Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Aos 93, Bibi parece se sentir jovem ao cantar o melhor repertório de Sinatra

Resenha de show
Título: Bibi Ferreira canta o repertório de Sinatra
Artista: Bibi Ferreira (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de maio de 2015
Cotação: * * * * *
Show em cartaz às terças e quartas-feiras, no Theatro Net Rio (RJ), até 10 de junho de 2015

Prestes a completar 93 anos de vida, em 1º de junho, Bibi Ferreira parece se sentir jovem ao interpretar o repertório de Frank Sinatra (1915 - 1998) em show em cartaz na cidade natal da artista carioca, o Rio de Janeiro (RJ), no ano em que o universo pop celebra o centenário de nascimento desse emblemático cantor norte-americano. Uma frase de Bibi reproduzida no material promocional do show que estreou em São Paulo (SP) no segundo semestre de 2014 - "Essa é a minha praia" - já sinaliza a naturalidade com que a intérprete poliglota aborda os standards norte-americanos que ganharam a voz icônica de Sinatra, referência máxima de canto masculino no século XX. À frente de orquestra regida pelo maestro Flávio Mendes, Bibi mostra - mais uma vez - que ela é o espetáculo por si só. Quando entra em cena para cantar Night and day (Cole Porter, 1932), após o número instrumental Strangers in the night (Bert Kaempfert, Charles Singleton e Eddie Snyder, 1966) da abertura, Bibi expõe de cara um inglês de pronúncia perfeita e um fraseado elegante. Senhora cantora, a intérprete trilha com prazer os caminhos melódicos do tema do compositor norte-americano Cole Porter (1891 - 1964), de quem canta na sequência I've got you under my skin (Cole Porter, 1936). Bibi brilha como cantora sem deixar a atriz fora de cena. Cheia de charme, após seu número inicial, ela volta a cantar Night and day e empaca intencionalmente na letra, para lembrar o nervosismo que paralisou Sinatra quando, ainda em início de carreira, o cantor se deparou com a presença de Porter no pequeno restaurante em que se apresentava. Esse causo - dramatizado com leveza por Bibi - é contado por Nilson Raman, que atua como mestre de cerimônias do show. Além de permitirem que Bibi recupere o fôlego entre um número e outro, as intervenções de Raman contextualizam o repertório do show na vida e na obra de Sinatra. E que cancioneiro! Bibi, aliás, canta o melhor repertório de Sinatra. Ainda que tenha uma ou outra música menos conhecida no Brasil, caso de Please (Ralph Rainger e Leo Robin, 1932), canção lançada na voz do cantor norte-americano Bing Crosby (1903 - 1977), o roteiro é formado basicamente por standards de alcance planetário. Um repertório que Bibi conhece muito bem. E que canta com gana e prazer que desafiam os efeitos naturais de seus quase 93 anos. Mesmo que eventualmente recorra ao teleprompter, a intérprete jamais aciona o piloto automático. Picos de intensidade do roteiro, as passagens mais épicas e teatrais de Ol' man river (Jerome Kern e Oscar Hammerstein II, 1927) emocionam e fazem o público ter a certeza de estar diante de um fenômeno artístico. Por ser atriz excepcional, Bibi entende o que pede canção. Por isso, reveste Nature boy (Eden Ahbez, 1948) de ternura antiga, passeia serelepe pelo ritmo de Cheek to cheek (Irving Berlin, 1935) e incentiva o coro do público no verso-título de All the way (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn, 1957). Além da voz resistente, Bibi tem apurado senso rítmico que lhe permite encarar músicas como The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) sem escorregar no suingue. Com Bibi, Fly me to the moon (Bart Howard, 1954) voa em céu de brigadeiro. Mesmo quando se afasta do espírito e do conceito do show, como no número em que canta e dança com jovialidade o alienígena (no universo sinatriano) Rock around the clock (Max Freedman e James Myers, 1952), Bibi se redime imediatamente por seu talento fenomenal que lhe credencia ir do rock à bossa nova. Compositor que exportou a bossa nativa para os EUA nos anos 1960, Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), a propósito, é nome recorrente no roteiro pelo fato de Sinatra de ter gravado em 1967 um álbum somente com o cancioneiro de Tom. Bibi acerta o tom lírico de temas como Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloyiso de Oliveira, 1959, em versão em inglês de Ray Gilbert). No fim, quando canta My way (Comme d'habitude) (Claude François e Jacques Revaux, 1967, em versão em inglês de Paul Anka, 1969), a intérprete sai de cena com o caco em português ''Fiz tudo do meu jeito''. Sim, Bibi Ferreira canta Sinatra na sua praia, do seu jeito e, quando dá voz a uma canção como You make me feel so young (Josep Myrow e Mack Gordon), parece que está realmente se sentindo jovem do alto de seus 74 anos de palco e quase 93 de vida.

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Prestes a completar 93 anos de vida, em 1º de junho, Bibi Ferreira parece se sentir jovem ao interpretar o repertório de Frank Sinatra (1915 - 1998) em show em cartaz na cidade natal da artista carioca, o Rio de Janeiro (RJ), no ano em que o universo pop celebra o centenário de nascimento desse emblemático cantor norte-americano. Uma frase de Bibi reproduzida no material promocional do show que estreou em São Paulo (SP) no segundo semestre de 2014 - "Essa é a minha praia" - já sinaliza a naturalidade com que a intérprete poliglota aborda os standards norte-americanos que ganharam a voz icônica de Sinatra, referência máxima de canto masculino no século XX. À frente de orquestra regida pelo maestro Flávio Mendes, Bibi mostra - mais uma vez - que ela é o espetáculo por si só. Quando entra em cena para cantar Night and day (Cole Porter, 1932), após o número instrumental Strangers in the night (Bert Kaempfert, Charles Singleton e Eddie Snyder, 1966) da abertura, Bibi expõe de cara um inglês de pronúncia perfeita e um fraseado elegante. Senhora cantora, a intérprete trilha com prazer os caminhos melódicos do tema do compositor norte-americano Cole Porter (1891 - 1964), de quem canta na sequência I've got you under my skin (Cole Porter, 1936). Bibi brilha como cantora sem deixar a atriz fora de cena. Cheia de charme, após seu número inicial, ela volta a cantar Night and day e empaca intencionalmente na letra, para lembrar o nervosismo que paralisou Sinatra quando, ainda em início de carreira, o cantor se deparou com a presença de Porter no pequeno restaurante em que se apresentava. Esse causo - dramatizado com leveza por Bibi - é contado por Nilson Raman, que atua como mestre de cerimônias do show. Além de permitirem que Bibi recupere o fôlego entre um número e outro, as intervenções de Raman contextualizam o repertório do show na vida e na obra de Sinatra. E que cancioneiro! Bibi, aliás, canta o melhor repertório de Sinatra. Ainda que tenha uma ou outra música menos conhecida no Brasil, caso de Please (Ralph Rainger e Leo Robin, 1932), canção lançada na voz do cantor norte-americano Bing Crosby (1903 - 1977), o roteiro é formado basicamente por standards de alcance planetário. Um repertório que Bibi conhece muito bem. E que canta com gana e prazer que desafiam os efeitos naturais de seus quase 93 anos. Mesmo que eventualmente recorra ao teleprompter, a intérprete jamais aciona o piloto automático. Picos de intensidade do roteiro, as passagens mais épicas e teatrais de Ol' man river (Jerome Kern e Oscar Hammerstein II, 1927) emocionam e fazem o público ter a certeza de estar diante de um fenômeno artístico.

Mauro Ferreira disse...

Por ser atriz excepcional, Bibi entende o que pede canção. Por isso, reveste Nature boy (Eden Ahbez, 1948) de ternura antiga, passeia serelepe pelo ritmo de Cheek to cheek (Irving Berlin, 1935) e incentiva o coro do público no verso-título de All the way (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn, 1957). Além da voz resistente, Bibi tem apurado senso rítmico que lhe permite encarar músicas como The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) sem escorregar no suingue. Com Bibi, Fly me to the moon (Bart Howard, 1954) voa em céu de brigadeiro. Mesmo quando se afasta do espírito e do conceito do show, como no número em que canta e dança com jovialidade o alienígena (no universo sinatriano) Rock around the clock (Max Freedman e James Myers, 1952), Bibi se redime imediatamente por seu talento fenomenal que lhe credencia ir do rock à bossa nova. Compositor que exportou a bossa nativa para os EUA nos anos 1960, Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), a propósito, é nome recorrente no roteiro pelo fato de Sinatra de ter gravado em 1967 um álbum somente com o cancioneiro de Tom. Bibi acerta o tom lírico de temas como Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloyiso de Oliveira, 1959, em versão em inglês de Ray Gilbert). No fim, quando canta My way (Comme d'habitude) (Claude François e Jacques Revaux, 1967, em versão em inglês de Paul Anka, 1969), a intérprete sai de cena com o caco em português ''Fiz tudo do meu jeito''. Sim, Bibi Ferreira canta Sinatra na sua praia, do seu jeito e, quando dá voz a uma canção como You make me feel so young (Josep Myrow e Mack Gordon), parece que está realmente se sentindo jovem do alto de seus 74 anos de palco e quase 93 de vida.

Geraldo Rocha disse...

Bravo ! ! Este Brasil é demais.....nossas estrelas com saúde produzindo, caso da Bibi Ferreira.Salve, salve, salve.....

CelloPiazza disse...

Bibi realmente não é deste mundo !!!! Uma estrela !

Rafael M. disse...

Bibi Ferreira... Uma das maiores divas desse país... 93 anos de muita saúde, lucidez e juventude. Salve Bibi!

Mauro Silva disse...

Bem que poderiam relançar a obra da Bibi Ferreira em CD (um box que tal ?), por que á anos esta fora de catálogo e ainda tem muita coisa inédita em CD. É um parto achar Cd's dela...