Mauro Ferreira no G1

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sábado, 26 de março de 2016

Álbum 'Vida é arte' comprova que nem tudo é arte na vida de Jorge Vercillo...

Resenha de álbum
Título: Vida é arte
Artista: Jorge Vercillo
Gravadora: Edição independente do artista Radar Records
Cotação: * * 

Lançado nas plataformas digitais em dezembro de 2015 e em edição física em CD (distribuída via Radar Records) neste primeiro trimestre de 2016, Vida é arte em nada vai alterar o status de Jorge Vercillo no mercado fonográfico. O cantor, compositor e músico carioca completa 22 anos de carreira fonográfica em 2016 com obra já desgastada, alvo de piadas na web por ter remetido de início ao cancioneiro de Djavan. Precedido por seis singles jogados por Vercillo na web ao longo de 2015 no projeto Extra-físicoVida é arte - 14º álbum da discografia do artista e o décimo álbum solo gravado pelo cantor em estúdio - expõe vícios, virtudes e a diversidade que vem pautando o cancioneiro do compositor. Diversidade que, no caso de Vida é arte, está longe de ser virtude, pois o disco deixa a impressão de que Vercillo atira em vários alvos sem acertar a maioria. A rigor, para quem adora rotulá-lo como o genérico de Djavan, há apenas uma canção que remete - ainda assim, de longe - às levadas da obra do compositor alagoano. É Permissão, música composta por Vercillo com letra de Dudu Falcão. A faixa que mais se encaixa na moldura popular radiofônica é Pra valer (Jorge Vercillo), música com jeito de hit feita - essa, sim - à imagem e semelhança do pop solar do compositor carioca Lulu Santos. Vercillo brilha mais como compositor quando se parece com... ele mesmo. De belo contorno harmônico, a canção-título Vida é arte sobressai na irregular safra autoral do disco. Trata-se de canção de amor que correlaciona a paixão à arte da pintura com abordagem do tema mais luminosa do que a feita na música Acontecência (Jorge Vercillo e Junior Meirelles), de versos (bem) mais triviais. Vida é arte, o álbum, toca também em assuntos transcendentais em músicas como Cegueira da visão - canção feita pelo norte-americano Patrick Leonard com base em letra escrita por Vercillo sobre os limites do mundo material - e Luzes que se movem pelo céu, parceria de Vercillo com Flávio Venturini que versa sobre ovnis. Esta canção é bonita, mesmo sem chegar ao céu atingido por Fênix (2003), primeira e mais inspirada música assinada conjuntamente pelos compositores. Entre canção pop que se banha na praia do reggae (Talismã sem par, composta por Vercillo sem parceiros) e pálida incursão pelo universo nordestino do baião (em Amparados, parceria de Vercillo com o baiano Jota Velloso), o cantor tropeça ao subir o morro na cadência pouco sedutora do samba-funk Silêncio na favela (Jorge Vercillo), no qual o cantor alinha clichês sobre as comunidades com a adesão da voz e do baticum do baiano Carlinhos Brown. Em clima mais íntimo, o anfitrião esboça clima jazzy com a cantora e compositora carioca Luana Mallet, coautora e convidada da canção Quem. Já Noite dos jangadeiros - outra parceria de Vercillo com o compositor baiano Jota Velloso - soa como simulacro ao se jogar no mar desbravado por Dorival Caymmi (1914 - 2008) a partir da década de 1930. Melhor faz Vercillo ao regravar Pode ser, canção de lavra própria desde 2002 ouvida somente na voz do cantor Pedro Mariano. No todo, o álbum Vida é arte reitera a sensação - corroborada por Desafio (Beto Dourah e Jorge Vercillo) - de que o artista já apresentou safras autorais mais uniformes e inspiradas. Tivesse sido formatado como EP de seis músicas, o disco obteria resultado mais harmonioso, pois nem tudo é arte na vida.

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Lançado nas plataformas digitais em dezembro de 2015 e em edição física em CD (distribuída via Radar Records) neste primeiro trimestre de 2016, Vida é arte em nada vai alterar o status de Jorge Vercillo no mercado fonográfico. O cantor, compositor e músico carioca completa 22 anos de carreira fonográfica em 2016 com obra já desgastada, alvo de piadas na web por ter remetido de início ao cancioneiro de Djavan. Precedido por seis singles jogados por Vercillo na web ao longo de 2015 no projeto Extra-físico, Vida é arte - 14º álbum da discografia do artista e o décimo álbum solo gravado pelo cantor em estúdio - expõe vícios, virtudes e a diversidade que vem pautando o cancioneiro do compositor. Diversidade que, no caso de Vida é arte, está longe de ser virtude, pois o disco deixa a impressão de que Vercillo atira em vários alvos sem acertar a maioria. A rigor, para quem adora rotulá-lo como o genérico de Djavan, há apenas uma canção que remete - ainda assim, de longe - às levadas da obra do compositor alagoano. É Permissão, música composta por Vercillo com letra de Dudu Falcão. A faixa que mais se encaixa na moldura popular radiofônica é Pra valer (Jorge Vercillo), música com jeito de hit feita - essa, sim - à imagem e semelhança do pop solar do compositor carioca Lulu Santos. Vercillo brilha mais como compositor quando se parece com... ele mesmo. De belo contorno harmônico, a canção-título Vida é arte sobressai na irregular safra autoral do disco. Trata-se de canção de amor que correlaciona a paixão à arte da pintura com abordagem do tema mais luminosa do que a feita na música Acontecência (Jorge Vercillo e Junior Meirelles), de versos (bem) mais triviais. Vida é arte, o álbum, toca também em assuntos transcendentais em músicas como Cegueira da visão - canção feita pelo norte-americano Patrick Leonard com base em letra escrita por Vercillo sobre os limites do mundo material - e Luzes que se movem pelo céu, parceria de Vercillo com Flávio Venturini que versa sobre ovnis. Esta canção é bonita, mesmo sem chegar ao céu atingido por Fênix (2003), primeira e mais inspirada música assinada conjuntamente pelos compositores. Entre canção pop que se banha na praia do reggae (Talismã sem par, composta por Vercillo sem parceiros) e pálida incursão pelo universo nordestino do baião (em Amparados, parceria de Vercillo com o baiano Jota Velloso), o cantor tropeça ao subir o morro na cadência pouco sedutora do samba-funk Silêncio na favela (Jorge Vercillo), no qual o cantor alinha clichês sobre as comunidades com a adesão da voz e do baticum do baiano Carlinhos Brown. Em clima mais íntimo, o anfitrião esboça clima jazzy com a cantora e compositora carioca Luana Mallet, coautora e convidada da canção Quem. Já Noite dos jangadeiros - outra parceria de Vercillo com o compositor baiano Jota Velloso - soa como simulacro ao se jogar no mar desbravado por Dorival Caymmi (1914 - 2008) a partir da década de 1930. Melhor faz Vercillo ao regravar Pode ser, canção de lavra própria desde 2002 ouvida somente na voz do cantor Pedro Mariano. No todo, o álbum Vida é arte reitera a sensação - corroborada por Desafio (Beto Dourah e Jorge Vercillo) - de que o artista já apresentou safras autorais mais uniformes e inspiradas. Tivesse sido formatado como EP de seis músicas, o disco obteria resultado mais harmonioso, pois nem tudo é arte na vida.

Luca disse...

não ouvi o disco, nem curto o som do Vercilo mas ele é o artista que os críticos amam odiar, o cara pode até fazer um grande disco que vão meter o malho

Rhenan Soares disse...

Acho tão difícil ouvir um disco inteiro do Vercillo. Tudo é sempre parecido demais. Bocejo, daí nunca o ouço. Mas até a quinta faixa eu achei razoável, não é a pior coisa do universo, não.

Essa capa é imperdoável.

André M. Amorim disse...

Anos atras ganhei um cd do moço... Acho que ouvi uma vez e ainda pulando as faixas.

Edinaldo Brito disse...

Gosto de pouquíssimas canções do Vercillo... Mais uma vez um disco que já nasce com a sensação de dejavu.
A capa está terrível.

Mauro Silva disse...


Eu ainda não escutei este novo trabalho do Vercilo , mas mesmo se for ruim, todo artista tem seus momentos'baixos'isso faz parte da trajetória.

De qualquer forma o Jorge Vercilo tem ótimos albuns, que é uma delícia ouvir: Encontro das Águas, Leve, Elo, Signo de Ar, Todos Nós somos UM.

Marcelo Aragão disse...

Já vi um show dele e no início da sua carreira acompanhei os trabalhos, mas parei no "todos nós somos um". Ele é um excelente cantor, excelente instrumentista, mas acho que sofre do mesmo mal da Ana Carolina, que se tornou refém de suas próprias músicas e corre atrás do próprio rabo. Vercillo deveria investir em um cd de intérprete, ou admitir amealhar canções de outros compositores. Acho que ficou bacana falar mal do cara, como se ele fosse uma mentira, ou alguma coisa manipulada pra funcionar. Acho o disco "Leve"excelente e tirando aquelas bobagens de "adoro andar no abismo" o disco ELo tamb´´m tem ótimos momentos. Mas concordo que com essa capa não tem como te defender Vercillo.

André Luís disse...

Bastante injusto dar 2 estrelas para o novo trabalho do Vercillo. Ele é um dos poucos artistas que conseguem transitar com naturalidade entre diversos gêneros musicais sem perder a qualidade, simplesmente porque "versatilidade" é uma característica marcante de Jorge Vercillo.
Como bem disse o Luca em seu comentário mais acima, o Jorge Vercillo, desde que começou a fazer sucesso, é o artista que os críticos amam odiar, tecendo comentários, na maioria das vezes, rasos, sem conhecimento, sem uma análise justa.
Sobre a capa, até concordo que está muito mal trabalhada. Parece até capa de coletânea. Mas... apesar da importância da arte visual no marketing, fiquemos com a música dessa vez.
Ah! Vamos parar com essa de "genérico de Djavan". Já encheu o saco. O cantor e compositor alagoano é, inegavelmente, um dos grandes da nossa música, mas Vercillo também tem seu valor e há muito tempo tem suas qualidades expostas, personalidade musical definida e é dono de sua obra. Ele soube e sabe beber de suas influências, que são inúmeras e perceptíveis pra quem tem respeito e boa vontade de notá-las.

Exímio cantor e violonista, além de um compositor sensível e criativo, Jorge Vercillo está de parabéns por mais um belo trabalho, muito bem produzido. Os músicos presentes na gravação (e turnê), como sempre, são incríveis.

Unknown disse...

Olha, acho Vercillo melhor em show do que em disco. Acho o Leve excelente álbum, mas os demais são cansativos. Quanto a musica Pra valer devemos lembrar que Lulu Santos e Jorge Vercillo bebem da mesma fonte: Michael Jackson e musica americana.