Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Krieger lança em clipe música composta em resposta ao funk ostentação

♪ O cantor e compositor carioca Edu Krieger está lançando neste mês de agosto de 2014 - através de clipe já posto em rotação no YouTube - música inédita composta para criticar o funk ostentação, ramificação paulista do funk carioca que, como seu título já sugere, ostenta valores materiais. A música se intitula justamente Resposta ao funk ostentação. Sob a direção de Maurício Stal, o clipe foi filmado em preto e branco no Arena Estúdio, no Rio de Janeiro (RJ). Na gravação, mixada por Rodrigo Rezende, Krieger une a batida do tamborzão do funk ao (seu) violão de sete cordas. Eis a letra verborrágica da música Resposta ao funk ostentação:

Resposta ao funk ostentação (Edu Krieger)

Você ostenta o que não tem
Pra tentar parecer mais feliz
Mas não sabe que pra ser alguém
Tem que agir ao contrário do que você diz
Você pensa que tem liberdade
Exibindo riqueza e poder
Mas não vê que na realidade
O sistema é que lucra usando você

E o sistema tem a cor
Do racismo e da escravidão
Cada vez que você dá valor
À roupinha de marca e à ostentação
A elite burguesa e branca
Que é dona das lojas de grife
Se dá bem, pois você bota banca
Mas é o sistema que aumenta o cacife

Clipe norte-americano
De artista que faz hip hop
Você quer imitar por engano
Pensando que assim vai ganhar mais ibope
É a regra do capitalismo
Eles querem que a gente consuma
Pra vivermos à beira do abismo
A gente pra eles é porra nenhuma

Você pensa que é modelo
Pras crianças da comunidade
Sinto muito, mas devo dizê-lo
Que o que você faz é uma puta maldade
Se o moleque não tem condição
De entrar nesse mundo grã-fino
Isso pode virar frustração
E você vai foder com o pobre menino

Que pra ter um tênis foda
Pode até assaltar um playboy
Pois se fica excluído da moda
Recebe desprezo e isso lhe dói
E as mulheres que dão atenção
Que te cobrem de beijo e afeto
Valem menos do que seu cordão
Pois você trata elas pior que objeto

Quem batalha pra viver
E botar a comida na mesa
De repente te vê na TV
Dirigindo carrão e exibindo riqueza
Ostentando pra ter atenção
E achando que isso é maneiro
Sem saber que essa ostentação
Faz o branco do banco ganhar mais dinheiro

Negro tem que ter poder
Negro tem que ser protagonista
Tem que estar no jornal, na TV
No outdoor e na capa de toda revista
Mas não tem a menor coerência
Ostentar um anel de brilhante
Isso só vai gerar violência
Inveja e recalque no seu semelhante

Que legal sua conquista
Sua história de vida também
Mas seu papo é tão consumista
Que faz de você um artista refém
Dessa pose fajuta e falida
Que só finge aumentar autoestima
Infeliz de quem sobe na vida
E não sabe o que faz quando chega lá em cima

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Curta a página de Notas Musicais no Facebook e acompanhe as atualizações diárias do blog. Abs, Mauro Ferreira

CN disse...

Edu é um dos melhores !

Carlos Navas

Eduardo Cáffaro disse...

wow ....arrebentou !

Denilson Santos disse...

Eu achei a música muito boa e a crítica contida nela muito pertinente.
Gostei muito...
abração,
Denilson

Carlos Eduardo disse...

Prefiro o funk ostentação, é mais divertido.

Rhenan Rodrigo disse...

Edu é ótimo. Adoro os discos.

Sinto falta de artistas que mexam nas feridas sociais; que utilizam da importância de ter voz para dizer algo pertinente e agregador, além de bonito, simplesmente.

Mas, assim como "Desculpe Neymar", achei novamente o discurso político-social do Edu bastante raso. Um amontoado de lugares comuns, com o bônus de forçar - muito - a barra quando tenta se apropriar do vocabulário e da linguagem musical do funk.

Contudo, o vídeo está muito bem propagado nas redes. Nitidamente deu certo. Talvez Edu tenha encontrado um novo filão. Vamos acompanhar.