Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Em show com Rubi, Elza eleva 'Carne' ao citar jovens mortos por PMs no Rio

Nunca o verso "A carne mais barata do mercado é a carne negra", da música A carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998), fez tão sentido na voz de Elza Soares como na estreia carioca do show A mulher do fim do mundo, realizada na noite de ontem, 1º de dezembro de 2015, no Teatro Oi Casa Grande. Ao cantar a música do repertório do grupo Farofa Carioca que tomou para si desde que a regravou no álbum Do cóccix até o pescoço (Maianga Discos, 2002), Elza bradou contra os cinco jovens mortos a tiros de fuzis por PMs no último sábado, 28 de novembro de 2015, perto de um conjunto de favelas do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ). "Mais cinco crianças foram mortas! Mais cinco negros foram mortos", denunciou, do alto de seus 85 anos de luta e do alto do deslumbrante cenário de Ana Turra que a entroniza como a rainha absoluta do show idealizado e dirigido por Guilherme Kastrup, baterista da banda e produtor do álbum A mulher do fim do mundo (Circus, 2015), disco que gerou o show feito pela cantora carioca com o toque de músicos paulistanos como o guitarrista Kiko Dinucci e o violonista Rodrigo Campos, expoentes da big-band que teve quarteto de cordas (arranjadas pelo baixista Marcelo Cabral) e naipe de metais orquestrados pelo grupo Bixiga 70. A citação dos jovens assassinados valorizou A carne na primeira das duas apresentações cariocas do show A mulher do fim do mundo - a ponto de Elza ter sido aplaudida de pé ao fim do número. A participação performática de Rubi - cantor goiano que dividiu com Elza a interpretação de Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015) e que foi acarinhado pela cantora ao longo da interpretação maternal do samba Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976), como visto na foto de Rodrigo Goffredo - foi outro ponto eletrizante de show impactante que se impôs instantaneamente como o melhor espetáculo de 2015 pela voz da cantora e o vigor do repertório inédito. Eis o roteiro seguido por Elza Soares em 1º de dezembro de 2015 na forte estreia carioca de A mulher do fim do mundo no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, onde o show fica em cartaz somente até hoje, 2 de dezembro de 2015:

1. Coração do mar (José Miguel Wisnik sobre poema de Oswald de Andrade, 2015)
2. Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015)
3. O canal (Rodrigo Campos, 2015)
4. Luz vermelha (Kiko Dinucci e Clima, 2015)
5. A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998)
6. Dança (Cacá Machado e Romulo Fróes, 2015)
7. Firmeza?! (Rodrigo Campos, 2015) - com Rodrigo Campos
8. Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015)
9. Pra fuder (Kiko Dinucci, 2015)
10. Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015)

      - com Rubi
11. Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976) - com Rubi
12. Solto (Marcelo Cabral e Clima, 2015)
13. Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015)
Bis:
14. Metade pássaro (Murilo Mendes, 1940) - poema recitado
15. Vatapá (Dorival Caymmi, 1942) - citação
16. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
17. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Nunca o verso "A carne mais barata do mercado é a carne negra", da música A carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998), fez tão sentido na voz de Elza Soares como na estreia carioca do show A mulher do fim do mundo, realizada na noite de ontem, 1º de dezembro de 2015, no Teatro Oi Casa Grande. Ao cantar a música do repertório do grupo Favela Carioca que tomou para si desde que a regravou no álbum Do cóccix até o pescoço (Maianga Discos, 2002), Elza bradou contra os cinco jovens mortos a tiros de fuzis por PMs no último sábado, 28 de novembro de 2015, perto de um conjunto de favelas do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ). "Mais cinco crianças foram mortas! Mais cinco negros foram mortos", denunciou, do alto de seus 85 anos de luta e do alto do deslumbrante cenário de Ana Turra que a entroniza como a rainha absoluta do show idealizado e dirigido por Guilherme Kastrup, baterista da banda e produtor do álbum A mulher do fim do mundo (Circus, 2012), disco que gerou o show feito pela cantora carioca com o toque de músicos paulistanos como o guitarrista Kiko Dinucci e o violonista Rodrigo Campos, expoentes da big-band que teve quarteto de cordas (arranjadas pelo baixista Marcelo Cabral) e naipe de metais orquestrados pelo grupo Bixiga 70. A citação dos jovens assassinados valorizou A carne na primeira das duas apresentações cariocas do show A mulher do fim do mundo - a ponto de Elza ter sido aplaudida de pé ao fim do número. A participação performática de Rubi - cantor goiano que dividiu com Elza a interpretação de Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015) e que foi acarinhado pela cantora ao longo da interpretação maternal do samba Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976), como visto na foto de Rodrigo Goffredo - foi outro ponto eletrizante de show impactante que se impôs instantaneamente como o melhor espetáculo de 2015 pela voz da cantora e o vigor do repertório inédito. Eis o roteiro seguido por Elza Soares em 1º de dezembro de 2015 na forte estreia carioca de A mulher do fim do mundo no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, onde o show fica em cartaz somente até hoje, 2 de dezembro de 2015:

1. Coração do mar (José Miguel Wisnik sobre poema de Oswald de Andrade, 2015)
2. Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015)
3. O canal (Rodrigo Campos, 2015)
4. Luz vermelha (Kiko Dinucci e Clima)
5. A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998)
6. Dança (Cacá Machado e Romulo Fróes, 2015)
7. Firmeza?! (Rodrigo Campos, 2015) - com Rodrigo Campos
8. Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015)
9. Pra fuder (Kiko Dinucci, 2015)
10. Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015) - com Rubi
11. Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976) - com Rubi
12. Solto (Marcelo Cabral e Clima, 2015)
13. Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015)
Bis:
14. Metade pássaro (Murilo Mendes, 1940) - poema recitado
15. Vatapá (Dorival Caymmi, 1942) - citação
16. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
17. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)

Rafael M. disse...

Grande Elza.... Roteiro perfeito o desse show!!!

Victor Moraes, disse...

Que imagem mais linda. Passa uma boa ideia de como deve ter sido o show...

Marcelo Barbosa disse...

Que foto é essa?

Bruno Cavalcanti disse...

Elza não tem só um vozeirão, ela tem a consciência da força da sua voz e por isso a usa para protestar, seja em música ou não! Tenho muito orgulho não apenas da Elza, mas de todos que param para prestar atenção no que ela diz. Lúcida, viva e tinindo trincando ainda hoje. Espero que essa turnê a leve a todos os pontos deste Brasil de meu Deus!