Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 19 de março de 2015

Pensador protesta em música que radiografa caos sócio-político do Brasil

Chega! O grito de indignação social é dado pelo rapper carioca Gabriel O Pensador em sua nova música, Chega, lançada em 15 de março de 2015 no Facebook e no YouTube. Neste rap de protesto, feito sobre batida inebriante, o artista retrata o caos sócio-político do Brasil de hoje. "Quando eu falo de protesto, não falo da Petrobrás, do mensalão, do metrô de SP ou de nada específico, mas sim de uma insatisfação muito maior, de um cansaço legítimo de tanta coisa acumulada. Hoje meu desabafo é diferente, mais sério e mais abrangente. Já não se trata de personalizar o alvo, o que eu acho errado, mas sim deixar claro que tem muita coisa que precisa ser mudada e muita gente insatisfeita com grandes problemas crônicos que não se resolvem. E, independentemente de quem estiver no poder, acho que nenhum brasileiro deve se acostumar a aceitar nada disso, nem elevar demais as bandeiras dos seus partidos, muito menos encobrindo com elas sua consciência do que é certo ou errado. Acredito que a letra pode ser cantada em coro por pessoas com pensamentos diferentes, nesta lamentável e confusa divisão entre esquerda e direita que vemos hoje no Brasil", argumenta o Pensador a respeito de sua música, uma das melhores e mais contundentes de sua obra, iniciada nos anos 1990. Eis, na íntegra, a letra indignada de Chega:

Chega (Gabriel O Pensador)

Chega!
Que mundo é esse?
Eu me pergunto!
Chega!
Quero sorrir, mudar de assunto!
Falar de coisa boa
Mas minha alma ecoa
Agora um grito
E eu acredito que você vai gritar junto!

A gente é saco de pancada
Há muito tempo e aceita
Porrada da esquerda
Porrada da direita
É tudo flagrante
Novas e velhas notícias
Mentiras verdadeiras
Verdades fictícias

Policia prende o bandido
Bandido volta pra pista
Bandido mata polícia
Polícia mata o surfista
O sangue foi do Ricardo
Podia ser do Medina
Podia ser do seu filho
Jogando bola na esquina

Morreu mais uma menina
Que falta de sorte
Não traficava cocaína
E recebeu pena de morte!
Mais uma bala perdida
Paciência
Pra ela ninguém fez nenhum pedido de clemência

Chega!
Que mundo é esse?
Eu me pergunto!
Chega!
Quero sorrir, mudar de assunto!
Falar de coisa boa
Mas minha alma ecoa
Agora um grito
E eu acredito que você vai gritar junto!

Chega!
Vida de gado, resignado
Chega!
Vida de escravo, de condenado
A corda no pescoço do patrão e do empregado
Quem trabalha honestamente tá sempre sendo roubado

Chega!
Água que falta,
Mágoa que sobra
Chega!
Bando de rato,
Ninho de cobra
Chega!
Obras de milhões de reais
E milhões de pacientes
Sem lugar nos hospitais

Chega!
Falta comida
Sobra pimenta
Chega!
Repressão que não me representa
Chega!
Porrada pra quem ama esse país
E bilhões desviado
Debaixo do meu nariz

Chega!
Contas
Taxas
Impostos
Cobranças

Chega!
Tudo aumenta
Menos a esperança
Multas e pedágios
Para o cidadão normal
E perdão para empresas que cometem
Crime ambiental

Chega!
Um para o crack
Dois para cachaça

Chega!
Pânico
Morte
Dor e Desgraça

Chega!
Lei do mais forte
Lei da mordaça
Desce até o chão na alienação da massa.

Eu vou
Levanta o copo e vamos beber
Levanta o copo e vamos beber!
Eu vou
Levanta o copo e vamos beber!
Um brinde aos idiotas
Incluindo eu e você

Eu vou
Levanta o copo e vamos beber
Levanta o copo e vamos beber!
Eu vou (...) agora eu vou
Levanta o copo e vamos beber!
Um brinde aos idiotas
Incluindo eu e você

Democracia
Que democracia é essa?
O seu direito acaba onde começa o meu
Mas onde o meu começa?
Os fazem a ratoeira e a gente cai
Cada centavos dos bilhões é da carteira aqui que sai

E a gente para juros
Paga entrada e prestação
Paga a conta pela falta de saúde e educação
Para caro pela água, pelo gás, pela luz
Pela paz, pelo crime
Por Alá, por Jesus

Paga imposto
Paga taxa
Aumento do Transporte
Paga crise na Europa
E na América do Norte
Os assassinos na FEBEM
O trabalho infantil na China
E as empresas e os partidos envolvidos em propinas

Chega!
Que mundo é esse?
Eu me pergunto!
Chega!
Quero fugir, mudar de assunto!
Falar de coisa boa
Mas minha alma ecoa
Agora um grito
E eu acredito que você vai gritar junto!

Chega!
Vida de gado, resignado
Chega!
Vida de escravo, de condenado
A corda no pescoço do patrão e do empregado
Quem trabalha honestamente tá sempre sendo roubado

Presidente,
Deputados,
Senadores,
Prefeitos,
Governadores,
Secretários,
Vereadores,
Juízes,
Procuradores,
Promotores,
Delegados,
Inspetores,
Diretores
Um recado pra senhoras e os senhores

Eu pago por tudo isso
Imposto sobre serviço
A taxa sobre produto
Eu pago no meu tributo

Pago pra andar na rua
Pago pra entrar em casa
Pago pra não entrar no SPC e no SERASA
Pago estacionamento, taxa de licenciamento,
Taxa de funcionamento, liberação e alvará.

Passagem
Bagagem
Pesagem
Postagem
Imposto sobre importação e exportação
IPTU E IPVA
O IR, o FGTS, o INSS, o IOF, o IPI, o PIS, o COFINS e o PASEP

A construção do estádio
O operário e o cimento
Eu pago o caveirão
A gasolina e o armamento
A comida do presídio
O colchão incendiado
Eu pago o subsídio absurdo dos deputados

A esmola dos professores
A escola sendo sucateada
O pão de cada merenda
Eu pago o chão da estrada
A compra de cada poste
Eu pago a urna eletrônica
E cada árvore morta
Na nossa Selva Amazônica

Eu pago a conta do SUS
E cada medicamento
A maca que leva os mortos na falta de atendimento
Paguei ontem
Paguei hoje
E amanhã vou pagar
Me respeita!
Eu sou o dono desse lugar
Chega!

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Chega! O grito de indignação social é dado pelo rapper carioca Gabriel O Pensador em sua nova música, Chega, lançada em 15 de março de 2015 no Facebook e no YouTube. Neste rap de protesto, feito sobre batida inebriante, o artista retrata o caos sócio-político do Brasil de hoje. "Quando eu falo de protesto, não falo da Petrobrás, do mensalão, do metrô de SP ou de nada específico, mas sim de uma insatisfação muito maior, de um cansaço legítimo de tanta coisa acumulada. Hoje meu desabafo é diferente, mais sério e mais abrangente. Já não se trata de personalizar o alvo, o que eu acho errado, mas sim deixar claro que tem muita coisa que precisa ser mudada e muita gente insatisfeita com grandes problemas crônicos que não se resolvem. E, independentemente de quem estiver no poder, acho que nenhum brasileiro deve se acostumar a aceitar nada disso, nem elevar demais as bandeiras dos seus partidos, muito menos encobrindo com elas sua consciência do que é certo ou errado. Acredito que a letra pode ser cantada em coro por pessoas com pensamentos diferentes, nesta lamentável e confusa divisão entre esquerda e direita que vemos hoje no Brasil", argumenta o Pensador a respeito de sua música, uma das melhores e mais contundentes de sua obra, iniciada nos anos 1990.

Rafael M. disse...

Letra enorme, hein???

italo vinicius disse...

Maia um soco na cara que Gabriel da !!!
A letra é grande sim mais ouvindo a música VC entende ..

italo vinicius disse...

Boa tarde Mauro tem alguma noticia sobre o novo disco do Zeca ?
Parece que o nome é "Ser Humano"

noca disse...

"Porrada da esquerda,Porrada da direita",isso é fantástico.É o que se tem que gritar nesse momento.Num país em que a grande massa ainda desconhece esse conceito político clássico,Gabriel vislumbra o tanto que essa noção é inadequada e contraditória para o país em caos.E ainda de quebra dá uma porrada nos políticos e intelectuais que ao serem tão bem informados e vaidosos,sejam de "esquerda" ou "direita",mas sobretudo uma elite em comum,estão lutando por é eles mesmos.Daí a merda instalada.Dez Gabriel.Dez!

ADEMAR AMANCIO disse...

Pra cantar isso em show só lendo a letra.Um acréscimo,a falida Febem foi substituída pela Fundação casa,mas continua tudo igual.