Mauro Ferreira no G1

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domingo, 19 de abril de 2015

'Bixiga 70 III' dá polimento ao afrobeat da 'big-band' sem perda da energia

Resenha de CD
Título: Bixiga 70 III
Artista: Bixiga 70
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2

Formada em 2010, a big-band paulistana Bixiga 70 atinge o ápice de sua ainda curta carreira fonográfica com a edição, neste mês de abril de 2015, de seu terceiro álbum, Bixiga 70 III. A exuberância da grande maioria dos nove temas assinados coletivamente pela banda - formada por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) - dá uma impressionante coesão ao disco sem chegar a surpreender quem já detectou a evolução do grupo no álbum anterior, Bixiga 70 (Independente, 2013). Bixiga 70 III aprimora o som da e azeita (ainda mais) o suingue do grupo sem perda da energia, da espontaneidade e da pressão. A matriz continua sendo o afrobeat, mas, a exemplo do que já fizera no disco anterior, Bixiga 70 joga no seu contemporâneo caldeirão africano fortes temperos do Norte do Brasil (a influência do carimbó é detectada logo na introdução de Ventania, música que abre Bixiga 70 III), de Cuba, do jazz dos EUA e do funk da Black Rio. Gravado com a adesão do saxofonista e flautista Anderson Quevedo, o repertório inédito, autoral e coletivo foi composto pelos músicos ao longo de 45 dias de hibernação no seu estúdio Traquitana - situado no número 70 de rua do bairro paulistano do Bixiga, o que motivou o batismo da big-band - para gerar e parir Bixiga 70 III. Além de embutir pífanos que remetem ao universo musical da nação nordestina, os sopros de Mil vidas sinalizam que a recente incursão do grupo pelo Marrocos exerceu influência em um som que continua em estado de ebulição. 100% 13 (composição cuja título se refere ao fato de o QG da banda estar localizado na rua 13 de maio), Niran (com ecos do som criado pelo maestro baiano Letieres Leite para sua orquestra Rumpilezz), Di dancer e Machado são temas que soam pulsantes, inventivos (o rico amálgama de ritmos nunca é previsível em Bixiga 70 III) e - não menos importante - quase sempre convidativos à dança. No fim do disco, Pancadas - tema mais contemplativo em que se ouve com mais nitidez a percussão do som da banda - exala certa melancolia que soa como anticlímax em álbum inebriante que eleva o Bixiga 70 ao primeiro time da música instrumental produzida no Brasil.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Formada em 2010, a big-band paulistana Bixiga 70 atinge o ápice de sua ainda curta carreira fonográfica com a edição, neste mês de abril de 2015, de seu terceiro álbum, Bixiga 70 III. A exuberância da grande maioria dos nove temas assinados coletivamente pela banda - formada por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete) - dá uma impressionante coesão ao disco sem chegar a surpreender quem já detectou a evolução do grupo no álbum anterior, Bixiga 70 (Independente, 2013). Bixiga 70 III aprimora o som da e azeita (ainda mais) o suingue do grupo sem perda da energia, da espontaneidade e da pressão. A matriz continua sendo o afrobeat, mas, a exemplo do que já fizera no disco anterior, Bixiga 70 joga no seu contemporâneo caldeirão africano fortes temperos do Norte do Brasil (a influência do carimbó é detectada logo na introdução de Ventania, música que abre Bixiga 70 III), de Cuba, do jazz dos EUA e do funk da Black Rio. Gravado com a adesão do saxofonista e flautista Anderson Quevedo, o repertório inédito, autoral e coletivo foi composto pelos músicos ao longo de 45 dias de hibernação no seu estúdio Traquitana - situado no número 70 de rua do bairro paulistano do Bixiga, o que motivou o batismo da big-band - para gerar e parir Bixiga 70 III. Além de embutir pífanos que remetem ao universo musical da nação nordestina, os sopros de Mil vidas sinalizam que a recente incursão do grupo pelo Marrocos exerceu influência em um som que continua em estado de ebulição. 100% 13 (composição cuja título se refere ao fato de o QG da banda estar localizado na rua 13 de maio), Niran (com ecos do som criado pelo maestro baiano Letieres Leite para sua orquestra Rumpilezz), Di dancer e Machado são temas que soam pulsantes, inventivos (o rico amálgama de ritmos nunca é previsível em Bixiga 70 III) e - não menos importante - quase sempre convidativos à dança. No fim do disco, Pancadas - tema mais contemplativo em que se ouve com mais nitidez a percussão do som da banda - exala certa melancolia que soa como anticlímax em álbum inebriante que eleva o Bixiga 70 ao primeiro time da música instrumental produzida no Brasil.

italo vinicius disse...

bom dia Mauro, sabe de alguma noticia do disco da Cássia que seria lançado pela pela coqueiro verde em março como foi postado aqui no blogger ?

Mauro Ferreira disse...

Italo, bom dia! O projeto atrasou, mas vai sair. abs

italo vinicius disse...

valeo, que bom que ainda vai sair.

Não sei se você possui esta informação o Chorão chegou a compor uma musica pra Cássia ''O Dom, a Inteligência e a Voz'' que foi lançada pelo CBJR no álbum ''Camisa 10'' será que ela chegou a gravar? e se gravou sera que pode vir neste disco.
Mais uma vez obrigado e bom domingo !