Mauro Ferreira no G1

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sábado, 27 de dezembro de 2014

Céu esbanja elegância e sedução na primeira gravação ao vivo de show

Resenha de CD e DVD
Título: Céu ao vivo
Artista: Céu
Gravadora: Urban Jungle / Slap  / Som Livre
Cotação: * * * * 1/2

Primeiro nome da cena musical contemporânea de São Paulo (SP) a ganhar projeção, Céu - cantora e compositora que despontou em 2005 com a edição de um primeiro álbum batizado com seu nome artístico - chega ao DVD no timing certo. Em vez de ceder à tentação de lançar logo um DVD (produto por vezes redundante que somente alcançou relevância na indústria fonográfica do Brasil), a artista esperou três álbuns de estúdio para fazer seu primeiro registro ao vivo de show, captado em 30 de julho de 2014 no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo (SP), sob direção de The Wolfpack. Síntese da primeira década de carreira da artista,  Céu ao vivo chega ao mercado no momento ideal porque flagra a cantora sob a ótica mais pop e solar de seu terceiro álbum, Caravana sereia bloom (Urban Jungle / Universal Music, 2012). Produzido pela própria Céu com Gui Amabis, este disco desanuviou o som da cantora após as densas camadas de dub do antecessor Vagarosa (Six Degrees Records / Universal Music, 2009), disco que representou o ápice da conexão de Céu com o produtor Beto Villares. Céu ao vivo se afina com o tom de Caravana sereia bloom, até porque a apresentação vista pelo DVD - com exibição compulsória de cenas de making of entre os 24 números musicais - deriva do show da turnê promocional do terceiro álbum da artista. E o fato é que, nesse tom, a cantora esbanja elegância e sedução nesta sua primeira gravação ao vivo, feita sob a direção e produção musical da própria Céu. Entre músicas de seus três álbuns, a cantora dá voz a temas inéditos em sua voz. Sucesso de Pepeu Gomes na década de 1980, Mil e uma noites de amor (Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1985) - música lançada pelo cantor, compositor e guitarrista baiano no álbum Energia positiva (CBS, 1985) - ganha frescor na voz de Céu. Grande sucesso do cantor e compositor porto-riquenho Bobby Capó (1922 - 1989), o bolero Piel canela (Félix Manuel Rodríguez Capó, 1952) é temperado com levada caribenha em instante de latinidade (pena que Piel canela entrou somente no DVD). Presos no início da apresentação, aberta com a abordagem em clima de valsa do samba Palhaço (Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes, 1953), os cabelos de Céu ficam soltos à medida em que o show ganha ar mais leve e extrovertido. Primeiro produto do contrato assinado pela artista com o selo Slap, braço indie da gravadora global Som Livre, Céu ao vivo peca somente pela seleção do repertório do CD lançado simultaneamente com o DVD, que exibe nos extras os clipes de músicas como Cangote (Céu, 2009), Grains de beauté (Céu e Beto Villares, 2009), Retrovisor (Céu, 2012) e Sereia (Céu, 2012). Além de Piel canela, ficou fora do CD o samba Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974), registrado por Céu somente em EP, Cangote (Urban Jungle / Six Degrees Records, 2009), inédito em edição física no Brasil (embora tenha entrado na Deluxe edition nacional do álbum Vagarosa, o fonograma é meio raro). Feita a ressalva, Céu ao vivo cumpre majestosamente a função de encerrar uma década e um ciclo bacana na carreira da artista, que vai entrar em 2015 pronta para outras viagens musicais.

13 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Primeiro nome da cena musical contemporânea de São Paulo (SP) a ganhar projeção, Céu - cantora e compositora que despontou em 2005 com a edição de um primeiro álbum batizado com seu nome artístico - chega ao DVD no timing certo. Em vez de ceder à tentação de lançar logo um DVD (produto por vezes redundante que somente alcançou relevância na indústria fonográfica do Brasil), a artista esperou três álbuns de estúdio para fazer seu primeiro registro ao vivo de show, captado em 30 de julho de 2014 no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo (SP), sob direção de The Wolfpack. Síntese da primeira década de carreira da artista, Céu ao vivo chega ao mercado no momento ideal porque flagra a cantora sob a ótica mais pop e solar de seu terceiro álbum, Caravana sereia bloom (Urban Jungle / Universal Music, 2012). Produzido pela própria Céu com Gui Amabis, este disco desanuviou o som da cantora após as densas camadas de dub do antecessor Vagarosa (Six Degrees Records / Universal Music, 2009), disco que representou o ápice da conexão de Céu com o produtor Beto Villares. Céu ao vivo se afina com o tom de Caravana sereia bloom, até porque a apresentação vista pelo DVD - com exibição compulsória de cenas de making of entre os 24 números musicais - deriva do show da turnê promocional do terceiro álbum da artista. E o fato é que, nesse tom, a cantora esbanja elegância e sedução nesta sua primeira gravação ao vivo, feita sob a direção e produção musical da própria Céu. Entre músicas de seus três álbuns, a cantora dá voz a temas inéditos em sua voz. Sucesso de Pepeu Gomes na década de 1980, Mil e uma noites de amor (Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1985) - música lançada pelo cantor, compositor e guitarrista baiano no álbum Energia positiva (CBS, 1985) - ganha frescor na voz de Céu. Grande sucesso do cantor e compositor porto-riquenho Bobby Capó (1922 - 1989), o bolero Piel canela (Félix Manuel Rodríguez Capó, 1952) é temperado com levada caribenha em instante de latinidade (pena que Piel canela entrou somente no DVD). Presos no início da apresentação, aberta com a abordagem em clima de valsa do samba Palhaço (Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes, 1953), os cabelos de Céu ficam soltos à medida em que o show ganha ar mais leve e extrovertido. Primeiro produto do contrato assinado pela artista com o selo Slap, braço indie da gravadora global Som Livre, Céu ao vivo peca somente pela seleção do repertório do CD lançado simultaneamente com o DVD, que exibe nos extras os clipes de músicas como Cangote (Céu, 2009), Grains de beauté (Céu e Beto Villares, 2009), Retrovisor (Céu, 2012) e Sereia (Céu, 2012). Além de Piel canela, ficou fora do CD o samba Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974), registrado por Céu somente em EP, Cangote (Urban Jungle / Six Degrees Records, 2009), inédito em edição física no Brasil. Feita a ressalva, Céu ao vivo cumpre majestosamente a função de encerrar uma década e um ciclo bacana na carreira da artista, que vai entrar em 2015 pronta para outras viagens musicais.

Fabio disse...

Visgo de Jaca tem na versão deluxe de Vagarosa e também na versão digital do Ao Vivo.

Vladimir disse...

Irresistível o comentário sobre a capa... Um melhor cuidado sempre cai bem, que neste caso, faltou!!

Mauro Ferreira disse...

oi, Fábio, você tem razão. De todo modo, considero a gravação de estúdio de 'Visgo de jaca' um fonograma menos conhecido da discografia de Céu. Acho que poderia ter entrado no CD. Abs, grato pelo toque, MauroF

P.S.: Acho a capa linda, Vladimir. Questão de gosto!

Marcelo disse...

Como faltam boas cantoras e intérpretes nos dias de hoje! Pena dessa geração que não tem a menor idéia do que é talento de verdade!

Fabio disse...

Marcelo, vá ouvir os "medalhões" porque você só sabe criticar. Raramente vejo algum elogio seu nos comentários. Você deve gostar de naftalina e só.

Denilson Santos disse...

Eu achei a capa linda também. Todo o sucesso do mundo para a Céu....

Marcelo disse...

Fabio...Feliz Ano Novo pra você também!! Legal pra essas cantoras que tem você e outros como público!

Fabio disse...

Marcelo...Feliz Ano Velhoooooo!!!!

caixacomtudodentro disse...

mais uma cantorinha mediocre de mpb que faz a linha "macumba pra gringo ver" ... Preguiça eterna...

Vladimir disse...

Só esclarecendo que em nenhum momento do meu comentário anterior foi mencionado que a capa era feia e sim que faltava cuidado. Neste ponto, me referi ao suporte que fica à frente da cantora, que no meu ponto de vista, não precisaria aparecer...

Leonardo Cidreira disse...

O dvd é muito bom, precisei ajustar o contraste na tv mas dps fiquei sabendo q o "breu" fazia parte do cenário... rsrs

Sentí falta de "cordão da insônia".

A canção Piel Canela poderia ter entrado no cd...

A capa está bem legal, só sentí falta de um encarte com mais conteúdo, assim como no dvd, q não veio encarte algum!!

Mauro, sabe se vai sair em blu-ray?? vlw!

ADEMAR AMANCIO disse...

Clássico virou naftalina.