Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Com 'Amigos imaginários', Anelis joga conversa dentro e (a)firma seu estilo

Resenha de CD
Título: Amigos imaginários
Artista: Anelis Assumpção
Gravadora: Scubidu Records / Pommelo Distribuições
Cotação: * * * *

 "Oi, tudo bem? (...) Eu tô aqui pra jogar conversa dentro. Você tá com tempo? Eu tô aqui...", se coloca à disposição Anelis Assumpção, por meio de versos de Cê tá com tempo? (Anelis Assumpção), uma das doze inéditas músicas autorais de seu segundo álbum solo, Amigos imaginários. Já na faixa que abre o disco, disponível para download gratuito e legalizado no site oficial da artista, a cantora e compositora paulistana convida o ouvinte a entrar no universo desse álbum que firma sua carreira solo e seu estilo autoral. Como o lançamento de Song to Rosa (Anelis Assumpção), canção levada no ritmo veloz do ska, já havia sinalizado em junho, o disco reedita o alto nível de inspiração de seu antecessor Sou suspeita Estou sujeita Não sou santa (Scubidu Records, 2011). Gravado entre fevereiro e maio deste ano de 2014, com produção dividida entre Anelis, Bruno Buarque (bateria), Cris Scabello (guitarra), MAU (baixo) e Zé Nigro (teclados), Amigos imaginários tem forte tempero latino, mas extrapola ritmos e latitudes. Tal tempero é detectado já na levada da segunda faixa, Eu gosto assim (Anelis Assumpção), e no acento cubano de Inconcluso (Anelis Assumpção), abolerada balada cantada em espanhol e aditivada com toque de reggae. Parte do molho do CD, aliás, vem da Jamaica. Temas como Mau juízo estão imersos no universo dub. Devaneios cai no suingue com a voz rapeada do cantor e compositor baiano Russo Passapusso, parceiro de Anelis na ótima composição. Já Minutinho - parceria de Anelis com Alzira E., arrudA (poeta que tem feitos boas conexões musicais com a cena paulista contemporânea) e Jerry Espíndola - é rock que figura entre os grandes momentos do CD. Também há algo de rock (e de samba...) - mas no sentido mais heterodoxo dos dois gêneros - em Declaração, música turbinada com as guitarras personalíssimas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Músico fundamental na atual cena musical paulistana, Dinucci é parceiro de Anelis na composição, feita com a adesão de Céu. Como ressalta apropriadamente a colega Tulipa Ruiz no atento texto que escreveu para apresentar o CD, Amigos imaginários é um disco de bando que tem um som de banda, formada pelos produtores do álbum com a adesão de Edy Trombone e de músicos eventuais que tocam em uma ou outra faixa. A sonoridade antenada valoriza músicas em si menos envolventes, como Por quê? (Anelis Assumpção). E esse som parece organizado, preciso, servindo bem a Toc toc toc (Anelis Assumpção) - outra música que sobressai menos no conjunto da obra - e a Deuso deusa (Anelis Assumpção), tema de base percussiva que fecha com aura meio sagrada Amigos imaginários, disco em que  Anelis Assumpção  joga conversa dentro com boas letras e músicas, (a)firmando seu estilo.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

"Oi, tudo bem? (...) Eu tô aqui pra jogar conversa dentro. Você tá com tempo? Eu tô aqui...", se coloca à disposição Anelis Assumpção, por meio de versos de Cê tá com tempo? (Anelis Assumpção), uma das doze inéditas músicas autorais de seu segundo álbum solo, Amigos imaginários. Já na faixa que abre o disco, disponível para download gratuito e legalizado no site oficial da artista, a cantora e compositora paulistana convida o ouvinte a entrar no universo desse álbum que firma sua carreira solo e seu estilo autoral. Como o lançamento de Song to Rosa (Anelis Assumpção), canção levada no ritmo veloz do ska, já havia sinalizado em junho, o disco reedita o alto nível de inspiração de seu antecessor Sou suspeita Estou sujeita Não sou santa (Scubidu Records, 2011). Gravado entre fevereiro e maio deste ano de 2014, com produção dividida entre Anelis, Bruno Buarque (bateria), Cris Scabello (guitarra), MAU (baixo) e Zé Nigro (teclados), Amigos imaginários tem forte tempero latino, mas extrapola ritmos e latitudes. Tal tempero é detectado já na levada da segunda faixa, Eu gosto assim (Anelis Assumpção), e no acento cubano de Inconcluso (Anelis Assumpção), abolerada balada cantada em espanhol e aditivada com toque de reggae. Parte do molho do CD, aliás, vem da Jamaica. Temas como Mau juízo estão imersos no universo dub. Devaneios cai no suingue com a voz rapeada do cantor e compositor baiano Russo Passapusso, parceiro de Anelis na ótima composição. Já Minutinho - parceria de Anelis com Alzira E., arrudA (poeta que tem feitos boas conexões musicais com a cena paulista contemporânea) e Jerry Espíndola - é rock que figura entre os grandes momentos do CD. Também há algo de rock (e de samba...) - mas no sentido mais heterodoxo dos dois gêneros - em Declaração, música turbinada com as guitarras personalíssimas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Músico fundamental na atual cena musical paulistana, Dinucci é parceiro de Anelis na composição, feita com a adesão de Céu. Como ressalta apropriadamente a colega Tulipa Ruiz no atento texto que escreveu para apresentar o CD, Amigos imaginários é um disco de bando que tem um som de banda, formada pelos produtores do álbum com a adesão de Edy Trombone e de músicos eventuais que tocam em uma ou outra faixa. A sonoridade antenada valoriza músicas em si menos envolventes, como Por quê? (Anelis Assumpção). E esse som parece organizado, preciso, servindo bem a Toc toc toc (Anelis Assumpção) - outra música que sobressai menos no conjunto da obra - e a Deuso deusa (Anelis Assumpção), tema de base percussiva que fecha com aura meio sagrada Amigos imaginários, álbum em que Anelis Assumpção joga conversa dentro com boas letras e músicas.

Zé Henrique disse...

Nao sei esse, mas acho o primeiro trabalho muito calcado no da ceu

Guilherme disse...

A música "Declaração" é um resumo da boa música que se faz em SP hoje. E o Kiko Dinucci é um dos músicos mais marcantes dessa cena. Disco ótimo!