Mauro Ferreira no G1

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Revisão dos 30 anos de 'axé music' entroniza Daniela como rainha do gênero

EDITORIAL - Sucessivas reportagens sobre a axé music vem sendo publicadas nas mídias impressa e digital desde janeiro deste ano de 2015. Os 30 anos do gênero - contados a partir do lançamento em 1985 da música Fricote (Paulinho Camafeu e Luiz Caldas) na voz de seu coautor Luiz Caldas - têm servido de ganho para revisões dos (des)caminhos da música afro-pop-baiana logo rotulada como axé music pelo jornalista soteropolitano Hagamenon Brito. Em todas essas reportagens, o nome de Daniela Mercury (foto) tem sido destacado. Embora cantoras como Ivete Sangalo e sua seguidora Claudia Leitte estejam atualmente bem mais em evidência na mídia, é consenso que, se for para eleger uma rainha vitalícia da axé music, quem vai para o trono é Daniela Mercury. A caminho dos 50 anos, a serem completados em julho deste ano de 2015, a cantora e compositora baiana soube construir discografia perene a partir de sua explosão em 1992 com a música e o disco O canto da cidade (Sony Music, 1992). Álbuns posteriores como Feijão com arroz (Sony Music, 1996) e Balé mulato (EMI Music, 2005) confirmaram a habilidade da artista para criar discos que transcenderam a fugacidade de boa parte da axé music, gênero que vive muito em função do Carnaval de Salvador (BA). Se Ivete Sangalo nunca apresentou um álbum solo com cacife para romper a corda dos trios elétricos e se tornar clássico ao longo dos anos, embora tenha emplacado sucessos perenes ao longo dos anos 2000, como o samba-reggae Sorte grande (Lourenço), Daniela Mercury parece ter entendido de cara que uma cantora de axé não pode basear sua carreira somente em hits para fazer o público tirar o pé do chão. Seu poder na indústria da música baiana hoje é bem menor do que o de Ivete e até mesmo do que o de Claudia Leitte ( ainda à procura de um rumo em carreira solo que não bisou o sucesso dos tempos em que era vocalista do grupo Babado Novo). Em contrapartida, seu prestígio e seu legado são infinitamente maiores do que o de outras cantoras do gênero. Decorridos 30 anos do sucesso de Fricote, dá para sentenciar que Daniela Mercury é  - desde sempre e para sempre... -  a rainha do axé.

16 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Editorial - Sucessivas reportagens sobre a axé music vem sendo publicadas nas mídias impressa e digital desde janeiro deste ano de 2015. Os 30 anos do gênero - contados a partir do lançamento em 1985 da música Fricote (Paulinho Camafeu e Luiz Caldas) na voz de seu coautor Luiz Caldas - têm servido de ganho para revisões dos (des)caminhos da música afro-pop-baiana rotulada como axé music pelo jornalista soteropolitano Hagamenon Brito. Em todas as reportagens, o nome de Daniela Mercury (foto) tem sido destacado. Embora cantoras como Ivete Sangalo e sua seguidora Claudia Leitte estejam atualmente bem mais em evidência na mídia, é consenso que, se for para eleger uma rainha vitalícia da axé music, quem vai para o trono é Daniela Mercury. A caminho dos 50 anos, a serem completados em julho deste ano de 2105, a cantora e compositora baiana soube construir discografia perene a partir de sua explosão em 1992 com a música e o disco O canto da cidade (Sony Music, 1992). Álbuns posteriores como Feijão com arroz (Sony Music, 1996) e Balé mulato (EMI Music, 2005) confirmaram a habilidade da artista para criar discos que transcenderam a fugacidade de boa parte da axé music, gênero que vive muito em função do Carnaval de Salvador (BA). Se Ivete Sangalo nunca apresentou um álbum solo com cacife para romper a corda dos trios elétricos e se tornar clássico ao longo dos anos, embora tenha emplacado sucessos perenes ao longo dos anos 2000, como o samba-reggae Sorte grande (Lourenço), Daniela Mercury parece ter entendido de cara que uma cantora de axé não pode basear sua carreira somente em hits para fazer o público tirar o pé do chão. Seu poder na indústria da música baiana hoje é bem menor do que o de Ivete e até mesmo do que o de Claudia Leitte ( ainda à procura de um rumo em carreira solo que não bisou o sucesso dos tempos em que era vocalista do grupo Babado Novo). Em contrapartida, seu prestígio e seu legado são infinitamente maiores do que o de outras cantoras do gênero. Decorridos 30 anos do sucesso de Fricote, dá para sentenciar que Daniela Mercury é - desde sempre e para sempre - a rainha do axé.

Eduardo disse...

O axé trouxe muita alegria à vida do brasileiro. Apesar das muitas derrapadas, ficam na lembrança os grandes sucessos de Daniela e também Banda mel, Cheiro de Amor, Luiz Caldas e tantos outros.

Jader Gonçalves disse...

Daniela fará 50 anos em julho 2015 e não 2105.Em uma disputa incessante pelo título de Rainha do Axé, vemos que Daniela é a única capaz de carregar esse título com maestria.

Roberto de Brito disse...

Acho justo, Mauro!
Embora não seja grande conhecedor da música de Daniela, percebo que ela se destaca nesse universo Axé, onde tudo soa igual!
Conhecendo como as coisas funcionam no nosso país, ela não esperou as flores em vida. Denominou sua festa de "Camarote da Rainha" e sua nova música de "Rainha do Axé"!

italo vinicius disse...

Admiro demais a Daniela concordo com Mauro, acho que vale a pena destacar o disco canibalia ao meu ver um trabalho consistente com regravações e inéditas boas, com um trabalho visual das capas perfeitos .. Salve a rainha do axé e viva o carnaval baiano

italo vinicius disse...

Falando em axé music mas também falando em música baiana em modo geral eu queria muito ver um dia " os doces barbaros dos anos 2000 "
Com Brown, Saulo, Ivete e Daniela seria perfeito

Pedro Progresso disse...

Justíssimo!
e digo mais... Daniela ainda não foi reconhecida totalmente. admiro a ousadia, a musicalidade e até mesmo os erros (alô, Clássica!) com muito gosto pela inquietude e constante novidade que Daniela traz sempre. longa vida a rainha!

Marcelo Barbosa disse...

Concordo plenamente com o Mauro!!! O Nelson Motta na sua coluna no Jornal da Globo equivocadamente denominou Ivete!

Mauro Silva disse...

O curioso é que Daniela não se acomodou em ser de fato 'rainha' do axé. Ela é danada!!! E OUSOU muito durante toda a carreira. É notório que em 2000, com o belo disco "Sol da Liberdade" ela flertou bem mais pra MPB, do que pro axé, neste disco Daniela cantou com Milton, e gravou Caetano, Roberto, Lenine e até Vanessa da Mata que na época do disco não era muito conhecida do grande público.Compôs e gravou a belíssima "Dara" e um dueto lindo com Angélique Kidjo. E a coisa não parou por aí, logo depois veio o ARREBATADOR "Sou de qualquer lugar 2001", o eletrizante "Eletrodoméstico ao vivo 2003"onde ela cantou em várias línguas....depois veio o lindo "Clássica 2004", onde ela deu a cara pra bater mesmo, no Bourbon Street e cantou DIVINAMENTE, voltou as origens com o "Balé Mulato 2005" em um dos shows mais lindos que eu já vi de produção e banda.Cantou com gente nova em "Cabeça de todos nós" ...enfim Daniela é MPB 'multi'. Sem contar o trabalho que ela faz lá fora em exportar a nossa música, a nossa cultura, sempre com muita criatividade e talento. Achei muito infeliz essa colocação do Nelson Motta, mas afinal o que é Ivete Sangalo, perto de todos esses discos que eu citei ?? Alguém já reparou nos encartes dos Cd's da Daniela ?? É uma obra de arte! O encarte de "Sol da Liberdade" parece um Book fotográfico de tão lindo. Daniela começou... mas ela não parou no Axé.

Melman disse...

Meu Deus, doces barbaros ano 2000, Ivete, Saulo? eu li isso mesmo? para o mundo e pede pra esse cara descer!

Edu Chedid disse...

MAURO SILVA, você disse tudo !!!!

Salve a música mais criativa do Brasil.

italo vinicius disse...

foi isso mesmo que vc leu Melman, Saulo é um grande compositor e quiça poeta e vem mostrando isso, como ele conseguiu imprimir sua musica no ultimo Álbum do Eva e no seu primeiro álbum solo afirmou sua negritude sua fé seu talento e isso sem precisar de artifícios milionários sem se render ao business que se tornou o carnaval de salvador e como foi falado acima Ivete nao teve nenhum álbum expressivo mais nao pode se negar a dizer que é uma ótima interprete e que canta qualquer tipo de musica

ADEMAR AMANCIO disse...

Não foi Camille Paglia que disse que Daniela Mercury era melhor que Madona?

italo vinicius disse...

Texto do wikipedia

Em 2009 a cantora lançou o seu mais recente trabalho, denominado Canibália, junto com o álbum, Daniela lançou uma turnê internacional, que até hoje, totaliza mais de 23 apresentações. O álbum gerou três singles, até agora, "Preta", com Seu Jorge, "Oyá Por Nós", com Margareth Menezes e "Sol do Sul". Neste mesmo ano, Camille Paglia, escritora e uma das mais importantes intelectuais na área cultural, e que nutria uma "paixão" intelectual por Madonna, declarou que Daniela Mercury é a artista que Madonna gostaria de ser.

Unknown disse...

Sorte-grande não tem nada de samba-reggae.

Beatriz dsrc disse...

Massa o texto, fiel, justo, sensato e emocionante.....mas...

"SORTE GRANDE' ser chamado de samba-reggae pode por em cheque toda a nota jornalistica.

Mais atenção, informação, e fidelidade á nossa MPB...PELO AMOR DE DEUS!