Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Poeta da canção popular, compositor Jair Amorim faria 100 anos em 2015

EDITORIAL - É provável que o Brasil dê pouca ou nenhuma importância ao longo de 2015 ao centenário de nascimento do compositor capixaba Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (18 de julho de 1915, Santa Leopoldina - ES / 15 de outubro de 1993, São José dos Campos - SP). Mas o Brasil cantou, canta e sempre há de cantar - sem ligar o nome às músicas - alguma composição de Jair Amorim, sobretudo as canções feitas em parceria com o paulista José Maria de Abreu (1911 - 1966) e com o cearense Evaldo Gouveia. Jornalista e locutor que ganhou projeção como compositor, Amorim foi o autor de versos que falam a língua do povo. Que falam de amor sem metáforas, com linguagem direta que toca o coração do chamado grande público e que seduzia cantores de grande popularidade como Orlando Silva (1915 - 1978). Com José Maria de Abreu, Amorim compôs o samba-canção Alguém como tu (1952), lançado pela cantora paulista Dircinha Batista (1922 - 1999), porém mais associado à voz macia e moderna do cantor Dick Farney (1921 - 1987) por conta de gravação também feita em 1952. Em 1956, o samba-canção Conceição - parceria de Amorim com Valdemar de Abreu (1907 - 1991), o Dunga - veio ao mundo, se eternizando na voz de Cauby Peixoto. Com Evaldo Gouveia, a quem conheceu em 1958, Amorim firmou parceria que rendeu sambas-canção e boleros de imediata identificação popular. O primeiro grande hit da dupla, o bolero Alguém me disse, foi lançado em 1960 na voz do cantor baiano Anísio Silva em (1920 - 1989). Na sequência, muitos desses sucessos foram lançados na voz do cantor mineiro Altemar Dutra (1940 - 1983), como Que queres tu de mim (1964), Sentimental demais (1965) e Brigas (1966). Em 1969, Jair Rodrigues (1939 - 2014) fez sucesso com o samba O conde. Em 1973, Amorim migrou do terreno da canção popular para o terreiro do samba-enredo, compondo com Gouveia um dos maiores sucessos do gênero, O mundo melhor de Pixinguinha, para o desfile da Portela em 1974, ano em que Maysa (1936 - 1977) deu voz à marcha-rancho Bloco da solidão. Em 1975, a dupla cedeu para a voz de Ângela Maria um de seus maiores sucessos, Tango pra Tereza. A partir dos anos 1980, a produção inédita de Jair Amorim foi perdendo espaço na música brasileira, mas os sucessos do compositor continuaram sendo regravados por cantores como Fagner, Gal Costa, Fafá de Belém e Simone. Sentimental demais ao escrever seus versos, como explicitou no título de um de seus maiores sucessos, Jair Amorim deixou obra que resiste ao tempo como uma das caras de um Brasil simples e passional como as canções desse letrista capixaba que  tão bem captou a alma nacional ao falar de amor sem pudor.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Editorial - É provável que o Brasil dê pouca ou nenhuma importância ao longo de 2015 ao centenário de nascimento do compositor capixaba Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (18 de julho de 1915, Santa Leopoldina - ES / 15 de outubro de 1993, São José dos Campos - SP). Mas o Brasil cantou, canta e sempre há de cantar - sem ligar o nome às músicas - alguma composição de Jair Amorim, sobretudo as canções feitas em parceria com o paulista José Maria de Abreu (1911 - 1966) e com o cearense Evaldo Gouveia. Jornalista e locutor que ganhou projeção como compositor, Amorim foi o autor de versos que falam a língua do povo. Que falam de amor sem metáforas, com linguagem direta que toca o coração do chamado grande público e que seduzia cantores de grande popularidade como Orlando Silva (1915 - 1978). Com José Maria de Abreu, Amorim compôs o samba-canção Alguém como tu (1952), lançado pela cantora paulista Dircinha Batista (1922 - 1999), porém mais associado à voz macia e moderna do cantor Dick Farney (1921 - 1987) por conta de gravação também feita em 1952. Em 1956, o samba-canção Conceição - parceria de Amorim com Valdemar de Abreu (1907 - 1991), o Dunga - veio ao mundo, se eternizando na voz de Cauby Peixoto. Com Evaldo Gouveia, a quem conheceu em 1958, Amorim firmou parceria que rendeu sambas-canção e boleros de imediata identificação popular. O primeiro grande hit da dupla, o bolero Alguém me disse, foi lançado em 1960 na voz do cantor baiano Anísio Silva em (1920 - 1989). Na sequência, muitos desses sucessos foram lançados na voz do cantor mineiro Altemar Dutra (1940 - 1983), como Que queres tu de mim (1964), Sentimental demais (1965) e Brigas (1966). Em 1969, Jair Rodrigues (1939 - 2014) fez sucesso com o samba O conde. Em 1973, Amorim migrou do terreno da canção popular para o terreiro do samba-enredo, compondo com Gouveia um dos maiores sucessos do gênero, O mundo melhor de Pixinguinha, para o desfile da Portela em 1974, ano em que Maysa (1936 - 1977) deu voz à marcha-rancho Bloco da solidão. Em 1975, a dupla cedeu para a voz de Ângela Maria um de seus maiores sucessos, Tango pra Tereza. A partir dos anos 1980, a produção inédita de Jair Amorim foi perdendo espaço na música brasileira, mas os sucessos do compositor continuaram sendo regravados por cantores como Fagner, Gal Costa, Fafá de Belém e Simone. Sentimental demais ao escrever seus versos, como explicitou no título de um de seus maiores sucessos, Jair Amorim deixou obra que resiste ao tempo como uma das caras de um Brasil simples e passional como as canções desse letrista capixaba que tão bem captou a alma nacional ao falar de amor sem pudor.

Rafael M. disse...

Fez belíssimas pérolas musicais. Tá fazendo falta num mundo onde reina o funk atualmente.

ADEMAR AMANCIO disse...

Tango pra Tereza - na voz sublime de Ângela Maria,demais.