Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

'ID' de Sam Alves decalca e dilui a matriz do pop industrializado dos EUA

Resenha de CD
Título: ID
Artista: Sam Alves
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 

Quinta das 11 músicas de ID, segundo álbum de Sam Alves após sua exposição nacional na segunda temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo, 2013), a balada de levada r &b Tired (Sam Alves, Lipe Bade e Zulu Mike) poderia figurar em qualquer álbum de qualquer cantor norte-americano da atualidade. Não por ser cantada em inglês, mas por decalcar a matriz do pop industrializado ora em evidência nas paradas musicais dos Estados Unidos. Até o rap inserido por Zulu Mike na segunda metade da faixa se ajusta ao tom desse pop. Promovido pela balada Nosso vídeo (Dalto Max, D'Black e Felipe Zero), ID até cumpre sua missão de desviar o cantor da rota dos covers que dominaram seu primeiro álbum pós-The Voice Brasil, Sam Alves (Universal Music, 2014). Mas se limita a diluir a matriz desse pop fabricado em série nos EUA. Sam Alves - verdade seja dita - está à vontade nesse terreno, obviamente pelo fato de ter sido criado nos Estados Unidos, apesar da origem cearense, e de dominar essa idioma musical. A questão é que ID soa artificial. Sob a direção artística de Paul Ralphes, os produtores Dalto Max, William Naraine e Gino Martin padronizam sons e emoções em repertório que soa repetitivo. Música que abre o disco com apelo radiofônico, Esse mistério (Dalto Max, Sam Alves e Victor Gobby) apresenta de cara o matiz desse repertório: um pop tangido artificialmente de black. Balada de amor adocicado, Me beija (Ser feliz é pouco) (Dalto Max, Felipe Zero, Paulo Mac, Brenno Be e Twigg) reitera o fato de ID tentar quase sempre se enquadrar na moldura radiofônica. Ao longo das 11 músicas do disco, Sam cai no chororô romântico na lacrimosa canção Quem diria (Dalto Max, Paulo Mac e Victor Gobby) - formatada no estilo voz e piano - e se joga na pista dance do electropop Não vou parar (Dalto Max, Sam Alves e Paulo Mac). Message (Gino e Will) avisa que o som bastante sintético do disco uniformiza levadas e dilui sentimentos enquanto Messing with me - outra música em inglês assinada por Gino e Will - faz ressoar ecos abafados de levadas de músicas de Michael Jackson (1958 - 2009), Justin Timberlake e cia. Enfim, ao mesmo tempo em que livra o artista do estigma de cantor de covers, ID ainda não consegue apontar identidade (própria) para o som de Sam Alves.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Quinta das 11 músicas de ID, segundo álbum de Sam Alves após sua exposição nacional na segunda temporada do programa The Voice Brasil (TV Globo, 2013), a balada de levada r &b Tired (Sam Alves, Lipe Bade e Zulu Mike) poderia figurar em qualquer álbum de qualquer cantor norte-americano da atualidade. Não por ser cantada em inglês, mas por decalcar a matriz do pop industrializado ora em evidência nas paradas musicais dos Estados Unidos. Até o rap inserido por Zulu Mike na segunda metade da faixa se ajusta ao tom desse pop. Promovido pela balada Nosso vídeo (Dalto Max, D'Black e Felipe Zero), ID até cumpre sua missão de desviar o cantor da rota dos covers que dominaram seu primeiro álbum pós-The Voice Brasil, Sam Alves (Universal Music, 2014). Mas se limita a diluir a matriz desse pop fabricado em série nos EUA. Sam Alves - verdade seja dita - está à vontade nesse terreno, obviamente pelo fato de ter sido criado nos Estados Unidos, apesar da origem cearense, e de dominar essa idioma musical. A questão é que ID soa artificial. Sob a direção artística de Paul Ralphes, os produtores Dalto Max, William Naraine e Gino Martin padronizam sons e emoções em repertório que soa repetitivo. Música que abre o disco com apelo radiofônico, Esse mistério (Dalto Max, Sam Alves e Victor Gobby) apresenta de cara o matiz desse repertório: um pop tangido artificialmente de black. Balada de amor adocicado, Me beija (Ser feliz é pouco) (Dalto Max, Felipe Zero, Paulo Mac, Brenno Be e Twigg) reitera o fato de ID tentar quase sempre se enquadrar na moldura radiofônica. Ao longo das 11 músicas do disco, Sam cai no chororô romântico na lacrimosa canção Quem diria (Dalto Max, Paulo Mac e Victor Gobby) - formatada no estilo voz e piano - e se joga na pista dance do electropop Não vou parar (Dalto Max, Sam Alves e Paulo Mac). Message (Gino e Will) avisa que o som bastante sintético do disco uniformiza levadas e dilui sentimentos enquanto Messing with me - outra música em inglês assinada por Gino e Will - faz ressoar ecos abafados de levadas de músicas de Michael Jackson (1958 - 2009), Justin Timberlake e cia. Enfim, ao mesmo tempo em que livra o artista do estigma de cantor de covers, ID ainda não consegue apontar identidade (própria) para o som de Sam Alves.

Rafael M. disse...

Mauro, será que você poderia informar quem são os compositores de "Amanhecer", "Frágil" e "I Wanna Fall"? Por favor, conto com a sua compreensão.

Rafael M. disse...

Já consegui a informação pela net.

Rafael M. disse...

Sam Alves não é um grande cantor, mas também não é ruim. Tinha outros grandes cantores da segunda temporada do "The Voice Brasil" que mereciam ter ganhado o primeiro lugar ao invés dele.