Mauro Ferreira no G1

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sábado, 31 de janeiro de 2015

Com Projeto Dragão, Nenung extrapola o rock no bom álbum 'Serenoato'

Resenha de CD
Título: Serenoato
Artista: Nenung & Projeto Dragão
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2

A rigor, Serenoato (2014) - álbum originado do EP Serenoato de Ludicidez (2011), título inaugural da obra do cantor, compositor e poeta gaúcho Luís Nenung com seu Projeto Dragão - pode ser caracterizado como um disco de rock.  Afinal, é rock o que se ouve em músicas como Quem serve a quem - cujo refrão questionador e provocador se ajustaria bem ao repertório de qualquer banda punk - e Serenoato. No caso, o rock é produto da pegada de Gustavo Chaise (guitarra e violão), Maurício Chaise (guitarra), Rafael Bohrer (bateria) e Thiago Heinrich (baixo), naipe de músicos que formam o Projeto Dragão. Mas o fato é que, ao longo de suas 14 músicas (todas compostas solitariamente por Nenung), o álbum Serenato extrapola o universo musical do rock mais ortodoxo. Introduzida pelos sons de chuva herdados de A tempestade, tema instrumental que a antecede, a bela balada A cada novo adeus - pontuada pelo violoncelo tocado por Moreno Veloso - poderia figurar em álbum do grupo Os The Dárma Lovers, projeto principal de Nenung, no qual ele exercita sua filosofia zen-budista na forma de música serena. Há também O navegador, que se banha na praia do reggae com sedução pop e com a voz incidental de Carmen Corrêa. Esta cantautora de Porto Alegre (RS) também figura em Poeta, longa faixa que abre o disco com mix de sons e silêncios. Mas, sim, Serenoato é também e sobretudo um disco de rock. Até pela atitude. O Projeto Dragão põe pressão em Meu amor se mudou pra lua, joia de brilho tão pop que ganhou a voz de Paula Toller no melhor álbum solo da vocalista do Kid Abelha, SóNós (Warner Music, 2007). O traquejo pop do compositor é reiterado em Maque dia feliz, tema de pegada solar iluminada pelo coro infantil, mas diluída pelas sombras dos acontecimentos relatados nos versos da música, em contraponto que afia a ironia da letra. Melhor letrista do que cantor, Nenung tem o que dizer. E diz, com versos que sobressaem entre a guitarra que se insinua ao longo de Houve 1 tempo e as nuvens negras que pairam sobre o acalanto final Bebê baleia. Serenoato nem sempre sereniza a alma do poeta nestes tempos de (muita) guerra e (pouca) paz.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ A rigor, Serenoato (2014) - álbum originado do EP Serenoato de Ludicidez (2011), título inaugural da obra do cantor, compositor e poeta gaúcho Luís Nenung com seu Projeto Dragão - pode ser caracterizado como um disco de rock. Afinal, é rock o que se ouve em músicas como Quem serve a quem - cujo refrão questionador e provocador se ajustaria bem ao repertório de qualquer banda punk - e Serenoato. No caso, o rock é produto da pegada de Gustavo Chaise (guitarra e violão), Maurício Chaise (guitarra), Rafael Bohrer (bateria) e Thiago Heinrich (baixo), naipe de músicos que formam o Projeto Dragão. Mas o fato é que, ao longo de suas 14 músicas (todas compostas solitariamente por Nenung), o álbum Serenato extrapola o universo musical do rock mais ortodoxo. Introduzida pelos sons de chuva herdados de A tempestade, tema instrumental que a antecede, a bela balada A cada novo adeus - pontuada pelo violoncelo tocado por Moreno Veloso - poderia figurar em álbum do grupo Os The Dárma Lovers, projeto principal de Nenung, no qual ele exercita sua filosofia zen-budista na forma de música serena. Há também O navegador, que se banha na praia do reggae com sedução pop e com a voz incidental de Carmen Corrêa. Esta cantautora de Porto Alegre (RS) também figura em Poeta, longa faixa que abre o disco com mix de sons e silêncios. Mas, sim, Serenoato é também e sobretudo um disco de rock. Até pela atitude. O Projeto Dragão põe pressão em Meu amor se mudou pra lua, joia de brilho tão pop que ganhou a voz de Paula Toller no melhor álbum solo da vocalista do Kid Abelha, SóNós (Warner Music, 2007). O traquejo pop do compositor é reiterado em Maque dia feliz, tema de pegada solar iluminada pelo coro infantil, mas diluída pelas sombras dos acontecimentos relatados nos versos da música, em contraponto que afia a ironia da letra. Melhor letrista do que cantor, Nenung tem o que dizer. E diz, com versos que sobressaem entre a guitarra que se insinua ao longo de Houve 1 tempo e as nuvens negras que pairam sobre o acalanto final Bebê baleia. Serenoato nem sempre sereniza a alma do poeta nestes tempos de (muita) guerra e (pouca) paz.

Peregrino disse...

a riqueza simbólica expressa na capa do álbum não pode passar despercebida. Planetas situados entre 10ª e 4ª casas, Urano situado em Áries, conjunção de vênus/mercúrio/marte e conjunção plutão/lua, ascendente em Aquário: original, de uma personalidade explosiva, assume o controle do próprio destino, vai como um trem bala, intensamente. Bom que três planetas estejam situados em Touro, o que dá fixidez e objetividade, convertendo ideias em resultados concretos...

Mauro Ferreira disse...

Peregrino, não posso falar sobre um assunto que desconheço. Por isso, não citei a capa do disco. Abs, grato pelo comentário, Mauro Ferreira