Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 19 de abril de 2016

Elétrico aos 81, Donato revitaliza sons dos anos 1970 em álbum instrumental

Resenha de álbum
Título: João Donato
Artista: Donato elétrico
Gravadora: Selo Sesc
Cotação: * * * *

O título da primeira das dez músicas do álbum Donato elétrico, Here's JD (João Donato) é clara resposta jazzy à pergunta feita no título da segunda música, Where's J.D.? (Eumir Deodato e João Donato, 1973), do álbum Donato Deodato (Muse Records, 1973), disco de jazz funk fusion gravado pelo pianista e compositor acriano João Donato com o carioca (também pianista) Eumir Deodato. A referência ao tema de 1973 dá a pista dos caminhos seguidos por João em 2015 na gravação - feita com Donato pilotando piano elétrico Fender Rhodes, além de sintetizadores e teclados analógicos - deste álbum produzido por Ronaldo Evangelista. Disponível somente em edição física em CD à venda em poucas lojas, pela postura arcaica do Selo Sesc de ignorar o já dominante mercado digital de música, Donato elétrico revisita a sonoridade analógica de álbuns igualmente elétricos como A bad Donato (Blue Thumb Records, 1970) sem saudosismo. A novidade reside no toque de músicos da cena contemporânea da cidade de São Paulo (SP). Músicos do coletivo Bixiga 70 se juntaram no estúdio com Donato e com músicos atuais como Guilherme Kastrup - percussionista de temas como Espalhado (João Donato) e Resort (João Donato) - e Gustavo Ruiz, cujo toque da guitarra é ouvido em Soneca de marreco (João Donato). Há aura de jovialidade em torno dos dez temas autorais do álbum instrumental, todos compostos por Donato sem parceiros. Contudo, a jovialidade vem do próprio João Donato, cuja forte personalidade musical deixa Donato elétrico com a cara do músico octagenário. Figura fundamental para a contribuição brasileira ao universo do jazz latino, Donato gravou o disco entre janeiro e agosto de 2015, mês em que completou 81 anos. Donato elétrico é um disco de grooves, pautado pelo toque à moda antiga do Fender Rhodes e pelo balanço leve de sopros que contribuem para deixar o disco caindo sempre no suingue, que adquire tons cubanos em Combustão espontânea (João Donato) e que se desvia para a arretada trilha da música nordestina, via África, em Xaxado de Hércules (João Donato). As dez músicas foram compostas sem letras, mas vocalises de Donato são eventualmente ouvidos no disco, como no tema jazzístico G8 (João Donato) e como no murmúrio do título de Tartaruga (João Donato). Já Frequência de onda (João Donato) sobressai pela classudas cordas orquestradas pelo maestro Laércio de Freitas sem quebrar a unidade do disco, que ostenta cordas arranjadas por outros músicos (inclusive pelo próprio Donato) em outras faixas. Donato elétrico, enfim, é disco antigo, mas não velho. É o primeiro álbum de inéditas do compositor desde Managarroba (Deckdisc, 2002). O repertório autoral se revela sem cacife para acrescentar um clássico ao cancioneiro do artista, inclusive pela ausência de letras, mas isso nada importa porque Donato elétrico apresenta músicas compostas em função da natureza do disco. Ou seja, tudo foi feito a serviço do groove, da alquimia no estúdio entre 25 músicos de diferentes gerações, orquestrados sob a batuta de João Donato, talvez o mais jovem de todos eles.

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ O título da primeira das dez músicas do álbum Donato elétrico, Here's JD (João Donato) é clara resposta jazzy à pergunta feita no título da segunda música, Where's J.D.? (Eumir Deodato e João Donato, 1973), do álbum Donato Deodato (Muse Records, 1973), disco de jazz funk fusion gravado pelo pianista e compositor acriano João Donato com o carioca (também pianista) Eumir Deodato. A referência ao tema de 1973 dá a pista dos caminhos seguidos por João em 2015 na gravação - feita com Donato pilotando piano elétrico Fender Rhodes, além de sintetizadores e teclados analógicos - deste álbum produzido por Ronaldo Evangelista. Disponível somente em edição física em CD à venda em poucas lojas, pela postura arcaica do Selo Sesc de ignorar o já dominante mercado digital de música, Donato elétrico revisita a sonoridade analógica de álbuns igualmente elétricos como A bad Donato (Blue Thumb Records, 1970) sem saudosismo. A novidade reside no toque de músicos da cena contemporânea da cidade de São Paulo (SP). Músicos do coletivo Bixiga 70 se juntaram no estúdio com Donato e com músicos atuais como Guilherme Kastrup - percussionista de temas como Espalhado (João Donato) e Resort (João Donato) - e Gustavo Ruiz, cujo toque da guitarra é ouvido em Soneca de marreco (João Donato). Há aura de jovialidade em torno dos dez temas autorais do álbum instrumental, todos compostos por Donato sem parceiros. Contudo, a jovialidade vem do próprio João Donato, cuja forte personalidade musical deixa Donato elétrico com a cara do músico octagenário. Figura fundamental para a contribuição brasileira ao universo do jazz latino, Donato gravou o disco entre janeiro e agosto de 2015, mês em que completou 81 anos. Donato elétrico é um disco de grooves, pautado pelo toque à moda antiga do Fender Rhodes e pelo balanço leve de sopros que contribuem para deixar o disco caindo sempre no suingue, que adquire tons cubanos em Combustão espontânea (João Donato) e que se desvia para a arretada trilha da música nordestina, via África, em Xaxado de Hércules (João Donato). As dez músicas foram compostas sem letras, mas vocalises de Donato são eventualmente ouvidos no disco, como no tema jazzístico G8 (João Donato) e como no murmúrio do título de Tartaruga (João Donato). Já Frequência de onda (João Donato) sobressai pela classudas cordas orquestradas pelo maestro Laércio de Freitas sem quebrar a unidade do disco, que ostenta cordas arranjadas por outros músicos (inclusive pelo próprio Donato) em outras faixas. Donato elétrico, enfim, é disco antigo, mas não velho. É o primeiro álbum de inéditas do compositor desde Managarroba (Deckdisc, 2002). O repertório autoral se revela sem cacife para acrescentar um clássico ao cancioneiro do artista, inclusive pela ausência de letras, mas isso nada importa porque Donato elétrico apresenta músicas compostas em função da natureza do disco. Ou seja, tudo foi feito a serviço do groove, da alquimia no estúdio entre 25 músicos de diferentes gerações, orquestrados sob a batuta de João Donato, talvez o mais jovem de todos eles.

Rafael M. disse...

Donato é um mestre na arte de fazer discos bons... Esse disco não foge a regra...

Rodrigo disse...

arte linda!

Mauro Silva disse...


Curioso, por este novo trabalho, adoro João Donato :)

Pedro Progresso disse...

o disco tá delícia. o mojo de Donato é eterno!

Márcio disse...

Melhor disco de João Donato em muitos anos! A convivência e interação com músicos de São Paulo, particularmente os do "Bixiga 70", fez grande bem ao artista nesse trabalho.

Luca disse...

concordo, Marcio, comprei o disco na Livraria Cultura e achei muito bom

Martins disse...

Excelente qualquer comentário fica mudo ...ouvir...curtir o por ai vai.

Bernardo Barroso Neto disse...

Arrisco a dizer que é o melhor álbum do ano. João Donato está cada vez melhor e a banda que o acompanha é sensacional.