Mauro Ferreira no G1

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domingo, 12 de abril de 2015

Caixa 2 de Antonio Marcos revela álbum em que cantor flertou com MPB

Cantor e compositor paulistano associado à canção popular romântica dos anos 1970, Antonio Marcos (1945 - 1992) fez parte de um time de artistas amados pelo público, mas geralmente ignorados pela crítica musical de uma época dominada pela música brasileira rotulada como MPB. Marcos deixou discografia que permanecia quase invisível até o lançamento, em março deste ano de 2015, de duas caixas com reedições de oito dos 11 álbuns que o cantor lançou pela gravadora RCA entre 1969 e 1984. Produzidas pelo pesquisador musical carioca Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, estas caixas cobrem período que vai de 1967 a 1977. A primeira, Antonio Marcos vol. 1 (1967 - 1972), reembala os quatro primeiros álbuns do cantor (clique aqui para ler o post sobre essa caixa). São os discos que geraram um ídolo popular romântico nascido no rastro da consolidação da carreira de Roberto Carlos logo após a Jovem Guarda (movimento pop nativo do qual Antonio Marcos foi discreto coadjuvante como integrante do conjunto Os Iguais). Já a segunda caixa, Antonio marcos vol. 2 (1973 - 1976), traz quatro álbuns que flagram o cantor e compositor em seu auge criativo. Todos até então nunca tinham sido lançados no formato de CD. Embora o subtítulo dessa segunda caixa delimite 1976 como o ano final das gravações, o quarto álbum, Felicidade (1976), traz - entre as faixas-bônus - as duas músicas gravadas por Marcos para compacto que chegou ao mercado fonográfico no início de 1977. Uma dessas músicas - Sonhos de um palhaço (Antonio Marcos), propagada na trilha sonora da novela Espelho mágico (TV Globo, 1977) - é um dos títulos mais inspirados do cancioneiro autoral do artista. A canção narra com melancolia a sina de um artista circense, fugindo do romantismo que deu o tom da obra fonográfica deste cantor que, diferentemente de colegas como o goiano Odair José, gravou cancioneiro pautado por um existencialismo mais simples, distante dos temas sociais abordados pelo mais polêmico (e, por isso mesmo, censurado) Odair. Em seu tom sempre triste, por vezes messiânico, Antonio Marcos atravessou a década de 1970 em plena atividade. Além de cantor e compositor, ele se aventurou como ator em novelas da TV Tupi e em filmes de pouca ambição artística. Foi uma década de auge artístico e de popularidade, apogeu iniciado com o álbum Antonio Marcos, lançado em 1973, ano em que o Brasil ouviu sua canção Como vai você? - feita em parceria com Mário Marcos - na voz de Roberto Carlos, que lançara a música em álbum editado no fim de 1972. O autor registrou sua bela criação neste álbum Antonio Marcos. Mas o hit do LP foi outro. Em 1973, o Brasil ouviu também a gravação de maior sucesso da discografia de Antonio Marcos, O Homem de Nazareth, música da lavra de Claudio Fontana, compositor recorrente nas fichas técnicas dos discos de Antonio Marcos. Cicatrizes, o álbum de 1974, deu continuidade a essa fase de sucesso popular com o êxito da música Porque chora a tarde (Gabino Correa e Antonio Marcos), vertida para o espanhol em gravação adicionada à reedição do álbum entre as seis faixas-bônus. Ele... Antonio Marcos, o álbum de 1975, obteve menor repercussão nas paradas do que seus dois antecessores. Talvez por que repetisse fórmulas. Tanto que o álbum seguinte, o mencionado Felicidade, de 1976, alterou a receita e se diferenciou pelos flertes bissextos do cantor com a MPB. Neste disco, Antonio Marcos deu sua voz viçosa a músicas dos compositores cearenses Belchior (duas, Todo sujo de batom e Voz da América) e Raimundo Fagner (Fracasso). Enfim, ao editar estas duas (oportunas) caixas para seu selo, o pesquisador musical Marcelo Fróes joga luz sobre a voz e a obra de um artista que faria 70 anos em novembro de 2015. Voz que se calou cedo, em 5 de abril de 1992, mas que está gravada na história da música popular do Brasil, ainda que a bibliografia oficial dessa história minimize a presença de cantores como Antonio Marcos nas paradas -  e no imaginário coletivo...  - do Brasil de sua época.

7 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Cantor e compositor paulistano associado à canção popular romântica dos anos 1970, Antonio Marcos (1945 - 1992) fez parte de um time de artistas amados pelo público, mas geralmente ignorados pela crítica musical de uma época dominada pela música brasileira rotulada como MPB. Marcos deixou discografia que permanecia quase invisível até o lançamento, em março deste ano de 2015, de duas caixas com reedições de oito dos 11 álbuns que o cantor lançou pela gravadora RCA entre 1969 e 1984. Produzidas pelo pesquisador musical carioca Marcelo Fróes para seu selo Discobertas, estas caixas cobrem período que vai de 1967 a 1977. A primeira, Antonio Marcos vol. 1 (1967 - 1972), reembala os quatro primeiros álbuns do cantor (clique aqui para ler o post sobre essa caixa). São os discos que geraram um ídolo popular romântico nascido no rastro da consolidação da carreira de Roberto Carlos logo após a Jovem Guarda (movimento pop nativo do qual Antonio Marcos foi discreto coadjuvante como integrante do conjunto Os Iguais). Já a segunda caixa, Antonio marcos vol. 2 (1973 - 1976), traz quatro álbuns que flagram o cantor e compositor em seu auge criativo. Todos até então nunca tinham sido lançados no formato de CD. Embora o subtítulo dessa segunda caixa delimite 1976 como o ano final das gravações, o quarto álbum, Felicidade (1976), traz - entre as faixas-bônus - as duas músicas gravadas por Marcos para compacto que chegou ao mercado fonográfico no início de 1977. Uma dessas músicas - Sonhos de um palhaço (Antonio Marcos), propagada na trilha sonora da novela Espelho mágico (TV Globo, 1977) - é um dos títulos mais inspirados do cancioneiro autoral do artista. A canção narra com melancolia a sina de um artista circense, fugindo do romantismo que deu o tom da obra fonográfica deste cantor que, diferentemente de colegas como o goiano Odair José, gravou cancioneiro pautado por um existencialismo mais simples, distante dos temas sociais abordados pelo mais polêmico (e, por isso mesmo, censurado) Odair. Em seu tom sempre triste, por vezes messiânico, Antonio Marcos atravessou a década de 1970 em plena atividade. Além de cantor e compositor, ele se aventurou como ator em novelas da TV Tupi e em filmes de pouca ambição artística. Foi uma década de auge artístico e de popularidade, apogeu iniciado com o álbum Antonio Marcos, lançado em 1973, ano em que o Brasil ouviu sua canção Como vai você? - feita em parceria com Mário Marcos - na voz de Roberto Carlos, que lançara a música em álbum editado no fim de 1972. O autor registrou sua bela criação neste álbum Antonio Marcos. Mas o hit do LP foi outro. Em 1973, o Brasil ouviu também a gravação de maior sucesso da discografia de Antonio Marcos, O Homem de Nazareth, música da lavra de Claudio Fontana, compositor recorrente nas fichas técnicas dos discos de Antonio Marcos. Cicatrizes, o álbum de 1974, deu continuidade a essa fase de sucesso popular com o êxito da música Porque chora a tarde (Gabino Correa e Antonio Marcos), vertida para o espanhol em gravação adicionada à reedição do álbum entre as seis faixas-bônus. Ele... Antonio Marcos, o álbum de 1975, obteve menor repercussão nas paradas do que seus dois antecessores. Talvez por que repetisse fórmulas. Tanto que o álbum seguinte, o mencionado Felicidade, de 1976, alterou a receita e se diferenciou pelos flertes bissextos do cantor com a MPB. Neste disco, Antonio Marcos deu sua voz viçosa a músicas dos compositores cearenses Belchior (duas, Todo sujo de batom e Voz da América) e Raimundo Fagner (Fracasso). Enfim, ao editar estas duas (oportunas) caixas para seu selo, o pesquisador musical Marcelo Fróes joga luz sobre a voz e a obra de um artista que faria 70 anos em novembro de 2015. Voz que se calou cedo, em 5 de abril de 1992, mas que está gravada na história da música popular do Brasil, ainda que a bibliografia oficial dessa história minimize a presença de cantores como Antonio Marcos nas paradas - e no imaginário coletivo... - do Brasil de sua época.

Rafael M. disse...

Bem que as caixas poderiam ter a cotação de qualidade sua, né, Mauro? Ela merece 5 estrelas?

maroca disse...

Augusto Flávio (Petrolina-Pe/Juazeiro-Ba)

Sempre achei a gravação de Antônio Marcos para "Todo sujo de batom" a melhor.

CelloPiazza disse...

Antônio Marcos sempre mereceu esta homenagem. Bem-vindos boxes !!!

marcia silva disse...

Que Bom que estão começando a lembrar, dos grandes cantores que infelizmente a mídia esqueceu.
Muito bom esse box.

ADEMAR AMANCIO disse...

Antônio Marcos e Wanderley Cardoso,no quesito voz,disparavam na frente de seus comparsas da jovem guarda.

pedro freitas disse...

Excelente