Mauro Ferreira no G1

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sábado, 28 de março de 2015

Enfim solo, Martin canta outras histórias e sons em 'Quando um não quer'

Resenha de CD
Título: Quando um não quer
Artista: Martin
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 

Martin Mendonça sempre foi perfilado como o guitarrista da banda de Pitty. O que de fato ele é desde 2004. Mas, aos poucos, o artista baiano foi arriscando sair da sombra da patroa conterrânea. Em 2010, o compositor e músico apresentou álbum, Dezenove vezes amor (Independente), assinado com o baterista baiano Duda Machado. Na sequência, a partir de 2011, Martin obteve mais visibilidade ao formar com Pitty o duo de folk Agridoce, atualmente em recesso por tempo indeterminado. Talvez a exposição inevitável no Agridoce - cujo primeiro e (por ora) único álbum originou turnê de sucesso - tenha encorajado Martin a se lançar em carreira solo. Lançado neste mês de março de 2015 pela gravadora Deck, por enquanto em formato exclusivamente digital, o primeiro álbum solo de Martin, Quando um não quer, alinha nove músicas, sendo oito de autoria de Martin. A primeira impressão não é boa, por conta da disposição equivocada das nove faixas no disco. A levada pop folk que conduz Linda até estabelece conexão sutil com o som do Agridoce, mas o refrão de versos como "Linda, dona do meu pensamento / Mãe de todo o meu tormento" caberia mais numa canção popular radiofônica dentre as muitas compostas nos anos 1980 pela dupla de hitmakers Michael Sullivan e Paulo Massadas. Na sequência, Outra história é contada no compasso do rock, evidenciando que o canto é o ponto fraco do excelente guitarrista e (ainda) oscilante compositor. Não por acaso, o álbum está repleto de convidados que colaboram com Martin no canto das nove músicas. Contudo, o cantor paulistano Leo Cavalcanti - convidado de Algum lugar, faixa que se desenvolve num crescendo instrumental que culmina com zoeira hard - tampouco altera a apatia vocal (de parte) do álbum. Sem chamar atenção em O fimQuando um não quer começa a dizer a que veio e a engrenar a partir da quinta música, Mesmo, parceria de Martin com José Paes Lira. Vocalista do extinto grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, Lirinha faz enérgico dueto com Pitty nessa faixa que evoca o som gutural do cantor e guitarrista norte-americano Josh Homme, motor da banda norte-americana Queens of the Stone Age e influência assumida de Martin. Única música não assinada por Martin, Coisas boas (Fabio Cascadura e Ricardo Flash Alves) mantém o disco na pressão, cantada por Martin com Chuck Hipólitho (da banda paulistana Vespas Mandarinas). Sun ilumina ecos do grunge na voz de Fabio Cascadura, parceiro de Martin no tema. Já o hard rock Caos se faz ouvir na multidão com a adesão de Jajá Cardoso, vocalista e guitarrista da banda baiana Vivendo do Ócio. Dos cinco minutos da faixa, os dois últimos são de pura porradaria instrumental. Aliás, no quesito instrumental, o disco - produzido pelo próprio Martin - é muito bem tocado. Tanto pelo criador do disco como por músicos como Pupillo (bateria), Duda Machado (também na bateria) e Marcelo Gross (bateria, guitarra e bandolim). No fim, o tema instrumental Rotina arremata o disco com delicadeza que contrasta com o peso de outras músicas, sinalizando o caráter multifacetado do som solo de Martin. O artista canta outras histórias em Quando um não quer sem se prender a um gênero específico. O que talvez contribua para que Martin Mendonça continue sendo apontado na mídia musical - sem demérito... - como o guitarrista da banda de Pitty.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Martin Mendonça sempre foi perfilado como o guitarrista da banda de Pitty. O que de fato ele é desde 2004. Mas, aos poucos, o artista baiano foi arriscando sair da sombra da patroa conterrânea. Em 2010, o compositor e músico apresentou álbum, Dezenove vezes amor (Independente), assinado com o baterista baiano Duda Machado. Na sequência, a partir de 2011, Martin obteve mais visibilidade ao formar com Pitty o duo de folk Agridoce, atualmente em recesso por tempo indeterminado. Talvez a exposição inevitável no Agridoce - cujo primeiro e (por ora) único álbum originou turnê de sucesso - tenha encorajado Martin a se lançar em carreira solo. Lançado neste mês de março de 2015 pela gravadora Deck, por enquanto em formato exclusivamente digital, o primeiro álbum solo de Martin, Quando um não quer, alinha nove músicas, sendo oito de autoria de Martin. A primeira impressão não é boa, por conta da disposição equivocada das nove faixas no disco. A levada pop folk que conduz Linda até estabelece conexão sutil com o som do Agridoce, mas o refrão de versos como "Linda, dona do meu pensamento / Mãe de todo o meu tormento" caberia mais numa canção popular radiofônica dentre as muitas compostas nos anos 1980 pela dupla de hitmakers Michael Sullivan e Paulo Massadas. Na sequência, Outra história é contada no compasso do rock, evidenciando que o canto é o ponto fraco do excelente guitarrista e (ainda) oscilante compositor. Não por acaso, o álbum está repleto de convidados que colaboram com Martin no canto das nove músicas. Contudo, o cantor paulistano Leo Cavalcanti - convidado de Algum lugar, faixa que se desenvolve num crescendo instrumental que culmina com zoeira hard - tampouco altera a apatia vocal (de parte) do álbum. Sem chamar atenção em O fim, Quando um não quer começa a dizer a que veio e a engrenar a partir da quinta música, Mesmo, parceria de Martin com José Paes Lira. Vocalista do extinto grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, Lirinha faz enérgico dueto com Pitty nessa faixa que evoca o som gutural do cantor e guitarrista norte-americano Josh Homme, motor da banda norte-americana Queens of the Stone Age e influência assumida de Martin. Única música não assinada por Martin, Coisas boas (Fabio Cascadura e Ricardo Flash Alves) mantém o disco na pressão, cantada por Martin com Chuck Hipólitho (da banda paulistana Vespas Mandarinas). Sun ilumina ecos do grunge na voz de Fabio Cascadura, parceiro de Martin no tema. Já o hard rock Caos se faz ouvir na multidão com a adesão de Jajá Cardoso, vocalista e guitarrista da banda baiana Vivendo do Ócio. Dos cinco minutos da faixa, os dois últimos são de pura porradaria instrumental. Aliás, no quesito instrumental, o disco - produzido pelo próprio Martin - é muito bem tocado. Tanto pelo criador do disco como por músicos como Pupillo (bateria), Duda Machado (também na bateria) e Marcelo Gross (bateria, guitarra e bandolim). No fim, o tema instrumental Rotina arremata o disco com delicadeza que contrasta com o peso de outras músicas, sinalizando o caráter multifacetado do som solo de Martin. O artista canta outras histórias em Quando um não quer sem se prender a um gênero específico. O que talvez contribua para que Martin Mendonça continue sendo apontado na mídia musical - sem demérito... - como o guitarrista da banda de Pitty.

Clayton Moreira disse...

Mestre Hermínio Bello de Carvalho completa 80 anos neste sábado. Acho que caberia um post-homenagem a esse grande poeta, Mauro!

Clayton Moreira disse...

Mestre Hermínio Bello de Carvalho completa 80 anos neste sábado. Acho que caberia um post-homenagem a esse grande poeta, Mauro!

Mauro Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mauro Ferreira disse...

Cabe, sim, Clayton. Mas não vai rolar. O fim de semana está agitado. Tem show da Gal, quero postar o release do disco da Elba (texto assinado por mim), ainda tem que entrar resenha e roteiro do show da Simone Mazzer. Enfim, não rola. Mas grato pela lembrança. Abs, MauroF