Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 2 de junho de 2015

Fábio Jr. busca juventude em confessional CD de inéditas inspirado pelo r&b

Resenha de CD
Título: Fábio Jr.
Artista: Fábio Jr.
Gravadora: Sony Music
Cotação: * 1/2

"Tô ficando / Tô namorando / Tô beijando pra caramba". Esses primeiros versos cantados por Fábio Jr. em seu primeiro disco de inéditas em 11 anos dão a pista certa de Fábio Jr., o CD ora lançado pela gravadora Sony Music. Tais versos abrem a música Amém amor, assinada pelo artista paulistano com Dudu Borges e Silvera, produtores do disco. Trata-se de um rock infectado com o suingue da música negra norte-americana, efeito provável do benéfico envolvimento de Silvera na composição, no arranjo e na produção da faixa. Aos 61 anos, Fábio busca com sofreguidão a juventude neste álbum confessional e por vezes autorreferente, como já sinalizara o single O que importa é a gente ser feliz (Fábio Jr. e Dudu Borges), lançado previamente nas plataformas digitais em novembro de 2014. Fábio não apresentava repertório inédito e autoral desde o disco O amor é mais (Sony Music, 2004).  Em onze anos, muita coisa mudou no mercado fonográfico, hoje dominado pelo sertanejo de rala cepa pop. A associação de Fábio com Dudu Borges - produtor-grife desse estilo de sertanejo - é uma tentativa de atualizar o som do cantor. Só que adesão de Silvera - nome artístico do paulistano Silvio Luis da Silva, cantor, compositor e produtor que pauta seu trabalho pelo suingue da black music norte-americana, sobretudo pelo balanço do r&b e do soul - na confecção do álbum deu cara inesperada ao disco. Os metais inseridos em músicas como O que você quiser (Fábio Jr. e Dudu Borges) sopram o balanço da música-negra. Baladas como Tô investindo nessa história (Fábio Jr., Jorge e Dudu Borges) e Eu acredito de novo (Fábio Jr. e Dudu Borges) expõem o tempero do r & b. A questão é que o disco parece ter sido pautado por certa artificialidade na composição e formatação da maioria das dez músicas inéditas. A única emoção real parece vir de Sempre que estamos juntos (Fábio Jr.), faixa que simboliza a reconciliação do artista com sua filha Cleo Pires, que canta (mal) os versos da segunda parte da música. Como compositor, no todo, Fábio já mostrou em discos dos anos 1980 bem mais inspiração e sensibilidade do que expõe em canções como Família, música assinada por ele sem parceiros, assim como Chega, música que fecha o disco com arranjo mais introspectivo, criado com adições minimalistas de violão, piano e cordas regidas pelo maestro Otávio de Moraes. Enfim, por mais que os versos das músicas soem confessionais, parece faltar uma real verdade nas letras e melodias do CD Fábio Jr..

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ "Tô ficando / Tô namorando / Tô beijando pra caramba". Esses primeiros versos cantados por Fábio Jr. em seu primeiro disco de inéditas em 11 anos dão a pista certa de Fábio Jr., o CD ora lançado pela gravadora Sony Music. Tais versos abrem a música Amém amor, assinada pelo artista paulistano com Dudu Borges e Silvera, produtores do disco. Trata-se de um rock infectado com o suingue da música negra norte-americana, efeito provável do benéfico envolvimento de Silvera na composição, no arranjo e na produção da faixa. Aos 61 anos, Fábio busca com sofreguidão a juventude neste álbum confessional e por vezes autorreferente, como já sinalizara o single O que importa é a gente ser feliz (Fábio Jr. e Dudu Borges), lançado previamente nas plataformas digitais em novembro de 2014. Fábio não apresentava repertório inédito e autoral desde o disco O amor é mais (Sony Music, 2004). Em onze anos, muita coisa mudou no mercado fonográfico, hoje dominado pelo sertanejo de rala cepa pop. A associação de Fábio com Dudu Borges - produtor-grife desse estilo de sertanejo - é uma tentativa de atualizar o som do cantor. Só que adesão de Silvera - nome artístico do paulistano Silvio Luis da Silva, cantor, compositor e produtor que pauta seu trabalho pelo suingue da black music norte-americana, sobretudo pelo balanço do r&b e do soul - na confecção do álbum deu cara inesperada ao disco. Os metais inseridos em músicas como O que você quiser (Fábio Jr. e Dudu Borges) sopram o balanço da música-negra. Baladas como Tô investindo nessa história (Fábio Jr., Jorge e Dudu Borges) e Eu acredito de novo (Fábio Jr. e Dudu Borges) expõem o tempero do r & b. A questão é que o disco parece ter sido pautado por certa artificialidade na composição e formatação da maioria das dez músicas inéditas. A única emoção real parece vir de Sempre que estamos juntos (Fábio Jr.), faixa que simboliza a reconciliação do artista com sua filha Cleo Pires, que canta (mal) os versos da segunda parte da música. Como compositor, no todo, Fábio já mostrou em discos dos anos 1980 bem mais inspiração e sensibilidade do que expõe em canções como Família, música assinada por ele sem parceiros, assim como Chega, música que fecha o disco com arranjo mais introspectivo, criado com adições minimalistas de violão, piano e cordas regidas pelo maestro Otávio de Moraes. Enfim, por mais que os versos das músicas soem confessionais, parece faltar uma real verdade nas letras e melodias do CD Fábio Jr..

ADEMAR AMANCIO disse...

Cantor,compositor,ator e galã subnutrido.Pra muita gente,o seu currículo só ganha status como pai da Cleo Pires.

Sweet Kiwi disse...

O disco é ótimo, pra quem curte o trabalho do Fábio dos anos 80 e 90, lembra muitos elementos de discos anteriores. Me fez lembrar do álbum de 1991, que era bem POP, só que com uma pegada mais moderna, todas as faixas tem a cara dele, a música de trabalho "O que importa é a gente ser feliz", seria hit, se houvesse um mercado no segmento POP-Romântico no Brasil de hoje... A lástima é que só tem espaço pra sertanejo, funk-ostentação, gospel, ou MPB-hipster, pra aficionados do gênero.

Alan disse...

Pro Fábio Jr o CD está ótimo, mas o Mauro ouve com os ouvidos de MPB, não como algo inserido dentro de um gênero, dai fica difícil pra gêneros populares emplacarem aqui no blog.

Mauro Ferreira disse...

Sweet Kiwi e Alan, como jamais me porto como dono da verdade, considero a hipótese de ter analisado o disco com rigor excessivo. É que, ao ouvir um disco de Fábio, inevitavelmente confronto esse disco com os álbuns lançados na fase da Som Livre, época em que Fábio era - aos meus ouvidos - um compositor bem mais interessante e alheio às leis do mercado fonográfico. Enfim, talvez venha daí o rigor da resenha. Grato aos dois pelos comentários. Abs, Mauro Ferreira

Cassius Burle disse...

Cantor e compositor brega e medíocre, me pergunto por que o mercado fonográfico brasileiro insiste em lançar mais um cd de Fábio Jr., que a esta altura já deveria ter virado peça horrorosa de museu. A culpa talvez seja da própria MPB que atravessa uma época horrível, onde os medalhões se repetem sucateando suas obras e a cena ´indie´não apresenta artistas que caiam no gosto popular. Gravadoras vivem de vender discos e para isso vale qualquer porcaria. Talvez os discos de Luan Santana e Marjorie Estiano batam recordes no quesito ruindade...

Alan disse...

Ah, tudo bem Mauro. Claro que não é um disco 5 estrelas, mas não ruim a ponto de ter só uma e meia. Acho que o Fábio só queria se renovar um pouco e até por isso chamou o Dudu Borges pra produzir o CD. Mas claro q respeito sua opinião.

Rafael M. disse...

Ninguém merece ouvir Cleo Pires cantando, ainda mais com Fábio Júnior.

Rafael M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.