Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Show 'Espelho d'água' reflete brilho das notas do cristal resistente de Gal

Resenha de show
Título: Espelho d'água
Artista: Gal Costa (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro J. Safra (São Paulo, SP)
Data: 3 de agosto de 2014
Cotação: * * * * 1/2
Show em cartaz de 8 a 10 de agosto de 2014 no Teatro J. Safra, em São Paulo (SP)

À primeira vista, o show de voz e violão criado por Gal Costa para inaugurar a programação musical do mais novo teatro da cidade de São Paulo (SP) pareceu retorno a um estágio de acomodação pré-Recanto, o revigorante álbum de 2011 que fez acordar em festa a voz que o cantar deu a Gal. Mas as aparências enganam. Espelho d'água - show que volta hoje ao cartaz no Teatro J. Safra, ficando em cena de 8 a 10 de agosto de 2014 - mantém acordada a cantora baiana. Parafraseando versos de Caras e bocas (Caetano Veloso e Maria Bethânia, 1977), música-título do álbum roqueiro feito por Gal às vésperas de sua fase tropical, desse coração por vez atrapalhado surgem - a cada um dos 20 números - notas brilhantes de um cristal transparente, resistente a um tempo que já caminha para os 69 anos. Sintomaticamente, Caras e bocas é a música que abre o show. De Caras e bocas, o álbum de 1977, são cinco das 20 músicas do roteiro elaborado por Gal com Marcus Preto, codiretor do recital que une Gal ao virtuoso violonista e guitarrista Guilherme Monteiro. A troca de Luiz Meira por Monteiro - explicitada pela cantora em cena - contribui decisivamente para que Espelho d'água reflita mais do que um mero olhar para trás. O passado é revisitado com o vigor jovial do show Recanto, de cujo roteiro Espelho d'água herda músicas como Dom de iludir (Caetano Veloso, 1976) e Minha voz, minha vida (Caetano Veloso, 1982). Só que a preguiça jamais é senhora no concerto. Aparecem músicas há muito ausentes dos shows de Gal, como Passarinho, tema do compositor e músico baiano Tuzé de Abreu que Gal gravou no álbum Índia (Philips, 1973) e que sobrevoa a mente de cantoras influenciadas pela Gal dos anos 1970 (como Tulipa Ruiz). Mesmo quando a música já soa batida, caso do bolero Folhetim (Chico Buarque, 1978), a interação de Gal com a guitarra e com o violão eletroacústico de Guilherme Monteiro dá lufada de ar fresco na interpretação. Um dos ápices do recital, Vaca profana (Caetano Veloso, 1984) derrama o leite mau na cara dos caretas no toque rascante da guitarra moderna de Monteiro. Sua estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) mantém o concerto no ápice. É quando Gal dá show de interpretação, bisado em (In my) Solitude (Duke Ellington, Eddie DeLange e Irving Mills, 1934), melancólico standard do jazz norte-americano gravado por Gal em 1977 - no recorrente álbum Caras e bocas (Philips, 1977) - na versão em português de Augusto de Campos e revivido em Espelho d'água com interiorização precisa. Em contrapartida, o sorriso nos lábios em Um favor (Lupicínio Rodrigues) - incondizente com o desagregado estado emocional da personagem da canção gravada em 1972 pelo cantor Jamelão (1913 - 2008) e regravada por Gal cinco anos depois em Caras e bocas - é o único traço firme de desatenção na interpretação das 20 músicas. Reminiscência da Gracinha pré-tropicalista que já tinha João Gilberto como referência máxima de canto e violão, Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967) é uma das músicas do show que evidenciam o equilíbrio entre graves e agudos na fase atual do cristal de Gal. Mas é nos números feitos por Gal de pé, em interação com a guitarra de Monteiro, que o show alcança a glória. Música de Caras e bocas, Negro amor (It's all over now, baby blue) (Bob Dylan, 1965, em versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, 1977) arrepia, jorrando graves, agudos e firmeza no canto. Em Tigresa (Caetano Veloso, 1977), outra de Caras e bocas, Monteiro evoca na guitarra o arranjo original da emblemática gravação original de 1977. Munida de percussão, Gal é em Tigresa a própria beleza que volta a acontecer diante de uma plateia embevecida, satisfeita por ver e ouvir sua musa de todas as estações domar as rédeas do tempo que nunca envelhece. E que se anuncia promissor quando Gal apresenta a inédita música que batiza o show e que vai estar em seu próximo disco, entre inéditas assinadas por nomes como Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira, Antonio Cícero, Caetano Veloso, Criolo, Gilberto Gil, Marcelo Camelo, Milton Nascimento, Thiago Camelo e Tom Zé. Espelho d'água - parceria de Marcelo Camelo com seu irmão Thiago Camelo - é bela canção do amor em paz cuja letra cita a morena recorrente no cancioneiro do hermano carioca. Dá para identificar na melodia o d.n.a. da obra de Camelo. Na sequência, Meu bem, meu mal (Caetano Veloso, 1981) introduz pausa após o verso "visão do espaço sideral" enquanto o samba Você não entende nada (Caetano Veloso, 1970) deixa maroto, quase sacolejante, o violão de Monteiro, com quem Gal engata um jazz ao fim do número. Meu nome é Gal (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) abre espaço para a exibição da fina sintonia entre a cantora e o músico. No bis, Samba do grande amor (Chico Buarque, 1983) se insinua dispensável - até por ser a única música do roteiro não associada imediatamente ao canto de Gal - enquanto Força estranha (Caetano Veloso, 1978) expõe a amplidão dessa voz tamanha que ainda emite notas brilhantes de cristal transparente. 

28 comentários:

Mauro Ferreira disse...

À primeira vista, o show de voz e violão criado por Gal Costa para inaugurar a programação musical do mais novo teatro da cidade de São Paulo (SP) pareceu retorno a um estágio de acomodação pré-Recanto, o revigorante álbum de 2011 que fez acordar em festa a voz que o cantar deu a Gal. Mas as aparências enganam. Espelho d'água - show que volta hoje ao cartaz no Teatro J. Safra, ficando em cena de 8 a 10 de agosto de 2014 - mantém acordada a cantora baiana. Parafraseando versos de Caras e bocas (Caetano Veloso e Maria Bethânia, 1977), música-título do álbum roqueiro feito por Gal às vésperas de sua fase tropical, desse coração por vez atrapalhado surgem - a cada um dos 20 números - notas brilhantes de um cristal transparente, resistente a um tempo que já caminha para os 69 anos. Sintomaticamente, Caras e bocas é a música que abre o show. De Caras e bocas, o álbum de 1977, são cinco das 20 músicas do roteiro elaborado por Gal com Marcus Preto, codiretor do recital que une Gal ao virtuoso violonista e guitarrista Guilherme Monteiro. A troca de Luiz Meira por Monteiro - explicitada pela cantora em cena - contribui decisivamente para que Espelho d'água reflita mais do que um mero olhar para trás. O passado é revisitado com o vigor jovial do show Recanto, de cujo roteiro Espelho d'água herda músicas como Dom de iludir (Caetano Veloso, 1976) e Minha voz, minha vida (Caetano Veloso, 1982). Só que a preguiça jamais é senhora no concerto. Aparecem músicas há muito ausentes dos shows de Gal, como Passarinho, tema do compositor e músico baiano Tuzé de Abreu que Gal gravou no álbum Índia (Philips, 1973) e que sobrevoa a mente de cantoras influenciadas pela Gal dos anos 1970 (como Tulipa Ruiz). Mesmo quando a música já soa batida, caso do bolero Folhetim (Chico Buarque, 1978), a interação de Gal com a guitarra e com o violão eletroacústico de Guilherme Monteiro dá lufada de ar fresco na interpretação. Um dos ápices do recital, Vaca profana (Caetano Veloso, 1984) derrama o leite mau na cara dos caretas no toque rascante da guitarra moderna de Monteiro. Sua estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) mantém o concerto no ápice. É quando Gal dá show de interpretação, bisado em (In my) Solitude (Duke Ellington, Eddie DeLange e Irving Mills, 1934), melancólico standard do jazz norte-americano gravado por Gal em 1977 - no recorrente álbum Caras e bocas (Philips, 1977) - na versão em português de Augusto de Campos e revivido em Espelho d'água com interiorização precisa.

Mauro Ferreira disse...

Em contrapartida, o sorriso nos lábios em Um favor (Lupicínio Rodrigues) - incondizente com o desagregado estado emocional da personagem da canção gravada em 1972 pelo cantor Jamelão (1913 - 2008) e regravada por Gal cinco anos depois em Caras e bocas - é o único traço de desatenção na interpretação das 20 músicas. Reminiscência da Gracinha pré-tropicalista que já tinha João Gilberto como referência máxima de canto e violão, Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967) é uma das músicas do show que evidenciam o equilíbrio entre graves e agudos na fase atual do cristal de Gal. Mas é nos números feitos por Gal de pé, em interação com a guitarra de Monteiro, que o show alcança a glória. Música de Caras e bocas, Negro amor (It's all over now, baby blue) (Bob Dylan, 1965, em versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, 1977) arrepia, jorrando graves, agudos e firmeza no canto. Em Tigresa (Caetano Veloso, 1977), outra de Caras e bocas, Monteiro evoca na guitarra o arranjo original da emblemática gravação original de 1977. Munida de percussão, Gal é em Tigresa a própria beleza que volta a acontecer diante de uma plateia embevecida, satisfeita por ver e ouvir sua musa de todas as estações domar as rédeas do tempo que nunca envelhece. E que se anuncia promissor quando Gal apresenta a inédita música que batiza o show e que vai estar em seu próximo disco, entre inéditas assinadas por nomes como Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira, Antonio Cícero, Caetano Veloso, Criolo, Gilberto Gil, Marcelo Camelo, Milton Nascimento, Thiago Camelo e Tom Zé. Espelho d'água - parceria de Marcelo Camelo com seu irmão Thiago Camelo - é bela canção do amor em paz cuja letra cita a morena recorrente no cancioneiro do hermano carioca. Dá para identificar na melodia o d.n.a. da obra de Camelo. Na sequência, Meu bem, meu mal (Caetano Veloso, 1981) introduz pausa após o verso "visão do espaço sideral" enquanto o samba Você não entende nada (Caetano Veloso, 1970) deixa maroto, quase sacolejante, o violão de Monteiro, com quem Gal engata um jazz ao fim do número. Meu nome é Gal (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) abre espaço para a exibição da fina sintonia entre a cantora e o músico. No bis, Samba do grande amor (Chico Buarque, 1983) se insinua dispensável - até por ser a única música do roteiro não associada imediatamente ao canto de Gal - enquanto Força estranha (Caetano Veloso, 1978) expõe a amplidão dessa voz tamanha que ainda emite notas brilhantes de cristal transparente.

Tiago Rios disse...

Resenha incrível como de costume, só me deixou mais ansioso para conferir esse show no fim de semana.

rafael disse...

Pessoal, vou compartilhar uma posição polêmica, mas como todo mundo aqui gosta de cantoras, acho que é o fórum certo. Amo a Gal, seu talento divino maravilhoso e o incrível show "Recanto" - assisti 3 vezes (e veria outras). Mas não posso concordar que o tempo tenha conservado o "cristal", a falta de limpidez do canto da Gal de hoje está mais na cara do que nariz. O DVD do "Recanto" comprova isso de forma até constrangedora, basta ouvir "O Amor".

Gal está com um trabalho vigoroso, interessante, e o repertório do novo disco não deixa dúvida de que vem coisa boa por aí. Sua voz mudou muito, e não dá pra dizer que foi pra melhor. Por isso, ficar louvando o "cristal que continua lá" impede a gente de reconhecer as outras coisas em que ela se tornou.

Uma cantora é mais do que uma voz, e Gal é uma artista maior do que sua voz é hoje. Não há crime nenhum nisso. Uma bom contraponto é Zizi Possi, uma voz ainda sem comparação, mas uma artista que se estagnou no tempo, e não chega perto do que Gal tem feito. Para o bem da própria Gal, a gente devia parar de falar tanto do seu finado cristal. Viva Gal por tantas outras coisas lindas que ela tem!

Mauro Ferreira disse...

Rafael, é claro que a voz de Gal hoje - quase aos 69 anos - não é a mesma dos anos de 1960, 1970 e 1980. Mas, sim, considero que ainda esteja lá, inteira, embora naturalmente diferente. E com uma adição de graves - mais evidentes com o passar dos anos - que se hoje equilibram com os agudos. Entendo seu ponto de vista e vejo lógica nele. Mas a cantora que eu vi no show de 3 de agosto de 2014 ainda emite notas brilhantes, de um cristal transparente. E, no meu caso particular, não fico comparando a voz de hoje com a voz de ontem. O tempo é hoje. Abs, grato pelo comentário, MauroF

Tudo foi feito ... disse...

Eu acredito que ela cantando Musa Cabocla, no show feito com musicas de Wally Salomão mostra o que o Mauro está querendo dizer. O agudo único que ela tem, está lá. A voz é bela e única, a melhor cantora do Brasil, sem sombra de dúvidas.

Marcelo disse...

Rafael, parabéns pela sua lucidez e coragem mas agora se prepare para as pedradas!!! Concordo integralmente contigo!!!

Fernando disse...

Mauro, será que podemos esperar a estreia deste show no Rio de Janeiro.

Marcelo disse...

No Tributo ao Wally Salomão no mês passado em São Paulo, a voz da Gal estava no mesmo tom das gravações originais de "Mal Secreto" e "Musa Cabocla". Concordo que o canto dela mudou, não está tão agudo como nos anos 70 e 80, mas o "cristal" está lá na voz e quem acha que ela perdeu o dom deve achar que Sandy, Mariah Carey, Paula Fernandes, Lady Gaga são as vozes...

rafael disse...

Querido Mauro, obrigado pela gentileza de responder ao comentário e compartilhar com a gente sua opinião! Com certeza, você teve mais oportunidades de ouvir Gal ao vivo do que todos nós aqui, então pode falar com mais conhecimento de causa.

Eu também entendo seu ponto de vista, e concordo que há muitas coisas novas e bonitas para se descobrir no canto dela - especialmente, de fato, quando canta em regiões graves, de forma muito mais densa do que antigamente.

Mas (+ polêmica à vista...), aqui do meu quadrado, penso que a mudança da voz mostra que Gal acabou comprometendo o cristal por não usá-lo de forma técnica e cuidadosa ao longo da carreira. Não vou ficar citando outras cantoras porque senão vai virar um Fla-Flu, mas há sessentonas na nossa música cantando melhor e mais limpo do que quando jovens. Afinação, timbre e respiração dependem de condições orgânicas muito complexas, que mudam mesmo com o avançar da idade e para as quais é preciso se preparar. Talvez o tempo tenha sido pouco generoso com a Gal nesse sentido. Mas ainda bem que ela soube responder a ele em outro tom, sem autotune.

Sem dúvida, é uma tremenda pobreza de espírito ficar comparando competências atuais dos artistas com as que tinham no passado. Meu comentário não foi nessa direção, e sim na de dizer que a graça da arte - e dos artistas - é sua reinvenção. E acho que, para acompanhá-la, nossos critérios e expectativas têm que se transformar também. Viva a Gal sem cristal. A MPB não está pobre, não! :)

PS: Marcelo, ainda bem que vc pensa parecido, às vezes acho que estou sozinho nessa, hehe.

Cristiano Melo disse...

Acho que o comentário do Rafael será mais ovacionado que vaiado. Também estou com o comentário dele.

;)

Mauro Ferreira disse...

Fernando, Gal disse que quer viajar com o show. Nada está confirmado, por ora, mas é provável que o show chegue ao Rio, sim. Abs, obrigado, MauroF

ggermanodiniz disse...

Mauro foi certeiro em suas colocações. Parabéns Mauro! e salve a maior cantora do Brasil!

Fabio disse...

Fiquei tão curioso por causa da crítica e comentários que comprei ingresso para amanhã!

Fernando Lima disse...

O cristal continua lá sim, e a voz está mais bela agora, na minha opinião. Não consigo mais ouvir a maioria das canções regravadas em "Recanto Ao Vivo" em suas primeiras gravações; prefiro os registros de agora. Aliás, adoraria que ela regravasse o disco "Fa-Tal" com a voz de agora; a ouvi cantar "Mal Secreto" recentemente e ficou de arrepiar!

Fabio disse...

Acabo de voltar do show. A melhor música, interpretação foi Tuareg. A voz foi lá em cima. Sim, a voz está rasgada e tem músicas em que ela fica na zona de conforto. Caras e Bocas é como se fosse uma vinheta porque não dura nem 2 min. Passarinho, diferentemente do original, é cantado no grave. Diria até que tem mais graves do que agudos. Jards Macalé uma vez chamou Gal de preguiçosa. Acho que ela não precisa provar mais nada. Quando ela quer ela mostra que a voz está lá, mostrou em Tuareg, Meu Nome É Gal, Negro Amor e Espelho D'Água. Pensei na Calcanhotto que disse que antes cantava só usando agudo e que agora não precisa mais disso. Dou *** pro show da Gal.

Ricardo Machado disse...

Concordo com Rafael,plenamente, e o que as pessoas precisam entender,que,concordar com Rafael,NÃO é desmerecer Gal,nem deixar de gostar dela.
A voz de Gal mudou sim...tudo bem.Quem aqui está a ofendendo para se sentirem melindrados ,os que não entendem o que Rafael colocou?
Rafael foi certeiro,gentil,lúcido e sem fanatismos que "cegam os ouvidos" daqueles que só veem o que lhes é beleza estagnada no passado.
Também achei Mauro Ferreira pertinente. E na sua própria visão,disse que a voz de Gal mudou. Mas nem por isso,desprestigiou esta que é a grande Dama da Voz,que continua cantando com seu prestígio e carisma,mais intérprete,hoje,do que voz,quando no passado,os papéis se invertiam.
Obviamente,o tempo se fez presente. Também acho que possa haver milhões de especulações para explicar porque este mesmo tempo lhe roubou a limpidez de outrora,mas,não importa,...os tons mudaram,baixaram, e daí(e não são os mesmos de Musa Cabocla atual,sem melindres,pois parece que dizer isto é atacar Gal,e NÃO é!),ali é a Gal,a grande Gal.
Acho importante a visão do Rafael sobre o cuidado na escolha e colocação de algumas canções que exijam um virtuosismo vocal, para que o "cristal" não fique exposto à julgamentos,afinal,temos opiniões,lembranças,e estas nos saltam, como se quiséssemos proteger nossa voz maior, da covarde usurpação de beleza que o tempo nos submete...à todos.
Estou aprendendo,ou ,tentando aprender a reouvir esta Gal de hoje,esta voz de hoje,e o principal,aceitar que, obviamente,esta grande cantora, ,como diz "Caras e Bocas",...atualmente, mostra o brilho NÃO tão agudo musical,e daí...há outros brilhos, e ela sabe!
Ex: Não gosto de "Borboletas"(do disco da Arca),não reconheço Gal ali...e daí,posso?Vão me bater? Não meus caros,deixemos nos manifestar.Com respeito,mas ,com liberdade,como fez Rafael.
Por favor,sem magoar ninguém,sem ofender fãs de Gal,até porque gosto dela desde os 5 anos,e hoje tenho 45,mas me deêm o direito de concordar com Rafael,que não ficou comparando Gal com o passado. Entedi o que ele disse:para que deixássemos de exigir,ou esperar que ela seja sempre um cristal inquebrável. Cristal arranha,quebra...,e dentro de minha perfeita auditiva e mental,sei ver quando um crital mudou.
Vamos olhar para frente sim,aceitar o tempo,sim...
Estou reeducando meus ouvidos a esta Gal de hoje,que merece meu respeito,por ocupar um enorme lugar em meu coração e vida!
Sou fascinado por Gal,mas sou lúcido e não abandonarei,aquela que tantas alegrias me presenteou drante meus 45 anos de vida.Favor? Claro que não...nem Gal precisa disso! Diria: bom senso, o que inclui concordar com uma colocação como a de Rafael,mesmo que meu orgulho de fã reclame,mas ,senão,não seria bom senso,e sim,fanatismo,o que é perigoso!
Obrigado e todo meu respeito.


Ricardo Machado disse...

Corrigindo...
Concordo com Rafael,plenamente, e o que as pessoas precisam entender,que,concordar com Rafael,NÃO é desmerecer Gal,nem deixar de gostar dela.
A voz de Gal mudou sim...tudo bem.Quem aqui está a ofendendo para se sentirem melindrados ,os que não entendem o que Rafael colocou?
Rafael foi certeiro,gentil,lúcido e sem fanatismos que "cegam os ouvidos" daqueles que só veem o que lhes é beleza estagnada no passado.
Também achei Mauro Ferreira pertinente. E na sua própria visão,disse que a voz de Gal mudou. Mas nem por isso,desprestigiou esta que é a grande Dama da Voz,que continua cantando com seu prestígio e carisma,mais intérprete,hoje,do que voz,quando no passado,os papéis se invertiam.
Obviamente,o tempo se fez presente. Também acho que possa haver milhões de especulações para explicar porque este mesmo tempo lhe roubou a limpidez de outrora,mas,não importa,...os tons mudaram,baixaram, e daí(e não são os mesmos de Musa Cabocla atual,sem melindres,pois parece que dizer isto é atacar Gal,e NÃO é!),ali é a Gal,a grande Gal.
Acho importante a visão do Rafael sobre o cuidado na escolha e colocação de algumas canções que exijam um virtuosismo vocal, para que o "cristal" não fique exposto à julgamentos,afinal,temos opiniões,lembranças,e estas nos saltam, como se quiséssemos proteger nossa voz maior, da covarde usurpação de beleza que o tempo nos submete...à todos.
Estou aprendendo,ou ,tentando aprender a reouvir esta Gal de hoje,esta voz de hoje,e o principal,aceitar que, obviamente,esta grande cantora, ,como diz "Caras e Bocas",...atualmente, mostra o brilho NÃO tão agudo musical,e daí...há outros brilhos, e ela sabe!
Ex: Não gosto de "Borboletas"(do disco da Arca),não reconheço Gal ali...e daí,posso?Vão me bater? Não meus caros,deixemos nos manifestar.Com respeito,mas ,com liberdade,como fez Rafael.
Por favor,sem magoar ninguém,sem ofender fãs de Gal,até porque gosto dela desde os 5 anos,e hoje tenho 45,mas me deêm o direito de concordar com Rafael,que não ficou comparando Gal com o passado. Entendi o que ele disse:para que deixássemos de exigir,ou esperar que ela seja sempre um cristal inquebrável. Cristal arranha,quebra...,e dentro de minha perfeita sanidade, auditiva e mental,sei ver quando um cristal mudou.
Vamos olhar para frente sim,aceitar o tempo,sim...
Estou reeducando meus ouvidos a esta Gal de hoje,que merece meu respeito,por ocupar um enorme lugar em meu coração e vida!
Sou fascinado por Gal,mas sou lúcido e não abandonarei,aquela que tantas alegrias me presenteou durante meus 45 anos de vida.Favor? Claro que não...nem Gal precisa disso! Diria: bom senso, o que inclui concordar com uma colocação como a de Rafael,mesmo que meu orgulho de fã reclame,mas ,senão,não seria bom senso,e sim,fanatismo,o que é perigoso!
Obrigado e todo meu respeito.

Marcelo disse...

Parabéns Ricardo pela clareza e lucidez!!!

Felipe Gama disse...

Vocês só podem estar de brincadeira. Gal arrebentando num show maravilhoso, usando e abusando de graves e agudos arrepiantes. E vocês aí, comparando-a à vozes de outrora. E daí se ela não canta mais como nos anos 70? E daí se o fulano ainda acha sua voz um cristal? E daí? Não está curtindo a voz da Gal atualmente? Não sabe olhar positivamente as mudanças do tempo?

Te dou um conselho!

Vá ouvir Elis Regina, Nara Leão, Clara Nunes. Garanto a você que as vozes estarão lá, sempre as mesmas. Intactas. Puras.

"Pobre do homem, que vive o seu futuro no passado alheio".

P.S: Não é fanatismo, é desabafo de um cara que curte mpb sem botar defeito.

Ricardo Machado disse...

Primeiramente, obrigado Mauro Ferreira pelo espaço democrático.
Segundo,acalmem seus corações...calma gente. Ninguém está colocando "defeito" em Gal,apenas dizendo que está diferente(em graus e níveis que para cada um é sentido de uma maneira,ou não),sem demérito.Acho hoje mais intérprete! Mas deixemos cada um se manifestar sem termos que alfinetar o manifestante! Acalme o pessoal lá do grupo....uns ofendendo...outros cortando os pulsos...calma gente.Pessoas que se diziam amigas e que viraram inimigas numa demonstração de falta de ética...xingando...terrível.
Gal é a maior intérprete do Brasil....e pronto!
Acho que as cantoras que já morreram citadas também merecem respeito!
Fiquem calmos e não vamos brigar ok!
Obrigado Mauro.

Val Js disse...

Tenho saudade da voz de Gal dos anos 70 e 80. Incomparável. Um absurdo de beleza tudo que ela gravou nesta fase.
Mas ainda hoje, com todas as mudanças, Gal continua cantando melhor que muitas novas cantoras da MPB candidatas a diva.

Marcelo disse...

Tenho saudades do tempo q Gal era convidada e presença certa em todos os projetos de MPB. Hj é muito raro isso acontecer!!

Tudo foi feito ... disse...

Olha, as vezes eu não entendo qual é a desse Marcelo. Escreve umas coisas sem fundamento e quase sempre colocando p/ baixo.
Ex. Tenho saudades do tempo q Gal era convidada e presença certa em todos os projetos de MPB. ???? OI ?

Marcelo disse...

É...TUDO foi feito!! ;)

ADEMAR AMANCIO disse...

E eu que nem sabia que "Caras e Bocas",fosse um álbum roqueiro.Quanto ao cristal de Gal,gastou sim,mas como demorou.

Tudo foi feito ... disse...

é Marcelo
TUDO foi feito no PASSADO E...
A distância notável, determina a perda de conhecimento de eventos distantes, na realidade, o passado tem esta característica: além de não ser modificável, quando seu conhecimento é muito distante, perde-se.

fettuccinni03 disse...

Para uma pessoa que nunca tenha escutado Gal antes, vai se sorpreender com os tao discutidos agudos, mais ainda sabendo que ela tem quase 69 anos; dito isso também devo confessar que tenho que acostumar-me a escutar esta Gal de hoje, noto que ela chega nas notas mais altas, porém sem a mesma precisäo de anos atrás, e justamente uma das coisas que sempre mais me fascinou foi a precisäo de sua voz, desde pequeno comprendí que ela cantava como queria, enquanto as outras cantavam o melhor que podiam.... agora me parece que quando a voz sobe, o faz corretamente mas no final ela treme e näo me refiro ao vibrato, parece que perdeu esta capacidade de dar o acabamento perfeito. No disco Live at The Blue Note, a resenha do crítico do The New York Times menciona isso, que sua voz nas notas mais altas soa ronca, como uma buzina, comparando-a com a de billie holiday, esta porém 25 años mais jovem que Gal quando morreu.Também há que dizer que o tempo faz mais estragos no cristal que na madeira, e por isso outras vozes parecem ter envelhecido menos que a sua.