Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 11 de março de 2015

'Fala meu nome aí' põe Mumuzinho na roda desencanada de sua geração

Resenha de CD
Título: Fala meu nome aí
Artista: Mumuzinho
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 1/2

Aos 31 anos, o cantor e compositor carioca Márcio da Costa Batista, o Mumuzinho, é a personificação do samba jovem aos olhos do mercado fonográfico brasileiro. Popularizado em escala nacional por integrar o elenco do programa da TV Globo Esquenta, comandado pela apresentadora Regina Casé nas tardes de domingo, o artista se conecta com sua geração em seu terceiro álbum de estúdio, Fala meu nome aí, lançado ontem, 10 de março de 2015, via Universal Music. O título Fala meu nome aí reproduz pedido feito por compositores nas rodas de samba armadas nos nobres quintais cariocas. Para dar aval ao artista, Zeca Pagodinho comparece no samba que dá nome ao disco, Fala meu nome aí (André Renato, Gilson Bernini e Mumuzinho). Mas a roda de Mumuzinho é a do pagode romântico. O artista toma partido de um samba de menor altitude artística - e o fato de a produção do CD ter sido confiada a Bruno Cardoso e a Lelê, integrantes do grupo Sorriso Maroto que se tornaram empresários, já diz muito sobre o quarto título da discografia de Mumuzinho, iniciada de forma independente com o álbum Transpirando amor (2011). Em sintonia com o tempo do artista, o romantismo pagodeiro de Mumuzinho é revestido de alegria jovial, como já sinalizara em janeiro o single Design (Claudemir, Mario Cleide e Rosana Silva). Os termos tecnológicos usados na construção das letras de Teste de conhecimento (Claudemir e Diney) e Configurações do amor (Claudemir, Mumuzinho e Diney) reforçam o link do cantor com uma geração conectada por redes sociais. A questão é que o pagode cantado por Mumuzinho reverbera também a trivialidade que pauta o atual cancioneiro popular do Brasil. Sambas como Fulminante (Suel e Alan Lima) e Frases do amor (Délcio Luz e Pezinho) jamais têm o sabor poético e melódico dos frutos mais selecionados dos quintais da geração anos 1980 do Cacique de Ramos. Não por acaso, as duas melhores composições do disco são justamente as regravações de dois sambas oriundos dos anos 1990. Sucesso na voz da cantora paulista Eliana de Lima em 1991, Desejo de amar (Gabú e Marinheiro) é inspirado pagode romântico desvalorizado no registro de Mumuzinho pelo convite marqueteiro à atriz Carolina Dieckmann para cantar o samba com o artista. A tecnologia de estúdio faz com que Dieckmann soe afinadinha, mas a interpretação em si é pálida. De resultado mais feliz, a outra regravação é Identidade, samba de 1992 em que seu compositor Jorge Aragão exalou orgulho negro para dar seu recado politizado contra o preconceito racial. A propósito, Crianças do Brasil (Carica e Prateado) também dá toque social em letra que destoa de repertório de tom mais desencanado. Quando fala de amor, como no pagode Latente (Claudemir, Mario Cleide, Rosana Silva e Ferrugem), Mumuzinho geralmente se desvia do tom lamurioso de antigos sambas do gênero. Até aí o sambista fala a língua de sua geração, mais descompromissa nas coisas do amor. Enfim, Mumuzinho está longe dos quintais da geração de ouro de Zeca Pagodinho,  mas parece à vontade (na sua própria)  roda.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Aos 31 anos, o cantor e compositor carioca Márcio da Costa Batista, o Mumuzinho, é a personificação do samba jovem aos olhos do mercado fonográfico brasileiro. Popularizado em escala nacional por integrar o elenco do programa da TV Globo Esquenta, comandado pela apresentadora Regina Casé nas tardes de domingo, o artista se conecta com sua geração em seu terceiro álbum de estúdio, Fala meu nome aí, lançado ontem, 10 de março de 2015, via Universal Music. O título Fala meu nome aí reproduz pedido feito por compositores nas rodas de samba armadas nos nobres quintais cariocas. Para dar aval ao artista, Zeca Pagodinho comparece no samba que dá nome ao disco, Fala meu nome aí (André Renato, Gilson Bernini e Mumuzinho). Mas a roda de Mumuzinho é a do pagode romântico. O artista toma partido de um samba de menor altitude artística - e o fato de a produção do CD ter sido confiada a Bruno Cardoso e a Lelê, integrantes do grupo Sorriso Maroto que se tornaram empresários, já diz muito sobre o quarto título da discografia de Mumuzinho, iniciada de forma independente com o álbum Transpirando amor (2011). Em sintonia com o tempo do artista, o romantismo pagodeiro de Mumuzinho é revestido de alegria jovial, como já sinalizara em janeiro o single Design (Claudemir, Mario Cleide e Rosana Silva). Os termos tecnológicos usados na construção das letras de Teste de conhecimento (Claudemir e Diney) e Configurações do amor (Claudemir, Mumuzinho e Diney) reforçam o link do cantor com uma geração conectada por redes sociais. A questão é que o pagode cantado por Mumuzinho reverbera também a trivialidade que pauta o atual cancioneiro popular do Brasil. Sambas como Fulminante (Suel e Alan Lima) e Frases do amor (Délcio Luz e Pezinho) jamais têm o sabor poético e melódico dos frutos mais selecionados dos quintais da geração anos 1980 do Cacique de Ramos. Não por acaso, as duas melhores composições do disco são justamente as regravações de dois sambas oriundos dos anos 1990. Sucesso na voz da cantora paulista Eliana de Lima em 1991, Desejo de amar (Gabú e Marinheiro) é inspirado pagode romântico desvalorizado no registro de Mumuzinho pelo convite marqueteiro à atriz Carolina Dieckmann para cantar o samba com o artista. A tecnologia de estúdio faz com que Dieckmann soe afinadinha, mas a interpretação em si é pálida. De resultado mais feliz, a outra regravação é Identidade, samba de 1992 em que seu compositor Jorge Aragão exalou orgulho negro para dar seu recado politizado contra o preconceito racial. A propósito, Crianças do Brasil (Carica e Prateado) também dá toque social em letra que destoa de repertório de tom mais desencanado. Quando fala de amor, como no pagode Latente (Claudemir, Mario Cleide, Rosana Silva e Ferrugem), Mumuzinho geralmente se desvia do tom lamurioso de antigos sambas do gênero. Até aí o sambista fala a língua de sua geração, mais descompromissa nas coisas do amor. Enfim, Mumuzinho está longe dos quintais da geração de ouro de Zeca Pagodinho, mas parece à vontade (na sua própria) roda.

Rafael M. disse...

Mauro, o primeiro disco solo de Ava Rocha está disponível para download gratuito no site dela. Você irá fazer a resenha do álbum?

http://www.avarocha.com/

Rafael M. disse...

Lixo musical. Tô fora!!!

CelloPiazza disse...

Prefiro ESQUECE MEU NOME AÍ... tem mais a ver comigo em relação a este moço.