Mauro Ferreira no G1

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sábado, 12 de dezembro de 2015

EP 'Vício' mostra que Gavassi ainda dá voz (juvenil) aos clichês adolescentes

Resenha de EP
Título: Vício
Artista: Manu Gavassi
Gravadora: Angorá Music
Cotação: * * 

Camiseta - o primeiro single de Vício, EP lançado por Manu Gavassi ontem, 11 de dezembro de 2015, nas plataformas digitais - já tinha sinalizado que a cantora, compositora e atriz paulistana ainda vestia um figurino musical adolescente. Gravado em dois estúdios de São Paulo (SP), In Vader Studio e Buena Família Studio, o EP confirma a impressão do single apresentado em novembro. Perto de completar 23 anos, em 4 de janeiro de 2016, Gavassi apresenta cinco músicas inéditas de autoria própria que gravitam em torno dos clichês afetivos dos rolos adolescentes e que, se ouvidas na ordem disposta no EP, contam história de superação após o término de relacionamento. Como mostra a música-título, Vício, houve evolução na sonoridade da obra fonográfica de Gavassi. Os produtores Junior Lima (irmão de Sandy) e Dudinha (baixista da banda do rapper paulistano Criolo) enquadraram as músicas em moldura pop eletrônica de contornos contemporâneos. Mas o conteúdo do repertório é essencialmente o mesmo do segundo álbum da artista, Clichê adolescente (Midas Music / Sony Music, 2013), e se afina com o tom ainda infanto-juvenil da voz de Gavassi. Direção, baladinha pop de coração partido, exemplifica que Gavassi continua dando essa voz teen aos clichês adolescentes em letras construídas com versos que parecem seguir a cartilha do pop juvenil. A batida eletrônica dos produtores dilui o drama afetivo juvenil contado em músicas como a funkeada Farsa. Nesse sentido, a troca do violão pelos beats fez bem ao som de Gavassi. Contudo, como mostra a quinta das cinco músicas do EP, a canção Sozinha, é preciso que a evolução na sonoridade venha acompanhada de real mudança no repertório da artista, sobretudo no que diz respeito às letras, geralmente ainda óbvias e rasas. Nesse sentido, a foto da capa de Vício - EP que tem projeto gráfico assinado por Fernando D'Araújo -  é perfeita tradução visual do repertório do disco.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Camiseta - o primeiro single de Vício, EP lançado por Manu Gavassi ontem, 11 de dezembro de 2015, nas plataformas digitais - já tinha sinalizado que a cantora, compositora e atriz paulistana ainda vestia um figurino musical adolescente. Gravado em dois estúdios de São Paulo (SP), In Vader Studio e Buena Família Studio, o EP confirma a impressão do single apresentado em novembro. Perto de completar 23 anos, em 4 de janeiro de 2016, Gavassi apresenta cinco músicas inéditas de autoria própria que gravitam em torno dos clichês afetivos dos rolos adolescentes e que, se ouvidas na ordem disposta no EP, contam história de superação após o término de relacionamento. Como mostra a música-título, Vício, houve evolução na sonoridade da obra fonográfica de Gavassi. Os produtores Junior Lima (irmão de Sandy) e Dudinha (baixista da banda do rapper paulistano Criolo) enquadraram as músicas em moldura pop eletrônica de contornos contemporâneos. Mas o conteúdo do repertório é essencialmente o mesmo do segundo álbum da artista, Clichê adolescente (Midas Music / Sony Music, 2013), e se afina com o tom ainda infanto-juvenil da voz de Gavassi. Direção, baladinha pop de coração partido, exemplifica que Gavassi continua dando essa voz teen aos clichês adolescentes em letras construídas com versos que parecem seguir a cartilha do pop juvenil. A batida eletrônica dos produtores dilui o drama afetivo juvenil contado em músicas como a funkeada Farsa. Nesse sentido, a troca do violão pelos beats fez bem ao som de Gavassi. Contudo, como mostra a quinta das cinco músicas do EP, a canção Sozinha, é preciso que a evolução na sonoridade venha acompanhada de real mudança no repertório da artista, sobretudo no que diz respeito às letras, geralmente ainda óbvias e rasas. Nesse sentido, a foto da capa de Vício - EP que tem projeto gráfico assinado por Fernando D'Araújo - é perfeita tradução visual do repertório do disco.

Guilherme Ferreira disse...

O Junior Lima fez um bom trabalho como produtor. Infelizmente a artista não tinha muito a oferecer...

Felipe dos Santos disse...

Juro: leio resenhas como essa e fico triste. Tristíssimo. E irritado.

Fico me perguntando: será que não há nenhuma artista "teen", daqui ou de fora, capaz de pegar a música, ir evoluindo e... um belo dia, conseguir convencer os adultos, conseguir provar que música era sua vida, não era apenas mais um modo de ganhar dinheiro para enganar os troux... digo, os fãs?

É muito triste para quem ama a música DE FATO ver a maioria das artistas jovens saindo da adolescência, mas ver que a adolescência não sai delas.

Justiça seja feita: Taylor Swift já amadureceu (embora para isso tenha entrado fundo no "esquema", seja lá o que isso signifique), Sandy amadureceu um pouco (por mais que dificilmente seja levada a sério), e Miley Cyrus vai pelo mesmo caminho.

O resto... bem, o resto é o resto. Tenho algumas esperanças, mas estou pesarosamente pronto para a decepção

Felipe dos Santos Souza

Filipe Amaral disse...

Queria realmente saber qual foi o amadurecimento da Taylor Swift ? Trocar de produtor ?
Já estamos na segunda década do século XXI e as pessoas continuam achando que só produção de um álbum valida um ''amadurecimento'', e esquecem o corpo de uma música: A LETRA. Taylor Swift faz a mesma coisa que ela fazia em outros moldes, apenas e exclusivamente isso.
As letras do ''Vício'' são realmente clichês adolescentes, mas são bem construídas, assim como as da ex cantora de Country.
Na minha opinião, o mais importante em um trabalho de composição é ser fiel a sua realidade (foi sofrível ver uma criança de 11 anos cantando sobre como é sofrer a perda de uma namorada, como no inicio da carreira do Bieber). Ela deu o que ela podia dar e fez isso muito bem!