Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

EP 'Por onde eu for' conduz Leila Pinheiro a algum lugar (arcaico) do passado

Resenha de EP
Título: Por onde eu for
Artista: Leila Pinheiro 
Gravadora: Tacacá Music
Cotação: * * 1/2
Disco já disponível para audição no portal SoundCloud

Em fevereiro deste ano de 2015, Leila Pinheiro iniciou movimento de garimpo de repertório para gravar um EP, Por onde eu for,  lançado em formato digital e, na sequência quase imediata, em edição física em CD. Há dez anos sem lançar um grande disco à altura de seus méritos como cantora (o último, Nos horizontes do mundo, saiu em 2005 via Biscoito Fino), a cantora e eventual compositora paraense conseguiu músicas inéditas de Adriana Calcanhotto (o samba que dá título ao disco) e Marina Lima (Chega pra mim, parceria da artista carioca com Márcio Tinoco), além de ter reencontrado uma parceria sua com Zélia Duncan, Todas as coisas valem, no acervo do DJ Zé Pedro, a quem recorreu para montar o repertório do disco. Com quatro faixas, completadas com a regravação da balada Você em mim (Guilherme Arantes, 2013), o EP produzido por André Vasconcellos está linkado ao show - também intitulado Por tudo que for - que Leila estreia neste mês de junho de 2015 em turnê que inicia sua rota nacional por São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). É um show de piano (o de Leila) e teclados (o de Rodrigo Tavares) que vai abordar as quatro músicas do EP, entre outras composições. Pode ser que esse repertório ganhe mais vida em cena. No disco, Por onde eu for conduz Leila a algum lugar já arcaico do passado da música brasileira. Falta frescor às interpretações e, sobretudo, aos arranjos. A música de Marina - composta com inspiração no samba Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) - é prejudicada pelo uso excessivo dos teclados e efeitos de Rodrigo Tavares. O samba típico de Adriana Calcanhotto - composto em 2011 em homenagem a Marisa Monte e gravado por Leila com músicos como Marcos Suzano (percussão), Adriano Trindade (bateria) e André Siqueira (violão) - tem arranjo mais bem estruturado, mas se ressente, no canto de Leila, da ausência da verve espirituosa que somente Calcanhotto sabe imprimir em seus sambas. Gravada com os mesmos músicos do samba de Calcanhotto, a balada apaixonada de Arantes ganha clima de bossa nova que reitera o apuro técnico do canto de Leila. Por fim, a parceria de Leila com Zélia - Todas as coisas valem, gravada com a participação de Zélia e a mesma banda do disco - tem tom abolerado. É uma música bonita que poderia crescer com uma sonoridade mais arejada. Enfim, Por onde eu for chega à web sem cacife para renovar o som, o público e o status de Leila Pinheiro no mercado fonográfico brasileiro.

12 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Em fevereiro deste ano de 2015, Leila Pinheiro iniciou movimento de garimpo de repertório para gravar um EP, Por onde eu for, a ser lançado em edição digital. Há dez anos sem lançar um grande disco à altura de seus méritos como cantora (o último, Nos horizontes do mundo, saiu em 2005 via Biscoito Fino), a cantora e eventual compositora paraense conseguiu músicas inéditas de Adriana Calcanhotto (o samba que dá título ao disco) e Marina Lima (Chega pra mim, parceria da artista carioca com Márcio Tinoco), além de ter reencontrado uma parceria sua com Zélia Duncan, Todas as coisas valem. Com quatro faixas, completadas com a regravação da balada Você em mim (Guilherme Arantes, 2013), o EP está linkado ao show - também intitulado Por tudo que for - que Leila estreia neste mês de junho de 2015 em turnê que inicia sua rota nacional por São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). É um show de piano (o de Leila) e teclados (o de Rodrigo Tavares) que vai abordar as quatro músicas do EP, entre outras composições. Pode ser que esse repertório ganhe mais vida em cena. No disco, Por onde eu for conduz Leila a algum lugar já arcaico do passado da música brasileira. Falta frescor às interpretações e, sobretudo, aos arranjos. A música de Marina - composta com inspiração no samba Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) - é a mais prejudicada pelo uso de teclados. O samba típico de Adriana Calcanhotto - composto em 2011 em homenagem a Marisa Monte - se ressente, no canto de Leila, da ausência da verve espirituosa que somente Calcanhotto sabe imprimir em seus sambas. A balada apaixonada de Arantes ganha clima de bossa nova que reitera o apuro técnico do canto de Leila. Por fim, a parceria de Leila com Zélia - Todas as coisas valem, gravada com a participação de Zélia - tem tom abolerado. É uma música bonita que poderia crescer com uma sonoridade mais arejada. Enfim, Por onde eu for chega à web sem cacife para renovar o som, o público e o status de Leila Pinheiro no mercado fonográfico.

Rafael M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael M. disse...

Pelo visto ela não conseguiu os 95 mil de que precisava para fazer tal EP tão caro... Melhor jogar mesmo no Soundcloud, assim todos tem acesso gratuito ao seu trabalho.

Rafael M. disse...

E o disco "Raiz" não conta na discografia dela???

Bruno Cavalcanti disse...

Lembro de ler uma crítica do disco "Na Ponta da Língua", pelo Pedro Alexandre Sanches, na Folha de São Paulo, com colocações muito próximas a essas. Na época a reclamação era de que Leila ainda soava arcaica, pesada e sem leveza. Depois, na mesma Folha, em 2005, a crítica de "Nos Horizontes do Mundo" apontou para o excesso de teclados que pasteurizou algumas canções. Adoro a Leila, está no meu hall de cantoras favoritas, mas os últimos trabalhos dela tem um ar meio bossa nova, mas nada natural. Aquele disco ao vivo com o Eduardo Gudin, por exemplo, achei uma delícia, leve e com arranjos sensacionais. O "Agarradinhos", com o Menescal também era leve, mas soava já velho, com interpretações sem viço... Leila segue cambaleando. E aquele disco baseado no show de sambas... ao que parece ficou na história, e era um bom show que acho que poderia dar um ótimo disco.

Rafael M. disse...

Acabei de ver no Kickante que ela atingiu a meta necessária (95 mil!!!!) para a produção do EP. É um feito e tanto para um EP de quatro músicas, mesmo sendo de uma cantora famosa. Sinceramente achava que ela não teria cacique para tanto... Parabéns a cantora pelo feito!!!

Rafael M. disse...

Ouvi as músicas e adorei, mas ainda acho que ela deveria lançar um disco inteiro de inéditas.

Roger Souza disse...

Acabei de ouvir e gostei bastante das quatro músicas! O que é frescor? Toda cantora tem que fazer um Recanto pra ser atual? Pra mim cada uma tem um estilo e casa um tem uma preferência musical. Eu por exemplo achei péssimo o novo disco da Tulipa enquanto muitos amaram. Salve Leila!

labelle petit disse...

Menos MAURO menos, Acabei de ouvir o EP ta lindo, Leila sempre maravilhosa!

Val Js disse...

Acabei de ouvir e gostei muito, especialmente do dueto com Zélia Duncan. Trabalho coerente com o histórico da cantora. Não entendi o porque de "em algum lugar (arcaico) do passado"?!!!

Luca disse...

O Mauro não pode impor que as cantoras fiquem gravando com essa turma de agora

Luca disse...

não é por que Gal fez que Leila tem que fazer, ora, vá em frente, Leila