Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 20 de março de 2015

(Quase) aos 70, Gal amalgama 70 anos de música brasileira em disco e show

EDITORIAL - 70 neles! O título da marchinha 70 neles (Antônio Edgard Gianullo e Vicente de Paula Salvia), gravada por Gal Costa em 1986 para animar a torcida pela Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo no México naquele ano, bem poderia ser o lema da cantora baiana neste ano de 2015. Ano já especial na cronologia de Gal. A caminho dos 70 anos, a serem completados em 26 de setembro, Gal lança dois projetos simultâneos que abarcam 70 anos de música brasileira em período que vai da década de 1940 aos anos 2010. E o interessante é que ambos os projetos - o disco de inéditas que vai ser lançado em abril pela gravadora Sony Music e o show Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues, cuja turnê nacional estreia em 25 de março, em Porto Alegre (RS) - amalgamam esses 70 anos de música brasileira sem erguer muros estéticos. Na voz de Gal, esses 70 anos vão soar juntos e misturados sob a direção artística de Marcus Preto. O show com as canções do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) - previsto para ser gravado ao vivo para gerar CD incluído no contrato assinado por Gal com o projeto Natura Musical, patrocinador do espetáculo idealizado por J. Velloso - vai reembalar a obra de Lupicínio, consolidada a partir dos anos 1940, em formato moderno, já que a banda é formada por músicos da cena contemporânea brasileira como o tecladista capixaba Lúcio Silva e o baterista pernambucano Pupillo Oliveira. Já o disco - produzido por Moreno Veloso com Kassin - ergue no repertório pontes que não separam, mas, ao contrário, unem compositores de diferentes gerações e estilos. Se Caetano Veloso assina letra feita para melodia criada por seu filho Zeca Veloso (Você me deu), Milton Nascimento se une com Criolo em Dez anjos enquanto o arranjador e pianista fluminense Lincoln Olivetti (1954 - 2015) é revivido como compositor em parceria com Rogê (Muita sorte) que se tornou póstuma ao longo da gravação do disco de Gal, produzido desde 2014. Não é só. No CD, a cantora também dá sua voz cristalina a músicas de compositores que romperam com padrões da MPB que tem na obra da própria Gal um de seus pilares mais sólidos. Estão lá na ficha técnica compositores como Domenico Lancellotti (parceiro de Moreno Veloso em Anuviar), Jonas Sá (parceiro de Alberto Continentino em Casca, música lançada pelo grupo carioca Tono em 2010), Lirinha (Jabitacá, parceria com Junio Barreto e com Bactéria), Mallu Magalhães (Quando você olha pra ela), Marcelo Camelo (autor da já conhecida Espelho d'água, canção letrada por seu irmão Thiago Camelo), e Marisa Monte (coautora de Amor, se acalme ao lado dos parceiros Arnaldo Antunes e Cezar Mendes). Sem falar em Céu - coautora de uma das 15 inéditas - e em Arthur Nogueira (parceiro do poeta Antonio Cícero em Sem medo nem esperança), nomes que talvez provoquem indiferença na geração que acompanha Gal desde os anos 1960, mas que prescindem do aval dessa geração MPB para existir porque há uma cena que os legitima. Enfim, Gal Costa está aí, à beira dos 70 anos, mas com vigor jovial, pronta para encarar 70 anos de música popular brasileira em dois projetos simultâneos que devem provar que o tempo da grande cantora voltou a ser hoje. 70 neles!

17 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ EDITORIAL - 70 neles! O título da marchinha 70 neles (Antônio Edgard Gianullo e Vicente de Paula Salvia), gravada por Gal Costa em 1986 para animar a torcida pela Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo no México naquele ano, bem poderia ser o lema da cantora baiana neste ano de 2015. Ano já especial na cronologia de Gal. A caminho dos 70 anos, a serem completados em 26 de setembro, Gal lança dois projetos simultâneos que abarcam 70 anos de música brasileira em período que vai da década de 1940 aos anos 2010. E o interessante é que ambos os projetos - o disco de inéditas que vai ser lançado em abril pela gravadora Sony Music e o show Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues, cuja turnê nacional estreia em 25 de março, em Porto Alegre (RS) - amalgamam esses 70 anos de música brasileira sem erguer muros estéticos. Na voz de Gal, esses 70 anos vão soar juntos e misturados sob a direção artística de Marcus Preto. O show com as canções do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) - previsto para ser gravado ao vivo para gerar CD incluído no contrato assinado por Gal com o projeto Natura Musical, patrocinador do espetáculo idealizado por J. Velloso - vai reembalar a obra de Lupicínio, consolidada a partir dos anos 1940, em formato moderno, já que a banda é formada por músicos da cena contemporânea brasileira como o tecladista capixaba Lúcio Silva e o baterista pernambucano Pupillo Oliveira. Já o disco - produzido por Moreno Veloso com Kassin - ergue no repertório pontes que não separam, mas, ao contrário, unem compositores de diferentes gerações e estilos. Se Caetano Veloso assina letra feita para melodia criada por seu filho Zeca Veloso (Você me deu), Milton Nascimento se une com Criolo em Dez anjos enquanto o arranjador e pianista fluminense Lincoln Olivetti (1954 - 2015) é revivido como compositor em parceria com Rogê (Muita sorte) que se tornou póstuma ao longo da gravação do disco de Gal, produzido desde 2014. Não é só. No CD, a cantora também dá sua voz cristalina a músicas de compositores que romperam com padrões da MPB que tem na obra da própria Gal um de seus pilares mais sólidos. Estão lá na ficha técnica compositores como Domenico Lancellotti (parceiro de Moreno Veloso em Anuviar), Jonas Sá (parceiro de Alberto Continentino em Casca), Lirinha (Jabitacá, parceria com Junio Barreto), Mallu Magalhães (Quando você olha pra ela), Marcelo Camelo (autor da já conhecida Espelho d'água, canção letrada por seu irmão Thiago Camelo), e Marisa Monte (coautora de Amor, se acalme ao lado dos parceiros Arnaldo Antunes e Cezar Mendes). Sem falar em Céu e em Arthur Nogueira (parceiro do poeta Antonio Cícero em Sem medo), nomes que talvez provoquem indiferença na geração que acompanha Gal desde os anos 1960, mas que prescindem do aval dessa geração MPB para existir. Enfim, Gal Costa está aí, à beira dos 70 anos, mas com vigor jovial, pronta para encarar 70 anos de música brasileira em dois projetos simultâneos que devem provar que o tempo da grande cantora voltou a ser hoje. 70 neles!

Clayton Moreira disse...

Por falar em efemérides, Haroldo Barbosa completaria 100 anos neste sábado. Caberia um post dedicado a ele, não?

Mauro Ferreira disse...

Cabe, sim, Clayton. Admito que tinha esquecido do centenário do Haroldo, mas um artigo de João Máximo, publicado hoje n'O Globo', me lembrou essa efeméride. abs

Rafael M. disse...

70 anos bem vividos e bem cantados da Gal! Que ela viva com saúde, paz, e com sua voz robusta, que a cada dia que passa está linda como de costume.

Rafael M. disse...

Estou na expectativa para ouvir logo estes 2 novos trabalhos de Gal: seu novo disco e o álbum dedicado a Lupicínio. Dá-lhe, Gal!!! Cada vez produzindo mais e com qualidade.

lurian disse...

Pelos visto a música que recebeu da Calcanhotto dançou...
:(

Natival disse...

O tracklist do disco tem 15 músicas. Mauro listou 10. Ainda há esperanças para a inédita de Adriana.

noca disse...

Belos exemplos...De vida,talento,coragem ,renovação e confiança nas novas gerações.Parabéns Gal!!!

Cica Pu disse...

Gal Costa tem uma carreira extraordinária. Sempre na dela, sempre alegre e de bem com a música. Ela sempre foi uma cantora aberta, receptiva, de bem com a vida e de bem com os artista que estão em volta dela. Não é a toa que é considerada uma "escola" para muitas cantoras e quando falo isso não é só pelo canto é também pelas atitudes enquanto artista, sua beleza, seu jeito único de cantar, seu cabelo, gestos etc. Salve uma das maiores cantoras do mundo e graças a Deus é nossa, brasileira. Maior orgulho em poder dizer que nasceu aqui uma das maiores cantoras do planeta.

Vitor Salz disse...

Gal mostra com esses novos trabalhos que a sua vitalidade musical - por um tempo, aparentemente preguiçosa e adormecida - é inerente a idade. Setenta anos de vida, cinquenta de carreira e muito ainda por fazer, nos oferecer e contribuir para o constante enriquecimento da Música Popular Brasileira. Gal Costa é "Ave Rara"!

Marcelo disse...

Espero q Gal disfarce muito bem a leitura das canções no show do Lupicinio!!!

Douglas Carvalho disse...

E essa capa desse CD novo que não liberam nem sob decreto???

Mauro Ferreira disse...

Não, Douglas, essa não é a capa do CD. É uma foto feita para divulgar o projeto do Lupicínio Rodrigues. abs, MauroF

Marcelo disse...

Mauro....acho que o Douglas não colocou acento agudo no E.... A pergunta tem outra conotação...Acho eu...

Mauro Ferreira disse...

É verdade, Marcelo. Abs, MauroF

Douglas Carvalho disse...

Isso! Escrevi em baianês castiço. Quero saber quando vão liberar a capa.

Mauro Ferreira disse...

Douglas, nada foi divulgado oficialmente, ainda, sobre este disco de Gal. Todas as notas que dei, inclusive a gravação do disco (no ano passado) e os nomes das músicas (em 2 de março deste ano) foram frutos de informações obtidas em caráter sigiloso. Abs, MauroF