Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 23 de abril de 2016

Kid Abelha anuncia (oficialmente) o fim da banda mais pop do rock brasileiro

O grupo Kid Abelha anunciou oficialmente o fim da banda que entrou em cena em 1982, tendo sido formada no fim de 1981 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Embora a cantora Paula Toller já falasse há um ano, em entrevistas, sobre a (definitiva) saída de cena do trio que integrava com o saxofonista George Israel e o guitarrista Bruno Fortunado (à direita na foto da Christian Gaul), o trio nunca havia se pronunciado oficialmente sobre o fim. Até que comunicado postado na noite de ontem (22 de abril de 2016) em página sobre o Kid Abelha no Facebook - assinado por Paula com George e Bruno - anuncia que o grupo acabou, embora na prática o Kid Abelha já estivesse em recesso desde 2013, após o fim da turnê nacional do show comemorativo dos 30 anos do grupo. Show que, gravado ao vivo, gerou há quatro anos o CD e o DVD Multishow ao vivo - Kid Abelha 30 anos (Microservice, 2012), último título de discografia iniciada em 1983 com a edição, via WEA, de compacto simples que continha as músicas Pintura íntima (Leoni e Paula Toller, 1983) e Por que não eu? (Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna, 1983). O Kid Abelha sai de cena, mas deixa como legado uma discografia coerente - subestimada pela crítica pelo irresistível molde e apelo pop do repertório do grupo - que totaliza 17 álbuns (incluindo disco com remixes e registros de shows). Eis, na íntegra, o texto do comunicado - intitulado Nota de agradecimento e assinado por Paula Toller com George Israel e Bruno Fortunato - que oficializa a (definitiva) saída de cena do trio Kid Abelha:

Nota de agradecimento

Querido fã:

Temos sido chamados para entrevistas sobre nossos projetos atuais e, claro, sempre há alguma pergunta sobre o Kid Abelha, nossa banda durante mais de 30 anos e que nos trouxe grandes alegrias na vida. Com gentileza, procuramos sempre contar a verdade, mas, surpreendidos por algumas publicações equivocadas, estamos fazendo este esclarecimento.

A vontade de experimentar outras formas de criar e o desgaste natural de tanto tempo juntos nos levaram a essa decisão. Optamos por um soft-ending, um final suave, evitando o sensacionalismo, com a convicção de que nossa trajetória vitoriosa sempre se deveu ao entusiasmo e à dedicação sempre renovados a cada disco, cada turnê.

Foram três décadas de sucesso, aventuras, amizade, e também de momentos difíceis, altos e baixos dessa carreira desafiadora que escolhemos. Pela nossa filosofia e pelo amor à música, nunca tivemos o dinheiro como norte, e sim como conseqüência (ou não) de um trabalho original e bem realizado, que se tornou paradigma de pop-rock brasileiro.

Mas faltou o mais importante: agradecer em negrito, com letras garrafais, a você!

Ao fã que nos acompanha há tanto tempo, viajando para nos assistir ao vivo, escrevendo cartas, mandando mensagens e comentando nas redes sociais, elogiando, criticando, se preocupando...a esse amigo, que convida seus amigos a nos ouvir, e cuja vida está marcada através das canções que nós fizemos, e cujo carinho e atenção também marcaram nossas vidas, MUITO OBRIGADO!

Saiba que, do fundo do coração, não nos esqueceremos nem dos aplausos, dos gritos e da voz em coro nos grandes eventos, nem de cada voz isolada num quarto, entoando uma melodia também criada num quarto, na solidão, na vontade de vencer o tédio e a tristeza através de uma canção bonita.

Com amor,

Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato.

13 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ O grupo Kid Abelha anunciou oficialmente o fim da banda que entrou em cena em 1982, tendo sido formada no fim de 1981 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Embora a cantora Paula Toller já falasse há um ano, em entrevistas, sobre a (definitiva) saída de cena do trio que integrava com o saxofonista George Israel e o guitarrista Bruno Fortunado (à direita na foto da Christian Gaul), o trio nunca havia se pronunciado oficialmente sobre o fim. Até que comunicado postado na noite de ontem (22 de abril de 2016) em página sobre o Kid Abelha no Facebook - assinado por Paula com George e Bruno - anuncia que o grupo acabou, embora na prática o Kid Abelha já estivesse em recesso desde 2013, após o fim da turnê nacional do show comemorativo dos 30 anos do grupo. Show que, gravado ao vivo, gerou há quatro anos o CD e o DVD Multishow ao vivo - Kid Abelha 30 anos (Microservice, 2012), último título de discografia iniciada em 1983 com a edição, via WEA, de compacto simples que continha as músicas Pintura íntima (Leoni e Paula Toller, 1983) e Por que não eu? (Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna, 1983). O Kid Abelha sai de cena, mas deixa como legado uma discografia coerente - subestimada pela crítica pelo irresistível molde e apelo pop do repertório do grupo - que totaliza 17 álbuns (incluindo disco com remixes e registros de shows).

Rafael M. disse...

A banda é boa, mas pelo menos pararam no momento certo... Que venha bons projetos solo dos integrantes...

Cassius Burle disse...

Mais uma banda criada nos anos 80 que decreta seu fim, numa época em que o rock oitentista e seus principais personagens não mais ditam regras. Os discos que mais gosto são os dois primeiros, ´Seu Espião(1984)´e ´Educação Sentimental(1985)´, que ainda contavam com a presença de Leoni, baixista e principal compositor.
Depois o grupo lançou outros discos com maior ou menor repercussão comercial, culminando com o belo show que virou dvd ´Multishow Ao Vivo 30 anos´.
O Kid Abelha brilhou sem nunca terem sido ´os queridinhos da crítica musical´, mas por tudo que fizeram eles acabam (pelo menos teoricamente!) com a sensação de dever cumprido e merecem respeito. Mas pelo menos para Paula Toller, a vida seguirá adiante...

Marcos Barcaro disse...

Mantiveram a elegância e a coerência de sempre. Amo!

Felipe dos Santos disse...

De fato, já era pedra cantada havia pelo menos um ano.

E pelo menos foram claros e bem honestos nisso. Abriram o jogo como o Barão Vermelho ainda não abriu, em relação ao fim.

Resta valorizar a obra de um dos conjuntos mais dignos da geração deles. E muita gente só percebeu isso quando o tempo lhes esfregou na cara. Até lá, os três (quatro, com Leoni - ou com o baterista Cláudio Infante, considerado membro inicial entre "Educação sentimental" e "Tomate") aguentaram muita coisa: que eram passageiros, que o nome devia-se ao "QI de abelha" de Paula, que eram anódinos etc.

Enfim, agora é torcer pelos três. Se bem que Paula e George já têm nome popular e até consolidado na música brasileira, com carreiras solo estabelecidas.

Fica a homenagem, numa paráfrase do que Ezequiel Neves respondeu sobre eles, numa entrevista à revista "Trip": "Amo! É muito difícil ser pop por 34 anos".

Não os amei. Mas o Kid Abelha foi pop. E como foi.

Minhas cinco preferidas:

"Fixação" (versão original, sempre)
"Garotos" (a original, não a "Garotos II" de Leoni)
"Tomate"
"A história única de todo amor"
"No seu lugar" (talvez a minha campeã)

Felipe dos Santos Souza

Heliel Rocha disse...

A fábrica de hits de SEU ESPIÃO, o acerto pop de EDUCAÇÃO SENTIMENTAL, a reorganização em TOMATE, o enfim louvor da crítica em KID, o poprock de TUDO É PERMITIDO, o funk sex do IE IE IE, mega sucesso de MEU MUNDO GIRA EM TORNO DE VOCÊ, a erudição pop de AUTOLOVE, a solidão truncada do SURF e a maturidade musical de PEGA VIDA. Kid Abelha para sempre.

Fernanda Mascarenhas disse...

Arrasada! Que pena! Amo demais essa banda e curti muito seus sucessos.

Estalactites hemorrágicas disse...

Anotem ai: deixa passar mais um tempo, eles estarão fazendo um retorno para reforço de caixa. Nada diferente de tantos.

Ricardo Sérgio

BIGODE disse...

Adoro o Kid Abelha, mas que bom que acabou...é bom sentir saudade e eu vou sentir saudade deles....aqui no Brasil bandas/artistas são eternos, não dá nem prá sentir a falta deles....estão sempre por ai e sem nada a dizer, o que é pior

ELIEL SILVA disse...

É triste, mas é verdade. E pra ser sincero, não me assusta. É o tempo agindo e não se pode fugir dele. Vamos (re)viver o que foi feito de bom ao longo desses anos. É melhor parar no tempo certo. Valeu Kid!

Marcelo Barbosa disse...

Também lamento, mas estou com o Estalactites! A Blitz e o RPM estão aí para comprovarem! Aliás, nunca vi um grupo que finda e ressurge de tempos em tempos como esses dois.

Eduardo disse...

Alegrou a minha vida. E certamente continuará a alegrar, nas lembranças e nos discos, cd's, rádios, streamings e o que surgir.

Natálio disse...

Fiquei triste. É minha banda favorita. =(