Mauro Ferreira no G1

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domingo, 5 de junho de 2016

EP 'Gente bonita' não delineia a identidade musical de Fióti, irmão de Emicida

Resenha de EP
Título: Gente bonita
Artista: Fióti
Gravadora: Laboratório Fantasma / Pommelo Distribuições
Cotação: * * *

Seria até natural que o paulistano Evandro Fióti seguisse a cartilha do rap no primeiro disco. Afinal, Evandro é irmão de Leandro Roque de Oliveira, o bem-sucedido rapper paulistano conhecido pelo nome artístico de Emicida. Mas Fióti - que sempre atuou nos bastidores musicais como empresário de Emicida, administrando a empresa multifuncional Laboratório Fantasma - se afastou do rap ao se lançar como cantor e compositor em Gente bonita, EP com seis músicas lançado em 20 de maio deste ano de 2016 pelo selo Lab Fantasma com distribuição da Pomello. Há até rap, como ouvido na virada rítmica da revisão acústica do samba Obrigado, Darcy! (Emicida, Rael e Nave, 2014), lançado por Emicida há dois anos em single gravado com participação do rapper parceiro Rael. Mas Gente bonita se expande por outros universos musicais - o do samba, o do samba-rock e o do reggae - sem delinear a identidade musical do artista. Parceiro na música-título Gente bonita (composta em 2008 quando Fióti ainda trabalhava numa rede de fast food e Emicida começava a sair do gueto através da web), o irmão famoso dirige com Fióti a produção deste disco cuja edição em CD inclui luxuoso encarte nos moldes de songbook com textos, letras e cifras de cada uma das seis músicas. O disco foi gravado com recursos, como prova o arranjo de metais orquestrado por Edi Trombone para o samba-rock Pitada de amor (Fióti e Emicida). A produção musical - dividida entre Fióti e nomes como Maurício Fleury, piloto da faixa-título Gente bonita e de Só uma mulher (Fióti e Emicida) - valoriza o repertório. Além de cantar com eficácia as seis músicas, Fióti toca com desenvoltura o violão (de nylon) ouvido na gravação da música que batiza o EP. Das seis composições, a que mais sobressai é Vacilão, samba formatado por Rodrigo Campos com a cadência bonita do gênero num mix de tradição e de sutil ruptura com essa tradição, já que, ao produzir a faixa, Rodrigo harmonizou o toque do próprio cavaco com os samplers pilotados por Gui Amabis, os sintetizadores orquestrados por Zé Nigro e a voz da cantora Juçara Marçal no coro do refrão. Rodrigo também assina o samba composto por Fióti com o rapper Ogi. Chega a ser irônico que Gente bonita destaque um samba que versa sobre a desavença entre irmãos, já que a parceria de Emicida com Fióti - na música e, sobretudo, nas batalhas da vida - sempre resultou notoriamente harmoniosa. Os irmãos são parceiros dos dois sambas-rock do disco. Além de Pitada de amor, Fióti incursiona pelo gênero em Só uma mulher, faixa em que os metais orquestrados pelo produtor Maurício Fleury com Richard Fermino evocam o som e o suingue dos bailes em que já reinaram nomes como o cantor paulistano Bebeto. Por fim, o reggae Só leve flores (Fióti e Coruja BC1) - gravado com participação de Anelis Assumpção, cantora paulistana que costuma se banhar nessa praia jamaicana - fecha o EP Gente bonita reiterando a sensação de que Fióti ainda precisa ajustar o foco da música e do discurso para dizer efetivamente a que veio no mundo do disco.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Seria até natural que o paulistano Evandro Fióti seguisse a cartilha do rap no primeiro disco. Afinal, Evandro é irmão de Leandro Roque de Oliveira, o bem-sucedido rapper paulistano conhecido pelo nome artístico de Emicida. Mas Fióti - que sempre atuou nos bastidores musicais como empresário de Emicida, administrando a empresa multifuncional Laboratório Fantasma - se afastou do rap ao se lançar como cantor e compositor em Gente bonita, EP com seis músicas lançado em 20 de maio deste ano de 2016 pelo selo Lab Fantasma com distribuição da Pomello. Há até rap, como ouvido na virada rítmica da revisão acústica do samba Obrigado, Darcy! (Emicida, Rael e Nave, 2014), lançado por Emicida há dois anos em single gravado com participação do rapper parceiro Rael. Mas Gente bonita se expande por outros universos musicais - o do samba, o do samba-rock e o do reggae - sem delinear a identidade musical do artista. Parceiro na música-título Gente bonita (composta em 2008 quando Fióti ainda trabalhava numa rede de fast food e Emicida começava a sair do gueto através da web), o irmão famoso dirige com Fióti a produção deste disco cuja edição em CD inclui luxuoso encarte nos moldes de songbook com textos, letras e cifras de cada uma das seis músicas. O disco foi gravado com recursos, como prova o arranjo de metais orquestrado por Edi Trombone para o samba-rock Pitada de amor (Fióti e Emicida). A produção musical - dividida entre Fióti e nomes como Maurício Fleury, piloto da faixa-título Gente bonita e de Só uma mulher (Fióti e Emicida) - valoriza o repertório. Além de cantar com eficácia as seis músicas, Fióti toca com desenvoltura o violão (de nylon) ouvido na gravação da música que batiza o EP. Das seis composições, a que mais sobressai é Vacilão, samba formatado por Rodrigo Campos com a cadência bonita do gênero num mix de tradição e de sutil ruptura com essa tradição, já que, ao produzir a faixa, Rodrigo harmonizou o toque do próprio cavaco com os samplers pilotados por Gui Amabis, os sintetizadores orquestrados por Zé Nigro e a voz da cantora Juçara Marçal no coro do refrão. Rodrigo também assina o samba composto por Fióti com o rapper Ogi. Chega a ser irônico que Gente bonita destaque um samba que versa sobre a desavença entre irmãos, já que a parceria de Emicida com Fióti - na música e, sobretudo, nas batalhas da vida - sempre resultou notoriamente harmoniosa. Os irmãos são parceiros dos dois sambas-rock do disco. Além de Pitada de amor, Fióti incursiona pelo gênero em Só uma mulher, faixa em que os metais orquestrados pelo produtor Maurício Fleury com Richard Fermino evocam o som e o suingue dos bailes em que já reinaram nomes como o cantor paulistano Bebeto. Por fim, o reggae Só leve flores (Fióti e Coruja BC1) - gravado com participação de Anelis Assumpção, cantora paulistana que costuma se banhar nessa praia jamaicana - fecha o EP Gente bonita reiterando a sensação de que Fióti ainda precisa ajustar o foco da música e o do discurso para dizer (efetivamente!) a que veio no mundo do disco.

Luca disse...

sua crítica não se sustenta Mauro, não é porque o cara não canta rap e faz samba e samba rock que ele não tem identidade... o que é identidade?

danielvellososite disse...

Mauro, respeito muito suas críticas, mas nessa você foi infeliz.
Esse disco do Fióti tá delicioso. Sem contar a homenagem justa a Darcy Ribeiro que é um gênio. O que é identidade? Rótulo? O Fióti não precisou disso pra criar um belo disco. Parabéns Fióti. A sua identidade é a leveza, a cadência na voz e as belas citações!

Mauricio Maturo Coutinho disse...

Não gostei do disco, sinceramente. Acho que o Mauro se referiu à unidade entre as músicas. Não necessariamente um rótulo. Sou fã dele e acho que ele já fez história com a laboratório fantasma. Musicalmente não fui tocado pelo trabalho