Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Retrô 2014: Os onze discos brasileiros que sobressaíram ao longo do ano

Retrospectiva 2014 - Em um mercado fonográfico cada vez mais segmentado, em que cada artista tenta reverberar seu som dentro de um nicho específico e tenta se fazer ouvir por um determinado público, onze discos brasileiros lançados ao longo deste ano de 2014 sobressaíram e mereceram a cotação máxima (cinco estrelas) de Notas Musicais. Por isso, em vez de dez discos, o blog elege excepcionalmente onze títulos como os melhores álbuns de 2014 por reconhecer que seria injusto tirar qualquer um dos discos da lista apenas para manter a tradição de apontar dez CDs como os melhores do ano. É uma lista que contempla a diversidade, indo de Juçara Marçal a Maria Bethânia, de Gustavo Galo a Gilberto Gil, pois Notas Musicais jamais ergueu muros que separam artistas da cena indie - cada vez mais populosa e vigorosa, como prova a seleção deste ano de 2014 - dos chamados medalhões da MPB. Até porque a música em si desconhece fronteiras. Os critérios que apontam estes onze discos como os melhores de 2014 são unicamente artísticos. Não importou, para Notas Musicais, que o disco tenha obtido maior ou menor alcance comercial em mercado dominado por gêneros massivos como o sertanejo de cepa pop, o pagode e o arrocha. O único fator determinante - neste ano de 2014 e também nos sete anos anteriores - foi a excelência artística do disco em questão. Eis - por ordem alfabética dos nomes dos onze álbuns - os melhores discos de 2014 na avaliação do editor de Notas Musicais:

* Asa (Independente) - Gustavo Galo
- Um disco de minimalismo cru, em que a melodia se uniu com delicadeza à poesia, deu asa ao artista da Trupe Chá de Boldo em produção azeitada de Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano.

* Bossa negra (Universal Music) - Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda
- Ao se unir ao excepcional bandolinista para compor e gravar repertório inspirado pelos afro-sambas dos anos 1960, Diogo cresceu como cantor, honrando o seu nobre sobrenome.

Convoque seu Buda (Oloko Records) - Criolo
- Três anos após estourar com Nó na orelha, o rapper paulistano provou que a chapa de seu rap continua quente em azeitado CD produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral.

Corpo de baile (Biscoito Fino) - Mônica Salmaso
- A cantora atingiu a perfeição ao dar sua voz precisa ao cancioneiro composto por Guinga com Paulo César Pinheiro, apresentando seis inéditas da parceria desfeita nos anos 1980.

Encarnado (Independente) - Juçara Marçal
- A vocalista do grupo Metá Metá cresceu e apareceu como cantora em atordoante CD solo que versa sobre a morte no toque afiado das guitarras de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos.

Gilbertos samba (Sony Music) - Gilberto Gil
- O reencontro dos Gilbertos deu samba em grande disco em que Gil sustentou a leveza genial do som de João sem cair na tentação de imitar o mestre ao revisitar o seu repertório.

* Mestiça (Saravá Discos) - Jurema
-  Sob a direção artística do pianista e compositor Marcos Vaz, a cantora, compositora e historiadora soteropolitana reinventou a baianidade nagô em disco de tom contemporâneo.

Meus quintais (Biscoito Fino) - Maria Bethânia
- Em disco íntimo e pessoal, feito para sua tribo, a intérprete urdiu arco poético e musical que abarcou Brasil distante povoado por índios, caboclos e Iaras em tempo de delicadeza.

* Rainha dos raios (Joia Moderna) - Alice Caymmi
-  Sob produção de Diogo Strausz, a moderna princesa da dinastia Caymmi quebrou a onda que batia na praia familiar com CD arrojado que uniu Caetano Veloso,  MC Marcinho e Tono.

Rock'n'roll sugar darling (Independente) - Thiago Pethit
- Com o açúcar do candy rock, com afeto e com afetação glam, o artista paulistano fez um disco abusado e sexual que cruzou The Stooges e David Lynch na mesma estrada marginal.

Sobre noites e dias (Diginois) - Lucas Santtana
- Em seu disco mais expansivo, o artista recorreu a uma sonoridade pop eletrônica para fazer a crônica urbana dos amores e dores dos tempos cibernéticos em repertório sedutor.

11 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Retrospectiva 2014 - Em um mercado fonográfico cada vez mais segmentado, em que cada artista tenta reverberar seu som dentro de um nicho específico e tenta se fazer ouvir por um determinado público, onze discos brasileiros lançados ao longo deste ano de 2014 sobressaíram e mereceram a cotação máxima (cinco estrelas) de Notas Musicais. Por isso, em vez de dez discos, o blog elege excepcionalmente onze títulos como os melhores álbuns de 2014 por reconhecer que seria injusto tirar qualquer um dos discos da lista apenas para manter a tradição de apontar dez CDs como os melhores do ano. É uma lista que contempla a diversidade, indo de Juçara Marçal a Maria Bethânia, de Gustavo Galo a Gilberto Gil, pois Notas Musicais jamais ergueu muros que separam artistas da cena indie - cada vez mais populosa e vigorosa, como prova a seleção deste ano de 2014 - dos chamados medalhões da MPB. Até porque a música em si desconhece fronteiras. Os critérios que apontam estes onze discos como os melhores de 2014 são unicamente artísticos. Não importou, para Notas Musicais, que o disco tenha obtido maior ou menor alcance comercial em mercado dominado por gêneros massivos como o sertanejo de cepa pop, o pagode e o arrocha. O único fator determinante - neste ano de 2014 e também nos sete anos anteriores - foi a excelência artística do disco em questão. Eis - por ordem alfabética dos nomes dos onze álbuns - os melhores discos de 2014 na avaliação do editor de Notas Musicais:

* Asa (Independente) - Gustavo Galo
- Um disco de minimalismo cru, em que a melodia se uniu com delicadeza à poesia, deu asa ao artista da Trupe Chá de Boldo em produção azeitada de Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano.

* Bossa negra (Universal Music) - Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda
- Ao se unir ao excepcional bandolinista para compor e gravar repertório inspirado pelos afro-sambas dos anos 1960, Diogo cresceu como cantor, honrando o seu nobre sobrenome.

* Convoque seu Buda (Oloko Records) - Criolo
- Três anos após estourar com Nó na orelha, o rapper paulistano provou que a chapa de seu rap continua quente em azeitado CD produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral.

* Corpo de baile (Biscoito Fino) - Mônica Salmaso
- A cantora atingiu a perfeição ao dar sua voz precisa ao cancioneiro composto por Guinga com Paulo César Pinheiro, apresentando seis inéditas da parceria desfeita nos anos 1980.

* Encarnado (Independente) - Juçara Marçal
- A vocalista do grupo Metá Metá cresceu e apareceu como cantora em atordoante CD solo que versa sobre a morte no toque afiado das guitarras de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos.

* Gilbertos samba (Sony Music) - Gilberto Gil
- O reencontro dos Gilbertos deu samba em grande disco em que Gil sustentou a leveza genial do som de João sem cair na tentação de imitar o mestre ao revisitar o seu repertório.

* Mestiça (Saravá Discos) - Jurema
- Sob a direção artística do pianista e compositor Marcos Vaz, a cantora, compositora e historiadora soteropolitana reinventou a baianidade nagô em disco de tom contemporâneo.

* Meus quintais (Biscoito Fino) - Maria Bethânia
- Em disco íntimo e pessoal, feito para sua tribo, a intérprete urdiu arco poético e musical que abarcou Brasil distante povoado por índios, caboclos e Iaras em tempo de delicadeza.

* Rainha dos raios (Joia Moderna) - Alice Caymmi
- Sob produção de Diogo Strausz, a moderna princesa da dinastia Caymmi quebrou a onda que batia na praia familiar com CD arrojado que uniu Caetano Veloso, MC Marcinho e Tono.

* Rock'n'roll sugar darling (Independente) - Thiago Pethit
- Com o açúcar do candy rock, com afeto e com afetação glam, o artista paulistano fez um disco abusado e sexual que cruzou The Stooges e David Lynch na mesma estrada marginal.

* Sobre noites e dias (Diginois) - Lucas Santtana
- Em seu disco mais expansivo, o artista recorreu a uma sonoridade pop eletrônica para fazer a crônica urbana dos amores e dores dos tempos cibernéticos em repertório sedutor.

luis claudio de oliveira disse...

Concordo plenamente com a seleção e destacaria Meus Quintais e Corpo de Baile. Obras-primas.

eduardo bueno disse...

O melhor do ano com certeza é do Gilberto Gil, ficou muito legal o jeito que o samba de João Gilberto foi tratado. Sei que é meio tarde esse ano pra indicar um artistas, mas um fora do mainstream sertanejo que se destacou esse ano é Felipe Duran, que pude ouvir essa semana e achei bem legal o trabalho dele, espero que você possa ouvir também Mauro e dar uma opinião pra futuros trabalhos. Feliz ano novo pra você e leitores do blog!

Leonardo Cidreira disse...

Os sites, blogs e etc especializados em músicas encheram a bola da Alice Caymmi... Falaram, falaram e não disseram nada... Até então não tinha curiosidade de ouvir o cd Rainha dos Raios, até que por falarem tanto, acabei ouvindo... A impressão que passa é que querem empurrar Alice Caymmi guela abaixo... Opinião pessoal, achei o muito ruim, as músicas são fracas! Só se salva a capa!! No timbre de voz dela, já temos Maria Gadú. Rainha dos raios que o parta! Feliz Ano Novo pra todos!!

Mauro Ferreira disse...

Leonardo, você tem todo o direito de não gostar do disco de Alice Caymmi. Mas, por favor, não torça os fatos: Alice não foi incensada somente por blogs especializados. Estes foram os primeiros, mas, depois, a mídia tradicional se rendeu à força do disco. Tanto que a revista 'Veja Rio' elegeu Alice a personalidade de 2014 na música. Hoje 'O Globo' coloca seu disco entre os dez melhores do ano, com direito à foto na primeira página. Ou seja, o sucesso de Alice Caymmi é incontestável. Abs, grato pelo comentário, MauroF

Fabio disse...

Alice é fodaaaaaaa! Disco bom pra kct!

noca disse...

Há muito não vejo as escolhas tão bem selecionada pelo Mauro.Prova que nossa música ainda pulsa com muito vigor.O ano foi político,dividido e a seleção do Mauro se descolou dessa órbita,por isso é a mais completa e mais representativa.Não concordo apenas que Alice tenha quebrado qualquer onda familiar.Para mim toda família é muito independente,peculiar na individualidade e dona de seu nariz.Nana sempre foi muito rebelde,marginal,transgressora e genial,sem precisar de por melancias na cabeça.Dori,nosso maior e mais completo artista vivo.Completamente indomável em sua suposta caretice.Aliás as duas gravações de Nana para o disco do Dorival(Biscoito Fino),superam qualquer faixa desta lista.E o disco de Dori caberia muito bem nessa seleção.Alice é apenas mais uma muito talentosa e muito Caymmi.

frederico alves disse...

Pra mim a Alice é só uma boa voz mais nada

Marcelo disse...

No ramo da música não existe NADA incontestável. Existe gosto e grana!!!

Denilson Santos disse...

Listas são pessoais e subjetivas. Não devem ser criticadas. A minha lista é totalmente diferente da do Mauro. O que isso significa? Nada... Viva a diferença de opiniões. Feliz 2015 para todo mundo.

Eu Ovo disse...

Boa lista Mauro.
eu teria incluido Russo Passapusso e Anelis Assumpção... mas foram ótimos os discos escolhidos.

listas como esta - são a prova viva que alguns artistas (monica salmaso como exemplo mais recente) estão completamente equivocados quando dizer que a música brasileira não é mais a mesma e esta decaindo....

concordo que a musica não seja mais a mesma - mas acredito que tem melhorado cada vez mais...

enfim, parabéns pelo blog.