Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Roberto reproduz seu padrão universal em show poliglota em Las Vegas

Resenha de CD
Título: Roberto Carlos em Las Vegas
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Amigo Records / Sony Music
Cotação: * * *

Quando se dirige ao público que compareceu à MGM Gran Garden Arena em 6 de setembro de 2014 para assistir ao seu show, captado ao vivo na ocasião para edição de CD e DVD postos nas lojas pela gravadora Sony Music neste mês de abril de 2015, Roberto Carlos diz que em Las Vegas tudo é "muito especial". A especialidade reside mais no caráter poliglota do roteiro do que no show em si. Seja cantando em português, em espanhol, em inglês e até em italiano, o cantor e compositor capixaba reproduz no palco da arena de Las Vegas o rígido padrão universal de seus espetáculos. Em bom português, mesmo quando canta em outras línguas, o Rei rebobina em Roberto Carlos em Las Vegas as mesmas emoções de sempre, soando invariavelmente fiel a si mesmo. O artista sabe para quem canta e o que canta. Para quem reza pela sua cartilha, o teor de novidade da gravação ao vivo, embora baixo, pode até surpreender. O CD duplo e o DVD perpetuam os primeiros registros, na voz de Roberto, do samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939) - revivido em tons grandiloquentes - e da canção norte-americana I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935). "Todo cantor brasileiro tem um prazer especial em cantar essa música", sentencia Roberto, a respeito do samba do compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964), tema de alcance planetário há tempos cantado pelo Rei em shows pelo mundo, mas nunca incluído em seus registros ao vivo. Já a canção norte-americana - como explica em cena o falante Roberto - é reminiscência afetiva dos tempos pré-fama em que o cantor cumpria expediente nas boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ), cantando de tudo, inclusive músicas norte-americanas ("com inglês de Cais do Porto", ressalta Roberto, com humor). E por falar na língua universal, a versão em inglês de Café da manhã (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978), feita por Sue Sheridan em 1981 para disco direcionado ao mercado fonográfico dos EUA, Breakfast ganha sua primeira gravação ao vivo em Roberto Carlos em Las Vegas, com direito à citação em português de Os seus botões (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976). Apesar de ter gravado o show em país que fala inglês, Roberto prioriza o espanhol dentre as três línguas estrangeiras ouvidas ao longo do show. Sucessos como Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979), Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) - canção revivida com as mesmas ênfases e pausas estratégicas - e Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) são regravados em versões bilíngues que conciliam as letras originais em português com os versos em castelhano. Destaque entre as regravações, Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977) galopa de início em passos suaves e clima aconchegante, mas ganha progressiva intensidade até explodir em arranjo orgasmático. Em momento mais light, Roberto brinca com o fato de nunca ter entendido a letra original da canção italiana Un gatto nel blu (Totò Savio e Giancarlo Bigazzi, 1972), apresentada pelo cantor na edição de 1972 do Festival de San Remo, evento no qual se sagrara vitorioso quatro anos antes ao defender Canzone per te (Sergio Endrigo e Sergio Bardotti, 1968), música que canta em italiano nesse show de Las Vegas antes de El gato que está triste y azul, a versão em espanhol (de 1979) do bobinho tema italiano Un gatto nel blu. Ainda na seara latina, Roberto tece loas a Carlos Gardel (1890 - 1935), cantor francês de vivência argentina que ficou célebre por interpretar tangos como o abolerado El día que me quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1934). Enfim, em seu comportado giro pelo cancioneiro universal romântico, feito sob a direção musical de seu maestro Eduardo Lages, Roberto Carlos reitera conservadorismo que satisfaz seu público e preserva o próprio cantor em posição já (con)sagrada.

7 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Quando se dirige ao público que compareceu à MGM Gran Garden Arena em 6 de setembro de 2014 para assistir ao seu show, captado ao vivo na ocasião para edição de CD e DVD postos nas lojas pela gravadora Sony Music neste mês de abril de 2015, Roberto Carlos diz que em Las Vegas tudo é "muito especial". A especialidade reside mais no caráter poliglota do roteiro do que no show em si. Cantando em português, em espanhol, em inglês e até em italiano, o cantor e compositor capixaba reproduz no palco da arena de Las Vegas o padrão universal de seus espetáculos. Em bom português, mesmo quando canta em outras línguas, o Rei rebobina em Roberto Carlos em Las Vegas as mesmas emoções de sempre, soando invariavelmente fiel a si mesmo. O artista sabe para quem canta e o que canta. Para quem reza pela sua cartilha, o teor de novidade da gravação ao vivo, embora baixo, pode até surpreender. O CD duplo e o DVD perpetuam os primeiros registros, na voz de Roberto, do samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939) - revivido em tons grandiloquentes - e da canção norte-americana I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935). "Todo cantor brasileiro tem um prazer especial em cantar essa música", sentencia Roberto, a respeito do samba do compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964), tema de alcance planetário há tempos cantado pelo Rei em shows pelo mundo, mas nunca incluído em seus registros ao vivo. Já a canção norte-americana - como explica em cena o falante Roberto - é reminiscência afetiva dos tempos pré-fama em que o cantor cumpria expediente nas boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ), cantando de tudo, inclusive músicas norte-americanas ("com inglês de Cais do Porto", ressalta Roberto, com humor). E por falar na língua universal, a versão em inglês de Café da manhã (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978), lançada em 1981 em disco direcionado ao mercado fonográfico dos Estados Unidos, Breakfast ganha sua primeira gravação ao vivo em Roberto Carlos em Las Vegas, com direito à citação em português de Os seus botões (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976). Apesar de ter gravado o show em país que fala inglês, Roberto prioriza o espanhol dentre as três línguas estrangeiras ouvidas ao longo do show. Sucessos como Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979), Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) - canção revivida com as mesmas ênfases e pausas estratégicas - e Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) são regravados em versões bilíngues que conciliam as letras originais em português com os versos em castelhano. Destaque entre as regravações, Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977) galopa de início em passos suaves e clima aconchegante, mas ganha progressiva intensidade até explodir em arranjo orgasmático. Em momento mais light, Roberto brinca com o fato de nunca ter entendido a letra original da canção italiana Un gatto nel blu (Totò Savio e Giancarlo Bigazzi, 1972), apresentada pelo cantor na edição de 1972 do Festival de San Remo, evento no qual se sagrara vitorioso quatro anos antes ao defender Canzone per te (Sergio Endrigo e Sergio Bardotti, 1968), música que canta em italiano nesse show de Las Vegas antes de El gato que está triste y azul, a versão em espanhol (de 1979) do bobinho tema italiano Un gatto nel blu. Ainda na seara latina, Roberto tece loas a Carlos Gardel (1890 - 1935), cantor francês de vivência argentina que ficou célebre por interpretar tangos como o abolerado El día que me quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1934). Enfim, em seu comportado giro pelo cancioneiro universal romântico, feito sob a direção musical de seu maestro Eduardo Lages, Roberto Carlos reitera conservadorismo que satisfaz seu público e preserva o próprio cantor em posição já (con)sagrada.

Mauro Silva disse...

"Aquarela do Brasil" e "Cavalgada" roubam a cena, ficaram Emocionantes!!! Só não entendi por que "Sail Away"(do disco em Inglês de 1981), não entrou no repertório deste show, é uma canção lindíssima e fez muito sucesso na época e no entanto ficou esquecida.Como este show é dedicado ao mercado internacional ela ficaria perfeita neste show, mas no lugar entrou "Breakfast" que é do mesmo disco de 1981. Mesmo com este pequeno detalhe, o show é ótimo!!! Ah!! "Un gatto nel blu" também ficou linda!Tomara que este show passe na TV aberta.

Rafael M. disse...

Ninguém aguenta mais ouvir Roberto cantando as mesmas músicas, por mais "que os arranjos tenham ficado incríveis" (o que eu duvido)... Todo mundo quer ouvir um disco de inéditas, o que acabará não se concretizando mesmo. Perde ele e perde o seu público.

Rafael M. disse...

Esse CD duplo é puramente feito para arrancar mais dinheiro do povo, já que custa mais caro do que a versão simples, que vem com 16 faixas. Poderia ter colocado todas as músicas num álbum somente, mas a ganância por grana falou mais alto, e aconteceu isto.

Damião Costa disse...

O show é simplesmente sensacional. E quanto ao cd simples é um item de colecionador que só vai ser vendido nas lojas Americanas.

Rafael M. disse...

O que eu não aguento ler aqui é a corriola de puxa sacos desse cantor...

Rafael M. disse...

O cara foi um gênio até a década de 70... Depois virou essa chatice musical e repetitiva que todos nós conhecemos...