Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Coletânea com Bethânia e Simone festeja - com atraso - 80 anos de Hermínio

Comemorados por Hermínio Bello de Carvalho em 28 de março deste ano de 2015, os 80 anos de vida do compositor e poeta carioca estão sendo festejados - com atraso de oito meses - com a edição, pela gravadora Biscoito Fino, do álbum Isso é viver - Hermínio, posto no mercado fonográfico neste mês de novembro de 2015. Trata-se de coletânea que reúne 16 fonogramas com gravações do cancioneiro do artista, muitas extraídas de tributos a outros aniversários do artista. Parceria de Hermínio com Pixinguinha (1897 - 1973), a música-título Isso é que viver aparece na compilação em gravação feita pela cantora carioca Áurea Martins para o álbum Depontacabeça (Biscoito Fino, 2010). Maria Bethânia figura em dose dupla na seleção. A voz da intérprete baiana ecoa em Alvorada (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) - em gravação feita em dueto com o próprio Hermínio para disco em tributo aos 60 anos do compositor, Cantoria (Saci, 1995) - e em Alecrim (Cristóvão Bastos e Hermínio Bello de Carvalho, 2005). Tema de letra lírica cantada pela mineira Zezé Gonzaga (1926 - 2008), Alecrim é temperado com versos recitados por Bethânia no meio do fonograma do disco Timoneiro (Biscoito Fino, 2005), tributo produzido para saudar os 70 anos do artista. Do álbum Timoneiro, Isso é que viver - Hermínio reproduz o dueto de Chico Buarque com Zeca Pagodinho no pouco conhecido samba Mulher faladeira (Maurício Tapajós, Maurício Carrilho e Hermínio Bello de Carvalho, 2005) e também a bela gravação de Mirra, ouro, incenso (Martinho da Vila e Hermínio de Bello Carvalho, 2005) feita por Simone, cujo dueto de 2008 com Zélia Duncan em Amigo é casa (Capiba e Hermínio Bello de Carvalho, 2005) é alocado como faixa-bônus da coletânea. O samba Timoneiro, aliás, reaparece com o intérprete original, Paulinho da Viola, parceiro de Hermínio na composição lançada em 1996. Outra parceria de Hermínio com Paulinho, Cantoria (1995), aparece na voz de Alaíde Costa, em gravação inserida como faixa-bônus da reedição (de 2005) do álbum Águas vivas - Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho (Vento de Raio, 1982). Só que, por erro de edição, a música Cantoria não é creditada na capa e tampouco no encarte de Isso é que viver - Hermínio. No seu lugar, a faixa creditada equivocadamente a Alaíde é Cobras e lagartos (Sueli Costa e Hermínio Bello de Carvalho, 1975), música ausente da seleção da coletânea. A ausência de créditos com as fichas técnicas e as procedências dos fonogramas desfavorece o disco, valorizado por seleção irretocável de gravações que abre com Chico Buarque percorrendo o luminoso Chão de esmeraldas, samba que fez com Hermínio em 1997 para saudar a escola de samba Mangueira. Parceria póstuma de Hermínio com o compositor e violonista João Pernambuco (1883 - 1947), lançada em 1985 com os versos do poeta, Estrada do sertão é seguida com brilho e emoção por Elba Ramalho em antológica gravação tirada do já mencionado álbum Cantoria, do qual a coletânea também rebobina a gravação do samba Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) por Alcione. Choro-canção lançado em 1951 por Jacob do Bandolim (1918 - 1969) e letrado por Hermínio Bello de Carvalho em 1968, Doce de coco figura no delicioso registro de Ney Matogrosso. O cantor acerta o ponto de Doce de coco na gravação extraída do álbum Beijo bandido (EMI Music, 2009). Bem mais rara, a gravação do choro Pintou e bordou (Maurício Carrilho e Hermínio Bello de Carvalho, 1985) - feita por Nara Leão (1942 - 1989) para o álbum duplo Lira do Povo (Tycoon, 1985), lançado há 30 anos para celebrar o 50º aniversário do artista - valoriza a coletânea. Deste mesmo álbum duplo, Isso é que viver - Hermínio revive a gravação de Valsa da solidão (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1985) por Elizeth Cardoso (1920 - 1990), cantora carioca que teve caminho profissional decisivamente cruzado nos anos 1960 com o de Hermínio Bello de Carvalho, poeta que faz a lira do povo admirador da música brasileira rotulada como MPB.  Compositor que soube viver de música...

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Comemorados por Hermínio Bello de Carvalho em 28 de março deste ano de 2015, os 80 anos de vida do compositor e poeta carioca estão sendo festejados - com atraso de oito meses - com a edição, pela gravadora Biscoito Fino, do álbum Isso é viver - Hermínio, posto no mercado fonográfico neste mês de novembro de 2015. Trata-se de coletânea que reúne 16 fonogramas com gravações do cancioneiro do artista, muitas extraídas de tributos a outros aniversários do artista. Parceria de Hermínio com Pixinguinha (1897 - 1973), a música-título Isso é que viver aparece na compilação em gravação feita pela cantora carioca Áurea Martins para o álbum Depontacabeça (Biscoito Fino, 2010). Maria Bethânia figura em dose dupla na seleção. A voz da intérprete baiana ecoa em Alvorada (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) - em gravação feita em dueto com o próprio Hermínio para disco em tributo aos 60 anos do compositor, Cantoria (Saci, 1995) - e em Alecrim (Cristóvão Bastos e Hermínio Bello de Carvalho, 2005). Tema de letra lírica cantada pela mineira Zezé Gonzaga (1926 - 2008), Alecrim é temperado com versos recitados por Bethânia no meio do fonograma do disco Timoneiro (Biscoito Fino, 2005), tributo produzido para saudar os 70 anos do artista. Do álbum Timoneiro, Isso é que viver - Hermínio reproduz o dueto de Chico Buarque com Zeca Pagodinho no pouco conhecido samba Mulher faladeira (Maurício Tapajós, Maurício Carrilho e Hermínio Bello de Carvalho, 2005) e também a bela gravação de Mirra, ouro, incenso (Martinho da Vila e Hermínio de Bello Carvalho, 2005) feita por Simone, cujo dueto de 2008 com Zélia Duncan em Amigo é casa (Capiba e Hermínio Bello de Carvalho, 2005) é alocado como faixa-bônus da coletânea. O samba Timoneiro, aliás, reaparece com o intérprete original, Paulinho da Viola, parceiro de Hermínio na composição lançada em 1989. Outra parceria de Hermínio com Paulinho, Cantoria (1995), aparece na voz de Alaíde Costa, em gravação inserida como faixa-bônus da reedição (de 2005) do álbum Águas vivas - Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho (Vento de Raio, 1982). Só que, por erro de edição, a música Cantoria não é creditada na capa e tampouco no encarte de Isso é que viver - Hermínio. No seu lugar, a faixa creditada equivocadamente a Alaíde é Cobras e lagartos (Sueli Costa e Hermínio Bello de Carvalho, 1975), música ausente da seleção da coletânea. A ausência de créditos com as fichas técnicas e as procedências dos fonogramas desfavorece o disco, valorizado por seleção irretocável de gravações que abre com Chico Buarque percorrendo o luminoso Chão de esmeraldas, samba que fez com Hermínio em 1997 para saudar a escola de samba Mangueira. Parceria póstuma de Hermínio com o compositor e violonista João Pernambuco (1883 - 1947), lançada em 1985 com os versos do poeta, Estrada do sertão é seguida com brilho e emoção por Elba Ramalho em antológica gravação tirada do já mencionado álbum Cantoria, do qual a coletânea também rebobina a gravação do samba Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) por Alcione. Choro-canção lançado em 1951 por Jacob do Bandolim (1918 - 1969) e letrado por Hermínio Bello de Carvalho em 1968, Doce de coco figura no delicioso registro de Ney Matogrosso. O cantor acerta o ponto de Doce de coco na gravação extraída do álbum Beijo bandido (EMI Music, 2009). Bem mais rara, a gravação do choro Pintou e bordou (Maurício Carrilho e Hermínio Bello de Carvalho, 1985) - feita por Nara Leão (1942 - 1985) para o álbum duplo Lira do Povo (Tycoon, 1985), lançado há 30 anos para celebrar o 50º aniversário do artista - valoriza a coletânea. Deste mesmo álbum duplo, Isso é que viver - Hermínio revive a gravação de Valsa da solidão (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1985) por Elizeth Cardoso (1920 - 1990), cantora carioca que teve caminho profissional decisivamente cruzado nos anos 1960 com o de Hermínio Bello de Carvalho, poeta que faz a lira do povo admirador da música brasileira rotulada como MPB. Compositor que soube viver de música...

Carlos Scorsafava disse...

Nara Leão faleceu em maio de 1989

Mauro Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mauro Ferreira disse...

Claro, Carlos, confundi com o ano da gravação da música que ela canta. Grato pelo toque. Abs, Mauro Ferreira.

Marcos Rizzo disse...

Poderiam ter feito um trabalho novo. Praticamente todas essas gravações estão presentes na caixa Timoneiro.

luis claudio de oliveira disse...

Alvorada e Pressentimento, dois sambas incríveis, belamente interpretados por Bethânia e Alcione respectivamente.

Clayton Moreira disse...

Na verdade, "Timoneiro" foi lançada em 1996, Mauro.

Clayton Moreira disse...

Encarte pobre de informações... Acho que esse "Biscoito Fino" tá engrossando!

Mauro Ferreira disse...

Tem razão, Clayton. Achei que o samba era do álbum de 1989 'Eu canto samba'. Abs, grato pelo toque, MauroF