Mauro Ferreira no G1

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sábado, 28 de novembro de 2015

Boogarins segue manual dos grupos de rock psicodélico no segundo álbum

Resenha de CD
Título: Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos
Artista: Boogarins
Gravadora: StereoMono / Skol Music
Cotação: * * *

 Alvo de elogios tão entusiasmados quanto exagerados, Boogarins - o grupo de rock psicodélico formado em 2012 em Goiânia (GO), terra dos sertanejos - segue a cartilha das bandas do gênero no segundo álbum, Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos. Benke Ferraz (guitarra), Dinho Almeida (voz e guitarra), Raphael Vaz (baixo) e Ynaiã Benthroldo (substituto de Hans Castro no posto de baterista) estão sendo incensados pela imprensa musical brasileira neste ano de 2015 em razão da boa exposição obtida pelo quarteto na cena indie norte-americana e na Europa porque, no exterior, o som psicodélico do Brasil tem sido bem valorizado, como mostra o culto da banda Mutantes em terras estrangeiras. A propósito, ecos do som tropicalista dos Mutantes são ouvidos em músicas como Avalanche (do verso "Eles não nos deixam ver o sol", repetido à exaustão pelo vocalista Dinho Almeida), Tempo e 6000 dias (ou mantra dos 20 anos), destaques do álbum aberto com a faixa-vinheta Truques, de 44 segundos. As guitarras roqueiras de Benke Ferraz e Dinho Almeida conduzem o Boogarins com certa crueza na viagem por sons das décadas de 1960 e 1970, matrizes da mistura de sons progressivos, psicodélicos, roqueiros e tropicalistas que caracteriza a música lisérgica do grupo. Quem gosta do estilo vai seguir com prazer o roteiro imprevisível da viagem. Musicalmente, a banda se garante - como prova a linha de baixo entranhada em Benzin, parceria com a banda conterrânea Carne Doce e única música não inédita de Manual por já ter sido registrada pela própria Carne Doce. Só que, por vezes, o disco peca pelo excesso de pretensão. A junção de duas músicas numa única faixa - Mario de Andrade e Selvagem - soa sem sentido aparente. Músicas como Falsa folha de rosto sinalizam também que o repertório do Boogarins tem sido superestimado. Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos chega às mãos e ouvidos dos críticos em momento em que aura hype envolve tudo que diz respeito ao Boogarins. Apesar da natureza orgânica do som deste segundo álbum, a música da banda soa demasiadamente fluida em Cuerdo e em San Lorenzo, roçando a letargia.  Caberá ao tempo rei pôr a banda no devido lugar...

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Alvo de elogios tão entusiasmados quanto exagerados, Boogarins - o grupo de rock psicodélico formado em 2012 em Goiânia (GO), terra dos sertanejos - segue a cartilha das bandas do gênero no segundo álbum, Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos. Benke Ferraz (guitarra), Dinho Almeida (voz e guitarra), Raphael Vaz (baixo) e Ynaiã Benthroldo (substituto de Hans Castro no posto de baterista) estão sendo incensados pela imprensa musical brasileira neste ano de 2015 em razão da boa exposição obtida pelo quarteto na cena indie norte-americana e na Europa porque, no exterior, o som psicodélico do Brasil tem sido bem valorizado, como mostra o culto da banda Mutantes em terras estrangeiras. A propósito, ecos do som tropicalista dos Mutantes são ouvidos em músicas como Avalanche (do verso "Eles não nos deixam ver o sol", repetido à exaustão pelo vocalista Dinho Almeida), Tempo e 6000 dias (ou mantra dos 20 anos), destaques do álbum aberto com a faixa-vinheta Truques, de 44 segundos. As guitarras roqueiras de Benke Ferraz e Dinho Almeida conduzem o Boogarins com certa crueza na viagem por sons das décadas de 1960 e 1970, matrizes da mistura de sons progressivos, psicodélicos, roqueiros e tropicalistas que caracteriza a música lisérgica do grupo. Quem gosta do estilo vai seguir com prazer o roteiro imprevisível da viagem. Musicalmente, a banda se garante - como prova a linha de baixo entranhada em Benzin, parceria com a banda conterrânea Carne Doce e única música não inédita de Manual por já ter sido registrada pela própria Carne Doce. Só que, por vezes, o disco peca pelo excesso de pretensão. A junção de duas músicas numa única faixa - Mario de Andrade e Selvagem - soa sem sentido aparente. Músicas como Falsa folha de rosto sinalizam também que o repertório do Boogarins tem sido superestimado. Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos chega às mãos e ouvidos dos críticos em momento em que aura hype envolve tudo que diz respeito ao Boogarins. Apesar da natureza orgânica do som deste segundo álbum, a música da banda soa demasiadamente fluida em Cuerdo e em San Lorenzo, roçando a letargia. Caberá ao tempo rei pôr a banda no devido lugar...

Laurentino disse...

Primeira resenha sobre o disco que não menciona o Tame Impala como uma referência congênita do Boogarins, mas os Mutantes continua incólume.

No mais, 'falsa folha de rosto' não só é a melhor do disco, como um exemplar perfeito da lisergia que espera-se encontrar numa música psicodélica.

didáskalos disse...

Excesso de pretensão me parece ser o pecado dessa crítica, típicamente esnobe, ao clichê "quero ser conta a maré". Não que os Boogarins sejam intocáveis. Mas esse texto, mais depreciativo do condiria com o número de estrelas dadas ao disco - não há elogios, apenas poréns -, soa como birra de quem, ao citar o tempo "rei" (será?), parece que ficou para trás:

destaques são citados para se dizer que se ouvem "ecos" do som de outra banda - quase como uma velada, porém célebre, exigência da inexistente originalidade absoluta -;
os músicos apenas se "garantem" - quando, na verdade, são excelentes: que o diga quem não só ouviu os discos mas os viu tocando ao vivo -, servindo de exemplo para esse quase elogio uma música feita em parceria (!);
e, por último, mas não menos importante, a ignorância do ouvinte se torna pretensão do compositor: a falta de sentido "aparente" na junção de duas musicas vira defeito. É isso é tudo a se dizer? Me parece um argumento raso. Assim como raso e, aí sim sem sentido aparente, a "demasiada fluidez" de duas músicas, nas quais o "roçar a letargia" pode ser justamente a qualidade delas.
E, como disse a outra pessoa que comentou aqui, Falsa Folha de Rosto é um exemplar perfeito de lisergia.

O tempo "rei" nem sempre nem sempre põe as bandas nos lugares que merecem, visto que o tempo em si, quanto a isso, nem sempre reina sozinho, fazendo às vezes de vassalo ou mesmo de servo de outros impérios. Mas, para alguns, parece que o tempo já passou.