Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 14 de abril de 2015

Single 'Ilusão à toa' frustra e até contradiz a fase de plenitude artística de Gal

EDITORIAL - Lançado hoje, 14 de abril de 2015, nas plataformas digitais, o single Ilusão à toa é frustrante para quem vem acompanhando o atual (grande) momento artístico de Gal Costa. Desde o revigorante álbum Recanto (Universal Music, 2011), produzido por Caetano Veloso com Moreno Veloso, a cantora recuperou a melhor forma, a gana e o status. Os shows Recanto (2012/2014), Espelho d'água (2014) e Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues (2015) confirmaram, em cena, o renascimento artístico de uma intérprete que atravessara os anos 2000 no piloto automático (embora nunca tenha deixado de ser a grande cantora que sempre foi). O single Ilusão à toa estanca esse movimento de ruptura com a estagnação. Embora produzido por Kassin e Moreno Veloso, pilotos do vindouro álbum Estratosférica, previsto para ser editado em maio via Sony Music, o single contradiz o momento de plenitude vivido por Gal desde Recanto. É uma gravação que poderia até figurar no comportado álbum Todas as coisas e eu (Indie Records, 2003), disco pautado por regravações reverentes de standards da MPB. Um dos mais belos títulos do cancioneiro do compositor carioca Johnny Alf (1929 - 2010), Ilusão à toa - música lançada em 1961 com versos que aludem discreta e poeticamente a um amor gay trancado dentro do armário  - decepciona porque vem numa linha contrária à adotada por Gal em seus recentes projetos. Feita sem a banda arregimentada por Kassin e Moreno Veloso para o disco, a canção está sendo lançada como single porque a gravação foi feita sob encomenda para a trilha sonora da atual novela exibida pela TV Globo às 21h, Babilônia. Submissa às escolhas da emissora, a gravadora decide promover uma música cuja gravação destoa da atmosfera rocker do álbum Estratosférica. Tudo porque Ilusão à toa é a faixa da novela. Com as rádios cada vez mais segmentadas e/ou fechadas para qualquer música produzida fora do estrato populista, ter uma música numa novela é a única garantia - em tese - de um possível sucesso nacional. Em nome de um sucesso que sempre vai depender da execução (ou não...) da música na trama, conceitos artísticos são postos em segundo plano em favor das leis do mercado. Sim, é fato que os admiradores de Gal saberão separar o joio do trigo. Mas é lamentável que a primeira música do álbum Estratosférica a que o público terá acesso é uma canção gravada fora do tom supostamente arrojado do disco. Com tal escolha, perde Gal, perde o disco, perde a Arte e perde - por fim... - o próprio público.

P.S.: Embora tenha optado por divulgar primeiramente a faixa-bônus Ilusão à toa, por conta de sua inclusão na trilha sonora da novela Babilônia, a gravadora Sony Music pretende lançar em maio um single oficial do álbum Estratosférica, com direito a um clipe dessa música inédita, ainda não revelada.

33 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ EDITORIAL - Lançado hoje, 14 de abril de 2015, nas plataformas digitais, o single Ilusão à toa é frustrante para quem vem acompanhando o atual momento artístico de Gal Costa. Desde o revigorante álbum Recanto (Universal Music, 2011), produzido por Caetano Veloso com Moreno Veloso, a cantora recuperou a melhor forma, a gana e o status. Os shows Recanto (2012/2014), Espelho d'água (2014) e Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues (2015) confirmaram, em cena, o renascimento artístico de uma intérprete que atravessara os anos 2000 no piloto automático (embora nunca tenha deixado de ser a grande cantora que sempre foi). O single Ilusão à toa contradiz esse movimento de ruptura com a estagnação. Embora produzido por Kassin e Moreno Veloso, pilotos do vindouro álbum Estratosférica, previsto para ser editado em maio via Sony Music, o single contradiz o momento de plenitude vivido por Gal desde Recanto. É uma gravação que poderia até figurar no comportado álbum Todas as coisas e eu (Indie Records, 2003), disco pautado por regravações reverentes de standards da MPB. Um dos mais belos títulos do cancioneiro do compositor carioca Johnny Alf (1929 - 2010), Ilusão à toa - música lançada em 1961 com versos que aludem discreta e poeticamente a um amor gay trancado dentro do armário - decepciona porque vem numa linha contrária à adotada por Gal em seus recentes projetos. Feita sem a banda arregimentada por Kassin e Moreno Veloso para o disco, a canção está sendo lançada como single porque a gravação foi feita sob encomenda para a trilha sonora da atual novela exibida pela TV Globo às 21h, Babilônia. Submissa às escolhas da emissora, a gravadora decide promover uma música cuja gravação destoa da atmosfera rocker do álbum Estratosférica. Tudo porque Ilusão à toa é a faixa da novela. Com as rádios cada vez mais segmentadas e/ou fechadas para qualquer música produzida fora do estrato populista, ter uma música numa novela é a única garantia - em tese - de um possível sucesso nacional. Em nome de um sucesso que sempre vai depender da execução (ou não...) da música na trama, conceitos artísticos são postos em segundo plano em favor das leis do mercado. É fato que os admiradores de Gal saberão separar o joio do trigo. Mas é lamentável que a primeira música do álbum Estratosférica a que o chamado grande público vai ter acesso é uma canção gravada fora do tom supostamente arrojado do disco. Com tal escolha, perde Gal, perde o disco, perde a Arte e perde, por fim, o próprio público.

Marcelo Barbosa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Gilliatt R disse...

O mais frustrante é ver que a TV, um veículo de comunicação que, no Brasil, alcançou um padrão de qualidade raro de ser ver no mundo, graças à atitude inovadora de executivos e criadores que, no passado, estavam à frente das emissoras, hoje está surda, repetitiva e, talvez por isso mesmo, melancolicamente fadada a se tornar obsoleta.

É interessante ler, a respeito das observações sobre a submissão da indústria do disco a essas cada vez mais duvidosas leis do mercado, o artigo de Paulo da Costa e Silva publicado este mês no blog questões musicais, da Revista Piauí.

Segue o link: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-musicais/geral/pequena-teoria-sobre-o-mercado-e-as-artes

Rafael M. disse...

Não quer dizer que a regravação de "Ilusão À Toa" tenha sido fraca quer dizer que "Estratosférica" esteja ruim também... Ainda continuo tendo ótimas expectativas sobre esse disco e assim como "Recanto", acho que o mesmo será memorável...

Marcelo disse...

Uma tempestade à toa por causa dessa "Ilusão à Toa".... É a divulgação pro trabalho. Qq divulgação é bem vinda... Música certa ou errada, o q importa é Gal ser ouvida pelo grande público..ou seja por uma canção tradicional de Jonhhy Alf ou por uma canção sem pé nem cabeça de Caetano ou Criolo!!

Catarina B Santos disse...

Eu adorei essa nova versão! Nenhuma frustração. ..

Luis Eduardo disse...

Gostei da faixa. Gostei do arranjo. Mas também achei sem sentido lançar uma música batida num momento como esse. Mas Mauro, você é contraditório. Uma hora anuncia a música como faixa do disco, outra hora divulga as músicas sem ''Ilusão à toa'' e agora diz que '' a primeira lançada do álbum estratosférica'' e etc. Ou é ou não é.

Dalson Prisco disse...

Isso ai Marcelo...muito alarde a toa.....

Mauro Ferreira disse...

Luis Eduardo, todas as informações sobre "Estratosférica" são, por ora, extraoficiais, conseguidas com fontes. 'Ilusão à toa' está, sim, no disco - como noticiei em 2 de março. Até onde sei, entra como faixa-bônus. Nunca disse que a música não estaria no disco, embora um post seguinte - sobre as 15 músicas INÉDITAS - possa ter induzido os leitores a pensar o contrário. Abs, MauroF

Cica Pu disse...

Na boa, dessa vez achei meio precipitada essa crítica. A música é para a novela e Gal está dando de brinde no álbum novo. Provavelmene entrou hj no Itunes pq deve começar a tocar na novela. Somente isso. Só espero que não fiquem pegando no pé dela por causa de um agrado que ela está fazendo. Tô até vendo.

Vicente de Moraes disse...

Achei tranquila, leve e com o tempero baiano que só Gal sabe dar as canções..seja ela novas ou antigas, Gal já fez muito isso gente, em O DONO DO MUNDO a musica não constava no disco novo dela

William Gromit disse...

Esta música é uma regravação para a própria Gal, que cantou em dueto com o autor Johnny Alf no disco Olhos Negros (1991). Também gravaram Ilusão à Toa, dentre outros, Rosa Passos, Paula Morelenbaum, Áurea Martins, Waleska, Leila Pinheiro, Cauby Peixoto, Sylvia Telles, Marcos Valle e, claro, a maior de todas, Elis Regina.

Marco Goulart Forte disse...

Quais são os músicos que a acompanham?

Rafael M. disse...

Acabei de ouvir a gravação no Deezer e não achei ruim... Também acho que o Mauro está fazendo tempestade em copo dágua. Gostei desta nova versão.

Rhenan Rodrigo disse...

Ah, as gravadoras... Tanto cálculo, tanto estudo, tanto MBA... blergh.

noca disse...

Perfeito Mauro.Uma hora é a inovadora,a renovadora na outra a conveniência manipulada.Ué cadê a coerência,a atitude?

Gugu Oliveira disse...

Acabei de ouvir, Mauro.
Fico até feliz que você tenha a coragem de falar tudo aquilo que eu percebi ao ouvir a canção. É frustrante saber que a canção que vai promover o novo álbum não tenha a sonoridade que tanto esperamos para o tão esperado "Estratosférica".

Quando foi revelado a tracklist do sucessor de "Recanto" a alguns meses atrás, "Ilusão à toa" me pareceu uma faixa extra/bônus pois mostrou caracteristas de uma: Ultima faixa do disco, regravação de uma canção já conhecida...

Partindo desse conceito, Eu até entendo e aceito a sonoridade/arranjo diferente do esperado criado para a canção. Afinal, Essa também é uma característica das faixas bônus.

Mas colocar a faixa bônus com single foi um tiro no pé da nova legião de fãs. Parece que a intenção foi prestar contas para a parcela de um público preguiçoso, que não tem mente aberta a novidade e/ou experimentações musicais... (Lembra da briga de Caetano Veloso com uma senhora que ficou falando mal da musica "Recanto Escuro" durante o show? Então...)

Enfim, de qualquer modo vou aguardar o disco, vou ouvi-lo considerando "ilusão à toa" como uma faixa bônus (mesmo que tenha sido anunciado como single), e só depois disso farei uma avaliação do "Estratosférica".

Sinto que não irei me decepcionar. Gal está rodeada de gente esperta como o Marcus Preto, Kassin, Moreno Veloso... Isso não pode dar num trabalho mediano.
Vamos aguardar.

lurian disse...

Achei a gravação desnecessária. Gal estava no auge da voz quando cantou essa canção junto a Johnny Alf. Deveria ter parado ali. É daquela gravação que todos gostariam de lembrar. A voz não é a mesma, a interpretação ficou aquém, e o que dizer da ausência do piano do mestre? É o tipo de coisa que acho que o artista deve se furtar.

Marcelo disse...

Coitada Gal se decidir lançar um cd de piano e voz cantando a obra de Vinícius de Moraes ou Milton Nascimento, por exemplo, vai ser crucificada com britadeira!!! Quanta perseguição...Gal não pode ficar amarrada a Kassin a vida toda. Ela pode e deve navegar em todas as áreas...sem cobranças!!!

Flavimar Dïniz disse...

Acredito que a carreira da Gal já mostrou que ela é, acima de tudo, bem "plural" em seus trabalhos. Não duvidaria dessa música dar um tom de trabalho e o disco vir de outra forma completamente diferente. Aguardemos Gal vir estratosférica para ver o que vai acontecer!

noca disse...

A questão não é essa Marcelo.Ela está prestes a lançar um trabalho que não cabe essa faixa.Tudo pelo mesmo propósito antigo de comerciabilidade de um projeto que tanto corrompe a liberdade criativa dos artistas.Ora Gal não precisa disso.Muito menos nesta fase de tanto apelo por renovação.Q desse uma banana p o esquemão.Essa coisa de ter q estar em uma novela e aceitar imposições estéticas contrárias a um momento artístico pessoal é o fim.

Rhenan Rodrigo disse...

"Coitada Gal se decidir lançar um cd de piano e voz cantando a obra de Vinícius de Moraes ou Milton Nascimento, por exemplo, vai ser crucificada com britadeira!!! Quanta perseguição..."

Adoro ler esses argumentos de conveniência aqui. Acho é graça!

Marcelo disse...

Ria Rhenan...Rir faz bem pra alma!!! ;)

Ary disse...

A escolha como single é totalmente equivocada, por não mostrar a direção do trabalho. Não funciona como estratégia de marketing.
Ainda sobre Gal, tive a curiosidade de consultar as vendas de seus shows do Lupicinio. Estão fracas em todos os lugares. Não sei se por problemas de divulgação, ou se pelo fato de serem apenas musicas do Lupicinio.
E as vendas do Espelho d'Agua em Recife também não são boas.
Talvez seja consequencia do quase abandono da carreira antes do Recanto.

Marcelo disse...

Estranho Ary essas informações...Aqui no Rio, pelo menos, a casa estava lotada!!! Mas ainda tenho dúvidas se é estratégia de marketing pro lançamento do cd ou se é apenas pra divulgar a música que estará na novela. Muitas pessoas vão atrás do cd do artista apenas por causa da música da novela...

Marcello disse...

Ary,

Se voce quer pesquisar as vendas dos shows "Gal canta Lupicinio", otimo!
Mas por favor se atenha aos fatos e a verdade:
- Em Porto Alegre, os ingressos se esgotaram dias antes do show. Ela cantou numa arena onde estavam 3.000 mil pessoas.
- No Rio, o Vivo Rio nao estava lotado. estava abarrotado de gente. Qualquer pessoa que foi praticamente nao pode se mexer na cadeira devido a superlotacao.

Para as outras cidades ainda faltam mais de 15 dias para os shows.
Enfim....

Ary disse...

Marcelo e Marcello,
Qualquer um pode testar isso.
Disk ingressos em Curitiba, Ingresso Rapido para São Paulo e Recife.
Rio lotou. No último dia. Um dia de show. Deveria ter lotado rapidamente.
São Paulo vai lotar provavelmente. Mas com um dia de show para São Paulo, já devia estar lotado há muito tempo.
Curitiba é na semana que vem. Nem metade dos ingressos foram vendidos em mais de um mês.
Eu gosto muito da Gal. Mas não se pode negar qu a Gal está com um público mais restrito.
O Recanto estreou na casa Miranda, que é uma casa muito pequena.

Ary disse...

Mas eu quero abrir um parênteses também: apesar de seu um show patrocinado, aparentemente não há uma maciça distribuição de ingressos de cortesia para o show Gal Canta Lupicinio. Em Curitiba eles são marcados em preto e são relativamente poucos.
O show de Bethania - também patrocinado - em Curitiba está lotado há quase dois meses, mas tinha número bem maior de ingressos cortesia.

Marcelo disse...

Ary....apesar de gostar mais da Gal dos anos 80 e 90, eu acho q ela não restringiu seu público não. Justamente por essa linguagem moderna das últimas apresentações, acho que ela agregou ao seu antigo público, uma galera mais nova também...Posso estar errado mas é o q percebo!!

ADEMAR AMANCIO disse...

Também acho que a Gal devia ter parado no auge,como o Pelé.Obrigado pela dica daquela revista Piauí.

Rafael M. disse...

O Mauro posta essas reportagens sobre Gal aqui só para ver o circo pegar fogo... E já se completaram 30 comentários apenas sobre uma música.... Imagina quando lançar o disco inteiro, se terá mais de 100 comentários...

Sylvia Gouvea disse...

Essa música é simplesmente maravilhosa!!! E música de qualidade é sempre bem vinda! Vcs poderiam arrumar alguma coisa mais importante para criticar! Ou talvez arrumar um tanque de roupa bem suja para lavar..que saco..

Sylvia Gouvea disse...

Essa música é simplesmente maravilhosa!!!
e música de qualidade é sempre bem vinda!
Vcs poderiam encontrar alguma coisa melhor para fazer, do que apenas ficar criticando! Que tal um tanque de roupa bem suja para lavar! Que saco...