Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Do tamanho da voz dela, Fafá refaz seu Carnaval com tempero mais moderno

Resenha de CD
Título: Do tamanho certo para o meu sorriso
Artista: Fafá de Belém
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * 1/2

No texto que escreveu para o encarte de seu 25º álbum, Do tamanho certo para o meu sorriso, Fafá de Belém dedica ao povo "livre, leve e solto" do Brasil o disco com que comemora 40 anos de carreira fonográfica, iniciada em 1975 com a gravação do samba baiano Filho da Bahia (Walter Queiroz) para a trilha sonora da novela Gabriela. À venda no iTunes a partir da próxima quinta-feira, 20 de agosto de 2015, o disco é a cara de Fafá e a cara desse povo brasileiro que se deixa seduzir por músicas grandes e pequenas com a mesma paixão. Idealizado pela cantora paraense com o DJ Zé Pedro, Do tamanho certo para o meu sorriso é disco que traz algumas músicas menores do que o canto caloroso e despudorado da intérprete. Mas Fafá amplia essas músicas na gravação pilotada por Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro - pai e filho, guitarristas projetados em diferentes momentos da cena musical do Pará - e as põe do tamanho largo do seu sorriso, da gargalhada que a identifica no imaginário nacional tanto quanto sua voz. Mas, sim, há ao menos uma grande música entre as dez faixas deste disco de tom tecnobrega, formatado somente com as guitarras, as programações, o baixo sintetizado e os teclados pilotados por Felipe e/ou Manoel Cordeiro. Música do cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker, propagada na trilha sonora do filme Tatuagem (Brasil, 2013), Volta encontra em Fafá a perfeita intérprete passional. Acertadamente escolhida como primeiro single do álbum, a gravação de Volta é momento antológico na discografia dessa cantora que sempre encarou de peito aberto as emoções mais quentes do amor. Volta é canção de coração despedaçado, de amante humilhado, veículo ideal para essa cantora que lançou o bolero Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977) e a canção Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996). Canção de amor sem pudor, Volta é a trilha sonora do vitrolão do Brasil de dentro. O Brasil interiorano que Fafá percorre em Asfalto amarelo, parceria inédita de Zeca Baleiro com Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. Asfalto amarelo é o convite de Fafá - feito já na abertura do disco - para que seu público livre, leve e solto venha com ela nessa viagem por municípios do Pará. Sim, Do tamanho certo para o meu sorriso é disco de alma paraense que reconecta ao Fafá aos sons de sua região natal. É álbum de tom contemporâneo que faz sentido na discografia de uma cantora que, décadas após o auge produtivo do compositor paraense Waldemar Henrique (1905 - 1995), repôs os sons e os signos de sua região no mapa musical do Brasil com seu álbum de estreia, Tamba-tajá (Polydor, 1976). Por isso mesmo, é legítimo que o repertório inclua regravação de Ao pôr do sol (Firmo Cardoso e Dino Souza, 1987), tema leve de romantismo explícito que o povo paraense conheceu na voz do cantor santarense Teddy Max (1954 - 2008). Leve ou pesado, o amor sempre foi a principal matéria-prima do repertório de Fafá, cantora que sempre expressou publicamente sua admiração pela cantora fluminense Angela Maria, voz egressa da era do rádio. Por isso, também faz sentido neste disco a regravação de Usei você, abolerada canção do compositor mineiro Silvio César lançada pela Sapoti em álbum de 1971. Como Angela, Fafá é cantora talhada para repetir versos como "Usei você / Mas quem se desgastou fui eu". Apesar do tom tecnobrega do arranjo, Usei você é música que se alinha com a face mais popular da discografia de Fafá - assim como Meu coração é brega, tema (de menor poder de sedução) da obra de Veloso Dias, compositor de Ex mai love (2012), sucesso da paraense Gaby Amarantos. O mundo da MPB pode até dizer não, mas, tem jeito não, o coração brega da cantora pulsa no compasso de músicas sentimentais e diretas que falam a língua do povo livre, leve e solto do Brasil. Por isso, faz sentido - mais uma vez - que o repertório deste álbum pop e popular rebobine dois sucessos do repertório da banda paraense Sayonara, Quem não te quer sou eu (Firmo Cardoso e Nivaldo Fiúza, 2002) - de refrão pegajoso - e Os passa vida (Osmar Jr. e Rambolde Campos, 2004), música menos envolvente que exala o cheiro do Pará. Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro entendem o espírito dessas músicas e agregam valor a elas com seus beats e guitarras. Fafá não faz por menos e se joga de corpo e alma na interpretação deste repertório popular, aumentando o quilate de Pedra sem valor, inédita fornecida pela cantora e compositora paraense Dona Onete, voz veterana do Norte do Brasil. Quente como essas músicas, a voz de Fafá conserva - aos 59 recém-completados anos - a luz reluzente de um verdadeiro brilhante. Mesmo quando a pedra é falsa, a cantora é de verdade. Convite à dança, feito no ritmo de merengue aditivado com guitarrada, Vem que é bom (Ronery e Manoel Cordeiro, 1990) - sucesso da banda paraense Warilou, na estrada há mais de duas décadas - reitera o tom expansivo de um disco que fecha com releitura turbinada, em clima de lambada e guitarrada, de O gosto da vida (Péricles Cavalcanti, 1982), música de cuja letra foi extraído o feliz título Do tamanho certo para o meu sorriso. A faixa embute a sonora gargalhada da artista. Primeiro álbum de estúdio de Fafá em dez anos, Do tamanho certo para o meu sorriso sai também em edição física em CD - no mercado até o fim deste mês de agosto de 2015 - e é veículo para essa cantora de Belém refazer seu Carnaval, entre dilaceradas canções de amor, com tempero mais moderno, um suingue brasileiro e uma alegria em seu coração (assumidamente) passional.  Se você não sabe, ela ainda é Fafá, de Belém e do Brasil.

42 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ No texto que escreveu para o encarte de seu 25º álbum, Do tamanho certo para o meu sorriso, Fafá de Belém dedica ao povo "livre, leve e solto" do Brasil o disco com que comemora 40 anos de carreira fonográfica, iniciada em 1975 com a gravação do samba baiano Filho da Bahia (Walter Queiroz) para a trilha sonora da novela Gabriela. À venda no iTunes a partir da próxima quinta-feira, 20 de agosto de 2015, o disco é a cara de Fafá e a cara desse povo brasileiro que se deixa seduzir por músicas grandes e pequenas com a mesma paixão. Idealizado pela cantora paraense com o DJ Zé Pedro, Do tamanho certo para o meu sorriso é disco que traz algumas músicas menores do que o canto caloroso e despudorado da intérprete. Mas Fafá amplia essas músicas na gravação pilotada por Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro - pai e filho, guitarristas projetados em diferentes momentos da cena musical do Pará - e as põe do tamanho largo do seu sorriso, da gargalhada que a identifica no imaginário nacional tanto quanto sua voz. Mas, sim, há ao menos uma grande música entre as dez faixas deste disco de tom tecnobrega, formatado somente com as guitarras, as programações, o baixo sintetizado e os teclados pilotados por Felipe e/ou Manoel Cordeiro. Música do cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker, propagada na trilha sonora do filme Tatuagem (Brasil, 2013), Volta encontra em Fafá a perfeita intérprete passional. Acertadamente escolhida como primeiro single do álbum, a gravação de Volta é momento antológico na discografia dessa cantora que sempre encarou de peito aberto as emoções mais quentes do amor. Volta é canção de coração despedaçado, de amante humilhado, veículo ideal para essa cantora que lançou o bolero Foi assim (Paulo André Barata e Ruy Barata, 1977) e a canção Abandonada (Michael Sullivan e Paulo Sérgio Valle, 1996). Canção de amor sem pudor, Volta é a trilha sonora do vitrolão do Brasil de dentro. O Brasil interiorano que Fafá percorre em Asfalto amarelo, parceria inédita de Zeca Baleiro com Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. Asfalto amarelo é o convite de Fafá - feito já na abertura do disco - para que seu público livre, leve e solto venha com ela nessa viagem por municípios do Pará. Sim, Do tamanho certo para o meu sorriso é disco de alma paraense que reconecta ao Fafá aos sons de sua região natal. É álbum de tom contemporâneo que faz sentido na discografia de uma cantora que, décadas após o auge produtivo do compositor paraense Waldemar Henrique (1905 - 1995), repôs os sons e os signos de sua região no mapa musical do Brasil com seu álbum de estreia, Tamba-tajá (Polydor, 1976). Por isso mesmo, é legítimo que o repertório inclua regravação de Ao pôr do sol (Firmo Cardoso e Dino Souza, 1987), tema leve de romantismo explícito que o povo paraense conheceu na voz do cantor santarense Teddy Max (1954 - 2008).

Mauro Ferreira disse...

Leve ou pesado, o amor sempre foi a principal matéria-prima do repertório de Fafá, cantora que sempre expressou publicamente sua admiração pela cantora fluminense Angela Maria, voz egressa da era do rádio. Por isso, também faz sentido neste disco a regravação de Usei você, abolerada canção do compositor mineiro Silvio César lançada pela Sapoti em álbum de 1971. Como Angela, Fafá é cantora talhada para repetir versos como "Usei você / Mas quem se desgastou fui eu". Apesar do tom tecnobrega do arranjo, Usei você é música que se alinha com a face mais popular da discografia de Fafá - assim como Meu coração é brega, tema (de menor poder de sedução) da obra de Veloso Dias, compositor de Ex mai love (2012), sucesso da paraense Gaby Amarantos. O mundo da MPB pode até dizer não, mas, tem jeito não, o coração brega da cantora pulsa no compasso de músicas sentimentais e diretas que falam a língua do povo livre, leve e solto do Brasil. Por isso, faz sentido - mais uma vez - que o repertório deste álbum pop e popular rebobine dois sucessos do repertório da banda paraense Sayonara, Quem não te quer sou eu (Firmo Cardoso e Nivaldo Fiúza, 2002) - de refrão pegajoso - e Os passa vida (Osmar Jr. e Rambolde Campos, 2004), música menos envolvente que exala o cheiro do Pará. Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro entendem o espírito dessas músicas e agregam valor a elas com seus beats e guitarras. Fafá não faz por menos e se joga de corpo e alma na interpretação deste repertório popular, aumentando o quilate de Pedra sem valor, inédita fornecida pela cantora e compositora paraense Dona Onete, voz veterana do Norte do Brasil. Quente como essas músicas, a voz de Fafá conserva - aos 59 recém-completados anos - o brilho de um verdadeiro brilhante. Mesmo quando a pedra é falsa, a cantora é de verdade. Convite à dança, feito no ritmo de merengue aditivado com guitarrada, Vem que é bom (Ronery e Manoel Cordeiro, 1990) - sucesso da banda paraense Warilou, na estrada há mais de duas décadas - reitera o tom expansivo de um disco que fecha com releitura turbinada, em clima de lambada e guitarrada, de O gosto da vida (Péricles Cavalcanti, 1982), música de cuja letra foi extraído o feliz título Do tamanho certo para o meu sorriso. A faixa embute a sonora gargalhada da artista. Primeiro álbum de estúdio de Fafá em dez anos, Do tamanho certo para o meu sorriso sai também em edição física em CD - no mercado até o fim deste mês de agosto de 2015 - e é veículo para essa cantora de Belém refazer seu Carnaval, entre dilaceradas canções de amor, com um tempero mais moderno, um suingue brasileiro e uma alegria em seu coração assumidamente passional. Se você não sabe, ela ainda é Fafá, de Belém e do Brasil.

Fabio disse...

Acho exagero dizer que a gravação de Volta seja um momento antológico. Ao ouvir o disco não vi diferença entre Fafá e Gaby Amarantos ou Calypso no quesito batida, apenas a voz é inigualável. Com certeza Fafá perderá um pouco do seu público mais conservador, porém agradará aos que consomem o tecnobrega.
Eu fiquei decepcionado. Não sou crítico, mas tenho quase tudo da Fafá. Daria no máximo ** pro álbum.

Marcelo Barbosa disse...

Hoje ao chegar em casa na hora do almoço, liguei a televisão e a vi cantando Meu coração é brega no programa da Fátima Bernardes. Apesar dos meus preconceitos com o brega, achei a música sensacional. Tem tudo para virar hit!
Abs

Israel Lee disse...

A gravadora Joia Moderna tem na teoria ótimas ideias, e sua existência é fundamental para dar voz a quem - injustamente - anda longe do mercado fonográfico. Mas como de boas intenções o inferno está cheio, às vezes equívocos como esse disco da Fafá acontecem. Escolha de repertório equivocada, arranjos de gosto duvidoso, e no meio disso, uma grande cantora dando o seu melhor. Infelizmente não foi o suficiente. Fafá vai ter que esperar outra chance de fazer um bom disco.

Rafael M. disse...

Eu não gostei da versão de "Volta". Estou curioso para conferir o restante do álbum. Vamos ver se será algo interessante.

BIGODE disse...

Eu não gostei de Volta, adoro a canção e adoro a Fafá mas algo não ficou legal, a musica perdeu a essência....

Não vou culpar gravadora, pq acho o Felipe Cordeiro muito talentoso prá ser induzido a algo, acho que ele e a Fafá não entenderam a canção mesmo, espero e torço que o disco seja melhor que essa faixa, a Fafá merece

RODRIGO SANTOS SANTANA disse...

Boa cantora, repertório péssimo, gravou um punhado de bons discos mas em essência grava coisas de gosto duvidoso, teve sua fase de sertanejo, lambadas e agora tecnobrega. Até que demorou em aparecer com mais alguma coisa de nível raso. Tenho apenas 3 discos dela: Meu Fado, Maria de Fátima Palha Figueredo e ela cantando Chico. O resto é resto.

Igor Alves disse...

Confesso que esperava no mínimo 4 estrelas, mas quanto ao texto concordo em praticamente tudo. Obviamente, não pelo repertório, que, exceto "Volta" (sensacional), não vejo nenhuma grande música. Mas, sim, considerando o arranjo que gostei muito e a voz (que, convenhamos, continua fantástica e inigualável) da Fafá.
Só de ver nossa estrela de volta, mais moderna e não olhando apenas pro passado, já vale a pena. Viva, Fafá!

jose ferreira Calado disse...

Gosto muito de Fafá,mas da que canta Ivan Lins,Aldir Blanc,Milton Nascimento e Chico Buarque;da Fafá do breganejo e do tecnobrega não há nada que possa me seduzir.Todo meu respeito aos que gostam do trabalho atual,porém,se volta é o momento antológico do álbum, com certeza este cd é um dos mais fracos da carreira dessa grande intérprete.

Douglas Carvalho disse...

Não sou entusiasta do Johnny Hooker, que pra mim parece o Reginaldo Rossi vestido com a roupa que o Edson Cordeiro usava em 1992. Mas gostei de Volta na voz da Fafá. Mas pelo que li o disco nem tenta chegar perto das joias dos primeiros anos. Quer mesmo reafirmar a Fafá brega que eu, definitivamente, não gosto.

Marcelo disse...

Volta por Volta....fico com a do Lupicinio! 😉

Rafael M. disse...

O disco infelizmente não está à altura de Fafá... Arranjos péssimos, ela gritando nas faixas, enfim deu tudo errado... Ela merecia comemorar seus 40 anos de carreira em alto estilo... E não cantando tecnobrega... Sinto falta da Fafá dos anos 70, de voz macia e suave...

Val Js disse...

Adoro a Fafá de Belém, mas existem duas cantoras antagônicas que parecem brigar entre si. A discografia do início de carreira é algo impressionante: uma artista que nasceu pronta, cantando com técnica e emoção um repertório inédito altíssima qualidade com arranjos primorosos. Mas ela insiste em nos provocar e dizer que seu coração é brega. Vamos respeitar, pois ela merece todo nosso respeito. Assisti a apresentação da música "Volta" no programa da Fátima Bernardes e achei, com todo respeito, uma verdadeira gritaria. Para quem gosta daquela outra Fafá, que mesmo no olho do furacão brega que assolou a música brasileira no final dos anos 80 (e o seu repertório também), ainda assim foi capaz de cantar "Coração do Agreste" com tanta beleza e sensibilidade, só resta esperar pelo próximo cd.

Estalactites hemorrágicas disse...

Gente, onde vcs conseguiram escutar o disco todo?
O lançamento virtual do mesmo não seria amanhã e o físico dia 25?

Ricardo Sérgio

BIGODE disse...

Tambem estou querendo ouvir o disco todo, só vi o clipe de Volta....e sim concordo com o cara que disse que o Hooker lembra Reginaldo Rossi, aliás vários artistas de Recife são influenciados e tem algo do R R, mas acho isso muito bom, o Rei tem que ser reverenciado....

O blog disse...

Escutei o cd pelo Itunes e adorei. Fafá volta de uma forma triunfal! Estou muito ansioso pra comprar logo o meu. Onde será que vai vender o disco físico?

Roberto de Brito disse...

Assisti a uma entrevista muito interessante da Fafá no programa "Roda viva", onde ela fala da infância, da carreira e da dificuldade que teve em gravar o cd com musicas de Chico, já que nenhuma gravadora aceitou o projeto e ela teve que bancá-lo sozinha. Imagino que esse seja um dos motivos que a levaram a dar essa (re)virada para o popular. Mas acho também que ela quis experimentar fazer um disco com os sons do Pará atual. De qualquer forma, alguns comentários que li aqui me lembraram a mãe de Fafá, que tentava controlar a sua gargalhada quando menina! E não conseguiu!

Flavimar Dïniz disse...

Eu acho que o que falta a Fafá é voltar a ser de Belém, mas não essa Belém de agora, cheia de tecladinhos eletrônicos e sons fáceis. É olhar para dentro das águas dos rios e tirar dali os sons mais incríveis. Sei que é distante, talvez uma coisa que o público não compre de imediato, mas, se o disco seguir a linha de Volta (que é uma música incrível mas na versão da Fafá ficou um pouco pálida), temos a certeza que essa volta ao lar de Fafá ficou muito na superfície, no mais fácil.

O que eu acho que é mais crítico na carreira de Fafá (que é uma cantora que eu adoro, diga-se de passagem), é que ela transitou por estilos tão diversos que acabou se perdendo um pouco pelo caminho. Acho louvável buscar novas referências aqui e ali, mas não dá deixar as raízes de lado.


(p.s.: nem vou comentar dessa capa, que achei paupérrima. esse fundo branco não valoriza nada e Fafá não combina com rounded font!)

Marisa de Souza disse...

Pensei ter entendido que você não ia comentar a capa!!!!!

Douglas Carvalho disse...

Esse concorre ao título de PIOR disco de toda a carreira de Fafá. Muito ruim.

Roberto de Brito disse...

Flavimar, esse cd com Fafá voltando a Belém e olhando para a águas dos rios, ela já fez. É "O canto das águas", de 2002, onde ela inclusive assina como Fafá de Belém do Pará.

flavio ricci disse...

Ouvi o disco....decepcionado ao extremo.

Ju Civita disse...

Confesso! Chorei ao ouvir esse disco. Não foi de emoção. Foi decepção. Como esperei por um disco de inéditas, um disco que resgatasse o brilho de Fafá. Não precisava ser um disco recheado de Miltons, Chicos e Ivans. Mas que tivesse algo a dizer. Era isso que Fafá estava entalado na garganta nesses últimos dez anos? É pouco. Achei pobre! Achei fácil! Repertório fraco! Fico com a sensação de ouvir um Calypso bem cantado. Resumindo: essa não é a Fafá que eu esperava.

Marisa de Souza disse...

Gente chata!

Igor Alves disse...

Quanta gente amargurada. O disco traz uma Fafá feliz, cantando com alegria. E cantando muito. Que voz. Músicas populares sim, mas nada que tire o brilho do disco e da cantora. Como a própria Fafá disse, ela não grava pra vender milhões de discos e sim pra ver as pessoas dançando e cantando junto nos show. Tenho certeza que atingirá esse objetivo. Ela ainda é Fafá!

Douglas Carvalho disse...

O que faz um bom cantor é, acima de qualquer coisa, o repertório que escolhe para cantar. Não adianta absolutamente NADA um cantor ter uma super voz, recursos mil, afinação, potência, e colocar isso a serviço de um punhado de músicas ruins. Tem muito mais valor aquele cantor de recursos mais modestos, mas com inteligência, sensibilidade, bom gosto, boas ideias. Assim como um bom pintor que sabe as técnicas mas não expressa nada ou um bom ator que só atua em peças de teatro medíocres, um bom cantor que só canta música ruim está, APENAS, desperdiçando talento. Foi o que Fafá fez a partir da metade dos anos 80, deu uma melhorada nos anos 2000, mas voltou a praticar nesse disco. Uma grande voz desperdiçada em um repertório de terceira. Quando ouvi "Volta" achei até razoável, mas o disco inteiro foi um banho de água gelada. Dá saudade da voz miúda de Nara Leão ESTRAÇALHANDO a cada disco.

Marisa de Souza disse...

Curiosamente, apesar do repertório criterioso, Nara nunca foi considerada uma grande cantora! O mesmo se pode dizer de Beth Carvalho. Prova de que essa teoria é bem furada!
É impossível agradar a todos!

Douglas Carvalho disse...

Marisa, a teoria não é furada. Vc é que não entendeu mesmo. Nara nunca foi considerada grande cantora mas era uma grande ARTISTA, mesmo sem possuir uma super voz.É justamente disso que estou falando. Nara com a voz pequena dela fez muito melhor em sua discografia inteira do que Fafá, dona de grande voz, na maior parte dos discos que Fafá fez, inclusive o que acabou de sair.

Marisa de Souza disse...

Querido, então compra a caixa de Nara e seja feliz! E deixa a o novo cd Fafá para quem gostou dele. Eu já comprei o meu no ITunes!

Douglas Carvalho disse...

Com certeza! Esse eu não pretendo escutar nem a terceira vez. Passo mesmo. Fico com a Fafá deslumbrante dos primeiros anos.

Fabio disse...

Marisa, quanta grossura. Eu não comprei pelo iTunes porque tenho a assinatura da Apple Music a U$4.99/mês com 3 meses grátis. Comprar esse cdzinho da Fafá por quase U$9 com o câmbio do dólar? Quanta inocência! Hahahah

Estalactites hemorrágicas disse...

Que bom, um(a) artista poder chegar num momento no qual possa fazer o que quer e, acima de tudo com coerência. Numa leitura mais imediata, muitos traduzirão o disco da Fafá como de uma escala menor, não entendi o enredo do samba desa maneira e sim como um Q de ousadia contida na proposta. No atual estágio da carreira de Fafá, ela pode se dar ao luxo de musicar até bula de remédio. Em tempos de escolhas, dê-se ao direito, se permita ao que lhe encanta os ouvidos e a alma. Ainda bem que somos um país plural de cantoras, da mais depressiva e sem voz, até as com punhais cravados nos peitos. "Vc tem a cantora que merece"

Ricardo Sérgio

Marisa de Souza disse...

Grossura é o desrespeito mostrado com a cantora (e com o dono da gravadora) em certos comentários aqui no blog antes mesmo do cd ser lançado!

Marcelo disse...

Esse blog é um barato e sempre divertido!! Uns ataques de pessoas que nem se conhecem, uns usuários com nicks falsos, fãs enlouquecidos desesperadamente defendendo seus artistas prediletos, o dono do blog elogiando 100% os artistas da Joia Moderna, enfim.... no meio de tanta informação musical a gente sempre se diverte!! ;)

Fabio disse...

Ué Marcelo, vc não sabe o porquê do "dono do blog..."? São amicíssimos! Imparcialidade? Hahah!

Marisa de Souza disse...

E muita gente mal-amada, que se dedica a destilar aqui diariamente o seu veneno, para compensar as frustrações e o recalque!

Rafael M. disse...

Eu também sempre me divirto com esses debates no blog, hahaha...

Douglas Carvalho disse...

Criticar cantora é sempre um calvário. Até hoje tem gente que parte para a porrada se você diz que a Marlene era melhor que a Emilinha Borba.

Dona Emengarda disse...

Gente, só uma dica: o crítico aqui é o Mauro!

Val Js disse...

Os artistas têm todo o direito de se expressar de acordo com suas convicções e os fãs também têm o direito de emitir suas opiniões. O problema não é a Fafá ter lançado um álbum cheio de referências à chamada música brega, mas sim ter escolhido um repertório pouco inspirado. Os arranjos com guitarrada paraense soam interessantes, porém as músicas são de doer. Até a Banda Calipso tem repertório melhor que este. Só se salva a regravação de "O gosto da vida" porque a música é boa e que está para Fafá, assim como "Meu nome é Gal" está para Gal. Concordo totalmente com o primeiro comentário do Douglas Carvalho. Uma grande cantora não se faz apenas com uma grande voz (viva Nara Leão). E quem gosta daquela outra Fafá, será que vai ter de esperar mais 10 anos?

Douglas Carvalho disse...

Obrigado, Val. As pessoas acham sempre que quando não se gosta de um disco desse ou daquele artista é "amargor" e um monte de outras besteiras.

Fosse uma cantora de quem eu realmente não gostasse, sequer me preocuparia em escutar. Acho Fafá maravilhosa como cantora, mas isso não dá a ela um salvo-conduto para que eu goste automaticamente de qualquer coisa que ela grave. Justamente por gostar TANTO da fase inicial de Fafá, me incomoda essa insistência em dizer que tem "coração brega".