Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Bio precoce de Luan Santana mostra como o 'Gurizinho' virou ídolo nacional

Resenha de livro
Título: Luan Santana - A biografia
Autor: Ricardo Marques
Editora: Record
Cotação: * * 1/2

É mirando o fiel público do vasto universo pop sertanejo que a editora Record põe no mercado editorial brasileiro uma precoce biografia de Luan Santana - aliás, já bem posicionada na lista dos livros mais vendidos no Brasil. Com apenas dois álbuns de estúdio e quatro registros ao vivo de shows na curta discografia, Luan Rafael Domingos Santana - nascido numa família de classe média em 13 de março de 1991 na cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul - já é um ídolo pop cuja fama e ascensão meteórica extrapolam até esse universo sertanejo. Jornalista mineiro radicado em São Paulo (SP), Ricardo Marques conta a vida ainda pouca de Luan em narrativa sempre bem escrita, mas que, do meio para o fim, vira praticamente um release do artista. O melhor da biografia, de texto romantizado, está na primeira metade do livro de 224 páginas. É quando o autor descortina os bastidores do competitivo mercado sertanejo e mostra como o Gurizinho - apelido com o qual Luan ficou conhecido (a contra-gosto) no início de sua trajetória profissional - se tornou um ídolo nacional em apenas dois anos. Marques, aliás, inicia o livro com o contraponto de dois shows feitos pelo artista. Um foi feito com estrutura hi-tech em 18 de julho deste ano de 2015 para multidão que esperava o show de Luan no encerramento da Festa de Peão de Boiadeiro, tradicional evento da cidade de Itapecerica da Serra (SP). O outro foi feito com estrutura precária em 11 de agosto de 2007, em Bela Vista, cidade do interior do Mato Grosso do Sul, num palco improvisado na sede de um clube para onde se dirigiram algumas poucas pessoas que queriam ver o Gurizinho, adolescente franzino de 16 anos. No espaço de dois anos, já que Luan estourou nacionalmente em 2009, o Gurizinho ganhou corpo - em todos os sentidos - e se impôs no mercado pop sertanejo em escalada que começou a decolar a partir de 2008, quando o então emergente cantor firmou sociedade com Sorocaba (da dupla Fernando & Sorocaba). Escalada iniciada de forma espontânea, pois, embora Luan tenha mostrado pendores musicais desde criança, sua vida profissional começa quando uma gravação incipiente de Falando sério (Elizandra Santos) cai na web à sua revelia e vira viral regional. A partir daí, o autor revela as regras do jogo de um mercado sertanejo que movimenta o interior do Brasil sem passar necessariamente pelas capitais culturais do país. Luan, por exemplo, amargou o sofrimento de ver músicas que lançou serem gravadas por duplas então mais famosas - como João Bosco & Vinicius - somente porque ele não teve dinheiro para comprar do compositor dessas músicas o direito de exclusividade da gravação. A questão é que, à medida que avança e chega no ponto em que o cantor já é um ídolo nacional, a biografia vira quase um texto promocional de Luan, sempre apontado como um modelo de artista perfeccionista. O autor até lembra que houve pedras no caminho - como a dissolução do vínculo contratual com Anderson Ricardo, o radialista que se tornou empresário de Luan em 2007 ao perceber o potencial do Gurizinho e que criou uma estrutura mínima que impulsionou sua carreira - que foram parar na Justiça. Mas quase tudo são flores na biografia de Luan Santana, ídolo popular cuja base sólida de fãs deve sustentar as vendas expressivas do livro. Feito para essas fãs, afinal... 

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ É mirando o fiel público do vasto universo pop sertanejo que a editora Record põe no mercado editorial brasileiro uma precoce biografia de Luan Santana - aliás, já bem posicionada na lista dos livros mais vendidos no Brasil. Com apenas dois álbuns de estúdio e quatro registros ao vivo de shows na curta discografia, Luan Rafael Domingos Santana - nascido numa família de classe média em 13 de março de 1991 na cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul - já é um ídolo pop cuja fama e ascensão meteórica extrapolam até esse universo sertanejo. Jornalista mineiro radicado em São Paulo (SP), Ricardo Marques conta a vida ainda pouca de Luan em narrativa sempre bem escrita, mas que, do meio para o fim, vira praticamente um release do artista. O melhor da biografia, de texto romantizado, está na primeira metade do livro de 224 páginas. É quando o autor descortina os bastidores do competitivo mercado sertanejo e mostra como o Gurizinho - apelido com o qual Luan ficou conhecido (a contra-gosto) no início de sua trajetória profissional - se tornou um ídolo nacional em apenas dois anos. Marques, aliás, inicia o livro com o contraponto de dois shows feitos pelo artista. Um foi feito com estrutura hi-tech em 18 de julho deste ano de 2015 para multidão que esperava o show de Luan no encerramento da Festa de Peão de Boiadeiro, tradicional evento da cidade de Itapecerica da Serra (SP). O outro foi feito com estrutura precária em 11 de agosto de 2007, em Bela Vista, cidade do interior do Mato Grosso do Sul, num palco improvisado na sede de um clube para onde se dirigiram algumas poucas pessoas que queriam ver o Gurizinho, adolescente franzino de 16 anos. No espaço de dois anos, já que Luan estourou nacionalmente em 2009, o Gurizinho ganhou corpo - em todos os sentidos - e se impôs no mercado pop sertanejo em escalada que começou a decolar a partir de 2008, quando o então emergente cantor firmou sociedade com Sorocaba (da dupla Fernando & Sorocaba). Escalada iniciada de forma espontânea, pois, embora Luan tenha mostrado pendores musicais desde criança, sua vida profissional começa quando uma gravação incipiente de Falando sério (Elizandra Santos) cai na web à sua revelia e vira viral regional. A partir daí, o autor revela as regras do jogo de um mercado sertanejo que movimenta o interior do Brasil sem passar necessariamente pelas capitais culturais do país. Luan, por exemplo, amargou o sofrimento de ver músicas que lançou serem gravadas por duplas então mais famosas - como João Bosco & Vinicius - somente porque ele não teve dinheiro para comprar do compositor dessas músicas o direito de exclusividade da gravação. A questão é que, à medida que avança e chega no ponto em que o cantor já é um ídolo nacional, a biografia vira quase um texto promocional de Luan, sempre apontado como um modelo de artista perfeccionista. O autor até lembra que houve pedras no caminho - como a dissolução do vínculo contratual com Anderson Ricardo, o radialista que se tornou empresário de Luan em 2007 ao perceber o potencial do Gurizinho e que criou uma estrutura mínima que impulsionou sua carreira - que foram parar na Justiça. Mas quase tudo são flores na biografia de Luan Santana, ídolo popular cuja base sólida de fãs deve sustentar as vendas expressivas do livro. Feito para essas fãs, afinal...

Marcelo disse...

Isso deve ser pegadinha!!

Rafael M. disse...

Lixo puro!!! Só louco para gastar dinheiro comprando isso...

Fred Alves disse...

Com todo o respeito Mauro a vc e ao blog,esse livro não serve nem como papel higiênico,abraços

Marcos Lúcio disse...

Sem comentário...não o conheço, portanto, hcertamente é mais um ídolo de barro fabricado para as massas incautas/incultas ou sem capital cultural e sem refinamento... e nada mais.Lamentável.