Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


domingo, 7 de dezembro de 2014

Bethânia se reencontra em cena com produtor de dois discos marcantes

 EDITORIAL - A assinatura do produtor Guto Graça Mello na direção musical do show que Maria Bethânia estreia em 10 de janeiro de 2015 no Rio de Janeiro (RJ) - e que grava ao vivo ao longo do próximo ano para edição de DVD - é digna de nota. Guto foi o produtor de dois álbuns marcantes na trajetória musical da intérprete baiana (e coprodutor de um terceiro, Dezembros, gravado em 1986 sob a direção artística de Caetano Veloso). Dois discos que simbolizaram viradas na carreira da artista. Ciclo (PolyGram, 1983), o primeiro deles, foi um LP acústico em que Bethânia pegou a contramão da trilha seguida pelo mercado fonográfico e a música brasileira nos anos 1980, década em que imperaram os teclados eletrônicos e o tecnopop. Álbum interiorizado, já eleito pela cantora o seu preferido dentre os numerosos títulos de discografia iniciada em 1965, Ciclo marcou início de período em que Bethânia transitou voluntariamente pelas margens de seu nobre caminho. É o disco de Motriz (Caetano Veloso) e Fogueira (Angela RoRo), canções que transcenderam aquele momento introspectivo de 1983 tão bem compreendido pelo produtor. Mas ele foi além. Exatos 10 anos depois, Guto Graça Mello orquestrou um outro disco de virada, As canções que você fez pra mim (PolyGram, 1993), álbum teatral, majestoso, expansivo, inteiramente dedicado ao cancioneiro de Roberto Carlos (composto com Erasmo Carlos, mas lançado e marcado na voz de Roberto). Álbum que reconduziu Bethânia ao posto de grande vendedora de discos, As canções que você fez pra mim exemplificou a habilidade de Guto para orquestrar momentos em que a intérprete sai do casulo e expõe toda sua força teatral. O que aumenta a expectativa pela estreia do show que celebra os 50 anos de carreira de Bethânia (em foto de Tomás Rangel). Desde o rompimento com o maestro Jaime Alem, que regeu discos e shows da artista de 1988 até 2010, a cantora ficou sem um diretor musical forte como seu canto. A assinatura de Wagner Tiso no show Carta de amor (2012 / 2012) resultou pouco nítida. Resta saber se, no posto de diretor musical, Guto Graça Mello vai orquestrar um show de som marcante como os álbuns que produziu em 1983 e em 1993.

8 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Editorial - A assinatura do produtor Guto Graça Mello na direção musical do show que Maria Bethânia estreia em 10 de janeiro de 2015 no Rio de Janeiro (RJ) - e que grava ao vivo ao longo do próximo ano para edição de DVD - é digna de nota. Guto foi o produtor de dois álbuns marcantes na trajetória musical da intérprete baiana. Dois discos que simbolizaram viradas na carreira da artista. Ciclo (PolyGram, 1983), o primeiro deles, foi um disco acústico em que Bethânia pegou a contramão da trilha seguida pelo mercado fonográfico e a música brasileira nos anos 1980, década em que imperaram os teclados eletrônicos e o tecnopop. Álbum interiorizado, já eleito pela cantora o seu preferido dentre os numerosos títulos de discografia iniciada em 1965, Ciclo marcou início de período em que Bethânia transitou voluntariamente pelas margens de seu nobre caminho. É o disco de Motriz (Caetano Veloso) e Fogueira (Angela RoRo), canções que transcenderam aquele momento introspectivo de 1983 tão bem compreendido pelo produtor. Mas ele foi além. Exatos 10 anos depois, Guto Graça Mello orquestrou um outro disco de virada, As canções que você fez pra mim (PolyGram, 1993), álbum teatral, majestoso, expansivo, inteiramente dedicado ao cancioneiro de Roberto Carlos (composto com Erasmo Carlos, mas lançado e marcado na voz de Roberto). Álbum que reconduziu Bethânia ao posto de grande vendedora de discos, As canções que você fez pra mim exemplificou a habilidade de Guto para orquestrar momentos em que a intérprete sai do casulo e expõe toda sua força teatral. O que aumenta a expectativa pela estreia do show que celebra os 50 anos de carreira de Bethânia (em foto de Tomás Rangel). Desde o rompimento com o maestro Jaime Alem, que regeu discos e shows da artista de 1988 até 2010, a cantora ficou sem um diretor musical forte como seu canto. A assinatura de Wagner Tiso no show Carta de amor (2012 / 2012) resultou pouco nítida. Resta saber se, no posto de diretor musical, Guto Graça Mello vai orquestrar um show de som marcante como os álbuns que produziu em 1983 e em 1993.

Catarina Leal disse...

Além desses dois discos, Guto Graça Mello assinou também o "Dezembros", junto com Caetano, não é?

Mauro Ferreira disse...

Sim, Catarina, assinou, mas sob a direção artística de Caetano. De todo modo, acrescentei ao texto esta observação. Grato pelo toque. Abs, MauroF

Luís Cláudio Azeredo disse...

Estarei na estréia do dia 10 com parentes e amigos para celebrar este momento marcante dos 50 anos de carreira. Esperamos ouvir as pérolas que marcaram essa trajetória, principalmente do ciclo de Álibi a Alteza, passando por Memória da Pele e Dezembros.

lurian disse...

Só lamento que Wagner Tiso não tenha deixado uma marca mais perceptivel na obra de Bethânia...

CelloPiazza disse...

Wagner foi um relâmpago que passou pela obra da Abelha Rainha... Infelizmente, não deixou marcas.

Luca disse...

acho que esse show vai tá mais pra ciclo que pras cançoes

Marcelo disse...

Espero que ela não priorize o lado caboclo e sertanejo CHATÉRRIMO que vem explorando em seus mais recentes trabalhos...