Mauro Ferreira no G1

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sábado, 28 de março de 2015

Show 'Férias em videotape' confirma toda grandeza de Mazzer como cantora

Resenha de show
Título: Férias em videotape
Artista: Simone Mazzer (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de março de 2015
Cotação: * * * * 1/2

"Babilônica!", gritou um espectador na plateia lotada do Teatro Rival. Hiperbólica, a saudação a Simone Mazzer foi referência ao fato de sua gravação do Tango do mal (Luciano Salvador Bahia, 2014) - uma das 12 músicas do primeiro álbum solo da cantora parananense, Férias em videotape (Pimba, 2015) - estar em rotação na trilha sonora da recém-estreada novela Babilônia. O entusiasmo da plateia fez parte do show realizado pela artista em 24 de março de 2015, no Rio de Janeiro (RJ). A noite era especial. Além de ser a estreia nacional do show Férias em videotape, a apresentação foi feita no dia em que uma reportagem com a cantora - publicada na capa do suplemento cultural de jornal carioca - revelou para público global o que alguns críticos e formadores de opinião já tinham detectado em 2012 na temporada feita pela artista no teatro Café Pequeno, na mesma cidade do Rio de Janeiro: Simone Mazzer é uma grande e necessária cantora. A apresentação do Teatro Rival confirmou para uns e revelou para outros a grandeza do canto dessa artista projetada inicialmente como atriz da Cia. Armazém de Teatro, mas que canta desde 1989. Ao longo de roteiro que distribuiu 20 músicas em 21 números, Mazzer eletrizou o público com interpretações teatrais, quentes, como a de Mente, mente (Robinson Borba, 1986), música que ganha ar flamenco no toque das castanholas percutidas pela própria cantora. É preciso ter personalidade forte para imprimir suas digitais numa música conhecida na voz de Ney Matogrosso. Mazzer tem e torna Mente, mente vibrante. E, quando a cantora se encontra em cena com a atriz, como na performance teatralizada de Parece que bebe (Itamar Assumpção, 1994), o resultado é memorável. O compositor paulista Itamar Assumpção (1949 - 2003), aliás, aparece duplamente no roteiro, pois também é o autor de música menos envolvente, Elza Soares (2010), cuja presença se justifica no show por evocar literalmente o nome da cantora que, no CD Férias em videotape, canta com Mazzer música, Essa mulher (Bernardo Pellegrini, 2015), que, no roteiro do show, vem na sequência de Elza Soares. A propósito, Mazzer acaba de lançar um ótimo disco. Mas seu show é ainda melhor porque é no palco que cantoras de tom teatral se mostram em toda sua plenitude dramática. Sob a direção musical do pianista Marcos Scolari, integrante da banda que inclui também o baixista André Bedurê e o guitarrista Ricco Viana, Mazzer ressalta o drama conjugal que há por trás da animação carnavalesca do samba Camisa listrada (Assis Valente, 1939) e mergulha nas perturbações existenciais expostas pela compositora norte-americana Fiona Apple, autora de Valentine (2012), música cantada por Mazzer na ainda inédita versão em português escrita por Maurício Arruda Mendonça, o compositor do blues Estrela blue, gravado por Mazzer no disco e cantado no show. Com habilidade para escolher repertório longe do trilho da obviedade, a cantora deu voz a um tema regionalista de Gilberto Gil - O amor aqui de casa (2000), de brasilidade abafada pela pegada rocker da banda  - sete números após ter se jogado na pista anos 1990 de Hyper Ballad (Björk, Nellee Hooper e Marius De Vries,1995). Entre um número e outro, Mazzer cantou - somente com a levada do violão de Ricco Viana - uma das baladas mais românticas do repertório do cantor britânico Joe Cocker (1944 - 2014), You're so beautiful (Billy Preston, Bruce Fisher e Dennis Wilson, 1974). Música do primeiro álbum de Angela Ro Ro, cantora e compositora carioca cuja obra arde na fogueira das paixões, Balada da arrasada (Angela Ro Ro, 1979) se ajustou com perfeição ao tom teatral de Mazzer e ao clima de cabaré que pauta o show Férias em videotape. No mesmo ponto de fervura, Vaca profana (Caetano Veloso, 1984) derramou leite bom na cara do público enquanto Sanguessuga & Serafim (Adriano Garib, 1992) espremeu mais gotas de sangue em forma verbal em número que evidenciou o fato de Mazzer cantar também com o corpo, mexido em sintonia com o toque nervoso da bateria de Eduardo Norato. No fim, I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977) - sucesso da cantora norte-americana Donna Summer (1948 - 2012) na era dos dancin' days - tentou se afastar do arranjo visionário de Moroder e Bellotte sem deixar de evocá-lo. Foi o fecho festivo - antes do bis em que a cantora recaiu no mambo  Babalu  (Margarita Lecuona,  1939)  com devoção ao arranjo do grupo paranaense Chaminé Batom - de noite em que Simone Mazzer se confirmou grande cantora.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ "Babilônica!", gritou um espectador na plateia lotada do Teatro Rival. Hiperbólica, a saudação a Simone Mazzer foi referência ao fato de sua gravação do Tango do mal (Luciano Salvador Bahia, 2014) - uma das 12 músicas do primeiro álbum solo da cantora parananense, Férias em videotape (Pimba, 2015) - estar em rotação na trilha sonora da recém-estreada novela Babilônia. O entusiasmo da plateia fez parte do show realizado pela artista em 24 de março de 2015, no Rio de Janeiro (RJ). A noite era especial. Além de ser a estreia nacional do show Férias em videotape, a apresentação foi feita no dia em que uma reportagem com a cantora - publicada na capa do suplemento cultural de jornal carioca - revelou para público global o que alguns críticos e formadores de opinião já tinham detectado em 2012 na temporada feita pela artista no teatro Café Pequeno, na mesma cidade do Rio de Janeiro: Simone Mazzer é uma grande e necessária cantora. A apresentação do Teatro Rival confirmou para uns e revelou para outros a grandeza do canto dessa artista projetada inicialmente como atriz da Cia. Armazém de Teatro, mas que canta desde 1989. Ao longo de roteiro que distribuiu 20 músicas em 21 números, Mazzer eletrizou o público com interpretações teatrais, quentes, como a de Mente, mente (Robinson Borba, 1986), música que ganha ar flamenco no toque das castanholas percutidas pela própria cantora. É preciso ter personalidade forte para imprimir suas digitais numa música conhecida na voz de Ney Matogrosso. Mazzer tem e torna Mente, mente vibrante. E, quando a cantora se encontra em cena com a atriz, como na performance teatralizada de Parece que bebe (Itamar Assumpção, 1994), o resultado é memorável. O compositor paulista Itamar Assumpção (1949 - 2003), aliás, aparece duplamente no roteiro, pois também é o autor de música menos envolvente, Elza Soares (2010), cuja presença se justifica no show por evocar literalmente o nome da cantora que, no CD Férias em videotape, canta com Mazzer música, Essa mulher (Bernardo Pellegrini, 2015), que, no roteiro do show, vem na sequência de Elza Soares. A propósito, Mazzer acaba de lançar um ótimo disco. Mas seu show é ainda melhor porque é no palco que cantoras de tom teatral se mostram em toda sua plenitude dramática.

Mauro Ferreira disse...

Sob a direção musical do pianista Marcos Scolari, integrante da banda que inclui também o baixista André Bedurê e o guitarrista Ricco Viana, Mazzer ressalta o drama conjugal que há por trás da animação carnavalesca do samba Camisa listrada (Assis Valente, 1939) e mergulha nas perturbações existenciais expostas pela compositora norte-americana Fiona Apple, autora de Valentine (2012), música cantada por Mazzer na ainda inédita versão em português escrita por Maurício Arruda Mendonça, o compositor do blues Estrela blue, gravado por Mazzer no disco e cantado no show. Com habilidade para escolher repertório longe do trilho da obviedade, a cantora deu voz a um tema regionalista de Gilberto Gil - O amor aqui de casa (2000), de brasilidade abafada pela pegada rocker da banda - sete números após ter se jogado na pista anos 1990 de Hyper Ballad (Björk, Nellee Hooper e Marius De Vries,1995). Entre um número e outro, Mazzer cantou - somente com a levada do violão de Ricco Viana - uma das baladas mais românticas do repertório do cantor britânico Joe Cocker (1944 - 2014), You're so beautiful (Billy Preston, Bruce Fisher e Dennis Wilson, 1974). Música do primeiro álbum de Angela Ro Ro, cantora e compositora carioca cuja obra arde na fogueira das paixões, Balada da arrasada (Angela Ro Ro, 1979) se ajustou com perfeição ao tom teatral de Mazzer e ao clima de cabaré que pauta o show Férias em videotape. No mesmo ponto de fervura, Vaca profana (Caetano Veloso, 1984) derramou leite bom na cara do público enquanto Sanguessuga & Serafim (Adriano Garib, 1992) espremeu mais gotas de sangue em forma verbal em número que evidenciou o fato de Mazzer cantar também com o corpo, mexido em sintonia com o toque nervoso da bateria de Eduardo Norato. No fim, I feel love (Donna Summer, Giorgio Moroder e Pete Bellotte, 1977) - sucesso da cantora norte-americana Donna Summer (1948 - 2012) na era dos dancin' days - tentou se afastar do arranjo visionário de Moroder e Bellotte sem deixar de evocá-lo. Foi o fecho festivo - antes do bis em que a cantora recaiu no mambo Babalu (Margarita Lecuona, 1939) com devoção ao arranjo do grupo paranaense Chaminé Batom - de noite em que Simone Mazzer se confirmou grande cantora.

Fabio disse...

Acho que a Simone deveria seguir o exemplo da Ava Rocha e liberar seu CD para download.

Apenas achei para venda no iTunes a U$9.99. Não compensa com o dólar a R$3.20.

Rafael M. disse...

Também acho que ela deveria liberar o seu álbum para download gratuito. Muita gente está na expectativa para ouvir esse disco. Bem que ela também poderia fazer um show em BH. Empresários, tragam ela para cá!!!

Pastel Mel disse...

Quando volta a São Paulo? Infelizmente a divulgação não me pegou!!

Bourbon Street é o lugar dela...! local bacana para cantoras talentosas como a Simone!