Mauro Ferreira no G1

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domingo, 30 de agosto de 2015

'Ziriguidum' de Calixto balança entre odes ao samba e temas afro-brasileiros

Resenha de CD
Título: Meu ziriguidum
Artista: Aline Calixto
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

Cantora nascida no Rio de Janeiro (RJ), mas criada em Belo Horizonte (MG), Aline Calixto foi revelação superestimada quando abraçou o samba e lançou seu primeiro álbum, Aline Calixto (Warner Music, 2009). Mas desabrochou com Flor morena (Warner Music, 2011), disco no qual se refugiou nos quintais cariocas. Terceiro álbum da artista, lançado de forma independente em julho de 2015, Meu ziriguidum também busca abrigo e avais nas rodas do Rio, mas com naturais incursões pelo samba made in Minas. Transitando nessa ponte Rio-BH, o disco balança entre odes nem sempre originais ao samba e temas de acento afro-brasileiro como Lendas das matas (João Martins e Raul Di Caprio, 2015) - samba que versa sobre o universo do folclore brasileiro - e Ibamolê (Serginho Beagá, 2015), misto de samba e ijexá que sobressai no repertório. O acento afro justifica a inclusão da regravação de Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974), sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora mineira que abriu alas no samba para a saudação dos orixás. Mas Conto de areia perde parte de seu encanto no registro - feito em 2013 para lembrar os 30 anos de morte da Guerreira - em que Calixto insere rap do paulistano Emicida. Talvez porque falte energia à voz afinada e límpida de Calixto. Entre odes ao samba, Eu sou assim (2015) - outra boa contribuição do compositor mineiro Serginho Beagá ao repertório do disco - é carta de intenções que soa mais interessante do que o autorretrato moldado pela artista no samba-título Meu ziriguidum, parceria de Calixto com Gabriel Moura que sinaliza na abertura do CD um viés feminino - reiterado em Musas (Arlindo Cruz e Rogê, 2015), samba lançado por Diogo Nogueira em seu recente CD Porta-voz da alegria (Universal Music / EMI, 2015) - que não se sustenta na regravação de Papo de samba (Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flavio da Silva Gonçalves, 2001), pois esta composição que batizou álbum lançado há 14 anos pelo grupo Fundo de Quintal versa sobre universo explicitamente masculino. E por falar no quintal carioca, ele dá bons frutos em Meu ziriguidum. O compositor Leandro Fregonesi fornece um dos melhores sambas inéditos do álbum, Entre você e eu, tema que ganha o toque nordestino do acordeom de Christiano Caldas no arranjo de Thiago Delegado, cantor, compositor e (exímio) violonista mineiro que assina a produção do álbum ao lado de Paulão Sete Cordas. Já Zeca Pagodinho é o convidado que divide com Calixto o balanço de No pé miudinho (Moacyr Luz e Délcio Luiz), outra celebração do samba, assunto que deixa o disco por vezes repetitivo. Compadre de Zeca, Arlindo Cruz comparece em Toda noite, samba de cadência romântica que compôs em parceria com Maurição e que cedeu para Calixto alicerçar o ziriguidum dela. Reforçado por Pedreira, bom samba de Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão, Meu ziriguidum eventualmente balança, mas não cai, sustentando o samba de Aline Calixto na ponte que liga o populoso terreirão carioca aos quintais ainda pouco explorados de Minas Gerais.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Cantora nascida no Rio de Janeiro (RJ), mas criada em Belo Horizonte (MG), Aline Calixto foi revelação superestimada quando abraçou o samba e lançou seu primeiro álbum, Aline Calixto (Warner Music, 2009). Mas desabrochou com Flor morena (Warner Music, 2011), disco no qual se refugiou nos quintais cariocas. Terceiro álbum da artista, lançado de forma independente em julho de 2015, Meu ziriguidum também busca abrigo e avais nas rodas do Rio, mas com naturais incursões pelo samba made in Minas. Transitando nessa ponte Rio-BH, o disco balança entre odes nem sempre originais ao samba e temas de acento afro-brasileiro como Lendas das matas (João Martins e Raul Di Caprio, 2015) - samba que versa sobre o universo do folclore brasileiro - e Ibamolê (Serginho Beagá, 2015), misto de samba e ijexá que sobressai no repertório. O acento afro justifica a inclusão da regravação de Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974), sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora mineira que abriu alas no samba para a saudação dos orixás. Mas Conto de areia perde parte de seu encanto no registro - feito em 2013 para lembrar os 30 anos de morte da Guerreira - em que Calixto insere rap do paulistano Emicida. Talvez porque falte energia à voz afinada e límpida de Calixto. Entre odes ao samba, Eu sou assim (2015) - outra boa contribuição do compositor mineiro Serginho Beagá ao repertório do disco - é carta de intenções que soa mais interessante do que o autorretrato moldado pela artista no samba-título Meu ziriguidum, parceria de Calixto com Gabriel Moura que sinaliza na abertura do CD um viés feminino - reiterado em Musas (Arlindo Cruz e Rogê, 2015), samba lançado por Diogo Nogueira em seu recente CD Porta-voz da alegria (Universal Music / EMI, 2015) - que não se sustenta na regravação de Papo de samba (Carlos Caetano, Moisés Santiago e Flavio da Silva Gonçalves, 2001), pois esta composição que batizou álbum lançado há 14 anos pelo grupo Fundo de Quintal versa sobre universo explicitamente masculino. E por falar no quintal carioca, ele dá bons frutos em Meu ziriguidum. O compositor Leandro Fregonesi fornece um dos melhores sambas inéditos do álbum, Entre você e eu, tema que ganha o toque nordestino do acordeom de Christiano Caldas no arranjo de Thiago Delegado, cantor, compositor e (exímio) violonista mineiro que assina a produção do álbum ao lado de Paulão Sete Cordas. Já Zeca Pagodinho é o convidado que divide com Calixto o balanço de No pé miudinho (Moacyr Luz e Délcio Luiz), outra celebração do samba, assunto que deixa o disco por vezes repetitivo. Compadre de Zeca, Arlindo Cruz comparece em Toda noite, samba de cadência romântica que compôs em parceria com Maurição e que cedeu para Calixto alicerçar o ziriguidum dela. Reforçado por Pedreira, bom samba de Fabinho do Terreiro e Ricardo Barrão, Meu ziriguidum eventualmente balança, mas não cai, sustentando o samba de Aline Calixto na ponte que liga o populoso terreirão carioca aos quintais ainda pouco explorados de Minas Gerais.

Jeferson Garcia disse...

"Ibamolê" é o ponto forte do disco. O canto da Calixto tem muito frescor e alegria. Tirando uma ou outra canção mediana, é um bom disco de samba. Agora a capa é triste. Quem fez essa arte horrenda? Calixto não merecia!

Rafael M. disse...

Achei o disco mediano... Gostei da canção que ela canta com o Arlindo Cruz, letra e melodia perfeitas... Agora também concordo que essa capa é de lascar de ruim...

Marcelo Barbosa disse...

Doido para ouvir. Adorei a versão de Não chora neném do Sambabook.

Dona Emengarda disse...

Bonita cantora!