Título: Vida é arte
Artista: Jorge Vercillo
Gravadora: Edição independente do artista / Radar Records
Cotação: * *
♪ Lançado nas plataformas digitais em dezembro de 2015 e em edição física em CD (distribuída via Radar Records) neste primeiro trimestre de 2016, Vida é arte em nada vai alterar o status de Jorge Vercillo no mercado fonográfico. O cantor, compositor e músico carioca completa 22 anos de carreira fonográfica em 2016 com obra já desgastada, alvo de piadas na web por ter remetido de início ao cancioneiro de Djavan. Precedido por seis singles jogados por Vercillo na web ao longo de 2015 no projeto Extra-físico, Vida é arte - 14º álbum da discografia do artista e o décimo álbum solo gravado pelo cantor em estúdio - expõe vícios, virtudes e a diversidade que vem pautando o cancioneiro do compositor. Diversidade que, no caso de Vida é arte, está longe de ser virtude, pois o disco deixa a impressão de que Vercillo atira em vários alvos sem acertar a maioria. A rigor, para quem adora rotulá-lo como o genérico de Djavan, há apenas uma canção que remete - ainda assim, de longe - às levadas da obra do compositor alagoano. É Permissão, música composta por Vercillo com letra de Dudu Falcão. A faixa que mais se encaixa na moldura popular radiofônica é Pra valer (Jorge Vercillo), música com jeito de hit feita - essa, sim - à imagem e semelhança do pop solar do compositor carioca Lulu Santos. Vercillo brilha mais como compositor quando se parece com... ele mesmo. De belo contorno harmônico, a canção-título Vida é arte sobressai na irregular safra autoral do disco. Trata-se de canção de amor que correlaciona a paixão à arte da pintura com abordagem do tema mais luminosa do que a feita na música Acontecência (Jorge Vercillo e Junior Meirelles), de versos (bem) mais triviais. Vida é arte, o álbum, toca também em assuntos transcendentais em músicas como Cegueira da visão - canção feita pelo norte-americano Patrick Leonard com base em letra escrita por Vercillo sobre os limites do mundo material - e Luzes que se movem pelo céu, parceria de Vercillo com Flávio Venturini que versa sobre ovnis. Esta canção é bonita, mesmo sem chegar ao céu atingido por Fênix (2003), primeira e mais inspirada música assinada conjuntamente pelos compositores. Entre canção pop que se banha na praia do reggae (Talismã sem par, composta por Vercillo sem parceiros) e pálida incursão pelo universo nordestino do baião (em Amparados, parceria de Vercillo com o baiano Jota Velloso), o cantor tropeça ao subir o morro na cadência pouco sedutora do samba-funk Silêncio na favela (Jorge Vercillo), no qual o cantor alinha clichês sobre as comunidades com a adesão da voz e do baticum do baiano Carlinhos Brown. Em clima mais íntimo, o anfitrião esboça clima jazzy com a cantora e compositora carioca Luana Mallet, coautora e convidada da canção Quem. Já Noite dos jangadeiros - outra parceria de Vercillo com o compositor baiano Jota Velloso - soa como simulacro ao se jogar no mar desbravado por Dorival Caymmi (1914 - 2008) a partir da década de 1930. Melhor faz Vercillo ao regravar Pode ser, canção de lavra própria desde 2002 ouvida somente na voz do cantor Pedro Mariano. No todo, o álbum Vida é arte reitera a sensação - corroborada por Desafio (Beto Dourah e Jorge Vercillo) - de que o artista já apresentou safras autorais mais uniformes e inspiradas. Tivesse sido formatado como EP de seis músicas, o disco obteria resultado mais harmonioso, pois nem tudo é arte na vida.



















