Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Vinny evoca Paralamas em disco que oscila ao converter sambas em reggae

Resenha de CD
Título: Samba reggae S.A.
Artista: Vinny
Gravadora: Motor Records / Sony Music
Cotação: * * 1/2

O nome do recém-lançado 14º título da discografia solo de Vinny, Samba reggae S.A., faz supor que o cantor paulistano - nascido Vinicius Bonotto Conrado há quase 49 anos e atualmente radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - faz incursão pelo gênero musical cristalizado pelos grupos afro-baianos no universo da axé music. Mas a pista é falsa. No álbum, gravado pelo artista com o trio que formou com o baixista Roberto Lly e o baterista Viny Oneti, o cantor - projetado na segunda metade dos anos 1990 com hits dançantes como Heloísa, mexe a cadeira (Vinny, 1997) e Shake boom (Vinny, 1998) - transforma sete sambas e uma canção em reggae com arranjos que remetem à pegada dos metais do som do trio carioca Os Paralamas do Sucesso por conta da proeminência do trompete de Josias Franco e do saxofone de Rodrigo Ferma nas orquestrações. O resultado da alquimia oscila, funcionando bem em Só pra contrariar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Almir Guineto, 1986), em Deixa eu te amar (Agepê, Camillo e Mauro Silva, 1984) e em Malandragem dá um tempo (Popular P, Adelzonilton e Moacir Bombeiro). Este sucesso de Bezerra da Silva (1927 - 2005) se ajusta ideologicamente ao disco, pois se trata de samba espirituoso sobre o vício de fumar maconha, erva recorrente na praia do reggae. Em contrapartida, no processo de transmutação dos oito temas em reggae, o lirismo da canção As rosas não falam (Cartola, 1976) se dilui por completo - assim como a batida cadenciada de Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974). Já Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila) - iniciada com batida funkeada no veloz ritmo falado do rap - conserva boa parte de seu dengo. Em contrapartida, o samba-enredo É hoje (Didi e Mestrinho, 1981) - cantado pela escola de samba União da Ilha do Governador no desfile carioca de 1982, mas lançado em disco no ano anterior - perde aquele tom habitualmente empolgante. Por fim, Não deixe o samba morrer (Edson e Aloísio, 1975) reaviva a ideia de que o som solar d'Os Paralamas do Sucesso parece ter norteado Vinny durante toda a feitura deste curioso Samba reggae S.A. Se segura: para fazer a cabeça tem hora.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ O nome do recém-lançado 14º título da discografia solo de Vinny, Samba reggae S.A., faz supor que o cantor paulistano - nascido Vinicius Bonotto Conrado há quase 49 anos e atualmente radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - faz incursão pelo gênero musical cristalizado pelos grupos afro-baianos no universo da axé music. Mas a pista é falsa. No álbum, gravado pelo artista com o trio que formou com o baixista Roberto Lly e o baterista Viny Oneti, o cantor - projetado na segunda metade dos anos 1990 com hits dançantes como Heloísa, mexe a cadeira (Vinny, 1997) e Shake boom (Vinny, 1998) - transforma sete sambas e uma canção em reggae com arranjos que remetem à pegada dos metais do som do trio carioca Os Paralamas do Sucesso por conta da proeminência do trompete de Josias Franco e do saxofone de Rodrigo Ferma nas orquestrações. O resultado da alquimia oscila, funcionando bem em Só pra contrariar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Almir Guineto, 1986), em Deixa eu te amar (Agepê, Camillo e Mauro Silva, 1984) e em Malandragem dá um tempo (Popular P, Adelzonilton e Moacir Bombeiro). Este sucesso de Bezerra da Silva (1927 - 2005) se ajusta ideologicamente ao disco, pois se trata de samba espirituoso sobre o vício de fumar maconha, erva recorrente na praia do reggae. Em contrapartida, no processo de transmutação dos oito temas em reggae, o lirismo da canção As rosas não falam (Cartola, 1976) se dilui por completo - assim como a batida cadenciada de Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974). Já Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila) - iniciada com batida funkeada no veloz ritmo falado do rap - conserva boa parte de seu dengo. Em contrapartida, o samba-enredo É hoje (Didi e Mestrinho, 1981) - cantado pela escola de samba União da Ilha do Governador no desfile carioca de 1982, mas lançado em disco no ano anterior - perde aquele tom habitualmente empolgante. Por fim, Não deixe o samba morrer (Edson e Aloísio, 1975) reaviva a ideia de que o som solar d'Os Paralamas do Sucesso parece ter norteado Vinny durante toda a feitura deste curioso Samba reggae S.A. Se segura: para fazer a cabeça tem hora.

ADEMAR AMANCIO disse...

Eu achava que este moço tivesse gravado só um disco e aposentado.

Rafael M. disse...

Quem quer isso???