editados na Coleção Canal Brasil - 20 anos de carreira que perdeu fôlego ao longo dos anos 2000. Não por acaso, Marcas e sinais (2014) seduz mais quando reaviva músicas que marcaram a trajetória da artista ao longo dos anos 1990, década em que Renata gravou e lançou seu três melhores álbuns - o já mencionado Traficante de ilusões, Renata Arruda (MZA Music, 1996) e Um do outro (BMG, 1999). Enquanto expõe tais marcas, o DVD e CD ao vivo dão sinais de que a voz quente, de timbre grave, ainda está em forma, pronta para altos voos artísticos. Pelo caráter de mera revisão, já feita pela artista no DVD e CD Acústico - Pegada (Cid, 2005), a gravação ao vivo do show captado em 2014 na Praia de Tambaú, em João Pessoa (PB), sob a direção musical do guitarrista Robertinho de Recife, nada acrescenta à discografia de Renata. Do ponto de vista técnico, a filmagem do DVD - o segundo título da videografia da cantora - resulta convencional. Já o show em si repisa, no roteiro, caminhos trilhados por uma artista que sempre foi melhor cantora do que compositora, embora já tenha se aventurado a gravar um álbum inteiramente autoral, Deixa (Independente / Microservice, 2009). "Andei por aí, mas não me achei / Pois meu coração ficou lá", avalia Arruda através dos versos de Toada do gira mundo (Renata Arruda e Paola Torres, 2014), música que abre o CD e o DVD como tema incidental, antes do primeiro número propriamente dito do show, Fique à vontade (Peninha e Dinho Classe Z, 1999), lado B do álbum Um do outro que merece segunda chance por expor a veia popular de Peninha, compositor de É Ouro pra mim, pérola do mesmo disco também revivida com arranjo similar ao da gravação original no roteiro montado com baixo teor de novidade. Aliás, a pegada pop dos arranjos, que tangenciam o universo roqueiro, deixa no DVD a marca do guitar hero Robertinho de Recife. Já a marca mais forte de Renata é mesmo a sua voz calorosa, perfeita para uma canção como Ninguém vai tirar você de mim (Hélio Justo e Edson Ribeiro, 1968), lançada por Roberto Carlos quando o cantor era realmente o inimitável. Aquelas memoráveis canções do Roberto, a propósito, parecem ter sido musas inspiradoras de Renata e sua parceria Lúcia Veríssimo na composição de Deixa eu voltar (2009), flerte insosso com a música popular romântica, precedido no show pela récita de Inquilino (Renata Arruda), trivial poema de tom ardente. Para ouvintes de última hora, Porta do sol (Flávio Eduardo Fubá, 1996) - tema que explicita influências do rock-repente de Alceu Valença na pegada pop regionalista - pode soar como melhor novidade. Bem melhor do que Libera (2005), música de quentura artificial que Renata reaviva em dueto com Sandra de Sá, parceira no tema. Sandrá, ao menos, parece mais à vontade do que Nando Cordel, que visivelmente lê no teleprompter a letra de Rota (Som da paixão) (Renata Arruda e Nando Cordel, 2009), parceria sua com a anfitriã. Sozinha, Renata é feliz ao reabrir Templo (Chico César, Tata Fernandes e Milton Di Biase, 1996), deliciosa canção de arquitetura simples, mas envolvente. Nos extras, o DVD exibe clipes de músicas como Faço de tudo (Renata Arruda, Sandra de Sá e Paulinho Galvão), música lançada por Ney Matogrosso em disco ao vivo de 1999, mas até então inédita na voz de Renata. Enfim, Renata Arruda continua cantando muito bem, no seu tom quente que desafia o império cool reinante na cena musical nacional. É uma intérprete com voz e alma. Mas precisa gravar um disco de estúdio (e de intérprete!) o quanto antes para voltar a pôr sua marca na música brasileira.

Rafael M. disse...

Adoro a voz quente e sensual da Renata. Para mim uma das grandes cantoras dessa nova geração.

[rafael ribeiro] disse...

...a musica "faço de tudo" não é inédita na voz de Renata, faz parte do cd "Pegada"....Nao vejo a carreira de Renata Arruda após 2000, sem folego, acredito mais em sem meios de incentivos, pois falta sim midia a bons nomes da musica, ja que o mercado fonografico hoje visa outras intençoes, mas que nao vem ao caso ao momento....Sim, temos tres primeiros cds dela maravilhosos, dos quais tiveram certa atençao da midia, musica embalando novelas, propagandas, apariçoes na TV, tudo que sim, faz,o artista vender mais, conquistar novos olhos, mas Renata, conseguiu boas leituras no Por elas e Outras e ate mesmo seu cd Deixa, traz boas composiçoes e parcerias...Estou bem curioso pelo resultado deste novo trabalho, nao tive a oportunidade de ve-lo no Canal Brasil, infelizmente...E em breve espero encontra-los nas lojas para saborea-lo e que bom que ela continua viva, buscando seu espaço e nao deixando seus fãs de alguma forma, orfãos... 😉

Douglas Carvalho disse...

Acho a Renata boa cantora, mas fora uma ou outra gravação, nunca me emocionou de verdade.

Romolo Cruz disse...

Amo essa cantora, ela é voz e alma. Sempre me emociona,e ela não é da nova geração, tem estrada e muita. Sucesso sempre! <3