Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Indústria do disco ignora centenário de nascimento de Aracy de Almeida

 Hoje faz 100 anos que nasceu Araci Teles de Almeida (19 de agosto de 1914 - 20 de junho de 1988), a cantora carioca conhecida como Aracy de Almeida. O silêncio da indústria fonográfica brasileira em relação ao centenário de nascimento dessa que foi uma das mais expressivas cantoras brasileiras dos anos 1930, 1940 e 1950 diz muito sobre o Brasil e sobre a própria indústria do disco. Sequer há uma coletânea nos planos das companhias fonográficas para celebrar e reviver a voz de Aracy, cantora que gravou discos com regularidade, entre 1934 e 1960, com os selos da Columbia, Victor, Odeon, Continental, Polydor e Elenco. Injusto, o silêncio de gravadoras multinacioanis como Sony Music, Warner Music e Universal Music - herdeiras da discografia de Aracy - talvez possa encontrar explicação somente no fato de que a artista ainda é mais lembrada - quando é lembrada - como a jurada feia e ranzinza do Show de calouros, quadro do programa dominical do apresentador de TV Silvio Santos que deu popularidade a Aracy nos anos 1970 e 1980. Mas a cantora é bem mais importante e menos folclórica do que a jurada. Cantora da época dos discos de 78 rotações por minuto, Aracy lançou poucos álbuns. E quase todos, a exemplo do belo O samba em pessoa (Polydor, 1958), trouxeram no título a palavra samba. O samba foi mesmo dominante na discografia de Aracy de Almeida, mas cabe ressaltar que a Dama do Encantado foi muito mais do que a voz dos sambas do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937). A obra de Aracy de Almeida extrapola a de Noel Rosa. É uma das mais perfeitas traduções da música do Brasil da fase pré-bossa nova.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Hoje faz 100 anos que nasceu Araci Teles de Almeida (19 de agosto de 1914 - 20 de junho de 1988), a cantora carioca conhecida como Aracy de Almeida. O silêncio da indústria fonográfica brasileira em relação ao centenário de nascimento dessa que foi uma das mais expressivas cantoras brasileiras dos anos 1930, 1940 e 1950 diz muito sobre o Brasil e sobre a própria indústria do disco. Sequer há uma coletânea nos planos das companhias fonográficas para celebrar e reviver a voz de Aracy, cantora que gravou discos com regularidade, entre 1934 e 1960, com os selos da Columbia, Victor, Odeon, Continental, Polydor e Elenco. Injusto, o silêncio de gravadoras multinacioanis como Sony Music, Warner Music e Universal Music - herdeiras da discografia de Aracy - talvez possa encontrar explicação somente no fato de que a artista ainda é mais lembrada - quando é lembrada - como a jurada feia e ranzinza do Show de calouros, quadro do programa dominical do apresentador de TV Silvio Santos que deu popularidade a Aracy nos anos 1970 e 1980. Mas a cantora é bem mais importante e menos folclórica do que a jurada. Cantora da época dos discos de 78 rotações por minuto, Aracy lançou poucos álbuns. E quase todos, a exemplo do belo O samba em pessoa (Polydor, 1958), trouxeram no título a palavra samba. O samba foi mesmo dominante na discografia de Aracy de Almeida, mas cabe ressaltar que a Dama do Encantado foi muito mais do que a voz dos sambas do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937). A obra de Aracy de Almeida extrapola a de Noel Rosa. É uma das mais perfeitas traduções da música do Brasil da fase pré-bossa nova.

Marcelo Barbosa disse...

Nem todos são selo Discobertas! Taí uma bela dica para novos lançamentos!
E acho lamentável esse desprezo da indústria. Araci estava a frente do seu tempo.

Carlos Augusto disse...

A indústria fonográfica morreu e esqueceu de cair

cliver disse...

19 de agosto foi uma data importante para a música brasileira: marcou o centenário de nascimento de Aracy de Almeida, a Dama do Encantado. Como colecionador de discos e pesquisador de música sempre atento a essas datas redondas, não permiti que passasse em branco acontecimento tão significativo que, sem dúvida, merecia, ser festejado com eventos à altura da importância da grande dama do samba-canção. Numa singela e digna homenagem, retirei da estante e pus para tocar discos em 78 rotações gravados por ela na Continental. Foi emocionante poder reviver bons momentos de Aracy, que ficaram eternizados nos sulcos desses originais preciosos.
Cliver Ribeiro de Almeida

ADEMAR AMANCIO disse...

O canto estranho de Aracy de Almeida sempre me impressionou.A Araca para os íntimos,e "A Dama da Central" para todos.