Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Feitos entre 1970 e 1975, três primeiros discos de Candeia voltam à cena

Embora tenha começado a compor nos anos 50, Antonio Candeia Filho (1935 - 1978) somente estreou em disco em 1970, incentivado por Paulinho da Viola. Lançados originalmente entre 1970 e 1975, os três primeiros títulos da discografia de Candeia estão sendo reeditados pelo selo Discobertas neste mês de junho de 2011. Os dois primeiros - Candeia (1970) e Seguinte...: Raiz (1971) - foram feitos pela extinta gravadora Equipe, cujas masters estão atualmente em poder da empresa Audiobox. O terceiro, Samba de Roda (1975), foi lançado pela também extinta gravadora Tapecar. Os três são títulos essenciais em qualquer antologia do samba gravado na década de 70. Candeia trouxe no repertório Dia de Graça - exemplo da ideologia de um compositor negro de aguçada consciência social que não negou a raça - e Coisas Banais, parceria de Paulinho da Viola com Candeia. Seguinte...: Raiz seguiu a mesma linha musical e ideológica, com composições como Filosofia do Samba, Quarto Escuro, Saudação a Toco Preto e Minhas Madrugadas (outra parceria de Candeia com Paulinho da Viola). Já Samba de Roda primou pela diversidade rítmica, tendo apresentado jongos, pontos de capoeira, choro-canção, maculelê e, claro, samba de roda - como explicita Paulinho da Viola no texto que escreveu para o encarte do álbum. Temas como Alegria Perdida, parceria de Candeia com Wilson Moreira, são exemplos do tom melancólico que pautou boa parte da obra do compositor após 1965, ano em que ficou preso à cadeira de rodas por conta de cinco tiros levados em briga de trânsito. As reedições reproduzem as capas e contracapas originais.

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Embora tenha começado a compor nos anos 50, Antonio Candeia Filho (1935 - 1978) somente estreou em disco em 1970, incentivado por Paulinho da Viola. Lançados originalmente entre 1970 e 1975, os três primeiros títulos da discografia de Candeia estão sendo reeditados pelo selo Discobertas neste mês de junho de 2011. Os dois primeiros - Candeia (1970) e Seguinte...: Raiz (1971) - foram feitos pela extinta gravadora Equipe, cujas masters estão atualmente em poder da empresa Audiobox. O terceiro, Samba de Roda (1975), foi lançado pela também extinta gravadora Tapecar. Os três são títulos essenciais em qualquer antologia do samba gravado na década de 70. Candeia trouxe no repertório Dia de Graça - exemplo da ideologia de um compositor negro de aguçada consciência social que não negou a raça - e Coisas Banais, parceria de Paulinho da Viola com Candeia. Seguinte...: Raiz seguiu a mesma linha musical e ideológica, com composições como Filosofia do Samba, Quarto Escuro, Saudação a Toco Preto e Minhas Madrugadas (outra parceria de Candeia com Paulinho da Viola). Já Samba de Roda primou pela diversidade rítmica, tendo apresentado jongos, pontos de capoeira, choro-canção, maculelê e, claro, samba de roda - como explicita Paulinho da Viola no texto que escreveu para o encarte do álbum. Temas como Alegria Perdida, parceria de Candeia com Wilson Moreira, são exemplos do tom melancólico que pautou boa parte da obra do compositor após 1965, ano em que ficou preso à cadeira de rodas por conta de cinco tirados levados em briga de trânsito. Tais reedições reproduzem capas e contracapas originais.

valderiofreire disse...

"por conta de cinco tiros", ao invés de "por conta de cinco tirados levados em briga de trânsito".

Mauro Ferreira disse...

Grato, Valderio, por me alertar para o erro de digitação. Abs, MauroF

Anônimo disse...

Salve, salve Candeia!!!
O sambista mais rock'n'roll do Brasil.
A poesia do cara tinha contundência e sensibilidade - aflorada pelas balas.
Junto com Nelson Cavaquinho é o meu preferido.
Ótima notícia, seria bom que o Axé(o melhor disco de samba da história, na minha opinião) tb fosse reeditado.

Denilson Santos disse...

"Dia de Graça" é uma das mais belas músicas brasileiras já feitas em todos os tempos, na minha opinião.

Salve Candeia, salve!

abração,
Denilson

Flabbergast disse...

Estou revoltado com a qualidade desse discos reeditados. Candeia marece MUITO melhor. Há distorção digital na primera faixa de 'Samba de Roda' que QUALQUER pessoa pode ouvir, e o resto do disco dar dor de cabeça - 'fadiga de ouvido' é tão azuado. A remasterização de seus discos está piorando com cada um. O disco "Seguinte: Raiz" tem errors na ordem das faixas de encarte. Não tem ninguem cuidando desses coisas? Realmente, vocês estão sujando a patrimônio músical e cultural com esse trabalho mal-feito. Comprei bastante de seus discos, mas isso foi a última gota de água. Até devolvei pela loja onde comprei, reclamando. Jamais vou gastar dinero desses caixas de Ed Lincoln, o série 100 Anos de Música Brasileira, ou Zimbo Trio. E quer sabe a parte mais triste -- por conta de VOCES, o público tem que esperar mais 10, 20 anos para alguem relançar essa música com a qualidade que merece. VERGONHA.