Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Roberto Carlos planeja lançar um EP com gravações inéditas no fim de 2016

Sem lançar álbum de músicas inéditas desde 2003, Roberto Carlos vai apostar novamente no EP, formato econômico pelo qual lançou há quatro anos a canção Esse cara sou eu (Roberto Carlos, 2012). Aos recém-completados 75 anos, o cantor e compositor capixaba - em foto de Maurício Contreiras - planeja lançar EP ao fim deste ano de 2016 com gravações inéditas. É provável que o disco apresente uma música realmente inédita entre fonogramas como a regravação de A cigana (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), finalizada recentemente pelo Rei para a trilha sonora da novela Velho Chico.  Se depender da intenção do cantor, parece que o EP vai (mesmo) ser lançado.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Ligado à velhice artística, Roberto faz 75 anos escorado em passado glorioso

 EDITORIAL - Na noite de hoje, 19 de abril de 2016, Roberto Carlos celebra os 75 anos de vida no palco, fazendo show na cidade natal de Cachoeiro de Itapemirim (ES), onde o cantor e compositor capixaba nasceu em 19 de abril de 1941. Embora levantamento divulgado esta semana pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) aponte música recente do artista, Esse cara sou eu (Roberto Carlos), lançada em novembro de 2012, como a composição do Rei mais tocada nos últimos cinco anos, Roberto completa 75 anos com imagem associada à velhice artística, sem ter tido o público renovado - como aconteceu com colegas de geração como Caetano Veloso e Ney Matogrosso. O excesso de conservadorismo de Roberto na condução da carreira impede que ele seja celebrado como o artista genial que foi da segunda metade da década de 1960 ao início dos anos 1980. O Rei - em foto de Leo Aversa - se acomodou demais com a fidelidade dos súditos, em grande maioria atualmente tão idosos quanto o artista. Mas nada vai apagar o legado do cantor e compositor. Ao comandar as jovens tardes de domingo entre agosto de 1965 e janeiro de 1968, liderando o programa que propagou o primeiro movimento de música pop do Brasil, Roberto inscreveu o nome na história. Mas ele foi além. A partir de 1968, soube fazer de forma inteligente a transição para o universo adulto, reinando ao longo da década de 1970 como o cantor romântico mais popular do Brasil. O reinado continuou nos anos 1980, embora neste década a obra autoral de Roberto Carlos - quase sempre assinada com Erasmo Carlos - tenha sofrido visível processo de decadência que se revelou irreversível ao longo dos tempos. Contudo, ninguém pode tirar a coroa do Rei. O legado de Roberto Carlos - um repertório de grandes canções românticas, que deram lugar ao rock, ao funk e ao soul dos álbuns antológicos da fase 1967-1969 - é a maior virtude e o maior vício do artista. Roberto Carlos reina entre os súditos escorado neste passado de glória. O carisma inigualável e a obra - nunca explicados a contento pela crítica que geralmente minimiza o poder do cantor - credencia o Rei para entrar e permanecer definitivamente na galeria dos ídolos imortais e atemporais da música brasileira. Aos 75 anos, Roberto Carlos não insiste na juventude...

domingo, 17 de abril de 2016

Com (re)gravação de Roberto, trilha de 'Velho Chico' totaliza 43 fonogramas

Roberto Carlos entregou à produção da novela Velho Chico à (re)gravação da música A cigana - parceria de Roberto com Erasmo Carlos, lançada pelo Rei em álbum de 1973 - que lhe foi solicitada com o objetivo de ser tema da personagem Iolanda (Christiane Torloni) na segunda fase da trama exibida pela TV Globo às 21h. Concluída a gravação de Roberto Carlos (em foto de Maurício Contreiras), a trilha sonora de Velho Chico totaliza 43 fonogramas, entre registros inéditos e gravações antigas, a maioria feita por artistas de origem nordestina na década de 1970. Eis, na ordem alfabética das músicas, as 43 gravações que integram a trilha sonora da novela Velho Chico:

 A cigana (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973) - Roberto Carlos (gravação inédita)
 A olhos nus (Zé Miguel Wisnik, 1988) - Ná Ozzetti & Zé Miguel Wisnik
 Barcarola do São Francisco (Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, 1977) - Geraldo Azevedo
 Caravana (Geraldo Azevedo e Alceu Valença, 1975) - Geraldo Azevedo
Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971) - Gal Costa
 Corda de aço (Fagner e Clodô, 1976) - Fagner
 Da aurora até o luar (Arnaldo Antunes e Dadi, 2005) - Dadi (com Marisa Monte)
 Dor e dor (Tom Zé, 1972) - Tom Zé
 Encarnação (Tim Rescala, 2016) - Elba Ramalho (gravação inédita)
 Enquanto engoma a calça (Ednardo e Climério, 1979) - Ednardo
 Flor de tangerina (Alceu Valença, 2002) - Alceu Valença
Gemedeira (Robertinho de Recife e José Carlos Capinam, 1980) - Amelinha
 I-Margem (Paulo Araújo e João Filho, 2016) - Paulo Araújo (gravação inédita)
 Incelença pro amor retirante (Elomar, 1973) - Xangai (com Elomar)
 La belle de jour (Alceu Valença, 1992) - Alceu Valença
 Le vent nous portera (Bertrand Cantat, Denis Barthe, Jean Paul Roy e Serge Teyssot-Gay)

   - Sophie Hunger
 L'Étranger (Forasteiro) (Thiago Pethit e Hélio Flanders, 2010, em versão em francês de 
   Dominique Pinto e Rafael Barion, 2016) - Thiago Pethit (com Tiê) (gravação inédita)
Me leva (Renata Rosa, 2003) - Renata Rosa
 Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973) - Raul Seixas
 Meu primeiro amor (Lejania) (Hermínio Giménez, 1937, em versão em português de José
   Fortuna e Pinheirinho Júnior, 1952) - Maria Bethânia
 Moça bonita (Geraldo Azevedo e José Carlos Capinam, 1981) - Alceu Valença (gravação inédita)
Mortal loucura (Zé Miguel Wisnik a partir de poema de Gregório de Matos, 2015)
   - Maria Bethânia (gravação inédita) 
 Não há cabeça (Angela RoRo, 1979) - Pélico
 O ciúme (Caetano Veloso, 1987) - Caetano Veloso
 Ondas de mar de vigo (Ondas do Opará) (Adaptação de Martin Codax e Tim Rescala) - Fortuna
 Oração (Tim Rescala, 2016) - Tim Rescala, Fortuna e Tiago de Souza (gravação inédita)
 Oração de São Francisco (Padre Casimiro Abdón Irala Arguello, 1968) - Tim Rescala
 Pedras de sal (Alceu Valença, 1974) - Ylana Queiroga
Peixe (Caetano Veloso, 1976) - Doces Bárbaros
Por debaixo dos panos (Cecéu, 1978) - Os Três do Nordeste
Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947) - Sarita Montiel
 Réquiem para Matraga (Geraldo Vandré, 1966) - Geraldo Vandré
 Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1955) - Luiz Gonzaga
 Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1951) - Luiz Gonzaga
 Senhor cidadão (Tom Zé, 1971) - Tom Zé
 Serenata (Standchen) (Franz Schubert e Ludwig Rellstab, 1826, em versão em português
   de Arthur Nestrovski, 2005) - Chico César 
 Suíte Correnteza - Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai

   - Barcarola do São Francisco (Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, 1977) /
   - Talismã (Alceu Valença e Geraldo Azevedo, 1972) /
   -  Caravana (Alceu Valença e Geraldo Azevedo, 1975)
 Talismã  (Alceu Valença e Geraldo Azevedo, 1972) - Alceu Valença e Geraldo Azevedo
 Triste Bahia (Caetano Veloso sobre versos de Gregório de Matos, 1972) - Caetano Veloso
 Tropicália (Caetano Veloso, 1967) - Caetano Veloso (gravação inédita)
Um oh! E um ah! (Tom Zé, 2973) - Tom Zé
Veja (Margarida) (Vital Farias, 1975) - Marcelo Jeneci (gravação inédita)
Vitta, Ian, Cassales (Alexandre Kumpinski, 2013) - Apanhador Só

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Roberto é convidado a regravar música de 1973 para a trilha de 'Velho Chico'

Roberto Carlos foi convidado a regravar uma música do próprio repertório - A cigana, parceria de Roberto com Erasmo Carlos, lançada pelo Rei em álbum de 1973 - para a trilha sonora da novela Velho Chico. A cigana seria o tema da personagem Iolanda, vivida na segunda fase pela atriz Christiane Torloni. O convite foi aceito por Roberto - em foto de Maurício Contreiras - mas não se sabe se o artista, às voltas com intensa agenda de shows, fez e entregou a gravação para a novela.

domingo, 22 de novembro de 2015

Tributo do 16º Grammy Latino ao 'Rey' coroa investimento de Roberto Carlos

EDITORIAL - Em 1964, Roberto Carlos ainda iniciava seu reinado na música brasileira quando investiu pela primeira vez no mercado latino formado pelos países de língua hispânica. Entre junho e setembro daquele ano de 1964, o cantor e compositor capixaba gravou via CBS o primeiro álbum em espanhol, Roberto Carlos canta a la juventud, com as mesmas músicas do LP que lançava no Brasil, É proibido fumar (CBS, 1964). Lançado efetivamente no mercado latino em 1965, Roberto Carlos canta a la juventud foi o primeiro passo do artista em mercado voltado para músicas românticas como aquelas antigas canções do Roberto. Decorridos 50 anos, Roberto Carlos foi celebrado na 16ª edição do Grammy Latino - realizada na MGM Grand Garden Arena, em Los Angeles (EUA), na noite da última quinta-feira, 19 de novembro de 20151 - como a persona del año 2015. A homenagem é justa e acontece no momento em que o Rei acaba de lançar produto, o CD e DVD Primera fila, direcionado primordialmente ao mercado de língua hispânica. Por cantar o amor, o sexo e a fé como um macho latino que sabe dosar suas emoções para ficar em sintonia com as tradicionais famílias do Brasil e dos demais países da América Latina, Roberto Carlos - visto na foto de John Parra / WireImage durante a homenagem - sempre foi um dos artistas brasileiros que mais tiveram penetração no mercado fonográfico de língua hispânica. Tanto que, ao longo da décadas de 1970 e de parte dos anos 1980, o cantor lançou religiosamente versões em espanhol de seus álbuns anuais. Roberto Carlos sempre acreditou nesse mercado. Por isso, merece o tributo que lhe foi prestado 50 anos após sua primeira investida na rentável praça latina. O Grammy Latino tradicionalmente tem minimizado a produção fonográfica brasileira nas categorias que realmente importam. Nesta 16º edição, sequer um artista ou disco brasileiro foi indicado nas categorias Álbum do ano, Gravação do ano e Música do ano. A premiação é feita para celebrar a música de língua hispânica. Até nesse sentido a homenagem a Roberto Carlos soou adequada, pois quem foi celebrado no palco da MGM Grand Garden Arena foi o cantor que, desde 1965, mirou la juventud e, depois, las personas maduras dos países de língua hispânica. O tributo coroou a visão de el Rey.

domingo, 1 de novembro de 2015

Zizi toca Beethoven ao piano na sala em que canta Ned, Roberto e Bee Gees

É tocando ao piano uma das melodias mais conhecidas da obra erudita do compositor alemão Ludvig Van Beethoven (1770 - 1827) - Für Elise (1810), no título original alemão - que Zizi Possi inicia seu show Na sala com Zizi, apresentado na noite de ontem, 31 de outubro de 2015, na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). A rigor, o show - cuja turnê nacional estreou em junho deste ano de 2015 dentro da série Sala de estar, do Sesc de São Paulo - começa com a cantora paulistana falando de seu nascimento e criação no Brás, bairro italianíssimo da cidade de São Paulo (SP), pois Na sala com Zizi se trata de uma "biografia musical", como enfatizou a cantora em cena. Mas o primeiro número do show - feito antes de a banda entrar em cena - foi o tema de Beethoven tocado ao piano por Zizi (como visto na foto de Mauro Ferreira). Ainda ao piano, Zizi deu voz à canção napolitana Santa Lucia (Teodoro Cottrau) - registrada em 1849 e lançada em disco em 1916 - para lembrar os tempos em que tocava o tema para o avô italiano, saudoso de sua Nápoles natal. Na sequência, já com a presença do quarteto orquestrado pelo guitarrista e diretor musical Webster Santos, Zizi desfiou o cancioneiro que interliga momentos cruciais de sua formação musical nas décadas de 1960 e 1970 em roteiro poliglota - assinado por José Possi Neto, diretor de teatro e irmão da cantora - que atingiu picos de beleza em Lígia (Antonio Carlos Jobim, 1974), Tudo passará (Nelson Ned, 1969), Gracias a la vida (Violeta Parra, 1966), Traumas (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971), I started a joke (Barry Gibb, Maurice Gibb e Robin Gibb, 1968) - uma das mais pungentes baladas do repertório inicial do trio australiano Bee Gees - e Dio, come ti amo (Domenico Modugno, 1966). Eis o roteiro alinhavado por José Possi Neto e seguido por Zizi Possi na noite de 31 de outubro de 2015 na estreia carioca do belo show Na sala com Zizi na casa Vivo Rio:

1. Für Elise (Beethoven, 1810)
2. Santa Lucia (Teodoro Cottrau, 1849 / 1916)
3. Datemi un martello (If I had a hammer)

    (Pete Seeger, 1958, em versão em italiano de Sergio Bardotti, 1964)
4. Fortissimo (Bruno Canfora e Lina Wertmüller, 1966)
5. Dio, come ti amo (Domenico Modugno, 1966)
6. Noite cheia de estrelas (Cândido das Neves, 1954)
7. I started a joke (Barry Gibb, Maurice Gibb e Robin Gibb, 1968)
8. Gracias a la vida (Violeta Parra, 1966)
9. Sucesso, aqui vou eu (Build up) (Arnaldo Baptista e Rita Lee, 1970)
10. Traumas (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)
11. Jingle do creme Rugol
12. Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948)
13. Acontece (Cartola, 1972)
14. Joia (Caetano Veloso, 1975)
15. A menina dança (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972)
16. Blackbird (John Lennon e Paul McCartney, 1968) /
17. Eleanor Rigby (John Lennon e Paul McCartney, 1966)

18. You've got a friend (Carole King, 1971)
19. Lígia (Antonio Carlos Jobim, 1974)
20. Jingle das Óticas Teixeira
21. Jingle da Ilha do Sol (Walter Queiroz, Paulo Levita e João Donato) - áudio em off
22. Tudo passará (Nelson Ned, 1969)
23. Sabor a mí (Álvaro Carrillo, 1959)
24. Palco (Gilberto Gil, 1981)
Bis:
25. Perigo (Nico Rezende e Paulinho Lima, 1985)
26. O amor vem pra cada um (Love comes to everyone)
      (George Harrison, 1979, em versão em português de Beto Fae, 1983) - com Luiza Possi
27. Noite (Nico Rezende e Jorge Salomão, 1987) - com Luiza Possi
28. Asa morena (Zé Carapidia, 1982) - com Luiza Possi

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sem virar de fato o disco, 'Primera fila' posiciona 'rey' no lugar já consagrado

Resenha de CD
Título: Primera fila 
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *

Projeto direcionado primordialmente por Roberto Carlos para o vasto mercado fonográfico latino formado pelos países de língua hispânica, embora tenha sido curiosamente gravado no londrino estúdio Abbey Road, Primera fila - lançado hoje, 30 de outubro de 2015, em escala mundial - posiciona el Rey no seu lugar habitual e já consagrado. Os dois singles previamente liberados pela gravadora Sony Music - as regravações de Eu te amo, te amo, te Amo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) em ritmo de reggae e de As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) com arranjo soul que também desemboca na praia do reggae - soam como pistas falsas diante da audição das 17 músicas do CD gravado ao vivo em 11 e 12 de maio na Inglaterra. Primera fila esboça mudança na discografia do cantor e compositor capixaba, por afastá-lo momentaneamente de seu maestro Eduardo Lages, sem conseguir virar de fato o disco. Feita sob a supervisão do produtor Afo Verde, presidente da Sony Music na região latino-ibérica, a direção musical de Tim Mitchell - nome associado aos discos da cantora e compositora colombiana Shakira - soa, afinal, tão conservadora quanto o artista brasileiro. Justiça seja feita: o arranjo da balada A distância (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972), por exemplo, está bem próximo do estilo de Lages. A profusão de cordas orquestradas em O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974) chega a pecar pelo excesso, pois dilui a melancolia da canção. Já Cama e mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981) perde a sensualidade calculada e familiar da gravação original. Enfim, nada muda tanto assim no som de Roberto Carlos em Primera fila, projeto lançado em CD, em DVD e em edição dupla que junta CD e DVD em embalagem de DVD. Aos primeiros acordes do fox Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981), música tradicionalmente alocada na abertura dos shows do cantor, já dá para perceber que as novidades se resumem a sutilezas dos arranjos. Como a onda surf rock de Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976), por exemplo. Aos 74 anos, Roberto Carlos já não canta para a juventude. O Rei canta para o público que foi jovem como ele nas tardes dominicais dos anos 1960 e que, como ele, amadureceu ao longo da década de 1970 sem virar a mesa. Um dos maiores ídolos populares da história da música do Brasil, Roberto Carlos já não precisa provar mais nada para ninguém. Sua obra - primorosa no período que vai de 1965 a 1983 - é seu legado e fala por si só. Primera fila - projeto lançado no Brasil em versão nacional que inclui sete músicas cantadas em espanhol e uma em inglês, And I love her (John Lennon e Paul McCartney, 1964), talvez incluída somente para justificar o fato de Roberto ter gravado seu projeto hispânico no estúdio em que o grupo inglês The Beatles formatou álbuns históricos - talvez faça mais sentido para os países de língua hispânica. O público desses países provavelmente encontrará mais graça nas versões em espanhol da flamenca Mulher pequena (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1992) e de Amada amante (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971), cujo refrão é entoado em coro pelo público convidado de Abbey Road com tanta gana que Roberto exclama ao fim: 'Son todos cantantes'. Não, o único cantor de verdade ali é o próprio Roberto. A voz já perdeu um pouco do viço, mas ainda continua extremamente afinada e bem colocada. Por mais que esteja sem motivação para virar de fato o disco, Roberto Carlos tem lugar garantido na primeira fila reservada para os geniais cantores e compositores do Brasil e do mundo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Projeto hispânico de Roberto Carlos sai em 30 de outubro, em três formatos

Primera fila - o projeto ao vivo gravado por Roberto Carlos em 11 e 12 de maio de 2015 no estúdio Abbey Road, em Londres, e direcionado prioritariamente para o mercado fonográfico de língua hispânica - vai ser lançado no Brasil em 30 de outubro de 2015. A Sony Music lança Primera fila nos formatos de CD, de DVD e em edição dupla que junta CD e DVD. A pré-venda de Primera fila no iTunes foi iniciada hoje, 16 de outubro. Eis as (17) músicas alinhadas no disco Primera fila:

1. Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)  
2. A volta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966)  
3. O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974)  
4. Cama e mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)  
5. And I love her (John Lennon e Paul McCartney, 1964)
6. A distância (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972)  
7. Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971)  
8. As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969)  
9. Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976)  
10. Eu te amo, te amo, te Amo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)  
11. Arrastra una silla - versão em espanhol de Arrasta uma cadeira (Roberto Carlos e Erasmo

      Carlos, 2005) - com Marco Antonio Solís 
12. Propuesta - versão em espanhol de Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)  
13. Amigo - versão em espanhol de Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)  
14. Amada amante - versão em espanhol de Amada Amante (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) 
15. Mujer pequeña - versão em espanhol de Mulher pequena (Roberto Carlos e Erasmo Carlos,
 1992)
16. Lady Laura - versão em espanhol de Lady Laura (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978)  
17. Jesús Cristo - versão em espanhol de Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Eis a capa de 'Primera fila', o CD gravado por Roberto Carlos em Abbey Road

Esta é a capa do CD Primera fila, disco gravado por Roberto Carlos em 11 e 12 de maio deste ano de 2015 no Abbey Road Studios, em Londres, Inglaterra, para o mercado fonográfico de língua hispânica. A capa foi revelada hoje, 25 de setembro de 2015, pelo cantor capixaba e a gravadora Sony Music. Já com o single Eu te amo, te amo, te amo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) em rotação na web, Primera fila é projeto concebido e produzido por Afo Verde - presidente e CEO da Sony Music na região latino-ibérica -  tendo sido gravado com a direção musical de Tim  Mitchell.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Roberto lança single de projeto hispânico em que revive música dos Beatles

Roberto Carlos lança hoje, 11 de setembro de 2015, em várias plataformas digitais o primeiro single de seu projeto Primera fila - En vivo, DVD e CD gravados em 11 e 12 de maio deste ano de 2015 no estúdio Abbey Road, em Londres. A música escolhida foi Eu te amo, te amo, te amo (Roberto Carlos), canção de 1968 que ganhou levada de reggae no registro produzido por Afo Verde sob direção musical de Tim Mitchell. Embora tenha sido gravado na Inglaterra, o projeto Primera fila é direcionado primordialmente ao mercado latino formado pelos países de língua hispânica. Na gravação, o cantor capixaba - em foto de Maurício Contreiras - alinha inéditas versões em espanhol de músicas de seu cancioneiro, regrava hits de seu repertório em português com novos arranjos e dá voz a sucesso do grupo inglês The Beatles, And I love her (John Lennon e Paul McCartney, 1964). Primera fila  vai sair no Brasil.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Aos 80 anos, Alaíde canta Roberto no seu primeiro DVD, feito via Canal Brasil

 A caminho dos 80 anos, a serem completados em 8 de dezembro de 2015, Alaíde Costa grava seu primeiro DVD através do Canal Brasil. As gravações acontecem no estúdio 185, em São Paulo (SP). O repertório inclui músicas inéditas na voz da cantora carioca, caso de Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), música que Roberto Carlos gravou em seu álbum de 1976 com título diferente da gravação original do tema, feita por seu parceiro Erasmo Carlos, que registrou a canção em 1969 com o nome de Vou ficar nu para chamar sua atenção. O DVD será editado em 2016.

sábado, 22 de agosto de 2015

Obras de Roberto e Erasmo legitimam a Jovem Guarda semeada há 50 anos

EDITORIAL - Antes de Elvis Presley (1935 - 1977) acender a chama do rock'n'roll nos anos 1950 podia até haver nada, como entendeu e sentenciou John Lennon (1940 - 1980) em frase de efeito, mas o fato é que - pioneirismo da geração de Elvis à parte - o universo pop começou realmente a ser construído e solidificado na primeira metade dos anos 1960 com a explosão mundial do grupo inglês The Beatles. Foi no rastro da Beatlemania que a Jovem Guarda - o primeiro movimento de música pop do Brasil - foi semeada há exatos 50 anos, na tarde dominical de 22 de agosto de 1965, quando a TV Record estreou o programa Jovem Guarda sob o comando de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. A adesão da juventude ao programa e a consequente consagração de Roberto Carlos - que já vinha numa escala ascendente de sucesso desde 1964 - com o lançamento do rock Quero que vá tudo pro inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), carro-chefe de seu álbum estrategicamente intitulado Jovem Guarda (CBS, 1965), detonou a explosão do movimento. A Jovem Guarda criou ídolos, ditou modas, sentenciou costumes e introduziu a guitarra elétrica na música brasileira para desespero da purista ala nacionalista que defendia uma música brasileira imune às influências do pop que dominava o mundo no embalo do iê-iê-iê. Mas a Jovem Guarda passou, embora ainda ecoe na canção popular brasileira, legitimada pelos cancioneiros de Roberto Carlos e Erasmo Carlos e pela força perene de eventuais canções românticas de lavra alheia como Devolva-me (Renato Barros e Lilian Knapp, 1966) - balada que toda a geração anos 2000 conheceu na voz de Adriana Calcanhotto - e Nossa canção (Luiz Ayrão, 1966). Decorridos 50 anos da sua explosão, analisada sob a perspectiva do tempo, a Jovem Guarda legou para a posteridade dois artistas geniais. Tanto que Roberto Carlos e Erasmo Carlos foram os únicos a manter real relevância artística após o fim desse movimento pautado por um rebeldia ingênua e apolítica que provocou revoluções mais na área comportamental do que social. Entronizado no posto de Rei da juventude, Roberto soube fazer a transição de forma exemplar parta o mundo adulto, a partir de 1968, e se tornou na década de 1970 o Rei da canção popular brasileira, com vendagens astronômicas de seus álbuns anuais. Mesmo sem o mesmo sucesso comercial do parceiro, Erasmo manteve acesa a chama do rock, mas experimentou outros ritmos, também sendo entronizado como um dos reis do universo pop brasileiro (e o tempo fez mais bem à música de Erasmo do que à de Roberto). Os demais artistas - de repertórios bastante irregulares, calcados em hits eventuais, não raro produzidos a partir de versões de baladas e rocks estrangeiros - migraram para o brega ou para o sertanejo. Nem mesmo Wanderléa, que chegou a lançar alguns álbuns antenados ao longo dos anos 1970, conseguiu manter o pique criativo e se desvincular do cancioneiro geralmente pop e pueril da Jovem Guarda. Roberto e Erasmo foram os gênios, os grandes protagonistas do movimento que se torna cinquentenário a partir deste mês de agosto de 2015. Houve importantes coadjuvantes entre cantores (Eduardo Araújo, Jerry Adriani, Wanderley Cardoso), cantoras (Wanderléa, sobretudo e sobretodas, e Martinha), duplas (Leno & Lilian, Os Vips) e compositores (Carlos Imperial, creditado com parceiro de Eduardo Araújo em Vem quem que estou fervendo, sucesso de Erasmo em 1967). Mas quem deu consistência ao som da Jovem Guarda foram os discos,  as músicas e as personalidades carismáticas e cúmplices de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

domingo, 9 de agosto de 2015

Trilha de 'Regra do jogo' tem gravação inédita de música de Roberto de 1968

Música lançada por Roberto Carlos no álbum O inimitável (CBS, 1968), Eu te amo, te amo, te amo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) foi incluída na trilha sonora da próxima novela das 21h da Rede Globo, A regra do jogo, programada para estrear em 31 de agosto de 2015. Mas a gravação que integra a trilha ainda é inédita. Trata-se da gravação orquestral feita pelo cantor em maio deste ano de 2015, em Londres, para seu CD e DVD Primera fila, projeto direcionado ao mercado fonográfico de língua hispânica que inclui músicas gravadas em português. Roberto -  visto em foto de Maurício Contreiras no estúdio Abbey Road - vai lançar Primera fila  neste segundo semestre.

domingo, 19 de julho de 2015

Gravação do show do 'Rei' em Jerusalém sai em blu-ray com imagens em 3D

Três anos após a edição do CD e DVD Roberto Carlos em Jerusalém, postos nas lojas em 2012 pela gravadora Sony Music, a edição em blu-ray (capa acima) do show em Israel chega ao mercado fonográfico neste mês de julho de 2015 pela mesma Sony Music. A novidade é que o show feito pelo cantor capixaba na Terra Santa, em 7 de setembro de 2011, vai poder ser visto em imagens tridimensionais, captadas pelas câmeras de alta definição da produtora Brash 3D. Ao longo dos 20 números do roteiro poliglota, Roberto canta em português, italiano, inglês, espanhol e até em hebraico, idioma do número Jerusalém toda de ouro / Yerushalayim shel Zarav (Naomi Shemer e Salomão Schvartzman). Nos extras, o blu-ray exibe imagens da peregrinação do Rei pela cidade sagrada. Roberto visita locais históricos como a Basílica do Santo Sepulcro, o Jardim das Oliveiras, o Sítio Arqueológico Ha’Ofel, o Muro das Lamentações e o  Monastério de São Jorge.  Para os súditos.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Ainda no papel de crooner, Boaventura vai de Elvis a Roberto em 'Your song'

Já devidamente acomodado na personagem do crooner galã, papel assumido desde que engatou carreira fonográfica na gravadora Sony Music a partir de 2009 após anos de atuação em musicais de teatro, o ator e cantor baiano Daniel Boaventura acentua a aura romântica de seu repertório em seu segundo registro ao vivo de show. Sucesso na voz do cantor norte-americano Elvis Presley (1935 - 1977), a adocicada balada Love me tender  (Elvis Presley e Ken Darby, 1956) é um dos sucessos interpretados por Boaventura no repertório do show gravado em 6 de dezembro de 2014 - em apresentação no Teatro Bradesco do Rio de Janeiro (RJ) -  e eternizado no CD duplo e no DVD Your song - Ao vivo, recém-lançados pela Sony Music. As inclusões no roteiro de nada menos do que três músicas românticas do repertório de Roberto Carlos - Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) e Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) - reiteram a ênfase nesse viés sentimental. Ao longo dos 25 números do show, Boaventura recebe os cantores Carlos Rivera, Filippa Giordano e Kiara Sasso para duetos em standards estrangeiros. Com o mexicano Rivera, o dueto acontece em Perhaps, perhaps, perhaps, versão em inglês (de Joe Davis) da canção cubana Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947). Já a italiana Giordano entra em cena em Come fly with me (Sammy Cahn e James Van Heusen, 1957) e permanece no palco para um segundo dueto com Boaventura em Smile (Charles Chaplin, 1936, com letra de John Turner e Geoffrey Parsons, 1954), composição erroneamente creditada na ficha técnica a Pete Murray, compositor australiano autor de canção homônima. Já a carioca Kiara Sasso participa de Time stand still, balada da compositora norte-americana Diane Warren lançada por Boaventura em seu último disco de estúdio, One more kiss (Sony Music, 2014).

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Roberto 'arrasta cadeira' com cantor mexicano na gravação de 'Primera fila'

De início idealizado como um projeto que teria vários duetos de Roberto Carlos com artistas do mercado latino de língua hispânica, a gravação ao vivo feita pelo cantor capixaba no estúdio Abbey Road, na Inglaterra, em 11 e 12 de maio de 2015, teve ao menos um convidado. O cantor mexicano Marco Antonio Solís - visto com Roberto na foto de Maurício Contreiras - participou da gravação do CD e DVD Primera fila. Solís fez dueto com o Rei em Arrastra una silla, versão em espanhol de Arrasta uma cadeira (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), música lançada por Roberto em seu álbum de 2005 em gravação feita com a dupla paranaense Chitãozinho & Xororó. Primera fila festeja os  50  anos da primeira  gravação em espanhol  do cantor brasileiro para o mercado latino.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Roberto verte seus hits para espanhol em gravação ao vivo em Abbey Road

A IMAGEM DO SOM - Visto no estúdio Abbey Road na foto de Maurício Contreiras, Roberto Carlos conclui em Londres hoje, 12 de maio de 2015, a gravação do CD e DVD comemorativo de seus 50 anos de incursões pelo mercado latino de língua hispânica. Roberto Carlos - Primera fila é o título do projeto gravado ao vivo em dois shows de tom íntimo feitos ontem e hoje pelo cantor capixaba na capital da Inglaterra, diante de plateia de convidados, sob a direção musical de Tim Mitchell. Roberto se cercou de músicos já conhecidos nesse mercado - como o pianista Albert Menendez, o baterista Brendan Buckleyque, o baixista Erik Kertes, o guitarrista Grecco Buratto e o violinista Pedro Alfonso. Calcado nos sucessos do artista, o repertório prioriza músicas em espanhol, mas inclui também canções em português. Gravados com a London Studio Orchestra, o CD e o DVD Roberto Carlos - Primera fila têm sua edição prevista no Brasil o para segundo semestre de 2015.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Roberto reproduz seu padrão universal em show poliglota em Las Vegas

Resenha de CD
Título: Roberto Carlos em Las Vegas
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Amigo Records / Sony Music
Cotação: * * *

Quando se dirige ao público que compareceu à MGM Gran Garden Arena em 6 de setembro de 2014 para assistir ao seu show, captado ao vivo na ocasião para edição de CD e DVD postos nas lojas pela gravadora Sony Music neste mês de abril de 2015, Roberto Carlos diz que em Las Vegas tudo é "muito especial". A especialidade reside mais no caráter poliglota do roteiro do que no show em si. Seja cantando em português, em espanhol, em inglês e até em italiano, o cantor e compositor capixaba reproduz no palco da arena de Las Vegas o rígido padrão universal de seus espetáculos. Em bom português, mesmo quando canta em outras línguas, o Rei rebobina em Roberto Carlos em Las Vegas as mesmas emoções de sempre, soando invariavelmente fiel a si mesmo. O artista sabe para quem canta e o que canta. Para quem reza pela sua cartilha, o teor de novidade da gravação ao vivo, embora baixo, pode até surpreender. O CD duplo e o DVD perpetuam os primeiros registros, na voz de Roberto, do samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939) - revivido em tons grandiloquentes - e da canção norte-americana I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935). "Todo cantor brasileiro tem um prazer especial em cantar essa música", sentencia Roberto, a respeito do samba do compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964), tema de alcance planetário há tempos cantado pelo Rei em shows pelo mundo, mas nunca incluído em seus registros ao vivo. Já a canção norte-americana - como explica em cena o falante Roberto - é reminiscência afetiva dos tempos pré-fama em que o cantor cumpria expediente nas boates da cidade do Rio de Janeiro (RJ), cantando de tudo, inclusive músicas norte-americanas ("com inglês de Cais do Porto", ressalta Roberto, com humor). E por falar na língua universal, a versão em inglês de Café da manhã (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978), feita por Sue Sheridan em 1981 para disco direcionado ao mercado fonográfico dos EUA, Breakfast ganha sua primeira gravação ao vivo em Roberto Carlos em Las Vegas, com direito à citação em português de Os seus botões (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976). Apesar de ter gravado o show em país que fala inglês, Roberto prioriza o espanhol dentre as três línguas estrangeiras ouvidas ao longo do show. Sucessos como Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979), Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) - canção revivida com as mesmas ênfases e pausas estratégicas - e Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) são regravados em versões bilíngues que conciliam as letras originais em português com os versos em castelhano. Destaque entre as regravações, Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977) galopa de início em passos suaves e clima aconchegante, mas ganha progressiva intensidade até explodir em arranjo orgasmático. Em momento mais light, Roberto brinca com o fato de nunca ter entendido a letra original da canção italiana Un gatto nel blu (Totò Savio e Giancarlo Bigazzi, 1972), apresentada pelo cantor na edição de 1972 do Festival de San Remo, evento no qual se sagrara vitorioso quatro anos antes ao defender Canzone per te (Sergio Endrigo e Sergio Bardotti, 1968), música que canta em italiano nesse show de Las Vegas antes de El gato que está triste y azul, a versão em espanhol (de 1979) do bobinho tema italiano Un gatto nel blu. Ainda na seara latina, Roberto tece loas a Carlos Gardel (1890 - 1935), cantor francês de vivência argentina que ficou célebre por interpretar tangos como o abolerado El día que me quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1934). Enfim, em seu comportado giro pelo cancioneiro universal romântico, feito sob a direção musical de seu maestro Eduardo Lages, Roberto Carlos reitera conservadorismo que satisfaz seu público e preserva o próprio cantor em posição já (con)sagrada.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CD com show de Roberto em Las Vegas sai também em edição simples

Embora todo o marketing da gravadora Sony Music esteja direcionado para a promoção da edição dupla (foto) do CD Roberto Carlos em Las Vegas, nas lojas desde 6 de abril de 2015, existe também uma edição simples do CD com 16 das 19 faixas do álbum duplo que traz a gravação integral do show de repertório poliglota feito por Roberto Carlos na MGM Gran Garden Arena, em Las Vegas (EUA), em 6 de setembro de 2014. Lançada simultaneamente com a edição dupla, nesta mesma semana em que toda a discografia do cantor e compositor capixaba foi disponibilizada para audição na plataforma de streaming Spotify, a edição simples do CD já está acessível em alguns pontos de venda do mercado fonográfico brasileiro, sendo encontrável na rede de Lojas Americanas, por exemplo. Mas, apesar de trazer somente três faixas a menos, a edição simples vem sem Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939), um dos atrativos do repertório de Roberto Carlos em Las Vegas por ser o primeiro registro em disco, na voz do Rei, do samba-exaltação de visibilidade planetária. CDs à parte,  o  DVD do show já vai ser lançado na  sequência.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Eis as faixas do CD gravado ao vivo por Roberto em show em Las Vegas

Canção norte-americana composta por Jimmy McHugh (1894 - 1969) com letra de Dorothy Fields (1905 - 1974), lançada há 80 anos no filme Às oito em ponto (Estados Unidos, 1935) e desde então regravada por alguns dos maiores cantores dos Estados Unidos e da Europa, o standard I'm in the mood for love ganha a voz de Roberto Carlos. Ao lado do samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939), enfim registrado em disco pelo cantor capixaba, I'm in the mood for love é a maior novidade do CD e DVD Roberto Carlos em Las Vegas. O CD duplo chega ao mercado fonográfico a partir de 7 de abril de 2015 com distribuição da Sony Music. O DVD correspondente sai na sequência, ainda no mês de abril. Eis, na ordem do CD, a disposição das músicas captadas ao vivo no show de repertório poliglota feito por Roberto Carlos na MGM Gran Garden Arena,  em Las Vegas (EUA), em 6 de setembro de 2014,  e ordenadas em 19 faixas:

CD 1
1. Abertura (pot-pourri instrumental com sucessos de Roberto Carlos)
2. Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981)
3. Como vai você? (Antonio Marcos e Mário Marcos, 1972) /

    Que será de ti? (versão em espanhol de Como vai você?)
4. Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) /
    Detalles (versão em espanhol de Detalhes)
5. Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1979) /
    Desahogo (versão em espanhol de Desabafo)
6. Mulher pequena (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1992) /
    Mujer pequeña (versão em espanhol de Mulher Pequena)

7. Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973)
8. Cóncavo y convexo 
    - versão em espanhol de O côncavo e o convexo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1983)
9. O calhambeque (Road hog) 
    (John Loudermilk e Gwen Loudermilk, 1962, em versão de Erasmo Carlos, 1964)
10. Canzone per te (Sergio Endrigo e Sergio Bardotti, 1968)

CD 2
1. El gato que está triste y azul (1979)
    - Versão em espanhol de Un gatto nel blu (Totò Savio e Giancarlo Bigazzi, 1972)
2. I'm in the mood for love (Jimmy McHugh e Dorothy Fields, 1935)
3. Breakfast (1981)
     - Versão em inglês de Café da manhã (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978) 
4. Cavalgada (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)
5. Esse cara sou eu (Roberto Carlos, 2012) / 
    - Ese tipo so yo (Roberto Carlos em versão em espanhol de Roberto Livi, 2014)
6. Aquarela do Brasil (Ary Barroso, 1939)
7. El día que me quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera, 1934)
8. Amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977)
9. Jesus Cristo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970)